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AS TRÊ S ECONOMIAS

POLÍTICAS DO WELFARE
STATE
O legado da economia política clá ssica
Parte de uma abordagem interativa que envolve a mobilizaçã o das classes no
desenvolvimento do welfare state. Quais sã o os critérios que definem o papel do welfare
state na sociedade? Os debates acerca do welfare state giraram em torno de duas
questõ es: a distinçã o de classes diminui com a cidadania social? Quais sã o as forças
causais por trá s do desenvolvimento do welfare state?
Na economia política, principalmente a clá ssica, vá rios estudos voltaram-se para a relaçã o
entre capitalismo e bem-estar social. Apesar das respostas serem bastante variadas,
dependendo do viés ideoló gico, todas convergiram ao relacionamento da propriedade e
mercado com o Estado e democracia.
Os liberais defendiam seus pontos de vista de diversas formas. Alguns destacavam o
elemento laissez-faire e, dessa maneira, rejeitavam qualquer forma de proteçã o social.
Outros, como os reformistas, propunham algumas poucas regulamentaçõ es políticas. Para
Adam Smith, o mercado funcionava a fim de emancipar o indivíduo, e através dele dar fim
à s classes – a presença do Estado apenas sustentaria a estratificaçã o e a criaçã o de
monopó lios. Ainda, temiam a democracia, por ela ser um meio para as massas proletá rias
reduzirem os privilégios da propriedade – ao permitir o voto universal, tornaria possível a
politizaçã o da luta pela distribuiçã o e a destruiçã o do mercado (poderia produzir
socialismo).
Entre os conservadores, viam na perpetuaçã o do patriarcado e do absolutismo a melhor
forma de garantir um capitalismo sem luta de classes, é o welfare state moná rquico.
Seguindo esse pensamento, um Estado forte, centralizado seria muito superior, por ser
capaz de harmonizar o bem do estado, da comunidade e do indivíduo. Mais do que isso,
temiam a nivelaçã o social, ou seja, eram a favor de uma sociedade hierá rquica,
estratificada. Essas ideias surgiram em resposta à Revoluçã o Francesa.
Por outro lado, os marxistas discordavam totalmente da ideia liberal de que os mercados
garantem a igualdade – a acumulaçã o de capital, na verdade, priva o povo da propriedade
e aprofunda cada vez mais as divisõ es de classe, causando conflitos mais intensos. Na visã o
socialista, a democracia nã o levaria à emancipaçã o das classes trabalhadores, pois era
meramente uma “concha vazia”. Ainda assim, há uma contradiçã o: quando os
trabalhadores passam a desfrutar de direitos sociais (a partir da democracia parlamentar),
ganham mais liberdade em relaçã o ao mercado e aos empregadores (nã o aceitam mais
quaisquer condiçõ es de trabalho). A política social pode transpor a fronteira entre
capitalismo e socialismo.
O modelo social-democrata nã o se afasta dos princípios marxistas, de que a igualdade
fundamental requer a socializaçã o econô mica. dota o reformismo parlamentar para
alcançar esse fim, baseando-se em dois argumentos: para os trabalhadores serem
efetivamente cidadã os socialistas, precisam de recursos sociais, saú de e educaçã o; viam
nas políticas sociais uma forma de emancipaçã o do indivíduo e de ajuda na melhoria das
forças produtivas capitalistas. A partir do momento em que o welfare state é posto em
prá tica, erradicando a pobreza, a dependência completa do salá rio e o desemprego, por
exemplo, ele aumentará tanto a eficiência econô mica, quanto reduzirá as divisõ es sociais.

A economia política do welfare state


A ciência social contemporâ nea distingue-se da economia política clá ssica de duas formas:
define-se como ciência positiva (afastando-se da prescriçã o normativa); mostram
interesse pela diversidade histó rica (afastando-se do sistema de formaçã o de leis
universais). Apesar disso, a recente produçã o de conhecimento tem como foco a relaçã o
Estado-economia, definida pelos economistas políticos clá ssicos. Há dois tipos de
abordagens dominantes na explicaçã o dos welfare state: a primeira, que enfatiza
estruturas e sistemas globais e a segunda, que enfatiza instituiçõ es e atores.

A abordagem estruturalista
 Procura entender integralmente a ló gica do desenvolvimento;
 Enfatiza mais as similaridades entre as naçõ es, por se concentrar nas leis de
movimento dos sistemas;
Uma variante começa com uma teoria de que a industrialização torna a política social
necessária, porque os laços pré-industriais (sociabilidade primá ria) sã o destruídos pela
modernizaçã o, alavancada pelo processo de urbanizaçã o e de dependência do mercado.
Esse ú ltimo, entretanto, nã o é um substituto adequado – atende apenas quem consegue
atuar dentro dele. Dessa forma, é funçã o do Estado garantir o bem-estar social. Por sua
vez, a burocracia moderna, ao se consolidar enquanto meio de administrar os bens
coletivos, permite o surgimento do welfare state – esse raciocínio baseou a ló gica do
industrialismo: o welfare state surge à medida que a economia industrial moderna destró i
as instituiçõ es sociais tradicionais. Porém, falha na explicaçã o sobre o surgimento tardio
do welfare state e para responder a isso, diz que é necessá rio atingir um nível econô mico
que permita desviar recursos do uso produtivo para a previdência social.
O novo estruturalismo marxista estabelece o welfare state como uma consequência
inevitá vel do capitalismo, já que a acumulaçã o de capital força a reforma social. Por isso, o
estado de bem-estar social nã o precisa ser conduzido por agentes políticos. Aqui, o
questionamento é sobre o posicionamento do Estado, que deve satisfazer as necessidades
do coletivo. Assim, a teoria parte de duas hipó teses a) o poder é estrutural b) o estado é
relativamente independente das classes governantes.

 A ló gica do capitalismo nã o é exatamente funcional, pois se o welfare state é um


“produto natural” dessa subordinaçã o voluntaria ao sistema capitalista, porque
40% do PNB deve ser destinado a atividades que legitimam esse estado? Além
disso, a aná lise do modo de produçã o como aquilo que determina as atividades
estatais gera problemas, uma vez que a Europa Oriental, mesmo nã o sendo
capitalista, apresenta um welfare state.
A abordagem institucional
 Afirma que quanto mais se ampliam os direitos democrá ticos, maior é a
probabilidade de se desenvolverem os welfare state;
 A economia nã o sobrevive sem a presença das comunidades sociais;
 A política social é uma pré-condiçã o necessá ria para a reintegraçã o da economia
social;
 É institucional porque discute os impactos da democracia sobre o estado de bem-
estar social sem fazer referência a determinada classe ou agente social;
 As maiorias favoreceriam a distribuiçã o social para compensar a fraqueza do
mercado → a democracia é uma instituiçã o que nã o pode resistir as demandas da
maioria;
Uma variante dessa teoria afirma que os welfare state surgem mais prontamente em
economias pequenas, abertas e particularmente vulnerá veis aos mercados internacionais,
pois há uma tendência maior de que o governo seja o principal meio de resolver os
conflitos entre as classes.

 O estado de laissez-faire buscava defender os mercados da intrusã o política, uma


vez que a democracia poderia instaurar o socialismo e, assim, comprometeria os
mercados;
Uma variante da tesa da democracia identifica os está gios de construçã o nacional e
estabelece que a cidadania plena deve incluir os direitos sociais. Outra variante afirma que
a democracia estimula o crescimento dos gastos pú blicos, uma vez que intensifica
competiçã o dos partidos pelo eleitor médio.
Todavia, essa abordagem também enfrenta alguns problemas empíricos, pois a) as
primeiras iniciativas de formaçã o de um welfare state foram antes da democracia e, mais
do que isso, tiveram como motivaçã o impedir a consolidaçã o desse modelo político b) o
desenvolvimento do welfare state foi mais tardio justamente onde a democracia começou
mais cedo, por exemplo, os EUA.

 Em resposta à segunda crítica, a teoria explica que em governos autoritá rios, as


classes dirigentes tinham mais condiçõ es de impor tributos elevados a uma
populaçã o relutante, porém o mesmo nã o acontecia nas democracias precoces,
pois os pequenos proprietá rios agrá rios (dominantes) usavam seus poderes
eleitorais para reduzir os impostos.

A classe social enquanto agente político


A tese da mobilização de classe provém da economia política social-democrata e
distingue-se das outras abordagens por considerar as classes sociais os principais agentes
de mudança e por afirmar que o equilíbrio do poder das classes determina a distribuiçã o
de renda. Nessa teoria, os welfare state além de aliviarem os efeitos ruins do capitalismo,
fortalecem os movimentos dos trabalhadores – Heimann: os direitos sociais podem fazer
as fronteiras do poder capitalista retrocederem.
O mercado é responsá vel por limitar a capacidade de mobilizaçã o e solidariedade coletiva
da classe trabalhadora, já que uma vez inseridos no mercado sofrem com a estratificaçã o e
atomizaçã o. Dessa maneira, o welfare state deve garantir alguns pré-requisitos, como
direitos sociais, seguro-desemprego, igualdade e erradicaçã o da pobreza, responsá veis por
dar força e coesã o à mobilizaçã o coletiva de poder.
Contudo, essa tese apresenta dificuldades em especificar as condiçõ es para a mobilizaçã o
de poder: o poder depende de fontes variá veis e a mobilizaçã o depende do nível de
organizaçã o dos sindicatos, por exemplo. Existem três objeçõ es fundamentais à essa tese:
1. O lugar onde se situa o poder e onde se toma decisõ es pode mudar do parlamento
para instituiçõ es neocorporativistas de mediaçã o dos interesses;
2. A capacidade dos partidos trabalhadores influenciarem o desenvolvimento do
welfare state é limitada pela estrutura do poder partidá rio da direita;
3. É problemá tico afirmar que um aumento quantitativo de votos, sindicalizaçã o ou
cadeiras parlamentares se traduzem em ampliaçã o do welfare state, dessa forma,
critica a visã o linear do poder nesse modelo.
a. Esse modelo é muito “sueco centrista”, isto é, define o processo de
mobilizaçã o de poder com base na experiencia sueca, que é singular.
A abordagem da coalizão: deve-se levar em consideraçã o que duas naçõ es podem
apresentar variá veis semelhantes em termos de mobilizaçã o da classe trabalhadora, mas
ainda assim produzirem resultados políticos divergentes, devido principalmente as
diferenças na histó ria da formaçã o das alianças de classe.
Portanto, é preciso pensar tanto em termos de relaçõ es sociais, quanto em categorias
sociais. As abordagens estruturais percebem resultados convergentes de welfare state. Os
paradigmas da mobilizaçã o de classe veem grandes diferenças lineares entre os welfare
state. O modelo de abordagem da coalizã o volta a atençã o para regimes distintos de
welfare state.

O que é o welfare state?


O conceito de welfare state nã o é bem definido, já que os estudos sobre ele têm sido
motivados principalmente por interesse em outros fenô menos ligados a ele, como as
contradiçõ es capitalistas. Nesse sentido, nã o se tem uma resposta exata sobre quando um
Estado é, efetivamente, um Estado de bem-estar social.

 Definiçã o comum: o welfare state envolve responsabilidade social, no sentido


de garantir o bem-estar básico dos cidadãos. Entretanto, essa definiçã o, apesar
de comum, nã o responde se as políticas sociais sã o emancipadoras, se ajudam a
legitimaçã o do sistema, se contradizem o mercado ou nã o e nem sequer define o
que é bá sico.
 Primeiramente, a existência de um welfare state ou estava baseada no nível de
despesas socais, ou na força dos partidos esquerdistas/mobilizaçã o de poder da
classe trabalhadora entre as naçõ es. Entretanto, essa abordagem quantitativa
linear contradiz a noçã o socioló gica de que variá veis como poder, democracia e
bem-estar social sã o fenô menos relacionais e estruturais.
 A classificaçã o de acordo com os gastos pode ser enganosa, já que nã o sã o
contados igualmente, exemplo: o welfare state austríaco destina grande parte de
seus gastos a benefícios usufruídos por funcioná rios pú blicos privilegiados. Dessa
maneira, alguns estados nã o estã o exatamente compromissados com a
solidariedade e/ou cidadania social, ou só gastam desproporcionalmente com
assistência social aos pobres.
Quais critérios devem ser usados para saber se e quando um Estado é um welfare state?
1. Deve-se começar com a transformaçã o histó rica das atividades do Estado, que
deve focar a maioria de suas atividades para atender as necessidades das famílias.
A partir disso, nenhum Estado pode ser considerado um verdadeiro welfare state
até a década de 70.
2. Essa segunda abordagem vem da distinçã o entre os welfare state residuais e
institucionais. Por meio disso, foca no conteú do do welfare state, por exemplo, em
que medida o nível de emprego e a vida profissional fazem parte da ampliaçã o dos
direitos do cidadã o.
a. RESIDUAIS: o Estado só assume a responsabilidade quando a família ou o
mercado sã o insuficientes, limitando sua pratica a grupos sociais marginais
e merecedores.
b. INSTITUCIONAIS: é o modelo universalista, ou seja, o Estado assume a
responsabilidade para com toda a populaçã o, personificando um
compromisso institucionalizado com o bem-estar social.
3. A terceira abordagem consiste em selecionar teoricamente os critérios de
julgamento dos tipos de welfare state, comparando-os com um modelo abstrato
ideal e entã o avaliando os estados como um todo. Deve-se, portanto, analisar as
demandas solicitadas pelos agentes considerados críticos na histó ria do
desenvolvimento do welfare state.

A reconceituaçã o do welfare state


Marshall (1950): a cidadania social constitui a ideia fundamental de um welfare
state, ou seja, esse conceito uma vez bem definido, deve envolver a garantia de
direitos sociais. Quando esses direitos se tornam inviolá veis, assegurados pela
cidadania, implicam uma “desmercadorizaçã o” da condiçã o do indivíduo diante do
mercado. Porém, a ideia de cidadania social ainda assume uma estratificaçã o
social, pois sua condiçã o de cidadã o vai competir com a posiçã o de classe das
pessoas.
Por isso, a compreensã o de welfare state deve, ainda, considerar de que forma as
atividades estatais se entrelaçam com o papel do mercado e da família em termos de
provisão social.

Direitos e desmercadorizaçã o
 o bem-estar do indivíduo só passa a depender, por inteiro, das relaçõ es monetá rias
quando os mercados se tornam universais e hegemô nicos;
 nas sociedades pré-capitalistas, o trabalhador nã o era tido como uma mercadoria,
pois sua sobrevivência, na maioria das vezes, nã o dependia da venda de sua força
de trabalho;
 mercadorizaçã o das pessoas: roubar, da sociedade, as instituiçõ es que garantiam a
reproduçã o social;
 desmercadorizaçã o: quando a prestaçã o de serviço é vista como uma questã o de
direito, ou ainda, quando uma pessoa pode manter-se sem depender do mercado;
 para haver uma desmercadorizaçã o significativa, os indivíduos como um todo
devem se libertar totalmente das amarras do mercado;
o algumas vezes, sistemas de assistência ou de previdência, na verdade, sã o
planejados para maximizar a atuaçã o no mercado de trabalho;
 quando os indivíduos dependem inteiramente do trabalho, é mais difícil que haja
uma açã o de solidariedade conjunta entre eles, uma vez que suas relaçõ es
espelham as desigualdades do mercado – logo, a desmercadorizaçã o fortalece o
trabalhador.
Tipos de welfare state desmercadorizantes:
1. nos que predominam a assistência social, geralmente os direitos estã o ligados à
comprovaçã o da necessidade. Esses, entã o, limitam o efeito da desmercadorizaçã o
e fortalecem o mercado.
2. Os que adotam a previdência social estatal nã o asseguram uma absoluta
desmercadorizaçã o substancial, já que na maioria das vezes os benefícios
dependem quase inteiramente de contribuiçõ es, ou seja, do trabalho e do emprego.
3. O modelo Beveridge de benefício aos cidadã os oferece benefícios básicos e
iguais a todos, e é o mais solidário, mas nã o é obrigatoriamente
desmercadorizante – raramente conseguem tornar o trabalho uma mera opçã o.
4. DEFINIÇÃ O MÍNIMA: deve garantir liberdade aos cidadã os; seguro-doença que
permita o indivíduo de se ausentar por tempo indeterminado com comprovaçã o
mínima de impedimento; pensõ es ou aposentadorias; licença-maternidade, para
cuidar dos filhos; licença-educacional; seguro-desemprego.

O welfare state enquanto sistema de estratificaçã o


O welfare state sempre foi considerado um organismo que promove uma sociedade mais
igualitá ria. Por conta disso, a relaçã o entre cidadania e classe social nã o foi tã o abordada,
teó rica ou empiricamente.
Entretanto, o welfare state nã o é um mecanismo que talvez corrija a estrutura de
desigualdade, mas também é um sistema de estratificação, que ordena as relações
sociais. A tradiçã o de ajuda aos pobres e a assistência social a pessoas necessitadas foi
visivelmente planejada com o propó sito de estratificaçã o, promovendo dualismos sociais a
partir do momento em que pune e estigmatiza seus beneficiários – é alvo de ataques
por parte de movimentos de trabalhadores.

 MODELO DE SEGURIDADE SOCIAL: Bismarck; forma de política de classe para


combater os movimentos de trabalhadores; procurava tanto consolidar as
divisões entre os assalariados, por meio da aplicaçã o de programas que desse
privilégios distintos para grupos de classe e status diferentes, quanto vincular as
lealdades do indivíduo diretamente à autoridade central do Estado,
promovendo pensõ es e aposentadorias como suplemento estatal; é o
corporativismo estatal, que quando utilizado, resultou em vá rios fundos
previdenciá rios de status diferenciados.
o Os funcioná rios pú blicos eram mais privilegiados, por serem leais ao
Estado, e a diferenciaçã o nos seus benefícios previdenciá rios era uma
forma de definir o status social particularmente elevado desse grupo.
 AS SOCIEDADES MICROSSOCIALISTAS: dividiam os trabalhadores, uma vez que a
participaçã o política se restringia à s camadas mais fortes da classe trabalhadora e
aquelas que mais precisavam de proteçã o geralmente eram excluídas. Ainda assim,
viam nas suas pró prias organizaçõ es uma base para a mobilização de classes,
para promover solidariedade e justiça, e o bem-estar para o povo. Adotam o
princípio do universalismo, seguindo a linha do benefício uniforme
democrático, segundo o modelo Beveridge.
o Universalismo: promove a igualdade de status; todos têm direitos
semelhantes, independente da classe ou da posiçã o no mercado; pretende
cultivar a solidariedade da naçã o; pressupõ e uma estrutura de classe que é
majoritariamente constituída por “pessoas humildes”.
o Deixa de ser funcional quando há uma mudança na estrutura de
classe, por exemplo, o surgimento das classes médias – é transformado em
um dualismo no qual os pobres contam com o Estado e os outros com o
mercado.
 MERCADO x ESTADO: escolha política que leva a dois modelos de welfare state
distintos.
o Preservar, no Estado, o universalismo e deixar o mercado reinar sobre as
classes que precisam de benefícios previdenciá rios maiores. Dualismo:
gasto pú blico com subsídios para a previdência privada e a consequente
erosã o do apoio da classe média.
o Garantir regimes previdenciá rios baseados nos ganhos e uma previdência
mínima para os pobres, reintroduz desigualdades nos benefícios e bloqueia
efetivamente o mercado.

Regimes de welfare state


 LIBERAL: predomina a assistência aos declaradamente pobres/necessitados; os
benefícios sã o estritos, associados ao estigma e atingem pouquíssimas pessoas; o
Estado encoraja o merca a garantir o mínimo; o mercado é incentivado a subsidiar
a previdência privada; minimiza os efeitos da desmercadorizaçã o.
 CONSERVADORES: corporativismo estatal; marcado pela preservaçã o das classes e
status sociais; os direitos sociais estavam ligados a essas demarcaçõ es; moldados
pela Igreja, também previam a preservaçã o da família tradicional; princípio da
“subsidiariedade” – o Estado só interfere quando a família é incapaz de servir seus
pró prios membros.
 SOCIAL-DEMOCRATA: marcado pelo universalismo e desmercadorizaçã o dos
direitos sociais; promove a igualdade, já que incorpora a classe média nesse
sistema; exclui o mercado e promove uma solidariedade em favor do welfare state;
todos sã o dependentes dessa política, logo, todos sã o obrigados a pagar; a classe
média nã o vê o welfare state como algo ruim; assume pesada carga de serviço
social ao se comprometer com o cuidado das crianças, idosos e mendicantes;
caracterizado pela fusã o entre trabalho e serviço social; pleno emprego como parte
integral da prá tica do bem-estar social.

As causas dos regimes de welfare state


Critérios para estabelecer porque os regimes se diferenciam entre si:
1. A natureza da mobilizaçã o da classe trabalhadora;
2. As estruturas de coalizã o política das classes;
a. O papel dos proprietá rios de terra nos países nó rdicos, por exemplo,
permitiu um welfare-state social-democrata exemplar – foi a coalizã o
entre o verde e o vermelho.
b. Muitas vezes, a mã o de obra era intensiva na agricultura e os proprietá rios
de terra eram receosos quanto as mudanças propostas pelos partidos de
esquerda/sindicatos. A fim de impedir isso, juntaram-se aos
conservadores numa frente reacioná ria antissindicalista.
3. Legado histó rico da institucionalizaçã o do regime;

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