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Aluno: Marcos Vinicius Pereira Verly

Matrícula: 1803230020

Curso: Administração

Disciplina: Fundamentos da Sociologia

A SOCIOLOGIA NA PANDEMIA COM BASE NOS FUNDAMENTOS DE


DURKHEIM

Para entendermos a classificação da doença e deste período de pandemia como


um fato social, é necessário compreender um pouco mais dos estudos de Émile
Durkheim. O sociólogo explicita dois tipos de fatos sociais: normal e patológico. Para
ele, fatos sociais normais são aqueles comuns a todos, encontram-se na maior parte dos
seres humanos e apresentam poucas variações e em geral estão presentes durante toda a
vida, já fatos sociais patológicos são acontecimentos extraordinários que não
contribuem para bem da sociedade. Os fatos sociais também nos levam aos tipos de
solidariedade.
Fato social normal é um conceito sociológico que diz respeito às maneiras de
agir dos indivíduos de um determinado grupo e da humanidade em geral.
Segundo Durkheim, os fatos sociais moldam a maneira de agir das pessoas pela
influência que eles exercem sobre elas. Eles são conjuntos de hábitos praticados pelas
pessoas por meio de suas ações que permitem a identificação de uma consciência
coletiva, agindo por trás do ser humano, influenciando as suas ações. Sabe-se que as
regras moldam as bases da convivência humana e criam propostas para que esta possa
desenvolver-se da melhor forma possível, gerando a consciência coletiva, que quando
cumprida, viabiliza a harmonia social.
Fato Social Patológico é aquele que se desenvolve fora da norma. Ele é perigoso
e quando atinge uma dimensão maior pode afetar negativamente a sociedade. O
surgimento do COVID-19 e o confinamento devido à manifestação do virús, por
exemplo, constitui um fato social patológico, pois envolve como a sociedade se coloca
em relação ao momento. Cada país adota suas medidas de acordo com sua política,
cultura e economia e isso afeta diretamente o organismo social onde sociedade viu-se
tomada por um estado de emergência de escala mundial enfrentando uma pandemia que
afetaria todas as esferas sociais; uma coerção geral para todos os seres humanos com
conseqüências graves (morte, hospitalização, crise econômica e financeira, desemprego,
medo e mudanças drásticas de hábitos).
Durante a pandemia observou-se comportamentos diversos que mais uma vez
nos leva a analisar as teorias de Durkheim em vários aspectos: O que mantém uma
sociedade coesa, unida e organicamente solidária? Em sua teoria social o que mantém
uma sociedade organicamente solidária são o entendimento de suas regras e condutas
morais por parte de seus indivíduos. As forças sociais que atuam em cima dos
indivíduos são muitas e entre elas destaca-se a solidariedade provinda da ideia de
cooperação que se baseia na divisão social do trabalho. Essa solidariedade, que pode ser
classificada como orgânica, estaria mais presente nas sociedades atuais, principalmente
por possuir um sistema capitalista que já está no desenvolvimento avançado. Essa
solidariedade exige uma ampla divisão de tarefas de trabalho e funções, o que leva a
uma interdependência entre os indivíduos nos aspectos, político, econômico,
tecnológico e acima de tudo, moral. Neste período, por exemplo, conseguimos perceber
com clareza a dependência geral de outros profissionais que mesmo durante o
isolamento social foram considerados essenciais que não pararam de acontecer. A
economia ficou muito abalada, pois o comercio não conseguiu funcionar como
funcionava antes e por trás existe toda uma rede de dependência em volta dessas
pessoas que tiveram seus empregos afetados, que precisaram trabalhar de home office
ou que simplesmente fecharam seus negócios por insuficiência econômica além do
grande impacto com as mortes que afetaram toda a sociedade desfalcando o organismo
social.
Em tempos de crise as normas sociais podem parecer confusas e fragmentadas
nos levando a questionar e entender que comportamentos anômicos surgem quando o
necessário para um bem comum a todos passa a interferir na realidade dos indivíduos
unitariamente. Pessoas desrespeitando medidas protetivas impostas por órgãos
responsáveis pela saúde e bem estar coletivo é um exemplo de comportamento anômico
registrado com freqüência no ultimo ano.
A conduta do indivíduo foi posta em cheque: a sociedade após meses distanciada
perdeu a socialização do dia a dia, a solidariedade e a cooperação entre os indivíduos
enfraqueceram. Não temos grandes referenciais para que a população consiga de fato
entender qual a maneira certa de se agir para sair desse grande problema. A nossa
relação como sociedade tem revelado inúmeras discordâncias visto que nosso
representante maior tem opinião contrária à ciência no que diz respeito à prevenção e
políticas sanitárias quase que em geral fazendo com que cada um tome as medidas que
acha necessário, mesmo que nem sempre seja a correta. O problema vem desde usar
máscaras que evitam a transmissão do vírus COVID-19 às regras básicas de isolamento
social e estes princípios se alastraram pelo país servindo de exemplo para boa parte
daqueles que foram seus eleitores. Além da demora da compra de vacinas adquiridas
muito a contra gosto e até mesmo fazendo propaganda de medicamentos sem eficácia
comprovada no combate ao vírus.
Já que o governo não proveu meios de ajudar no sustento, a sociedade ficou
dividida entre trabalhar para sustentar a família a fim de pagar suas contas ou ficar em
casa para que não houvesse uma transmissão desenfreada do vírus superlotando as
unidades hospitalares em todo o território nacional, entretanto como não há economia
sem vida, não há retomada do crescimento econômico em meio a tanta instabilidade e se
não houver uma gestão adequada que dê minimamente um conforto ao país, não será
possível administrar a situação atual sem grandes danos. É preciso provar primeiro para
a nossa população e depois ao mundo que nós estamos controlando e contendo a
pandemia em nosso país.
O que o vírus nos revelou é que a disparidade social existente é enorme e
embora todos queiram um Brasil melhor em sua totalidade, infelizmente cada pessoa
tem de lidar com a própria realidade da sua maneira, seja trabalhando ou ficando em
casa por quanto tempo puder. Algumas poucas cidades adotaram de fato o sistema de
“Lockdown” que seria o fechamento total, outras em poucas semanas flexibilizaram e
abriram tantas brechas nos decretos que vendo de fora parecia que nada estava
acontecendo. Com o agravamento e a altíssima taxa de mortalidade nacional, cidades
que aderiram a este sistema e continuam encontrando dificuldades no combate da
doença, pois alegam que há falta de programação e coordenação e que o ideal seria que
tivéssemos uma ação nacional de enfrentamento à pandemia conduzida pelo Ministério
da saúde, liderada pelo presidente da República e que mobilizasse o Sistema Único de
Saúde (SUS) que cobre hoje todo o território nacional.
Se a população não consegue perceber que suas atitudes individuais influenciam
na vida dos outros, ela passa a agir por conta própria e se ela não enxerga o vírus como
uma ameaça real ela não toma mais as medidas para que a doença não se espalhe, a
solidariedade realmente ficará abalada e a coesão enfraquecida. Precisamos estruturar
nosso país para que estejamos preparados para situações como esta ou semelhantes.

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