Você está na página 1de 29

EDIÇÃO 1021/2021

18 DE JUNHO DE 2021
EDIÇÃO 1021/2021

18 DE JUNHO DE 2021

DADOS DO
INFORMATIVO
Secretaria-Geral da Presidência
Pedro Felipe de Oliveira Santos

Gabinete da Presidência
Patrícia Andrade Neves Pertence

Assessoria Especial da Presidência


Gabriel Campos Soares da Fonseca

Diretoria-Geral
Edmundo Veras dos Santos Filho

Secretaria de Altos Estudos, Pesquisas e Gestão da Informação


Alexandre Reis Siqueira Freire

Coordenadoria de Difusão da Informação


Thiago Gontijo Vieira

Equipe Técnica
Jean Francisco Corrêa Minuzzi
Anna Daniela de Araújo M. dos Santos
Diego Oliveira de Andrade Soares
Izabella Christina Carolino de Souza
João de Souza Nascimento Neto
Luiz Carlos Gomes de Freitas Júnior
Mariana Bontempo Bastos
Ricardo Henrique Pontes
Tays Renata Lemos Nogueira

Capa e projeto gráfico


Flávia Carvalho Coelho Arlant

Diagramação
Gabriela Alves Coimbra

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Supremo Tribunal Federal — Biblioteca Ministro Victor Nunes Leal)

Informativo STF [recurso eletrônico] / Supremo Tribunal Federal. N. 1, (1995) - . Brasília : STF, 1995- .
Semanal.
O Informativo STF, periódico semanal do Supremo Tribunal Federal, apresenta, de forma objetiva e concisa, resumos das teses e
conclusões dos principais julgamentos realizados pelos órgãos colegiados – Plenário e Turmas –, em ambiente presencial e virtual.
http://portal.stf.jus.br/textos/verTexto.asp?servico=informativoSTF
ISSN: 2675-8210.
1. Tribunal supremo, jurisprudência, Brasil. 2. Tribunal supremo, periódico, Brasil. I. Brasil. Supremo Tribunal Federal (STF). Secretaria de
Altos Estudos, Pesquisas e Gestão da Informação.
CDDir 340.6

Permite-se a reprodução desta publicação, no todo ou em parte, sem alteração do conteúdo, desde
que citada a fonte.
ISSN: 2675-8210
INFORMATIVO STF. Brasília: Supremo Tribunal Federal, Secretaria de Altos Estudos, Pesquisas e Gestão da
Informação, n. 1021/2021. Disponível em: http://portal.stf.jus.br/textos/verTexto.asp?servico=informativoSTF.
Data de divulgação: 18 de junho de 2021.
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

MINISTRO
LUIZ FUX
Presidente [3.3.2011]

MINISTRA
ROSA MARIA PIRES WEBER
Vice-presidente [19.12.2011]

MINISTRO
MARCO AURÉLIO MENDES DE FARIAS MELLO
Decano [13.6.1990]

MINISTRO
GILMAR FERREIRA MENDES
[20.6.2002]

MINISTRO
ENRIQUE RICARDO LEWANDOWSKI
[16.3.2006]

MINISTRA
CÁRMEN LÚCIA ANTUNES ROCHA
[21.6.2006]

MINISTRO
JOSÉ ANTONIO DIAS TOFFOLI
[23.10.2009]

MINISTRO
LUÍS ROBERTO BARROSO
[26.6.2013]

MINISTRO
LUIZ EDSON FACHIN
[16.6.2015]

MINISTRO
ALEXANDRE DE MORAES
[22.3.2017]

MINISTRO
KASSIO NUNES MARQUES
[5.11.2020]

SUMÁRIO
4
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

INFOGRÁFICO

1 INFORMATIVO

O Informativo STF, periódico semanal de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal


(STF), apresenta, de forma objetiva e concisa, resumos das teses e conclusões dos
Nota
principais julgamentos realizados pelos órgãos colegiados – Plenário e Turmas
–, em ambiente presencial e virtual. A seleção dos processos noticiados leva em
Explicativa
consideração critérios de relevância, novidade e contemporaneidade da temática
objeto de julgamento.

Colegiado
1.1 PLENÁRIO

Ramo do Direito
DIREITO CONSTITUCIONAL – ORGANIZAÇÃO DOS PODERES
Objetivo de
Desenvolvimento
Sustentável
Título do resumo Prerrogativa de foro: defensor público e procurador com o qual
de Estado o processo
se relaciona
AMICUS ÁUDIO
CURIAE DO TEXTO

Tese oficial
TESE FIXADA
Nos termos do artigo 102, I, r, da Constituição Federal (CF) (1), é competência exclusiva
do Supremo Tribunal Federal (STF) processar e julgar, originariamente, todas as ações
ajuizadas contra decisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional
do Ministério Público (CNMP) proferidas no exercício de suas competências constitu-
cionais, respectivamente, previstas nos artigos 103-B, § 4º, e 130-A, § 2º, da CF (2).

RESUMO
Resumo Possui plausibilidade e verossimilhança a alegação de que constituição estadual Notícia do jul-
em síntese não pode atribuir foro por prerrogativa de função a autoridades diversas daque - gamento com
las arroladas na Constituição Federal (CF).
ênfase nas
As normas que estabelecem hipóteses de foro por prerrogativa de função são conclusões e
excepcionais e, como tais, devem ser interpretadas restritivamente (ADI 2.553) (1). nos principais
fundamentos

LEITURAS AUDIÊNCIA AMICUS VÍDEO DO ÁUDIO


EM PAUTA PÚBLICA CURIAE JULGAMENTO DO TEXTO

Estudo bibliográ- Indica Indica Vídeo da sessão Áudio


fico relacionado a realização a participação de julgamento da notícia
ao processo de audiência de “amigos
pública no STF da Corte”

SUMÁRIO
5
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

SUMÁRIO

1 INFORMATIVO

1.1 PLENÁRIO

Direito Administrativo

» Responsabilidade Civil do Estado

• Responsabilidade objetiva do Estado e profissional da imprensa ferido durante


manifestação tumultuosa - RE 1209429/SP (Tema 1.055 RG)

» Servidor Público

• Exercício da advocacia por servidores do Poder Judiciário e do MPU - ADI


5235/DF

Direito Constitucional

» Controle de Constitucionalidade

• Matéria “interna corporis” e controle de constitucionalidade - RE 1297884/


DF (Tema 1120 RG)

» Competência Legislativa

• Competência legislativa: plano de saúde, exames e procedimentos cirúrgicos,


prazo para autorização ou negativa - ADI 6452/ES

• Competência legislativa: plano de saúde, carência contratual e Covid-19 -


ADI 6493/PB

SUMÁRIO
6
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

» Competências Municipais

• Norma constitucional estadual e invasão da competência municipal - ADI


6602/SP

Direito Processual Civil

» Mandado de Segurança

• Cabimento de mandado de segurança e poder geral de cautela do magistrado


- ADI 4296/DF

2 PLENÁRIO VIRTUAL EM EVIDÊNCIA

2.1 EVOLUÇÃO DO AMBIENTE VIRTUAL

2.2 PASSO A PASSO DAS SESSÕES VIRTUAIS

2.3 PROCESSOS SELECIONADOS

• Mandato Eletivo (AIME) - RE 1040515/SE (Tema 979 RG)

• Revista íntima para ingresso em estabelecimento prisional - ARE 959620/RS


(Tema 998 RG)

• Voto de qualidade e empate em julgamentos administrativos fiscais - ADI


6399/DF, ADI 6403/DF e ADI 6415/DF

• Reforma Trabalhista - ADI 6188/DF

• Autonomia do Banco Central do Brasil - ADI 6696/DF

SUMÁRIO
7
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

• Serviço de retransmissão de rádio na Amazônia Legal - ADI 6287/DF

• Sigilo em processos de apuração de infração administrativa no âmbito da


ANTT e da ANTAQ - ADI 5371/DF

• Necessidade de revisão da manutenção da prisão preventiva - ADI 6581/


DF e ADI 6582/DF

• Regulamentação da profissão de despachante de trânsito - ADI 6754/TO

3 INOVAÇÕES NORMATIVAS STF

SUMÁRIO
8
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

1 INFORMATIVO

O Informativo, periódico semanal de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF),


apresenta, de forma objetiva e concisa, resumos das teses e conclusões dos principais
julgamentos realizados pelos órgãos colegiados – Plenário e Turmas –, em ambiente
presencial e virtual. A seleção dos processos noticiados leva em consideração critérios
de relevância, novidade e contemporaneidade da temática objeto de julgamento.

1.1 PLENÁRIO

DIREITO ADMINISTRATIVO – RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

Responsabilidade objetiva do Estado


e profissional da imprensa ferido
durante manifestação tumultuosa -
RE 1209429/SP (Tema 1.055 RG)  

AMICUS REPERCUSSÃO ÁUDIO VÍDEO DO VÍDEO DO


CURIAE GERAL DO TEXTO JULGAMENTO JULGAMENTO

Parte 1 Parte 2

TESE FIXADA:

“É objetiva a Responsabilidade Civil do Estado em relação a profissional da imprensa


ferido por agentes policiais durante cobertura jornalística, em manifestações em
que haja tumulto ou conflitos entre policiais e manifestantes. Cabe a excludente da
responsabilidade da culpa exclusiva da vítima, nas hipóteses em que o profissional
de imprensa descumprir ostensiva e clara advertência sobre acesso a áreas
delimitadas, em que haja grave risco à sua integridade física.”

SUMÁRIO
9
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

RESUMO:

O Estado responde de forma objetiva pelos danos causados a profissional de


imprensa ferido, por policiais, durante cobertura jornalística de manifestação
pública em que ocorra tumulto ou conflito, desde que o jornalista não haja des-
cumprido ostensiva e clara advertência quanto ao acesso a áreas definidas como
de grave risco à sua integridade física, caso em que poderá ser aplicada a exclu-
dente da responsabilidade por culpa exclusiva da vítima.

O art. 37, § 6º, da Constituição Federal (CF) (1) prevê a responsabilidade civil objetiva
do Estado quando presentes e configurados a ocorrência do dano, o nexo causal
entre o evento danoso e a ação ou omissão do agente público, a oficialidade da con-
duta lesiva e a inexistência de causa excludente da responsabilidade civil (força maior,
caso fortuito ou comprovada culpa exclusiva da vítima). Não é adequado, no entanto,
atribuir a profissional da imprensa culpa exclusiva pelo dano sofrido, por conduta de
agente público, somente por permanecer realizando cobertura jornalística no local da
manifestação popular no momento em que ocorre um tumulto, sob pena de ofensa ao
livre exercício da liberdade de imprensa.

Com base nesse entendimento, o Plenário, por maioria, ao apreciar o Tema 1.055 da
repercussão geral, deu provimento a recurso extraordinário. Vencido o ministro Nunes
Marques. Em seguida, por maioria, o Tribunal fixou a tese de repercussão geral. Vencidos,
no ponto, os ministros Marco Aurélio (relator), Edson Fachin e Luiz Fux (Presidente).

(1) CF: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.”

RE 1209429/SP, relator Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julga-
mento em 10.6.2021

SUMÁRIO
10
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

DIREITO ADMINISTRATIVO – SERVIDOR PÚBLICO

Exercício da advocacia por servidores do


Poder Judiciário e do MPU - ADI 5235/DF

ÁUDIO
DO TEXTO

RESUMO:

São constitucionais as restrições ao exercício da advocacia aos servidores do


Poder Judiciário e do Ministério Público, previstas nos arts. 28, IV, e 30, I, da
Lei 8.906/1994 (1), e no art. 21 da Lei 11.415/2006 (2).

Isso porque o art. 5º, XIII, da CF (3) é norma fundamental de eficácia contida e as res-
trições estabelecidas pelas normas impugnadas são expressão dos valores constitucio-
nais da eficiência, da moralidade e da isonomia no âmbito da Administração Pública.

As limitações ao exercício da advocacia são compatíveis com a Constituição, desde que


a restrição profissional satisfaça os critérios de adequação e razoabilidade e atenda à
finalidade de proteger a coletividade contra riscos sociais indesejados ou ao propósito
de assegurar a observância de outros princípios constitucionais (4).

Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade, julgou improcedente o


pedido de declaração de inconstitucionalidade das normas impugnadas.

(1) Lei 8.906/1994: “Art. 28. A advocacia é incompatível, mesmo em causa própria, com as seguintes atividades:
(...) IV - ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qualquer órgão do Poder
Judiciário e os que exercem serviços notariais e de registro; (...) Art. 30. São impedidos de exercer a advocacia:
I - os servidores da administração direta, indireta e fundacional, contra a Fazenda Pública que os remunere
ou à qual seja vinculada a entidade empregadora;”

(2) Lei 11.415/2006: “Art. 21. Aos servidores efetivos, requisitados e sem vínculos do Ministério Público da União
é vedado o exercício da advocacia e consultoria técnica.”

(3) CF: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros
e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança
e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;”

(4) Precedentes citados: ADPF 183/DF, relator. Min. Alexandre de Moraes (DJe de 18.11.2019); ADI 3.541/DF,
relator Min. Dias Toffoli (DJe de 24.3.2014); ARE 855.648-AgR/DF, relator Min. Gilmar Mendes (DJe de 10.3.2015);
RE 550.005 AgR/PR, relator Min. Joaquim Barbosa (DJe de 25.5.2012).

ADI 5235/DF, relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual finalizado em 11.6.2021 (sexta-feira),
às 23:59

SUMÁRIO
11
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

DIREITO CONSTITUCIONAL – CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

Matéria “interna corporis” e controle de


constitucionalidade - RE 1297884/DF (Tema 1120 RG)

AMICUS REPERCUSSÃO ÁUDIO


CURIAE GERAL DO TEXTO

TESE FIXADA:

“Em respeito ao princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da


Constituição Federal, quando não caracterizado o desrespeito às normas consti-
tucionais pertinentes ao processo legislativo, é defeso ao Poder Judiciário exer-
cer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do alcance de
normas meramente regimentais das Casas Legislativas, por se tratar de matéria
‘interna corporis’.”

RESUMO:

O controle judicial de atos “interna corporis” das Casas Legislativas só é cabível


nos casos em que haja desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao pro-
cesso legislativo [Constituição Federal (CF), arts. 59 a 69].

Por força do princípio constitucional da separação de Poderes (CF, art. 2º), não cabe ao
Poder Judiciário substituir-se ao Poder Legislativo para interpretar normas regimentais (1).

No caso, o tribunal de justiça, ao declarar a inconstitucionalidade incidental do art. 4º da


Lei 13.654/2018, que revogou o inciso I do § 2º do art. 157 do Código Penal, se restringiu
à interpretação do art. 91 do Regimento Interno do Senado Federal, não tendo apon-
tado, contudo, desrespeito às normas pertinentes ao processo legislativo previsto na CF.

Com base nesse entendimento, o Plenário, por maioria, deu provimento ao recurso
extraordinário para cassar o acórdão recorrido na parte em que reconheceu como
inconstitucional o art. 4º da Lei 13.654/2018, a fim de que o tribunal de origem recal-
cule a dosimetria da pena imposta. Vencido o ministro Marco Aurélio.

(1) Precedentes citados: ARE 1.234.080/DF, relator Min. Alexandre de Moraes (DJe de 21.5.2020); RE 1.239.632
AgR/DF, relator Min. Roberto Barroso (DJe de 18.6.2020); RE 1.281.276 AgR/DF, relator Min. Ricardo Lewandowski
(DJe de 10.11.2020); RE 1.257.182 AgR/DF, relator Min. Luiz Fux, (DJe de 18.6.2020); e RE 1.268.662 AgR/DF,
relator Min. Ricardo Lewandowski (DJe de 4.11.2020).

RE 1297884/DF, relator Min. Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 11.6.2021 (sexta-feira),
às 23:59

SUMÁRIO
12
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

DIREITO CONSTITUCIONAL – COMPETÊNCIA LEGISLATIVA


DIREITO CIVIL – CONTRATOS
DIREITO DA SAÚDE – SAÚDE SUPLEMENTAR

Competência legislativa: plano de saúde,


exames e procedimentos cirúrgicos, prazo
para autorização ou negativa - ADI 6452/ES

ÁUDIO
DO TEXTO

RESUMO:

Por usurpar competência privativa da União para legislar sobre Direito Civil e polí-
tica de seguros, é inconstitucional preceito de lei estadual que estabeleça prazo
máximo de 24 horas para as empresas de plano de saúde regionais autorizarem
ou não solicitações de exames e procedimentos cirúrgicos em seus usuários que
tenham mais de sessenta anos.

A competência suplementar dos estados para legislar sobre saúde e proteção ao con-
sumidor não se confunde com o núcleo essencial dos contratos de prestação de ser-
viços das operadoras de planos de saúde, sob pena de invasão da competência da
União estabelecida no art. 22, I e VII, da Constituição Federal (CF) (1) (2).

Ademais, cumpre ressaltar que a matéria se encontra regulamentada em sentido diverso


pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, órgão de âmbito federal responsável
pela disciplina do tema (Lei 9.961/2000).

Com base nesse entendimento, o Plenário, por maioria, julgou procedente o pedido
formulado em ação direta para declarar a inconstitucionalidade formal do parágrafo
único do art. 1º da Lei 9.394/2010 do estado do Espírito Santo (3). Vencidos os ministros
Edson Fachin (relator), Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio.

(1) CF/1988: “Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: I - direito civil, comercial, penal, processual,
eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; (...) VII - política de crédito, câmbio, seguros
e transferência de valores;”

(2) Precedente citado: ADI 4.445/ES, relator Min. Gilmar Mendes, Plenário (DJe de 4.12.2019).

(3) Lei 9.394/2010-ES: “Art. 1º As empresas de plano de saúde que operam no Estado terão o prazo máximo
de 3 (três) dias úteis para autorizarem ou não solicitações de exames e procedimentos cirúrgicos em seus
usuários. Parágrafo único. Quando se tratar de pessoa acima de 60 (sessenta) anos, o prazo máximo de que
trata o caput será de 24 (vinte e quatro) horas, contado a partir da solicitação.”

ADI 6452/ES, relator Min. Edson Fachin, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgamen-
to virtual finalizado em 11.6.2021 (sexta-feira), às 23:59

SUMÁRIO
13
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

DIREITO CONSTITUCIONAL – COMPETÊNCIA LEGISLATIVA


DIREITO CIVIL – CONTRATOS
DIREITO DA SAÚDE – SAÚDE SUPLEMENTAR

Competência legislativa: plano de saúde,


carência contratual e Covid-19 - ADI 6493/PB  

ÁUDIO
DO TEXTO

RESUMO:

Por usurpar competência privativa da União para legislar sobre Direito Civil,
Comercial e política de seguros, é inconstitucional legislação estadual que impeça
as operadoras de planos de saúde de recusarem o atendimento ou a prestação
de alguns serviços, no âmbito de seu território, aos usuários diagnosticados ou
suspeitos de estarem com Covid-19, em razão de período de carência contratual
vigente.

A imposição de períodos de carência pelas operadoras de planos de saúde é tema


que já foi disciplinado pela Lei federal 9.656/1998, no exercício de competência priva-
tiva da União [Constituição Federal (CF) art., 22, I e VII] (1), de modo que não cabe ao
legislativo estadual inovar na matéria.

Ademais, ao impor obrigações às operadoras de planos de saúde, a Lei 11.716/2020 do


estado da Paraíba (2) interfere diretamente nas relações contratuais firmadas entre as
operadoras e os usuários contratantes, ocasionando relevante impacto financeiro. Em
consequência, influencia na eficácia do serviço prestado pelas operadoras, que se veem
obrigadas a alterar substancialmente a atuação apenas naquela unidade federativa.

Com base nesse entendimento, o Plenário, por maioria, julgou procedente pedido for-
mulado em ação direta para declarar a inconstitucionalidade da Lei 11.716/2020 do
estado da Paraíba. Vencidos os ministros Edson Fachin, Marco Aurélio e Rosa Weber.

(1) CF/1988: “Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: I - direito civil, comercial, penal, processual,
eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; (...) VII - política de crédito, câmbio, seguros
e transferência de valores;”

(2) Lei 11.716/2020-PB: “Art. 1º Durante a vigência de carência contratual, as operadoras de planos de saúde no
âmbito do Estado da Paraíba não poderão recusar atendimento ou prestação de qualquer serviço aos seus
usuários que estejam com quadro clínico ainda não diagnosticado ou prováveis de contágio pelo COVlD-19

SUMÁRIO
14
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

e que seja indicada a realização de testagem, ou com diagnóstico positivo de contaminação pelo COVlD-19.
§ 1° Os serviços a serem obrigatoriamente prestados durante a carência correspondem a todos aqueles
contratados pelo consumidor e que tenham relação direta com o quadro de saúde apresentado em razão
da contaminação pelo COVlD-19. § 2° Os serviços devem ser prestados nas exatas condições pactuadas
contratualmente. Art. 2º O descumprimento do disposto nesta Lei sujeitará ao infrator imposição de multa em
valor equivalente a 100 (cem) UFR-PB (Unidades Fiscais de Referência do Estado da Paraíba) vigente na data
da aplicação da penalidade, cujo valor da multa será destinado ao Fundo Estadual de Saúde. Art. 3° Esta
Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 4° Revogam-se as disposições em contrário.”

ADI 6493/PB, relator Min. Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em 11.6.2021 (sexta-feira),
às 23:59

DIREITO CONSTITUCIONAL – COMPETÊNCIAS MUNICIPAIS

Norma constitucional estadual e invasão da


competência municipal - ADI 6602/SP

ÁUDIO
DO TEXTO

RESUMO:

É inconstitucional norma de constituição estadual que veda aos municípios a pos-


sibilidade de alterarem destinação, os fins e os objetivos originários de loteamen-
tos definidos como áreas verdes ou institucionais.

Sobre a delimitação de competência dos entes federados quanto ao ordenamento


territorial, planejamento, uso e ocupação do solo urbano, a Constituição Federal (CF)
estabelece, no art. 30, I e VIII (1), a competência dos municípios para legislar sobre
assuntos de interesse local e “promover, no que couber, adequado ordenamento terri-
torial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do
solo urbano”. No mesmo sentido, a CF dispõe, no art. 182 (2), a competência material
dos municípios para a execução da política de desenvolvimento urbano.

Além disso, no exercício da competência para editar normas gerais de direito urbanís-
tico, a União reconheceu a competência dos municípios para afetar e desafetar bens,
inclusive em áreas verdes e institucionais, assim como estabelecer, para cada zona em
que se divida o território municipal, os usos permitidos de ocupação do solo.

Nesse passo, ainda que os estados tenham competência para editar legislação suple-
mentar em matéria urbanística, nos termos do art. 24, I, da CF (3), reconhece-se o pro-

SUMÁRIO
15
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

tagonismo que o texto constitucional conferiu aos municípios em matéria de política


urbana (4).

Por fim, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de que a


delimitação de competência municipal por meio de dispositivo de constituição estadual
ofende o princípio da autonomia municipal (5).

Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade, conheceu da presente


ação direta e, no mérito, julgou procedente o pedido para declarar inconstitucionais
os §§ 1º a 4º do inc. VII do art. 180 da Constituição do estado de São Paulo.

(1) CF: “Art. 30. Compete aos Municípios: I - legislar sobre assuntos de interesse local; (...) VIII - promover, no
que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento
e da ocupação do solo urbano;”

(2) CF: “Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme
diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da
cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.”

(3) CF: “Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I - direito
tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;”

(4) Precedentes citados: ADI 5.696/MG, relator Min. Alexandre de Moraes (DJe de 11.11.2019); RE 981.825 AgR-
segundo/SP, relatora Min. Rosa Weber, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes (DJe de 21.11.2019);
ARE 1.133.582 AgR/SP, relator Min. Ricardo Lewandowski (DJe de 6.12.2018); RE 939.557 AgR/SP, relator Min.
Ricardo Lewandowski (DJe de 5.5.2020); RE 1.044.864 AgR/ES, relator Min. Roberto Barroso (DJe de 16.5.2019).

(5) Precedentes citados: ADI 3.549/GO, relatora Min. Cármen Lúcia (DJ de 31.10.2007); ADI 1.964/ES, relator
Min. Dias Toffoli (DJe de 9.10.2014).

ADI 6602/SP, relator Min. Cármen Lúcia, julgamento virtual finalizado em 11.6.2021 (sexta-feira) às
23:59

DIREITO PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA

Cabimento de mandado de segurança e poder


geral de cautela do magistrado - ADI 4296/DF  

ÁUDIO VÍDEO DO VÍDEO DO


DO TEXTO JULGAMENTO JULGAMENTO

Parte 1 Parte 2

SUMÁRIO
16
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

RESUMO:

Não cabe mandado de segurança contra atos de gestão comercial praticados por
administradores de empresas públicas, sociedades de economia mista e conces-
sionárias de serviço público (Lei 12.016/2019, art. 1º, § 2º) (1).

O ajuizamento do mandado de segurança é cabível apenas contra atos praticados no


desempenho de atribuições do Poder Público [Constituição Federal (CF) art. 5º, LXIX] (2).
Atos de gestão comercial são atos estranhos à ideia da delegação do serviço público
em si. Esses atos se destinam à satisfação de interesses privados na exploração de
atividade econômica, submetendo-se a regime jurídico próprio das empresas privadas.

O juiz tem a faculdade de exigir caução, fiança ou depósito para o deferimento


de medida liminar em mandado de segurança, quando verificada a real necessi-
dade da garantia em juízo, de acordo com as circunstâncias do caso concreto (Lei
12.016/2019, art. 7º, III) (3).

No exercício do seu poder geral de cautela, o magistrado pode analisar se determi-


nado caso específico exige caução, fiança ou depósito. No art. 7º, III, da Lei 12.016/2019
há previsão de mera faculdade, que pode ser exercida se o magistrado entender ser
necessária para assegurar o ressarcimento a pessoa jurídica. Não se trata de um
obstáculo ao poder geral de cautela, mas uma faculdade que vai ao encontro do art.
300, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC) (4).

É inconstitucional ato normativo que vede ou condicione a concessão de medida


liminar na via mandamental.

Impedir ou condicionar a concessão de medida liminar caracteriza verdadeiro obstáculo


à efetiva prestação jurisdicional e à defesa do direito líquido e certo do impetrante (5).

Com base nesse entendimento, o Plenário, por maioria julgou parcialmente procedente
ação direta para declarar a inconstitucionalidade do art. 7º, § 2º, e do art. 22, § 2º, da
Lei 12.016/2009 (6), vencidos parcialmente os ministros Marco Aurélio, Nunes Marques,
Edson Fachin, Roberto Barroso e Luiz Fux.

(1) Lei 12.016/2009: “Art. 1º (...) § 2º Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial
praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias
de serviço público.”

(2) CF/1988: “Art. 5º (...) LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo,
não amparado por ‘habeas-corpus’ ou ‘habeas-data’, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso
de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;”

(3) Lei 12.016/2009: “Art. 7º Ao despachar a inicial, o juiz ordenará: (...) III – que se suspenda o ato que deu
motivo ao pedido, quando houver fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da
medida, caso seja finalmente deferida, sendo facultado exigir do impetrante caução, fiança ou depósito, com
o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica.”

(4) CPC/2015: “Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a
probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. §1º Para a concessão

SUMÁRIO
17
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir caução real ou fidejussória idônea para ressarcir
os danos que a outra parte possa vir a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente
hipossuficiente não puder oferecê-la.”

(5) Precedente citado: ADI 975/DF MC, relator Min. Carlos Velloso (DJ de 20.6.1997).

(6) Lei 12.016/2009: “Art. 7º Ao despachar a inicial, o juiz ordenará: (...) § 2º Não será concedida medida liminar
que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do
exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de
vantagens ou pagamento de qualquer natureza. (...) Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença
fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. (...) § 2º
No mandado de segurança coletivo, a liminar só poderá ser concedida após a audiência do representante
judicial da pessoa jurídica de direito público, que deverá se pronunciar no prazo de 72 (setenta e duas) horas.”

ADI 4296/DF, relator Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julga-
mento em 9.6.2021

2 PLENÁRIO VIRTUAL EM EVIDÊNCIA

O Plenário Virtual em Evidência consiste na seleção e divulgação dos principais


processos liberados para julgamento pelos colegiados do STF em ambiente virtual,
com destaque especial para as ações de controle de constitucionalidade e processos
submetidos à sistemática da Repercussão Geral.

O serviço amplia a transparência das sessões virtuais do Supremo Tribunal Federal


(STF) por meio da difusão de informações sobre os processos que foram apresentados
para julgamento nesse ambiente eletrônico.

As informações e referências apresentadas nesta edição têm caráter meramente


informativo e foram elaboradas a partir das pautas e calendários de julgamento
divulgados pela Assessoria do Plenário, de modo que poderão sofrer alterações
posteriores. Essa circunstância poderá gerar dissonância entre os processos divulgados
nesta publicação e aqueles que vierem a ser efetivamente julgados pela Corte.

SUMÁRIO
18
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

2.1 EVOLUÇÃO DO AMBIENTE VIRTUAL

2007
CRIAÇÃO DO PLENÁRIO VIRTUAL (PV) PARA
APRECIAÇÃO SOBRE A EXISTÊNCIA DE
REPERCUSSÃO GERAL (RG)

• Permitiu aos ministros do STF


deliberarem se determinada matéria
apresenta ou não RG;
• Requisito introduzido pela Emenda
Constitucional (EC) 45/2004 (Reforma
do Judiciário) para admissibilidade de

2010
Recurso Extraordinário (RE);
• Celeridade na análise de temas de
RG: o Plenário Virtual funciona 24
horas por dia e é possível que os
Emenda Regimental 42
ministros o acessem de forma remota,
(2/12/2010)�
permitindo a votação mesmo estando
fora de seus gabinetes;
O MÉRITO DE TEMAS DE REPERCUSSÃO
• Inicialmente, apenas os ministros GERAL PASSOU A SER JULGADO NO
e os tribunais cadastrados tinham PLENÁRIO VIRTUAL
acesso ao sistema.
• Requisito: manifestação do relator
pela reafirmação de jurisprudência
dominante da Corte;
• Aumento da celeridade no julgamento
de mérito de temas de RG.

1 Art. 323-a. O julgamento de mérito de questões com repercussão


geral, nos casos de reafirmação de jurisprudência dominante da
Corte, também poderá ser realizado por meio eletrônico. (Incluído
pela Emenda Regimental n. 42, de 2 de dezembro de 2010)

SUMÁRIO
19
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

2016
CRIAÇÃO DO AMBIENTE
DAS SESSÕES VIRTUAIS

Emenda Regimental 51
(22/06/2016)2

Resolução 587
(29/07/2016)3

Ambiente eletrônico de
julgamento em Plenário e Turmas

Competência: apreciação de agravos


internos e embargos de declaração.

2 Art. 21-b. O Relator poderá liberar para julgamento listas de


processos em ambiente presencial ou eletrônico. (Incluído pela
Emenda Regimental n. 52, de 14 de junho de 2019) Parágrafo
único. A critério do Relator, poderão ser submetidos a julgamento

2019
em ambiente eletrônico, observadas as respectivas competências
das Turmas ou do Plenário, os seguintes processos:
I – agravos internos, regimentais e embargos de declaração;
II – medidas cautelares em ações de controle concentrado;
V – demais classes processuais cuja matéria discutida tenha
jurisprudência dominante no âmbito do STF.
Resolução 642
3 Art. 1º Os agravos internos e embargos de declaração (14/06/2019)
poderão, a critério do relator, ser submetidos a julgamento em
ambiente eletrônico, por meio de sessões virtuais, observadas
as respectivas competências das Turmas ou do Plenário. (...) • Dispôs sobre o julgamento de
processos em listas, virtuais ou
presenciais;
• Definiu que as sessões virtuais serão
realizadas semanalmente, com

2020
início, em regra, às sextas-feiras;
• Previu que o ministro relator
inserirá ementa, relatório e voto no
Emenda Regimental 53 ambiente virtual;
(18/03/2020)

• Todos os processos de competência


do Tribunal poderão, a critério
do relator ou do ministro vistor
com a concordância do relator,
ser submetidos a julgamento em
listas de processos em ambiente
presencial ou eletrônico, observadas
as respectivas competências das
Turmas ou do Plenário.

SUMÁRIO
20
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

Resolução 669
(19/03/2020)

• Medidas cautelares em ações de Resolução 675


controle concentrado, referendo (22/04/2020)
de medidas cautelares e de
tutelas provisórias e demais • Atualização do sistema implementada
classes processuais, inclusive em maio de 2020 permitiu que o
recursos com repercussão relatório e os votos dos ministros sejam
geral reconhecida, cuja matéria disponibilizados no sítio eletrônico do
discutida tenha jurisprudência STF durante a sessão de julgamento
dominante no âmbito do STF, (alterou a Resolução 642);
puderam ser submetidos a
• As sustentações orais por meio
julgamento virtual no STF (alterou a
eletrônico serão automaticamente
Resolução 642).
disponibilizadas no sistema de
• Nas hipóteses de cabimento de votação dos Ministros e ficarão
sustentação oral previstas no disponíveis no sítio eletrônico do
regimento interno do Tribunal, STF durante a sessão de julgamento
faculta-se aos habilitados nos autos (alterou a Resolução 642).
o encaminhamento das respectivas
• Iniciada a sessão virtual, os
sustentações por meio eletrônico
advogados e procuradores
após a publicação da pauta e
poderão realizar esclarecimentos
até 48 horas antes de iniciado o
exclusivamente sobre matéria
julgamento em ambiente virtual
de fato, por meio do sistema de
(alterou a Resolução 642).
peticionamento eletrônico do STF,
os quais serão automaticamente
disponibilizados no sistema de
Resolução 684 votação dos Ministros."
(21/05/2020)

• Iniciado o julgamento, os demais


Resolução 690
ministros têm até seis dias úteis
(1º/06/2020)
para se manifestar (alterou a
Resolução 642).
• O ministro que não se pronunciar
• As sessões em ambiente virtual terá sua não participação registrada
do Supremo Tribunal Federal (STF) na ata do julgamento (alterou a
passaram a ter duração de 6 dias Resolução 642).
úteis. Início: sexta-feira, à 0h; Término:
• Não alcançado o quórum de votação
sexta-feira seguinte, às 23h59.
ou havendo empate na votação, o
julgamento será suspenso e incluído
na sessão virtual imediatamente
subsequente, a fim de que sejam
PAINEL COVID colhidos os votos dos ministros
ausentes (alterou a Resolução 642).

PAINEL JULGAMENTOS VIRTUAIS

SUMÁRIO
21
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

2.2 PASSO A PASSO DAS SESSÕES VIRTUAIS

No âmbito do Supremo Tribunal Federal, o sistema colegiado de julgamento em


ambiente eletrônico ocorre por meio de sessões de julgamento realizadas em tempo
real, por videoconferência e sessões de julgamento inteiramente realizadas em ambiente
eletrônico (sessões virtuais).

As inovações reforçaram as medidas adotadas pelo STF para reduzir a circulação interna
de pessoas e o deslocamento laboral como forma de prevenção ao novo coronavírus.

INCLUSÃO EM PAUTA PARA


1 JULGAMENTO VIRTUAL

O ministro relator pode submeter a


julgamento em sessão no ambiente
virtual qualquer classe e incidente PUBLICAÇÃO DA PAUTA E DO
processual, a seu critério. CALENDÁRIO DE JULGAMENTO
2
As listas dos processos liberados para
julgamento são divulgadas no site do
STF, e a pauta é publicada no Diário
de Justiça Eletrônico (DJe), respeitado
o prazo de 5 dias úteis entre a data
da publicação da pauta e o início do

3
julgamento (art. 935 do CPC).
SUSTENTAÇÃO ORAL

Após a publicação da pauta e até 48


horas antes do início do julgamento,
os advogados, os procuradores e
demais habilitados podem encaminhar
sustentação oral.
O envio das mídias é feito pelo Sistema
de Peticionamento Eletrônico, que gera
um protocolo de recebimento e registro RELATOR: INCLUSÃO
no andamento processual.
Além disso, os arquivos são
DO RELATÓRIO E VOTO

O relator insere, no sistema virtual,


4
disponibilizados imediatamente aos
gabinetes dos ministros. relatório e voto, que são disponibilizados
no site do STF durante toda a sessão de
julgamento virtual.

SUMÁRIO
22
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

5
INÍCIO DA SESSÃO VIRTUAL:
VOTAÇÃO

Iniciado o julgamento virtual, os demais


ministros têm até 6 dias úteis para
votar. As possibilidades de manifestação
são: acompanhar o relator, com ou sem
ressalva de entendimento; divergir do
relator; ou acompanhar a divergência,
com ou sem ressalvas.
Assim como no Plenário físico, não
há qualquer impedimento para que
um ministro modifique seu voto até QUESTÕES DE FATO E

6
o fim da sessão. Caso um ministro MEMORIAIS
modifique seu voto, a alteração
aparecerá em vermelho, indicando
Os advogados, os procuradores e
novo posicionamento.
demais habilitados podem realizar
As partes, os advogados e toda a esclarecimentos sobre matéria de
sociedade podem acompanhar, em fato e apresentar memoriais durante
tempo real, a sessão de julgamento a sessão de julgamento, que serão
e visualizar os votos dos ministros automaticamente disponibilizados no
e demais manifestações, que ficam sistema de votação dos ministros.
disponíveis no site do STF durante toda
a sessão de julgamento virtual (on-line
e em tempo real).

7 PEDIDO DE VISTA

Os ministros podem ainda pedir vista


ou destaque para julgamento no
ambiente presencial.
DESTAQUE PARA JULGAMENTO
As devoluções de vistas de processos
iniciados em sessão presencial, a
critério do ministro vistor e com a
NO AMBIENTE PRESENCIAL
8
No caso de pedido de destaque feito por
concordância do relator, também
qualquer ministro, o relator encaminhará
podem ter seu julgamento continuado
o processo ao órgão colegiado
em ambiente virtual.
competente para julgamento presencial,
com a publicação de nova pauta e
reinício do julgamento, desconsiderando-
se os votos já proferidos.

SUMÁRIO
23
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

9 QUÓRUM

No Plenário, não alcançado o quórum


de votação mínimo de seis votos,
ou havendo empate na votação, o
julgamento será suspenso e incluído
na sessão virtual imediatamente
subsequente, a fim de que sejam
colhidos os votos dos ministros ausentes.
No julgamento de habeas corpus ou de
recurso de habeas corpus, proclamar-
se-á, na hipótese de empate, será
proclamada a decisão mais favorável
ao paciente.
A declaração de constitucionalidade
ou inconstitucionalidade de lei ou ato
normativo deverá ser pronunciada por

10
maioria qualificada de 6 votos em um
mesmo sentido. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO

O ministro que não se pronunciar no prazo


regimental terá sua não participação
registrada na ata do julgamento.

11 PLACAR DE VOTOS

O acesso ao placar, inclusive parcial,


de determinado julgamento pode
ser feito por meio da aba “Sessão
Virtual”, disponível na página de
acompanhamento processual dos
processos que estiverem em pauta.
CONCLUSÃO DO JULGAMENTO

Finalizado o julgamento virtual e


12
alcançados os quóruns regimentais, o
resultado será computado às 23h59 do
dia previsto para o término da sessão.
A decisão de julgamento será divulgada
no andamento processual, e o respectivo
acórdão publicado no DJe.

SUMÁRIO
24
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

2.3 PROCESSOS SELECIONADOS

RE 1040515/SE
Relator(a): DIAS TOFFOLI REPERCUSSÃO
GERAL
JULGAMENTO VIRTUAL: 18/06/2021 a 25/06/2021 

Gravação ambiental como meio probatório em Ação de Impugnação


de Mandato Eletivo (AIME) (Tema 979 RG)

Necessidade, ou não, de autorização judicial para legitimar gravação ambiental


realizada por um dos interlocutores, ou por terceiro presente à conversa, apta
a instruir Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME).
Jurisprudência: RE 583937 QO-RG

ARE 959620/RS REPERCUSSÃO


GERAL
Relator(a): EDSON FACHIN
JURISPRUDÊNCIA
JULGAMENTO VIRTUAL: 18/06/2021 a 25/06/2021    INTERNACIONAL

Revista íntima para ingresso em estabelecimento prisional (Tema 998 RG)

Controvérsia relativa à ilicitude da prova obtida a partir de revista íntima


de visitante em estabelecimento prisional. Jurisprudência: HC 186373 AgR e
SL 1153 AgR

ADI 6399/DF
ADI 6403/DF
ADI 6415/DF
Relator(a): MARCO AURÉLIO
JULGAMENTO VIRTUAL: 18/06/2021 a 25/06/2021

Voto de qualidade e empate em julgamentos administrativos fiscais

Análise da constitucionalidade de dispositivo da Lei 13.988/2020 que estabelece


o fim do voto de qualidade em empate nos julgamentos administrativos fiscais
do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).

SUMÁRIO
25
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

ADI 6188/DF
Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI LEITURAS
EM PAUTA
JULGAMENTO VIRTUAL: 18/06/2021 a 25/06/2021 

Reforma Trabalhista

Análise de dispositivos da CLT, com redação conferida pela Lei 13.467/2017,


que dispõem sobre o estabelecimento e a alteração de súmulas e outros
enunciados de jurisprudência uniforme pelo Tribunal Superior do Trabalho e
pelos Tribunais Regionais do Trabalho.

ADI 6696/DF
Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI
JULGAMENTO VIRTUAL: 18/06/2021 a 25/06/2021

Autonomia do Banco Central do Brasil

Exame da constitucionalidade da Lei Complementar 179/2021, que define os


objetivos do Banco Central do Brasil, dispõe sobre sua autonomia e trata da
nomeação e da exoneração de seu presidente e seus diretores.

ADI 6287/DF
Relator(a): ROSA WEBER
JULGAMENTO VIRTUAL: 18/06/2021 a 25/06/2021

Serviço de retransmissão de rádio na Amazônia Legal

Análise da constitucionalidade da expressão “da capital”, contida no art. 3º,


§ 1º, da Lei 13.649/2018.

SUMÁRIO
26
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

ADI 5371/DF
Relator(a): ROBERTO BARROSO
JULGAMENTO VIRTUAL: 18/06/2021 a 25/06/2021

Sigilo em processos de apuração de infração administrativa no âmbito


da ANTT e da ANTAQ

Análise da constitucionalidade de dispositivo da Lei 10.233/2001 que estabelece


caráter sigiloso aos processos de apuração de infração administrativa no
âmbito da Agência Nacional de Transportes Terrestres e na Agência Nacional
de Transportes Aquaviários. Jurisprudência: MS 28178 e MS 32370

ADI 6581/DF
ADI 6582/DF
Relator(a): EDSON FACHIN
JULGAMENTO VIRTUAL: 18/06/2021 a 25/06/2021

Necessidade de revisão da manutenção da prisão preventiva

Análise da constitucionalidade do art. 316, parágrafo único, do Código de


Processo Penal que determina a revisão da necessidade de manutenção de
prisões preventivas a cada 90 dias. Jurisprudência: SL 1395 MC-Ref; RHC
199660 AgR; HC 195272 AgR; RHC 197730 AgR e RHC 189858

ADI 6754/TO
Relator(a): EDSON FACHIN
JULGAMENTO VIRTUAL: 18/06/2021 a 25/06/2021

Regulamentação da profissão de despachante de trânsito

Exame da constitucionalidade de ato normativo de natureza regulamentar que


disciplinou a profissão de despachante de trânsito no Estado do Tocantins.

SUMÁRIO
27
INFORMATIVO STF Edição 1021/2021 |

3 INOVAÇÕES NORMATIVAS STF

Portaria STF 98 de 9.6.2021 - Altera a Portaria 42, de 05 de março de 2021, que


designou os integrantes do Comitê Executivo de Proteção de Dados (CEPD) do Supremo
Tribunal Federal.

Portaria STF 140 de 10.6.2021 - Comunica que os prazos processuais ficam suspen-
sos de 2 a 31 de julho de 2021 e ficam prorrogados para o dia 2 de agosto. Informa,
também, que o atendimento ao público externo e o expediente na Secretaria será de
13h às 18h horas nesse período.

ACESSE A PÁGINA DA
LEGISLAÇÃO ANOTADA

codi@stf.jus.br
61 3217.4493/4781
Praça dos Três Poderes – Anexo I – Térreo

SUMÁRIO
28
Foto: Nelson Jr./SCO/STF

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – STF


Secretaria de Altos Estudos, Pesquisas e Gestão da Informação – SAE
Coordenadoria de Difusão da Informação – CODI
codi@stf.jus.br

Você também pode gostar