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TJPA

PJe - Processo Judicial Eletrônico

09/07/2021

Número: 0871847-37.2020.8.14.0301
Classe: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL
Órgão julgador: 2ª Vara da Fazenda de Belém
Última distribuição : 26/11/2020
Valor da causa: R$ 75.541,06
Assuntos: Piso Salarial
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? SIM
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
MARIA DO CARMO DOS ANJOS PINHEIRO (AUTOR) JADER NILSON DA LUZ DIAS (ADVOGADO)
ALLAN WELDER DUARTE DIAS (ADVOGADO)
IGEPREV INSTITUTO DE GESTAO PREVIDENCIARIA DO
ESTADO DO PARA (REU)
MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO PARA (TERCEIRO
INTERESSADO)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
29290195 09/07/2021 Sentença Sentença
09:29
ESTADO DO PARÁ
PODER JUDICIÁRIO
2ª Vara da Fazenda da Comarca da Capital

CLASSE :PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL


ASSUNTO:PISO SALARIAL
AUTOR(A):MARIA DO CARMO DOS ANJOS PINHEIRO
RÉU :IGEPREV/PA

SENTENÇA

Trata-se de Pedido de Obrigação de Fazer e Pagar ajuizado por Maria


do Carmo dos Anjos Pinheiro em face de Instituto de Gestão Previdenciária do Pará
– IGEPREV/PA, em razão de não pagamento do piso salarial do magistério,
incidente sobre o vencimento base, de acordo com a Lei nº 11.738/2008.

O(A) Autor(a) é professor(a) aposentado(a) da rede pública estadual de


ensino e afirma que a Administração Pública viola o direito ao piso salarial, uma vez
que recebe valor nominal menor do que os parâmetros estabelecidos na Lei
Federal n° 11.738/2008.

Juntou documentos.

Tutela de urgência deferida (ID 24563126).

O Réu apresentou defesa tempestiva, pugnando pela improcedência


dos pedidos, tecendo argumentos acerca do julgamento da ADI n° 4.167-DF e
equiparação do conceito de piso salarial ao vencimento-base mais gratificação de
escolaridade/progressiva (arts. 30, V, da Lei Estadual nº 5.351/86, c/c arts. 33 e 50,
da Lei Estadual n° 7.442/2010, e arts. 132, VII. 140, III, da Lei Estadual nº
5.810/94).

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Por fim, colaciona argumentos contidos no Processo SS 5236 –
Supremo Tribunal Federal.

Houve manifestação em réplica.

O Ministério Público se pronunciou pela procedência dos pedidos.

É o relatório.

DECIDO.

A controvérsia prescinde da produção de provas, estando apta ao


julgamento.

De início, entendo que a tese de sobrecarga do orçamento público não


tem fundamento.

Acontece que, o legislador federal, ao promulgar a Lei Federal n°


11.738/2008, incluiu ferramenta própria a possibilitar o adimplemento das
obrigações financeiras nela previstas, por Estados e Municípios, conforme se
verifica em seu art. 4°, a saber:

Art. 4°. A União deverá complementar, na forma e no limite do


disposto no inciso VI do caput do art. 60 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias e em regulamento, a integralização
de que trata o art. 3o desta Lei, nos casos em que o ente
federativo, a partir da consideração dos recursos
constitucionalmente vinculados à educação, não tenha
disponibilidade orçamentária para cumprir o valor fixado.

Por essa razão, entendo ser de simples e fácil constatação que os


Entes Federados, para atender as determinações fixadas na Lei Federal n°
11.738/2008, quando justificadamente não o poderem fazer as suas expensas,
podem e devem solicitar aporte financeiro complementar diretamente a União
Federal, preservando, assim, o regular andamento das demais áreas de atuação da
Administração Pública.

Dito isto, cumpre-me registrar que o ato de aposentação do(a) Autor(a)

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observa a evolução das regras previstas no art. 40, §7° (antigo 5°), da CF – normas
autoaplicáveis (STF – ARE 898230 AgR/DF; RE 545667 AgR/RS), e EC´s n°
20/1998, 41/2003 e 47/2005 (STF - RE 596962/MT, Tema n° 156 – Repercussão
Geral), fazendo jus, portanto, a paridade e integralidade dos seus proventos.

Sendo assim, garantida a paridade entre as parcelas remuneratórias


que compõem os proventos da parte Autora e a remuneração do cargo no qual se
deu a aposentadoria, mostra-se imperioso observar a aplicação da Lei Federal n°
11.738/08 que, regulamentando a previsão constante do comando normativo
insculpido no art. 60, III, “e”, do ADCT, instituiu o piso salarial profissional nacional
para os profissionais do magistério público da educação básica.

Além disso, impõe-se rechaçar, de plano, os argumentos relativos a


impossibilidade de ajuizamento de ação individual concomitante ao processamento
de ação coletiva. O raciocínio é antigo e há muito ultrapassado. Não há “(...)
litispendência entre ação individual e ação coletiva, assim como no sentido de ser
inaproveitável e inoponível a coisa julgada formada na ação coletiva para quem
litiga individualmente e não desistiu de sua ação.” (STJ - AgInt no REsp
1890827/PE, DJe 02/03/2021; REsp 1722626/RS, DJe 23/05/2018).

Também, melhor sorte não merece a alegação de aplicação isonômica


da decisão proferida no Processo SS 5236-STF, haja vista que “a decisão em
comento é clara em falar que não afeta ao mérito dos Mandados de Segurança nº
0002367-74.2016.8.14.0000 e 0001621-75.2017.8.14.0000” (STF – Rcl. 42315/PA,
DJe 10/02/2021), bem como que “não há que se falar na ocorrência de suspensão
da tramitação de processos nas instâncias ordinárias por força da decisão proferida
na SS 5.236, não sendo possível confundir a sustação de efeitos de decisão
impugnada com ordem de suspensão nacional dos processos” (STF – Rcl.
42430/PA, DJe 28/09/2020).

A toda evidência, os argumentos de resistência sustentados pelas


entidades públicas, tanto do Estado do Pará, quanto do Município de Belém, nos
processos de integralização do piso salarial nacional da categoria do Magistério,
conforme parâmetros definidos na Lei Federal n° 11.738/2008, limitam-se a
questionar a possibilidade de cumulação de outras parcelas remuneratórias, a fim
de justificar o estabelecimento do vencimento-base em valor nominal menor do que
aquele previsto na legislação federal.

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Assim, nasceu a tese de que o referido diploma legal teria, segundo a
tese da Administração Pública, regulamentado a “remuneração global” pelo
exercício do magistério e, não, o vencimento-base.

Essa tese não se sustenta, tampouco fora absorvida pela jurisprudência


aplicada a espécie.

O tema já foi exaustivamente debatido no âmbito de nossos Tribunais


Superiores, destacando-se o julgamento da ADI n° 6147, pelo Supremo Tribunal
Federal, cuja ementa transcrevo abaixo:

Ementa: CONSTITUCIONAL. FINANCEIRO. PACTO


FEDERATIVO E REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIA. PISO
NACIONAL PARA OS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO
BÁSICA. CONCEITO DE PISO: VENCIMENTO OU
REMUNERAÇÃO GLOBAL. RISCOS FINANCEIRO E
ORÇAMENTÁRIO. JORNADA DE TRABALHO: FIXAÇÃO DO
TEMPO MÍNIMO PARA DEDICAÇÃO A ATIVIDADES
EXTRACLASSE EM 1/3 DA JORNADA. ARTS. 2º, §§ 1º E 4º, 3º,
CAPUT, II E III E 8º, TODOS DA LEI 11.738/2008.
CONSTITUCIONALIDADE. PERDA PARCIAL DE OBJETO.
1. Perda parcial do objeto desta ação direta de
inconstitucionalidade, na medida em que o cronograma de
aplicação escalonada do piso de vencimento dos professores da
educação básica se exauriu (arts. 3º e 8º da Lei 11.738/2008).
2. É constitucional a norma geral federal que fixou o piso
salarial dos professores do ensino médio com base no
vencimento, e não na remuneração global. Competência da
União para dispor sobre normas gerais relativas ao piso de
vencimento dos professores da educação básica, de modo a
utilizá-lo como mecanismo de fomento ao sistema educacional e
de valorização profissional, e não apenas como instrumento de
proteção mínima ao trabalhador.
3. É constitucional a norma geral federal que reserva o percentual
mínimo de 1/3 da carga horária dos docentes da educação
básica para dedicação às atividades extraclasse.
Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente. Perda
de objeto declarada em relação aos arts. 3º e 8º da Lei
11.738/2008.
(STF – ADI n° 6147, DJe 24/08/2011).

No mesmo sentido: AgR no RE 1.187.534/SP; AgR no RE 859.994/SC;


RG no RE 1.309.924/MG (Tema n° 1134); AgR no ARE 898.304/MG; AgR na Rcl
12.985/DF.

Vale destacar, também, que a Corte Suprema já se manifestou sobre o

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tema em controle difuso, ao apreciar recurso próprio interposto pelo Estado do Pará
no Processo n° 0002367-74.2016.8.14.0000 (TJPA) – em que se originou o
Processo SS 5236-STF (suspensão de segurança) –, cuja ementa restou assim
consignada:

Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO


EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E
356/STF. DIREITO ADMINISTRATIVO. PISO NACIONAL PARA
OS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA. LEI FEDERAL
11.738/2008. CONSTITUCIONALIDADE. PAGAMENTO EM
VALOR INFERIOR AO PISO PELO ESTADO. INTERPRETAÇÃO
DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA
INDIRETA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NECESSIDADE DE
REEXAME DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO
CONSTANTE DOS AUTOS. SÚMULA 279/STF. AGRAVO
REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
I – Ausência de prequestionamento do art. 18 da Constituição
Federal. Incidência da Súmula 282/STF. Ademais, se os
embargos declaratórios não foram opostos com a finalidade de
suprir a omissão, é inviável o recurso, nos termos da Súmula
356/STF.
II - A jurisprudência desta Corte, no julgamento da ADI 4.167/DF,
de relatoria do Ministro Joaquim Barbosa, reconheceu a
constitucionalidade da Lei 11.738/2008, que fixou o piso
salarial nacional dos professores da educação básica com
base no vencimento, e não na remuneração global.
III – É inadmissível o recurso extraordinário quando sua análise
implica a revisão da interpretação de normas infraconstitucionais
que fundamentam o acórdão recorrido, dado que apenas ofensa
direta à Constituição Federal enseja a interposição do apelo
extremo.
IV – Conforme a Súmula 279/STF, é inviável, em recurso
extraordinário, o reexame do conjunto fático-probatório constante
dos autos.
V – Agravo regimental a que se nega provimento.
(STF – AgR no ARE 1.292.388/PA, DJe 14/04/2021).

Como se vê, não há espaço para continuidade da discussão acerca do


conceito de “piso salarial nacional” regulamentado na Lei Federal n° 11.738/2008,
posto que a última palavra sobre o tema já foi firmada e reafirmada pelo STF,
concluindo-se pela constitucionalidade do “piso salarial nacional dos professores da
educação básica com base no vencimento, e não na remuneração global”.

Por oportuno, ressalto que a cumulação de outras parcelas


remuneratórias, como forma de composição de vencimento-base de categoria

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funcional, não pode ser adotada, sob pena de violação do princípio da legalidade.
Isto é, “(...) Em se tratando de remuneração de servidor público, tem-se que as
vantagens pecuniárias são parcelas acrescidas ao vencimento base em
decorrência de uma situação fática previamente estabelecida em lei, sendo que
toda gratificação reclama a consumação de um certo fato que proporciona o direito
à sua percepção. É dizer que, presente a situação prevista na norma, assegura-se
ao servidor direito subjetivo à sua percepção. (...)” (TJPA – Acórdão n° 3.614.505,
rel. Des. Roberto Moura, DJe 10/09/2020).

Deste modo, importa dizer que é insustentável qualquer tentativa da


Administração Pública em resistir a necessidade e obrigatoriedade legal da
integralização do vencimento-base da categoria do Magistério público, até que, ao
servidor, seja observado a referência financeira nominal estabelecida na legislação
federal – por óbvio, “referência financeira” (vencimento-base) alcançada sem a
cumulação de outras parcelas remuneratórias.

A Lei Federal n° 11.738/08 fixou, a partir do ano de 2008, os valores


mínimos de composição do vencimento base dos servidores públicos titulares de
cargos do magistério público da educação básica com carga horária mínima de
“40h” (quarenta horas-aula) semanais ou “200h” (duzentas horas-aula) mensais,
conforme descrito no seu art. 2°, cito:

Art. 2° O piso salarial profissional nacional para os profissionais


do magistério público da educação básica será de R$ 950,00
(novecentos e cinqüenta reais) mensais, para a formação em
nível médio, na modalidade Normal, prevista no art. 62 da Lei no
9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes
e bases da educação nacional.
§1° O piso salarial profissional nacional é o valor abaixo do qual a
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não
poderão fixar o vencimento inicial das Carreiras do magistério
público da educação básica, para a jornada de, no máximo, 40
(quarenta) horas semanais.
§2° Por profissionais do magistério público da educação básica
entendem-se aqueles que desempenham as atividades de
docência ou as de suporte pedagógico à docência, isto é, direção
ou administração, planejamento, inspeção, supervisão,
orientação e coordenação educacionais, exercidas no âmbito das
unidades escolares de educação básica, em suas diversas
etapas e modalidades, com a formação mínima determinada pela
legislação federal de diretrizes e bases da educação nacional.
§3° Os vencimentos iniciais referentes às demais jornadas de
trabalho serão, no mínimo, proporcionais ao valor mencionado no
caput deste artigo.
§4° Na composição da jornada de trabalho, observar-se-á o limite

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máximo de 2/3 (dois terços) da carga horária para o desempenho
das atividades de interação com os educandos.
§5° As disposições relativas ao piso salarial de que trata esta Lei
serão aplicadas a todas as aposentadorias e pensões dos
profissionais do magistério público da educação básica
alcançadas pelo art. 7o da Emenda Constitucional no 41, de 19
de dezembro de 2003, e pela Emenda Constitucional no 47, de 5
de julho de 2005.

Todos os entes da Federação deveriam, a contar de 01/01/2010,


garantir a integralização do piso salarial nacional às carreiras públicas de magistério
da educação básica dos seus servidores, conforme critérios estabelecidos naquele
diploma legal (art. 3°, III).

Neste sentido, embora obrigado por lei, a Administração Pública não


vem aplicando os parâmetros salariais previstos na Lei Federal n° 11.738/2008,
verificando, no presente caso que, de fato, o vencimento-base devido a parte
Autora não fora atualizado corretamente, causando-lhe prejuízos financeiros.

Assim, conforme notícia publicada no sítio eletrônico do Ministério da


Educação[1], “O piso salarial dos profissionais da rede pública da educação básica
em início de carreira foi reajustado em 12,84% para 2020, passando de R$
2.557,74 para R$ 2.886,24” – o reajuste atual deve observar o valor fixado para o
ano de 2020, ante a constitucionalidade do art. 8°, I, da Lei Complementar Federal
n° 173/2020 (STF – ADI’s n° 6447, 6450, 6525 e 6442) – encerrada a condicionante
da LC Federal n° 173/2020, o reajuste deve seguir a forma prevista no art. 5°, da
Lei Federal n° 11.738/2008.

Portanto, evidenciando que não houve a efetiva revisão/atualização da


parcela relativa ao vencimento-base, em violação frontal a Lei Federal n°
11.738/2008, deve, tal ilegalidade, ser corrigida imediatamente, com reflexo nas
demais parcelas remuneratórias.

Diante das razões expostas, ratifico a tutela de urgência e JULGO


PROCEDENTE o pedido, para determinar o implemento imediato a
correção/atualização do vencimento-base devido a parte Autora, para o montante
de R$2.886,24 (dois mil, oitocentos e oitenta e seis reais e vinte e quatro centavos),
com reflexo nas demais parcelas remuneratórias.

Para regular cumprimento da obrigação aqui determinada, fixo multa de

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R$10.000.00 (dez mil reais) por dia de descumprimento até o limite de
R$100.000,00 (cem mil reais) ou efetivo implemento desta decisão (art. 536, do
CPC).

Advirto, a quem desta tiver conhecimento, que o descumprimento da


presente decisão enseja a incidência do agente infrator (público ou particular) no
tipo penal previsto no art. 330, do CP, sem prejuízo de ação por improbidade
administrativa (Lei Federal n° 8.429/1992).

Sobre o cálculo dos valores retroativos, observado o quinquênio anterior


ao ajuizamento da ação (art. 1º, do Decreto Federal nº 20.910/1932), devem incidir
juros e correção monetária, cuja liquidação, por simples cálculo aritmético, deve
obedecer os seguintes comandos: os juros de mora deverão ser aplicados de
acordo com os “índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à
caderneta de poupança” (art. 1°-F, da Lei n° 9.494/97, com redação dada pela Lei
n° 11.960/09), a partir da citação (art. 405, do CC/2002); já a correção monetária
deverá incidir pelo IPCA-E (STF - RE nº 870.947/SE, Tema n° 810 – Recurso
Repetitivo), até a data de atualização do cálculo ou protocolização do pedido de
cumprimento da sentença.

Custas pelo(s) Réu(s), isento(s) na forma da lei (art. 40, I, da Lei


Estadual n° 8.328/2015) cabendo, tão somente o ressarcimento dos valores
eventualmente pagos pela parte Autora, se houver.

Fixo os honorários advocatícios, em favor da(o) patrona(o) da parte


Autora, em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, com fulcro no art. 85,
§3º, inciso I do CPC.

Sentença não sujeita a remessa necessária (art. 496, §4º, II, do CPC).

Transcorrido o prazo para recurso voluntário, certifique-se e, se houver,


processe-se na forma do Código de Processo Civil.

Ocorrendo o trânsito em julgado, sem interposição de recurso voluntário,


certifique-se e arquive-se com as cautelas legais, dando-se baixa definitiva no
Sistema PJe.

P. R. I. C.

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Belém, 08 de julho de 2021

João Batista Lopes do Nascimento


Juiz da 2ª Vara da Fazenda da Capital

A2

http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/12-acoes-programas-e-projetos-637152388/84481-
[1]
mec-divulga-reajuste-do-piso-salarial-de-professores-da-educacao-basica-para-2020

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