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Amanda Neves Matos e Letícia Rodrigues Chenna

Atividade avaliativa

Farmacoterapia I

Caso clínico:P.Q.T., 66 anos, é hipertensa e diabética. Atualmente,


afarmacoterapia da pacienteincluio anticoagulante varfarinae um
benzodiazepínico, entre outros fármacos. Ela procura o farmacêutico para
adquirir comprimidos de ranitidina e um medicamento “antigripal”. De acordo
com a paciente, ela tem o hábito de usaram medicamento contendo ácido
acetilsalicílico, dexclorfeniramina, fenilefrina, cafeína. Porém, tem receio de que
a cafeína piore o quadro de dor epigástrica que a tem incomodado há alguns
dias. Após conversa com a paciente, o farmacêutico identificou que se trata de
um quadro de alergia respiratória. Além disso, a paciente explicou que um
episódio semelhante de dor epigástrica foi tratado há três anos com ranitidina
(usada por 30 dias).

a) Oriente P.Q.T. a respeito do medicamento “antigripal” e de medidas


farmacológicas (considere MIPs) e não farmacológicas que ela pode
adotar para o alívio dos sinais e sintomas associados à alergia.
Adicionalmente, informe sobre situações em que ela deve procurar
atendimento médico. Justifique suas orientações com fundamentos de
farmacologia.

A orientação baseia-se em rever o medicamento solicitado, levando em


consideração seus componentes, que podem ultrapassar as necessidades
reais do seu estado clínico. Isso justifica-se pelo motivo do antigripal conter em
sua composição AAS (um anti-inflamatório não esteróide), dexclorfeniramina
(antialérgico de primeira geração), fenilefrina (um agonista adrenérgico de
receptores alfa-1, descongestionante nasal) e cafeína (estimulante da liberação
do hormônio gastrina).

Então, orienta-se que a paciente faça uso de apenas um antialérgico de


segunda geração (possuem menor efeito associado a sonolência) até a
melhora dos sintomas.
Acrescenta-se, também, a relação da paciente ser hipertensa, não
recomenda-se o uso de sprays com a composição contendo anti-inflamatórios
esteróides (devido a atividade mineralocorticóide residual dessas formulações,
que pode elevar a pressão arterial). Não recomenda-se a utilização de
descongestionantes nasais/ pastilhas que contenham anti inflamatórios para o
tratamento dos sintomas da alergia (como congestionamento nasal e
inflamação na garganta), pois, esses medicamentos podem levar a efeitos
sistêmicos (como a elevação da pressão arterial, e em uso excessivo de
descongestionantes ocasiona vasodilatação rebote e taquifilaxia).

Quanto a medidas não farmacológicas, caso haja escorrimento nasal


recomenda-se a limpeza com soro fisiológico e afastamento dos agentes que
causem crise alérgica.

Na ausência de melhoria dos sintomas, um médico deverá ser consultado.

b)Explique a diferença de potência de antagonistas H2e de inibidores


de bomba de prótons no que se refere à inibição da secreção ácida
gástrica.

Os antagonistas H2 são menos potentes que os IBP’s.

Acontece pois temos mais de uma via de estimulação para produção de ácido
gástrico, bem como diferentes receptores que, ao serem ativados, aumentam a
atividade e a expressão da bomba de próton. Porém, expressamos apenas um
mecanismo de secreção do íon H+, que é a enzima H+/K+/ATPase.

Assim, quando existe um bloqueio do receptor H2, a ativação de receptores de


gastrina seguem ativos, bem como receptores muscarínicos para aumentar a
secreção de ácido.O bloqueio é apenas sobre o efeito induzido pela histamina.

Por outro lado, o inibidor de bomba de próton interrompe a secreção de ácido,


uma vez que ele inibe a estrutura, fazendo com que a enzima pare de funcionar
permanentemente; a secreção de ácido retornará apenas quando novas
enzimas forem sintetizadas e carreadas para a membrana celular de células
parietais.
O efeito causado pelo inibidor de bomba de próton é mais intenso pois inibe a
etapa final da secreção, diferentemente do inibidor H2, que inibe apenas um
dos receptores na etapa inicial do processo.

b) Considerando a atual indisponibilidade da ranitidina, oriente a


paciente sobre medidas farmacológicas (considere MIPs) e não
farmacológicas que contribuem para o alívio da dor epigástrica.
Adicionalmente, informe sobre situações em que ela deve procurar
atendimento médico. Justifique suas orientações com fundamentos de
farmacologia.
Utilização de MIPs para melhorar a dor epigástrica, como antiácidos de
forma monitorada, uma vez que a paciente apresenta comorbidades como
hipertensão (logo, formulações contendo sódio podem elevar a pressão
arterial) diabetes (atentar-se para a utilização de preparações farmacêuticas
sem açúcar)
O acompanhamento do paciente pelo farmacêutico é necessário, pois caso
os sintomas não melhorem, ou persistam, ou ainda, evolua para um quadro
mais grave como sangramentos, azia e refluxo, o profissional deve indicar
ao paciente um tratamento médico, já que antiácidos podem esconder
sintomas de condições clínicas mais graves.
Existe a possibilidade do uso do omeprazol (que atua diminuindo a
secreção de suco gástrico no estômago) porém, este medicamento deve
ser utilizado cautelosamente pois apresenta efeitos colaterais.
Como medida não farmacológica, podemos instruir o paciente a diminuir a
ingestão de alimentos que contenham cafeína, pois irrita a mucosa gástrica,
podendo aumentar a liberação de suco gástrico, e piorando a dor, e diminuir
o consumo de alimentos ácidos.
E finalmente, pode-se instruir a não fazer uso de AAS, já que o
medicamento diminui a camada citoprotetora gástrica.