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Síndrome de Borderline: conheça os

sintomas e tratamentos deste


transtorno
22 de agosto de 2017
  |  Tempo de leitura: 15 minutos

Síndrome de Borderline ou transtorno de personalidade borderline é um


transtorno mental grave caracterizado por um padrão de instabilidade contínua
no humor, no comportamento, auto-imagem e funcionamento.

Os sintomas mais comuns  da síndrome de borderline englobam instabilidade


emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações
sociais prejudicadas.

Essas experiências geralmente resultam em ações impulsivas e


relacionamentos instáveis. Uma pessoa com Síndrome de Borderline pode
experimentar episódios intensos de raiva, depressão e ansiedade que podem
durar de apenas algumas horas a dias.

Algumas indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline também


apresentam altas taxas de ocorrência em conjunto de outros transtornos
mentais, como distúrbios do humor, transtornos de ansiedade e distúrbios
alimentares, além de abuso de substâncias, automutilação, além de
pensamentos e comportamentos suicidas. Indivíduos com Síndrome de
Borderline podem alternar momentos em que estão estáveis com surtos
psicóticos, manifestando comportamentos descontrolados.

A Síndrome de Borderline também pode ser chamada de Transtorno de


Personalidade Limítrofe.

Sinais e sintomas da Síndrome de Borderline


Pessoas Borderline podem sofrer mudanças extremas de humor e podem
demonstrar incertezas sobre quem são. Como resultado, seus interesses e
valores podem mudar rapidamente.

Os principais sinais incluem:

 Esforços frenéticos para evitar o abandono real ou imaginário.


O medo do abandono provoca uma necessidade elevada de nunca se
sentirem sozinhas, rejeitadas ou sem apoio. 
 Um padrão de relações intensas e instáveis com familiares, amigos e
entes queridos, muitas vezes passando de extrema proximidade e amor
(idealização) a extrema fúria ou ódio (desvalorização). Impulsividade:
idealizam pessoas, se apaixonam e desapaixonam de modo fulminante.
Rapidamente desenvolvem admiração e desencanto por alguém.
 Auto-imagem distorcida e instabilidade em relação a si mesmo.
Baixa autoestima.
 Comportamentos impulsivos e muitas vezes perigosos, como gastar
compulsivamente, praticar sexo sem proteção, abusar de álcool
e drogas, conduzir de forma imprudente e compulsão.
 Comportamentos suicidas recorrentes ou ameaças ou comportamentos
autodestrutivos, como a automutilação. Muitos se machucam, queimam,
furam, cutucam por vontade de sentir dor. Não é incomum ouvir relatos
como “a dor no corpo é melhor que a dor na alma”.
 Humor intenso e altamente variável, com cada episódio durando de
algumas horas a alguns dias.
 Sentimentos recorrentes de vazio e solidão. Possuem alta sensibilidade
à rejeição. Pequenas rejeições provocam grandes tempestades
emocionais. Uma viagem de negócios do parceiro pode desencadear
reação completamente desproporcional como acusações de rejeição, de
abandono e de egoísmo.
 Fúria, ódio ou raiva intensa ou problemas/dificuldades para controlar a
raiva
 Presença de pensamentos paranoicos relacionados ao estresse
 Mais raramente podem apresentar episódios psicóticos

Sinais em situações cotidianas


Eventos aparentemente comuns podem desencadear sintomas. Por exemplo,
as pessoas com Síndrome de Borderline podem sentir-se irritadas e
angustiadas por pequenas separações – como férias, viagens de negócios ou
mudanças bruscas de planos – de pessoas a quem se sentem próximas.
Estudos mostram que as pessoas com este transtorno podem ver raiva em um
rosto emocionalmente neutro e têm uma reação mais forte às palavras com
significados negativos do que as pessoas que não possuem o transtorno.

Os portadores desse transtorno têm medo que as as emoções fujam do seu


controle, demonstrando tendência para se tornarem irracionais em situações de
maior estresse e criando uma grande dependência dos outros para
conseguirem manterem-se estáveis.
Alguns desses sinais podem ser experimentados por pessoas com outros
distúrbios e mesmo por pessoas sem nenhum transtorno mental. Isto não
significa que eles podem ter a Síndrome de Borderline. É importante que
um psicólogo ou psiquiatra realize uma avaliação completa para determinar
diagnosticar um quadro de Transtorno de Personalidade Borderline. Somente
um psicólogo ou psiquiatra devidamente habilitado deve orientar as opções
corretas de tratamento.

Testes e Diagnóstico
Infelizmente, a Síndrome de Borderline é muitas vezes sub-diagnosticada ou
mal diagnosticada. Um psiquiatra ou psicólogo pode diagnosticar o transtorno
com base em uma entrevista completa e um exame médico abrangente. A
análise clínica pode ajudar a descartar outras possíveis doenças e transtornos.

O profissional de saúde mental licenciado pode perguntar sobre sintomas e


histórico médico  pessoais e familiares, incluindo qualquer histórico de doenças
mentais. Esta informação pode ajudar o profissional a decidir sobre o melhor
tratamento. É importante fazer exames fisiológicos, como hemograma e
sorologia, para a exclusão de outras doenças, pois as suas características são
semelhantes a outras doenças, como depressão ou esquizofrenia, por
exemplo.

Fatores de risco
As causas da Síndrome de Borderline ainda não estão claras. O transtorno de
personalidade limítrofe pode ocorrer devido a predisposição genética. No
entanto, experiências emocionais fortes enquanto criança, como enfrentar uma
doença ou morte, abuso psicológico, sexual, negligência, terror psicológico,
físico, separação dos pais, orfandade podem levar ao desenvolvimento desta
síndrome. Algumas pesquisas sugerem que fatores genéticos, neurológicos,
ambientais e sociais podem estar envolvidos no desenvolvimento dos sinais do
transtorno.

Genética

A Síndrome de Borderline é cerca de cinco vezes mais provável de ocorrer se


uma pessoa tiver um familiar próximo (parentes biológicos de primeiro grau)
com o transtorno.

Fatores ambientais e sociais

Muitas pessoas Borderline relatam experiências traumáticas, tais como abuso


ou abandono durante a infância. Outros relatam ter sido expostos a
relacionamentos instáveis e conflitos hostis. No entanto, algumas pessoas não
apresentam nenhuma história de trauma. E, muitas pessoas com histórico de
eventos traumáticos da vida não têm o transtorno.
Fatores do cérebro

Estudos mostram que as pessoas com Síndrome de Borderline têm mudanças


estruturais e funcionais no cérebro, especialmente nas áreas que controlam
impulsos e regulação emocional. No entanto, algumas pessoas com alterações
semelhantes no cérebro não têm sinais do transtorno. Mais pesquisas são
necessárias para entender a relação entre estrutura cerebral e função e o
Transtorno de Personalidade Borderline.

As pesquisas têm mantido o foco no exame de fatores de risco biológicos e


ambientais, com atenção especial sobre se os sintomas iniciais podem surgir
em uma idade mais jovem do que se pensava anteriormente.
Os cientistas também estão estudando maneiras de identificar a doença mais
cedo em adolescentes.

Tratamentos e Terapias
A Síndrome de Borderline historicamente foi vista como difícil de tratar. No
entanto, com um tratamento mais moderno e adequado, indivíduos
diagnosticados têm apresentado uma qualidade de vida melhorada. Muitos
fatores afetam o tempo necessário para que os sintomas melhorem, uma vez
que o tratamento comece. Por isso é importante que as pessoas com o
transtorno e seus entes queridos sejam pacientes e recebam suporte
apropriado durante o tratamento. Pessoas com Síndrome de Borderline podem
se recuperar.

Se você acha que tem o Transtorno de Personalidade Borderline,


é importante procurar tratamento

O tratamento do Síndrome de Borderline é realizado com o uso de


medicamentos antidepressivos, estabilizadores de humor e calmantes
indicados pelo médico psiquiatra.

Além do tratamento com remédios, é necessário manter acompanhamento


psicológico para realizar psicoterapia e ajudar o indivíduo a controlar suas
emoções negativas, como saber enfrentar momentos de maior estresse.
Psicoterapia
A psicoterapia é um dos principais tratamentos para pessoas com Síndrome de
Borderline. O acompanhamento psicoterapêutico pode ser fundamental para
aliviar alguns sintomas.

A psicoterapia pode ser realizada individualmente entre um psicólogo e o


paciente ou em uma configuração de grupo. As sessões grupais conduzidas
por psicólogos especializados no quadro podem ajudar a ensinar pessoas
Borderline a interagir com outras pessoas e a se expressar de forma eficaz. É
importante que as pessoas em terapia se dêem bem e confiem no seu
terapeuta. É importante ressaltar que a própria natureza da Síndrome de
Borderline pode tornar difícil para as pessoas com este transtorno manter um
vínculo confortável e confiante com seu terapeuta.

Os tipos de psicoterapia utilizadas incluem:

Terapia Cognitiva Comportamental

A Terapia Cognitiva Comportamental pode ajudar as pessoas com o transtorno


a identificar e mudar as crenças ou comportamentos fundamentais subjacentes
a percepções imprecisas de si mesmos e de outros e problemas que interagem
com os outros. A TCC pode ajudar a reduzir uma variedade de sintomas de
humor e ansiedade e reduzir o número de comportamentos suicidas ou
autodestrutivos.

Terapia Dialética Comportamental

Inicialmente o psicólogo irá trabalhar as questões mais urgentes como o


risco de suicídio, comportamentos de automutilação, agressividade,
impulsividade, comportamentos abusivos e de risco. Após conter os
comportamentos com maiores prejuízos a vida do paciente, passa-se a abordar
questões mais profundas como sentimentos dolorosos e situações traumáticas.
Este tipo de terapia utiliza o conceito de atenção plena. Ensina habilidades
para controlar emoções intensas, reduzir comportamentos autodestrutivos e
melhorar relacionamentos. Essa abordagem difere da TCC na medida em que
integra os elementos tradicionais da TCC com atenção plena, aceitação e
técnicas para melhorar a capacidade de uma pessoa tolerar o estresse e
controlar suas emoções.

Terapia do esquema

Este tipo de terapia combina elementos da TCC com outras formas de


psicoterapia que se concentram nos esquemas de reestruturação ou nas
formas como as pessoas se vêem. Essa abordagem baseia-se na idéia de que
a Síndrome de Borderline decorre de uma auto-imagem disfuncional –
possivelmente provocada por experiências de infância negativas – que afeta a
forma como as pessoas reagem ao seu ambiente, interagem com os outros e
lida com problemas ou estresse.

Terapias para a Família

Familiares de pessoas com Síndrome de Borderline também podem se


beneficiar da psicoterapia. Os desafios para lidar com um ente querido com o
transtorno podem ser muito estressantes.Os membros da família podem agir
inconscientemente agravando os sintomas de seus parentes. Algumas
abordagens terapêuticas incluem membros da família nas sessões de
tratamento. Estes tipos de programas ajudam as famílias a desenvolver
habilidades para entender melhor e apoiar um parente com Síndrome de
Borderline.

Outras terapias se concentram nas necessidades dos membros da família e


ajudam a entender os obstáculos e estratégias para cuidar do ente querido.

Teste Dass

Medicamentos
Os medicamentos não devem ser utilizados como tratamento primário para
Síndrome de Borderline, uma vez que os benefícios não são claros. No
entanto, em alguns casos, um psiquiatra pode recomendar medicamentos para
tratar sintomas específicos, como alterações de humor, depressão ou outros
distúrbios que podem ocorrer em conjunto. O tratamento com medicamentos
pode exigir cuidados de mais de um profissional médico.

Devido ao alto risco de suicídio entre pessoas com o transtorno, os médicos


devem ter cautela quando prescrevem medicamentos que possam ser letais
em caso de sobredosagem. Certos medicamentos podem causar diferentes
efeitos colaterais em diferentes pessoas. Converse com seu médico sobre o
que esperar de um medicamento específico.

Outros Tratamentos
Algumas pessoas com a Síndrome de Borderline  apresentam sintomas graves
e requerem cuidados intensivos, frequentemente hospitalares. Outros podem
usar alguns tratamentos ambulatoriais, mas nunca precisam de hospitalização
ou cuidados de emergência. Embora em casos raros, algumas pessoas que
desenvolvem este transtorno podem melhorar sem qualquer tratamento, a
maioria das pessoas se beneficia e melhora a qualidade de vida buscando
tratamento.

Emergências
Estudos indicam que pacientes Borderline que nunca se recuperaram podem
ser mais propensos a desenvolver outras condições médicas crônicas e são
menos propensos a fazer escolhas saudáveis de estilo de vida. A Síndrome de
Borderline também está associada a uma alta taxa de automutilação e
comportamento suicida.

Se você está pensando em se machucar ou tentar suicídio, conte a alguém que


pode ajudá-lo imediatamente. Ligue para um médico de confiança, para seu
psiquiatra ou psicólogo se já estiver trabalhando em conjunto com um. Se você
ainda não tratamento com um profissional de saúde mental habilitado, dirija-se
para a sala de emergência do hospital mais próximo.

Se uma pessoa querida está considerando suicídio, não a deixe sozinha. Ajude
a pessoa a procurar ajuda imediata com seu médico, indo até a emergência do
hospital mais próximo, ou ligue para o Centro de Valorização da Vida (CVV)
através do número 141. Remova todo o acesso que ele ou ela possa ter a
armas de fogo ou outras ferramentas potenciais para o suicídio, incluindo
medicamentos, instrumentos afiados, como facas, estiletes, giletes cordas ou
cintos.

Se você ou um ente querido estiverem em crise: ligue para 141 e fale com o
CVV. O serviço está disponível para qualquer um. Todas as chamadas são
confidenciais.

Onde encontrar ajuda?


Plataformas como a Vittude podem ajudar pacientes borderline e
familiares a encontrar psicólogos especializados no transtorno. A
tecnologia ajuda a conectar profissionais experientes com as pessoas
que precisam de ajuda psicológica.

Como posso ajudar um amigo ou parente


Borderline?
Se você conhece alguém que possui a Síndrome de Borderline, isso também o
afeta. A primeira e mais importante coisa que você pode fazer é ajudar seu
amigo ou parente a obter o diagnóstico e o tratamento correto. Você pode
precisar fazer uma consulta e acompanhar o seu amigo ou familiar ao
psicólogo ou psiquiatra. Incentive-o a permanecer em tratamento ou procurar
outro tratamento se os sintomas não melhorarem com o tratamento atual.

Para ajudar um amigo ou parente você pode:


Oferecer apoio emocional, compreensão, paciência e encorajamento podem
ser difíceis e assustadores para as pessoas Borderline, mas é possível para
eles melhorarem ao longo do tempo. Você pode ajudar um amigo ou parente:

 Informando-se mais sobre transtornos mentais, incluindo a Síndrome de


Borderline, para que você possa entender o que seu amigo ou parente
está experimentando.

 Com autorização seu amigo ou amado, converse com seu psicólogo


para aprender sobre terapias que podem envolver membros da família.
Alternativamente, você pode incentivar seu ente querido que está no
tratamento a perguntar sobre terapia familiar.

 Procure orientação do seu próprio psicólogo sobre como ajudar um


amigo borderline. Não é recomendado que você faça terapia com o
mesmo terapeuta que seu ente querido.
 Nunca ignore comentários sobre a intenção ou mesmo comentário de
alguém que deseja ou planeja prejudicar a si mesmo ou a outra pessoa.
Informe esses comentários para o psicólogo ou médico da pessoa. Em
situações urgentes ou potencialmente ameaçadoras de vida, você
precisará ligar para a polícia ou CVV.
Como posso me ajudar se eu tiver a Síndrome de
Borderline?
Embora possa demorar algum tempo, você pode sim melhorar com o
tratamento. Para se ajudar:

 Fale com o seu médico sobre as opções de tratamento e siga as


orientações.
 Tente manter uma rotina estável de refeições e horas de sono.
 Pratique atividades relaxantes ou exercícios físicos para ajudar a reduzir
o estresse.
 Defina objetivos realistas para você.
 Quebre grandes tarefas em pequenas e defina algumas prioridades.
Metas menores são mais fáceis de serem atingidas e geram maior
engajamento e motivação.
 Tente passar algum tempo com outras pessoas e confiar em um amigo
ou membro da família.
 Diga aos outros sobre eventos ou situações que podem desencadear
sintomas.
 Espere que seus sintomas melhorem gradualmente com o tempo, não
imediatamente. Seja paciente!
 Identifique e procure situações, lugares e pessoas que transmitam
conforto a você.
 Continue a ler, estudar e educar-se sobre este transtorno.
 Não beba álcool ou use drogas ilícitas – provavelmente irá piorar as
coisas.

Famosos diagnosticados com Síndrome de Bordeline

Entre os casos mais conhecidos está Amy Winehouse, Lady Di, Britney Spears,
Angelina Jolie, Hugh Laurie (o famoso Dr. House), Jim Carrey (diagnosticado
Bipolar com Transtorno Borderline), Woody Allen, Brandon Marshall, Kurt
Cobain, Winona Rider e Christina Ricci (a garotinha da família Adams).

Filmes
 Gia – Fama e Destruição (1998)
 Garota Interrompida (1999)
 Sete dias com Marilyn (2010)