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O que é?

A filosofia significa “amor


pela sabedoria”, a busca O que estuda?
pelo conhecimento e estuda
a existência humana e o
saber por meio da análise
racional. Filosofia - A natureza, ou seja, as
coisas que não foram
produzidas pelos seres
humanos;
- O ser humano e tudo que é
produzido por ele, isto é, a
moral, a política, as
religiões, as leis, a arte, a
ciência, a tecnologia.

Ensinamento de Sócrates:
O que Sócrates nos ensina é que investigar
aquilo que foi produzido pela humanidade
é a melhor forma dos seres humanos
conhecerem o que eles são.
A origem da palavra filosofia é grega. Filosofia significa, portanto, amizade
Atribui-se ao filósofo e matemática pela sabedoria, amor e respeito pelo
Pitágoras o uso inicial dela. Para saber. Filósofo: o que ama a sabedoria
Pitágoras, somente o ser humano é tem amizade pelo saber, deseja saber.
capaz de filosofar, isto é, de buscar a
sabedoria. Os seres humanos não são
Dizia Pitágoras que três tipos de
como os outros animais que apenas
pessoas compareciam aos jogos
seguem seus instintos e não têm
olímpicos : as que iam para comerciar
necessidade de saber; tampouco são
durante os jogos, ali estando apenas
deuses, que já sabem tudo e, portanto,
para servir seus próprios interesses; as
não têm também necessidade de saber
que iam para competir; e as que iam
para contemplar os jogos e torneios,
para avaliar o desempenho e julgar o
Origem do termo valor dos que ali se apresentavam.

Filosofia
Com isso, queria dizer que o filósofo não é movido
por interesses comerciais – não coloca o saber como
propriedade sua; também não é movido pelo desejo
de competir; mas é movido pelo desejo de observar,
contemplar, julgar e avaliar as coisas, as ações, a
vida; em resumo, pelo desejo de saber.
A FILOSOFIA É GREGA
As principais características dessa filosofia
nascente são:

A civilização grega foi a primeira a elaborar uma Racionalidade: a razão é usada como principal
forma de pensamento que se desvincula das
critério na busca da verdade. A razão está acima da
explicações míticas e religiosas e parte para a
investigação cientifica e racional do principio da experiência imediata e acima da fantasia mítica.
natureza das coisas, construindo uma disciplina
Busca de respostas: a solução de um problema
independente da religião.
deve ser sempre submetida à análise crítica, em vez de
ser dogmaticamente aceita.

Princípios lógicos: para se pesquisar um assunto,


deve ser usado um pensamento organizado, de modo
A filosofia surge, portanto, quando alguns gregos, que pensamento e discurso sejam aceitos como
admirados e espantados com a realidade, insatisfeito verdadeiros.
com as explicações que a tradição dera, começaram
a fazer perguntas e buscar respostas para elas, Investigação: para se responder aos problemas,
demonstrando que o mundo e os seres humanos, os deve-se usar a investigação e abrir mão das
acontecimentos e as coisas da natureza, as ações explicações preestabelecidas.
humanas podem ser conhecidos pela razão
Generalização: as explicações encontradas pelo
pensamento lógico devem ter um alcance geral.
Invenção da moeda, que permitiu uma forma de troca feita
por meio de cálculo do valor, revelando uma nova
capacidade de abstração e de generalização.
A invenção da escrita alfabética, que, como a do
calendário e a da moeda, revela o crescimento da
Condições
capacidade de abstração. As viagens marítimas, as
viagens produziram o desencantamento ou a Históricas
desmistificação do mundo, que passou exigir uma
explicação sobre a sua origem, explicação que o mito já
não podia oferecer.
A invenção do calendário, que é uma forma de calcular o
tempo segundo as estações do ano, as horas do dia.

A invenção da política, que valorizando o humano, o


pensamento, a discursão, a persuasão e a decisão
racional, valorizou o pensamento racional e criou
condições para que surgisse discurso filosófico.
Surgimento da vida urbana, predominando o comércio e
do artesanato, desenvolvendo a técnica e aos
conhecimentos, favorecendo um ambiente onde poderia
a filosofia surgir.
A filosofia é um jogo irreverente que parte do que

A FILOSOFIA É...
existe, critica, coloca em dúvida, faz perguntas
inoportunas, abre a porta das possibilidades,
faz-nos entrever outros mundos e outros modos de
compreender a vida. Essa reflexão permite ir além da
pura aparência dos fenômenos, em busca de suas
raízes e de sua contextualização em um horizonte
amplo que abrange os valores sociais, históricos,
econômicos, políticos, éticos e estéticos. A filosofia é
um modo de pensar, é uma postura diante do
mundo.

A filosofia incomoda porque


questiona o modo de ser das pessoas,
das culturas, do mundo. E, nesse
sentido, a filosofia é perigosa,
subversiva, pois vira a ordem
estabelecida de cabeça para baixo. A
filosofia não é um conjunto de
conhecimentos prontos, um sistema
acabado, fechado em si mesmo.
À teogonia opôs-se a cosmologia, isto é , a crença na origem divina e
mítica do mundo foi substituída pela busca da arché, do princípio
O NASCIMENTO
não só material, mas também regulador da ordem no mundo.
a ironia que denuncia as verdades feitas e o falso saber daqueles DA FILOSOFIA
que pretendiam reduzir o verdadeiro ao verossímil
a maiêutica, técnica através da qual se consegue observar como é Com Sócrates, essa busca da
que uma ciência desconhecida se transforma progressivamente discussão e do rigor levou à
numa ciência conhecida. Alguns filósofos gregos, por sua vez, criação do chamado método
explicam que, a partir de um estado inicial de indefinição, ocorre a socrático – a Maiêutica. Para
separação dos contrários (quente e frio, seco e úmido etc.), que vai eles, a ordem do mundo deriva
gerar os elementos naturais, como o céu de fogo (o sol), 0 ar frio, a de forças opostas que se
terra seca e o mar úmido. Com essa diversidade de respostas, equilibram reciprocamente, e a
rompeu-se a concepção mítica, monolítica e dogmática, embora o união desses opostos explica os
conteúdo da reflexão filosófica continuasse muito semelhante ao fenômenos meteóricos, as
conteúdo do mito, pois a estrutura de entendimento do mundo não estações do ano, o nascimento
apresentava mudanças significativas. e a morte de tudo o que vive. A
passagem da consciência mítica
e religiosa para a consciência
Hesíodo, no século VIII a.C., relatou o mito da origem do mundo, segundo o racional e filosófica não foi feita
qual Gaia (Terra) surgiu do Caos inicial e, depois, pelo processo de separação, de um salto. A maiêutica é,
gerou Urano (Céu) e Pontós (Mar). assim, a fase positiva,
Embora os conteúdos dos dois relatos, o mítico e o filosófico, apresentem construtiva, do método
semelhanças, a atitude filosófica rejeita as interferências de deuses, do socrático que permite o acordo
sobrenatural, buscando coerência interna, definição dos conceitos, debate e através das certezas universais
discussão. obtidas pela definição após a
discussão.
Quando começaram a procurar respostas para os
Com esta enumeração, procuramos problemas do universo, os jônios estavam dando
enfatizar a importância dos gregos
antigos, que deixaram como herança
início a um processo de investigação da natureza
uma contribuição cultural que não que ainda não chegou ao fim. A filosofia, que está
deve nem pode ser esquecida. A na base de todo o desenvolvimento da ciência
cultura herdada pelo ocidente também moderna, representa maior contribuição deixada
a literatura, que foi buscar nos antigos pela Grécia para a civilização. A idéia de
autores gregos a maior parte dos democracia continua sendo considerada por muitos
modelos que serviram de base para
seu desenvolvimento.
povos a única solução capaz de garantir aos
homens a vida em liberdade. A valorização do
homem e da vida humana, um dos ideais da cultura
grega, está entre as maiores preocupações de
nossa época.

Diferentemente dos egípcios e


mesopotâmicos, os gregos tiveram vários

A Herança Grega modelos culturais disponíveis para


fundamentar sua civilização. O mundo
ocidental procura até hoje definir-se
politicamente, e os modelos políticos que tem
adotado não são muitos diferentes daqueles
que os gregos conheceram na Antiguidade.
Na história do
Essa passagem ocorreu pensamento ocidental,
durante longo processo a filosofia nasceu na
histórico, sem um Grécia entre os séculos
rompimento brusco e VII e VI a.C.,
imediato com as formas promovendo a
de conhecimento passagem do saber
utilizadas no passado. mítico (alegórico) ao
pensamento racional

Nascimento da Filosofia (logos).

Pré-socráticos: Os primeiros filósofos gregos

De acordo com a tradição histórica, a


fase inaugural da filosofia grega é
conhecida como período pré-socrático
(isto é, anterior a Sócrates ou à sua
filosofia).
Com base na razão e
não na mitologia, os

ARCHÉ
primeiros filósofos
gregos tentaram
Dentre os objetivos encontrar o princípio
desses primeiros substancial ou
filósofos, destaca-se a substância primordial
construção de uma (a arché, em grego)
cosmologia – explicação existente em todos os
racional e sistemática seres, a “matéria-prima”
das características do de que são feitas todas
universo – que as coisas.
substituísse a antiga
cosmogonia – explicação
sobre a origem do
universo baseada nos
mitos
Anaximandro Tales
Anaximandro, discípulo de tales,
Tales de Mileto é tido como o pensador
Pré-socráticos
procurou aprofundar as concepções
do mestre sobre a origem única de que deu início à indagação racional
todas as coisas. Anaximandro pensou, sobre o universo. Ele dizia: “tudo é água”
então, que deveria haver alguma Para Tales, a água – por permanecer
substância diferente, ILIMITADA, e que basicamente a mesma em todas as
dela nascessem o céu e todos os transformações dos corpos,) – seria a
mundos nele contidos. Foi assim que o arché, a substância primordial, a origem
filósofo chegou à conclusão de que a
única de todas as coisas, presente em
arché é algo que transcende os limites
do observável, ou seja, que não se situa tudo o que existe.
em uma realidade ao alcance dos
sentidos, como a água. Por isso,
denominou-a ápeiron, termo grego que
significa “o INDETERMINADO”, “o
INFINITO” no tempo.

Anaximandro Tales de Mileto


(c. 610--547 a.c.) (c. 623-546 a.c.)
Anaxímenes Pré-socráticos-2
Anaxímenes era discípulo de
Anaximandro. Para Anaxímenes, a (c. 570-490 a.c.) Pitágoras
substância primordial não poderia ser
um elemento situado fora dos limites da Profundo estudioso da
observação e da experiência sensível, matemática, Pitágoras
como o ápeiron de Anaximandro. “como defendeu a tese de que todas
nossa alma, que é ar, soberanamente as coisas são números.
nos mantém unidos, assim também todo Conta-se que, para chegar a
o cosmo sopro e ar o mantém”. Segundo essa tese, primeiro teria
Anaxímenes, pelos processos de percebido que à harmonia dos
rarefação e condensação se formariam acordes musicais
os outros elementos – que para os (c. 588 -524 a.c.) correspondiam certas
antigos eram a terra, a água e o fogo, proporções aritméticas. Se
além do próprio ar – e, a partir destes, para Pitágoras “tudo é
todos os demais. número”, isso quer dizer que o
princípio fundamental (a
arché) seria a estrutura
numérica, matemática, da
realidade.
Heráclito
Pré-socráticos-3 Em Éfeso Heráclito observava que
a realidade é dinâmica e que a
(c. 515-460 a.C.) vida está em constante
Parmênides transformação. Decidiu
concentrar sua reflexão sobre o
Parmênides optou por escutar o que muda. Assim, o filósofo dizia
que lhe dizia a razão – e não os que tudo flui, nada persiste nem
sentidos, que o faziam sentir a permanece o mesmo. O ser não é
mudança – e proclamou que existe mais que o vir a ser, “tu não podes
o ser e não é concebível sua não descer duas vezes no mesmo rio,
existência. em suas palavras: “O ser porque novas águas correm
é e o não ser não é”. O ser é de sobre ti”. O fluxo constante da
maneira imutável e imóvel, e é o (c. 535-475 a.c.) vida seria impulsionado
único que existe. O ser é a arché de justamente pela luta de forças
Parmênides, não identificada com contrárias: a ordem e a desordem,
nenhum elemento natural, sensível, o bem e o mal, o belo e o feio, a
mas, ao mesmo tempo, equivalente construção e a destruição, a
a toda corporeidade, com tudo o justiça e a injustiça e etc..
que existe, pois o ser é uno, pleno,
contínuo e absoluto;
Empedóclis
(460-370 a.C.)
Defendeu a
existência de
Atomistas quatro elementos
primordiais, que
Finalmente, destacou-se na busca constituem as
pela arché a resposta concebida por raízes de todas
Demócrito (c. 460-370 a.c.), um as coisas
contemporâneo de Sócrates de percebidas: o
Atenas. Apesar de ser até mais novo (460 - 457 a.C.)
fogo, a terra, a
que este, sua reflexão inscreveu-se
água e o ar.
principalmente dentro da tradição
pré-socrática. Ele foi o responsável – Pré-socráticos-4 (c. 494-430 a.c)
junto com seu mestre, Leucipo – pelo
desenvolvimento de uma doutrina
que ficou conhecida pelo nome de
atomismo, onde se podia dividir algo
até chegar em um estado onde não
se pode mais dividir, a menor
unidade, o átomo.
Eram professores viajantes que, por
determinado preço, vendiam ensinamentos
práticos de Filosofia, também conhecidos
por “ aqueles que se dedicavam a instruir e
a educar os cidadãos atenienses
Sofistas
interessados em participar na vida da
cidade-Estado”.

Os sofistas foram os primeiros filósofos do


período socrático. Opunham à filosofia
pré-socrática dizendo que estes ensinavam
A palavra sofista, etimologicamente, vem
coisas contraditórias e repletas de erros
de sophos, que significa "sábio", ou
que não apresentavam utilidade nas polis.
melhor, "professor de sabedoria".
Dessa forma, substituíram a natureza que
Posteriormente adquiriu o sentido
antes era o principal objeto de reflexão
pejorativo de "homem que emprega
pela arte da persuasão. Por desprezarem
sofismas", ou seja, alguém que usa de
algumas discussões feitas pelos filósofos,
raciocínio capcioso, de má-fé, com
eram chamados de céticos até mesmo por
intenção de enganar. Sóphisrta significa
Sócrates que se rebelou contra eles
"sutileza de sofista".
dizendo que desrespeitavam a verdade e o
amor pela sabedoria.
“Nada é. Tudo é discutível.” –
Pitágoras

•Grego “rhêtorikê” (arte do orador)

•Técnica de
construção de um
Retórica discurso
fortemente
persuasivo,
através de um uso
•Não se preocupa com a verdade – correto da
preocupa-se com a força/estrutura dos linguagem
argumentos. Foi uma arma para o sucesso na
vida da pólis. Conceito de verdade sofístico.
Não existe uma verdade única. Não há
compromisso com a verdade. A verdade é
adequada às circunstâncias
"O bom orador é capaz de
convencer qualquer pessoa de
qualquer coisa.” Górgias
Nascido em Atenas, Sócrates
(469-399 a.C.) é tradicionalmente
considerado um marco divisório
da história da filosofia grega. Por
isso, como vimos antes, os

Sócrates
filósofos que o antecederam são
chamados de pré-socráticos e os
que o sucederam, de
pós-socráticos. o próprio
Sócrates, porém, não deixou nada
escrito. o que se sabe dele e de
Sócrates era filho de um escultor e de uma
seu pensamento vem dos textos
parteira – dupla herança que o levou a
de seus discípulos e de seus
buscar esculpir, simbolicamente, uma
adversários. representação autêntica do ser humano e
a ajudar seus discípulos a dar à luz suas
próprias ideias.

Desenvolvia o saber filosófico em praças públicas


conversando com os jovens, sempre dando
demonstrações de que era preciso unir a vida
concreta ao pensamento. Unir o saber ao fazer, a
consciência intelectual à consciência prática ou moral.
“Conhece-te a ti mesmo e
Sócrates travou uma polêmica profunda com os Sofistas. A conhecerá o universo e os
pergunta fundamental de Sócrates era: qual é a essência do ser deuses”
humano? Sócrates procurava um fundamento último para as
interrogações humanas “o que é o bem? o que é a virtude? o que
é a justiça?”Enquanto os sofistas situavam suas reflexões a partir
dos dados empíricos, o sensório imediato, sem se preocupar com
a investigação de uma essência (da virtude, da justiça, do bem
etc.

DEBATE
DEBATE COM
COM OS
OS
SOFISTAS
SOFISTAS
Sua resposta apontava para a ideia de que o ser
humano é sua alma, entendida aqui como a sede da
razão, o nosso eu consciente. Por isso, o
autoconhecimento era um dos pontos básicos da
filosofia socrática:
O filósofo ateniense Sócrates é considerado um divisor de águas na
filosofia. Diferentemente dos antigos filósofos, Sócrates cada um
deveria, primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. Dizem que
Sócrates era um homem feio, mas, quando falava, era dono de
estranho fascínio.

SÓCRATES: “CONHECE-TE A
TI MESMO”!

Com isso Sócrates conseguiu rancorosos inimigos.


Sócrates se indispôs com os poderosos do seu tempo, sendo acusado de
não crer nos deuses da cidade e corromper a mocidade. Sócrates parte
do pressuposto “só sei que nada sei”, que consiste justamente na
sabedoria de reconhecer a própria ignorância, ponto de partida para a
procura do saber.
M é tMétodo
o d o Socrático
Socrático
Nas discussões afirma inicialmente nada saber, diante do oponente que
se diz conhecedor de determinado assunto. Sócrates, por meio de
perguntas, destrói o saber constituído para reconstruí-lo na procura da
definição do conceito. As questões que Sócrates privilegia são as
referentes à moral, daí perguntar em que consiste a coragem, a
covardia, a piedade, a justiça e assim por diante. Diante de diversas
manifestações de coragem, quer saber o que é a “coragem em si”, o
universal que a representa.

Por isso Sócrates utiliza o termo logos, que na


linguagem comum significava “palavra”,
“conversa”, e que no sentido filosófico passa a Podemos então resumir que o método desenvolvido por Sócrates
significar “a razão que se dá de algo”, ou mais é o do diálogo crítico (ou dialética) com seus interlocutores, e se dividem
propriamente, conceito. Quando Sócrates em dois momentos básicos:
pede o logos, quando pede que indiquem
qual é o logos da justiça, o quê é a justiça, o ★ REFUTAÇÃO OU IRONIA
que pede é o conceito da justiça, a definição Etapa em que o filósofo interrogava seus interlocutores sobre aquilo que
da justiça. pensavam saber, formulando perguntas e procurando evidenciar suas
contradições.
★ MAIÊUTICA
Etapa em que ele propunha aos discípulos uma nova série de questões,
com o objetivo de ajudá-los a conceber ou reconstruir suas próprias
ideias. Por isso, essa fase é chamada de maiêutica, termo que em grego
significa “arte de trazer à luz”.
Nascido em Atenas, Platão (427-347 a.C.)
pertencia a uma das mais nobres famílias
atenienses. Seu nome verdadeiro era Arístocles,
mas, devido a sua constituição física, recebeu o
apelido de Platão, termo grego que significa “de
ombros largos”. Foi discípulo de Sócrates, a
quem considerava o mais sábio e o mais justo
dos homens.

Depois da morte de seu mestre,


Platão empreendeu inúmeras viagens,

Platão
período em que ampliou seus horizontes
culturais e amadureceu suas reflexões
filosóficas. Por volta de 387 a.C. Retornou a
Atenas, onde fundou sua própria escola
filosófica, a Academia, nos jardins
construídos por seu amigo Academus. A
maior parte do pensamento platônico nos
foi transmitida por intermédio da fala de
Sócrates nos diálogos socráticos, escritos
pelo próprio Platão.
Dualismo Platão
Em sua doutrina, conhecida como
teoria das ideias, Platão
❖ mundo inteligível (kósmos noetós, em
acreditava existir duas realidades
grego) – corresponde às ideias, que
opostas:
são sempre as mesmas para o
intelecto, de tal maneira que nos
permitem experimentar a dimensão do
eterno, do imutável, do perfeito (o
mundo de Parmênides).

❖ mundo sensível (kósmos horatós, em grego) –


corresponde à matéria e compõe-se das coisas
como as percebemos na vida cotidiana (isto é,
pelas sensações), as quais surgem e desaparecem
continuamente. Assim, as coisas e fatos do mundo
sensível são temporárias, mutáveis e corruptíveis
(o mundo de Heráclito);

todas as ideias derivariam da ideia do bem.


Falam da justiça, mas não sabem dizer o quê é a justiça, falam da bondade,
mas não sabem dizer o quê é a bondade. Como exemplo personagem Joana
não tem muita noção do conceito de bondade, isto é, ela não tem muita
noção do que define uma ação boa. No entanto, se admitirmos que não
existe justiça, jamais poderemos reclamar que alguém agiu de maneira
injusta conosco. Alguém poderá dizer: a justiça não é nada, não existe
justiça.

INTERPRETANDO A
ALEGORIA DA CAVERNA

Sócrates começou a fazer suas perguntas buscando conhecer o conceito


de justiça, de bem, de belo. Duas ações parecidas são julgadas de
maneiras diferentes, uma é vista como exemplo de bondade, outra como
uma ação reprovável. Mas o quê é a justiça para ele dizer que sua ação é
justa? Joana conseguiu um emprego público por meio de um parente seu
que se tornou político, então ela afirma: Quatro anos depois o parente de
Joana perde a eleição, outro político entra no lugar. Um político ao
aumentar o seu salário de 17 mil reais para 24 mil, dirá que o aumento foi
justo.
O conceito é resultado do pensamento, da
reflexão, chegamos ao conceito não por
acaso, mas por meio de uma investigação Essa história se encontra no livro de
rigorosa. A opinião varia o tempo todo de Platão chamado A república. Na
acordo com as circunstâncias, além de variar

Opinião
história o personagem Sócrates conta
de pessoa para pessoa. A opinião é algo que a seguinte história:
a pessoa tem mais nunca parou para pensar “Imagina uma caverna onde estão
por que ela pensa daquele jeito.
acorrentados os homens desde a infância, de

&
Para Sócrates há uma distinção entre
opinião e conceito. Na história o personagem tal forma que, não podendo se voltar para a
Sócrates conta a seguinte história: Como entrada, apenas enxergam o fundo da
acabamos acreditando em ideias que nunca caverna. Aí são projetadas as sombras das
sequer paramos para pensar por que as
possuímos? Sócrates busca explicar isso no
famoso Mito da caverna.
Conceito coisas que passam às suas costas, onde há
uma fogueira.

interpretação:Nessa história as sombras representam as opiniões Se um desses homens conseguisse se soltar das
equivocadas que adquirimos da realidade, isto porque a sombra é correntes para contemplar à luz do dia os verdadeiros
sempre algo inconstante que muda o tempo todo de acordo com a objetos, quando regressasse, relatando o que viu aos
variação dos reflexos, de modo que podemos ser levados a
seus antigos companheiros, esses o tomariam por louco,
enganos por causa delas, tal como na caricatura ao lado. Deste
modo, o fato de nossos sentidos nos enganarem faz com que não acreditando em suas palavras”.
estejamos sempre sujeitos a tomar o verdadeiro pelo falso, a
aceitar as sombras como a verdadeira realidade. Na Antiguidade
e na Idade Média, por exemplo, as pessoas acreditavam que a
Terra ficava sempre parada, e o sol girava em torno dela.
Vemos então que, para Sócrates muitas das opiniões falsas surgem porque
nossos sentidos nos enganam. No entanto, há outra forma como adquirimos
opiniões em vez de conceitos é quando nos deixamos influenciar somente
pelo senso-comum. O prisioneiro liberto questiona o senso-comum dos
outros prisioneiros. Outro exemplo de como o senso-comum forma opiniões
equivocada em nós, e não conceitos, basta pensarmos no caso do racismo.

O senso-comum pode ser reproduzido pela família, pela televisão, pelas


escolas, pelo cinema, pela música, etc. Sócrates acreditava que aceitar as
opiniões do senso-comum é se eximir da atividade de pensar, deixando Interpretando
então que outro pense por você.

a Alegoria

da Caverna Nessa história as sombras representam as opiniões equivocadas


que adquirimos da realidade, isto porque a sombra é sempre algo
inconstante que muda o tempo todo de acordo com a variação dos
reflexos, de modo que podemos ser levados a enganos por causa
delas, tal como na caricatura ao lado. Deste modo, o fato de nossos
sentidos nos enganarem faz com que estejamos sempre sujeitos a
tomar o verdadeiro pelo falso, a aceitar as sombras como a
verdadeira realidade. Na Antiguidade e na Idade Média, por
exemplo, as pessoas acreditavam que a Terra ficava sempre
parada, e o sol girava em torno dela.

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