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CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA

Carlos Germano Oliveira Bastos

TORÇÃO EM BARRAS DE SEÇÃO TRANSVERSAL CIRCULAR

São Luís
2020

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Carlos Germano Oliveira Bastos

TORÇÃO EM BARRAS DE SEÇÃO TRANSVERSAL CIRCULAR

Trabalho apresentado e entregue


ao responsável pela disciplina
Resistência dos Materiais 1,
Professor Doutor Iêdo Alves de
Souza, do Curso de Engenharia
Civil da UEMA, para obtenção da 3ª
Avaliação.

São Luís
2020

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TORÇÃO EM BARRAS DE SEÇÃO TRANSVERSAL CIRCULAR

Carlos Germano Oliveira Bastos

RESUMO

Neste presente artigo, irá tratar sobre os efeitos da aplicação de um


carregamento de torção em uma barra de seção transversal circular.
Mostrando como se determinar a distribuição da tensão e ângulo de torção e
um exemplo numérico.
Palavras-chave: torção; barra; tensão; ângulo de torça.

*E-mail:
carlosbastos@uema.com.br

1. INTRODUÇÃO
A torção refere-se a um membro
estrutural que é carregado por pares
(torque) que produzem rotação em torno do
eixo longitudinal do membro. Em outras
palavras, o componente é carregado de tal
forma que a tensão resultante é um par em
torno do eixo longitudinal e a resposta é um
movimento de torção em torno desse eixo. A
torção em vigas decorre geralmente da ação Figura 1a: antes da deformação.
de esforços de cisalhamento cujos pontos de
aplicação não coincide com o centro de
cisalhamento da seção da viga.
2. DESENVOLVIMENTO
Estudos mostraram que,
quando um eixo circular feito de uma
estrutura homogênea e o material
isotrópico é torcido por pares e se
deforma de tal forma que os planos
perpendiculares ao seu eixo antes de
carregar permanece plano e
perpendicular ao eixo após carregando.
Além disso, as linhas radiais na seção
transversal permanecem radiais e o Figura 1b: depois da deformação.
comprimento não muda de forma
apreciável. Outra analogia é pensar no No exemplo acima, cada eixo
eixo como uma série de finas discos gira ligeiramente em relação ao eixo
que giram ligeiramente em relação uns anterior e as seções planas
aos outros conforme o eixo é torcido. permanecem planas. A rotação de cada
eixo em relação ao eixo anterior faz
com que o elemento sombreado que

.
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era originalmente quadrado mude de
forma.
Quando uma barra ou eixo de
seção transversal circular é carregado
desta maneira (torcido por pares) a
barra é considerada em torção pura e
o elemento deformado, mostrado
acima, são considerados em estado de
cisalhamento puro.
2.1 Deformações em uma barra
circular:
As deformações de uma barra
circular, ocorre devido à torção pura que Figura 3: A tensão de cisalhamento para o material
podem estar relacionadas às aumenta linearmente com 𝝆.

deformações, considerando um
Se o eixo for uniforme e o torque não
segmento curto do eixo com 𝚫𝒙. variar ao longo de seu comprimento, o
anterior a equação pode ser integrada
diretamente para obter:

𝑳
𝜸 𝜸𝑳
𝜽= ∫ 𝒅𝒙 = 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (3)
𝟎 𝝆 𝝆

Reorganizando e deixando 𝝆 =
𝑹:

𝑹𝜽
𝜸= 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (4)
𝑳
Figura 2: Eixo fixo na extremidade. Onde:

𝒗𝚫𝜽 R = Raio do eixo;


𝜸 ≈ 𝐭𝐚𝐧 𝜸 = 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (1)
𝚫𝒙
𝜽 = Ângulo de torção;
A deformação de cisalhamento
em um ponto é obtida tomando o limite 𝜸 = Deformação de cisalhamento;
como Δ𝑥 → 0:
L = Comprimento total do eixo.
𝝆𝚫𝜽 𝝆𝐝𝜽
𝜸 = 𝐥𝐢𝐦 = 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (2)
𝚫𝒙→𝟎 𝚫𝒙 𝐝𝒙 Observe que as equações
anteriores são baseadas apenas em
𝒅𝜽 conceitos geométricos e são válidas
representa a taxa de para uma barra circular de qualquer
𝒅𝒙
variação do ângulo de torção θ. material homogêneo e isotrópico. Em
outras palavras, a tensão a distribuição
A equação anterior mostra que a é independente das propriedades
deformação de cisalhamento varia resistivas do material. Tem, entretanto,
linearmente com o raio e atinge um várias condições devem ser satisfeitas
máximo na superfície externa do eixo para que a equação de deformação por
𝝆=𝑹 cisalhamento seja válida.

2.2 Tensões de cisalhamento em


uma barra circular:
Lembrando para material
homogêneo e isotrópico material com
tensões abaixo do limite elástico, a
. Página 4
seguinte relação tensão-deformação θ = Ângulo de torção (radianos)
aplica-se
T = torque aplicado (momento)
𝝉
𝑮= 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (5)
𝜸 L = comprimento do membro1

Portanto. G = Módulo de cisalhamento do


material
𝒅𝜽
𝝉 = 𝑮𝜸 = 𝑮𝝆 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (6)
𝒅𝒙 J = momento polar de inerte

Agora, as tensões de Como visto acima, o ângulo de torção é


cisalhamento podem ser relacionadas à proporcional ao torque aplicado ao eixo
tensão resultante (torque).
2.3 Um exemplo numérico
∫ 𝝆𝝉𝒅𝑨 = 𝑻 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (7)
O eixo maciço de raio r está sujeito a um
Substituindo a Equação (6) na Equação torque T. Determine o raio 𝒓′ do núcleo
(7), obtemos:
interno do eixo que resista à metade do
𝐓
𝒅𝜽 torque aplicado ( ). Resolva o problema
𝑇 = ∫ 𝝆 (𝑮𝝆 ) 𝒅𝑨 𝟐
𝒅𝒙
de duas maneiras: (a) usando a fórmula
=𝑮
𝒅𝜽
∫ 𝝆𝟐 𝒅𝑨 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (8)
da torção e (b) determinando a resultante
𝒅𝒙
da distribuição da tensão de
A partir dos calculos anteriores, cisalhamento.
determinamos que: a)
𝑻𝒄 𝑻𝒓 𝟐𝑻
𝝉𝒎𝒂𝒙 = =𝝅 =
𝐉 = ∫ 𝝆²𝒅𝑨 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (9) 𝑱 𝒓 𝟒 𝝅𝒓³
𝟐
𝑻
(𝟐) 𝒓′ 𝑻
Onde J é o momento polar de 𝝉= 𝝅 =
inércia. Substituindo, obtemos: (𝒓′)𝟒 𝝅𝒓³
𝟐
𝒓′ 𝑻
𝑻 = 𝑮𝑱
𝒅𝜽
𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (10)
Deste que 𝝉= 𝝉𝒎𝒂𝒙 ∶ =
𝒓 𝝅𝒓′𝟑
𝒅𝒙
𝒓′ 𝟐𝑻
(𝝅𝒓³)
Finalmente, combinando as 𝑟
𝒓
Equações (6) e (10), obtemos a relação 𝒓′ = = 𝟎. 𝟖𝟒𝟏𝒓
𝟏
torque-tensão para uma barra circular 𝟐𝟒
em torção puro. b)
𝑻
𝟐 𝒓′
𝑻𝝆
𝝉= 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (11) ∫ 𝒅𝑻 = 𝟐𝝅 ∫ 𝝉𝝆𝟐 𝒅𝝆
𝐉
𝟎 𝟎
𝑻
Frequentemente, em muitos 𝟐 𝒓′
problemas estruturais, o ângulo de 𝝆
∫ 𝒅𝑻 = 𝟐𝝅 ∫ 𝝉 𝝆𝟐 𝒅𝝆
torção, θ, é de importância suprema. 𝒓 𝒎𝒂𝒙
𝟎 𝟎

Substituindo as Equações 4 e 11 𝑻
na Equação 5, obtemos: 𝟐 𝒓′
𝝆 𝟐𝑻 𝟐
∫ 𝒅𝑻 = 𝟐𝝅 ∫ ( ) 𝝆 𝒅𝝆
𝑻𝑳 𝒓 𝝅𝒓³
𝜽= 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (12) 𝟎 𝟎
𝑮𝑱 𝒓′
𝐓 𝟒𝑻
= ∫ 𝝆𝟑 𝒅𝝆
Onde: 𝟐 𝒓𝟒
𝟎

. Página 5
𝒓
𝒓′ = 𝟏 = 𝟎. 𝟖𝟒𝟏𝒓
𝟐𝟒

3. CONCLUSÃO
Portanto, a partir desse estudo
percebe-se que quando uma barra de
seção transversal circular é submetido
a um torque, a seção transversal
permanece plana, enquanto as linhas
radiais giram. Isso provoca uma
deformação por cisalhamento no
interior do material. Em razão da
propriedade complementar do
cisalhamento, a distribuição da tensão
de cisalhamento linear no interior do
plano da seção transversal também é
distribuída ao longo de um plano axial
adjacente do eixo.

REFERÊNCIAS

1. HIBBELER, R. C. et al. Resistência dos


materiais. São Paulo: Pearson Prentice
Hall, 2010.

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