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Aluna: STELLA DA SILVA PANNO – 2019.

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O Acordo sobre os aspectos dos direitos de propriedade
intelectual relacionados com o comércio

A OMPI se juntou às Nações Unidas e assumiu a filosofia, estrutura e método


de trabalho dessa organização. Com isso, incorporou também os efeitos dos
problemas políticos entre os diferentes países.

O objetivo principal da OMPI é promover a proteção da propriedade intelectual


em todo o globo. Para isso, ela visa harmonizar as legislações nacionais,
facilitar a conclusão de acordos internacionais, prestar assistência e promover
estudos.

Havia uma demanda por reformular profundamente a propriedade intelectual


desde 1970, influenciada por diversas circunstâncias: econômica, política e
tecnológica.

Os países subdesenvolvidos queriam tratamento especial em relação aos


países desenvolvidos, sendo assim, contrários ao conceito de absoluta
igualdade entre nações. Logo, a Convenção de Paris teve um impasse.

A OMPI estava desacreditada pelos países industrializados, principalmente os


Estados Unidos que adotou uma política bilateral de negociações com países
que tinham proteção insuficiente. Essa medida não produziu o resultado
desejado e foi muito criticada por outros países industrializados.

Um dos países que passou por um período de ameaça por parte dos Estados
Unidos foi o Brasil.

Estratégia de coação e retaliação utilizada unicamente para favorecer a


indústria norte-americana.
Os países mais desenvolvidos protagonizaram a reformulação das normas
internacionais de propriedade intelectual, utilizando medidas de pressão para
combater a pirataria e elevar a proteção.

O texto final do ADPIC, iniciado pelos Estados Unidos de modo geral,


obedeceu aos interesses dos Estados membros mais industrializados.
As normas internacionais da propriedade intelectual sofreram uma série de
mudanças, principalmente no aspecto econômico. A principal delas foi o
crescente número de empresas no mercado internacional. Essa crescente
desencadeou a pirataria e aumentou as tensões entre países industrializados e
emergentes, pois os emergentes em sua maioria possuíam sistemas de
proteção da propriedade intelectual pouco desenvolvido. A propriedade
intelectual configura um elemento competitivo que transformou problemas
internos em externos causando prejuízo aos países mais desenvolvidos em
relação aos emergentes.

No contexto político as tensões se alastraram para todas as instituições, uma


delas foi a OMPI.

No setor tecnológico, os titulares de direitos da propriedade intelectual ficaram


mais vulneráveis devido à facilidade de reprodução e utilização de criações.

Com o avanço da globalização notou-se a necessidade imediata de um


direcionamento global da tutela jurídica da propriedade intelectual.

Foi preciso estabelecer novas regras que incorporassem os princípios do


GATT, 94 e de outros acordos internacionais relevantes, estabelecendo
padrões adequados para o comércio e meios eficazes para aplicação das
normas, levando em consideração os sistemas de cada país, prevendo
procedimentos para prevenir e solucionar conflitos entre governos e elaborando
regras e disciplinas sobre a pirataria para sanar o problema.

O objetivo da ADPIC é que a tutela dos direitos de propriedade intelectual não


se torne um empecilho para o comércio internacional.
Princípios contidos na ADPIC: proteção mínima, tratamento nacional, nação
mais favorecida, tratamento favorável dos países subdesenvolvidos, não
limitação do comércio e da transferência de tecnologia, não abuso de direito,
compatibilidade das normas com outros tratados, cooperação da transparência,
tutela jurídica, publicidade das normas, interesse público e esgotamento.

Adotou-se o princípio da não interferência nas negociações do ADPIC, pois o


princípio do esgotamento não permitiria a utilização dos direitos intelectuais
para compartimentar os mercados artificialmente. Utilizar o esgotamento ficou
a critério do legislador competente em cada Estado membro.

O ADPIC possui globalidade externa, pois está vinculado integralmente à OMC


e possui globalidade interna porque proíbe a inaplicação de suas normas. O
hibridismo relaciona-se com o número e a amplitude dos direitos intelectuais e
o baixo nível jurídico refere-se ao baixo rigor na formulação dos conceitos
técnico-jurídicos no Acordo.

Embora a globalidade interna, era preciso estipular mecanismos para adequar


as normas as individualidades de cada país.

A Rodada Uruguai caracterizou-se por tratar todos como uma unidade


globalmente.

O conteúdo jurídico do ADPIC reuniu naturezas muito diferentes: normas


substantivas, normas procedimentais e normas estruturais. O Acordo dispõe de
normas que permitem que os Estados membros adaptem à suas situações
particulares.

As normas substantivas do ADPIC são fundamentais para harmonizar a


legislação e determinar padrões mínimos que satisfaçam as expectativas dos
Países industrializados. Enquanto que os princípios servem para fundamentar
o macro normativo do Acordo.
Os países em vias de desenvolvimento sofrem com os impactos negativos das
normas, como os altos preços dos produtos sob proteção.

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