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Dos Santos, Rafael José. (2005). Antropologia para quem não vai ser Antropólogo.

Paginas
17 – 36.

Filipe Lucas Ndodacuyo

Seminário I

O que é Antropologia?

A matéria das Ciências Sociais não só é o desconhecimento da comunidade dos iletrados,


pois mesmo os estudantes começam se questionar quando esta consta no seu currículo
para entender o que é e qual é a sua utilidade. Além de que relacionam o protótipo do
antropólogo na Selva, em busca de aventuras e em desvendar histórias, outros o
confundem com outros tipos de profissionais relacionadas com a pesquisa histórica, como
os arqueólogos e ou os paleontólogos, pelo facto de eles estudar fósseis ou algo
relacionado. Outro questionamento quanto a Antropologia é o significado do seu nome,
que traduz se no estudo do homem, mas que atualmente é inválido, porque não tem um
sentido próprio e abrange o geral. Portanto, a Antropologia não tem um conceito
objectivo, ela é um conjunto de estudos e pesquisas das coisas que estão no meio social,
seja em relação à cultura, à educação, à política, etc., desde a sociedade dos índios até a
sociedade actual.

Como surgiu?

A Antropologia surgiu na Europa, aproximadamente no século XI na mesma época que


surgiu a Sociologia. Já que iniciaram da mesma forma devido aos contextos sociais,
econômicos, políticos e culturais da época, foi motivo de várias comparações com a
Sociologia, sendo a Sociologia uma ciência da sociedade industrial, sociedade esta que
prevalecia na época. Com o surgimento do capitalismo, a Antropologia teve uma forte
ligação com a mesma, sendo este parte de sua origem histórica refletido nas teorias da
mesma. Além disso, sofreu influências do positivismo, do evolucionismo, entre outras
correntes.

Evolucionismo Social

Com o pensamento do evolucionismo, o meio europeu daquela época teve fortes


influências das Ciências da Natureza, onde destaca-se os intelectuais Pierre Lamarck e
Charles Darwin, ambos com teorias que tratavam da evolução da sociedade que
representava um grande avanço. Para Lamarck, as sociedades evoluíam por consequência
de mudanças e adaptações no meio ambiente. Enquanto para Darwin, o indivíduo evoluía
se por meio de uma seleção natural. Ambos tinham a mesma ideia de que o ser humano
evoluía do mais simples para o mais complexo. É por isso que vários outros pensadores da
época resolveram partir desse método, inclusive os antropólogos que levaram vários de
seus aspectos para a ciência da Antropologia. Desde já, Henry Lewis Morgan (antropólogo)
criou uma percepção de que existia humanidade selvagem, bárbara e civilizada, por
critério de evolução. Enquanto James Frazer defendeu a evolução do pensamento, que
passa por estágios que seriam magia, religião e ciência. Mas esse pensamento teve critério
na sociedade Europeia, porque os mesmos se classificavam evolucionistas, considerando-se
civilizados e tinham as colônias como primitivas.

O Positivismo

Tal como o evolucionismo, o Positivismo também surgiu a partir das Ciências da Natureza,
embora estava relacionado com a racionalidade e com a ajuda dos meios naturais, nasceu
a Sociologia positivista através de Auguste Comte. Ele defendia que as explicações dos
homens para os fenômenos passam por três fases: a teleológica ou fictícia, a metafísica ou
abstrata e a científica ou positivista, onde as explicações seriam baseadas em ações
sobrenaturais, em especulações filosóficas e nos métodos científicos, respetivamente. É
por isso e com o tempo, que os antropólogos e sociólogos passaram a não ter mais
interesse em estudar a sociedade de acordo com o meio natural mas sim com o homem
social como um ser racional. Contudo é importante salientar que mesmo que a
Antropologia e a Sociologia tenham descartado o evolucionismo e positivismo no método
das suas pesquisas, existe ainda sim a presença desses no nosso modo de pensar e olhar a
vida social.

Meio e Raça

Por algum tempo, o pensamento do determinismo geográfico também foi muito utilizada
para explicar as diferenças das regiões ou para explicar porque é que um lugar é mais
desenvolvido enrolação ao outro, e a resposta era de que o tempo quente ou frio nos torna
mais trabalhador ou mais preguiçoso, respetivamente. Contudo, a Antropologia mudou
essas teorias ao afirmar que mesmo as sociedades que são semelhantes geograficamente
ou climaticamente possuem diferenças em relação à cultura, visto que é uma questão de
natural e não de causa e efeito. O determinismo biológico também foi utilizado
comparando as raças com o nível de desenvolvimento da sociedade, tal que nos Estados
Unidos, até pouco tempo os negros eram considerados inferiores. No entanto, é
importante dizer que as mudanças sociais são frequentes e umas são mais fáceis de serem
vistas do que outras atualmente, através da globalização. Nesses casos, a Antropologia
configura se principalmente na História, levando nos a entender que há uma grande
diversidade cultural entre as sociedades, mas que são apenas diferenças e não
desigualdades geográficas ou biológicas.

Etnocentrismo

Entende se Etnocentrismo como a nossa maneira de ser na sociedade que traduz vários
conflitos e dificuldades para a Antropologia, em termos metodológicos ou políticos. Seja
quando for a nossa cultura social ou individual, que arrecadamos desde crianças,
prevalecem mesmo em outras realidades ou por outra, quando temos ideias baseadas na
raça e no meio, tomamos as convicções de uma sociedade superior a de outra. Como
desafio da Antropólogo, é descobrir a relatividade e a relevância das várias culturas, tanto
em relação aos nossos princípios, quanto ao que nos motiva a pensar politicamente sobre
um determinado ponto de vista.

Conclusão

Em meio a tanta informação coletada, é possível concluir que a antropologia tem, como um
de seus vários objetivos, transformar o que é de outras culturas como se fosse. Conhecer
culturas diferentes e, ao mesmo tempo, reunir elementos para refletir sobre nossa própria
sociedade, pois a reflexão nos prova que somos mais tribais do que imaginamos.

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