Você está na página 1de 14

Sociologia Jurídica – Aula 3

Direito e Violência.
Docente: Célio Da Conceição Varieque
O Direito, o poder e a violência

O tema supra exposto, visa analisar a concepção de direito como meio ou


fim, demostrando sua clara influencia e coligação entre os três institutos
ilustrativos os quais, o direito, o poder e violência em um determinado
estado democrático e de direito.

Procuremos ressaltar o papel da democracia, como antidoto contra a


violência e da sociedade civil no controle democrático das politicas
publicas.
Direito:

O direito é a forma especifica de controle social nas sociedades complexas. Trata-se de


um controle formal, determinado por normas de conduta, que apresentam três
características:

 Explicitas - indicando à população de forma exata e clara aquilo que não


deve fazer;

 Protegidas pelo uso de sanções;

 Interpretadas e aplicadas por agentes oficiais.


O Direito, o poder e violência relacionam-se entre si e estão envolvidos numa tarefa
comum de controlar a sociedade. O poder é o sujeito agente do controle , O Direito o
instituto limitador e regulador desde poder para exercer o devido controle.

Poder:

O poder esta intimamente ligado e relacionado com o controle social. Exercer este
controle significa deter um poder sobre as demais pessoas.

O poder consiste na possibilidade de uma pessoa ou instituição influenciar o


comportamento de outra pessoa. Segundo a definição clássica de Weber poder significa
toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra
resistências (Weber, 1991, p.33 e 199, p.175).

Formas de poder Legitimo:

 Poder Tradicional;
 Poder Carismático

 Poder legal.

Poder Tradicional:

É o poder fundamentado em costumes antigos, que são consagrados através do


tempo e impõem o dever de obediência aos chefes da comunidade (família, clã, feudos).

Poder Carismático:

É o poder fundamentado nas virtudes pessoais, e quase sobrenaturais de um


individuo admirado por todos (Rei guerreiro, chefe incontestado de um partido politico).

Poder legal:

É o poder fundamentado na validade de regras preestabelecidas e racionais, que


organizam um sistema de poder de forma estável, respeitando determinadas
formas. Neste poder, não se obedece à pessoa, mas à regra que determina um
sistema de poder.
Imperioso é, frisar que cada forma de poder anteriormente apresentado possui uma
fonte de legitimidade, que lhe oferece aceitação popular. Portanto, no Poder
tradicional – encontramos o prestigio de costumes multisseculares que todos aceitam;
no Poder carismático – as virtudes pessoais que levam uma pessoa a apresentar-se
como superior a todos os outros; no Poder legal – encontramos a força legitimadora
das regras escritas, que garantem estabilidade, previsibilidade e oferecem segurança
aos demais. Esta terceira forma, ganha sua legitimidade através da legalidade.

Todas estas formas de poder convergem a um mesmo ponto, o qual, educar o


individuo a comportar-se de acordo com os modelos sociais.

Violência:

Acto de empregue de força física e coactiva legal e legitima, que o Estado usa para
impor e fazer valer sua vontade e interesses, quer o individuo aceite ou não.
Formas de Violência no controle social:

Segundo Ana Lúcia Sabedell, para a sociologia jurídica, existem três elementos ou formas de
violência:

 Violência legitima;

 Violência legal;

 Monopólio de violência.

Violência legitima:

As manifestações de violência física (exercício de força e coerção), podem ser divididas em duas
categorias: aquelas que são aceitas pela maioria da população (violência legitima) e aquelas que
não são consideradas injustas, abusivas, sem justificação (violência ilegítima).

Por exemplo: a vitima de uma burla que arrasta o burlador e o mantém em cárcer privado por 12
meses exerce violência ilegítima que a sociedade reprova e o Estado pune. O Estado que condena
o mesmo burlador por dois anos de prisão exerce um constrangimento legitimo.
Violência legal:

Manifestações de violência física ou patrimonial legalmente acauteladas e previstas


por um diploma sancionatório. Por exemplo: Cobrança coerciva de custas judiciais,
execução patrimonial, etc. aqui o poder de autoridade é legalmente assegurado.

Monopólio de violência:

A prerrogativa de exercer violência legitima pode ser difusa ou centralizada.


Actualmente nas sociedades modernas a violência legitima é centralizada, isto é, o
Estado é única organização social que possui esta prerrogativa em seu território.

Portanto, a coação física é considerada legitima se for fundamentada na base da lei


do Estado exercida por autoridades do Estado com competência para tal, ou em
casos excepcionais quem foi legalmente habilitado para tal acto.
Violência: o sentido implícito de direito, coerção, liberdade,
democracia e autoridade

Nesta abordagem, temos como objetivo uma reflexão sobre a


concepção atual das palavras direito, coerção, liberdade,
democracia e autoridade. Esses vocábulos aparecem
conectados por um terceiro: a violência, que faz papel de
sentido tácito, alterando o que realmente se deveria entender
sobre tais conceitos.
A VISÃO ACTUAL DO VOCÁBULO VIOLÊNCIA E SUA INFLUÊNCIA
IMPLÍCITA

A violência é vista hoje de formas distintas pelos indivíduos. Existem aqueles que a
entendem como extremamente necessária, considerando que no Direito sempre há a
coerção, a possibilidade de ligação de actos de força à sanção, e Direito é poder.

A partir de nosso sistema jurídico, cuja base é a liberdade, ARENDT se pergunta o que
viria a ser esta liberdade, uma vez que considera que há uma antinomia entre a
liberdade prática e a não-liberdade teórica, ou seja:

em todas as questões práticas, e em especial nas políticas, temos a liberdade como


uma verdade evidente em si mesma, e é sobre essa suposição axiomática que as leis
são estabelecidas”.
Democracia:

O termo democracia tem origem grega, podendo ser etimologicamente dividido da


seguinte maneira: demos (povo), kratos (poder). Em geral, democracia é a prática
política de dissolução, de alguma maneira, do poder e das decisões políticas em meio
aos cidadãos.

Autoridade:
poder hierarquizado, legitimidade, conferido e institucionalizado a uma figura seja
politica, governante ou dirigente.
Direito, Coerção, Liberdade, Democracia e Autoridade

Analise reflexiva no âmbito Jurídico sociológico:


Caso da retirada dos vendedores informais na baixa da
cidade de Maputo
Referencia Bibliográfica

 ANDRADE, Vera Regina. A ilusão da segurança jurídica. 2ª Edição. Coimbra 1986.

 BOURDIEU, Pierre, “A força do direito”, in ID., O Poder Simbólico, Lisboa, Difel, 1989,
pp.209-254 (publ. Orig. em francês: 1986).

 CARBONNER, Jean. Sociologia Jurídica. Livraria Almedina, Coimbra; 1972

 DÍAS, Reinaldo. Sociologia do Direito. A abordagem do fenómeno jurídico como facto


social. São Paulo: Atlas, 2009.

 Moçambique Jornal o Pais, edição do dia 13.03.2020.