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HIDRÁULICA E PNEUMÁTICA

Unidade 3 - Equipamentos de
produção de ar comprimido

GINEAD
Hidráulica e Pneumática

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Apresentação
Nesta aula serão apresentados os equipamentos de produção de ar comprimido,
a rede de distribuição de ar, a lubrificação dos equipamentos e as características
dos lubrificantes. Para que o ar possa ser usado como fonte de energia, ele precisa
passar por várias etapas até estar pronto para a distribuição e o consumo.

Já foi comentado em outras aulas que o ar precisa estar o mais limpo e seco
possível para que as impurezas e a umidade não danifiquem o sistema e os
equipamentos pneumáticos que utilizarão o ar comprimido como fonte de energia.

1.1 Equipamentos de produção de ar


comprimido
A produção do ar comprimido tem início num processo de compressão exercido pelo
equipamento chamado compressor. Após passar pela compressão, o ar precisa ser
tratado para chegar à rede de distribuição. Ele deve estar seco e limpo.

1.1.1 Umidade
O ar atmosférico é composto por diversos gases, especialmente o oxigênio e o
nitrogênio. Além dos gases contém alguns contaminantes como água, óleo e poeira.
A poeira, que é abrasiva, e o óleo queimado são responsáveis pela presença de
manchas nos produtos.

O processo da compressão altera a temperatura e a pressão do ar através da


geração de calor, além de transferir resíduos de óleo lubrificante. A umidade do ar é
apresentada em forma de vapor d’água. Quando a temperatura está muito elevada,

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o vapor d’água, por estar em sua forma gasosa, não prejudica o ar. Porém, com
o resfriamento do ar, este vapor condensa-se em gotículas de água, causando
alguns problemas no sistema pneumático, como oxidação da tubulação, arraste de
partículas, aumento do índice de manutenção e a presenças de golpes de aríete1
na tubulação e nas superfícies adjacentes.

Por estas razões é muito importante que grande parte da umidade e do óleo sejam
removidos do ar para evitar que todo o sistema seja prejudicado.

Curiosidade
1
Golpes de Aríete = é o choque violento nas paredes de uma
tubulação quando há mudança brusca no movimento do líquido,
como, por exemplo, quando um registro é fechado.

1.1.2 Secador
O principal equipamento responsável por reduzir a umidade do ar é o secador.
Existem, basicamente, três processos de secagem: Secagem por refrigeração, por
absorção e por adsorção.

1.1.2.1 Secagem por refrigeração


A secagem do ar por refrigeração é um sistema que baseia-se em submeter o ar a
temperaturas baixas, removendo a maior parte da umidade. Essa remoção provoca
uma mistura da água com o óleo lubrificante no compartimento de resfriamento,
ajudando assim na remoção de mais umidade.

1.1.2.2 Secagem por absorção


Este sistema promove a absorção da umidade por um produto líquido ou sólido
higroscópico2. O ar é conduzido através deste leito e a umidade é absorvida pelo
produto. Este processo também é conhecido como processo químico de secagem.

Curiosidade
2
Higroscópico = uma substância higroscópica possui a
característica de absorver água do ambiente.

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O resíduo fica depositado no fundo do tanque que, posteriormente, é drenado. Os
principais produtos utilizados como leito higroscópico são: Cloreto de cálcio, cloreto
de lítio e Dry-O-Lite. Como o produto acaba desgastando-se, é necessária sua
reposição de tempos em tempos.

1.1.2.3 Secagem por adsorção


É a fixação das moléculas de um adsorvato na superfície de um adsorvente
geralmente poroso e granulado, ou seja, é o processo de depositar moléculas de
uma substância (ex. água) na superfície de outra substância, geralmente sólida
(ex.SiO2). Este método também é conhecido por processo físico de secagem, o
processo de adsorção é regenerativo; a substância adsorvente, após estar saturada
de umidade, permite a liberação de água quando submetida a um aquecimento
regenerativo.

A figura 3.1 mostra os três tipos de secagem aqui apresentadas.

Figura 3: Tipos de secagem

Fonte: Adaptado de Dorneles e Mudge (2008. p.18-19)

O ar passa também por alguns filtros antes de chegar ao secador e depois de passar
pelo mesmo. O ar limpo e seco está pronto para ser distribuído.

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1.2 Rede de distribuição de ar
comprimido
O uso de um compressor para cada ponto de uso de ar comprimido só é viável em
usos muito específicos. De uma maneira geral, é utilizado um compressor e o ar
é distribuído para os pontos de utilização. A rede de distribuição compreende as
tubulações que saem do reservatório, passa pelo secador e vai até os pontos finais
de utilização. A rede possui duas funções básicas, que são:

• Comunicar a fonte produtora com os equipamentos consumidores;


• Funcionar como um reservatório para atender às exigências locais.

Um bom sistema de distribuição deve levar em consideração alguns aspectos


importantes, como: localização do compressor, ter o mínimo possível de perda de
carga (perda de pressão), entregar um ar limpo e seco e não apresentar escape de
ar.

O layout da rede deve ser projetado para minimizar a perda de carga e para localizar
tanto os pontos de distribuição quanto os equipamentos do sistema. Quanto ao
formato da rede, esta pode ser do tipo fechada (anel ou ramificada) ou aberta.
Geralmente, a rede é um circuito fechado ligando a rede principal aos pontos de
utilização. A rede do tipo anel fechado proporciona uma melhor distribuição do ar,
facilita a manutenção. Por outro lado, dificulta a separação da umidade pois o fluxo
não tem uma direção específica.

1.2.1 Tubulação
Ao projetar a tubulação que fará parte da rede algumas observações, é importante
ter em mente que:

• As curvas devem ser feitas com o maior raio possível para evitar perda de carga;
• As tubulações devem possuir uma determinada inclinação no sentido do fluxo inte-
rior, pois, enquanto a temperatura de tubulação for maior que a temperatura de saída
do ar após os secadores, este sairá praticamente seco; se a temperatura da tubula-
ção baixar, haverá, embora raramente, precipitação de água;
• Devem ser instalados drenos (purgadores) ao longo da tubulação para retirar a umi-
dade remanescente. Esses drenos devem ser instalados nos locais mais baixos da
tubulação, fim de linha e elevação de linha;

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• Devem ser instaladas válvulas de fechamento de linha para permitir a manutenção
de trechos da tubulação sem precisar parar toda a linha;
• Os tubos podem ser fabricados de diversos materiais como: Cobre, latão, aço preto
ou galvanizado, plástico (polietileno, nylon);
• As ligações entre os tubos devem ter uma perfeita vedação para evitar o escape de
ar. Elas podem ser roscadas, soldadas, flangeadas, etc.

1.2.2 Unidade de Condicionamento


A unidade condicionadora é utilizada para garantir a melhor qualidade do ar. Do
sistema mais simples ao mais complexo, esta unidade é indispensável. Ela é
composta de filtragem, regulagem da pressão e introdução de certa quantidade
de óleo para a lubrificação de todas as partes mecânicas dos componentes
pneumáticos.

Uma duração prolongada e funcionamento regular de qualquer componente em


um circuito dependem, antes de mais nada, do grau de filtragem, da isenção
de umidade, da estabilidade da pressão de alimentação do equipamento e da
lubrificação das partes móveis.

A filtragem é realizada através de filtros que livra o ar das impurezas e da água


condensada. Desde a saída do ar até o ponto de utilização, a pressão oscila tanto
para mais como para menos. Para minimizar estas oscilações, é utilizada a válvula
reguladora de pressão que tem como funções principais:

• Compensar automaticamente o volume de ar requerido pelos equipamentos pneu-


máticos;
• Manter constante a pressão de trabalho (pressão secundária), independente das flu-
tuações da pressão na entrada (pressão primária) quando acima do valor regulado.
• Funcionar como uma válvula de segurança (não deixar a pressão subir mais que a
pressão máxima que o sistema suporta).

1.2.2 Unidade de Condicionamento


A unidade condicionadora é utilizada para garantir a melhor qualidade do ar. Do
sistema mais simples ao mais complexo, esta unidade é indispensável. Ela é
composta de filtragem, regulagem da pressão e introdução de certa quantidade
de óleo para a lubrificação de todas as partes mecânicas dos componentes
pneumáticos.

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Uma duração prolongada e funcionamento regular de qualquer componente em
um circuito dependem, antes de mais nada, do grau de filtragem, da isenção
de umidade, da estabilidade da pressão de alimentação do equipamento e da
lubrificação das partes móveis.

A filtragem é realizada através de filtros que livra o ar das impurezas e da água


condensada. Desde a saída do ar até o ponto de utilização, a pressão oscila tanto
para mais como para menos. Para minimizar estas oscilações, é utilizada a válvula
reguladora de pressão que tem como funções principais:

• Compensar automaticamente o volume de ar requerido pelos equipamentos pneu-


máticos;
• Manter constante a pressão de trabalho (pressão secundária), independente das flu-
tuações da pressão na entrada (pressão primária) quando acima do valor regulado.
• Funcionar como uma válvula de segurança (não deixar a pressão subir mais que a
pressão máxima que o sistema suporta).

1.3 Lubrificação e lubrificantes


As partes móveis dos sistemas pneumáticos e seus componentes estão sujeitas a
desgastes e, caso não tenha alguns cuidados, a consequente inutilização.

A lubrificação reduz o atrito entre as partes, além de proteger os componentes contra


a corrosão. O óleo lubrificante deve ser diluído no ar de forma que não se depositem
nas paredes das linhas.

O equipamento utilizado para este processo é o lubrificador, que funciona através


do princípio de “venturi”. Este, por uma diferença de pressão, provoca a sua
pulverização. O aparelho lubrificador só entra em funcionamento quando há um fluxo
de ar suficiente para provocar a depressão que suga o lubrificante do reservatório.

1.3.1 Óleo lubrificante


O óleo deve ter uma excelente estabilidade térmica e oxidação para evitar a
formação de lodo, controlar os depósitos e minimizar a degradação do óleo, levando
a uma operação confiável. Deve possuir excelente capacidade de separação de
água e resistir à formação de emulsão, facilitando a remoção do excesso de água do
sistema de lubrificação.

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Inibidores eficazes de ferrugem e corrosão fornecem proteção a longo prazo aos
componentes críticos do sistema, e boas propriedades de liberação de ar e controle
de espuma evitam operações erráticas, resultando em operações sem problemas.
Os óleos comerciais recomendados para lubrificar sistemas pneumáticos são:
Castrol - Hyspin AWS-32; Esso - Turbine Oil-32 / Spinesso-22; Lubrax - HR 68
EP / Ind CL 45 Of; Mobil Oil - DTE-24; Shell - Tellus C-10; Texaco - Kock Tex-100;
Valvoline - R-60.

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Fechamento
Nesta aula vimos como o ar deve ser tratado até chegar ao ponto de utilização.
Foi visto também como deve ser feita a distribuição do ar e quais os cuidados que
devem ser tomados durante o projeto da tubulação. Outro assunto abordado foi a
importância da lubrificação no sistema pneumático, bem como a qualidade do óleo e
os tipos comerciais de óleos indicados para os sistemas pneumáticos.

Saiba mais
O artigo do link apresenta um problema que existe não só no Brasil,
mas em todo o mundo, que é a preocupação em o que fazer com o óleo
lubrificante usado. O artigo fala do re-refino e da logística reversa. Vale
a pena conferir! Disponível em: http://sustenere.co/index.php/rica/
article/view/SPC2179-6858.2017.002.0018.

Palavras-chave

Rede de distribuição, secagem de ar, lubrificação.

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Referências
DORNELES, V.; MUDGE, T. Pneumática Básica. São Paulo: SENAI-CETEMP,
2008.

FESTO DIDACTIC. Introdução à pneumática. S.L.: Festo Didactic, 1999.

FIALHO, A. B. Automação hidráulica: projetos, dimensionamento e análise de


circuitos. 5. ed. São Paulo: Érica, 2010.

TECNOLOGIA PNEUMÁTICA INDUSTRIAL. Parker Training, 2005.

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