Você está na página 1de 4

DIREITO DE FAMÍLIA -GLEYZER ALVES

Ponto 01. Direito de família: considerações preambulares. A família constitucionalizada e os múltiplos


arranjos familiares, na contemporaneidade. O Poder Judiciário e os julgados inovadores. Visão geral.

 Ponto 02. Casamento: conceito e fins. A dessacralização da família. A despatrimonialização do Direito de


Família. Princípios matrimoniais. Capacidade para o casamento, idade núbil. Habilitação para o casamento.

 Ponto 03. Casamento: impedimentos matrimoniais, causas suspensivas e incapacidade matrimonial;


conceito, classificação; aspectos penais; oposição.

 Ponto 04. Casamento: celebração; formalidades essenciais; suspensão; registro; formas especiais de
celebração; casamento por procuração; casamento nuncupativo; casamento religioso com efeitos civis;
invalidade (nulidade e anulabilidade); inexistência. Prazos decadenciais. Bem de família.

 Ponto 05. Efeitos jurídicos pessoais; classificação; direitos e deveres entre cônjuges; fidelidade; coabitação;
assistência material e imaterial, registro e consideração mútuos. Direitos e deveres dos cônjuges em relação
aos filhos: guarda, sustento e educação (noções gerais). A proteção da pessoa dos filhos.

 Ponto 06. Efeitos jurídicos patrimoniais: regime de bens; noções gerais; conceito; princípios fundamentais;
pacto antenupcial, doações antenupciais.

Ponto 07. Regime de bens: regime de comunhão universal; regime de comunhão parcial; regime de
separação de bens: convencional e obrigatória; regime de participação final de aquestos.

 Ponto 08. Dissolução da sociedade conjugal e do vínculo matrimonial: noções gerais, evolução histórica e
legislativa, efeitos. EC 66/2010 e a separação judicial. Divórcio: antecedentes históricos, modalidades;
efeitos. Divorcio extrajudicial. Restabelecimento de sociedade conjugal.

 Ponto 09. Parentesco: conceito; espécies; linhas e contagem de graus. Classificação existente no direito
anterior à Constituição Federal de 1988. Reconhecimento voluntário e forçado. Ações relativas à
paternidade e à maternidade.

 Ponto 10. União estável: noções gerais; etimologia; antecedentes históricos; jurisprudência; evolução
legislativa e projetos. Conceito; elementos; espécies. Efeitos jurídicos pessoais e patrimoniais. Contrato de
convivência. Dissolução. União estável homoafetiva.

 Ponto 11. Poder familiar (imaterial e material): conceito, conteúdo, suspensão, destituição e extinção.
Parentesco por adoção. Parentesco socioafetivo.

 Ponto 12. Alimentos: conceito; natureza jurídica; alimentos e casamento; alimentos decorrentes do divórcio;
alimentos decorrentes da dissolução de união estável; alimentos entre parentes. Revisão; exoneração;
extinção.

 Ponto 13. Tutela: noções gerais; conceito, espécies, deveres; cessação. Curatela: noções gerais; conceito;
interdição. Ausência: noções gerais; conceito; efeitos.

 Ponto 14. Estatuto da pessoa com deficiência e direito de família


DIREITO DE FAMÍLIA (ARTS. 1511 A 1783-a, CCB) – PROF. Me. GLEYZER ALVES

I - Direito de família: considerações preambulares


1 – Definição de família - A família como instituição socializadora de seus membros é o
espaço de proteção e cuidado onde as pessoas se unem pelo afeto ou por laços de
parentesco, independente do arranjo familiar em que se organize. É um processo de
articulação de diferentes trajetórias de vida, que possuem um caminhar conjunto e a
vivência de relações íntimas, um processo que se constrói a partir de várias relações,
como classe, gênero, etnia e idade
2 – Constitucionalização do direito de família (art. 226)
a Utilização do termo “direito das famílias” – em razão de não ser mais apenas um só
modelo como era preconizado pelo CCB-16 – E SIM A ADMISSÃO DE DIVERSAS
FORMASDE NÚCLEOS FAMILIARES
b Desmitificação do poder da figura paterna- (pátrio poder) e conferi-lo ao casal ou
quem quer que seja (poder familiar)
c Extinção da distinção entre filhos (legítimos e legitimados)
3- Dos graus de Parentesco (estruturar a árvore genealógica)
4- Considerações Gerais acerca das novas famílias brasileiras
a Os traços característicos desses novos arranjos podem ser descritos a partir do
Censo 2010.
b Mudanças demográficas (diminuição do número de membros
familiares,urbanização...)
c composiçõesfamiliares plurais e4m substituição ao arranjo tradicional (casal)
(família monoparental, homoafetiva,pessoas que moram sozinhas ou com amigos,
famílias compostas por tios e sobrinhos, netos e avós...)
d Transformações conjugais (maior número de uniões estáveis e diminuição de
casamentos)
e Alterações sociais e ideológicas (mulheres que não precisam mais do casamento
para se manterem – empoderamento feminino; envelhecimento da população;
queda da fecundidade; maior aceitação homoafetiva; despatriarcalização da
sociedade...)

5– Mudanças do Núcleo (ARRANJO) familiar


a Núcleo duplo tradicional (pai e mãe)
b Núcleo simples ou monoparental (pai ou mãe ou avô ou avó – apenas um deles –
linha reta de ascendência)
c Famílias estendidas (dois núcleos – ex: dois irmãos e suas respectivas famílias no
mesmo domicílio)
d Famílias compostas (núcleo familiar e outras pessoas agregadas,ex.: um amigo ou
parente)
e Arranjo não familiar (amigos que moram juntos)
f Família pluriparental ou convivente ( tio e sobrinho... irmãos.... - formada por
parentes colaterais)
g Família reconstituída ou recomposta ( pai, filhos e a nova esposa do pai, com ou
sem seus filhos...)
h Família multiparental( filhos que possuem mais de um pai ou mais de uma mãe –
ex: homoafetivos)
i Família poliafetiva (um marido e duas esposas..)
j Família coparental (duas pessoas sem vínculos afetivos que adotam uma criança)
k Família unitária
l Família multiespécie

Obs: Importante destacar a utilização do termo “família anaparental”,isto é, aquela


que traz a noção de que a família não abrange apenas o marido, esposa e filhos. Pessoas
agregadas também podem compor o vínculo de família (vínculo de afetividade / afeição).
Passou-se a admitir que o núcleo familiar possa ser integrado por pessoas que não
guardem vínculo parental estrito ou consanguíneo

- Qual é o tipo de família que mais sofre com as situações de pobreza?


Sem dúvida são as famílias monoparentais femininas, especialmente aquelas com filhos pequenos. Por
exemplo, a maioria dos beneficiados do programa Bolsa Família é constituída por este tipo de arranjo. Isso
acontece porque é muito difícil para uma mãe combinar, ao mesmo tempo, as funções de provedora e cuidadora.
As mães com filhos menores de 15 anos e sem cônjuge não conseguem ter uma inserção integral e permanente
no mercado de trabalho, pois precisam dedicar muito tempo às questões de alimentação, saúde, educação e
cuidados dos filhos e da moradia. Como resultado, recebem salários mais baixos e precisam dividir uma renda
baixa com seus dependentes. Acabam caindo na “armadilha da pobreza” e não conseguem romper com o ciclo
intergeracional da pobreza. Nesses casos, além dos direitos básicos de cidadania, o governo deveria promover
políticas de conciliação entre trabalho e família, intermediando condições de emprego mais favoráveis e
equipamentos públicos para o cuidado dos filhos, como creches, restaurantes e lavanderias coletivos, escola em
tempo integral, etc.

II – Do casamento

1– Conceitos e fins - casamento é o ato jurídico entre o homem e a mulher que visa
o auxílio mútuo material e espiritual, de modo que haja uma integração fisiopsíquica e a
constituição de uma entidade familiar.

2- Natureza Jurídica –
2.1. Natureza contratual sui generis - é contrato em razão dos direitos e obrigações
das partes.
2.2. Natureza institucionalista - que vê o casamento como instituição social,
formada pela família e com papel na sociedade em que está inserido.
2.3. Natureza mista – adotada pelo direito brasileiro

3 - A dessacralização da família nuclear - discutir a respeito da questão das novas formas de


família, sobretudo as homoafetivas, tema este que ganhou relevância com a proposta de Lula em 1994....
mas que com pressões populares não foi adiante... porém, os ideais foram mantidos e anos depois as
primeiras relações homoafetivas foram convalidadas... objetivo: inclusão na previdência, herança,
benefícios sociais e contratuais diversos... hj vários estados convergem a união estável em casamento
homoafetivo.

4- A despatrimonialização do casamento e direito de família como um todo – uma vez


que que o tema não é analisado apenas sobre a ótica patrimonial, e sim, segundo a Constituição Federal.
Logo, o direito de família é exemplo claro de direito civil constitucional, segundo os princípios abaixo:

5 – Princípios do casamento
A) PRINCÍPIOS DA AFETIVIDADE E DA PROTEÇÃO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (ART.
1º, INC. III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988) -
- a pessoa casa-se por que deseja;
- ninguém é obrigado a se casar ou a se manter casado;
- imóvel de solteiro é tido como bem de família, segundo STJ
- abandono afetivo deve ser indenizado (lembrando que o direito só pode se valer do lado financeiro,
o emocional é impossível.... ninguém pode ser condenado a gostar de outrem)
-alienação parental deve ser evitada

B) PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE FAMILIAR (ART. 3º, INC. I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE


1988)
- filhos devem ser sustentados, assim como pais na velhice;
- devem ser pagas pensões a quem necessita (caso de divórcio)

C) PRINCÍPIO DA IGUALDADE ENTRE FILHOS (ART. 227, § 6º, CF, E ART. 1.596 DO CÓDIGO
CIVIL)
- não há mais legítimos ou legitimados; adotados ou biológicos; naturais ou bastardos.

D) PRINCÍPIO DA IGUALDADE ENTRE CÔNJUGES E COMPANHEIROS (art. 226, § 5º, CF, e art.
1.511, CC)
- homens e mulheres são iguais
- amasiados se equiparam a casados em regime de comunhão de bens

E) PRINCÍPIO DA IGUALDADE NA CHEFIA FAMILIAR (ARTS. 226, § 5º, e 227, § 7º, da CF, E ARTS.
1.566, III E IV, 1.631 E 1.634 CC)
-consequencia do princípio anterior
- despartriacalização do direito de família
-fim da expressão homem e uso da expressão pessoa
-fim do pátrio poder e adoção do poder familiar

F) PRINCÍPIO DA NÃO INTERVENÇÃO DOU DA LIBERDADE DOS FAMILIARES (ARTS. 226, § 5º,
e 227, § 7º, CF E ARTS. 1.566, III E IV, 1.631 E 1.634 CC)
- art. 1513 - Art. 1.513. É defeso a qualquer pessoa, de direito público ou privado, interferir na
comunhão de vida instituída pela família.

G) PRINCÍPIO DO MELHOR INTERESSE DA CRIANÇA (ART. 227, CAPUT, CF E ARTS. 1.583 E


1.584 , CC)
-a guarda deve ser compartilhada, a priori
- os pais devem manter as crianças na escola e fornecer também alimentos, lazer, saúde,
segurança....

H) PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DA FAMÍLIA


- família como “célula mater” da sociedade – resquício das aulas de Morais Civicas, mas ainda
assim, verdadeiro lema. A família é o esteio social
- admissão da paternidade socioafetiva – família com base no afeto (registro da criança pelo
padrasto)
-tudo deve ser feito pelo Estado em benefício do cidadão e da família
-proteção da figura do cônjuge, anulando doações feitas a amantes (art. 550, CC)

Você também pode gostar