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Curso de Especialização em Educação e Saberes para os Anos

Iniciais do Ensino Fundamental


Aluna: Sabrina Herrmann
Professora: Naiara Dal Molin
Disciplina: Aspectos Sócio-Históricos e Políticos da Educação

Texto analisando a Base Nacional Comum Curricular – Etapa Anos Iniciais

Foi ainda no século passado que se iniciou a movimentação para


criação de um documento em que fossem estabelecidas competências e
diretrizes que norteassem a educação no Brasil. A Base Nacional Comum
Curricular foi prevista já na Constituição de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases
de 1996 e no Plano Nacional de Educação de 2014. Entretanto, foi apenas no
dia 20 de dezembro de 2017 que a BNCC foi homologada. Contando com a
colaboração da sociedade, o texto foi produzido de maneira coletiva, tendo
assessoria de especialistas de cada área.
A BNCC é constituída pelas três etapas da educação básica
(educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e nela está definido o
conjunto de aprendizagens essenciais. A parte do Ensino Fundamental, que é
o objeto de reflexão do presente texto, é organizada em cinco áreas do
conhecimento: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências
Humanas e Ensino Religioso. A cada área são atribuídas competências
específicas, sendo que a algumas áreas pertence mais de um componente
curricular: Linguagens abriga Língua Portuguesa, Arte, Educação Física e
Língua Inglesa; Ciências Humanas abriga História e Geografia. Para estes
também são determinadas competências específicas dos componentes.
Entre os pontos positivos penso que cabe ressaltar uma das
finalidades desse documento, que é ressignificar a educação, trazendo para a
escola um novo olhar, que esteja mais atento à realidade e às possíveis
transformações que cada um pode realizar.
A Base coloca o aluno como centro da aprendizagem, levando em
conta toda sua bagagem, sua realidade e potencializando suas capacidades.
Ressalta a importância de o professor estar atento às necessidades
manifestadas pelas crianças e de proporcionar aprendizagens que auxiliem a
aplicar os saberes na vida cotidiana. O aluno é visto nesse documento como
cidadão, capaz de mobilizar e aplicar os saberes, desenvolvendo-se como ser
humano global, nas dimensões intelectual, física, afetiva, social, ética e
simbólica.
Este documento visa a redução das desigualdades sociais,
promovendo a equidade. Para tanto, é preciso que os professores e a escola
como um todo, estejam atentos ao fato de que as necessidades dos alunos são
diferentes, mas a todos precisam ser possibilitadas oportunidades de
desenvolver-se de maneira integral, permitindo-se assim, a igualdade
educacional, onde as singularidades devem ser consideradas e atendidas.
Quanto aos professores, a BNCC espera que ocorram
constantemente formações docentes, estimulando que estejam atualizados,
abrindo-se a novas possibilidades, reinventando-se através do uso das
tecnologias. Também, que sejam devidamente valorizados, principalmente pela
sociedade, realizando seu trabalho com reconhecimento.
Pendo que seja fundamental ressaltar também como ponto positivo
a escola que a Base idealiza: que tenha a inclusão como algo comum e
cotidiano, respeitando-se todas as culturas e características de seus
integrantes; que supere a fragmentação, tornando o ensino mais universalizado
e que consiga adequar a sua realidade ao que é proposto nas competências
das diferentes áreas do conhecimento.
Como último aspecto positivo vejo a proposta de regime de
colaboração entra municípios, estados e União. Penso que se a educação
estiver integrada em todos as esferas a transformação da realidade proposta
pela BNCC irá dar-se de maneira mais rápida, eficiente e benéfica para a
sociedade como um todo.
Entretanto, a Base Nacional Comum Curricular não é constituída
apenas de pontos positivos. Muitos aspectos precisam ser melhorados para
que a implementação deste documento na realidade da educação brasileira de
fato ocorra.
O primeiro deles e, na minha opinião, o mais significativo é o
distanciamento que a Base tem da realidade. Existe um abismo entre o que é
proposto e o que de fato acontece na rotina das escolas brasileiras. Colocar a
proposta em prática é quase uma utopia, pois são muitos obstáculos
encontrados pelo caminho.
Um deles é a falta de recursos e estrutura que muitas instituições de
ensino têm. Faltam professores, funcionários, material básico para as aulas
minimamente acontecerem. Claramente, essa é a situação de muitas escolas
de ensino público e não do privado, pois este consegue implantar a BNCC mais
facilmente, aumentando ainda mais a desigualdade entre as duas realidades.
Também é percebido pouco estímulo para a formação docente.
Desta forma temos muitos professores desatualizados e presos a antigas
formas de ensinar, que não se contextualizam mais com a realidade. Na
grande maioria das vezes esses profissionais apresentam grande resistência a
ressignificar-se e modificar sua prática pedagógica, melhorando-a.
Quanto aos conteúdos, percebeu-se que a Base avançou, o que
precisa ser trabalhado com muita cautela nas escolas. Caso não aconteça
dessa forma, pode deixar-se uma lacuna na sequência de aprendizados dos
alunos. Também penso que muitos estudantes ainda não estão preparados
para trabalhar alguns conceitos e compreendê-los de fato, tendo em vista como
nossos professores irão trabalha-los. Me pergunto se este avanço não está
acelerando alguns processos que deveriam ser explorados com mais atenção,
pois muitos alunos apresentam dificuldades de aprendizagem e com isso
precisam de mais tempo.
Com esta estrutura, o documento orientador pode acabar
apressando muitos professores, com a ideia de que tudo precisa ser trabalhado
em um ano e, assim, não ficarem atentos ao que de fato importa: os alunos
estão tendo aprendizagens significativas? Ou estão apenas perpassando por
conteúdos que não estão os levando a desenvolverem-se como cidadãos?
Outro empecilho que se apresenta é o fato de a educação não ser
prioridade para boa parte da sociedade. Enquanto as pessoas não acreditarem
e incentivarem a escola, não será possível transformar a realidade e, desta
forma, melhorá-la.
Apesar de apresentar aspectos negativos, que dificultam sua
implantação e, consequentemente, a melhoria em diversos aspectos sociais, a
Base Nacional Comum Curricular é um marco para a educação no Brasil.
Mesmo que a mudança caminhe a passos vagarosos, já é possível vislumbrar
mudanças e futuras melhorias na educação do nosso país, que é tão rico em
diversidade.