Você está na página 1de 3

BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO

Ética Profissional A

Professor José Carlos Gomes Marçal Filho

André Bartolomeu Cisneiros da Silva

Resenha

A obra de Karl Marx – O Marxismo

O Marxismo é a doutrina ou teoria social do século 19 que mais influenciou a


cultura e a sociedade do século XX e ainda continua em nossos dias. Isto se
deve ao fato de que o objeto ou assunto tratado ser o acontecimento mais
importante que caracteriza a sociedade hoje, o capitalismo. Além disso, seu
autor se propôs a tratar, entre outras matérias, de filosofia, embora não sendo
propriamente um filósofo, de maneira não convencional. Enquanto os filósofos
se propunham a interpretar o mundo e a sociedade, Marx, os autores,
associados e seguidores assumem a proposta de transformar a sociedade. Por
fim, os assuntos tratados por Marx e tantos outros que adotaram seu
pensamento, são de natureza interdisciplinar, o que penso eu, tem uma maior
abrangência e repercussão na sociedade.

Marx, em seus estudos, desenvolveu entendimento sobre diversas disciplinas


ou matérias, como economia, filosofia, política, história e sociologia, para
resumir as principais. E é certo dizer que sua obra teve implicações e influência
em diversas outras disciplinas.

Marx manteve uma longa e frutífera amizade com Friedrich Engels, a qual lhe
rendeu aprofundamento de seus estudos, uma vez que seu amigo também
desenvolvia estudos e textos ligados aos mesmos interesses, a exploração da
classe operária.

Da economia política Marx viu na obra de Adam Smith e de David Ricardo a


oportunidade de adquirir entendimento da relação entre trabalho, renda e
mercadoria. Daí sua crítica da economia política. O capitalismo é o sistema
social fundado na relação entre patrões e empregados, burguesia e
proletariado, onde o primeiro tem a propriedade dos meios de produção e o
segundo totalmente destituído dessa propriedade, se vê forçado a vender a
única “coisa” que dispõe, sua força de trabalho. Dessa relação desigual o
capitalista extrai a mais valia, que é parte do produto do trabalho que não fica
com o trabalhador. Daí o conceito de exploração e pobreza dos trabalhadores.

Marx faz um apanhado dos sistemas econômicos do passado e sua evolução


para o capitalismo, como uma sucessão de regimes de exploração onde
sempre houve desigualdade e que no desenvolvimento dessas relações o
último é o que realmente expõe o trabalhador à condição de totalmente
destituído dos meios de produção.

Na filosofia de Hegel ele encontra a dialética que é o método de raciocínio que


contrapõe opostos, tese e antítese, e por meio dessa relação se encontra uma
nova situação ou solução que seria a síntese, fruto do embate. Porém, ao
contrário de Hegel que aplica a dialética como embate de ideias, Marx vê a
dialética como relação entre relações sociais, de atores, como as classes
sociais e os sistemas econômicos, onde as mudanças obedecem à uma lógica
de superação, nem sempre suave ou harmônica de opostos.

Na base do pensamento Marxista encontramos o conceito de classe social que


dá sustentação à explicação dos sistemas econômicos, sociais e políticos, uma
vez que as pessoas são aquilo que produzem e suas relações de produção são
definidas pelas relações sociais que desenvolvem por meio da materialidade,
em primeiro lugar, e da ideologia, em segundo plano, como sustentáculo das
relações econômicas. Desse modo a forma como os homens produzem sua
vida e reproduzem essa relação é determinado pelo sistema econômico onde
estão inseridas historicamente e todas as relações jurídicas, políticas, culturais,
etc., são uma representação decorrente das relações econômicas (materiais).
Portanto, definidas como superestrutura, construídas que são sobre uma base
econômica, a infraestrutura material que lhe dá suporte.

Daí que a história humana não é outra coisa senão a história da luta de classes
antagônicas e complementares, uma vez que são a base dos sistemas
econômicos e que são desenvolvidas ao longo da história e sua superação é
decorrente do desenvolvimento tecnológico que dá suporte aos modos de vida.
Toda vez que há uma evolução dos modos de produção, cria-se uma pressão
para que haja uma mudança na base ou infraestrutura e isso se dá por meios
nem sempre harmônicos e pacíficos.

Daí que a ética social marxista dá um passo à frente em relação aos outros
pensadores da humanidade, uma vez que identifica o homem como um ser
social concreto e que em suas relações de produção das condições de vida
são definidos como participantes de relações de opressão econômica e por
isso deva ser exigida uma mudança nessas relações e isso é possível pela
ação resultante do conhecimento e reflexão de suas condições reais, a
exemplo da pedagogia do oprimido de Paulo Freire.

Você também pode gostar