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Sistema Político Brasileiro:

uma introdução

ORGANIZADORES:

LÚCIA AVELAR
ANTÔNIO OCTÁVIO CINTRA
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S368

Sistema político brasileiro : uma introdução / Lúcia Avelar &c Antônio


Octávio Cintra (organizadores). - Rio de Janeiro : Fundação Konrad-
Adenauer-Stiftung ; São Paulo : Fundação Unesp Ed., 2004. 416p. ; 19,5 x
26 cm.

ISBN 85-7504-068-5 (Fundação Konrad Adenauer)


ISBN 85-7139-542-X (Fundação Editora da Unesp)

1. Brasil - Política e governo. I. Avelar, Lúcia. II. Cintra, Antônio


Octávio. III. Fundação Konrad-Adenauer-Stiftung.

CDD-320.981
Capítulo 1
Participação política

LÚCIA AVELAR

O ideal democrático supõe o envolvi- nas entidades corporativas, e se alçarem a


mento dos cidadãos em diferentes ativida- cargos políticos. Assim, também, variam os
des da vida política. Tais atividades, reuni- canais de participação dos membros das
das sob a expressão "participação política", entidades religiosas, militares, sindicais,
vão desde as mais simples, como as conver- além daqueles que participam nos movimen-
sas com amigos e familiares sobre os acon- tos sociais organizados rurais ou urbanos.
tecimentos políticos locais, nacionais e in- Desde que o fenômeno da participação po-
ternacionais, até as mais complexas, como lítica passou a ser um problema enquanto
fazer parte de governos, mobilizar pessoas fenômeno político, os estudiosos procuram
para protestar contra autoridades políticas, compreender as diferentes formas de parti-
associar-se em grupos e movimentos para cipação sejam antigas ou novas que, em cada
reivindicar direitos, envolver-se nas ativida- época e em cada contexto histórico,
des da política eleitoral, votar, candidatar- adquirem maior ou menor relevância. Mas
se, pressionar autoridades para mudanças continua sendo um grande desafio para os
nas regras constitucionais, para favorecer estudiosos compreender, tratando-se dos
grupos de interesses dos mais diversos, e cidadãos, os motivos que os levam a parti-
mais uma plêiade de atividades que circun- cipar ou as razões da apatia da grande maio-
dam o universo da vida política. Ligada à ria diante dos assuntos políticos.
idéia de soberania popular, a participação Sabendo que são variadas as formas de
política é instrumento de legitimação e for- participação, assim como a diversidade dos
talecimento das instituições democráticas e enfoques para seu estudo, e diante do fato
de ampliação dos direitos de cidadania. de que não há uma teoria consensual que a
As formas e os canais de participação explique, discutiremos a problemática do
política variam conforme o contexto histó- ponto de vista de sua emergência histórica,
rico, as tradições da cultura política de um os canais de participação, introduzindo o
país ou região, e também conforme a situa- debate sobre o que leva as pessoas a se en-
ção social dos que participam. Assim, a ló- volverem com a política, ressaltando aspec-
gica de organização e participação dos dife- tos da emergência da sociedade organiza-
rentes atores, nem sempre é a mesma. As da no Brasil e os obstáculos para a sua
formas de inserção política de membros das ampliação. Ênfase especial será dada, nos
elites diferem daqueles provenientes da não- textos seguintes, ao modo como as elites
elite. E mais fácil para os primeiros se inicia- se envolvem na política, as características
rem nas atividades dos partidos políticos, e orientações do eleitorado, a dinâmica da

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representação de interesses dos trabalhado- pudesse reivindicar os seus direitos, de modo
res por meio dos sindicatos, o modo como a a superar sua desigualdade diante de outros
Igreja Católica no Brasil se envolve na políti- que usufruíam de privilégios sociais e polí
ca, assim como os militares. ticos. A extensão do sufrágio às camadas
populares e a introdução do voto secreto
foram instrumentos para que cada eleitor
1. A emergência da manifestasse sua opção política, longe da
participação política
coerção dos mais poderosos. Foi porém,
A participação política emergiu junto com a organização política que se conquis-
com o Estado de soberania popular, à época tou, historicamente, um "novo terreno de
dos movimentos revolucionários europeus confrontação", pois tornou possível para as
dos séculos XVIII e XIX, no contexto das coletividades organizadas lutar contra os
revoluções industrial e burguesa, um valores que justificavam as estruturas sociais
fenômeno que rompeu com a regra secular de enormes desigualdades. Se o sufrágio
da correspondência entre posição social e universal anunciava uma igualdade poten-
política dos indivíduos. Essa ruptura foi cial, a organização política seria o instru-
lenta, iniciada com a queda paulatina da aris- mento para a construção da igualdade real.
tocracia e a ascensão da burguesia e, mais tar- Os partidos políticos, os movimentos
de, incorporou cidadãos da classe trabalha- sociais e as subculturas políticas foram exem-
dora. Em alguns casos - mas, raramente -, plos da ampliação da participação e do for-
dava-se a entrada de indivíduos de classes talecimento da sociedade organizada. Os
inferiores na política, por iniciativa dos pró- partidos políticos, especialmente os parti-
prios governos conservadores, com o obje- dos de notáveis, nos séculos XVIII e XIX,
tivo de ampliar a sua base de apoio e de mantinham contato com a sociedade civil
legitimidade. Foram numerosas as alianças apenas em ocasião eleitoral. No final do
feitas entre a burguesia nascente, a alta elite século XIX, porém, com a emergência dos
privilegiada, rica e letrada e os soberanos, e partidos de massa, outros segmentos da so-
depois entre a burguesia e os trabalhadores, ciedade viram a oportunidade de participar
especialmente nos países da Europa, na política formal. Nos países de regimes
fundamentadas na idéia de extensão dos absolutistas, as organizações competitivas e
direitos de cidadania às classes populares inclusivas surgiriam tardiamente; em outros,
(PIZZORNO, 1966).1 a participação foi o instrumento de demo-
A consolidação da idéia de um Estado cratização da política, no seio do conflito
de soberania popular oferecia a possibili- capital versus trabalho. Hoje, diferentemen-
dade para que cada cidadão, indiferente- te, diante de um complexo sistema de
mente de sua posição na sociedade civil, estratificação e classes, a sociedade apresenta

1. O tema da participação política foi magistralmente tratado por Alessandro Pizzorno em um texto publi-
cado na Itália em 1966. Algumas passagens do presente texto expressam e reproduzem, quase literalmente,
categorias encontradas especialmente em: PIZZORNO, A. Introducción al estúdio de la participación
política. In: PIZZORNO, KAPLAN, CASTELLS. Participación y cambio social en la problemática con-
temporânea. Ed. Siap-Planteos, 1975. O texto foi inicialmente publicado em Quaderni di Sociologia,
v.15, n.3-4, jul.-dez., 1966.

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suas reivindicações por meio de organizações da esquerda, iniciado nas décadas anterio-
profundamente diferenciadas, com funda- res e consolidado nas décadas de 1970 e
mentos, crenças e valores que transcendem 1980. Se comparada ao ocorrido na maioria
o conflito capital versus trabalho, estenden- dos países da social-democracia européia, a
do-as para questões socioeconômicas, mo- conquista do instrumento associativo como
rais e éticas. meio de democratização viria, entre nós,
O processo foi diferente nos Estados mais de um século depois.
Unidos da América, quando em 1776, ins-
taurou-se a República. Nesse caso, a sobe-
rania dos estados federados se encontrava 2. O que é participação política?
no centro dos ideais republicanos. Os esta- Participação é uma palavra latina cuja
dos e a União definiram suas esferas de com- origem remonta ao século XV. Vem de
petência, unidos pela idéia de cidadania participatio, participacionis, participatum.
universal. A máquina burocrática governa- Significa "tomar parte em", compartilhar,
mental (civil service) foi criada a partir de associar-se pelo sentimento ou pensamento.
1883, em um contexto em que ela era vista Entendida de forma sucinta, é a ação de in-
como progressista, avançada e reformista, divíduos e grupos com o objetivo de influen-
como assim eram as atividades do bossismo ciar o processo político. De modo amplo, "a
ou empresariado político, do clientelismo e participação é a ação que se desenvolve em
do favoritismo, considerados instrumentos solidariedade com outros no âmbito do Es-
democráticos, inclusivos e populares, ao tado ou de uma classe, com o objetivo de
permitir a entrada de imigrantes nas insti- modificar ou conservar a estrutura (e por-
tuições eleitorais e nas máquinas governa- tanto os valores) de um sistema de interesses
mentais. A mobilização e a participação da dominantes" (PIZZORNO, 1966).
sociedade eram desejáveis até certo Considerando as dificuldades de siste-
ponto, para não ameaçar a soberania dos matizar todo seu repertório nas democracias
estados federados e a estabilidade do contemporâneas, tanto em suas formas con-
sistema. vencionais como não-convencionais, no es-
No Brasil, a emergência da participação paço institucionalizado da política ou no es-
deu-se muito mais tarde, em meados do sé- paço não-institucionalizado, resumimos em
culo XX, quando os níveis de urbanização três grandes vias ou canais de participação:
tornaram-se altos, quando as organizações o canal eleitoral, que abrange todo tipo de
sindicais dos trabalhadores da nova indus- participação eleitoral e partidária, confor-
trialização brasileira alcançaram densidade me as regras constitucionais e do sistema
política, quando ganhou força a organiza- eleitoral adotado em cada país; os canais
ção política da sociedade em conseqüência corporativos que são instâncias intermediá-
da mobilização das comunidades eclesiais rias de organização de categorias e associa-
de base da Igreja Católica progressista, ções de classe para defender seus interesses
inconformada com os níveis de analfabetis- no âmbito fechado dos governos e do siste-
mo, miséria, pobreza rural e urbana; quan- ma estatal; e o canal organizacional, que con-
do os movimentos de mulheres, entre outros, siste em formas não-institucionalizadas de
tornaram-se visíveis e agregaram força organização coletiva como os movimentos
corporativa para a política da não-elite. As- sociais, as subculturas políticas etc.
sim vem sendo construído o espaço político

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O canal eleitoral compreende as ativi- por estudiosos que as definiram como uma
dades nos partidos que são as instituições das formas legítimas de intermediação de
especializadas de ligação entre a sociedade interesses entre a sociedade e o Estado. O
e o Estado. As primeiras pesquisas empíricas fato é que os segmentos que as praticam per-
sobre participação, reduziam as formas de tencem a certas categorias reconhecidas, e
participação política a atividades como os aprovadas (quando não criadas) pelo Esta-
atos de votar, freqüentar reuniões de parti- do e que exercem o monopólio de repre-
dos, convencer pessoas a optar por certos sentação dentro das respectivas categorias.
candidatos ou partidos, contribuir financei- As vias para a participação corporativa são
ramente para as campanhas eleitorais, arre- as organizações profissionais, as federações,
cadar fundos, ser membro de cúpulas parti- os lobbies profissionais e empresariais, com
dárias, candidatar-se. Mas essas atividades trânsito junto à burocracia governamental,
não esgotam o repertório das atividades de às instâncias do Judiciário, dos legislativos.
participação, especialmente nos países em É também chamada de participação seletiva,
que os cidadãos se envolvem mais intensa- podendo agravar a desigualdade existente no
mente na política. A excessiva ênfase no âmbito da representação política.
canal eleitoral, como o cerne das atividades A participação pelo canal organizacional
de participação, oculta os meios pelos quais abrange as atividades que se dão no espaço
os segmentos da não-elite se organizam e se não institucionalizado da política. Um exem-
manifestam, particularmente nos países em plo é o dos movimentos sociais, que se arti-
que as elites tradicionais sabem como ma- culam para objetivos de médio e longo pra-
nipular o sufrágio universal a seu favor, seja zos, com períodos de maior envolvimento e
pelos vínculos clientelísticos, pela coerção, visibilidade, dependendo da agenda da
seja pela violência. O canal eleitoral só é um organização. Seus membros são chamados
canal de participação democrática, quando a de militantes que se unem em redes de rela-
sociedade se organiza em uma pluralidade de ções informais, compartilhando crenças que,
associações, de modo que seus líderes mais no geral, contestam os valores correntes de
representativos são alçados para as atividades uma sociedade, lutando para superá-los,
eleitorais e partidárias. porque são restritivos, inferiores, ao justifi-
A participação pelos canais corporativos car uma estrutura social que marginaliza
tem a ver com representação de interesses grande parte da sociedade. A eficácia dos
privados no sistema estatal. Essas ações são movimentos depende da densidade da rede
vistas como positivas pela elite, porque par- social produzida, o que depende do esforço
tem de grupos e associações, no geral con- de cooperação dos seus membros e da iden-
trários aos conflitos, e que não pretendem tificação com os interesses comuns.
modificar os valores que fundamentam o sis- Uma expressão das atividades políticas
tema de interesses dominante. É um canal pelo canal organizacional é a dos movimen-
utilizado particularmente nos países em que tos de mulheres que, partindo da situação
é forte a intervenção do governo na econo- de preconceito relacionada ao gênero, rei-
mia, como é o caso brasileiro desde a década vindicaram e reivindicam maior igualdade
de 1930. As atividades corporativas, antes no campo dos direitos. Assim, também, são
vistas pejorativamente, foram recuperadas os movimentos negros, os movimentos de

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quando a censura do regime autoritário
impedia a plena vida política. Eclodiram
os movimentos sociais ligados à Igreja Ca-
tólica, as associações de bairros, as associa-
ções de donas de casa, os movimentos dos
sem-terra, os movimentos ecológicos, os
movimentos de mulheres, os movimentos
negros, os sindicais, os dos profissionais li-
berais, os movimentos de moradias, os
fóruns para a alfabetização e educação, uma
rede de organizações não-governamentais.
A partir de então, os movimentos sociais
foram essenciais para a expansão da cons-
Manifestação a favor do impeachment de Fernando ciência política do brasileiro que passou a
Collor de Melo, em1992. reivindicar mudanças substantivas, no cam-
po da justiça redistributiva.
trabalhadores, os movimentos gays, os mo-
Algumas atividades de participação têm
vimentos étnicos e os movimentos trabalhis-
objetivos momentâneos sendo por isto cha-
tas e socialistas tradicionais. Cada um desses
madas de participação ad hoc como, por
grupos, constituídos à base de uma situação
exemplo, aderir a uma passeata, a uma gre-
de déficit de reconhecimento, cimentou ver-
ve ou a manifestações contra a poluição
dadeiras redes de solidariedade horizontais
ambiental, a favor da redução de impostos
para projetar uma sociedade que o incor-
ou da construção de uma passarela em lo-
pore e que lhe ofereça oportunidades iguais
cal de tráfego intenso; ocupar locais de reu-
de poder.2
niões de empresários notáveis; escrever em
Os movimentos sociais envolvem um
jornais opinando sobre questões políticas ou
número significativo de pessoas, pretendem
assinar manifestos.
chamar a atenção da sociedade, dos políti-
O cidadão interessado pela política se
cos e eleitores, para os temas que fundamen-
envolve ou atua tanto nos modos de parti-
tam a organização política. Embora ocor-
cipação convencional e não-convencional,
ram fora dos canais institucionalizados da
pelos canais eleitorais ou organizacionais.
política, eles vêm sendo considerados como
A maioria da população, porém, é pouco
parte do processo político normal.
ativa, conformista e, no geral, desencanta-
No Brasil, os movimentos sociais emer-
da com a política. Em alguns casos porque
giram em meados do século XX, e refluíram
não se sente qualificada para participar; em
com a ditadura militar do período de 1964
outros, porque não acredita que a política
a 1985. Revitalizaram-se na década de 1970,

2. AVELAR, L. Mulheres na elite política brasileira. São Paulo: Ed. Unesp/Konrad-Adenauer, 2002. REIS, F.
W. Solidariedade, interesses e desenvolvimento político. (Cap. 5) In: Mercado e utopia. São Paulo: Edusp,
2000. REIS, F. W. Política e racionalidade: problemas de teoria e método - para uma sociologia crítica da
política. Belo Horizonte: RBEP, 1984. DELLA PORTA, D., GREGO, M., SZAKOLEZAI, A. Identità,
riconoscimento, scambio. Milano: Ed. Laterza, Itália, 2000.

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poderá melhorar sua vida. O desencanto
tem a ver com ceticismo em relação aos
políticos, como mostram as recentes pesqui-
sas em todo o mundo. Seja como for, a par-
ticipação política continua sendo o principal
fundamento da vida democrática, e o
instrumento por excelência para a amplia-
ção dos direitos de cidadania.

3. Mobilização e organização

Embora grande parte das ações coletivas


ocorra fora das instituições políticas, como
os movimentos sociais, diferentes formas de Representantes indígenas acompanham plenário da
associativismo e de agregação de interesses Câmara.
de coletividades, os estudiosos da partici-
pação incorporam tais ações sob o rótulo da como os recursos educacionais, de lingua-
participação política, considerando que os gem, de desembaraço e de regras sociais,
participantes agem de modo organizado e especialmente para os indivíduos de cate-
propositivo, criando redes de solidariedade e gorias sociais inferiores que sofrem a deson-
buscando o reconhecimento interno dos seus ra da exclusão dos direitos.
membros e o da sociedade. O grupo social organizado reconhece a
Daí a importância da mobilização de re- condição de honra mútua, cada um apren-
cursos de toda ordem para se construir uma dendo a considerar as capacidades e pro-
organização que concretize o envolvimento priedades do outro. Esse sentimento é um
dos indivíduos, que dê realidade às ações dos alicerces da organização, cuja riqueza
coletivas. Seus líderes agem, habitualmen- está na vivência de sentimentos comuns que
te, mobilizando o descontentamento dos se prolongam na consolidação de objetivos
participantes de modo que se afirmem as coletivos. No grupo são ampliados os con-
pretensões do grupo perante a coletividade tatos sociais, as amizades, as referências pes-
mais ampla. Para tanto é que são construídas soais, que encorajam as pretensões indivi-
as redes de solidariedade que se tornam con- duais relativas ao desejo de fazer parte da
cretas com a organização, nas palavras de formação da vontade pública. A organiza-
Blumer "verdadeiras empresas coletivas para ção, na medida em exige trabalho, pre-
estabelecer uma nova ordem de vida". Elas sença e o envolvimento de seus membros,
retiram os indivíduos do isolamento da vida retira os indivíduos de seu isolamento social
privada, dando-lhes voz, propiciando o ampliando sua visão de mundo, oferecen-
compartilhamento da insatisfação, integran- do-lhes outros valores e crenças antes não
do-os em uma coletividade solidária, cada identificados. Aprofundar os aspectos
um com seu coeficiente de desigualdade. A cognitivos da política é parte da agenda da
organização contrabalança a falta de recursos organização, que tem a tarefa pedagógica de
materiais e simbólicos dos participantes, desmistificar as razões da privação de direi-
tos vividos por cada um dos seus membros

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(HONNETH, 2003.)3 Nas palavras do au- educação), essências do arsenal de vantagens
tor citado só o protesto ativo liberta o indi- sociais e psicológicas que provêem um ca-
víduo da vergonha de não ter direitos. pital de autoconfiança aos indivíduos, fun-
A organização é também um canal damentando-lhes a crença de que podem
corporativo, um recurso para o acesso a mudar as situações que lhes são adversas.
cargos de maior visibilidade, um canal de Com baixa posição social, sem recursos sim-
acesso ao poder. Na sociedade, as muitas bólicos, sem a consciência dos direitos, os
formas de exercício do poder são pouco indivíduos sentem-se inibidos a participar,
visíveis, porque se encontram diluídas em porque apresentam uma auto-imagem ne-
inúmeras organizações, corporações, as- gativa se comparada com a daqueles que par-
sociações, grupos estruturados ou em ticipam. Não é sem razão que, em vários
estruturação; essa é a razão principal de se países do mundo, incluindo o Brasil, a polí-
considerar a organização política como via tica é vista como uma "arena para letrados",
de poder, para viabilizar a luta pelo reco- diante da evidência de que são os homens,
nhecimento de imensas coletividades priva- de mais alto status, e brancos que, histori-
das de direitos. camente, são os que ocupam as mais altas
posições na hierarquia política.
Outro modelo para explicar o maior
4. O que leva os indivíduos a partici- envolvimento na política é modelo da cons-
par da política?
ciência de classe que aponta a alternativa
A resposta a essa questão é um objeto da educação política para superar as condi-
privilegiado de estudo para os que procu- ções do baixo status social.
ram explicar por que alguns indivíduos rom- Quanto mais o indivíduo participa, mais
pem com a apatia, o desinteresse político e
o isolamento da vida privada e se envolvem
nas atividades da política. Alguns modelos
[modos] e as respectivas hipóteses são
apresentados a seguir.
O modelo da centralidade propõe que
“a intensidade da participação varia con-
forme a posição social do indivíduo por-
que quanto mais central, do ponto de vista
da estrutura social, maior a participação;
quanto mais central a respeito de um gru-
po social, maior o senso de agregação". A
participação na política seria apenas mais
um dos atributos dos indivíduos de maior
SORN^
centralidade, aqueles com maiores recursos
materiais (dinheiro) e simbólicos (prestígio, Trabalhadores rurais reivindicam reforma agrária.

3. HONNETH, Axel. Luta por reconhecimento. São Paulo: Editora 34, 2003.

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adquire consciência de sua situação de desi- a vida a uma luta racional por ganhos, reduz
gualdade; quanto maior a consciência de sua a comunidade humana a uma aliança instá-
situação, mais tende a participar. Com base vel, arbitrária e instrumental".
nessa formulação é que as lideranças políti- Um quarto enfoque afirma que a maté-
cas sustentam a necessidade de ações peda- ria-prima da participação é a identidade que
gógicas por parte dos partidos, sindicatos e se constrói na experiência da participação.
movimentos, para inculcar a consciência de As redes de solidariedade são, também, re-
classe e incrementar ações coletivas. Na his- des de reconhecimento recíproco que
tória ocidental européia do século XIX, a auferem identidade pessoal e coletiva aos
união de intelectuais, estudiosos da socie- seus membros. Assim constituídas, elas são
dade e trabalhadores resultou na aliança o elemento por excelência do movimento
entre ciência e consciência com objetivo de social, da ação coletiva compreendida de
educar, politicamente indivíduos das ca- forma ampla, da organização política de um
madas inferiores da sociedade. modo geral, do governo representativo.
Um terceiro modelo, o da escolha racio- Há contrastes importantes nos pressu-
nal, afirma que o indivíduo é racional e postos da explicação pela utilidade ou pela
escolhe participar se os benefícios forem su- identidade. A utilidade vem da tradição fi-
periores aos de não participar. Se muitos par- losófica do contratualismo, cuja maior ex-
ticipam, buscando os mesmo benefícios que pressão é Thomas Hobbes; a ênfase da ação
ele, a sua ausência não modificará o resul- encontra-se no indivíduo. Já a identidade
tado, porque os bens coletivos obtidos, afi- vem dos pensadores das "sociedades do re-
nal, serão de todos, e "pegar carona" na conhecimento", tal como pensava Hegel,
participação dos outros lhe trará igual re- para quem a origem da relação social entre
sultado. Dessa forma, o racional é não par- os homens estava na luta pelo reconheci-
ticipar, conclusão pouco aplicável diante dos mento. O valor do eu, da individuação,
fatos de períodos de denso envolvimento dos emerge da relação entre indivíduos porque
cidadãos na vida política. "o que um ser humano pode oferecer ao
As críticas mais enfáticas a esse enfoque outro é a capacidade de reconhecer a sua
também denominado de utilitário argu- existência...". A participação em ações co-
mentam que nem sempre o cálculo custo/ letivas é, em suma, uma procura por reco-
benefício explica toda a realidade do nhecimento, própria dos indivíduos com
envolvimento na política. A participação déficit de reconhecimento.
propicia vivência nas redes de solidarieda- No campo da teoria crítica e da filoso-
de cuja importância afetiva não deve ser fia, as pesquisas mais recentes firmam a im-
menosprezada, propiciando ao indivíduo portância de ver a participação política
a sensação de engrandecimento pessoal e como uma luta pelo reconhecimento. O
social. Uma estudiosa da questão, Anne paradigma do reconhecimento se fundamen-
Phillips (1995),4 assim se manifesta: "reduzir ta na premissa de que "o reconhecimento

4. PHILLIPS, A. The politics of presence. Oxford: Clarendon Press, 1995. No geral, outros estudiosos do
campo da ciência política feminista, assim como os de outras minorias, firmam a importância do
envolvimento pessoal na organização como parte importante no fortalecimento do "eu", do crescimento
da auto-estima.
se constitui a base fundamental para a exis- participar no processo de formação da von-
tência humana e corresponde ao conceito tade política, garantido juridicamente, sem
expandido de justiça". Analisado por inú- interferências que constranjam sua liberda-
meros pensadores de tradição hegeliana, e de. Daí que a privação de direitos no plano
incorporando as contribuições da psicolo- jurídico significa reconhecimento negado,
gia social principalmente as de G. Mead, o que é motivo do sentimento de vergonha
um dos seus autores mais expressivos, Axel social.
Honneth (2003) propõe uma teoria funda- A possibilidade de superar essa vergo-
da em três esferas de interação com padrões nha virá pelo protesto ativo, no curso da
diferentes de reconhecimento recíproco: o participação, que lhe dá a oportunidade de
amor, o direito e a solidariedade. A cada reconstruir sua auto-estima, na experiência
um desses padrões correspondem formas de do reconhecimento mútuo, na luta por ob-
reconhecimento intersubjetivo. Começando jetivos e horizonte comuns de valores.
pela pertinência empírica do conceito de Autoconfiança, auto-respeito, auto-esti-
amor, ele eqüivale à primeira etapa de reco- ma são os pilares da estrutura das relações
nhecimento recíproco quando os sujeitos se de reconhecimento, respectivamente nos pla-
confirmam mutuamente, reconhecendo-se nos da afetividade, do respeito jurídico e,
como seres carentes. Os indivíduos alcan- no plano da sociedade, nas relações de soli-
çam uma confiança elementar em si mes- dariedade. A participação política abrange,
mo, a autoconfiança, como resultado psí- então, dimensões psicanalítícas, jurídicas, so-
quico da experiência do amor. Ou dito de ciológicas, além da dimensão propriamente
outra forma, nas relações primárias de moral da luta por direitos, o que sugere que
amor e amizade, é que se produzirá a a explicação deste fenômeno deve ser busca-
autoconfiança individual que é a base psí- da na conjugação de varias disciplinas das
quica do desenvolvimento dos outros pa- ciências sociais e humanas.
drões de reconhecimento. Se voltarmos ao exemplo do movimento
A outra esfera do reconhecimento é a das mulheres, o feminismo, como ideo-
do campo das leis, das relações jurídicas, logia, que vinha se estruturando desde o fi-
quando identificamos a nós e aos outros nal do século XIX, materializou a situação
membros da coletividade, como portado- de déficit de reconhecimento das mulheres.
res de direitos, como pessoa de direitos, o Com a organização política foi possível
que assegura o cumprimento social das pre- deflagrar lutas pelo reconhecimento e pelo
tensões individuais. Os sujeitos de direito direito de igualdade. Os estudos sobre os
se respeitam mutuamente porque eles sa- movimentos das mulheres registram depoi-
bem que as normas sociais são distribuídas mentos que são verdadeiras histórias de
igualmente na comunidade, não se admi- construção de identidades e de luta pelo
tindo exceções e privilégios, independente- reconhecimento de pessoas que jamais se
mente das diferenças sociais e econômicas. viram reconhecidas como cidadãs, sem voz
Como se viu antes, até o século XVIII, os e sem alternativa para outra opção, senão a
direitos de participação estavam ligados à reclusão da vida familiar.
posição social do indivíduo. Já nas primeiras Outro exemplo é o dos negros e seus
décadas do século XX impõe-se a convic- descendentes, que lutam para modificar sua
ção de que, a cada um, cabe igual direito de posição subalterna na sociedade brasileira.

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A desigualdade e participação da popula- de exclusão que abrangem as mulheres e os
ção negra, o segmento de menor renda per descendentes de índios e negros. Nesse con-
capita do país, vem lutando para superar a texto é que surgiram na ultima década as
ausência de recursos materiais e simbólicos ações afirmativas.
que dificulta o esforço de mobilização. Dos As ações afirmativas, entre as quais a
53 milhões de pobres e 22 milhões de indi- política de quotas é uma das mais visíveis,
gentes, cifras estimadas para o ano de 1999, são políticas de reconhecimento da priva-
os negros representam respectivamente 64% ção de direitos em que se encontram al-
e 69% dessas populações. Sua presença no guns segmentos da sociedade. Seu objetivo
associativismo brasileiro é pequena, confor- é propiciar a universalização de direitos,
me mostra o estudo publicado pelo IBGE, degraus de acesso ao mercado de trabalho,
para as regiões metropolitanas de Recife, à escolarização, à cultura, à convivência so-
Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio cial. Elas reconhecem que os direitos firma-
de Janeiro e São Paulo. A pesquisa apontou dos em regras constitucionais, em nome de
que os que mais participavam tinham 11 uma cidadania universal, mistificam as de-
anos ou mais de estudo (73%), seguidos sigualdades reais, sob o argumento de que
pelos que tinham de 8 a 10 anos (10%). Os todos têm direitos iguais. Corroboram o
indivíduos com instrução inferior a 4 anos princípio de que o igual acesso não é tudo.
apresentavam um índice de associativismo em Ademais, elas terão de ser acompanhadas
torno de 4%. Esses resultados expressam por de políticas para a universalização dos di-
que os negros e pardos são os que menos reitos, um debate polêmico porque, para que
participam na política. Tal invisibilidade do alguns ganhem, outros terão de perder, e as
negro na política brasileira será superada classes médias e altas nem sempre estão dis-
quando se reverter este quadro, e a partici- postas a padecer pelas injustiças governa-
pação ativa é a via para suplantar a vergo- mentais do passado.
nha de ser um cidadão invisível, e o meio Entre as políticas de ações afirmativas
de se firmar como um ser igual a outro no mais discutidas hoje na sociedade brasileira
plano da representação política. estão as quotas para mulheres nos partidos
políticos e as quotas para negros nas uni-
versidades.
5. As ações afirmativas e a política de
quotas
6. Fronteiras da participação
Lembremos que a experiência históri-
ca que fundamenta a construção do poder A participação pelo canal organizacional,
político no Brasil corresponde a duas for- em suas várias formas, caracteriza-se pela au-
mas de dominação de tipo tradicional: o tonomia na mobilização de recursos, internos
patriarcalismo e o escravismo. O que sig- (motivações) e externos (reconhecimento).
nifica que as mulheres e os negros eram Reafirmando que "só se participa quando se
considerados como sub-cidadãos, fora da está entre iguais", há correspondência en-
fruição dos direitos sociais e jurídicos. A tre a situação social dos participantes e as
partir dessa experiência fundante que mol- reivindicações do grupo, em virtude das ne-
dou uma estrutura social sob a forma de cessidades comuns compartilhadas pela mes-
castas, temos até os dias de hoje esquemas ma posição de déficit de reconhecimento.

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Seu propósito é a conquista de bens coleti- universidades. Estima-se que as ONGs mo-
vos, distribuídos igualmente aos integran- vimentem um montante de 700 milhões de
tes, conflitando com os fins a que o Estado dólares anuais na América Latina, vindos
vem servindo. de agências internacionais, beneficiando
A visibilidade alcançada nas últimas dé- consultores especializados, organismos
cadas pelos ativismos globais das organiza- semipúblicos, centros de pesquisa em univer-
ções não-governamentais, amplamente di- sidades, associações profissionais, fundações
fundidas pelas mídias e pelos teóricos do de partidos políticos e de sindicatos, todos
construtivismo social, as redes do ativismo envolvidos na "promoção de direitos huma-
dos direitos humanos reivindicam sua in- nos nos países em desenvolvimento". A per-
serção no campo da participação política. gunta é: "são as ONGs um dos modos de
Professam uma ação desinteressada em participação política ou um de seus canais?".
nome de normas morais globais, na defesa [Canais: eleitoral; corporativo; organizacional.
das injustiças sociais decorrentes do avanço Modos: centralidade; consciência de classe;
do processo de globalização que marginali- escolha racional (utilidade); identidade (para
zou ou contribuiu para ampliar o número autoconfiança, auto-respeito e auto-estima)].
dos segmentos socialmente excluídos e vul- As ONGs praticam uma heteronímia da
neráveis. Alguns estudiosos mostram que, na reivindicação, ou seja, reivindicam pelos
raiz do ativismo global, deve-se questionar a outros, pelos que não apresentam recursos
origem dos recursos financiadores que geram de organização e de voz. Representam,
uma espécie de ativismo desinteressado. freqüentemente, alternativas para empregos
É comum acadêmicos da ciência políti- tradicionais em um campo de "empreendi-
ca defenderem um discurso comunicando mento de normas éticas". Trata-se de um
uma imagem pública desse ativismo desin- universo heterogêneo e de discursos dife-
teressado, em que o conceito de "issue renciados, conforme seus objetivos e proce-
networks" [rede formada em torno de um dência. Freqüentemente, aliam-se aos mo-
assunto de controvérsia] tem um papel vimentos sociais, mas, outras vezes, ao Es-
central na caracterização desse ativismo tado e aos órgãos de financiamento. As
global. A questão recorrente é se estas ONGs devem ser vistas como uma espécie
práticas nacionais e transnacionais das de trabalho semiprofissionalizado de inter-
ONGs, e que se situam no campo da venção social e não devem ser confundidas
advocacy, incluir-se-iam no campo da luta com as atividades de participação dos ca-
pelo reconhecimento. nais organizacionais. Estariam mais próxi-
As organizações não-governamentais, mas dos canais corporativos, pelas nume-
as ONGs, como o nome indica, são or- rosas lealdades a quem devem prestar contas
ganizações em forma de tripé, cujos pila- pela sua existência, salvo aquelas denomi-
res são a sociedade, o Estado e as agências nadas ONGs cívicas, cujo trabalho de resis-
de financiamento, no geral, internacionais. tência tornou-se importante para a constru-
Há uma interpenetração do Estado nas ção de espaços contra-hegemônicos.
ONGs, como também dos funcionários dos
órgãos internacionais, de seus consultores
7. Participação e democracia
e representantes.
Em pesquisas recentes numerosos aspec- Concluímos firmando que participação
tos das ONGs foram examinados em sua política e democracia são fenômenos inti-
relação com governantes, profissionais e mamente ligados, e cuja relação é comple-
xa e delicada. Nem todas as democracias
apresentam alto grau de politização em sua

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vida social, assim como nem toda sorte de
ativismo realmente é uma luta por direitos.
Vincular o tema da participação e da demo-
cracia tem sido um dos mais densos proble-
mas filosóficos e teóricos. Na ciência políti-
ca é comum o confronto entre os estudiosos
que consideram a participação política como
perigosa para a democracia, porque questio-
na indefinidamente as decisões políticas.
Outros consideram que não há democracia
sem participação. A democratização, a con-
quista de bens coletivos e de direitos pela
participação, tem como referência principal
o Estado de Bem-estar da social-democra-
cia européia - e é rara na história. Só resulta
em democratização quando a participação
se materializa em políticas para efetiva
extensão de direitos e que a cada nova clas-
se de direitos alcançados corresponda à efe-
tiva integração de cada membro com igual
valor na coletividade política.

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Sugestões de leitura

AVELAR, L. Mulheres na elite política brasileira. São Paulo: Ed. Unesp/Konrad-Adenauer, 2002.
DELLA PORTA, D., GREGO, M., SZAKOLEZAI, A. Identità, riconoscimento, scambio. Milano: Laterza,
2000.
HIRSCHMAN, A. De consumidor a cidadão. São Paulo: Brasiliense, 1983.
HONNETH, A. Luta por reconhecimento. A gramática moral dos conflitos sociais. São Paulo: Ed. 34, 2003.
OLSON, M. A lógica da ação coletiva. São Paulo: Edusp, 1999.
PHILLIPS, A. The politics of presence. Oxford: Clarendon Press, 2001.
PIZZORNO, A. Introducción ai estúdio de Ia participación política. In: PIZZORNO, KAPLAN, CASTELLS.
Participación y cambio social en Ia problemática contemporânea. Ed. Siap-Planteos, 1975. O texto foi
inicialmente publicado em Quaderni di Sociologia, v. 15, n.3-4, jul.-dez., 1966.
REIS, F. W Política e racionalidade: problemas de teoria e método - para uma Sociologia Crítica da Política.
Belo Horizonte: RBEP, 1984.
______ . Mercado e Utopia. São Paulo: Edusp, 2000. cap. 5: Solidariedade, interesses e desenvolvimento
político.

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