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Juliana Spitzcovsky Duarte de Oliveira – RA00135810

1) A partir do enredo da história, elabore uma discussão sobre as


motivações dos personagens principais (Lou, Will e sua mãe). Aqui você
deve relaciona o conteúdo do filme com os conceitos dados/pesquisados
sobre motivação.

Segundo Ray (1964, p.101) apud Todorov (2005, p.122) “Um exame
cuidadoso da palavra (motivo) e de seu uso revela que, em sua definição,
deverá haver referência a três componentes: o comportamento de um sujeito; a
condição biológica interna relacionada; e a circunstância externa relacionada.”
Pensar a condição do personagem Will, a partir deste conceito, torna
mais fácil a compreensão da motivação que o levou a desejar e concretizar a
eutanásia. Após ser atropelado por uma moto, Will fica tetraplégico, perdendo
não só o movimento e sensação de suas pernas e braços, como perdendo
junto, toda a vida que estes lhe proporcionavam: esportes, amigos, namorada,
sexo, beleza, sucesso, viagens... e consequentemente, fatores como: controle,
autonomia, liberdade e desejo de viver. Para o rapaz, por muito, a vida se
tornou amarga, se tornou uma pura existência condicionada, como se vivesse
aprisionado ao seu próprio corpo.
Apesar do desejo de morte imediata, por um pedido de sua mãe,
concordou em suportar mais seis meses. Motivada pelo amor ao filho e pela
incapacidade de permitir/conceber a sua perda, busca com grande pressa,
alguém para cuidar dele. Mas não alguém que apenas cuidasse, e sim, alguém
que pudesse devolver a ele o desejo de viver. É neste momento que ela
contrata Lou, uma mulher de 26 anos, extremamente solicita, bondosa, com
enorme gosto pela vida, que se dedica basicamente a trabalhar e ajudar a sua
família, que enfrenta grandes dificuldades financeiras.
A menina então, levada pela oferta do dinheiro vai trabalhar para a
família. No início, o contato estabelecido com o moço é muito difícil; quase
impossível. Percebendo os movimentos da mãe e extremamente certo do seu
desejo de não mais viver, Will trata Lou com grande rejeição, depositando
sobre ela, todo sofrimento experienciado depois do acidente.
A mudança na relação dos dois começou a ocorrer quando Lou, ao ouvir
uma conversa dos familiares de Will, compreendeu o que estava acontecendo
e que havia um projeto de eutanásia em vias de acontecer. Incapaz de
conceber a ideia e cada vez mais apropriada da vida honrosíssima que o moço
levara antes do acidente, Lou decide ser a pessoa que o traria de volta a
vontade de viver. Motivada então pela possibilidade de mantê-lo vivo, ela passa
a planejar uma série de programas e viagens, que mostrem a Will que ainda há
o que ser feito e uma boa vida a ser vivida.
Os dois então, a partir das dores e da possibilidade de vencê-las vão
fortalecendo o vínculo, até que se entregam um ao outro. O amor que
vivenciaram os permitiu compartilhar inúmeras coisas e dar um outro
significado ao fim da vida de Will.
Apesar dos esforços e da grande felicidade que Lou proporcionou a ele,
não foi suficiente para mantê-lo vivo. Independente de ter visualizado uma vida
fora de hospitais ou fora da janela de seu quarto, ainda não era uma vida em
que ele teria escolhas e capacidade de se explorar. Não era a vida que ele
gostaria de viver.
O desfecho dessa história nos permite a reflexão a respeito do que se
vivencia no mundo a nível externo e como se configuram as vivências internas
de cada indivíduo. Lou proporcionou ao moço bons momentos – ele pôde
encerrar a sua existência de forma mais feliz. Mas para ele, era insuportável
viver não podendo ser a si mesmo. Não havia mais motivo para viver uma vida
que não era a dele.
O fato das alterações feitas no ambiente externo e das novas
estimulações provocadas não terem alterado a decisão de Will, nos leva a
compreender que estes, apesar de importantes, não são fatores determinantes.
A motivação seria a combinação de mecanismos (biológicos-psicológicos;
internos-externos; sociais/individuais), que determinam a direção e intensidade
dos desejos do sujeito. O desejo pela morte em Will, era algo impossível de se
mudar. Mas a aceitação daqueles que o amavam (Lou, pai e mãe), essa sim
pôde se concretizar, pela intensidade do amor que sentiam.
2) Se você fosse contratada(o) como Psicóloga(o) de Will, qual seria
sua possível conduta em relação ao desejo de Will? (Esta questão não
será avaliada por seus valores morais, mas sim pela possibilidade
encontrar situações semelhantes dentro do hospital, principalmente em
pacientes de longa internação)

Primeiramente eu buscaria criar um vínculo com Will, legitimando a sua


dor e a compreensão por seu desejo. Para então, poder trabalhar o mesmo, a
partir de um resgate das suas motivações. Se questionar junto a ele o sentido
que tinha tomado a sua vida após o acidente, se ainda havia alguma
possibilidade ou algum desejo por viver, que sentido teria a sua morte, o quão
próprio ele se sentiria para tomar tamanha decisão e como ele poderia, com a
minha ajuda se assim o quisesse, dialogar com a sua família, para encerrar o
ciclo da vida, da melhor forma possível.
Depois de um tempo, eu proporia mediar uma conversa entre ele e os
pais, para que pudessem abertamente falar dos seus sofrimentos, angústias e
desejos, para que assim, existisse uma compreensão do outro e uma abertura
para aceitação do que fosse decidido. E que pudessem encerra-lo da melhor
forma possível, com Will se despedindo da vida da melhor maneira para si e
elaborando esse luto já em processamento, com os pais.