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CONVENÇÃO DE SINGAPURA: UM NOVO PASSO EM DIREÇÃO AS

SOLUÇÕES PACÍFICAS DE CONFLITOS

RESUMO

O presente trabalho visa esclarecer de forma rápida e sucinta o impacto da


Convenção de Singapura para as relações econômicas internacionais da sociedade
Brasileira. Assim, trazendo à tona uma breve introdução para esclarecer o qual é a
intenção da Convenção de Singapura, seguida de um breve aprofundamento que resume
o momento de adesão a referida convenção, tal como dispondo sobre as repercussões na
sociedade brasileira a fim de demonstrar o renovo trazido pela Convenção.

Palavras-Chave: Convenção de Singapura; Mediação; Direito Internacional;


Direito Interno; Conflitos; Mediação empresarial.

1. INTRODUÇÃO

Assinada no dia 04 de junho de 2021, em meio a pandemia do novo Coronavírus,


a Convenção das Nações Unidas sobre Acordos Comerciais Internacionais resultantes de
Mediação trouxe um novo olhar para a resolução de conflitos por meio da técnica de
Mediação.

Tendo em vista que majoritariamente a população do Brasil expõe seus conflitos


à resolução da máquina judiciária, a reafirmação da importância da resolução pacífica de
conflitos coloca um refletor neste método amigável, não somente nas relações internas,
mas também nas de âmbito internacional.

Cumpre salientar que ainda que Mediação de Conflitos já esteja prevista no direito
interno, o Brasil recebe sua primeira referencia internacional com a referida Convenção.
Em linhas gerais, a Convenção define uma nova via disponível para resolução de
problemas internacionais sem estar dependente do poder judiciário, tal qual permite maior
liberdade para relações econômicas, através da facilitação na execução de acordos
internacionais.

Ainda que já assinado, para que a referida Convenção se torne parte do


ordenamento jurídico brasileiro é preciso que ocorra a ratificação da mesma por meio da
aprovação pelo Congresso Nacional e elaboração do Decreto Legislativo, tal como
concluindo pela ratificação e promulgação do Presidente da República em um Decreto
Presidencial e publicação, conforme previsão nos artigos 49, inciso I c/c artigo 84, inciso
VIII ambos da Constituição Federal de 1988.

2. MOMENTO DE ADESÃO À CONVENÇÃO DE SINGAPURA

Em um momento de renovação mundial trazida por um vírus avassalador que


virou de ponta a cabeça as relações globais, a Convenção de Singapura na Mediação se
mostrou como a melhor carta a ser apresentada no jogo das relações internacionais.

O mundo se estreitou ainda mais, as relações econômicas precisaram se adaptar à


uma nova forma de transacionar de modo que tudo tenha que ser feito de modo rápido e
seguro pois em grande parte dos acordos vidas estão em jogo. Consequentemente levar
as disputas de razões para o judiciário não se mostrou plausível, uma vez que este é
reconhecidamente lento e cansativo.

É neste meio que surge a necessidade de transferir as relações conflituosas à um


terceiro mediador que conduzirá as partes a solucionarem o conflito de modo pacífico e
rápido, deixando mais atraente às empresas que fogem do prejuízo.

Antes da assinatura de tais termos, o Brasil se condicionava a não execução


imediata dos acordos internacionais firmados por meio da mediação de conflitos, o que
traduzia em imensos prejuízos para a parte que cumprira o acordo. É evidente que tal
receio tornava a mediação de conflitos uma hipótese descartada, uma vez que o caminho
mais rápido era indicado pela arbitragem.

Em verdade, a Convenção permitiu que diante do não cumprimento de acordos


internacionais firmados por meio da mediação, a parte lesada possa solicitar a liquidação
em seu respectivo país seguindo um procedimento mais simples e eficaz dentro do poder
judiciário. Com isto, o texto traz a possibilidade de facilitação do comércio internacional
pois permite mais abertura para acordos mais vantajosos obtidos de modo pacífico e
consensual através da Mediação de conflitos.

No que tange a Constituição federal, ocorre que o Artigo 4º, inciso II define que
um dos princípios contidos nas relações internacionais é a solução pacífica de conflitos.
Deste modo, servindo como origem fundamental para a assinatura da referida Convenção
a constituição norteia as bases para uma nova estrutura construída nos moldes da
mediação.

Utilizando-se da previsão existente no Artigo 784 do Código de Processo Civil, o


Brasil já dispõe da autonomia de reconhecer títulos executivos extrajudiciais
internacionais, não existindo qualquer necessidade de homologação judicial. Entretanto,
a novidade trazida pela convenção se dá com a obrigatoriedade do reconhecimento dos
acordos realizados através da mediação internacional, onde diante de um descumprimento
do acordado, a parte lesada poderá buscar executar o pacto em seu próprio país.

3. REPERCUSSÕES NA SOCIEDADE BRASILEIRA

Com a desburocratização, a mediação privada se engrandece no âmbito de


relações internacionais, tendo em vista que países como os EUA, China e outros também
são signatários, abrindo as portas para novas relações comerciais entre o Brasil e os
mencionados países.

Com efeito, a Convenção incide também na criação de novos empregos para a


Mediação Privada e faz com que a profissão se torne mais valorizada e mais estudada,
não somente no âmbito internacional, mas também expandindo o conceito de solução
pacífica de conflitos nas universidades.

A mentalidade conflituosa de ódio e busca por vingança através do judiciário terá


a tendencia de se esvair na presença de uma nova conscientização através da solução
pacífica de conflitos, tal como a utilização da Mediação, que servirá como fonte de
autonomia para as partes solucionarem o conflito por si e não mais na presença de um
terceiro detentor da razão, como se faz também na arbitragem.

É certo que a mediação internacional traz para o cenário econômico brasileiro um


relevante incentivo para as relações comerciais para o Brasil, com o reconhecimento da
autonomia dos acordos e assim, valorizando a mediação privada, a Convenção de
Singapura ressalta a importância da resolução pacífica de conflitos.

4. CONCLUSÃO

Em virtude de todas considerações aqui expostas, a Convenção de Singapura se


traduz como um marco de liberdade e confiança nas relações internacionais, trazendo
poder de vinculação entre os envolvidos no acordo firmado durante a mediação
internacional.

Deste modo torna-se referencia para desbravamento de novos campos econômicos


em nível mundial, conferindo maior liberdade para a convenção de acordos de modo
pacífico e extrajudicial nas relações internacionais, e, portanto, abrindo uma nova via com
amplitude para firmação de contratos que poderão renovar o sistema econômico do país.

5. REFERÊNCIAS

2018 Convenção de Singapura sobre Mediação: Execu. Arbitragem


Internacional, Brasil, p. 1-1, 1 jan. 2021. Disponível em: https://www.international-
arbitration-attorney.com/pt/2018-singapore-convention-on-mediation/. Acesso em: 8 jul.
2021.

A CONVENÇÃO de Singapura, entrará em vigor no dia 12 de setembro


2020. ICFML, [s. l.], 11 ago. 2020. Disponível em: https://icfml.org/noticias/a-
convencao-de-singapura-entrara-em-vigor-no-dia-12-de-setembro-2020/. Acesso em: 14
jul. 2021.

WHAT is the Singapore Convention on Mediation?. Singapore Convention, [s.


l.], p. 1-1, 7 ago. 2019. Disponível em:
https://www.singaporeconvention.org/convention/the-convention-text/. Acesso em: 14
jul. 2021.