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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Contributo da educação pré-escolar para a construção da identidade na criança-


representações da educação infantil: caso de estudo Escolinha Micolene, Posto
Administrativo de Namialo.

Fátima Mussa
Vateva

708205717

Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa


Metodologia de Investigação Científica
2º Ano, IIo Grupo, Turma: A

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Nampula, Julho, 2021
Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distancia

Contributo da educação pré-escolar para a construção da identidade na criança-


representações da educação infantil: caso de estudo Escolinha Micolene, Posto
Administrativo de Namialo.

Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa

Trabalho de carácter avaliativo apresentado na


cadeira de Metodologia de Investigação
Científica, 2º Ano, IIo grupo, Turma: A, orientado
pelo:

Docente: MA. João Nasseco

Nampula, Julho, 2021


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Aspectos
Estrutura  Discussão 0.5
organizacionais
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 Bibliografia 0.5
 Contextualização
(Indicação clara do 2.0
problema)
Introdução  Descrição dos
1.0
objectivos
 Metodologia adequada
2.0
ao objecto do trabalho
 Articulação e domínio
do discurso académico
Conteúdo (expressão escrita 3.0
cuidada, coerência /
Análise e coesão textual)
discussão  Revisão bibliográfica
nacional e internacional
2.0
relevante na área de
estudo
 Exploração dos dados 2.5
 Contributos teóricos
Conclusão 2.0
práticos
 Paginação, tipo e
Aspectos tamanho de letra,
Formatação 1.0
gerais paragrafo, espaçamento
entre linhas
Normas APA
Referências  Rigor e coerência das
6ª edição em
Bibliográfica citações/referências 2.0
citações e
s bibliográficas
bibliografia

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Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor
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Contributo da educação pré-escolar para a construção da identidade na criança- representações da
educação infantil: caso de estudo Escolinha Micolene, Posto Administrativo de Namialo.

Fátima Mussa Vateva, código: 708205717; 2º Ano, IIo Grupo, Turma: A

Email: 708205717@ucm.ac.mz

Resumo

O presente estudo teve por objetivo compreender de que forma a educação pré-escolar pode
contribuir para a construção da identidade pessoal na criança. Pretendeu-se, assim, conhecer a
relevância e o papel dos educadores no processo de desenvolvimento da personalidade e do
comportamento social, bem como as estratégias e actividades promovidas pelas mesmas, por
forma a potenciar o desenvolvimento global das crianças. O quadro metodológico insere-se num
paradigma qualitativo e de cariz fenomenológico, recorrendo-se à entrevista semiestruturada
como instrumento de recolha de dados utilizado.

Conclui-se que o papel do educador, a gestão do ambiente educativo e a sua intencionalidade, a


par com as estratégias e as atividades desenvolvidas, bem como com os objetivos educativos,
afiguram-se como razões para encontrar na educação pré-escolar os contributos necessários para
a construção da identidade na criança.

Palavras-chave: Educação Pré-Escolar; Identidade pessoal; Personalidade; Comportamento;


Estratégias e atividades; Desenvolvimento.

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Introdução

A educação pré-escolar destaca, indubitavelmente, uma área de conteúdo, a área de Formação


Pessoal e Social que foca a temática da identidade pessoal. A importância dada a esta área
decorre do pressuposto de que o ser humano se constrói em constante interação, sendo
influenciado e influenciando o meio que o rodeia, sendo nos contextos sociais em que vive e na
interação com os outros que a criança vai interiormente construindo referências que lhe
permitam, num processo gradual, compreender o que é certo e errado, o que pode ou não pode
fazer, bem como os seus direitos e deveres. (Ministério da Educação, 1997).

Ao saber que é nos primeiros anos de vida que a criança inicia o seu desenvolvimento pessoal e
social através da interação e da relação com a família e com o meio sociocultural que a envolve, é
essencial que esse contexto se alargue. Para tal, a educação pré-escolar constitui-se como um
contexto mais abrangente que vai permitir à criança uma interação de diferentes formas com
outros adultos e com outras crianças, em diversas situações, possivelmente diferentes das que
experienciou e interiorizou até então.

Ao possibilitar a interação com diferentes valores, perspetivas, ambientes, espaços e culturas, a


educação pré-escolar assume-se como um contexto favorável para a tomada de consciência, por
parte da criança, da existência não só de si própria, mas também do outro e das suas
particularidades.

 Objectivos

Objetivo geral:

 Conhecer a perspetiva das educadoras de infância acerca da relevância que atribuem à


educação pré-escolar na construção da identidade na criança.

Objetivos específicos:

 Compreender a relevância atribuída pelas educadoras de infância ao processo de


desenvolvimento da personalidade na criança;
 Conhecer a relevância atribuída pelas educadoras de infância ao desenvolvimento do
comportamento social na criança;
 Conhecer as representações das educadoras de infância sobre a temática da identidade;
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 Conhecer o papel do educador de infância na promoção do desenvolvimento social da
criança;
 Identificar as estratégias e atividades promovidas pelas educadoras de infância, cuja
intencionalidade visa potenciar o desenvolvimento da personalidade e do comportamento
social nas crianças.
 Metodologia
Para concretização deste trabalho, foi usada uma Pesquisa Bibliográfica que consiste desenvolver
o trabalho a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos
científicos.

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Contextualização

A este respeito o Ministério da Educação (1997, p. 54) salienta a seguinte premissa:

“o desenvolvimento da identidade passa pelo reconhecimento das características individuais e pela


compreensão das capacidades e limitações próprias de cada um, quaisquer que estas sejam. O
respeito pela diferença, que valoriza a diversidade de contributos individuais para o enriquecimento
do grupo, favorece a construção da identidade”.

Por forma a compreender de que forma a educação pré-escolar contribui para a construção da
identidade da criança, foram-se-nos colocando algumas questões relativas à prática das
educadoras de infância, protagonistas deste estudo, no que às suas conceções sobre a identidade
diz respeito. Tentou compreender-se, por conseguinte, qual o seu papel neste processo, bem como
de que forma a intencionalidade educativa subjacente à sua prática favorecia o desenvolvimento
global da criança, mormente no que concerne ao desenvolvimento da personalidade e do
comportamento social.

Com a concretização do presente estudo e, por meio dos dados que se obtiveram, foi-me
possibilitada a identificação e a compreensão das conceções das educadoras, imprescindíveis para
dar resposta às questões apresentadas.

Considerada a perspetiva descritiva como a que melhor enuncia e caracteriza os fenómenos e as


relações entre eles, este estudo foi desenvolvido segundo esta patente. Dada a sua natureza e o
objeto de estudo, optou-se por uma metodologia de cariz fenomenológico, por acreditar que além
de ser a melhor forma de alcançar os objetivos propostos, é a que melhor descreve a experiência
segundo o significado que assume para o sujeito.

Metodologia

«No contexto da educação, os conhecimentos sobre a investigação devem contribuir para melhorar
os processos, através dos quais os seres humanos aprendem a conhecer-se a si próprios e ao meio
que os rodeia» (Erasmie & Lima., 1989, p. 623).

De acordo com Tuckman (2000), a investigação é uma constante tentativa de atribuir respostas às
questões, que tanto podem ser abstratas e gerais, como concretas e específicas. Segundo este
autor, no que concerne ao processo de investigação, é possível identificar um conjunto de
propriedades, que o sintetizam como:
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(i) um processo estruturado, na medida em que se identifica pela presença sistémica de
regras, as quais devem ser respeitadas;
(ii) um sistema que assenta na lógica, pois de acordo com os processos utilizados no decurso
da investigação é possível que o investigador se debruce sobre a dimensão avaliativa das
conclusões a que chegou;
(iii) um processo empírico, na medida em que os dados do processo de investigação são
obtidos tendo por base fontes diretas que conhecem e vivenciam as temáticas;
(iv) redutível, uma vez que o investigador sacrifica determinados fenómenos e objetos, como
forma de minimizar a sua confusão e, portanto, construir categorias conceptuais mais
gerais;
(v) replicável e transmissível, pois permite a réplica dos resultados constitutivos da
investigação, de forma a contestar ou validar a sua veracidade.

Tendo por base as propriedades que caracterizam o processo de investigação, Tuckman (2000, p.
22) debruça-se sobre as fases que o constituem, afirmando que este:

“(…) propõe um problema a resolver, constrói uma hipótese ou solução potencial para o problema,
formula a hipótese de forma operacional (testável) e, então, tenta verificar esta hipótese por meio
da experimentação e da observação”.

Portanto, após algumas considerações sobre as particularidades da investigação de índole


qualitativa no campo educativo, serão definidos os objetivos do estudo, clarificando em seguida
as questões orientadoras que serviram de fio condutor no decurso investigativo.

“o termo qualitativo implica uma partilha densa com pessoas, fatos e locais que constituem objetos
de pesquisa, para extrair desse convívio os significados visíveis e latentes que somente são
perceptíveis a uma atenção sensível (…) e o autor interpreta e traduz em um texto (…) os
significados patentes ou ocultos do seu objeto de pesquisa” (Chizzotti, 2003, p. 2)

Natureza do estudo
A presente investigação constitui-se como um estudo de natureza qualitativa, cuja principal
intencionalidade assenta numa perspetiva descritiva, uma vez considerada como a que melhor
enuncia e caracteriza os fenómenos, os factos ou as relações entre eles. Considerando, ainda, a
natureza e o seu objeto de estudo, este assume-se como de natureza qualitativa de cariz
fenomenológico, na medida em que visa descrever a experiência, segundo o significado que esta
assume para o sujeito.

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O presente estudo desenrola-se no campo da educação pré-escolar, procurando compreender a
importância que, neste contexto, é atribuída à construção da identidade na criança. Nesse sentido,
e assumindo que os educadores de infância são quem mais tempo despende junto das crianças em
ambiente de jardim-de-infância, considerou-se importante conhecer as representações destes
profissionais sobre esta temática.

Com esse propósito, decidiu-se colocar algumas questões relativas às práticas desses
profissionais, nomeadamente no que às suas representações sobre os contributos da educação pré-
escolar para a construção da identidade na criança concerne, e que, com este estudo pretende dar-
se resposta.

Contributo da educação pré-escolar para a construção da identidade na criança-


representações da educação infantil
A construção da identidade se dá por meio das interações da criança com o seu meio social, o
qual acontece em primeiro momento no seio família e logo depois, a escola. A inserção da
criança nos espaços de Educação Infantil se faz um universo social diferente do da família,
favorecendo novas interações e ampliando, desta maneira, seus conhecimentos a respeito de si e
dos outros.

De acordo com o Referencial Curricular de Moçambique para a Educação Infantil, a identidade


tem a função de distinguir, marcar as diferenças, sejam elas, físicas, emocionais e
comportamentais, dos indivíduos. Para que as diferenças sejam notáveis na identidade da criança
durante a sua aquisição deve-se ter em conta duas componentes a saber: a disciplina e a
indisciplina.

Segundo Brazelton (1995), a seguir ao amor, a disciplina é a segunda dádiva mais importante que
se deve dar às crianças, isto porque esta é sinónimo de aprendizagem, desempenhando um papel
capital nas conquistas da criança, entre as quais: o autocontrolo, o reconhecimento dos seus
sentimentos, a perceção dos sentimentos dos outros, o desenvolvimento de um sentido de justiça
e o altruísmo (Brazelton & Sparrow, 2009). Contrariamente ao que se possa pensar, no imediato,
ao ouvir a palavra disciplina, esta não é “subserviência, obediência mecânica e acéfala, medo do
castigo e de todas as consequências negativas da infração. Ela é autodomínio, ordem interior e
exterior, liberdade responsável, condição de realização pessoal e coletiva” (Amado, 2000, p.8).
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De facto, a disciplina não é mais do que uma forma que nos permite, enquanto adultos de
referência, ajudar as crianças a confiarem em si próprias. Isto para que estas sejam capazes de
controlar os seus impulsos; gerir as suas emoções; respeitar as necessidades, sentimentos e
direitos dos outros; e “fazer o que está certo” para o seu próprio bem (Brazelton & Sparrow,
2009).

Quanto ao termo indisciplina, embora possa parecer demasiado inadequado para ser aplicado
num contexto de crianças em educação de infância, há que ter em conta que este deve ser
encarado de diversas formas, até porque, nalguns casos, este pode reportar-se aos
comportamentos e noutros às significações (Silva & Neves, 2006). A indisciplina é, sim, um
fenómeno relacional e interativo que se concretiza no incumprimento das regras que presidem,
orientam e estabelecem as condições de convivência social e, ainda, no desrespeito de normas e
valores que fundamentam o são convívio entre pares e a relação com os adultos de referência,
enquanto pessoas e autoridades (Amado, 1998 citado por Amado, 2000).

Como tal, não só a agressividade e/ou violência podem ser consideradas como comportamentos
indisciplinados. Estou de acordo com Carita & Fernandes (1997), quando afirmam que os
comportamentos de indisciplina poderão considerar-se como aqueles que se traduzem num
questionamento, explícito ou implícito, do adulto (quer como pessoa, quer como profissional).
Ou seja, é a manifestação de comportamentos inadequados ao normal funcionamento do processo
pedagógico. Comportamentos esses, que põem em causa as normas pré-estabelecidas e a
autoridade do adulto de referência; assim como contribuem para a limitação das aprendizagens
das crianças (Silva & Neves, 2006; Amado & Freire, 2009; Aires, 2009).

Meu estudo insere-se em um contexto de sala de aula, com crianças de quatro a cinco anos, em
uma escolinha, no Posto Administrativo de Namialo. Desenvolver actividades que trabalhem a
identidade das crianças é uma ótima maneira de iniciar as actividades pedagógicas, pois
propiciam às crianças a percepção de que elas têm uma história de vida, fazem parte de uma
família e são  partes atuantes no mundo em que vivem. Além da significância para os educadores
obterem mais informações a respeita de cada criança inserida naquele espaço de
desenvolvimento.

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O “Eu Criança” na Educação Infantil deve ser despertado por meio de actividades que sejam
próprias do mundo lúdico e do imaginário da criança, colaborando assim para a formação de uma
identidade autêntica e respaldada em valores éticos necessários ao cidadão consciente do seu
papel na construção da sua história e da história do outro.

O estudo desenvolveu-se através de actividades lúdicas voltadas para a construção e


fortalecimento da identidade. Com a canção: Cada um é especial (sua faixa encontra-se em CD
do projecto “Escolinha de Micolene para a Educação Infantil”), foi explorado o reconhecimento
do eu e as diferenças com o outro. Em seguida, foi construído um Álbum da Vida, através de
recortes e ilustrações feitas pelas crianças, que representasse o seu dia-a-doa. Logo depois, o
autorretrato, por meio da pintura livre e confecção de crachá. Com o uso de sucatas variadas foi
montado um corpo humano, identificando e nomeando suas principais partes. Depois a criação da
imagem do próprio corpo, com auxílio da balança e fita métrica. Por fim, construção da árvore
genealógica da criança com fotos da família.

Portanto, há que frisar que, o desenvolvimento humano é um processo complexo que ocorre não
apenas a nível físico, mas essencialmente a nível psicológico. Neste domínio, insere-se, então, a
construção do desenvolvimento sociomoral da criança que, dada a sua importância, deve ser
fomentada ao máximo no ensino pré-escolar (Martins, 2008).

Uma vez que o educador se afigura como um dos modelos a seguir pelas crianças cabe-lhe a si
mostrar-lhes os comportamentos morais característicos da educação de infância, na medida em
que nesta etapa, o desenvolvimento moral das mesmas é indispensável para a formação de
hábitos, qualidades e sentimentos morais (Martins, 2008). Os adultos têm, assim, de assumir o
seu papel, aquele de que as crianças realmente necessitam e que favorece o seu desenvolvimento.
Isto porque, para as crianças pequenas, são um modelo em que estas se fixam continuamente, e
que lhes dão segurança, afeto, estímulo e suporte (Reyes, 2010).

Ao desenvolvimento moral está intrinsecamente ligado o desenvolvimento pessoal e social, na


medida em que é nos primeiros anos que a criança começa a estabelecer um maior número de
relações interpessoais. Assim sendo, estas deverão ser fomentadas, uma vez que são facilitadoras
das aprendizagens das crianças; que não só aprendem padrões de comportamento com os outros,
como podem experimentar, com segurança, os seus próprios padrões (Brazelton, 1995). Espera-

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se, então, que, ainda que gradualmente, as crianças vão sendo capazes de compreender os
sentimentos, intenções, perceções, e pensamentos de outras pessoas; assim como os próprios
(Portugal & Laevers, 2010).

Salientar que, cabe ao professor compreender que a cultura, por diferentes formas de mediação,
pode ser apropriada pela criança, contribuindo para a sua formação como pessoa completa.
Buscando organizar tempos, espaços, relações e experiências formativas que permitam a
apropriação efetiva de conhecimentos que vão além daqueles já são presentes no cotidiano das
crianças e assimilados mesmo sem a participação do trabalho sistematizado da escola.

A escola da infância deve ser um espaço que faça diferença na vida da criança: um espaço de
atuação sobre as capacidades em formação, um espaço de atividades que possibilitem à criança
compreender e compreender-se, perceber e perceber-se, conhecer, fruir (Brasil, 2009a, 2009b). A
escola deve ser um espaço de criação de novas necessidades que impulsionam a criança a
aprender e a desenvolver-se.

Na Educação Infantil, fomentar a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças pequenas


significa ajudá-las a progredir na definição da própria identidade, no conhecimento e na
valorização de si mesmas.

A construção da identidade e autonomia refere-se ao progressivo conhecimento que as crianças


vão adquirindo de si mesmas, a autoimagem que através deste conhecimento se vai configurando
e à capacidade para utilizar recursos pessoais de que disponha a cada momento.

Na escola, quando as crianças aprendem, por exemplo, a ordenar um joguinho, a brincar com
carrinhos, estão também aprendendo muitas coisas sobre elas mesmas, que lhes permitem formar
uma opinião sobre si.

Portanto, a construção de uma autoimagem positiva requer que, na escola, as crianças tenham
experiências em situações que lhes permitam ganhar confiança em suas capacidades e que sejam
vistas como crianças com possibilidades. Isso dá segurança, que é um elemento básico para
atrever-se a explorar novas situações, novas experiências. É importante observar que não se trata
de renunciar à exigência e ao controle, e sim, de endereçá-la a um contexto comunicativo,
afetuoso e respeitoso.

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Construção da identidade na educação infantil e o papel dos pais
A influência dos pais na vida dos seus filhos é algo que a escola deve sempre conciliar com a sua
premissa pedagógica. E como eternos aliados, a instituição pode aproveitar o poder que os pais
têm para ajudar na construção da identidade na educação infantil.

As crianças desenvolvem sua identidade aprendendo a conhecer o que gostam em seu ambiente,
sua maneira de se vestir, de se relacionar com os outros e com o mundo. Para que elas
desenvolvam uma identidade própria, os pais, os primeiros influenciadores, devem sempre estar
atentos a essa construção de identidade e o que ela pode apontar.

Para isso, é importante entender como os pais podem ser fatores essenciais nesse processo. Assim
como, ao lado da escola, podem ajudar na construção da identidade na educação infantil.

Como os pais (e a escola) podem ajudar no desenvolvimento de identidade da criança


Todo comportamento fornece pistas sobre as crenças e os valores que os pequenos já adquiriram.
Com a inserção deles na educação infantil, novas dicas e aprendizados irão se manifestar e os
pais podem aproveitar as novas experiências para estimular o crescimento dos seus filhos.

Para serem parte de uma valiosa construção de identidade, é necessário que os pais:

 Estejam cientes das ações e comportamentos do seu filho e o que isso lhe diz sobre eles;
 Façam perguntas sobre sua performance na escola e o que mais atrai no aprendizado;
 Dê a eles opções sobre as atividades que gostariam de participar: Artes, esportes, leitura,
experimentos etc. Essa pode ser uma atividade que se estenda da escola para casa ou vice-
versa;
 Elogiem sempre o estilo pessoal. Seja na forma de pintar, desenhar, escrever, se organizar
e tomar suas próprias decisões;
 Ouçam suas ideias abertamente e não force as suas. Procure sempre entender o estímulo
por trás de tal pensamento;
 Quando precisar, ofereçam sugestões, sem controlar suas ideias e comportamentos.
Apenas como uma forma de orientar a criança para que ela desenvolva sozinha sua linha
de pensamento.

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 Deixe que ela teste e veja que em um exercício, ao misturar azul com verde não resultará
em amarelo, por exemplo. Isso estimula que a criança saiba aprender com seus próprios
erros;
 Assim como os educadores têm o cuidado de não impor sua identidade sobre a dos
alunos, é importante que os pais façam o mesmo. Sem críticas e julgamentos;
 Criem atividades que a criança a identificar quem é. Junto da escola, os pais podem
sugerir projetos artísticos, experimentos científicos, clubes de leitura, feiras
gastronômicas e atividades físicas que auxiliem as crianças a saberem do que realmente
gostam.

Conclusão

Uma criança não é uma criança para ser pequena, mas para tornar-se adulta. (CLAPARÈDE,
p.30,2004)

É inegável que os seres humanos são desde o nascimento, condicionados e influenciados por
modelos e exemplos de outros seres humanos que os rodeiam. Também é indiscutível que a
formação do adulto íntegro, descente e humano nasce juntamente com o feto na barriga da mãe.
Saber identificar suas preferências, reconhecer seus limites, conhecer-se, são ações que se iniciam
desde quando nascemos e têm o seu término no final de nossas vidas, são influenciadas pela
sociedade e a cultura das quais participamos.

Toda conduta é ditada por um interesse; toda ação consiste em atingir o objetivo que é mais urgente
naquele momento determinado. (CLAPARÈDE, p.32,2004)

A escola tem um papel de fundamental importância na construção da identidade autônoma de


cada criança que passa por seus bancos escolares, principalmente na creche, onde temos crianças
com a faixa etária de até 3 anos de idade, onde os indivíduos estão mais disponíveis à
aprendizagem, ao se identificar com o modelo de ser humano que lhe é apresentado.

É importante reconhecer o trabalho desenvolvido pelos educadores que trabalham com crianças
na creche, numa faixa etária de até 3 anos, pois é através deles que ocorre a estimulação para a
longa caminhada de construção da identidade.

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É imprescindível que o educador atuante na fase inicial do processo de construção da identidade
promova situações onde a criança reconheça suas particularidades e interaja com outras crianças,
seja qual for a faixa etária.

Enfim, é muito importante considerar que enquanto educadores, somos sim responsáveis pelos
seres humanos que teremos em nossa sociedade num futuro não tão longínquo e mais do que isso,
somos responsáveis pelo futuro deste país já tão massacrado.

Referências Bibliográficas 

Amado, J., & Freire, I.P. (2009). A(s) Indisciplina(s) na escola – Compreender para prevenir.
Almedina: Coimbra.

Brazelton, T. B. (1995). O grande livro da criança – O desenvolvimento emocional e do


comportamento durante os primeiros anos. Lisboa: Editorial Presença.

Brazelton, T. B., & Sparrow, J. D. (2009). O método Brazelton – A criança e a disciplina.


Lisboa: Editorial Presença.

https://blog.estantemagica.com.br/construcao-da-identidade-na-educacao-infantil/ Acesso no dia


18 de julho de 2021

https://entretantoeducacao.com.br/professor/a-construcao-da-identidade-na-educacao-infantil/
Acesso no dia 18 de julho de 2021

Martins, E. (2008). A formação e o desenvolvimento moral na primeira infância. Cadernos de


Educação de Infância. Nº84, p.32.

Reyes, M. J. A. (2010). O não também ajuda a crescer – Como superar momentos difíceis e
favorecer a educação e o desenvolvimento das crianças. Lisboa: A Esfera dos Livros.

Silva, M.P., & Neves, I. P. (2006). Compreender a (in) disciplina na sala de aula: uma análise
das relações de controlo e de poder. Revista Portuguesa de Educação, Nº19, pp. 5-41.

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Claparède. Édouard, in Ferrari. Márcio, Um pioneiro da psicologia das crianças. Revista Nova
Escola, ed. Novembro/2004.

Apêndices

Guião de entrevista

Guião de Entrevista dirigido ao responsavel da Escolinha Micolene, no âmbito do trabalho de


investigação sobre: Contributo da educação pré-escolar para a construção da identidade na
criança- representações da educação infantil: caso de estudo Escolinha Micolene, Posto
Administrativo de Namialo.; inserido na producao de artigo cientifico, Curso de Licenciatura em
Ensino de portugues, na Universidade Catolica de Mocambique.
PARTE I
1.Identificação do entrevistado
1.1.Sexo: ______________ 1.2.Nivel académico (escolar) ______________________
1.3. Posição: Responsavel da Escolinha Professor/educador da Escolinha

Qual a relevância que o educador de infância atribui ao seu papel no processo de


desenvolvimento da personalidade na criança?
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Qual a relevância que o educador de infância atribui ao seu papel no processo de
desenvolvimento do comportamento social na criança?
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De que modo o desenvolvimento da personalidade e do comportamento social na criança são


tidos em conta pelo educador de infância no delineamento dos objetivos educativos?
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Quais as representações das educadoras de infância sobre o seu papel no desenvolvimento da


identidade da criança? ………………………………………………………………………………
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Que tipo de estratégias e de atividades são promovidas pelas educadoras de infância com o
objetivo de potencializar o desenvolvimento da personalidade e do comportamento social nas
crianças?........
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Obrigado pela colaboração

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