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ARTE REAL

2017-1.Semestre
ARTE REAL
Trabalhos

2017-1.Semestre
Contents
O ALVORECER DA VIDA MAÇÔNICA 1

A ESTRUTURA DO TEMPLO E A REPRESENTAÇÃO 6


SIMBÓLICA DA LOJA

O PERJÚRIO 13

VIRTUDES MAÇÔNICAS 18

OS SISTEMAS GRANDE ORIENTE E GRANDE LOJA 22

POR QUE AS RELIGIÕES FALHARAM? 28

AS INSPIRADORAS COLUNAS BOOZ E JAKIM 36

A IMPORTÂNCIA DO PADRINHO 47

A CULTURA NA MAÇONARIA 50

A CORDA DE 81 NÓS, O SIMBOLISMO E A UNIÃO 62


ENTRE OS MAÇONS

A COROA 66

A INSTRUMENTAÇÃO PARA A EVOLUÇÃO DO 77


MAÇOM! (2)

A CONDUTA DO MAÇOM 82

A ORDEM MAÇÔNICA 90
WHATSAPP E A MAÇONARIA 97

A ORIGEM DA PALAVRA LOJA 101

A PEDRA E SEU NOVO DESPERTAR 109

A MAÇONARIA E A CARBONÁRIA 116

O SOLSTÍCIO DE VERÃO 123

RITUAL MAÇÔNICO É UMA INOVAÇÃO 129

SETE MAÇONS OU SETE MESTRES? 137

O PRIMEIRO DEVER DO VENERÁVEL É CRIAR 140


FUTUROS BONS VENERÁVEIS

REFLEXÕES SOBRE REDES SOCIAIS E 152


MAÇONARIA

SIMBOLATRIA – VENERAÇÃO EXCESSIVA POR 162


SÍMBOLOS

ANATOMIA MAÇÔNICA 172

VENERÁVEIS E VENERALATOS 176

A FORÇA DO AVENTAL DE APRENDIZ 185

SIMBOLISMO DAS ROMÃS 188

POR QUE MASMORRAS E NÃO GUILHOTINAS? 194


O FOGO SEGUNDO A DOUTRINA SECRETA 198

O LUGAR DO APRENDIZ 203

ARMAS DA RECONSTRUÇÃO DE TEMPLOS 208

O CONCEITO FILOSÓFICO DE TEMPO E A RÉGUA 215


DE 24 POLEGADAS

A INSTALAÇÃO DO NOVO VENERÁVEL MESTRE 228

EM BUSCA DA PRÓPRIA VERDADE 231

MAÇONARIA: ENTENDA PRIMEIRO E CRITIQUE 236


DEPOIS

A GEOMETRIA E O NÚMERO NA ARTE REAL 238

PARA SER UM VERDADEIRO MAÇOM 247

SÍMBOLO, SIMBOLISMO EM GERAL E NA 250


MAÇONARIA

A IMPORTÂNCIA DA FREQUÊNCIA MAÇÔNICA 258

A LEI MORAL E A MAÇONARIA 262

ESPIRITUALIDADE 266

A MAÇONARIA E A PERFEIÇÃO 274


A MAÇONARIA NÃO É UMA REDE DE 280
FAVORZINHOS CORROMPIDOS PELA
CORRUPÇÃO

A MAÇONARIA ADORMECIDA: BREVES 292


INDAGAÇÕES

CELULAR NA MAÇONARIA? 301

A CADEIRA 306

OS INSTRUMENTOS E A OBRA MAÇÔNICA 309

OS SEIS PASSOS PARA FAZER PARTE DA 314


MAÇONARIA:

VENERÁVEL, É O CARGO MAIS HUMILDE DE UMA 319


LOJA?

O QUE A MAÇONARIA SIGNIFICA PARA MIM 324

UM MAÇOM SEM APOLOGIA 330

MAÇONARIA E RELIGIÃO 335

PORQUE EU SOU MAÇOM? 339

NÃO É NENHUM SEGREDO! 345

EU TENHO ORGULHO DE SER MAÇOM! 353


A MAÇONARIA MODERNA E OS SEUS 359
ENSINAMENTOS

CONSIDERAÇÕES SOBRE A ANTI-MAÇONARIA 365

A IMPORTÂNCIA DO ENTUSIASMO NA 368


MAÇONARIA

SÃO JOÃO - UMA PEQUENA HISTÓRIA 373

CONSIDERAÇÕES SOBRE O SENTIDO ESOTÉRICO 378


DAS SESSÕES

POR QUE SE VAI À LOJA? 387


O ALVORECER DA VIDA MAÇÔNICA

January 02, 2017

Vamos aqui hoje fazer algumas divagações acerca da Magia de


ser Maçom!

Como em um ninho de pássaros cheio de ovos prontos para se


quebrarem e deles surgirem inúmeros e assustados filhotes,
assim podemos fazer uma comparação ainda que grotesca
com o surgimento de mais um ou vários maçons.

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Muitos deles estão enclausurados em seus afazeres diários,
com as suas atividades terrenas, prontos para serem
chamados a deixarem os seus ninhos para conhecer os
mistérios de uma Instituição milenar que muitos chamam de
Arte Real.

Ali, como nos ninhos, estão sendo chocados em todo o


mundo, milhares de novos maçons ainda implumes à espera
da vestimenta que os farão resplandecer com toda a plenitude
espargindo luzes para si e para aqueles que com eles
certamente conviverão.

O alvorecer maçônico se dá diuturnamente em todo o Universo


quando várias gaiolas vão sendo abertas paulatinamente para
deixar livres aqueles que já são considerados por muitos
outros como livres e de bons costumes.

Quando iniciam são considerados Aprendizes, pequenos


pintainhos em busca de proteção e direcionamento por parte
daqueles que estarão sempre á disposição para fazê-los
trilharem o caminho do bem.

Mais à frente, agora como Companheiros, já um pouco mais


desenvolvidos, vestirão a roupagem de um franguinho já

2
bastante curioso para penetrar sorrateiramente nos
conhecimentos dos Grandes Mistérios.

Durante algum tempo fica se alimentando para tornar-se num


futuro não muito longínquo um galo com a crista bem
avermelhada e com esporas afiadas para enfrentar as
vicissitudes que a vida, sem qualquer dúvida, reserva para
todos nós, para alguns mais cedo, para outros um pouco mais
tarde e para uma grande maioria já no final de suas
experiências terrenas.

O galo, como é do conhecimento de todos os maçons,


representa a vigilância, aquele que ainda na aurora do dia, com
o seu canto estridente, acorda homens e mulheres para o
trabalho, crianças para se prepararem para ir para as escolas
para o aprendizado tão importante e imprescindível para todos
os seres humanos.

O galo significa que um maçom deve estar sempre vigilante


contra os inimigos da Ordem. O galo é relacionado ao Orador,
que é o Guardião da Lei, responsável por vigiar se a lei
maçônica está sempre sendo observada.

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No simbolismo dos três princípios herméticos, o Galo
representa Mercúrio, princípio da Inteligência e da sabedoria.
Esta ave é, também, símbolo da pureza.

O Galo é o gerador da esperança, o anunciador da


Ressurreição, pois o seu canto marca à hora sagrada do
alvorecer, ou seja, o triunfo da Luz sobre as Trevas. A sua
presença na Câmara das Reflexões simboliza o alvorecer de
uma nova existência, visto que o recipiendário vai morrer para
a vida profana e renascer para a vida maçônica, sendo ele o
signo exotérico da Luz que o recipiendário vai receber.

Em seu último simbolismo, o galo alude ao despertar das


forças adormecidas que a iniciação pretende realizar,
simbolizando também esotericamente, a "Força Moral",
indestrutível, guiando os passos do maçom dentro e fora do
Templo. A difícil tarefa de desbastar a pedra bruta que só se
pode alcançar com algum êxito, quando realizada com a mais
firme perseverança e vigilância constante.

Na vida maçônica, esta alegoria tem como figura central o


Mestre Maçom, aquele responsável pela indicação, pela
iniciação e pelo constante acompanhamento da evolução
daquele pintainho que um dia, no momento certo, fez a casca
do ovo se romper para dele sair para enfrentar as agruras e as
alegrias do cotidiano da vida.

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Ele será o responsável pelo aprimoramento, pelo entusiasmo e
pela dedicação daquele que um dia teve a felicidade de ser tão
carinhosa e respeitosamente acolhido em um Templo de
sabedoria, de tolerância e de fraternidade na verdadeira
acepção da palavra.

De bom alvitre lembrar que o alvorecer maçônico acontece


todos os dias, pois o verdadeiro apologista do
aprofundamento consciente sabe que ele nunca atingirá o seu
final. Estará sim, sempre se renovando e se aperfeiçoando
como a medicina do corpo no seu mister de ser a responsável
pelo nascimento de seres saudáveis, aptos a enfrentarem as
agruras constantes do cotidiano.

Que a maçonaria nunca tenha o seu anoitecer e sempre se


mantenha altaneira e vibrante em cada alvorecer.

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A ESTRUTURA DO TEMPLO E A REPRESENTAÇÃO
SIMBÓLICA DA LOJA

January 05, 2017

“O templo representa o Universo que é o Templo de Deus, cuja


contrapartida é o corpo do homem. No interior do Sagrado
Templo há uma câmara destinada à reunião geral para estudar
as obras de Deus. É a câmara interna é o sol do Templo, o
lugar santo onde mora a Presença de Deus: a Loja. (...) Tudo
isso quer dizer que, como o Universo não tem limites e é um
atributo de Deus que abarca tudo, assim também a Loja, o
“Logos”, o Cristo dentro do homem, por definição não tem
limites, está dentro e fora e tudo o que é feito por Ele foi feito.”

(Adoum, Jorge; GRAU DE APRENDIZ E SEUS MISTÉRIOS, ed.


Pensamento - 1993.)
Já esmiuçamos em trabalhos anteriores a forma da Loja,
citando o Templo de Jerusalém como imagem e representação

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do Universo e todas as maravilhas da criação. A Loja
representa a superfície da terra com os quatro pontos
cardeais: Oriente Ocidente (“caminho da luz”), Norte e Sul,
sua largura; com terra, fogo e água sob nossos pés, e ar sobre
as nossas cabeças, acima das quais representa o teto da Loja
um céu estrelado, símbolo de um mundo imaterial.
Sustentada por três CCol.’., a Loja de Aprendiz é governada
pelo Vem.’., fonte e fundamento da SABEDORIA em sua Loja, e
pelos IIr.’. Primeiro e Segundo Vigilantes, que representam as
CCol.’. da FORÇA e da BELEZA, respectivamente.
No significado histórico e filosófico das três CCol.’., a
sabedoria jônica venceu a força espartana (dórica) e, quando
ato e potência se equilibraram, surgiu a beleza, que se
completou mais tarde, já na época helenística, ensejando a
perfeição da coluna coríntia e completando o ternário, o qual,
por sua vez, viria a repercutir em toda a história da
humanidade.
É regra colocar as CCol.’. sobre o Altar das três luzes (Vem.’. e
VVig.’.), cada qual com sua coluna correspondente, figuradas
nos Altares por Pilares: o Pilar da SABEDORIA no Oriente; no
Setentrião, o Pilar da FORÇA e no Sul, o da BELEZA.
Representam o complemento de tudo, uma vez que
SABEDORIA, FORÇA e BELEZA retratam os três aspectos da
Criação: o Idealizador, o G.’. A.’., Aquele que imagina a
perfeição e assim torna perfeita essa imagem; a Potência, que
constrói a perfeição de Si, ou a que nos sustém em nossas
dificuldades; e a Qualidade de quem Se reconhece na própria
obra e ali contempla a própria perfeição.

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A Beleza, enfim, é o que nos agrada os sentidos com seus
padrões estéticos: “Deus contemplou sua obra, e viu que tudo
era muito bom” (Gen., 1:31).

A SABEDORIA, um dos Pilares mestres da nossa Ordem, nos


obriga a relembrar certos ensinamentos , os quais fomos
imbuídos a praticar. A busca incessante do Saber, a
Tolerância, o Amor Fraternal, o Respeito para com os nossos
semelhantes - bem como o respeito próprio, a busca da
Verdade, da prática do Bem e da Perfeição.

Segundo o Ritual de A.’. M.’. , o Ir.’. Primeiro Vig.’. nos diz que
nos reunimos em Loja para “ Combater o despotismo, a
ignorância, os preconceitos e os erros. Para glorificar a
Verdade e a Justiça. Para promover o Bem Estar da Pátria e da
Humanidade, levantando TTempl.’. à Virtude e cavando
masmorras ao vício.“. Ou seja: combater, com toda certeza, a
ignorância, que é a argamassa do vício, do egoísmo, da
desonestidade, do fanatismo e da superstição. em outras
oportunidades, já tratamos dos primeiros - falemos agora
desses dois últimos: o fanatismo e a superstição.
A superstição e o fanatismo são duas graves moléstias que
afligem os espíritos místicos ignorantes. Este é a religião
radical, despida da razão e do saber e afastada do
conhecimento verdadeiro. Leva ao Mal pelo abandono do bom
senso e pela escravidão do intelecto - é a regra que o fanático
deixe de pensar por si próprio e entregue-se a ideias
preconcebidas (preconceitos) e rejeite sua liberdade pela
escravidão a um “líder” ou falso Messias.

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A superstição, por sua vez, é um arremedo de religião, é a
religião deturpada, onde a ignorância ocupa o lugar que seria o
da Fé. É o culto da imperfeição e da mendacidade, em que se
desiste de compreender a natureza do Bem, transformando em
bem o que seja do interesse próprio e da conveniência.

Contra todos esses males a prática da Solidariedade haverá,


por certo, de fortalecer nossa Fraternidade. Não pelas
vantagens morais ou materiais que se cogita tenha advindo do
fato de nos termos tornado MM.’.. A simples vantagem
material, no interesse egoístico do indivíduo, é estranha às
práticas e à ética dos MM.’. Vantagens morais de fato há:
residirão dentro de cada um de nós, resultados da firmeza de
nosso caráter.
Esta firmeza virá como fruto do nosso ofício (desbastar a
P.’. B.’.) e da nítida compreensão dos Deveres e dos Ideais
estabelecidos por nossa Ordem - A Moral e a Honra.
A Solidariedade Maçônica não consiste, como creem o vulgo e
o profano, no amparo incondicional de um Ir.’. ao outro e os
laços da Fraternidade, quanto ao amparo moral ou material
(individual ou coletivo), são oferecidos àqueles que apesar de
praticarem o Bem sofrem os revezes das vida; para os que,
trabalhando lícita e honradamente, correm o risco de soçobrar;
ou mesmo para os que, tendo fortunas, sentem infelicidade em
seu interior e amargas suas almas. Para estes IIr.’. a
Solidariedade Maçônica deverá e será colocada em prática,
pois aí haverá uma causa justa e nobre.
Em nossa iniciação, juramos amar o Próximo como a nós
mesmos, cuja máxima representava o compasso sobre o

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nosso peito, na justa medida para a construção do mundo de
Fraternidade Universal. Juramos ainda defender e socorrer
nossos IIr.’. ; todavia, quando um Ir.’. se desvia da Moral que
nos fortifica, ele simplesmente rompe a Solidariedade que nos
une. Estará então em condições notórias de deixar de ser um
Ir.’., perdendo todos os direitos ao nosso auxílio material e,
principalmente, ao nosso amparo moral.
Essa Solidariedade não dá guarida à ignorância e ao
preconceito: em igualdade de circunstâncias,
podemos preferir um Ir.’. a um profano; mas nunca devemos
fazê-lo se assim cometermos uma injustiça - a cada um, o que
é de seu mérito. Ela não existe para ferir nossa consciência.
Seus ensinamentos nos conduzem a proteger um Ir.’. no que
for justo e honesto, mas sem boas e justas razões não
devemos favorecê-lo pelo simples fato de ser Ir.’..
Ademais, tal Princípio nos ensina tanto a dar quanto a não
pedir sem a justa necessidade.
A Ordem, idealmente, só admite entre os seus membros
aqueles que são probos, de caráter ilibado, que tenham a
faculdade chamada inteligência e que sejam livres e de bons
costumes. Assim é natural que MM.’. cheguem a posições
sociais elevadas, visto se destacarem por suas qualidades
pessoais.

Se alguém pretende obter o mesmo utilizando-se unicamente


de um sistema de favorecimento, proteção e acobertamento
fazem mal em entrar para o seu seio. Sua admissão padece de
vício insanável, de erro essencial quanto à pessoa. Para estes

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casos, nossa Ação Moral, nossos Princípios e Leis haverão de
serem instrumentos seguros para separarmos o joio do trigo -
e ficarmos com o trigo.
A Solidariedade, aliás, não está adstrita aos Ir.’.: estende-se a
todos os Homens e se materializa não apenas no amparo
imediato, mas na educação. O exercício da Solidariedade,
assim, deve pautar-se em duas palavras - tolerância e
humildade. A predominância da Humildade se faz necessária
em todas as ações que empreendermos e desenvolvermos,
para que o auxílio não se transforme em esmola e enodoe a
alma do necessitado.

A Tolerância para com os nossos semelhantes, quer em suas


opiniões, quer em suas crenças, impõe-se para garantir a
Liberdade e a Justiça. É pensamento muito bem traduzido por
Voltaire: “Discordo de tudo quanto dizes, mas defendo até a
morte o direito de dizê-lo.”
Ambas serão, portanto, utilizadas para Educar os que
necessitam e, pelo processo dual, nos educarmos. Ensinar
aquilo que realmente sabemos e com isto nos instruir também.
Corrigir e alertar para os erros que atentem quanto à ética e
compromissos inerentes à sociedade.
Cabe aqui encerrar com La Fontaine, em trecho do prefácio de
“FÁBULAS DE ESOPO”: “Antes de sermos obrigados a corrigir
nossos maus hábitos, é necessário que nos esforcemos para
torná-los bons”.
BIBLIOGRAFIA:

11
1. Varoli Filho, Theobaldo; CURSO DE MAÇONAR
SIMBÓLICA - Aprendiz (1º Tomo), ed. A Gazeta Maçônica.
2. Figueiredo, Joaquim Gervásio de; DICIONÁRIO D
MAÇONARIA, ed. Pensamento - 1994.
3. Castellani, José; DICIONÁRIO ETIMOLÓGICO MAÇÔNICO,
ed. Maçônica “A Trolha”, 1ª ed.-1993.
4. Adoum, Jorge; GRAU DE APRENDIZ E SEUS MISTÉRIOS,
ed. Pensamento - 1993.
5. Leadbeater, C. W.; A VIDA OCULTA NA MAÇONARIA, ed.
Biblioteca Maçônica - 1994; trad. de Joaquim Gervásio de
Figueiredo.
6. A BÍBLIA SAGRADA, ed. Ave-Maria.

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O PERJÚRIO

January 09, 2017

A sociedade como um todo vive sob mecanismos de


sustentação, os quais são capazes de manter a continuidade
da convivência social, sem o que, induvidosamente, a vida em
grupo se tornaria insuportável e até mesmo impossível.

Nas últimas décadas o homem se desenvolveu e se multiplicou


sob a face da terra, chegando ao ponto atual depois que a
ciência se desenvolveu, de se adaptar às novas regras
estabelecidas. Basta lembrar que somente no último século foi
que a população mundial conseguiu dobrar o seu total várias
vezes.

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Daí porque, cada instituição, no particular, para que pudesse
existir e garantir aos seus participantes o mínimo necessário
daquilo que se propôs, buscou estabelecer regras que
pudessem assegurar a todos a inviolabilidade, os segredos
internos, a privacidade, o bem estar, os benefícios e tudo o
mais de sua especificidade.

No caso específico da Maçonaria, tais regras não foram


relegadas, muito pelo contrário, foram implementadas em um
arcabouço de normas e princípios que lhe são próprios, os
quais servem para a orientação do maçom. Essas disposições
se apresentam na forma escrita em seus mais diversos
diplomas legais, mas, também, na forma consuetudinária e que
são seguidas e transmitidas de geração a geração.

Diante dessa rápida amostragem, e, focado nos fatos que vem


acontecendo nos dias atuais no meio maçônico, notadamente
com a questão defendida por muitos a respeito da abertura das
lojas; por alguns não maçons – os “goteiras”, sobre a
revelação dos segredos da Instituição através dos meios de
comunicação de massa; e, por ultimo, com a revelação a
profanos dos assuntos sigilosos tratados nas reuniões
fechadas, forçoso é reconhecer que algo está errado e é
preciso por um basta nessa situação.

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Com efeito, embora todos os fatos mereçam muita atenção por
parte dos maçons, nos ocuparemos neste momento da
abordagem desse último tema, qual seja, o do perjúrio, ora
praticado por alguns. Todos sabem que aquilo que se discute
dentro de uma loja maçônica não pode ser revelado lá fora,
nem mesmo aos irmãos que não participaram da reunião,
exceto se o Venerável Mestre assim o deliberar. Ora, se assim
o é, toda a vez que alguém descumpre essa regra comete
perjúrio. E o que é perjúrio?

Perjúrio é jurar falso, quebrar o juramento feito. Então, quem


jura dentro da loja não revelar os segredos maçônicos e assim
não cumpre, rigorosamente está cometendo esse deslize e, no
dizer de uma daquelas regras mencionadas, deve cumprir o
ritual de quem está à ordem, naturalmente dentro do seu
grau… “por não ter sido capaz de guardar um segredo que lhe
foi confiado”. A Maçonaria sempre foi respeitada pela
qualidade, postura moral e ética dos seus membros, pelos
segredos milenarmente mantidos.

Seguramente, toda a vez que um assunto interno é revelado ao


profano, ou, repita-se, aos irmãos que não participaram da
reunião, o desgaste da instituição é evidente, sem se falar do
desconforto do irmão que foi citado em determinado episódio.

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Não é aceitável que um assunto trazido em loja por um irmão
seja motivo de especulação profana, levando-o a ser alvo de
comentários nas ruas e até mesmo de ser atingido moral e
fisicamente. Os efeitos nefastos de um perjúrio vão além do
que possamos imaginar, e isso não se pode tolerar.

Quem não tem condições de viver em uma sociedade séria


como a Maçonaria, dela deve se licenciar (afastar mesmo), sob
pena de, com suas faltas, ter seu comportamento levado à
apreciação do Egrégio Tribunal de Justiça Maçônico, a quem
compete deliberar sobre a matéria.

Concluindo, ao perjúrio advirão efeitos e consequências


indesejáveis, todavia, a fala do momento não tem o condão de
ser inquisitiva, muito menos, um caráter de estimular censura
ou punição a qualquer irmão, até mesmo, porque
desconhecemos quem assim procede, mas, tão somente,
como um alerta a todos nós contra fatos de tamanha
gravidade.

Que o G.’.A.’.D.’.U.’. ajude-nos.

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Ir.’. Adilson Miranda de Oliveira
LOJA MAÇÔNICA OBREIROS DO AREÓPAGO Nº 33
IBICARAÍ-BAHIA

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VIRTUDES MAÇÔNICAS

January 12, 2017

A Maçonaria vem provavelmente do francês “Maçonnerie”, que


significa uma construção feita por um pedreiro, o “maçon”. A
Maçonaria terá assim, como objetivo essencial, a construção.
A Maçonaria promove a transformação do ser humano e das
sociedades em que vive, através da fraternidade, solidariedade
e da justiça.
Para ser iniciado, o Maçom deve ter profissão honesta que lhe
assegure meios de subsistência, ser ético, ter condições
morais e intelectuais e instrução necessária para compreender
os objetivos da Ordem Maçônica. A Maçonaria honra
igualmente o trabalho manual e o trabalho intelectual, e crê na
existência do Grande Arquiteto Do Universo, Deus.
O Maçom deve ser escolhido para ser Iniciado, pelas razões
acima descritas, e não por motivos profissionais, familiares ou

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de amizade, e sim por ser o profano reconhecido Maçom em
sua essência, encontrando nele virtudes maçônicas.
Mas o que o busca Maçom? Ele busca o aperfeiçoamento
intelectual, o afinamento das faculdades de pensar e de
enriquecimento dos conhecimentos adquiridos, para que
tenham o domínio do saber necessário, para se comportarem
de forma digna em todos os momentos, sejam eles profanos
ou maçônicos, pois é mais fácil sucumbir ao vício, que
aprimorar a virtude.
A tolerância é das virtudes maçônicas, a mais enfatizadas, pois
significa a tendência de admitir modos de pensar, ser, agir e
sentir que diferem as pessoas e nos fazem indivíduos únicos.
Muitas vezes confundimos tolerância com conivência.
A tolerância é a habilidade de conviver, com respeito e
liberdade, com valores, conceitos e situações. Deus é tolerante
com o pecador, mas não com o pecado.
Outra virtude é a Ética, que por definição é um conjunto de
princípios e valores que guiam e orientam as relações
humanas. É uma espécie de cimento na construção da
sociedade. O forte sentimento de fraternidade designa o
parentesco de irmão, do amor ao próximo, da harmonia, da
boa amizade e da união, de tal forma a prevalecer a harmonia e
reinar a paz.
A justiça é a virtude de dar a cada um aquilo que é seu, julgar
segundo o direito e a melhor consciência. Para que se possa
evitar o despotismo, o arbítrio e manter a liberdade e o direito.
A Maçonaria é uma sociedade que luta pelo Direito, pela
liberdade e pela justiça, por isto todo Maçom deve ser um
defensor incansável destes valores.

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Estamos vivendo uma época em que há uma falta aguda, de
um valor fundamental em todo o mundo: a caridade. Ela é o
amor que move a busca afetiva do bem de outro. Ninguém
precisa de nada a não ser seu coração para saber o que
machucam os outros.
Jamais subestime o sofrimento alheio. Seu julgamento poderá
lhe falhar, seu conhecimento, sua experiência e sua
inteligência poderão ser inúteis diante do mal, que torcerá
fatos, palavras e aparências. Até o branco pode parecer preto e
o preto parecer branco. Decida com caridade e toda essa farsa
se dissipará sob o brilho de uma alma integra.
A Maçonaria é uma instituição fundamentalmente ética, onde a
reflexão filosófica sobre a moralidade, regras, códigos morais
que orientam a conduta humana; que tem por objetivo a
elaboração de um sistema de valores e o estabelecimento de
princípios normativos da conduta humana, impondo ao Maçom
um comportamento ético e, exigindo-lhe que mantenha sempre
uma postura compatível com um homem de bem.
Pelo exposto, o Maçom quer conhecimento, evolução,
fraternidade, justiça e liberdade. A elevação de Grau é uma
simples consequência desta incessante busca pelo
aperfeiçoamento da pedra bruta e não o objetivo. Estas são
apenas algumas virtudes maçônicas a serem lapidadas.
O egoísmo é a fonte de todos os vícios, assim como a
fraternidade é a fonte de todas as virtudes. Destruir um e
desenvolver o outro: esse deve ser o objetivo de todos os
Maçons. Sem ação nada pode ser feito.
“Quem é bom, é livre, ainda que seja escravo. Quem é mau, é
escravo, ainda que livre” - Santo Agostinho

20
Irmão Wellington Oliveira, M:.M:

21
OS SISTEMAS GRANDE ORIENTE E GRANDE LOJA

January 16, 2017

Mesmo após algum tempo de Maçonaria, muitos não têm


conhecimento mínimo e necessário para distinguir os sistemas
Grande Oriente e Grande Loja. Dessa forma, como sempre
primamos pelo nivelamento do conhecimento maçônico,
acreditamos ser de suma importância explicitar essa distinção,
sendo este o objetivo deste trabalho.

É interessante lembramos de que a expressão “GRANDE


ORIENTE” era o nome dado ao lugar em que se realizava as
convenções das Grandes Lojas de um país. Para alguns,
GRANDE ORIENTE é também sinônimo de Grande Loja, pois,
ambos os sistemas são um corpo maçônico superior, ou seja,
uma Potência Independente na qual congrega todas as Lojas
da Obediência a que se encontram filiadas.

22
Embora no Brasil o Grande Oriente tenha sido a única
organização maçônica superior durante mais de 100 anos, hoje
também convivemos com as Grandes Lojas, criadas desde
1927. Dessa forma, vale dizer que, no Brasil o Grande Oriente é
a denominação maçônica primogênita, datada de 1822.

Por tanto, no âmbito internacional, a Grande Loja Unida da


Inglaterra é quem detém a primazia de ser a Organização
Maçônica mais antiga, fundada em 1717, a qual estará
comemorando 300 anos em junho de 2017. Todavia, vale dizer
que, a expressão Grande Oriente surgiu por acaso, na França,
por volta de 1773, uma vez que no dia marcado para a
Instalação da Grande Loja Nacional de França, os participantes
resolveram que aquela instituição se chamaria Grande Oriente
de França, do qual o nosso Grande Oriente pegou emprestado
esse nome.

Desta forma, podemos dizer que, também foi por acaso que o
Grande Oriente se transformou em uma espécie de Governo
Maçônico Superior, cuja abrangência alcança todo território de
um país, bem como poderá possuir um ou mais Ritos.

Quando falamos de Grande Oriente, se faz necessário citar,


mesmo que “em-passant”, o Grande Oriente do Brasil, a maior

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Potência Maçônica da América Latina, fundada em 17 de Junho
de 1822.

Nesse sentido, vale lembrar que, o seu primeiro Grão-Mestre


foi José Bonifácio de Andrade e Silva, substituído por D. Pedro
I, em 04 de Outubro do mesmo ano.
Contudo, 21 dias após sua assunção, ou seja, no dia 25 do
mesmo mês, o Imperador suspendeu os trabalhos do Grande
Oriente do Brasil, o qual só retornou, com toda força e vigor,
em novembro de 1831, após sua abdicação, em favor de D.
Pedro II.

O Grande Oriente do Brasil além de abranger todo território


brasileiro, possui em atividade cerca de sete Ritos, como já
dissemos, sendo que o REAA possui o maior número de Lojas
Simbólicas e o maior número de Obreiros.

Portanto, quantitativamente, o Rito Escocês Antigo e Aceito é


o mais importante Rito praticado em nosso território.
Destacamos ainda que, o Grande Oriente do Brasil é uma
Federação formada pelos Grandes Orientes dos Estados, do
Distrito Federal e das Lojas Maçônicas Simbólicas, bem como
dos Triângulos. Em resumo, um Grande Oriente é uma
Organização Maçônica Superior denominada de Potência
Maçônica Simbólica, dotada de Soberania no território ou país
em que está inserido, ao qual as Instituições Maçônicas acima

24
mencionadas estão subordinadas.

Por sua vez, a denominação Grande Loja nos remete à Idade


Média, precisamente para a Alemanha, ainda no período da
Maçonaria Operativa, onde através das Lojas dos Talhadores
de Pedra teve início a sua criação, e foram se formando por
vários pontos daquele território.

Como as Lojas de então eram muito dispersas, constatou-se a


necessidade de aproximá-las e organizá-las, criando assim, um
Poder Central ou Loja Principal, evoluindo daí para Grande
Loja. Esta tinha, entre outras atribuições, o dever de julgar as
divergências entre os Talhadores de Pedra. Lembramos que,
até esse momento, a Maçonaria era considerada operativa.

Há de se destacar que, diferentemente dos dias de hoje, as


Grandes Lojas abrangiam um ou mais territórios ou países,
pois, ainda não tinha sido sistematizadas, o que só ocorreria
em 1717, com a fundação das Grandes Lojas Unidas da
Inglaterra.

Atualmente, restringindo-se apenas no que tange ao Brasil, a


abrangência das Grandes Lojas, quanto ao território, está
circunscrito em um estado. Como exemplo, podemos citar que

25
o Brasil possui uma Grande Loja Maçônica em cada Estado da
Federação com autonomia absoluta e que, uma vez reunidas,
são denominadas de Confederação Maçônica Simbólica
Brasileira (CMSB).

Ressaltamos ainda que, as Grandes Lojas foram, lá na sua


origem, os principais centros de maçons livres, os quais
exaltavam as obras de arquiteturas daquela época. Além disso,
organizavam e coordenavam suas várias relações
institucionais.

Apesar da longa caminhada e intensa atividade, somente a


partir de 1717, com a criação da Grande Loja Unida da
Inglaterra é que ela se transformou, efetivamente, em um
Corpo Superior, independente e soberano em relação às Lojas
Simbólicas.

Concluindo, ressaltamos que, não importa a qual dos dois


sistemas façamos parte, pois, o que de fato faz a diferença é a
nossa dedicação.

Assim, em tudo o que façamos que possamos empenhar-nos


em fazer o melhor, dedicando com amor nossos esforços em
prol do que acreditamos.

26
AILDO VIRGINIO CAROLINO Grão-Mestre Adjunto do GOB-RJ
e Presidente do CEO

27
POR QUE AS RELIGIÕES FALHARAM?

January 17, 2017

Não posso negar que a religiosidade teve e ainda tem um papel


social importante. As religiões estabeleceram padrões éticos
necessários à humanidade, criaram orientações para os
relacionamentos interpessoais bem sucedidos, e com o
desenvolvimento da consciência da dimensão espiritual da
humanidade, deu origem a sentimentos de conexão e de
admiração pelas maravilhas da criação, deu até um sentido de
propósito a existência e uma consciência da unidade do Ser
material e espiritual. A religião é manancial da esperança e da
confiança no futuro, e pode evitar ou suavizar o
comportamento desesperado.

No entanto, não podemos negar que a religião também deu


origem a um sentimento de superioridade e autojustiça, a

28
crença de que um povo, um grupo, um segmento da
humanidade tem uma ligação mais estreita com a Divindade do
que outros, a convicção de que alguns sabem precisamente a
vontade do Criador, que são os únicos que conhecem a
verdade - em suma, ao extremismo, ao preconceito, ao ódio e à
justificação da opressão e da violência em nome do próprio
Criador.

Nenhuma religião está isenta de tais excessos. É só estudar a


história da humanidade, que vamos encontrar a morte, a
tortura, a escravidão, etc., exercida por diversos povos, em
diferentes momentos dessa história, em nome de um Deus
Violento, Vingativo, Irado, Etnocentrista, que determina que o
“Seu Povo”, destrua, destroce, aniquile... outro povo.

Se esse é o deus das religiões... Então, eu quero renunciar à


religião.
Se 'religião' significa certeza absoluta de que uma pessoa sabe
o que Deus pretende, o que Deus quer da humanidade, em vez
da humildade de que não podemos compreender plenamente a
vontade divina, então eu não quero a religião.

Sempre entendi a religião como a tentativa humana de


alcançar a Divindade – mas, sem olvidar nossa incapacidade
de alcançar os desígnios Divinos, da nossa insignificância e
temporalidade do Ser, para ‘o que está além do tempo e do

29
espaço’, variáveis incognoscíveis para o Homem. Temos que
distinguir entre o Criador e o criado, o primeiro conhece e
compreende a mente humana, já os seres humanos são
incapazes de conhecer e compreender plenamente a vontade
Divina.

Nós, seres humanos, só podemos fazer o nosso melhor. Existe


uma Lei Natural de distingue o ‘Bem’ do ‘Mal’, não é
necessário nenhuma religião para mostrar ao Ser Esclarecido
essa diferença. Uma religião que faz a afirmação de que
decifrou totalmente a vontade divina não pode, a meu ver, mais
servir a sua função primária de infundir na humanidade a
humildade e nos ajudar a admirar a grandeza e a generosidade
de Deus em criar o universo e o homem.

Se 'religião' significa orgulho em si mesmo e de seu povo, em


oposição ao orgulho de ser uma boa pessoa, então eu não
quero a religião. Não há nada de errado em enaltecer o próprio
povo, mas há algo completamente falho em não aceitar que
todos os seres humanos são criados na mesma origem Divina.

Quando nos dizem para 'amar o próximo', isso implica que


devemos odiar alguém que não é nosso próximo? Quando nos
dizem para 'proteger o estranho', nossa proteção se estende
somente aos estranhos que se conformam com nossos
caminhos? Rejeito inteiramente qualquer ideia de que Deus

30
criou algumas pessoas mais dignas de amor e arrimo do que
outras.

Eu rejeito qualquer religião que diga possuir um vínculo


especial, uma aliança, que a sua ligação com Deus é a única
aliança verdadeira. Isso sugere que os sentimentos de Deus
são limitados, que ele só pode ter uma relação afetiva, que ele
só pode amar um povo, um grupo, os membros de uma
religião, o que é totalmente incompatível com a minha
concepção de Deus.

Se 'religião' significa amor etnocêntrico pela própria nação,


povo, grupo ou terra, em oposição ao amor por Deus e toda a
sua criação, então eu não quero a religião. Um discípulo
perguntou ao mestre porque o deus criou somente um
humano, Adão, em vez de povoar a terra com muitos seres
humanos. O mestre pensou um pouco e respondeu: “- se
alguém, algum dia lhe disser – ‘meus antepassados são
maiores que os seus’, você poderá responder – ‘todos temos o
mesmo ancestral’. Todos os seres humanos descendem de
Adão, que foi criado pelo próprio Deus”.

Se "religião" significa que há espaço para o ódio, antes que


haja espaço para a compaixão, então eu não quero a religião. A
religião pode legislar sobre o comportamento correto para
seus seguidores, pode impor aos seus fiéis os seus dogmas,

31
mas não pode querer impor seus dogmas e exigir daqueles
que não professam sua fé, os comportamentos de seus
membros.

Sempre esperei que as religiões que pregam compaixão,


perdão e amor, exercessem essas virtudes. Certamente essas
virtudes não se destinam apenas para aqueles que fazem parte
dessa religião. Porque então, não deveríamos destiná-las a
alguém que não faz parte dessa religião. Não posso aceitar que
em nome de Deus alguém queira impor pela força ou violência
sua crença. Imitar Deus significa amar e resguardar toda a
criação.

Mas o que devo fazer? Eu não pertenço a nenhuma religião.


Mas, eu acredito em Deus e o aceito como Criador e
Mantenedor do Universo! Então, posso renunciar à religião?
Eu não quero uma religião que contraponha minhas crenças
contra as dos outros e reivindique a posse única da Verdade.
Então, para mim, não seria possível definir nenhuma das que
conheço como minha "religião".

Procuro seguir as leis legais e morais, os rituais e as tradições


da minha sociedade e as tradições culturais que meus
antepassados me ensinaram, porque acredito que me ajudam a
desenvolver meus padrões éticos, minha concepção do que é
importante em minha vida, para o desenvolvimento do meu

32
‘self’ e de uma relação com o Transcendente.

Eu não faço as coisas porque são definidas pela ‘minha


religião’. Minhas decisões não estão separadas da minha
humanidade e da minha personalidade, e não tenho uma
religião para ser minha desculpa para os meus erros ou
acertos. Eu sou responsável por minhas escolhas. Quando, na
condição de Ser Humano, fui agraciado com o ‘livre arbítrio’,
foi para que pudesse racionalmente, de acordo com minha
consciência, tomar minhas decisões e deliberar minha vida.

Finalizando, o Criador é ‘Inefável’, você pode senti-lo, mas, é


incapaz de descrevê-lo... Somos limitados, pois somos
humanos, somos limitados pelo tempo e pelo espaço, como
podemos compreender Deus Eterno e Infinito? Confundimos
valores materiais com valores espirituais. A religião, na
tentativa de conformar o comportamento humano a valores
socialmente aceitáveis, criou o ‘Pecado’, e colocou como
vontade do Criador, o controle de comportamentos puramente
materiais.

Comportamentos sociais como sexo, relações de casais, etc.,


foram determinados pela religião, e para terem força sobre os
indivíduos foram apresentados como vontade divina! Só que
Deus não se envolve nessas coisas.

33
Mas, para aqueles que acreditam que para se salvar precisam
de uma "religião", não percam de vista o que é fé e que a
esperança é tudo. Não se deixem levar pela estrutura de poder,
onde os que estão no topo reivindicam o acesso único à
Verdade e a capacidade de absolver seus seguidores da
responsabilidade de seus erros, se obedecerem a eles
cegamente.

Deus está em tudo e em todos, para você conhecer Deus não


precisa de intermediários ou interlocutores, é só você senti-lo,
olhe a sua volta... Tudo que você vê e sente foi criado por
Deus... Até ‘você’! Porque então, ao invés de melhorar o
significado de ser um ‘Ser Criado Humano’, deixar que sua
relação com o Criador seja gerida por um indivíduo e não por
você mesmo? As versões de religião que abundam por ai, para
mim falharam e para muitos outros como eu.

Seja Você... Tome suas decisões, de acordo com sua


Consciência... Não deixe ninguém dizer como você tem que
viver... Viva como você decidir... Faça o que é Legal
Socialmente aceito e você achar Certo... E SEJA FELIZ!

Eduardo G. Souza.

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Ex-Grão Mestre do GOB-RJ, atual Secretário de Orientação
Ritualística do GOB

35
AS INSPIRADORAS COLUNAS BOOZ E JAKIM

January 22, 2017

Sinopse: Especulação a respeito da função das colunas Booz


e Jaquin com uso da física quântica.

O significado simbólico maçônico das duas colunas é


controverso e confuso se comparado ao que diz a bíblia
judaico-cristã, em I Reis 7:13-22. Em essência elas decoram e
demarca a entrada do templo, o portal do iniciado no caminho
da luz, do conhecimento gradativo de seu eu, de seu interior,
do seu templo, da sua espiritualidade.

Pesquisando diversos autores maçônicos respeitados, eles


também têm inúmeras explicações que conduzem a um

36
intrincado labirinto de justificativas aonde algumas delas são
baseadas em postulações herméticas ocas, tão vazias como o
próprio interior das colunas, inaceitáveis ao cético e filósofo
que adota o princípio heurístico da pesquisa científica que
concebe a natureza como máquina, que debita tudo à
matemática e casualidades estatísticas previsíveis.

Entretanto, esta visão mecanicista do século passado aos


poucos vai cedendo espaço a teoria da física quântica. A cada
instante, novos conceitos antigos desabam na presença de
novos conceitos e provas científicas que, da mesma forma em
que o mecanicismo derrubou velhas crendices místicas, este
mesmo mecanicismo é hoje criticado e tem seus conceitos
derrubados na edificação de novas conceituações científicas
da física quântica. Porque não reunir todo o conhecimento
antigo e o novo? As duas colunas não estariam colocadas à
vista dentro do templo maçônico exatamente para materializar
a possibilidade de novo salto do pensamento?

Se tomadas com o propósito de apenas representarem a porta


de entrada para o conhecimento, desconsideradas as
características que lhe desejam debitar os que defendem
interpretações místicas, alquímicas e mágicas, as colunas
nada mais são que a delimitação do lado externo e o interno do
templo. São construídas com metal nobre porque o portal
separa dois mundos, e é importante, de um lado o mundo
profano e do outro o templo, a representação de algo maior,

37
que o iniciado vai garimpar com suas bateias mentais dentro
de si mesmo.

Desconsiderando o que foi omitido em relação ao original


descrito pela bíblia judaico-cristã, para cada componente hoje
existente no símbolo que representam as colunas, inúmeras
são as explicações criadas pelas especulações dos livres
pensadores e nada disso deve configurar verdade absoluta,
final. Assim como a física quântica desbanca o mecanicismo e
este derrubou o misticismo.

Cada elemento da composição artística do símbolo está aberto


para estudos predominantemente teóricos do raciocínio
abstrato de cada maçom. Dar como terminada a sua função
especulativa é desrespeitar o símbolo e impor ditadura
dogmática. A cada maçom é dada a oportunidade de postular
suas próprias conjecturas sobre o significado de cada
componente das colunas que decoram a entrada do templo, o
seu próprio templo. Ademais, o obreiro é quem mais conhece
daquele corpo, daquele templo, pois o usa como receptáculo
de seu próprio sopro de vida.

Para lojas, como as do Rito Escocês Antigo e Aceito da


Grande loja do Paraná, onde as colunas Booz e Jaquin estão
locadas dentro do templo, no extremo ocidente, cerca de dois
metros da porta, onde existe este espaço, sua locação é

38
comumente confundida com as colunas norte e sul.

A interpretação mais usual da ação de ficar entre colunas é


considerada postar-se entre as colunas Booz e Jaquin, e isto é
uma interpretação incorreta. Ficar entre colunas é postar-se
entre as colunas norte e sul, entre irmãos, entre pessoas de
carne e ossos, sobre uma linha imaginária que une o altar do
primeiro vigilante com o do segundo vigilante e no local onde
cruza com o eixo longitudinal do templo.

A abrangência de encontrar-se entre as colunas norte e sul só


termina no primeiro degrau que separa oriente do ocidente. Ali
o obreiro tem a certeza que não será interrompido em sua
oratória e seus irmãos têm certeza que tudo o que for dito é a
verdade da ótica daquele que fala, pois uma mentira ali tem
graves consequências.

Estar locado entre colunas, entre irmãos, obriga o obreiro a


responder todas as perguntas que lhe forem dirigidas com
sinceridade, sem omissão, sem reserva mental.

A loja maçônica não é representação real, maquete, cópia fiel


do Templo de Jerusalém, e sim, representação simbólica de
alguns aspectos físicos daquele. Estarem às colunas Booz e

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Jaquin no átrio ou dentro do templo seria indiferente, não
fosse o propósito a que servem.

Na bíblia judaico-cristã elas são designadas como colunas


vestibulares, de vestíbulo, algo locado entre a rua e a entrada
do edifício, portanto, colocadas fora da edificação, ao lado das
portas, formando portal de acesso ao interior.

No templo real é assim, mas no simbólico isto não se aplica.


Se for para colocar rigidez neste raciocínio de fidedignidade
com o templo real, que se retirem de dentro da loja maçônica
as colunas zodiacais, a mobília, altares, balaustrada, pisos,
diferença de nível entre oriente e ocidente, decoração do teto,
sólio, enfim, tudo o que não existe no templo de Jerusalém;
podem ser levantadas especulações as mais diversas, mas o
lugar das colunas num templo maçônico é em seu interior.

Por questão de coerência com a bíblia judaico-cristã elas


poderiam ficar fora do templo, mas elas devem estar locadas
dentro do templo porque todos os objetos e elementos
decorativos em loja no Rito Escocês Antigo e Aceito têm
finalidade educacional.

40
Participam dinamicamente da metodologia para ensinar aos
obreiros as verdades necessárias para sua escalada na
construção de sociedade justa. Colocar as colunas Booz e
Jaquin fora de vista não faz sentido propedêutico na instrução
maçônica.

Considerando a utilização como instrumentos de trabalho, as


ferramentas devem estar à vista do estudante, do obreiro que
trabalha na pedra bruta. Principalmente se na parte oca das
colunas Booz e Jaquin estão guardadas outras ferramentas de
trabalho.

As colunas, todas as ferramentas e objetos utilizados têm


significado simbólico, são parte da lenda materializada como
método iniciático, propedêutico, introdução ao caminho que
cada maçom deve encetar para entender o que a filosofia da
Maçonaria deseja incutir em sua mente. As colunas fazem
parte da ficção inventada ao redor da vida de Hiram Abiff,
figura referenciada na bíblia judaico-cristã, cuja estória
constitui lenda dentro da Maçonaria.

É ficção, mas transmite conceitos profundos de moral e ética


até para pessoas sem formação escolar básica, que não têm
vivência com o abstrato. Esta limitação do trabalhador da
pedra com respeito ao abstrato é o que exige a presença física
das colunas dentro do templo. Com isto a Maçonaria transmite

41
conceitos filosóficos profundos para qualquer pessoa,
independente de sua formação intelectual.

É o princípio da igualdade em ação. É dentro do templo que o


maçom procura ser amigo da sabedoria, "phílos" + "Sophia",
filosofia que visa o desenvolvimento do filósofo especulador
simples e não o erudito ou homem de instrução vasta e
variada.

Ao maçom basta o conhecimento que propicie liberdade


independente de formação ou berço.

O resultado almejado é a geração de sociedade onde a


fraternidade, mesmo em presença de rusgas características
das relações interpessoais, é de fato praticada indistintamente
por todos os seus membros.

Um símbolo não observável é o mesmo que um ato de fé e


acreditar no inexistente; este não é o caso da Maçonaria que
rechaça dogmas com veemência. Reportar-se às colunas de
bronze Booz e Jaquin fora de vista são o mesmo que dizer: -
Acreditem, elas existem lá fora! - Ou ainda: - irmão aprendiz vá
lá fora buscar maço e cinzel para trabalhar na pedra bruta. -
Todas as ferramentas devem estar dentro do templo depois

42
que a loja estiver aberta. Ninguém sai ou entra no templo sem
uma razão muito forte depois que os trabalhos começaram.
Não é lógico o pedreiro adentrar a oficina sem suas
ferramentas.

Acreditar que as colunas existem lá fora tornaria a sua


existência em algo assemelhado aos dogmas que as religiões
impingem aos seus fiéis para forçá-los a aceitarem
postulações que não podem ser vistas, não tem lógica, ou
realmente são apenas lendas. A ordem maçônica usa lendas,
mas ela informa claramente, explicitamente, que tudo não
passa de ilustração, a materialização de ficção para fins
exclusivamente educacionais.

As colunas Booz e Jaquin são verdadeiras e físicas dentro da


loja e devem estar lá para objetivo que pode numa primeira
instancia fugir ao entendimento. Será que elas não têm outros
significados que simplesmente albergar as ferramentas e
suportar romãs e globos?

Todos os símbolos usados pela pedagogia da ritualística


maçônica devem ficar ao alcance da vista para permitirem sua
utilização material e propiciarem, a partir disto, a construção, a
concepção de pensamentos abstratos sem adentrar na seara
pantanosa dos dogmas; apresentar algo duvidoso como certo
e indiscutível, cuja verdade se espera que as pessoas aceitem

43
sem questionar.

No passado, quando não existia explicação para determinado


fenômeno, creditava-se este a influências misteriosas e
mágicas, o mesmo ocorre com um símbolo fora da vista em
qualquer era. Os homens são limitados por seus sensores e
em função de sua clausura no planeta Terra.

Na escola primária, na fase concreta dos métodos de ensino,


os conceitos abstratos são transmitidos via materialização, por
exemplo: como explicar o zero para uma criança? Colocam-se
dois objetos a vista e depois se subtrai estes da visão, ficando
o nada, definindo o vazio; gravando na mente o conceito de
zero.

Para usar um símbolo ele deve ser visto, ao menos numa


primeira instância; depois de firmado o conceito abstrato, o
cérebro se encarrega de completar o que fica invisível aos
olhos.
A ciência avança nas áreas da física quântica, cosmologia,
psicologia transpessoal e revela continuamente a existência e
ação de energias, verdades e realidades que colocam em
xeque crenças e ideias a respeito do Universo. É isto que a
Maçonaria visa com sua motivação à auto-educarão e o
despertar dos imensos potenciais que até o momento existem
apenas em resultado de experiências empíricas transmitidas

44
pelos sentidos.

Aos poucos, os maçons de formação mecanicista,


influenciados pelos místicos e sensitivos passam a entender
ou absorver o funcionamento destas energias, não como
mágica, mas com alicerce científico. Partindo da especulação
incutida pela física quântica especula-se em torno das
possibilidades de sentir e usar das energias que constituem o
Universo, ou Universos.

É a razão de manter as colunas Booz e Jaquin dentro do


templo, como modelo de dipolo energético de campos
elétricos, magnéticos e gravitacionais, ou quem sabe, portal
para outros Universos, talvez concentradores das energias da
cosmologia quântica de que o homem é feito.

É o mesmo que ensinar o conceito do zero para as crianças do


jardim da infância há necessidade de manter o modelo, o
inspirador de novos pensamentos até o instante em que o
mais cético venha a entender o que os outros irmãos sentem e
interpretam de forma empírica. Os exercícios especulativos
podem então inspirar novos modelos e, quem sabe, surjam
novas ciências e conhecimentos que projetem o homem ao
encontro de seu futuro.

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Ao passar pelas colunas Booz e Jaquin o obreiro entra na
oficina recheada de ferramentas de trabalho em direção à luz, a
sabedoria necessária para burilar a pedra bruta. Trabalha nele
próprio até obter uma linda e bem formada pedra cúbica
polida, isto é o resultado da polidez e educação maçônica que
honra o Grande Arquiteto do Universo e que toma seu lugar de
destaque na sociedade humana.

Por Charles Evaldo Boller

46
A IMPORTÂNCIA DO PADRINHO

January 24, 2017

Geralmente pedimos ou tomamos “bença” a nossos pais e


parentes mais próximos, ao acordar, na hora de dormir, e
alguns sempre que encontramos, a qualquer hora.
Aprendi que, às vezes, a melhor compreensão vem de uma
consulta ao dicionário. Pois bem, Benção é a ação de benzer
ou de abençoar, e Benzer, por definição é “tornar feliz, tornar
bendito”.

Existe uma classe a mais que nos abençoa, os Padrinhos, e


meu texto de hoje trata sobre:

47
A Importância do Padrinho
O Livro de São Lucas Cap.6, vers. 43-44 nos diz: “Porque não é
boa a árvore que dá frutos maus, nem má a árvore que dá bons
frutos”.

Inegavelmente, as árvores são conhecidas pelos seus frutos.

Sabemos que a Instituição fica, e os homens passam, mas hoje


gostaria de valorizar os homens desta casa, pois a renovação
dos quadros das Lojas se dá pela ação do Padrinho apresentar
candidatos.

E, antes que haja qualquer sindicância, é importante


lembrarmos que o primeiro estudo parte de quem apresenta
um candidato profano, pois ele (o Padrinho) empenha sua
credibilidade e respeito perante os demais Irmãos do Quadro.

Camino nos diz: “Onde o homem tentar refazer um traçado,


com o pretexto da existência de um livre-arbítrio, corre o risco
de provocar um desmoronamento da obra”. Usemos então
nossas lembranças: após o 1º Experto deixar o Neófito quando
este recebe a luz, cabe ao Padrinho a tarefa e
o compromisso de ser o seu ponto de apoio.

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A mim foi ensinado que a romã é o símbolo da união como
elemento para nosso sucesso, e a ausência do Padrinho em
loja, ou fora dela, desafia este símbolo, a não ser que o
iniciado seja adotado por outro Irmão, e este o incentive a
perseverar nos estudos e a meditar de forma dedicada, a ponto
de se tornar um bom obreiro, capaz então de indicar outros
bons candidatos, essenciais à perpetuação da nossa Sublime
Instituição.
Autor: Fabrício Iracy Simões
*Fabrício é Mestre Maçom, membro da ARLS Deus, Pátria e
Família, 154, do Oriente de Corinto, jurisdicionada à GLMMG.

49
A CULTURA NA MAÇONARIA

January 27, 2017

Sinopse: Influências das mais variadas origens na cultura


maçônica.
O Universo material foi criado pelo Grande Arquiteto do
Universo a partir do átomo, do quase nada, de uma maneira
magistral, assombrosa e até aterradora. Sua arquitetura
fundamenta-se numa diversificação tão rica, que leva o
entendimento humano à confusão ao ser confrontado com o
caos desta aparente desordem.

Num esforço de ordenar a sua perturbação, a criatura humana


passa a estabelecer referenciais, criar padrões, de tempo,
medida, sensibilidade e probabilidade. O resultado deste
trabalho, a faz movimentar-se no Universo, modificar e
transformar a obra original, gerando com isto o conhecimento,
criado a partir de pensamentos, modelos e referenciais; pois

50
nenhuma verdade lhe é revelada de imediato.

É apenas com o acumulo de conhecimentos, pelo uso da


razão, da intuição e do discurso que a realidade é entendida.
Na intuição intelectual, o critério é a evidência, é aquela ideia
clara, que se impõem por si só à mente.

Na intuição pragmática, é exigido o aporte de um resultado


prático. A intuição lógica exige coerência. Em tudo se busca
equilibrar razão e intuição, vivência e teoria, concreto e
abstrato. E para atingir a certeza da verdade, submete-se o
pensamento ao ceticismo, fundamentado na dúvida, na
observação e na consideração, ou ao dogmatismo, alicerçado
em princípio ou doutrina.

A ideia na teoria do conhecimento segue a linha do


racionalismo, que tudo submete à razão; ao empirismo, que
considera a ideia derivada da experiência sensorial; e do
criticismo que tenta equilibrar o racionalismo e o empirismo.

Em resumo: alguém é levado a divulgar uma ideia de forma


positiva e afirmativa a qual se denomina tese. Outra pessoa
interpela este pensamento, o absorve e critica, com base em
seu próprio referencial, e faz nova proposta, gera uma segunda

51
ideia, a antítese. Juntando estas duas ideias de forma
conciliadora e compositiva gera-se um terceiro pensamento,
que é diferente dos dois que lhe deram origem, obtendo-se a
síntese.

Se o processo for repetido diversas vezes, gera-se um infinito


número de ciclos de teses, antíteses e sínteses, que no fluxo
do tempo geraram todo o conhecimento que existe.
Longe da confusão para entender as modernas teorias da
complexidade, o antigo egípcio desenvolveu o método de
transmitir conhecimento através da figura.

Baseado na visualização do concreto, o observador desperta


para o aprendizado intuitivo intelectual. Mesmo que o aprendiz
seja de pouco ou nenhum preparo acadêmico, ele é conduzido
a um elevado grau de entendimento abstrato, em tema até
complexo, que faz despertar sua intuição sensível, intelectual e
inventiva.

Os pedagogos conhecem bem a técnica de transmitir


conhecimento por associar a ideia a uma imagem real, pois
auxilia na compreensão e na memorização, e ao transmitir a
informação assim, ela se atualiza automaticamente, haja vista
que fica alicerçada na evolução geral de cada geração que a
interpreta. Mesmo que a interpretação mude, o símbolo nunca
muda a ideia original, a sua representação gráfica, o invólucro

52
da ideia, acaba preservado ao longo do tempo.

E como a evolução do homem ocorre em diversos segmentos,


qualquer mudança afeta a maneira de como um símbolo é
interpretado. Esta é a importância de nunca alterar ou
modificar um símbolo na Maçonaria; por exemplo, trocar a
espada do guarda do templo, símbolo da honra, por um fuzil
AR-15; seria uma aberração. É a razão de a Maçonaria
manter-se sempre atual; mesmo sujeita ao vento da mudança,
ela está sempre atualizada porque os seus símbolos são
mantidos inalterados, mas as suas ideias não.

E por estranho que num primeiro instante pareça, mesmo que


considerada tradicionalista, ela é progressista. Tudo está
condicionado ao fato de sua simbologia a tornar insensível ao
impacto da dinâmica social, tornando-a elegível a projetar-se
num futuro bem distante, porque sua simbologia é a mesma,
mas a sua interpretação é dinâmica no tempo e adapta-se à
herança cultural de cada individuo e de cada segmento da
história.

Convém observar que entre dois símbolos usados pode estar


um século e até um milênio de transformação e adaptação
histórica, bem como grande espaço geográfico. E de nada
adianta tentar alcançar sua origem porque a transformação do
pensamento conectada com um símbolo muda

53
permanentemente, a cada instante, de pessoa para pessoa, de
cultura para cultura.
Assim como o átomo, a oficina maçônica que para no tempo
fica vazia. Se for dinâmica e operosa, reflete a luz do
conhecimento e produz pessoas de valor com sua metodologia
baseada em símbolos. A Maçonaria é uma escola de
conhecimento que ensina moral, ética, e desenvolve
qualidades sociais e espirituais.

É uma instituição que tem por objetivo tornar feliz a


humanidade pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes,
pela tolerância, pela igualdade e pelo respeito à autoridade e à
religião. Sua alegoria ensinada por símbolos leva o diligente
estudante a desenvolver e a elevar a consciência de seu dever
na sociedade e na família, constituindo a base da cultura que
enriquece sua mente.

Está assim equipado para conquistar respeito e admiração do


meio social em que está inserido, onde sua ação positiva o faz
progredir em sentido financeiro, político, moral, emocional,
material, espiritual, em todos os seus valores. E este
conhecimento o aperfeiçoa e motiva a tomar seu lugar na
sociedade humana para transformá-la em resultado de seu
trabalho.

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Seu diligente preparo o afasta da aviltante ignorância que tanto
prejudica a sociedade. Assim equipado, equilibrado, devotado,
generoso, livre, igual, praticando a virtude, reprimindo o vício,
auxiliando seu irmão, a quem está ligado por laços de amor
fraternal, contribuirá para a humanidade se tornar mais
pacífica, manterá o povo emancipado e progredirá em todos os
sentidos. O amor fraternal é a única possibilidade de solução
de todos os problemas da humanidade de forma cabal e é o
alicerce da Sublime Instituição.
A Maçonaria não gerou sua própria simbologia e neste sentido
tem muito pouco de autêntica. A maioria dos símbolos que usa
é copiada, absorvida de outras culturas, de outras linhas de
pensamentos e influências.

Observado de uma ótica isenta de mitos e ficções, quando se


afirma ser ela originária dos tempos em que se construiu o
templo em Jerusalém, isto não é verdade! Tudo não passa de
lenda para abrilhantar a sua mensagem composta de alegorias
e símbolos. Entretanto, na dinâmica do tempo, esta alegoria
veio a se estabelecer como verdade indiscutível, dogmática, e
sabe-se que, por princípio, a ordem maçônica não tem
dogmas.

É na sua flexibilidade que se baseia sua riqueza cultural. Se


não for elástica, tolerante, com certeza quebra, entra em
colapso. Ela não é formada por um grupo social que vive
isolado, ou que defende dogmas autônomos; ela é resultado

55
da massa da sociedade como um todo, daí sua capacidade de
penetração. E ao ser tolerante, admite toda linha de
pensamento que venha ao encontro da construção de homens
que submetem sua cognição e emoção à sua espiritualidade.

Mesmo que todos os símbolos por ela usados para interpretar


o Universo sejam originários de outras culturas, estes foram
introduzidos intencionalmente, com o objetivo de torná-la ágil,
elegante e adaptável na linha do tempo.
Podem-se citar algumas fontes principais de onde foi
importada a sua cultura:
A Alquimia, com seu caráter altamente místico, gerou farta
simbologia da qual a Maçonaria se apropriou. Mas a melhor
herança que a Ordem obteve desta ultrapassada ciência foi o
cultivo do amor fraterno, o "ouro potável" que nada mais é que
um coração que extravasa "amor". Foi uma ciência dedicada
principalmente a descobrir uma substância que transmutaria
os metais mais comuns em ouro e prata, e a encontrar um
meio de prolongar indefinidamente a vida humana. Foi a
predecessora da química.
A Arquitetura na Maçonaria é a sua arte básica e a grande
preocupação da Ordem é a construção do homem completo
em todas as suas dimensões: física, emocional e espiritual.
Por simbolizar o trabalho planejado, a semelhança de
aperfeiçoar o homem através de um trabalho constante e
digno, usa a energia do grupo para gerar homens mais fortes e
corretos.

56
Na construção destes homens melhorados sempre há algo
para fazer, refazer, realizar e aperfeiçoar, tudo no encontro de
sua própria felicidade. Fica evidente que na criação do homem
completo e livre tudo depende do esforço individual. Esta arte
é o resultado do trabalho do arquiteto e mesmo a construção
do Universo, da Terra, visões e sonhos possuem projetos e
definições baseadas na arquitetura.
Na Maçonaria o único uso que se faz da Astrologia, a ciência
dos astros, a antiga astronomia, é nas manifestações artísticas
das abóbadas celestes pintadas nos templos, onde aparecem
constelações de estrelas, o sol e a lua, para relaxar a mente e
influenciar aos maçons reunidos em seus trabalhos. Significa
também que o templo não tem teto, onde, para o Grande
Arquiteto do Universo tudo é revelado.
A Maçonaria tentou incluir o conhecimento esotérico hebreu
da Cabala em seu meio, porém, sem sucesso. É o ensino
judaico da tradição de Jeová. Seria o princípio de toda
expressão religiosa, porém, esta apenas serve para alguém
que conheça a língua hebraica onde existe uma relação
numérica entre o som de cada letra do alfabeto e um número.
Para os acidentais existe a Numerologia que pretende fazer
algo parecido.
O Cristianismo está filosoficamente ligado aos graus da
Maçonaria, em todos eles existem elementos que remetem aos
textos da bíblia judaico-cristã.
O Egito contribuiu com sua mitologia e religião com farta
simbologia para a Maçonaria, sendo também o berço das

57
primeiras sociedades Iniciaticas.
A Geometria é a ciência que provê boa parte de todo o
simbolismo da Maçonaria, associada à Arquitetura, arte
principal da Ordem. Parte da interpretação dos símbolos
geométricos estão ligados à Escola Pitagórica, numerologia,
alquimia e mestres construtores da idade média. O Grande
Arquiteto do Universo é considerado o Grande Geômetra.
Maçonicamente, o Hermetismo é apenas uma referencia
histórica à tradição primitiva dos alquimistas. Relaciona-se ao
estudo dos arcanos, vulgarmente conhecidos como as lâminas
do Tarô, onde está simbolizada toda a cosmogênese e
antropogênese da antiguidade. O Hermetismo foi uma
"doutrina" esotérica baseada na revelação mística da ciência,
ligada Hermes Trismegistos, antigo iniciado do Egito.
Mesmo sem relação com a Maçonaria, o Hinduísmo influi nela
com a manifestação da cultura hindu através da filosofia
brâmane e vedanta.
As lendas Maçônicas estão alicerçadas nas escrituras da bíblia
judaico-cristã e parte dos seus rituais estão ligados aos
princípios religiosos judaicos. O Judaísmo é à base do
desenvolvimento da religião cristã, e berço da Maçonaria. As
escrituras gregas, ou cristãs, estão profundamente ligadas às
escrituras hebraicas e à Tora.
Na Maçonaria a Numerologia é estudada em profundidade e
está bastante arraigada nos rituais. É a ciência que define o
valor dos números. Avalia o número em seu aspecto
qualitativo, mágico e filosófico. Pitágoras foi sua maior
expressão e é básica na aritmética e na Cabala.

58
Uma fraternidade às vezes confundida com a Maçonaria é o
Rosacrucianismo. Até possui relação com ela, pois o
Martinismo é a pratica da Maçonaria nos moldes daquela
organização. O que existe é a cultura Rosa Cruz assimilada em
alguns dos princípios esotéricos. É uma ordem secreta e
esotérica oriunda do intuito de cristianização dos mistérios
egípcios. Grande parte dos símbolos usados pela Ordem
maçônica é oriunda desta vertente.
A mais poderosa ordem em sentido militar, intelectual,
religioso e econômico do século XII foi a dos Templários. Sua
finalidade foi a de proteger os peregrinos que se dirigiam ao
santo sepulcro. A Maçonaria incorporou grande parte da
cultura, e enriqueceu a sua filosofia a partir das heranças
culturais deixadas pelos Cavalheiros. Existem especulações
que seriam os remanescentes desta Ordem a verdadeira raiz
da Maçonaria.
Existem também teorias de que algumas das tradições
maçônicas sejam originárias do Zoroastrismo, uma religião,
resultado da designação de todos os sucessores de
Zaratustra, o grande legislador persa e seu fundador.
Adicionalmente, podem-se listar as seguintes influências na
cultura da Maçonaria: Agnosticismo, Antropologia, Aritmética,
Arqueologia, Astronomia, Biologia, Chacras, Escultura,
Filosofia, Geografia, Gramática, Lógica, Logosofia, Matemática,
Mitologia, Música, Ontologia, Pintura, Poesia, Retórica,
Sociologia, Teologia, Teosofia, Vedas, e outras.

59
Muitas são influências da cultura maçônica, e mesmo tendo
acesso a tudo isto, é necessário que ao final, cada maçom se
torne bom, sábio e virtuoso, e para isto, cultura sozinha não é
suficiente. É necessário que o homem seja moldado
internamente.

E isto ele deve desejar ardentemente, deve ser seu principal


alvo, senão toda esta cultura é inútil, uma frustrante tentativa
de alcançar o vento na corrida. Ser bom até pode ser
característica da própria pessoa, ser virtuoso é o resultado de
uma disciplina enérgica, mas a sabedoria, esta exige, além de
cultura e conhecimento, colocar em prática tudo o que
aprendeu de forma inteligente e racional.
Bibliografia:
1. BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçônica, Segundo as
Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional, título original: La
Symbolique Maçonnique, tradução: Frederico Ozanam Pessoa
de Barros, ISBN 85-315-0625-5, primeira edição, Editora
Pensamento Cultrix Ltda., 400 páginas, São Paulo, 1979;
2. CAMINO, Rizzardo da, Dicionário Maçônico, ISBN
85-7374-251-8, primeira edição, Madras Editora Ltda., 413
páginas, São Paulo, 2001;
3. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de
Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua
História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 550
páginas, São Paulo, 1989;
4. PUSCH, Jaime, ABC do Aprendiz, segunda edição, 146
páginas, Tubarão Santa Catarina, 1982.

60
Data do texto: 02/09/2008
Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista
e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de
dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de
idade.
Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná
Local: Curitiba
Grau do Texto: Aprendiz Maçom
Área de Estudo: Filosofia, História, Maçonaria, Simbologia

61
A CORDA DE 81 NÓS, O SIMBOLISMO E A UNIÃO ENTRE
OS MAÇONS

January 30, 2017

O Dicionário de Termos Maçônicos nos diz que Corda de


Oitenta e Um Nós é a corda que circunda a Loja, que
simbolizam a União e a Fraternidade que deve existir entre
todos os maçons da face da Terra.

A Corda de 81 Nós é um dos ornamentos do templo maçônico,


em alguns ritos, e é encontrada no alto das paredes, junto ao
teto e acima das colunas zodiacais (no caso do REAA).

Sua origem mais remota parece estar nos antigos canteiros -


trabalhadores em cantaria, ou seja, no esquadrejamento da
pedra informe - medievais, que cercavam o seu local de
trabalho com estacas, às quais eram presos anéis de ferro,
que, por sua vez, ligavam-se, uns aos outros, através de elos,

62
havendo uma abertura apenas na entrada do local.

O nó central dessa corda deve estar acima do Trono (cadeira


do V.:M.:) e acima do dossel, se ele for baixo, ou abaixo dele e
acima do Delta, se o dossel for alto, tendo, de cada lado,
quarenta nós, que se estendem pelo Norte e pelo Sul; os
extremos da corda terminam, em ambos os lados da porta
ocidental de entrada, em duas borlas, representando a Justiça
(ou Equidade) e a Prudência (ou Moderação).

Embora existam cordas esculpidas nas paredes, em alto


relevo, o ideal é que ela seja natural - de sisal - com os nós
equidistantes em número de oitenta e um mesmo, coisa que
nem sempre acontece, na maioria dos templos, tirando o
simbolismo intrínseco da corda. E ela deve ter 81 nós, por três
razões:
1. O número 81 é o quadrado de 9, que, por sua vez, é o
quadrado de 3, número perfeito e de alto valor místico para
todas as antigas civilizações: três eram os filhos de Noé
(Gênese, 6-10), três os varões que apareceram a Abraão
(Gênese, 18-2), três os dias de jejum dos judeus desterrados
(Esther, 4-6), três as negações de Pedro (Matheus, 26-34), três
as virtudes teologais (I Coríntios, 13-13). Além disso, as tríades
divinas sempre existiram em todas as religiões: Shamash, Sin
e Ishtar, dos sumerianos; Osíris, Ísis e Hórus, dos antigos
egípcios; Brahma, Vishnu e Siva, dos hindus; Yang, Ying e
Tao, do taoismo, etc., além da Trindade cristã.

2. O número 40 (quarenta nós de cada lado, abstraindo-se o nó

63
central) é o número simbólico da penitência e da expectativa:
quarenta foram os dias que durou o dilúvio (Gênese, 7-4),
quarenta dias passou Moisés no monte Horeb, no Sinai
(Êxodo, 34-28), quarenta dias durou o jejum de Jesus
(Matheus, 4-2), quarenta dias Jesus esteve na Terra, depois da
ressurreição (Atos dos Apóstolos, 1-3).

3. O nó central representa o número um, a unidade indivisível,


o símbolo de Deus, princípio e fundamento do Universo; o
número um, desta maneira, é considerado um número
sagrado.
Embora alguns exegetas afirmem que a abertura da corda, em
torno da porta de entrada do templo, com a formação das
borlas, simboliza o fato de estar, a Maçonaria, sempre aberta
para acolher novos membros, novos candidatos que desejem
receber a Luz maçônica, a interpretação, segundo a maioria
dos pesquisadores, é que essa abertura significa que a Ordem
maçônica é dinâmica e progressista, estando, portanto,
sempre aberta às novas idéias, que possam contribuir para a
evolução do Homem e para o progresso racional da
humanidade, já que não pode ser maçom aquele que rejeita as
idéias novas, em benefício de um conservadorismo rançoso,
muitas vezes dogmático e, por isso mesmo, altamente
deletério.

Observamos ainda que o simbolismo e a utilização físicada


Corda é bem mais antigo, o Escritor Maçônico Irm.'. C.W
Leadbeater nos diz que na antiga Maçonaria no começo do
século dezoito se marcava no solo, com giz, os símbolos da

64
Ordem, e este diagrama era circundado por uma corda pesada,
ornamentada de borlas, e até hoje os franceses a descrevem
como sendo "uma corda com lindos nós, que rodeia o painel".

Esotericamente, a Corda de 81 Nós simboliza a união fraternal


e espiritual, que deve existir entre todos os maçons do mundo;
representa, também, a comunhão de idéias e de objetivos da
Maçonaria, os quais, evidentemente, devem ser os mesmos,
em qualquer parte do planeta, simbologia que todo maçom
deve ter em sua mente em toda circunstância de sua vida.

BIBLIOGRAFIA PESQUISADA
" O Rito Escocês Antigo e Aceito - História, Doutrina e Prática"
, José Castellani
"A Vida Oculta na Maçonaria", Charles Webster Leadbeater

António Dagoberto de Jesus Rios, A.'. M.'.


ARLS Fibra e Força Valentense, Valente - BA, Brasil.

65
A COROA

February 01, 2017

Quando o Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito passa ao


Grau de Mestre, todos os seus Irmãos, independente de Grau,
identificam-no por um sinal visível externo; é um Chapéu, que
simbolicamente representa uma coroa.

Esta coroa une o que está debaixo dela, o homem, com o que
está acima, o divino, servindo de limite entre quem a carrega
com sua componente transcendental. E através desta coroa
que o Mestre Maçom alcança decisões racionais que estão
muito acima da escravidão sensorial.

Esta conexão propicia capacidades que vão além do simples


pensar. Se persistir, for dedicado e estudar, este homem será
capaz de desenvolver potencialidades elevadas até então

66
desconhecidas para ele.

A coroa do Mestre Maçom sobre sua cabeça é um Chapéu de


feltro de abas moles e caídas, sem o qual ele não comparece
em Câmara do Meio.

Quando em Sessões de outros Graus é como se esta coroa ali


estivesse, pois dentro do Templo, em Loja constituída, é o
local onde ele desenvolve sua capacidade de discernimento e
visão equilibrada, objetivo de todo Maçom que escala a escada
de Jacó.

O chapéu faz de sua aparência uma pessoa eminente, um


Venerável Mestre, à semelhança do monge da Idade Média que
dirigia construções feitas em pedra. Por terminar em forma de
domo, o chapéu afirma uma soberania absoluta sobre si e
confirma que ele continua desenvolvendo em sua caminhada
de Aprendiz.

Ao elevar-se acima da cabeça, o Chapéu é insígnia de poder e


luz, significando conhecimento. Comparar o Chapéu a uma
coroa é dar a este o significado de uma capacidade
sobre-humana, transcendente. Este paramento simboliza a
obliteração do mundo material e concentra simbolicamente

67
capacidades na solução de problemas da humanidade, é o
persistir na tarefa de desbastar a Pedra Bruta.

A coroa é como uma antena que simbolicamente se conecta a


outra dimensão, uma potencialidade construída na mente. Em
sendo negro, sabe-se pelas leis da física que esta ausência de
cor absorve todos os comprimentos de onda do espectro da
luz visível e invisível aos olhos materiais. Isto permite
especular que até linhas de campos de força e outras
manifestações energéticas mais sutis podem ser atraídas por
esta coroa.

O chapéu do Mestre Maçom funciona assim qual antena que,


simbolicamente, o conecta com aquilo que lhe propicia o
sopro de vida e que o faz igual a todos os seres viventes da
biosfera. Ciente de sua relação com o resto das formas de
vida, em suas mais diversas constituições e aparências, o
Mestre Maçom se integra com a natureza e desenvolve o amor
fraterno para com os seus iguais, para com toda a vida
espalhada pelo Universo, inclusive com outras possíveis
biosferas de galáxias diversas da que abriga o Sol.

E importante estar desperto e consciente que o Chapéu do


Mestre Maçom é apenas um paramento, um artefato material,
um Símbolo; o que faz a diferença está debaixo do chapéu, a
cabeça, a capacidade intelectual do portador da coroa e o que

68
este intelecto constrói simbolicamente fora e acima do
Chapéu.

Ela constitui a recompensa justa da prova que o Maçom faz


ao longo da vida, por Edificar Templos à Virtude e Cavar
Masmorras ao Vício. Simboliza dignidade, poder, realeza,
acesso a um nível de forças superiores, sobrenaturais.

Exige-se esforço pessoal para superar, conhecer e mandar em


si próprio, pois é apenas sobre si mesmo que cada ser tem
poder absoluto, incontestável. O iluminado subjuga sua mente
e corpo e, para progredir, bate implacavelmente nas nódoas
que levam ao vício e degradação. Mesmo que sucumba diante
da tentação, o simbolismo do Chapéu o fará voltar para a linha
reta que conduz ao Oriente, em direção à luz, ao
conhecimento, à sabedoria.

O Chapéu representa o verdadeiro poder que está dentro de si,


a inclinação interna positiva, o coração que ama
fraternalmente, tudo em resultado da capacidade de pensar,
afiada constantemente por leitura, estudo e meditação.

O Mestre Maçom tem o ministério de ensinar Aprendizes,


Companheiros e outros Mestres Maçons. Aquele Mestre

69
Maçom que desta obrigação se esquiva não é merecedor da
coroa. O Irmão que se desenvolveu em sapiência, aprendeu na
prática que, ao ensinar outros, o seu próprio conhecimento
fixa-se mais, os conceitos e princípios morais que despertam
em sua mente agarram-se mais firmemente ao coração e à
memória.

Na sua missão de ensinar deve constantemente provocar,


instigar, distribuir os seus pensamentos em palavras e
participar de forma proativa, conciliadora e entusiasta de todos
os debates com temas com os quais a Maçonaria, nos diversos
Graus, o provoca.

Debaixo do Chapéu, o Mestre Maçom ouve atentamente as


peças de arquitetura, oratórias e discussões de temas com os
quais os Irmãos se presenteiam e provocam. É o Chapéu que o
freia prudentemente em todas as ocasiões em que fica
ordeiramente esperando os outros Irmãos falarem. E nestas
ocasiões que treina a arte de ouvir do líder. Debaixo do chapéu
ele fica concentrado, calado, ouvindo e anotando o que os
outros Irmãos dizem.

Depois ele analisa e absorve o que está ao seu alcance para


suprir seu autoconhecimento, monta estratégias e colabora
empaticamente no tema com seu parecer, postura e
comentário. E ao auxiliar a assembleia de Irmãos com a força

70
do seu pensamento, transmitido por sua capacidade de
oratória, além de ajudar aos outros, ele ajuda principalmente a
si próprio.

Servir no ensinar não é apenas mais uma razão para tornar-se


merecedor do prêmio, a coroa que está sobre sua cabeça, o
Símbolo do seu poder, é a principal razão de ele lecionar na
escola de conhecimento da Maçonaria. Não existe magia ou
mistério; é o servir e a presença constante no grupo que lhe dá
poderes que ele nunca imaginava existirem. E este é um poder
natural que ninguém usurpa.

O Chapéu representa uma estrutura educacional apoiada em


Três Pontos: racional, emocional e espiritual; um apóia o
outro, formando um tripé. E do equilíbrio propiciado pelo que
simboliza o Chapéu que desabrocha a pessoa completa. Esta
educação e o condicionamento elevam o portador do Chapéu à
realeza dos Iniciados nos diversos Graus do Rito Escocês
Antigo e Aceito, onde é livre para pensar e ajudar seus Irmãos
através de uma razão esclarecida.

E pelo estudo diligente, pelo treinamento dos sentidos, pela


convivência constante que ele atinge o ideal, e este lhe confere
realeza, da qual o Chapéu, apesar de sua aparência grosseira,
é o Símbolo mais expressivo. Debaixo do Chapéu é a maneira
mais nobre de viver o amor fraterno, a única ação capaz de

71
salvar a humanidade de um existir miserável. Debaixo do
Chapéu aflora a capacidade de ouvir, ensinar e treinar em Loja,
o que faz do Mestre Maçom um líder natural.

Primeiro é importante cuidar de si, porque quem não estiver


forte, como ajudará aos outros? Quem não se ama como
amará ao próximo? Na relação com outros e consigo mesmo
desenvolve a capacidade de tornar-se o amigo sincero e serve
ao Irmão no que deve ser feito e não no que aquele deseja; o
contrário seria escravidão. E servindo que aflora o líder. Amor
fraterno é ação, não sentimento.

O Mestre Maçom que desonra o Chapéu e trata seus Irmãos de


forma infame e autoritária, suas ações podem até estar
alicerçadas na lei escrita em papel, mas ele não é um líder
nato, é um tirano. O líder natural é semelhante ao poder que
tem uma mãe sobre seus filhos, ela não precisa impor sua
vontade e apenas faz o que deve ser feito para seus rebentos;
ela é o melhor exemplo do líder natural. A mãe que tem
necessidade de usar do chicote para dirigir sua casa já não
tem mais capacidade de liderança natural e exerce poder
despótico.

O Mestre Maçom que alcança este Grau de entendimento e


perfeição, em sua capacidade de liderança, tem no seu Chapéu
a representação simbólica do poder que ele exerce sobre a

72
comunidade.

Ele serve ao Irmão não porque aquele é Maçom e o juramento


o exige, mas porque ele próprio é Maçom e depende
igualmente dos confrades. O Chapéu representa a capacidade
de liderança, é o Símbolo da autoridade que não outorga poder
de comando sobre os outros, pois ele próprio fica sujeito a
Obediências que lhe são impostas. O Chapéu traduz a perfeita
igualdade que deve pairar entre seus pares.

Mas como falar em igualdade nos diversos Graus entre


pessoas desiguais? Todos são iguais quanto à essência, por
estarem providos do mesmo sopro de vida. Na Maçonaria,
quanto mais o Maçom cresce, mais ele se conscientiza que
deve servir aos que estão degraus mais baixos da simbólica
escada de Jacó.

E o exercício da humildade que lhe dá o devido valor, e é


transmitida pela rota, mole e disforme coroa, confeccionada a
partir de um tecido ordinário. Ela poderia muito bem ser
produzida em aço e cravejada de jóias preciosas, entretanto,
de que vale um bem material que pode ser subtraído pelo
ladrão ou destruído pela ferrugem? As preciosidades estão
debaixo do Chapéu, na forma de pensamentos e ações, valores
que ladrão algum deseja e apenas a morte destrói.

73
O Chapéu induz seu portador a naturalmente usar do dever de
governar de acordo com a necessidade da coletividade. O
Chapéu representa que seu usuário está fortalecido e não se
curva perante desmando, futilidade ou arbitrariedade. E o
Chapéu que impede aquele que o usa de transformar-se em
déspota. Isto é muito bem retratado quando em sua Loja o bom
Mestre Maçom ouve e serve aos outros. E o Chapéu que
inspira o propiciar dos meios de concentrar forças para
produzir os nobres e elevados anseios dos Irmãos do Quadro.

Longe de exercer a autoridade emanada do Chapéu de forma


cruenta, o humilde e prudente Mestre Maçom torna-se líder
natural. Ao obter poder servindo ao próximo, ele já é parte
da realeza que representa o seu Chapéu, e isto lhe dá a
distinção de participar da natureza celeste de seus dons sobre-
-humanos, transcendentes. E do Símbolo do Chapéu, do que
está debaixo deste, que provém a ação e a capacidade de
influenciar os outros a fazerem o que precisam fazer para se
tornarem felizes. E a ação do amor em benefício da
humanidade. E a ação de construir Templos à Virtude.

E a ação 4ª vivência do amor fraterno debaixo da orientação


dos eflúvios provenientes da coroa, do poder que emana do
Chapéu do Mestre Maçom servidor.

74
A sapiência é a busca das energias e coisas mais elevadas;
algo bem diferente de sabedoria. Enquanto a sabedoria pode
ser confundida com prudência, pois diz respeito apenas aos
assuntos materiais e de como o homem age, a sapiência é
muito mais importante. A Maçonaria trabalha a sabedoria que
leva à luz da sapiência. A filosofia maçônica é sapiente.

A Coluna da Sabedoria é a antena simbólica de onde emana


uma luz de modo que cada um que porta um reles chapéu
mole, cada um a sua maneira, desenvolve sua sapiência para
as coisas mais elevadas.

O Chapéu como paramento, Símbolo que o Mestre Maçom usa


qual coroa em câmara do meio, torna-o igual aos demais,
nivelando-o a todos os Irmãos Maçons espalhados pelo
Universo, para honra e à glória do Grande Arquiteto do
Universo, de onde todos recebem a luz da sapiência.

Autor: Charles Evaldo Boller


Fonte: Revista A Trolha

Bibliografia

75
BAYARD, Jean-Pierre. A Espiritualidade na Maçonaria: Da
Ordem Iniciática Tradicional às Obediências. Tradução: Julia
Vidili. I a ed. São Paulo: Madras, 2004; BENOÍT, Pierre; VAUX,
Roland de. A Bíblia de Jerusalém, título original: La Sainte
Bible, tradução: Samuel Martins Barbosa. I a ed. São Paulo:
Paulinas, 1973; BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica:
Segundo as Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional, título
original: La Symbolique Maçonnique. Tradução: Frederico
Ozanam Pessoa de Barros. I a ed. São Paulo: Pensamento
Cultrix, 1979; FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de. Dicionário
de Maçonaria: Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua
História. 4a ed. São Paulo: Pensamento Cultrix, 1989; HUNTER,
James C.. O Monge e o Executivo: Uma História Sobre a
Essência da Liderança, título original: The Servant, tradução:
Maria da Conceição Fornos de Magalhães. I a ed. Rio de
Janeiro: Sextante, 2004; PARANÁ, Grande Loja do. Ritual do
Grau de Mestre Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito. I a ed.
Grande Loja do Paraná. Curitiba, 2004.

76
A INSTRUMENTAÇÃO PARA A EVOLUÇÃO DO MAÇOM!
(2)

February 06, 2017

Praticamente, a grande maioria dos escritores maçons, em


algum momento de suas obras, dedicou importantes e
substanciais linhas, senão trabalhos e livros inteiros, a
discorrer sobre a importância da simbologia para a Maçonaria.

Torna-se praticamente impossível referir-se à Ordem


Maçônica, sem aludir aos símbolos que a representam e
àqueles utilizados no processo de repasse de sua doutrina e
ensinamentos. Cada vez que se analisa um símbolo referente à
Maçonaria, esta análise, por mais que seja baseada em outras
tantas já publicadas, será normalmente original.

77
A visão que se possui sobre um símbolo é, sempre, pessoal e
intransferível. São estas múltiplas visões que dão à Ordem
Maçônica o caráter dinâmico e de adaptação aos novos
tempos e as novas ideias que constantemente surgem.

Segundo Fernando Pessoa, em nota preliminar ao seu livro


“Mensagem”, o entendimento e a assimilação das mensagens
contidas em um símbolo dependem de cinco qualidades ou
condições consideradas básicas: Simpatia; Intuição;
Inteligência; Compreensão ou Discernimento; Graça ou
Revelação.

Na Maçonaria, a maior parte dos símbolos e metáforas que


são utilizados, provem da antiga atividade profissional e
corporativa dos pedreiros medievais.

Construtores que eram, principalmente de Igrejas, grandiosas


Catedrais, sólidos castelos e fortalezas, os pedreiros
medievais, corporativamente organizados, constituíam a
Maçonaria Operativa, que evoluiu para as Organizações
Maçônicas Simbólicas e Especulativas contemporâneas:
“Embora, não haja documentação que o comprove, deve-se
admitir que os Maçons Operativos, os franco-maçons, usavam
seus instrumentos de trabalho como símbolos de sua
profissão, pois, caso contrário, não se teria esse simbolismo
na Maçonaria Moderna.

78
A existência desse simbolismo é a mais evidente
demonstração de que houve (...), contatos diretos entre os
Maçons Modernos e os franco-maçons profissionais, e
demorados o suficiente para que essa transmissão se
consolidasse (...)” (PETERS, 2003) O escritor Ambrósio Peters,
coloca-nos, ainda, que aqueles que seriam os símbolos
principais e essenciais à existência da atual Maçonaria
Especulativa (Simbólica).

Cabe destacar, também, que são desses símbolos que os


Maçons, metaforicamente, retiram os princípios básicos e os
seus principais ensinamentos éticos e morais: “O trabalho dos
franco-maçons, limitava-se aos canteiros de obras e à
construção em si.

Os instrumentos que eles usavam eram o esquadro, o


compasso e a régua, para determinar a forma exata das pedras
a serem lavradas; o maço e o cinzel, para dar-lhes a forma
adequada; o nível e o prumo, para assentá- las com perfeição
nos lugares previstos na estrutura da obra.

Eram, portanto, três diferentes grupos de instrumentos, cada


qual representando uma etapa da obra (...)” (PETERS, 2003)
Podemos, com base no trabalho desenvolvido pelos pedreiros

79
medievais, concluir que existiam três diferentes grupos de
instrumentos operativos.

Cada um destes instrumentos estava ligado a uma das fases


da construção. Cada fase exigia do construtor um nível
diferente de conhecimento para a sua execução e finalização:
A medição ou especificação do tamanho e do formato das
pedras; O desbaste, adequação das formas e o polimento para
dar o acabamento adequado às pedras; A aplicação e o
assentamento das pedras na construção.

Estes conjuntos de instrumentos, que são necessários à


execução de cada etapa da obra, indicam na Ordem Maçônica,
simbolicamente, os diversos Graus que nela existem. Cada
Grau representa na Maçonaria, todo um conjunto de
conhecimentos que são necessários ao aperfeiçoamento e ao
crescimento moral e ético dos Maçons.

Uma das muitas certezas que a vida em sociedade e a


evolução do conhecimento humano nos deram, foi a de que
nem todos os homens assimilam de maneira semelhante às
mensagens da Simbologia Maçônica. Como se coloca em
alguns rituais: devemos pensar mais do que falamos.

80
A reflexão e a consequente meditação são essenciais à
compreensão da linguagem maçônica. O avanço pelos
diversos graus, portanto, não deve ser considerado pelo
tempo que está sendo empregado, não deve ser conduzidos
pela pressa.

O que deve ser levado em conta é o esforço individual e o


desprendimento pessoal de cada Maçom, conforme o seu
potencial e capacidades para poder galgar, com segurança e
sabedoria, os degraus da Escada de Jacó.

Roberto Bondarik

81
A CONDUTA DO MAÇOM

February 09, 2017

Qual o estado de ânimo do maçom ao chegar a Loja?

1º - Cumprimentar seus irmãos com alegria e ser amável ao


abraçar cada um, demonstrando a satisfação em participar
daquela reunião.
2º - Se necessário, ajudar na preparação da loja e aproveitar a
oportunidade para ensinar aos aprendizes os porquês de cada
objetivo e seu significado.
3º - Procurar cumprir e estimular os Irmãos para que a reunião
tenha início no horário previsto.
4º - Abandonar os problemas ditos "profanos" antes de entrar
na sala dos passos perdidos.

82
5º - Tudo o que for realizar, faça com amor e gratidão, pois
muitos desejariam estar participando e não podem.
Lembre-se: MAÇONARIA ALEGRE E CRIATIVA DEPENDE DE
VOCÊ (SABER-QUERER- OUSAR-CALAR)

Você pretende ir à Loja hoje?


1º - Sua participação será sempre mais positiva quando seus
pensamentos forem mais altruísticos.
2º - Participação positiva será daquele que, com poucas
palavras, conseguir contribuir muito para as grandes
realizações.
3º - Ao falar, passe pelo crivo das "peneiras", sejam sempre
objetivo e verdadeiro em seu propósito. Peneiras: 1) Verdade
2) Bondade 3) Altruísmo.
4º - Às vezes um irmão precisa ser ouvido; dê oportunidade a
ele para manifestar-se.
5º - Falar muito quase sempre cansa os ouvintes e pouco se
aproveita. Fale pouco para que todos possam absorver algo de
importante e útil que você tenha a proferir.

Entendendo meus irmãos.


1º - Eu não posso e não devo fazer julgamentos precipitados
daqueles que comigo convivem.
2º - Estamos todos na escola da vida aprendendo a
relacionar-nos uns com os outros, e o discernimento é
diferente de pessoa para pessoa.
3º - Quanta diversidade existe nas formações individuais.

83
Desejar que o meu Irmão pense como eu é negar a sua própria
liberdade. Caso deseje fazer proposta, primeiro converse com
o secretário da Loja e verificar se o assunto é pertinente ao
momento da Sessão.
4º - Temos a obrigação de orientar, ensinar, mas nunca impor
pontos de vista pessoais inerentes ao nosso modo de ver,
sentir e reagir.
5º - Não é por acaso que nos é sempre cobrada a tolerância.
Devo aprender a ser tolerante primeiro comigo mesmo e,
então, estende-la aos demais.

Dia de reunião! Você já sabe o que tem a fazer?


1º - Hoje é dia de reunião, vou dar uma lida no meu ritual para
não esquecer os detalhes!
2º - Mesmo que eu já saiba de cor o ritual, não devo
negligenciar meu cargo ou minha função em Loja.
3º - Se o irmão cometer alguma falha corrija: se possível, com
discrição, sem fazer disso motivo de chacota e gozação.
4º - Quando a cerimônia é desenvolvida por todos de forma
consciente e com amor, todo o ambiente reflete a atmosfera de
paz e tranqüilidade entre todos.
5º - O ritual deve ser cumprido em todos os seus detalhes.
Quando participado com boa vontade, tudo fica mais belo, sem
falhas, sem erros, proporcionando um bem estar geral.

Como devo me apresentar em loja?

84
1º - O templo é o lugar onde acontece a reunião dos Irmãos
imbuídos do desejo de evoluir e contribuir para a evolução dos
demais.
2º - Valorizar a reunião apresentar-se com sua melhor roupa,
ou seja: Despido de toda maldade, manter os pensamentos
nobres e altruísticos, valorizando cada Irmão e cumprindo com
todas as regras existentes.
3º - Traje limpo, com bom aspecto, revela a personalidade de
quem o usa e influenciará diretamente no relacionamento entre
os participantes daquela reunião. Tomemos cuidado, pois!
4º - Aquele que é fiel no pouco será fiel no muito, aquele que é
infiel no pequeno será igualmente infiel no grande. Cuidado
com os relapsos, eles não respeitam nem a si próprio!
5º - Bom seria que todos fossem responsáveis; cabe a cada
um de nós criticar construtivamente, visando sempre ao
progresso do Irmão imaturo cujo comportamento nos causa
constrangimento.

Elegância.
1º - Como é gratificante constatarmos a elegância de um
Irmão; verificar em seu comportamento a expressão de uma
educação fina e irrepreensível.
2º - É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres
e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado
diante de uma gentileza.
3º - A elegância deve nos acompanhar desde o acordar até a
hora de dormir; devemos manifestá-la sempre, nos mais
simples relacionamentos, onde não existam fotógrafos nem

85
câmeras de televisão.
4º - Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que
desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é
quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não
recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando
para só depois mandar dizer se atende.
5º - Se os amigos, os Irmãos, não merecem certa cordialidade,
os inimigos é que não irão desfrutá-la. Educação enferruja por
falta de uso. E, detalhe, não é frescura. É A

ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO. .

O Iniciado
1º - Quando vossos olhos se abriram para a verdadeira luz,
uma infinidade de objetos, novos para o vosso entendimento,
atraiu a vossa atenção.
2º - As diversas circunstâncias que rodearam a vossa
recepção, as provas a que fostes submetidos, as viagens que
vos fizeram efetuar e os adornos do templo em que vos
encontraste tudo isso reunido deveria ter excitado a vossa
curiosidade, e para satisfazê-la não há outro caminho senão o
da busca do conhecimento e da verdade.
3º - A maçonaria, cuja origem se perde na noite dos tempos,
teve sempre por especial escopo agremiar todos os homens
de boa vontade que, convencidos da necessidade de render
sincero culto à virtude, procuram os meios de propagar o que
a doce e sã moral nos ensina.

86
4º - Como esses homens desejam trabalhar nessa obra
meritória com toda tranqüilidade, calma e recolhimento,
reúnem-se para isso nos Templos Maçônicos.
5º - Os verdadeiros Maçons trazem constantemente na sua
memória não somente as formas gráficas dos símbolos
maçônicos, como, e muito principalmente, as grandes
verdades morais e científicas que os mesmos representam.
Sejamos então todos verdadeiros.

Livre e de bons costumes.


1º - Para que um candidato seja admitido à iniciação, a
maçonaria exige que ele seja "livre e de bons costumes".
2º - Existindo os servos, durante a idade média, todas as
corporações exigiam que o candidato a Aprendiz para
qualquer ofício tivesse nascido livre", visto que, como servo
ou escravo, ele não era dono de si mesmo.
3º - De bons costumes por ter orientado sua vida para aquilo
que é mais justo, mais elevado e perfeito.
4º - Essas duas condições tornam o homem qualificado para
ser maçom e com reais possibilidades de desenvolver- se a fim
de tornar-se um ser perfeito.
5º - Verdadeiro Maçom é: "Livre dos preconceitos e dos erros,
dos vícios e das paixões que embrutecem o homem e fazem
dele um escravo da fatalidade.

O que não devo esquecer.

87
1º - A maçonaria combate a ignorância, de todas as formas
com que se apresenta.
2º - Devo cultivar o hábito da leitura para enriquecer em
conhecimento, ajudar de forma consciente todos aqueles que
estão a minha volta.
3º - Estar atento e lembrar sempre a meus irmãos que um
maçom tem de ter uma apresentação moral, cívica, social e
familiar sem falhas ou deslize de qualquer espécie.
4º - Não esquecer: as palavras comovem, mas os exemplos
arrastam! Tenho como Maçom que sou, de servir sempre de
exemplo, em qualquer meio que estiver.
5º - Lutar pelo princípio da eqüidade, dando a cada um, o que
for justo, de acordo com a sua capacidade, suas obras e seus
méritos.

O tronco de beneficência.
1º - Possui várias denominações, como: Tronco de
solidariedade, de Beneficência, dos Pobres, da Viúva, etc.
2º - A segunda bolsa é conduzida pelo Hospitaleiro, que
também faz o giro, obedecendo à hierarquia funcional; oferece
a bolsa aos Irmãos sem olhar para a mão que coloca o óbolo.
3º - Contribuir financeiramente para a beneficência é um dos
deveres mais sérios de todo maçom, uma vez que, junto com o
seu óbolo, lança os "fluidos espirituais" que o acompanham,
dando afinal muito mais que os simples valores materiais.
4º - "Mais bem aventurado é o que dá, do que o que recebe", é
um preceito bíblico que deve estar sempre em nossa mente.
5º - Quando colocamos o nosso óbolo, devemos visualizar o

88
destinatário, enviando-lhe nosso carinho e votos de
prosperidade.

Simples, não? Por que alguns complicam tanto a nossa


Sublime Instituição? Caso algum Ir. '. tenha a resposta, envie
por e-mail!
TFA

Postado por Ir.'. Humberto Siqueira Cardea

89
A ORDEM MAÇÔNICA

February 12, 2017

Há dificuldades para se desvendar as origens da Ordem


Maçônica. O calendário maçônico faz remontar suas origens
ao próprio Adão; por isso, acrescenta à data da era cristão
mais 4 mil anos, que seria a idade do mundo antes de Cristo.
Desse modo, estamos no ano de 6017 (2017).

Outras origens são ou certamente lendárias, como a


vinculação com a Ordem dos Templários, ou pelo menos,
secundárias, como a ligação com a Rosa-Cruz. Em 1723, um
novo Livro das Constituições, estabelecido por ordem da
Grande Loja da Inglaterra pelo pastor Anderson, foi adotado e
constitui desde então a carta magna maçônica, modificada em

90
1738.

As Constituições de Anderson são simples. Declaram que um


maçom é obrigado, por sua natureza, a obedecer à moral e que
não poderá nunca ser um ateu estúpido nem um libertino
anti-religioso. Acrescenta mais que, se no passado os
maçons estavam sujeitos em cada país à obrigação de
praticar a religião de seu país, agora se considera mais
conveniente não lhes impor nenhuma religião.

Enfim, especifica-se que o maçom deve ser um “pacífico


súdito dos poderes civis”. Da maçonaria operativa (pedreiros)
as Lojas conservaram a linguagem dos ritos e dos símbolos.

Na França, formaram-se Lojas sob a obediência da Grande


Loja da Inglaterra. As primeiras datariam de 1725. Em 1737,
Ramsay, escocês naturalizado francês, escreveu o célebre
livro “Discours du chevalier”, onde tratava da maçonaria da
França e expunha o que denominava as virtudes maçônicas: a
humanidade, uma sadia moral, manter o segredo, ter o gosto
pelas ciências úteis e pelas artes liberais.

Acrescentava o ideal remoto de uma República universal, pela


maçonaria. Eis o primeiro esforço de unidade realizado sem a

91
cooperação inglesa. As Lojas maçônicas reuniram-se para
instituir um grão-mestre, que foi o duque d’Antin (1738). No
resto do século XVIII, a maçonaria desenvolveu-se com incrível
rapidez na França, nas outras nações da Europa e nas
Américas.

Todas essas organizações pareciam proceder de um mesmo


espírito, mas não tiveram relações muito estreitas. As Lojas
maçônicas criaram dignidades novas, os Altos Graus. Entre os
maçons operativos (pedreiros) havia apenas 3 graus: aprendiz,
companheiro e mestre. Algumas Lojas, como as Loja azuis,
também conservam apenas esses graus.

Além dos três graus, a maçonaria anglo-saxônica reconhece


ainda graus secundários. Outros ritos têm os chamados graus
superiores. Os Altos Graus constituíram uma espécie de
maçonaria aristocrática, ao serviço das pessoas distintas da
Corte e da Cidade. Tais graus, traduzidos por títulos
pitorescos, perpetuaram-se até nossos dias. Para mediar a
anarquia nos agrupamentos maçônicos franceses, a Grande
Loja, cedeu lugar, em 1773, ao Grande Oriente, que perdura até
hoje.

Apesar disso, não se logrou realizar a unidade, visto que a


maçonaria escocesa preservou sua existência distinta. Idéias
principais que caracterizam o substrato do espírito maçônico:

92
Fidelidade à existência de Deus. De um Deus bastante incerto,
o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO que não é
necessariamente o Criador.

A maçonaria não assume como finalidade a fraternidade e a


solidariedade humana. Professa a filantropia. Pode-se
atribuir-lhe uma espécie de filosofia moral, que consiste em
reconhecer a legitimidade dos apetites humanos, mas com a
obrigação de satisfazê-los com ordem, medida e método.

A ideia da tolerância lhe advém de uma tendência acentuada


ao sincretismo. A maçonaria crê na bondade natural do
homem, no progresso humano indefinido. Pretende ser o guia
da humanidade a caminho para uma harmonia universal.

No século XVIII, os chefes aparentes da maçonaria eram


grandes senhores próximos do trono. Os nobres exerciam o
papel de atração. Membros do clero (secular e regular) eram
numerosos. Havia até mesmo bispos maçons. Ainda não se
estudou o que aconteceu com os frades maçons durante o
período revolucionário.

A maçonaria declarava-se fiel à monarquia. Alguns maçons,


como José de Maistre, que foi monarquista, viam na

93
organização um instrumento de conciliação, segundo a idéia
de Ramsay, que queria reconduzir o ímpio ao deísmo e à fé.

Geralmente se afirma que a maçonaria em nada contribuiu


para o nascimento das idéias filosóficas, que se
desenvolveram quando a organização ainda não existia.
Assim, parece que a filosofia foi somente um dos meios de sua
difusão e de sua aceitação. O espírito que a inspirou parece ter
sido de numerosos maçons. Essa era, aliás, a lógica de uma
instituição sem Credo pessoal e que refletia o espírito de seu
tempo e o servia.

A primeira notícia certa acerca da maçonaria propriamente dita


no Brasil data do manifesto, de 1823, fornecido por José
Bonifácio, dirigido aos maçons do todo o mundo, dando conta
de que fora instalada a primeira loja, em 1801, com o título de
“Reunião”, filiada ao Grande Oriente da França e adotado o
Rito Moderno ou Francês. No ano seguinte, em 1802,
encontramos na Bahia a loja “Virtude e Razão”, funcionando
no mesmo Rito Francês. Portanto, podemos dizer que a
maçonaria brasileira é filha da maçonaria francesa.

Da França veio o Rito Moderno com que o Grande Oriente


atingiu a maioridade. Quando o Grande Oriente de Portugal
soube da existência, no Brasil, de uma loja regular e obediente
ao Oriente Francês enviou, em 1804, um delegado, a fim de

94
garantir a adesão e a fidelidade dos maçons brasileiros. Mas o
delegado não foi feliz no modo com que queria impor suas
pretensões.

Com a fundação da loja “Comércio e Artes”, em 1815, no Rio,


iniciou-se uma era mais sólida para a maçonaria brasileira.
Esta loja existe até os nossos dias, mas só conseguiu
firmar-se definitivamente em 1821. Com efeito, em 1818, D.
João VI proibiu “quaisquer sociedades secretas, de qualquer
denominação”. Mas a campanha da Independência do Brasil
preservou a existência da Loja “Comércio e Artes”.

Durante o Segundo Império, teve a maçonaria grande prestígio


e influência, inclusive e principalmente na política, pois
contava entre seus membros altas personalidades na
atualidade à maçonaria brasileira, quer queiramos ou não,
embora muito grande tanto em quantidade e qualidade, não
tem a força, a importância e nem a influência que teve no
Império e no começo da República.

É fácil se dar bem com pessoas iguais a nós, com as mesmas


crenças e culturas semelhantes. Mas é só quando temos
contato com pessoas diferentes é que realmente colocamos à
prova a nossa capacidade de aceitação humana.

95
A humanidade, em toda a sua história, está acostumada a
julgar e matar quem é diferente, porque é mais fácil exterminar
o desconhecido do que tentar aprender com ele.
A/D

96
WHATSAPP E A MAÇONARIA

February 15, 2017

A perpetuidade da Maçonaria se funda justamente na


manutenção de nossas tradições, sem nos tornamos arcaicos.
Arcaico, aqui, se refere ao antiquado, obsoleto e não ao
tradicionalismo: do latim traditio, que é “passar adiante” ou
“entregar” algo.
No compartilhamento das instruções, transmitimos os valores
morais e éticos contidos nos símbolos, gestos e marchas.
Através da ritualística e por meio do conteúdo da lenda e do
respeito à hierarquia, buscamos o sentido da formação do Ser.
Tudo o que é novo causa algum tipo de atrito entre o “antigo”
e o “moderno”. Assim foi quando os balaústres começaram a
ser gravados, já que prometemos nada grafar. Hoje, não há
conflitos quanto ao uso de computadores para a lavratura.
Mas, já ocorreram embates quanto à substituição do Livro de
Atas lavrado à caneta, na reunião pela folha impressa numa
“profana impressora” (já que ela estaria fora do Templo) em

97
data posterior a reunião. O que dizer, então, da luz elétrica, da
harmonização feita por pen drive em micro system e dos
aparelhos de ar condicionado?
O PROBLEMA DAS “MODERNIDADES” NÃO ESTÁ NO USO,
MAS NO MAU USO.
O aplicativo WhatsApp, esta fantástica ferramenta de
comunicação, aproximação e estreitamento de laços tem,
frequentemente, provocado exatamente o contrário. WhatsApp
vem da expressão em inglês “What’s up?” substituindo o “up”
por app, de “application program”. Se traduzido para o
português a expressão tem significa: - E aí? - O que esta
acontecendo? - Qual é o problema? O aplicativo tem este
nome justamente para que possamos compreender sua
missão.
A plataforma destina-se a mensagens rápidas, objetivas e
direcionadas. Sejamos sinceros: O que temos praticado são,
na maioria das vezes, desvirtuamentos. Nos grupos criados
sob o tema “Filosofia”, vemos Irmãos postando imagens e
textos sobre futebol; grupos de Lojas Maçônicas com cenas de
nudez, grupos de Hospitalaria onde o assunto predominante é
política partidária.
Algumas reflexões: Se você acorda cedo, parabéns! Mas, é
realmente necessário enviar um mero “Bom dia”, às 5, 6, 7
horas da manhã, para todos os 20 grupos que você e a maioria
de seus Irmãos fazem parte? Doação de sangue para um
moribundo, córneas sobrando, 500 cadeiras de rodas para
doação, vagas de empregos em multinacionais, sequestrados,
perdidos e abandonados em hospitais etc., essas mensagens
devem ser multiplicadas somente se confirmada a veracidade

98
da informação.
Seja criativo. Crie sua própria mensagem. O simples
“copiar/colar” e enviar para todos os grupos, só serve para
encher a memória dos celulares. Se você recebeu aquela
“linda mensagem” provavelmente todos nós já a recebemos.
Entre nós Maçons, imagens e filmes de violência, agregam
alguma coisa? Mensagens de WhatsApp são como flechas.
Depois de lançadas, não tem como pará-las. Na maioria das
vezes, os Irmãos miram um alvo e acertam outros. No calor e
na intempestividade de se manifestar, magoamos, afastamos e
destruímos fraternas relações.
A MODERNIDADE SERÁ SEMPRE O PRÓXIMO PASSO.
MANTENHA SEUS SENTIDOS EM ALERTA, A MENTE ABERTA
E O CORAÇÃO PURO. TEMOS A OBRIGAÇÃO DE USAR
TODAS AS FERRAMENTAS A NÓS APRESENTADAS APENAS
E EXCLUSIVAMENTE PARA EDIFICAR, SEJA AGENTE
MODIFICADOR DAS VIBRAÇÕES DOS SEUS GRUPOS PARA
QUE HAJA JUSTIÇA E PERFEIÇÃO.
Este artigo foi inspirado no livro “CAIBALION – OS SETE
PRINCÍPIOS HERMÉTICOS” que na página 29 há o estudo do
Princípio da Vibração: “Nada está parado; tudo se move, tudo
vibra” Neste décimo primeiro ano de compartilhamento de
instruções maçônicas mantemos a intenção primaz de
fomentar os Irmãos a desenvolverem o tema tratado e
apresentarem Prancha de Arquitetura, enriquecendo o
Quarto-de-Hora-de-Estudos das Lojas.
Precisamos incentivar os Obreiros da Arte Real ao salutar
hábito da leitura como ferramenta de enlevo cultural, moral,
ético e de formação maçônico.

99
Fraternalmente
Sérgio Quirino – Grande Segundo Vigilante – GLMMG

100
A ORIGEM DA PALAVRA LOJA

February 18, 2017

A LOJA - Ao se fazer o resgate histórico verifica-se que o


termo Loja Maçônica tem origem comum com o termo Loja
Comercial. Para Castellani, entre muitos Maçons influenciados
por obras pouco fidedignas, a palavra Loja para designar uma
corporação maçônica, seria originária da palavra sânscrita
“LOKA”. Mas a palavra “LOKA” significa espaço, lugar, tempo,
como o “LOCUS” do latim, portanto, seu significado não
corresponde exatamente ao significado do termo Loja
Maçônica.

A origem correta da palavra loja está nas “Guildas Medievais”.


Entre as corporações de artesãos medievais (hoje denominada
Maçonaria Operativa), destacam-se as Guildas, características

101
dos germânicos e anglo-saxões e que começaram a florescer
no século XII.

Antes dessa data, elas eram entidades simplesmente


religiosas e não formavam corpos profissionais. Existiam dois
tipos de Guildas: Guildas de Mercadores e Guildas de
Artesãos.

As Guildas de Mercadores adotaram palavra Loja para


designar seus locais de depósitos, ou de vendas, ou seja, onde
os produtos manufaturados eram armazenados e negociados.
Portanto, deram origem às casas comerciais de
comercialização de produtos, que correspondem às lojas
comerciais atualmente.

As Guildas Artesanais, ou seja, as oficinas de mestres


artesãos passaram a se chamar loja e estas deram origem ao
termo Loja Maçônica, que designa as corporações maçônicas,
que operam em Templos Maçônicos.

O primeiro documento maçônico (da Maçonaria de Ofício) em


que aparece a palavra Loja, data do ano de 1292 e era de uma
Guilda.

102
O TEMPLO Em relação à origem dos templos constata-se que,
inicialmente, no período da Maçonaria Operativa, ao lado das
grandes construções, era erguido um alpendre destinado a
vários usos.

Durante o Inverno, nele executavam atividades os


trabalhadores de pedras, os antigos Maçons operativos,
preparando materiais para serem utilizados nas construções,
quando reiniciados os trabalhos de edificação na Primavera.

Nesses locais permaneciam também os Companheiros em


trânsito, que se deslocavam entre cidades para aperfeiçoarem
seu ofício, aprendendo novos métodos e novas invenções.

Nesses ambientes também ficavam expostos os planos,


discutidos os detalhes da construção, distribuídas as tarefas,
portanto tornando-se um local sagrado, como a própria arte de
construir é desde os tempos imemoráveis considerados uma
“arte sagrada”. (Garcia).

Para Varoli Filho, o Templo Maçônico material, como os atuais,


com diferenças de cada Rito, foi criação tardia da Maçonaria

103
Especulativa.

Começou a ser imaginado nas últimas décadas do Século XIII e


em parte se realizou em compartimento, destinado a reuniões
de Lojas, do “Freemasons Hall”, pela primeira vez inaugurado
em Londres em maio de 1776. Em 1778, o Grande Oriente da
França passou a proibir o funcionamento de Lojas fora de
edifícios ou Templos Maçônicos.

Até então as Lojas funcionavam em recintos adaptados,


bastando-lhes a tela de Símbolos colocada no chão ou sobre
qualquer mesa retangular.

Ainda havia os que desenhavam os Símbolos no chão, com


giz, carvão, ou sobre prancha retangular de areia seca –
prática herdada dos Maçons ingleses.

Os desenhos eram desfeitos ao se fechar a Loja. Dos


retângulos simbólicos vieram os Painéis de cada Grau, bem
como o trajeto de enquadrar a Loja, dos Ritos que ainda o
conservam.

104
Inicialmente, a entrada dos Templos Maçônicos era pelo
Oriente, como nos Templos do antigo Egito e no próprio
Templo de Salomão evoluiu para entrada pelo Ocidente como
nas Igrejas Cristãs.

A reunião em lugar oculto sempre foi tradição, mesmo em


Lojas que se reuniam no alto de colinas, na profundidade dos
vales, ou em campos abertos (“Field lodges”). Maçons de
Aberdeen, na Escócia, autorizados pela principal, praticavam
Iniciações sob uma tenda erguida no alto da Cunnigar Hill, o
dominante sobre a baía de Nigg, mas, em 1670, a Loja-mãe ou
principal de Aberdeen proibiu, por seu estatuto, as reuniões
como eram feitas, e soem caso de mau tampo permitia
Sessões em edifícios de onde ninguém visse ou ouvisse
(Varoli Filho).

O Templo Maçônico representa o mundo e a Loja Maçônica a


humanidade. A Loja se constitui quando seus membros se
reúnem em um Templo e, ao final de cada Sessão, a Loja é
considerada fechada, mas o Templo continua aberto, inclusive
para outras Lojas Maçônicas operarem.

A LOJA E O TEMPLO
Templo e Loja são expressões que se confundem em vários
Ritos, cujas constituições virtuais não falam de Templo e só
mencionam Loja – reunião regular de Maçons em lugares

105
ocultos. Bouliet apud Aslan, diz que a palavra Loja tem origem
no antigo alemão “Loubja”, que significa cabana feita de
folhagem; entretanto, os ingleses a fazem derivar do vocábulo
anglo-normando “Lodge”, que tem o significa do de habitação
ou alojamento.

As duas origens etimológicas se complementam e transforma


no vocábulo para o inglês “Lodge” com o sentido de reunião
maçônica que hoje lhe é dado. Varoli Filho deixa bem
caracterizado que as Lojas ao longo de sua evolução
funcionaram em Templos provisórios, evoluindo para os
Templos com as características atuais, que são parlamentos
onde funcionam as Lojas.

Para Aslan, uma Loja é uma assembleia ou sociedade de


Maçons, devidamente organizada e cada irmão que pertence a
uma estará sujeito aos seus estatutos e regulamentos.

Boucher apud Aslan, afirma que nas reuniões de Maçons dos


vários graus são denominadas Lojas ou Oficinas e que este
último nome lhe é dado como lembrança das primeiras
reuniões de Maçons operativos.

106
Para Garcia, a Loja Maçônica é a base de todas as
organizações maçônicas e simbolicamente é uma redução da
humanidade e funciona em um Templo que retrata uma
redução do universo, criado pelo Grande Arquiteto do
Universo, em cujas dimensões universais o homem se fixa
para dominá-lo e ampliar seus conhecimentos, associando
cada utensílio usado, aqui onde qualifica na razão e na moral
que deve ser absorvida pelo homem no seu interior, só assim é
que pode entender e se desvencilhar das coisas que o aviltam.

CONCLUSÕES
Verifica-se no transcorrer desse documento divergências
quanto à origem da palavra Loja e também que existe confusão
entre Loja e Templo.

A Loja Maçônica, cujo significado da palavra tem a mesma


origem da palavra Loja para designar estabelecimentos
comerciais, quando empregada para designar uma instituição
maçônica, está se referindo a instituição enquanto sua razão
social, constituída por membros (homens livres e de bons
costumes) e que necessita de um espaço físico para funcionar,
que são os Templos.

A Loja só se materializa quando seus membros se reúnem em


sessão. Ao término da assembleia a Loja é descaracterizada e
só voltará a se constituir novamente na primeira reunião. Nota:

107
Sânscrito era o idioma falado pelos invasores indo-europeus
do Punjad, por volta do século XIV a.C.; tendo afinidade com o
antigo persa, o grego e o latim, jamais foi uma língua popular,
sendo restrita aos sacerdotes e aos eruditos.

Nesse idioma é que foi escrita a literatura indiana mais remota,


de inspiração filosófica e religiosa, constituindo as “Vedas”,
coleção de hinos sagrados.

Referências ASLAN, Nicola. Estudos maçônicos sobre


simbolismo. 3 ed. Rio de Janeiro: Aurora, 1980. CASTELLANI,
José. A origem da palavra Loja. Publicado em o Aprendiz.
GARCIA, Clever Ronald. A Loja. Várzea Grande MT: Loja 15 de
Maio nº 9, Grande Loja, MT VAROLI FILHO, Theobaldo. Loja.
ATrolha de nº40, março-abril de 1989.

Irmão Julio Caetano Tomazoni Pato Branco-PR


Fonte: JB News – Informativo nr. 2.102.

108
A PEDRA E SEU NOVO DESPERTAR

February 21, 2017

Esta era uma pedreira enorme, com grandes vetas de todos os


distintos tipos de pedras, havia nela, desde o rude granito até
o apreciado mármore.

Todas as pedras comuns invejavam as pedras finas, pois elas


seriam escolhidas pelos grandes artistas e escultores e, iriam
morar em grandes palácios e mansões convertidas em
magníficas obras de arte ou pisos lisos e colunas de mármore.

As pedras sabiam que elas nunca seriam as escolhidas para


isto e aceitavam seu destino. Mas, isto não significava que não
se cobrissem de pó para intentar clarear sua cor e ser mais
parecidas ao invejado mármore ou que deixassem que o barro

109
preenchesse as imperfeições de seus rugosos contornos para
ocultá-los.

Todas elas diziam vir de vetas muito próximas às do mármore


e por isto pertencer àquela linhagem em sua estrutura. Era
uma sociedade pétrea como qualquer outra sociedade comum,
com as classes baixas querendo se parecer às altas.

Aquela era uma pedra a mais do montão, não tinha uma


estrutura comum, mas certamente tampouco era de mármore,
ela também se cobria às vezes com pó e barro para se retocar,
mas o fazia mais pelo que diriam as pedras da vizinhança do
que pelo que ela realmente sentia. Embora em silencio
invejasse as pedras lisas, posto que elas fossem as que iriam
morar em suntuosos palácios, enquanto ela continuaria
sempre em aquela comum e empoeirada pedreira.

Todos os dias vinham renomados artistas em suas finas


charretes de cedro lavrado, puxadas por elegantes e briosos
corcéis, escolhiam os melhores mármores e os colocavam
com o maior cuidado no piso aveludado de suas charretes,
logo partiam imaginando em suas mentes as maravilhosas
obras de arte que fariam, enquanto que aquelas pedras
escolhidas se despediam de suas congêneres fazendo notar o
êxito que agora alcançaram.

Mas certo dia passou pela pedreira um ancião a quem ninguém


nunca tinha visto antes, mas, aquele homem já conhecia as

110
pedras, pois esteve observando a pedreira desde longe
durante muito tempo, antes de decidir se aproximar de uma.

O ancião protegia suas roupas com um avental de couro


branco, amarrado às costas, muito desgastado pelo uso
continuo, ele não era nenhum artista renomado, pelo contrario,
um simples obreiro que se aproximou com passo decidido,
escolheu aquela pedra, a subiu na sua envelhecida charrete,
cobrindo-a com uma manta, e ajudado pelo seu burro a levou
até sua oficina.

A pedra estava muito assustada, pois ainda não compreendia


o que acontecia, pensava que talvez o ancião por ser muito
velho, a teria confundido com uma pedra de fina classe ou
pior, por um mármore, e temia pelo seu futuro social quando
fosse devolvida à pedreira logo que o obreiro se desse conta
de sua pouca valia.

Já na oficina do ancião, este a descobriu e a limpou do pó e


barro que a cobriam, sentiu-se nua, sem aquele disfarce, e ao
se acostumar à penumbra do lugar viu com horror que ao seu
redor haviam muitas pedras muito trabalhadas e polidas, alem
de finíssimos mármores, “serei o faz-me-rir” pensou, deveria
sentir-se tosca e sem valor, mas por alguma estranha razão
não se sentia assim, algo em aquele ancião a fazia se sentir
segura e ademais estavam àquelas pedras, que em vez de
orgulhar-se de suas linhagens e menos prezá-la como se

111
acostumava fazer na pedreira, a olhavam com afeto. Apesar de
haver tantas pedras, o ambiente era cálido e agradável.

O ancião se aproximou dela e lhe disse que ela estava


destinada a uma obra muito importante, mas a pedra não
acreditava nas palavras do ancião, ela era uma simples pedra
tosca como tantas outras e ademais nessa oficina tinham
pedras melhores, mas o homem continuou falando e lhe disse
que agora não havia como voltar atrás, ele a tinha escolhido
dentre as demais, não por sua aparência externa, senão
porque estava seguro que a estrutura interior dela era forte e
apropriada para o trabalho que necessitava lhe disse também,
que poria seu melhor empenho em prepará-la, tal como o fez
com as outras pedras que passaram pela sua oficina, mas
sempre existiria o perigo de se a pedra não fosse à adequada,
se quebraria durante o processo.

'Embora vá te golpear não deveis temer' - lhe disse o homem -


'eu vou dirigir meus golpes aonde os necessites para ir
desbastando tua superfície, mas você deverá estar disposta a
recebê-los e aceitar o cambio, de outra maneira poderás rachar
interiormente e já não serás útil'.

E assim a pedra começou a receber os golpes do cinzel que,


habilmente a ia desbastando empurrado pelo maço do ancião,
a pedra ia aceitando cada golpe que lhe arrancava parte de se
mesma, esforçando-se em adaptar-se ao seu novo ser.

112
Passaram-se muitos dias e o ancião continuava trabalhando, e
embora a pedra agora luzia seus lados retos, isso já não
parecia importar-lhe, em outros tempos tivesse menosprezado
a suas toscas congêneres da pedreira, mas agora somente lhe
importava ficar pronta para realizar esse trabalho tão
importante, e tal como ela fosse tratada ao chegar à oficina,
recebia com afeto as novas pedras que chegavam, embora
fossem tão ou mais toscas como ela foi ao principio.

Quando a pedra ficou pronta, o ancião a conduziu a um terreno


baldio grande e a colocou no sentido nordeste e lhe disse que
estava ali não só para ser a primeira pedra, senão que ademais
seria o suporte da principal coluna estrutural da imensa
catedral que ali se construiria, ela suportaria o peso das outras
pedras, as quais por sua vez sustentariam os decorativos
mármores.

Se a pedra assimilou de coração o trabalho do ancião, sua


estrutura estaria preparada para a grande missão, de outro
modo, ao falhar a pedra, toda a catedral viria abaixo.

Centos de obreiros de distintas nacionalidades começaram a


chegar de todos os confins do mundo, trazendo consigo cada
um, uma pedra para a catedral, já lavrada e polida em suas
próprias oficinas.

113
Todas elas foram se encaixando uma a uma com assombrosa
perfeição, como se o mesmo pensamento tivesse guiado a
mão de todos os obreiros por igual.

Era uma obra magnífica, talvez a catedral mais bela, grande e


imponente do mundo, milhares de pessoas vinham
diariamente de cada canto da terra, somente para contemplar
tamanha beleza.

As pessoas se regozijavam em seu esplendor e saiam


gratificadas com a paz espiritual que aquela vista produzia.
Mas ninguém nunca via a pedra, nem sabiam de sua
importante missão, nem que ela era o pilar principal da
catedral.

E como ninguém percebia a pedra, ninguém reconhecia seu


importantíssimo trabalho, mas isto à pedra não lhe importava,
ela sabia o que fazia e não o fazia certamente por
reconhecimento, a pedra era simplesmente feliz, sabendo que
seu trabalho brindava paz e alegria as pessoas e isto era para
ela recompensa suficiente, seus pensamentos já não eram
materiais, ela tinha despertado para uma nova vida mais
frutífera espiritualmente, ela tinha sido abençoada com um
novo despertar.

Dedicado a quem escolheu minha pedra.

114
Autor: Ir.’. Juan A. Geldres AMARLS Fraternidade e Justiça 142
Lima – Peru

115
A MAÇONARIA E A CARBONÁRIA

February 26, 2017

Nenhuma Sociedade Secreta fascinou tanto as multidões


sequiosas de sua liberdade, ou da independência política
conquistada à custa de lágrimas e sangue, quanto a Maçonaria
Florestal, mais conhecida como “Carbonária”, por ter sido
fundada pelos carvoeiros da Hannover, como associação de
defesa e de ação contra os opressores e assaltantes de sua
classe. Constituída no último Quartel do Séc. XV, ela só veio a
entrar na História, como organização de caráter político, após
a Grande Revolução Francesa.
Na Itália, ela adquiriu fama de violenta e sanguinária, e
introduzida na França por ordem de Napoleão, não tardou em
converter-se na mais poderosa força oposicionista ao
expansionismo do grande corso, lutando contra ele na França,
na Áustria, na Espanha e em Portugal. O nome de “Maçonaria
Florestal” veio-lhe depois que irrompeu, na Itália e na França.

116
“Maçonaria”, porque os Maçons a propagavam e a protegiam,
“Florestal”, porque as Iniciações dos seus Membros
lembravam as dos antigos Carvoeiros de Hannover, realizadas
nas florestas mais densas, a cobertos das vistas estranhas.
Os Carbonários, antes de serem investidos nos Segredos da
Ordem, passavam por duras provas e prestavam os mais
terríveis juramentos, como este, que eram assinados com
próprio sangue:
“Juro perante esta assembleia de homens livres, que cumprirei
as ordens que receber, sem as discutir e sem hesitar,
oferecendo o meu sangue em holocausto, à libertação da
Pátria, à destruição do inimigo e à felicidade do Povo. Se faltar
a este juramento, ou trair os desígnios da Poderosa Maçonaria
Florestal, que a língua me seja arrancada e o meu corpo
submetido ao fogo lento por não ter sabido honrar a Pátria que
foi meu berço.” Só depois deste juramento é que o Candidato
recebia as insígnias de “Bom Primo”, (as insígnias de Bom
Primo consistiam de um balandrau preto e Capuz, tendo
bordado, em branco, no peito, um punhal (o punhal de São
Constantino), com o cabo no formato cruciforme entrelaçado a
uma cruz cristã.) O punhal de São Constantino não constava
somente de um desenho bordado no Peito do Balandrau Preto,
era também uma arma branca, que todos os Carbonários
usavam, também em suas execuções, como símbolo da Ordem
a qual pertenciam.
O Balandrau Preto, dos líderes, ao invés do Punhal e da Cruz
entrelaçados possuía bordado no peito, em dourado, um sol
radiante.

117
O brado de guerra dos Carbonários consistia em cada um,
levantar o seu punhal bem alto.
Normalmente as reuniões dos tribunais carbonários eram
realizadas, a exemplo dos carvoeiros de Hannover, no
passado, em plena floresta, bem distante dos olhares curiosos
e indevidos.
Seus julgamentos eram implacáveis e seus réus, se
condenados, eram executados com a máxima eficiência. O
Carbonário era, às vezes, juiz e carrasco ao mesmo tempo.
Seus afiliados (jamais podiam trair a Ordem. Os que traíram,
sempre foram exemplarmente executados) se tornavam
Carbonário ou executor das ordens de “Alta Venda”.
Em cada país a Organização da “Maçonaria Florestal”
obedecia ao esquema italiano: “Alta Venda”, corpo deliberativo
superior, composto de um Delegado da cada “Barraca”,
composta por sua vez por um Delegado de cada “Cabana”; e
as “Cabanas” eram formadas por um Delegado de cada
“Choça”. Acima da “Alta Venda” estava, porém, a “Jovem
Itália”, composta por um triunvirato que nas lutas pela
Unificação e pela queda do Poder Temporal dos Papas, era
constituído por Cavour, Mazzini e Garibaldi.
A Carbonária Italiana, a princípio, foi protegida pelo Carbonário
Lucien Charles Napoleão Murat, General de Napoleão
Bonaparte, e Príncipe de Monte Corvo, filho do Marechal Murat,
nascido em Milão, em 1803. Ele abandonou a Itália em 1815,
com a derrocada de Napoleão em Waterloo, em 18 de julho de
1815, tendo sido capturado na Espanha. Após sua libertação,
seguiu para os Estados Unidos, em 1825. Ali se casou, tendo
retornado a Paris em 1848.

118
Mais tarde, Murat foi eleito Grão Mestre do Grande Oriente,
conseguindo um progresso muito grande no erguimento da
Obediência, com a fundação de muitas novas Lojas.
Um dos elementos que se deve destacar na Carbonária
Italiana, não pelos seus atos patrióticos, mas sim pela sua
traição à Carbonária, é o Conde Peregrino Rossi. Rossi teve
duas atitudes distintas: na mocidade, foi um dos mais ativistas
e propagandistas dos ideais da Carbonária, merecendo o
respeito de todos os Bons Primos. Todavia, de um momento
para outro, bandeou-se para as hostes inimigas.
Rossi aliou-se ao Papa Gregório XVI com a finalidade de
conseguir do Papa, condenações às ações dos Jesuítas.
Nesse ínterim, morre Gregório XVI e sobe ao Trono de São
Pedro o Papa Pio IX, ao qual Rossi se afiliou de corpo e alma.
Rossi, que fora até Roma para combater o jesuitismo, volta um
fiel defensor dos Irmãos de Inácio de Loyola.
É proscrito da Carbonária em 1820 e se torna um novo Saulo,
convertendo-se aos ideais do Papa. Peregrino Rossi era o
novo Judas, gritavam em todas as “Barracas”, de punhal em
riste, os Bons Primos, seus antigos companheiros.
Conhecedor que era dos métodos de seus antigos
companheiros, Rossi teve muita facilidade de nominar seus
líderes e encher as prisões da Cidade Eterna, dando um
tremendo golpe no movimento revolucionário.
Rossi cada vez mais se dedicava a uma ação repressiva, sem
pensar que, desde a mais humilde “Choça” a mais pujante
“Barraca”, e com Giuseppe Mazzini tendo o controle de todas
as “Altas Vendas”, os punhais de São Constantino eram
levantados e descreviam no ar o ângulo reto das decisões

119
fatais. A sentença estava lavrada, terrível e implacável.
Havia sido marcada uma reunião para o dia 15 de novembro, à
1 hora da tarde, com o Ministro Conde Peregrino Rossi.
Dissera Rossi no dia anterior: “Se me deixarem falar, se me
derem tempo para pronunciar o meu discurso, não só a Itália
estará salva, como ficará definitivamente morta a demagogia
da Península”. A demagogia da península era o movimento
Carbonário.
“La causa del Papa es la causa del Dio”. E o Conde Peregrino
Rossi desceu as escadarias e entrou na carruagem que o
levaria ao Parlamento.
Chegando à praça, a carruagem atravessou lentamente a
multidão e entrou pela porta do Palácio e foi parar em frente ao
vestíbulo, onde Peregrino Rossi foi saudado por assobios e
gritos enraivecidos: Abaixo o traidor! Morte ao vendilhão da
Pátria! Só então Rossi notou que nem toda a consciência
nacional estava encarcerada na Civilitá Véchia.
Esboçou um sorriso contrafeito para a multidão e quando se
dispunha a continuar a marcha, recebeu um golpe na carótida,
especialidade dos Bons Primos, que o fez tombar agonizante.
No bolso interno da sobrecasaca, ao ser recolhido o cadáver,
foi encontrada a sentença de morte: “Juraste lutar pela
unificação da Itália e traíste o juramento! Lembrando: ‘Juro
que jamais abandonarei as armas ou desertarei do Movimento
Patriótico, enquanto a Itália não for livre e entregue a um
governo do Povo, para o Povo. Se eu faltar a esse juramento,
prestado de minha livre e espontânea vontade, que o pescoço
me seja cortado e o meu nome desonrado e apregoado como o
mais vil traidor à Pátria e aos Bons Primos da Carbonária

120
Italiana’. Com coisas sérias não se brinca!”
A transcrição acima é de autoria do maçom Adelino de
Figueiredo Lima, um dos raros brasileiros a escrever sobre a
Carbonária. O trecho acima nos mostra que a Carbonária
estava muito distante da Maçonaria (que nunca usou tais
métodos), mesmo assim a Carbonária sempre foi confundida
com a Maçonaria, e alguns Maçons ainda acreditam que, no
passado, a Maçonaria executava Irmãos e profanos que não
cumprissem suas regras.
Jamais a Maçonaria, mesmo no passado remoto, matou ou
mandou matar os maus elementos da sociedade. Quem fez
isso, foi a Santa Vehme e a Carbonária (chamada de Maçonaria
Florestal, talvez aí resida o ponto de confusão entre as duas
instituições). A Maçonaria verdadeira sempre foi pacífica,
respeitadora da lei e da ordem. Só usando sua estrutura
fechada para conspirar contra os maus regimes políticos e
algumas instituições nocivas, mas sempre ordeira e
pacificamente.
É verdade que conseguiu derrubar tiranos do poder e
colaborar com a independência de muitos povos, para isso
usando sua organização exemplar e suas influências sociais.
Em muitas ocasiões seus integrantes, independentemente de
suas Lojas, se filiavam a movimentos ou grupos ativistas e
vingadores, embora a Maçonaria, como instituição nunca
tenha apoiado tais comportamentos.
É inegável que, em certar ocasiões, a Carbonária recebeu
apoio da maçonaria, entretanto nunca foram uma mesma
instituição, seus propósitos e seus objetivos raramente foram
os mesmos.

121
Por Irmão Honório Sampaio Menezes, 33º do REEA, Loja
Baden-Powell, 185, GLMERGS, Brasil.

122
O SOLSTÍCIO DE VERÃO

March 01, 2017

Solstícios são os pontos que a órbita elíptica da Terra


descreve num ano em torno do Sol quando este está em sua
máxima distância ao sul ou ao norte da linha imaginária do
Equador. Duas vezes por ano, nos meses de junho e
dezembro, acontecem os solstícios, variando o dia e a hora.

No verão, a duração do dia é a mais longa do ano, ocorrendo o


contrário no inverno, quando a noite é a mais longa do ano.
Tudo isso graças à inclinação de 23,4 graus do eixo de rotação
da Terra que, combinado com o movimento de translação,
permite que a incidência desigual dos raios solares sobre os
dois hemisférios defina as quatro estações do ano, fazendo
com que a Natureza cumpra seus ciclos de nascimento e
ressurreição.

123
Os equinócios e solstícios receberam o nome de portas do céu
ou das estações do ano. E se a Terra não tivesse a Lua, a
inclinação do eixo em relação à vertical teria variação caótica,
comprometendo a vida complexa, tornando-a inabitável.

Enquanto passamos pelo solstício de verão, aqui no


hemisfério sul, marcando o início dessa estação, os habitantes
do hemisfério norte enfrentam a entrada do inverno. O
solstício de verão é sempre previsto para o dia 21 ou 22 de
dezembro, de acordo com cálculos astronômicos, quando a
radiação solar incide verticalmente, o Sol está no seu zênite ou
está “a pino”, sobre o Trópico de Capricórnio.

No solstício de verão do hemisfério norte, que ocorre no dia 21


ou 22 de junho, os raios solares incidem perpendicularmente à
superfície da Terra no Trópico de Câncer.

Em 2016, o solstício de verão ocorreu as 10h44min UTC –


8h44min (horário de verão em Brasília), do dia 21 de dezembro.
A diferença de tempo entre à hora local e UTC (do inglês,
Tempo Universal Coordenado), também conhecido como
horário Zulu é de menos 3 horas (-180 minutos).

124
No horário de verão, que começou em 16 de outubro e vai até o
dia 19 de fevereiro de 2017, diminui-se uma hora nessa
diferença, nas regiões onde é adotado. O sistema de horário de
verão, aplicado por decreto nas regiões Sul, Sudeste e
Centro-Oeste,visa aproveitar a maior incidência da claridade
desses dias mais longos e economizar energia elétrica.

Por sua vez, os equinócios são pontos da órbita da Terra ao


redor do Sol, quando este corta o equador na sua marcha
aparente do hemisfério sul para o norte e em seu regresso do
norte para o sul, e a sua luz solar incide de maneira igual e
exatamente na linha imaginária que corta os dois hemisférios.

Por isso, diz-se que é equinócio de outono para o hemisfério


que está indo do verão para o inverno e equinócio de
primavera para o hemisfério que está indo do inverno para o
verão.

No passado, esses fenômenos astronômicos tinham grande


importância para a agricultura e as religiões dedicavam cultos
especiais para marcar as transformações que se esperavam.

O ciclo do Sol e da Lua à volta da Terra sempre esteve ligado


ao ciclo de cultivo de alimentos. Antigas civilizações elevaram

125
o Sol, como fonte de luz e calor, à condição de soberano do
mundo e rei dos céus, detentor dos poderes divinos que criam
Vida, imaginando os solstícios como aberturas opostas do
céu, como portas, por onde o Sol entrava e saía, ao terminar o
seu curso, em cada círculo tropical.

Tanto os Maias, como os Incas, Egípcios, Romanos e Gregos


adoravam o sol e tinham os seus cultos a ele dedicados.
Muitas dessas tradições foram conservadas e adaptadas pelos
povos no curso da história.

Também a Maçonaria especulativa, absorvendo as tradições


da Maçonaria operativa, incorporou aquelas comemorações e
celebra as festas equinociais e as solsticiais, reconhecendo-as
no seu simbolismo. Assim, tradicionalmente, a nossa
Assembleia Geral Plenária reúne-se ordinariamente quatro
vezes ao ano, nas semanas em que os equinócios e solstícios
ocorrem, conforme previsto nos artigos 47 – II e 49 da
Constituição da GLMMG, com um pequeno ajuste em
dezembro, com vistas a não comprometer as festas de final de
ano.

Nos nossos Templos Maçônicos, as Colunas “B” e “J”


representam os solstícios de Inverno, ao Norte, presidido por
São João Batista, e o solstício de verão, ao Sul, presidido por
São João Evangelista, ambos os Patronos da Maçonaria.

126
É tradição em várias Lojas a realização de Banquete
Ritualístico ou Ágape Maçônico, também conhecido como Loja
de Mesa, nos meses de junho e dezembro, em honra aos
santos, tratando-se, portanto, de Festas Solsticiais. Essas
celebrações têm um caráter de saudação e de
confraternização, evocando os laços que unem os irmãos.

No auge da maturidade do Sol, estaremos recepcionando o tão


esperado Verão, sempre ligado a festas, férias, viagens e
novas vibrações. Época também de avaliação da colheita
quase amadurecida do ano que se encerra e elaboração de
projetos para um novo ciclo que se reinicia com a chegada de
um novo ano e novas preocupações ou velhas restauradas.
Mas, apesar de todos os agitos que a vida insiste em
impor-nos a cada dia, não podemos perder a sensibilidade
para os ciclos que a natureza preserva através do equilíbrio
das forças que a movimentam.

Precisamos também buscar esse equilíbrio, aproveitando os


ares de um novo ano e praticarmos a introspecção e o
autoconhecimento, essenciais para que estejamos preparados
para encarar de forma corajosa os desafios diários que sempre
se renovam.

127
Enfim, nessa nossa provisória solidão cósmica, enquanto
únicos seres conhecidos se questionando sobre o mundo, que
tenhamos todos um feliz solstício de verão e uma próspera
nova órbita nos preciosos 365 dias e seis horas que
continuaremos nossa viagem a bordo desta nave de
massa/peso equivalente a 5,9 sextilhões de toneladas,
medindo 510 milhões de km², que se desloca a uma velocidade
média de 1.675 km/h em torno de seu eixo e a uma velocidade
orbital média de 107.266 km/h, conforme estabelecido pelo
Grande Arquiteto do Universo.

Um “Pálido Ponto Azul… um grão de pó suspenso num raio de


sol” (Carl Sagan)…
“Isso é tudo o que temos.” (Al Gore)

Autor: Márcio dos Santos Gomes


Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 –
GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola
Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da
Academia Mineira Maçônica de Letras.

128
RITUAL MAÇÔNICO É UMA INOVAÇÃO

March 04, 2017

Quando o Venerável Mestre é perguntado, em sua instalação,


se ele concorda que um homem ou qualquer corpo de homens,
não podem fazer mudanças no corpo da Maçonaria, é
importante compreender que isto se refere à preservação da
estrutura organizacional da Ordem maçônica e não a seus
rituais cerimoniais.

Mais de um Grão-Mestre tentou aplicar esta advertência para o


ritual maçônico em si. No entanto, uma breve análise do
desenvolvimento dos rituais e suas muitas formas através do
panorama das jurisdições maçônicas vão mostrar rapidamente
que esta pergunta veio das “Old Charges” e não tem nada a

129
ver com os aspectos ritualísticos da nossa fraternidade.
Nossos fundadores nunca tiveram a intenção de que os rituais
cerimoniais permanecessem estáticos.

A proibição de renovação não se aplica ao ritual maçônico,


enquanto que esta é a única base sobre a qual toda a Luz da
Maçonaria é transmitida e revelada.

Ainda que a Grande Loja Unida da Inglaterra insista que “a


antiga e pura Maçonaria consiste em apenas três graus,
incluindo o Santo Real Arco” o que é historicamente
impreciso, as Grandes Lojas sempre tiveram o direito de
decidir por si mesmos, como os seus rituais serão.

O único “antigo e puro” ritual maçônico no mundo é o ritual


que existia em 1717, quando a primeira Grande Loja foi
formada. Nós sabemos como foi aquele ritual porque ele foi
amplamente publicado nos três primeiros manuscritos
maçônicos, na forma de catecismos ainda existentes, em
relação ao período de 1696-1715, os quais vieram da Escócia.

O que é surpreendente sobre estas revelações é que elas


encontraram o caminho para serem usados e adotados pelas
lojas inglesas. Mais importante é que encontramos neles a

130
maior parte do alicerce sobre o qual todos os rituais
maçônicos foram erguidos mais tarde – a posição dos pés, a
menção do “aprendiz” e “companheiro”, os cinco pontos do
companheirismo, a menção do compasso, esquadro e Bíblia
no mesmo contexto, o átrio do Templo do Rei Salomão, o sinal
penal, existem muitas coisas para reconhecermos ali.

É mais do que coincidência encontramos essas características


em comum em todos estes catecismos antigos.

Outro ponto é extraordinário em todos estes trabalhos: Graus


não são mencionados. Quando a primeira Grande Loja no
mundo foi criada, havia apenas a cerimônia de fazer um
Maçom “Aceito” e a “Função do Mestre”. Na verdade, não
temos nenhuma evidência de um sistema de três graus, ou de
um terceiro grau, antes da famosa exposição de Samuel
Pritchard intitulada de “A Maçonaria Dissecada”, publicado em
1730.

Isso faz com que o grau de Mestre Maçom na Maçonaria seja


uma inovação!
Historiadores importantes concordam que o terceiro grau foi
introduzido na Maçonaria em torno de 1725. Tornou-se popular
ao longo das próximas duas décadas, principalmente porque
os maçons adotaram a exposição de Pritchard como uma
ajuda ao trabalho de memória. Sua obra não autorizada, se

131
tornou o primeiro monitor maçônico e seria por décadas, o
livro de rituais não oficiais dos maçons. É também a primeira
menção que temos da lenda de Hiram.

Ninguém sabe de onde essa história veio, mas supõe-se que


Desaguillers pode ter sido o autor, sendo Grão Mestre em 1719
e Vice-Grão Mestre em 1722 e 1726. Este foi o período em que
o terceiro grau foi introduzido nas cerimônias da primeira
Grande Loja. A lógica sugere que Desaguliers e seus irmãos
maçons da Royal Society, poderiam ter sido os responsáveis.
Certamente, nada poderia ter sido introduzida sem a sua
aprovação. Na verdade, o Craft mudou drasticamente,
enquanto Desaguliers estava em cena. A Grande Loja passou
de um banquete anual para um órgão administrativo, com atas
e orientação política para lojas, incluindo a estrutura de seus
graus.

Se Desaguillers e seus amigos de fato foram os autores do


terceiro grau, voltaram a Maçonaria para um novo caminho.
Em 1730, a cerimônia que conhecemos como Real Arco foi
desenvolvida, a que reviveu uma história do grego antigo que
data do ano 400. Em 1735, o Rito de Perfeição, consistindo de
14 graus, foi introduzido, estabelecendo uma cronologia
bíblica para a estrutura do ritual maçônico.

132
Tanto o Real Arco quanto o Rito de Perfeição, inovadores
como eram, foram declarados pelos membros como
“restabelecimento” da maçonaria antiga, porque eles
automaticamente transmitiam uma face artificial da idade do
grau ou da ordem. Depois de alguns anos, até os historiadores
da Grande Loja estavam escrevendo que estes graus
adicionados eram restaurações de um sistema mais antigo.
Tornou-se moda acreditar que não havia nada mais inovador
do que eles!

Claro que todos os novos graus/ordens foram adotados em


uma única premissa – a que havia sido perdido no terceiro
grau, tinha que ser encontrado. Por esta razão, todos eles
apresentam uma semelhança surpreendente na estrutura e
todos mostram que os sinais são provenientes da mesma
fonte, com a mesma regularidade em sua forma. Mesmo com
graus adicionais desenvolvidos, eles mantiveram uma
estrutura “tradicional”.

Esta semelhança na estrutura é mais uma prova de que os


nossos graus maçônicos, foram na verdade, criados em uma
onda de moda. Todos eles insinuam que há grandes segredos
para serem encontrados pelo maçom dedicado. E, de fato,
existem.

133
Ao mesmo tempo em que os graus e ordens foram crescendo
aos trancos e barrancos, tanto no Rito de York quanto no Rito
Escocês, ritualistas maçônicos nas lojas do Craft, continuaram
a adicionar a linguagem dos três primeiros graus,
acrescentando solidez à sua forma. Durante a segunda metade
do século 18, um crescimento intelectual extraordinário foi
adicionado ao velho conceito de “pura e antiga”, nos simples
catecismos de 1717. Na verdade, o desenvolvimento e
expansão do ritual, continuou a estar na moda como um dos
meios de educar o Craft até a década de 1820.

Realmente foi criada uma escola de educação que prosperou


por quase um século até as Grandes Lojas, principalmente as
dos Estados Unidos, que determinaram que devesse haver
apenas um ritual, aquele adotado por eles e todo o resto não
importava. As Grandes Lojas dos EUA estabeleceram mais
uma inovação na Maçonaria, que o ritual fosse imutável. Eles
decidiram por si mesmos que a Maçonaria pura e antiga era a
sua Maçonaria somente. O ritual maçônico se tornou uma
coisa fixa e estagnada.

Esta inovação do século 19 pode ter marcado o início do


declínio na Maçonaria. Foi durante essa época que as Grandes
Lojas decidiram coletivamente, que não havia nada mais a ser
aprendido no ritual maçônico. Nossas palavras foram
congeladas no tempo.

134
Agora eu quero saber se é hora de criarmos mais uma
inovação na Maçonaria, o de educar os maçons de que o uso
ritual deve ser um processo dinâmico, assim como a
aprendizagem é dinâmica. Claro, nós não precisamos adotar
mais palavras. Mas leve em consideração como instrutivo seria
se a diversidade de rituais fosse introduzida como uma
ferramenta adicional para instrução, se rituais alternativos já
adotados em outras jurisdições em todo o mundo, poderiam
ser utilizados por vontade da loja e sancionada pela Grande
Loja. Imagine como emocionante e revigorante seria se
tivéssemos dez ou doze diferentes rituais disponíveis para nós
em cada grande jurisdição!

Talvez seja hora de fazer a Maçonaria da moda outra vez, tanto


através da variedade de sua forma de ritual e no
desenvolvimento de sua forma intelectual, onde palestras,
ensaios e diálogos são compartilhados regularmente em loja,
todos focados em iluminar a mente. Talvez os jornais mais
instrutivos e informativos, poderiam se tornar uma parte dos
monitores impressos da Maçonaria, não deve ser memorizado,
mas para ser sancionado e publicado para o benefício
daqueles que querem ter acesso a mais conhecimento nas
formas de maçonaria.

135
Aqueles que sabem que mais luz na Maçonaria não é a
propriedade da Grande Loja, mas sim, do indivíduo e seus
irmãos em sua busca coletiva de uma vida, a busca por aquilo
que foi perdido nas palavras e seus significados.

Em práticas como essas, nós não devemos, mais uma vez


exercitar a “pura e antiga” Maçonaria? Poderia ser apenas
mais uma inovação digna de nosso antigo Craft.

Um texto do Ir.’. Robert G. Davis


Traduzido por Luciano R. Rodrigues

136
SETE MAÇONS OU SETE MESTRES?

March 09, 2017

A grande dúvida surge na própria grafia dos rituais. Não há um


consenso nas regras de aplicação de siglas aos vocábulos
maçônicos.
Teoricamente a regra é que devemos escrever a palavra até a
consoante que antecede a segunda vogal. SEC.’.; HOSP.’.;
VIG.’.; PAL.’. SEM.’.. Mas encontramos MAÇ∴ (Maço ou
Maçonaria?); Comp∴ (Compasso ou Companheiro?); BAL∴
(Balandrau ou Balaústre?) E para complicar ainda tem as
siglas das siglas. Venerável Mestre é grafado por Ven∴ M∴ ou
V∴M∴ e para economizar tinta: VM.
Por conta desta falta de uniformização é que encontramos nos
rituais as mais diversas formas de responder a pergunta: – O
que se torna preciso para a abertura dos trabalhos? Já
encontrei:

137
– …….no mínimo sete IIr∴ MM∴ …….
– …….no mínimo sete IIr∴ M∴M∴ …….
– …….no mínimo sete IIr∴ MM∴ MM∴ …….
– …….no mínimo sete IIr∴ M∴M∴M∴M∴ …….
Nunca entendi a dificuldade em escrever “…….no mínimo sete
Irmãos Mestres…….”.
Não pode ser “…….no mínimo sete Irmãos Maçons…….”,
porque Aprendiz e Companheiros também são Maçons, mas
não podem circular em Loja ou subir ao Oriente.
Mas estando apenas SETE MESTRES em Loja, que cargos
devem ser ocupados?
1. Venerável, preside a reunião e é o responsável pelo
Oriente.
2. Primeiro Vigilante é o responsável pela Coluna do Norte.
3. Segundo Vigilante é o responsável pela Coluna do Sul.
4. Orador é o responsável pelas Leis e é ele que faz a
conclusão dos trabalhos.
5. Secretario, toda reunião tem que ter seu registro
(balaustre).
6. Mestre de Cerimônias é ele que fará todo o trabalho de
circulação em Loja.
7. Guarda do Templo, afinal os trabalhos necessitam de
proteção.
E os outros cargos? O Orador acumulará a função de
Tesoureiro, o Secretário a função do Chanceler, o Mestre de
Cerimônias as funções do Hospitaleiro e dos Diáconos.

138
Observem que destaquei a palavra função para deixar bem
claro que não se acumula cargo. Deixando bem claro: só
usamos um colar. Já imaginaram que falta de bom senso o
Mestre de Cerimônias com seu colar e ainda os dois de
diáconos?
Não há o que reclamar se houver apenas sete Mestres na Loja,
o problema está na ausência de Aprendizes e Companheiros.
É muito mais salutar à Ordem Maçônica uma Loja com 03
Aprendizes, 05 Companheiros e 07 Mestres do que uma Loja
com 15 Mestres sem Aprendizes e Companheiros.
Os labores maçônicos não são apenas os desenvolvidos em
Grau 1, 2 e 3.
Os trabalhos transcorrem justos e perfeitos não por conta da
ritualística ou pelo número de presentes, mas pelo propósito
da reunião.
Para que nos reunimos?
Para combatermos a tirania, os preconceitos e os erros.
Glorificar o Direito, a Justiça e a Verdade, trabalharmos em
prol do bem da Pátria e da Humanidade, não precisamos estar
em grande número.
Mais vale 7 comprometidos do que 77 dispersos.
Autor: Sérgio Quirino Guimarães

139
O PRIMEIRO DEVER DO VENERÁVEL É CRIAR FUTUROS
BONS VENERÁVEIS

March 15, 2017

INSTALAÇÃO E POSSE
Nas Grandes Lojas do Estado de São Paulo (GLESP), na
abertura solene da Cerimônia de Instalação e Posse do
Venerável Mestre, o dirigente roga o auxílio do Grande
Arquiteto do Universo para que aquele ilustre Irmão, M.·.M.·.
que foi legalmente eleito para exercer o cargo, seja dotado de
sabedoria para compreender, de discernimento para julgar e
de meios para executar a Sagrada Lei, para que possa guiar e
governar com Retidão, Verdade e Justiça sua Aug.·. e Resp.·.
Loj.·. Simbólica.

140
O papel do Venerável é parecido com o do maestro de uma
orquestra. Pode ensinar a teoria da música e tirar sons de um
instrumento musical. Mas precisa ter a habilidade para juntar
tantos músicos diferentes e fazê-los tocar a música em
harmonia. Levá-los a executar a música em uníssono (no
mesmo tom, ao mesmo tempo). Ele deve ser capaz de
proporcionar essa habilidade ao grupo.

PREPARAÇÃO DO ELEITO
O que acontece com aquele que acaba de ser eleito para dirigir
sua Loja? Acreditamos como base imutável do trabalho de
preparação do mesmo a valorização e apoio ao Irmão,
independente do Rito praticado, uma vez que os Ritos são
respeitáveis e contêm, em suas essências, a necessidade da
Construção Social dos Maçons. É uma providência muito
usual, às vésperas da “passagem do malhete”, o Resp.·. Ir.·.
Delegado Regional promover uma reunião dos Mestres
Instaladores e dos Veneráveis Eleitos com o objetivo de
eliminar dúvidas sobre a realização do ato.

O treinamento breve e superficial, onde nem sequer os


interessados se apercebem da grandiosidade que significa a
Cerimônia, pode ter um impacto negativo no desempenho do
futuro Venerável, se esses Irmãos não tiveram apoio e
acompanhamento necessário para que sejam bem sucedidos
nessa tarefa de tanta responsabilidade.

141
A Potência espera muito dos novos Veneráveis e lhes cobrará
conhecimento, desembaraço, responsabilidade, eficiência e
acertos. Mas os Veneráveis por seu lado sabem das
dificuldades pelas quais irão passar e tem a expectativa, a
curiosidade, a vontade do acesso a uma orientação oficial
preparatória, segura, através da Potência. Um tem a
expectativa do outro.

Sabemos que nada mais lógico e razoável seria a existência de


um compêndio elementar destinado ao Venerável eleito, onde
pudesse buscar a técnica de dirigir e orientar os seus
liderados nos rudimentos da arte, da filosofia, da ciência e da
doutrina, antes de iniciar seu Veneralato.

MISSÃO DO VENERÁVEL
Inspirar seus liderados a viver uma vida melhor, cada um
dando o melhor de si, lembrando-lhes da sua missão e dos
valores que regem a vida maçônica: amor, honestidade,
humildade, paciência, educação, bondade, compromisso,
respeito, abnegação, perdão.

O Venerável é o instrumento de ligação entre todos os


elementos que constituem a sua Loja e os delegados do
Grão-mestre. Não gerencia os Irmãos, influencia e os lidera

142
para darem o melhor de si.

CONCEITOS DE LIDERANÇA
A maioria dos candidatos ao cargo de Venerável Mestre, tem o
desejo sincero de exercer liderança da melhor forma possível.
No fundo, as pessoas anseiam por uma vida significativa e
satisfatória e, por isso, procuram por alguma coisa especial
que faça aflorar o que eles têm de melhor. De preferência,
buscam uma harmonia entre seus valores pessoais e os
valores da Instituição. Uma coisa é certa: os Irmãos querem
fazer parte de algo especial; de uma Loja da qual possam se
orgulhar, e ao termino dos trabalhos que todos fiquem felizes
porque se sentem fazendo a coisa certa.

Defendemos a tese de que a liderança não é poder e sim


autoridade, conquistada com amor, dedicação e respeito pelos
liderados.

Liderar significa conquistar os Irmãos, envolvê-los de forma


que coloquem o coração, mente espírito, criatividade e
excelência à disposição da Loj.·. e da Ordem. É preciso fazer
com que haja o máximo empenho na missão, dando tudo pelo
conjunto.

143
Lembremos, outrossim, de que não é preciso ser Venerável da
Loja para ser um líder e influenciar os Irmãos a terem mais
entusiasmo, mais empenho e mais disposição – enfim, para se
tornarem o melhor que podem ser.

O que define a palavra liderança é a capacidade de influenciar


os Irmãos para o bem. Na verdade, na Loja todos são líderes,
assumindo cada um a responsabilidade pessoal pelo sucesso
da Oficina.

LIMITAÇÕES
Os humildes consideram sua liderança uma enorme
responsabilidade e levam muito a sério a posição de confiança
e os Irmãos a ele confiados. O Venerável sabe que os Irmãos
vão cometer erros. Os VVig.·., o Orador, o M.·. de CCer.·., o
Secretário e outros – muitas vezes, vão decepcioná-lo, vão
magoá-lo, não se esforçarão como ele acha que deveriam e
alguns não reagirão aos seus esforços. Por isso, aceitam as
limitações nos outros e tem uma enorme capacidade de tolerar
a imperfeição.

Autêntico, ele não posa de sábio, está sempre disponível e, de


certa forma, vulnerável, porque tem sempre seu ego sob
controle e não se baseia em ilusões de conhecimento por
“iluminismo do Alto”, de grandeza, acreditando que é
indispensável para a Instituição. Sabe muito bem que “os

144
cemitérios estão repletos de pessoas indispensáveis”.

Seguro de suas forças e limitações, o Venerável humilde está


consciente de que só com a ajuda de todos será capaz de
manter as coisas em sua devida perspectiva.
Os menos humildes não devem ficar ressentidos com as
coisas que machucam e desapontam. Devem lembrar-se de
que qualquer um pode liderar pessoas perfeitas – se elas
existem - o que não devem esquecer jamais os que optam por
liderar é que devem servir: “quem quiser tornar-se grande
entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o
primeiro entre vós, será vosso servo” (Jesus Cristo).

Muitos dos que assumem a liderança de sua Loja, enganam-se


achando que é sua vez de serem servidos, agora que se
tornaram líderes. A todo verdadeiro Maçom cabe tal
responsabilidade: ” deve servir nunca se servir”.

RESPONSABILIDADE
O Mestre Instalado vai se apropriando de ideias dentro de si,
interpenetrando a fusão de culturas, tradições, sentimentos,
em estilo cultural comum, cabedal de conhecimentos
adquiridos ao longo do tempo e burilados durante a sua
presença à frente dos cargos que desempenhou na Loja,
conhecimentos esses que deverá necessariamente ser posto
de forma total “em pé e à ordem” da Sublime Instituição.

145
CONFLITOS
Obviamente, uma Loja Maçônica não é um lugar sem conflitos.
Afinal, quando duas ou mais pessoas se reúnem para um
propósito, uma coisa é certa, haverá conflito (especialmente se
a Loja for saudável). O interessante é usar a inteligência para
encontrar o caminho da comunicação entre os Irmãos e
transformar a Loja num local onde os conflitos são
solucionados e os participantes aprendam a não evitar
divergências – mas a ter respeito, a escutar, a ser assertivos
uns com os outros, a ser aberto a novos desafios, a valorizar a
diversidade que existe em qualquer equipe saudável.

NÃO àquelas alianças destrutivas entre dois ou mais Irmãos


que preferem falar dos outros (panelinhas), em vez de
levantarem o problema para toda a Loja, a fim de que se
encontre uma solução. NÃO aos integrantes dessas
“panelinhas” que não têm a coragem moral de fazer a coisa
certa em momentos de desafio e controvérsia.
Os Irmãos Jubelos existem sempre, são justamente os
veículos necessários, como Pedro e Judas o foram para Jesus.
Um o traiu antes da morte; o outro, O negou em vida por três
vezes.

Simbolizam os três assassinos as expressões da nossa


natureza material, os que fazem oposição aos nossos bons

146
sentimentos; os assassinos podem ter outros nomes:
Ignorância, Fanatismo e Ambição.

Essas fases negativas poderão ser, com o auxílio de nossos


Mestres, transformadas em Sabedoria, Tolerância e Amor.

DISCIPLINA
é uma palavra cuja raiz vem de discípulo, que é aquele que
recebe ensinamento ou treinamento.

Lembrem-se de que disciplinar não é punir e humilhar os


Irmãos. O objetivo é levá-los para o caminho certo,
ajudando-os a se tornarem melhores, a vencer e ser
bem-sucedidos e que respeito não é algo que se ganha quando
se torna Ven.·. O respeito assim como o reconhecimento é
conquistado pouco a pouco e exige que as partes renunciem
interesses pessoais pelo bem maior, para que o todo se torne
maior do que a soma de suas partes. Isso nos ensinou o
Mestre dos Mestres: “quem quiser tornar-se grande entre vós,
será esse o que vos sirva”; “e quem quiser ser o primeiro entre
vós, será vosso servo” Qualquer um que queira ser um líder
deve primeiro ser o servidor. Servir uns aos outros, conforme
o dom que recebeu.

147
Venerável Mestre, Deus em sua infinita sabedoria, o colocou
como dirigente de sua Loja, lugar onde pode aprender com
eficiência e servir melhor. Hoje o imaginei recitando a
magnífica Oração de Amor de São Francisco de Assis,
adaptada para nossos dias:

“Ó Senhor, fazei de mim instrumento de tua paz:


Onde há ódio, faze que eu leve Amor e uma palavra de união;
onde há ofensa que eu leve o Perdão;
onde há discórdia e onde tantos procuram ser servidos, que eu
leve a alegria de servir;
onde há dúvida, que eu leve a Fé;
onde há erro, que eu leve a Verdade;
onde tantos fecham a mão para bater, que eu abra meu
coração para acolher;
onde há desespero porque a vida perdeu o sentido, que eu
leve o sentido de viver, que eu leve a Esperança;
onde tantos sofrem a solidão que faz morrer, que eu seja o
amigo que faz viver;
onde há tristeza, que eu leve a Alegria;
onde há trevas, que eu leve a Luz.
Ó Mestre faze que eu procure menos ser consolado do que
consolar;
ser compreendido do que compreender; ser amado do que
amar;
onde tantos adoram a máquina, que eu saiba venerar o
homem;
onde tantos endeusam a técnica, que eu saiba humanizar a

148
pessoa;
onde tantos pedem o pão, que eu saiba ensinar a plantar o
trigo;
onde tantos estão distantes, que eu seja sempre presente.
Pois – é dando que se recebe;
é perdoando que se é perdoado;
e onde tantos morrem na matéria que passa que eu viva no
espírito que fica; pois, é morrendo que se ressuscita para a
vida eterna.

“Onde tantos olham para a Terra, que eu saiba olhar para o


Céu”.

AO PASSAR O CARGO
Finalmente, se na Palavra sobre o ato realizado, algum Ir.·.
pedir a palavra e quiser falar sobre a mais elevada distinção de
reconhecimento que um obreiro pode almejar de sua Loja, que
não fale por muito tempo.

Digam para não mencionar carreira da vida profana ou


maçônica – isso não é importante. Falem que um dia foi
plantado uma semente, minúscula, e que nasceu a plantinha
que ajudamos a adubar, a regar, a podar esta pequena árvore
cresceu, floriu, deu frutos e hoje nossa Loja com nome,
número, Carta Constitutiva Definitiva, Estandarte e Hino no
qual se enaltece a glória de Deus, do Patrono e da história da
Loja.

149
Digam para não mencionarem Iniciações, Elevações,
Exaltações ou Filiações realizadas, pois essas fazem parte das
atividades normais de uma Oficina.
Façam sim, referência ao nosso denodo para ajudar os outros.
Que tentamos amar qualquer um e a todos os Obreiros. Que
procuramos ser justos.

Digam que não mencionem o sucesso que a Loja teve no


equilíbrio das finanças, no trabalho sem igual da Secretaria,
nas atividades da Chancelaria, isso não é importante.

Falem do esforço em arrecadar o possível para que nossa


Hospitalaria pudesse apoiar as Associações que alimentam os
moradores de rua, os que têm fome, que vestem os nus.
Lembrem que acompanhamos os Irmãozinhos e familiares em
suas enfermidades.

CONCLUINDO
Ensinando, pesquisando, conversando, trazendo novas idéias
à baila, mas principalmente revelando, em todos os momentos
e ocasiões, o extremo dinamismo e amor à Ordem, que devem
caracterizar aqueles que, um dia, tiveram a honra de ocupar o
Trono de Salomão. Certo é que todos deixam sua marca na

150
equipe – a única questão é o tipo de marca que cada um quer
deixar.

E quando, por fim, formos atingidos pela foice da noite, nosso


espírito poderá erguer seu vôo de fronte altiva e satisfeito
conosco mesmo, chegar aos pés do Redentor, cobrindo as
marcas de nossos pés cansados, de mãos vazias, mais
calejadas por termos legado à Humanidade a dádiva de uma
existência que comoverá pela tenacidade, beleza, grandeza e
pela abnegação que procuramos servir nossos Irmãos, nossa
Loja e a Humanidade...
Ir. Valdemar Sansão

151
REFLEXÕES SOBRE REDES SOCIAIS E MAÇONARIA

March 18, 2017

As redes sociais se constituem em hábito presente na vida de


todos nós, atraindo cada vez mais e mais usuários,
especialmente entre jovens já nascidos na era da mobilidade
digital. Não se trata de “modismo”, mas de comportamento
definitivamente incorporado na vida de um número cada vez
maior de pessoas.

Criou-se uma espécie de dependência dessa forma de


interação interpessoal, não presencial e imediata. Em qualquer
lugar e com apenas um clique pode-se entrar em contato com
uma, várias ou centenas de pessoas.
Recente publicação de “O Globo” () dá conta de pesquisa feita
na Universidade de Pittsburgh, com quase dois mil adultos
americanos de idade entre 19 e 32 anos, revelando que quanto
mais tempo as pessoas passam navegando por plataformas
como Twitter, Face book, Istagram, Linkedln, Whatsapp e
outras maiores são as chances de elas experimentarem uma

152
sensação de isolamento social.
Esse é um fenômeno observado desde a década de 1.990,
quando estudos começaram a constatar o chamado “paradoxo
da Internet”, ou seja, a contradição entre a extrema facilidade e
de se manter contato virtual com tanta gente, por intermédio
das redes, e a “ausência real de contato humano”. Ou seja:
mais tempo “on-line”, menos tempo no mundo real.
É compreensível, mesmo ao leigo, essa relação direta entre o
aumento do uso da Internet e o isolamento. Algumas
pesquisas constataram que essa prática também aumenta a
sensação de angústia, ansiedade, inveja, frustração e estresse,
o que torna a coisa toda, um problema de saúde. Contudo, as
conclusões desses estudos também apontam para o fato de
que os malefícios advindos do uso das redes dependem da
forma como os usuários se envolvem com essas plataformas.

O que se poderia afirmar, com alguma segurança, é que, se


alguém utiliza as redes para estimular e aumentar contatos
reais com outras pessoas, isso será sempre saudável, do
ponto de vista individual e social.
De todo modo, essa não é uma questão simples. Ao contrário,
é complexa demais para ser tratada neste artigo, mesmo
porque o mérito dessa questão não é o objetivo ora proposto.
Também não se cogita, aqui, do uso das mídias nas relações
institucionais, pois, neste ponto, a Ordem e sua estrutura
organizacional se utilizam
das ferramentas e tecnologias como qualquer outro
empreendimento, público ou privado.

153
O que realmente interessa, neste artigo, é fazer algumas
reflexões sobre o uso das redes sociais pelos maçons,
enquanto irmãos, e as suas relações com a vida maçônica e,
destacadamente, confrontar com as tradições da fraternidade e
da existência necessária da Loja Maçônica, como centro de
união e lugar de “encontro real” entre seus obreiros.
Nesse sentido, deve-se reconhecer, desde logo, o aspecto
positivo que as redes sociais proporcionam à fraternidade
maçônica, dada a rápida interação dos irmãos entre si e com
as atividades da sua Loja e fora dela. Isso vale especialmente
nas grandes cidades, onde a mobilidade urbana é fator que
sempre dificulta encontros presenciais, os quais, por isso
mesmo – e quase sempre –, acabam por se restringir às
sessões maçônicas, ordinárias ou não, e eventos importantes
organizados pela Loja no plano maçônico, familiar ou social.
Em algumas plataformas, como é o caso do Whatsapp, essa
facilidade de interação, para além do contato individual,
apresenta pelo menos duas outras vertentes bastante comuns
entre os membros de uma mesma oficina: a) um grupo
específico para tratar exclusivamente de assuntos afetos à
administração da Loja e do seu quadro de obreiros; e, b) um
ou mais grupos onde os irmãos postam livremente aquilo que
lhes parece oportuno dentro do espírito para o qual esse
determinado grupo foi criado. Nestes últimos, a boa
camaradagem e mesmo o bom humor são fatores importantes
para agregar e manter presente o espírito daquela fraternidade
em particular.
Óbvio que as observações feitas acima não esgotam as
possibilidades de uso de tais redes pelos irmãos de uma

154
Oficina, pois não raro se expande e pode interessar a outros
tantos membros de outras tantas Lojas, independentemente de
suas respectivas Potências, sejam elas nacionais ou não.
Nesse amplo espectro, não seria de todo equivocado
reconhecer que as redes sociais, assim utilizadas por maçons,
poderiam reafirmar, na prática, aquele princípio de
“universalidade da instituição maçônica”, bem como o
sentimento de “pertencimento a uma grande família”, cujos
membros, em comum, cultivam os mesmos rituais, valores e
tradições.
Está claro, também, que as redes sociais propiciam novos
espaços e possibilidades na comunidade maçônica. Além
disso, podem, ainda, ser utilizadas para incrementar novas
metodologias na produção de atividades culturais e na
elaboração de trabalhos doutrinários ou filosóficos, tudo
dependendo, apenas, da criatividade dos irmãos que busquem
empregá-las de forma inteligente.
Nesse sentido, a Loja Harmonia e Trabalho, 222, iniciou
interessante experiência no campo da produção
maçônico-cultural, criando grupos de whatsapp e de e-mail,
para propor e desenvolver pesquisas sobre temas específicos
(História da Maçonaria, Filosofia, Simbologia, Doutrina,
Ritualismo, Práxis maçônica, ou mesmo de comentários de
lições dos diversos graus).

Cada grupo conta com seu respectivo coordenador, mas o


planejamento da pesquisa e a divisão de tarefas são
previamente definidos, de forma que cada um contribua com a

155
parte da pesquisa que lhe cabe e apresente suas conclusões
para debate com os seus pares.

A facilidade está em que a apresentação e desenvolvimento


dos temas são apresentados, pela mídia, aos demais
participantes do grupo, para análise, comentários e discussão,
até a formatação do texto final. Com isso, as ideias são
ordenadamente desenvolvidas, debatidas e compartilhadas
por todos, coisa que seria bem mais difícil, caso se tivesse de
marcar reuniões presenciais com os integrantes, para
apresentação de resultados e o necessário debate antes da
conclusão do trabalho.
Enfim, mediante essas metodologias, as redes podem ser mais
um importante elemento de integração entre os irmãos, em
torno da valorização da cultura maçônica, preparando
ambiente pedagógico para aqueles que vierem a compor
futuramente os quadros da Loja. Desnecessário dizer que isso
melhor orientará as ações do mundo profano, com base no
conhecimento mais aprofundado dos princípios da nossa
Sublime Instituição.
Certamente, essa ideia não é original e deve estar sendo
explorada algures. Entretanto, o que importa encarecer é o fato
de que essas novas metodologias e ferramentas virtuais se
constituem, também, em mais um estímulo para aprofundar os
conhecimentos da fraternidade, a par dos tantos outros
métodos tradicionais e ritualísticos que fazem parte da própria
essência evolutiva do ensinamento maçônico.

156
Para encerrar estas reflexões, cumpre retornar às
considerações iniciais acerca da relação, observada por
especialistas, entre o uso das redes sociais e o isolamento
social. De fato, as redes aproximam as pessoas, mas, como
isso ocorre de forma virtual, acaba comprometendo o
envolvimento real e afetivo, se mantido apenas naquele nível
superficial.
As redes vieram para ficar e são úteis e práticas para manter
contatos com velhos e novos amigos, com colegas de trabalho
ou com pessoas que sequer conhecemos pessoalmente,
tornando tudo e todos mais próximos de nós como jamais
estiveram. “Porém estamos ajudando menos aqueles que são
próximos de nós, não sabemos nomes de vizinhos e pessoas
com as quais convivemos, nossa rede de relação (física) cai
vertiginosamente quando ainda temos 20 anos (idade
considerada como auge da juventude). Em suma estamos nos
distanciando daqueles que estão perto, para nos
aproximarmos daqueles que estão longe.” ()
Neste contexto, impossível não cogitar e reafirmar a existência
necessária da Loja Maçônica, enquanto “tempo e lugar” de
encontro entre irmãos para aprofundarem, entre si, o
conhecimento recíproco, como seres humanos iniciados na
Arte Real. Definitivamente, não se concebe Maçonaria
tradicional sem o “tempo-espaço” da Loja, onde os maçons se
congregam e trabalham ritualisticamente.

Por isso as Obediências reconhecidas internacionalmente


como regulares advertem que, embora haja sites nesse sentido

157
(FakeMasonary) (), ninguém poderá ingressar e participar da
Maçonaria pela via da internet, pois todo o processo é pessoal
e exige a presença tanto na iniciação, quanto nas reuniões da
Loja. ()

A essência da Maçonaria é aproximar os “seres humanos”,


condição para construir uma fraternidade. Por isso, os
primeiros artigos das Constituições dos Franco-Maçons, de
1.723, prescreveram a tolerância como virtude elementar e
necessária entre pessoas que professam religiões, filosofias e
ideias políticas diversas. A Loja tem sido, desde então, o lugar
onde os maçons se encontram e superam suas diversidades
pessoais, porque se reconhecem simplesmente como seres
humanos.

Esse é o motivo pelo qual a Maçonaria há de se tornar o


CENTRO DE UNIÃO e meio de conciliar, por uma amizade
sincera, pessoas que teriam, perpetuamente, permanecidos
separados. ()

Essa noção de encontro, que a Loja proporciona aos seus


obreiros, é absolutamente fundamental para a existência da
Maçonaria. É preciso estar presente, física e espiritualmente,
nas reuniões maçônicas, porque é o encontro com outro ser
humano que propicia a possibilidade de um aprendizado sobre
nós mesmo. Nesse sentido, a melhor e mais profunda

158
justificação que jamais ouvi sobre a verdadeira essência da
Maçonaria talvez esteja nas palavras de Leo Apostel, quando
afirma que:

Os Seres humanos, basicamente diferentes – i.é, diferentes


social e psicologicamente, ideológica e emocionalmente –
tentam encontrar-se em nível de intimidade, fora da sociedade
civil, em um grupo fechado. Estas pessoas chamam a si
mesmas de Maçons e utilizam vários rituais e mitos como
instrumentos de suas reuniões. ()

E essas pessoas se reúnem para uma reeducação, baseada na


redução do conhecimento ao puramente humano, para depois
retornar ao convívio social com um sentimento de
compreensão muito mais rico e fecundo. Essa interação é
elementar, porque só é possível relacionar-se com outro
quando aprendo a me conhecer e, vice-versa, aprendo mais
sobre mim mesmo ao relacionar-me com o outro. É em
presença dos irmãos, sob seus olhares, movimentos, ações e
palavras que recebo suas ideias e sou influenciado por elas.
Mas isso não retira de mim a minha liberdade e a minha
individualidade. Aprimora-me!

A Loja Maçônica foi, é e sempre será o “espaço” e o


“momento” para os maçons se encontrarem, física e
espiritualmente, cultivando suas tradições obreiras,

159
utilizando-se de práticas rituais, símbolos e mitos, como
instrumentos de aperfeiçoamento moral e social. Em Loja,
cria-se o ambiente propício para encontrar respostas que
existem em cada um e em todos nós e, assim evoluir enquanto
seres humanos.

E isto, jamais será possível por outra via que não seja
presencial, real e não virtual. Aqui, a internet e redes sociais
são inócuas e nunca poderão substituir a verdadeira iniciação
e prática maçônicas.

Por essa razão, a Maçonaria e nossas Lojas regulares são,


igualmente, um porto seguro na atualidade, porque é da sua
própria essência que haja o encontro pessoal, real e afetivo
entre aqueles iniciados em seus mistérios, em oposição ao
isolamento social, a ansiedade e estresse, que o exagerado
uso das redes sociais possam eventualmente causar.

Antonio Carlos Bloes - (março/2017)


Loj∴“Harmonia e Trabalho, 222”

[1]- Cf. 06/03/2017, cf. em


<http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/psicologos-alertam-q

160
[2]- Cf. interessante artigo em
<https://www.blink102.com.br/redes-sociais-e-o-isolamento-social>
[3] - Cf. <http://www.masonicinfo.com/fakemasonry.htm>
[4] - Cf. <http://www.masonicinfo.com/grandlodges.htm>
[5]- Cf. Constituições dos Francos Maçons ou Constituições de
Anderson de 1723, Ed. Fraternidade, SP – 1982, pag. 50.
[6]- A Maçonaria – Um ensaio filosófico, Ed. Maç. ”A TROLHA”
1ª. ed., 1989, Londrina/PR, p. 11

161
SIMBOLATRIA – VENERAÇÃO EXCESSIVA POR
SÍMBOLOS

March 20, 2017

Há muitos anos, grande parte de escritores maçônicos,


afirmam que o simbolismo maçônico constitui um meio
privilegiado para alcançar as “mais altas verdades da ordem”.
Esta crença leva alguns Irmãos a buscarem significados mais
profundos para os nossos símbolos, em áreas frequentemente
não relacionadas à Maçonaria. E isso se torna o principal
assunto nos trabalhos apresentados em loja.

O resultado disso é o desenvolvimento de um simbolismo tal


que os símbolos são reverenciados por si só, o que parece
estabelecer um novo culto, a “simbolatria” ou veneração
excessiva aos símbolos maçônicos.

162
A ideia de um “conhecimento de ordem maior” inacessível
pelos meios habituais disponíveis para o homem, mas que
pode ser alcançado através do uso de símbolos, estava em
voga desde a origem da Maçonaria, sendo uma das principais
preocupações dos primeiros maçons. Este conceito foi
potencializado por alguns autores, como Oswald Wirth, Jules
Boucher, René Guénon, Jean-Pierre Bayard, entre outros…

Boucher, por exemplo, escreveu: “A Maçonaria abre o caminho


para a iniciação, ou seja, o conhecimento, e seus símbolos
permitem o acesso a isto”.

Esta declaração nos informa que os símbolos maçônicos são o


meio de ascender a certo conhecimento. Na verdade, a
simbolatría é um desvio desta declaração, um exagero dessa
teoria, que tem pelo menos quatro características: Ausência de
método, exacerbação interpretativa, a teoria da livre
interpretação de símbolos e a perda do senso comum mais
básico.

Descrevendo estas características:


1 – Ausência de método ou afirmações sem provas.

163
Guénon escreve, por exemplo: “o simbolismo é o melhor meio
para ensinar as verdades de ordem superior” (Símbolos da
Ciência Sagrada).

Bayard continua: “Essa linguagem silenciosa (símbolo),


refletindo a tradição e a ordem cósmica, pode desvendar a
essência das coisas” e também “o simbolismo é um pouco de
todas as ciências e sua síntese” (Periódico Francês, Chaîne
d’união, 1948-1949).

Bem, esses textos nunca são acompanhados por instruções


que permitiriam um Símbolo, de passar conhecimento. Não há
exposição sistemática de alguma forma de acesso ao
conhecimento através de símbolos maçônicos. Para a falta de
método, como olhar para uma coisa e encontrar outra,
catalogar símbolos maçônicos serve como uma solução
alternativa para a pesquisa científica, que desprende tempo,
dinheiro e muitas horas de reflexão para um entendimento
plausível.

2 – A exacerbação interpretativa
A interpretação moral dos símbolos é geralmente considerada
trivial, inadequada e indigna da “verdadeira” Maçonaria, e,
portanto, é quase que rejeitada.

164
Boucher escreve: “Quando se fala de símbolos somente como
dissertações morais, pode-se ter certeza de que este nem
sequer recebeu a inteligência básica dos símbolos”.

Graças aos nossos antepassados, “nossos antigos Mestres”, a


inserção da maioria dos nossos símbolos na maçonaria, foi
justamente pelo ensinamento moral contido neles, ou nas suas
interpretações. Mas alguns autores preferem aulas de
explicações sobre ciências ocultas, numerologia, astrologia,
cartas de tarô, magia, alquimia ou cabala e assim constituem
as suas fontes interpretativas.

Boucher, que era um adepto da magia, escreve, por exemplo,


sobre o irmão “guarda do templo”: “a ele é fornecido com uma
espada mágica destinada a dissolver os conglomerados
fluídicos. O guarda do templo requer uma qualificação
mágica.”

Wirth gosta de cartas de tarô, outros são dedicados a


numerologia, muitos autores são inclinados para a Cabala,
sem saber ao menos uma palavra hebraica.

165
Infelizmente, todos estes simbolistas foram copiando
interpretações uns dos outros, e se esforçaram para propor
novas interpretações, cada vez mais excessivas, e como às
vezes os autores não conhecem o assunto tratado, em vez de
ler, passaram a “copiar e colar” obras de segunda ou terceira
mão, o que leva a desastres.

3 – A livre interpretação de símbolos


Alguns defendem a ideia de que todos podem interpretar
livremente um símbolo, o que dá margem para uma frase como
esta: “o símbolo que não significa uma realidade, evoca
necessariamente, tudo e o seu contrário, ou vice-versa, é
claro”. Este é um claro exemplo de que a livre interpretação
sem considerar fatos concretos, dá margem para qualquer tipo
de invenção, o que acredito não ser a finalidade do ensino
maçônico.

4 – Perda de sentido crítico


Acrescente a característica anterior, a perda de sentido crítico
que atinge os maçons quando falam de simbolismo. Não quero
aqui, travar o livre pensador que cada um de nós deve
desenvolver. Mas, quando se trata de falar de símbolos e
simbolismo, eu acho que há uma abolição total desta
qualidade, e vemos que alguns sofrem de uma cegueira mental
e estão dispostos a engolir todos os erros e absurdos que lhe
são apresentados.

166
Basta participar de qualquer grupo de debates, seja por
aplicativos de comunicação, grupos de e-mail ou fóruns, que
se observa claramente a disseminação de informações
errôneas, sem qualquer investigação prévia, o que acaba
incutindo na mente dos participantes, barbaridades no ponto
de vista do real pesquisador. Aí está o risco de cairmos na
máxima de Joseph Goebbels, propagandista de Adolf Hitler,
“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Esta preocupação de estarmos especulando demasiadamente


sobre a simbologia maçônica, já foi observada por alguns
pesquisadores, conforme alguns exemplos de declarações que
seguem abaixo:

1.) J.R. Rylands – Quatuor Coronati Lodge.


“A Maçonaria tem pouco risco de sofrer ataques de inimigos
de fora das suas fileiras, mas poderia sofrer das atividades dos
seus membros entusiasmados e equivocados. É difícil avaliar
a extensão dos danos na amizade calorosa a Ordem, e o que
pode haver no futuro pela atividade do que poderia ser
chamado de escola pseudo-mística […].

167
No entanto, existe sem dúvida, uma rejeição a qualquer
princípio verdadeiro de estudo histórico real e desprezo pelo
método científico. Em sua facilidade extravagante para
inventar, substituindo a fraternidade pelo individualismo, os
esforços desta escola são absolutamente opostos aos
objetivos desta loja […].

Como poderia haver um espírito de investigação crítica se


você considera a Ordem como uma seita pseudo-mística? […]
Reconhecemos que na Maçonaria há espaço para todas as
categorias de escolas filosóficas, mas com certos limites […].
Mas eu sugiro que devemos sempre olhar com preocupação o
surgimento de um dogmatismo onde prevalece a liberdade de
interpretação, como agora […]. E, no entanto, não se pode
negar que o dogma tem o seu lugar em diferentes explicações
na Maçonaria praticada hoje.

Com muitas partes de cena filosófica que nos diz que a


Maçonaria é isto ou aquilo, nós somos convidados a aceitar
uma série de significados mais profundos e simbolismo
oculto.”

2.) F.R. Worts – Aviso para os estudiosos da maçonaria (1923)


“A Ordem moderna é essencialmente especulativa e cada
maçom deve necessariamente ser especulativo, de uma certa
maneira, em suas atitudes frente aos seus princípios, mas há

168
uma tendência muito grande em superar os limites da
verdadeira pesquisa especulativa e exagerar nos valores
simbólicos.

Esta tendência já estava fortemente desenvolvida no final do


século XVIII, e nos tempos modernos evoluiu para uma
questão perigosa, tanto para a ordem, como para a correta
compreensão de suas exigências morais e seus ensinamentos.

Infelizmente este simbolismo extremamente exagerado foi


ensinado por maçons famosos e verdadeiros como Oliver, Fort
Newton e Wilmshurst, que exerceram uma grande influência
em seu tempo. Tais interpretações especulativas extremas são
inaceitáveis ■■[…].

As explicações simbólicas que estão nos rituais modernos,


são claras, simples e totalmente satisfatórias. É direito
incontestável de cada maçom, investigar as interpretações que
ocupam suas aspirações espirituais, mas deve levar em conta
as linhas de Tennyson sobre a “falsidade dos extremos” e não
se inclinar rapidamente para aceitar as explicações mais
comuns até que você possa fazer com plena convicção”.

3.) E. Ward – Conferencias Prestonianas (1970)

169
“As palavras são símbolos para transmitir idéias para o
espírito humano, e se deduz que durante longos períodos
mudaram o significado que eles tinham, e sem dúvidas são
temas que temos que considerar. Nos primeiros dias da
Maçonaria muitas das palavras transmitidas por nossos
antecessores tinham um sentido muito diferente do que
comumente aceitamos hoje”.

4.) H. Ward em “resumos” da Loja Quatuor Coronati (1969)


“Descobrir sua própria interpretação dos nossos símbolos é o
melhor tipo de exercício maçônico; o único perigo é que isso
poderia te levar muito longe das explicações simples que são
normalmente prestadas. Muitos de nós já vimos exemplos
maravilhosos, que não têm nenhuma relação com a Maçonaria
e que jamais existiu na mente de quem trouxe as palavras e os
procedimentos que usamos hoje. O simbolatría (veneração
excessiva de símbolos) volta o simbolismo para o complexo e
obscuro.

Gera um desperdício inútil de mero simbolismo adotado para


uma melhor compreensão dos conceitos morais. A Maçonaria
não define o significado dos símbolos. Ela convida os seus
membros a especular sobre o seu significado. Esta liberdade
de interpretação é boa, mas quando levada ao extremo pode
não dar nenhum benefício, e for perigoso para aqueles que não
têm uma cultura maçônica suficiente.

170
Os símbolos são utilizados para uma melhor compreensão dos
conceitos que sustentam. Eles não devem ser venerados com
o objetivo de terminar a investigação daqueles que procuram
ter uma interpretação que os satisfaça mais emocional do que
intelectualmente.”

Conclusão
Como reflexão final sobre o assunto em pauta, entendendo a
importância de se investigar, avaliar e pesquisar sobre como e
por que a simbologia maçônica foi formada ou formatada pelos
nossos antecessores, sendo assim deixo a seguinte
expressão, para nossa reflexão:

“NÃO A SIMBOLATRIA, SIM AO SIMBOLISMO”.

Luciano Rodrigues

171
ANATOMIA MAÇÔNICA

March 23, 2017

Quando eu era pequeno tinha mais cabelo, menos barriga e


queria ser médico, nem tanto para vestir de branco, mas o que
sempre me fascinou é o estudo da mais fantástica obra de
Deus.

O corpo humano é sem duvida uma fonte inesgotável de


admiração e profundas reflexões. Se eu fosse médico a
primeira coisa que gostaria de escrever aos meus colegas
seria sobre a mão:

A mão é a parte do membro superior distal ao antebraço e em


sua extremidade encontramos o primeiro quirodáctilo,o

172
segundo quirodáctilo, o terceiro quirodáctilo, o quarto
quirodáctilo e o quinto quirodáctilo” .

Porém o Irmão Quirino escreveria assim: A mão é mão e tem


cinco dedos; o baixinho gordinho é o Polegar, dedão, positivo
ou mata-piolho; o que está ao seu lado é o indicador apontador
ou fura-bolo; o terceiro é o dedo médio, dedo do meio,
maior-de-todos ou pai-de-todos; o vizinho é o anelar, anular ou
dedo do anel e o último é o dedo mínimo, dedinho ou
mindinho, não é verdade?

Se a carne desprender dos ossos, veremos as falanges, sendo


a falange proximal, conhecida como primeira falange.

Aí eu envelheci, o cabelo caiu, a barriga cresceu, tornei-me um


“Pedreiro”; me visto de preto e gostaria de escrever aos meus
Irmãos que eles não precisam ler livros de anatomia, mas é
muito importante que leiamos os Rituais, Cobridores ou
Monitores com muita atenção, pois lá está a maneira correta de
sermos reconhecidos pelos SS.·. PP.·. e TT.·.

Ás vezes aprendemos errado, porque foi ensinado errado a


quem nos passou a instrução; o que não pode acontecer é
passarmos o erro adiante, por isto, por favor pegue seu livro
onde ensina sobre como cumprimentar um Irmão, leia-o
observando os desenhos acima. Se você praticava errado não

173
se preocupe, não praticará mais.

Para que este artigo não seja inócuo aos Irmãos que já
praticavam corretamente o M.·. I.·. C.·. T.·. M.·. R.·. vou
transcrever a explicação chinesa sobre os dedos.
Conte para a cunhada e receba os mais calorosos beijos:

Para os chineses os dedos representam a família, os polegares


são nossos pais, o indicador os Irmãos, o dedo médio
representa nós mesmos, o dedo anelar é nossa companheira e
o dedo mínimo representa os filhos. Junte a mão direita com a
mão esquerda unindo os dedos pelas pontas um defronte ao
outro. Dobre para dentro da palma os dedos anelares. Agora
vá separando cada par de dedos: Observe que você junta e
separa os polegares facilmente e eles indicam seus pais.

Todos nós sabemos que não viveremos para sempre com eles;
separe agora os indicadores, eles também se afastam, assim
como nossos Irmãos e Irmãs, afinal eles um dia terão sua
própria família. Os dedos mínimos representam os filhos e
assim como tão facilmente afastamos os dedos, nossos filhos
crescem e casam.

174
Agora experimente separar os dedos anelares. FORÇA!!!
Desista!, Não conseguirá afastá-los, pois eles representam a
companheira e isto é o Corpo Humano a mais fantástica obra
de Deus a nos dizer que marido e mulher devem viver juntos o
resto da vida!

Colaboração: Sérgio Quirino Guimarães

175
VENERÁVEIS E VENERALATOS

March 27, 2017

Tal como o Rui Bandeira sabiamente explanou nos


seus últimos dois textos e que se reportavam à vida interna
das Lojas maçônicas, também é de fulcral relevância salientar
o contributo que os Veneráveis Mestres (VM) ("presidentes da
Loja") têm em relação à vida interna destas Lojas.
A própria dinâmica da Loja depende grande parte da dinâmica
imprimida pelo seu Venerável Mestre bem como pela sua
forma de gerir os "destinos" da Loja.

Uma larga maioria não consegue separar - e isto não é crítica


sequer - o mundo profano do mundo iniciático, ou seja,
por defeito profissional, muitos nas suas vidas laborais gerem
e dirigem pessoas, logo tenderão a agir na Maçonaria da
mesma forma que o fazem no mundo profano.

176
Sendo também, por isso mesmo, mais fácil para estes tomar a
seu cargo os destinos de uma Loja e a gerir o que lá se passa
no seu interior. Mas não releguemos também que a sua forma
de agir e estar perante a Sociedade, a sua Educação e
Formação Acadêmica também auxiliam e muito o seu (bom!)
desempenho, nomeadamente na forma de lidar com a Loja e os
seus membros.
Não existem manuais de sobrevivência para um "VM", existirão
sim pequenos guias ou opúsculos que algumas Lojas ou
Obediências tenham escrito para facilitarem um pouco a vida
de quem durante um ano (em média) terá a responsabilidade
de gerir a Loja, mas o essencial para a gestão da Loja será a
sua vivência e práxis maçônica. Sendo que uns serão mais
"ritualistas" e outros mais "administrativos" no cumprimento
das suas funções.
- Cada um como cada qual... -
Mas não obstante, esta diferenciação da forma de gerir e de
estar, pois a cada identidade corresponderá uma forma de
gerir, permite a vantagem mesmo que uma Loja tenha uma
prática de trabalho homogênea, esta será sempre um pouco
diferente de ano para ano, possibilitando aos seus membros
não ficarem reféns de certo marasmo que não lhes possibilite
evoluir, seja maçônicamente quer pessoalmente.
Outra das vantagens que diferentes abordagens ou estilos de
gestão permite, é que pelo fato de a presidência da Loja ser
quase sempre anual e dependente de sufrágio pelos Mestres
que compõem a assembleia da Loja, impedirá, por certo (!),
determinadas formas gestionais de cariz ditatorial prolongadas
no tempo; resultando que se um dado "VM" desempenhar mal

177
ou de forma nefasta o seu cargo, a Loja somente terá de o
"aturar" um ano ou menos! , mas possibilitando a alguém que
desempenhou um bom ofício, que soube conviver bem com as
responsabilidades que lhe estavam inerentes, e que num bom
português eu possa dizer que tenha levado a Loja a "bom
porto", deixando saudades e inclusive "fazendo escola",
criando assim alguns seguidores que queiram prosseguir
nessa forma de (bem) gerir.
- E cada Loja é uma Loja, tal como cada maçom é diferente do
seu semelhante -.
Cada Loja tem a sua identidade própria, podendo ser parecida
ou não com as outras de uma mesma Obediência, até porque
cada Loja é formada por gente que também pode ser diferente
entre si. A heterogenia dos seus membros é uma das grandes
qualidades que a Ordem Maçônica se pode orgulhar e
enaltecer.
Mas por outro lado, e porque nem tudo "são rosas...", nem
sempre corre tudo bem ou como deveria ocorrer dado
existirem, por vezes, Lojas que não deveriam estar sequer em
funcionamento dado que o que se passa no seu seio ser tudo
menos maçônico, e quase sempre com a conivência do seu
"VM". - mesmo que ele não seja o responsável por tais atos, a
Loja depende dele e ele será sempre a pessoa que dará a cara
pela Loja! - E por causa disto é que um "VM" tem de ter
características naturais de um Homem bom, Livre e com bons
costumes, - soa a "beato", mas é assim que tem de ser - para
que tais situações menos nobres não ofusquem a Luz que
deve resultar da Maçonaria e emanar na sociedade à sua volta.

178
Ser "VM" não é tarefa fácil, não é "bater malhete" como se
queira... Existem determinadas regras a cumprir e a fazer por
cumprir!

Logo, ser investido nas funções de Venerável Mestre não


poder ser encarado de forma singela, mas antes como uma
demanda tanto pessoal como coletiva. Pessoal porque tal é
desempenhado através de um labor próprio e que depende
intrinsecamente de si mesmo, e coletivo porque é feito a bem
da Loja e da Obediência em geral.
Não é fácil esta tarefa, tal como salientei. E uma parte
importante deste trabalho também e que não pode ser
esquecida é o apoio que os obreiros da Loja dão ao seu "VM",
auxiliando-o na condução dos "trabalhos", promovendo
iniciativas em prol da Loja, produzindo Trabalhos/Pranchas e
debatendo respeitosamente a vida interna da Loja.

Apenas uma Loja com obreiros ativo e cujo "VM" seja alguém
que possibilite a troca de ideias efetivas, terá um bom
prenúncio na sua existência, pois as boas decisões nunca
estão sozinhas e muitas das vezes para serem corretamente
aplicadas dependerão daqueles que, por sinal, as terão de
cumprir...
E por isto que anteriormente afirmei é que considero que uma
Loja não é do seu Venerável Mestre, mas sim, que o Venerável
Mestre é que é da Loja!

179
E quem não interiorizar isto, ou não sabe ao que se propõe ou
não estará bem na Maçonaria...
Mas nem sempre quem já foi "VM" quis despir o seu cargo,
isto é, são mestres que embora já não detenham essas
funções, mas que mesmo assim desejam e insistem em o a
continuar a o ser... Obstaculizando de forma premente o
trabalho que o "VM" em exercício possa fazer.

Condicionando este com atitudes ou ideias suas e acicatando


os demais obreiros contra o desempenho do seu "VM";
considerando eu isto como uma forma de rebelião que não
deveria ter lugar num espaço onde a fraternidade deveria ser
um dos seus pilares fundamentais.

Mas pior que isto, serão aqueles que nunca cumpriram tal
ofício, mas que acham que o desempenharam ou que detêm o
direito de vi-lo a ocupar de forma unilateral, condicionando
ativamente o desempenho que o "VM" deverá levar a seu
cargo...

Enfim, há de tudo um pouco... infelizmente!


Até existem aqueles, sendo mestres ou não, que se acham a
"voz da razão" e assim se acharem os "donos da Loja",

180
bloqueando tudo (ou quase...) aquilo a que se propusera a
fazer o seu "VM". E esta forma de inquinar uma Loja não
deveria ser aceite pelos seus membros e muito menos ser feita
com a complacência de um "VM", pois foi ele o eleito para a
direção da Loja e mais ninguém. Uma coisa é um
"VM" aconselhar-se, outra diferente, é deixar outros
executarem o seu trabalho.
E é por isto que amiúde existem cisões e/ou "abatimentos de
colunas" de Lojas com "adormecimentos" ou transferências
de membros para outras Lojas, porque já não é possível a
convivência entre si. Deixando eu à reflexão para os demais
esta situação que é deveras importante para a sobrevivência
de uma Loja.
Um "VM" que saiba desempenhar bem o seu cargo nunca
permitirá que aconteça o que eu referi e saberá, ou pelo menos
tentará gerir os egos e diferenças de opinião que existem no
seio da sua Loja. Essa sim será talvez a maior dificuldade que
poderá encontrar durante o seu veneralato, pois as questões
rituais ou administrativas, quando não são graves, são
facilmente tratadas ou ultrapassadas.
E regra geral são as Admissões de profanos com as suas
Iniciações, os "aumentos de salários/graus", gestão corrente
da tesouraria da Loja e pouco mais. Aqui sim, um "VM" pode
pelas suas qualidades pessoais fazer diferente dos restantes
que passam por essa função; a tal "dinâmica" que abordei.
Felizmente que a Respeitável Loja a que pertencem os Mestres
"escritores" neste blogue conta nas suas colunas com gente
com conhecimentos suficientes para fazer prosperar a Loja.
Apoiando-se nos seus membros mais antigos que com a sua

181
experiência e sabedoria corrigem qualquer "desvio
administrativo" ou erro ritual que possa surgir, bem como nos
seus membros mais recentes, gente pronta a "arregaçar as
mangas" e por se a trabalhar, assim os deixem.

É somente devido a esta complexão de "ideias e vontades",


convergindo numa ação perseverante e regular, é que uma
Loja tem um bom futuro assegurado.

Não basta viver à sombra de feitos do passado, e esta Loja os


tem feito; há que criar sempre novas dinâmicas e formas de
gerir e a Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues nº5 conta
já no seu historial de mais de 25 anos de trabalho ininterrupto
com gente capaz de fazê-lo por mais 25 anos e até mais... E
gente que pela sua forma de estar, pela sua sensibilidade
pessoal e apoiada nos vastos conhecimentos de alguns dos
seus Irmãos, podem ser "herdeiros naturais" da linha de
sucessão criada há vários anos na Loja e que ainda hoje em
dia se utiliza.
E concluindo um texto que já vai longo, um Venerável Mestre
como sendo alguém com a responsabilidade da gestão anual
da Loja, nunca poderá pensar em curto prazo, apenas na
gestão corrente, mas sempre com um pensamento a
médio/longo prazo, para que a Loja não divirja nos seus
destinos, não se preocupando em deixar um "legado pessoal",
mas sim, algo sustentado pelo tempo.

182
E por isso mesmo, deve ser alguém com vontade de trabalhar
e com "espírito diligente" e rigoroso, sendo meticuloso e
disciplinado no que faz, devendo ser o melhor "relações
públicas" da sua Loja, pois ele é que dará a cara por ela; não
devendo ter um perfil autocrático, mas antes um elevado
sentido fraterno.
Em suma, ser alguém que goste de trabalhar e que o faça
pelos outros, não esperando qualquer tipo de encômios à sua
pessoa.
- Somente tendo uma postura humilde perante os seus pares,
pode um "VM" ser exaltado pelos demais, e isto se assim o
tiver de ser... -

Para, além disso, terá de ser alguém capaz de estabelecer


pontes entre os Irmãos que tenham divergências ou contendas
entre si, sendo um bom ouvinte e confidente, para além de ter
a capacidade em aconselhar os obreiros naquilo que
necessitem do seu "VM", e que saiba agir com a "parcimônia"
necessária ao seu cargo, sem impulsos ou afins... pois terá de
ter a ponderação necessária a cada decisão que tenha de
tomar ou que venha a ter de aplicar em relação às funções a si
designadas como representante da Loja na Obediência onde
esta se encontra filiada.
E chegando ao final do seu veneralato, ter a capacidade de
fazer um auto-exame de consciência e refletir no que se
propôs a fazer no que fez e no que poderia ter feito e extrair de
aí as suas próprias conclusões, por forma a que quando se

183
sentar no Oriente ao lado do próximo "VM", poder ser ele,
também, uma "voz" de e em auxilio a este, porque a função de
Past-Venerável ou Mestre Instalado não é mais que isso, uma
voz em auxilio do novo Venerável Mestre.

E como "VM" reconhecer que recebeu a Loja com um


determinado funcionamento, em determinado momento, e que
entregou ao seu substituto na "cadeira de Salomão" uma Loja
que deverá ser mais coesa e mais forte do que aquela que terá
recebido do seu antecessor, - esta é a sua obrigação! - o que
nem sempre é simples de ser feito.

Não deixando nunca de ter sempre presente a noção de que


por qual forma pretenderá ser (re) conhecido no final do seu
ano de trabalho, se por ter sido "Venerável" ou pelo seu
"Veneralato"...

Nuno Raimundo
Blogue A Partir Pedra

184
A FORÇA DO AVENTAL DE APRENDIZ

March 31, 2017

Começo esta manhã transbordado de emoção.


Hoje, ao revirar minhas gavetas, descobri algo que parecia
estar no varal do tempo.
Tive necessidade de limpar meu armário. Digo meu armário,
pois nele só eu mexo. Lá, depois de tentar encontrar o que
desejava, minha paciência parecia estar se esgotando.
Resmunguei muito. Quis brigar com o mundo, por não ver o
que tanto queria.
De repente minha mão toca naquilo que eu não procurava, mas
ali estava para me voltar à razão.
O varal do tempo me entregava a calma, a paz, a tranquilidade.
Faz tanto tempo, mas parecia que foi ontem que eu o recebi.
O meu Avental de Aprendiz, minha maior relíquia, meu maior
troféu ganho em toda a minha vida, me esperava.
Esqueci-me do que procurava. Com cuidado do mesmo
Aprendiz que viu as espadas cintilando pela primeira vez ou a

185
minha emoção de ver a luz como o verdadeiro Maçom
segurou-o.
Ah! Meu avental...!
Quanta saudade ao recebê-lo tão branco, tão puro.
Hoje, não está mais tão branco, mas continua puro, pois o meu
trabalho na Pedra Bruta não foi em vão.
Ah! Meu Avental!
Dizer que tive vontade de lavá-lo, para continuar sempre alvo,
demonstrando todo o meu orgulho, todo erro.
Ah! Meu Avental!
Quantas vezes eu acariciei como a um filho nas minhas
aflições antes das reuniões.
Há quanto tempo você estava esquecido nesse armário.
Há quanto tempo não nos víamos não nos tínhamos um ao
outro.
Ah! Meu Avental de Aprendiz!
Hoje nosso reencontro tem, com certeza, uma lição para mim.
Sei que não devo olvidar quão importante foi meu inicio.
Sei também que nosso encontro é para lembrar que devo
sempre voltar e rever os ensinamentos, para que o orgulho e a
vaidade não se apoderam de mim me mostrando o outro que
não sou.
O avental de Aprendiz não pode ter o pó dos vícios, da
ganância, da maldade.
O avental do Aprendiz é a satisfação da conquista, não o
orgulho do poder.

186
Ao tocar o meu avental, volto a aprender ser humilde, a não
deixar de lado tudo aquilo que foi tão caro, tão bom.
Quanta saudade, meu avental!
O tempo foi passando e eu aqui admirando o meu avental de
Aprendiz.
Abro a gaveta para, novamente, colocá-lo no varal do tempo,
mas minhas mãos teimam em tê-lo comigo.
Que fazer?
Já nem sei mais o que procurava no armário, mas com certeza,
encontrei o que tanto precisava.
Eu precisava de paz, de um novo encontro comigo mesmo.
Eis a minha paz tão procurada, tão desejada, o meu avental de
Aprendiz.
Aos poucos fui colocando o avental na gaveta e à medida que
ele ia sumindo das minhas mãos, meus olhos deixavam cair
lágrimas de saudade.
Meu coração disparava, minhas forças sumiam.
Quanta saudade, meu avental de Aprendiz.
A/D

187
SIMBOLISMO DAS ROMÃS

April 03, 2017

A importância da romã é milenar, aparece nos textos bíblicos,


está associada às paixões e à fecundidade. Os gregos a
consideravam como símbolo do amor e da fecundidade. A
árvore da romã foi consagrada à deusa Afrodite, pois se
acreditava em seus poderes afrodisíacos. Para os judeus, a
romã é um símbolo religioso com profundo significado no
ritual do ano novo.

Quando os judeus chegaram à terra prometida, após


abandonarem o Egito, aqueles que foram enviados voltaram
carregando romãs e outros frutos como amostras da
fertilidade da terra prometida. Ela estava presente nos jardins
do Rei Salomão. Foi cultivada na antiguidade pelos fenícios,
gregos e egípcios. Em Roma, a romã era considerada nas
cerimônias e nos cultos como símbolo de ordem, riqueza e
fecundidade.

188
A bebida extraída da romã entrou para a história durante o
reinado de Salomão, em Israel. Ele mandou esculpir a fruta no
alto das colunas de seu templo, onde hoje se encontra o Muro
das Lamentações, em Jerusalém. Era para lá que os judeus
levavam as romãs e outros alimentos sagrados na Festa de
Pentecostes. Há ainda a crença de que uma romã possui 613
sementes, o mesmo número de mandamentos escritos da
“Torá“.

Entre os plebeus, a romã ganhou outros significados, como


amor, união, casamento e fertilidade, todos relacionados à
grande quantidade de sementes que a fruta contém e à forma
harmoniosa como elas se entrelaçam em sua polpa – na
Grécia, por exemplo, era comum às mulheres consumirem
romã em eventos religiosos para evocar a fertilidade.

A relação das Romãs com a Ordem Maçônica está na adoção,


pela Ordem, do Templo de Salomão como modelo de seus
Templos. Na busca de uma definição simbólica e perfeita para
o Templo que cada um de nós tem em si próprio, a Bíblia
fornece aos Maçons o Templo de Salomão, símbolo de alcance
magnífico.

189
Todo o templo maçônico, incluindo o soalho, as paredes e o
teto, é contemplado no Painel, tendo em sua composição duas
colunas, sobre as quais estão plantadas Romãs.

Na maçonaria as romãs são mostradas através de três romãs


entreabertas, no topo das colunas J e B. As “romãs da
amizade” representam a prosperidade e a solidariedade da
família maçônica. Ela é também vista como a unidade que
existe entre todos os maçons do universo, da mesma forma
que suas sementes, sempre juntas e proporcionando uma
acomodação ímpar, acolhendo a todos. Sua simbologia é
muito semelhante à Corda de Oitenta e Um Nós.

O grande número de grãos que a romã possui e sua


propriedade afrodisíaca, fez com que a mesma fosse
considerada, na simbologia popular, como sendo a
representante da fecundidade e da riqueza. Este, talvez, seja o
significado mais correto para as Romãs colocadas sobre as
colunas de Salomão. No entanto, também, são simbolizadas
como sendo a força impulsionadora para o trabalho e
dispêndio de energia.

Na Maçonaria, os grãos da Romã, mergulhados na sua polpa


transparente, simbolizam os maçons unidos com a energia e a
força necessárias para realizarem o trabalho. Os grãos da
romã simbolizam a união dos maçons em seus vários

190
aspectos: o fisiológico, porque cada grão possui "carne",
"sangue" (o suco) e "ossos", (as sementes).

Os grãos crescem unidos de tal forma que perdem o formato


natural, que seria redondo; espremidos uns aos outros, são
semelhantes a polígonos geométricos, com várias facetas; são
lustrosos e belos, lembrando os favos de uma colmeia de
abelhas; as abelhas trabalham sem descanso e assim lutam os
maçons.

A Romã expressa, na sua coloração, a realidade. A coroa de


triângulos ou coroa da virtude, do sacrifício, da ciência, da
fraternidade, do amor ao próximo, está colocada numa
extremidade da esfera. Simboliza o coroamento da obra da
Arte Real. A flor rubra representa a chama do entusiasmo que
conduz o aprendiz ao seu destino, iluminando a sua jornada.

As cores da Romã simbolizam: o verde, o reino vegetal; a


amarela, o reino mineral; e a vermelha, o reino animal. As
membranas brancas, que não constituem cor, mas a mistura
de todas as cores como as obtidas quando o raio transpassa o
cristal formando o arco-íris, simboliza a paz e o amor fraterno.

Em suma, a romã simboliza a própria Loja.

191
A romã é um dos símbolos mais autênticos e tradicionais da
nossa Ordem. Nos nossos templos em que Colunas
simbolicamente unem a terra com o céu, onde, ostentam as
frutas da união - como uma dádiva, como favos de mel das
abelhas, cheias de pureza e de beleza, sadias e como uma das
mais perfeitas criações da natureza.

Cada romã passou a ser a representação de uma Loja e de sua


universalidade. Suas sementes, como vimos, representam os
Irmãos unidos pelo que é bom, pelo que é sábio, pelo que tem
força e beleza, e pelo ideal comum.

A principal lição que devemos levar sobre as romãs está na


forma como as sementes mantêm-se unidas "ombro a ombro".
Apesar de seus formatos e tamanhos diferentes, as sementes
se apoiam em perfeita união. São inúmeras e, como nós,
espalham-se pelo planeta.

Cada Maçom deve zelar para que a árvore da Maçonaria venha


a produzir frutos não afetados por pragas e doenças, e a união
deve reinar em nosso meio em prol do bem comum.

192
A/D

193
POR QUE MASMORRAS E NÃO GUILHOTINAS?

April 06, 2017

Quando entramos para a Maçonaria é comum sermos


questionados sobre o que fazemos nas Lojas. Aprendemos
sobre isso nos rituais: Levantamos templos à virtude e
cavamos masmorras ao vício. Infelizmente não podemos
explicar dessa forma porque o entendimento depende da
experiência vivenciada dentro das Lojas.

Assim como tudo que se encontra na Maçonaria, essa


expressão também é rica de significados, por mais simples
que possa parecer, e se conecta harmonicamente ao sistema
de símbolos que ilustram nossos trabalhos.

A começar pela Iniciação: é-nos revelado o conceito de vício e


virtude. O primeiro, em especial, entende-se ser “um hábito
desgraçado”.

194
Segundo dicionário online de português, o significado
de hábito é: Mania; ação que se repete com frequência e
regularidade; comportamento que alguém aprende e repete
frequentemente; Costume; maneira de se comportar; modo
regular e usual de ser, de sentir ou de realizar algo; Prática
repetida que se torna conhecimento ou experiência.

Ora… se temos um hábito ou costume de fazermos ou


nos comportarmos de forma que nos prejudique ou prejudique
a outrem, a curto ou longo prazo, entende-se ser um hábito
ruim, um hábito desgraçado, um vício.

O exercício de olhar para si mesmo não é natural. Nossos


olhos só têm acesso a nós mesmos quando olhamos no
espelho; nossos ouvidos não escutam nossa voz da mesma
forma como ela é proferida; os nossos sentidos nos
proporcionam o reconhecimento do mundo à nossa volta, e
não do nosso interior. Fisiologicamente somos constituídos
para interagir com o externo; para trabalhar o interno é
necessário um “aprendizado”.

E qual é a grande missão do Aprendiz? É conhecer a si


mesmo. É saber (ou reconhecer) seus defeitos, suas forças,
seus medos, seu potencial; para que essa consciência lhe

195
sirva de base para tomar uma atitude (a Vontade é um atributo
indispensável ao Maçom) quando se fizer reconhecer um
“hábito desgraçado”, ou mesmo uma virtude que possa ser
explorada.

Desbastar a Pedra Bruta é fazer esse exercício. Exige um


trabalho de introspecção para identificar o gatilho destes
hábitos. E quando descobrimos o que os dispara, podemos
decidir o que fazer: seguir no hábito ou contê-lo.

E esta é a chave para o entendimento da expressão


“Masmorras”. Desenvolver vícios é um atributo inerente à
nossa constituição humana e material. Não é possível
extingui-los, mas sim, contê-los, trancá-los nas masmorras do
nosso mais profundo íntimo, para que não atuem em nossos
comportamentos ou interfiram em nosso Ser.

Desbastar a Pedra Bruta é começar o caminho da


espiritualização.

Autor: Leonardo Chaves Moreira

196
Leonardo é Mestre Maçom, membro da ARLS Águia das
Alterosas, nº 197, jurisdicionada à Grande Loja Maçônica de
Minas Gerais, do Oriente de Belo Horizonte.

197
O FOGO SEGUNDO A DOUTRINA SECRETA

April 09, 2017

O fogo não é um elemento, e, sim, um princípio divino. A


chama física é o veículo objetivo do espírito supremo.

Os elementais do fogo são os de maior categoria. Todas as


coisas desse mundo têm a sua aura e o seu espírito. O granito
não arde porque sua aura é ígnea.

Os elementais do Fogo carecem de consciência física, porque


são muito elevados e refletem a natureza humana. O éter é
fogo. A parte ínfima do éter é a chama que fere nossa vista.

198
O fogo é a presença subjetiva da Divindade no universo. O
fogo universal, em diferentes condições, converte-se em água,
ar e terra. É o “Kriyashakti” de todas as formas de vida. Dá
calor, luz, vida e morte. É o próprio sangue em todas as suas
diversas manifestações, é o fogo essencialmente uno.

No fogo, sintetizam-se os Sete Cosmocratores. Na mais


grosseira modalidade de sua essência, o fogo é a primeira
forma e reflete as formas inferiores dos primeiros seres
objetivos do universo. Os elementais do fogo são os primeiros
pensamentos caóticos divinos.

Na terra, eles tomam a forma de salamandras ou elementais


inferiores do fogo, que revoluteiam nas chamas. No ar, existem
milhões de seres vivos e conscientes, que se apoderam de
nossos emitidos pensamentos, também, ali existentes.

Os elementais do fogo estão relacionados com o sentido da


vista e absorvem os elementais dos demais sentidos. Assim,
só com o sentido da vista, podemos ouvir cheirar e saborear,
posto que todos os sentidos sintetizam-se no da vista.
Segundo Simão, o Mago, toda a criação culmina no fogo. Este
era para Ele, como para nós, o princípio universal, a infinita
potência emanada da oculta Potencialidade.

199
O fogo era a primitiva causa do manifestado mundo da
existência e tinha duplo aspecto: manifesto e secreto. O
aspecto secreto do fogo está oculto em seu aspecto objetivo,
que, do primeiro, dimana. Para Simão, era inteligência tudo
quanto se podia pensar e tudo aquilo sobre que se podia atuar.
O fogo continha o todo. E como todas as partes do fogo eram
dotadas de inteligência e de razão, eram suscetíveis de
desenvolvimento por emanação e extensão.

Essa é, precisamente, a nossa doutrina do Logos manifestado,


e as partes, primordialmente, emanadas são os nossos “Dhyan
Chohans”, os “Filhos da Chama e do Fogo” ou os Eões
Superiores. Esse fogo é o símbolo do ativo e vivente aspecto
da Natureza Divina. Nele, subjaz a “infinita potencialidade na
Potencialidade”, que Simão chamava “o que existiu, existe e
existirá”, ou a estabilidade permanente e a imutabilidade
personificada.

Da Potência Mental, a Divina Ideação se tornava concreta em


ação. Donde as séries de emanações primordiais do
pensamento engendram o ato, cuja mãe é o aspecto objetivo
do fogo, e cujo pai é o aspecto oculto. Simão denominava
“sicigias” (unidades pares) tais emanações, porque emanavam
de duas em duas, uma como Adão ativo e outra como Adão
passivo. Assim, emanaram três pares (seis Eões no total, que,

200
com o Fogo, eram sete), aos quais Ele nominou: “Mente e
Pensamento; Voz e Nome; Razão e Reflexão”, sendo o
primeiro de cada par masculino, e o segundo feminino.

O direto resultado desse poder é produzir emanações, possuir


o Dom de “Kriyashakti”, cujo efeito depende de nossa própria
ação. Portanto, esse poder é inerente ao homem, como o é aos
Eões Primordiais e, também, às secundárias emanações, posto
que, tanto eles como o homem, procedem do único e
primordial princípio da Potência infinita.

No “Philosophumena”, Simão compara os Eôes com a Árvore


da Vida. E, na “Revelação”, disse: “Escreveu-se que há duas
ramificações dos Eões universais que não têm princípio nem
fim, como diamantes ambas da mesma raiz, a Invisível e
Incompreensível Potencialidade, cujo nome é Sigê (o Silêncio).
Uma dessas séries de Eões procede de cima.

É a Grande Potência, a Mente Universal (Ideação Divina ou


“Mahat” dos hindus). É masculina e regula todas as coisas. A
outra procede de baixo. É o grande Pensamento Manifestado,
o Eão Feminino, gerador de todas as coisas.

201
“Ambas se correspondem mutuamente, acoplam-se e se
manifestam à meia distância (a esfera ou plano intermediário)
no Ar Incoercível, que não tem princípio nem fim”.

Este Ar Feminino é o nosso éter, é a luz astral dos cabalistas;


portanto, corresponde ao Segundo Mundo de Simão, nascido
do Fogo, ou o princípio de todas as coisas.

Nós o chamamos de Vida Una a Onipresente, a Infinita, a


Inteligente e Divina Chama.

Hernani M. Portela

202
O LUGAR DO APRENDIZ

April 11, 2017

O local onde uma Loja maçônica se reúne é pelos maçons


designado de Templo. Dentro do Templo, e no decorrer de uma
reunião de Loja, tudo existe segundo uma ordem determinada
e todos têm assento em locais definidos.

O sentido de ordem, a segurança que psicologicamente é


transmitida a quem se encontra num local ordenado, onde
tudo e todos estão no seu lugar, ajudam à criação de uma
atmosfera de confiança, descontração e concentração que é
preciosa, quer para o bom desenrolar da sessão, quer para o
conforto de todos, quer para a predisposição para atender aos
assuntos do espírito, deixando-se efetivamente os metais à
porta do Templo.

Como todos os outros obreiros, o Aprendiz tem o seu lugar

203
determinado. Ou, melhor dizendo, uma zona da sala destinada
a que ele ali se coloque e assista a tudo o que se passa. Esse
lugar, essa zona, situa-se nas cadeiras traseiras do lado Norte
da sala.

O lado Norte aqui em causa é, como quase tudo em Maçonaria,


simbólico. Pode, portanto, corresponder ou não ao Norte
geográfico. Normalmente, as salas onde decorrem as reuniões
de Lojas têm a forma retangular, com a entrada colocada num
dos lados menores. E quando não tem essa forma, utilizam-se
os adereços necessários para que o local onde decorra a
reunião tenha essa disposição.

O lado onde se situa a entrada é, por convenção, designado de


Ocidente. Logo, o lado oposto, onde se coloca a Cadeira de
Salomão, é o Oriente. A generalidade dos obreiros toma
assento nos lados direito e esquerdo da entrada.
Convencionado que está que a entrada se situa no Ocidente, o
lado direito de quem entra é, portanto, o Sul e o lado esquerdo
de quem entra é o Norte.

Portanto, o Aprendiz toma assento na segunda fila do lado


esquerdo de quem entra. Como sempre, esta disposição tem
um significado simbólico. Para ser entendido, há que ter
presente que a Maçonaria nasceu no hemisfério Norte. Neste
hemisfério, o que está situado a Norte é menos ensolarado,
menos iluminado.

204
Em termos de Maçonaria, o Aprendiz ainda está na fase de
transição da vida profana para a vivência maçônica. Está em
processo de aprendizagem dos símbolos, dos princípios, da
vivência, da Maçonaria. Está no início do percurso que todos
os maçons procuram fazer, do seu aperfeiçoamento, da busca
do Conhecimento do significado da Vida e da Morte, da
Criação, do Universo, do Material e do Imaterial.

Está como os maçons dizem, no início do caminho para a Luz.


O Sol nasce a Oriente. Simbolicamente a Luz que o maçom
busca encontra-se a Oriente. Daí que seja no lado que
simboliza o Oriente que se encontra a Cadeira de Salomão,
onde toma assento o Venerável Mestre, que conduz a Loja e os
seus Obreiros na busca, individual e coletiva, do
aperfeiçoamento e do Conhecimento, na busca da Luz.

O Conhecimento, para quem não está preparado, pode ser


nefasto, pode ser incompreendido ou mal compreendido e,
logo, recusado, afastado, distorcido.

Portanto, o acesso à Luz deve ser gradual, em função da


capacidade, da preparação, do Caminhante.
Consequentemente, aquele que está ainda menos preparado,
aquele que está ainda na fase inicial da sua Jornada, deve ser

205
protegido do excesso de Luz, para que nele se não torne
nefasto o que deve ser benfazejo. Assim, deve tomar assento
na zona mais protegida da Luz, ou seja, no Norte.

Quanto ao fato de tomar assento nas cadeiras traseiras, e não


na primeira fila, tal deve-se, quer ao fato de, quanto mais ao
Norte estiver, mais protegido estar da Luz em excesso, quer,
muito mais prosaicamente, ao fato de o Aprendiz ainda ter uma
reduzida intervenção nos trabalhos e ser conveniente deixar a
primeira fila ser ocupada por quem pode intervir ou necessita
de circular pela sala...

Esta regra só tem uma exceção: no dia da Iniciação, finda a


respectiva cerimônia, o novel Aprendiz toma assento, até ao
final da sessão (e só nessa sessão), na primeira fila do Norte.
Também por uma razão muito prática: não faz sentido ser
colocado mais atrás, porventura obrigando outros obreiros a
desviarem-se para lhe dar passagem, para o que resta da
sessão.

Dá muito mais jeito manter reservado um lugar na primeira fila


que, há seu tempo, será então ocupado pelo recém iniciado.
Afinal, depois do turbilhão de emoções que constitui a
Iniciação, sabe bem sentar-se pertinho, pertinho, no primeiro
lugar disponível e facilmente acessível...

A partir da sessão seguinte, e durante todo o tempo em que for


Aprendiz, tomará, então assento na zona que lhe está

206
destinada, os assentos traseiros do lado Norte.

Protegido na sua zona, subtraído a movimentações, o Aprendiz


está sossegado, em plenas condições de se concentrar, de
tudo observar, de tudo apreender. Em Maçonaria, o Aprendiz é
um Homem do Norte...

Rui Bandeira
Do Blog A Partir Pedra

207
ARMAS DA RECONSTRUÇÃO DE TEMPLOS

April 15, 2017

O trabalhador guerreiro; com a trolha em uma das mãos e a


espada na outra”.

Em qualquer empreendimento, material ou espiritual, aonde o


maçom se lance, há necessidade de trabalho constante. Daí o
afloramento da boa vontade ser eficiente arma de defesa
contra a oposição difamadora dos inimigos. No mínimo exige o
aporte de coragem para enfrentar as vicissitudes da vida,

208
entretanto, sem a existência de forte espiritualidade é
praticamente impossível conciliar conflitos, sejam estes
materiais ou espirituais.
É a característica e desenvolvimento espiritual que dá ao
homem a possibilidade de sobrevivência neste sistema
competitivo. Característica que só desenvolve plenamente se
movida pelo heroísmo de vencer a si mesmo, pelas aspirações
e ideias que o diferenciam dos outros animais e de outros
iguais. Sua característica guerreira não é fortuita, aconteceu
em resultado de sucessivas fases de seleção natural, da
prevalência do mais apto.
É só olhar ao passado, na história da trajetória do homem até o
presente e verificar que a jornada foi penosa, inclemente.
Protegiam-se em locais lúgubres como florestas e cavernas,
ou então, em encostas e escarpas para escapar aos
predadores ou da fúria dos fenômenos naturais. A luta foi
longa e muitos agonizaram para lançar o homem no atual
estágio de desenvolvimento.
É notório que, apenas os agrupamentos de homens que
detinham as mais desenvolvidas características espirituais
progrediram e sobreviveram; os demais sumiram nas brumas
do tempo sem deixar vestígio de suas passagens. Só as
civilizações altamente desenvolvidas em espiritualidade
deixaram marcas indeléveis de suas passagens e podem ser
vistas hoje ainda.
Estas características passaram entre as gerações e, de tão
significativas, gravaram-se na estrutura social, passando por
herança aos herdeiros, representando a diferença entre a vida
e a morte, felicidade e sofrimento.

209
Apenas as sociedades que obtiveram maior sucesso em
sustentar características espirituais suplantaram as demais e
dominaram por um tempo, normalmente enquanto primavam
por altos valores morais e espirituais em suas sociedades. Só
através da evolução espiritual é que foi possível obter
recompensas de evolução e supremacia e nunca sem o
empunhar da espada para defender-se dos inimigos.
Os inimigos visíveis são mortos pela espada nos campos de
batalha que se cobrem com sangue e, como consequência da
derrotas, os seus castelos, templos e cidades são derrubados
e incendiados; em muitos casos não sobra pedra sobre pedra.
Os inimigos invisíveis, aqueles que conspiram para derrubar o
templo interno de cada um, são eliminados por uma espada
simbólica com capacidades de lógica, psicologia e
gnosiologia.
A espada de defesa na construção e reconstrução de templos
internos serve-se da lógica. É ela quem percebe quando o
inimigo tenta, por insídia ou ignorância, destruir a construção.
Embora a lógica pareça artificial, ela se impõe por si mesma. É
a aplicação da razão ao pensamento enquanto pensado. É
ferramenta do pensamento enquanto estiver no campo das
ideias. Não atua no Universo físico, apenas no pensamento.
O grande inimigo da construção é construído no pensamento,
e é lá que deve aportar a sagacidade da lógica da espada para
matar raciocínios tortos e que conduzem ao erro. É importante
entender claramente o que o orador verbaliza e absorver
corretamente as estruturas das palavras e frases e sua
organização interna. Cabe ao maçom saber falar bem e
interpretar corretamente o que fala, usando com galhardia a

210
linguagem para expressar seu próprio pensamento e entender
o que os outros realmente verbalizam.
Não só ouvir, mas dar sentido lógico e aplicabilidade prática
ou sensível. Deve ir além das palavras e descobrir falhas de
raciocínio. Andar armado com a espada é necessidade em
qualquer ambiente onde se reúnem homens. Todos têm
interesses: uns bons, outros não! Que valor tem elogios ditos
de forma a apenas fazer coceiras nos ouvidos dos ouvintes?
Não é ofensa discordar! Desonesto é elogiar quando existe
erro em algum raciocínio.
Desgraçada é a construção cujo alicerce é minado pela
adulação e falsidade. É cada um em si quem permite que os
outros o atinjam com suas armadilhas, com seus pensamentos
errados, e isto dura até o momento em que se aplica a fria
espada da lógica para derrubar pensamentos tortos. E onde
está a lógica na composição da espada? Ela está no fio.
Quanto mais aguçada a lógica, com mais facilidade ela corta
os raciocínios errados e o derruba inimigo da construção.
A espada que é usada na construção tem mais uma
propriedade: a psicologia, capacidade inata ou aprendida para
lidar com outras pessoas e consigo mesmo, levando em conta
suas características psicológicas.
Convém armar-se da espada que percebe a origem do
pensamento expresso e qualificá-lo quanto ao tipo a que
pertence. Qual linha ideológica defende. A lógica é dependente
da psicologia, daí sua importância. A psicologia permite
conhecer o processo de pensamento do homem, senão como
saber onde atingir os pontos vitais do inimigo?

211
Conhecer bem o homem e os pontos fracos e fortes do seu
pensamento é importantíssimo na luta para defender o pátio de
obras de construção ou reconstrução de templos. É aprender a
reconhecer onde se é mais vulnerável, onde as muralhas são
mais frágeis e que eventualmente permitirão um ataque
surpresa de vícios e paixões.
A psicologia é a essência do "conhece-te a ti mesmo". Sem
conhecer a maneira como o homem pensa e sente é apenas
luta inglória e o templo pode vir abaixo a qualquer sopro de
contrariedades. Se a lógica é o fio da espada, a psicologia é a
sua estrutura, o seu desenho é o que lhe dá forma.
Podemos associar fé à psicologia, que endurece o metal de
que é feita. Fé é a crença no não visto. Acreditar na existência
daquilo que o maçom representa apenas por um conceito, ao
qual denomina Grande Arquiteto do Universo, é um ato de fé. É
aceitar, mesmo sem ver, a manifestação de uma mente lógica
que apenas cria as leis que dão vida. Este ato de fé é resultado
da atuação de lógica e psicologia.
A esperança dá sentido e razão do porque lutar para defender
o templo interno, aponta a direção para a espada atingir os
pontos vitais do inimigo. É a certeza que o Criador não o
colocou nesta bela nave espacial sem um propósito definido.
Para alguns é indiferente viver em virtude da existência do mal,
mas a maldade é criação do livre arbítrio da criatura e não do
Criador. A intenção do Arquiteto é simples: felicidade.
Uma espada bem afiada, dura, bem desenhada, manejada com
habilidade carece de mais uma característica: a gnosiologia;
teoria geral do conhecimento humano, voltada para a reflexão
em torno da origem, natureza e limites do ato de pensar;

212
defende o pensamento quanto ao seu valor; estuda as relações
entre as diversas verdades de um pensamento, entre o
conhecimento e o objeto conhecido.
Em grosso modo é a psicologia e a lógica atuando juntas para
construir pensamentos corretos, sem falha, onde a gnosiologia
apenas os organiza e classifica. É o conhecimento resultante
da interpretação correta do pensamento enquanto estiver na
cabeça. É a organização de conhecimentos visíveis como
visão, gosto, tato, e invisíveis, ou como fantasia, metafísica e
outras.
Gnosiologia é necessária ao maçom para que esteja
estruturado com uma espada eficiente, treinada e organizada
para defender a construção de seu templo interior. É a espada
do conhecimento que espanta todo e qualquer inimigo que
tenta destruir a bela construção moral que cada maçom deve
ser na construção da sociedade humana. É o motivo de o
maçom estudar em sua loja os mais diversos assuntos do
pensamento, guardando-os para aplicação em sua vida.
O resultado de todo conhecimento é ordenado e organizado
pela gnosiologia. Ela é a espada toda. Está em todos os
detalhes, de como este são belos, ordenados e prontos para o
uso. Uma arma desprovida de treinamento, organização e
método são o mesmo que possuir um revólver sem saber
usá-lo, vem o meliante e leva tudo, inclusive a arma.
O maçom que prima pela reconstrução constante de seu
interior, de seu templo vivo, usa a trolha numa das mãos e
empunha a espada na outra, e em virtude desta condição de
permanente alerta é bem sucedido na vida, progride material e
emocionalmente - apesar das dificuldades, é feliz.

213
Aprende a suportar a visão do ser e do que há de mais
luminoso do ser, visão equilibrada que passa a interpretar
como o bem. Só usa da espada para matar os inimigos que
tentam bloquear o caminho para a luz, para intimidar e afastar
os que tentam interferir na sua permanente reconstrução,
razão da sabedoria, manifestação da felicidade.
O sumo do bem é encontrar a felicidade. Está consciente que é
pelo valor, perseverança e firmeza com que trata seus
assuntos internos que dependem seu sucesso na sociedade e
constantes momentos de felicidade. Com este repetido
trabalho de reconstrução do templo interno obtém a vitória da
liberdade como consequência da coragem e da perseverança.
Está consciente que o caminho da luz é resultado da repetição
que conduz ao hábito, pois quem tem por hábito repetir
práticas virtuosas certamente encontra a felicidade. Trabalha
para construir um ambiente de paz e harmonia onde possa
crescer junto com seus irmãos e cidadãos do mundo, sempre
alerta contra os ataques, os quais são repelidos com coragem
e firmeza.
O ambiente que ele constrói internamente reflete-se ao seu
redor, contamina aos que lhe são próximos. Surge o ambiente
fraterno onde as pessoas tratam-se como irmãos, onde se
reúnem diversos templos vivos semelhantes que têm profundo
amor entre si, e como consequência, lá naquele local sagrado
se manifesta aquilo que o maçom define pelo conceito de
Grande Arquiteto do Universo.
Denilson Forato

214
O CONCEITO FILOSÓFICO DE TEMPO E A RÉGUA DE 24
POLEGADAS

April 18, 2017

O presente artigo aborda a questão da régua de 24 polegadas e


o conceito filosófico do tempo, buscando afirmar que o
instrumento conferido ao aprendiz maçom contém diversos
elementos de contemplação dos filósofos gregos. O artigo
ressalta que o maçom, ao usar a régua como um instrumento
cotidiano pode obter “tempo” para a vida maçônica e familiar,
evitando-se a ausência em ambos os ambientes.

A Questão do Tempo
A maioria das pessoas, lógico supor, admite uma
compreensão intuitiva do tempo. Pra essa maioria o tempo é
algo ao mesmo tempo cotidiano, empírico, científico, fácil e
complexo, poético e assustador, sentimental ou frívolo.

215
Falamos do ontem, do hoje e do amanhã. Referenciamos no
passado de nossas vidas, para hoje planejarmos e pensamos
no futuro de nossas famílias. Enfim, existe um tempo que
passa ao mesmo tempo em que outros passam o tempo.

Para muitos o passado como tempo é história e o futuro


especulação. O hoje e o agora não existem, sendo apenas uma
referência de segundos entre o passado e o futuro.

Deus é, diriam alguns, logo não existe passado ou futuro na


mente de Deus. Talvez por isso Santo Agostinho tenha escrito
em suas Confissões: “O que é o tempo? Se ninguém pergunta,
sei o que ele é; mas se alguém me pergunta e tento explicá-lo,
já não sei mais.” (SANTO AGOSTINHO, 1997).

Poderíamos, partindo da premissa acima, considerar que o


tempo é algo ou objeto de difícil definição, podendo apresentar
diversos conceitos e abordado de formas diferentes,
dependendo do ramo da ciência, seja arte, geometria, biologia,
astronomia, matemática, física, sociologia ou filosofia.

216
Não se pretende neste artigo uma abordagem sobre cada um
desses aspectos, mas apenas demonstrar que o simbolismo
da régua de 24 polegadas, em especial no Rito de York, possui
profunda atualidade filosófica sobre o que concerne ao tempo.
A Régua de 24 polegadas na Maçonaria

A primeira observação que fazemos é quanto às


características básicas da régua, um instrumento simples,
milenar, que nos ensina, de uma forma mais simples ainda, o
caminho direto entre dois pontos, dois destinos. Com a régua
medimos um seguimento do infinito. Uma parte de nossa vida.
A retidão que buscamos.

Após a cerimônia de iniciação maçônica, no primeiro grau da


Ordem, o Aprendiz Maçom recebe uma régua, ou é instado a
pensar sobre a utilidade de “uma régua de 24 polegadas”, que,
devidamente dividida em três partes iguais, deve remetê-lo a
adequar a utilização do tempo cotidiano. A Maçonaria a adota
porque simboliza o dia com suas vinte e quatro horas,
exigindo dos maçons uma adequada utilização das horas do
dia.

No campo maçônico, a graduação nela colocada de vinte e


quatro polegadas, serve para mensurar o tempo, as vinte e
quatro horas do dia, em que o homem deve distribuir suas
atividades. No Rito de York, a “cautela” ganha importância na

217
vida do maçom. Associar, portanto, a cautela à régua de 24
polegadas nos parece ser um bom caminho para explorarmos
o conceito de tempo.

Um maçom deve usar no cotidiano de sua existência, as 24


polegadas como representação de 24 horas, divididas em três
partes de 8 horas: descanso, trabalho e solidariedade.

Assim deve de certa forma, dividi-las entre suas atividades


matinais, nem sempre realizadas, como sua primeira refeição
diária, às vezes esquecida. Outras horas dedicadas ao seu
trabalho; à necessária recreação, muitas das vezes não
considerada; suas reflexões, em geral pouco ou mal
aproveitadas; e o merecido repouso, como nos prega a
mensagem maçônica. E as outras oitos horas servindo a Deus
ou a algum necessitado.

Filosoficamente, poderíamos dizer tratar-se de um caminho


entre a norma e a ordem, entre o que se quer fazer e o que se
deve fazer, entre o passional e o racional, entre a direção da
ponta do malho ao topo do cinzel. Indica a própria construção
do homem, a lapidação de sua forma mais bruta em busca da
perfeição (RAGON, 2005).

218
O exercício na separação de cada tempo, dando o ritmo
necessário para cada etapa, faz com que o homem evolua,
cresça se realize e desenvolva habilidades que de outra forma
poderia pensar ser impossível realizá-las.

A constante assertiva de muitos maçons contemporâneos de


que “não tem tempo”, quer para ir à Loja ou realizar atividades
de filantropia, demonstra uma não utilização dos princípios
maçônicos sobre a administração do tempo (ALCÂNTARA
FILHO, 2012).

Segundo os conceitos filosóficos do simbolismo maçônico,


“tempo obtido” seria uma vitória pessoal, inigualável, uma
capacidade de autogestão, ou a pura demonstração da
vontade, de responsabilidade e do reconhecimento de si
própria.

Um caminho que se propõe reto é íntegro e honesto. Cada


nova ação proposta deverá ser bem estudada, analisada, e,
para ser edificada, basta incluí-la nos intervalos de cada ponto
de nossa régua, utilizando para isso os princípios éticos que
envolvem a liberdade, a igualdade e a fraternidade (BAYARD,
2004).

219
No campo simbólico, junto ao malho e o cinzel, a régua forma
um conjunto de ferramentas, ou instrumentos, que devem ser
usados pelo Aprendiz em seu trabalho, como diz o ritual
do Rito Escocês Antigo e Aceito. Já no Rito de York, mais
antigo que esse, a régua de 24 polegadas está associada ao
“martelo de corte”, um instrumento muito mais apropriado ao
trabalho no “desbastar” da Pedra Bruta.

De qualquer forma, a régua era usada pelos maçons


operativos, aqueles que remontam das lendas míticas aos
construtores de templos, para executar um trabalho de
precisão na construção, medindo, delineando, ajustando o
traçado ou limites do corte de uma determinada pedra para
uma construção específica.

O Tempo: Primeiros Conceitos


Aristóteles (1995), em sua obra “Physique IV, Tratado do
Tempo”, faz uma reflexão sobre a realidade física do tempo,
aquela que é medida pelos relógios, dando inclusive a
impressão que descarta o tempo psicológico, demonstrando
que o tempo é uma ilusão. Para ele, o momento presente,
como “instante”, não pode existir para o homem, pois não
pode ser percebido instantaneamente, como no sonho
(BURNET, 1994).

220
Ele formula uma questão-chave: “O tempo poderia existir sem
a alma e o pensamento, que são os verdadeiros sujeitos de
toda a medição? (218b)”. Depois de uma análise desta
questão, ele mesmo formula a resposta afirmando que isso
poderia ser válido para todas as coisas, menos para o tempo e
o movimento.

As respostas acima seriam analisadas séculos depois por


Santo Agostinho. Mas, retornando a Aristóteles, podemos
ressaltar a definição de seu objeto: “O tempo, se não é o
próprio movimento, é seu número calculado, isto é o resultado
da medição” (219). Assim ganhamos consciência do tempo
pelo fato do movimento representar uma sucessão contínua,
definida como um antes e um depois, ou seja, “O tempo é o
número do movimento conforme o antes e o depois” (219b).

Lógico que já evidenciamos esses conceitos aristotélicos no


simbolismo da régua de 24 polegadas, no sentido de
podermos medir numericamente um espaço de movimento
menor (ciclo de oito horas) durante um dia (três ciclos de oito
horas).

Analogamente, no item 223-b da mesma obra, Aristóteles diz


que “a locomoção circular (o movimento dos astros no céu) é
a melhor medida, porque seu número é o mais conhecido”, o
que também remete a simbolismo maçônico do Rito Escocês.

221
Heidegger (2012), ao citar Platão, afirmou que o tempo nasceu
quando um ser divino colocou ordem e estruturou o caos
primitivo. O tempo tem, portanto, de acordo com Platão, uma
origem cosmológica. Ele procura estabelecer a distinção entre
o “ser” e o “não ser”. O mundo do “ser” é fundamental e não
está sujeito a mutações.

Ele é, portanto, eternamente o mesmo. Este mundo, entretanto,


é o mundo das ideias, apreensível apenas pela inteligência e
pode ser entendido utilizando-se a razão. O mundo do “não
ser’’ faz parte das sensações, que são irracionais, porque
“dependem essencialmente de cada pessoa” (LUCE, 1994).

O domínio do tempo estaria nesse segundo mundo, assim


como tudo o que se observa no universo físico, tendo assim
uma importância menor. Talvez possa ser dito que, para
Platão, o tempo essencialmente não existe, uma vez que faz
parte do mundo das sensações.

O Tempo da Alma
Platão (2002), em Timeu, afirma que o “deus quis que todas as
coisas fossem boas”. Portanto, para ele, esse deus:

222
[…] teve a ideia de criar uma espécie de imagem móvel da
eternidade, e, enquanto organizava o céu, criou à semelhança
da eternidade imutável em sua unidade, uma imagem em
eterna evolução, ritmada pelo número; e é isto que chamamos
de tempo. À constituição do tempo, ele combinou o
nascimento dos dias, das noites, dos meses e do ano (Platão.
Timeu e Critias ou Atlântida, 2002).

Esses princípios mostram a universalidade do ensino


simbólico da Maçonaria, em especial na régua de 24
polegadas, pois o ciclo se repete, a cada oito medições
numéricas, num ciclo ininterrupto de três medições. Ou seja, a
cada hora, a cada dia, mês e ano. Enfim, a régua e os
conceitos platônicos nos remetem a nossa própria vida e
eternidade.

Santo Agostinho (op. cit) oferece-nos outra reflexão sobre o


tempo onde ele opõe a eternidade imóvel num eterno presente
e o tempo que passa. Para ele o “Verbo” eterno é o criador de
todos os tempos em que a criação pode ocorrer. E no capítulo
XIII afirma que não havia tempo antes que o tempo existisse,
mostrando que o futuro não existe ainda, o passado já não
existe mais e presente vai desaparecer à medida que o tempo
avança, sendo, portanto efêmero.

223
Outra contribuição de Agostinho é que do tempo “psicológico”
de Aristóteles constrói a ideia de tríade:

[…] passado-presente-futuro que não existem em atos, mas


nas representações de nossas mentes, e se existem nas
representações de nossas mentes, eles o fazem na forma
presente, pois é no presente que concebemos ou imaginamos
o futuro e nos recordamos do passado (cap. XVII)”. (ABRÃO &
COSCODAI, 1999).

A humanidade tem necessidade de medir o que ela concebe


como tempo. A régua de 24 polegadas expressa essa
necessidade. Portanto, deve ser dividida em três partes iguais,
pois aqui o tempo se apresenta como número e, como todos
os números, indicando quantidade – quer de tempo ou de
horas – não passa de um produto prático de pensamento.

Considerações Finais
A natureza do tempo tem sido um dos maiores problemas
desde a antiguidade, quer no que concerne à medição,
passagem, fluidez, linearidade ou circularidade, se divino,
cósmico ou meramente físico.

224
Acredita-se cada vez mais que ele é uma das propriedades
gerais do pensamento humano ou uma se suas exterioridades
e que, para a compreensão e entendimento de nossa
humanidade, precisa ser dividido em três dimensões lineares:
o passado, o presente e futuro.

Sabemos que devemos a máxima de “nunca nos banhamos


duas vezes no mesmo rio” a Heráclito (1988), que é o filósofo
da transformação e do movimento perpétuo. Conceito que
reforça o princípio de que a divisão igual em 24 partes da
régua, embora repetida cotidianamente pelos maçons, nunca
terá o mesmo objetivo, pois se renova automaticamente, ao
final de cada ciclo de 24 horas.

Mesmo sendo uma contraposição ao pensamento de Platão


(op. Cit), que, ao defender um “ciclo mítico de eterno retorno”,
onde o tempo era um movimento cíclico e assíduo, pois aquilo
que acontecia no passado era repetido e retornava (VERNANT,
1992), a régua de 24 polegadas reafirma um conceito de que a
repetição insensata de pensamentos e ações, diariamente, traz
infortúnios.

Na perspectiva de Kant, o tempo é uma estrutura da relação do


sujeito com ele próprio e com o mundo, uma forma “a priori”

225
da sensibilidade, uma espécie de intuição pura e ao mesmo
tempo, uma noção objetiva de observação e não extraído da
experiência, ou seja, um dos limites para o conhecimento no
plano da sensibilidade.

Independente do valor material, físico e matemático da


medição do tempo, relacionando-o ao passado, presente ou
futuro, à medida que o tempo se torna subjetivo ou
psicológico, cada ser humano pode vivenciá-lo numa situação
agradável, desagradável, lenta, rápida, penosa ou alegre.
Conclui-se, portanto que o homem, pela sua condição de
mortal, é afetado por processos diferentes do que ocorrem no
espaço infinito.

Há uma assertiva na Maçonaria brasileira de que “somos todos


aprendizes”. Sendo assim, a régua de 24 polegadas, pelo
menos teoricamente, nos acompanha sempre. Se seu
simbolismo é usado junto à nossa capacidade mental de reter
acontecimentos e imagens passamos a ter uma condição
fundamental para as características fundamentais da vida
social, o que inclui obrigatoriamente a necessidade de
“tempo” para nós mesmos e para nossas famílias.

Autor: Luiz Franklin de Mattos Silva


Fonte: Revista Fraternitas in Praxis

226
Luiz é biólogo, Mestre em Zoologia pelo INPA e Doutor em
Biologia de Água Doce pelo INPA/Roseinstel School of Marine
Science. Mestre Instalado, é membro da Loja Maçônica “Acácia
de York No. 52”, Sumo Sacerdote do Capítulo “York No. 40” de
Maçons do Real Arco e Grande Secretário de Planejamento
Estratégico do GOIRJ.

Referências Bibliográficas
ABRÃO, B.S.; COSCODAI, M.U. História da Filosofia. São
Paulo: Nova Cultural, 1999. ALCÂNTARA FILHO, N. Irmãos,
Ajudai-me a Abrir Loja. São Paulo: Madras, 2012.
ARISTÓTELES. Physique IV, Traité du temps. Paris: Kimé,
1995. BAYARD, J. P. A Espiritualidade da Maçonaria: da Ordem
Iniciática Tradicional às Obediências. São Paulo: Madras, 2004.
BURNET, J. O Despertar da Filosofia Grega. Trad. M. Gama.
São Paulo: Siciliano, 1994. HERÁCLITO. Fragments et
Témoignages, Les Présocratiques. Paris: Gallimard,
1988. HEIDEGGER, M. Platão, o Sofista. São Paulo: Editora
Forense Universitária, 2012. LUCE, J.V. Curso de Filosofia
Grega. Trad. M.G. Kury. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.
PLATÃO. Timeu e Critias ou Atlântida. Rio de janeiro: Hemus
Editora, 2002. RAGON, J. M. Ritual do Aprendiz Maçom. 8ª Ed.
São Paulo: Pensamento, 2005. SANTO AGOSTINHO.
Confissões. Rio de Janeiro: Editora Paulus, 1997. VERNANT, J.
P. As origens do Pensamento Grego. Trad. I.B.B. da Fonseca.
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 7ª ed., 1992.

227
A INSTALAÇÃO DO NOVO VENERÁVEL MESTRE

April 21, 2017

Nestes dias que antecederam e os que serão posteriores à


distribuição, teremos muitas Sessões Magnas de Instalação e
Posse nas Lojas jurisdicionadas.
É importante que fique bem claro que não é “Instalação e
Posse do Venerável Mestre”, o Mestre Maçom escolhido para
presidir a Loja é INSTALADO pela Comissão Instaladora e ELE
dará POSSE aos Vigilantes e demais Oficiais.

Instalar na interpretação moderna é colocar objetos/pessoas


necessárias a determinado trabalho ou empreendimento o que
não deixa de ter sentido dentro do labor maçônico, mas a
nossa cerimônia está mais ligada a um símbolo do que
propriamente ao Irmão.

228
Este símbolo é o Trono de Salomão e por mais incrível que
possa parecer fazemos a ritualística muito bem próxima a que
é praticada nas Instalações das autoridades eclesiásticas.
Quando há vaga em alguma paróquia, o novo Padre é
INSTALADO por seus superiores e ao final é reconhecido pela
comunidade como respeitável (venerável) condutor do
rebanho do Senhor.
A Instalação é o assentamento (stallum = assento) do Mestre
Eleito ou do Mestre Escolhido na cadeira de maior destaque;
estas denominações são ainda da época em que a Maçonaria
tinha apenas dois Graus (Aprendiz Contratado e Companheiro
de Ofício) e os Irmãos escolhiam entre os Companheiros um
Irmão para conduzir os trabalhos e dar a palavra final.
O interessante é que hoje valorizamos muito a condição do
Venerável Mestre de abrir os trabalhos, dirigir a Loja e
esclarecer com as luzes de sua sabedoria os assuntos da
Sublime Ordem.
Se isto fosse a situação mais importante, as reuniões
maçônicas só aconteceriam com a presença do Venerável
Mestre da Loja e todos nós sabemos que não é assim que
acontece.
Na ausência dele, naturalmente o Primeiro Vigilante abre a
Loja, preside os trabalhos e sabiamente traz luz à Sessão,
afinal mudam-se as pessoas, mas o Trono é o mesmo.
Mas então quais são as grandes prerrogativas do MESTRE
INSTALADO?
Na verdade é uma só, pois todas as demais ele pode delegar
poderes de representação a seus Oficiais, a única que é de sua
inteira responsabilidade é o ato de SAGRAR o novo Aprendiz

229
na Iniciação, o novo Companheiro na Elevação e o novo
Mestre na Exaltação.
Este termo deve ser bem compreendido por todos nós, afinal
Maçonaria não é religião e nós não SAGRAMOS no sentido de
tornar algo SAGRADO nos conceitos religiosos.
Sagrar é um verbo transitivo que tem sim seu uso em
cerimônias religiosas (dedicar a Deus, benzer, santificar), mas
o usamos no sentido de conferir um título, uma honra, tornar
respeitado e conhecido pelo grau alcançado.
Acabamos confundindo a conjugação do verbo sagrar no
particípio passado (sagrado) com o adjetivo daquilo que é
consagrado ao culto (sagrado).
Como ficam as Sessões Magnas sem a presença do Venerável
Mestre? Devem ser adiadas? Só se a vaidade do Venerável
Mestre exigir!

Aos Irmãos que de agora em diante estarão à ”frente” da


Oficina meus parabéns e guardai este ensinamento:

"Você pode conseguir qualquer coisa que queira na vida, se


você ajudar o suficiente outras pessoas a conseguirem o que
elas querem." Zig Ziglar.

230
EM BUSCA DA PRÓPRIA VERDADE

April 23, 2017

Vivemos em busca de algo que nem sempre sabemos o quê. E


baseados nesta busca, passamos a vida fazendo escolhas.
Desde cedo somos obrigados a fazer escolhas. Escolhemos
com o que vamos brincar quem será nosso amigo, o que
vamos ser quando crescer, que caminho profissional vamos
seguir com quem vamos nos casar.

Escolhemos também coisas mais simples, como o que vamos


comer que caminho vamos fazer com que roupa vamos sair.
Mas se pararmos para pensar, veremos que nossa vida nada
mais é do que uma grande seqüência de escolhas que fazemos
a cada instante de nossa existência.

231
Das mais simples às mais complexas, das mais mutáveis às
mais definitivas, as escolhas são a essência de nossa vida.
Mas será que escolhemos com consciência e de acordo com
nossa própria verdade? Geralmente não.

É certo que a todo o momento criamos nossa realidade. Tudo


que nos acontece é fruto de nossas escolhas. Isto porque, em
primeiro lugar, uma escolha sempre leva a outras. Além disso,
muitas vezes escolhemos sem saber, pois nossos
pensamentos e sentimentos possuem mais força do que
podemos imaginar. Isto porque pensamentos e sentimentos
são vibrações capazes de materializar acontecimentos em
nossa vida.

E como muitos deles são inconscientes, nem sempre sabemos


o quanto estamos materializando determinadas coisas em
nossa vida. E tanto os pensamentos e sentimentos
conscientes como os inconscientes têm poder. Muitas vezes,
os inconscientes têm até mais poder por buscar uma forma de
se fazerem presentes.

Querem nos mostrar o que passa dentro de nós mesmos e que


sua voz seja ouvida. Acontece que muitos deles também não
estão em sintonia com nossa verdade interna. O tempo todo
fazemos escolhas baseadas em nossos pensamentos,
sentimentos e padrões, e como tudo que acontece em nossa
vida é fruto de nossas escolhas, devemos estar mais atentos
ao que estamos escolhendo e ao que de fato queremos.

232
Por isso o autoconhecimento é tão importante! Pois quando
nos conhecemos e estamos sintonizados com nossa verdade,
tudo parece fluir melhor e fica mais fácil encontrar a felicidade
verdadeira. E Sempre podemos rever nossas escolhas e mudar
o nosso futuro. Muitas vezes nos lamentamos pensando em
escolhas erradas que fizemos no passado. Devemos nos
perdoar e seguir em frente. Se escolhermos errado foi porque
não tínhamos uma sintonia com nossa essência, com nossa
mais pura verdade, fazia parte de nosso caminho e
aprendizado.

Temos que nos conscientizar que podemos e devemos


escolher o que acontece no “aqui e agora” e no que
acontecerá daqui para frente. É possível escolher diferente.

É possível mudar de opinião, de escolha, de caminho. É


possível seguir em frente de acordo com o que nosso eu
verdadeiro deseja. É ele quem sabe o que é melhor para nós.
Para isso, podemos nos auto conhecer e contar também com
os sinais que a vida nos dá.

Esses sinais vêm através de nossas sensações, dos sonhos,


das pessoas que conhecemos e encontramos, e de muitas
outras maneiras. Se estivermos atentos, fica mais fácil

233
observar o que se passa a nossa volta.

Mas é sempre bom lembrar que sintonizamos algo que tenha


ressonância com o que estamos emitindo. Vejo que temos
muitas formas de chegar a esta nossa verdade. E uma delas é
o mapa astrológico, capaz de nos apresentar ao nosso eu
verdadeiro, à nossa própria verdade. Ele nos mostra o
caminho a seguir. Nos mostra quem somos e onde queremos
chegar.

Mostra quais nossas motivações e onde nossas escolhas se


baseiam: se em fatores conscientes ou inconscientes, se
escolhemos de acordo com o que nos é mais fácil ou
confortável, se na nossa verdade ou em padrões herdados ou
aprendidos etc.

O mapa também pode nos mostrar quais os desafios e


dificuldades que encontramos em nosso caminho, onde
tendemos a esbarrar ao fazer uma escolha e ao buscar nosso
futuro. Apresenta-nos, também, as oportunidades que temos
que aproveitar além de nos mostrar quais nossos verdadeiros
talentos.

234
É como um mapa que nos mostra o caminho do tesouro, que é
nossa verdade, nosso bem mais precioso. Quando paramos de
escolher baseados no que nos prende, no que não é
compatível com nossa essência, tudo começa a fluir em nossa
vida e podemos de fato encontrar a felicidade. O caminho pode
ser trabalhoso, difícil, cheio de obstáculos.

Mas sem dúvida vale à pena encontrar-se com aquilo que mais
importa em nossa vida: nossa própria verdade. Ao fazermos
isso, é como que um milagre estivesse se manifestando.

Passamos a fazer escolhas mais conscientes. Conseguimos


mudar o que precisa ser alterado, fortalecer o que precisa ser
mantido e então estamos prontos para viver em plenitude a
nossa felicidade. Por isso, convido todos a fazerem esta
busca, a reverem as escolhas e a encontrarem-se consigo
mesmos. Vale à pena tentar!
BIBLIOGRAFIA
Esta Peça de Arquitetura foi escrita por Titi Vidal e extraída do
blog

235
MAÇONARIA: ENTENDA PRIMEIRO E CRITIQUE DEPOIS

April 25, 2017

O que você tem contra os Maçons?

Não, fala aí, bota pra fora o que você tem contra.

Por acaso ele morde, faz xixi no tapete, taca pedra e corre,
xinga a sua família quando passa na porta de sua casa, enfim,
o que ele faz para que você tenha tanta bronca dos Maçons?

Eu não posso acreditar que uma pessoa vai a um culto,


(qualquer um) fala em Deus a todo o momento, coloca lá a sua
contribuição na sacolinha, se dedica com fervor em seus
cânticos ao ponto de chorar sem parar e quando sai deste
local, que também é sagrado (respeitemos sempre o
sentimento religioso do próximo), ao se deparar com um
Maçom, investe com uma fúria mortal, transformando-se de um
filho do Salvador, para um agressor em potencial.

236
Interessante é que, chegamos a nosso Templo, sem fazer
alarde, colocamos o nosso balandrau, praticamos os nossos
ritos, sem abrir a boca pra falar de ninguém, porém, basta que
nos localizem com um símbolo na lapela ou um anel no dedo
que já é o suficiente para nos chamar de filhos de satanás, ou
coisa do gênero.

Creio que o fanatismo só caminha para derrota,


principalmente a interior, não podemos impor nenhum
sentimento religioso, até porque, a Maçonaria não é religião e
para se ter uma ideia, temos irmãos pertencentes a diversas
religiões, porém, com o sentimento único e verdadeiro de
irmandade.

Mesmo assim, praticando a igualdade, a fraternidade e a


liberdade em todos os momentos, dedicando toda ajuda que
possível ao próximo no silêncio da noite, na certeza de ser
atendido em nossa corrente de união, com tudo isto, somos
excluídos por certos grupos religiosos, que desconhecem o
nosso papel na sociedade.

Fazer o que? Seguimos em frente, até porque sabemos que


estamos como soldados do nosso GADU e como tal, não
podemos esmorecer.

237
A GEOMETRIA E O NÚMERO NA ARTE REAL

April 27, 2017

A Maçonaria encarna uma via iniciática por meio da qual ainda


é possível, num Ocidente obscuro e enfermo, vincular-se
efetivamente à Tradição Unânime e Primordial.
Trata-se de uma Arte na qual foram purificados e endossados
símbolos, ritos e mitos de ordem cosmogônica que reis,
guerreiros e homens de oficio reconheceram, desde tempos
imemoriais, como suportes para a realização metafísica.
O neófito iniciado nos mistérios da Arte Real recebe uma
influência espiritual que opera sua regeneração psíquica, isto
é, seu renascimento ou tomada de consciência de si mesmo
como homem verdadeiro.
Este despertar corresponde simbolicamente a um percurso de
um ponto de uma circunferência até seu centro, e também a

238
uma conta ao inverso, que parte do denário e termina na
Unidade, princípio gerador da multiplicidade implícita na
década.
Acabada a viagem pelos pequenos mistérios, começa, sem
solução de continuidade, o trânsito pelos mistérios maiores, a
ascensão pelo eixo imóvel em torno ao qual gira a roda do
porvir, ou raio que, atravessando o Sol, traça a via que devolve
o ser ao seio do Não-Ser.
GEOMETRIA, NÚMERO E COSMOGONIA
O profano que solicita ser admitido na Franco-Maçonaria,
no Rito Escocês Antigo e Aceito, redige um testamento
filosófico na Câmara de Reflexão ante os três princípios
alquímicos. Três zonas de seu corpo são desnudadas antes de
ser conduzido, privado da visão, até a porta do Templo.
Tendo sido introduzido na Loja, realiza nela três viagens, e
recebe por fim a Luz ao terceiro golpe do malhete do Venerável
Mestre. O ternário preside o início da edificação do templo
interior do maçom da mesma forma que a construção do
Cosmos, do qual a Loja é uma imagem perfeita.
As teogonias mais elevadas consideram um ternário principial
constituído por um princípio superior ou Ser puro (na tradição
hindu, Ishwara ou Apara-Brahma; na tradição extremo-oriental,
o “Grã Extremo” ou Tai-ki) e a primeira das dualidades surgida
da polarização da Unidade (Purusha e Prakriti na tradição
hindu; o Céu, Tien, e a Terra, Ti, na tradição extremo-oriental).
O Ser ou Unidade transcendente, no seio do qual se acham
indissoluvelmente unidas as duas polaridades do binário
principial anteriormente a toda diferenciação, pressupõe outro
princípio: o Brahma neutro e supremo (Para-Brahma ) do

239
hinduísmo, o Wu-ki do taoísmo, o Não-Ser ou Zero metafísico
do qual nada pode ser predicado e que contém ao Ser que é
sua afirmação.(1) Segundo a Cabala, o Absoluto, para
manifestar-se, se concentra em um ponto infinitamente
luminoso, deixando as trevas ao seu redor.
Esse ponto luminoso é o Ser no seio do Não-Ser, a Unidade
que afirma o Zero e da qual emanam as manifestações
indefinidas do Ser.(2)
Assim como o um é o símbolo aritmético da Unidade, o ponto
sem dimensões é a imagem geométrica do Ser. Sua
determinação no seio do Não-Ser é análoga à que uma ponta
de um compasso estabelece ao apoiar-se em uma folha de
papel.
Se produz a polarização do um-ponto-Ser-Unidade no binário
ao apoiar a segunda ponta do compasso na folha. Os dois
pontos determinados sobre o papel estão vinculados entre si
por meio do compasso, e o segmento de reta que une ambos
os pontos é a projeção unidimensional de tal vínculo sobre o
plano geométrico. Aritmeticamente, pode-se simbolizar a
polarização da Unidade como o produto de dois números
inversos entre si:
1 = n x 1/n
sendo n um número inteiro qualquer. O produto n x 1/n não é
distinto da Unidade; a dualidade aparece só ao considerar-se
separadamente os dois elementos complementares de tal
produto, indiviso no interior da Unidade. Outra imagem
numérica equivalente é a obtenção do dois pela soma da
Unidade com seu reflexo, que é ela mesma:
1+1=2

240
Esta operação simboliza de uma maneira nítida a gênese do
binário pela Unidade, e mostra que não há nada na natureza
deste que seja diferente da Unidade geratriz.
A consideração distintiva da Unidade e da dualidade produz o
ternário:
2+1=3
Geometricamente, o ternário surge ao se traçar arcos de
circunferência centrados nos dois pólos do binário e cortá-los
entre si, definindo um terceiro ponto ou vértice. Se a abertura
do compasso é igual à distância entre os extremos do binário,
se obtém, ao unir os vértices dois a dois mediante segmentos
de reta, um triângulo equilátero que de novo evoca a
não-diferença entre a Unidade e suas produções duais.
A proporção áurea é uma das expressões mais sintéticas do
caráter interior do ternário formado pela Unidade no binário.
Esta proporção, à qual na antiguidade grega se designava com
a vigésima primeira letra do alfabeto (21 = 2 + 1 = 3), se obtém
ao dividir um segmento em duas partes, de maneira que o
comprimento da parte menor esteja para a da maior como esta
para o comprimento total do segmento dado.
Se diz que a parte menor é segmento áureo da maior e que a
maior o é do segmento inicial. A proporção áurea é a
quantidade incomensurável resultante do quociente entre o
comprimento do segmento dado e a de seu segmento áureo.
Esta última se determina geometricamente desenhando um
triângulo retângulo que tenha por catetos o segmento dado e
sua metade, e restando à hipotenusa o cateto menor.
A proporção áurea é a única proporção continua de três
termos (3) que se pode construir com só dos termos distintos.

241
O segmento e suas duas partes são “três que são dois, que
são um”, o símbolo de uma diferenciação entre a Unidade
percebida como objeto e o preceptor de tal objeto contido
ambos no reconhecimento ininterrupto de uma Unidade
omnicompreensiva. Por outro lado, tal diferenciação prefigura
as dimensões primeiras e segundas da manifestação no seio
da Unidade, o qual é refletido pela propriedade geométrica de
que, se a comprimento do segmento dado é a unidade de
medida, as medidas de suas partes em proporção áurea
resultam ser uma o quadrado da outra (ou, reciprocamente,
esta é a raiz daquela). (4)
A Unidade adicionada ao ternário produz o quaternário. O Tao
te Kingdiz: “O Tao deu a luz ao Um, o Um deu a luz ao Dois, o
Dois deu a luz ao Três, o Três deu a luz às inúmeras coisas”(5),
pelo que, nas palavras de René Guénon, “o quatro, produzido
imediatamente pelo três, equivale de certo modo a todo o
conjunto dos números, e isso porque, desde que se tenha o
quaternário, se tem também, pela adição dos quatro primeiros
números, o denário, que representa um ciclo numérico
completo: 1 + 2 + 3 + 4 = 10, que é, como já dissemos em
outras ocasiões, a fórmula numérica da Tetraktys pitagórica”.
(6) o quatro é o símbolo da Unidade que se manifesta; é o
número que marca a manifestação, a qual se desdobra em um
marco de referência quaternário composto de um espaço
tridimensional e o tempo (3 + 1 = 4 ) no qual todos seus
elementos se acham regidos pela lei da tétrada: quatro pontos
cardeais, quatro estações do ano, quatro idades do homem.
A representação geométrica do quaternário em seu aspecto
estático é o quadrado, e em sua vertente dinâmica, a cruz. A

242
complementaridade de ambos os símbolos fica patente ao
inscreverem-se as figuras em uma circunferência: uma e outra
resultam de unir os quatro vértices circunscritos mediante
segmentos retos das duas maneiras que é possível fazê-lo,
cada um com seu contíguo ou então cada um com seu oposto.
Os braços da cruz são como os raios de uma roda que,
dando-lhe rigidez, afirmam seu giro em torno de seu eixo. Ao
contrário, os lados do quadrado são como limaduras
ou planos da roda que detêm seu giro e a fixam.
O traçado do quadrado se efetua a partir da cruz unindo-se os
extremos contíguos desta. A cruz se constrói no interior da
circunferência, desenhando-se um diâmetro e sua
perpendicular. Isso nos devolve à consideração de que tudo
parte de um Centro único, que o quaternário manifesta.
O tetraedro é a figura geométrica que expressa o quaternário
na tridimensionalidade. Sua projeção vertical sobre o plano ao
qual pertence sua base é um triângulo equilátero cujas três
alturas convergem em seu centro, reflexo da cúspide do
poliedro. O ponto afirmado no seio do triângulo e acima do
tetraedro são imagens do Verbo manifestado, pelo que se diz
que o quatro é o número da Manifestação.
Na Loja, o ponto mais alto é o olho do Delta luminoso, ou
a iod do Tetragrama divino, ambos os símbolos do grande
Arquiteto do Universo para cuja glória trabalham os maçons.
(7) O quaternário também é revelado pela planta em forma
de quadrado longo do Templo maçônico e do pavimento
mosaico, cujas dimensões são igualmente significativas
(comprimento duplo ou triplo que a largura; retângulo de
litígios de largura 3 e comprimento 4; comprimento e largura

243
em proporção áurea, etc.).
O giro da cruz ao redor de seu centro – engendrando a
circunferência que, em união com seu centro, representa o
denário – é a expressão geométrica da circulação do
quadrante que a Tetraktys pitagóric
aritmeticamente (1 + 2 + 3 + 4 = 10). A cruz resolve exatamente
o problema inverso da quadratura do círculo, dividindo sua
área em quatro partes iguais, o que se pode expressar
numericamente permutando os termos da igualdade anterior
(10 = 1 + 2 + 3 + 4).
(8) Para quadrar o círculo com um quadrado cuja área seja
igual à do círculo dado, se requer a intervenção do quinário:
deve-se inscrever, em primeiro lugar, um pentágono no
círculo; logo, um segundo pentágono cujos vértices sejam os
pontos médios dos arcos de circunferência limitados por
vértices adjacentes do primeiro pentágono; e, por último,
outros dois pentágonos cujos vértices se acham pela
bissecção dos arcos demarcados respectivamente por um
vértice do primeiro pentágono e o vértice mais próximo do
segundo.
Obtêm-se assim quatro pentágonos cujos vinte vértices, que
podemos numerar correlativamente, se distribuem
uniformemente ao longo da circunferência. As retas que
passam por quatro pares de vértices tais como o segundo e o
quinto, o sétimo e o décimo, o duodécimo e o décimo quinto, e
o décimo sétimo e o vigésimo delimitam um quadrado cuja
área é muito aproximadamente a do círculo dado.(9)
O Aprendiz maçom que ingressa em Loja toma assento na
coluna do Setentrião. Diz-se que é a região menos iluminada

244
do templo, apta para quem acaba de iniciar suas andanças
pela via do Conhecimento e que “ainda não é capaz de
suportar uma grande luz”.
Procedente do âmbito da manifestação total do Ser,
simbolizada pelo denário e pela roda ou o círculo, começa seu
caminho de retorno à Unidade, isto é, ao centro de si mesmo
iluminando seus passos com uma ainda débil claridade
interior. Como o personagem do nono arcano do Tarot,
lanterna na mão, avança lentamente, com paciência e em
solidão, regressando do nove ao oito, do oito ao sete…
Autor: Marc Garcia
Tradução: Sérgio K. Jerez
Notas
1
René Guénon, La Gran Tríada, cap. II. Ed. Obelisco, 1986.
René Guénon, Sobre el Número y la Notación Matemática.
2
Cuadernos de la Gnosis nº 4, pág. 7. Ed. Symbolos, 1994.
Relação proporcional de três quantidades das quais uma é
o termo médio, da forma a/b = b/c. Na proporção áurea, a é
o comprimento do segmento dado,b o de seu segmento
3
áureo e c o da parte menor.

245
Ver Robert Lawlor, Geometría Sagrada, cap. V. Editorial
Debate, 1993. A “unidade de medida” a que nos referimos é
um comprimento eleito por convenção como escala com a
finalidade de poder medir, com relação a ela, os demais
comprimentos. Tratando-se de uma magnitude continua, é
divisível indefinidamente a diferença da unidade aritmética,
a qual é necessariamente indivisível e sem partes (ver René
Guénon, Sobre el Número y la Notación Matemática.
Cuadernos de la Gnosis nº 4, págs 25-26. Ed. Symbolos,
1994). Por outro lado, se na equação da nota 3 se atribui
um valor 1 ao comprimento a, c resulta ser o quadrado
4
de b, e reciprocamente, b a raiz quadrada de c.
Lao Tse, Tao te King, XLII. Versião de John C. H. Wu.
5
Editorial Edaf, 1993.
René Guénon, os Principios do Cálculo Infinitesimal, cap.
6
IX
Ver Sete Maestros Masones, Símbolo, Rito, Iniciación. La
7
Cosmogonía Masónica, cap. 13. Ed. Obelisco, 1992.

246
PARA SER UM VERDADEIRO MAÇOM

April 30, 2017

Maçom é dado logo perceber que há apenas uma loja


maçônica, o Cosmos, e uma Fraternidade os irmãos maçons,
independentemente dos ritos maçônicos, em graus ou
hierarquias, composto por todos aqueles lá e mover-se em
qualquer um dos planos de alvenaria, sem maçônicas ou
regularidades..
Ele também sabe que o lendário Templo de Salomão é
realmente o Ser Humano Solar: - Sol - interiorização Superior,
Rei do Universo interior, manifestando-se através dos
construtores primários.
Ele percebe que seu voto de irmandade e fraternidade é
universal, e que minerais, plantas, animais e homens, estão
todos incluídos no real fazer maçônica.

247
Seu dever como maior construtor com todos os reinos da
natureza à sua obra, a grande obra, a distingue como o criador
solar, que preferem morrer a perder o seu grande arquiteto
obrigação.
Ele dedicou sua vida no altar de sua consciência purificada, e
está ansioso para servir ao menor através dos poderes
recebidos de uma hierarquia superior.
O místico, adquirindo olhos para ver além do ritual escrito,
maçônico Freemasons reconhece a unidade, expressa através
da diversidade de formas.
O verdadeiro maçom maçonaria mais profunda tem sempre do
lado esquerdo de seu culto de personalidade.
Com sua poderosa penetração, ele percebe que todas as
formas existentes e a sua posição sobre questões materiais
não são importantes para ele em comparação com a vida que
está se formando dentro de si mesmo.
Todo mundo que permitem que as aparências ou
manifestações mondadas de entre as tarefas a si mesmo tenha
sido atribuído no exercício da vida maçônica é um fracasso,
porque a Maçonaria é uma ciência abstrata, cujo objetivo final
é o desenvolvimento harmonioso de Ser.
A prosperidade material não é uma medida para o
engrandecimento do seu ser.
O verdadeiro Maçom percebe que por trás dessas diferentes
formas, há um, ligado ao princípio da Eternidade: o brilho da
criação em todas as coisas vivas.
É esta vida que ele considera quando se mede o valor de seu
irmão.

248
É esta vida para a qual ele apela para reconhecer a unidade
espiritual.
Ele entende que a descoberta desta centelha de Deus é o que o
um membro consciente da Grande Loja Cósmico faz.
Acima de tudo, você deve vir a entender que divino sol
centelha brilha tanto no corpo de um inimigo como no mais
querido irmão.
O verdadeiro Maçom aprendeu a ser eminentemente impessoal
no pensamento, ação e desejo.
Por: Emilio Raul Ruiz Figuerola.

249
SÍMBOLO, SIMBOLISMO EM GERAL E NA MAÇONARIA

May 02, 2017

“Scribitur ad narrandum, non ad probandum.” (Quintiliano)


O tema, o que passo a desenvolver, possui em seu conjunto
milhares de interpretações com relação ao seu significado. Por
isso, apresento abaixo, vários conceitos e definições da
palavra Símbolo:
É aquilo que, por um princípio de analogia, representa ou
substitui outra coisa; vem do grego sumbolon, sinal de
reconhecimento formado pelas duas metades de um objeto
quebrado que tornam a se juntar; por extensão, essa palavra
significa uma representação analógica relacionada com o
objeto considerado; vem do latim symbolum, igual (sinal,
emblema), é a figura, a marca, ou qualquer objeto que tenha

250
significação convencional, ou seja, que quando visto já sugere
um significado consagrado pela tradição e pelo uso.
É como um sensível, com consistência própria, mas através É
o objeto físico ao qual se empresta uma significação moral
fundada em relação natural.
Os símbolos são então, ferramentas do pensamento. São
modos diferentes de se encarar a realidade, de percebê-la e
integrá-la em nós. As vezes, esquecemo-nos de que todas as
unidades de medidas começaram com o corpo humano. Uma
polegada (a largura de um polegar); uma braça (a extensão dos
braços abertos); um palmo; um codo (um cotovelo); um passo
etc.
Fechando a síntese da compilação sobre o símbolo,
direcionado ao seu campo geral, passo agora a detalhá-la no
âmbito da Maçonaria.
SÍMBOLO MAÇÔNICO
O Símbolo na Maçonaria é constante e latente em todas as
suas partes. É preciso, portanto, penetrar pacientemente no
seu significado. Somente pelo estudo dos símbolos é que se
pode chegar ao esoterismo.
Na Maçonaria, todos os símbolos são ligados à arte de
construir, desde os projetos da construção, até ao exercício do
ofício do pedreiro. Todavia, como a Ordem Maçônica é uma
instituição iniciática, com alto conteúdo moral, espiritual e
místico, os símbolos possuem, para os maçons, dois
significados: um exotérico e outro esotérico.
do qual se pode perceber uma relação de significação. Antes
de significar, ele já possui, em seu poder, sua natureza própria.
Ele se apresenta primeiro com um ser conhecido por ele

251
mesmo, depois apenas com um ser que tem uma relação de
significação em outro termo.
É imagem, é pensamento… Ele nos faz captar, entre o mundo e
nós, algumas dessas afinidades secretas e dessas leis
obscuras que podem muito bem ir além do alcance da ciência,
mas que por isso são menos certas. Todo símbolo é nesse
sentido, uma espécie de revelação.
O símbolo difere do emblema, por ser mais amplo, mais
extenso, e sua compreensão relaciona-se intimamente com os
conhecimentos já adquiridos por quem o estuda.
EXOTÉRICO (do grego, exoterikós; pelo latim, exotericus =
comum, trivial), em filosofia, é aquilo relativo à doutrina
ensinada publicamente; figuradamente, significa exterior,
comum, vulgar, ordinário. É, então, aquilo que pode ser de
conhecimento público e não só dos iniciados.
ESOTÉRICO (do grego esoterikós = reservado apenas aos
iniciados) É relativo à linguagem e aos ensinamentos somente
aos iniciados. São incompreensíveis aos não iniciados.
Assim, em Maçonaria, o significado esotérico dos símbolos,
sempre de alto valor espiritual e místico, não pode ser
revelado aos profanos.
Pode-se ainda dividir os símbolos maçônicos em cinco classes
principais, levando- se em conta as várias origens e
procedências:
§ Místicos e Religiosos;
§ Da Arte da Construção (Operativos);
§ Herméticos e Alquímicos;
§ De caráter particular;

252
§ Tradicionais.
Lembro aqui também, que todo símbolo possui duas partes:
§ SIGNIFICANTE – É a visível, objetiva; e
§ SIGNIFICADO – É a invisível, inefável, interpretável conforme
nossas verdades internas, projeções de nossa essência que
poderão refletir em nossa existência a medida que nossa
inconsciência permitir uma transparência suficiente para tal.
SIMBOLISMO E SUAS VARIAS DEFINIÇÕES
§ É o conteúdo ou interpretação dos símbolos;
§ É um sistema de símbolos que expressa fatos ou crenças de
um povo;
§ É um sistema de signos escritos cuja articulação se dá
segundo regras, e que traduz visualmente a formação de um
raciocínio;
§ Como efeito, é uma verdadeira ciência que tem suas regras
precisas e cujos princípios emanam do mundo
dos Arquétipos;
§ É expressão ou interpretação por meio de símbolos; e
§ É um poderoso meio que pode nos levar ao conhecimento.
Mostrado o conceito geral do simbolismo, passo a defini-lo no
âmbito da Maçonaria.
SIMBOLISMO MAÇÔNICO
O Simbolismo é, pois, tudo que tenha natureza sensível. É,
sem dúvida, a chave de uma sabedoria maior que se revela
tanto pela lógica como pela percepção e intuição.
A Maçonaria tem como herança, a guarda desta chave que
abre as portas para o iniciado penetrar na essência das
verdades veladas, de uma realidade que explica os PORQUÊS

253
e a própria existência do que é visível (concreto) e do invisível,
bem como do inefável.
A começar pelo Templo Maçônico, que é a representação fiel
do Universo. É o Yang e o Ying do TAO, isto é, a Terra e o Céu,
as polaridades inversas, porém complementares entre si.
Recordemos o que está escrito na famosa “Tábua de
Esmeralda”, atribuída ao lendário Hermes Trimegisto (Três
Vezes Grande), que diz:
“TUDO QUE ESTÁ AQUI EMBAIXO TAMBÉM ESTÁ NO ALTO;
TAMBÉM NO ALTO ESTÁ O QUE AQUI ESTÁ EMBAIXO; POIS
TUDO É OBRA DE UMA SÓ COISA”.
Toda esta sabedoria pode ser resumida na afirmação de que,
os Microcosmos e os Macrocosmos são reflexos um do outro.
O Simbolismo não tem e nem pode ter regras fixas e
inalteráveis. Nele prevalece sempre a ideia, a interpretação e o
significado que se pretende aplicar ao símbolo e, para que
isso seja plenamente possível há necessidade de conceituá-lo.
O Simbolismo, também foi um movimento que surgiu na
França aproximadamente em 1.885. Este movimento agrupava
poetas que reagiam contra o ideal estático da “Arte pela Arte”,
e do positivismo da literatura naturalista.
Na atualidade o Simbolismo Maçônico quase inexiste, porque a
nossa imagem arquétipa está à beira de se apagar, tal como
uma bateria elétrica que já prestou bons serviços e agora se
encontra quase vencida pelo desgaste. Há muito não se realiza
SIMBOLISMO na Ordem, ao contrário se pratica um intenso
ALEGORISMO.
Assim cabe a pergunta: Será nossa atual condição, a de
sociedade iniciática?

254
Haja vista que o processo iniciático como o próprio nome diz,
do latim INITIUM que tem a mesma equivalência de RELIGAR,
ou seja, ligar o HOMEM a DEUS, não está hoje ensinando
praticamente nada sobre isso. Não obstante a iniciação tem
ensinamentos profundos, que não recebem a devida atenção
do ponto de vista de estudos e pesquisas por parte da Ordem,
bem como por outro lado, tem se motivado muito pouco este
tipo de ação.
A MAÇONARIA APRESENTA NO SEU SIMBOLISMO VÁRIOS
CONCEITOS
§ É a ciência da moral, revelada por meio de alegorias e
ilustrada por símbolos. Significa o conhecimento dos três
primeiros graus, que constituem a base e fundamento da
Maçonaria;
§ É a corrente iniciática da Maçonaria regular e pertence às
Grandes Lojas Simbólicas, e que, pela qual, mantêm-se com a
Maçonaria Filosófica tratados de paz e harmonia; e
§ Teve origem no período especulativo, sendo que uma das
razões estava na necessidade de se redescobrir os símbolos
do passado e que tiveram seu conteúdo doutrinário e iniciático
deturpado, desfigurado e velado pela ignorância (proposital ou
não) da eclesiástica medieval e pelos sofismas dos doutores
escolásticos.
ILUSTRAÇÕES DE SÍMBOLOS GERAIS
Símbolos usados desde tempos muito antigos até a Idade
Média -, recolhidos por Rudolph Kock e por aqueles que
pesquisam gravuras, inscrições e manuscritos:
§ O Ponto é a origem de todos os sinais e é também sua
essência mais íntima. Era com esta ideia que as Lojas

255
Maçônicas de outrora expressavam os segredos de suas
guildas por meio do ponto.
§ O traço vertical representa a unidade de Deus, ou a
Divindade, de modo geral; ele também simboliza o poder que
desce do alto sobre a humanidade por coisas elevadas. Por
outro lado, no traço horizontal vemos a Terra, onde a vida flui e
tudo se move no mesmo plano.
§ O ângulo, ou o encontro do celestial e do terrestre. Como
não possuem nada em comum, eles se tocam, mas não se
cruzam. Este símbolo representa a reciprocidade entre Deus e
o Mundo. Nas Lojas Maçônicas da Idade Média, o ângulo reto –
o “Esquadro” – era o símbolo da Justiça e da integridade.
§ O Chrismon mais generalizado e conhecido. Segundo a
lenda, o Chrismon apareceu em sonho ao Imperador
Constantino, acompanhado de uma voz que dizia: “In Hoc
Signo Vinces” – “Com este sinal vencerás”. Assim, ele
mandou adornar seu estandarte de guerra com este símbolo.
Esta bandeira é chamada “Lábaro”. “In Hoc Signo Vinces” foi a
divisa do Império do Brasil. Ele é também chamado de
“Signum Dei”.
§ A Cruz Grega, “CRUX IMMISSA QUADRATA”. No sinal da
Cruz, Deus e a Terra estão combinados e em harmonia. De
duas linhas simples nasceu um símbolo completo. A Cruz é
certamente um dos mais antigos símbolos; encontrava-se por
toda parte, sem ter qualquer relação com a concepção de
Cristandade.
§ A Cruz de Santo André, Cruz na qual André foi martirizado.
Também chamada “Crux decussata”. Era a marca de fronteira
dos romanos, derivada da cruz por eles usada como barreira.

256
Na heráldica chama-se aspa, e é símbolo da Escócia e da
Rússia.
Sem termos de comparação, o maior número de símbolos do
mundo ocidental é baseado na forma ou em parte da forma da
Cruz, sejam eles monogramas imperiais, sinais maçônicos,
sinais de família, símbolos químicos ou marcas registradas.
CONCLUSÃO
Neste trabalho, limitei-me a enumerar várias definições do
tema proposto em seu título. Com intuito de oferecer subsídios
de um conhecimento, que nos habilite a entender o
Simbolismo Maçônico – uma vez que hoje são poucos os
Maçons que conhecem os ensinamentos contidos nos Rituais
e Símbolos adotados pela Ordem.
“Quod scripsi, scripsi.” (João, l9, 22)
Autor: José Amâncio de Lima
Bibliografia
CARVALHO, Francisco de Assis. Caderno de Pesquisas
Maçônicas Nº 8 – A Tolha. BOUCHER, Jules. A Simbólica
Maçonaria. ZELDIS, Leon. Estudos Maçônicos –
Simbolismos. OLIVEIRA, Welington, B. Um Conceito de
Maçonaria. CORRÊA, Oneas D’Assunção; PERTENCE, Arnaldo.
Ritualística e Procedimentos Maçônicos. CASTELLENI, José.
Dicionário de Temas Maçônicos. Dicionário Aurélio. Dicionário
Koogan Larousse
Outros autores consultados
Jean C. M. Travers; Brunetière; Leon Zeldis.

257
A IMPORTÂNCIA DA FREQUÊNCIA MAÇÔNICA

May 05, 2017

Responsabilidade é a qualidade ou condição de responsável.


Sabe-se que responsável é aquele que responde pelos
próprios atos ou, pelos de outrem.

Responsabilidade moral é a situação de um agente consciente,


com relação aos atos que ele pratica voluntariamente.

Uma das responsabilidades mais importantes de um Maçom é


a frequência à Loja.

258
Trata-se de uma responsabilidade que tem amparo legal e,
também, moral.

Frequência é o ato de frequentar.

Em física, frequência significa número de vibrações por


unidade de tempo.

Frequentar uma Loja causa, realmente, vibrações positivas em


nós e em nossos Irmãos. A frequência deve ser observada não
somente como uma questão de quorum, ou um problema legal,
mas, sobretudo, como a forma mais eficaz para nos
conhecermos melhor, uns aos outros, e nos aproximarmos.

Quando de nossa iniciação, a primeira preleção, feita pelo


Venerável Mestre, fala da fidelidade que deve ser exemplificada
por uma estrita observância das Constituições, Regimento,
Estatutos e demais normas do GOB, do GOB-SC e da própria
Loja.

Também, nesta preleção, o V.’. M.’. fala da obediência que deve


ser provada por uma estrita observância de nossas leis e
regulamentos, por uma atenção pronta a todas as

259
convocações, além de uma pronta observância das decisões e
resoluções aprovadas em Loja. As leis e regulamentos falam
da necessidade de frequência.

As convocações às nossas sessões são, em geral, semanais e


uma das importantes resoluções aprovadas é o calendário da
Loja, que deve ser observado. O Regulamento Geral da
Federação trata da frequência em Loja. Tratam, também, de
quando o Maçom se torna irregular por não ter frequência. 5 –
responsabilidade do maçom sobre a frequência Walter Celso
de Lima JB News – Informativo nr. 1.870 – Florianópolis (SC) –
sexta-feira, 13 de novembro de 2015 Pág. 18/34 Nos altos
graus, disposições análogas devem ser observadas se não
estiverem previstas em regulamentos próprios. Porém, muito
mais importante que leis e regulamentos é o inflexível
cumprimento do dever: nossa consciência e nossos
compromissos e promessas obrigam-nos à frequência.

Quando a Loja não abre por falta de quórum, a


responsabilidade, definida no princípio, é de todos: não
somente dos faltosos ou do Venerável Mestre. Todos nós
somos responsáveis pelo bom funcionamento da Loja. Quando
algum Obreiro necessita faltar, por justa causa, deve procurar
algum Mestre amigo que o substitua, ou avisar a todos, para
que todos se responsabilizem pela existência de quorum. Por
isso, somos Irmãos fraternos, nos auxiliando uns aos outros.

260
Como palavras finais: nós somos construtores (“maçons”,
pedreiros) sociais; somos obreiros, cabeças pensantes,
pessoas com diferentes formações, opiniões diferentes e,
brevemente, seremos mais. Mas, vivemos numa fraternidade
tolerante, respeitamos as ideias, eventualmente, diferentes.

Convergimos em algumas virtudes que adotamos


conjuntamente, a exemplo da tolerância e, especialmente, da
responsabilidade objeto deste ensaio. A participação
responsável de todos fortalece a nossa Loja que busca,
insistentemente, a realização do trabalho justo e perfeito de
construir nosso templo interior.
O escritor e Irmão Walter Celso de Lima É obreiro da Loja
“Alvorada da Sabedoria” (GOB/SC) e membro da Academia
Catarinense Maçônica de Letras Florianópolis

261
A LEI MORAL E A MAÇONARIA

May 07, 2017

A Lei Natural é formada pelo conjunto dos Direitos inerentes a


todo o ser humano. Aristóteles, Cícero, Santo Agostinho, São
Tomaz de Aquino, Hobbes, Locke, Rousseau e Kant,
conceituaram e desenvolveram a Lei e o Direito Natural.

A Declaração Universal dos Direitos do Homem, votada e


aprovada em 10.12.1948, forma o mais importante conjunto de
Leis sobre o qual se apóia a estrutura formal do Direito Natural
e da Jurisprudência Naturalista.

De inspiração maçônica, esta Declaração considera que o


reconhecimento da dignidade de todos os seres humanos,
bem como de seus direitos, são os fundamentos da Liberdade,
da Justiça e da Paz no Mundo. São 30 Artigos cujo teor se

262
baseia no mais puro e consagrado Direito Natural.

A Moral, do Latim More – Costumes, Usos – é a parte da


Filosofia dedicada ao estudo das Leis Ideais, quando aplicadas
às situações da vida e às ações humanas daí decorrentes.

A Moral só pode existir onde também existir a liberdade de


decisão, onde o livre arbítrio possa ser exercido. A essência da
Moral consiste em preferir tudo o que é nobre, elevado e
racional. A Moral estabelece a natureza e as consequências do
Dever. Por estar sujeito à Lei do Dever, o ser humano é um ser
Moral.

Cícero, orador e escritor romano, escreveu há mais de 2.000


anos:
“A Moral é uma Lei comum a todos os homens. Ela é racional,
impõe-nos a virtude e nos proíbe a injustiça. É uma Lei que
não pode ser impunemente transgredida ou modificada. Nem o
povo, nem os legisladores, nem os magistrados têm o poder
de isentar das obrigações que ela nos impõe”.

O Decálogo de Moisés forma a base moral na qual se apóia a


civilização ocidental. A Moral está na base da doutrina
Maçônica. Está em sua história e em seus Princípios
Fundamentais.

As Constituições de Anderson dizem em seu Artigo Primeiro:


“Um Maçom, por seu compromisso com a Ordem, está
obrigado a obedecer à Lei Moral”.

263
Fiel aos princípios da Honra, do Dever, do Amor e da
Solidariedade, o Maçom deve trabalhar pela felicidade da
Humanidade, usando como instrumentos os princípios da Lei
Natural e da Lei Moral.

Hoje, como sempre, a Maçonaria se preocupa em garantir a


prevalência dos Direitos Humanos em todo o Mundo. No início
do terceiro milênio da era Cristã, estamos ainda muito
distantes do dia em que estes Direitos estejam assegurados a
todos os componentes da sociedade Humana.

A tortura, a violência indiscriminada, as guerras étnicas e


religiosas; a privação da liberdade de pensamento, da
liberdade política e de opinião; a insuficiência dos serviços
sociais à disposição dos miseráveis e dos excluídos; são
provas inegáveis de que o respeito aos Direitos Humanos está
longe de garantir o mínimo de dignidade à vida da maioria dos
habitantes da Terra.

Entre outras muitas coisas, o respeito aos Direitos Humanos


requer a permanente revisão e atualização das Leis que
garantem a sua observância. Neste processo, é fundamental
garantir a instrução a todos os nossos Irmãos do Planeta. Só
deste modo se pode levar a todos o conhecimento de seus
Direitos e de seus Deveres.

264
A incorporação deste conhecimento ao patrimônio individual e
coletivo da Humanidade, se constituirá na maior garantia de
respeito aos Direitos do Ser Humano.

Na defesa dos Direitos Humanos, é indispensável à ação dos


organismos públicos, da Imprensa, e das entidades privadas
de promoção do bem-estar social. Mas, neste processo,
também é imprescindível e fundamental a ação, permanente e
vigorosa, de nossa Sublime Instituição.

Antonio Rocha Fadista – M.’.I.’.

265
ESPIRITUALIDADE

May 09, 2017

Por que a vida é repleta de desafios?

A vida é obra do acaso ou existe sentido no viver?

Existem razões para que o sofrimento esteja presente em


nossa vida?

Quem e o que somos?

Deus existe?

266
A espiritualidade nos ensina, segundo Deepak Chopra, que a
vida não é aleatória. Há um padrão e um objetivo em cada
existência. O motivo pelo qual enfrentamos desafios é simples:
aumentar a consciência do nosso objetivo interior.

Quando expandimos nossa consciência é possível começar a


responder a estas e outras perguntas. Na visão do filósofo
Mário Sérgio Cortella, a espiritualidade é a capacidade de
perceber que as coisas não são um fim em si mesmo.

Existem razões mais importantes que o imediato, e aquilo que


você faz têm um sentido, um significado. A pessoa
espiritualizada às vezes é confundida com um caráter místico,
sendo em sua opinião uma percepção negativa, pois deriva
para o campo do fanatismo.

Para ele, o desejo por espiritualidade é um sinal de


descontentamento muito grande com o rumo que muitas
situações vão tomando e, por isso, é uma grande queixa. A
espiritualidade é precedida por uma angústia, quando você
precisa refletir sobre si mesmo.

267
A angústia é uma sensação de vazio interior. Para Martin
Heidegger, filósofo alemão, a angústia é a sensação do nada.
Isto é positivo no ponto em que onde está o nada está também
à possibilidade plena.

Quando não sentimos nada, todas as possibilidades e


horizontes se abrem. A espiritualidade é a possibilidade de
encontrar, a partir deste vazio, a resposta de que a vida tem
um sentido e que ela não se esgota neste momento, ou nesta
ação cotidiana.

Em síntese, há uma convergência destes pensadores no


sentido de que a espiritualidade é uma busca interior pelo
significado da vida.

Não é objetivo de este trabalho tecer comentários sobre


experiências místicas, mediúnicas ou sobrenaturais, embora
concorde com diversos autores quando afirmam que não
somos seres físicos que eventualmente possuem experiências
espirituais, mas seres espirituais vivendo uma experiência
física.

A discussão terá como foco o papel da espiritualidade neste


momento e nesta vida e não às possibilidades de outras vidas

268
em outros mundos.

Tratarei da espiritualidade como busca de um sentido maior da


vida e das formas de relacionamento com outros espíritos que
estão aqui conosco cotidianamente, quais sejam nossos
familiares, colegas, amigos, entre outros.

Num primeiro momento, devemos apenas didaticamente


distinguir o espírito da matéria, embora esta dissociação
somente encontre sua efetiva relevância no momento da morte
do corpo físico. É exatamente quando se vê um corpo sem
vida que se estabelece com grande clareza a diferença que o
espírito ou a energia vital representa.

Um corpo sem espírito não reage, não interage, é inerte. Tudo


o que morre é matéria. O corpo é matéria e por óbvio todos os
pertences que lhes eram necessários para a vida também são.

O espírito é tudo o que pode sobreviver após a morte do corpo


e que também serve de energia a este enquanto vivo. Neste
momento, somos matéria e espírito e devemos ter como
objetivo um equilíbrio harmônico nesta dualidade.

269
A excessiva veneração pelos bens materiais pode impedir que
a vida encontre a sua plenitude, assim como a busca
demasiada pelo mundo espiritual também pode ser um
obstáculo para viver o tempo presente, neste corpo e nesta
vida.

Como maçons, somos incentivados a sobrepor o espírito à


matéria. Isto não significa a negação da matéria em favor do
espírito, mas sim a busca da espiritualidade nesta vida física.
Em outras palavras devemos enxergar o mundo em que
vivemos com os olhos da alma.

Quando você vive automaticamente, sem questionar o


significado dos acontecimentos da sua vida, você está
atuando em nível rudimentar de sua consciência e de certa
forma abrindo mão da sua liberdade. Você reage aos estímulos
mais do que é sujeito de suas ações.

Na medida em que expande a sua consciência, você acessa o


seu Templo interior, passa a se perceber como parte efetiva do
Universo, tem aflorada a sua religiosidade (no sentido de
religar-se à energia que o Criou) e se sente harmonizado com o
Cosmos.

270
A expansão da consciência pode se dar intencionalmente pela
reflexão e meditação. Muito comum também ocorrer por
estímulos externos, como a perda de um amigo ou familiar,
uma grande crise pessoal, uma depressão ou outra doença,
fatos que permitem observar a vida sob um novo ponto de
vista.

Nos próprios Rituais Maçônicos, percebemos uma


espiritualidade fortemente presente nos Cerimoniais Fúnebres.
Na Pompa Fúnebre, ouvimos que somos uma chama, cheia de
vida, porém basta um sopro para que se extinga, e já não se
ouça nossa suave e sonora voz.

A nossa Cadeia de União perde um de seus elos, mas chama


por ele até que este responda que estará sempre presente.
“Apesar da tristeza que nos abate, lembremo-nos que... a
morte nada mais é do que a Iniciação à vida eterna.” Mas não
nascemos apenas para morrer, embora a morte do corpo seja
uma grande certeza.

Morreremos e pareceremos insignificantes aos olhos de


muitas pessoas que possam passar diante de nossa sepultura.
Algumas coisas, porém, sobreviverão. Será nossa contribuição
pessoal. Não será o nosso nome em sentido literal, mas o

271
sentimento que nosso nome despertará nos ouvidos daqueles
que nos conheceram.

Não será o nosso túmulo, mas o nosso legado. “A boa vida


tem somente certo número de dias; mas o bom nome
permanecerá para sempre.” (Eclesiástico 41 – 5/15/16) Esta
reputação, tão evidenciada pela morte do corpo, é construída
pela maneira como desenvolvemos nossa vida.

A expressão de corpo e alma representa muito claramente


como podemos viver para nos eternizar. Isto vale para a vida
como um todo, mas serve, por óbvio, igualmente para as
atividades maçônicas.

Pode haver uma grande diferença entre ter Irmãos e sentir-se


Irmão, entre ter sido Iniciado e ser um Maçom. Frequentar a
Loja não significa necessariamente participar dela, assim
como estar vivo não significa viver.

Nas próprias reuniões maçônicas, existem os verdadeiros elos


da Cadeia de União e outros que não entendem por qual
motivo se devem dar as mãos. Há quem aproveite as
circulações para conversar, enquanto outros buscam a
elevação do espírito.

272
Talvez poucos estejam devidamente atentos para colocar os
bons fluídos na Bolsa mais do que pranchas, óbolos ou
certificados.

Para o verdadeiro Iniciado, colocar o espírito sobre a matéria


deixa de ser uma virtude.

Fábio Scuro

273
A MAÇONARIA E A PERFEIÇÃO

May 12, 2017

Quando faço um retrospecto desde antes da minha entrada


para a Maçonaria, lembro-me muito bem da minha expectativa.
Após a formalização do convite a primeira questão que me
veio à mente foi a seguinte: O que será que a Maçonaria
poderá fazer por mim? Em que ela poderá me ajudar?
Hoje, passados alguns poucos anos desde a minha Iniciação,
percebi que o maior ensinamento que ela poderia me dar, ela já
deu: o de que, na verdade, quanto mais nos esforçamos para
aprender e crescer, mais consciência adquirimos de que muito
pouco ou quase nada sabemos.

Nossa caminhada pela vida torna-se mais interessante numa


relação diretamente proporcional ao nosso desejo de
conhecimento e auto-crescimento. É interessante quando

274
notamos que, na busca da Grande Verdade, vamos cada vez
mais e mais adquirindo novos conhecimentos e, ao mesmo
tempo, também nos apercebemos do quão pouco sabemos e o
quanto ainda temos para trilhar deste caminho de aprendizado.

Na verdade a Maçonaria acabou por me dar a maior lição que


talvez eu jamais tenha tido em toda a minha vida: a de que
antes de perguntarmos o que ela poderá nos dar, deveríamos
perguntar-nos o que é que nós podemos e devemos dar ao
Planeta através dela. Digo isto porque hoje não tenho dúvidas
de que o fato de ser Maçom é apenas uma graça que me foi
concedida, um instrumento e um caminho que me foi aberto
graciosamente, através do qual eu possa traduzir em gestos e
atitudes concretas a minha contribuição para o
engrandecimento do ser humano e da Gloriosa Criação do G A
D U.

Muitas vezes incorremos no erro de duvidar da nossa


capacidade de transformar o mundo, achando que de nada
adiantaria o nosso esforço pessoal para provocar
transformações que venham beneficiar a humanidade. A cada
passo que damos rumo ao auto-crescimento já estamos
colaborando para melhorar a consciência coletiva da
humanidade, da qual fazemos parte, quer queiramos ou não.
Hoje não tenho dúvidas de que a Maçonaria espera que todos
nós possamos contribuir cada vez mais e mais para atingirmos
uma consciência universal de civilização planetária iluminada.
Esta contribuição só será possível a partir do momento que
tomarmos plena consciência de que há muito trabalho a ser

275
feito e não há mais tempo a perder.

No mundo profano, com raras exceções, notamos que as


pessoas que ocupam cargos de destaque, ou até mesmo
posições de chefia de pequena escala, fazem questão de
ostentá-la com um orgulho desmedido, até mesmo próximo da
presunção. O que nós necessitamos, com a maior brevidade
possível, é entender que qualquer posição que venhamos a
ocupar em qualquer área, subentende uma maior
responsabilidade e maior capacidade de doação de nossa
energia para bem desempenhar o nosso papel.
Quanto mais alto o cargo que se venha a ocupar, maior será a
nossa responsabilidade no que tange ao desempenho que
teremos de ter. Não obstante, por inúmeras vezes, observamos
que as pessoas entendem que um cargo ou uma posição
elevada e de destaque é meramente um prêmio para que
possamos lustrar o nosso orgulho.

Dentro da Maçonaria devemos praticar cada vez mais e mais o


exercício da Humildade para estarmos sempre atentos e nunca
incorrermos na soberba. O verdadeiro Maçom é aquele que
tem a noção da responsabilidade dos Graus que possui ou dos
Cargos nos quais está investido.
Não podemos perder de vista jamais a exata noção de que,
quanto mais alta a posição que se possa ter perante os irmãos,
imensamente maior se torna a responsabilidade, seriedade,
dedicação, amor e humildade que deveremos ter para bem
desempenhar nossas tarefas.

276
Quando tudo isso começa a nos preencher e apontar a direção
que devemos seguir, vez por outra somos assaltados por um
questionamento interior que tenta nos cobrar o fato de sermos
tão imperfeitos. Nesta hora parece que tudo desmorona e a
apatia tenta instalar-se furtivamente em nossos corações.
Sobretudo porque a nossa meta de desenvolvimento pessoal é
a busca da Perfeição.
Neste particular devemos estar sempre atentos para não
tornarmos a nossa vida num inferno inútil, através de
cobranças demasiadas e auto-flagelos pessoais. Ao
reconhecermos que erramos devemos conceder sem demora o
auto-perdão, assimilar o fato de que nossa existência é na
verdade o nosso laboratório pessoal de auto-conhecimento,
auto-aprimoramento e evolução.

É muito interessante quando resolvemos prestar mais atenção


nos fatos e nas ocorrências de nosso dia-a-dia. Via de regra
costumamos atribuir muitos acontecimentos ao simples acaso,
a meras coincidências. Porém, em algum momento sempre um
pouco mais a frente começamos a nos aperceber e até mesmo
a entender fatos passados, enxergando com muito mais
clareza que a vida não é feita de casualidades, mas sim de
causalidades.

Por tudo isso é que acho necessário que pratiquemos muito a


humildade durante todos os trabalhos de nossa vida. Se
cometermos o equívoco de viver lustrando o nosso Ego com
auto-suficiência e zelo desmedido é certo que, quando da

277
tomada de consciência da nossa pequenez diante da Gloriosa
Criação, o tombo será demasiado grande, aumentando ainda
mais as dificuldades que enfrentaremos para reerguermo-nos.
Necessário se faz, portanto, que antes de tudo assumamos
esta nossa condição de imperfeição, não como um castigo ou
como uma condenação eterna, mas antes como um grande, e
porque não dizer também, grandioso caminho a percorrer
rumo a esta tão almejada e distante perfeição.
Porém é preciso que não nos deixemos abater por tantos
obstáculos que certamente temos encontrado em nossas vidas
e também pelos que ainda virão, pois o G A D U certamente
espera que venhamos a atingir os estados de consciência que
Ele traçou para nós para que possamos integrar cada vez mais
e com maior poder de engajamento esta maravilhosa Criação
Abençoada.

Não devemos, contudo assumir uma postura de conformação


com o nosso atual estado de desenvolvimento. Precisamos é
aprender a lidar com nossas limitações de forma tal que
possamos expandir cada vez mais e mais os seus limites.
Para isso se faz necessário que, antes de tudo, comecemos a
amar e respeitar este nosso laboratório pessoal que é a nossa
existência, não deixando que o abatimento, a desesperança e o
desalento tenham espaço em nossas vidas. Imediatamente
após a tomada de consciência que um fato, uma atitude ou
uma simples ideia não irá colaborar para o nosso
aprimoramento moral e formação de caráter é preciso que
adotemos uma postura de compreensão e perdão, não só com
pessoas ou agentes externos que tenham porventura sido os

278
protagonistas da situação, mas também e, sobretudo conosco,
pois, certamente, iremos notar que na grande maioria das
vezes e porque não dizer sempre, estamos apenas recebendo
de volta as frequências de energia que emitimos para o
Universo. Só o fato de reconhecermos esta simples verdade já
nos torna mais capazes de trilhar este longo, difícil, intrincado,
mas, sobretudo, maravilhoso caminho rumo à Perfeição.
Ir.'. José Luiz Crepaldi
brasilmacom.com.br

279
A MAÇONARIA NÃO É UMA REDE DE FAVORZINHOS
CORROMPIDOS PELA CORRUPÇÃO

May 15, 2017

Vários mitos cercam a maçonaria e um dos maiores é o que é


preciso ser rico para ser maçom. De fato a riqueza não
interessa aos maçons, pois maçons não vivem a maçonaria
para pedir ou emprestar dinheiro uns dos outros.

Pessoa alguma deixa de ingressar na maçonaria por não ter


dinheiro, o que interessa aos maçons é a influência na
sociedade. Os maçons não procuram pessoas ricas para
ingressarem na maçonaria, eles procuram pessoas influentes
na sociedade que possam lhes fazer favores pessoais em
nome da “fraternidade”.

Pessoas não são indicadas para a maçonaria por sua afinidade


com a espiritualidade, mas por suas posições na sociedade.
Não interessa aos maçons terem em seu meio um mestre da

280
Grande Fraternidade Branca encarnado no corpo de uma
pessoa sem influência na sociedade e que em coisa alguma
possa lhes favorecer, eles preferem ter uma pessoa que de
fato sequer acredite em Deus, mas que possa fazer parte de
sua rede de influências.

A temática da indicação dos membros tem como princípio


indicar “pessoas melhores” que os próprios membros, quer
dizer: pessoas hierarquicamente mais elevadas e que possam
vir a lhes facilitar as coisas. Os maçons querem pessoas que
possam vir a lhes ajudar.

A indicação para o ingresso na maçonaria é muito mais


simples do que se imagina. A maçonaria em sua origem dizia
respeito tão e somente aos Iniciados, às pessoas realmente
ligadas à espiritualidade, mas atualmente a relação com a
espiritualidade é irrelevante para o ingresso na maçonaria.

Pessoas ingressam na maçonaria pelos mais diversos


motivos. Alguns entram na maçonaria para fazer companhia ao
maçom que mora longe da Loja e precisa viajar para chegar até
ela, outros porque a Loja precisa de membros para aumentar a
arrecadação mensal através da mensalidade para poder pagar
suas contas mensais de subsistência, uns meramente porque
a Loja precisa de membros, outros ainda porque são amigos
dos maçons no mundo profano em coisas profanas, outros

281
porque exercem ofícios que são estrategicamente
convenientes aos maçons da Loja e outros pelos mais
diversos motivos que coisa alguma tem a ver com a
espiritualidade.

Por isso aquele que deseja entrar para a maçonaria não


precisa se preocupar em receber o convite para o ingresso
basta se aproximar de um maçom e deixar claro no que aquele
maçom poderia ser beneficiado tendo a sua amizade; a
questão moral e ética será observada, mas a influência na
sociedade é o que realmente mais irá contar.

Quando o maçom vê que tanto ele quanto os outros maçons


poderão ser beneficiados com o convívio com alguém o
convite é feito. Não há segredo.

A maçonaria surgiu como instrumento para realizar a Grande


Obra no planeta Terra e os laços fraternos existiam meramente
porque se tratavam de espíritos da mesma Egrégora que
vieram para fazer o mesmo trabalho no planeta. Todos eram
irmãos na Terra porque faziam parte da mesma Egrégora.

Os laços fraternais existiam na maçonaria não para que um


maçom fosse favorecido pessoal, profissional e

282
financeiramente, mas para que pudesse ser feito o trabalho de
evolução da Terra. Não obstante os maçons desvirtuaram o
ideal de fraternidade da maçonaria e transmutaram-no em uma
rede de favorzinhos.

Há maçons que não possuem pudor algum de ser orgulhar de


receber favorzinhos de outros maçons. Esses favorzinhos não
dizem respeito ao trabalho de evolução do planeta Terra, mas a
favorzinhos de favorecimento pessoal, profissional e
financeiro.

Os maçons não se ajudam para trabalhar a espiritualidade na


Terra, se ajudam para se darem bem na vida. Esse é o
resultado de uma maçonaria que não dá a mínima para a
espiritualidade, onde se chama de “iniciado” aquele que
meramente tenha participado de uma sessão de iniciação.

Impera entre os maçons a ideia de que a maçonaria é uma rede


de homens conectados que podem um favorecer ao outro
pessoal, profissional e financeiramente. Isso não é nunca foi e
nunca será maçonaria. Se os maçons querem criar redes de
favorzinhos, que o façam, mas não digam que isso é
maçonaria.

283
Podem chamar tais redes de qualquer coisa, menos de
maçonaria. Isso não é maçonaria, isso são pessoas que estão
se aproveitando da maçonaria para obter favorecimento
pessoal, profissional e financeiro e a Egrégora maçônica há de
ajustar as coisas.

O ateísmo de fato e o desinteresse pela espiritualidade pode


imperar entre os maçons, mas que pessoa alguma pense que a
Egrégora espiritual da maçonaria está de braços cruzados
apenas assistindo pessoas usarem a maçonaria para obterem
favorzinhos e enriquecer. Os favorzinhos dentro da maçonaria
têm limites e existe diferença entre haver favorzinhos entre
irmãos que atuam na esfera privada e irmãos que atuam na
esfera pública.

Se um maçom tem uma empresa privada e quiser colocar sua


empresa, na observância da lei, à disposição de outro maçom,
que o faça, mas os maçons não podem usar a coisa pública
para favorecerem uns aos outros. Eis o limite que os maçons
não podem ultrapassar.

O Estado não foi criado e não existe para favorecer


pessoalmente quem quer que seja e não existe ideal deturpado
algum de fraternidade que permita que os maçons usem o
Estado para interesses pessoais. O caput do art. 5º da
Constituição da República Federativa do Brasil de 1.988

284
(CF/88) diz que todos são iguais perante a lei e os maçons não
podem ter tratamento diferenciado perante a lei, ainda mais
quando se trata da coisa pública. No mesmo sentido,
o caput do art. 37 da CF/88 diz que a administração pública
obedecerá aos princípios da impessoalidade e da moralidade.

Nisto, fica evidente que favorzinhos entre maçons que possam


vir a envolver a administração pública e firam a
impessoalidade e a moralidade é ilegal. O favor pessoal a
alguém por ser maçom fere a impessoalidade e obter
vantagem por ser maçom em detrimento dos que seguem
outra norma por não serem maçons é imoral.

O maçom não tem o direito de obter qualquer vantagem


indevida que tenha a ver com a coisa pública, mesmo que seja
maçom. O ideal deturpado de fraternidade, onde um maçom
deve favorecer ao outro, não tem o condão de justificar a
ilegalidade e a conduta criminosa.

A maçonaria não foi criada para favorzinhos, ainda mais para


favorzinhos corrompidos pela corrupção.

O brasileiro tem um fetiche patológico pela corrupção. O


brasileiro odeia demais a corrupção que não lhe favorece. Se

285
os maçons acham criminoso, demoníaco e monstruoso
alguém obter vantagem indevida de um funcionário público
apenas por fazer parte de um partido político ou por ter grau
de parentesco com este também devem achar criminoso,
demoníaco e monstruoso se um maçom vier a obter vantagem
indevida de um funcionário público maçom apenas por ambos
serem maçons.

Corrupção é corrupção e se o Brasil quiser começar a se livrar


deste karma terá que deixar de achar que a corrupção só
existe quando esta favorece aos outros. Os maçons não
podem mentir para si escorando-se na justificativa de que se
caso usassem a influência da maçonaria para solicitar ou
receber vantagem indevida de um funcionário público apenas
por ambos serem maçons isso seria a efetivação da
“fraternidade”, pois se isso vier a configurar crime contra a
administração pública será crime contra a administração
pública e o estado de ser maçom não poderá excluir a
culpabilidade na conduta.

Não existe isso de “para os outros é corrupção, para nós é


fraternidade”. Se a maçonaria quer falar contra a corrupção no
Brasil não poderá ter corrupção em seu meio, mesmo que com
a desculpa da “fraternidade”.

286
O caput do art. 317 do Código Penal Brasileiro (CPB) dispõe
sobre a corrupção passiva: “Art. 317 – Solicitar ou receber,
para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora
da função, ou antes, de assumi-la, mas em razão dela,
vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:”.

O parágrafo 1º do art. 317 do CPB dispõe sobre a corrupção


passiva qualificada: “§ 1º – A pena é aumentada de um terço,
se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário
retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica
infringindo dever funcional.”.

Pois bem, esta “vantagem indevida” não precisa ser


necessariamente uma vantagem financeira ou patrimonial. A
vantagem indevida é toda aquela a que o funcionário público
não faz jus em decorrência de sua função pública.

A função pública de um maçom não pode ser usada para ele


adquirir prestígio dentro da maçonaria, “ser lembrado depois”
ou ser visto como “o homem a quem eles, maçons, devem”. O
parágrafo 2º do art. 317 do CPB fala ainda mais sobre a
corrupção passiva: “§ 2º – Se o funcionário pratica, deixa de
praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever
funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:”, ficando
aí clara a questão de ceder a pedido ou a influência de outrem
neste sentido de corrupção.

287
O caput do art. 333 do CPB dispõe sobre a corrupção ativa:
“Art. 333 – Oferecer ou prometer vantagem indevida a
funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou
retardar ato de ofício:”. O parágrafo único do art. 333 do CPB
dispõe sobre a corrupção ativa qualificada: “Parágrafo único –
A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou
promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o
pratica infringindo dever funcional.”.

A questão da vantagem indevida fica novamente em evidência.


Se um maçom coloca à disposição ou apresenta a um
funcionário público que ambos fazem parte da maçonaria e
que tal funcionário ao praticar, omitir ou retardar ato de ofício
será lembrado na maçonaria, ele está cometendo o crime de
corrupção ativa, pois está oferecendo prestígio dentro da
maçonaria a um funcionário público, sendo que tal vantagem é
indevida, pois a função pública não existe para dar a um
maçom prestígio dentro da maçonaria.

A retidão nas condutas dos funcionários públicos não faz


acepção de pessoas e a conduta ilegal não se tornaria legal
apenas por envolver maçons. De semelhante modo não
existem situações onde uma pessoa pode deixar de ser reta. A
retidão não é um estado de conveniência.

288
Pessoa alguma pode se dizer incorruptível se não lhe é dada a
oportunidade de ser posta à prova em sua incorruptibilidade. É
justamente quando a um homem é colocado o dilema entre
corromper-se ou não que se verá o quão incorruptível ele é.

Os fins não justificam os meios e necessidade alguma justifica


a corrupção. A corrupção não deixa de existir por tratar-se de
um maçom ou por tratar-se de um caso de extrema
necessidade. Os maçons podem orientar as indicações de
membros para a maçonaria em razão de sua influência na
sociedade e pelo quanto poderão ser favorecidos pelo poder
de tais membros, mas não podem tocar na coisa pública.

A coisa pública é sagrada, o Estado é sagrado, o Estado é


divino, o Estado é uma instituição da espiritualidade na Terra e
não há de ser maculado por pessoas cujo único ou maior
objetivo de vida seja enriquecer. A maçonaria não foi criada
para as pessoas enriquecerem, pelo contrário: a maçonaria foi
criada justamente por seres que não precisam viver na riqueza.

A maçonaria não se evidencia quando os maçons ganham uns


favorzinhos dos outros. A maçonaria se evidencia quando os
maçons trabalham objetivamente juntos pelo e para o Supremo
Arquiteto do Universo para a evolução da humanidade nos

289
planos físico, emocional, intelectual e espiritual.

Eu sou maçom e não quero favorecimento algum por ser


maçom. Se por qualquer motivo eu tiver que encarar a fila de
um hospital e tiver que morrer na fila de espera pela falta de
atendimento eu assim morrerei. Eu prefiro morrer na fila de
espera junto aos meus outros irmãos, os meus irmãos do
Universo, do que ser salvo apenas porque sou maçom e
porque a maçonaria tinha poder terreno decorrente de
influências para me colocar indevidamente em local
privilegiado ou me dar tratamento médico privilegiado em
comparação àqueles que por não serem maçons tiveram que
encarar a fila e o tratamento médico comum.

Quero ter as mesmas dificuldades, transtornos, dores e


sofrimentos que os meus irmãos do Universo têm e não quero
ser favorecido em coisa alguma na vida por ser maçom.

A maçonaria não está no plano material da Terra para criar


uma rede de favorecimentos, mas para ajudar na evolução do
planeta. O maçom não é aquele que se aproveita da
fraternidade maçônica para não ter que encarar a fila de um
hospital ou para receber um tratamento médico privilegiado, o
maçom é aquele que veio a Terra para estar junto com aqueles
que não possuem tais privilégios e não se está junto com
alguém se não se passar junto com este o que este passa.

290
Rudy Rafael

291
A MAÇONARIA ADORMECIDA: BREVES INDAGAÇÕES

May 17, 2017

Muito me intrigou o trabalho apresentado no tempo de estudo


na Loja no dia 2 de outubro de 2013. Tal trabalho foi
apresentado pelo I.’. Silvio e em parca síntese tratava ele a
evolução da humanidade, reconhecendo-nos como se
fossemos “astronautas” em uma grande nave espacial
chamada planeta terra.

O trabalho do amado Ir.’. conseguiu inclusive definir a


formação de raios, tal definição de forma descomplicada
mostrou que com a precipitação das moléculas de água que
estão no solo, somada a carga negativa ou positiva da
atmosfera naquele momento faz com que ocorra uma descarga
elétrica chamada de “raio”.

292
Essas interpretações faço do trabalho do querido Ir.: pelo o
que ele apresentou em Loja, no tempo de estudos. Não tive
contato com o trabalho, apenas são reflexões do que ouvi uma
única vez do trabalho naquele momento, sendo que por isso
peço desculpas ao referido Ir.: se deixei passar detalhes mais
importantes de sua obra (isso deve ter ocorrido). Por conta
disso penso que seria interessante os trabalhos dos
aprendizes, após análise do Ir.’. 2º Vigilante, fossem
encaminhados por e-mail para todos os Irmãos da Loja para,
caso queiram, lê-los, do contrário eliminá-los.

Ao final do trabalho o Ir.: Silvio conseguiu unir a criação e


evolução da humanidade com a Maçonaria e verificou que em
tempos históricos a Ordem esteve muito presente na vida da
sociedade, na formação da sociedade livre, igualitária e
fraterna, combatendo os laços ditatoriais e despóticos dos
Estados constituídos.

Após esta análise o amado Irmão concluiu trazendo uma


indagação: por que hoje a Maçonaria não se faz presente nos
acontecimentos históricos como se fazia presente em tempos
passados? Se eu entendi o questionamento e se é que ele
existiu, seria traduzido em: por que a Maçonaria está
“adormecida”? Isso me fez pensar ao longo das semanas e
fez-me buscar uma resposta, entre tantas possíveis, dos

293
motivos de isso ocorrer hoje.

Recentemente recebemos por e-mail informações que


lembrava datas importantes para a Maçonaria. Nesse e-mail
tivemos a oportunidade de saber alguns acontecimentos
históricos que envolveram a Ordem, como, por exemplo, que o
ditador Gen. Francisco Franco passou por duas tentativas de
ingressar na Ordem e seu ingresso foi negado na Maçonaria
Espanhola, isso em 6 (seis) de outubro de 1932. Este ditador
governou a Espanha de forma severa por 37 (trinta e sete)
anos.

Foi colocado no poder após a vitória do partido Nacional


Socialista na guerra civil Espanhola, guerra essa que dizimou
aproximadamente um milhão de pessoas.

O referido General apoiou por gratidão a Itália e a Alemanha na


2ª Guerra Mundial.

Permaneceu no poder, mesmo após o final da 2ª Guerra


Mundial, por conta da força opressora, é o que diz o site
Infoescola, pois, “O regime era mantido por efeito da força
radical e eliminadora de adversários que o governo desfrutava.

294
Podemos usar, para ilustrar o trabalho, que a época, no
mesmo grupo do General Franco pertencia os Fascistas
Italianos e os Nazistas Alemães, governos despóticos,
autoritários e sanguinários. Fazia parte do mesmo pensamento
em que pese ter na Alemanha o Nazismo assumido o poder de
forma diferente do ditador Espanhol, pois o Führer foi
aclamado no poder pelo “sufrágio universal”. Dominou Franco
longos anos a Espanha, fazendo o povo amargar com a dor e
com a opressão.

Com o término da 2ª Guerra Mundial o quadro político


internacional mudou, passando as autoridades internacionais
a aplicar políticas públicas internas para evitar que as
atrocidades do Eixo Nazi-Facista se repetissem. Aqui começo
a tentar de alguma forma responder o questionamento
realizado pelo Ir.’. Silvio, para tanto necessário abordar o novo
quadro político dessa nova ordem mundial pós 2ª Guerra.

Friso que 60 (sessenta) anos de história é um tempo pequeno


na evolução da humanidade, por isso me refiro a “nova ordem
mundial”. Surge nessa nova ordem mundial um novo direito,
um direito internacional revigorado, desprendido do foco
mercantilista das relações internacionais, passando a criação
de normas internacionais para tutelar Estados e indivíduos no
mundo inteiro.

295
Cria-se a Declaração Universal dos Direitos do Homem de
1948, a Declaração Européia de Direitos do Homem de 1951 e a
Convenção Americana sobre Direitos Humanos, essa mais
tardia, de 1969.

O que podemos extrair desse quadro Irmãos é que estamos


vivenciando um sistema novo na recente ordem mundial, uma
ordem mundial que prima pelos Direitos Humanos e
preocupada com a existência de Estados Democráticos de
Direitos tratar o indivíduo não mais como um objeto do Estado,
mas sim um ser humano detentor de direitos e motivo pelo
qual existe o Estado.

Logo, a partir desse novo contexto de Estado, ou seja, o


Estado Democrático de Direito é que começou a sociedade
internacional vivenciar a proteção do indivíduo em relação ao
Estado, deixando de ser ele, indivíduo, mero objeto do/desse
Estado para ser detentor de direitos e garantias fundamentais,
como, por exemplo, o que leciona Sarlet que o “direito (e
garantia)” ao duplo grau de jurisdição que, em parca síntese, é
o direito de ter uma (re)análise de toda matéria por outros
juízes em outro grau de jurisdição, um espaço de recurso de
demandas dos indivíduos.

296
Esse direito tem o fim de (re)verificar e (re)analisar aquela
sentença prolatada pelo juízo de primeiro grau de jurisdição, a
fim de minimizar as consequências da intervenção do Estado
na vida da sociedade.

Direcionando-me para o fim do texto e com o fulcro em


responder ao questionamento do Ir.: Silvio, com intuito de
demonstrar por quais motivos a Maçonaria não se envolve
mais nos acontecimentos sociais e políticos como se envolvia
em tempos passados em toda a sua história. Isso, entendo,
ocorre por que vivemos um momento democrático de direito
que vai para além do próprio Estado de Direito, pois conforme
Sarlet, vivemos em um Estado em sua essência Constitucional.

É nesta espécie de administração estatal que se deixou de lado


o tratamento do indivíduo como objeto, pelo menos é como
deveria ser (caso a parte é o tratamento do réu no processo
penal pátrio, pois que ele ainda é um objeto nas mãos do
Estado). Neste contexto de garantias do cidadão frente ao
Estado que a Maçonaria vive e convive hoje.

Se vivemos em um quadro de normalidade e equilíbrio, em que


pese os problemas sociais evidentes e as poucas políticas
públicas de melhoria da vida da classe mais pobre. Vivemos
em um Estado que garante direitos para as pessoas, que
garante a liberdade ou pelo menos tenta garantir, que tenta

297
garantir a equidade entre os seus componentes.

Logo, graças a Deus por isso, a Maçonaria não necessita hoje


pegar em armas para defender seus princípios norteadores e
tão pouco a liberdade, fraternidade e igualdade, elementos
intrínsecos do Estado Democrático de Direito. Todavia, se o
quadro político e social mudar, ou seja, se a Administração do
Estado voltar a ser despótica e ditatorial, sem dúvida
nenhuma, a nobre Ordem Maçônica sairá de sua mansidão e
buscará a defesa da liberdade, fraternidade e igualdade
novamente.
Tiago Oliveira de Castilhos
A.: M.: da A.:R.:L.:S.: Sir. Alexander Fleming 1773 do GOB
NOTAS:
Dados coletados do sítio Infoescola Navegando e Aprendendo.
Disponível em: (Acesso em: 9 out. 2013). Forma de governo
Fascista reconhecido pelo nome de “Franquismo”, sendo sua
principal característica a opressão aos opositores.

Citação colhida no mesmo site e mesma matéria sobre o


Franquismo.
Führer significa “Chefe”, “Líder”, “Guia”, tradução disponível
em: (Acesso em: 9 out. 2013).
Voto secreto por eleições democráticas.

298
SARLET, Ingo Wolfgang. Direitos Humanos e Direitos
Fundamentais: alguns apontamentos sobre as relações entre
tratados internacionais e a constituição, com ênfase no direito
(e garantia) ao duplo grau de jurisdição em matéria criminal., p.
239. In: Criminologia e sistemas jurídico-penais
contemporâneos II. Ruth Maria Chittó Gauer (Org); Aury Lopes
Jr. ...(et. al.). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010. Disponível na
forma eletrônica. Nota de rodapé de n. 6. O autor faz a
distinção entre Direitos Fundamentais e Direitos Humanos com
o fim de exemplificar cada qual, pois cada qual tem a sua
importância. Se for identificado tudo como de ordem de
direitos humanos, como tudo é, logo, nada é. Por tal feita,
importante delimitação do Prof. Dr. Ingo Wolfgang Sarlet.

SARLET, 2010, p. 58. São, portanto, alguns direitos


fundamentais elementos que fundam o Estado.
BIBLIOGRAFIA:
Dados coletados do site Infoescola Navegando e Aprendendo.
Disponível em: (Acesso em: 9 out. 2013).
Bab.la Dicionário on-line. Disponível em: (Acesso em: 9 out.
2013).

SARLET, Ingo Wolfgang. Direitos Humanos e Direitos


Fundamentais: alguns apontamentos sobre as relações entre
tratados internacionais e a constituição, com ênfase no direito
(e garantia) ao duplo grau de jurisdição em matéria criminal., p.
239. In: Criminologia e sistemas jurídico-penais

299
contemporâneos II. Ruth Maria Chittó Gauer (Org); Aury Lopes
Jr. ...(et. al.). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010.

SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais:


uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva
Constitucional. 10. ed. rev., ampl. e atual. 2.ª tiragem. Porto
Alegre: Livraria do Advogado, 2010.

300
CELULAR NA MAÇONARIA?

May 19, 2017

O uso do celular nas Lojas Maçônicas é sintoma, não


problema. Vamos tratar o problema que o sintoma desaparece
naturalmente.
Já foi o tempo em que celulares serviam só para falar. Nesses
pequenos aparelhos temos um acumulo impressionante de
funções, capaz de satisfazer todas as nossas necessidades
tecnológicas. A postura comum é que em eventos públicos
como cinemas, teatros, audições musicais e palestras, os
celulares devem ser desligados. O motivo? Não atrapalhar a
concentração de quem está apresentando e de quem está
ouvindo.
Na Loja Maçônica temos adotado essa posição e de forma
veemente tem sido feita proibição ao uso do aparelho nos
horários de reunião. O Mestre de Cerimônia pede
educadamente para ser desligados os celulares ou que deixem
no modo silencioso se for necessário.

301
Argumentos que apoiem a ideia do ‘não uso de celular’ na Loja
Maçônica são bem conhecidos. Tenho como propósito, neste
artigo, mostrar que o ‘problema’ do celular é muito mais
abrangente do que apenas desligar um aparelho, e acaba
trazendo a tona graves deficiências da Maçonaria em lidar com
os Maçons na juventude e as para-maçônicas, como a Ordem
Demolay, RaibowGirls e Filhas de Jó. Se deixar, eles ficam
100% focados nos Smartphones.
VIBRACALL
Celular toca na Sessão da Loja Maçônica. Faz aquele barulho e
todo mundo se vira. Então um irmão começa a mexer
nervosamente na sua bolsa até encontrar o bendito aparelho.
Mas não basta ter o aparelho na mão, é preciso agora
encontrar algum botão que desligue ou diminua o barulho.
Geralmente a pessoa acaba apertando o celular no corpo, no
intuito de abafar o som. Cena conhecida? E nem falar daquele
irmãozinho que atende com estrondosos gritos de: Alô? Alô?
Eu já vi isso.
Tenho reparado que 90% das vezes em que um celular toca na
Loja Maçônica trata-se de um celular de uma pessoa adulta
(mais de 40 anos). Jovens raramente tiram o celular da função
vibracall, até porque o celular fica ‘colado’ ao jovem. Justiça
seja feita; se celulares tem atrapalhado a reunião, não
podemos culpar os jovens por isso. Eles estão habituados à
tecnologia e sabem mesmo como lidar com isso.
Se a proibição do uso do celular na Loja Maçônica se dá
porque o celular pode atrapalhar o andamento da reunião,
podemos ficar tranquilos. Jovens, em sua grande maioria, não
atrapalham a reunião com seus celulares.

302
FALTA DE ATENÇÃO
Você pode estar pensando neste momento: Tudo bem, não
atrapalha os outros com o barulho, mas e a reverência? E a
concentração do jovem na Sessão da Loja ou Capítulo? Se os
jovens ficam mexendo no celular durante os trabalhos, isso
ocasionará falta de atenção!
Sim! É verdade. O celular pode ser usado pelo jovem para
jogar com um dos muitos joguinhos que o celular tem, para
acessar as redes sociais e ficar batendo papo, para assistir
pequenos vídeos, ver imagens, etc. Acredita que uma vez
conheci um grupo de jovens que criou uma rede interna de
jogo dentro da Loja? (sim, eles conseguem fazer isso e muito
mais!) Precisamos concordar que, se o celular é usado com
esse fim, atrapalha, e muito, a concentração na sessão e
também a concentração de quem sentou ao lado e reparou o
que o irmão está fazendo.
Mas a pergunta é: O problema é o celular? Não! O celular não é
problema. É sintoma! Vou repetir isso porque é uma
declaração forte. O USO DO CELULAR NA LOJA MAÇÔNICA,
estão sendo distraindo pelo uso do celular é porque de alguma
maneira seu coração não está nesse lugar. O corpo está
presente na Loja, mas o coração (a mente) está desesperada
por sair desse lugar. As programações da Loja não estão
tocando o coração do irmão de maneira nenhuma. E você pode
falar agora: Claro, como a programação vai tocar seu coração
se ele fica mexendo no celular?
Tem uma coisa que você precisa aprender sobre os jovens
irmãos desta geração. Os jovens conseguem se concentrar
mais num assunto quando estão mexendo em algo com as

303
mãos. Geralmente quando eles precisam pensar mexem no
celular! (se não acredita em mim, pergunte a eles) Se você vê
um jovem irmão mexendo no celular, acredite, ele está ouvindo
o que está sendo falado na reunião. Só que ele decidiu que não
é importante.
Qual o real problema? Falta de FOCO. O irmão precisa ter um
encontro com a Egrégora da Loja.
Verdade seja dita, temos tentado resolver esse problema
pedindo para desligar o celular. Resolveu o problema? Pode
ser que não tenha mais distração na Loja, que o irmão fique
igual uma estátua dentro da Sessão, mas o problema continua.
Esse Irmão ainda precisa ser alcançado pela Egrégora da
Sessão. Com celular ou não, logo esse Irmão sairá da
Maçonaria. E não será por causa do celular...
Tenho reparado que as Lojas que são mais enfáticas e estritas
quanto ao não uso do celular dentro da reunião são as Lojas
que menos acolhida tem para com os jovens irmãos. Lojas
onde os jovens irmãos não tem espaço para participar, que
não os deixam participar da organização de atividades, não
tem nenhum jovem irmão fazendo parte das comissões.
São Lojas em que os irmãos são reprimidos ao ponto deles
nunca apresentarem trabalhos por medo a serem criticados. O
jovem irmão não se sente ‘parte’ daquilo que está
acontecendo. Não foi envolvido nas atividades e por tanto não
tem interesse em apenas sentar e ouvir e vai buscar refúgio no
celular...
O CELULAR COMO FERRAMENTA DE TRABALHO MAÇÔNICO
Mas dá pra usar o celular na Maçonaria? Existe um campo
muito grande para o uso do celular na Maçonaria. Se bem

304
utilizado pode se tornar uma grande benção para os irmãos.
No celular é possível acessar a trabalhos, blogs, textos, sites e
redes sociais ligadas ao assunto Maçonaria.
CONCLUSÃO
A Maçonaria está preparada para essa revolução que estou
propondo? Acho que não. Ainda não. É provável que ainda
precisemos aconselhar a não usar o celular. Para poder
colocar na prática aquilo que estou propondo é preciso
conscientizar, incentivar, educar. Isso leva tempo.
Eu imagino que de aqui a 5 ou 8 anos (se o mundo durar tudo
isso) vamos ter postura diferente quanto ao uso do celular na
Loja. De aqui a 5 anos você vai se lembrar desse artigo.
Com amor fraternal, Ir.’ Denilson Forato.

305
A CADEIRA

May 22, 2017

"Um velho maçom, um dia foi chamado para assistir a um


irmão que se encontrava muito enfermo. Quando o idoso
entrou no quarto, encontrou o pobre homem."

Estava me esperando, meu irmão? - disse o velho maçom. -


Não, quem é você? - respondeu o homem enfermo, que já tinha
dificuldade para reconhecer as pessoas. - Sou o Hospitaleiro
de sua Loja que o nosso Venerável Mestre, atendendo a um
apelo da sua filha, pediu para apoiá-lo neste momento difícil
por que passa sua saúde; quando entrei e vi a cadeira vazia ao
lado da sua cama, imaginei que você soubesse que eu viria
visitá-lo. - Ah sim, a cadeira! Entre e feche a porta.

Então o irmão enfermo lhe disse: - Seja bem-vindo, meu irmão.

306
Nunca contei para ninguém, mas passei a maior parte da
minha vida duvidando da minha crença no Grande Arquiteto
do Universo e sem aprender a falar com ele. Não sabia direito
como se deve orar. E nunca dei muita importância para a
oração. Pensava que ÊLE estava muito distante de mim.

Assim sendo, por muitas décadas me senti só, sem apoio


espiritual. Até que um dia, há poucos anos atrás, um velho
irmão e amigo me disse: - José, orar é muito simples. Orar é
conversar com o GADU e isto eu sugiro que você nunca deixe
de fazer... você se senta numa cadeira e coloca outra cadeira
vazia na sua frente. Em seguida, com muita fé, você imagina
que o Grande Arquiteto do Universo está sentado ali, bem
diante de você.
Afinal ELE mesmo disse: - “Eu estarei sempre com vocês”. -
Portanto, você pode falar com Ele e escutá-lo, da mesma
maneira como está fazendo comigo agora.

Pois assim eu procedi e me adaptei à ideia. Desde então, tenho


conversado com ÊLE, a sós, durante bastante tempo, todos os
dias. Sei que a cadeira à minha frente nunca está vazia, pois
ELE está presente. -Tenho sempre muito cuidado para que a
minha filha não me veja... pois me internaria num manicômio
imediatamente.
O velho Hospitaleiro sentiu uma grande emoção ao ouvir
aquilo, e disse a José que era muito bom o que estava fazendo
e que não deixasse nunca de fazê-lo. Em seguida, chamou
todas as pessoas da casa, pediu que se posicionassem em um
círculo, dando-se as mãos, incluindo o enfermo em seu leito,

307
fez uma inspiradora prece ao GADU e ouviu do Irmão enfermo
palavras de sabedoria, de aquiescência aos planos do GADU,
que tudo acontecesse conforme a SUA vontade, declarando-se
entregue em SUAS divinas mãos.

Dois dias mais tarde, o enfermo, quase agonizante, fez um


pedido estranho, mas que foi imediatamente cumprido por
seus familiares: Pediu que colocassem a cadeira vazia junto a
sua cama, com um travesseiro, e que nesse travesseiro
recostassem a sua cabeça. Assim, com a assistência plena
dos Irmãos Maçons e da sua família o enfermo passou para o
Oriente Eterno.

A filha procurou o Irmão Hospitaleiro e perguntou se ele sabia


por que o pai havia feito aquele estranho pedido.

O Irmão Hospitaleiro, profundamente emocionado, enxugou as


lágrimas e respondeu: - Ele partiu no colo e nos braços do seu
melhor amigo...

Meus Irmãos: Acreditem que o GADU está mais próximo de


nós do que podemos imaginar.

GRUPO APRENDIZES DA ARTE REAL Texto: Adaptação da


Jura em prosa e Verso, de uma apresentação recebida de um
colaborador.
S.'.F.'.U.'.
André Daniel .'.

308
OS INSTRUMENTOS E A OBRA MAÇÔNICA

May 25, 2017

Esse trabalho na pedra, que também historicamente é o


primeiro trabalho humano requer para a sua perfeição três
instrumentos característicos, que são o malho, o cinzel e o
esquadro. Este último serve de medida a fim de assegurarmos
que a obra mais especificamente ativa dos dois primeiros
esteja de acordo com as normas ou critérios ideais
universalmente reconhecidos e aceitos■ aqueles são os meios
complementares com os quais a perfeição concebida ou
reconhecida fazer-se-á efetiva.

O esquadro representa fundamentalmente a faculdade do juízo


que nos permite comprovar a retidão ou a sua falta, ou seja, a
forma octogonal das seis faces que tratamos de lapidar, assim

309
como a de suas arestas e dos oito ângulos triedros nos quais
elas se unem, como o objetivo de fazer com que a pedra se
torne retangular, como deve ser toda pedra destinada a formar
parte de um edifício.

É por intermédio do esquadro que nossos esforços para


realizar o ideal ao qual nos propusemos podem ser
constantemente comprovados e retificados. Isto é feito de
maneira que estejam realmente encaminhados na direção do
ideal, conforme é demonstrado pela simbólica marcha do
Aprendiz, que ensina a cuidadosa aplicação desse valioso
instrumento sobre cada passo e em cada etapa de nossa
existência diária.

Desta forma, o malho e o cinzel, como instrumentos


propriamente ativos, representam exatamente os esforços que,
por meio da Vontade e da Inteligência, temos de fazer para nos
aproximarmos da realização efetiva desses Ideais, que
representam e expressam a perfeição latente de nosso Ser
Espiritual. O malho, que utiliza a força da gravidade de nossa
natureza subconsciente, de nossos instintos, hábitos e
tendências, é, pois, representativo da Vontade, que constitui a
primeira condição de todo progresso e é ao mesmo tempo o
meio indispensável para realizá-lo.

310
Temos de querer antes de poder realizar, assim como para
realizar e poder realizar, sendo a Vontade a força primeira da
qual podem se considerar originárias todas as demais forças,
e, portanto aquela que a todas pode dominar atrair e dirigir.

Devemos, entretanto, precaver-nos dos excessos aos quais


poderão nos conduzir o culto exagerado da faculdade volitiva,
uma vez que os resultados desta Força soberana entre todas
as forças cósmicas podem também ser destrutivos, quando
essa força não for aplicada e dirigida construtivamente por
meio do discernimento necessário à sua manifestação mais
harmônica, de acordo com a Unidade de tudo o que existe.
Pois assim, como o malho utilizado sem o auxílio do cinzel,
instrumento que concentra e dirige a força daquele em
harmonia com os propósitos da obra, poderá facilmente
destruir a pedra em vez de aproximá-la da forma ideal de sua
finalidade assim igualmente a Vontade que não é
acompanhada do claro discernimento da Verdade não pode
nunca manifestar seus efeitos mais sutis, benéficos e
duradouros.

O propósito inteligente que deve dirigir a ação da vontade é


aquilo que é representado exatamente pelo cinzel, como
instrumento que complementa o malho na Obra maçônica.
Essa faculdade que determina a linha de ação de nosso
potencial volitivo não é menos importante uma vez que de sua
justa aplicação, iluminada pela Sabedoria que é manifestada

311
como discernimento e visão geral, dependem inteiramente a
qualidade e a bondade intrínsecas do resultado: ou uma
formosa obra de arte sobre a qual se concentra a admiração
dos séculos, ou então a obra tosca e mal formada que revela
uma imaginação enferma e um discernimento ainda
rudimentar.

Para que a ação combinada de ambos os instrumentos seja


realmente maçônica, isto é, útil e benéfica para o propósito da
evolução individual e cósmica, ela deve ser constantemente
comprovada e dirigida pelo Esquadro da Lei ou norma de
retidão, cujo ângulo reto representa a retidão de nossa visão,
que nos coloca em harmonia com todos os nossos
semelhantes fazendo-nos progredir retamente na Senda do
Bem.

Esta atividade eminentemente diretora do Esquadro, que


representa e expressa a Sabedoria, faz dele o símbolo mais
apropriado do Venerável. Mestre, assim como o malho,
emblema da Força pode ser atribuído ao 1° Vigilante, e o
cinzel, produtor da Beleza, ao Segundo. Assim como a
atividade combinada dos três instrumentos é indispensável à
obra maçônica, da mesma forma a cooperação mais completa
das três luzes da Loja e indispensável para que esta possa
desenvolver um trabalho realmente fecundo.

312
Texto extraído do livro Manual do Aprendiz, Maçom Livre

313
OS SEIS PASSOS PARA FAZER PARTE DA MAÇONARIA:

May 29, 2017

Antes de tudo, o postulante ao ingresso nos quadros da


Ordem Maçônica, deve autoavaliar-se em busca de valores,
costumes, atitudes (interiores), e comportamentos sociais
exteriorizados cotejando-os com algumas premissas a seguir
apresentadas.

O Candidato deve, portanto, identificar-se com os aspectos a


seguir:
LEGAL:
- ser emancipado e ter completado 18 anos antes da cerimônia
de Iniciação;
- ser dependente pecuniariamente, obter anuência dos tutores
ou genitores;

314
- ser engajado em união estável, contar com a concordância da
esposa;
- ser um homem íntegro, ligado e atualizado em relação ao seu
tempo;
- ser empreendedor e capaz de assumir responsabilidades;
- ter emprego, residência e domicílio fixos, no Oriente (estado,
município) pleiteado; suas atividades profissionais devem ser
lícitas, não importando o metier;
- esperar encontrar na Loja pleiteada, homens livres, de bons
costumes, capazes de realizar obras poderosas em benefício
da Humanidade, da Pátria e da Família;
DOUTRINÁRIO:
- ter religiosidade, melhor do que religião;
- crer em Deus, acima de tudo;
- ter uma ideia clara da virtude e do vício, adotando aquela e
rejeitando este;
- estar apto a apreender conhecimentos litúrgicos e filosóficos;
- distinguir entre religião e maçonaria;
- ser respeitado na Iniciação, não só pelas características
esotéricas, exotéricas e metafísicas do evento, como pelo
significado simbólico trazido pelas nossas tradições e
regularidade;

PRÁTICO:
- apresentar bons costumes;
- ter boa família;

315
- seguir as leis;

METAFÍSICO:
- ser receptivo às ideias;
- estar ideologicamente alinhado com a idéia de Deus;

DA TRADIÇÃO:
- estar apto; ou pronto, disposto e capacitado, “sponte SUA”;

INICIÁTICO:
- creditar respeito ao processo;
- manter o espírito receptivo (“nada lhe será cobrado; tudo lhe
será dado”);

A admissão à Maçonaria é restrita a pessoas adultas sem


limitações quanto à raça, credo e nacionalidade, desde que
gozem de reputação ilibada e que sejam homens íntegros.

Nenhum homem, por melhor que seja, poderá ser recebido na


Maçonaria, sem o consentimento de todos os maçons. Se
alguém fosse imposto à Maçonaria, poderia ali causar
desarmonia, ou perturbar a liberdade dos demais, o que
sempre deve ser evitado.

316
A aceitação do pedido de ingresso na Ordem depende
bastante da declaração de motivos do candidato. A Ordem
espera que o candidato seja sincero perante sua própria
consciência, quando do preenchimento da proposta de
admissão.

Quando alguém se candidata a ingressar na Maçonaria, é


verificado em sindicância se dispõe de ganhos pecuniários
que permitam cumprir os compromissos maçônicos, sem
sacrificar a família. Vale dizer que nenhum homem casado
poderá entrar para a Maçonaria sem que a esposa esteja de
acordo.

É óbvio que, ao se iniciar na Maçonaria, o indivíduo deverá


assumir compromissos derivados de participação engajada e
responsável nas lides maçônicas. Entre os compromissos e
responsabilidades, encontram-se aqueles de estudar, com
mente aberta, as instruções maçônicas, bem como, o de
considerar denso sigilo sobre os ensinamentos recebidos e
contribuir pecuniariamente para a manutenção de sua Loja e
sua Obediência. Os compromissos e responsabilidades, a
propósito, são do mesmo gênero daquelas encontradas em
qualquer associação humana.

317
É fato inconteste que uma das finalidades da Ordem é a de
implantar sistematicamente na sociedade humana uma efetiva
fraternidade entre os homens.

Ao contrário do “folclore” que alimenta a crença de muita


gente, a Maçonaria não é uma sociedade secreta e exerce suas
atividades extensivamente, sob o pálio da legitimidade de sua
natureza e da legalidade de seus atos e fatos administrativos,
fiscais e tributários. Suas Propriedades, Constituições,
Emendas, Regimentos e Estatutos são registrados em cartório
de imóveis, títulos e documentos, e publicados em Diário
Oficial.

Uma vez Iniciado, o neófito torna-se Maçom, e, como tal,


estará, para todo o sempre, sob constante vigilância de sua
própria consciência e dos demais Maçons.

Isso posto, havendo seu interesse em “entrar” na Maçonaria,


entre em contato com um Maçom de seu conhecimento ou
com uma Loja Maçônica de sua cidade.

Daniel Martina.´.

318
VENERÁVEL, É O CARGO MAIS HUMILDE DE UMA LOJA?

June 02, 2017

A escolha para a composição de uma chapa para concorrer


aos cargos diretivos da Loja nem sempre decorre de um
consenso natural, espontâneo, pacífico e harmônico havido
entre todos os mestres de seu quadro de obreiros.

Os arranjos para tais composições se realizam também através


da observação feita por um grupo que é formado pelo
entendimento de dar continuidade ao modelo administrativo
vigente ou pelo entendimento de outro grupo que pretende
implantar um novo modelo administrativo, dividindo-se entre
grupos de situação ou de oposição, ambos visando o
fortalecimento e engrandecimento da Loja, melhores
condições de trabalho e de harmonia para todos os integrantes
da Oficina e suas relações com a Obediência, com as demais
coirmãs.

Também existe a possibilidade de se firmar a tentação vaidosa

319
de algum dos integrantes pretendendo assumir o malhete do
comando da Loja apenas para a satisfação de um projeto
pessoal no desafio da competição visando impor sua
pretensão de se sentir líder, através de ardilosos argumentos,
promessas feitas até mesmo garantindo retribuições de
repassar o cargo, no futuro, para cada eleitor que sufragar o
seu nome na eleição presente.

Disputas acirradas podem ser constatadas não através de


planos de gestão, mas, simplesmente pelas vinculações
pessoais de amizade, identificações de simpatias pessoais que
prejudicam o futuro da Loja, criando verdadeiros rachas,
antagonismos que, não raro, resultam em defecções de
dedicados Irmãos para a formação de outra oficina quando não
resultam em filiações coletivas em oficina existente.

O cargo de Venerável Mestre muitas vezes é o principal


objetivo a ser conquistado por aquele Irmão que se acha
capacitado para exercer o Primeiro Malhete, independente da
avaliação dos demais Irmãos. O cargo de Venerável Mestre,
autoridade máxima da Loja Maçônica, pode ser ambição
pessoal de alguém que nunca exerceu responsabilidades de
Primeiro ou Segundo Vigilante, de Secretário, Orador ou de
Tesoureiro, daquele Irmão que frequenta a Loja
burocraticamente, opinando em tudo, questionando tudo e
todos, trazendo sua contribuição de inteligência na resolução
de problemas eventuais... Aquele que se encarrega de dirigir
uma comissão para uma festa, um evento, uma programação
que lhe possibilite brilhar sob os holofotes do sucesso do

320
empreendimento e que lhe permita receber os aplausos por tal
missão isolada cumprida com esmero.

Assim, com os olhos vendados pela vaidade, muitos


candidatos de si mesmos ao cargo de Venerável Mestre
deixam de ver a profundidade das lições contidas nas
disposições da dinâmica do exercício do Rito adotado por sua
Loja, tal como se configuram no desenvolvimento da prática
do Ritual, conforme sugerem as lições contidas na dinâmica
de qualquer Sessão que se realizam em Loja.

Com efeito, todos os ritos sugerem a conduta do Venerável


Mestre como função mais dependente e de humildade no
desenvolver das atividades em Loja.

O Venerável Mestre, nas lições trazidas pelo conteúdo dos


rituais é aquele que indaga sobre as atividades em loja. O
Venerável Mestre é aquele que solicita providências para
serem transmitidas pelos Irmãos Vigilantes aos Irmãos
ocupantes dos demais cargos. Cabe ao Venerável Mestre
indagar o que é necessário para se realizar uma Sessão
Ritualística. É ele quem pergunta o horário para início dos
trabalhos e busca respostas de perguntas que se transferem
do Primeiro para o Segundo Vigilante para o início dos
trabalhos.

O Venerável Mestre é quem pergunta ao Secretário o relatório


das sessões anteriores, a correspondência emitida ou
recebida, as anotações das alterações havidas no quadro de

321
obreiros.

É o Venerável Mestre é quem anuncia as alterações de temas


que se desenvolvem durante a Sessão e incumbe aos demais
ocupantes de cargos as providências que devem ser tomadas
para execução do ritual.

Sem as respostas dos Irmãos Vigilantes o Venerável Mestre


não poderá declarar aberta uma sessão ritualística assim
como, sem a resposta do Irmão Orador, não poderá
providenciar no encerramento dos trabalhos.

A dinâmica contida no ritual que rege a Sessão Maçônica traz


consigo a lição sobre as condutas do Venerável Mestre em
Loja e sua postura maçônica diante de todo o quadro de loja,
sintetizada na mensagem de humildade, de prestação de
serviços sob dependência e sob subordinação das respostas
vindas de todas as direções da Loja para que o Primeiro
Malhete possa exercer as suas funções.

É na simples leitura do Ritual de qualquer sessão maçônica


que se infere as condutas sugeridas para o Venerável Mestre,
posto que, todos os requisitos essenciais para o
funcionamento Justo e Perfeito de uma Sessão Maçônica se
diluem entre os integrantes da Loja contribuindo com
informações e atividades que permitam ao Venerável Mestre
dirigir os trabalhos em Loja.

Através da simples leitura do Ritual da Sessão Maçônica

322
colhemos a lição sobre a necessidade de humildade que o
cargo exige, pois, sem a harmoniosa interação com os demais
cargos, o Venerável Mestre não poderia agir posto que todas
as suas ações em Loja dependam da cooperação
imprescindível do atendimento das necessidades
apresentadas pelo Venerável Mestre, o impossibilitando de
dirigir os trabalhos sozinho.

Diante da simples leitura do Ritual da Sessão Maçônica, fica


expressamente afastada qualquer hipótese de vaidade, de
soberba, de arrogância e até mesmo de Poder Absoluto do
Venerável Mestre sobre os demais integrantes do quadro de
obreiros de sua Oficina.

Ir.’. Nicolau B . Lütz Netto - ARLS ACÁCIA


PORTOALEGRENSE, 3612, RM, GOB/RS - Membro
Correspondente da Loja Francisco Xavier Ferreira de
Pesquisas Maçônicas

323
O QUE A MAÇONARIA SIGNIFICA PARA MIM

June 05, 2017

Recebi recentemente uma carta que perguntava: “Por que você


é um maçom?”. A questão me fez pensar e reafirmar meu
sentimento sobre a Maçonaria.

No começo, pensei em meus próprios antepassados. Meu avô


foi maçom por 50 anos, e eu sou maçom há 60 anos. Isso
significa que meu vínculo com a Maçonaria se estende desde
1869, quando meu avô se juntou aos Maçons.

Meus sentimentos na minha primeira entrada em uma loja


maçônica estão muito claros na memória. Eu era um jovem e
foi uma grande emoção se ajoelhar diante do altar da loja para
se tornar maçom. Isso deve ter sido o mesmo que meu pai e
meu avô experimentaram antes de mim.

324
E também deve ter sido idêntico ao que muitos grandes líderes
da América e do mundo sentiram quando se tornaram maçons.
Entre estes importantes grupos, se destacam George
Washington, Harry Truman e outros 12 presidentes, além de
inúmeros líderes de estado e benfeitores da humanidade.

Então eu me encontrei pensando: “O que a Maçonaria significa


para mim?” Claro, os maçons dizem que a Maçonaria
realmente começa no coração de cada Maçom,
individualmente. Considero isso uma resposta à fraternidade e
aos ideais mais elevados.

Lembro da história de um homem que veio a mim uma vez e


disse: “Vejo que você é um Maçom. Eu também sou”. Como
nós conversamos, ele me contou sobre uma experiência que
ele teve anos atrás. Parece que ele se juntou à Fraternidade
maçônica logo após fazer 21 anos de idade.

Quando ele estava servindo ao exército, ele decidiu participar


de reuniões de várias Lojas. Em sua primeira visita a uma loja,
em uma cidade estranha, ele estava um pouco nervoso.

325
Um pensamento estava constantemente em sua mente; Ele
poderia passar no exame para mostrar que ele era um Maçom?
Enquanto o comitê examinava cuidadosamente suas
credenciais, um dos membros o olhou diretamente nos olhos e
disse: “É óbvio que você conhece o Ritual, então você pode
entrar na nossa Loja como um Irmão Maçom.

Mas eu tenho mais uma pergunta. Onde você foi feito maçom?
Com isso, ele disse ao jovem visitante que pensasse sobre
isso, como ele sabia a resposta, o examinador não teria que
ouví-lo. Ele veria isso em seus olhos. Meu amigo me disse que,
depois de alguns minutos, um grande sorriso veio até o rosto
dele e ele olhou para o examinador, que disse: “Isso é o certo,
em seu coração”.

Através dos ensinamentos maçônicos, os homens bons


praticam amor e caridade. Como Fraternidade, eles gastam
milhões de dólares…

A maçonaria não é uma religião, porém, na minha experiência,


os maçons são predominantemente homens religiosos e, em
sua maior parte, da fé cristã. Através da Maçonaria, no entanto,
tive a oportunidade de compartilhar o pão com homens bons,
além da minha fé cristã. A Maçonaria não promove nenhum
credo religioso.

326
Todos os maçons acreditam na Deidade, sem reservas. No
entanto, a Maçonaria não faz exigências sobre como um
membro deve pensar no Grande Arquiteto do Universo.

A Maçonaria é, para todos os seus membros, um suplemento à


vida boa, que elevou a vida de milhões de pessoas que
entraram em suas portas. Embora não seja uma religião, como
tal, ela complementa a fé em Deus, o Criador. É o apoio da
moral e da virtude.

A maçonaria não tem dogma nem teologia. Não oferece


sacramentos. Ensina que é importante para cada homem ter
uma religião de sua própria escolha e ser fiel a ela em
pensamento e ação. Como resultado, homens de quatro
diferentes religiões podem se encontrar em comunhão e
fraternidade sob a paternidade de Deus. Eu acho que um bom
Maçom se torna ainda mais fiel aos princípios de sua fé, por
sua participação na Loja.

A maçonaria é muito mais do que uma organização social.


Através dos ensinamentos maçônicos, os homens bons
praticam amor e caridade. Como uma Fraternidade, eles
gastam milhões de dólares para apoiar hospitais, clínicas de
distúrbios da linguagem da infância e pesquisas sobre

327
problemas que afligem o ser físico e mental do homem.

Sempre que encontro um hospital maçônico, dos quais há


muitos, meus olhos se enchem de lágrimas. Quando vejo um
jovem, que não podia andar, agora conseguindo chegar de um
lado para o outro com a ajuda de uma perna artificial, fico
emocionado.

Para um jovem ter a oportunidade de se tornar íntegro e


produtivo, é para mim emocionante e maravilhoso. E esta
oportunidade é dada gratuitamente a sua família ou ao estado.
Viver é lindo, mas às vezes a vida pode ser dura e cruel.

Sempre que ou onde quer que, as pessoas estejam em


necessidade, os maçons estão lá para ajudar. De grandes
empreendimentos às menores necessidades, os maçons estão
sempre lá, cuidando e servindo.

Sempre me perguntei por que os maçons dedicam tanto tempo


à sua Fraternidade. Uma boa resposta para esta questão veio
de um Grão-Mestre que uma vez me disse que ele gosta do
envolvimento, porque isso lhe dá outra dimensão para a vida.

328
A mesma resposta é ecoada pelos irmãos que se encontram
nas Lojas, de um lado ao outro do nosso País e em todo o
mundo. Muitos dos meus melhores amigos, associados e
companheiros cristãos, também são maçons e bons homens
religiosos.

Em minhas viagens, localmente ou no exterior, um bom


número de maçons observa meu anel maçônico, que eu
sempre uso. Com orgulho, eles dizem: “Eu também sou um
maçom”.

Para mim, a Maçonaria é uma forma de dedicação a Deus e


serviço à humanidade. Eu também sou um maçom em meu
coração e assim vou permanecer. Estou orgulhoso do meu
envolvimento. Tenho orgulho de andar em comunhão fraterna
com meus Irmãos.

Por que eu sou um maçom? Simplesmente porque estou


orgulhoso de ser um homem que quer manter os padrões
morais da vida em alto nível e deixar algo para trás, para que
outros se beneficiem. Somente quando eu, pessoalmente, me
tornar melhor, posso ajudar os outros a fazer o mesmo.

Reverendo Norman Vincent Peale, 33º.

329
UM MAÇOM SEM APOLOGIA

June 05, 2017

EU SOU MAÇOM! Esta singela e simples afirmação, é dita com


orgulho, não é apologia! Mas fazer tal afirmação não é
suficiente. Razões são esperadas e eu as dou brevemente e
quase em forma de esboço.

Por causa das Amizades

Pelo que a Fraternidade me oferece

Essas amizades chegam a 50 anos em uma comunidade rural


na Virgínia, onde fui elevado a mestre maçom. Aqueles

330
homens simples e singelos me levaram ao seu círculo de
amizade e me apoiaram em muitas das dificuldades que um
jovem ministro encontrou no seu primeiro ano fora do
seminário. Durante meio século, minha vida foi abençoada por
amigos, de todos os caminhos da vida e grupos religiosos. A
maçonaria é verdadeiramente ecumênica em sua associação.

Em um tempo de desconfiança, suspeita discriminação,


separação e até mesmo ódio, a Maçonaria remove a distância
entre os homens. A amizade, a moralidade e o amor fraterno
são as características de nossos relacionamentos. Existe uma
integridade básica na Fraternidade que muitas vezes carece de
muitos relacionamentos da vida.

Por causa do belo Ritual

É enraizado na história bíblica

Estes rituais relativos a cada grau maçônico não são formas


sem substância. Vieram dos antigos landmarks, eles trazem
palavras de honra que nivelam as profundezas da emoção
humana.

331
Como alguém que ama a beleza e o significado das palavras,
nunca me canso de assistir e ouvir a concessão de qualquer
grau, abertura e encerramento das reuniões da Loja.

A história bíblica antiga ganha vida no drama e na linguagem


da Maçonaria. A beleza e a ordem de uma Loja Maçônica
adicionada aos símbolos, tão familiares à Fraternidade,
significam tanto para muitos.

Por causa da prática da Fraternidade

Os esforços para Caridade

Os maçons não estão interessados na superficial atividade


social, embora eles precisem e desfrutem da boa comunhão.
Eles não estão interessados apenas em um clube de serviço
comunitário, embora desejem se orgulhar do registro do
serviço e da imagem da comunidade para com a Fraternidade a
que pertencem.

Casas maçônicas, hospitais e instituições, estão prestando um


serviço para “o menor desses” de tal maneira que sublinha o
cuidado e a devoção das pessoas chamadas de “Maçons”.

332
Nenhum hospital oferece tanto cuidado para crianças aleijadas
ou crianças queimadas, quantos aqueles que carregam o nome
de “Maçom”. Sem nenhum custo para as famílias, esses
hospitais abrem suas portas e as vidas são restauradas e
tornadas integras novamente.

Por causa do profundo tom religioso

Deixe-me rápida e enfaticamente dizer que a Maçonaria não é e


nunca foi uma religião; no entanto, a Maçonaria sempre foi
amiga e aliada da religião. Em 50 anos como ministro e como
maçom, não encontrei conflito entre minhas crenças
maçônicas e minha fé cristã. Não encontrei e não acho que a
Maçonaria seja “incompatível com a fé e as práticas cristãs”.

A Maçonaria nunca me pediu para escolher entre a minha Loja


e a minha Igreja. A maçonaria jamais usurpou o lugar de Deus
e nunca irá. Nunca ninguém ousou dizer: “Amarás a Maçonaria
com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua
mente”.

Pode haver apenas uma lealdade final, e o Deus Vivo é o único


objeto digno de tal lealdade.

333
Possivelmente existem aqueles que criaram um Deus fora da
Maçonaria. Você pode criar um deus de qualquer coisa – seu
negócio, seu sindicato, seu clube cívico, sua Loja e até da sua
Igreja. Você pode até fazer um deus com restos (Isaías 44:17).

Minhas atividades maçônicas nunca interferiram em minha


lealdade e meu amor pela minha Igreja. Muito pelo contrário,
minha lealdade à minha Igreja foi fortalecida pelos meus laços
maçônicos. Os bons maçons são bons homens religiosos.

O Grão-Mestre da Maçonaria da Pensilvânia diz:

“A Maçonaria tem uma fé para viver; A Maçonaria é um ser


capaz de viver; A Maçonaria é ter causas dignas para viver; A
Maçonaria é uma busca eterna da excelência".

Este é, então, o meu testemunho. Eu sou um maçom sem


apologias!
Bispo Carl J. Sanders, 32°, K∴C∴C∴H∴ – Igreja Metodista
Unida, Alabama

334
MAÇONARIA E RELIGIÃO

June 06, 2017

Existem aqueles que rotulam a Maçonaria como uma religião.


Mesmo entre os metodistas britânicos, houve um protesto
quanto ao uso da Maçonaria como meio de entrar em algumas
profissões, onde apenas Irmãos adiantam Irmãos e onde os
maçons britânicos negligenciaram a igreja em suas Lojas.
É triste dizer que algumas dessas críticas têm uma base de
verdade na forma como “certos” maçons aplicam o que eles
acreditam ser maçonaria. A aplicação, no entanto, muitas
vezes está muito longe do verdadeiro espírito e do ensino real
da Fraternidade. Descobri em meu conhecimento limitado que
o Rito escocês e a Loja simbólica, não defendem a crença de
nenhuma religião, mas fazem acepção de todas as principais
religiões morais do mundo.

335
O rito escocês e a maçonaria da Loja simbólica, nunca
inferiram nem declararam que seus edifícios deveriam ser
casas de culto, mas lugares onde a religião de todos os
homens seria igualmente respeitada e a perseguição com as
crenças religiosas não seria tolerada. A democracia é ensinada
por todas as principais Fraternidades maçônicas, em oposição
às formas totalitárias de governo.
Um governo, ou Loja, que afirma que uma religião deve ser
praticada para que possa existir pacificamente naquela
sociedade é uma violação das liberdades que consideramos
estimadas na sociedade americana.

Como ministro cristão, acredito que Jesus é o Filho de Deus.


Eu também acredito que qualquer Loja que me proíba de
defender essa crença ou me repreender por ser cristão, não é
uma Loja de “Irmãos”, mas uma fortaleza de fanatismo. Essa
mesma crença, no entanto, deve ser verdadeira em uma Loja
de “Irmãos” para um Maçom judeu.

Enfrentando diretamente os equívocos e críticas sobre nossa


Fraternidade é a única forma construtiva de lidar com essa
questão. Grande parte do ritual da nossa Fraternidade, de fato,
vem das Escrituras do Antigo e do Novo Testamento. É a mais
solene de todas as responsabilidades, administrarem a Palavra
de Deus.

336
Também a maioria dos teólogos acredita que, nas Escrituras
do Antigo e Novo Testamento, as comunidades judaicas e
cristãs, são declaradas como cuidadoras primárias da fé. A
maçonaria realmente reconheceu esse grande recurso bíblico
e incorporou a crença em um Ser Supremo como sua base. A
maçonaria, no entanto, não é o primeiro conselheiro da fé, mas
uma prática respeitadora da fé.

Descobri que o Rito escocês e a Loja simbólica não defendem


a crença de nenhuma religião, mas fazem acepção de todas as
principais religiões morais do mundo.

A pratica na fé em um Deus é apropriadamente ritualizada e


sacramentalizada na sinagoga, na igreja, na mesquita e etc. A
maior parte das vidas que exibimos como maçons que
acreditam em Deus, devem ser aprendida dentro dessas casas
de culto.

O comparecimento regular na Loja, não é um substituto de fé


para o comparecimento regular na igreja ou na sinagoga. Nós
também aprendemos que o agendamento das atividades
maçônicas durante as horas de adoração, apenas aumenta as
críticas justificáveis de nossa Fraternidade por líderes
religiosos responsáveis.

337
Certamente, continuará a haver ensinamentos maçônicos de
boa-fé que sejam contrários a algumas práticas religiosas
sectárias. Os irmãos maçons que formaram nossos rituais,
práticas e ordens maçônicas são suscetíveis ao erro humano,
ao lidar com questões teológicas e seculares.
Devemos estar cientes disso e estar dispostos a mudar para
melhor. Acredito, no entanto, que a Maçonaria está mais
representada pela forma como vivemos a vida contemporânea
do que apenas pelo que a antiga Maçonaria ensina. Os
ensinamentos da Maçonaria e as vidas que você e eu vivemos
como maçons, judeus e cristãos, se combinam com os outros
da Fraternidade, para representar o que é a Maçonaria neste
século.
Nossos irmãos judeus defenderão Moisés, Abraão e Davi,
enquanto maçons cristãos também falarão de São Paulo e
Jesus Cristo. Juntos, espero que possamos exibir unidade e
“Irmandade” para aqueles que odeiam, com base na raça,
credo, cor ou religião.
Reverendo W. Kenneth Lyons Jr., 32°, K∴C∴C∴H∴

338
PORQUE EU SOU MAÇOM?

June 06, 2017

“Você é um maçom?” O Mestre da Loja local perguntou.


Estávamos prestes a fazer um serviço de funeral juntos. A
resposta foi fácil: “Sim”. Essa mesma pergunta foi feita e a
mesma resposta dada muitas vezes no meu ministério. Até
recentemente, ninguém jamais perguntou: “Por quê?” Isso é
um pouco mais difícil de responder. Mas deixe-me tentar...

Foi em uma pequena cidade do leste do Texas que eu


encontrei um homem que se chamava de “Maçom”. Enquanto
observava seu comportamento na comunidade, era evidente
para mim que ele tinha algo e sabia algo que eu queria
conhecer. Havia um comportamento que parecia
complementar sua fé religiosa. Quando conversamos, logo

339
ficou claro que eu queria me tornar parte desse grupo de
homens que se chamavam de “maçons”.

Há algumas coisas que eu não lembro sobre aquela noite. Eu


dei esse primeiro passo em direção a uma experiência rica e
gratificante que melhorou minha vida. Mas há algumas coisas
que nunca vou esquecer. Havia um fundamento de confiança…
confiar em Deus como aquele a quem eu poderia procurar
apoio e conselho… confiar em um Irmão que poderia me levar
a minha cegueira, à luz do entendimento. Eu descobri a
realidade da oração como o lugar a começar antes de realizar
qualquer tarefa.

Então comecei a jornada que ao longo dos anos iam me levar a


uma nova compreensão de mim, dos meus semelhantes e de
Deus. Naquela viagem, descobri que não estava procurando
algum credo religioso particular que me separasse de outras
pessoas.

Na verdade, estava descobrindo alguns grandes princípios que


me permitiriam viver a vida no seu melhor. Princípios como
fé… esperança… caridade… sabedoria… beleza… verdade.

340
Descobrirei que existe um amor universal e respeito por todas
as pessoas de todos os credos e crenças religiosas. Minha
Maçonaria me deixaria em pé com meus Irmãos como iguais,
independentemente da sua teologia ou crenças religiosas.

Embora a Maçonaria nunca tenha sido uma religião para mim,


apresentou-me alguns padrões morais e éticos muito elevados
que apoiaram minhas crenças religiosas. Também confirmou o
meu dever de “alimentar os famintos, vestir os nus e apoiar as
viúvas e os órfãos”.

Embora seja impressionante conhecer a extensão das


organizações maçônicas de caridade e agências que trabalham
para a cura e a saúde (alguns dizem que gastamos mais de US
$ 1 milhão por dia), é muito mais impressionante ver uma
criança caminhar, uma criança ver, uma criança que seja
alimentada, ou de volta à saúde de uma queimadura severa. A
maioria não poderia ter recebido tal ajuda até que tivesse a
preocupação benevolente de algum Maçom. Então eu vi o
dever de atuar e agir.

Quando me lembro daqueles primeiros dias trabalhando na


Loja, lembro-me do cuidado e apoio desses companheiros
membros da Loja. Eles me fizeram sentir que eu era alguém
especial sobre quem eles realmente se importavam.

341
Ao longo dos anos, quando me mudei para diferentes igrejas
(alguns ministros metodistas unidos, movem-se muito) e
visitei diferentes lojas, em diferentes lugares, esse mesmo
sentimento de apoio e Irmandade estava lá. Por causa da
minha posição na Igreja e da adesão à Loja, sempre me senti
querido e reconhecido. Esse é um sentimento muito especial!

Embora este excelente país tenha sentido o impacto de líderes


que foram maçons, muito do que a Maçonaria representa é
visto naqueles homens, que viveram os princípios da
Maçonaria em suas respectivas comunidades. Na minha
jornada conheci alguns deles. Um deles era Ben Le Norman,
cuja honestidade era conhecida e respeitada. Ele era um
exemplo para a juventude da pequena cidade onde ele morava.
Esse exemplo trouxe muitos jovens para bater na porta da
Maçonaria.

Outro era Don Davis, cuja compaixão por aqueles que estavam
sofrendo era insuperável. Ele daria seu tempo e dinheiro para
que uma criança incapacitada pudesse ter dignidade e saúde.
Ele estava disposto a procurar ajudar alguém que pudesse
estar machucando. Nenhum tempo era tão valioso para dar.
Nenhuma distância era tão longe para voar ou dirigir. Nenhum
esforço era demais para fazer.

342
Quando ouvia o grito de ajuda, ele estava pronto para
responder. Estes eram bons homens que eram melhores
homens porque eram maçons.

Nenhum deles terá seus nomes nos livros da história, mas eles
serão sempre lembrados por aqueles cujas vidas tocaram. E o
melhor é que você conhece esses homens. Os nomes deles
podem ser diferentes, mas fazem parte de cada loja e vivem em
todos os cantos da nossa grande terra. Eles são aqueles que
acreditam que a Maçonaria não é algo para se comprometer
com a memória, é algo para viver. Você nunca ouvirá alarde
sobre isso… mas você pode ver isso em sua vida.

Então, a pergunta “Por que você é um maçom?” Pode ser


respondida. Isso me permitiu crescer pessoalmente… para
servir o meu Deus… e alcançar a preocupação com os meus
semelhantes. Ele tem apoiado minha fé pessoal e trabalho
como um homem religioso. Que ninguém diga que você não
pode ser um cristão e um maçom ao mesmo tempo.

Conheço muitos que são ambos e orgulhosos de ser ambos.


Ben estava… Don estava… eu estou.

343
Reverendo Louis R. Gant, 33 ° – Superintendente Distrital da
Igreja Metodista Unida, Kansas.

344
NÃO É NENHUM SEGREDO!

June 08, 2017

É uma grande honra homenagear a Maçonaria. Sua incrível e


surpreendente história está bem registrada nos anais da
humanidade. A maçonaria serviu para tornar este, um mundo
melhor para viver. Com suas raízes profundamente inseridas
na antiguidade, é uma das maiores e mais influentes ordens
Fraternais do mundo, se não a maior e a mais influente.

Entrei na Ordem maçônica aos 21 anos e desfrutei dos direitos


e privilégios por quase 60 anos. Tive o privilégio de ser
membro de muitas organizações, mas nenhuma, fora da minha
igreja, significou mais para mim do que a Maçonaria. Eu devo a
Maçonaria uma dívida que eu nunca poderei pagar. Agradeço a
Deus pelos meus irmãos maçons.

345
Não é segredo que muitos dos mais nobres e belos
ensinamentos da Maçonaria são tanto do Antigo, quanto do
Novo Testamento. Não é segredo que a Bíblia mantém a
posição central como a grande luz da Maçonaria.

Não é segredo que os maçons adoram e reverenciam a Bíblia,


nem é segredo que a Maçonaria ajudou a preservá-la na idade
mais escura da igreja quando a infidelidade procurou
destruí-la. A Bíblia encontra os maçons com sua mensagem
sagrada a cada passo no progresso em seus vários graus.

Não é nenhum segredo que acima do campanário da


maçonaria está o olho sempre vigilante, que tudo vê o Deus
Todo-Poderoso. Cada parte de seus muros de fundação são
maravilhosamente construídos e artisticamente formados pelo
Supremo Arquiteto do Universo com o prumo, nível e
esquadro.

A esperança da vida eterna e a segurança da ressurreição para


uma nova existência irradiam da luz do altar. Sua muralha é um
refúgio das lágrimas e cuidados da vida, e seu telhado é um
abrigo das impiedosas tempestades da diversidade e do
sofrimento. Seu tesouro é aberto aos indigentes, e a
assistência está pronta para os pobres. Sua pedra angular

346
recai sobre os quatro quartos da Terra e suas portas nunca
estão fechadas para um homem digno. Todo homem vem de
sua própria vontade e consentimento. Esta é a Maçonaria!

Além do grande respeito da Maçonaria por Deus e reverência


pelo Livro Sagrado, existem outras grandes doutrinas e
princípios que contribuem para a grandeza e a importante
influência da Maçonaria Antiga.

Do templo do rei Salomão, surgiu à grande Fraternidade


maçônica, e seus passos podem ser rastreados ao longo dos
tempos até o presente. A maçonaria tem desempenhado um
papel importante na moldagem e fabricação da América e na
construção fundamental de suas leis e vida.

Enquanto os verdadeiros segredos da Maçonaria são


guardados com segurança no repositório de corações fiéis, há
muitas coisas que a Maçonaria ensina que não são secretas.

Certamente não é segredo que o objetivo principal da


Maçonaria é primeiro, último e sempre, produzir o melhor e
mais nobre tipo de caráter através da comunhão e ajuda
mútua. A maçonaria é uma disciplina progressiva. Seus
membros são “pesquisadores” e “buscadores” da luz e da

347
verdade, para viver de maneira inteligente e harmoniosa.

Sempre se esforçando para um padrão de conduta mais


elevado, a Maçonaria é sempre uma disciplina moral. Na luta
pela excelência moral, como na construção do Templo do Rei
Salomão, o Supremo Arquiteto é indispensável e
imprescindível.

Toda a superestrutura da Maçonaria recai sobre o Supremo


Arquiteto. Não há ateus na maçonaria. O universo é visto como
uma vasta estrutura que deve sua existência ao Supremo
Arquiteto. O homem também é um construtor envolvido na
construção de um Templo de caráter com o qual são
fornecidos materiais, padrões e instrumentos para construção.

A pureza e a inocência simbolizadas pela Pele do Cordeiro,


que ele precisa manter limpa, representam a maior honra do
Maçom. Não há uma página do Ritual maçônico que não exija o
cultivo da virtude da pureza. A necessidade é, portanto,
colocada nos maçons para subjugar suas paixões e adquirir a
arte do autocontrole. A maçonaria busca construir um mundo
melhor, construindo melhores indivíduos.

348
Não é segredo que, com o movimento triste da espada e do
esquife, ao Maçom é lembrado do seu fim. A morte termina sua
jornada! A morte acaba com os trabalhos terrenos do homem e
sela sua conta para que seja julgado pelo Supremo Arquiteto.

Não é segredo que a Maçonaria ensina a imortalidade da alma.


A ressurreição do corpo da sepultura está indelevelmente
marcada na mente do Maçom. Enquanto a memória mantém
seu lugar entre as faculdades de sua alma, o Maçom nunca
pode esquecer esta lição sagrada.

E coroando tudo com um lindo trabalho imaculado, os maçons


colocam em prática o que dizem sobre o amor fraternal. “Veja,
quão bom e quão agradável é para os irmãos viverem juntos
em união”. Os maçons não favorecem a ninguém por suas
riquezas e não olham ninguém com diferenças por causa de
sua pobreza. A maçonaria não mostra nenhuma diferença para
a aprendizagem ou para a nobreza. O chão é
maravilhosamente nivelado em seu altar.

Em seu altar, a língua oleosa da calúnia é silenciada. O ódio, a


inveja e a maldade estão enterradas no esquecimento, e as
falhas são esquecidas. Os maçons assistem os outros. Eles se
apóiam tanto na vida como na morte.

349
A caridade é realmente uma das mais belas colunas no Templo
da Maçonaria. A maçonaria nunca se cansa de enfatizar a
necessidade de caridade. Para simpatizar uns com os outros
no infortúnio, ser compassivo pelas misérias dos outros e
devolver a paz às mentes perturbadas, estão entre os grandes
objetivos da Maçonaria.

Todos os maçons se obrigam a ajudar acudir e socorrer os


pobres, os angustiados, as viúvas e os órfãos. Nem a caridade
é restrita a outros maçons apenas, mas estendida a todos. Ele
compartilha os laços comuns da raça, como filhos de um
grande Criador e procura unir homens de todas as raças,
cores, seitas e opiniões. A Maçonaria pratica a Regra de Ouro
e procura sempre eliminar forças divisórias que construam
muros entre as pessoas.

O compasso permite ao Maçom desenhar um círculo perfeito,


para trabalhar com objetivo de que a harmonia e a paz, possam
eventualmente rodear o mundo. Oferece alívio aos
desamparados, envolve a cortina da caridade sobre casas
escurecidas pela tristeza, limpa as lágrimas, alivia as dores,
alimenta a fome, cura os doentes e serve aos queimados e
aleijados.

Onde, nos anais do tempo, essa organização pode ser


encontrada fora da igreja? No entanto, não é segredo que a

350
Maçonaria não é uma religião, nem uma igreja. Um bom Maçom
mantém suas prioridades em ordem. A maçonaria respeita o
direito de cada homem à religião de sua escolha e nunca
reivindica ou deseja ser a religião de qualquer homem ou um
substituto para ela.

Os maçons acreditam na tolerância. A maçonaria ajuda e


encoraja um homem a ser um melhor membro da igreja, e um
bom membro da igreja geralmente faz um bom maçom.
Algumas das pessoas mais religiosas que já conheci foram
maçons. Para qualquer pessoa, permitir que a Maçonaria se
torne sua religião ou tome o lugar de sua igreja é um erro e
não é devido ao ensino maçônico, mas à má interpretação de
alguém ou a um mal-entendido.

Não é segredo que a Maçonaria ajude os homens a serem


homens melhores e a construir um mundo melhor. A
maçonaria é uma epístola viva, conhece e lida com todos os
homens, declarando ao mundo que é uma organização
verdadeira e experimentada, uma grande e maravilhosa
fraternidade de comunhão, caridade e benevolência.

Há muitos anos, quando eu era estudante de teologia em


Boston, ouvi o grande poeta Edwin Markham citar essas belas
palavras que me parecem resumir o significado da Maçonaria:

351
“Nós somos cegos até vermos que no plano humano, nada
vale à pena fazer, que não construa o homem. Por que
construir essas cidades gloriosas, se o homem não for
construído? Em vão, nós construímos o trabalho, a menos que
o construtor cresça”.

James P. Wesberry, 32°, K∴C∴C∴H∴ – Igreja Batista da


Geórgia, Atlanta.

352
EU TENHO ORGULHO DE SER MAÇOM!

June 08, 2017

Eu era jovem, um dos meus sonhos e aspirações favoritas que


ficou comigo por muitos anos, até que minha petição fosse
aprovada para a Iniciação na Maçonaria.

Olhando para trás ao longo dos anos, percebo que esse desejo
veio de uma fotografia que eu admirava e queria imitar.

Esta fotografia era do meu pai, que ele descanse em paz, de pé


com outros maçons nos degraus do Templo Maçônico em
Greenville, Mississipi.

353
Enquanto ele estava com seus Irmãos Maçons, era como se
um sentimento de orgulho e alegria estivesse emanando deles;
Como se não houvesse nada igual para eles. Quão orgulhoso
eu era do meu pai, e a partir desse momento, eu sabia que
queria ser um Maçom e seguir os ensinamentos maçônicos
como ele fazia.

Fui criado numa casa religiosa, um filho de rabino com sete


gerações de rabinos que me precederam; E, no entanto, com
essa base religiosa, senti que ainda poderia receber e dar
muito a essa Fraternidade, pelo bem-estar e prosperidade da
humanidade.

Quando cheguei ao meu 21º aniversário, um dos meus


primeiros pensamentos foi enviar meu pedido para se tornar
um Maçom! Não houve hesitação ou segundo pensamento,
pois este foi o começo do cumprimento de um sonho vitalício.

Com oração e trepidação, aguardava a resposta que meu


pedido tinha sido aprovado.
Tendo sido informado, há mais de 40 anos atrás, fiquei cheio
de orgulho e expectativa de que em breve eu seria recebido
nos Corpos Maçônicos. Caminhei no ar e agradeci a Deus, pois

354
eu poderia seguir os passos de meu pai e lhe trazer alegria e
prazer de saber que seu filho foi aceito nas fileiras de homens
de integridade e justiça.

Nunca esquecerei meu primeiro pensamento ao fazer minha


entrada inicial na Loja Maçônica que me conferiu o grau de
Aprendiz, e segui com os Graus de Companheiro e Mestre
Maçom. Imediatamente senti que estava cercado por Irmãos e
que não havia nenhum estranho presente. Esta era uma grande
família que parecia ter me adotado, e eu, por sua vez, estava
entusiasmado por adotá-los como minha família.

Tendo completado meus graus da Loja Simbólica e aprovado


em todos os exames com perfeição, imediatamente me tornei
um instrutor para os outros e me tornei ativo na Maçonaria,
nunca deixando de assistir as reuniões e participar da
fraternidade sempre que minha profissão permitia, e devo dizer
que isso foi bastante frequente em uma base regular.

Meu cálice estava cheio de orgulho, e aguardo com expectativa


o meu avanço aos graus superiores. Rapidamente, avancei
pelos Graus do Rito Escocês, sendo um candidato em vários,
me ofereceram a honra e o privilégio de falar para os
presentes, quanto aos meus verdadeiros sentimentos e
impressões sobre os graus para os quais eu era candidato.

355
Meu horizonte de Maçonaria se expandiu e meu orgulho e
alegria eram borbulhantes e efervescentes. Eu não podia
esperar para poder conferir graus aos outros, pois havia tanto
o que eu queria explicar e elaborar sobre cada grau.

Foi-me oferecida esta oportunidade e imediatamente comecei a


estudar e memorizar muitas partes, e ao longo dos anos
tornei-me muito ativo, ocupando cargos, palestrando e
participando ativamente em todas as fases da Maçonaria, onde
meus talentos e habilidades poderiam ser usados.

Um aspecto da Maçonaria que me causou uma grande


impressão foi à capacidade de todos os Irmãos,
independentemente da religião, perguntar-me por que eu
precisava da Maçonaria, como rabino, porque minha profissão
era de integridade, bondade, honestidade e todos os atributos
expostos na Maçonaria.
Era difícil para muitos entender minha necessidade dessa
adição e complemento à religião. Eu trabalhei com homens de
diferentes religiões, bem como aqueles de fé hebraica, e
ficaram impressionados quando eu diria que a Maçonaria não
é uma religião, mas para ser um Maçom, devemos acreditar em
Deus, e se isso fosse o único aspecto de nossa religião e não
tenhamos outra religião formal, ainda sim aderimos a todos os
ensinamentos morais da Maçonaria; Isso também nos

356
colocaria na categoria de homens de integridade e honra. No
entanto, a Maçonaria não é um substituto da religião, nem é
uma religião.

Minha experiência me mostrou que os maçons são, na maioria,


homens religiosos. Tenho orgulho de ser um Maçom e de fazer
parte de uma organização dedicada a ajudar as viúvas e os
órfãos principalmente, e também àqueles que têm
necessidades, sem questionamento ou vergonha.

Tenho orgulho de ser um Maçom e ser parte de uma


Fraternidade dedicada à defesa da Constituição dos Estados
Unidos da América e à Declaração de Direitos.
Tenho orgulho de ser um maçom que acredita na liberdade da
humanidade e na santidade da vida humana.

Tenho orgulho de ser um Maçom que acredita na dignidade


dos filhos de Deus e se opõe ao ódio e ao fanatismo, e
representa a verdade, a justiça, a bondade, a integridade e a
justiça para todos.

Tenho orgulho de ser maçom e sempre me agrada me incluir


entre aqueles que defendem os princípios fundamentais e os
padrões morais da vida, que são tão necessários para que a

357
nossa organização continue no alto nível que tem sido a sua
base desde a sua criação.

Que Deus lhe conceda força contínua para ir, crescer e brilhar,
para que eu e todos os maçons exclamemos: “Estou
orgulhoso de ser maçom”.

Rabino Seymour Atlas, 32°, K∴C∴C∴H∴ – Sinagoga Beth


Judah, Nova Jersey

358
A MAÇONARIA MODERNA E OS SEUS ENSINAMENTOS

June 13, 2017

Recebam meus queridos Irmãos, minhas primeiras Emoções


Que em Meu Coração a Ordem faz Surgir
Feliz se Nobres Esforços
Fazem merecer sua estima,
Elevam-me a esse Verdadeiro Sublime,
À Primeira Verdade,
À Essência Pura e Divina
Da Alma Celeste Origem,
Fonte de Vida e Claridade.
Ramsay

Por séculos e séculos tem-se trabalhado num ritual único,


sobre o modelo que supostamente existe desde o tempo das
guildas medievais, das associações corporativas. Lógico que
simbologias e alegorias foram acrescentadas quando da
transmutação do operativo ao simbolismo.

359
Ocorre que hoje as questões, os imbróglios, as necessidades
sociais são outras e como tal, devemos evoluir nossas
técnicas para o profundo engrandecimento da Ordem como
organismo humano-social.

Atualmente não vemos os antigos modelos ritualísticos


baseados nas praticas cristãs, quando os iniciados eram
divididos em classes: os mais recentes eram tão somente
ouvintes (exercendo unicamente a absorção do conhecimento,
sem manifestação!).

Tinham ainda os catecúmenos e os fiéis. Pensamos seguir a


linha dos antigos Sacramentos Atenienses, quando da
cerimônia da Revelação aos Olhos, experimentando ao
iniciado as belezas das ciências, filosofia, arte e do culto à
natureza.

Nosso modelo atual permite a manifestação de todos, trazendo


questões que elevem o conhecimento dos Obreiros, revelando
aos olhos de cada individuo uma forma de evolução humana.

360
A Maçonaria Moderna, que ora tratamos, não se refere aos
acontecidos nos idos de 1717, quando da reunião das quatro
Lojas originárias da Grande Loja de Londres. Falamos agora
de uma Maçonaria Moderna mais atual, que, tal e qual o
passado setecentista, encontra problemas que precisam ser
enfrentados.

Obviamente a modernidade continua reverenciando os antigos


ensinamentos e seus grandes mestres: Zoroastro, Pitágoras,
Platão, ministrando, em seus diversos graus, um pouco das
doutrinas antigas que giravam em volta da existência do
Grande Arquiteto do Universo, do exercício da fraternidade
maçônica e questões sócio-políticas adequadas às suas
épocas. Não podemos esquecer, no Brasil, do movimento
abolicionista e das lutas pela Independência!

O que pretendemos não é buscar um afastamento da


Maçonaria com os Antigos Mistérios ou sua ritualística. Não.
Mas exercitar o pensamento humano, transmutando-se,
buscando o aperfeiçoamento e a adequação temporal da
Ordem à sua sociedade.

Será que nos esquecemos que nosso real objetivo é anular no


seio da Humanidade o preconceito de castas e raças; aniquilar
o fanatismo e a superstição; extirpar a discórdia nacional e
motivações de guerra; buscando, sempre, mediante o

361
progresso livre e pacífico, a evolução fraterna de uma
sociedade justa e perfeita? Como fazer isso?

Nossos inimigos hoje são outros e só há um modo de


combatê-lo: mediante o aperfeiçoamento do caráter humano,
da evolução do conhecimento, digo, da difusão do
conhecimento, tentando implantar no seio da sociedade uma
consciência coletiva. Consciência de que cada um é parte de
um todo.

O que temos de mais bonito é o pleno exercício da


fraternidade, do apoio mutuo entre os irmãos, seus pares e os
necessitados, contudo, dentro das oficinas, além das praticas
ritualísticas e antigos ensinamentos, se deveria discutir os
problemas da atualidade mais abertamente. Ecologia, ética,
profissionalismo, responsabilidade política, saúde pública...

A atualização dos nossos pensamentos tem um único


principio: a perpetuação da Ordem. Alguns de nossos
mistérios já foram jogados ao vento e a conectividade ajudou
num processo de desmistificação da Ordem.

Nossos segredos se baseiam no reconhecimento através dos


nossos toques, palavras e sinais. Então, o que nos manteria

362
vivos? A atualização ou equiparação dos nossos
ensinamentos às questões sociais.

As Lojas Maçônicas foram fundadas se espelhando por todas


as nações, levando um grande estimulo e força aos homens
através de uma associação fraternal. O tempo passou, as
sociedades evoluíram, o povo evoluiu e precisamos nos
concentrar nos nossos objetivos enquanto Maçons, não nos
apegando aos problemas do passado, porém, sem
esquecê-los, utilizar nossos ensinamentos para engrandecer a
Ordem implantando nas sociedades pessoas de bem que irão
contribuir ativamente no nosso propósito.

Assim, acima de qualquer combate às classes sociais e


estruturas econômicas, devemos atuar no campo social,
transformando o homem, por dentro, tornando-o capaz de
moralmente realizar a construção de uma sociedade mais
justa, contribuindo na formação de um homem consciente de
suas responsabilidades com a vida, com o mundo, com o meio
ambiente, com a sociedade, com o próximo, com o
G.’..A.’.D.’.U.’.?. e consigo mesmo.

O certo, portanto, é que, para podermos inseminar nosso


pensamento na sociedade, devemos preparar homens dentro
das nossas Oficinas. Devemos dar o primeiro passo trazendo
questões atuais e só sossegar quando tivermos encontrado

363
(ou ao menos tentado encontrar) um denominador comum.

Diego Lomanto M.’. M.’.

364
CONSIDERAÇÕES SOBRE A ANTI-MAÇONARIA

June 16, 2017

O conceito de Anti-Maçonaria pode ser definido como atitude


ou pensamento que algumas pessoas têm cuja essência vai
contra nossa Sublime Instituição . O interessante é ver que
cerca de 95% dos anti-maçons desconhecem as práticas em
Loja, prendendo-se em baboseiras escritas por alguns
profanos, também anti-maçons.

Há dois focos principais que podemos verificar, enquanto


Iniciados, de tais pontos-de-vista: o lado da brincadeira, e o
lado sério.

Brincadeira porque existem argumentos sem lógica,


improváveis e curiosos. Há quem diga (os mais comuns) que
adoramos a certas Entidades malignas, ou mesmo que damos

365
sumiço em quem se põe em nossos caminhos. Obviamente, há
os radicais , que criam estórias como a que diz que Pôncio
Pilatos era Ven.'.M.'. de uma Loja que tinha, como 1º e 2º
VVig.'., respectivamente, Judas e Barrabás, o que nos
transforma em responsáveis pela crucificação de Cristo.

Dá até vontade de rir se, entre tantas pessoas sem ter o que
fazer, não existissem aqueles que foram expulsos da Ordem e
que, buscando algum tipo de vingança , plantam boatos como
os citados acima.

O lado sério, entretanto, ocorre devido ao fato de algumas


Instituições poderosas (algumas religiões radicais , por
exemplo), capazes de atingir um grande número de indivíduos,
pregarem doutrinas e dogmas que maculam a imagem da
Maçonaria, bem como de seus OObr.'.. Muitos são os que
acreditam em tudo que ouvem ou lêem, e as brincadeiras
previamente comentadas tomam corpo e forma de algo sério a
ser tratado pelos MMaç.'..

Quando escuto um comentário ou leio um artigo cujo conteúdo


é anti-maçônico, infelizmente sinto-me tomado por um
profundo sentimento de revolta. E acredito que, mais do que
nunca, devemos fazer mais e mais pelo bem comum, lutando
pelo engrandecimento da Moral, da Justiça e dos valores
básicos que o Homem deve ter. Assim, estaremos lutando
contra a feroz palavra dos anti-maçons através de atos,
distribuindo ainda mais amizade, paz e prosperidade pelo
Universo.

366
A título de curiosidade, abaixo seguem alguns sites para quem
deseja ler as besteiras que falam de nós:

*
* (mensagem de grupo de discussão via web que fere a honra
e a moral da Ordem e dos MMaç.'.. Uma das maiores idiotices
mal-educadas que já li sobre Maçonaria)
* (site que transforma as profecias de São Pedro Apóstolo na
condenação dos MMaç.'.)
* (página que nos dá o papel de conspiradores em busca do
domínio mundial)

Ir.'. David Cunha Novoa (08.176-0) M.'.M.'.


ARLS Rio Solimões Nº24 - Manaus, Amazonas, Brasil

367
A IMPORTÂNCIA DO ENTUSIASMO NA MAÇONARIA

June 19, 2017

A palavra “entusiasmo” vem do grego e significa “sopro


divino”- em relação à etimologia, a palavra entusiasmo se
deriva do grego "enthousiasmos" que significa "ter um deus
interior" ou "estar possuído por Deus".
Para os gregos a pessoa entusiasmada era aquela que era
possuída por um deus. Ou seja, tinham um deus dentro de si.
Só os entusiastas (para os gregos), podia vencer por possuir
essa força, esse deus; algo dentro de si que o leva a ser
vencedor. Portanto, para vencer todos necessitavam de
entusiasmo. Porém, os gregos erravam por atribuir o motivo o
motivo do entusiasmo aos deuses. O Deus Eterno
(G.’.A.’.D.’.U.’.) é o único que produz em nós o entusiasmo.

368
Entusiasmo X Otimismo
Otimismo – Acredito que algo vai dar certo – positivismo –
torcer para dar certo. É importante ser otimista, mas, nem
sempre o otimismo é sustentado por algo palpável, durável,
consistente; nem sempre é baseado em um potencial existente
e real.

Entusiasmo – É acreditar na capacidade de transformar as


coisas e fazer dar certo.

Como ser entusiasmado? É agir acreditando em seu potencial,


no potencial das pessoas, não importando as condições
desfavoráveis em que se encontra, não esperando que as
situações melhorem para crer. É trazer nova visão á vida.
Como vai o seu entusiasmo? O que você espera de você
mesmo sob a orientação de G,’,A,’,D.’.U.’., de sua família,
filhos, da Loja Maçônica que você frequenta, de sua empresa,
de seu emprego e do Brasil? Você sabe que tudo pode mudar.
O Brasil depende de você, a Maçonaria também. O seu
sucesso é o sucesso do Brasil, da Loja Maçônica, da
Maçonaria como um todo. Você fará a diferença se acreditar
naquilo que você faz ou pode fazer.
PARE DE RECLAMAR

No Livro da Lei diz: Tendes bom ânimo (Jo 16.33).


As reclamações dos hebreus no deserto levaram á morte a
todos os murmuradores. Viram a benção de longe, mas não
receberam (cf. Êx 16).
RECLAMAR X AGRADECER

369
Você precisa enxergar os motivos para agradecer a Deus e as
pessoas (sempre há algo bom, agradeça). Você precisa achar
algo a elogiar as pessoas (as piores pessoas podem ter pelo
menos uma virtude, elogie essa virtude).

Ao reclamar, estou revivendo algo ruim que surgiu. Veja o


outro lado:
• As boas recordações da Loja;
• A amizade dos Irmãos de Loja e das outras Lojas e Potência;
• O compartilhar dos irmãos dos problemas e alegrias da Loja;
Viva e desenvolva o seu lado de gratidão. A ingratidão destrói
o amor. Aprenda a agradecer. Agradeça ao G.’.A.’.D.’.U.’. , tudo
que tens.
LIDERAR

Liderar é direcionar as pessoas para que elas alcancem o


máximo de sua capacitação e dons para realizar a obra
Maçônica.

Ao alcançar o máximo de seu potencial e ao realizar a obra


Maçônica, as pessoas sentirão realizadas em ser útil a causa
maior da Maçonaria.

Mas como alcançar a realização e o máximo dos seus dons em


Loja? Simples, através do direcionamento que recebe de cada
líder, dos Vigilantes e do Venerável Mestre em Loja e das
Autoridades da Potência.

370
Líder que reconhece os trabalhos realizados pelos liderados
conseguirá motivá-los. Os que não reconhecem, levará ao
desânimo.

Líder frouxo levará aos liderados a serem relaxados e não


alcançarão seus objetivos.

Líder deixa claro aos seus liderados:


a. O que espera deles;
b. Quando vir algo inaceitável, não fingir que não viu;
c. Ser justo e não bonzinho;
d. O liderado precisa saber quem lidera, de onde sai as ordens;
MOTIVADO PARA VENCER

Vivemos em época de grandes mudanças em todo o mundo.


Mudanças tecnológicas, hábitos, culturais, etc.

Às vezes temos dificuldades em nos adaptar às novas


mudanças. O mundo enlouqueceu. Temos dificuldades em
acompanhar a velocidade que voa este mundo. Não podemos
nem sequer prever o futuro próximo do mundo nem da
Maçonaria. Isso atemoriza as Lojas e Maçons e tem trazido
desânimo aos Irmãos em geral.

Precisamos ter “vontade”. Inteligência, fé sem vontade não faz


o maior sentido prático. Precisamos vencer o querer, o desejar
e o realizar para vencer desafios de hoje e sempre.

371
Pela vontade vencemos a acomodação, a preguiça. Pela
vontade voltamos a estudar, buscamos visão e a missão
maçônica para realização de algo produtivo e eficaz.

Precisamos vencer os desafios dessa época a alcançar a


realização que está no coração de cada irmão.
Venceremos os desafios e alcançaremos a vitória no nome do
G.’.A.’.D.’.U.’., Aquele que nos dá motivos e entusiasmo para
vencer nossos desafios.
Portanto, meus Irmãos sejamos ENTUSIASTAS!
Fraternalmente,
Ir.’. Denilson Forato, MI.

372
SÃO JOÃO - UMA PEQUENA HISTÓRIA

June 23, 2017

É comum ouvirmos a pergunta: Qual é o padroeiro da


Maçonaria, São João Batista, São João Evangelista ou São
João da Escócia?

Os regulamentos maçônicos determinam comemorações


festivas nas datas de 24 de junho (São João Batista), para as
Lojas Simbólicas, e, dia 27 de dezembro (São João
Evangelista), para os corpos superiores ou filosóficos.

373
As Lojas dos primeiros graus da Maçonaria são chamadas de
“Loja de São João”, e deriva do título usado durante a Idade
Média, pelas corporações de construtores, que formavam a
Confraria de São João.

Assim como os chamados pagãos festejam seus deuses, os


cristãos seus santos, a Maçonaria tem suas datas consagradas
a São João Batista e São João Evangelista.

A festa de São João no dia 24 de Junho é marcada por “fogos


e fogueiras” que, ainda são queimadas em muitas regiões, e o
folclore é rico em tradições relacionadas com esta festa,
principalmente no Brasil.

São também muitos graus consagrados a São João de 24 de


junho e o de 27 de dezembro. Possuem razões históricas, com
fundamento esotérico, Isto é, “oculto”, segundo dizem os
livros maçônicos, considerados na época como hereges.

Na jurisdição de algumas potências, de vários outros países


foi introduzido, em alguns rituais, o São João da Escócia. Isto
veio a alterar o primordial sentido de São João na Maçonaria.

374
Este fato deve-se, talvez, à influência do nome dado a uma
Loja de Marselha em 1751, pouco antes da revolução que
passou a ser considerada Loja Mater. de Marselha, após a
canonização de um príncipe escocês, cavaleiro das cruzadas
de Jerusalém, como São João Esmoler, conhecido como São
João da Escócia.

A Maçonaria já existia mesmo antes da constituição de 1717.


São João da Escócia data de 1751. O Grande Oriente da França
inspirou-se na Loja Mater. de Marselha, provavelmente ao
inserir nos seus rituais o São João da Escócia, como seu
padroeiro.

Há vários nomes de São João dado às Lojas do mundo. Citarei


aqui algumas: - São João da Palestina, título dado a uma Loja,
fundada em Paris no ano de 1780 pela Loja Mater. da Escócia. -
São João de Boston, denominação dada à 1ª Grande Loja
americana, no ano de 1733. - São João de Edimburgo, nome
dado em 1736 à Grande Loja da Escócia, berço da Maçonaria
moderna naquele país. São João Batista, filho do sacerdote
Zacarias e de Isabel, prima da Virgem Maria, foi chamado de
“precursor” porque preparou os caminhos de Jesus. Ele foi
chamado de Batista, porque batizava no Jordão. João, o
precursor, pregava a renúncia e o arrependimento.

375
A Ordem Maçônica desempenha, ela também, num sentido, o
papel de precursora e pode fazer-nos lembrar o combate
espiritual que João Batista travou contra os publicanos e a
multidão.

João, o precursor, era considerado um personagem perigoso,


para a época, por suas ideias de fraternidade e de justiça.
Herodes Antipa, irritado com suas advertências por causa de
sua união com Herodíades, sua sobrinha, e a mulher de seu
irmão, lançou-o na prisão de Maqueronte para, mais tarde,
mandá-lo decapitar.

Reverencia-se sua degolação no dia 29 de agosto. João


Evangelista era filho do pescador Zebedeu e de Salomé,
parente da mãe de Jesus, irmão mais novo de Tiago Maior.
Natural de Betsaida sobre o Lago de Generasé. Exercia, na
mocidade, a profissão de pescador. Foi discípulo de São João
Batista e juntou-se ao Divino Mestre, juntamente com André.

Depois da ascensão do Senhor, João permaneceu em


Jerusalém até a morte de Maria, pregando o cristianismo na
Judeia e na Samaria; mais tarde, depois da morte de São
Paulo, vivia em Éfeso, onde formou seus discípulos, entre eles
os bispos de Pápias, Inácio de Antioquia e Policarpo de

376
Smirna. Sob o império de Domiciano, foi desterrado para a Ilha
de Patmos, de onde regressou para Éfeso durante o governo
de Nerva, vindo a falecer no tempo de Trajano, com a idade de
100 anos aproximadamente.

Diz-se ainda, que os Templários celebravam suas festas mais


importantes no dia de São João, e que a Maçonaria nada mais
fez do que perpetuar um costume da ordem dos Templários.

Na realidade, nada permite supor qualquer filiação entre a


ordem dos Templários e a Maçonaria. A alma da Maçonaria é a
dedicação que os irmãos oferecem uns aos outros. O amor
fraterno é a luz que ilumina a Loja, e por isto, São João passou
a ser considerado o Patrono da Maçonaria.

Evidentemente, sem o cunho vulgar que se imprimem aos


santos, em busca de proteção vinda dos céus. A Maçonaria foi
bem inspirada ao dar esse nome às suas Lojas, em razão dos
múltiplos sentidos que lhe podem ser atribuídos.

De onde vindes? De uma Loja de São João J.´. e P.´.

Ary Lima Marques - Loja Aquidaban nº 54 - Ponta Porá - MS

377
CONSIDERAÇÕES SOBRE O SENTIDO ESOTÉRICO DAS
SESSÕES

June 26, 2017

Muitos Irmãos, seja pelo pouco interesse nos estudos, seja por
não terem acesso às informações, desconhecem o que ocorre
nas Sessões Maçônicas, além do que está ao alcance dos
nossos sentidos físicos.

Segundo o Barão de Tschoudy “A Maçonaria Adonhiramita é


dedicada aos Maçons instruídos”. Assim sendo, é corolário
dos Adonhiramitas buscarem o conhecimento, a essência, os
princípios e as explicações sobre os Mistérios e Rituais da
nossa Ordem. Somos os guardiões de segredos que vêm
sendo guardados e transmitidos de geração a geração, mas
que é preciso estar preparado para recebê-los e entendê-los,
como afirma o adágio místico: “Quando o discípulo está

378
pronto, o Mestre aparece”.

Doravante faremos algumas considerações sobre os aspectos


Místicos das nossas Sessões, sem pretensões de um maior
aprofundamento, procurando mostrar que existe muito mais
do que uma simples repetição de atos, despertando nos
AAmad.’. IIr.’. o interesse, pois somente com o conhecimento
podemos entender o que se passa.

Do grande Plano da Evolução do Homem, participam várias


Ordens e Escolas Místicas, dentre as quais a Maçonaria.

Todas fazem parte do que chamamos a “Grande Fraternidade


Branca”, uma hierarquia Esotérica, composta pelos membros
dessas Ordens no Plano Físico, e por seres que se encontram
em outros Planos, Mundos e Dimensões. No comando dessa
Grande Hierarquia Oculta, estão os Grandes Iluminados, e sob
sua orientação, a Fraternidade trabalha orientando a
humanidade no sentido da sua Evolução.

Nas Lojas Maçônicas, os Oficiantes das Cerimônias, são


investidos pelos poderes transmitidos pelas forças que
governam o Universo.

379
Esses poderes nos são transmitidos em Cerimônias Especiais,
como a Investidura nos cargos, Iniciações nos Graus, e
especialmente o Venerável Mestre na sua Instalação. A partir
daí, sabe como aplicar a energia do Universo em benefício do
homem, mediante a prática de certas Cerimônias e o emprego
de certas Palavras e Sinais.

Evocamos essas forças a estarem presentes em vários


momentos da Sessão, começando na sua Abertura, com os
Cerimoniais da Incensação e do Fogo, que “abrem” um canal
de comunicação entre nós e o Divino. Reafirmamos o
recebimento desses poderes que usamos em algumas
invocações como: “Em nome do Grande Arquiteto do Universo
e de São João nosso Patrono”; “Em virtude dos poderes a mim
conferidos...”; “Com o socorro dos IIr.’. presentes e
ausentes...” ;“...em virtude dos poderes materiais, astrais e
espirituais que me foram conferidos”; “Gr.’. Arq.’. do Univ.’.,
revigorai em nossas almas os dignificantes fluidos da força e
da beleza...”

A celebração habitual CORRETA das nossas Cerimônias é uma


aplicação da Força Oculta, que produz Vibrações Astrais.
Estas causam efeitos à longa distância, pelas suas
emanações, gerando uma grande onda de Paz Espiritual e
Energia. Por isso, quando realizadas de forma ERRADA

380
ou DISPLICENTE, nos “incomoda” tanto.

Quebra esse canal através do qual a Energia Divina tem


chegado a nós.

Todos recebem este impulso energético efetivo, e seu efeito se


dará principalmente por reflexo do Mental, ou pelo efeito da
Vibração no Simpático. A realização semanal das Reuniões é
para que recebamos pelo menos uma vez por semana esses
impactos elétricos, promovendo em nós os efeitos benéficos
de que são capazes. A partir daí, também nos tornamos
transmissores dessa Energia, e se bem soubermos utilizá-la,
seremos capazes de levá-la a outros, propagando os efeitos
benéficos que recebemos. Por isso é que quem compreende o
verdadeiro significado NÃO FALTA.

Cada um recebe o que está apto a receber, pois estamos em


diferentes planos de evolução. Mas mesmo os mais
“atrasados”, não podem deixar de se sentir melhores após a
Sessão (é comum ouvirmos isso), enquanto que para os mais
“adiantados” é um verdadeiro exercício espiritual. Há ainda um
segundo efeito nas Sessões que só entra em atividade quando
há um profundo “Sentimento Devocional” por parte dos
AAmad.’. IIr.’.. A parte superior do Corpo Astral é iluminada,
influenciando o Intuicional, que desperto pode moldar
conscientemente o Astral, havendo um grande depósito de

381
força. As imensas ondas de energia que ele atraiu, influenciam
seus Corpos Superiores e põem suas vibrações pessoais em
harmonia com os Veículos Superiores.

Todas essas experiências tornam o homem, mesmo que numa


fração infinitesimal, melhor do que era antes, porque ele
esteve por algum tempo em contato direto com forças de um
mundo mais elevado.

Somente os que foram verdadeiramente Iniciados (Iniciação


Interior), aqueles que compreendem o sentido do Ritual e o
praticam com reverência e respeito, com cooperação, poderão
atrair essa influência em sua totalidade.

Todos os Membros deveriam estar plenamente preparados


para que a forma-pensamento coletiva fosse um conjunto
harmonioso e ordenado. Mas se não todos, a presença de
alguns conhecedores do Ocultismo, já ajuda aos demais IIr.’.,
por captarem as correntes de energia dispersas e fundi-las em
uma só, evitando um massa caótica e interrompida,
beneficiando a todos. Esperamos que a compreensão desses
fenômenos pudesse levar os AAmad.’.IIr.’. a estudarem para
conhecê-los e aplicá-los, para seu próprio benefício, da Loja a
que pertence e de todos a quem possa levá-los, fazendo assim
que nossa Ordem cumpra seu verdadeiro papel.

382
Nas Sessões, somente são capazes de dirigir os trabalhos e
produzir todos os efeitos que já falamos aqueles que foram
regularmente Instalados, numa cerimônia que esotericamente
lhes transmite esse poder. Só àqueles que cumpriram o
necessário Ritual são outorgados poderes nesse sentido. Só
eles têm acesso ao reservatório das energias cósmicas, e de
acordo com os preceitos, constituirá o método correto e
misterioso para colher e fazer descer até nós essas energias.

Quando o Venerável tem uma especial devoção e dedicação,


compreendendo o que faz, põe o coração e a “alma” no seu
trabalho. Seus sentimentos são irradiados e despertam
sentimentos idênticos em cada Irmão, e a difusão da Força
invocada beneficia toda a Loja, assim como quem a dirige.

Quando os sentimentos de todos na Loja também são


de reverência e devoção, ajudam a quem dirige e aumentam
consideravelmente a quantidade de Energia Espiritual
emanada, em resposta à devoção. Quanto mais instruído o
Maçom, mais elevada sua devoção, e mais eficiente o trabalho.
Aplicada a forma litúrgica correta, a participação ou
indiferença dos participantes não interfere no fluxo que desce
desde que o Venerável possua as qualificações necessárias
para ter acesso a esse “reservatório energético”. Apenas fará
com que recebam mais ou menos os benefícios.

383
E mesmo um Venerável que ignore o que realmente está
fazendo, e não tenha conhecimento da natureza do ato,
produzirá a mesma descida da energia se proceder
corretamente, de acordo com o Ritual, pois conhece a
“linguagem”, e tudo foi disposto cuidadosamente para que as
Cerimônias funcionassem ainda que o celebrante e os
assistentes não tivessem compreensão inteligente de seus
métodos ou resultados.

Em resumo podemos dizer que o resultado final é o de receber


e distribuir a grande Emanação de Força Espiritual, a Difusão
da Vida e da Energia procedentes dos Mundos Superiores. Um
canal seguro, por aonde o Amor Divino vai a todas as
criaturas, pois só o Criador é o Centro de irradiação dessas
Energias.

As nossas Reuniões, embora pareçam pequenas ou sem


importância, quando bem organizadas e realizadas de forma
CORRETA, são capazes de irradiar uma profunda Influência.

Aqueles que desprezam esses admiráveis Ritos perderam


quase todo o aspecto Oculto e não podem obter a mesma
Elevação nem os mesmos benefícios daqueles que conhecem
o significado do que estão realizando e adotam o sentimento

384
devocional. Essa ignorância conduz seus adeptos a muitos
dos resultados deploráveis que vemos atualmente.

Como sabemos, estamos em diferentes níveis de evolução, e a


compreensão desses fenômenos místicos, muitas vezes está
acima da capacidade de compreensão do indivíduo naquele
estágio em que se encontra.

Não foi alcançada ainda a quintessência. Os valores materiais


ainda dominam. Vemos comportamentos incompatíveis com a
profundidade do ato que se realiza, como brincadeiras e
displicência na execução. Ficam algumas interrogações sobre
essas pessoas que desprezam o conhecimento:
- Que espécie de provisão a Natureza faz para elas?
- Como são compensadas pela sua incapacidade de apreciar e
partilhar os benefícios?
- Quais as fontes abertas para elas, e onde podem obter um
progresso?

Infelizmente estamos longe da Perfeição, e a maior parte está


longe de reconhecer a necessidade do conhecimento e da
devoção, encontrando-se em estágios intermediários ou
mesmo elementar de evolução.

385
Acreditamos que após estas considerações, os AAmad.’. IIr.’.
compreendem melhor o porque dos nossos Rituais insistirem
na execução correta das Cerimônias. Abaixo, transcrição de
orientação constante do nosso Ritual do Grande Oriente do
Brasil:
“É imprescindível a adequada preparação individual, mediante
prévia e atenta leitura deste Ritual, o qual tem que ser
rigorosamente executado, tal como nele está disposto, para o
perfeito desenrolar de qualquer Sessão...

Nos trabalhos litúrgicos, em qualquer Sessão, é proibida a


inclusão de cerimônias, palavras, expressões, atos,
procedimentos ou permissões que aqui não constem ou não
estejam previstos, assim como é vedada a exclusão de
cerimônias, palavras, expressões, atos, procedimentos ou
permissões que aqui constem ou estejam previstos...”

Vitor Xavier da Silva


(Ne Varietur - Luiz Alves de Lima e Silva MI 33)
Mui Ilustre Grande Patriarca Segundo Vice-Regente
Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita

386
POR QUE SE VAI À LOJA?

June 30, 2017

A pergunta sobre as razões porque os maçons vão à Loja,


gastando tempo que, não fora essa utilização, dedicariam à
sua família, ao lazer ou a outras atividades a que se dediquem,
tem tantas respostas quantos os maçons.
Em boa verdade, cada um tem as suas razões para ir à Loja.
Uns vão em busca do conhecimento, dos ensinamentos que a
Maçonaria proporciona.
Outros buscam o convívio, rever os seus Irmãos, com eles
estar e partilhar um ágape, em amena cavaqueira.
Outros ainda procuram na Loja a estrutura que corresponde
aos seus anseios de serem úteis à Sociedade e aos seus
semelhantes, utilizando a Loja como meio de enquadramento

387
da sua vontade de devolver à Sociedade um pouco do que esta
lhes proporciona.
Também há os que vão à Loja simplesmente cumprir o seu
dever de maçons, assegurar o cumprimento das obrigações
que assumiram efetuar as tarefas cuja execução assumiram.
Há também aqueles que, na Loja, no seu espaço, nos seus
símbolos, no seu ritual, encontram espaços e tempos de
comunhão com o Divino, com o Transcendente.
E existem também aqueles que anseiam por uns momentos de
simples e pacata Paz, que procuram a companhia de seus
Irmãos e a sua estada no espaço do Templo com confiança,
encontrando um oásis de segurança e comunhão, que os
compensam das agruras, dos desafios, da tensão da sua vida
do dia a dia.
E outros buscarão coisas e estados e espaços diferentes.
O que a Loja tem afinal, de extraordinário é uma infinita
capacidade de proporcionar a cada um o porto de abrigo, o
espaço de segurança, o caminho de busca, o tempo de
convívio, a estrutura de atividade ou contemplação ou
investigação ou busca que cada um necessita.
O que, no fundo, a Loja é, é um espaço de suprema Liberdade
e Tolerância, em que cada um pode realizar-se e deixar os
outros realizar-se, cada um à sua maneira e segundo as suas
características e necessidades.
É um espaço de cooperação, em que cada um contribui para a
realização e melhoria dos outros, beneficiando ele próprio do
contributo dos demais.

388
É um ponto de encontro, simultaneamente ponto de partida e
encruzilhada de variegados interesses individuais, que
constituem um rico interesse coletivo. É a bissetriz do
individual e do coletivo, de tal forma equilibrada que permite
que ambos cresçam e cooperem e mutuamente se alimentem.

É, em suma, a Utopia possível, a concretização do


inconcretisável, equilíbrio instavelmente estável de múltiplos
interesses e egoísmos, numa matriz que a todos enquadra
satisfatoriamente.
É um delicado bordado de mil linhas e infinitas cores,
executado por inúmeras mãos, extraordinariamente resultando
numa harmoniosa composição. É tudo isto e ainda mais o que
cada um quiser, desde que respeite os interesses e anseios
dos demais e do conjunto por todos constituído.
Esta singular plasticidade da Loja faz dela um duradouro
cimento que une homens de diferentes temperamentos, de
diversas gerações, de divergentes culturas, de separadas
religiões, de conflitantes convicções, gerando laços de
solidariedade e confiança que imutavelmente duram há
centenas de anos.
É por isso que sempre se marca bem, sempre da mesma
forma, sempre com o mesmo ritual, a abertura dos trabalhos,
delimitando invisível, mas sensivelmente o espaço e o tempo e
a cumplicidade da Loja e dos seus elementos em relação a
tudo e a todos que lhes é exterior.
É por isso que, findos os trabalhos, de novo, sempre e da
mesma forma, se executa um ritual de encerramento, que

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marca o fechar e preservar desse espaço e tempo, e
cumplicidade próprias e exclusivas, preparando cada um para
voltar a atuar no mundo exterior, só que mais forte, mais
sabedor, mais capaz de ver beleza onde o olhar comum nada
de especial vê.
A Loja é um espaço onde cada um dá o que pode e vai buscar
o que necessita. É por isso que cada um sabe por que vai à
Loja e, afinal, existem tantas razões para um maçom ir à Loja
como maçons existem à face da Terra.

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