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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

LONDRINA – PARANÁ

GUSTAVO FAGUNDES
LIDYANE FARIAS
NATALIA CAMARGO
RENAN OGASAWARA

PERDA DE CARGA EM LEITO FIXO


E LEITO FLUIDIZADO

LONDRINA
JULHO, 2021
GUSTAVO FAGUNDES
LIDYANE FARIAS
NATALIA CAMARGO
RENAN OGASAWARA

EXPERIMENTO EM LEITO FIXO E LEITO FLUIDIZADO

Relatório realizado para a matéria de


Laboratório de Engenharia Química III
do curso de Engenharia Química.
Professoras: Doutora Silvia Priscila Dias
Monte Blanco e Larissa Maria
Fernandes

LONDRINA
JULHO, 2021
1. INTRODUÇÃO
O escoamento de fluidos através de leitos de partículas é uma prática
muito comum em operações industriais, onde o principal objetivo é promover um
contato íntimo entre as fases envolvidas no processo. Esse escoamento pode
ser utilizado para secagem, mistura, reações químicas entre outros processos.
Em um leito fixo o fluido passa através de um leito de partículas em baixas
velocidades, apenas percolando através dos espaços vazios existentes entre as
partículas estacionárias.

Figura 1 - leito fixo ou coluna de recheio

Nos procedimentos usando leito fixo, geralmente usa-se o fluxo em


contracorrente com o fluido mais leve entrando pelo fundo. Para se obter um
resultado melhor, o recheio deve promover um alto grau de turbulência para que
seja menor a queda de pressão (FOUST,1982).
Os recheios podem ser dos seguintes tipos:
● Sólidos quebrados: mais baratos, não uniformes, por isso seu arranjo não
é uniforme nem sua porosidade, podendo não ter um fluxo de líquido e
superfície efetiva, satisfatórios para a transferência de massa.
● Recheios de forma definida: são muito usados devido à sua grande área
superficial, aliada a sua baixa perda de carga; seu custo aumenta com a
diminuição de tamanho; a porosidade varia de 0,45 a 0,95. Os tipos mais
utilizados são: Anéis de Raschig, Anéis Pall, Anéis Lessing e as Selas de
Berl. Também pode-se utilizar esferas. Os materiais mais comumente
utilizados, dependendo da aplicação são: cerâmica, metais, vidro,
plásticos, carbono e, às vezes, borracha.
No caso do leito fluidizado, a fluidização ocorre quando um fluxo de fluido
ascendente através de um leito de partículas adquire velocidade suficiente para
suportar as partículas.
Abaixo são listadas algumas vantagens de leitos fluidizados (MOREIRA):
● Área superficial é grande, porque as partículas podem ser bem menores
favorecendo a transferência de calor e massa;
● Grandes velocidades de reação, comparados aos reatores de leito fixo,
devido a uniformidade do leito (ausência de gradientes);
● Aumento dos coeficientes de transferência de calor e massa, devido ao
aumento de condutância e uniformidade da temperatura;
● Coeficientes de transferência de calor entre leito e paredes do
equipamento ou tubos imersos são extremamente favoráveis;
● Fácil escoamento em dutos, pois os sólidos comportam-se como fluido;
● Favorecimento de transporte de energia devido a fluidez.

A equação 1.1 foi utilizada para determinar a densidade das partículas,


onde 𝜌𝑃 (kg/m³) é a densidade das partículas do leito, 𝑉𝐴1 (m³) é o volume de
água deslocado pelas partículas e 𝑚𝑃 é a massa de partículas.
𝑚
𝜌𝑃 = 𝑉 𝑃 (1.1)
𝐴1

A equação 1.2 foi utilizada para determinar o volume da partícula, onde 𝑛


é o número de partículas adicionadas na proveta e 𝑉𝐴2 (m³) é o volume de água
deslocado.
𝑉𝐴2
𝑉𝑃 = (1.2)
𝑛

O diâmetro da partícula é expresso pela equação 1.3, onde Deq (m) é o


diâmetro da partícula equivalente à uma esfera.

3 6. 𝑉𝑡
𝐷𝑒𝑞 = √ (1.3)
𝜋
A esfericidade é uma medida de quão próxima uma partícula ou um objeto
se parece com uma esfera perfeita, assim a esfericidade de uma partícula pode
ser dada pelo diagrama a baixo.

Figura 2 – porosidade versus esfericidade

Onde 𝑑𝑝𝑙 é o diâmetro da menor esfera circunscrita e 𝑉𝑝 é o volume da partícula.


A queda de pressão é um fator importante quando se fala de experimentos
em leito fixo. No caso de uma coluna de recheio operando com gás e líquido, a
queda de pressão pode ser determinada calculando ΔP (Pa) para o fluxo de gás,
ou através de réguas acopladas ao leito já calibradas para medir esse ΔP.
(FOUST, 1982)
A queda de pressão pode ser calculada a partir da equação 1.4

∆𝑃 (𝜌𝐶 − 𝜌𝐻2𝑂 ) 𝑔 ∆ℎ𝑀


= (1.4)
𝐻 𝐻
Onde H (m) é a altura do leito, ∆𝑃 𝑒 ∆ℎ𝑀 são a diferença de pressão aferida
pelo manômetro e a diferença de altura da coluna de clorofórmio observada no
manômetro, 𝜌𝐶 (kg/m³) é a densidade do clorofórmio a 20°C e g é a aceleração
da gravidade (m/s²).
A porosidade do leito pode ser dada pela fração de volumes ou pela
densidade da partícula.

𝑚𝑝 𝑉𝐴3
𝜀𝑏 = 1 − = (1.5)
𝜌𝑝 ∗ 𝑉𝑇 𝑉𝑇
Onde 𝑉𝐴3 é o volume necessário para completar o leito após a retirada das
partículas.
A equação 1.6 mostra volume total (𝑉𝑇 ) ocupado pelas partículas no
interior da proveta.
𝐷 2
𝑉𝑇 = 𝜋 ( 2𝑉) ℎ𝑉 (1.6)

A velocidade superficial que percorre a coluna de leito fixo ou fluidizado


pode ser dada pela equação 1.7.

𝑄
𝑞= (1.7)
𝐴𝐿
A área de seção transversal da coluna (1.8) depende somente do
diâmetro da coluna.

𝐷𝐿2
𝐴𝐿 = 𝜋 (1.8)
4
A permeabilidade da coluna (1.9) é expressa pela letra k, e representa a
facilidade com que o fluido passa pelas partículas do leito.

𝑅ℎ2
𝑘= 𝜀 (1.9)
𝛽
O raio hidráulico 𝑅ℎ é calculado a partir da fração de vazios e superfície
específica do meio.

𝜀
𝑅ℎ = (1.10)
𝑆𝑉

6
𝑆𝑉 = (1 − 𝜀) (1.11)
𝜙𝑃 𝐷𝑃
Substituindo 1.11 em 1.10 e em seguida na equação da permeabilidade,
temos a relação de Permeabilidade do leito de Kozeny-Carman.
𝜙𝑃 ² 𝜀 3 𝐷𝑃 ²
𝐾=
36 𝛽 (1−𝜀)²

(1.12)
A Equação 1.13 apresenta a permeabilidade por Ergun.

𝜙𝑃 ² 𝜀 3 𝐷𝑃 ²
𝐾= (1.13)
150 (1 − 𝜀)²
Pode-se encontrar a permeabilidade experimental pela equação 1.14, a
partir do coeficiente linear.
1 𝛥𝑃 𝜇𝐴 𝑐 𝜌𝐴
(− ) = + 𝑞 (1.14)
𝑞 𝐻 𝐾 √𝐾
Substituindo 1.14 em 1.15 e admitindo c igual a 0,14 temos a equação de
Ergun para leito fixo:

𝛥𝑃 (1 − 𝜀)2 𝜇𝐴 1 − 𝜀 𝜌𝐴
− = 150 [ 3
] 2 𝑞 + 1,75 ( 3 ) 𝑞² (1.15)
𝐻 𝜀 (𝜙𝑃 𝐷𝑝 ) 𝜀 𝜙𝑃 𝐷𝑃
O leito somente fluidizará com uma velocidade mínima de fluidização
(Vmf), quando temos esta Vmf a força de pressão do fluido se iguala ao peso da
partícula.
2
𝑔 (1−𝜀𝑚𝑓 ) 𝜇𝐴 1−𝜀𝑚𝑓 𝜌𝐴
− 𝐻𝑚𝑓 = 150 [ ] 𝑉𝑚𝑓 + 1,75 ( ) 𝑉 ² (1.16)
𝑚𝑓
3
𝜀𝑚𝑓 (𝜙𝑃 𝐷𝑝 )
2 3
𝜀𝑚𝑓 𝜙𝑃 𝐷𝑃 𝑚𝑓

Ressalta-se que a queda de pressão no meio fluidizado é dada pela


equação 1.17
−𝛥𝑃𝑚𝑓 = (1 − 𝜀). (𝜌 − 𝜌𝑚𝑓 ). 𝑔𝐻𝑚𝑓 (1.17)
A fluidização acontece em algumas etapas, onde de 0 a A acontece uma
queda de pressão no leito, de A a B o leito inicia a fluidização, de B a C há um
aumento repentino de velocidade e queda de pressão, de C a D a pressão varia
linearmente com a velocidade, e de D a diante as partículas começam a ser
carregadas.

Figura 3 – comportamento do leito fluidizado

2. MATERIAIS E MÉTODOS
Conteúdo disponível em vídeo, pode ser visto acessando o moodle da
disciplina.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1. RESULTADOS DA CARACTERIZAÇÃO DAS PARTÍCULAS EM LEITO
FIXO
Após analisar os dados relacionados às partículas que compõem o
recheio do leito fixo, foi possível calcular algumas das propriedades que serão
necessárias posteriormente. Os dados coletados estão dispostos nas
Tabelas 3.1 e 3.2.

Tabela 3.1 – Dados usados para determinação da densidade das partículas em leito fixo
Massa das partículas (𝑚𝑃 ) 7.99 (g)
Volume de água deslocado (𝑉𝐴1) 3.2 (mL)

Tabela 3.2 – Dados usados para determinação do volume das partículas em leito fixo
Volume de água inicial na proveta 10 (mL)
Número de partículas (𝑛) 20
Volume de água deslocado (𝑉𝐴2) 3.2 (mL)

Tabela 3.3 – Dados usados para determinação da porosidade do leito fixo


Diâmetro da proveta (𝐷𝑉 ) 75 (mm)
Altura do leito na proveta (ℎ𝑉 ) 250 (mm)
Volume de água adicionado (𝑉𝐴3) 607 (mL)
Volume total da proveta (𝑉𝑇 ) 1104,46 (mL)

Com os valores das tabelas 3.1, 3.2 e 3.3, foi possível encontrar o
diâmetro equivalente (m), densidade da partícula (kg/m³) e a porosidade do
leito. A esfericidade foi obtida por meio da figura 2 Os resultados estão
disponíveis na tabela 3.4.
Tabela 3.4 – Parâmetros da caracterização das partículas do leito fixo
Densidade das partículas (𝜌𝑃 ) 2496,87 (kg/m³)
Volume médio da partícula (𝑉𝑃 ) 0.05 (mL)
Diâmetro da partícula (𝐷𝑒𝑞 ) 3.2 (mL)
Porosidade (𝜀𝑏 ) 0,54
Esfericidade (𝜙) 0,55

3.2. RESULTADOS DO LEITO FIXO


O experimento feito no leito fixo permitiu a coleta dos valores da diferença
de altura do manômetro, para cada valor de vazão de escoamento de água,
ao aumentar e diminuir a vazão (nos mesmos intervalos). Dessa maneira, foi
𝛥𝑃
possível calcular − (Pa/m) para cada valor de 𝑄 (m³/s), por meio da
𝐻

equação 1.4. As constantes usadas na equação 1.4 estão descritas na tabela


3.5.

Tabela 3.5 – Constantes usadas no cálculo da queda de pressão


Densidade do clorofórmio (𝜌𝑐 ) 1490 (kg/m³)
Aceleração da gravidade (𝑔) 9,81 (m/s²)
Altura do leito (𝐻) 0,719 (m)
Densidade da água (𝜌𝐻20 ) 998 (kg/m³)

De maneira análoga, a velocidade de escoamento superficial foi


calculada dividindo o valor de cada vazão de escoamento pela área de seção
transversal, como na equação (1.7). Foram usados os seguintes dados para
o cálculo de 𝑞 em m/s.

Tabela 3.6 – Dados usados para determinação da velocidade superficial


Diâmetro interno da coluna (𝐷𝐿 ) 0.075 (m)
Área de seção transversal (𝐴𝐿 ) 0,0044 (m²)

Os valores da perda de carga para cada velocidade de escoamento estão


inseridos na tabela 3.7.

Tabela 3.7 – Perda de carga experimental


Vazão Velocidade de ΔP/H ΔP/H
escoamento(q) progressivo regressivo
(L/min) (m/s) (Pa/m) (Pa/m)
1 0,003772562 516,8873992 798,8259805
1,5 0,005658842 771,9746871 778,6875104
2 0,007545123 1060,626092 1121,041502
2,5 0,009431404 1275,436439 1295,57491
3 0,011317685 1590,939138 1678,205841
3,5 0,013203966 1899,729013 2013,84701
4 0,015090246 2409,903588 2497,170292
4,5 0,016976527 2758,970403 2866,375577
5 0,018862808 3389,9758 3477,242503
5,5 0,020749089 3853,160612 3967,278609
6 0,02263537 4470,740362 4450,601892
6,5 0,02452165 4839,945647 4873,509764
7 0,026407931 5504,51516 5605,20751
7,5 0,028294212 5987,838442 6195,935967
8 0,030180493 6712,823366 6719,536189
Também é possível plotar um gráfico que relaciona ΔP/H versus a
velocidade de escoamento, para facilitar a análise e interpretação dos
resultados. A figura 4 representa uma abordagem gráfica da tabela 3.7.

ΔP/H x q
8000

7000

6000

5000
ΔP/H Pa/m)

4000 Progressivo
Regressivo
3000

2000

1000

0
0 0,005 0,01 0,015 0,02 0,025 0,03 0,035
q (m/s)

Figura 4 - Gráfico de ΔP/H experimental versus q

Observa-se que existe uma diferença muito pequena da perda de carga


ao analisarmos as curvas associadas ao acréscimo ou decréscimo da vazão
do fluido que percorre o leito. Com exceção do primeiro ponto, as curvas
mostram-se praticamente sobrepostas, indicando que o fluido percorre
caminhos semelhantes no leito, tanto no movimento ascendente quanto no
descendente (NESI, 2018). Logo, existem evidências de que o leito fixo não
sofreu processo de expansão, o que é coerente em um experimento de leito
fixo (MAIA, 2018). Portanto, o desvio associado ao primeiro ponto, pode ter
sido decorrente até mesmo de uma leitura incorreta dos dados ou alguma
falta de uniformidade das partículas contidas no leito, como a presença de
caminhos preferenciais.
Por meio da equação 1.14, foi possível calcular o valor da permeabilidade
K experimental, para o acréscimo e decréscimo da vazão de água. O cálculo
1 𝛥𝑃
envolve uma regressão linear do gráfico de 𝑞 (− ) versus 𝑞, como mostram
𝐻

as figuras 5 e 6.
K experimental progressivo
250000

200000
1/𝑞 (−Δ𝑃/𝐻)
150000

100000

50000 y = 4E+06x + 109138


R² = 0,9455
0
0 0,005 0,01 0,015 0,02 0,025 0,03 0,035
𝑞 (m/s)

1 𝛥𝑃
Figura 5 – Gráfico de (− ) versus 𝑞 progressivo
𝑞 𝐻

K Experimental regressivo
250000

200000
1/𝑞 (−Δ𝑃/𝐻)

150000

100000
y = 4E+06x + 110153
50000 R² = 0,9696

0
0 0,005 0,01 0,015 0,02 0,025 0,03 0,035
𝑞 (m/s)

1 𝛥𝑃
Figura 6 – Gráfico de (− ) versus 𝑞 regressivo
𝑞 𝐻

Foi descartado o primeiro ponto do gráfico de K para a corrida regressiva


pois o seu comportamento era notoriamente diferente dos demais. O desvio
provavelmente é ocasionado pelos problemas mencionados no cálculo da
𝛥𝑃
perda de carga, uma vez que (Pa/m) é usado no cálculo da permissividade
𝐻

experimental.
O coeficiente linear obtido das equações linearizadas permite o cálculo da
permeabilidade experimental K. Os resultados estão dispostos na tabela 3.8.
Tabela 3.8 – Permeabilidade (coeficiente de permeação) experimental do leito fixo
Kprogressivo 9,18.10-9 (m²)
Kregressivo 9,09.10-9 (m²)
Foram encontrados valores muito próximos para K ao aumentar e diminuir
a vazão, o que era esperado, pois os valores encontrados para a perda de
pressão eram muito semelhantes. A proximidade entre os valores da
permeabilidade evidencia a hipótese anterior de que o fluido percorre
caminhos muitos parecidos no acréscimo e decréscimo das vazões.
Com os resultados da caracterização das partículas, também é possível
encontrar o valor de K usando a equação 1.12, de Carman-Kozeny. De
acordo com Cremasco (2014), o valor do fator de forma 𝛽 varia de 4 a 5,
sendo que 5 é usado para partículas esféricas. Como a esfericidade da
partícula 𝜙 possui um valor próximo de 0,5, foi adotado um valor de 𝛽 que se
encontra exatamente no meio do intervalo entre 4 e 5, ou seja, 4,5. De
maneira semelhante, foi calculado o valor de K usando a equação 1.13 de
Ergun. Os valores de K calculados pelos dois modelos estão disponíveis na
tabela 3.7.
Tabela 3.9 – Permeabilidade (coeficiente de permeação) por Ergun e Carman-Kozeny
KErgun 3,45.10-8 (m²)
KCarman-Kozeny 3,19.10-8 (m²)

O coeficiente de permeação encontrado pelas duas equações possui


valores muito próximos entre si, mesmo que Carman-Kozeny use o fator de
forma 𝛽 que não é inserido no método calculado por Ergun.
A famosa equação de Ergun 1.15 possibilita o cálculo da queda de
pressão por comprimento do leito fixo, usando dados como o diâmetro de
partícula, esfericidade, viscosidade da água e velocidade superficial de
escoamento. Dessa forma, é possível comparar os resultados com os valores
calculados pela aferição no manômetro (diferença de altura). A comparação
é feita na figura 5.
ΔP/L x q
8000
7000
ΔP/L ((Pa/m) 6000
5000
4000 ida
3000 volta
2000 Ergun
1000
0
0 0,005 0,01 0,015 0,02 0,025 0,03 0,035
q (m/s)

Figura 7 – Queda de pressão experimental e calculada por Ergun

A diferença entre os valores experimentais e calculados por Ergun, foi


calculada por meio da equação 3.1, e os valores inseridos na tabela 3.10. Em
seguida, foi feita uma média aritmética, encontrando um desvio médio de
63,68%.
𝛥𝑃 𝛥𝑃
100∗( 𝐸𝑥𝑝𝑒𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙− 𝐸𝑟𝑔𝑢𝑛)
𝐿 𝐿
𝐷𝑒𝑠𝑣𝑖𝑜 (%) = 𝛥𝑃 (3.1)
𝐸𝑥𝑝𝑒𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙
𝐿

Optou-se por calcular o desvio em relação a coleta de dados em que se


aumentava a vazão, principalmente pelo fato de não existirem pontos fora da
tendência linear, como no procedimento regressivo.

Tabela 3.10 – Perda de carga experimental e calculada por Ergun


Velocidade 𝛥𝑃 𝛥𝑃 Desvio
𝐸𝑥𝑝𝑒𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙 𝑖𝑑𝑎 𝐸𝑟𝑔𝑢𝑛
superficial (q) 𝐿 𝐿
(m/s) (Pa/m) (Pa/m) (%)
0,003772562 516,8873992 136,4765738 73,59646
0,005658842 771,9746871 224,8359596 70,87522
0,007545123 1060,626092 326,6094113 69,20598
0,009431404 1275,436439 441,7969291 65,36112
0,011317685 1590,939138 570,3985127 64,14706
0,013203966 1899,729013 712,4141623 62,49917
0,015090246 2409,903588 867,8438779 63,98844
0,016976527 2758,970403 1036,687659 62,42484
0,018862808 3389,9758 1218,945507 64,04265
0,020749089 3853,160612 1414,61742 63,28683
0,02263537 4470,740362 1623,7034 63,68155
0,02452165 4839,945647 1846,203445 61,85487
0,026407931 5504,51516 2082,117556 62,17437
0,028294212 5987,838442 2331,445733 61,06365
0,030180493 6712,823366 2594,187976 61,35474

Em ambos os casos, a perda de carga aumenta com a vazão do fluido, e


consequentemente, com a velocidade superficial de escoamento. Isso pode
ser facilmente analisado ao observar a figura 5, pois as 3 curvas apresentam
comportamento semelhante.
No entanto, somente as duas curvas experimentais estão sobrepostas,
enquanto os valores da perda de carga calculada por Ergun mostram-se bem
menores. Isso é evidenciado pelo alto valor do desvio calculado
anteriormente de 63,68%.
A primeira hipótese para essa diferença nos valores, seria a presença de
irregularidades no próprio equipamento do laboratório, principalmente na
obtenção dos dados. Grande parte dos dados foram obtidos visualmente, por
meio de marcações que estavam presentes nos próprios equipamentos. Esse
tipo de coleta está suscetível a muitos erros, uma vez que a precisão dos
números é subjetiva e depende de cada observador. Também existe a
possibilidade dos equipamentos como o manômetro contendo clorofórmio
estar descalibrado. O módulo do laboratório possui muito valor didático, mas
não está envolvido em nenhum processo comercial, desse modo não
necessita de tantas regulagens.
Mesmo que a primeira hipótese possa justificar a presença dos desvios,
dificilmente os valores seriam tão altos para justificar os erros mencionados
anteriormente. Logo, também é válido analisar a possibilidade de ter usados
parâmetros e constantes incorretas na equação de Ergun. A densidade e
viscosidade da água e do clorofórmio foram usados para a temperatura de
20 graus Celsius, mesmo que a temperatura dentro do laboratório nem tenha
sido aferida. Também é válido afirmar que o valor da esfericidade foi obtido
graficamente, o que é suscetível aos mesmos erros das aferições realizadas
no laboratório. Uma sugestão seria a realização de uma distribuição
granulométrica mais elaborada para encontrar o diâmetro de Sauter, por
exemplo, a esfericidade, e até mesmo o uso de picnômetros para o cálculo
da massa específica.
3.3 RESULTADOS DA CARACTERIZAÇÃO DAS PARTÍCULAS EM LEITO
FLUIDIZADO
Os dados experimentais necessários para a caracterização das partículas
e do leito obtidos no experimento de leito fluidizado estão organizados nas
tabelas 3.11, 3.12 e 3.13
Tabela 3.11 – Dados usados para determinação da densidade das partículas em leito
fluidizado
Massa das partículas (𝑚𝑃 ) 2.01 (g)
Volume de água deslocado (𝑉𝐴1) 0.8 (mL)

Tabela 3.12 – Dados usados para determinação do volume das partículas em leito fixo
Volume de água inicial na proveta 6 (mL)
Número de partículas (𝑛) 50
Volume de água deslocado (𝑉𝐴2) 0.2 (mL)

Tabela 3.13 – Dados usados para determinação da porosidade do leito fixo


Diâmetro da proveta (𝐷𝑉 ) 75 (mm)
Altura do leito na proveta (ℎ𝑉 ) 250 (mm)
Volume de água adicionado (𝑉𝐴3) 483 (mL)

Com os dados experimentais das tabelas 3.11, 3.12 e 3.13, foi possível
encontrar o diâmetro equivalente (m), densidade da partícula (kg/m³) e a
porosidade do leito. Para o cálculo do diâmetro equivalente da partícula, se
utilizou a aproximação pelo volume de uma esfera e com a consideração de
que 1mL é igual a 1cm, se obteve o diâmetro equivalente.
A esfericidade foi obtida por meio da figura 2 e os resultados estão
disponíveis na tabela 3.14.
Tabela 3.14 – Parâmetros da caracterização das partículas do leito fluidizado
Densidade das partículas (𝜌𝑃 ) 2512,5 (kg/m³)
Volume médio da partícula (𝑉𝑃 ) 0.04 (mL)
Diâmetro da partícula (𝐷𝑒𝑞 ) 0.19 (cm)
Porosidade (𝜀𝑏 ) 0,52
Esfericidade (𝜙) 0,65

3.4 RESULTADOS DO LEITO FLUIDIZADO


A fim de encontrar os valores da queda de pressão no experimento do
leito fluidizado, se realizou as mesmas considerações feitas para o cálculo no
leito fixo, descritas anteriormente no 3.3 e as constantes utilizadas para os
cálculos estão dispostas em forma de tabela 3.5 e 3.6.
Os valores da perda de carga para cada velocidade de escoamento estão
inseridos na tabela 3.15.
Tabela 3.15 – Perda de carga experimental
Vazão Velocidade de ΔP/H ΔP/H
escoamento(q) progressivo regressivo
(L/min) (m/s) (Pa/m) (Pa/m)
0 0 0 4159,371456
1 0,003772562 621,736869 4135,273128
1,5 0,005658842 872,359483 4135,273128
2 0,007545123 1103,703434 4130,453462
2,5 0,009431404 1359,145713 4130,453462
3 0,011317685 1691,702643 4120,814131
3,5 0,013203966 2086,915227 4106,355134
4 0,015090246 2525,504801 4091,896137
4,5 0,016976527 2915,897719 4038,879815
5 0,018862808 3383,405287 3976,224162
5,5 0,020749089 3860,552186 3971,404496
6 0,022635370 4178,650119 3725,601548
6,5 0,024521650 4101,535469 3446,060940
7 0,026407931 4111,174800 3108,684345
7,5 0,028294212 4149,732125 2795,406077
8 0,030180493 4144,912459 2433,931154
8,5 0,032066774 4111,174800 2159,210211
9 0,033953055 4135,273128 1768,817294
9,5 0,035839335 4140,092794 1551,932339
10 0,037725616 4144,912459 1267,572066
10,5 0,039611897 4135,273128 1041,047781
11 0,041498178 4144,912459 824,162826
11,5 0,043384459 4140,092794 587,999209
12 0,045270739 4130,453462 0

Com os dados da tabela 3.15 foi realizado a plotagem do gráfico queda


de pressão versus vazão regressiva e progressiva, para facilitar a análise do
perfil da queda de pressão, como pode ser observado na figura 6, abaixo.

Figura 8 - Queda de pressão experimental versus Vazão.

O ponto de mínima vazão de fluidização identificado pelo gráfico possui


uma pressão mínima de fluidização de aproximadamente 150 Pa e velocidade
mínima de fluidização de 5,9 L/ min.
Algo muito interessante analisado é o comportamento da expansão do
leito e a histerese associada a fluidização e defluidização, neste processo, a
análise da figura 8 permite avaliar essa diferença entra a queda de pressão
durante o processo regressivo e progressivo em função da velocidade superficial
do fluido e se nota que se tornou pronunciado durante o intervalo de vazão entre
2 a 8 L/min.
Figura 9- Histerese em leito fluidizado

Ao se comparar comportamento dos dados experimentais expressos pelo


gráfico da figura 9 com os dados da literatura do comportamento de queda de
pressão em leito da figura 3, se nota o mesmo comportamento esperado, onde
no início leito se comporta como leito fixo, pois o fluido inicialmente percola no
sentido ascendente a uma velocidade baixa e infiltra nos espaços vazios das
partículas em estado estacionário, como pode ser notado na faixa de vazão 0
até 2 L/min, depois o leito tem um aumento gradual na queda de pressão
fluidização durante o intervalo de 2 até 5,95 L/min onde então a queda de
pressão se iguala a força da gravidade que atua no leito e se inicia a
movimentação das partículas a partir de 5,95 L/min.
No início da fluidização com o aumento da velocidade as partículas se
separam, movimentando-se em pequenas regiões, no ponto vazão de 6 L/min,
a força entre as partículas e o fluido do se equivalem e a força de compressão
com as partículas vizinhas do sistema minimizam, logo, a queda de pressão nas
seções do leito será igual ao peso das partículas e do fluida na seção e o leito
alcança o estado de mínima fluidização, como explicitado na figura 6.
Com o aumento da movimentação das partículas o leito atinge a
fluidização a partir de 8 L/min.
A queda de pressão na defluidização se torna menor devido aos caminhos
preferenciais e o sistema não precisa vencer a força da gravidade.
Ao se comparar a queda de pressão experimental com a calculada por
Ergun, se nota uma grande divergência dos valores esperados, como pode ser
avaliado pela figura 10 e 11.
Figura 10 - Perfil da Queda de pressão experimental e calculada por Ergun para
fluidização

Figura 11- Perfil da queda de pressão experimental e calculada por Ergun para
fluidização

Esta discrepância pode ter sido devido a fatores como erro de


amostragem, erros no equipamento, proveniente de interferências de corrente
de ar, posicionamento incorreto e até mesmo falta de calibração adequada.
Outro fator que pode ter gerado grande impacto é com relação ao valor da
esfericidade que foi obtido graficamente, por se tratar de um método visual, os
valores são aproximados.
A aproximação das partículas á esferas para obtenção do diâmetro
equivalente, não gera dados tão confiáveis como a amostragem e medição das
partículas físicas no laboratório.
Para o cálculo da pressão de mínima fluidização, foi utilizada a fórmula
1.16,com 3457,91, assumindo a altura mínima de fluidização de 483 mm e
porosidade de 0, 51760 e o valor obtido pelo gráfico foi de 1520,00 Pa. O valor
calculado foi absurdamente maior que o esperado.
Com a equação 1.16, se obteve o valor da velocidade mínima de fluidização,
o valor encontrado foi de 0,8912 cm/s, a partir dele se obteve a vazão mínima
de fluidização de 2,36 L/min e comparada com a obtida graficamente na figura
8, é muito abaixo do esperado.

4. QUESTÕES
4.1 EXPERIMENTO 1: LEITO FIXO
1) Cite 3 operações unitárias que utilizam leito fixo e explique.
1 – Processos de adsorção. O modo de operação mais aplicado industrialmente
utiliza uma coluna empacotada com partículas de adsorvente (leito fixo), através
da qual a mistura vai percolar, adsorvendo ou removendo um ou mais
componentes na mistura. Após um determinado tempo de contato adsorvente-
adsorvato, a coluna atingirá a saturação e não continuará a reter os
componentes de interesse, sendo necessário trocar o adsorvente ou regenerá-
lo. A adsorção em coluna de leito fixo tem sido amplamente utilizada em muitas
áreas de separação e purificação. Sistemas em leito fixo são frequentemente
mais econômicos, e são amplamente aplicados em diversos campos, tais como
descoloração de óleo vegetal e mineral e purificação de proteínas, e remoção de
poluentes orgânicos de efluentes líquidos.
2 – Processos de absorção de gases. Uma das aplicações do leito fixo é a
absorção, que promove a separação de um ou mais componentes de uma
mistura gasosa pela ação de um solvente seletivo. O gás a ser purificado é
inserido pela parte inferior da coluna do leito fixo, que entra em contato com o
solvente que foi inserido na parte superior da coluna de empacotamento. Ocorre
então a obtenção de dois produtos: o solvente com a porção gasosa absorvida
na parte inferior e a fração gasosa purificada na parte superior. A eficiência do
processo de absorção varia de acordo com a quantidade de reagentes, a vazão
do solvente e até o tempo de interação. Alguns exemplos de aplicações desse
método são o controle da poluição do ar através da retirada de substâncias
tóxicas pelo solvente, a retirada de substâncias corrosivas do ar e até mesmo a
produção de ácidos nítrico ou carbônico.
3 – Coluna de destilação com recheio centrífugo. O equipamento centrífugo,
consiste basicamente em um leito estacionário, contendo um rotor conectado a
um motor situado fora do leito. O leito geralmente é constituído por um material
transparente de forma cilíndrica, geralmente vidro, de forma a visualizar o regime
de escoamento das correntes de vapor e de líquido. Em sua base, estão
localizadas a entrada e a saída dessas correntes. O rotor é constituído por duas
placas cilíndricas metálicas denominadas flanges, onde é armazenada o recheio
de anéis de Rasching por exemplo, para promover o contato líquido-vapor. O
gás ou vapor é introduzido na superfície externa do rotor e é forçado a fluir
radialmente em contracorrente com o líquido, deixando o leito pela parte central
do equipamento. O líquido é introduzido no centro do rotor, e escoa para fora
deste impulsionada pela força centrífuga.

2) Em um processo industrial está sendo utilizado uma coluna de leito fixo


com escoamento descendente. Um operador informou ao engenheiro
químico responsável que está havendo um aumento muito grande na
pressão. Imagine que você é esse engenheiro, o que você faria? O que
pode estar acarretando esse problema?
Pode estar acontecendo caminhos preferenciais, devido ao sentido do fluxo
que é descendente, com o passar do fluido o caminho preferencial aumenta, com
isso há menor área de resistência.

3) Você está participando de um processo de trainee em uma indústria e te


deram a missão de projetar uma coluna de leito fixo. Quais as principais
variáveis que você incluiria em seu projeto, por quê?
As características da fase particulada, sua massa específica, sua
granulometria, porosidade, permeabilidade e esfericidade, as características da
fase fluída, como densidade e viscosidade e as condições operacionais
(temperatura, vazão, compactação, altura e diâmetro da coluna). Todas essas
características vão influenciar na hidrodinâmica do leito. Para o leito fixo, deve-
se garantir que a velocidade fique abaixo da velocidade mínima de fluidização.
O sentido do fluido também é muito importante, pois em determinados
casos pode acarretar em formação de caminhos preferenciais.
4) Identifique os potenciais riscos que o manuseio do equipamento do
laboratório oferece e quais medidas devem ser adotadas em tais situações.
No experimento é regulada a vazão até a pressão máxima ou início de
movimentação das partículas, o maior risco é o manômetro estourar
comprometendo o módulo e experimento.
Para segurança do experimento deve-se utilizar perda de carga máxima
de 900mm, após isso oferece risco devido à pressão elevada.

5) O experimento pode ser melhorado? Como?


Sim. Seria interessante realizar as medidas de pressão utilizando o
Labview, que garantiria maior confiabilidade na retirada de dados, além de
agilidade durante a prática. Freitas e Sanguino realizaram na UTFPR de Ponta
Grossa, o um sistema de aquisição de dados de pressão em uma planta de leito
fluidizado, utilizando o Labview.
Outra maneira de aprimorar a prática é realizar a caracterização de
partículas experimentalmente, bem como verificar a densidade e viscosidade
dos fluídos utilizados, e garantir a calibração dos equipamentos.

4.2 EXPERIMENTO 2: LEITO FLUIDIZADO


1) Ao entrar no laboratório para aula prática de leito fluidizado, um aluno
muito curioso foi logo ligando a bomba do módulo didático e aumentando
a vazão de água. Um colega de sala gritou: “Para, vai extrapolar o fluido
manômetro”. Você acha que isso realmente aconteceria?
Depende da perda de carga do leito. O aumento da vazão, é diretamente
proporcional à perda de carga, devido a força de arraste das partículas. A
princípio, o aumento de vazão causará a fluidização do leito e em seguida o
arraste desse, caracterizando um transporte pneumático.
Não é esperado que aconteça, a não ser que a perda de carga do leito
seja muito alta. É sempre interessante realizar o monitoramento do manômetro.

2) Cite 3 processos industriais que utilizam leito fluidizado.


Os leitos fluidizados podem ser utilizados em reações químicas,
recobrimento, granulação, secagem e transferência de calor.
Na indústria farmacêutica, o leito fluidizado é utilizado para aglomerar o
pó fino com os pós coloidais grudando-os uns aos outros, mediante o
denominado líquido aglomerante.
Na indústria química, os reatores de leito fluidizado são utilizados nas
unidades de craqueamento catalítico.
O leito fluidizado é utilizado em processos de secagem de indústrias de
grãos, minerais, entre outras.

Figura 12 - Leito fluidizado utilizado para granulação

Fonte: VG Instrumentos

3) Quais as principais vantagens e desvantagens da utilização de leito


fluidizado em comparação com leito fixo?
De acordo com Moreira (2017) algumas das vantagens da operação em leito
fluidizado são:
• Área superficial é grande, porque as partículas podem ser bem menores
favorecendo a transferência de calor e massa;
• Grandes velocidades de reação. comparados aos reatores de leito fixo.
devido a uniformidade do leito;
• Aumento dos coeficientes de transferência de calor e massa, devido ao
aumento de condutância e uniformidade da temperatura;
• Coeficientes de transferência de calor entre leito e paredes do
equipamento ou tubos imersos são extremamente favoráveis;
• Os sólidos se comportam como fluídos, logo ocorre um fácil escoamento
em dutos.

De acordo com Moreira (2017) algumas das desvantagens da operação em leito


fluidizado são:
• Não é possível manter um gradiente axial de temperatura e concentração,
impossibilitando o favorecimento de uma reação específica no caso de
reações múltiplas;
• Difícil cálculo do tempo de residência médio, ou seja não é possivel pré-
fixar uma posição da partícula;
• Atrito severo que ocasiona a produção de pó, tornando-se necessário a
reposição constante de pó e equipamentos de limpeza de gás na saída,
envolvendo aumento de custo do processo;
• Erosão do equipamento devido a frequente impacto dos sólidos;
• Consumo de energia devido à alta perda de carga (requer alta velocidade
do fluido);
• Tamanho do equipamento maior que o leito estático (devido a expansão
do leito).

4) Em uma indústria alimentícia realiza a secagem de polpa de fruta em um


leito fluidizado. O engenheiro químico dessa indústria, buscando
economizar energia, verificou que seria possível diminuir a temperatura do
processo. No entanto, notou que a velocidade que estavam empregando
para a fluidização já não era mais suficiente. O que pode ter acontecido?

A velocidade de fluidização, de acordo com estudo de Downmore et al.


(2019) é inversamente proporcional a temperatura, considerando um único
tamanho de partícula.
Conforme diminuímos a temperatura, a viscosidade do gás diminui e a
sua densidade aumenta, o que diminui o arraste de partículas, e, portanto, as
forças de arraste e empuxo são menores do que a força da gravidade das
partículas no leito, aumentando assim a velocidade mínima de fluidização.
5. CONCLUSÃO
Os leitos fixos e fluidizados são utilizados em aplicações de adsorção,
absorção, secagem, granulação entre outros, e possuem como vantagem um
contato direto entre as fases envolvidas no processo.
Na prática de leito fixo, observou-se que o fluído percorre caminhos
semelhantes no leito durante o acréscimo ou decréscimo da vazão do fluído, e
assim, os valores de permeabilidade foram próximos. Ao comparar os valores de
queda de pressão experimental, com queda de pressão de Ergun, verificou-se
um possível erro experimetal durante a obtenção de dados ou na calibração dos
equipamentos, visto que em teoria os valores de queda de pressão seriam
significativamente menores.
Na prática de leito fluidizado, foram obtidos experimentalmente os valores
de pressão e velocidade mínima de fluidização de aproximadamente 150 Pa e
5,9 L/ min respectivamente. Novamente os valores não foram condizentes com
os resultados teóricos, que apresentaram uma pressão de mínima fluidização
acima da obtida experimentalmente, e uma vazão menor do que a obtida
experimentalmente, indicando assim um erro experimental.
A fim de aprimorar a prática, seria interessante que os valores de pressão
e vazão fossem obtidos por meio de automação, garantindo confiabilidade nos
dados. Além disso seria interessante realizar uma distribuição granulométrica
das partículas que compõe o leito, para encontrar o diâmetro de Sauter, por
exemplo, a esfericidade, e até mesmo o uso de picnômetros para o cálculo da
massa específica.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CREMASCO, M. A. Operações Unitárias em Sistemas Particulados e


Fluidodinâmicos. Ed. Blucher, 2012.

DETERMINAÇÃO DE EQUAÇÃO EMPÍRICA PARA PREDIÇÃO DE PERDA DE


CARGA NO MÓDULO DE LEITO FIXO DE AULAS PRÁTICAS. 2018. TCC
(Bacharel em engenharia química) - A Universidade Federal da Paraíba, [S. l.],
2018.

Downmore, M., Jambgwa, S. D., & Kusaziwa, K. P. (2019). Effect of bed particle
size and temperature variation on the minimum fluidisation velocity: A
comparison with minimum fluidisation velocity correlations for bubbling fluidised
bed designs. Proceedings of the Institution of Mechanical Engineers, Part E:
Journal of Process Mechanical Engineering, 095440891882176.
doi:10.1177/0954408918821769

FLUID I ZA ÇÃ O. 2019. Relatório acadêmico (Bacharel em engenharia química)


- Universidade do Estado de Santa Catarina, [S. l.], 2019.

FREITAS, Mateus de; SANGUINO, Igor Bana. Monitoramento de pressão em


uma planta de estudos sobre leito fluidizado utilizando LabVIEW. 2017. 54 f.
Trabalho de Conclusão de Curso (Engenharia Eletrônica) - Universidade
Tecnológica Federal do Paraná. Ponta Grossa, 2017.

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4661616/mod_resource/content/1/Apos
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MEMLAK, D. M. APLICAÇÃO DE COLUNA DE LEITO FIXO NA ADSORÇÃO E


DESSORÇÃO MONO E MULTICOMPONENTE DE METAIS TÓXICOS
PRESENTES EM ÁGUA UTILIZANDO ADSORVENTE ALTERNATIVO.
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC.
PINHALZINHO, 2019.

MOREIRA , M – Leito fixos e expandidos- Toledo/PR- 2017.

ROCHA, E. L., PEREIRA, P. A. ANÁLISE DA PERDA DE CARGA E DA


POROSIDADE EM LEITO FIXO. Brazilian Technology Symposium, Mogi Guaçu
- SP, 2019.

VG INSTRUMENTS -Fluidized bed reactor. Disponível em:


<https://m.vginstruments.com.my/index.php?ws=showproducts&products_id=23
86949>. Acesso em 04 de julho de 2021.

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