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INDICE

Frase de Abertura …………………………………………………………………………………….….................


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Objetivos ………………… ………………………………………………………………………………………..……… 6

1– Introdução ……………………………………………………………………………………………………..…….. 7

2-Distinção entre: projeto e plano; projeto educativo; projeto de estabelecimento ……


9

3-Projeto de intervenção pedagógica ……………………………………………………………….……….


14

o Caracterização ………………………………………………………………………………….. 14

o Identificação das necessidades …………………………………………………………..


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o Constituição ……………………………………………………………………………………… 17

o Procedimentos/estratégias …………………………………………………………….….
19

o Estratégias de avaliação …………………………………………………….……………….


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4-Pedagogia de projeto ……………………………………………………………………………………………..


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o Caracterização do trabalho de projeto …………………………………………..…..


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o Fases de elaboração de um relatório de projeto ………………………..……….


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 Identificação das necessidades/constrangimentos …………….…..


27

 Fundamentação …………………………………………………………………..…
28

 Fase de preparação ………………………………………………………….…….


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 Fase de lançamento ………………………………………………………………. 31

 Fase de organização/planificação ……………………………………………


31

 Fase de realização …………………………………………………………………..


33

 Fase de avaliação …………………………………………………………….……..


36

 Fase de divulgação ……………………………………………….………………..


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o Meios para a concretização de um projeto, relacionados com as etapas


de desenvolvimento infantil …………………………………………………….………..
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o Elaboração de um projeto de intervenção pedagógica …………………..…..


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5-Trabalho de projeto ……………………………………………………………………………..………………..


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o Caracterização do trabalho de projeto ……………………………………….………


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6-Projeto Educativo ……………………………………………………………………………………………..……


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o Caracterização do contexto …………………………………………………………….….


51

o Identificação das necessidades/constrangimentos …………………….………


52

o Definição de prioridades e campos de atuação ………………………...………..


53

o Objetivos Gerais do estabelecimento de ensino ……………………….…………


53

o Estrutura Organizacional ………………………………………………………….………..


54

o Metas …………………………………………………………………………………………….…. 54

o Relações com a comunidade e outros parceiros ………………………….………


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o Avaliação ……………………………………………………………………………………………
56

7-Projeto Curricular de Turma …………………………………………………………………………………..


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o Caracterização da turma e dos alunos ………………………………….…………….


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o Identificação de problemas ……………………………………………………..…………


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o Organização do ambiente educativo ………………………………….………………


60

o Opções e prioridades curriculares ………………………………………….…………..


60

o Metodologia ………………………………………………………………………………………
62

o Objetivos ………………………………….………………………………………………………. 63

o Estratégias ………………………………………………………………………………….……..
64

o Avaliação dos processos e efeitos …………………………………………….………..


64

o Relação com as famílias e outros parceiros …………………………………..…….


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Bibliografia ………………………………………………………………………………………………………..…….. 67

Termos de Utilização ……………………………………………………………………………………………..….


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Frase de Abertura

“Tem-se agora consciência de que para

uma sociedade ser salva da estagnação

e para o indivíduo atingir o seu pleno desenvolvimento,

qualquer sistema de educação deve encorajar a criatividade”.

Mitra (1980)

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Objetivos

 Reconhecer a importância de um projeto de intervenção pedagógica.

 Identificar as fases de elaboração de um projeto de intervenção pedagógica.

 Elaborar um projeto de intervenção pedagógica.

 Distinguir as várias fases do planeamento de um projeto de intervenção


pedagógica.

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1 – Introdução

A sociedade contemporânea tem sido marcada por inúmeras alterações, ao nível


social, cultural e político que se refletem profundamente nas escolas. Da escola atual,
não se pretende apenas a transmissão de conteúdos da parte do docente para com os
seus alunos, isto é, um ensino baseado na repetição e na memorização, mas sim
possibilitar-lhes uma aprendizagem centrada na aquisição de competências
direcionadas para o bom funcionamento de uma sociedade democrática, organizada e
dinâmica. Assim, na escola atual, e numa sociedade em mudança é cada vez mais
importante motivar os alunos para a aprendizagem, pois é a motivação que orienta as
ações dos alunos.

As organizações educativas são contextos que exercem determinadas funções,


dispondo para isso de tempos e espaços próprios e em que se estabelecem diferentes
relações entre os intervenientes. A organização dinâmica destes contextos educativos
pode ser vista segundo uma perspetiva sistémica e ecológica. Esta abordagem assenta
no pressuposto de que o desenvolvimento humano constitui um processo dinâmico de
relação com o meio, em que o indivíduo é influenciado, mas também influencia o meio
em que vive.

Para compreender a complexidade do meio, importa considerá-lo como constituído


por diferentes sistemas que desempenham funções específicas e que, estando em
interconexão, se apresentam como dinâmicos e em evolução. Assim, o indivíduo em
desenvolvimento interage com diferentes sistemas que estão eles próprios em
evolução.

O modelo pedagógico atual indica que educar é preparar o indivíduo para responder
às necessidades de uma sociedade em constante mudança, aceitando desafios no
surgimento de novas tecnologias, gerando espaços educacionais criativos e
participativos, onde a prática de projetos educacionais torna-se uma ferramenta

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importante na formação de indivíduos eficientes e capazes de contribuirem na


transformação da sociedade.

A educação deve ser adotada como uma prática emancipatória, permitindo a


consciência crítica e histórica do sujeito, onde se destaca as relações que se fazem
necessárias entre a realidade e o processo de ensino aprendizagem.

Um bom projeto didático possibilita um ambiente natural, praticado pelo alunos


permitindo cultivar qualidades ligadas a independência de ações e preservação da
democracia O trabalho pedagógico em forma de projeto faz os professores planejarem
melhor suas ações e amplia a visão de mundo do aluno atuando de maneira prazerosa
e criativa , fortalecendo o processo de ensino aprendizagem.

Ao professor cabe auxiliar os alunos para evitar que a pretensão de assumir projetos
complexos os leve ao fracasso dos resultados, ajudá-los para realização de atividades e
desenvolver uma adequada auto percepção.

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2-Distinção entre: projeto e plano; projeto educativo; projeto de


estabelecimento

A origem da palavra “projeto” deriva do latim projectus, que significa algo lançado
para frente. A ideia de projeto é própria da atividade humana, sendo indispensável no
objetivo da ação. O projeto não é uma simples representação do futuro, do amanhã,
do possível, de uma ideia; é o futuro a fazer, um amanhã a concretizar, um possível a
transformar em real, uma ideia a transformar em ato.

Um bom projeto é aquele que indica intenções claras de ensino e permite novas
aprendizagens relacionadas a todas as disciplinas envolvidas. Assim, a interação
professor e aluno abre portas para descobrir estratégias para que os estudantes
construam seus projetos de modo a terem a possibilidade de discutirem sobre uma
problemática de seu cotidiano ou de um assunto relacionado com os estudos de certa
disciplina, envolvendo para tal o uso de diferentes tratamentos de informação
disponíveis no espaço escolar.

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Devemos reforçar a importância que tem o projeto coordenado pelo professor que
além de ser constituído pela sua prática, tem também alicerçado competências que
podem ser antecipatórias e associadas a novas experiências de forma a colocar uma
postura reflexiva e até investigativa ao professor, possibilitando-lhe por tal fato uma
abordagem interdisciplinar.

Projeto é um termo ambíguo e polissémico, pois cada vez mais, na nossa sociedade,
valoriza-se o trabalho de projeto nos vários setores da vida social e empresarial, mas
também na própria educação escolar. A palavra projeto encontra-se já enraizada no
nosso quotidiano, é uma figura emblemática da nossa modernidade. A isso deve-se o
facto de, frequentemente, ouvirmos falar em projetos e da necessidade de construir
um projeto como forma de antecipação do futuro.

O Plano Anual de Atividades é o documento onde se apresenta a planificação


específica da escola. Sendo o Projeto Educativo o documento de cúpula da
planificação escolar, é ao Plano Anual de Atividades, enquanto concretização
operativa anual do Projeto educativo, que mais especificamente se associa essa
função, já que é o plano anual de atividades que se encontra mais próximo da
determinação do processo educativo quotidiano. Assim, o Plano Anual de Atividades
é um instrumento de planificação das atividades escolares para o período de um ano
letivo, consistindo basicamente, na decisão sobre os objetivos a alcançar e na
previsão e organização das estratégias, meios e recursos para os implementar.

A comunidade educativa não é uma exceção a este paradigma, todos os dias se


depara com referências a projetos educativos, projetos curriculares ou projetos de
formação. Isso leva a que as escolas procurem, cada vez mais, proporcionar aos alunos
uma aprendizagem por projetos, promovendo o desenvolvimento da sua cognição.

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O futuro é feito de projetos e é na escola que as crianças e os jovens são encorajados


a construir e a pensar como estes se resolvem. Etimologicamente, na sua raiz latina, a
palavra projeto adquire o sentido de lançar para diante -projicere-. Por influência
grega e por via indireta, integra a noção de problema -ballien -.

De acordo com o Dicionário de Educação, um projeto é um conjunto de operações


que culminam numa realização precisa, num contexto particular e num espaço de
tempo determinado. Todos nós temos ou estamos envolvidos em projetos, sejam
estes pessoais, profissionais ou globais. Para definir o projeto, poderíamos dizer que
parte de uma ideia, de um sonho, de uma vontade ou de uma intenção.

No caso do Trabalho-Projeto o importante é que os alunos adquiram um conteúdo


programático de forma diferente, de uma forma apelativa e, ao mesmo tempo,
envolvê-los na construção do seu conhecimento, desenvolvendo a sua motivação.

Na metodologia de Trabalho-Projeto, os conteúdos dos projetos são, por norma,


assuntos que dizem respeito à vida das crianças, dos familiares, ou a acontecimentos
sobre os quais elas querem aprender mais, sendo desenvolvidos de acordo com um
determinado contexto social.

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Geralmente, são os alunos que selecionam os conteúdos que pretendem desenvolver


no Trabalho-Projeto mas, caso isso não aconteça, e tenha o professor de decidir,
deverão ser aceites por eles. Desenvolve-se uma espécie de contrato entre alunos, que
trabalham em grupo, e professores, ambos com direitos e deveres e assumindo a
responsabilidade dos seus atos.

O conhecimento constrói-se através das interações entre as atividades do sujeito e o


meio envolvente. Em pedagogia, um projeto é uma forma de educação, uma
metodologia de trabalho que tem como ponto de partida a pesquisa e,
consequentemente, conduz à aquisição de saberes.

A aprendizagem pode ser caracterizada como uma construção resultante da pesquisa,


pelo que pesquisar domina todo o processo de aprendizagem. Importa referir que um
Trabalho-Projeto requer uma construção progressiva que tem um início, um meio e
um fim que se interligam, passando por um desenvolvimento estruturado e faseado
elaborado pouco a pouco que termina num momento de síntese final, dando origem a
um produto que é dado a conhecer.

Cada estabelecimento educativo tem as suas características próprias e uma


especificidade que decorre da rede em que está incluído (pública, privada solidária ou
privada cooperativa), da dimensão e dos recursos materiais e humanos de que dispõe,
diferenciando-se ainda pelos níveis educativos que engloba. Muitos estabelecimentos
educativos, para além da educação pré-escolar, incluem outros níveis educativos como
a creche ou os ensinos básico e secundário. Esta inserção num contexto organizacional
mais vasto permite tirar proveito de recursos humanos e materiais, facilitando ainda a
continuidade educativa.

A dinâmica própria de cada estabelecimento educativo está consignada no seu


projeto educativo, como instrumento de orientação global da sua ação e melhoria,
complementado pelo regulamento da instituição, que prevê as funções e formas de
relação com os diversos grupos que compõem a comunidade (órgãos de gestão,
profissionais, pais/famílias e alunos). Estas linhas gerais de orientação, e
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nomeadamente o projeto educativo de estabelecimento educativo/agrupamento de


escolas, enquadram o trabalho educativo dos profissionais e a elaboração do projetos
curriculares de grupo. A contribuição dos educadores na elaboração do projeto
educativo e o modo como o concretizam confere-lhes também um papel na sua
avaliação. 

Há ainda determinados aspetos da gestão do estabelecimento educativo que têm uma


influência direta nas salas de jardim de infância, tais como a distribuição de grupos e
horários dos diferentes profissionais, critérios de composição dos grupos e organização
global do tempo (horas de entrada e saída, horas de almoço, disponibilidade de
utilização de recursos comuns).

Os estabelecimentos educativos proporcionam, também, um espaço alargado de


desenvolvimento e aprendizagem de todas as crianças, em que a partilha dos espaços
comuns (entrada, corredores, refeitório, biblioteca, ginásio, etc.) deverá ser planeada
em conjunto pela equipa educativa. 

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3-Projeto de intervenção pedagógica

o Caracterização

Da revisão da literatura pode-se inferir a importância que a contribuição do


desenvolvimento do trabalho pedagógico na modalidade de projeto tem para a
melhoria da qualidade do processo de ensino aprendizagem. Como tal, na prática
pedagógica o projeto envolve os alunos e os professores para uma atividade que
interessa o grupo. Engloba diversas áreas de conhecimento, proporcionando ao aluno
encontrar uma área de interesse para se pesquisar. O professor (proponente) pode
trabalhar envolvendo alguns aspetos dentre eles: temas geradores, problematização
de um assunto que julga juntamente com os alunos, aulas expositivas e etc.

Para ser considerado projeto o mesmo deve conter alguns elementos:

- Compartilhamento, socialização de resultados;

- Ação coletiva

- Analisar os pontos estratégicos na execução do projeto

- Discussão do tema em grupo

- Fontes diversas para compartilhar saberes.

Os projetos escolares estabelecidos e fundamentados, apontam vantagens na


aprendizagem do aluno, tornando-se crítico e argumentativo, relacionando o antes e o
depois da aprendizagem, tendo a prática um elemento construtivo na qualidade do
ensino. Os projetos impostos para serem desenvolvidos nas escolas não surtem o
mesmo resultado dos projetos elaborados através de uma necessidade, respeitando a

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realidade do aluno, em que a atitude de um professor esteja disposto a trabalhar com


o novos conteúdos de modo diferente e flexível. Ainda nesta linha podemos afirmar
que os projetos de trabalho significam um enfoque do ensino que tenta ressituar a
concepção e as práticas educativas na escola, e não simplesmente readaptar uma
proposta do passado, atualizando-a. Assim entende-se que não é só o professor que
necessita de uma atitude de mudança e incrementar tal prática pedagógica, mas
também todo o sistema educacional e a forma de ensinar.

O trabalho por projetos não deve ser visto como uma opção puramente metodológica,
mas como uma maneira de repensar a função da escola.

Podemos apontar algumas características do trabalho com projetos:

- Parte-se de um tema ou de um problema negociado com a turma.

- Inicia-se um processo de pesquisa.

- Procura-se e selecionam-se fontes de informação.

- São estabelecidos critérios de organização e interpretação das fontes.

- São recolhidas novas dúvidas e perguntas.

- Representa-se o processo de elaboração do conhecimento vivido.

- Recapitula-se (avalia-se) o que se aprendeu.

- Conecta-se com um novo tema ou problema.

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o Identificação das necessidades

A maneira de se fazer o projeto pode ser fruto de uma aprendizagem coletiva, através
da troca de experiências e de uma reflexão critica e solidária sobre as diferentes
práticas. É preciso compreender onde é que o grupo está e quais suas necessidades.
Ou seja, na procura de mudança do processo de planeamento, o ideal é a coordenação
construir a proposta do roteiro de elaboração do projeto com professores; se não for
ainda possível, pode propor, justificar e mostrar como aquele roteiro pode ajudar o
professor a fazer um bom trabalho.

Dentro desta linha de interpretação grande parte dos professores não sentem os
projetos como algo real, mas sim como uma imposição pelos órgãos educacionais
advindo daí uma frustração pois os mesmos não representam uma realidade de sala de
aula.

O trabalho por projetos não deve ser visto como uma opção puramente
metodológica, mas como uma maneira de repensar a função da escola e continua
referindo que para haver mudança para além de o professor mudar cabe também a
todo o sistema educacional olhar e repensar a escola de outro modo.

O projeto inicia-se dentro de uma sala de aula, potencializa a obtenção de melhores


resultados e aumenta a qualidade de aprendizagem dos conteúdos. Sendo a
autonomia, importante na construção do projeto escolar. Assim, quanto maior for o
interesse do professor em transformar o projeto em algo que motive o aluno a
desenvolvê-lo, mais significativo será o trabalho produzido.

A autonomia refere-se à capacidade de posicionar-se, elaborar projetos pessoais e


participar enunciativa e cooperativamente de projetos coletivos, ter discernimento,
organizar-se em função de metas especificas, governar-se, participar de gestão de
ações coletivas, estabelecer critérios e eleger princípios éticos etc.

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A prática de projetos implica que o professor utilize práticas significativas para que os
alunos possam usufruir também de aprendizagens de sucesso.

Tendo por base tais aprendizagens o professor será um mediador e um facilitador


cooperando com os alunos diferentes alternativas para chegarem em comum às fontes
do conhecimento. Neste sentido ser facilitador é exatamente auxiliar os seus alunos a
acessar a essas fontes.

Os projetos escolares contribuem na motivação e autonomia dos alunos, de forma


integradora nas diversas áreas do conhecimento, despertando o pensamento crítico
e argumentativo, uma vez que, sob orientação do professor a temática desenvolvida
surge de contextos locais e até mais amplos do meio físico e social.

Devemos realçar que a ideia de trabalhar na metodologia por projetos, cabe ao


professor a escolha de uma dimensão inovadora no processo de ensinar e de
aprender. O paradigma inovador envolve processos contínuos de aprendizagens,
portanto não reduz a metodologia a uma lista de objetivos e etapas a serem
cumpridas.

o Constituição

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As características do trabalho com projetos relacionam-se com o quadro acima,


fixando os objetivos propostos, reforçando o desenvolvimento do projeto escolar.
Logo a ação coletiva e o compartilhamento das atividades são passos essenciais para o
avanço das atividades.

Elencamos algumas considerações sobre as razões que valorizam a organização dos


conteúdos escolares por projetos quando destacam:

- O trabalho por projetos proporciona o contexto a partir do qual aparecerá a


necessidade das disciplinas e a sua compreensão organizativa

- Os projetos e os temas didáticos delineiam problemas que não podem estar situados
em disciplinas particulares, pois esta obriga a que se examinem desde as
particularidades até as diferentes visões de uma disciplina.

- Os projetos proporcionam uma maior margem para a aprendizagem iniciada pelo


aluno, que pode seguir melhor o seu próprio ritmo, sem sentir-se oprimido pela
estrutura de uma disciplina particular ou por decisões tomadas a priori sobre a
organização sequencial /relacional do que está a conhecer, permitindo desenvolver
diferentes estratégias organizativas e marcos de aprendizagem, que evitam o caráter
repetitivo que pode predominar nos planeamentos disciplinares ou em formas que os
educadores possam utilizar para organizar os conhecimentos escolares.

Tendo por base tais considerações, pode inferir-se que a metodologia de projeto leva
o aluno a ter maiores competências interventivas de modo a criar mais
potencialidades de construção do conhecimento.

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o Procedimentos/estratégias

A utilização de Projetos como estratégia de aprendizagem, focando em temas


geradores, proporcionando um ambiente motivador e propício ao ensino, pesquisa e
extensão na educação profissional e tecnológica, podendo ser um instrumento que
auxilie na permanência dos alunos nessa modalidade de ensino.

É possível desenvolver competências ao trabalhar com projetos, propor desafios que


estimulem os alunos a mobilizar seus conhecimentos e completá-los.

A experiência com projetos na escola tem-se mostrado eficiente no desenvolvimento


das inteligências múltiplas e no trabalho com os conteúdos atitudinais e
procedimentais. Trabalhar com projetos na escola significa adotar outra concepção do
que sejam os processos de ensinar e de aprender. Sendo relevante a ideia de que o
aluno aprende fazendo conexões entre os conhecimentos adquiridos e aqueles que
ainda precisam ser construídos, não aprendendo por acumulação ou por meio da
simples transmissão de informações, mas fazendo relações entre diferentes saberes,
e a partir daí construir novos conhecimentos.

A apresentação de trabalhos com projetos contempla uma relação diferente com o


conteúdo, em vez de partir do professor, como no modelo tradicional, transmissor e

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informativo, parte-se de um desafio, o qual, para ser resolvido, exige a incorporação


de novos conteúdos pelos alunos.

o Estratégias de avaliação

O conceito de avaliação está entrelaçada à ideia de mensuração e de transformação


da conduta humana. Dessa forma fortalece o aspecto quantitativo em detrimentos dos
aspectos qualitativos que devem ser levados em consideração num ato de avaliar
envolvido com o processo de ensino e aprendizagem de qualidade

Existem momentos diferentes e não relacionados percebidos pelos professores com a


atitude educar e avaliar. Logo, por estes não destinarem a importância indispensável
para avaliação no contexto do processo de aprendizagem, ainda exista uma busca de
inovar, limitam-se na aplicação de prova escrita, atribui nota e encerram o processo de
avaliação.

Verifica-se sobre a avaliação, determinantes a ser observadas: avaliação contínua e


cumulativa da atuação do educando, com prioridade dos aspectos qualitativos sobre
os quantitativos e dos resultados ao longo do período. Deve-se frisar que os aspectos
não são notas, mas sim, registos de acompanhamento da vida acadêmica do aluno.

A avaliação aspira objetivos a serem alcançados apartir dos principios definidos,


observando os elementos envolvidos do processo.

Assim sendo, a avaliação não é fechada, mas colabora com resultados pré
estabelecidos. Logo ela analisa qualitativamente o processo de ensino aprendizagem
orientando o professor nas decisões.

A avaliação da aprendizagem é um processo mediador na construção do currículo,


diante de um novo paradigma, que se encontra fortemente ligado à gestão da
aprendizagem dos alunos. A avaliação deve proporcionar a discussão sobre os erros a

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fim de corrigi-las em novas ações, sendo integradora no processo de ensino


aprendizagem obetendo informação útil para alunos, professores e escola. É por meio
dos processos avaliativos e os os métodos aplicados que o professor irá participar da
transformação da sociedade que estamos inseridos, podendo formar sujeitos críticos
e independentes para que possam conviver com equidade.

Aspectos como trabalhar em equipe, saber relativizar, ter um espírito de pesquisa,


focalizar uma direção, articular meios e fins são aspectos que acreditmosa ser
importantes para realização de um projeto curricular numa ótica construtivista. P

Podemos sinalizar a aprendizagem com projetos escolares a possibilidade do aluno


recontextualizar o que aprendeu, além de estabelecer relações significativas entre
conhecimentos. Nesse contexto os meios na resolução dos problemas de investigação
podem ser alterados e ampliar a sua aprendizagem.

Embora existam diferentes formas avaliativas, procura-se a melhor forma de contribuir


com o desempenho dos alunos, que expresse uma aprendizagem significativa diante
dos componentes curriculares, não só uma mensuração através de notas, mas tendo
olhar qualitativo.

A avaliação é utilizada comumente pelo professor para verificação do rendimento dos


alunos como bons, ruins, aprovados e reprovados. É preciso o conhecimento das
características da avaliação qualitativa por parte dos professores assim como as suas
concepções evolutivas, para compreender maneiras de realizar esse processo, e
analisar de que modo se está a processar o ensino aprendizagem. A forma complexa
da avaliação mostra olhares com diversas perspectivas diante da amplitude do
fenómeno educativo que podem ser assimilados de maneira mais sólida, crítica e
viabilidade de transformação.

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Algumas funções de planeamento são abordadas no processo de ensino


aprendizagem que compõe a avaliação, dentre elas:

Função Diagnóstica - que realiza uma observação dos conhecimentos existentes no


aluno, assim como as condições à aquisição de um novo saber. Permite ainda apontar
progressos e dificuldades de alunos e professores diante do objetivo proposto;

Função Formativa - que proporciona aos docentes informações sobre o


desenvolvimento do trabalho. Fomenta no processo ensino aprendizagem, a
elucidação de dúvidas e estímulo no alcance do objetivo;

Função Somativa - que oferece recursos para o registo das informações


desempenhadas pelo aluno, expressa em nota ou conceito, acontecendo o mesmo ao
final de cada trimestre ou ano letivo visando um diálogo mais objetivo entre os
professores.

É dentro da compreensão de que o aluno deve aprender a aprender e pensar de


modo crítico que o processo de avaliação deve estar inserido. Para o
desenvolvimento dessa prática avaliativa, requer do docente um olhar detalhado da
sua disciplina, que possibilite relações entre cientificidade e as hipóteses dos alunos.
Para tal, defende-se um modelo de avaliação para auxiliar professor e aluno na
obtenção de resultados, e que apresente acertos e dificuldades.

A avaliação resulta no trabalho do professor e do aluno, determinados na colaboração


e sucesso do projeto, fortalecendo a busca do conhecimento e da aprendizagem.
Porém acontecer uma avaliação nesse olhar, é preciso mudar o modo de pensar do
professor e da comunidade escolar, quer seja no ensino, na aprendizagem ou na
avaliação a partir de suas matrizes teóricas e adequando-as à realidade de ensino na
qual o professor está inserido.

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O motivo para um momento avaliativo do projeto descreve-se na compreensão


sistemática do resultado e erros de execução, seja ela intermediária ou final.

Sem a instrumentalização de um processo de avaliação devidamente delineado


dificultase uma percepção precisa acerca do nível de realização do projeto educativo,
podendo ser através de episódios desalinhados, dados recolhidos ocasionalmente ou
de observações casuais dos processos.

Resumindo, o processo de avaliação do projeto escolar é uma peça essencial para


aprimorar e melhorar o próprio projeto.

A avaliação do projeto escolar permite:

• Reconhecer os pontos indicadores do projeto;

• Refletir estratégias e métodos de trabalho;

• Possibilitar a regulação da ação educativa;

• Contribuir para a formação dos atores participantes.

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Ao trabalhar com projetos a avaliação reside no apuramento de dados a partir dos


resultados decorrentes do trabalho implementado, permitindo conceber conclusões
concretas dos objetivos, apresentando indicadores para melhoria e reformulações.
Todavia avaliar prescreve a mediação de objetivos entrelaçados num plano
estratégico, proporcionando a instrumentalização do processo com a complexidade
que permite refletir a eficiência das ações, não se limitando a recolha de informações
sobre o desenvolvimento do projeto.

A avaliação do projeto educativo permite:

• Medir se a sua formulação é ajustada aos objetivos preconizados;

• Acompanhar a qualidade da sua execução;

• Analisar se os resultados e os objetivos propostos foram atingidos. A avaliação


fornece indicadores sobre a mais-valia do projeto, isto é, sobre a sua razão de ser, a
saber: • Que resultados o projeto educativo atingiu? ; • Qual a utilidade do projeto
educativo? ; • Em que medida a sua implementação contribuiu para a melhoria do
serviço prestado pela escola? .

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4-Pedagogia de projeto

o Caracterização do trabalho de projeto

A educação, como parte integrante da sociedade, é afetada por mutações sociais,


políticas, económicas e culturais que nesta ocorrem. A sociedade do século XXI, pode
ser caracterizada como a “sociedade de aprendizagem”. Esta deverá ser uma
sociedade reconhecida pela inclusão, de modo que todas as crianças aprendam juntas
apesar das diferenças de cada uma. Uma das principais críticas que, atualmente, se
coloca à escola está relacionada com a sua incapacidade de promover a importância da
aprendizagem e fazer com que todos os alunos tenham, verdadeiramente, sucesso.

Além disso, são desafios decorrentes das mudanças educativas potenciar o


desenvolvimento cognitivo e metacognitivo dos alunos, privilegiando a formação ao
longo da vida. Perante este paradigma, o ensino mais “tradicional” caracterizado por
metodologias centradas, exclusivamente, no professor e no seu saber, deverá dar
lugar a um ensino marcado pela participação ativa dos alunos na construção do seu
conhecimento, pelo que o professor deve mostrar-se inovador e desenvolver
metodologias que permitam que estes utilizem os seus conhecimentos e as suas
capacidades, potenciando o desenvolvimento de competências que se traduzam em
aprendizagens significativas.

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Neste sentido, no relatório para a UNESCO sobre a educação para o século XXI,
foram definidos quatro pilares que devem ser valorizados:

- aprender,

- aprender a fazer,

- aprender a viver juntos

- e a viver com os outros para aprender a ser.

Como deverá ser encarado o processo de ensinar? É uma questão para a qual muitos
docentes, certamente, tentarão encontrar uma resposta.

O professor deverá ser “parte ator, parte vendedor.” Isto é, por um lado, existem os
conteúdos que os alunos devem aprender, mas, por outro lado, há a constante tarefa
do professor em tentar vender o entusiasmo de ensinar aos alunos que não têm
qualquer vontade de frequentar a escola.

Educar significa desenvolver a capacidade de pensar e decidir perante situações


novas e com alguma complexidade. É por isso que a educação de hoje implica a
existência de constantes interações entre a escola, o meio e a sociedade, de forma a
permitir a ocorrência de aprendizagens significativas e o desenvolvimento de
competências nos alunos.

O sentido de projeto, com o passar dos tempos foi tomando outros significados. No
campo educacional, recebeu denominações variadas, ou seja, uma série de termos que
foram e estão sendo usados para designar projetos, que são: pedagogia do projeto,
trabalho por projetos, aprendizagem por projetos, ensino por projeto, projeto
educativo, metodologia de projetos, entre outros. Salvas algumas peculiaridades em
que a diferença fundamental está no contexto histórico que foi proposto, pois, embora

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possam ter propósitos diferentes e com usos diversificados, a focalização recai na


aprendizagem.

o Fases de elaboração de um relatório de projeto

 Identificação das necessidades/constrangimentos

Este processo não se baseia apenas numa investigação sustentada de determinado


problema, mas sim na tentativa de intervenção, baseada em alicerces fundamentais,
para a resolução eficaz desse mesmo problema, pelo que o trabalho de projecto
aproxima-se bastante da investigação – acção.

Assim, estabelece-se uma dinâmica entre a teoria e a prática em que o investigador


interfere no próprio campo da investigação, estando directamente ligado às
consequências da sua acção e intervenção. É de salientar, que este é um método que
permite ao investigador compreender melhor. a realidade da população que é
afectada pelo problema em questão, o que permite também uma melhor
planificação e uma acção mais directa e dirigida para transformar e melhorar essa

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realidade. Isto confere ao projecto uma característica investigativa, produtora de


conhecimento (a realidade) para os intervenientes. Está assim presente a aplicação dos
conhecimentos teóricos à realidade concreta: constituindo o ponto de partida e de
chegada do projecto – o trabalho desenvolve-se no contexto.

A primeira etapa da metodologia de projecto, o diagnóstico de situação, visa a


elaboração de um mapa cognitivo sobre a situação-problema identificada, ou seja,
elaborar um modelo descritivo da realidade sobre a qual se pretende actuar e mudar.

Para que se criem respostas de qualidade que satisfaçam as necessidades da


população é fundamental mobilizar os recursos humanos que são um elemento fulcral
para a mudança em qualquer instituição, assim como é importante que estes possuam
um bom nível de formação, adequada às suas funções e que invistam na formação
contínua.

O conceito de necessidade envolve as noções de causalidade e de evolução


prognóstica. As necessidades podem ser classificadas em reais, quando determinadas
pelos profissionais, e ainda em expressas e não expressas; estes factores variam
consoante o contexto sócio-económicos e o tipo de serviço.31 Neste sentido, o
diagnóstico da situação implica primeiramente, a identificação dos problemas e
posteriormente a determinação das necessidades, na qual é importante identificar os
precursores dos problemas e as consequências dos mesmos

 Fundamentação

O trabalho de projecto tem como objectivo central a análise e a resolução de


problemas em equipa, através de diversas técnicas que permitem a recolha, obtenção
e análise de informação. Esta metodologia determina assim as acções a serem
adoptadas, neste ou naquele sentido, quando e como devem ser implementadas,
respondendo à questão “o que fazer e como fazer”. Contudo não é um processo

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estanque, pois permite uma flexibilidade dos procedimentos que se desenvolvem ao


longo do trabalho, sendo assim um processo dinâmico, adaptando-se e reorientando-
se ao longo da intervenção sempre que for necessário.

 Fase de preparação

O diagnóstico da situação é dinâmico, no qual a caracterização da situação é contínua,


permanente e com actualizações constantes. Nesta base de ideias, trata-se de um
processo contínuo, no qual não se parte do mesmo ponto inicial, mas de um ponto
aperfeiçoado, com o intuito de ter em atenção as alterações na realidade.

O Diagnóstico da Situação, enquanto conceito mais alargado do que a identificação de


problemas, deve consolidar a análise do contexto social, económico e cultural onde o
problema se insere, assim como as potencialidades e os mecanismos de mudança
existentes. Assim, deverá assumir um carácter sistémico, interpretativo e prospectivo,
devendo a sua elaboração assentar na compreensão do carácter sistémico da
realidade; envolver uma relação de causalidade linear numa primeira fase e ser mais
integrado numa segunda fase; ser multidisciplinar; ser um instrumento de participação

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e de consciencialização dos actores; ser um instrumento de pesquisa – acção; ser já


intervenção por ser um instrumento de interacção e de compreensão do real.

A definição do problema constitui o início da concretização de uma investigação ou


elaboração de um projecto, e nesta etapa inserem-se igualmente a definição das
hipóteses e a operacionalização das variáveis a considerar.

Ainda assim, a identificação e elaboração dos problemas é uma tarefa complexa,


ocorre nas seguintes etapas: identificação das causalidades dos problemas
(recorrendo às hipóteses do projecto); caracterização qualitativa e quantitativa do
problema e das causalidades; análise da evolução do problema no passado e
perspectivas da sua evolução futura; Identificação dos intervenientes, das suas
diferentes percepções do problema e expectativas face à sua resolução; levantamento
de experiências concretas já existentes de intervenção ao problema; clarificação dos
recursos e forças que ajudam à resolução do problema e a definição das prioridades de
intervenção, face à análise do problema.

Desta forma, o problema é um elemento fulcral para a definição do diagnóstico, uma


vez que esta etapa requer a produção de um quadro que identifique e relacione entre
si os problemas mais relevantes da situação, ou instituição, no momento da nossa
avaliação.

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 Fase de lançamento

Os objectivos apontam os resultados que se pretende alcançar, podendo incluir


diferentes níveis que vão desde o geral ao mais específico.

Enquadrando os objectivos na metodologia de projecto, estes assumem-se como


representações antecipadoras centradas na acção “a realizar”, ou seja, a
determinação dos objectivos finais embora não seja sempre uma condição prévia
temporal é irremediavelmente um ponto fulcral na elaboração de projectos de
acção.

No processo de definição dos objectivos é necessário que os problemas identificados


sejam descritos de forma sucinta de modo a delimitar o problema que o projecto visa
resolver para que possa ser clara a formulação de objectivos. Para tal, há que partir da
formulação textual do problema (situação negativa), expressando-a como um estado
positivo no futuro (objectivo). Contudo, é importante ter em atenção que a formulação
de certos problemas para objectivos poderá conduzir para resultados absurdos na
prática ou discutíveis no plano ético, sendo, deste modo, útil encontrar uma forma de
substituição ou transcrever textualmente o problema.

 Fase de organização/planificação

No que diz respeito ao momento e da definição dos objectivos existem algumas


divergências entre autores. Alguns autores defendem que os objectivos não são
definidos na fase da planificação, mas sim a medida em que o projecto se for
desenvolvendo.

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A identificação dos objectivos é o ponto fulcral da planificação e do desenvolvimento e


que, segundo a OCDE “a planificação seria cega” sem a determinação dos mesmos.

Deste modo, é impossível levar até ao fim um acto de planificação sem se dispor de
uma imagem clara dos objectivos, mesmo não estando completamente explícitos
desde o inicio.

É importante definir os objectivos consoante os diferentes níveis em que se


enquadram. Definimos objectivos gerais como enunciados de intenções que
descrevem os resultados esperados. Ou seja, fornecem-nos indicações acerca daquilo
que o formando deverá ser capaz de fazer após o seu percurso formativo.

Devem ser formulados tendo em conta os conhecimentos e capacidades a adquirir,


dizendo geralmente respeito a competências amplas e complexas.

Na fase de planificação do esboço do projecto, realiza-se o levantamento dos recursos,


bem como as limitações condicionantes do próprio trabalho. Nesta fase são, também,
definidas as actividades a desenvolver pelos diferentes elementos do grupo e, ainda,
definidos os métodos e técnicas de pesquisa bem como o respectivo cronograma.

Em suma, o processo de planificação de uma metodologia de projecto traduz-se na


antevisão de uma imagem finalizante e na implementação das operações de formação,
nomeadamente a definição de objectivos específicos e a determinação de prioridades
permitindo deste modo obter aquilo a partir do qual é produzido o resultado. Deverá
ser elaborado um plano de acção para cada um dos objectivos identificados.

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 Fase de realização

Esta fase assume uma importância significativa para o(s) participante(s) do projecto
dado que possibilita a realização das suas vontades e necessidades através das acções
planeadas.

A ruptura entre o real mental e o real construído coloca ao(s) participante(s) diversos
problemas que, ao serem resolvidos, podem potencializar o(s) seu(s) leque(s) de
competências

No que diz respeito à calendarização das actividades, o desenvolvimento do


cronograma do projecto, pode ser um processo interactivo que determina as datas de
início e de fim planeadas para as respectivas actividades a desenvolver durante o
projecto. Partindo desta permissa é importante ter em conta que o desenvolvimento
do cronograma pode impôr a necessária revisão das estimativas de recursos e
durações.

De salientar que a utilização e escolha das actividades, meios e estratégias a realizar


coadunam directamente com os objectivos previamente alicerçados. As actividades,
meios e estratégias são parte integrante do planeamento, razão pela qual é
fundamental definir e explorar os respectivos conceitos.

Os meios consistem na determinação de quais os recursos - pessoa, equipamentos,


materiais- necessários, e em que quantidades, para a realização das actividades do
projecto.

Para a elaboração de um projecto, deverão ser seleccionados e aplicados diferentes


meios, cabendo ao investigador determinar quais os mais convenientes ao seu
objectivo de estudo, às questões de investigação colocadas ou às hipóteses
formuladas. Estes meios consistem nos recursos a que se pode ter acesso para a
realização do projecto que vai depender do tipo de estudo em questão.

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Os meios são ainda responsáveis pela conclusão efectiva das actividades do projecto.
Estes podem estar organizados em meios humanos, técnicos, materiais e financeiros.
Os meios humanos dizem respeito à criação de uma equipa, que apresente um
conjunto de conhecimentos e de competências, e terá como objecto de estudo uma
população-alvo.

Deve existir confiança traduzida em relações profissionais sinceras e autênticas; existir


respeito recíproco entre elementos e reconhecimento das competências específicas;
existir consenso quanto aos objectivos a atingir, definindo-os com precisão desde o
início; distribuir as tarefas consoante as capacidades de cada elemento da equipa de
tal modo que todas as actividades do projecto fiquem asseguradas.

Caso ocorram alterações ao planeado, estas devem ser estudadas e deverão ser
colocadas em prática medidas de recuperação para que os objectivos do projecto não
se encontrem comprometidos. Decorrentes das reformulações ao plano inicial podem
surgir consequências indesejáveis que, por vezes, tornam-se inevitáveis perante
contratempos imprevisíveis.

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É de extrema importância a participação do orientador, uma vez que este pode


disponibilizar recursos materiais e humanos imprescindíveis para o processo de
execução de projecto.

Nesta fase, o orientador exerce o seu papel de elemento activo e participante do


grupo, recordando que o projecto não é apenas dos participantes mas dele também.
Desta forma, o orientador não se limita a auxiliar, mas igualmente a investigar,
descobrindo respostas aos problemas levantados inicialmente, desenvolvendo
capacidades e aprendendo com os participantes.

O papel do professor num projecto é o de coordenador e de informador, intervindo a


pedido ou por sua própria iniciativa à medida que o trabalho avança.

Este papel é delicado visto que exclui qualquer tipo de abandono ou de desmotivação
por parte do professor. Assim, este deve saber incitar, esperar e intervir quando a
situação está madura para essa intervenção. O professor resume e formaliza a regra do
jogo no final das discussões, indica as fontes de informação e a sua preparação
acompanha a actividade e segue as suas evoluções.

A fase da Execução, embora seja a mais trabalhosa, é a mais proveitosa. Neste sentido,
o orientador deve ter em atenção a motivação dos participantes e deve envolver cada
um deles, de forma a promover o seu papel activo no processo, dado que a motivação
intrínseca surge somente quando o sujeito se encontra activo na acção e no meio.

De acordo com o autor supracitado, empenhados no processo de criação e execução,


torna-se importante que os participantes se sintam apoiados pelo orientador dado que
as dúvidas são constantes e na ausência do orientador, o grupo pode perder o sentido
na elaboração e concretização do projecto. Assim, o orientador deve assumir uma
posição de mediador, ocupando o papel não daquele que dá, mas daquele que
propicia.

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 Fase de avaliação

Na avaliação de um Projecto, podem distinguir-se vários momentos. Nesse sentido,


serão abordadas a avaliação intermédia/depuração, realizada em simultâneo com a
execução do projecto, e a avaliação final do mesmo, com a avaliação do processo e
produto do Projecto.

Para que se possa avaliar de modo rigoroso é fundamental recorrer a instrumentos


de avaliação que não apresentam todos as mesmas características. Assim, no final do
presente capítulo, serão ainda abordados, de modo sucinto, alguns instrumentos de
avaliação e referidas as três características básicas que os instrumentos de avaliação
devem possuir. As avaliações são momentos onde se questiona o trabalho
desenvolvido, sendo que podem estar ou não previstos. Os questionários elaborados,
as entrevistas com o orientador, as discussões em grupo, entre outros, constituem
algumas formas de operacionalizar a avaliação.

Uma das características da Metodologia de Projecto é precisamente o facto da


avaliação ser contínua, e permitir uma retroacção com vista a facilitar a redefinição da
análise da situação, a reelaboração dos objectivos, acção e selecção dos meios, bem
como a análise dos resultados.

De acordo com estes autores, a avaliação deve fornecer os elementos necessários para
intervir no sentido de melhorar a coerência (relação entre o projecto e o problema), a

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eficiência (gestão dos recursos e meios atendendo aos objectivos) e a eficácia (relação
entre a acção e os resultados).

Existem quatro tipos de avaliação:

 a operatória (“orienta para a acção e tomada de decisão”),


 a permanente (desenvolvida ao longo do Projecto e possibilita a existência de
meios de regulação);
 a participante (associa todos os elementos que participam no processo às
práticas de avaliação, facilitando a troca de experiências e resultados)
 e a formativa (cria as condições para aprendizagens mútuas). Por exemplo, é
na avaliação operatória que se utilizam os indicadores de avaliação traçados na
etapa de planeamento.

O processo de avaliação na dinâmica de projecto é complexo e implica a


contemplação de várias vertentes de análise e reflexão. A forma e as ferramentas que
serão utilizadas devem ser definidas inicialmente, tendo em vista que as melhores
formas de avaliar os projectos são as de cunho qualitativo.

Na Metodologia de Projecto, o processo é tão importante quanto o produto realizado.


No processo, são preponderantes para a avaliação, as competências relacionadas com
a gestão e com a resolução de problemas. Numa “avaliação mínima” devem ser
contemplados alguns aspectos como as circunstâncias do trabalho, pertinência dos
percursos, relação entre a previsão/realização (sendo que o desequilíbrio pode dever-
se a uma insuficiente realização para o tempo previsto e vice-versa) e análise das
estratégias adoptadas na execução.

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UFCD 10652 Projeto de intervenção pedagógica _______________________________________________________

Na pedagogia do Projecto, deve evitar-se a pedagogia da previsão, ou seja, imposição,


pelo orientador, do tema e do projecto que ele próprio concebeu. Por outro lado, o
orientador também não deve deixar o(s) participante(s) entregue(s) à sua completa
liberdade individual, mas sim, deve assumir uma postura de orientador e acompanhar
na elaboração do projecto.

Na verdade, a pedagogia do Projecto é interactiva, pois perspectiva o orientador e


o(s) participante(s) como sujeitos proactivos. Ambos têm ideias e desenvolvem acções,
possivelmente divergentes, sendo que é através do confronto de ideias que advêm
benefícios na qualidade das acções desenvolvidas.não me parece que se coadune aqui
na avaliação.

A avaliação como processo dinâmico implica a comparação entre os objectivos


definidos inicialmente e os objectivos atingidos. Nesse sentido, a avaliação deve ser
rigorosa.

Avaliar um Projecto implica a verificação da consecução dos objectivos definidos


inicialmente. Para fazer essa avaliação pode ser importante ter um método de
verificação da consecução dos objectivos. Assim, podemos ter uma lista dos objectivos
iniciais e verificar se cada um foi atingido. Em caso positivo, torna-se necessário
questionar a pertinência desse objectivo, ou seja, questionar se atingir o objectivo foi

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UFCD 10652 Projeto de intervenção pedagógica _______________________________________________________

útil ao processo ou se, após o término do projecto, constata-se que o mesmo não era
relevante, e quais as possíveis justificações.

Caso o objectivo não tenha sido atingido, é necessário perceber quais os factores que
influenciaram a ausência de consecução do objectivo e quais as consequências da
mesma. Neste sentido, devem ser delineadas possíveis estratégias que promovam a
sua consecução.

Na avaliação do Projecto, deve ser feita uma reflexão sobre os ajustes que poderão ser
feitos após o Projecto; avaliar se as respostas encontradas respondem à problemática
inicial; identificar os pontos positivos e negativos do Projecto; e identificar as pistas
que a elaboração do Projecto suscitou e que podem constituir temáticas de análise
para Projectos futuros.

 Fase de divulgação

Um projecto pode ser encarado por várias perspectivas, nomeadamente na


perspectiva de cada um dos diferentes intervenientes, ou seja, a perspectiva do
próprio projecto, a perspectiva da organização que conduz o projecto, a perspectiva
do grupo-alvo e a perspectiva das outras organizações que são afectadas pelo
projecto ou que possuem alguma influência sobre o projecto

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UFCD 10652 Projeto de intervenção pedagógica _______________________________________________________

A divulgação dos resultados obtidos após a implementação de um projecto é uma fase


importante, na nossa visão, na medida em que se dá a conhecer à população em geral
e outras entidades a pertinência do projecto e o caminho percorrido na resolução de
um determinado problema. Acreditamos que na área da saúde, a implementação da
metodologia de projecto como meio de resolução de um problema ou suprimento de
uma necessidade, da instituição em geral ou de um serviço/departamento em
específico, assume um papel fulcral para o desenvolvimento dos profissionais e para a
melhoria dos serviços prestados aos clientes. A divulgação dos resultados de um
projecto nesta área possibilitará que os clientes tenham conhecimento dos esforços
realizados pela instituição na melhoria dos cuidados, fornece informação científica aos
clientes e a profissionais, servindo de exemplo para outros serviços e instituições.

A divulgação faz parte do desenvolvimento de um projecto e deve ser devidamente


planeada, com a finalidade de informar o público, favorecer o retorno de informação
que permita a adaptação do material (folhetos, posters, vídeos, apresentações, artigos,
entre outros), da abordagem efectuada ou do método utilizado, bem como a
transferência e a adaptação das metodologias e materiais a outros sectores, contextos
e línguas93. Assim, a divulgação assegura o conhecimento externo do projecto e a
possibilidade de discutir as estratégias adoptadas na resolução do problema.

o Meios para a concretização de um projeto, relacionados com as etapas


de desenvolvimento infantil

A primeira palavra que necessita de explicação é a de “desenvolvimento”. Assim,


encaramos a noção de desenvolvimento como esteja atrelada a um contínuo de
evolução, em que nós caminharíamos ao longo de todo o ciclo vital. Essa evolução,

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nem sempre é linear, dá-se em diversos campos da existência, tais como afetivo,
cognitivo, social e motor.

O desenvolvimento da criança a nível:

- Físico e psicomotor: Engloba o aspeto (físico), a componente mental e as habilidades


motoras;

- Sócio Afetivo: Engloba a socialização, o afeto e o carinho;

- Cognitivo: Engloba o conhecimento que cada criança vai adquirindo ao longo do seu
crescimento

O desenvolvimento humano é um processo de crescimento e mudança a nível físico,


do comportamento, cognitivo e emocional ao longo da vida. Em cada fase surgem
características específicas. As linhas orientadoras de desenvolvimento aplicam-se a
grande parte das crianças em cada fase de desenvolvimento. No entanto, cada criança
é um indivíduo e pode atingir estas fases de desenvolvimento mais cedo ou mais tarde
do que outras crianças da mesma idade, sem se falar, propriamente, de problemáticas.

A pedagogia da participação apresenta as suas particularidades ao nível dos seus


objetivos, conteúdos, materiais, processo de aprendizagem, etapas e formas de
avaliar. Relativamente aos seus objetivos a pedagogia procura promover o
desenvolvimento, estruturar a experiência, envolver a criança no seu processo de
aprendizagem, construindo as suas aprendizagens e dando significado às suas
experiências, de modo a atuar com confiança.

Ao nível dos conteúdos a pedagogia da participação centra-se no currículo


emergente, na emergência da literacia, do conhecimento físico, matemático e social,
promovendo as capacidades metacognitivas das crianças, ou seja, proporciona à
criança refletir e pensar sobre os seus conhecimentos prévios, destacando os
instrumentos culturais e sociais. Quanto ao método trata-se de uma pedagogia que
promove uma aprendizagem pela descoberta recorrendo à resolução de problemas
por meio da investigação.

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Esta pedagogia privilegia a utilização de uma grande variedade de materiais tendo um


uso flexível, de modo a permitir à criança a sua experimentação, proporcionando-lhe
aprendizagens diversas e significativas. Estas aprendizagens surgem da realização de
atividades espontâneas, o jogo livre, o jogo educacional e a construção ativa da
realidade física e social. De facto, torna-se importante a educadora proporcionar
possibilidades às criançasde exploração, indutoras do desenvolvimento da autonomia
e da e criatividade, promovendo uma aprendizagem mais pessoal e contribuindo para
a construção do conhecimento na criança, assumindo os ambientes educativos, neste
contexto, um papel proponderante.

o Elaboração de um projeto de intervenção pedagógica

As características do relatório e do material utilizado para divulgar os resultados


devem ser adaptadas às características dos seus destinatários, ou seja, não é a
mesma coisa escrever para leigos, técnicos ou decisores. De igual forma, não é a
mesma coisa escrever para alguém familiarizado com o projecto, ou para alguém que
lhe e alheio. Nem é semelhante escrever para uma audiência (previsivelmente)
receptiva ou para um conjunto de destinatários (tendencialmente) cépticos. Assim, o
tipo de linguagem a ser utilizada, o conteúdo da informação, a forma de transmissão e
recursos utilizados são aspectos importantes e não deve ser descurados, pois podem
comprometer o objectivo da divulgação dos resultados: dar a conhecer às pessoas o
âmbito e pertinência do projecto e dos resultados que se obtiveram.

No que toca à divulgação dos resultados produzidos pela consecução do projecto, é


importante reforçar a importância do planeamento e do trabalho adequado, uma vez
que é a partir desta divulgação que a população-alvo e população em geral tomarão
conhecimento sobre o que foi feito e as estratégias utilizadas, valorizando desta forma
o projecto. Na área da saúde, a divulgação dos resultados é também uma forma de

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sensibilização das pessoas e outros profissionais para o problema que estava em causa,
servindo assim de exemplo sobre caminho a seguir, delineando estratégias e a forma
de minimizar/anular esse problema nos vários contextos.

Um dos aspectos a ter em consideração durante a elaboração do relatório, é a


finalidade, sendo que este aspecto se encontra depende do tipo de projecto
elaborado. O estudante, antecipadamente à realização do relatório, deve colocar
questões de forma a delinear o(s) objectivo(s) do relatório.

Para a redacção do relatório é necessário ter em consideração alguns aspectos, tais


como:

(1) A estrutura do relatório, bem como a correcta redacção do relatório, tendo em


conta o método de apresentação, a linguagem adaptada ao público-alvo de leitura do
documento escrito;

(2) O conteúdo da informação, ou seja, os relatórios produzidos devem ser uma


fonte de informação e de extrema utilidade, para isso, é necessário que a informação
contida possa colmatar as necessidades dos destinatários;

(3) A informação contida deve ser orientada para a acção, ou seja, os relatórios
devem de orientar a informação para a decisão ou para a acção.

(4) A informação contida no relatório deve ser geradora de conhecimento útil;

(5) A informação deve estar organizada e sistematizada, ou seja, um bom relatório


não passa pela quantidade da informação, mas sim pela qualidade da informação.
Assim, os relatórios devem conter informação devidamente seleccionada e organizada,
podendo esta ser facilmente assimilada pelos seus destinatários;

(6) Deve ser objectivo, claro e conciso. É necessário ter em atenção a forma como
se redige o relatório, este deve de ser redigido de uma forma clara e objectiva, pois no
fundo o que se quer é transmitir todo o desenrolar do projecto elaborado. Se a

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informação não for concisa, os destinatários não vão conseguir compreender todo o
processo desenvolvido ao longo do projecto.

(7) A comunicação deve ser assertiva e transparente. O relatório é uma forma de


comunicação, e esta deve ser feita de forma assertiva, evitando inequívocos na sua
leitura. Deve ser utilizada transparência na sua redacção, permitindo que sejam
transmitidas todas as dificuldades que surgiram ao longo da realização do projecto,
como por exemplo dificuldade na recolha de dados, na recolha de informação e no seu
tratamento.

(8) Facilidade na sua leitura. De forma, a facilitar a leitura do relatório, este deve
conter documentos que tornem fácil a sua consulta, nomeadamente, a presença de
sumários, índices, índices remissivos, gráficos, tabelas, diagramas, figuras, imagens,
entre outros. Quando se utiliza gráficos, figuras, quadros ou diagramas, é mais fácil
captar a atenção do leitor e transmitir a informação de forma objectiva. Contudo, é
necessário ter em atenção não utilizar esta forma de apresentação em excesso, como
tal, é de reforçar a importância da selecção de informação para que possam ser
aplicados algumas destas formas de leitura;

(9) Dimensão do relatório. Muitas das vezes somos confrontados com a


quantidade de páginas que o relatório deve conter, quando este valor não é pré-
estabelecido. Um relatório, de dimensão reduzida, pode induzir ao pensamento de que
a informação contida é insuficiente, mas um relatório excessivamente grande torna-se
um objecto de pouca utilidade, uma vez que algumas informações podem ser

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supérfluas. Para a realização de um relatório com dimensões adequadas, é necessário


dividi-lo por partes e delinear o que cada parte deve conter. Assim, o sumário deve de
conter a informação fundamental, dando a conhecer o conteúdo do relatório de uma
forma geral, deve de existir um grande esforço de síntese; o corpo do trabalho deve de
conter informação sucinta, toda a informação mais detalhada e que seja considerada
importante, deve ser remetida para apêndices ou anexos.

Durante a redacção do relatório, este deve ser acompanhado pelos diversos


intervenientes do projecto, que tiveram parte activa na realização do projecto, de
forma evitar constrangimentos aos níveis da estruturação e conteúdo do mesmo. Tal
como durante a realização do projecto, deve haver a validação da informação, durante
a construção do relatório é necessário realizar o mesmo procedimento, de modo a
detectar possíveis lacunas no período da sua construção.

A pedagogia do projecto é caracterizada da seguinte forma:

1º A aprendizagem é influenciada pelo grau de empenho voluntário do(s)


participantes(s);

2º No projecto, o tema em estudo é assumido por várias pessoas, o que conduz a uma
divisão do trabalho previamente discutida pelo grupo;

3º A elaboração de um projecto dá lugar a uma antecipação formal das fases do seu


desenvolvimento e o objectivo a atingir;

4º Qualquer projecto deve dar origem a uma produção esperada por um grupo que no
final a irá apreciar. Independente do tema, o projecto deve culminar numa obra
apresentada;

5º O projecto deve ser colocado em prática de uma maneira flexível. Uma


programação rígida e imposta pelo orientador é o oposto de uma pedagogia do
projecto. O confronto permanente do objectivo enunciado e da sua realização

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constitui o essencial do trabalho onde se pratica a autonomia do(s) participante(s), a


sua criatividade e a sua socialização. O grupo deve periodicamente fazer o ponto de
situação do seu trabalho e reorientá-lo, quando necessário, de acordo com as
dificuldades encontradas;

6º A realização do projecto dá lugar a uma alternância de trabalho individual e


negociação de grupo, sendo que este deve cooperar permanentemente sem provocar
confusão a nível das tarefas decididas e distribuídas;

7º O papel do orientador no projecto é o de coordenador ou informador, intervindo a


pedido do grupo ou por sua própria iniciativa de acordo com o desenvolvimento do
trabalho. Assim, este deve saber incitar, esperar e intervir quando necessário, resumir
e formalizar as regras no final das discussões e indicar as fontes de informação que
encontra por sua conta. O orientador deve ainda acompanhar e seguir as evoluções do
projecto.

Estas características dependem essencialmente do empenho afectivo do(s)


elemento(s) do grupo na sua situação de aprendizagem pessoal. Os vectores afectivos
incluem o interesse espontâneo pela tarefa e a necessidade de socialização (ser
reconhecido pelos outros, agir com e sobre os outros).

O Trabalho de Projecto permite praticar competências sociais como a comunicação, o


trabalho em equipa, a gestão de conflitos, a tomada de decisão e a avaliação de
processos, bem como realizar inúmeras aprendizagens e desenvolver as múltiplas
capacidades quer dos elementos do grupo quer do orientador. Promove ainda a
aprendizagem através da acção, ligando a teoria à prática, e a resolução de problemas
a partir de situações e recursos existentes.

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5-Trabalho de projeto

o Caracterização do trabalho de projeto

A metodologia de Trabalho-Projeto poderá ser designada como a concretização


prática dos ideais defendidos pelo Movimento da Escola Moderna (MEM). O MEM
chega a Portugal no ano de 1966, com o seu principal divulgador Sérgio Niza.
Assumese como um movimento que defende um ensino mais democrático e pretende
substituir a velha pedagogia tradicional por novos modelos pedagógicos, onde o aluno
participa ativamente na construção da sua aprendizagem através do desenvolvimento
de novas metodologias educativas.

O MEM é definido como uma associação de professores e profissionais de educação


destinada à autoformação cooperada dos seus membros, ao apoio à formação
continuada de outros profissionais de educação, afirmando-se como um grupo
centrado na democracia, com a convicção, desde o momento da sua criação, de que
era necessário reeducar os professores para a cidadania. Por sua vez, dentro do
próprio movimento, entende-se por Movimento da Escola Moderna um dever

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pedagógico, uma forma de pensar e agir na educação escolar e não apenas uma
instituição educativa.

Ao promover a cooperação escolar, a autonomia dos alunos e a sua criatividade,


obriga-os a desenvolver capacidades cognitivas que privilegiam o trabalho de aprender
em conjunto para que todos atinjam o sucesso, independentemente das capacidades
de cada um.

A atividade do movimento tem início no ensino de crianças com necessidades


educativas especiais, trabalhando para a prevenção do insucesso escolar.

As ideias defendidas pelo Movimento caracterizam-se pelo desenvolvimento social e


emocional das crianças e dos jovens, assim como pela participação na construção do
próprio saber num ambiente de mútua cooperação entre professores, alunos e
restante comunidade educativa para a obtenção de um mesmo objetivo, a construção
da aprendizagem.

Na metodologia de Trabalho-Projeto, em que o aluno desempenha um papel ativo na


sua aprendizagem; para isso o professor deve preservar a realização de atividades que
promovam uma atitude crítica e de livre expressão, princípios ideais de uma educação
democrática. Através das pesquisas realizadas pelos alunos, os mesmos deveriam
desenvolver uma atitude crítica que lhes permitisse elaborar as produções textuais que
lhes foram solicitadas. Além disso, teriam de ter autonomia para construírem a fase
final do Trabalho-Projeto, teriam de passar da teoria à prática, isto é, representar sob a
forma física as informações/descrições que tinham nos seus trabalhos. No contexto
educativo, o Trabalho-Projeto surge no início do século XX, associado ao pensamento
de John Dewey1 (1859-1952), que terá concebido a ideia de uma pedagogia aberta em
que o aluno é autor da sua própria formação académica através de aprendizagens
concretas e significativas – learning by doing.

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Entre outos pressupostos, a metodologia de Trabalho-Projeto é uma metodologia


ativa que se caracteriza pela implementação de uma educação com uma componente
mais prática e pelo desenvolvimento da autonomia do aluno, através da conciliação
entre o trabalho individual e coletivo, desenvolvendo o seu sentido crítico.

É necessário formar os alunos com sucesso efetivo, tornando-os cada vez mais
autónomos. Assim, através de um processo contínuo de construção e reconstrução de
aprendizagens significativas, o aluno, com um papel ativo no processo de ensino e
aprendizagem, constitui-se num produtor e não num consumidor de saberes. Deste
modo, através da metodologia de Trabalho-Projeto, os alunos passam a usufruir de
novas condições de acesso à cultura fugindo ao tradicional saber enciclopedista.

A autonomia dos alunos, já aqui mencionada diversas vezes, é um dos principais


resultados que se pretende com a aplicação da metodologia de Trabalho-Projeto. Um
aluno torna-se autónomo a partir do momento em que consegue ter uma perceção
acerca do seu conhecimento, quando tem consciência das suas potencialidades e das
suas fraquezas, relativamente ao processo de aprendizagem. Quando isto acontece,
está capacitado para desenvolver estratégias que permitam controlar a forma como
aprende. Esse processo designa-se autorregulação da aprendizagem, podendo ser
definido como qualquer ação, pensamento, ou sentimento, criados e orientados pelos
próprios alunos para a realização dos seus objetivos.

A autorregulação da aprendizagem pode resultar da partilha de informações entre o


grupo, levando os alunos a tomarem consciência dos conteúdos que dominam e dos
que ainda não aprenderam na totalidade. Tornam-se assim conscientes do seu
processo de aprendizagem e adquirem a capacidade de se autorregularem

Aprender é um processo que passa por duas dimensões indissociáveis: o que é


aprendido e a forma como se aprende. Por um lado, o resultado, e por outro, o
processo que conduz à aprendizagem, ou resultado final. Neste sentido, a

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autorregulação da aprendizagem é uma prática centrada no aluno e no seu progresso


intelectual, que parte da sua experiência pessoal, com vista à sua formação,
concretizando-se, à semelhança do Trabalho-Projeto, através da formação dos alunos
em grupos de trabalho, sujeitos a constantes ajustes entre os interesses individuais e
os do grupo. Assim, são os alunos os próprios mediadores do seu desenvolvimento e
do seu processo de aprendizagem, cumprindo papéis dissemelhantes, o de objeto,
agente e sujeito do seu próprio conhecimento.

A autorregulação da aprendizagem possui três fases, que se integram para produzir


os resultados e os produtos da aprendizagem: a fase prévia, controlo volitivo e
autorreflexão.

A fase prévia é aquela em que o aluno analisa as tarefas que deve realizar e reflete
acerca do que vai efetuar para o cumprimento das mesmas. Esta fase é influenciada
pelas características motivacionais, a autoeficácia e a valorização académica do
indivíduo.

Posteriormente, na fase do controlo volitivo, o aluno dá início à concretização da


tarefa, através da seleção e implementação de ações intermédias para atingir os
objetivos previamente definidos.

Por último, a fase da autorreflexão implica uma reflexão e avaliação da sua ação,
tendo em conta a relação entre os objetivos definidos e os alcançados. As estratégias
utilizadas serão também avaliadas de forma a selecionar as que, verdadeiramente, se
apresentam relevantes para a obtenção dos objetivos estabelecidos inicialmente.

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6-Projeto Educativo

o Caracterização do contexto

Para caraterizar a Escola podemos recorrer à análise de conteúdo do Relatório da


Inspeção Geral de Educação relativamente à Avaliação Externa da Escola. Devemos
organizar a análise de conteúdo em blocos de acordo com os dados existentes,
articulados com áreas/temas e categorias e indicadores. Podemos ainda identificar os
indicadores moda de cada uma das categorias.

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Enquanto organizações, as escolas não podem ser consideradas fora do contexto onde
existem e onde confluem interesses diversos designados por comunidade educativa,
circunstância que concorre para que se possa afirmar que a escola é um contexto.

Como consequência, cada escola desenvolve a sua própria cultura, resultado das
complexas relações que se estabelecem entre as diferentes componentes pessoais,
sociais e institucionais que intervêm no processo educativo.

Em síntese, parece ser claro que o projeto educativo representa, genericamente, um


verdadeiro plano estratégico para a escola e que, nesse sentido, constitui não só um
quadro de operacionalização de um projeto de gestão no âmbito da autonomia, mas
também o documento que consagra a sua orientação educativa.

o Identificação das necessidades/constrangimentos

O projeto educativo surge claramente como um instrumento, não só na reorganização


do sistema e da administração educativa, mas também na concretização e
desenvolvimento da autonomia das escolas.

O projeto educativo visa responder a algumas necessidades fundamentais da


comunidade educativa, nomeadamente de professores e alunos, dos pais e
encarregados de educação, assim como do meio económico e social.

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o Definição de prioridades e campos de atuação

Para que um projeto educativo possa ser um instrumento operatório, torna-se


indispensável que o mesmo integre, no seu processo de elaboração, a mais ampla
participação da comunidade educativa relativamente aos diferentes aspetos da
educação e formação, nomeadamente organização escolar, relação pedagógica,
recursos humanos e materiais, a fim de que todos os seus membros sintam que o
projeto lhes pertence e façam dele um instrumento de trabalho contínuo.
Considerando que o projeto educativo deve servir também para chamar os
empregadores a colaborar no desenvolvimento do processo formativo, no sentido de
melhor responder às necessidades locais de formação, devem estes ser ouvidos sobre
os cursos necessários para responder a essas necessidades. Finalmente, dado que os
pais e encarregados de educação necessitam de escolher a escola onde vão colocar os
seus educandos e os cursos que melhor garantam o seu futuro, devem aqueles ser
inquiridos no desenvolvimento do processo sobre o tipo de educação e formação que
gostariam de ver para os seus filhos, a fim de que se possam conhecer as suas
aspirações e preocupações. Na elaboração do projeto educativo há necessidade de
estabelecer prioridades, não é possível abarcar todos os objetivos estratégicos
estabelecidos, seja pela insuficiência de recursos, seja pelo grau de dispersão que tal
implicaria. A definição de prioridades deve ser criteriosamente ponderada no início de
cada exercício de planeamento e deve considerar os resultados da avaliação de
intervenções anteriores. A focalização num número restrito de objetivos constitui uma
condição de eficácia do projeto educativo.

o Objetivos Gerais do estabelecimento de ensino

A escola educa e forma para a sociedade. Deve, por isso, ter em conta não apenas os
interesses imediatos dos alunos, mas os seus interesses futuros e, em particular, as

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necessidades da própria sociedade. Isso implica que deve estar atenta ao que se passa
na sociedade e em particular no mundo do trabalho, de modo a compreender as
mudanças que se operam no emprego e nos perfis profissionais e de formação. Para
isso, é fundamental que haja colaboração externa. Os empregadores, as associações
empresariais e os sindicatos representativos dos setores de atividade correspondentes
aos cursos em funcionamento na escola são fundamentais para garantir o ajustamento
da oferta formativa às necessidades do mercado de trabalho.

o Estrutura Organizacional

O projeto educativo deve ser conduzido por uma equipa orientada sob
responsabilidade direta do conselho pedagógico e/ou do diretor da escola. A equipa
deve ser pequena, como forma de garantir a sua operacionalidade. O papel da equipa
deve ser o de organizar a recolha da informação indispensável, proceder ao seu
tratamento e análise, promover a participação dos diferentes setores da comunidade,
organizar a audição dos diferentes departamentos e stakeholders da comunidade,
para validar as suas análises e conclusões, redigir o documento final e, após aprovação,
proceder ao seu acompanhamento e avaliação.

o Metas

Toda a organização age em interação com o meio-ambiente em que atua. O meio


determina as condições de vida das organizações, por via legislativa, económica,
sociocultural, política, tecnológica, etc. Para sobreviver nesse meio, a organização
precisa de recursos (humanos, materiais e financeiros). A avaliação das condições
oferecidas pelo meio e a resposta que a organização apresenta fazem parte do

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processo de avaliação diagnóstica, nomeadamente através da identificação dos seus


pontos fortes e dos seus pontos fracos e através do reconhecimento das ameaças e
oportunidades que do exterior condicionam o seu desenvolvimento.

A definição de metas completa e concretiza os objetivos a atingir pelo projeto. As


metas apoiam a tomada de decisão e a gestão do projeto e constituem um elemento
central dos processos de mobilização de equipas, de comunicação, de negociação e de
avaliação. Nalguns casos a meta está formulada no âmbito da própria formulação do
objetivo, noutros casos a formulação do objetivo é mais geral, a meta concretiza-o em
termos de resultado a alcançar. A meta deve explicitar, de forma quantificada, o que
se pretende atingir, a qualidade do que se quer atingir e o momento em que se quer
atingir.

O projeto educativo é, à luz da legislação em vigor, um instrumento fundamental do


reforço da autonomia das escolas. Ele constitui um meio privilegiado para a
construção e afirmação da identidade da escola perante a comunidade educativa e
perante o exterior.

Neste sentido a formulação da missão e da visão, enquanto elementos referenciais da


ação da escola e orientadores do seu relacionamento com a comunidade, adquire
especial importância no processo de elaboração do projeto educativo. A formulação da
missão e da visão constitui um passo fulcral do processo de planeamento estratégico
da escola. Elas inspiram e enquadram toda a estrutura de objetivos gerais e específicos
que a escola pretende prosseguir.

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A formulação da missão e da visão de cada escola não pode ignorar estes princípios
gerais mas deve valorizar a história da escola e a sua matriz fundadora – a carga
genética, a sua cultura entendida como o conjunto de valores, saberes, hábitos que a
caracterizam e que caracterizam os seus recursos humanos. Têm, por isso, de ser
formuladas através de um processo participativo, devidamente liderado pelo director
da escola com o apoio do conselho pedagógico, com o envolvimento sistemático de
todos os parceiros (internos e externos) ao longo de um período razoável de tempo e
recorrendo a contributos exteriores que estimulem o processo de reflexão estratégica,
nomeadamente sobre as principais forças que determinam a evolução dos contextos
económicos e socioculturais em que a escola se projeta.

o Relações com a comunidade e outros parceiros

Em conformidade com as necessidades detetadas, podem estabelecer-se orientações


para os projetos a desenvolver, definindo, nomeadamente, as áreas prioritárias de
intervenção, a fim de estimular a elaboração de projetos ou a participação em projetos
existentes, bem como a participação em concursos nacionais e internacionais e a
organização de atividades e visitas de estudo.

o Avaliação

A avaliação do projeto educativo visa medir o grau de realização das ações, medidas e
atividades consumadas no seu plano estratégico, através das quais a escola se propõe
desenvolver a sua ação educativa. Esta avaliação constitui um processo de aferição de
resultados obtidos, de metas alcançadas, de objetivos concretizados. A avaliação do
projeto educativo contempla um processo de retroação e de regulação da atividade

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educativa que, em momentos intercalares do seu percurso, solicitam a implementação


de medidas de revisão do plano de forma a superar problemas encontrados ou a
ajustar alguns objetivos e estratégias a novas circunstâncias ou contextos. Por outro
lado, a avaliação do projeto educativo visa a sua própria consolidação seguindo linhas
orientadoras que constituem elementos de análise, reflexão e promoção de boas
práticas pedagógicas em torno dos resultados dos alunos, dos processos pedagógicos,
dos materiais didáticos e da atividade da escola em geral.

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7-Projeto Curricular de Turma

o Caracterização da turma e dos alunos

De acordo com o ponto 4, do artigo 2º do Decreto – Lei nº 6/2001, de 18 de Janeiro, as


estratégias de concretização e desenvolvimento do currículo nacional e do PCE têm de
ser especificadas em função de cada grupo - turma, tornando-se objecto de um PCT,
concebido, aprovado e avaliado pelos elementos que compõem o conselho de turma,
o qual deve envolver todo o conjunto de conteúdos e as actividades disciplinares e não
disciplinares consideradas essenciais, cuja organização deve estar contemplada em
termos de tempo e métodos.

O PCT tem por referência o PEE é elaborado para (cor)responder às especificidades da


turma, permitir um nível de articulação (horizontal e vertical) entre áreas disciplinares
e conteúdos, propiciar uma visão interdisciplinar e integrada do saber em oposição aos
currículos standard, definidos a nível geral para todo o país. Assim, na elaboração do
projecto curricular para cada turma, procura-se encontrar respostas adequadas aos
alunos e aos contextos concretos em que os professores trabalham diariamente.

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Este documento pressupõe uma maior capacidade de decisão por parte dos
professores relativamente ao desenvolvimento e gestão curricular e uma maior
articulação entre as diferentes disciplinas, servindo de base ao trabalho a desenvolver
nas aulas da turma em questão, ao longo do ano, por cada professor.

É no PCT que se incorporam as componentes locais e regionais e se articulam as áreas


curriculares disciplinares e não disciplinares com vista a uma integração dos saberes –
saber, saber fazer, saber ser.

O PCT integra-se na construção local do currículo e, de acordo com os artigos 4º e 36º


do Decreto-Lei nº 115- A/98, deve incluir outros actores no processo educativo,
nomeadamente o delegado de turma e um representante dos pais e encarregados de
educação, com direito a representação nos conselhos de turma.

A participação de pais no desenvolvimento curricular considerada nos normativos é


valorizada pelo conhecimento que estes têm dos seus educandos. No entanto, a
intervenção destes e dos alunos no PCT será sempre restrita, confinando-se à selecção
de algumas temáticas, problemas e actividades a desenvolver/resolver.

Nesta linha de pensamento a caracterização da turma deve abordar os seguintes


pontos:

 Perfil da turma - Nível etário; - Meio sócio – cultural do agregado familiar; -


Percurso escolar; - Necessidades/motivações/expectativas dos alunos; -
Desenvolvimento cognitivo; - Desenvolvimento psico-afectivo.
 Alunos com necessidades educativas especiais.
 Actividades de enriquecimento curricular (Alunos que frequentam recursos
existentes na escola – clubes, participação em projectos, …).

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o Identificação de problemas

Através da identificação de problemas e a partir do diagnóstico feito devemos enunciar


os problemas reais da turma ao nível:

 Contexto escolar;
 Comportamental;
 Aprendizagem. (Exemplos: problemas de integração na turma, de relação
interpessoal ou outras, casos de indisciplina, conteúdos não leccionados nos
anos anteriores, dificuldades a nível da compreensão e interpretação de textos,
dificuldades na organização dos trabalhos e outras situações impeditivas do
sucesso escolar).

o Organização do ambiente educativo

Tendo por referência o currículo nacional, o PCT relaciona-se com o PEE e com o PCE,
constituindo um documento de gestão curricular, elaborado pelo conselho de turma,
para (re)definir as práticas educativas, para facilitar a articulação dos conteúdos e a
acção de todos os professores, numa perspectiva de integração, que permita dar um
sentido articulado e relevante às aprendizagens que propõem aos alunos. Os alunos de
uma turma trabalham com uma diversidade de docentes, cada um responsável pelos
objectivos, conteúdos e métodos específicos do currículo da sua área disciplinar.

o Opções e prioridades curriculares

O PCT pressupõe a adequação curricular ao contexto sócio - económico, cultural,


escolar e psicológico da turma e constitui o documento guia das actividades educativas

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a desenvolver com esses alunos, ao longo do ano, de forma a encontrar um fio


condutor. Assim, a primeira etapa para a construção do PCT consiste na caracterização
da turma, que deve ser feita com base em questionários preenchidos pelos alunos e
nas informações que possuem o director de turma e restantes professores do conselho
de turma. A partir daí, e tendo em conta diferentes níveis (contexto escolar,
comportamento e aprendizagem), é fundamental a identificação de problemas reais da
turma, que constituem os pressupostos para a definição das prioridades educativas (ao
nível das competências a desenvolver) e das estratégias a implementar, quer globais
quer por disciplina.

As actividades curriculares disciplinares e não disciplinares a promover pelo conselho


de turma, os temas/conteúdos a abordar, a identificação de recursos, a calendarização
e a articulação interdisciplinar devem ser definidas conjuntamente, segundo uma
perspectiva integradora, e constarem do respectivo PCT.

Atendendo a que cada professor lecciona várias turmas e, portanto, contribui com a
sua acção tanto na concepção como na operacionalização do PCT de cada uma delas,
consideramos fundamental a existência de um guião que oriente a elaboração deste
documento.

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As prioridades educativas devem:

 Identificar-se as competências gerais (definem o perfil de competências a


desenvolver por todos os alunos, ao longo do ciclo de ensino em que se
encontram);
 Identificar-se as competências transversais (atravessam todas as áreas de
aprendizagem do currículo);
 Identificar-se as competências essenciais de cada área curricular (elencam as
aprendizagens centrais em cada uma das áreas disciplinares).

o Metodologia

Os fortes desafios que se levantam à flexibilização e à transversalidade curricular, ou


seja, a concretização do currículo prescrito pelo Ministério da Educação, aplicado de
forma contextualizada a cada situação em concreto, implicam necessariamente, o
percorrer de novos caminhos por todos os envolvidos no mundo escolar – professores,
alunos, pais/encarregados de educação, autarquias, etc.

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Os docentes têm de pensar de outra maneira as suas posturas perante o currículo,


mudando os seus hábitos e rotinas, perspectivando um trabalho em equipa, o que
pressupõe maior confiança nos seus pares, mudança de mentalidade, espírito de
abertura, troca de ideias, partilha de responsabilidades e necessidade permanente de
formação. Neste sentido a gestão do currículo passa por uma capacidade permanente
de as escolas se assumirem como instituições educativas autónomas, onde
incrementem um plano estratégico na sua actividade, com metas, progressos, modos
de intervenção, decisões, avaliação e reformulação permanentes.

Cada escola constrói o seu projecto estratégico como instituição, tendo sempre
presente o contexto próprio de cada situação. Esta tarefa acarreta, inevitavelmente,
implicações a nível da lógica de funcionamento de cada escola e da atitude profissional
dos professores.

o Objetivos

A realização de perspectivas de ensino centradas na igualdade de oportunidades, no


valor e respeito pela diversidade humana, na importância dos novos meios de acesso,
selecção, tratamento e uso da informação para fins pessoal e socialmente úteis e as
finalidades curriculares orientadas para uma educação para a cidadania integradora
destas variáveis, apela a formas de actuação profissionais que orientem, em novos
sentidos, as competências docentes. Espera-se pois que a aquisição destas
competências se integre num perfil de docente intelectual, reflexivo e crítico, com a
sabedoria indispensável para ler a sociedade em que vive e para a qual está a educar
os jovens, bem como a diversidade dos seus alunos, reconhecendo e valorizando a
diferença.

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o Estratégias

A estratégia educativa global a seguir na turma deve responder aos seguintes


pontos:

 Dados obtidos com a avaliação diagnóstica


 Metas a atingir (tendo em conta o projecto educativo e o projecto curricular de
escola);
 Critérios de actuação para a intervenção educativa, adaptados à turma;
 Linha de orientação a seguir pelo director de turma;
 Metodologias de ensino mais adequadas à turma;
 Linhas orientadoras da socialização dos alunos (Educação para a cidadania);
 Modalidades e instrumentos de avaliação.

o Avaliação dos processos e efeitos

Presentemente, deseja-se que a avaliação dos discentes se faça em função das


competências que cada um dos alunos demonstre dominar em vez de uma
acumulação do saber. No fim de cada ciclo do ensino básico, os discentes deverão
estar aptos a mobilizar os saberes e as estratégias adequadas a fim de conseguirem
solucionar situações emergentes no dia-a-dia.

O sistema curricular agrega em si a grandeza da avaliação. Estabelecidas as metas, as


preferências que delas sucedem, as condutas e estratégias a incrementar, dever-se-á
avaliar todo o decurso, a fim de verificar aquilo que resultou ou não, a conformidade
das escolhas ou a necessidade de voltar a definilas, os acertos a inserir continuamente,
aperfeiçoando a conquista dos objectivos apontados. Como tudo na vida, a avaliação é

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uma ferramenta estratégica capital. Ela permite diagnosticar, prever, reformular e


reorientar os projectos.

o Relação com as famílias e outros parceiros

O professor/gestor do currículo surge aqui, uma vez mais, como o líder na


organização das diferentes situações de aprendizagem, competindo-lhe criar
condições para que o aluno “aprenda a aprender”, desenvolvendo conjunturas de
aprendizagem diferenciadas, estimulando a articulação entre diferentes saberes.

Caberá então aos professores mediar a construção do processo de conhecimentos a


ser apropriado pelos alunos, a promoção da aprendizagem e desenvolvendo condições
para que eles participem na nova sociedade do conhecimento.

A distinção entre o que se designa por mundo da vida e mundo da escola é


actualmente cada vez menos nítida, em contraste com a velha concepção de escola
que assumia aquela distinção tendo em conta a consagrada fórmula de preparação
para a vida.

Hoje, pretende-se que a escola seja o início da preparação para a vida, devendo esta
ter um seguimento contínuo, ao longo do percurso vital de cada um, daí que seja
muito importante as parcerias a encetar. Esta falta de nitidez entre os dois mundos é,
todavia, bastante complexa, traduzindo-se num jogo de difícil concretização. Esta

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dificuldade que a escola sente em se organizar convenientemente de modo a diminuir


o insucesso escolar, será um somatório da falta de cooperação entre os diferentes
intervenientes no processo educativo.

Cada escola constrói o seu projecto estratégico como instituição, tendo sempre
presente o contexto próprio de cada situação. Esta tarefa acarreta, inevitavelmente,
implicações a nível da lógica de funcionamento de cada escola e da atitude profissional
dos professores.

Para que esta gestão flexível do currículo constitua uma mudança que se deseja, é
preciso que os professores a perfilhem. Para que isso aconteça é necessário que
também eles sejam informados e formados. Por outro, também os pais/encarregados
de educação terão de pensar a escola de maneira construtiva, colaborando com
propostas, iniciativas, acompanhamento permanente da vida escolar dos seus
educandos, em detrimento de uma atitude passiva, onde a escola serve apenas para
depositar os seus educandos, omitindo-se temporariamente das suas
responsabilidades.

Quanto às autarquias, enquanto parceiros priviligiados, deverão assimilar a


necessidade da prestação de todo o apoio indispensável à consecução dos objectivos
do currículo e que as escolas não têm, nomeadamente a nível de recursos materiais e
humanos, particularmente técnicos de diferentes áreas.

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Termos de Utilização

Este manual é protegido pelo Direito de Autor enquanto criação intelectual do domínio
literário e científico. Todos os direitos são do Manuais da Formação Profissional.

Para ser protegida, esta obra é original. O conceito de originalidade não se confunde
com o de novidade e pode ser definido, sinteticamente, como individualidade própria
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género ou de género diverso.

As ideias, os processos, os sistemas, os métodos operacionais, os conceitos, os


princípios ou as descobertas não são, por si só e enquanto tais, protegidos pelo direito
de autor.

Não poderá ser reproduzida ou utilizada sem o prévio consentimento de quem detém
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Disposição legal relevante: 1º do CDADC

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