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FILOSOFIA

Filosofia Medieval - Primeira


Parte

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Período Patrístico - Império Romano
➢ Chamamos Patrística a primeira filosofia cristã, que
toma o fim da Antiguidade e a Alta Idade Média.

➢ Ela tem início com os padres apostólicos (séculos I e II


d.C.), como os apóstolos Pedro, Paulo, Tiago e Inácio, e
daí vem o seu nome.

➢ O Cristianismo foi, a princípio, proibido pelos romanos,


mas espalhou-se pelo Império, tendo sido Constantino
I o primeiro imperador cristão, e pacificador da
doutrina ao conclamar o Concílio de Niceia.

➢ Com o imperador Teodósio, a nova fé deixou de ser


apenas permitida, mas tornou-se religião oficial do
Império em 380 d.C., formalizando a Igreja Católica
como sua portadora.

➢ Com a queda de Roma, o Cristianismo, já consolidado


entre os bárbaros, expandiu-se do Mediterrâneo a
todas as regiões da Europa e parte do Oriente.
Conversão, Bispado e Doutrina
Influenciado por Ambrósio, Agostinho converteu-se à fé cristã em
386 d.C.

Retornando à África, deus aos pobres todos os bens de sua família


e converteu sua casa em um monastério, onde produziu diversos
sermões e pregações.

Foi ordenado sacerdote e subiu até a posição de bispo na cidade


de Hipona; morreu na mesma cidade em 430 d.C., de velhice,
pouco antes do cerco da tribo vândala.

Suas obras mais famosas são Confissões, Do Mestre e Cidade de


Deus, nas quais expõe a visão platônica da doutrina cristã que
influenciou quase todo o pensamento medieval.

Discorreu sobre o problema do mal, antigo dilema filosófico da fé


cristã: quem criou o mal? No maniqueísmo popular, havia um
equilíbrio dialético de forças (criação e destruição) responsáveis
metafisicamente pelo funcionamento do mundo.
Neoplatonismo e Cristianismo
➢ Na filosofia agostiniana, se Deus é o puro bem, Ele dá liberdade aos seres humanos, simbolizada na
possibilidade de acesso ao fruto proibido; o que chamamos mal, portanto, é resultado da vontade humana,
exclui a presença divina e é, assim, a própria ausência do bem.

➢ Como filósofo platonista, Agostinho traz o dualismo ao pensamento cristão: somos corpo e alma, somos carne e
espírito, há trevas e iluminação, bem como pecado e salvação.

➢ Nessa adaptação, a dialética platônica, que nos retira da caverna dos sentidos a partir da atuação pedagógica do
filósofo, é substituída por uma doutrina voluntarista baseada na fé, que nos permite a iluminação divina e nos
retira da ignorância do pecado - ou seja, a fé precede a razão, e a segunda deve se submeter à primeira.

➢ O antigo inatismo de Platão é também reinterpretado: há agora o mestre interior, o próprio Deus, que nos
sussurra o verdadeiro conhecimento.
A Cidade de Deus
Agostinho relaciona a necessidade de uma política mundana, que
apresenta ao cristãos malefícios como a guerra, a escravidão e os
jogos de poder como consequência do pecado original - o mundo
carnal está repleto de maldade.

É nesse sentido que o autor escreveu A Cidade de Deus, de modo


a consolar os cristãos após o Saque de Roma, realizado pelos
visigodos em 410.

Na obra, mantém-se a dualidade platônica: há a cidade dos


homens, que deve se inspirar pelas virtudes absolutas da Cidade
de Deus, o que demonstra a necessidade do governo cristão.

A obra, um compilado de mais de vinte livros, foi considerada um


marco na constituição da ideia de uma monarquia cristã e
representa um desejo, comum durante toda a Idade Média
posterior, de consolidação de um único governo cristão no
mundo; não à toa, era considerada a obra favorita de Carlos
Magno.
Citações de Agostinho
➢ Sobre o tempo:
“Chamamos ‘longo’ ao tempo passado, se é anterior ao presente, por exemplo, cem anos. Do
mesmo modo dizemos que o tempo futuro é ‘longo’, se é posterior ao presente, também cem
anos. Chamamos ‘breve’ ao passado, se dizemos, por exemplo ‘há dez dias’; e ao futuro, se
dizemos ‘daqui a dez dias’. Mas como pode ser breve ou longo o que não existe? Com efeito, o
passado já não existe e o futuro ainda não existe.” (retirado de Confissões)

➢ Sobre a política:
“Sendo tantos e tão grandes os povos disseminados por todo o orbe da terra, tão diversos em
ritos e em costumes e tão variados em língua, em armas e em roupas, não formam senão dois
gêneros de sociedade humana, que, conformando-nos com nossas Escrituras, podemos chamar
de duas cidades. Uma delas é a dos homens que querem viver segundo a carne, a outra, a dos
que querem viver segundo o espírito.” (retirado de A Cidade de Deus)
ENEM 2015 - PPL
Se os nossos adversários, que admitem a existência de uma natureza não criada por Deus, o
Sumo Bem, quisessem admitir que essas considerações estão certas, deixariam de proferir tantas
blasfêmias, como a de atribuir a Deus tanto a autoria dos bens quanto dos males. Pois sendo Ele
fonte suprema da Bondade, nunca poderia ter criado aquilo que é contrário à sua natureza.
(AGOSTINHO. A natureza do Bem. Rio de Janeiro:Sétimo Selo, 2005 - adaptado)

Para Agostinho, não se deve atribuir a Deus a origem do mal porque


a) o surgimento do mal é anterior à existência de Deus.
b) o mal, enquanto princípio ontológico, independe de Deus.
c) Deus apenas transforma a matéria, que é, por natureza, má.
d) por ser bom, Deus não pode criar o que lhe é oposto, o mal.
e) Deus se limita a administrar a dialética existente entre o bem e o mal.
ENEM 2015 - PPL
Se os nossos adversários, que admitem a existência de uma natureza não criada por Deus, o
Sumo Bem, quisessem admitir que essas considerações estão certas, deixariam de proferir tantas
blasfêmias, como a de atribuir a Deus tanto a autoria dos bens quanto dos males. Pois sendo Ele
fonte suprema da Bondade, nunca poderia ter criado aquilo que é contrário à sua natureza.
(AGOSTINHO. A natureza do Bem. Rio de Janeiro:Sétimo Selo, 2005 - adaptado)

Para Agostinho, não se deve atribuir a Deus a origem do mal porque


a) o surgimento do mal é anterior à existência de Deus.
b) o mal, enquanto princípio ontológico, independe de Deus.
c) Deus apenas transforma a matéria, que é, por natureza, má.
d) por ser bom, Deus não pode criar o que lhe é oposto, o mal.
e) Deus se limita a administrar a dialética existente entre o bem e o mal.
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