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Compostar Dentro de

Casa

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A Tutisfore
Em latim, Tutis significa ‘proteger’ e Fore significa ‘futuro’. A Tutisfore, é um projeto de Sensibilização Ambiental e
Conservação da Natureza, pelo amor e admiração pela natureza, com toda a sua força e fragilidade, e porque a
responsabilidade de a proteger e conservar cabe a todos nós.

As crianças são o futuro, mas o futuro em que elas viverão depende de nós, aqui e agora. São as nossas pequenas
ações, todas elas, que têm o impacte necessário para mudar o mundo, e moldar o futuro.

Com ações para miúdos e graúdos, quero apaixonar o público pelos detalhes subtis e intrincados do mundo natural
e despertar em cada um o espírito protetor sobre esta que é a nossa verdadeira casa.

Os workshops abordam diferentes temas, mas todos têm valores ecológicos, de sustentabilidade e exploração
consciente dos recursos naturais. Os passeios são momentos de descontração, companheirismo, troca de estórias e
aprendizagens, em comunhão com a natureza e com o grupo. Acredito que Portugal pode ser um destino turístico
de eleição quando valorizamos a nossa cultura e respeitamos o nosso património natural.

Quero que a Tutisfore seja um recurso para quem procura experiências únicas, inesquecíveis e enriquecedoras.
Aprender de fora divertida, para adultos e crianças, é a essência da minha motivação. Tenho o objetivo claro de criar
felicidade e partilhar conhecimento.

Adoro o que faço e procuro que as experiências vividas com a Tutisfore sejam enriquecedoras e divertidas, para os
meus clientes, e para quem trabalha comigo. Na Tutisfore privilegio a ligação e o contacto direto com a natureza,
assim como a personalização dos serviços.

A cara por trás? O meu nome é Maria Campelo, sou bióloga, formada pela Faculdade de Ciências da Universidade de
Lisboa, com licenciatura em Biologia e mestrado em Ecologia e Gestão Ambiental. Tenho também um certificado de
formadora. Adoro fotografia, portas, ler, jogos de vídeo, bordar e sci-fi.

Juntos caminhamos com a natureza para proteger o futuro!


Compostar dentro de casa
Introdução
Estima-se que em 2056 sejamos, aproximadamente, 10 mil milhões, com 65.2% população a viver em cidades. Ou seja,
com um estilo de vida acelerado, híper prático, e que gera muito desperdício e lixo.

A excessiva exploração e poluição do planeta, já teve graves consequências. A questão que se coloca agora é: como
podemos não agravar a situação e garantir que as futuras gerações viverão de forma mais sustentável.

Segundo a Eurostat, entre 1995 e 2017, a quantidade de lixo municipal da EU-28 que foi compostado aumentou em
195%. Estes valores são bastante positivos, mas são uma média, uma estatística e a maioria dos países ainda têm um
longo caminho a percorrer.

Segundo o relatório de 2019 da Agência Portuguesa do Ambiente (APA)A quantidade de resíduos urbanos (RU)
produzidos em Portugal continental diminuiu de 2010 para 2013, mas daí até 2018 voltou a aumentar atingindo nesse
ano mais de 4 8000 000 t, com 1,38 Kg de lixo por pessoa todos os dias. Destas 1 034 318,369 t são de resíduos urbanos
biológicos (RUB), ou seja, resíduos que poderiam ser compostados mas foram para a aterro.

Anualmente, em Lisboa cada pessoa:


● Produz 400 - 500 kg de resíduos indiferenciados
● dos quais, ± 240 kg (± 50%) são resíduos orgânicos compostáveis

Reciclar é um ótimo sítio onde começar, mas um péssimo sítio onde terminar

“Away has gone away”


William McDonough

Pensar globalmente, agir localmente


Conceito
O solo é em média formado por: ● 45 %minerais: areia e argila ● 25% água
● 25% ar ● 5% matéria orgânica

Esta matéria orgânica é composta por: ● Plantas, animais e outros organismos, mortos e em decomposição
● Raízes, bactérias, fungos e animais decompositores

O solo é um elemento vivo, dinâmico e em constante mudança.

Ciclo da matéria orgânica na natureza: A natureza não produz lixo. Quando uma folha cai, uma planta ou animal
morrem, bactérias, fungos, e animais, alimentam-se deles, assim como de excrementos. São os organismos
decompositores. (Sem esquecer os necrófagos – animais que comem apenas outros animais mortos. São
extremamente importantes no “sistema imunitário” dos ecossistemas”. Esta matéria orgânica consumida
transforma-se em húmus. O húmus por sua vez é alimento de variadas plantas e animais.

Com a compostagem doméstica, simulamos este processo. O produto final chama-se composto, e não húmus.

Definição de compostagem: processo natural de decomposição biológica de resíduos orgânicos, do qual resulta um
produto (composto) usado como adubo.

Ciclo da matéria orgânica na compostagem: Usualmente, fabricamos adubos com substâncias tóxicas para
fertilizar a terra onde produzimos o nosso alimento. Depois deitamos os restos das refeições no lixo. Este é um
processo linear com princípio e fim. Exige a constante produção de novo adubo a partir do zero. Se, em vez de deitar
para o lixo, compostarmos os restos da preparação das refeições, obtemos adubo orgânico extremamente rico em
nutrientes e sem tóxicos, com o qual produzir novo alimento, que será por sua vez novo adubo.

Tipos
Pequeno
● Interior: opção de vermicompostagem ou compostagem microbiana
● sim: apenas comida de origem vegetal
● não: restos de origem animal, óleos/gorduras, plantas doentes ou ervas daninhas com
sementes ou raízes

Médio
● quintal
● sim: aceitam mais produtos: restos do quintal, jardim
● não: produtos de origem animal, óleos/gorduras

Grande
● programas de compostagem em “quintas de compostagem”.
● sim: todo o tipo de comida, mesmo de origem animal, óleos, etc.
● não: plástico, metal, vidro, borracha, etc.
Vantagens
Vantagens de usar composto
Material rico em nutrientes:
● Desenvolvimento de plantas ● Hortas, jardins, paisagens
● Estimula crescimento das raízes → solos menos afetados pela erosão
● Melhora características do solo, enriquece-o. Ideal para melhorar solo argiloso e arenoso
● Aumenta os nutrientes no solo → menos necessidade de utilizar fertilizantes químicos

Atua como esponja: retém água e nutrientes

Têm microrganismos e fungicidas naturais

Mantém a temperatura e a acidez do solo estáveis

Vantagens de compostar
Em casa: menos sacos do lixo e fertilizantes para plantas e inseticidas → menos € gasto

Jardins: menos € em pesticidas, herbicidas, fertilizantes e água

Cidade: menos lixo produzido ● menos lixo em contentores e aterros → mais espaço
● menos pick-ups → menos € gasto → mais € para outros projetos
● ≈ 50% do lixo doméstico

Planeta: Abranda as Alterações Climáticas → diminui as emissões de dióxido de carbono - CO2 - metano - CH4 - e óxido
nitroso - N2O. Quando os RUB se decompõem em pilhas de compostagem, há oxigénio (O 2) disponível para as reações
químicas e transformam-se em composto. Quando se decompõem em aterros não há O 2 disponível, as reações que
ocorrem são outras e há formação e libertação de milhares de toneladas destes gases com efeito de estufa.

Como funciona a compostagem


Dos restos alimentares, obtemos adubo sólido, e adubo líquido, também chamado chá de composto.

Organismos
São eles que comem / decompõem os restos. Sem eles, estes apodreceriam. Na vermicompostagem os principais são
as minhocas, na compostagem microbiana são bactérias. Mas é normal aparecerem outros, como ácaros vermelhos
e brancos e pequenas larvas de moscas-do-vinagre (como as da fruta).

Existem mais de 8.000 espécies de minhocas. Na vermicompostagem utilizam-se:


● Clima frio – Dendrobaenas spp.
● Clima temperado – Eisenia fetida – minhocas californianas ou vermelhas da Califórnia
● Clima tropical – Eudrilus euginae

As minhocas californianas:
● Apesar do nome, esta espécie é autóctone da Europa
● Têm alta capacidade para digerir diferentes tipos de matéria orgânica (vegetal)
● Consomem maiores quantidades de alimento no mesmo período de tempo
● Toleram maiores intervalos de temperatura do que as espécies usadas noutros climas
● Têm elevada taxa de reprodução
● Atingem a maturidade sexual mais cedo
● Resistem melhor ao manuseamento
● Resistem melhor ao remexer da pilha de compostagem

Água
Os alimentos podem conter até 80% de humidade.

Se necessário pode acrescentar água, mas penas na zona que está seca!
● Máximo ¼ do volume de alimentos colocados nesse dia
● De preferência água de lavar os vegetais. Exceto se têm químicos de limpeza, proteção, preservação, etc.

Quando necessária melhora o funcionamento do compostor – mantém o nível certo de humidade e facilita o fluxo
descida de água <-> subida de ar

Com água a mais, as minhocas fogem para tampa com medo de se afogarem e podem surgir fungos (bolor).

Oxigénio
Todo o processo é aeróbio (usa oxigénio) e os organismos presentes respiram oxigénio, por isso, é muito importante.
O compostor tem que ter respiradores. Deve evitar a compactação da pilha de compostagem, para o ar circular.

Matéria Castanha
É a principal fonte de carbono. É o alimento lento.
Faz com que não haja odores → afasta os insetos.

Matéria verde
É a principal fonte de Azoto. É o alimento principal. Sempre que juntar matéria verde, cobra-a com matéria castanha.
Maior diversidade de alimentos → maior diversidade de nutrientes → melhor a qualidade do composto.

Fatores influenciadores
Organismos Humidade
● Minhocas ● Equilíbrio água <-> ar
● Bactérias ● Muita água: afogam-se. Fogem para a tampa
● Ácaros vermelhos/brancos ● Pouca água: secam. Fogem para o tabuleiro do chá
● Larvas de mosca-do-vinagre

Arejamento Temperatura
● Presença de oxigénio ● Ótima ± 20°C. Funciona entre 10°C e 30°C. Mal nos extremos
● Para o metabolismo dos organismos ● Temp. afastadas dos extremos podem matar as minhocas
● Ausência de oxigénio gera odores ● No exterior: proteger do frio no inverno e do sol no verão
Preparar e usar o compostor
O primeiro tabuleiro é o ‘coletor de líquido’. Os próximos são tabuleiros de trabalho e são furados no fundo. O coletor
de líquido deve ter uma ‘ilha’, para as minhocas voltarem ao tabuleiro de trabalho.

Camadas: ● Matéria castanha SEMPRE que colocamos matéria verde


● Matéria verde tapar com matéria castanha
● Minhocas
● Cama de compostagem*
● Cartão* *só é preciso colocar num compostor “virgem”

Quando o primeiro tabuleiro está cheio até aos apoios do próximo tabuleiro, coloqueo segundo, que inicia com
matéria verde. Passa a ser este o tabuleiro de trabalho. Como é furado por baixo, as minhocas sobem naturalmente,
para onde têm comida.

O tabuleiro que ficou por baixo fica a repousar por um ou dois meses no caso da vermicompostagem e dois a quatro
meses no caso da compostagem microbiana.

O compostor deve ficar num local de fácil acesso, já que deve ‘olhar por ele’ com frequência. Adicione os restos
alimentares em quadrícula, ou faixas, dependendo do tamanho, começando num canto.

O que colocar, ou não!


O que pode colocar
Matéria verde Matéria castanha
● Vegetais, fruta e cascas ● Caixas de ovos e cartão limpas ● Serradura
● Fruta passada ● Rolos de papel higiénico / cozinha ● Papel limpo rasgado
● Batatas, arroz, massa e legumes cozidos ● Pratos de papel limpos ● Jornal rasgado
● Restos de cereais
● Pão
● Sementes Ok, mas muito pouco!
● Relva cortada, restos do jardim/ horta ● Restos de plantas e folhas secas *
● Borras de café ● Cascas de cebolas e alhos *
● Cascas de ovos lavadas ● Cascas de citrinos

O que não pode colocar


● Ervas daninhas com sementes ou raízes ● Dejetos, papel higiénico, fraldas ● Conteúdo do aspirador
● Plantas com doenças ou insetos ● Restos animais ● Vidro, metal, plásticos
● Manteiga de amendoim ● Pelos / cabelos ● Borrachas
● Gordura, óleos ● Lacticínios ● Tecidos
● Cinzas
● Terra

* Na vermicompostagem. Na compostagem microbiana pode juntar à vontade. Contam como matéria castanha. Tem
mesmo de acrescentar folhas secas e terra à compostagem microbiana, elas tê muitas das bactérias necessárias.
Principais problemas e soluções
Problema Causa Solução
Processo lento Muita matéria castanha Adicionar matéria verde
Pedaços grandes demais Cortar em pedaços menores
Pouco oxigénio Remexer mais o conteúdo

Mau cheiro Excesso de humidade Remexer mais o conteúdo


Proteger da chuva/ humidade
Muita matéria verde Diminuir o conteúdo
Adicionar matéria castanha
Compactado / pouco oxigénio Remexer ou diminuir o conteúdo
Restos de origem animal e gorduras Remexer os elementos e buffer à volta
e cobrir com matéria castanha

Temperatura Pouca humidade Adicionar água


baixa Pouco oxigénio Remexer o conteúdo
Pouco nitrogénio Adicionar matéria verde
Clima frio Aumentar o conteúdo
Isolar o compostor

Temperatura Pilha muito grande Diminuir o conteúdo


alta Pouco oxigénio Revirar o conteúdo
Sol direto Colocar o compostor à sombra

Pragas Moscas a rondar o compostor Tapar melhor os restos


Moscas do vinagre (como fruta) Indicam resíduos a mais
Formigas: sistema muito ácido Juntar mais cascas de ovos
sistema muito seco Juntar mais água

Bolor Pilha muito grande Retirar bolor e conteúdo


Água a mais Retirar bolor, revolver a pilha

Estes problemas podem levar as minhocas a acumularem-se no tabuleiro debaixo (composto a estabilizar). Levados
ao extremo, podem matar as minhocas!

Tempos de compostagem
Quanto mais pequenos os resíduos, mais facilmente e melhor os organismos os decompões. Quanto mais o controlar,
mais rápido o processo. O volume do conteúdo diminui naturalmente. Quando o composto está pronto, é solto,
escuro, cheira a terra e ao esfregar nas mãos, não suja. A qualidade aumenta com a vermicompostagem. Fica mais
arejado e com maior disponibilidade de nutrientes.

Na vermicompostagem: Na compostagem microbiana:


● Estabilizado em 1 mês ● Estabilizado em 2 meses → Pode ser usado
● Curado em 2 meses ● Curado em 4 meses → No potencial máximo
Retirar o composto
Opção 1: Colocar o tabuleiro de repouso acima do de trabalho e deixá-lo destapado, à luz, 5 min. Com uma pazinha
retirar uma camada fina de composto até reencontrar minhocas. Deixar mais 5 minutos à luz e repetir o
processo até ter retirado todo o composto. Este tabuleiro é o próximo tabuleiro de trabalho.

Opção 2: Com uma pazinha, e com cuidado, puxar o composto para um dos lados do tabuleiro. Isto abre um espaço
vazio no tabuleiro que podemos a usar para juntar mais matéria orgânica. O composto empilhado na
lateral continua a maturar mais algum tempo. As minhocas migram daí para o lado onde têm mais comida.

Como e onde aplicar


No solo, como estabilizador orgânico, melhora as características do solo. Bom para solos argilosos, arenosos, ou
pobres em matéria orgânica.

No caso de solos muito argilosos ou compactos: 1/3 terra, 1/3 areia e 1/3 composto. Promove a descompactação e
facilitar o arejamento do solo.

Jardins, hortas, pomares: 5 a 6 kg de composto por m2

Vasos e sementeiras: 1 parte composto / 3 partes terra

Idealmente depois de peneirado: ● O mais fino, usar como adubo


● O mais grosso, usar para outra compostagem

O composto é sempre colocado por cima da terra, para que com a rega os nutrientes desçam gradualmente e as
plantas tirem dele o máximo proveito. Se for colocado por baixo da terra, ao regar lavamos os nutrientes.

Adubo líquido: para rega, SEMPRE diluído. Mínimo: 1 parte adubo / 10 partes água.

Mãos à obra!

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