Você está na página 1de 21

O LÚDICO E O ENSINO DE CIÊNCIAS NAS

SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL


Roberto Rodrigues Costa
Prof. Orientador Maria Aparecida Santana Pimentel Simão
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Licenciatura em Ciências Biológicas (BID 0484/6) – Projeto de Ensino
05/06/20

RESUMO

Este trabalho teve como temática analisar a importância da ludicidade no processo de


ensino e aprendizagem nas aulas de Ciências das séries finais do ensino fundamental,
pois as estratégias de ludicidade utilizadas pelo professor permite ao indivíduo
aprender a lidar com as emoções, equilibrar suas tensões, provenientes de seu mundo
cultural, construindo sua individualidade com intuito de promover uma aprendizagem
ampla e significativa. O trabalho foi desenvolvido com auxílio de pesquisa de campo,
em caráter exploratório, qualitativo e bibliográfico. Entrevistou-se três professores que
atuam em uma escola da rede privada de ensino de Simões Filho – Bahia, visando o
levantamento de dados para a identificação da concepção sobre a ludicidade e como é
desenvolvido esse trabalho na sala de aula. Diante de tais dados, foi realizada uma
pesquisa bibliográfica, em sites, revistas, artigos e livros, buscando a fundamentação
teórica, conhecimento e entendimento dessas questões. Os resultados foram
tabulados, analisados e apresentados em forma de tabela e discussão sobre os dados
levantados. O trabalho com a ludicidade é um instrumento indispensável para a prática
pedagógica e para o desenvolvimento integral do indivíduo, porém faz-se necessário
destacar que essa prática é feita de forma limitada e que sendo assim, há uma
contradição apresentada nas respostas dos professores quanto à teoria e a prática em
sala de aula das atividades lúdicas durante as aulas de Ciências.

Palavras-chave: Aprendizagem. Pesquisa. Desenvolvimento.

1 INTRODUÇÃO

O vocábulo lúdico tem sua raiz do latim “ludus” que tem o sentido de
brincar ou jogar, e segundo o dicionário brasileiro da Língua Portuguesa, a
palavra „lúdico‟, vem com os seguintes significados: relativo a jogos, brinquedos
ou divertimentos, qualquer atividade que distrai ou diverte (AURÉLIO, 2004).

Com as atividades lúdicas, as crianças sempre adquirem novas


experiências, conhecimentos e desafios que, acabam se tornando parte do seu
cotidiano. Para que isso aconteça, as escolas precisam oportunizar esses
momentos. Pois é brincando que ela expressa suas emoções, seus desejos,
seus sentimentos e age de forma natural no espaço. Tanto os jogos,
brinquedos e as brincadeiras proporcionam uma variedade de experiências
lúdicas fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, motor, emocional e
social das crianças.

Vale ressaltar que independente de época, cultura e classe social, os


jogos e brinquedos fazem parte da vida da criança, pois elas vivem em um
mundo de fantasia, de encantamento, de alegria, de sonhos onde a realidade e
o faz de conta se confundem. Dessa forma, faz se necessário estimular e
trabalhar os jogos educativos como facilitadores no processo ensino
aprendizagem, já que através desse tipo de atividade a criança consegue
hipóteses e solução de problemas, desenvolvendo o raciocínio.

Porém, alguns fenômenos vêm sendo um empecilho para a educação,


como a banalização da infância, tanto pelos pais, quanto pelas próprias
instituições de ensino, o uso excessivo de tecnologias e afins. O brincar e a
brincadeira não fazem mais parte nas relações familiares, bem como, em
algumas instituições, onde são substituídas pelos estudos formais e disciplinas,
não levando em conta o lúdico como ferramenta excepcional para a
aprendizagem dos alunos na disciplina de Ciências nos anos finais do ensino
fundamental. Assim, no lugar das brincadeiras, outros sentidos vão tomando
espaço na infância, como cursos profissionalizantes e técnicos, o corpo
estatizado, a criança adultizada, ou até mesmo, a criança medicalizada
(Guarido; Voltolini, 2009; Bocchi; Herculino, 2017).

Em decorrência dessas coisas que este trabalho se preocupa em


apontar razões pelas quais devemos relacionar o lúdico com o processo de
ensino/aprendizagem em turmas dos anos finais do ensino fundamental nas
aulas de Ciências, demonstrando através de estudos, a importância dessa
pesquisa. Assim, serão usadas bases acadêmicas que auxilie a uma
compreensão com maior facilidade e de modo mais esclarecedor em relação à
aplicação do lúdico como instrumento essencial na educação infanto-juvenil.

Outro objetivo deste trabalho é mostrar, através de pesquisas, bases


teóricas, que fortaleçam a tese e a importância da implantação do lúdico em
salas de aula, ou em qualquer outro espaço escolar, para que assim, se
construa um ensino mais integrado e humanizado, validando a relevância em
deixar com que as crianças aprendam brincando, respeitando suas etapas de
desenvolvimento.

A organização e construção desse projeto teve como metodologia de


pesquisa a abordagem de caráter qualitativa, onde a opinião de muitos autores
contribuiu muito para isso e, como instrumento, a análise bibliográfica. Foram
buscadas palavras-chave como, ensino/aprendizagem, lúdico, jogos, em
artigos científicos, livros acadêmicos e dicionários, ou seja, uma
fundamentação teórica plausível sobre o tema de pesquisa.

Por meio de uma consulta em diversas literaturas e pesquisas,


envolvendo diversos autores que versam e defendem acerca do assunto
abordado; por meio de artigos, sites e revistas que refletem sobre a importância
do lúdico para a aprendizagem Ciências nas Séries Finais do Ensino
Fundamental, entre outros documentos que abordam sobre o tema em
questão, pretende-se confirmar a veracidade dos fatos encontrados. Afinal, as
informações contidas no presente artigo mostram que o lúdico, uma prática
muitas vezes esquecida pelos professores, é tão importante em sala de aula
nas séries Finais, especialmente no ensino da matemática.
Partindo da área de concentração da Metodologia de Ensino, o tema
escolhido para ser explanado nesse trabalho foi O Lúdico e o ensino de
Ciências nas séries finais do Ensino Fundamental, onde a delimitação
oportuniza o aprofundamento teórico acerca deste assunto. A escolha se deu
devido à importância que tem, a arte de educar é uma das mais nobres de
todas, onde o professor bem capacitado está pronto a interagir com o
indivíduos nas diversas fases do seu desenvolvimento, e consegue realizar seu
trabalho pedagógico na perspectiva lúdica, observando as crianças e
adolescentes brincando, fazendo disso ocasião para reelaborar suas hipóteses
e definir novas propostas de trabalho aprimorando seu conhecimento a fim de
uma aprendizagem mais significativa.

2 CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DO JOGO

Ao enfatizar o jogo como instrumento didático pedagógico é possível constatar


teoricamente inúmeras considerações e nomeações a seu respeito, onde se
destacam algumas expressões como: jogos, brincadeiras, brinquedo, atividade
lúdica e esporte. As linhas que separam os jogos, esportes, ginástica,
brincadeiras ou danças são muito tênues, servindo mais para uma definição
didática. Na visão de Brotto (2001, p. 12) não existe uma teoria completa do
jogo, nem ideias admitidas universalmente, o autor apresenta uma síntese dos
principais campos culturais e científicos onde os jogos são utilizados:

- Sociológico: influência do contexto social no quais os diferentes grupos de


crianças brincam.

- Educacional: a contribuição do jogo para a educação; desenvolvimento e/ou


aprendizagem da criança.

- Psicológico: o jogo como meio para compreender melhor o funcionamento


da psique, das emoções e da personalidade dos indivíduos.

- Antropológico: a maneira como o jogo reflete, em cada sociedade, os


costumes e a história da diferenças culturais.

- Folclórico: analisa o jogo como expressão da cultura infantil através das


diversas gerações, bem como as tradições e costumes através dos tempos
nele refletidos.
Mediante tais concepções compreende-se que o jogo é uma atividade ou
ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de
tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas no meio cultural do
povo, mas absolutamente obrigatórias dotadas de um fim em si mesmo,
acompanhado de um sentido de tensão e de alegria e de uma consciência de
ser diferente da vida quotidiana. Nesta perspectiva, Brougére (2004, p. 16)
complementa que:

A palavra "jogos" aplica-se mais às crianças e jovens, exclui qualquer


atividade profissional, com interesse e tensão e, por isso, vai além
dos jogos competitivos e de regras, podendo contemplar outras
atividades de mesma característica como: histórias, dramatizações,
canções, danças e outras manifestações artísticas.

Diante desta afirmativa, percebe-se que o jogo constitui-se numa atividade


primária do ser humano. É principalmente na criança que se manifesta de
maneira espontânea; alivia a tensão interior e permite a educação do
comportamento. Sendo assim, verifica-se que o jogo auxilia no
desenvolvimento físico, mental, emocional e social do sujeito.
Como forma de referendar a importância do jogo como um dos componentes
imprescindíveis da cultura humana, Murcia (2005, p. 9) ressalta que:

O jogo é um fenômeno antropológico que se deve considerar no estudo do


ser humano. É uma constante em todas as civilizações, esteve sempre unido a
cultura dos povos, a sua história, ao mágico, ao sagrado, ao amor, a arte, a
língua, a literatura, aos costumes, a guerra. O jogo serviu de vínculo entre
povos, é um facilitador da comunicação entre os seres humanos.

Dentre todas as contribuições ofertadas ao desenvolvimento do ser


humano, o jogo possui grande relevância em função de viabilizar condições
para o aprendizado e entre estas se destaca um aspecto fundamental que é a
socialização, onde através das quais os indivíduos constroem seu leque de
conhecimentos midiatizadas pelas relações que estabelecem com o meio.

Nas pesquisas de Murcia (2005, p. 11), evidencia-se o jogo como uma


atividade natural de todo ser humano, ressalta que: “essa palavra está em
constante movimento e crescimento, e faz parte de nossa maneira de viver e
de pensar; o jogo é sinônimo de conduta humana”.

Neste processo é necessário lembrar que desde muito cedo o jogo na vida
da criança é de fundamental importância, pois quando ela brinca, explora e
manuseia tudo aquilo que está a sua volta, através de esforços físicos e
mentais e sem se sentir coagida pelo adulto, começa a ter sentimentos de
liberdade e satisfação pelo que faz, dando, portanto, real valor e atenção às
atividades vivenciadas naquele instante. Nas pesquisas de Pinto e Lima (2003,
p. 5) verifica-se que:

A brincadeira e o jogo são as melhores maneiras de a criança comunicar-se


sendo um instrumento que ela possui para relacionar-se com outras crianças. É
através das atividades lúdicas que a criança pode conviver com os diferentes
sentimentos que fazem parte da sua realidade interior. Ela irá aos poucos se
conhecendo melhor e aceitando a existência dos outros, estabelecendo suas
relações sociais.

Como se observa o jogo é um estímulo tanto para o desenvolvimento do


intelecto do indivíduo quanto para sua relação interpessoal, fundamental para o
processo de aprendizagem. Assim sendo, quando jogam ou criam os seus
próprios jogos, as crianças terão uma compreensão maior de como o mundo
funciona e de como poderão lidar com ele à sua maneira. Os jogos, portanto,
podem ser afirmações do que está acontecendo, ou representações do que as
os alunos entendem os conteúdos abordados de maneira mais prazerosa e
autônoma.
No que consiste aos tipos de jogos, é importante destacar que são normais às
expressões como: jogo tradicional e jogo popular, como se constata nos
estudos de Murcia (2005, p. 110):

O jogo tradicional é aquele transmitido de geração em geração,


quase sempre de forma oral. De pais para filhos e de filhos para
netos; de crianças mais velhas para crianças menores. (...) O jogo
popular faz referência ao que procede do povo, por isso se define o
„jogo popular‟ como aqueles que são praticados pelas massas e não
necessariamente são jogos tradicionais, mesmo que com o tempo
possam se perpetuar.
Na visão deste autor, verifica-se que os jogos podem ser classificados por
diferentes nomenclaturas dependendo da sua origem no meio social e cultural
do povo. Contudo, o jogo está inserido em diversos contextos e modalidades,
onde conforme o mesmo autor, também se destaca os jogos folclóricos por
evidenciarem um leque de manifestações oriundas da realidade sócio-histórica
de uma dada sociedade.

Quanto à utilização do jogo, este pode ser direcionado a uma clientela bem
diversificada e com diferentes idades, as pesquisas de Brougère (2004, p. 13)
evidenciam que: “O jogo pode ser destinado tanto à criança quanto ao adulto:
ele não é restrito a uma faixa etária. Os objetos lúdicos dos adultos são
chamados exclusivamente de jogos, definindo-se, assim, pela sua função
lúdica.” Portanto, os jogos podem ser utilizados por qualquer pessoa.

Os jogos em suas diversas fases contribuíram sensivelmente com os


aspectos formativos dos seres humanos, tendo em vista que na Educação
Infantil o mesmo serve como recreação, favorecendo a aprendizagem da leitura
e escrita e, ao mesmo tempo, pode ser utilizado como recurso para adequar o
ensino ás necessidades infantis e nas séries finais do ensino fundamental a
proposta lúdica favorece uma aprendizagem mais significativa.

Conforme a vasta oportunidade de recursos que envolvem o lúdico,


não se pode perder de vista o referencial da cultura, que por sua vez, é muito
importante, pois retrata a história de um povo e nesse contexto, o jogo tem um
elo com historicidade dos antepassados da humanidade que deixaram um
legado de modalidades lúdicas que servem como entretenimento e lazer.

2.1 CONCEPÇÕES TEÓRICAS DO QUE É LUDICIDADE

A palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar. Segundo Piaget, o


desenvolvimento da criança acontece através do lúdico, que não representa
somente o jogar, mas sim pode ser encontrado em várias manifestações como
na dança, teatro, brincadeiras, construção de materiais concretos e nas
histórias.
Nesse sentido a função educativa do lúdico oportuniza a aprendizagem
do indivíduo, seu saber e sua compreensão de mundo. Para Friedman (1996)
os jogos lúdicos permitem uma situação educativa cooperativa e interacional,
ou seja, quando alguém está jogando está executando regras do jogo e ao
mesmo tempo, desenvolvendo ações de cooperação e interação que
estimulam a convivência em grupo. Os jogos são importantes para descontrair
e fazem bem para a saúde física, mental e intelectual de todos. Para a criança,
os jogos ajudam desenvolver a linguagem, o pensamento, a socialização, a
iniciativa e a autoestima. Prepara para serem cidadãos capazes de enfrentar
desafios e participar da construção de um mundo melhor. Por isso se configura
adequado para ser utilizado como ferramenta para a aprendizagem escolar em
todas as áreas de conhecimento.
É importante mencionar que o lúdico tem sua origem na palavra latina
“ludus” que quer dizer “jogo”. Se achasse confinado a sua
origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar, ao
brincar, ao movimento espontâneo. O lúdico passou a ser
reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do
comportamento humano. De modo que a definição deixou de ser
simples sinônimo de jogo. (LEAL, 2011, P.10)

A definição de ludicidade, foi definida de várias maneiras durante muitos


anos por estudiosos e pesquisadores, dentre outros cada um dando,
dominação e conceito de sua prática e importância, acompanhando suas linhas
de pensamentos e estudos. Como expressão de significados que tem o brincar,
“o lúdico representa uma oportunidade de (re) organizar a vivência e (re)
elaborar valores, os quais se comprometem com determinado projeto de
sociedade” conforme Gomes (2004, p.146).
Segundo Kishimoto (1993), foi em meados de década de 1930 que os jogos
educativos começaram a ser inseridos nas instituições infantis. Naquela
ocasião, o Brasil conheceu personalidades importantes no campo da
Psicologia, como Claparède, Pierre Janet, Mira e Lopes, André Reis e outros
que auxiliaram na disseminação de estudos na área da psicologia infantil,
inclusive sobre o jogo. O sentido do jogo era considerado como uma
manifestação dos interesses e necessidades das crianças e não apenas como
distração. A formação da criança era viabilizada por meio dos brinquedos e dos
jogos que ela executava.
Também para Piaget (apud Almeida 1974, p 25), “os jogos não são
apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar a energia das
crianças, mas meios que enriquecem o desenvolvimento intelectual”.
Segundo Kishimoto (1999), o jogo educativo utilizado em sala de aula na
maioria das vezes vai além das brincadeiras e se torna uma ferramenta para o
aprendizado. Para que o jogo seja um aprendizado e não uma obrigação para
a criança, é interessante deixar que o aluno escolha com qual jogo queira
brincar e que ele mesmo controle o desenvolvimento do jogo sem ser coagido
pelas normas do professor. Para que o jogo tenha a função educativa não pode
ser colocado como obrigação para a criança.
Na educação infantil é possível utilizar os jogos e as brincadeiras para
desenvolver o cognitivo, a motricidade, a imaginação, a criatividade, a
interpretação, as habilidades de pensamento, tomada de decisão, organização,
regras, conflitos pessoais e com outros, as dúvidas entre outras. A afetividade,
o companheirismo, a disciplina, a organização dos brinquedos após o uso,
podem ser adquiridas através das brincadeiras conjuntas entre as crianças.
Segundo Adamus, Batista e Zamberlan (apud Costa 2006), os jogos,
brinquedos e brincadeiras na infância são atividades essenciais para instigar a
curiosidade, a autoestima e a iniciativa da criança, com isso desenvolver a
linguagem, o aprendizado, o pensamento, além da atenção e concentração.
Por outro lado, é preciso considerar o que propõe Negrine (apud Costa,
2006 p.104): “a concepção de que o brincar está reservado às crianças nada
mais é que a perda da naturalidade humana, imposta pelo homem ao próprio
homem, já que a história nos diz - o adulto costumava dedicar muitas horas ao
lazer”.
É necessário lembrar que qualquer criação do homem até mesmo as
brincadeiras e jogos estão relacionados ao contexto social, histórico e cultural
do momento, dessa forma assume as características da época.
.
2.2 A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM

Na atualidade, tem se atribuído atenção especial ao brincar como elemento


fundamental para aprendizagem. Contudo percebe-se que nas instituições
escolares há significativa distância, quando se toma por base a presença de
referenciais teóricos e diretrizes que disseminam privilégio ao brincar e a
presença deste na rotina diária, sobretudo em seguimento iniciais.
Assim o lúdico quando trabalhado numa perspectiva pedagógica pode ser um
instrumento de suma importância na aprendizagem, no desenvolvimento,
cognitivo, afetivo e social na vida da criança.
Se considerarmos que a criança pré-escolar aprende de modo
intuitivo, adquire noções espontâneas, em processos interativos,
envolvendo o ser humano inteiro com suas cognições, afetividade,
corpo e interações sociais, o brinquedo desempenha um papel de
relevância para desenvolvê-la. (KISHIMOTO, 1999, p. 36).

Acredito que todos os professores e futuros professores devem adquirir


conhecimentos para trabalhar com a ludicidade no ensino/aprendizagem.
No entanto em conversas que tive com alguns professores que
trabalham na rede pública, me foram relatados que não trabalham com a
ludicidade por ser muito complicado conter os alunos, eles se desentendem e
começam brigar ficando difícil controlá-los, por isso preferem não trabalhar com
os jogos e brinquedos. Já outros destacaram que é muito importante, pois faz
com que o aluno aprenda mais. O professor precisa ter criatividade para poder
trabalhar com brincadeiras, as quais precisam ser planejadas, viabilizar os
materiais necessários para a brincadeira, criar regras, para que tudo se
encaminhe de forma pedagógica e produtiva para que os alunos possam
brincar e adquirir conhecimento de forma mais prazerosa.
Para Szymanski (2006), ao trabalhar com o lúdico partindo de ações
pedagógicas que valorizam jogos, brinquedos, música e poesia, para que as
crianças desenvolvam a representação simbólica, são fundamentais no
processo de aprendizagem. As histórias, músicas e poesias infantis trazem um
grande leque de possibilidades para utilizar o lúdico em sala de aula, onde as
crianças poderão interpretar, dançar, declamar, mostrando suas habilidades
que ainda não foram detectada pelo professor em uma aula “normal”, criando
novas possibilidades de conhecimentos pertinentes para o aprendizado da
criança.
Quando o conhecimento é construído através do lúdico a criança
aprende de maneira mais fácil e divertida, estimulando a criatividade, a
autoconfiança, a autonomia e a curiosidade, pois faz parte do seu contexto
naquele momento o brincar e jogar, garantindo uma maturação na aquisição de
novos conhecimentos.
É importante que as crianças se expressem ludicamente deixando
aflorar sua criatividade, frustrações, sonhos e fantasias, para aprender agir e
lidar com seus pensamentos e sentimentos de forma espontânea. No entanto,
a ludicidade não é apenas entretenimento, ou um brincar por brincar é algo que
deve ser trabalhado pelo educador.

2.3 O PAPEL DO DOCENTE NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM JUNTO


A LUDICIDADE

Consideramos relevante o papel do professor cuja ação pedagógica


tenha compromisso em esclarecer para os alunos quais objetivos que desejam
alcançar naquela atividade, quais são as regras, porque é necessário que eles
compreendam que o brincar é um instrumento de aprendizagem por meio de
um momento de diversão. Deste modo é válido que o professor repense a sua
prática pedagógica para um maior domínio na sua área de conhecimento,
apresentando, assim, uma postura consciente para criar alternativas de
enfrentamento que propiciem às suas crianças, ambientes de aprendizagem
que elas se identifiquem.
De acordo com Perrenoud (1995, p.28): “ensinar é organizar as interações e
atividades de modo que cada aluno se defronte constantemente com situações
didáticas que lhe sejam as mais fecundas.” Na formação acadêmica dos
professores tem-se pouco contato com disciplinas voltadas para como o
professor deve repassar o seu conhecimento ao aluno, e muitos acadêmicos se
formam sem saber como trabalhar diretamente com os alunos e repassar os
conhecimentos adquiridos dentro da sala de aula.
Dentro desta perspectiva, é relevante rever quais caminhos seguir para
assegurar práticas concretas comprometidas em questões didático-
metodológicas, que estabeleçam uma relação estreita entre o processo de
aprendizagem da criança e a comunidade da qual faz parte. Assim, o fazer
pedagógico tornar-se-á um ideal que vai além do domínio dos conteúdos.
Freire (1996, p.106) diz: “Como professor não me é possível ajudar o educando
a superar sua ignorância se não supero permanentemente a minha. Não posso
ensinar o que não sei”.
Deste modo, o papel do professor é incentivar o aluno para que ele assuma
uma postura e possa desenvolver seu senso crítico formando os seus
conceitos. Assim, o desenvolvimento da prática do professor precisa considerar
a meta que pretende alcançar, para que os alunos desenvolvam seus aspectos
cognitivos e afetivo, envolvendo-se com as temáticas propostas garantindo
aprendizagens que façam sentido em relação a sociedade. O papel principal do
educador nesse processo é estimular os alunos à construção dos
conhecimentos através das atividades lúdicas, fazendo com que eles sejam
desafiados a produzir e oferecer situações problema que serão impostas pelo
educador, a fim de motivar a percepção e construção de esquemas de
raciocínio, além de ser uma forma de aprendizagem diferenciada e significativa.
O professor, como principal responsável pela organização das situações de
aprendizagem, deve saber o valor da brincadeira para o desenvolvimento do
aluno. Cabe a ele oferecer um espaço que mescle brincadeira com as aulas
cotidianas, um ambiente favorável à aprendizagem escolar e que proporcione
alegria, prazer, movimento e solidariedade no ato de brincar.
O educador não precisa ensinar a criança a brincar, pois este é um ato que
acontece espontaneamente, mas sim planejar e organizar situações para que
as brincadeiras ocorram de maneira diversificada, propiciando às crianças a
possibilidade de escolher os temas, papéis, objetos e companheiros com quem
brincar. Dessa maneira, poderão elaborar de forma pessoal e independente
suas emoções, sentimentos, conhecimentos e regras sociais (RCNEI, 1998, p.
29).
O professor como mediador da aprendizagem, deve fazer uso de novas
metodologias, procurando sempre incluir na sua prática as brincadeiras, pois
seu objetivo é formar educandos atuantes, reflexivos, participativos,
autônomos, críticos, dinâmicos e capazes de enfrentar desafios.

2.4 LUDICIDADE E O ENSINO DE CIÊNCIAS

O mundo está em constante mudança por conta dos avanços


tecnológicos, ocupando grande espaço em diversas áreas e como tendência é
para facilitar as atividades do nosso cotidiano. As tecnologias de hoje em dia
que estão presentes na vida das crianças são muito diferentes das que
existiam antigamente e os meios de adquirir conhecimentos hoje, são bem
mais rápidos e dinâmicos, despertando no indivíduo prazer e atenção. Na
educação a tecnologia trouxe uma nova revolução no método de ensino, onde
os professores buscam novas formas no processo de ensino e aprendizagem e
os alunos também podem usufruir novas formas de aprender.
O método de ensino e aprendizagem no passado era realizado
majoritariamente de forma tradicional, no entanto nesse modelo pedagógico o
professor era o centro do conhecimento e os alunos deveriam se portar de
maneira exemplar, pois o aprendizado dependia somente do seu esforço e
dedicação (CARDOSO, 2013). Nesse método de ensino, conforme afirma
Rodrigues (2011), o professor na maioria das vezes assume uma postura
autoritária ocupando o lugar central da sala, pois é ele quem avalia e dá a
última palavra. Enquanto o aluno reage somente às perguntas do professor,
sendo um elemento passivo que deve ouvir tudo em silêncio e obedecer,
realizando atividades sem participação do conhecimento adquirido.
A inserção do ensino de ciências na escola deu-se no início do século XIX, já o
estudo da Biologia seria introduzido mais tarde devido à sua complexidade e
incerteza (Canavarro 199 p. 81-84 apud Rosa p. 90). Nesse período, o ensino
ainda era marcado pela perspectiva tradicionalista, na qual um grande volume
de conteúdo era transmitido em aulas expositivas; o conhecimento científico
era tomado com verdade absoluta e as avaliações se baseavam nos
questionários apresentados no livro-texto (Brasil, 1997, p. 19). As aulas eram
realizadas dentro de um modelo tradicional, onde o professor baseava-se em
livros didáticos europeus, explicando os conteúdos, reforçando as partes
positivas e relatando as experiências contidas nos livros, fazendo com que os
educandos não fossem estimulados a investigar mais sobre o assunto
(BASSOLI, 2014). O Parâmetro Curricular Nacional (PCN) que são as diretrizes
elaboradas pelo governo que orientam a educação em nosso país, desta forma
o ensino de ciências atualmente está nele amparado, cujo objetivo fundamental
passou a ser o de dar condições para o aluno identificar os problemas, a partir
de observações sobre um fato ocorrido no dia a dia, levantar hipóteses, testá-
las e questioná-las.
3 MATERIAL E MÉTODOS

Este trabalho foi desenvolvido com auxílio de pesquisa bibliográfica


descritiva, com o objetivo de aprofundar os conhecimentos sobre a importância
do lúdico e o ensino de Ciências nas séries finais do ensino fundamental. A
pesquisa bibliográfica foi realizada através da leitura de livros, revistas e artigos
científicos, para uma discussão de teorias e dados. Gil (1994, p. 42) considera
que a pesquisa bibliográfica tem como objetivo fundamental “descobrir
respostas para problemas, mediante o emprego de procedimentos científicos”.
Ainda conforme Gil (1994, p. 43) “as pesquisas descritivas possuem como
objetivo a descrição das características de uma população, fenômeno ou de
uma experiência”. Realizou-se uma pesquisa de campo numa escola de rede
privada através de entrevistas com professores da área de Ciências ainda
durante o período de estágios. Segundo Marconi e Lakatos (1992, p. 139) “a
pesquisa de campo permite oferece a oportunidade de levantar os dados no
próprio local através de entrevistas e observações”. Elaborou-se um
questionário com perguntas, aplicados a 03 (três) professores que atuam em
escolas de séries finais do ensino fundamental no município de Simões Filho –
Bahia, que colaborou com o levantamento de dados para enriquecimento do
trabalho, respondendo ao questionário de 06 questões. Os dados da pesquisa
foram apresentados em forma de tabelas e analisados através da discussão e
apresentação dos estudos realizados na pesquisa, analisando e justificando
esses resultados.
A prática foi observada enfatizando os aspectos metodológicos da aula,
participação dos alunos e domínio de conteúdo por parte dos professores bem
como as estratégias e intervenções pedagógicas realizadas pelo regente.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

O presente estudo se preocupou em mostrar a importância da


implantação do lúdico em salas de aula, ou em qualquer outro espaço escolar,
para que assim, se construa um ensino mais integrado e humanizado,
validando a relevância em deixar com que os indivíduos aprendam com maior
facilidade.
A realização da pesquisa nos possibilita a oportunidade de refletir acerca do
processo da construção do conhecimento da mesma forma que este momento
para se fazer um confronto com a realidade e os saberes já construídos
durante todo o processo de ensino.
A presente pesquisa é descritiva e de cunho qualitativo, com coleta de
dados através de um questionário estruturado e observação. O questionário,
disponível logo em seguida, tem como objetivo levantar o processo da
utilização do lúdico na formação do educador e quais as ações e estratégias do
professor em sala de aula que envolve a aplicação do lúdico com forma de
ensino para avanço nas aprendizagens dos alunos, identificar os fatores
limitadores, os pontos fortes e fracos da aplicação podendo assim, ter uma
visão ampla da situação da aprendizagem lúdica dos alunos das séries finais
do ensino fundamental.
É importante enfatizar que nos deparamos com professores, que
mantiveram a princípio uma resistência para aplicação do questionário e a
realização das pesquisas. Para melhor compreensão apresento o quadro a
seguir com o questionário feito com alguns professores.

ANEXO - A
QUESTIONÁRIO
1. O lúdico esteve presente na sua formação acadêmica?
Professor 1: Sim, durante os estudos do magistério tínhamos aulas de
recreação e brincávamos muito durante os estágios e as aulas.
Professor 2: Na verdade digamos que sim, eu sou estudante do curso
de Pedagogia e é um assunto bastante abordado.
Professor 3: Eu tive sim e inclusive achava bem interessante pois via
no lúdico possiblidades para melhorar e aprimorar o meu método de
ensino.
2. O que você entende por lúdico?
Professor 1: Pra mim é a arte de brincar.
Professor 2: Eu entendo como que fosse estratégias e metodologias
de dinamizar o trabalho de sala de aula.
Professor 3: Entendo como estratégias que quando alinhadas ao
trabalho do professor pode melhor o processo de aprendizagem dos
nossos alunos.
3. Você aplica o lúdico em sala de aula? De que forma?
Professor 1: Às vezes. Quando acontece eu brincar faço por meio de
dinâmicas e brincadeiras de roda.
Professor 2: Sim. Minhas atividades são previamente planejadas e eu
articulo de maneira com que os meus alunos possam opinar, não uso
apenas durante o recreio e sim sempre que pretendo iniciar um
conteúdo.
Professor 3: Sim. Aplico quase sempre que há possibilidades de
articular e flexibilizar os meus planos.
4. Você acha que o lúdico interfere na aprendizagem das crianças? Por
quê?
Professor 1: Sem dúvidas acredito que sim, por causa das
brincadeiras.
Professor 2: Sim com certeza. Porque quando estamos realizando
atividades com estratégias lúdicas as crianças ficam mais atentas e
desejosas a aprenderem e dessa forma possibilita melhor aquisição dos
conteúdos.
Professor 3: Claro que sim, o trabalho torna-se mais leve e prazeroso
para ambos.
5. Quais as limitações encontradas na aplicabilidade do lúdico em sala de
aula?
Professor 1: O comportamento dos alunos as vezes me deixa nervosa
e ai logo desisto.
Professor: Pra mim as limitações se dão mais por conta da falta de
recursos e ou espaço da escola no mais eu sempre me viro com o que
posso e acaba dando certo.
Professor 3: Na grande maioria a falta de apoio e de recursos
impossibilita o uso destas propostas.
6. Como são utilizadas as estratégias de ludicidade nas aulas de
Ciências?
Professor 1: Depende muito, eu ainda tenho dificuldade de elaborar
propostas.
Professor: Gosto de debates e seminários.
Professor 3: Busco contextualizar as minhas aulas e oferecer aos
alunos oportunidades de aprimorarem seus conhecimentos a partir de
jogos didáticos, debates, júri simulado e outras propostas quando
encontro.

Diante dos depoimentos e respostas da entrevista constata-se que as


atividades lúdicas são inseridas nas práticas de sala de aula embora sem
intervenções e alguns sem nenhuma intencionalidade e possível se observar
também que por conta da formação dos professores o fator e a visão sofrem
algumas mudanças a se dar como exemplo a Professora 1 tem 22 anos de
regência e tem apenas a formação do antigo Magistério e a Professora 2 tem
12 anos de experiência e está cursando Pedagogia, o Professor 3 é formado
em Ciências Biológicas e tem 10 anos de regência especificamente em turmas
de séries finais do ensino fundamental e ensino médio. Para as professoras 1 e
2 a atividade lúdica é evidenciada por meio do brincar livre e deve estar
presente no cotidiano da criança, principalmente dentro da escola. Com isso as
crianças aprendem alguma coisa sobre o mundo que a envolve, absorvido
devido as suas experiências pessoais.
Através dos estudos teóricos e experiências compartilhadas durante o
período de estágio, foi considerado que o objetivo proposto foi atingido e que
não ficou dúvidas a cerca da importância do lúdico na educação.

É notório que os docentes das escolas da rede observada possuem o


conhecimento acerca da temática abordada, mas precisam de melhor
capacitação e orientações pedagógicas bem como da realização de
intervenções e estratégias que possibilitem aos educandos melhores
resultados, mas podemos ressaltar que o Professor 3 tem um conhecimento
mais amplo e com aplicabilidade das práticas lúdicas que o mesmo utiliza como
estratégia de ensino e melhor aprendizagem para os alunos. Ainda, no
percurso entrevista com o Professor 3, foi possível analisar a importância do
lúdico para o desenvolvimento biopsicossocial da criança, tecendo-se no tear
da pesquisa, questões históricas que fundaram o sentimento da infância e o
quão torna-se importante estabelecer e desenvolver parâmetros para melhoria
da prática educacional. Tomando o lúdico como uma ferramenta fundamental
para o processo de ensino e aprendizagem.

5 CONCLUSÃO

Esse projeto foi um momento do curso em que eu pude me aperfeiçoar e


ter uma visão concreta da amplitude sobre o ensinar e aprender, pois
aprendemos muito com as crianças, e isso torna completa a prática
pedagógica. Os saberes profissionais são construídos durante a práxis em sala
de aula, e é a partir dessa experiência que nós educadores criamos estratégias
de ensino/aprendizagem, além disso, devemos ter critérios para organizar as
aulas a fim de obter um ambiente escolar com um clima envolvente.
No período de estágios vivido no decorrer do tempo da vida acadêmica,
além do aperfeiçoamento na prática em relação aos trabalhos realizados em
sala de aula com os alunos, seja com jogos, debates, leituras e tudo que
envolve o lúdico na educação, percebeu-se que os jogos pedagógicos são
muito importantes para o desenvolvimento dos indivíduos. Como vivemos em
uma sociedade, tudo que uma criança vive torna-se parte do conteúdo: sua
família, a escola, os meios de comunicação, sua cultura, enfim, tudo contribui
para que elas possam desempenhar papéis sociais, imitando algum modelo
que pertence ao seu dia a dia.

Os resultados foram surpreendentes, cada aluno interagiu de forma diferente


ao lidar com tais atividades feitas em sala, pois cada uma tem sua forma de
pensar e interagir, mas todas superaram e conseguiram de forma subjetiva
concluir suas atividades com excelência, sempre mostrando interesse e
vontade de aprender. Pode-se até dizer que através das atividades lúdicas,
vivenciaram diversão, prazer, e principalmente, aprendizado nas aulas de
Ciências. Ressalta-se a todos os educadores em especial, a do curso de
licenciatura em Ciências Biológicas, que compete a eles se prepararem para
fazerem o diferencial na educação, pois é preocupante de muitas escolas ainda
estão na prática do método tradicional, que hoje reflete nós péssimos
resultados dos alunos. Nesse sentido, é fundamental o professor buscar
diferentes métodos de ensino, como a utilização de dinâmicas nas aulas, para
tornar mais eficiente o ensino e proporcionar a participação dos alunos nas
atividades, e além de criar a oportunidade de fazer os alunos gostarem da
disciplina.
O Estágio Supervisionado foi uma excelente oportunidade de aprendizagem
que favoreceu a mim na construção da identidade como educador. A cada aula
ministrada, surpreendi-me muito, pois me sentir responsável com a formação
dos alunos e estar preparado para orienta-los da melhor forma possível.
Neste contexto, considera-se que este trabalho auxiliou o desenvolvimento da
compreensão necessária para uma prática pedagógica capaz de subsidiar os
processos significativos de ensino-aprendizagem, num mundo extremamente
complexo. Baseando-se nos resultados apresentados reafirma-se que há
necessidade de formação continuada e permanente para os docentes. Esta
formação deve estar atenta às reais necessidades da educação básica no nível
médio.
Assim, fica registrada a tentativa de colaborar com a atualização
científica de alguns professores e o desejo de que o ensino de Biologia, no
nível médio, possa contribuir para a formação de indivíduos críticos, solidários
e responsáveis pelas suas atitudes e pelas implicações decorrentes das
mesmas.

Paulo Freire citava que “ninguém nega o valor da educação e que um


bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores aos
seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores”. Isso nos
mostra que o trabalho de educar é duro, difícil e pouco reconhecido, porém,
necessário. Seria de muita valia que pais, alunos e a sociedade num todo,
repensasse sobre nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas
demonstramos o compromisso com a educação que queremos.
A vivência dos estágios foi muito enriquecedora para minha formação,
na medida em que pude ampliar meus conhecimentos nos momentos de
interação e compartilhamento de saberes produzido com as turmas. Foi um
momento do curso em que pude me aperfeiçoar, buscando ter uma visão
concreta de amplitude sobre o ensinar e aprender, pois aprendemos muitos
com as crianças, na teoria e na prática. Posso afirmar que contribui
positivamente para o desenvolvimento dos educandos em seus aspectos físico,
social, cognitivo e afetivo. Cada atividade foi pensada e planejada para atender
o objetivo final.

E por fim, acredito que a inserção neste projeto me possibilitou exercitar


as aprendizagens realizadas durante a formação acadêmica. Estar no espaço
da escola, sendo monitorado pela professora regente, ensinando na prática, foi
uma experiência bastante significativa, ainda mais usando o lúdico como
alternativa metodológica para apresentar os conteúdos, foi fundamental para
despertar o interesse dos alunos em desempenhar as atividades propostas.
Pude perceber o quanto as teorias aprendidas na universidade se tornam reais
na escola.
.

REFERÊNCIAS

ACEVEDO, Claudia Rosa; NOHARA, Jouliana Jordan. Monografia no curso de


administração. 3 ed. São Paulo, 2007.

AUSUBEL, D. P. Psicologia educacional. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980.

ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São
Paulo: Loyola, 2008.

BARROS, Manoel de. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2010.

BOCCHI, A. F. A; HERCULINO, B. M. Em que momento serei uma criança? O


discurso do pós-humanismo e a medicalização do corpo infantil. Pouso Alegre: Revista
DisSol, 2017.

BROUGÈRE, Gilles. Brinquedo e Cultura. São Paulo: Cotez, 2001.

CENED. Centro de Educação a distancia. A importância do lúdico na prática


pedagógica. Paranoá, DF, 2005.
CRUZ, Jonierson da. O lúdico como estratégia didática: investigando uma proposta
para o ensino de física. Vitória: Es. Anais, 2009.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio: o Dicionário da Língua


Portuguesa. 6 ed. revista e atualizada. Paraná: Editora Positivo, 2004.

FRIEDMANN, Adriana. Brincar, crescer e aprender: o resgate do jogo infantil. São


Paulo: Moderna, 2006.

GUARIDO, R; Voltolini, R. O que não tem remédio, remediado está? Belo Horizonte:
Educação em Revista, 2009.

HAETINGER, Max. G. O universo criativo da criança na educação. 2 ed. Porto Alegre:


Instituto Criar, 2005.

KISHIMOTO, Tizuco Morchida. Jogos infantis: o jogo, a criança e a educação.


Petrópolis, RJ: Vozes, 1993.

KISHIMOTO, Tizuco Morchida. O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira Thomson
Learning, 2002.

MALUF, Angela Cristina Munhoz. Brincar: prazer e aprendizado. 1.ed. Petrópolis, RJ:
Vozes, 2003.

MEYER, Ivanise Corrêa Rezende. Brincar e Viver: Projetos em Educação Infantil. 4ª.
Ed. Rio de Janeiro: WAK, 2008.

PIAGET, Jean. A Psicologia da criança. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

PIAGET, Jean. Os estágios do desenvolvimento intelectual da criança e do


adolescente. In: Problemas de Psicologia Genética. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

RIBEIRO, Suely de Souza. A Importância do Lúdico no Processo de Ensino-


Aprendizagem no Desenvolvimento da Infância. Disponível em:
<https://psicologado.com/atuacao/psicologia-escolar/a-importancia-do-ludico-
noprocesso-de-ensino-aprendizagem-no-desenvolvimento-da-infancia>. Acesso em:
12 de Outubro de 2019.

RIZZI, Leonor; Haydt, Regina Célia. Atividades lúdicas na educação da criança. 7. ed.
São Paulo: Ática, 2002.

SILVA, Magna Caroline da. O lúdico na educação infantil. 2013.

SOARES, Edna Machado. A ludicidade no processo de inclusão de alunos especiais


no ambiente educacional. 2010. Disponível em:<http://www.ffp.uerj.br/arquivos/dedu/
monografias/EMS.2.2010.pdf.>. Acesso em: 15 de Outubro de 2019.

VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Fontes, 2007.