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Escola Nacional de Defesa Cibernética

Capítulo 03 | Sessão 8
ENaDCiber
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Arquitetura e Protocolos
de Rede TCP/IP
Capítulo 3
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Capítulo 03 | Sessão 8
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Endereçamento IP (parte 1)

Objetivos
Apresentar as técnicas de resolução e atribuição automática de endereços,
bem como os mecanismos de entrega adotados na arquitetura TCP/IP.

Conceitos
Endereçamento IPv4 e cálculo de sub-redes por diversos métodos.

Endereçamento de sub-redes
O esquema de endereçamento de sub-redes permite que um único endereço de rede, classe A, B ou C, seja compar-
tilhado entre diversas redes físicas, também denominadas, neste contexto, sub-redes físicas. Para tal, o endereço de
rede é dividido em diversos endereços de sub-rede, modificando a estrutura hierárquica definida pelo identificador
de rede (prefixo de rede) e pelo identificador de estação. A figura 3.20 mostra a modificação requerida para represen-
tar as sub-redes.

Figura 3.20: Endereçamento de sub-redes


Em vez de considerar que um endereço IP é composto pelo identificador de rede e pelo identificador de estação, a
porção do identificador de estação é dividida em duas partes:
•• Identificador de sub-rede – identifica, juntamente com o identificador de rede, a rede física de forma única e individual;
•• Identificador de estação – identifica a estação (interface) dentro da respectiva rede física de forma única de individual.
A concatenação dos identificadores de rede e sub-rede é comumente denominada de prefixo de sub-rede. Este es-
quema de endereçamento de sub-redes está descrito nos RFCs 917 e 950 (padrão). O objetivo é diminuir o “salto”
na quantidade de estações quando se cresce de um endereço de rede para outro em uma determinada classe de
endereço A, B ou C, inserindo degraus intermediários que são as sub-redes. Note que os bits usados para a criação e
identificação das sub-redes são extraídos dos bits do identificador de estação.

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Os bits do prefixo de rede original não podem ser usados para sub-redes, senão estaríamos

 modificando o prefixo de rede original, o que não é permitido, uma vez que os prefixos de rede
originais são atribuídos por uma autoridade de atribuição de números da internet (IANA).

Hierarquia de endereçamento
Por exemplo, na figura 3.19, o endereço de rede classe B 172.16.0.0, que possui 16 bits no prefixo de rede e 16 bits no identi-
ficador de estação, foi dividido nos endereços de sub-rede 172.16.1.0, 172.16.2.0, 172.16.3.0 e 172.16.4.0, que possuem 16
bits no prefixo de rede, 8 bits no identificador de sub-rede e 8 bits no identificador de estação. Nesse exemplo, os prefixos
de sub-rede são 172.16.1, 172.16.2, 172.16.3 e 172.16.4. Veremos posteriormente, em detalhes, como estes endereços
de sub-rede são criados e representados.

Regras de atribuição de endereços


No esquema de endereçamento de sub-redes, a atribuição de endereços às interfaces de estações e roteadores segue
regras semelhantes àquelas do esquema endereçamento IP original, porém aplicadas aos endereços de sub-rede.
•• Diferentes prefixos de sub-rede devem ser adotados para diferentes redes físicas;
•• Um único prefixo de sub-rede deve ser compartilhado pelas interfaces conectadas a uma mesma rede física;
•• Um único identificador de estação deve ser atribuído a cada interface conectada a uma determinada rede física.

Figura 3.21: Exemplo de atribuição de endereços


A figura 3.21 apresenta um exemplo de atribuição de endereços. Observe que todas as interfaces conectadas às redes
N1 e N2 compartilham o prefixo de sub-rede, identificando as respectivas redes físicas. Ou seja, as estações (E1 e E2) e
a interface do roteador (R1) compartilham o prefixo 172.16.1 da sub-rede N1, enquanto as estações (E3 e E4) e a outra
interface do roteador (R1) compartilham o prefixo 172.16.2 da sub-rede N2.

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Por outro lado, na sub-rede N1, as estações (E1 e E2) e o roteador (R1) possuem os identificadores de estação 1, 2 e 3,
respectivamente. Já na sub-rede N2, as estações (E3 e E4) e o roteador (R1) possuem os identificadores de estação 1, 2
e 3, respectivamente. Observe que interfaces conectadas a diferentes redes físicas podem possuir os mesmos identi-
ficadores de estação, pois seus prefixos de sub-rede são diferentes e asseguram a unicidade de endereços.

Analogia: casas situadas em ruas diferentes podem ter o mesmo número.

Endereços de sub-rede e broadcast direto


Endereços de sub-rede podem ser utilizados para referenciar a rede física.

Figura 3.22: Endereços de sub-rede


Endereços de broadcast direto permitem o envio de datagramas para todas as estações da sub-rede.

Figura 3.23: Endereços de broadcast direto


Assim como endereços de rede podem ser usados para referenciar as redes físicas no esquema de endereçamento IP
original, de forma análoga, no esquema de endereçamento de sub-redes, endereços de sub-rede podem ser usados
para referenciar as novas redes físicas.
No esquema de endereçamento IP original, o endereço de rede é representado pelo prefixo de rede e pelo identifi-
cador de estação, este último campo possuindo todos os bits iguais a 0. De forma semelhante, no esquema de en-
dereçamento de sub-redes, o endereço de sub-rede é representado pelo prefixo de sub-rede e pelo identificador de
estação, com este último campo possuindo todos os bits iguais a 0. Assim, o identificador de estação, cujos bits são
iguais a 0, é reservado e nunca atribuído a nenhuma interface de uma rede física.
A figura 3.22 ilustra a convenção para endereços de sub-rede. Por exemplo, na figura 3.21, como o identificador de
estação possui apenas 8 bits, os endereços das sub-redes N1 e N2 são 172.16.1.0 e 172.16.2.0, respectivamente. Uma
vez que cada rede física possui um endereço de sub-rede particular, o conceito de broadcast direto também pode ser
adotado, permitindo o envio de datagramas IP para todas as estações (interfaces de estações e roteadores) de uma
determinada sub-rede a partir de qualquer estação da inter-rede TCP/IP.
No esquema de endereçamento IP original, o endereço de broadcast direto é representado pelo prefixo de rede e
pelo identificador de estação, possuindo este último campo todos os bits iguais a 1. De forma semelhante, no es-
quema de endereçamento de sub-redes, o endereço de broadcast direto da sub-rede é representado pelo prefixo de
sub-rede e pelo identificador de estação, este último campo possuindo todos os bits iguais a 1. Assim, o identificador
de estação, cujos bits são iguais a 1, é reservado e nunca atribuído a nenhuma interface da rede física.

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A figura 3.23 ilustra a convenção para endereços de broadcast direto de sub-redes. Por exemplo, na figura 3.21,
como o identificador de estação possui apenas 8 bits, os endereços de broadcast direto das sub-redes N1 e N2 são
172.16.1.255 e 172.16.2.255, respectivamente.

Máscara de sub-rede
A máscara de sub-rede tem o objetivo de delimitar a posição do prefixo de sub-rede e do identificador de estação. É
representada por padrão de 32 bits.
•• Possui bits 1 no prefixo de sub-rede;
•• Possui bits 0 no identificador de estação.
Para delimitar os bits que compõem o prefixo de sub-rede e o identificador de estação, o esquema de endereçamento
de sub-redes define o conceito de máscara de sub-rede, que representa uma simples adaptação do conceito de más-
cara de rede do endereçamento IP original. A figura 3.24 ilustra a estrutura de uma máscara de sub-rede.

Figura 3.24: Máscara de sub-rede

Comparação:
Máscara de rede – padrão de 32 bits que contém bits 1 na posição do prefixo de rede e bits 0 na posição do identi-
ficador de estação;
Máscara de sub-rede – padrão de 32 bits que contém bits 1 na posição do prefixo de sub-rede (identificador de rede
+ identificador de sub-rede) e bits 0 na posição do identificador de estação.
Da mesma forma que as máscaras de rede, as máscaras de sub-rede podem ser escritas usando a notação decimal
(dotted-decimal notation) ou a contagem de bits (bit count). A figura 3.24 mostra um exemplo de endereço IP e respec-
tiva máscara de sub-rede nas notações decimal e contagem de bits. Nesse caso, o prefixo da sub-rede é 172.16.1, pois
a máscara possui 24 bits. Logo, o endereço de sub-rede e o endereço de broadcast direto da sub-rede são 172.16.1.0
e 172.16.1.255, respectivamente. O endereço 172.16.1.1 refere-se a uma estação desta sub-rede.
É importante ressaltar que a máscara padrão de uma determinada classe de rede possui a mesma quantidade de
bits 1 do tamanho do prefixo de rede daquela classe. Assim, as máscaras padrão de redes classes A, B e C possuem 8
(255.0.0.0), 16 (255.255.0.0) e 24 (255.255.255.0) bits 1, pois os identificadores de rede dessas classes possuem 8, 16 e
24 bits, respectivamente.
Embora o termo máscara de rede também seja usado com o mesmo significado de máscara de sub-rede, o contexto
torna óbvio o tipo de máscara tratada. Como regra geral, temos que, se a máscara é diferente da máscara padrão da
classe do endereço em questão, trata-se então de máscara de sub-rede.

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Nós vimos que o identificador de estação não pode ter todos os bits 0 (reservado para o endereço da sub-rede) e não
pode ter todos os bits 1 (reservado para o endereço de broadcast da sub-rede). Esta regra é chamada de “all bits 0 or
1” (todos os bits 0 ou 1) e se aplica ao identificador de estação em qualquer arquitetura (classful ou classless); porém,
só se aplica ao prefixo de sub-rede na arquitetura classful. Esta é uma limitação importante da arquitetura classful,
como veremos adiante nos exemplos de cálculo de sub-rede. Portanto, é importante ressaltar que o identificador de
sub-rede é calculado de forma diferente dependendo da arquitetura, classful ou classless.

A regra “all bits 0 or 1” se aplica ao identificador de estação em qualquer arquitetura

 (classful ou classless). Na arquitetura de endereçamento classful não são permitidos os


endereços de sub-rede com todos os bits do identificador de sub-rede iguais a 0 ou 1.

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