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e
1.1.INTRODUÇÃO.............................................................................................................................1
1.2. Problema de pesquisa................................................................................................................2
1.3.Justificativa da escolha do tema.................................................................................................3
1.4.Objectivos...................................................................................................................................4
1.5.Hipóteses....................................................................................................................................4
1.6.Estrutura da pesquisa.................................................................................................................5
1.7.Resultados esperados.................................................................................................................6
CAPITULO II- REVISĂO LITERARIA.....................................................................................................7
Pressupostos Teóricos......................................................................................................................7
2.1. Crédito.......................................................................................................................................7
2.2. Crescimento económico............................................................................................................7
2.3. Microcrédito..............................................................................................................................7
2.4. Microfinanças............................................................................................................................8
2.5.Uma Breve Caracterização da Economia Moçambicana..............................................................8
2.6. Surgimento das Microfinanças em Moçambique.......................................................................9
2.7. Enquadramento legal das Microfinanças em Moçambique......................................................10
CAPITULO III- METODOLOGIA DE PESQUISA...................................................................................12
3.1. Modelo de desenho para “Fenómeno situado”.................................................................12
3.2. Métodos de abordagem.......................................................................................................13
3.3. Percurso da pesquisa..........................................................................................................14
3.4. Delimitação do Universo...........................................................................................................14
3.5. Tipo de amostragem...........................................................................................................15
3.6. Pesquisa documental................................................................................................................15
3.7. Pesquisa bibliográfica.........................................................................................................15
3.8. Pesquisa de campo..............................................................................................................15
3.9. Entrevista............................................................................................................................16
3.10. Estudo de caso...................................................................................................................16
3.11. Técnicas de análise de dados............................................................................................17
3.12. Limitações da pesquisa..........................................................................................................17
4.CRONOGRAMA............................................................................................................................18
4.1. ORÇAMENTO...........................................................................................................................19
5.Referencias Bibliográfica.............................................................................................................20

Lista de abreviaturas/ Acrónimos

APA -Associação Americana de Psicologia

PME -Pequenas e Medias Empresas

USTM-Universidade São Tomas de Moçambique


1.1.INTRODUÇÃO
1.1. Contextualização

De acordo com Nikolay (2003) crédito é a expectativa de receber certa quantia em moeda,
dentro de um determinado período acordado entre as partes, oriunda de uma transação
industrial, comercial e ou financeira mediante a venda de produtos/mercadorias, prestações e
ou empréstimos.

Na idade média o crédito era considerado ilegal., pois se considerava que havia uma cobrança
de remuneração abusiva pelo uso de capital, por parte do credor, dada a prática de cobrança
de juro. Os pioneiros do comércio e da banca foram os comerciais ditos “ burgueses”, dos
países Baixos e da Itália, os dois polos mais dinâmicos das operações de crédito. Os credores
que usavam este tipo de serviços eram os religiosos, os monarcas europeus, alguns membros
da aristocracia, as cidades e os burgueses interessados em aumentar o capital envolvido nos
negócios. (Finlay,2009) A Credibilidade dos rendimentos do trabalho permitiu que os
trabalhadores pudessem ser antecipados, dando inicio a prática do crédito (Basileia, 2013).

Em Moçambique o crédito bancário é importante para as actividades económicas, pois é o


verdadeiro motor e mobilizador para o crescimento económico do país. Contudo nem todo
crédito é reembolsado deveria ser, nesse contexto estas PME’s precisam deste crédito para
desenvolver o seu negócio visto que, as mesmas, com o crédito concedido tem oferecido
emprego a várias pessoas e também servem de suporte para alavancar a economia de
Moçambique. Ė dai que surgem as Microfinaças com vista a financiar pequenos negócios ou
pessoas de baixa renda que queiram desenvolver alguma actividade para o seu auto sustento.

O presente projecto tem como tema: Análise da contribuição o microcrédito no crescimento


económico de pequenos negócios: caso do mercado da Machava. (2016-2019). O mesmo
enquadra se no contexto da elaboração do trabalho de final do curso para a obtenção do grau
de licenciatura em Gestão Financeira e Bancaria na USTM.

1
1.2. Problema de pesquisa

“Na maioria dos países em desenvolvimento os serviços financeiros só estão disponíveis para
minoria da população mesmo com ampliação de sectores financeiros a medida em que essas
economias crescem, os activos permanecem centralizados nas mãos de poucos. A maioria das
pessoas pobres não acesso ao crédito fornecido por uma instituição de crédito tradicional.
(Navalha,2012:55) ”

A discussão sobre o acesso do microcrédito às populações que exercem pequenas actividades


comerciais tem sido frequente, mas sem um consenso sobre as modalidades e o tipo de
beneficiário. Se por um lado este trabalho procura entender quem é o beneficiário destes
serviços, a sua proveniência, por outro lado há uma necessidade de conhecer as taxas de juros
praticadas pelas instituições de microcrédito, visto que os utentes destes serviços são
indivíduos ou entidades com rendimentos baixos. Deste modo, o risco a que as instituições de
microcrédito estão expostos é bastante elevado pelo facto de a capacidade financeira da
maioria dos cidadãos ou entidades que procuram esses serviços ser muito baixa. Existe aqui
um problema de fundo, como fazer com que o microcrédito sirva os interesses dos mais
carenciados a nível financeiro? Pois, o microcrédito foi desenvolvido para tornar os serviços
financeiros mais acessíveis às populações que tendo um rendimento baixo não têm acesso às
instituições financeiras clássicas e que estes são por sinal os que apresentam maior risco de
crédito. Se por um lado sabe-se que há cada vez mais empresas de Microfinanças no meio
urbano, concretamente na cidade da Matola, por outro lado a pobreza urbana aumenta
diariamente. As questões que este trabalho de pesquisa procurará entender estão relacionadas
com o papel das organizações de Microfinanças na melhoria da qualidade de vida dos seus
beneficiários na cidade da Matola, as dificuldades com que se deparam os cidadãos que
procuram esses serviços, quem é que procura por esses serviços e quais as taxas de juros
praticadas. Sob ponto de vista social esta pesquisa é importante porque vai contribuir para
compreender melhor o fenómeno da pobreza urbana, em especial na cidade da Matola e o
papel que as Microfinanças podem desempenhar na erradicação da pobreza e porque não do
sub-desenvolvimento. E sob ponto de vista de finanças empresariais a análise incidirá sobre
se há ou não oportunidades para os pequenos empreendedores desenvolverem uma actividade
empresarial por via do microcrédito.
A análise destes elementos será feita com base na procura de respostas para a seguinte
questão de partida:

Qual é a contribuição do microcrédito Mafarranga no crescimento económico de pequenos


negócios no mercado da Machava?

1.3.Justificativa da escolha do tema

Num mundo em constantes mudanças a informação torna-se um meio cada vez mais crucial
para se atingir os objectivos preconizados. No mercado moçambicano a informação sobre
este tema é escassa e a pouca que existe não está disponível para os utentes, por isso, é
importante que se explore mais esta área do microcrédito fazendo com que a informação
chegue a todos os interessados, conhecendo as vantagens e desvantagens. Como é sabido,
grande parte da população moçambicana é analfabeta, mas isso não significa que não têm
capacidade de desenvolver alguma actividade que crie rendimento. Por isso, a pesquisa
pretende contribuir de alguma forma para que haja mais informação relativamente a
microcréditos e consciencializar os académicos, os políticos, a sociedade em geral e
especificamente as instituições de Microfinanças na necessidade de se produzir mais
informações sobre este tema.

No âmbito Académico

No âmbito académico a pesquisa irá servir de suporte aos estudantes interessados com o
tema, e desenvolver análise crítica e enriquecer o conhecimento.

No âmbito Social/Económico

Para a sociedade utente dos produtos das Microfinanças circunvizinhas com maior
disponibilidades das mesmas trará uma melhoria na qualidade de vida dos mesmos porque
estarão em altura de diversificar os produtos oferecidos pelas Microfinanças, sabendo que o
crédito e importante para qualquer negócio e possui um importante papel para a economia
moçambicana.

As Microfinanças contribuem para a dinamização da economia oferecendo serviços


financeiros as populações de baixa renda estes por sua vez impulsionam o desenvolvimento
dos pequenos empreendimentos que contribuirão para o desenvolvimento de actividades
como agricultura, pesca e outros negócios, assim sendo é possível aumentar a produção
nacional e por via disso diminuir o nível de importações de produtos de primeira necessidade,
contribuindo para a estabilidade dos preços e da taxas de câmbio.

1.4.Objectivos
Através da presente pesquisa procura-se atingir um objectivo geral e Objectivos específicos
com o intuito de responder a questão levantada.

Objectivo geral:

 O objectivo geral desta pesquisa é Analisar o papel da microcrédito no crescimento


económico de pequenos negócios no mercado da Machava

Objectivos específicos:

 Compreender os procedimentos das instituições de Microfinanças no financiamento


aos pequenos comerciantes;
 Entender quais as dificuldades com que se deparam os pequenos comerciantes que
procuram os serviços de microcrédito;
 Identificar o impacto do financiamento da Microcrédito Mafarranga no crescimento
socioeconómico dos utentes na Matola.

1.5.Hipóteses

Em função das nossas leituras exploratórias sobre o tema adiantamos as seguintes hipóteses
para a resposta a pergunta de partida:

Hipóteses principais- Os pequenos comerciantes para que cheguem a um bem-estar social e


económico, necessitam do financiamento dos seus negócios.

Hipótese secundária - As condições dadas pelas, microcrédito podem estimular os pequenos


negócios, contribuindo deste modo para se chegar a um bem-estar social e económico.
1.6.Estrutura da pesquisa

Para Dias 2008, uma pesquisa deve ser dada uma estrutura de orientação do mesmo baseia-se
no modelo de associação Americana de Psicologia (Apa) de modo que possa ter uma ideia de
estrutura, uma forma clara aos aspectos a serem tratados. Este projecto de pesquisa apresenta
quatro partes descritos a seguir:

A primeira parte trata da introdução e contextualização, objectivos da pesquisa, justificativo


da escolha do tema, pergunta da pesquisa, estrutura do projecto de pesquisa e dos resultados
esperados.

Na segunda parte consta a revisão da literatura sobre abordagem teórica que baseia-se nos
pressupostos teóricos, conceito de crédito, crescimento económico e microfinanças
características da economia Moçambicana; surgimento das Microfinanças em Moçambique e
enquadramento legal das Microfinanças em Moçambique.

A terceira parte esta relacionada com a apresentação dos procedimentos metodológicos, tipo
de pesquisa, variáveis da pesquisa, procedimentos, técnicas de pesquisa para melhor conduzir
a pesquisa e as limitações da pesquisa.

Por ultimo, na quarta parte encontramos o cronograma das actividades e orçamento da


pesquisa que irão orientar o desenvolvimento da pesquisa e cumprimento rígido dos prazos
desde a concepção do projecto ate a monografia. Apresenta-se também as referências
bibliográficas que tomarão em conta as obras usadas durante a leitura da revisão literária do
projecto. E finalizando no apêndice vira o questionário, entrevista para os beneficiários do
crédito e o guião de observação dos colaboradores do microcrédito.
1.7.Resultados esperados

No final da minha pesquisa espero alcançar resultados da análise do contributo do


microcrédito Mafarranga no desenvolvimento socioeconómico dos pequenos comerciantes.
Pretendo ter em conta a seguinte análise os procedimentos das instituições de Microfinanças
no financiamento aos pequenos comerciantes; as facilidades e dificuldades com que se
deparam os pequenos comerciantes que procuram os serviços de microcrédito; identificar o
impacto do financiamento da Microcrédito Mafarranga no Desenvolvimento socioeconómico
dos seus utentes na Matola.
CAPITULO II- REVISĂO LITERARIA
Pressupostos Teóricos

O referencial teórico para a realização do presente estudo é composto por um quadro


conceptual.

2.1. Crédito
Significa confiança que uma pessoa ou uma instituição financeira deposita no mutuário,
colocando a sua disposição um certo valor ou emitindo uma garantia a favor de terceiro
mediante, remuneração comprometendo-se o mutuário ao montante as somas utilizadas no
prazo acordado (Maleiane 2014).

2.2. Crescimento económico


Crescimento traduz se na presença de transformações económicas e serviços sociais durante
processo contínuo de longo Prazo aumentando a capacidade de oferecer a população maior
quantidade e diversidade de bens e serviço (Figueiredo,2008)

2.3. Microcrédito
Varias foram encontradas as definições de microcrédito das quais as seguintes:

Microcrédito e a concessão de empréstimo de baixo valor de pequenos empreendedores


formais ou informas e as microempresas se acesso ao sistema financeiro tradicional,
principalmente por não ter como oferecer garantias reais (BARONE et al, 2002)

Navalha (2012) diz que microcrédito e uma modalidade de financiamento que permite o
acesso de pequenos empreendedores ao financiamento alternativo e utiliza uma metodologia
própria centrada no perfil e necessidades dos empreendedores, estimulando apenas pequenas
actividades o ocorre para geração de emprego e renda, trata-se de um instrumento financeiro
que se caracteriza por empréstimos de valores relativamente baixos, que em gral realizam as
suas actividades no sector formal. Para Parante( 2002) microcrédito é um serviço das
Microfinanacas que se refere a concessão de crédito de pequeno valor e tem como publico
alvo : a população de baixa renda, pequenos empreendimentos e sector informal essa
metodologia de crédito e concedida de um modo geral sob forma de capital giro, aquisição de
activos fixos para empreendimentos urbanos e caracteriza se pela especificada das suas
garantia também pela capacidade e forma de acompanhamento e pagamento.

Nesse contexto pode definir se microcrédito como forma de financiamento de montantes


reduzidos a pessoas singulares ou colectivas para criação de pequenos negócios ou para
suprir uma necessidade, que não tenham acesso ao crédito tradicional, por falta de garantias
de garantias reais.

2.4. Microfinanças
Microfinanças refere-se a prestação por instituições financeiras rentáveis, sustentáveis de
serviços financeiros envolvendo montantes unitários reduzidos, as pessoas e pequenas
empresas, formais e informas, de baixo rendimento, que por essa razão são excluídas ou tem
dificuldades de acesso ao sistema financeiro tradicional (pisco 2010).

Para Maleiane (2014) as Microfianças são instituições que não aceitam podendo porem fazê-
lo em representação das instituições de crédito autorizadas a operar no país usando fundo
próprios podem conceder credito e prestarem serviços financeiros permitidos por lei. Para o
seu funcionamento carecem de autorização prévia do banco central e não do objecto da
supervisão sistemática devendo com tudo prestarem periodicamente ao banco central sobre a
sua actividade.

Pode diz se que as Microfinanças são instituições de credito com vista com vista a financiar
as pequenas e medias empresas, pessoas de baixa renda que não tenham acesso ao credito
tradicional.

2.5.Uma Breve Caracterização da Economia Moçambicana.


Em Moçambique a agricultura é a base de desenvolvimento segundo o número um do artigo
103 da constituição moçambicana. Este ramo de actividade teve no período 2006 a 2009
maior peso no produto interno bruto, tendo havido uma tendência crescente do peso do ramo
de actividade agrícola. Isto explica-se pelo facto de a maioria da população moçambicana
viver em zonas rurais e dependerem exclusivamente da agricultura para a sua sobrevivência.

O governo moçambicano assumiu o distrito como pólo de desenvolvimento, tendo


disponibilizado para os distritos uma verba de sete milhões de Meticais por ano, sendo que a
maior parte dos distritos moçambicanos são rurais ou seja a sua principal actividade é a
agricultura. Segundo (INE, 2007) 70% da população moçambicana vive nas zonas rurais,
seria de esperar uma maior contribuição da agricultura em termos de PIB e por essa via este
crescimento das zonas rurais poderia atrair mais jovens que vivem nas cidades, e iria também
conter o fluxo de jovens que vão para as cidades à procura de melhores condições de vida e
que acabam engrossando o número de desempregados, aumentando desta forma a pobreza
urbana. As causas da fraca contribuição do sector agrícola relativamente ao seu potencial não
são de todo desconhecidas, factores como as vias de acesso, meios de transporte,
manuseamento e conservação da produção, assim como a agricultura não mecanizada, ou seja
de subsistência, encontram-se entre as principais causas da fraca contribuição deste sector
para o PIB.

2.6. Surgimento das Microfinanças em Moçambique


Em Moçambique o sector financeiro tem sofrido mudanças significativas com o passar dos
anos. Estas mudanças reflectem-se ao nível da legislação do sector, a sua estrutura de
propriedade (pública ou privada), ao crescimento da concorrência e, até mesmo, ao nível dos
produtos ou serviços prestados. País com uma economia nacional subdesenvolvida, apresenta
diversos problemas geográficos e económicos que fazem com que o seu sector financeiro seja
fraco e de difícil acesso aos que realmente precisam. Estes entraves económicos e geográficos
levam a que a rede do sector financeiro moçambicano se concentre nas áreas urbanas, devido
à maior concentração populacional, aos menores custos de informação e aos menores custos
iniciais. A reduzida cobertura territorial do país pelos serviços e produtos financeiros tem
sido uma preocupação permanente das autoridades financeiras moçambicanas pela
importância da intermediação financeira em todo o processo de crescimento e
desenvolvimento económico (Vala, 2007). Os números demonstram bem esta situação, dos
128 distritos existentes no país, apenas 28 é que têm agências bancárias. Os restantes 100
distritos não têm nenhuma representação bancária, o que representa cerca de 78% da
superfície do território nacional. Cerca de 60% da população vive em zonas rurais, entre os
quais 80% das famílias são pobres e com a agricultura de baixa produtividade como principal
fonte de rendimento. Para estes o acesso aos mercados financeiros continua a ser um dos
constrangimentos para o desenvolvimento económico destas regiões (MPD, 2006).
Paralelamente ao sector formal, desenvolveu-se um sector informal para responder às
necessidades de liquidez das famílias que não têm acesso ao sistema formal. Segundo Pisco
(2010), dentro do sistema informal podemos identificar três dos principais “agentes”: O
“Xitique” é uma forma de poupança dentro de um grupo. Este grupo, normalmente, é
constituído por 4 a 10 pessoas, sendo que estes têm uma relação de proximidade familiar ou
de amizade. As poupanças podem assumir a forma monetária ou serem em espécie. Numa
base periódica estipulada, essa poupança é paga em regime de rotação a cada um dos
membros (Mussagy, 2005); Associações funerárias – estas funcionam em grupos de 20 a 30
pessoas, também eles familiares, onde mensalmente cada um paga um determinado valor. Em
caso de falecimento de um dos membros do grupo ou familiares directos, estes têm direito a
um caixão e, em caso de doença grave, também se pode usar o fundo para pagar as despesas
hospitalares; “Agiolas” – concedem créditos individuais em valores monetários. Como não
exigem garantias físicas, este praticam taxas de juro astronómicas. É neste contexto que
surgem as Microfinanças em Moçambique. O sistema das Microfinanças visa permitir que as
populações mais desfavorecidas, que são quem na realidade precisam, tenham acesso ao
financiamento. As primeiras iniciativas deste sector iniciaram-se em 1987 com a criação de
11 fundos de investimento independentes (destacando-se o FFADR, FFP e FFH) do sistema
bancário existente. No entanto a primeira iniciativa de microcrédito, no seu conceito mais
abrangente, ocorre em 1989, a quando da criação do Fundo de Crédito para Empreendimento
Urbano, que oferecia pequenos empréstimos para uma variedade de actividades como
restaurantes, bares, salões de beleza, carpintarias, actividades pesqueiras e outros (Júnior,
2008).

2.7. Enquadramento legal das Microfinanças em Moçambique


O primeiro documento legal para regular as Microfinanças em Moçambique foi o Programa
de Microfinanças, segundo a resolução 3/98 de 24 de Fevereiro do Conselho de Ministros
(Cassamo, 2008). Posteriormente surge um novo enquadramento legal das Microfinanças em
Moçambique, que, segundo Alves (2008) a divide em duas dimensões: Microfinanças
autorizadas apenas a fazer depósitos, ou seja, a realizar operações bancárias distintas
reguladas pela lei 9/2004; Microfinanças autorizadas apenas para conceder créditos. Estas são
regulamentadas pelo decreto nº47/98 de 22 de Setembro e pelo aviso 1/GGBM/99 que
estabelecia os fundos mínimos a afectar ao exercício de funções de crédito de Microfinanças.
Como a evolução do sector das Microfinanças pode suscitar a institucionalização das regras,
é fundamental a necessidade de regulamentação e supervisão das instituições Microfinanças
de modo a (Cassamo, 2008): Desenvolver uma indústria financeira como parte integrada do
sistema financeiro e não como um sector marginal; Proteger o interesse dos clientes; Garantir
a estabilidade e confiança ao sistema financeiro bancário; Reduzir riscos de escassez de
liquidação e corrupção; Garantir que as instituições mantenham um nível de reembolso alto e
uma baixa taxa de delinquência (Governo Moçambique, 2007;20).
CAPITULO III- METODOLOGIA DE PESQUISA
3.1. Modelo de desenho para “Fenómeno situado”

Os autores Martins e Bicudo (2003) elaboraram um modelo de desenho da metodologia que


intitularam como sendo de “Fenómeno Situado”. Este é o modelo que nós iremos seguir no
desenvolvimento do presente estudo. Esta metodologia consiste no seguinte:

1o - Descrição do local de estudo: descrições do local onde os dados serão colhidos com o
propósito de localizar o leitor no campo de estudo. Sugere-se que o pesquisador “conduza” o
leitor ao local do estudo para que compreenda o contexto e realidade do tema. Os detalhes do
local facilitam a compreensão do método escolhido.

2o - Delimitação da população e selecção da amostra: São estabelecidos critérios para


elegibilidade da amostra. Para delimitação do número de entrevistas utiliza-se o critério de
saturação, ou seja, as informações dadas nas entrevistas tornam-se repetitivas.

3o- Tipo de instrumento para recolha de dados: Entrevistas não estruturadas ou


semiestruturadas, individuais, sempre com a presença do pesquisador. Gravar ou escrever as
respostas, fazendo complementações tão logo seja possível, para não esquecer dados
importantes.

4o - Estratégias para recolha de dados: quem será entrevistado, quando e como serão
colectados os dados.

5o - Análise de dados: A análise de dados contém quatro momentos: a) o sentido do todo -


leitura da descrição do relato após a transcrição sem buscar qualquer interpretação; b) nova
leitura e outras mais para discriminar as unidades de significado, anotando-as directamente
no texto para ir focalizando o fenómeno que está sendo pesquisado. c) Transformação das
expressões quotidianas do sujeito – o objectivo é chegar as categorias; d) síntese das unidades
de significado – todas as unidades de significado devem ser levadas em conta para
estruturação de categorias para análise. Pode-se usar só um sujeito, no entanto quanto maior o
número de sujeitos maior será a variabilidade, portanto uma melhor capacidade para ver o
que é essencial.

3.2. Métodos de abordagem

O presente estudo foi desenvolvido com base numa análise de fontes escritas sobre o assunto
e pesquisa de campo. Do ponto de vista dos objectivos trata-se de uma pesquisa do tipo
exploratório e descritivo. De acordo com Gil (1996:53) “as pesquisas descritivas e
exploratórias, habitualmente envolvem o levantamento bibliográfico e documental,
entrevistas e estudos não estruturados e estudos de caso com objectivo de proporcionar visão
geral, do tipo aproximativo acerca de determinado facto”.

A pesquisa exploratória, desta forma vem contribuir para a compreensão do problema de


pesquisa pois o objectivo é manter um contacto maior com a realidade e com as
características que estão sendo estudadas. Na pesquisa descritiva o pesquisador propõe
descobrir fenómenos procurando descrevê-los, classificá-los e interpretá-los, sem nele
interferir para modificá-lo e toma a forma estudo de caso (Gil, 1996:12).

O método de abordagem a ser adoptada é essencialmente qualitativo. Segundo Creswell


(2007:162), o método qualitativo lida-se com valores, crenças, representações, hábitos,
atitudes e opiniões. Este tipo de método é indutivo e descritivo na medida em que o
investigador desenvolve conceitos, ideias e entendimento a partir de padrões encontrados nos
dados, e não recolhe dados para comprovar modelos, teorias ou verificar hipóteses.

Como método de procedimento, em primeiro lugar, privilegiou-se o levantamento


documental que consistirá na leitura e na análise de fontes documentais tais como, arquivos,
registos de dados estatísticos, dados da internet, etc. Considerar-se-á, também o levantamento
bibliográfico, ao analisar livros e artigos científicos que se debruçam sobre o problema em
análise.
A presente pesquisa pode ser classificada da seguinte maneira:

 Do ponto de vista da sua natureza, como pesquisa aplicada, na medida em que visa a
gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de um problema
específico;
 Do ponto de vista da forma de abordagem do problema, como pesquisa qualitativa;
 Do ponto de vista dos objectivos, como pesquisa descritiva, uma vez que visa
descrever as características de um fenômeno e assume, em geral, a forma de
levantamento; e,
 Do ponto de vista dos procedimentos técnicos, como pesquisa bibliográfica,
documental e de levantamento.

3.3. Percurso da pesquisa

A primeira fase consistiu no desenho do projecto e nas leituras exploratórias sobre o tema.
Estas leituras foram retiradas da Internet com base em artigos que se referem a realidades
internacionais e a realidade nacional publicados pela Microcrédito Mafarranga

De seguida, passamos para a segunda fase que consistiu na revisão bibliográfica de


documentos tais como monografias e dissertações académicas, relatórios de estudos de
avaliação de impacto de instituições de crédito bancário envolvidas na promoção
desenvolvimento económico e social das comunidades.

A terceira fase englobará o respectivo tratamento e interpretação dos dados recolhidos. O


estudo será realizado na província de Maputo, por uma questão de conveniência, ou seja, de
facilidade de alcance geográfico e por ser onde esta sedeada a instituição relevante para a
presente pesquisa. A recolha de dados será feita junto dos âmbitos de operação da
Microcrédito Mafarranga.

3.4. Delimitação do Universo

O universo do estudo é constituído pelos seguintes grupos: pessoal técnico da Microcrédito


(Gestores da Microcrédito, auditores e avalistas; bem como os respectivos beneficiários dos
fundos financeiros) envolvido em programas de financiamento com a finalidade de promoção
e melhoria da qualidade de vida dos beneficiários no contexto do Posto Administrativo da
Machava.

3.5. Tipo de amostragem

De acordo com Castro, citado por Mucavele (2011: p.20), dados que os métodos de
abordagem e de procedimento usados não imperam ao facto, o tamanho da amostra é pouco
relevante, neste estudo.

De qualquer forma, para as entrevistas definiu-se como base uma amostragem não
probabilística, isto é, os inquiridos foram escolhidos de acordo com a conveniência: os que
foi possível contactar nos dias aprazados para as entrevistas. Ainda assim, trata-se de uma
amostra intencional composta pelos elementos descritos no universo da pesquisa.

3.6. Pesquisa documental


A pesquisa documental é aquela em que a fonte de colecta de dados está restrita a
documentos, escritos ou não. São compiladas em estatísticas, cartas, contractos, fotografias,
filmes, mapas etc. (Fonseca & Ribas, 2008: 6).Nós iremos recorrer aos documentos da
Microcrédito Mafarranga envolvidos na promoção do financiamento e da melhoria da
qualidade de vida das comunidades.

3.7. Pesquisa bibliográfica

A pesquisa bibliográfica abrange toda a teoria já tornada pública em relação ao tema de


estudo, desde publicações avulsas, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, etc.,
isto é, envolve teorias que já receberam um tratamento científico (Fonseca & Ribas, 2008:6).
A nossa fonte principal, serão as bibliotecas, os centros de documentação e Internet.

3.8. Pesquisa de campo

O presente estudo baseia-se igualmente numa pesquisa de campo, que consiste na observação
de factos e fenómenos tal como ocorrem espontaneamente. O objectivo da pesquisa de campo
é conseguir informações e/ou conhecimentos (dados) acerca de um problema, para o qual se
procura uma resposta. As fases da pesquisa de campo requerem a realização de uma pesquisa
bibliográfica. Esta permitirá que se estabeleça um modelo teórico inicial de referência, que
auxiliará na elaboração do plano geral da pesquisa (Fonseca & Ribas, 2008:6).

3.9. Entrevista

A principal técnica prevista para a pesquisa de campo é a entrevista, que é uma comunicação
verbal entre duas ou mais pessoas, com um grau de estruturação previamente definido, cuja
finalidade é a obtenção de informações de pesquisa. As perguntas são feitas verbalmente e as
respostas são registadas pelo pesquisador, por escrito ou com um gravador, se o entrevistado
assim o permitir (Fonseca & Ribas, 2008: 7).

3.10. Estudo de caso

A pesquisa de estudo de caso baseia-se na análise de um caso real e a sua relação com
hipóteses, modelos e teorias existentes. É desenvolvida a partir do estudo profundo de uma
realidade específica, que pode ser: uma instituição, comunidade, família, grupo reduzido de
pessoas, um único indivíduo. Os procedimentos de colecta e análise de dados adoptados no
estudo de caso são mais simples e acessíveis do que em outros tipos de pesquisa. Além, disso,
há uma vantagem, a da análise focada num único problema, que permite uma visão global do
assunto objecto de estudo. Por outro lado, este tipo de pesquisa também apresenta uma
limitação com relação à generalização dos resultados obtidos.

Neste estudo será baseado nos casos dos programas de financiamento da Microcrédito
Mafarranga que impulsionam o comércio junto dos pequenos operadores comerciais
implementados do Mercado da Machava. Segundo Gil (2002 Apud Fonseca & Ribas, 2008:
7), pode ser que uma determinada unidade pesquisada seja muito diferente em relação às
outras de sua espécie, assim, os resultados podem apresentar-se equivocados. Na nossa
estratégia resolvemos este problema através da triangulação com a pesquisa bibliográfica e
entrevistas.
3.11. Técnicas de análise de dados

Todas as entrevistas serão ouvidas e apenas as partes consideradas relevantes serão transcritas
e submetidas a análise temática. As categorias serão definidas A posteriori, isto é, irão
emergir a partir dos dados.

3.12. Limitações da pesquisa

A elaboração de qualquer trabalho traz sempre consigo inúmeros constrangimentos e no caso


vertente destacam-se algumas dificuldades, que de certa forma limitaram o estudo, de entre
elas destacam-se as seguintes:

Sendo a pobreza um conceito complexo e difícil de definir os seus parâmetros. Como vimos a
pobreza pode assumir diferentes contextos dentro de um país ou até mesmo de uma região

Deste modo não conseguiu se definir um modelo de microcrédito generalizado que tenha
impacto positivo em todas as economias, no entanto podemos definir parâmetros que os
modelos devem respeitar, nomeadamente, o incentivo há pequenos comerciantes e a
formação nas áreas fulcrais aos negócios que se pretendem desenvolver. O estudo de apenas
um caso prático, da Microcrédito Mafarranga, é insuficiente para que possa se concluir que
este modelo de microcrédito é um factor de sucesso em Moçambique.
4.CRONOGRAMA

Fase Maio 2021 Junho 2021 Julho 2021


1. Conclusão da revisão da
literatura, elaboração do
plano de trabalho e
elaboração dos instrumentos
de pesquisa
2. Trabalho de campo
3. Análise dos dados e
elaboração do relatório
4.1. ORÇAMENTO
O orçamento para execução das actividades previstas é apresentado na tabela abaixo:

Tabela 1: Orçamento para realização da pesquisa

PreçoUnitário Preço total


Itens Unidade Quantidade
(MZM) (MZM)
PERDIENS        
Perdiens de campo Dias  15 800,00  12.000,00 
Perdiens de digitação Dias 7 500,00 3.500,00 
Subtotal       15.500,00
CONSUMÍVEIS        
Canetas Caixa 1 250,00 250,00
Folhas A4 Caixa 1 250,00 250,00
Arquivos morto Unidade 4 75,00 300,00
Arquivo Bantex Unidade 4 100,00 400,00
Toner Unidade 1 2000,00 2000,00
Lápis Caixa 1 250,00 250,00
Borracha Caixa 1 250,00 250,00
Afiador Unidade 5 50,00 250,00
Agrafador Unidade 2 250,00 500,00
Bloco de Notas Unidade 10 50,00 500,00
Subtotal       4.950,00
EQUIPAMENTO        
Aquisição de PenDrive Unidade 7 500,00 3.500,00
Subtotal       3.500,00
COMUNICAÇÃO      
Recargas de telefone  De 200 3 600, 00 1.800,00
Subtotal       1.800,00
Total Geral 25.750,00

5.Referencias Bibliográfica

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em Moçambique, Caso de Estudo: O Programa das Microfinanças da Africa Works.
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Completa na Conservatória do Registo Civil: Caso da Cidade da Matola, 2008- 2009.
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