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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

CURSO DE SERVIÇO SOCIAL


HELENA SILVA CUNHA
Prof.ª NAIRES RAIMUNDA GOMES FARIA
FUNDAMENTOS HISTÓRICO E TEÓRICO-METODOLÓGICOS DO S.S III

Resenha texto O serviço social na contemporaneidade, de Marilda V. Iamamoto.

6. A PRÁTICA COMO TRABALHO E A INSERÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL EM


PROCESSOS DE TRABALHO

Ao fazer a análise de uma determinada profissão, deve-se levar em conta que


seus princípios diretórios se alteram ao longo do tempo, principalmente influenciados
pelas mudanças do cenário ao qual encontram-se. Partindo disso, torna-se
necessário realizar a análise dos elementos presentes na profissão, bem como seus
instrumentos, seu objeto, sua prática, entre outros, visando compreende-la. Desta
forma, Iamamoto (2000) demonstra ao longo do texto que a partir dos anos 80,
passa a haver visível mudança em torno dos elementos fundantes do serviço social,
já que " analisar a profissão supõe abordar, simultaneamente, os modos de atuar e
de pensar que foram por seus agentes incorporados" (IAMAMOTO, 2000, pg.57).

Portanto, o serviço social se molda com base na realidade social e cultural da


sociedade, juntamente com seu objeto de estudo: a questão social. Esta, por sua
vez, torna necessária a formulação e implantação de certos mecanismos para seu
enfrentamento, ratificando por que "a questão social explica a necessidade das
políticas sociais" (IAMAMOTO, 2000, pg. 57), embora por outro lado as políticas
sociais não elucidem a questão social. De acordo com Iamamoto (2000), o ser
humano define certos objetivos e estabelece suas ações em prol da realização
destes. Ou seja, arquitetam-se as resoluções que esperam ser alcançadas, os fins
(sejam estes materiais, como a obtenção de ferramentas; ou imateriais, como
valores e conhecimento), atuando com base nisso. Isto é o trabalho. É ele quem
permite ao sujeito suprir certas necessidades sociais, podendo inclusive criar novas.

Por isso, a "eleição da categoria trabalho não 'foi' aleatória, trata-se de um


elemento constitutivo do ser social"(IAMAMOTO, 2000, pg.60). E é justamente a
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partir este trabalho que a autora afirma encadear uma matéria-prima, ou objeto,
anteriormente visto como sendo a questão social. Logo, para que ocorra a plena
realização do trabalho do profissional, faz-se necessário o conhecimento referente à
realidade, distanciando-se do utópico e fincando-se no real. Para isto, é necessária a
utilização de ferramentas, como entrevistas, reuniões, encaminhamentos, entre
outros. Além disso, mostra-se que "as bases teóricas metodológicas são recursos
essenciais que o assistente social aciona para exercer o seu trabalho" (IAMAMOTO,
2000, pg.62), já que por meio delas, é possível compreender mais visivelmente a
realidade.

Outro elemento que deve ser levado em conta, refere-se à autonomia da


profissão. Esta ocorre de modo parcial, visto que se por um lado há certa autonomia,
por se tratar de uma profissão liberal, por outro, os profissionais encontram-se
dependentes dos recursos e meios do qual seu contratante possui, seja este público,
privado ou não-governamental. Ou seja, enquanto o assistente social é detentor do
conhecimento necessário para a efetivação dos objetivos definidos, se vê sujeito à
subordinação frente aos elementos necessários para isso, já que “não detém todos
os meios necessários[...], ‘como’ financeiros, técnicos e humanos” (IAMAMOTO,
2000, pg. 62). Ocorre então a compra de sua força de trabalho.

Partindo desta constatação, pode-se realizar certos questionamentos quanto


à esta atuação, exemplo: qual o produto gerado pelos profissionais durante a
realização deste trabalho, isso por que assim como foi mencionado, cada trabalho
busca determinado fim, e pode resultar em alterações no meio ao qual encontra-se
inserido. A autora demonstra que as funções desempenhadas pelo profissional vão
desde treinamentos, a prestação de serviços direcionados para aposentadoria,
benefícios assistenciais, de saúde, entre outros. Porém, não se limitam a isto.

Pensar o serviço social como categoria de trabalho, é analisar também sua


participação no processo de reprodução da força de trabalho, maior meio utilizado
para obtenção de riqueza na sociedade capitalista, ou seja, “o serviço social é
necessário porque atua sobre questões que dizem respeito a sobrevivência social e
material dos setores[...]da população trabalhadora” (IAMAMOTO, 2000, pg. 66). E
justamente por encontrar-se nesta posição, o assistente social se vê também como
importante figura para a criação de congruência na sociedade: “O assistente social

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não produz diretamente riqueza[...]é parte de um[...]coletivo[...], fruto de uma divisão
técnica do trabalho” (IAMAMOTO, 2000, pg.70), ou seja, o profissional encontra-se
inserido em um meio, do qual partilha da coletividade, e possibilita situações que
aumentem o capital. Assim sendo, pode-se explicar porque há trabalhadores da área
em empresas privadas, já que sem este elemento, não haveria o porquê de tais
empresas realizarem a contratação.

Isto mostra-se diferente, porém, no âmbito do Estado, onde “não existe


criação capitalista de valor e mais-valia" (IAMAMOTO, 2000, pg.70). Contudo, as
conquistas geradas por este trabalho, como a implementação de políticas sociais,
tornam a profissão indispensável para o Estado, que dispõe de profissional
diretamente focado para este objetivo; e a sociedade, beneficiária destes serviços.
Logo, é no ambiente ao qual o profissional está inserido que tanto seu produto
quanto sua prática devem adequar-se a estes meios, seguindo logicamente as
diretrizes da profissão, bem como o projeto ético-político do mesmo. Assim, “essa
discussão sobre os processos de trabalho[...]permite ampliar sua apreensão para
um conjunto de determinantes que interferem na configuração social desse trabalho”
(IAMAMOTO, 2000, pg.70).

Desta forma, a prática do assistente social se faz diferente da vista décadas


atrás, principalmente pelas adequações e da forma como a profissão passou a ser
vista no meio. Sua necessidade se dá a partir da comprovação das expressões da
questão social, sejam estas desigualdades de origem econômica, social ou demais,
corroborando para a necessidade de ajustamentos. A prática do assistente social
deve ser fundada com base em “clareza, considerando as condições específicas do
que produzem com seu trabalho[...], para que possam decifrar o que fazem"
(IAMAMOTO, 2000, pg.69), isso por que ao definir a questão social como objeto, e
partindo do saber que existem inúmeras expressões desta questão social, o trabalho
destes profissionais deve tornar-se especializado, assim como afirma a autora.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Iamamoto, Marilda Vilela_ O serviço social na contemporaneidade: trabalho e


formação profissional. 3. Ed _ São Paulo, Cortez, 2000.

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