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Governo do Estado do Rio de Janeiro


Secretaria de Estado de Educação

Comte Bittencourt
Secretário de Estado de Educação

Andrea Marinho de Souza Franco


Subsecretária de Gestão de Ensino

Elizângela Lima
Superintendente Pedagógica

Coordenadoria de Área de conhecimento


Maria Claudia Chantre

Assistentes
Carla Lopes
Fabiano Farias de Souza
Roberto Farias
Verônica Nunes

Texto e conteúdo

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Capa
Luciano Cunha

Revisão de texto
Prof ª Alexandra de Sant Anna Amancio
Pereira
Prof ª Andreia Cristina Jacurú Belletti
Prof ª Andreza Amorim de Oliveira Pacheco.
Prof ª Cristiane Póvoa Lessa
Prof ª Deolinda da Paz Gadelha
Prof ª Elizabete Costa Malheiros
Prof ª Ester Nunes da Silva Dutra
Prof ª Isabel Cristina Alves de Castro Guidão
Prof José Luiz Barbosa
Prof ª Karla Menezes Lopes Niels
Prof ª Kassia Fernandes da Cunha
Prof ª Leila Regina Medeiros Bartolini Silva
Prof ª Lidice Magna Itapeassú Borges
Prof ª Luize de Menezes Fernandes
Prof Mário Matias de Andrade Júnior
Paulo Roberto Ferrari Freitas
Prof ª Rosani Santos Rosa
Prof ª Saionara Teles De Menezes Alves
Prof Sammy Cardoso Dias
Prof Thiago Serpa Gomes da Rocha

Esse documento é uma curadoria de materiais que estão disponíveis na internet, somados à
experiência autoral dos professores, sob a intenção de sistematizar conteúdos na forma de
uma orientação de estudos.

©️ 2021 - Secretaria de Estado de Educação. Todos os direitos reservados.

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História – Orientações de Estudo

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 6

2. Aula 1 – A inserção dos ex- excravos, após a abolição 7

3. Aula 2 – A luta contra o racismo 9

4. Aula 3 – Iluminismo e Cidadania 12

5. Aula 4 – Revolução Industrial e seus impactos 16

6. Aula 5 – Atividades 18

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 19

8. RESUMO 20

9. INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS 20

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COMPONONENTE CURRICULAR: História

ORIENTAÇÕES DE ESTUDOS PARA HISTÓRIA

2º Bimestre de 2020 – 8 º ano do Ensino Fundamental Regular

META:

Apresentar os mecanismos de exclusaõ e de luta contra o racismo.


Contextualizar o conceito de cidadania a partir das ideias iluministas.
Reconhecer os impactos da Revolução Industrial.

OBJETIVOS:

 Identificar os mecanismos de inserção dos negros na sociedade


brasileira pós-abolição;
 Reconhecer como o movimento Iluminista contribuiu para o
conceito de cidadania dos dias atuais.
 Identificar o processo e os impactos da Revolução Industrial

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1. INTRODUÇÃO

O estudo da História é fundamental para enterdermos nosso lugar no mundo.


Nosso lugar como agente transformador da nossa sociedade. Quando conhecemos a
História somos capazes de entender melhor nosso presente e projetarmos nosso
futuro. Os acontecimentos históricos estão entrelaçados e repercutem uns nos outros.
Não há um fato isolado na História. A escravatura trouxe marcas profundas para a
sociedade brasileira, que conseguimos reconhecer até os dias de hoje, como por
exemplo o racismo. A forma como a escravatura foi abolida gerou imensos problemas
para a população que foi escravizada. A luta por uma cidadania plena ainda é
presente nos dias atuais.

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2. Aula 1 A inserção dos ex- excravos, após a abolição

Para tratarmos da inserção, ou seja, de como as pessoas que foram escravizadas


conseguiram fazer parte da sociedade brasileira depois que foram libertas, é
importante falarmos, mesmo que rapidamente, de como elas viviam quando eram
escravas. As condições de vida de um escravo eram péssimas: má alimentação,
maus tratos físicos e psicológicos, trabalho excessivo. Ou seja, as pessoas
escravizadas eram tratadas como “peças” de trabalho. Eram totalmente
desumanizadas, não consideradas como gente.
A escravidão foi utilizada no Brasil do século XVI até o século XIX ! Foram 300
anos de exploração dessas pessoas. O Brasil foi um dos últimos países a abolir a
escravidão. E isso é bem fácil de se entender: toda a economa colonial e boa parte da
economia imperial estava baseada no trabalho escravo. Os senhores ganhavam muito
dinheiro às custas do trabalho das pessoas escravizadas: elas estavam trabalhando
nas plantações de cana, de café, de fumo, extraindo ouro das minas, fazendo todo o
trabalho doméstico….ou seja, o trabalho escravo era fundamental para o
funcionamento da sociedade e da economia. Arrancados da África, perdiam suas
relações familiares e sociais.

Existem muitos filmes e livros que tratam da vida das pessoas escravizadas no Brasil.
Pesquise!

 Como era a vinda para o Brasil no navio negreiro;

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 O dia-a-dia de uma pessoa escravizada nas plantações;

 Quais castigos sofriam e como resistiram à escravidão.

 Como praticavam sua religiosidade longe da África.

Já vimos que as pessoas escravizadas eram tratadas como “peças” durante a


escravidão, mas e depois que a escravidão foi abolida ? De que forma essas pessoas,
que não eram mais escravizadas, passaram a viver na sociedade?
Somente em 1888 o Brasil aboliu a escravidão (Lei Áurea). Depois disso, os ex-
escravos tiveram muitas dificuldades para se inserir de forma digna na sociedade,
brasileira porque não tiveram condições financeiras ou assistência do Estado
para saírem de uma condição de total dependência para uma posição na qual
deveriam organizar, agora “livres”, suas vidas. Por isso, a maioria passou a viver em
péssimas condições e a sobreviver de trabalhos informais e mal pagos.

É importante apontarmos que a abolição dos escravos, embora houvessem


campanhas abolicionistas que realmente se importavam com as pessoas
escravizadas, não ocorreu por questões humanitárias e sim por novos
interesses econômicos.

Para que essas pessoas fossem integradas de forma digna à sociedade seria
necessário um conjunto de ações que promovessem essa inclusão, mas como
sempre foram vistas como “não gente” não houve qualquer preocupação das
autoridades em preparar essa inseção. As pessoas foram simplesmente
abandonadas, sem nenhuma condição de participar de forma autônoma na
sociedade. A escravidão foi abolida, mas a estruta de opressaõ econômica e social
não foi alterada. Os ex – escravos não tiveram acesso à educação, à terra, à
participação política. Escrevendo sobre o período pós abolição, o escritor negro Lima
Barreto (1881-1922) ressalta que:

“Nunca houve anos no Brasil em que os pretos (...) fossem mais postos à
margem”.

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Soma-se à esse descaso o preconceito racial, que tinha raízes dentro e fora do
Brasil. É no século XIX que surgem as primeiras teorias racialistas para justificar a
superioridade do europeu branco. Os ex-escravos, além de abandonados à própria
sorte também foram discriminados pela cor. Uniram-se aos trabalhadores
empobrecidos e formaram o segmento da população que “incomodava”, que
“atrapalhava” os novos tempos de progesso republicano. Aí estão as raízes do nosso
racismo.

3. Aula 2 - A luta contra o racismo

Justificar o racismo é injustificável. Praticá-lo é crime. A partir daí podemos


conversar sobre as consequências negativas do racismo em nossa sociedade.
Observe a foto acima. Observou ? Agora compare com a gravura inserida na Aula 1.
Você vê semelhanças entre as imagens ? A gravura e a foto estão separadas no
tempo, por séculos, mas porque será que ainda sim, são parecidas? Por que uma
prática utilizada no período da escravidão foi repetida, no Brasil, no século XX ?

Mas o que é racismo ? Se formos pesquisar, encontraremos algumas definições.


Vamos conhecê-las :

denominação da discriminação e do preconceito (direta ou indiretamente)


contra indivíduos ou grupos por causa de sua etnia ou cor.

conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia entre as raças, entre as
etnias.

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doutrina ou sistema político fundado sobre o direito de uma raça (considerada
pura e superior) de dominar outras.

A sociedade brasileira nos dá mostras que ainda não conseguiu


enfrentar esse problema. Parece que séculos de escravidão marcaram
profundamente o funcionamento de nossa sociedade. Mesmo depois de mais de 100
anos, a população negra ainda encontra ações e pensamentos que a marginalizam e
dificultam o acesso a cidadania plena. Porém, no nosso cotidiano, acabamos tornando
“natural” algumas atitudes, falas, modos de ver, que produzem discriminação e
racismo, prejudicando a vida de milhões de pessoas. O racismo é um problema grave
em nossa sociedade e pesquisas nos mostram isso com muita clareza. Os dados que
serão apresentados são do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no
Brasil, IBGE. 2018. Vamos aos números:

EDUCAÇÃO - , os pretos ou pardos passaram a ser 50,3% dos estudantes de ensino superior da
rede pública, porém, como formavam a maioria da população (55,8%), permaneceram sub-
representados.
Além disso, entre a população preta ou parda de 18 a 24 anos que estudava, o percentual cursando
ensino superior aumentou de 2016 (50,5%) para 2018 (55,6%), mas ainda ficou abaixo do percentual
de brancos da mesma faixa etária (78,8%).

MERCADO DE TRABALHO - os pretos ou pardos representavam 64,2% da população desocupada


e 66,1% da população subutilizada. E, enquanto 34,6% dos trabalhadores brancos estavam em
ocupações informais, entre os pretos ou pardos esse percentual era de 47,3%.

VIOLÊNCIA - Pretos ou pardos são mais atingidos pela violência. Em todos os grupos etários, a
taxa de homicídios dos pretos ou pardos superou a dos brancos. A taxa de homicídios para pretos
ou pardos de 15 a 29 anos chegou a 98,5 em 2017, contra 34,0 para brancos. Para os jovens pretos
ou pardos do sexo masculino, a taxa foi 185,0.

REPRESENTAÇÃO POLÍTICA- Também não há igualdade de cor ou raça na representação


política, apenas 24,4% dos deputados federais, 28,9% dos deputados estaduais e 42,1% dos
vereadores eleitos eram pretos ou pardos.

POBREZA- dos 10% de brasileiros mais pobres, 75% são negros

Para que esse quadro mostre números menos desiguais é necessário


ações dos Governos, promovendo políticas públicas que possam incluir e melhoar a
vida das pessoas. Porem muitos avanços foram conquistados ao longo das últimas
décadas a partir da luta histórica dos movimentos negros. Vamos conhecê-los?

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O movimento negro começou a surgir no Brasil durante o período da
escravidão. Ao final do século XIX e durante uma grande parte do século XX, circulam
jornais e revistas voltados para as questões de racismo, das dificuldades encontradas
no período pós-escravagista, da desigualdade social entre negros e brancos e das
restrições sofridas em decorrência do preconceito racial. Nas décadas de 70 e 80,
grupos são formados com o intuito de unir os jovens negros e denunciar o
preconceito. Protestos e atos públicos das mais diversas formas passam a ser
realizados, chamando a atenção da população e governo para o problema social –
como a manifestação no Teatro Municipal de São Paulo, que resultaria na formação
do Movimento Negro Unificado. Em 1995 realizada em Brasília A Marcha Zumbi,
contou com a presença de 30 mil pessoas, que reivindicavam ações para inclusão dos
negros nos campos socioeducativos.
O que o movimento negro busca ? Entre as reivindicações do movimento negro hoje
em dia está a compensação por todos os anos de trabalho forçado e à falta de
inclusão social após esse período; a falta de políticas públicas destinadas a maior
presença do negro no mercado de trabalho e nos campos educacionais. Também, a
efetiva aplicabilidade das leis que buscam a criminalização do racismo e a plena
aceitação e respeito à cultura e herança histórica. O enfrentamento do racismo
também está nas Leis:

 a primeira, de 1951, conhecida conhecida como “Lei Afonso Arinos”, proibindo


qualquer tipo de discriminação racial no país. Lei 1390/51

 A segunda “Lei Caó”, de 1989, tipificou o crime de racismo no Brasil. Hoje,


esse crime é imprescritível e inafiançável no país. Além da “Lei Caó”, há a injúria racial
(Art. 150, CP), utilizada nos casos de ofensa à honra pessoal, valendo-se de
elementos ligados à cor, raça, etnia, religião ou origem.

 No caso da inclusão dos negros no sistema educacional brasileiro, foi criada a


Lei 12,711/12, que determina a criação de cotas em universidades públicas para a
população negra.

 Para maior presença no campo de trabalho, foi determinada, também, uma


cota relacionada a concursos públicos, através da Lei 12.990/14. 20% das vagas
oferecidas nos concursos são destinadas aos negros.

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Todos esses movimentos deram frutos e hoje é enorme a quantidade de
coletivos, associações, grupos, que de forma organizada, reivindicam políticas de
inclusão e enfrentamento das práticas racistas.

4. Aula 3 - Iluminismo

Para entendermos Iluminismo uma palavra-chave que devemos considerar é


razão. Mas não com o significado de ter “razão em uma discussão”, de “estar certo”.
Razão, aqui nesse contexto, significa utilizar o racional para explicar a natureza e a
sociedade.
É importante lembramos que estamos falando de um movimento filosófico-
científico que surgiu no século XVIII, na Europa. Porem o movimento iluminista foi um
movimento amplo, com muita diversidade, onde vários filósofos e intelectuais atuaram.
Mas, apesar dessa diversidade, podemos estabelecer alguns pontos em comum nesse
movimento. São eles:

 crítica ao ANTIGO REGIME, ou seja, ao ABSOLUTISMO;


 á política MERCANTILISTA;
 ao PODER DA IGREJA;
 à sociedade ESTAMENTAL ( estratificação social bem definida e fechada);
 ao IRRACIONALISMO.

As marcas do pensamento medieval ainda estavam muito fortes e diversos


cientistas e filósofos buscavam, desde o século XVII, com a chamada revolução
científica, combater o predomínio de um pensamento baseado em dognas religiosos.
Como exemplo citamos ISAAC NEWTON, GALILEU GALILEI,JOHANES KEPLER.

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Cientisitas que muito contrinbuiram para o avanço do conhecimento com a criação de
diversas leis científicas. Vale à pena pesquisar sobre a vida deles e seus feitos
científicos.
Nós vimos acima quais pontos os iluministas criticavam, combatiam com suas
ideias. Vamos identificar agora as principais características do pensamento
Iluminista:

 RACIONALIDADE – O uso da RAZAO como uma conquista da humanidade, a


valorização dos métodos científicos, a explicação dos fenômenos da natureza
baseada no empirismo, e não em dognas religiosos.
 HUMANIDADE – o homem deve ser distinto de todo o ambiente natural.
 PROGRESSO – exaltar o sentido do desenvolvimento, da mudança para algo
melhor.
 POLÍTICA – Defesa de um regime RACIONAL, CONTRATUAL e
REPRESENTATIVO.
 ECONOMIA – Defesa da economia de mercado, da produção industriual, ou
seja, do LIBERALISMO.

Por combaterem os dogmas religiosos e fortalecerem a ideia de conhecimento,


pesquisa e terem a razaõ como valor fundamental é que foi se formando na sociedade
um processo que chamamos de laicização, ou seja, retiramos o elemento religiosos
das explicações dos fenômenos naturais.
As ideias iluministas, além de defenderem a razão também fortaleciam
elementos como a igualdade, liberdade e fraternidade. Mais adiante vamos ver
como essas ideias influenciaram a Revolução Francesa, a separação da Igreja e do
Estado, a tolerância religiosa, e principalmente a oposição à monarquia absolutista e
aos dogmas da Igreja Católica Romana. Por valorizar o conhecimento, o século VXIII
também é conhecido como o Século das Luzes. Vamos conhecer agora um pouco
dos principais filósofos iluministas ? Vamos lá!

John Locke
É um dos filósofos iluministas mais conhecidos. Inglês, considerado o “pai” do
liberalismo e fundador do empirismo. Defendia a liberdade de expressão e não
acreditava que Deus tinha o controle sobre o destino dos homens.

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Montesquieu
Pensador responsável por construir a teoria de separação dos três poderes
(Legislativo, Executivo e Judiciário). Considerava que os poderes do Rei deveriam ser
limitados, tinha, portanto, um posicionamento contrário à monarquia.

Voltaire
Filósofo francês. Suas ideias foram essenciais para a Revolução Francesa. Entre as
temáticas escolhidas pelo autor estava a crítica a Igreja Católica (o que resultou em
sua prisão), o liberalismo, e a crítica ao Absolutista.

Jean-Jacques Rousseau
Filósofo suíço. Defendia a democracia direta e a soberania popular. Para ele, o bem
estar social só poderia ser alcançado se a posse de bens acabasse. Todos deveriam
ter acesso às mesmas coisas, compartilhar do mesmo poder.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão


“A Assembleia Nacional reconhece e declara em presença e sob os auspícios do Ser
Supremo, os direitos seguintes do homem e do cidadão”. Assim começa a Declaração
que foi fruto de um duplo desejo da Assembleia Constituinte: atribuir à Revolução um
carater universal de vanguarda, na medida em que os direitos conferidos aos cidadão
franceses deveriam ser estendidos aos cidadãos de todas as nações esclarecidas,
visando uma convinvência fraterna entre seus menbros. Em 1789 foi aprovada pela
Assembleia, assegurando os princípios da liberdade, da igualdade, da fraternidade -
lema da Revolução, além do direito à propriedade.
Com certeza vocês já ouviram muito a palavra “cidadania” e já tiveram a
oportunidade de ler e debater sobre esse tema. Mas a cidadania não pode ser apenas
uma palavra , não é verdade? Ela precisa ser praticada ! Se formos pesquisar no
dicionário teremos a seguinte definição para a palavra cidadania:
Condição de quem possui direitos civis, políticos e sociais, que garante a
participação na vida política.
Então, a partir dessa definição vamos começar a entender o que significa
cidadania, não só como um conceito, uma ideia, mas também como se apresenta na
nossa vida cotidiana e de forma os temas que abordamos nessa apostila
influenciaram na formação desse conceito. Vamos então apresentar a definição dos
direitos acima, que sintetizam a garantia da cidadania.

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 Direitos Civis
Ao falarmos de direitos civis, é importante saber que eles estão associados à
integridade individual assim como às liberdades civis, essenciais para que todo
cidadão usufrua do direito à vida e dos demais direitos naturais.
Bem, vamos voltar um pouco no tempo, precisamente no século XVIII, também
conhecido com Século das Luzes – Iluminismo . A concepção teórica dos direitos
humanos e de cidadania começou a ser elaborada por uma corrente filosófica
denominada iluminismo. Os filósofos iluministas, sobretudo John Locke, Voltaire
e Jean-Jacques Rousseau, lançaram as bases para a percepção moderna da
relação entre Estado e indivíduos ao conceber o ser humano como um indivíduo
dotado de razão e de direitos intrínsecos à sua natureza (“direitos naturais”), como o
direito à vida, à liberdade e à propriedade. Dessa forma, abriu-se espaço para o
nascimento do Estado de Direito.
A história da luta pelos direitos civis pode ser identificada já no século XVII,
quando o parlamento inglês promulgou em 1689 o Bill of Rights (Carta de Direitos),
garantindo ao povo uma série de direitos que o protegia de atos arbitrários por parte
da Coroa.
A Revolução Francesa também teve papel fundamental para identificar esses
direitos, quando cria o documento Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadaõ, aprovado em 1789. Nasceu assim, o conceito atual de que todos os homens
são iguais perante a lei. Nas versões mais modernas, como a Declaração Universal
dos Direitos do Homem, estabelecida pela ONU em 1948, foi mantida essa linha.
Os direitos civis são aqueles relacionados às liberdades individuais. No Brasil o
Artigo 5 da nossa Constituição Federal de 1988 é responsável por garanti-los. Esse
trecho da nossa Carta Magna define que:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos

brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade,

à igualdade, à segurança e à propriedade”.

 Direitos Políticos
Os direitos políticos, juntamente com os direitos civis, são importantes para garantir a
participação do cidadão na sociedade e no governo, impedindo excessos por parte do
poder. Sendo assim, define-se como um conjunto de normas fixadas na Constituição
que estabelecem os direitos dos cidadãos com relação à participação no processo
político .

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É na Idade Moderna, que esse modelo será questionado. A igualdade dos
homens e a possibilidade de cada indivíduo dar sua opinião e participar de decisões
passa a ter importância. Os direitos polítcos foram garantidos no século XIX,
portanto depois dos direitos civis. Um dos passos decisivos na luta pela ampliação
desses direitos foi dado pelo movimento operário europeu, que estendeu o alcance
dos direitos políticos e sociais à categoria dos trabalhadores, uma vez que tinham
reivindicações específicas em relação às condições de trabalho, carga horária,
remuneração, entre outras, e foi necessário organização para lutar por esses direitos.

 Direitos sociais
Todos esses direitos são de competência do poder público (federal, estadual,
municipal ), cuja legislação visa atender às exigências dos cidadãos, que, em
contrapartida, devem se comprometer a preservá-los. Os direitos sociais se
consolidaram já no século XX, com a ideia de que o Estado é quem deve promover e
garantir esses direitos aos cidadãos. Porem, foi a Revolução Industrial, e suas
desumanas condições de trabalho impostas aos operários pelos proprietários das
fábricas, que originou a preocupação e a necessidade de se criar e garantir esse
direito. O descontentamento da classe operária fortaleceu a conscientização sobre a
necessidade de “direitos sociais” que deveriam ser oferecidos pelo Estado. Em 1948
foi criado um documento que será uma marco na defesa dos direitos dos cidadãos: a
Declaração Universal dos Direitos Humanos. Esse documento passou a assegurar
também os direitos sociais e sua base no princípio da dignidade da pessoa humana
e da solidariedade. Seguindo esses preceitos, os direitos sociais passaram a ser
assegurados tanto à nível internacional como nacional. No Brasil, os Direitos Sociais
são uma garantia constante na Constituição Federal de 1988, chamada de
Constituição Cidadã.

5. Aula 4 - Revolução Industrial

A Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra, integra o conjunto das


revoluções burguesas. Do século XVIII, responsáveis pela crise do Antigo Regime, na
passagem do mercantilismo para o acapitaklismo. Os outros dois movimentos que a
acompanham sao a Independenica dos EUA e a Revolução Francesa, que sob
influência dos princípios iluministas, assunalam a transicção da Idade Moderna para a
Idade contemporânea.

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Em seu sentido mais pragmático, a Revolução Industrial significou a
substutição da ferramenta pela máquina, e contribuiu para consolidar o capitalismo
como modo de produção dominante.
Esse momento revolucionário, de passagem da energia humana para a motriz
é o ponto culminante de uma evolução tecnológica, social, e econômica, que vinha se
processando na Europa desde a Baixa Idade Média.

A Revolução Industrial alterou profundamente as condições de vida do


trabalhador braçal, provocando inicialmente um intenso deslocamento da população
rural para as cidades, com enormes concentrações urbanas. A produção em larga
escala e dividida em etapas irá distanciar cada vez mais o trabalhador do produto
final, já que cada grupo de tarbalhadores irá dominar apenas uma etapa da produção.
Na esfera social o principal desdobramento da revolução foi o surgimento do
proletariado urbano ( classe operária) , como classe social defina. Vivendo em
condições deploráveis, tendo o cortiço como moradiae submetido a salários irrisórios
com longas jornadas de trabalho, o operariado nascente era facilmente explorado,
devido também à inexistência de leis trabalhistas.

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O agravamento dos problemas sócio-econômicos como o desemprego e a
fome, foram acompanhados de outros problemas, como a prostituição e o alcoolismo.
Os trabalhadotres reagiam das mais diferentes formas, destacandose o movimento
ludista ( o nome vem de Nedludlan ), caracterizado pela destruição das máquinas
pelos operários, e o movimento cartista, organizado pela “ associação” dos operários,
que exigia melhores condições de trabalho e o fim do voto censitário. Destaca-se
ainda a formação de associações denominadas “trade-unions” , que evoluiram
lentamente em suas reivindicações, originando os primeiros sindicatos modernos.

6. Aula 5 ATIVIDADES

1) Os escravos realizavam diversas formas de resistência à escravidão. Marque a


alternativa que apresenta uma dessas formas de resistência.
a) Greves.
b) Manifestações em ruas.
c) Formação de quilombos.
d) Formação de sindicatos.

2) “Quando se menciona o trabalho escravo no Brasil, a primeira lembrança é a da


escravidão negra. Realmente, foi ela a mais marcante, a mais longa e terrível
(...)(Tomazi, Nelson Dácio (coordenador). Iniciação à Sociologia. São Paulo: Atual, 2000, p.62) Sobre a
implantação do trabalho escravo, assinale a alternativa INCORRETA.

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a) As condições de vida dos escravos africanos eram terríveis, razão pela qual a
média de vida útil deles não ultrapassava os quinze anos.
b) Os negros africanos reagiram à escravidão das mais diversas formas: através das
fugas, dos quilombos, da luta armada, da preservação dos cultos religiosos, da dança,
da música.

c) O negro é parte integrante da história brasileira, apesar dos muitos preconceitos


que ainda persistem contra eles.

d) O Brasil figura entre os primeiros países latino-americanos a declarar por meio de


muitas leis, até a promulgação da lei áurea, a libertação de seus escravos.

3) No período do Iluminismo, no século XVIII, o filósofo Montesquieu defendia:


1. ) divisão da riqueza nacional.
2. ) divisão dos poderes executivo, legislativo e judiciário.
3. )divisão da política em nacional e internacional.
4. )formação de um Poder Moderador no Congresso Nacional.
5. ) implantação da ditadura moderna.

4) O novo processo de produção introduzido com a Revolução Industrial, no


século XVIII, caracterizou-se pela:
a) implantação da indústria doméstica rural em substituição às oficinas.

b) realização da produção em grandes unidades fabris e intensa divisão do

trabalho.

c) mecanização da produção agrícola e consequente fixação do homem à terra.


d) facilidade na compra de máquinas pelos artesãos que conseguiam

financiamento para isso.

e) preocupação em aumentar a produção, respeitando-se o limite da força física


do trabalhador.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Chegamos ao final de nossa proposta pedagógica. Fazemos um convite à você, aluno,


que continue buscando novas formas de ampliar seu conhecimento. Querer aprender
é fundamental para o sucesso de sua jornada. Ao longo desse material vários temas
podem e devem ser aprofundados por você. Nos tempos atuais podemos ter acesso

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há várias ferramentas educacionais. Lance mão delas e continue avançando cada vez
mais . Com certeza seu objetivo será atingido. Conte conosco!

8. RESUMO

Caro aluno, nestas Orientações de Estudos – Bimestre 2 de 2021, História – 8 ANO ,


esperamos que você tenha tido, como esse materail , a possibilidade de compreender
melhor o processo excludente da abolição da escravatura e de como isso criou as
raízes do racismo presente em nossa sociedade. Esperamos que você tenha
percebido que numa sociedade as ações estão articuladas e interferem umas nas
outras. O estudo da História não deve ser estanque e trabalhado de forma
desarticulada. Procuramos apresentar à você como as ideias iluministas influenciaram
no modelo de cidadania que temos hoje em dia, e como Revolução Industrial marcou
as sociedades de todo mundo e como alterou as relações de trabalho.

9. INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

https://www.geledes.org.br/especificidade-do-racismo-
brasileiro/?gclid=Cj0KCQiA6t6ABhDMARIsAONIYyyqC3GwRTpd0wux3
W6iTk85ZNZJ1IhqzPM0RUoQ6sK7d5C1oXjNlk8aAoJHEALw_wcB

https://www.brasildedireitos.org.br/noticias/488-o-que-racismo-
estrutural?utm_source=google&utm_medium=ads&utm_campaign=searc
h&gclid=Cj0KCQiA6t6ABhDMARIsAONIYywQZakHucPcaggSG_iOtvM6
BKeMHdI_4hqoDgxol5ZMWI-EJe9tLiUaAhBGEALw_wcB

https://www.politize.com.br/movimento-negro/

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-
agencia-de-noticias/releases/25989-pretos-ou-pardos-estao-mais-
escolarizados-mas-desigualdade-em-relacao-aos-brancos-permanece

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