Você está na página 1de 11

6

Balanço Social

Introdução

Neste capítulo abordaremos as principais demonstrações que proporcionam infor-


mações relativas aos resultados empresariais sob os aspectos econômico, financeiro,
social e ambiental, com foco específico na importância e aplicabilidade da divulgação
da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e do Balanço Social como mecanismos
impulsionadores da transparência informacional.

Contabilidade Socioambiental 91
6 Balanço Social

6.1 Demonstração do Valor Adicionado (DVA)

Atualmente, vivemos em uma época com grande volume de informações, sob os mais
diferentes prismas. Novas tendências combinadas com o avanço exponencial da tecnologia
direcionam ao acesso rápido e fácil de informações, convergindo para a criação de uma nova
realidade de transparência informacional para as organizações em todo o mundo.
Como mecanismos impulsionadores da transparência, existem instrumentos que viabi-
lizam a divulgação e transparência das informações empresariais, como a Demonstração do
Valor Adicionado (DVA) e o Balanço Social. Tais mecanismos buscam evidenciar os dados
necessários quanto ao desempenho empresarial sob as perspectivas econômica, financeira,
social e ambiental.
Nesta primeira seção, trabalharemos especificamente com o entendimento da
Demonstração do Valor Adicionado (DVA), a qual é parte integrante do Balanço Social.
Nesse aspecto, a DVA consiste em um demonstrativo contábil que evidencia os valores ge-
rados e distribuídos pela entidade em determinado período. Segundo De Luca (1998, p. 28),
a “Demonstração do Valor Adicionado é um conjunto de informações de natureza econômi-
ca. É um relatório contábil que visa demonstrar o valor da riqueza gerada pela empresa e a
distribuição para os elementos que contribuíram para sua geração”.
Por sua vez, Tinoco e Kraemer (2011, p. 74) elucidam a definição de DVA como
“valor total da produção de bens e serviços de determinado período, menos o custo dos
recursos adquiridos de terceiros, necessários a essa produção, bem como a forma pela
qual este está sendo distribuído entre os diferentes grupos sociais que interagem com
suas atividades”.
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis, notadamente o pronunciamento CPC 09,
define valor adicionado como “a riqueza criada pela empresa, de forma geral medida pela
diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos de terceiros. Inclui também o
valor adicionado recebido em transferência, ou seja, produzido por terceiros e transferido à
entidade” (CPC, 2008, p. 3).
Ainda nesse pronunciamento, fica esclarecido que a DVA está fundamentada em con-
ceitos macroeconômicos,
buscando apresentar, eliminados os valores que representam dupla-contagem,
a parcela de contribuição que a entidade tem na formação do Produto Interno
Bruto (PIB). Essa demonstração apresenta o quanto a entidade agrega de valor
aos insumos adquiridos de terceiros e que são vendidos ou consumidos durante
determinado período. (CPC, 2008, p. 4)

92 Contabilidade Socioambiental
Balanço Social 6
Exemplificando as conceituações expostas, podemos imaginar uma empresa que
necessita de recursos para o desenvolvimento e a expansão de seus negócios. Logo,
ela busca a captação de tais recursos, os quais podem ser oriundos das mais diversas
fontes possíveis:
• fornecedores: insumos e serviços;
• acionistas ou terceiros: recursos financeiros;
• pessoal: mão de obra para operacionalização das atividades empresariais;
• utilidade pública: energia elétrica, água, entre outros.
Obviamente, as movimentações contábeis desses recursos são registradas na
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), ao mesmo tempo em que são regis-
tradas as receitas do período. Contudo, essa demonstração restringe-se à discrimina-
ção dos resultados e benefícios dos acionistas. Então, torna-se importante o registro
também na DVA, uma vez que ela evidencia os benefícios proporcionados em favor
da comunidade, considerando o quanto a entidade adicionou de valor aos recursos
adquiridos de terceiros e sua respectiva distribuição.

Para os usuários dessa demonstração (pessoal, acionistas, Estado e os financiadores), o


valor adicionado configura a sua importância de acordo com os interesses dos seus benefi-
ciários, conforme sintetizado no Quadro 1 a seguir:

Quadro 1 – Segmentos beneficiários da DVA.

Que aporta trabalho à empresa, recebendo, em contrapartida, salá-


Pessoal
rios e benefícios sociais.
Ao integralizarem o capital da empresa, recebem em troca uma re-
Acionistas muneração repartível (o dividendo) e outra de caráter não repartí-
vel (as reservas).
Estado Via Imposto de Renda e outros impostos diretos e indiretos e taxas.
Aqueles que aportam recursos à empresa a título de financiamento
Financiadores
e são remunerados por juros.
Fonte: TINOCO; KRAEMER, 2011, p. 74. Adaptado.

Fica evidente que a DVA está intrinsecamente relacionada à responsabilidade social


empresarial, uma vez que tal instrumento contábil tem o objetivo de demonstrar aos diver-
sos usuários as informações pertinentes à geração e à distribuição de riqueza de uma empre-
sa (CUNHA; RIBEIRO; SANTOS, 2005). Cumpre evidenciar, ainda, que esse instrumento se
diferencia dos demais mecanismos contábeis, pois a informação gerada pela DVA abrange
o papel social e econômico que a empresa exerce e sua contribuição na formação da riqueza
do País, isto é, no Produto Interno Bruto – PIB (RIBEIRO, 2006).

Contabilidade Socioambiental 93
6 Balanço Social

Em consonância à Lei n. 11.638/07 (BRASIL, 2007), a divulgação da DVA torna-se obriga-


tória para empresas de capital aberto (que dispõem ações na bolsa de valores). Obviamente,
aquelas que não se enquadram nessa configuração podem divulgar sua DVA com objetivos
de gestão dos seus resultados.

Vamos construir uma DVA?


Na prática, as informações que devem ser consideradas na construção de uma DVA são
divididas em duas etapas:

Primeira etapa

• Receita bruta com vendas e os ganhos de capital.


• Insumos que a empresa adquiriu de terceiros.
• A diferença entre o primeiro e o segundo grupo consiste no valor adicionado bru-
to. Na sequência, devem ser descontadas a depreciação, a amortização e a exaus-
tão – e, assim, é possível chegar ao valor adicionado líquido.
• Caso a empresa tenha recebido outros valores por meio de transferência – é o caso
de receitas financeiras (juros) –, é necessário que eles sejam somados ao resultado.
Os valores obtidos acarretarão no valor adicionado para distribuição.

Segunda etapa

• Nessa etapa, a empresa demonstrará como foi distribuída a riqueza: valores com
pessoal, impostos, pagamento a terceiros, lucros retidos e distribuídos aos acionis-
tas, entre outras informações relacionadas.
A seguir, no Quadro 2 podemos visualizar um modelo de DVA, devidamente estrutu-
rada por meio dos passos relacionados acima.
Quadro 2 – Modelo de Demonstração do Valor Adicionado – empresas em geral.
Em milhares
Em milhares
DESCRIÇÃO de reais
de reais 20X0
20X1
1 Receitas
1.1 Vendas de mercadorias, produtos e serviços
1.2 Outras receitas
1.3 Receitas relativas à construção de ativos próprios
1.4 Provisão para créditos de liquidação duvidosa –
reversão/constituição
2 Insumos adquiridos de terceiros (inclui os valores dos
impostos: ICMS, IPI, PIS e COFINS)
2.1 Custos dos produtos, das mercadorias e dos serviços
vendidos

94 Contabilidade Socioambiental
Balanço Social 6
Em milhares
Em milhares
DESCRIÇÃO de reais
de reais 20X0
20X1
2.2 materiais, energia, serviços de terceiros e outros
2.3 Perda/recuperação de valores ativos
2.4 Outras (especificar)
3 Valor adicionado bruto (1-2)
4 Depreciação, amortização e exaustão
5 Valor adicionado líquido produzido pela entidade (3-4)
6 Valor adicionado recebido em transferência
6.1 Resultado de equivalência patrimonial
6.2 Receitas financeiras
6.3 Outras
7 Valor adicionado total a distribuir (5 + 6)
8 Distribuição do valor adicionado1
Fonte: Comitê De Pronunciamentos Contábeis Pronunciamento Técnico – CPC 091

6.2 Balanço Social

O Balanço Social consiste no agrupamento de informações relacionadas aos aspec-


tos social, econômico e ambiental das atividades empresariais (PINTO; RIBEIRO, 2004;
VELLANI, 2011). Esse balanço tem como objetivo viabilizar a transparência informacional
dos negócios e, consequentemente, proporcionar maior confiança em especial a stakeholders
(partes interessadas), mas sem que essa enunciação seja limitativa a acionistas, investidores,
clientes, funcionários, fornecedores, parceiros de negócios e à comunidade de modo geral
(VELLANI, 2011).
Historicamente, a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã causou danos
não só aos homens, mas também ao meio ambiente, visto que foi utilizado um arsenal bé-
lico sofisticado e letal. Esse acontecimento gerou um novo paradigma, o qual estabeleceu
uma nova forma de pensar, pautada em uma postura mais ética. Nesse momento, segundo
Antonovz (2014), os pesquisadores europeus e americanos desenvolveram um sistema de
contabilidade social que gerava informações quantitativas e qualitativas, demonstrando a
situação de determinada empresa quanto às condições de trabalho de seus empregados, a
evolução social e do meio ambiente. Em 1970, as empresas francesas começaram a divulgar,
por meio de indicadores sociais, o panorama relacionado aos aspectos financeiros, sua rela-
ção com a sociedade e com seus colaboradores.

1 O resultado obtido na primeira etapa (valor adicionado total para distribuição) deve, necessaria-
mente, ser igual ao resultado da segunda etapa (distribuição do valor adicionado). Caso contrário,
configura-se erro de apuração contábil e, obrigatoriamente, ela precisa ser revista.

Contabilidade Socioambiental 95
6 Balanço Social

Na atualidade, o Balanço Social tem como base a demonstração das ações que geram
cidadania. Contudo, para que essa cidadania seja plena, é necessário que as informações
repassadas publicamente retratem a realidade organizacional e sejam de efetiva qualidade.
É evidente que as empresas têm como função a produção de bens e serviços, visando
à obtenção de lucros. Todavia, essas mesmas companhias também têm obrigações com a
sociedade, tanto na conservação ambiental como no bem-estar dos empregados e seus fami-
liares e de todo o seu entorno.
Diferentemente das demonstrações financeiras/contábeis do exercício – que obriga-
toriamente devem ser publicadas –, no caso de sociedades anônimas (Lei n. 6.404/76), o
Balanço Social não se configura como uma exigência imposta por regulamentações e leis.
Por outro lado, comumentemente as empresas costumam divulgar seus Balanços Sociais
de modo voluntário e espontâneo, uma vez que tal ação é muito bem vista aos olhos dos
stakeholders, de modo geral.
As informações que estão contidas nesse Balanço Social são geralmente estudadas pela
contabilidade no intuito de quantificar o desempenho econômico, social e ambiental de cada
empresa. Logo, pode-se entender que a contabilidade, como ciência, vem sendo desenvol-
vida com a finalidade de aperfeiçoar as informações da gestão econômica e socioambiental,
a fim de fornecer aos investidores – bem como aos financiadores e à sociedade em geral –
dados mais concisos dos recursos empresariais.
Mazzoni, Tinoco e Oliveira (2007, p. 63) afirmam que “o empenho da contabilidade em
responder aos desafios que transcendem os aspectos econômicos e financeiros levou à busca
de uma nova demonstração, de cunho social, que permite identificar e demonstrar os im-
pactos recebidos e causados pelas entidades, relacionados ao ambiente social e ecológico”.
Assim, o Balanço Social é o resultado das ações que a empresa desenvolveu no seu pla-
no estratégico, envolvendo os aspectos socioambientais direta ou indiretamente. Essas ações
sociais desencadeiam alguns benefícios para a organização, entre os quais se destaca a con-
solidação da marca institucional, adquirida por meio do marketing social. A identificação do
cliente com as ações de responsabilidade social e ambiental faz com que ele prefira consumir
os produtos e serviços da empresa. Lembrando que a companhia se utiliza dos recursos na-
turais – que são um bem da sociedade – para o seu processo produtivo, interferindo assim
no meio ambiente, o que pode gerar danos presentes e futuros à humanidade – e isso reflete
nas escolhas dos clientes.
Dentro da organização, o Balanço Social deve demonstrar as ações que a empresa exe-
cuta com a finalidade de proporcionar mais qualidade de vida aos seus empregados. Nesse
sentido, destacam-se como ações as que promovem educação (profissional ou formal), saú-
de, esporte, entre outras.
Percebe-se, portanto, que existem vários indicadores, quantitativos e qualitativos que
podem ser extraídos do Balanço Social. Entre esses indicadores, podemos citar o número de
empregados, as ações internas de bem-estar dos funcionários ou, ainda, os valores econô-
micos investidos em programas de educação continuada. Observaremos exemplos reais na
próxima seção deste capítulo.

96 Contabilidade Socioambiental
Balanço Social 6
O Balanço Social, em conformidade com Tinoco e Kraemer apud Antonovz (2014), é o
melhor exemplo de accountability (prestação de contas de forma transparente), visto que se
refere a uma ferramenta que leva os empresários a prestar contas dos resultados obtidos
quanto à responsabilidade social para seus parceiros dessa área, ou seja, para os stakeholders.
Sobre as informações que devem estar contempladas no Balanço Social, Kroetz (apud
Tinoco 2004, p. 91) estabelece algumas especificações acerca do desempenho empresarial
sob os aspectos econômico, social e ambiental, entre elas:
• revelar em conjunto com as demais demonstrações financeiras a estratégia de so-
brevivência e crescimento da entidade;
• evidenciar (por meio de indicadores econômicos e sociais) as contribuições da em-
presa à qualidade de vida da comunidade;
• abranger todo o conjunto de interações sociais, as contribuições da empresa à qua-
lidade de vida da comunidade;
• divulgar os investimentos realizados no desenvolvimento de pesquisa tecnológica;
• compor um banco de dados confiável para análise e tomada de decisão dos usuá-
rios externos;
• medir os impactos das informações apresentadas no Balanço Social diante da co-
munidade em que mantém relações de negócios;
• servir de instrumento para as negociações laborais entre empresa, sindicatos e re-
presentantes dos empregados;
• clarificar os objetivos e as políticas administrativas que possibilitem avaliar
a entidade em função não apenas do resultado econômico, mas também dos
resultados sociais;
• ampliar o grau de confiança da sociedade em relação à entidade.
Nesse contexto, verifica-se que o Balanço Social apresenta questões relacionadas a da-
dos socioeconômicos e ambientais, consistindo em um rol de informações quantitativas e
qualitativas pertinentes às ações sociais e ambientais. Segundo Tinoco (2001, p. 41), os indi-
cadores de caráter econômico existentes nesse balanço consistem em:
a. valor adicionado por trabalhador;
b. relação entre salários pagos ao trabalhador e o valor adicionado;
c. ligação entre os salários e as receitas brutas da empresa;
d. contribuição do valor adicionado da empresa para o Produto Interno Bruto;
e. produtividade social da empresa;
f. carga tributária da empresa em relação a seu valor adicionado etc.
Ainda de acordo com Tinoco (2001, p. 41), os indicadores de configuração social são:
a. evolução do emprego na empresa;
b. promoção dos trabalhadores na escala salarial da companhia;
c. relação entre a remuneração do pessoal em nível de gerência e os operários;

Contabilidade Socioambiental 97
6 Balanço Social

d. participação e evolução do pessoal por sexo e instrução;


e. classificação do pessoal por faixa etária;
f. classificação por tempo na empresa;
g. nível de absenteísmo;
h. benefícios sociais concedidos (médico, odontológico, moradia, educação);
i. política de higiene e segurança no trabalho;
j. política de proteção ao meio ambiente etc.

6.2.1 Global Reporting Initiative – GRI


Atuante como instituição independente desde 2002 na área de sustentabilidade, a
Global Reporting Initiative, ou GRI, é responsável pela padronização e pelo fornecimento
de informações e diretrizes para elaboração dos Balanços Sociais, fundamentando-se nos
três pilares da sustentabilidade: o econômico, o social e o ambiental (VELLANI, 2011). A
GRI foi fundada em 1997 pela Instituição CERES e pelo Programa Ambiental das Nações
Unidas, tendo como principal propósito viabilizar o suporte e as orientações necessárias às
empresas, resultando na essência da elaboração de relatórios de sustentabilidade em uma
conduta parametrizada entre as organizações (GRI, 2017).
Vellani (2011) assegura que o padrão GRI vem se destacando em virtude de seu nível de
adesão mundial, sendo que muitas empresas se utilizam desse relatório anual para divulgar
de forma transparente suas informações, abrangendo o desempenho econômico (demons-
trações financeiras), pareceres da auditoria independente, informações da gestão da em-
presa, desempenho social (gestão de pessoas) e ambiental (resultados voltados às questões
ecológicas). Bebbington, Larrinaga e Moneva (2008) alegam que os balanços socioambien-
tais, fundamentados nas diretrizes elaboradas pela GRI, além de viabilizar a transparência
informacional organizacional, são utilizados também como um suporte para o processo de-
cisório gerencial.
Para melhor compreensão do funcionamento dos relatórios da GRI, é importante es-
clarecer que cinco conjuntos de diretrizes foram publicados até a realização desta obra.
Inicialmente, as primeiras diretrizes foram divulgadas no ano 2000, entretanto em 2002 já
se lançava uma nova versão. Com o intuito de promover melhorias e novas adequações,
no ano de 2006 a GRI lançou a G3, uma versão que foi logo atualizada pela versão G3.1,
revelada somente em 2011. Atualmente, a publicação mais moderna é a G4, cuja divulgação
ocorreu no ano de 2013, buscando facilitar a aceitação e a adesão das empresas na prática da
publicação de relatórios socioambientais, com alinhamentos voltados aos outros modelos de
relatórios, como o Pacto Global da Organização das Nações Unidas e da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE (GRI, 2017).

98 Contabilidade Socioambiental
Balanço Social 6
Percebe-se, então, que as organizações que adotam esse padrão de relatório procuram
transmitir de maneira transparente e clara a seus stakeholders (partes interessadas) e sharehol-
ders (acionistas) o seu posicionamento sustentável diante de suas atividades organizacio-
nais, impactando diretamente na percepção do mercado de capitais.

6.3 Case de Balanço Social

Com a finalidade de aplicar os ensinamentos dispostos neste capítulo, vamos analisar


o Balanço Social da Universidade do Vale do Itajaí do ano de 2016. Todavia, antes de fazer
de fato essa análise do conteúdo das informações do balanço, é importante observar alguns
dados que caracterizam a referida instituição.
A Universidade do Vale do Itajaí teve sua trajetória iniciada em 1964, entretanto somen-
te em 1989 passou a exercer suas atividades educacionais como uma universidade. Ela tem
como mantenedora a Fundação Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e sua visão é ser
reconhecida como universidade de excelência na atividade de ensino, no desenvolvimento
e na divulgação de pesquisas e na gestão criativa e empreendedora de projetos sociais.
Sua missão é pautada na ideia de produzir e socializar o conhecimento pelo ensino,
pela pesquisa e extensão, estabelecendo parcerias solidárias com a comunidade em bus-
ca de soluções coletivas para problemas locais e globais, visando à formação do cidadão
crítico e ético. Os valores da instituição englobam o respeito ao pluralismo de ideias, o
compromisso social com o desenvolvimento regional e global, a produção e o uso da tec-
nologia a serviço da humanização, a ética no relacionamento e a formação e profissionali-
zação de vanguarda.
O Balanço Social da Univali de 2016 está divulgado no site da própria instituição 2. O
documento é dividido em vários tópicos e começa com uma breve explanação do reitor
Dr. Mário Cesar dos Santos. Em seguida, a mantenedora destaca a missão, a visão e os
valores dessa instituição, além da forma organizacional da empresa. No desenvolvimen-
to, é disposta a estrutura da Univali, destacando sua área de atuação, bem como seus
princípios norteadores.
Na página 15 do Balanço Social de 2016 (UNIVALI, 2016), são evidenciadas as informa-
ções pertinentes aos Recursos Humanos, destacando o número de funcionários que a orga-
nização possui, como pode ser observado na Figura 1. Outro dado destacado nessa mesma
seção é a distribuição desses colaboradores quanto ao gênero e à faixa etária.

2 Veja as informações em: <https://www.univali.br/institucional/balanco-social/Paginas/default.aspx>.


Acesso em: 21 nov. 2017.

Contabilidade Socioambiental 99
6 Balanço Social

Figura 1 – Indicadores de Recursos Humanos da Univali – 2016.

Sexo Docentes Administrativos Total


Homens 662 486 1.148
Mulheres 599 853 1.452
Total 1.261 1.339 2.600 3

Sexo Docentes Administrativos


Homens 1,43% 2,17%
Mulheres 1,27% 1,49%

Faixa de idade Docentes Administrativos Total


De 18 a 35 anos 231 696 927
De 36 a 60 anos 947 622 1.569
Acima de 60
83 21 104
anos
Total 1.261 1.339 2.600
4

Tempo Docentes Administrativos Total


Até 1 ano 64 282 346
Acima de 1 até 5 anos 324 502 826
Acima de 5 até 10 anos 173 183 356
Acima de 10 anos 700 372 1072
Total 1.261 1.339 2.600
Fonte: UNIVALI, 2016, p. 15. Adaptada.

3 Destaca-se que, do total de 1.339 colaboradores pertencentes ao corpo técnico-administrativo, 35 exercem


também a função de docência. Por essa razão, no computo geral, eles são considerados uma única vez.
4 Não há funcionários com menos de 18 anos.

100 Contabilidade Socioambiental


Balanço Social 6
Fica evidente a existência de um número maior de homens exercendo a função do
magistério superior em relação ao setor administrativo, em que predominam as mulheres.
Todavia, um ponto importante refere-se ao total de empregados: a Univali, em 2016, empre-
gava mais mulheres do que homens. Outro ponto relevante é que existem mais funcionários
com mais de 60 anos na docência do que na área administrativa.
O Balanço Social da Univali traz ainda os indicadores do Programa de Formação
Continuada para Docentes do ano de 2011 até 2016, conforme a o Quadro 3 a seguir.

Quadro 3 – Indicadores do Programa de Formação Continuada para Docentes de 2011 a 2016.

Indicador
2011/01

2011/02

2012/01

2012/02

2013/01

2013/02

2014/01

2014/02

2015/01

2015/02

2016/01

2016/02
Total de temas 51 16 19 16 17 17 16 17 8 7 14 8
oferecidos

Total de
oficinas 113 98 156 141 158 107 113 210 153 188 225 176

Docentes 1.256 1.215 1.195 1.211 1.237 1.237 1.246 1.270 1.285 1.344 1.305 1.336
da Univali

Docentes
participantes 779 725 872 887 920 937 920 1.058 1.080 1.118 1.160 1.160

Índice de par-
ticipação (%) 62,0 59,6 72,9 73,2 74,3 75,7 73,8 83,3 84,0 83,2 88,8 86,8

Fonte: UNIVALI, 2017.

No quadro, verifica-se que existe uma evolução crescente da participação dos docentes
em qualificações – em 2011 houve 779 participações, enquanto em 2016 foram 1.160, mesmo
com a redução de temas para estudos. Outras informações que podem ser verificadas no
Balanço Social da Univali relacionam-se aos benefícios que os empregados dessa instituição
recebem, como é o caso do plano de saúde e do plano odontológico.
Em seguida, o balanço evidencia os prêmios que a instituição recebeu como premiação
das ações sociais, é o caso do Selo Social, recebido da Organização das Nações Unidas devi-
do ao fato de a Fundação Universidade do Vale do Itajaí ter cumprido com os 8 Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio (ODM)5.
Na sequência, são apresentadas as informações acerca do corpo discente. Nesse sen-
tido, comprova-se que existe um aumento de pessoas afrodescendentes estudando nessa
instituição. Por outro lado, é perceptível a redução da quantidade de pessoas portadoras
de deficiência, bem como de indígenas. Esses dados são confirmados no Quadro 4 a seguir.

5 Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram estabelecidos pela Organização das


Nações Unidas e compreendem: 1) acabar com a fome e miséria; 2) oferecer educação bási-
ca de qualidade para todos; 3) promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres;
4) reduzir a mortalidade infantil; 5) melhorar a saúde das gestantes; 6) combater a Aids, a malária e
outras doenças; 7) garantir qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; e 8) estabelecer parcerias
para o desenvolvimento (ODM BRASIL, 2015).

Contabilidade Socioambiental 101