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Para todos que não estavam prontos para deixá-los.

— Droga, como eu?


É um período de férias que nenhum deles esquecerá.

Antes que seus futuros se tornem seus presentes, Noah convence seus
amigos de que eles precisam de férias em grupo - uma peça final antes de
serem amarrados por responsabilidades e horários inflexíveis.
Tudo está mudando.
Casamento
Crianças.
Empregos.
Uma viagem a Fiji é o último hurrah de todos os hurrahs.
E de propostas de casamento desastrosas a grandes gestos a
confissões que mudam a vida, duas semanas em uma ilha particular se
tornam o começo do resto de suas vidas.
I
MATT E NOAH
Capítulo Um
Matt
O zumbido incessante do meu telefone na mesa de cabeceira me
arrasta do sono. Eu tenho evitado isso por cerca de cinco minutos agora, e
toda vez que ele para, recomeça pouco depois. É o meio da maldita noite.
─Eu juro que se for Jet bêbado nos ligando para nos dizer que sente a
nossa falta novamente, eu vou traze-lo para casa para dar um abraço nele e
calá-lo─, resmunga Noah.
─Não se eu o matar primeiro.─ Não sou tão amoroso quanto meu
marido quando meu sono é interrompido.
Pego cegamente o meu telefone. Com os olhos ainda fechados, aperto
em atender sem olhar.
─É melhor alguém estar morto, na prisão ou em chamas.
─Matt.
A doce voz do sul bate nos meus ouvidos, e eu pulo na cama,
acordado em um milissegundo. Não é Char, a única irmã com quem ainda
tenho contato, mas é tudo o que posso dizer. Isso me faz sentir como um
irmão de merda por não saber como soam as vozes de meus próprios
irmãos.
Tem que ser Daisy. Jet e eu decidimos que esperaríamos até que as
outras crianças tivessem dezoito anos antes de obter Char para fornecer
nossos detalhes de contato. Daisy completou dezoito anos alguns meses
atrás e, quando não tivemos notícias dela, achei que ela não queria falar
conosco - que estava na mesma esquipe com mamãe e papai.
─O que há de errado, Daisy?─ Não pode ser nada bom a essa hora da
noite.
─Não... não é Daisy.
─Fern.
─V-você pode ... Você pode vir me buscar?
Meu coração bate irregularmente.
─Onde você está?
─O'Hare.─ A voz dela é tão tímida.
─No meio da madrugada?
Noah se senta, passando os braços ao meu redor.
─Amor?
─Estou a caminho─, digo a Fern e encerro a ligação.
Noah se aproxima e acende a luz da cabeceira enquanto eu me esforço
para encontrar algumas roupas nas minhas gavetas. Uma camisa é fácil.
Calças são uma história diferente.
─Outro irmão expulso por ser gay?─ Noah pergunta.
Eu paro.
─Foda-se, provavelmente. Não perguntei por que ela está aqui.
─Ela está em Chicago?
─Voou para O'Hare.
—Eu vou com você.
Dou a Noah um par de jeans e continuo vasculhando os meus.
─Eu tenho algo limpo?
─E eu que sei?
─Você lavou uma carga de roupa?
─ Não era sua vez?
─Caralho.
Noah encontra uma camisa e a veste.
─Você que decidiu que não devemos ser pirralhos mimados e
cancelou o serviço de limpeza.
Encontro algumas camisetas na minha gaveta de baixo.
─Não fazia sentido ter um em Nova York por metade do ano e outro
em Chicago pelo resto do tempo.
─Nós não vamos entrar nisso de novo. Precisamos resgatar sua irmã
lésbica.
Corremos para pegar carteiras e jaquetas, minhas mãos tremem
enquanto envolvo um lenço no pescoço. Estou confuso e tremendo quando
chegamos à porta da frente do nosso apartamento na cobertura.
Noah me puxa para perto dele, me segurando forte, mas me beijando
suavemente. É reconfortante e me impede de entrar no modo surreal. Pela
segunda vez em quatro anos, um dos meus irmãos escapou do Tennessee e
veio me procurar.
Noah e eu já conversamos sobre isso antes. Eu queria mudar meus
irmãos para cá conosco, mas por causa de estarmos viajando entre Chicago
e Nova York, estarmos preocupados durante a temporada de futebol, bem
como as atualizações de Char de que tudo está indo bem com eles,
decidimos que eles poderiam ter uma vida mais estável em casa. É certo
que morar com nossos pais nunca foi ótimo, mas não é como se fossem
abusivos. Apenas ausentes.
É o que digo a mim mesmo quando me sinto culpado por não lutar
mais por meus irmãos e irmãs - mas não é como se eu pudesse me forçar a
entrar na vida de meus irmãos. Não tenho direitos legais como irmão mais
velho.
Não sei o que Fern estar em Chicago pode significar. Ela tem
dezessete anos, completará dezoito anos em alguns meses, mas não sei o
que isso significa legalmente. Se mamãe e papai a expulsaram, eu tenho que
pedir custódia ou o governo não se importa com essas coisas? Ela poderia
se levada pelo estado e, nesse caso, talvez tivesse que voltar ao Tennessee.
Não sei como essas coisas funcionam.
Nunca tivemos que nos preocupar com isso com Jet, porque ele tinha
dezenove anos quando veio a nós.
─Querido─, diz Noah. ─Nós vamos resolver isso.
Solto um suspiro alto e meus ombros relaxaram. Nunca deixa de me
surpreender o quão bem Noah sabe o que eu preciso e quando preciso.
Não é nenhum segredo que corremos direto para o casamento,
ficando engatados depois de apenas alguns meses. Nossa fase de lua de mel
foi literalmente ainda durante a fase de namoro, então houve muito
aprendizado um sobre o outro.
Agora nos movemos em sincronia e podemos sentir as necessidades
um do outro.
Noah segura minha mão no caminho para a garagem do nosso prédio,
me dando um pouco de conforto extra, deixando-me saber que ele está aqui
para mim.
─Eu já lhe disse como sou grato por ter você como meu primeiro
marido?
Noah sorri, seus dentes brancos e brilhantes e olhos azuis
esverdeados fazendo todo o rosto se iluminar.
─Não tanto quanto eu te disse que estou tão feliz por ter tirado sua
virgindade.
Mesmo anos depois, ainda estamos discutindo isso.
─Exceto que você não fez.─ Inclino-me e dou um beijo casto em seus
lábios. ─Mas não temos tempo para essa discursão.
Noah insiste em dirigir, porque não estou em condições de estar ao
volante, mas, como é tão tarde da noite, chegamos em tempo recorde em
O'Hare e encontramos Fern fora do terminal.
Cabelos castanhos compridos e a expressão aterrorizada em seu rosto
facilitam reconhece-la. Char enviou fotos ao longo dos anos, mas Fern
parece tão diferente pessoalmente. Mais velha, talvez. Pesada com o
estresse.
Ela está sentada em um banco perto da pista de coleta, envolta em
uma jaqueta grossa, cachecol, leggings e botas, mas ela estremece como se
ainda estivesse congelando. Os invernos de Chicago são muito mais severos
do que ela está acostumada.
Noah diz que ficará no carro, para que não nos mandem seguir pela
segurança do aeroporto, e eu não posso chegar até ela rápido o suficiente. A
porta do lado do passageiro bate atrás de mim, fazendo Fern se encolher.
Seus olhos castanhos se arregalam e travam nos meus, e digo a mim
mesmo para ir mais devagar enquanto me aproximo dela. Ela não me vê há
mais de dez anos, e aqui estou correndo para ela como um homem louco.
─ Fern.
─Matt─, ela resmunga.
Ela está fora de seu assento e em meus braços tão rápido que nem
tenho tempo de olha-la corretamente. Da cabeça aos pés, quero fazer uma
verificação completa e garantir que não haja ferimentos, se ela foi bem
alimentada e se está saudável, mas seus braços travam ao meu redor e me
seguram com força.
─Eu não sabia mais o que fazer─, Fern fala rápido. ─Dayse─. Ela
respira ofegante entre suas palavras. ─Ela ... me deu ... seu ... número.
─O que aconteceu querida? Por que você não me ligou primeiro? Eu
poderia ter vindo buscá-lo quando você pousou.
Espero o inevitável “Eles me expulsaram” ou “Eu gosto de garotas” ou
qualquer outra versão disso.
O que eu recebo é ainda mais um chocante.
Fern dá um passo para trás e sua jaqueta cai aberta. Suas mãos
delicadas apoiam seu estômago, esfregando círculos sobre uma pequena
protuberância.
─É por isso que eu não liguei primeiro.
Merda.
Quando meu olhar voa de sua barriga para seu rosto novamente, seus
olhos ficam brilhantes.
Eu não sabia o que dizer.
─Acho que você não vai me dizer que é lésbica.
Sim, isso provavelmente não é a melhor coisa a deixar escapar.
Capítulo Dois
Noah
Whoa. Mesmo no carro, eu posso ver a barriga de bebê da irmã de
Matt. Uma batida na minha janela me assusta, e eu a abro para falar com o
funcionário da segurança.
─Você precisa seguir em frente, a menos que esteja pegando alguém
ou deixando alguém.
Aponto para Matt e sua irmã.
─Nós viemos buscá-la.─ Eu bato na buzina para chamar a atenção de
Matt.
Os dois pulam, perdidos na conversa, mas quando Matt vê o
segurança, ele pega a pequena bagagem de Fern e a leva até o carro.
Fern mal tem tempo de afivelar o cinto de segurança antes de Matt
girar em seu assento para grelhá-la.
─Quem é ele?
Eu o alcanço e aperto seu ombro com força, para que ele tenha que
encarar a frente.
─Se importa se eu sair do terminal antes de interrogá-la?─ Olho os
olhos da irmã de Matt no espelho retrovisor.
Ela tem grandes olhos castanhos como Jet, dando-lhe uma expressão
permanente de olhos de corça, e seus longos cabelos castanhos ficam em
ondas abaixo dos ombros, emoldurando seu rosto em forma de coração.
─Eu sou Noah, marido do seu irmão sem educação.
Ela abre um sorriso.
─Sou Fern. A irmã fodida do seu marido insensato.
─Então, o sarcasmo é uma característica da família Jackson?─
pergunto.
─Mecanismo de defesa─, Matt e Fern dizem ao mesmo tempo.
Caramba. Com a gente vivendo tão longe e sem ter muito contato com
a família de Matt, é fácil esquecer os verdadeiros problemas que ele e seus
irmãos têm.
─Quem é ele?─ Matt pergunta novamente.
─Deixe a garota respirar─, eu digo.
Fern se inclina para frente.
─Eu já gosto mais dele do que você, irmão mais velho.
Quando olho para Matt pelo canto do olho, vejo suas engrenagens
girando. Ele fará qualquer coisa por seus irmãos e irmãs, e eu sei que ele
deseja poder fazer mais.
─Fern nos dirá quando estiver pronta─, eu digo.
─Ah, isso é fofo─, diz Fern, ─mas a história é chata. O estúpido
controle de natalidade é estúpido. Você sabe, acho que a taxa efetiva de
noventa por cento é besteira.
Seu sotaque é tão grosso quanto o de Matt quando ele está chateado.
─O que te trouxe aqui? ─Matt pergunta.
─Um voo de conexão atrasado e um monte de tornozelos inchados.
─Engraçado─, diz Matt. ─Eu quis dizer como podemos ajudar?
Quantos meses?
─Quase seis meses. Na verdade, eu não sabia até as dez semanas.
Inclino minha cabeça para o lado como um cachorro confuso.
─Como você pode não saber?
─Bem, meus períodos sempre foram irreg-
Matt cobre os ouvidos.
─Lalalalala.
─Eu tentei ... você sabe ...─ - ela tosse - ─uh, me livrar disso? Mas no
Tennessee, você precisa da autorização dos pais se tiver menos de dezoito
anos. Mamãe e papai me disseram que eu tinha arrumado minha cama e
precisava deitar nela. Depois vieram as palestras pró-vida.
─Explica por que há seis de nós─, Matt murmura. ─E o pai?
─Diz que ele não quer ser pai e é muito jovem e só terá um futuro se
não tivermos um filho.─ Emoção entope sua garganta. ─Eu estava bem com
isso. Eu meio que aceitei que era o meu destino, sabe? Como mamãe e
Char. Mas na semana passada, consegui minha aprovação para a
Universidade do Tennessee. Enviei minha inscrição uma semana antes de
descobrir sobre... ─ Ela aponta para a barriga. ─Eles estão me oferecendo
uma bolsa de softball e eu devo começar no próximo outono, mas isso...
Mesmo que ela cuspa com raiva, eu vejo pelo espelho retrovisor sua
mão se movendo sobre sua barriga amorosamente.
Minha língua está grossa.
─Jogador da NFL, estrela do rock e jogador de softbol com aceitação
antecipada na faculdade. Todos os Jacksons são super-empreendedores?
Matt ignora minha tentativa de desviar o assunto.
─Então, você está fugindo? Essa é a sua resposta?
─Eu preciso de um advogado e não posso pagar um. Char disse que
você poderia ajudar.
Ok, não o que eu estava esperando. Por que ela precisa de um
advogado?
─Advogado?─. Matt pergunta.
Encontro os olhos de Fern no espelho retrovisor novamente. Bem a
tempo de ela dizer: ─Um advogado de adoção.
No minuto em que a palavra adoção cai de seus lábios, quase bato o
maldito carro.
─Qualquer coisa que você precisar─, diz Matt, mas ouço a implicação
subjacente.
Respire fundo.

─Ela se instalou?─ Pergunto depois quando Matt vem para a cama.


Ele esteve no quarto dela por muito tempo - muito mais tempo do que só
arrumar a cama de hóspedes com lençóis limpos.
Nós não os mudamos desde a última vez que a banda de Jet tocou em
Chicago e ele veio fazer uma visita.
Matt tira seu moletom e camisa, e momentaneamente me distraio
com a forma como seus músculos se contraem.
Embora eu saiba que sexo está fora de cogitação quando ele cai na
cama de bruços e solta um grunhido que grita exaustão.
─O que faremos?
─Oh, Deus, podemos não falar sobre isso agora?
─Eu posso pensar em algumas coisas que poderíamos fazer.─ Minha
mão corre pelas costas e pela bunda dele. É um tiro no escuro para uma
distração, e fico surpreso quando Matt abre as pernas um pouco mais e
levanta os quadris.
─Mmm, você pode ficar em cima e fazer todo o trabalho? Eu tenho
treino amanhã, e quero relaxar.
─Se você não gosta disso...─ Eu normalmente não sou de recusar sexo
de qualquer tipo, mas não vou culpá-lo por isso.
─Depois. Eu só estou na minha cabeça. Quero que você me foda até
que não consiga pensar em nada além de desmaiar.
─Oh, querido, você sabe que eu sou bom nisso.
─Me foder até ficar sem cérebro?
─Você é um jogador de futebol. Você já não tem cérebro?─ Estendo a
mão e massageio sua bochecha na cueca boxer.
Matt cantarola.
─Se você continuar me fazendo uma massagem, me chame como
quiser.
Se eu não conhecesse meu marido por dentro e por fora, me sentiria
mal ao pegar o lubrificante, porque ele é tão tenso com a tensão e
provavelmente não cem por cento nele. Mas eu o conheço, e uma boa foda
vai ajudar.
Durante a temporada de futebol, quando fazemos sexo, eu geralmente
o fodo. Durante a entressafra, é o contrário. Quando Matt está estressado e
quer sair um pouco de sua cabeça, quer esquecer o futebol, as peças e o
Super Bowl, ele não consegue se cansar do meu pau.
Eu rolo em cima dele, montando sua bunda e cobrindo suas costas
com meu corpo. Minha boca deixa beijos leves nos ombros dele, enquanto
minhas mãos massageiam seus lados.
Matt geme, e eu tenho que calá-lo.
─Temos que ficar quietos. Não quero assustar sua irmã inocente com
todo o sexo gay barulhento.
─Pfft, inocente. Foi ela quem apareceu gravida.
─Tenho certeza de que isso não aconteceu ao fazer isso da maneira
gay.
Matt bufa.
Eu me mexo um pouco para que eu possa puxar sua boxer sobre os
globos redondos de sua bunda. Eu não a puxo pelas pernas dele, apenas o
suficiente para me dar acesso.
─Mmm, eu amo a bunda do meu homem.
─Apresse-se e mostre quanto─, Matt resmunga.
─Quer forte e rápido?─ Eu já sei a resposta, mas não me importarei
de atormentá-lo por um tempo. ─Quer que eu mal prepare você para que,
quando eu estiver dentro de você, você sinta que estou rasgando você em
dois? Você quer estar tão cheio de mim que nunca mais vai se sentir vazio?
Meu homem geme e ergue os quadris, tentando se ajoelhar, mas
ainda estou sentado em suas pernas.
Eu faço tsk ele.
─Paciência
─Foda-se você e sua paciência.
─Adoro quando você fala sujo.
─Noah─, ele lamenta. ─Eu preciso─. Suas mãos seguram o
travesseiro. ─Eu só preciso...
—Eu sei, querido.
Matt geralmente gosta de jogar, a provocação e as brincadeiras que
sempre temos. Para xingar e implorar tão rápido, ele deve realmente
precisar.
Então eu dou a ele o que ele quer. Nem começo com um dedo -
apenas lubrifico dois e começo a trabalhar. Eu provoco sua borda no
começo, apenas até que ele relaxe o suficiente para me deixar entrar.
A tensão escapa dele quando eu toco sua bunda e o preparo, e Matt
não é o único que está impaciente. Meu pau saiu do buraco na frente da
minha cueca sem eu nem tocá-lo.
Ele dói e almeja atrito. Eu quero alcançá-lo, mas Matt fica muito
impaciente.
─Eu não ligo se não estou preparado adequadamente. Eu preciso de
você dentro de mim agora.
Em vez de ouvi-lo, eu enfio meus dedos dentro dele. Com ele tendo
pratica amanhã, é importante que ele não esteja andando engraçado pela
manhã.
Matt se transforma em uma bagunça trêmula, gemendo em seu
travesseiro e empurrando sua bunda o mais alto que pode. Ele aperta meus
dedos, ávido por mais.
Eu não me incomodo em tirar minha cueca. Em vez disso, cubro meu
pau exposto com lubrificante, mantenho as bochechas de Matt separadas e
mergulho.
Pedir a Matt para ficar quieto em um bom dia já é difícil o suficiente,
mas o grito de puro prazer quando eu entro não deve ser ouvido fora desta
sala. O apartamento de Chicago parece mais à prova de som do que a casa
em Nova York. Mesmo que ela possa ouvir, com o quanto estamos
empolgados, sei que os ruídos não vão durar muito.
Eu respiro fundo para que eu mesmo não vá gozar na bunda apertada
de Matt ainda. Eu preciso de um momento, não importa quantos ruídos
impacientes meu marido faça para me mover.
─Preciso de você─, Matt sussurra.
─Eu sei.─ Eu me afasto, arrastando meu pau lentamente até que
apenas a cabeça permaneça. Eu empurro meu peito contra suas costas.
Eu empurro para dentro com força, e Matt estremece. Começando em
um ritmo lento, entro e saio dele até não aguentar mais.
Eu seguro seus quadris e me coloco de pé.
─Sim─, ele assobia.
Eu tomo Matt forte e rápido, e não demora muito para o suor escorrer
pelo meu peito, meus músculos cansar e minhas bolas doerem.
Matt fica tenso e grunhe através de seu orgasmo, sua bunda apertada
contraindo em torno do meu pau, ordenhando-o.
Depois que ele derrete no colchão e eu desço do alto, eu o puxo, beijo
seu ombro e caio na cama ao lado dele.
─Te amo─, eu digo.
─Sim, você faz.
Eu rio, porque geralmente sou eu a dizer isso.
─Também te amo─, acrescenta.
Não sei o que vai acontecer com a irmã de Matt, o que isso significa
para Matt e meu relacionamento, mas sei que farei qualquer coisa por meu
homem.
Mesmo que isso me assuste. Porque não há dúvida em minha mente
sobre o que está acontecendo no cérebro do meu marido.
Capítulo Três
Matt
Noah está tentando esconder que ele está pirando, e se eu for honesto,
sei exatamente como ele se sente. Quero fazer tudo o que puder para ajudar
Fern. Em que capacidade, ainda não tenho certeza - o que ela precisar. Mas
vi que no segundo em que ela mencionou um advogado de adoção, o pânico
de Noah começou. Porque ele me conhece. Ele sabe que eu gostaria de
proteger minha sobrinha ou sobrinho de qualquer maneira que eu puder,
mesmo que isso signifique cuidar dele ou dela pessoalmente, se for
necessário.
Sim, ela pode doar a criança para estranhos através de uma agência,
mas e se eles a entregarem para pais piores que os nossos? Eu não quero
nem pensar nisso. Noah e eu temos o dinheiro e a capacidade de cuidar de
uma criança.
Acho que Noah seria um ótimo pai, mas o assunto ‘crianças’ é algo
que nunca discutimos. É outra jogada apressada no nosso casamento. Nós
não tivemos tempo para discutir isso antes de sermos pegos. Sempre achei
que, se fosse fazer a coisa de criança, seria depois de me aposentar da NFL.
Sempre foi uma questão futura e uma sobre a qual não tive que pensar
seriamente.
Mas o problema futuro está aqui agora, e não me surpreendo ao
acordar em uma cama vazia. Noah acordar antes de mim só pode significar
uma coisa. Ele não dormiu muito, se é que o fez.
Levanto-me e tomo banho, porque não farei bem a ninguém antes de
me sentir humano, e depois que me visto e vou para a cozinha, encontro
Noah desempacotando o café da manhã do café no andar de baixo do nosso
prédio.
─Bom dia─, eu digo e beijo sua bochecha como se nada estivesse
errado.
Isso é algo que não mudou. Ainda somos ótimos em distração, nos
comunicando mal e fingindo que está tudo bem. Apenas aprendemos a lidar
melhor com as consequências disso.
─As pessoas grávidas comem muito, não comem?─ Noah pergunta.
Eu vejo a quantidade de comida que ele comprou.
─Sim, mas acho que você confundiu estar grávida com toda a linha
defensiva dos warrios.
Noah encolhe os ombros.
─Vamos comer as sobras.
Ele se move pela cozinha, evitando o contato visual comigo.
─Noah-
Sou pego de surpresa e tropeço para trás quando seus braços me
envolvem e seu rosto se enterra no meu pescoço.
—Direi isso agora. Sei que você vai querer ajudar Fern e o bebê dela, e
aceitarei o que você estiver planejando, porque concordei com isso quando
me casei com você.
Eu o abraço forte porque ele está tenso pra caralho, mas suas palavras
me confundem, porque eu realmente não disse meus planos em voz alta.
Espera, espera, espera.
─O que você está realmente dizendo aqui? É por isso que você não
dormiu ontem à noite?
─Fern quer se encontrar com um advogado de adoção, você quer
ajudar Fern. Eu já posso ver para onde isso está indo, Matt. Não queria
enfrentar ontem à noite, mas estou pronto.
─Devemos sentar e discutir o assunto adequadamente.
Noah balança a cabeça.
─Não precisamos. Amo você. Você é meu para sempre. E passei a
noite toda me dizendo que, mesmo que eu esteja assustado e seja um
modelo terrível para uma criança...
─Você é ótimo com Jet quando ele está em casa. Você tem sido ótimo
com ele desde que ele veio até nós.
─Ele tinha dezenove anos. Isso não conta. Não sei nada sobre bebês
ou crianças pequenas.
─Nem a maioria dos pais de primeira viagem.
Noah recua até estar encostado no balcão da cozinha.
─Pai de primeira viagem...
─Respire, querido.
Ele sacode o pânico e fica mais ereto. Fingindo totalmente, mas eu o
amo por tentar.
─Eu posso fazer isso─, diz ele. ─Embora eu esteja aterrorizado, não é
nem de longe tão aterrorizante como quando arrisquei ir atrás de você.
Conte comigo. Onde quer que isso nos leve.
Eu sorrio.
─Seria muito mais convincente se você não estivesse pirando agora.
─Vou parar em breve. Eu prometo.
Um obstáculo resolvido. De certa forma. Saber que Noah está comigo
facilita qualquer dúvida ou preocupação sobre como vamos lidar com a
situação de Fern. Sobre a qual ainda não sabemos muito, então essa
conversa pode ser por nada.
─Para constar─ eu puxo Noah para mais perto, para que ele se
pressione contra mim novamente ─Eu acho que você será um excelente pai.
─Não tão bom quanto você. Você praticamente criou todos os seus
irmãos. Você já foi uma figura paterna.
Eu vou abrir minha boca, mas ele me interrompe.
─Se você fizer uma piada sobre pai agora, eu vou dar um soco em
você.
Eu rio.
─Vou tentar encontrar um advogado hoje depois do treino.
─Sem problemas. Se concentre no futebol. Depois de nos
encontrarmos com um advogado, saberemos mais. Tente não se estressar
com isso, ok?
─Ok.
Eu sei que é mais fácil falar do que fazer, porque se Fern colocar seu
bebê para adoção, há uma chance muito real de nos tornarmos pais.
As crianças poderiam não estar no meu radar, mas com minha irmã
grávida, percebo que é algo que quero.
E por falar em Fern, ela aparece.
─Bom dia!
Ela está usando o mesmo de quando a pegamos: botas, perneiras, saia
curta, camiseta preta e um cardigã cinza, sem sua jaqueta grossa. Ela tinha
uma pequena bolsa com ela, mas acho que ela não trouxe muitas roupas.
─Bom dia─, eu digo.
─Café?─ Noah pergunta.
Ela esfrega seu estômago.
─ Estou grávida.
— E daí?
─Eu não deveria ter cafeína─, diz Fern.
—Sem café. Como se você não estivesse sendo torturada o suficiente.─
Noah estremece, receber comentários como esse provavelmente não ajuda
a situação dela.
Mas Fern não parece se importar.
─De qualquer maneira, não sou muito fã de café. Mas, obrigada.
─Está com fome? Noah comprou o suficiente para alimentar você por
dias, possivelmente semanas.
Meu marido me dá o dedo. Ele realmente me ama.
─Sim. Comida. Boa comida ─, diz Fern. ─Acho que nunca comi tanto
na minha vida.
─Crescer partes do corpo é difícil, eu imagino─, eu digo.
Fern faz uma careta.
─Parece grosseiro quando você coloca dessa maneira.
─Sim, é verdade─, Noah concorda.
Enquanto nos sentamos para comer na mesa de jantar, eu vou direto
ao assunto. Nós não tivemos a chance de conversar muito ontem à noite
porque era muito tarde, mas agora eu preciso saber tudo.
─Por quanto tempo você ficará aqui?─ pergunto.
—Não sei. Tempo suficiente para conversar com um advogado e
descobrir minhas opções, eu acho. Quero dizer, se estiver tudo bem para
você. Se você vai ajudar. Eu sei que não tenho o direito de...
─Fern. Tudo bem. Estou aqui por você, não importa o quê. Na
verdade, é sobre isso que devemos conversar ...
─Eu sei sobre as relações de confiança que você criou em nossos
nomes.─ Olhos castanhos piscam para mim.
─Daisy-
Ela balança a cabeça.
─Daisy?
─Mas Daisy não me falou nada, nem ligou-
─Ela está namorando alguém de uma família super rica e super
conservadora. Então...
─Então, ela está do lado da mamãe e papai.─ Eu olho para ela,
tentando avaliar sua opinião sobre isso. Talvez ela sinta o mesmo, mas está
desesperada por dinheiro. Não que eu não desse a ela se ela não ‘aprovasse
meu estilo de vida’ e todas essas outras besteiras. Como Noah disse, eu
praticamente criei meus irmãos, e embora parta meu coração que Daisy
escolha nossos pais e suas visões estúpidas sobre mim, não posso deixar de
me sentir responsável por eles ainda.
Talvez eu devesse consultar um terapeuta sobre isso, mas tanto faz.
—E quanto a você?─ pergunto. ─Você concorda com Daisy ou Char?
Ela inclina a cabeça.
─Não se preocupe irmão. Se eu concordasse com Daisy, nunca teria
vindo aqui. Pelo que sei, Daisy é a única que conseguiu esse gene.
─Como está Wade?
O sorriso que toma conta de seu rosto me faz pensar nela quando ela
era pequena. Isso faz meu peito doer.
─Wade é o mais inteligente de todos nós. Ele está em todas essas
classes avançadas. Ele vai ser um cientista ou algo assim. Talvez um
médico. Embora o sangue o faça se contorcer, não acho que ele seja bom.
— Sério?─ Orgulho genuíno enche minhas veias. ─Que legal. Ele está
feliz? Nós... Tomamos a decisão certa deixando-os no Tennessee?
—Decisão?
Noah segura minha mão e responde por mim.
─Ficamos imaginando se deveríamos ter lutado por vocês. Quando
Jet apareceu na nossa porta, nos perguntamos se deveríamos tentar trazer
todos vocês aqui. Mas-
─Não era seu trabalho nos criar. Ou cuidar de nós.
Lágrimas brotam dos meus olhos. Sempre me senti culpado. Como se
eu devesse fazer mais do que enviar dinheiro.
Fern bufa.
─Você passou por bastante em casa. Isso eu sei. Talvez eu não saiba
exatamente o que, mas os gays em nossa cidade não existem. Ou não estão
por perto, e é fácil entender o porquê. Você não nos deve nada. Se não fosse
por esse bebê, eu não iria querer minha confiança. Não porque vem de
você, mas porque quero que minhas conquistas sejam minhas. Como minha
bolsa de softbol. Você nos ensinou a seguir nosso próprio caminho, e não
deve se sentir culpado por sair de uma situação de merda.
É exatamente o que eu preciso ouvir.
─E Wade... ele está indo tão bem. Eu não gostaria de perturbar isso.
Mas se você tiver dinheiro para uma Ivy League para ele daqui a alguns
anos, tenho certeza que ele ficará agradecido. Embora eu suspeite que ele
tenha bolsa de estudos.
─Estou tão orgulhoso de você. Você e Wade.
Ela olha para sua barriga de grávida.
─Porque eu claramente faço escolhas incríveis?
─Você recebeu uma bolsa de esportes, Fern. Isso é espantoso! Mesmo
se você não puder aceitar.
─Eu quero aceitá-la. Mas quero muitas coisas que não são possíveis.
Noah bebe o resto do café.
─Eu vou ... uh ... tenho algumas tarefas.
─Se eu não te ver antes de sair para o treino, tenha um bom dia─, eu
digo, e ele vem beijar minha bochecha antes de ir para a porta.
Prendo a respiração enquanto observo Noah sair. Ele deveria estar
aqui para esta discussão, mas talvez seja demais.
Talvez seja demais pedir isso a ele. Ele disse que está comigo, mas ele
está mesmo? Ou ele simplesmente sabe que precisa lidar com isso porque
sabe que vou ajudar minha família, não importa o quê?
Nosso grupo de amigos realmente não entende meu relacionamento
com minha família no Tennessee. Não sei se Noah ou Jet lhes disseram ou
se eles imaginaram que eu estou apoiando financeiramente meus pais
homofóbicos. Não ajuda o fato de Jet ter se despedido deles e de sua vida
no minuto em que entrou em um ônibus da Greyhound. O que eles não
entendem é que não estou apoiando meus pais, mas as crianças que ajudei
a criar. Eu faria qualquer coisa pelos meus irmãos, até Daisy se ela pedisse.
O amor incondicional é assim.
Pego as mãos de Fern, mas ela não levanta a cabeça.
—Qual é o problema?─ Coloco um dedo embaixo do queixo e a forço a
olhar para mim.
Suas bochechas estão molhadas de lágrimas.
─Tudo.─ Ela funga. ─Eu tinha um plano. O fodido e eu tínhamos um
plano!
Eu bufo uma risada.
─Fodido tem um nome, ou ele será para sempre fodido?
─Darryl. Mas fodido é melhor.
─Então, qual era o seu plano?
─Eu iria para a faculdade enquanto ele ficava em casa com a criança e
trabalharia a noite.
─Isso soa como uma agenda agitada para uma garota de dezessete
anos.
─Não sou burra o suficiente para pensar que seria fácil, mas não acho
que seja o dinheiro ou a carga de trabalho. Acho que os pais dele pensaram
que era o trabalho da mãe ficar em casa ou alguma besteira, porque de
repente é como se ser um pai que fica em casa, fosse uma ameaça à sua
masculinidade ou algo assim.
─Talvez seja porque vocês são adolescentes e ele está pirando. Talvez
ele só precise de tempo?
─Eu não sei, mas algo o assustou. Se ele fosse para a faculdade, sim,
eu poderia ficar com a criança enquanto ele estuda. Mas ele não vai. Ele
abandonou o ensino médio e está trabalhando em um beco sem saída, com
salário mínimo, e eu quero um futuro adequado. Não há como eu trabalhar
para pagar as contas, estudar e cuidar de uma criança. Não quero ser como
nossos pais, mas é difícil quando não podemos começar, sabe?
─Estou feliz em levá-la a um advogado de adoção para que você possa
definir suas opções, mas antes de fazermos tudo isso, você tem certeza de
que é isso que você quer?
Em uma conversa, eu já sei o que Fern quer. É óbvio. Ela quer seu
futuro, mas ela também já ama tanto a criança dentro dela.
─Estou mais do que disposto a dar-lhe o dinheiro para um advogado,
mas acho que será uma perda de tempo.
Ela confirma minhas suspeitas quando esfrega a mão sobre o
estômago.
─Eu quero tudo. Isso é pedir muito?
Eu rio.
—Não, não é. E eu vou dar a você.
Capítulo Quatro
Noah
Eu provavelmente deveria ficar para a conversa deles, mas não quero
deixar meu desespero aparecer. Não tenho cem por cento de certeza de que
eu poderia estar na mesma sala que Fern sem ter um ataque de pânico, e
duvido que ela queira dar o bebê a um cara que está enlouquecendo por
causa da ideia de ser pai.
Porque eu sei que é assim que isso vai acabar.
Eu ando sem rumo antes de atravessar o Millennium Park e me sentar
junto à água, mesmo que esteja abaixo de zero aqui.
Pesquisar advogados de família em Chicago e ligar para marcar uma
consulta com um só tornam mais real, mas eu faço assim mesmo.
Com uma consulta marcada para amanhã e Matt saindo para o treino
em breve, eu deveria voltar para o apartamento e encarar isso como um
adulto.
Em vez disso, sento-me no frio com a geada no chão, o vento
soprando, meu rosto ardendo e digo a mim mesmo para superar. Talvez eu
devesse pensar nisso em termos de se eu fosse hetero e alguma garota
grávida aparecesse dizendo que é meu bebê.
Isso dura cerca de três minutos antes que eu desista, porque
simplesmente não é plausível o suficiente para envolver minha cabeça.
Quando isso falha, pego meu telefone novamente e ligo o Skype para
Aron e Wyatt em Nova York. De todos que eu conheço, eles são os únicos
com quem posso conversar sobre isso.
A tela ganha vida e tudo o que posso ver são as grandes bochechas
carnudas e os lábios carnudos do bebê Ryan.
─Sim, sim, seu bebê é fofo, mas eu preciso falar com um adulto.
Aron puxa o telefone de volta para que eu possa ver seu rosto e o bebê
Ryan de tamanho normal. Merda, nem tanto bebê Ryan. Criança Ryan?
Existe um meio termo entre bebê e criança? É o que Ryan é.
Ah, sim, eu posso ser um pai ruim. Eu nem conheço termos infantis.
Aron e Wyatt passaram de amigos a amantes a uma família feliz tão
ridiculamente rápido, mas não posso ser mais feliz por eles. E mesmo
estando juntos há tanto tempo quanto eu e Matt, é difícil lembrar de uma
época em que eles não estavam juntos. Eu poderia jurar que eles estavam
juntos há muito tempo na faculdade, mesmo que não estivessem. É como se
eles sempre viessem como um pacote.
─Esse é o seu lema na vida?─ Aron pergunta. ─Eu preciso de um
adulto de verdade, porque não acho que estou preparado para lidar com o
que a vida está jogando para mim?
Eu faço uma careta. Aron ri.
A cabeça loira de Wyatt se inclina sobre o ombro de Aron.
─Oi, Noah. Tchau, Noah. Eu tenho que trabalhar.
Eles se beijam nos lábios, Wyatt beija o topo da cabeça de Ryan e ele
desaparece da tela novamente.
─Então, como vai?─ Aron pergunta.
─Como está a paternidade?─ A casualidade forçada do meu tom
passa despercebida.
─Fodida e cansativa. Ryan está com dentes nascendo, então ele é
exigente o tempo todo, chorão e pegajoso, e Wyatt chega em casa do
trabalho e o irrita, e então é preciso muuuuuito tempo para ele dormir, e
então...─ Ele para abruptamente. ─Espera aí. Você nunca pergunta sobre
Ryan ou paternidade. Você diz que ele é fofo e muda de assunto sempre que
conversamos.─ Ele me avalia pela tela, mas não digo nada. Meus olhos
estão provavelmente injetados de sangue pelo vento, e estou mantendo meu
rosto o mais neutro possível. —Então? Você e Matt… estão falando de
crianças? É por isso que você está sentado em um banco do parque no frio
congelante?
─Como você sabe que eu estou em um parque? Você só pode ver meu
rosto.
─Parece que você está prestes a se transformar em um picolé. Então
derrame.
─Matt está falando sobre crianças. Bem, criança. O filho da irmã dele.
Ela quer colocar para adoção e eu sei que Matt vai querer ficar com a
criança.
─Sem discutir isso com você primeiro?
─Ah, ele vai, mas como devo dizer: 'Não, você não pode fornecer uma
vida estável para sua sobrinha ou sobrinho de sangue, porque sou um
homem egoísta’.
─Bem, você é─, diz Aron secamente, depois fica sério. ─Apenas fale
com ele. Diga a ele que você não está pronto.
─Como você sabia que estava pronto?
─Wyatt e eu conversamos sobre isso. Juntos.─ Aron engasga.
─Conceito chocante para você e Matt, eu sei.
─Ei, nós conversamos. Eu meio que já disse a ele que estou nisso com
ele no que ele decidir.
Aron ri.
─Claro. Portanto, suas escolhas são voltar para casa e dizer: 'Não,
espere, vamos falar sobre isso antes de tomar qualquer decisão impulsiva'
ou você precisa aceitar um novo bebê humano da vida real em alguns
meses. De quanto tempo ela está?
─Hmm... Eu não sei, mas você pode dizer que ela está grávida só de
olhar para ela.
─Ok, então você precisa chegar a um acordo super rápido. Quando
estávamos analisando as opções, a adoção levaria alguns anos e, quando
Rebecca e Skylar ofereceram, ainda tínhamos toda a gravidez para nos
acostumarmos. Você não tem mais esse luxo.
─Não. Certamente não.
─Mas quer saber? Tão exausto quanto estou, não trocaria Ryan por
nada no mundo. Ele e Wyatt são tudo para mim.
─E Matt é meu tudo. Vou mudar o céu e a terra por ele, e isso parece
muito mais difícil do que simplesmente ter um bebê.
Certo?
Quando finalmente chego em casa na hora do jantar, minha
expressão corajosa está no lugar.
─Ei, você está em casa─, diz Matt.
─Sim, desculpe, eu fiquei fora o dia todo. Acabei nas novas camas
Rainbow.
Depois de desligar com Aron, decidi ser realmente produtivo durante
o dia.
Matt sorri para mim. Rainbow Beds, em Nova York, era meu bebê,
mas desisti das rédeas há três anos, quando ele manteve minha atenção
longe de Matt em Chicago durante a temporada de futebol. Ainda estou
envolvido, mas não estou no comando, e um local em Chicago será
inaugurado em breve, então estou me preparando.
Hoje funcionou para uma grande distração.
─Consegui marcar uma consulta amanhã com o advogado─, digo.
O rosto de Matt entristece um pouco.
─Obrigado, mas eu deveria ter enviado uma mensagem. Nós, uh─ ele
olha para sua irmã e depois para mim, ─não precisamos mais disso.
Minhas sobrancelhas estão franzidas.
─Vou ficar com o bebê─, diz Fern.
Esta é a parte em que eu deveria estar muito feliz. Em êxtase. Sinto
que estou livre de toda responsabilidade, porque vamos ser sinceros, acho
que sou alérgico a isso.
Mas eu não estou nenhuma dessas coisas.
Uma decepção surpreendente me chuta nas nozes. Eu tinha tanta
certeza de que sabia para onde aquilo estava indo - eu, Matt e um bebê.
Passei o dia todo me acostumando com a ideia. Eu deveria estar
aliviado. Por que não estou aliviado? Nem mesmo um pouco?
Sentado durante o jantar, continuo me dizendo o que significa não ter
um bebê.
Não muda nada.
Eu amo minha vida.
Não há mais a ameaça de um bebê gritando e fraldas enchendo meu
futuro.
Eu posso beber durante o dia!
Ok, sim, eu não faço isso. Mas eu poderia aceitar.
Como diria Jet, #Metasdavida.
─Estou exausto─, eu digo.
─Convenientemente exausto para lavar a louça?─ Matt pergunta.
—É claro.─ Fico de pé e vou para o nosso quarto, cantando: ─Não
deveria ter despedido a empregada.
Fern ri.
Dispo-me e vou para a cama, ainda incapaz de afastar a decepção.
Matt entra depois de limpar depois do jantar.
Seus braços me envolvem enquanto ele sobe na cama e me rola para
encará-lo.
─Ela nunca quis desistir do bebê. Ela apenas pensou que não tinha
outra opção.
─Então, o que você deu a ela?─ pergunto.
─Dinheiro.─ Ele me para antes que eu possa interromper. ─Eu sei o
que você está pensando - e se ela for como nossos pais e não parar, mas
fizemos um acordo. Vou pagar pelas despesas de moradia e cuidados
infantis para que ela possa ir à escola e não precisar se preocupar em
conseguir um emprego. Criar um bebê enquanto estuda vai ser difícil o
suficiente sem dívidas ou contas de empréstimos estudantis para se
preocupar. Ela é esperta. Ela quer ficar e trabalhar no Tennessee quando se
formar, e eu estou lhe dando a chance de me pagar - esses foram os termos
dela. Você deveria ter visto o rosto dela quando eu lhe dei a opção de ter a
escola e o bebê.
Eu posso dizer que ele está decepcionado, mesmo que esteja feliz por
sua irmã.
─Você está triste.
Matt balança a cabeça.
─Não. Estou feliz que somos apenas você e eu. Um bebê gritando?
Não, obrigado.─ Ele é tão convincente quanto uma das antigas promessas
políticas do meu pai.
─Posso admitir algo para você?
—Sempre. Deixe-me adivinhar... Você está aliviado pra caralho.
Respiro fundo, porque admitir isso é difícil, e eu sei que quando isso
estiver lá fora, tudo vai mudar.
─Estou desapontado.
—O quê?
─Eu tive menos de vinte e quatro horas para me acostumar com a
ideia, mas fiz. Surtei o dia todo, mas no segundo em que você disse que não
precisávamos mais do advogado, foi como se você tivesse roubado algo de
mim. Eu estava convencido de que isso iria acontecer, então me obriguei a
aceitar isso. Agora que não é? Eu acho... Quer dizer... Eu realmente quero
isso. Eu não vou gritar com sua irmã e tentar roubar o bebê dela, mas... Eu
quero ter filhos com você. Espere, talvez um filho. Vamos começar com um
e ver para onde vamos a partir daí.
O rosto de Matt se ilumina. Não consigo imaginar um mundo em que
ele não tenha esse sorriso no rosto e não quero.
─Não precisa ser agora ou em breve ou o que for, mas sim... Eu quero
um filho com você.
─Você está falando sério agora?─ Faz sentido que ele não acredite em
mim.
─Como um ataque cardíaco.
─Você acabou de comparar ser pai com um ataque cardíaco?
─Sim.
A revelação paira no ar.
─Puta merda─, Matt sussurra.
─Você acha que se eu te foder o suficiente, você poderia engravidar?
Matt começa a rir, mas no segundo seguinte, ele está em cima de mim
e eu estou preso nas minhas costas.
─Estou disposto a tentar, embora seja totalmente o contrário.
Eu dou de ombros.
─Eu voto para tentamos o máximo possível, de todas as formas.
Vamos violar as leis da biologia, droga.
─Parece um bom plano!
─É melhor entrar em contato com uma agência de adoção também.
Você sabe, só por precaução.
─Parece um plano melhor. Menos divertido, mas provavelmente mais
eficaz.
─Provavelmente. Aron disse que a lista de espera é de anos. Se
fizermos agora, talvez eu esteja definitivamente pronto quando
conseguirmos um bebê.
─Você falou com Aron hoje?
Aceno em concordância.
─Ele me disse que a paternidade é tão cansativa e o garoto é um
pirralho, mas assim que descobriu sua irmã grávida, ele ficou 'ah, a
paternidade é a melhor coisa do mundo'. Eu sinto que é uma armadilha.
Mas foi convincente. Eu quero uma família com você um dia.
─Eu quero isso também.
Capítulo Cinco
Matt
Há trinta mil pés no ar, em algum lugar sobre Kentucky, finalmente
entendo a realidade de ir para casa. Eu não volto ao Tennessee há dez anos,
a menos que tenha sido um jogo, e se alguém da minha família esteve
nesses jogos, eu não saberia. Eu não tinha vontade de voltar para aquele
ambiente tóxico. Ainda não.
Mas Fern está dando à luz meu sobrinho, e ela me pediu para estar lá,
então estou enlouquecendo, mesmo que isso signifique ver o resto da
minha família com quem eu não falo desde que saí há quatro anos.
A mão de Noah pousa na minha perna inquieta, imobilizando-a.
─Pare.
─Desculpe.
─Você se importa de se juntar ao piloto no cockpit?─ ele pergunta a
sua comissária de bordo.
Ela dá um aceno de cabeça.
─Vamos pousar em trinta minutos.─ É tudo o que ela diz antes de nos
deixar na cabine principal.
Noah abre o cinto de segurança.
─Bastante tempo.─ Ele cai de joelhos na minha frente, mas eu coloco
minha mão em seu ombro.
─Obrigado, mas eu não acho que minha cabeça esteja nisso.
─Essa é a questão. Você precisa relaxar. E não se preocupe, mais do
que apenas sua cabeça pode caber na minha boca.─ Ele pisca.
Realmente não faz sentido tentar detê-lo, e meu pau já está a bordo,
mesmo que eu não esteja de bom humor.
─Lembra da primeira vez que ficamos?─ Noah diz enquanto
descompacta meu ziper. ─Foi aqui, neste mesmo local.
─Tecnicamente, foi sobre o Oceano Atlântico.─ Minha boca está seca,
minha voz rouca.
─Se queremos ser técnicos.─ Noah me liberta do meu jeans. ─Você
era um idiota tão mal-humorado.
─Você era um bastardo arrogante.
─Eu ainda sou.─ Noah abaixa a cabeça, lambendo a cabeça do meu
pau.
Eu respiro fundo.
─E ainda posso ser um idiota mal-humorado.
─Não se eu estiver engasgando com seu pau.─ Ele me leva em seu
calor úmido e me chupa até a raiz.
─Eu amo sua boca.
─Mmhmm─, ele cantarola, enviando vibrações para os meus dedos
dos pés.
─Eu amo você─ Eu canto. ─Amo você. Amo você. Amo você.
Noah solta com um estalo molhado.
—Agora sim!─ Ele chupa um dedo na boca e eu sei o que está por vir.
─Foda-se sim.─ Eu empurro minhas calças pelas minhas coxas e
movo minha bunda para a borda do meu assento.
Quando a boca de Noah volta para o meu pau, seu dedo provoca a
borda da minha bunda e lentamente empurra para dentro.
─Mais─, eu exijo.
Ele faz o que eu peço sem contar uma piada como faria normalmente,
e não pela primeira vez nos anos em que nos casamos, sou grato quando
Noah sabe quando preciso que ele dê, em vez de continuar o empurrão e
puxão normais entre nós.
Enquanto Noah toca minha bunda, ele chupa meu pau como se
estivesse sendo pago pra isso. Saliva quente reveste meu pau, enquanto
dois de seus dedos esfregam contra minha próstata.
Eu o aviso com bastante tempo para ele se afastar, mas ele não o faz.
Eu gozo com um grito rouco, e ele engole tudo - algo que ele só faz quando
está de bom humor. O que raramente acontece, porque ele é Noah.
Ele se afasta e limpa a boca.
─Menos bagunça.─ Ele sorri.
Seguro em sua calça quando ele se levanta.
─É a sua vez.
Sua mão cobre a minha para me parar.
─Isso foi para você, porque eu sei que você precisava.
Inclinando-se, ele me beija com a mesma quantidade de paixão que
sempre teve por mim, e todas as boas vibrações desse boquete incrível
flutuam para longe com a noção de que estou levando meu homem - o amor
da minha vida - até a cova dos leões.
Noah e eu passamos por momentos difíceis, mas apresentar meu
marido negro aos meus pais racistas e homofóbicos? Fern me deve, e eu
quero dizer mais do que dinheiro.
Não quero submeter Noah a seu julgamento e escrutínio. Ele merece
mais do que isso. Eles podem ser minha família de sangue, mas Noah é meu
mundo.
Noah se senta novamente e envolve seu braço ao meu redor. Como se
sentisse com o que estou preocupado, ele diz: ─Estou aqui, querido. Não
importa o que eles joguem contra nós.
Eu me inclino para ele e respiro fundo calmamente, tentando me
preparar para ver minha família novamente.
Quando pousamos, Char está lá para nos encontrar no salão privativo
de frete.
Pelo menos, estamos começando com um bom membro da família e
alguém que Noah já encontrou antes. Ela abraça a nós dois, o que
surpreende Noah.
─Onde está o seu bando de crianças?─ pergunto.
─Em casa com o pai deles. Eu o deixei de babá. Você pode acreditar?
Ele merece ser deixado sozinho com eles. Até que ele aprenda a ligar
parentalidade com cuidar dos filhos, ele será o máximo de babá que puder.
Eu tenho que admitir que o pai de seu bebê é um homem
estereotipado de cidade pequena do sul. Abençoe seu coração. Paguei para
Char, seu marido e os dois filhos viessem a Nova York dois anos atrás,
durante a entressafra. Ele odiou cada segundo de estar na “cidade grande e
barulhenta”. Ele surpreendentemente apoiou Noah e eu. Talvez seja porque
ele sabe que se não fosse por nós, eles ainda morariam em um trailer.
Minha irmã se contenta em ser uma mãe e dona de casa de Stuart
Crossing, e essa é sua prerrogativa. Desde então, ela criou outro garoto que
eu não conheci, e três filhos em quatro anos é uma façanha incrível. Ela diz
que vai provar que é uma mãe melhor que a nossa. Esse parece ser seu
único objetivo na vida. E inferno, eu entendo isso.
Quando Noah e eu recebemos nosso bebê, será minha prioridade
número um deixar que ele ou ela saiba que é amado, não importa quem ele
seja. Vou apoiá-lo, discipliná-lo, mas acima de tudo, vou amá-lo. Eu estarei
lá para ele em tudo - e não escolher quando e sob que circunstâncias.
Sempre que ele precisar de nós.
Estamos com nossa agência de adoção há alguns meses, o que não é o
momento na terra da adoção, mas eles disseram que, sendo um casal de
destaque, e na mídia, provavelmente teremos mais pessoas interessadas em
dar nós seu filho.
Foi estranho ouvir isso? Com certeza.
Mas parece que pode não ter sido verdade, porque ainda não fomos
escolhidos.
É cedo ainda. Eu me lembro. Adoção leva anos.
É engraçado que passamos de discutir isso a querer tanto isso e tão
rapidamente, mas Noah e eu somos iguais da mesma maneira que, quando
decidimos que queremos algo, vamos em frente. Uma vez que nossa mente
está decidida, não há como muda-la.
No entanto, acho que sou o único super ansioso por isso. Noah ainda
está na mentalidade que levará anos, então ele está aproveitando esse
tempo para se preparar mentalmente.
─Como está Fern?─ Eu pergunto enquanto seguimos nosso caminho
para o carro de Char.
─Ela está aguentando.
─Ela ainda está em trabalho de parto?─ Noah exclama. ─Ela nos
ligou há doze horas atrás.
─Sim. Nosso sobrinho é teimoso.─ Char inclina a cabeça. ─Eu me
pergunto de quem ele herdou isso?
─Claramente da tia Char─, eu digo.
─Um-hmm.
Char nos informa sobre os últimos acontecimentos da vida de meus
irmãos, incluindo a notícia de que Daisy está noiva do garoto conservador
do fundo fiduciário. Wade ainda está indo bem na escola, e Fern está pronta
para se mudar para Knoxville depois que ela terminar o ensino médio em
alguns meses.
─Eu devo avisar você...─ Char diz quando entramos no
estacionamento do hospital. ─Mamãe e papai estão aqui.
Imaginei isso, mas esperava que eles não se incomodassem comigo.
─Bom plano me dizendo agora, quando não há tempo para me
preparar para vê-los.
Noah aperta meu ombro do banco de trás.
─Está tudo bem. Nós podemos lidar com isso.
─Eles sabem o que eu fiz por Fern?─ Olho através do para-brisa para
um prédio que não deveria ser intimidador, mas de repente é.
─Eles sabem─, diz Char. ─Acho que eles têm algum tipo de brecha no
fanatismo.
Aceno em concordância.
─Certo. Enquanto o dinheiro continuar entrando, eles podem me
ignorar e fingir que não precisam de mim.
─Posso perguntar uma coisa?─ A voz de Char é baixa.
─Qualquer coisa.
─Por que você ainda lhes dá dinheiro?
Noah e eu tivemos exatamente a mesma conversa, e a verdade é que
não sei mais. A desculpa que usei nos últimos anos é que eles tinham Daisy,
Fern e Wade, e eu não queria que meus irmãos sofressem. Mas agora Wade
é o único que resta e, em três anos, ele estará fora de casa também. Não sei
qual será minha desculpa então.
Eles são meus pais. Eles me deram a vida. Papai me ensinou futebol e
não poupou despesas quando eu era criança para garantir que eu tivesse as
oportunidades certas.
Não, ele não era um ótimo pai. Sim, ele me levou a ter internalizado a
homofobia por um longo tempo antes de eu lidar com isso. E sim, ele agora
me trata e a Jet como párias. Mas onde está a linha?
Quando você deve tudo à sua família, quanto custa para pagar sua
dívida?
Noah acha fácil ignorar seu pai frio, mas há uma diferença entre meu
pai e o dele. Quando confrontado com a possibilidade de perder Noah, seu
pai fez um esforço para consertar o relacionamento quebrado. O meu foi
quem me excluiu.
─Talvez eu deva repensar quando Wade estiver na faculdade─,
murmuro.
Char dá um tapinha no meu braço.
─Se eu não digo o suficiente, saiba que você é o melhor irmão mais
velho que poderíamos pedir, e mesmo se os outros não disseram, todos nós
apreciamos você. Até Daisy, que na verdade não sabe o quanto você fez por
ela, mantendo mamãe e papai flutuando nos últimos anos.
Mordo o lábio inferior.
─Papai ainda está jogando?
Char reflete meu hábito nervoso.
─Eu... Não sei.
─Você não sabe se ele está ou não?
─Oh, eu sei a resposta. Só não quero lhe contar.
Jogo minha cabeça no encosto de cabeça do meu assento.
─Tão ruim?
─Eles tomam seu dinheiro como garantido, e isso me irrita. Não
tenho dúvidas de que ainda estaria morando em um trailer, se não fosse por
você, e não vou tirar proveito disso como eles. Há uma diferença entre pedir
ajuda e extorquir. Não os ajude, Matt. Estou implorando que você se afaste
para que eles possam ser os adultos que deveriam ser pela primeira vez. Se
eles pedirem dinheiro, diga não. Por favor!
─E o Wade?
─Você não entende? Eles não estão dando seu dinheiro a Wade. Eles
estão desperdiçando.
─O que eu devo fazer agora?
De repente, minha irmã parece envergonhada.
─Você sabe como prometemos não contar nada a Wade até que ele
completasse dezoito anos como os outros? Bem, eu meio que ... depois de
toda a coisa de Fern quando ela descobriu antes do planejado, pensei em
Wade ...
─Fizemos isso por uma razão. Wade ainda é menor de idade. Se
mamãe e papai não me querem perto dele, eles podem legalmente me fazer
ficar longe.
─Olha, eu sei que esta viagem é sobre Fern e seu bebê, mas eu estive
pensando...
—O quê?
─Wade é tão inteligente. Ele realmente tem cérebro para alcançar
mais do que todos nós. Quem sabe de quem ele herdou isso, mas você pode
imaginar o que ele poderia fazer se fosse a uma das melhores escolas do
país? Em, digamos, Nova York ou Chicago?
De repente eu entendo.
─Você quer que eu leve Wade.
Ela morde o lábio novamente.
─Na verdade, eu e Fern achamos que seria o melhor para Wade.
─O que Wade acha?
─Nós não discutimos isso com ele. A gente queria falar com você.
Eu suspiro.
─Eu deveria ter lutado mais por todos vocês.
─Não me faça dar um tapa em você─, diz Char. ─Até este ano, tudo
correu bem, eu juro. É que Wade é especial, sabe? Levá-lo em tempo
integral é uma grande mudança, e você não tem responsabilidade sobre ele,
mas... todos queremos o melhor para ele. Não há contestação entre você e
nossos pais. Você pode dar a ele o futuro que ele merece.
─E se ele não quiser vir comigo? Se ele for como Daisy e rejeitar
minha ajuda?
─Então talvez ele não seja tão inteligente quanto o QI sugere.
Noah está quieto na parte de trás, o que não pode ser um bom sinal.
Ele certamente tem uma opinião sobre isso, mesmo que ele sempre diga
que vai concordar com o que eu decidir, porque eles são minha família.
O telefone de Char toca.
─Bebê Nat está aqui─, ela canta.
─Salvo pelo sino─, murmura Noah.
Ah, sim, ele tem uma opinião.
Será divertido mais tarde.
Abro a porta do meu carro.
─Hora do bebê.

Você está fazendo isso pelo seu sobrinho. É só tentar.


─O que diabos você está fazendo aqui?─ A voz do meu pai soa do
outro lado da sala de espera.
Algumas pessoas viram a cabeça.
Ótima maneira de permanecer discreto.
Se por não me reconhecerem ou estarem preocupados em estar em
um hospital por qualquer motivo, todos voltam aos seus negócios enquanto
nos aproximamos do meu pai.
Murmuro para Char: ─Acho que como você quase não me disse que
mamãe e papai estariam aqui, você também não contou a eles.
Estou começando a pensar que minha irmã deve manter sua
expressão tímida e ridícula em seu rosto pelo resto da nossa viagem.
─Isso economizou tempo.
Extremamente ruim irmã.
Mesmo aos cinquenta e dois anos, meu pai ainda é atarracado e
dominador. Eu consegui dele a minha altura e físico. Jet puxou a mãe. O
cabelo grisalho de papai é novo. Ele sempre disse que eu o faria ficar velho.
Aparentemente, não me ver por quase dez anos fez isso.
Noah aperta minha mão, o que apenas faz o olhar de meu pai disparar
em direção aos nossos dedos entrelaçados.
─Fui convidado─, eu digo, minha voz rouca. ─Cadê a Mamãe?
Meu pai me ignora.
Um cara se levanta de uma das cadeiras e se move ao lado de papai.
Leva um segundo para eu registrar que não é um cara aleatório. É o meu
irmãozinho. Quinze anos e mais alto que papai e eu.
Ele cruza os braços magros sobre o peito esbelto, e parece que ele
conseguiu a altura do pai, mas o corpo magro da mãe. Ele tem o cabelo
bagunçado e desgrenhado de Jet e os olhos castanhos de marca registrada
dos Jackson.
─Wade─ sai da minha boca.
Sua expressão severa vacila um pouco, mas ele permanece firme.
─Você não é bem-vindo aqui─, diz o pai novamente. Ele olha para
Noah. ─Nenhum de vocês é.
─Pai─, diz Char. ─Fern o quer aqui.
─Sou eu quem paga pelo apartamento, pela educação e pelo bebê de
Fern─, digo. ─Você espera que eu fique longe porque você não me quer?
Fern me quer aqui, e você não tem nada a dizer sobre isso.
Maldito seja o meu sotaque sulista. Pelo menos minha família não
sabe que algo está acontecendo e eu mal estou me segurando, porque eles
só me conhecem com o meu sotaque. No entanto, com a maneira como
Noah segura minha mão com mais força, ele sabe exatamente o quanto
estou perto de explodir.
─Eu disse quando você tinha dezoito anos para não se incomodar em
voltar.
─E a única razão pela qual ouvi foi porque não queria arrastar as
crianças para a nossa bagunça.
A sobrancelha de Wade se torce, e ele olha para o papai, mas papai
está muito ocupado olhando para mim para perceber.
─Nós apenas queremos ver o bebê, e então seguiremos nosso
caminho─, eu digo.
─Matt─. A voz calma da mamãe nos faz virar para as portas que
levam à suíte da maternidade.
Encontro olhar da mulher que me deu à luz. A pessoa que não
protegeu o filho das visões tóxicas do marido e até incentivou a
negatividade. E quando papai pega seu braço e passa por nós para avançar
em direção à saída, percebo que isso não mudou.
Eles não mudaram. Eles nunca irão. Não sei por que estava
esperando a possibilidade de as coisas seriam diferentes.
Talvez seja por isso que os tenho apoiado todos esses anos.
Dizem que o sangue é mais espesso que a água, mas li em algum lugar
uma vez que o xarope de bordo é mais espesso que o sangue. Portanto,
panquecas são mais importantes que a família.
Eu pensei que era uma piada até este exato momento, quando eu
assisti meus pais saírem.
Eles sempre me abandonam, então por que diabos eu estou tentando
segurar isso?
─Wade─, meu pai grita.
Wade olha entre mim e nossos pais antes que seus pés se arrastem
atrás deles.
Eu me afasto para impedi-lo.
─Se você quiser saber a verdade sobre o que aconteceu nos últimos
dez anos, ficaremos no Omni Hotel.
─Ele não está interessado─, responde o pai.
─Obrigado por responder, Wade.
Wade parece dividido, mas segue nossos pais.
─Quem não ama reuniões de família?─ Eu digo sarcasticamente.
Noah coloca o braço ao meu redor.
—Desculpe.
─Eu também sinto muito─, diz Char.
─Na verdade, não foi tão ruim quanto eu esperava. Vamos abraçar
nosso sobrinho.
Sou capaz de dispensar meu encontro com minha família, mas estaria
mentindo se dissesse que não estou morrendo por dentro.
Capítulo Seis
Noah
Meu homem está lutando. Ele disfarça bem para as irmãs, mas não
pode esconder de mim.
─Então, o que há com o nome Nat?─ Matt pergunta enquanto olha
com adoração para o sobrinho recém-nascido. Eu acho que Nat está
confortando Matt mais do que o contrário.
Fern sorri.
─Eu o batizei em homenagem a seus tios. Noah e Matt. Nat.
Matt quase deixa o maldito bebê cair.
Sim, nós seremos ótimos pais.
─Você ... nome ... bebê ... eu.─ Matt lutando por palavras é adorável.
─O que ele está tentando dizer é que estamos honrados─, eu forneço
por ele.
Matt assente.
─Isso.
A maneira como ele balança, segurando o pequeno embrulho azul em
seus braços, destranca outra parte do meu coração que eu nem sabia que
estava fechada.
Eu vejo o nosso futuro e o quero agora mais do que nunca.
Estou me cagando completamente por ser pai? Mais do que qualquer
surto que já tive antes. Mas acho que se existem pessoas que podem ser
bons pais, somos eu e Matt. Nós sabemos o que não fazer.
Embora, surpreendentemente, meu pai nunca tenha sido tão
agradável de lidar. Depois que ele teve o rude despertar de que o resto do
país não comprava suas besteiras e mamãe o convenceu a finalmente
desistir da Casa Branca, na verdade nos damos bem agora. Matt e eu
jantamos com meus pais sempre que estamos em Nova York.
É estranho.
Enfrentar meu pai mudou todo o nosso relacionamento e, quando ele
percebeu que não tinha absolutamente nenhum controle sobre mim, ele
parou de tentar.
Se alguém tivesse me dito há alguns anos que eu seria a pessoa com o
ambiente familiar mais estável, eu teria rido na cara deles.
Mas eu trocaria em um piscar de olhos meu relacionamento um
pouco mais saudável com meus pais pela família de Matt aceitá-lo. Eu
posso lidar com meu pai de coração frio e uma mãe morna. Matt não pode
lidar com a rejeição de sua família.
Eu gostaria de poder acabar com essa dor por ele, mas, além de gritar
com ele, que sua família nunca mudará - o que é simplesmente cruel -, não
sei mais o que posso fazer para ajudá-lo.
Desamparo não é uma emoção nova para mim, mas nunca foi tão
ruim assim.
Matt devolve o bebê e beija Fern na testa quando saímos.
Char nos deixa no hotel, e Matt fica quieto o passeio inteiro e durante
o check-in.
Nem mesmo o direito sobre o nome do bebê Nat é suficiente para ele
esquecer a interação com seus pais e irmão.
Não é até chegarmos à sala que ele finalmente quebra. Ele cai na
cama e se enrola em uma bola.
Eu odeio vê-lo dessa maneira. Odeio. Isso me faz querer machucar os
pais dele. Certo... Eu contrataria alguém para fazer isso. Não posso sujar
minhas mãos. Mas isso me faz odiá-los ainda mais do que eu já faço.
Subindo na cama ao lado de Matt, sento-me na cabeceira da cama e
coloco sua cabeça no meu colo. Corro meus dedos pelos cabelos e ignoro as
lágrimas em suas bochechas. Algumas merdas de sua infância, ele ainda
não consegue se livrar - como não querer demonstrar emoção a ninguém -,
então eu tento não chamar atenção pra isso.
Ficamos assim, por Deus sabe quanto tempo.
Quero consertá-lo, confortá-lo e envolvê-lo em uma bolha para que
ninguém nunca o machuque.
A respiração de Matt diminui, e acho que ele está dormindo, mas
quando o telefone começa a tocar na sala, ele se senta com pressa com o
rosto enrugado em confusão.
─Está tudo bem─, eu digo a ele. ─É a recepção. Deite-se.
Mas ele não deita. Ele pega o telefone e a esperança que ele tinha hoje
está de volta. Ele acabou de passar quem sabe quanto tempo chorando até
dormir, e agora é como se essa tarde nunca tivesse acontecido.
Eu gostaria que ele não se importasse tanto. É muito mais fácil não se
machucar quando você não tem expectativas. É uma armadura que usei
minha vida inteira. É como eu sobrevivi. É por isso que não faço ideia de
como ajudar Matt.
Matt atende o telefone e murmura alguns okays e uh-huhs.
Quando ele desliga, eu olho para ele com expectativa.
─Minha mãe e meu irmão estão no saguão. Eles estão subindo agora.
E o ciclo continua. Eu forço um sorriso, mas me preparo para dizer
aos filhos da puta para sair, se eu precisar.
─Eles não teriam vindo se não se importassem─, eu minto. Eles
poderiam estar aqui para dizer a ele para deixar a cidade novamente, pelo
que sei.
Há uma batida leve na porta, e Matt respira fundo.
─Vou buscá-los.─ Talvez eu possa dizer para eles se foderem antes de
dizerem a ele, mas é claro, Matt me segue até a porta, e eu o sinto nas
minhas costas quando a abro para cumprimentá-los.
A mãe de Matt, Jennifer, não é nada como eu imaginei que ela seria.
No início no hospital, ela parecia recatada. Quieta. Eu acho que estava
esperando um lixo branco. Não esta mulher na minha frente - guarda-
roupa de fala mansa, sem maquiagem e sem graça, de jeans simples e
camisa de botão. Não vejo nenhuma semelhança com Matt.
Ficamos olhando um para o outro sem falar mais do que é
socialmente aceitável, mas ainda não decidi se devo deixá-los entrar.
Matt me tira do caminho deles, e sua mãe e Wade entram na suíte.
Sério, o irmão mais novo de Matt precisa se abaixar para entrar no quarto
do hotel. Ele não é tão volumoso como Matt, mas a altura ... merda, acho
que ele pode dar a Shane Miller uma boa aposta, e esse filho da puta é um
gigante.
Nós os conduzimos à sala de estar, uma sala com uma ampla janela
com vista para o centro de Nashville.
─Quarto chique─, diz a mãe.
Wade não diz uma palavra.
─Diga-me por que você está aqui─, diz Matt.
Faço um gesto para eles se sentarem no sofá. Matt pega a única
poltrona. Eu poderia encostar em um dos bancos perto da área do bar, mas
continuo de pé. Mais intimidador assim.
Minha consciência zomba, porque você sabe, sou conhecido por ser
intimidante.
─Seu irmão queria vê-lo─, diz Jennifer.
Wade parece horrorizado como se isso fosse uma mentira ou talvez
ele não estivesse preparado para essa resposta.
─Você precisa de mais dinheiro─, rebate Matt. Ele olha para o irmão.
─Você sabe que eles estão usando você como um peão, certo?
Wade não responde. Eu não acho que ele tenha dito uma palavra para
nós o dia inteiro.
─Deixe-me adivinhar, eles já estão lhe dizendo que é por sua causa
que eles precisam me pedir dinheiro.
─Ele quer ir para a Academia Montgomery. Isso custa dinheiro─
Jennifer diz docemente.
─Eu te dou o suficiente para cobrir as mensalidades e despesas.
─Matt, por favor! Ele tem inteligência para ir para a faculdade, e ir à
Academia Montgomery o levará ao melhor.
Pelo qual Matt também pagará, sem dúvida. Cruzo os braços sobre o
peito para tentar parecer maior. Fazer algo! Veja, totalmente intimidador.
O negócio é o seguinte.
Estou orgulhoso de Matt por ser composto e parecer que ele tem
vantagem aqui, quando nós dois sabemos que eles têm todas as cartas. Ele
fará qualquer coisa por eles.
Mas ele me surpreende quando diz: ─Esta é a última vez que vou
resgatar você e o papai, e quero dizer a última vez. Não vou continuar lhe
enviando dinheiro. Eu te enviei mais do que suficiente nos últimos sete
anos, e vocês estão no buraco novamente.
Jennifer não nega.
─Como você sabe?
─Não importa como eu sei. Assim como eu sei que você e papai ainda
estão indo para a pista. O que não sei é por que você ainda vai com ele, a
menos que tenha um problema também.
Jennifer desmorona e começa a soluçar. Eu não sei se acredito nela ou
não. Os gritos vindos de sua boca soam dramáticos e falsos.
─Mamãe?─ Wade pergunta, sua voz surpreendentemente profunda.
─O que estou dizendo é verdade─, diz Matt ao irmão. ─Se eu der a
mamãe e papai o dinheiro para a sua educação, garanto que eles terão uma
desculpa do por que você não pode ir para a escola.
─Não-─ Jennifer começa.
─Existem algumas das melhores escolas em Chicago.
Minha respiração fica presa na garganta. Quando sua irmã
mencionou a possibilidade de levarmos Wade, eu sabia que Matt pensaria
nisso. Eu simplesmente não achei que ele o ofereceria sem falar comigo
primeiro ou pensar nisso por mais de algumas horas.
Embora, para ser sincero, um menino de quinze anos pareça menos
assustador que um bebê.
E discutimos isso nos últimos meses.
─Não─, diz Jennifer.
Ela finge choque.
─Seu pai nunca vai aceitar isso.
A cabeça de Wade gira tão rápido que eu me preocupo que ela caia do
pescoço longo e magro.
─Essa é a primeira coisa que você diz?
Uau. Wade e Matt têm o mesmo tom de raiva.
─Não ‘depende de Wade, você deve perguntar a Wade’, ou talvez
‘Wade quer muito ir para Montgomery’. ─ Ele se levanta. ─Sua primeira
resposta não deveria ter sido 'Você pode tê-lo, mas precisamos negociar'.
Sinto muito pelo garoto, porque enquanto ele está bravo, ele não
parece tão surpreso.
─Não foi isso que eu disse─, Jennifer grita.
─Pode muito bem ter sido.
Eu nunca vi uma girafa se mover tão rápido. Ele sai em disparada e
Jennifer não se move para ir atrás dele.
─Adolescentes─, eu brinco.
Matt se move para se levantar e ir atrás de seu irmão, mas eu passo na
frente dele.
─Não. Você fica e fala com sua mãe. Vou garantir que Wade esteja
bem.
Saio da suíte e chego ao corredor do hotel. Só agora, eu percebo que
vou ter que conversar com a porra de um adolescente.
Eu sacudo isso.
Finja que ele é Jet. Um Jet super alto.
─Ei, espere.─ Eu o alcanço nos elevadores bem a tempo de impedi-lo
de apertar o botão.
Ele revira os olhos.
─É aqui que você faz um discurso especial do horário nobre e me
pede para fugir com você e meu irmão para interpretar a feliz família gay?
Pois é. Exatamente. Com um toque adicional de homofobia.
Divertido.
─Você também é gay?─ Eu provoco. ─Isso seria muito mais fácil do
que tentar processar seus pais por custódia.
Surpreendentemente, ele não fica completamente horrorizado.
─Estou confiante o suficiente na minha heterossexualidade que me
acusar de ser gay não vai me abalar.
Impressionante.
Ele faz um bufo irônico.
─É sobrevivência. Você acha que quando você e meu irmão
espalharam seu casamento pela mídia que não lidaríamos com as
repercussões? Defendo minha sexualidade desde os doze anos.
─Sinto muito por isso─, eu digo e falo sério.
Wade me olha como se estivesse tentando me entender. Boa sorte,
garoto. Ele definitivamente não aparece ter quinze anos e não apenas pela
altura. Ele fala como ... como os velhos brancos da minha família. Quero
dizer, sim, é acentuado com o sotaque sulista, mas onde Char e Fern são
mais estereotipadas, Wade parece... fora de lugar. Como se ele tivesse
nascido na família errada.
─Vi que seu pai perdeu a eleição presidencial.─ Ele sorri.
E falando de política? Talvez Wade devesse ter nascido na minha
família.
─Você diz isso como se eu devesse me importar. Matt e eu não
tínhamos desejo de ser rodeados por agentes do serviço secreto vinte e
quatro horas por dia.
─Então você decidiu adotar crianças geniais no lixo branco?
Viver com esse cara vai ser interessante. Jet sabe como interpretar
atitudes tão boas quanto ele pode tocar violão, mas ele é mais sarcástico e
leve. Wade, apesar de dramático, consigo ouvir o ressentimento em sua voz.
Talvez tenhamos cometido um erro ao não fazer isso mais cedo - vir
aqui e enfrentar a família de Matt de uma vez por todas.
─Você sabe que seu irmão nunca faria você fazer algo que não quer,
certo?─ Espero que ele possa ouvir a sinceridade na minha voz, porque se
ele for como eu aos quinze anos, de jeito nenhum confiaria em algo que
saísse da boca de um Huntington. ─Se você quer ficar aqui e ir para o seu
Mont ... seja qual for a Academia, Matt pagará por isso. E vai socorrer seus
pais. Porque esse é o tipo de cara que Matt é. Oferecer-lhe uma escola
melhor em Chicago e tirá-lo do Tennessee não é algo que estamos fazendo
por nós, garoto. Eu pessoalmente gosto de não ter responsabilidades.
Os olhos de Wade escurecem um pouco.
─Ei, isso não quer dizer que não queremos que você venha morar
conosco. Jet fez isso e agora ele é tanto um irmão para mim quanto de
Matt. Mas o que quero dizer é que essa não é a nossa oportunidade de
corrigir erros ou distribuir caridade - eu já tenho minha própria fundação
de caridade. Esta é a sua oportunidade de se apossar de um futuro que Char
nos disse que você realmente quer.
Wade morde o lábio.
─Mamãe está certa. Papai não vai aceitar isso.
─Seus pais são viciados, Wade. Pode não ser um vício que tenha
efeitos visíveis como drogas ou álcool, mas eles gastaram centenas de
milhares de dólares em sete anos. Eles estão em dificuldades, e Matt pode
ajuda-los.
─Me usando como moeda de troca.
─Como eu disse, isso não é por nós. Depende de você se você deseja
que sua mensalidade seja paga por talvez um ano aqui - se você tiver sorte -
ou um futuro seguro em Chicago conosco. Matt adoraria ter você. Eu acho
que vou ser péssimo em ser uma figura paterna, mas, ei, eu posso me virar.
Wade sorri.
─Você já é melhor nisso do que pensa.
─Isso é um sim, você quer vir conosco?
O sorriso dele vacila.
─Ainda não vejo meus pais deixando, mas não sou burro. Não posso
deixar passar a oportunidade.
─Então vamos fazer isso acontecer.
Wade aperta os lábios.
─Sabe, eu sempre me perguntei por que lutávamos por dinheiro
quando Matt é milionário e casado com um bilionário. Honestamente, eu
pensei que vocês fossem idiotas.
Eu rio. Vai ser bom ter essa abertura brusca na minha vida. Parece
comum na família Jackson.
─Matt sempre cuidou de você e sempre irá. Se você decidir ficar aqui,
garantiremos que você receba a educação que merece, mas, se quiser vir,
garantiremos que isso aconteça também.
Ele assentiu com a cabeça.
—Obrigado.
A porta da nossa suíte se abre no corredor e Jennifer aparece. Suas
bochechas estão manchadas de lágrimas, os olhos inchados.
─Nós estamos de saída─, ela resmunga e me dá um olhar sujo. Talvez
Wade esteja certo. Não há nenhuma maneira de a mulher deixar Wade
fazer o que ele quer.
Vou de volta ao quarto de hotel e encontro Matt servindo uma bebida
no minibar.
─Não foi bem, eu acho?
─Vai nos custar.
─Quanto?
Matt bebe a bebida.
─Pagar suas dívidas, o que é mais do que eu pensava ser possível.
Paguei a casa deles com o meu bônus da assinatura da NFL.─ Ele serve
outra bebida. ─Eles fizeram remortgaged1. Eles não têm nada. Menos que
nada.
─É apenas dinheiro.
─Mas quando é que isso vai parar?
─Provavelmente, quando Wade fizer dezoito anos e eles não tiverem
mais ninguém para usar contra você.

1Uma remortgage (conhecida como refinanciamento nos Estados Unidos) é o processo de pagar uma
hipoteca com os recursos de uma nova hipoteca usando a mesma propriedade como a garantia.
Ele balança a cabeça negativamente.
─Vou fazê-los desistir da custódia. Conhecendo-os, eles nos deixarão
levar Wade e depois chamar a polícia ou alguma besteira.
─A custódia pode levar meses.
─Ele pode terminar seu segundo ano na escola atual e nós o
levaremos em setembro. Teremos tempo até então.
Uau, ele já pensou em tudo.
─Então ... está realmente acontecendo.
Matt segura sua bebida.
─Tudo bem? Eu realmente não discuti isso com você.
─Estou com você, não importa o quê.─ Mas eu tomo a bebida de
qualquer maneira.
─Eu sei que um garoto de quinze anos não é um bebê, mas ...
─É melhor─, eu digo. ─Se eu estragar tudo, podemos culpar a
infância dele.
─Ei, eu praticamente criei aquele garoto nos primeiros anos de sua
vida.
Eu o alcanço e o puxo para perto.
─Você fez um bom trabalho. Eu só tive uma conversa de dez minutos
com ele, mas ele parece ser um cara legal.
─Você está preparado para isso?
─Sem problema. Será como o Jet 2.0.
─Este é pelo menos um compromisso de três anos... você sabe, na
mesma cidade.
Ah, merda! Eu não tinha pensado nisso.
Matt ri como se a realização estivesse escrita em todo o meu rosto.
─Como você se sente sobre morar em Chicago pelo menos dez meses
do ano?
Mudar de Nova York… Não será uma grande mudança - já estamos
em Chicago na metade do tempo - mas é um grande passo.
Amo minha cidade, mas amo Matt mais.
─Vamos fazer isso. Vamos nos mudar para Chicago
permanentemente.
─Eu esperava uma luta maior que essa. Ou talvez uma explosão ou
surto.
Nego com a cabeça.
─Não. Eu sou maduro e essas merdas agora.
Matt começa a rir dessa vez.
─Com certeza você é.
─Tá bom. Estou animado para recuperar nossa faxineira, ok?
─Agora o Noah que eu conheço e amo.
Muito bem.
Capítulo Sete
Matt
Na semana passada, um telefonema de meus pais teria feito meu
estômago apertar. Hoje não. Se eles dissessem há uma semana que
precisavam discutir coisas comigo, eu já teria meu talão de cheques. Não
desta vez.
Todos esses anos nos perguntando se Noah e eu fizemos a coisa certa,
a convicção de que atrapalhar a vida dos meus irmãos teria sido prejudicial
... toda essa dúvida se foi. Completamente.
Recebi o telefonema esta manhã que eles estavam dispostos a
negociar. Eles disseram ‘negociar’ como se o futuro de Wade fosse algo que
eles pudessem trocar, e eu não hesitei em dizer que sim. Porque eu cansei.
Tão fodidamente.
Ontem à noite, quando mamãe me disse o quão mal eles estavam, foi
como se o último laço que eles tinham em mim me soltasse. O cordão que
nos unia se separou e o capacho - Matt, se você preferir - não existe mais.
É assim que me vejo sentado em minha casa de infância, um lugar em
que não piso há quase uma década. Tudo está acabado. Os azulejos da
cozinha estão se soltando, o tapete ainda é o mesmo velho e manchado, e
todo o lugar cheira a urina de gato, mesmo que não tenha um gato.
É exatamente do jeito que era quando eu saí.
Não lhes dou a chance de conversar antes de lhes dizer qual é o
acordo.
─Vocês precisam de ajuda. Os dois. Eu ajudei por muito tempo e isso
vai parar. Eu pensei que estava fazendo a coisa certa, apoiando vocês para
ajudar meus irmãos e irmãs, mas tudo o que tenho feito é encher seus
bolsos com mais dinheiro para jogar. E quando cortei sua mesada pela
metade há quatro anos, vocês foram e refinanciaram uma casa que eu já
pagara. Wade é mais responsável do que vocês dois, e ele tem quinze anos
pelo amor de Deus.
Papai faz uma careta.
─Você não pode vir aqui e-
─Oh, sim, eu posso. Se você quiser sair dessa bagunça, ouvirá o que
tenho a dizer e não interporá nem se queixará. Porque não só vou arrastar
suas bundas pelos tribunais, vou fazer você pagar pelo seu maldito
advogado para brigar comigo.
—O que quer?─ Papai diz entre dentes.
─Isso é o que vai acontecer: você vai desistir da custódia de Wade, e
ele vai morar com Noah e eu em Chicago.
─Wade não vai querer morar com caras que são... como você.
─Talvez você tenha feito um trabalho mais cagado em espalhar o ódio
do que esperava, ou talvez porque Wade seja tão inteligente que ele veja
suas besteiras homofóbicas, mas já conversamos com ele. Ele quer fazer
algo ótimo com sua vida, e Noah e eu podemos fornecer a ele a melhor
educação que o dinheiro pode comprar.
─Não vamos permitir─, diz o pai.
─Então eu vou processá-lo pela custódia e vencerei. Dois viciados que
gastam todo o seu tempo e dinheiro na pista em vez de nos filhos? Casa
deteriorada versus uma cobertura espaçosa? Duas pessoas que se
preocupam com o futuro de Wade, em vez de pessoas que querem apenas
uma maneira de explorar seu futuro? Nada a contestar
Papai encolhe os ombros.
─Nos processe, então.
Fico de pé.
─Boa sorte pagando sua casa quando sua única fonte de renda
desaparecer.
Quase chego à porta quando mamãe finalmente diz alguma coisa.
─Pare.
Eu paro.
Ela se vira para o papai.
─Wade quer morar com eles e vamos perder a casa. Não temos
escolha.
Papai olha entre mim e minha mãe.
─Wade.
Meu irmão aparece, porque mesmo que eles o tenham enviado ao seu
quarto quando cheguei, não tenho dúvida de que ele estava ouvindo o
tempo todo no corredor.
─Você quer ir morar com eles?
Ele olha para o chão. Crescendo com nosso pai, sabemos que suas
perguntas são principalmente retóricas.
─Você vai deixá-los comprar você?
Isso faz a cabeça de Wade levantar.
─Você não tem nada a dizer. Você pegou o dinheiro deles por anos.
─Eu não estou morando com eles─, papai grita. ─Você está
confortável estando sob o mesmo teto que um par de ...
─Termine essa frase─, eu provoco. ─Atreva-se.
─Sim, pai─, diz Wade. ─Estou com muito medo da grande agenda gay
em que eles estão tentando levar todo mundo para o lado sombrio.
Já mencionei o quanto amo meu irmãozinho?
Uma coisa que me preocupou foi que meus pais moldariam seu
cérebro a pensar da maneira que eles pensam. O fato de ele ser aberto sobre
isso me dá esperança de que a próxima geração seja mais esperta do que o
fanatismo arraigado.
─Talvez você seja como eles─, diz papai com veneno.
─Então você não terá problemas para assinar a custódia─, diz Wade
facilmente.
Papai estreita os olhos, sem acreditar, mas, surpreendentemente, ele
admite a derrota. Ele se levanta.
─Tudo bem. Faça o que você quiser. Eu vou sair.
Ele tem que passar por mim para chegar à porta da frente e, quando
ficamos cara a cara, a apenas um pé de distância um do outro, nossos olhos
travam.
Eu sorrio.
─Divirta-se.
Ele resmunga algo que não consigo ouvir enquanto continua andando
e, quando chega à porta, decido lançar a ele uma última verdade dura.
─Ah, e papai? Esta é a última vez que eu pago suas dívidas. Então, se
você estiver indo para a pista, talvez queira pensar melhor.
Seu rosto fica vermelho, seu queixo endurece, e por um breve
segundo, acho que ele pode me dar um soco. Mas ele não faz. Ele sabe que
se o fizer, eu irei embora e, depois, receberá uma notificação judicial.
É a primeira vez em toda a minha vida que tenho o poder quando se
trata de meus pais. É chato que tenha levado 27 anos e centenas de
milhares de dólares? Sim. Mas esse momento? Essa sensação…
Finalmente, estou livre do fardo que meus pais me colocaram quando
fui convocado para a NFL.
Capítulo Oito
Noah
Matt coloca uma pilha de papéis legais na minha frente na mesa da
cozinha em nossa casa em Nova York.
─Estes foram apenas enviados pelo correio.
─Quais?─ Pode ser qualquer coisa, desde minha caridade a um
contrato de endosso em que Matt queira opinião. Ainda não podiam ser os
documentos de custódia. Disseram-nos que era um processo longo – e só
aumentaria se os pais de Matt lutassem, e se eu for honesto, eu estava
esperando por isso.
Mas Matt prova que estou errado.
—É oficial. Em setembro, Wade é nosso.
—Uau. Que rápido.
─Meus pais não contestaram. Meu palpite é que eles estão
desesperados pelo dinheiro.
─Ou eles querem mais de você.─ Não olho nos olhos do meu marido
quando pergunto: ─Você vai dar a eles quando pedirem?
Matt suspira.
─É tentador, porque ainda tenho toda essa culpa - cortá-los seria de
alguma forma errado.─ Ele levanta a mão, porque sabe que estou prestes a
dizer para ele parar de se sentir assim, porque não é verdade. ─Eu sei que
não é errado, e vou me manter forte desta vez, mas é difícil.
Eu seguro a mão dele.
─Eu sei que é, bebê.
─Mas finalmente estamos livres deles. Tenho liberdade, sabendo que
agora posso dizer a eles para se foderem, se quiser, quando quiser. Se eu
lhes der dinheiro de novo, será nos meus termos, não no deles. É libertador
─Então, sobre isso─, eu digo. Estou pensando nisso há um tempo,
mas não queria que Matt pensasse que estava tendo dúvidas sobre oferecer
a Wade um lugar para ficar.
─Oh, Deus, o que você está planejando?
Eu zombo.
─Estou ofendido, até parece que seria algo irracional.
Matt geme. Ele me ama, juro por Deus.
—O que é?
─Vamos fretar um voo com todos os caras para a nossa viagem a Fiji
este ano e faremos uma grande viagem em grupo.
'Ei, olha isso!' Eu ainda tenho o poder de deixar Matt sem palavras,
mesmo depois de todos esses anos.
─Me ouça... Será a última vez que conseguiremos fazer essa viagem
sem um adolescente por perto.
—Exatamente. Será a última chance de andar nu e fazer sexo na nossa
praia particular. Você realmente quer os caras lá para isso?
─Ainda teremos nossa praia particular. Mas estamos nos mudando
para Chicago. Chicago.
─Talon e Miller estarão conosco em Chicago.
─Não durante a entressafra. Eles estarão em Nova York ou Denver ou
fazendo merda de endosso. E durante a temporada, vocês nunca querem
sair, e teremos um filho em casa. Essa é nossa última chance de viver por
um tempo. Deveríamos fazer valer a pena.
A ideia passa por seu cérebro, e pelo menos não é um não.
─Você quer... todos... todos... espera, todos? Até douchecanoe2 Bryce?
─Ugh. Eu acho que ele tem que vir se Soren quiser. Ei, você acha que
se desejarmos o suficiente, eles terminarão antes disso?
─Ou poderíamos não convidá-los.
─Ollie não vai gostar disso. Ele e Soren são próximos.
─Sim, mas nós somos realmente próximos de Soren? Ele sai com a
gente, mas não é como se realmente o conhecêssemos tão bem.
É verdade. Nós saímos o tempo todo, mas Soren sempre parece mais
reservado e fica muito no fundo. Eu não sei o que há com ele, mas pode ter
a ver com o namorado dele ser um idiota pretensioso.
─Vamos convidá-los─, eu digo. ─E se eu jogar Bryce do voo em algum
lugar do Pacífico, todos diremos que foi um de acidente.
Matt se inclina e beija minha bochecha.
─Adoro quando você fica homicida.
—Só para você.
Ele tenta se afastar, mas eu agarro sua nuca e trago seus lábios de
volta aos meus.
Depois de beijá-lo até que nenhum de nós possa respirar, eu me
afasto com pura esperança nos meus olhos.
─Então, nós faremos isso?

2Um indivíduo que insiste em causar ao resto da terra o máximo de dor possível; Um sujeito tão
arrogante e irreverente que quase não tem escolha a não ser foder com você sempre que possível.
─Tudo bem. Convide todos. As chances são de que eles não possam
largar tudo por oito semanas e vir conosco.
Minha pessoa má interior está rindo agora, porque eu vou fazer isso
acontecer.
Capítulo Nove
Matt
─Essa viagem será épica ─, diz Noah da porta do nosso quarto.
Estou colocando o resto da minha merda na minha mochila,
enquanto a bagagem cara de Noah está em uma pilha ordenada ao lado da
porta.
Ainda temos nossas coisas de cara pobre e cara rico que nos lembram
que somos tão ridiculamente diferentes, mas em vez de ver isso como uma
coisa ruim como fizemos no começo, é divertido para nós agora.
Eu nunca o vi tão animado como com esta viagem a Fiji. Ele meio que
me lembra Jet com sua hiperatividade, não consegue ficar parado e fala um
milhão de milhas por minuto com o bom humor que ele está tendo agora.
É adorável.
─Organizar todo mundo foi uma façanha─, eu digo. ─Cinco atletas,
um dos agentes esportivos mais movimentados de Nova York, e... bem,
você, Maddox e Lennon não são pessoas importantes, então não foi tão
difícil organizar.
Mesmo meu cutucão não pode irrita-lo.
—Valeu. Só por isso, você pode pegar o voo comercial.─ Noah é toda
atitude e beleza.
─Você tem os piores castigos de todos os tempos. Não é 'Você não
pode ir para Fiji'. É 'Você tem que voar de primeira classe... mas
comercialmente'. Você será um papai malvado.
Noah estremece.
─Por favor não diga papai malvado nunca mais. Faz coisas estranhas
para meu cérebro e eu não tenho certeza se devo sentir nojo ou tesão? Além
disso, você percebe que essas são as nossas últimas férias como pais sem
filhos?
─Então, como... pessoas? É pai sem filhos como uma daquelas
analogias de arvore caindo na floresta?
Ele me empurra de brincadeira.
─Você sabe o que eu quero dizer.
Sim, só porque ele mencionou isso um bilhão de vezes.
─Gostaria que Jet pudesse vir conosco─, digo. Ele foi o único que não
pôde vir. Bem, e Bryce agora.
Eu não quero estar lá quando o karma chegar e morder Noah na
bunda, porque quando convidamos Soren e seu namorado, e eles disseram
que sim, meu marido decidiu começar a desejar e torcer que seu
relacionamento desmoronasse. E aconteceu. Cerca de duas semanas depois
que eles concordaram em vir conosco.
Há uma boa chance de Noah realmente controlar o universo, mas não
direi a ele que acho isso. Seu ego já é grande o suficiente.
Noah passa os braços ao meu redor por trás.
─Com quantas vezes você ligou para ele sobre isso, se Jet pudesse
fazer a viagem, ele faria.
—Eu sei.
Isso não me impede de sentir falta de Jet. Eu sei que é horrível
pensar, mas muitas vezes desejo que ele não estivesse fazendo sucesso. Sua
banda teve alguns singles número um e um álbum de venda decente, então
é uma loucura para ele no momento.
Sua turnê ainda dura três meses até ele poder voltar para casa, e
então estaremos de volta a Chicago para a temporada de futebol... e para
sempre desta vez. Tenho certeza de que voltaremos a Nova York quando
Wade estiver nas férias de verão, mas não será o mesmo.
Um telefone começa a vibrar na mesa de cabeceira.
─É melhor que nenhum dos caras cancele ou eu vou ficar chateado─,
diz Noah.
─Por que é tão importante que todos eles estejam lá?
─Último hurrah3.─ O tom de Noah goteja com duh. ─Ou falando a
linguagem atleta, pense nisso como sua jogada final em um jogo. Todo
mundo deveria estar lá para isso.
Eu nunca pensei que veria o dia em que Noah - esnobe Noah, que não
se preocupa com ninguém além de si mesmo - estaria escolhendo passar
suas últimas férias como pai sem filhos, como ele diz, com um grupo de
rapazes. Eles são os melhores caras do mundo, não há dúvida sobre isso,
mas mesmo que Noah sempre tenha sido cercado por pessoas, ele sempre
foi um lobo solitário.
Talvez ele esteja percebendo que agora tem trinta anos e finalmente
precisa crescer e precisa de uma última festa com bebida de duas semanas.

3Hip hip hooray (também hippity hip hooray; Hooray também pode ser soletrado e pronunciado
hoorah, hurra, hurra etc.) é um elogio chamado para expressar parabéns a alguém ou alguma coisa, no
mundo de língua inglesa e em outros lugares.
Se for esse o caso, eu darei a ele. Ele me deu tudo e está prestes a desistir de
Nova York por mim. Vou dar a ele qualquer coisa ridícula que ele pedir.
─Não é como se nunca fossemos tirar férias sozinhos de novo─, digo.
─Wade tem quinze. Ele estará na faculdade em três anos.
─Isso é vinte e um nos anos gays─, canta Noah.
─Você está confundindo isso com anos de cachorro.
Ele não pode me ouvir enquanto atende o telefone.
Suponho que a ligação tenha algo a ver com camas do Rainbow, mas
quando sua voz falha, meu olhar voa para ele.
—Qual é o problema?─ Eu pergunto.
Ele diz alguns mm-hmms e uh-huhs, soando em profunda
concentração. Quando o telefonema termina, ele dá um extremamente
educado ─Muito obrigado─ e é aí que eu sei que é grande.
Noah educado. Com alguém que não sou eu.
Sim. É um evento de fim do mundo.
Meu marido olha para o telefone muito tempo depois que a tela fica
preta.
— O que foi?
─Puta merda.─ Noah tropeça para trás e senta-se na beira da nossa
cama. —Puta merda!
Eu corro para o lado dele.
─O quê? Você está me enlouquecendo.
─Você sabe como a agência de adoção disse que não demoraria muito
para encontrar uma correspondente para nós, mas então nada aconteceu,
então nós pensamos que estaríamos esperando os próximos anos como
todo mundo, então quando a coisa do Wade aconteceu, nós não tiramos
nossos nomes da lista?
Meu coração pula uma batida completamente antes de cair no meu
estômago.
─Sim.
─Há... há uma mãe biológica que tem cerca de seis meses. Ela quer
nos conhecer.
É a minha vez de tropeçar em direção à cama em busca de apoio.
─Um... um bebê.
─E um adolescente─, diz Noah, os olhos arregalados. ─Ao mesmo
tempo.
O pânico rápido de não estamos prontos bate por um microssegundo
antes que uma semente de excitação cresça em meu peito.
Sim, os planos mudaram quando nos oferecemos para acolher Wade,
mas a coisa do bebê ainda estava na agenda. Nós apenas pensamos que
seria uma coisa futura.
Mas basta olhar para Noah e sei que isso pode não acontecer. Sua
expressão é uma mistura de pânico e náusea.
─Nós dois ainda queremos isso, certo?─ pergunto.
Estou esperando um não.
Em vez disso, Noah me dá o maior sorriso que eu já vi nele. Sério,
ocupa a maior parte do rosto.
─Foda-se sim─, diz Noah.
Minhas sobrancelhas disparam até minha linha do cabelo.
─Sim? Sim, sim?
─Sim, sim. Mais uma vez, foda-se sim. Quero dizer, estou
enlouquecendo, não me interpretem mal, mas não penso em mais nada
desde que decidimos fazer isso.
Solto um suspiro de alívio.
─Eu também.
Seu rosto entristece um pouquinho.
─Espere, Wade vai ficar bem com isso?
Ele terá que ficar é a minha resposta imediata, mas devemos ter
certeza.
─Vamos ligar para ele.
Uma coisa que amei desde que enfrentei meus pais é o acesso aos
meus irmãos. Eu mantenho contato com todos eles, exceto Daisy, que está
firmemente no lado conservador da família. Talvez seu noivo rico possa
assumir o pagamento dos hábitos de mamãe e papai.
Eu gostaria de poder dizer que a desaprovação de Daisy não me
atinge, mas sim. Eu continuo repetindo na minha cabeça o que Noah disse:
quatro de cinco não é ruim, e acho que com a nossa educação, ele está certo.
Provavelmente é incrível que apenas um tenha seguido as opiniões de
nossos pais.
Vamos para o Skype com Wade, nossos rostos juntos, para que ele
possa nos ver quando ele responder, e ele atende com um sorriso no rosto.
─Vocês não estão a caminho de Fiji?
─Em breve─, eu digo. ─Mas recebemos um telefonema muito
importante sobre o qual queremos conversar.
Ele faz uma careta.
─Tudo bem?
─Como você se sentiria dividindo um apartamento com um bebê?─
Noah pergunta.
─Eu já me preparei para morar com Matt.
─Engraçado─, eu resmungo. ─Mas, agora a sério. Analisamos a
adoção alguns meses antes de pedirmos que você viesse morar conosco,
mas achamos que levaria anos.
O cenho dele está de volta.
─Ah.─ Ele olha para a câmera e eu posso ver o pomo de Adam dele
saltar.
—Qual é o problema?─ Pergunto.
─Tipo, vocês terão um bebê agora, então não vão me querer-
─Pare.─ Meu tom severo o pega desprevenido. ─Wade, estamos
ligando para perguntar se você está bem em morar com um bebê. Não
estamos tentando impedir você de vir. De forma alguma. Prometemos a
você e você faz parte desta família agora. Não a família em que crescemos.─
Envolvo meu braço em volta de Noah. ─Essa família... E você tem direito a
uma opinião.
—E se eu recusar?─ Sua voz é calma. ─E se um bebê interferir nos
meus estudos porque eles choram muito e crescem e se transformam em
crianças que destroem tudo, e são barulhentas-
─Talvez devêssemos repensar essa coisa de bebê─, diz Noah, mas ele
está rindo enquanto diz.
Eu o cutuco e viro para o meu irmão.
─Wade, se você recusar, diremos à agência de adoção que não
estamos prontos e nos inscreveremos novamente alguns anos depois que
você estiver na faculdade.
Um sorriso tímido torce os lábios de Wade.
─Ok.
─Tudo bem?─ pergunto.
─Eu estou bem com a coisa do bebê─, ele esclarece. ─É a sua vida,
você está me dando mais oportunidades do que ficar no Tennessee, e eu
não vou tomar isso como garantido.
Eu estreito meus olhos.
─Mas você sentiu a necessidade de testar nossa lealdade dizendo não
primeiro?
Ele levanta a mão e junta o polegar e o indicador.
— Um pouco.
─É justo.─ Eu me viro para Noah. ─Então, estamos realmente
faremos isso.
Seus olhos azul esverdeado brilham.
─Vamos nos esforçar.
─E vocês tem um avião para pegar─, diz Wade.
Noah aperta minha mão.
─Sim, nós temos.
Desligamos com Wade, um peso arrancado dos meus ombros, mas
Noah ainda parece em pânico.
—Qual é o problema?
Noah olha para mim.
─Está realmente será a nossa jogada final agora.
Nego com a cabeça.
─Não. Este é apenas o começo do nosso segundo semestre.─ Minha
grande frase romântica é ridicularizada.
─Linguagem de atleta.─ Noah está parado, aquela coisa de
cachorrinho superexcitado acontecendo novamente. ─Como quer que seja
que chamemos, será totalmente épico.
─Sim. Épico.
O começo do resto de nossas vidas.
II
MADDOX E DAMON
Capítulo Dez
Damon
Fico olhando para a pista do salão privativo de fretamentos do LAX4,
meu telefone no ouvido. Eu já estou enlouquecendo. Não sobre essas férias,
que estão atrasadas, mas o que vai acontecer no trabalho enquanto eu
estiver fora.
─Eu terei meu telefone o tempo todo. Ligue-me se tiver alguma
dúvida, alguma preocupação, qualquer ...
─Chefe─, minha assistente diz, sua voz ainda borbulhante, embora eu
esteja sendo neurótico como o inferno e ela já tenha superado isso.
Ainda nem saímos dos Estados Unidos. Foi um voo. Nova lorque para
LA.
Quase não quero ir para a próxima etapa da viagem, mas preciso. É a
primeira oportunidade que recebo da empresa desde que recebi meu
emprego de período integral. Isso foi há cinco anos.
─Eu posso lidar com isso─, diz Carly.
Eu sei que ela pode. Ela é uma graduada competente, estudante como
eu. Por isso a contratei. Ela me lembra ... bem, eu. Isso e nove em cada dez
funcionários neste campo são homens. Homens heterossexuais. Carly era
tão qualificada e ansiosa quanto os outros que entrevistei, então queria dar
a ela uma chance já que outros nessa indústria não dariam.

4 Aeroporto Internacional de Los Angeles, também conhecido pelo seu código IATA, LAX
Essas férias chegaram no momento perfeito em que as aulas estão na
pausa de verão, então ela pôde assumir essa responsabilidade. E há muitos
outros agentes experientes lá para ajudá-la se ela ficar presa.
─Vai ficar tudo bem─, eu digo.
─Eu sei─, diz Carly.
─Eu não estava falando com você.
─Conversar consigo mesmo é o primeiro sinal de insanidade.
Eu bufei uma risada.
─Oh, eu já estou louco há anos. Me chame se precisar de algo.
Qualquer coisa. Estou esperando um acordo para Soren chegar, e ele estará
comigo, então...
─Pare de se estressar. Está tudo bem. Vou mantê-lo informado.
Agora, pegue um pouco de sol.
— Eu irei. Logo após essa viagem de um bilhão de horas.
Por que Matt e Noah fazem isso sozinhos a cada ano? Por que não o
Havaí? Bermudas? Ou algum lugar muito mais perto.
─Divirta-se com isso─, ela canta e termina a ligação.
Tudo vai ficar bem. Eu digo a mim mesmo novamente. A menos que
um dos meus jogadores seja preso ou empurrado para fora de algum
armário, Carly pode lidar com isso. E, convenhamos, meus clientes mais
“problemáticos” estão indo nesse “jogo final” comigo.
Eu tenho que rir de Noah por convidar a todos nesta viagem. Agora
que ele e Matt estão recebendo o irmão mais novo de Matt, ele parece
pensar que sua vida social acabou de alguma forma pelos próximos anos.
Por outro lado, o pensamento de correr atrás de um garoto de quinze
anos durante sua fase rebelde parece exaustivo. Porém, a impressão que
tenho de Wade é que ele tem uma boa cabeça em seus ombros. De acordo
com Matt, pelo menos. Ainda não conhecemos o garoto.
Os braços de Maddox me envolvem por trás e seus lábios pousam na
parte de trás do meu pescoço.
─Tudo bem?
—Perfeito.
─Por favor, não me diga que um de seus jogadores recebeu um DUI5
ou algo assim e você vai voltar para Nova York.
Eu giro em seus braços.
─Nada disso. Só eu sendo anal sobre tudo.
Maddox bufa.
─O que é engraçado, porque você não faz isso.
Com qualquer outro cara, eu diria que isso é um golpe na minha falta
de versatilidade, mas eu sei que não é com Maddox. Ele literalmente acha
divertido.
Ainda é engraçado para mim que é o cara “hetero” que entende minha
falta de desejo de ser passivo. Eu ofereço, mas ele sempre diz que não me
faria fazer nada no quarto que não me excita, e o mesmo vale para ele. Se
ele não gosta de algo, eu não o faço.
E sempre que digo que me sinto culpado por não corresponder,
Maddox tira todas as roupas e monta meu pau até minha visão ficar
embaçada e ele se desfazer em mim. Às vezes digo isso apenas porque sei
que acabará em sexo.

5driving under the influence (Dirigir sob o efeito do álcool) é o ato de dirigir um veículo influenciado
pelo nível de álcool no sangue. Dirigir bêbado é proibido em quase todos os países do mundo. Em alguns
lugares, andar de bicicleta bêbado também é ilegal. Dirigir sob a influência é um sério problema de saúde.
Eu tenho o melhor cara do mundo todo, e se me lembrar que Carly
pode lidar com tudo não é suficiente para me colocar naquele avião, saber
que estou dando para Maddox algo que ele sempre quis é.
Quando ficamos juntos, prometi a ele que viajaríamos pelo mundo.
Onde eu vou, ele vai. Mas como estou preso trabalhando setenta
horas por semana, sem férias, o mais longe que vamos é a sua cidade natal
na Pensilvânia para visitar a família ou Boston para ver sua irmã.
Essa viagem, no entanto, é sobre nós e voltamos a onde tudo começou
- prometendo um ao outro ver o máximo possível de mundo, estar um com
o outro e nos divertir.
Diversão nus, diversão na ilha, diversão bêbados, estamos animados
por tudo.
Maddox lambe os lábios e seus olhos azuis brilham para mim.
─Você sabe o que eu estava pensando?
─Uh-oh, aqui estão os problemas.
─Sem problemas. Eu estava pensando que poderíamos tirar algo da
lista hoje.
─É?
Seus lábios pousam perto da minha orelha.
─Eu sempre quis ingressar no clube de milhagem6.
Eu gemo, e meu pau engrossa no meu jeans.
─Onde está o avião? Neste exato momento?
Maddox coloca a cabeça no meu ombro.

6 Quem fez sexo no avião. Sei que é obvio, mas achei melhor esclarecer. Vai que tem uma pessoa pura
entre nós?
─Chegando. Acho que eles disseram que estaremos embarcando em
vinte minutos.
─Vinte minutos. Não posso esperar tanto.─ Agarro sua mão e começo
a arrastá-lo para os banheiros, mas ele me para.
—Na-ah. Só conta se o avião estiver no ar. O sexo no aeroporto não é
romântico.
─Eu te odeio─, eu resmungo. ─Você não pode mencionar sexo e
depois me dizer que tenho que esperar.
─Vinte minutos─, Maddox repete com uma voz severa.
Eu amo essa voz severa. Ele quase nunca tem que usá-la porque é
muito despreocupado e descontraído, mas quando o faz...
Eu o puxo contra mim para que ele possa sentir o quão duro eu estou.
Quando ele olha para mim, levanto minha sobrancelha em desafio.
─Não são apenas vinte minutos─, eu digo. ─Não conseguiremos sair
dos nossos lugares até decolar. Então não seremos capazes de correr para o
banheiro imediatamente...
Acho que estou ganhando, mas realmente não estou.
Maddox sorri e dá um tapinha na minha bochecha.
─Quanto mais esperarmos, mais explosivo será no avião.
Desde quando meu namorado gosta de esperar?
Ele se afasta de mim e voltamos para o grupo.
Relutantemente.
Lennon e Ollie estão olhando para um livro de viagens de Fiji, Talon e
Miller estão nas janelas assistindo os aviões entrarem e decolarem do outro
lado do aeroporto, Matt e Noah estão no Skype com uma das irmãs de Matt,
e Soren está deitado em um dos sofás, o braço sobre os olhos e fones de
ouvido.
Pobre Soren.
Ele está viajando com todos os casais depois de ter sido recentemente
abandonado por seu namorado de longa data. Estou tentando negociar um
novo contrato para ele na NHL, e ele está chegando à idade da
aposentadoria. Ele está atrás de uma cláusula de não negociação, mas por
causa de sua idade, sua equipe está relutante. Sua vida está um pouco
bagunçada no momento, mas espero que essas férias o tirem do poço.
Sentamos no salão esperando o nosso avião estar pronto... bem,
Maddox senta. Eu meio que me contorço no meu lugar.
Maddox zomba.
─Alguém é tão impaciente.
─Alguém é uma provocação.
Ele se inclina e beija minha mandíbula.
─Não é realmente divertido quando você sabe o que vem, não é?
Eu me movo de novo, levantando meus quadris do sofá para tentar
me sentir confortável com esse maldito tesão que estou tentando esconder
na minha calça jeans.
─É quando você o prolonga.
Maddox continua beijando seu caminho através da minha pele.
─Apenas pense como será gostoso. Você empurrando dentro de mim
enquanto eu agarro o que posso. Sua mão subindo pela minha coxa─ Meu
olhar corre pelo pequeno salão para garantir que nenhum dos caras esteja
assistindo. Eles estão muito envolvidos em suas próprias merdas. ─Você
terá que cobrir minha boca para me impedir de gritar. E então, não importa
o quanto nos limpemos, você sabe que eu ainda vou estar coberto de porra
por todo o caminho até Fi-
Eu o corto com minha boca na dele e minha mão segurando sua nuca.
Ele geme, e isso deve ser o que chama a atenção dos outros, porque a
voz de Noah atravessa a sala.
─Não. De jeito nenhum.
Maddox se afasta e olha para Noah.
─De jeito nenhum, o que?
Noah se levanta.
─Na verdade, isso vale para todos vocês. Vocês estão sob instruções
estritas para manter suas calças no avião alugado. Nenhuma contagem de
milhas nas alturas. Há câmeras e toda essa merda a bordo. E tenho certeza
de que a última coisa que Damon precisa nessas férias é qualquer notícia da
TMZ de uma fita de sexo com qualquer um de seus clientes.
Gostaria de saber se alguém se importará se for a minha fita de sexo...
Nego com a cabeça. Droga, eu preciso ser profissional.
─E se for uma fita de sexo solo?─ Soren brinca.
─Nem sequer pense─, eu digo. ─Eu preciso não trabalhar pelas
próximas duas semanas. Por favor.
Existem rodadas de reclamações, mesmo de Matt, então acho que
todos planejávamos fazer uma pequena ação a trinta mil pés de altura.
O minúsculo jato Gulfstream de Noah não é grande o suficiente para
nos levar a Fiji, então fretamos um voo... bem, Noah e Matt fizeram, porque
eles têm centenas de milhares de dólares na ponta dos dedos. Vamos
apenas junto para o passeio.
Estou desapontado que Maddox não consiga o seu desejo, mas isso
significa que podemos cuidar da minha situação agora.
Eu levanto e puxo Maddox comigo.
─Estaremos em Manutenção!
Maddox ri.
E, claro, é aí que a porra da nossa tripulação de voo entra pelas portas
para nos cumprimentar e nos levar para o avião.
Onze horas, filho da puta.
Me mate agora.

O zumbido baixo do motor filtra através da cabine do avião. As luzes


estão apagadas, e cada um de nós está deitado no nosso próprio assento
reclinável.
Soren acabou em um assento no estilo sofá à nossa frente, porque
cada um de nós discutiu sobre qual de nós o aceitaria.
Todo mundo está dormindo e alguém está roncando. Não sei quem
embora.
Estou frustrado, desconfortável, e já faz cinco horas que eu tento
convencer meu pau a ficar abaixado.
A mão de Maddox pousa na minha coxa debaixo do cobertor que
estamos compartilhando. Nossos assentos estão próximos o suficiente um
do outro para alcançar, mas há apoios de braços no caminho para que algo
mais aconteça, não importa o quão desesperado eu esteja.
Viro minha cabeça em sua direção e vejo seus olhos azuis brilhando
para mim na penumbra.
─Eu posso sentir sua frustração por todo o caminho até aqui e não
consigo dormir por causa disso─, ele sussurra.
─Desculpe.
Ele se inclina sobre o pequeno espaço entre nossos assentos.
—Não se desculpe. Vamos fazer algo a respeito.
Olho em volta da pequena cabine, lembrando das câmeras e
certificando-me de que todos os caras estão dormindo.
─Você quer tanto se juntar ao clube das milhas?
—Não. Não faremos sexo, mas achei que poderia ajudá-lo.─ A mão de
Maddox move da minha coxa e esfrega meu pau sobre minhas calças.
Eu imediatamente endureci a ponto de sentir dor, como se meu pau
estivesse gritando: ─Sim, finalmente!
Minhas mãos se mexem sob o cobertor e desabotoam o cinto de
segurança e o botão do meu jeans, enquanto Maddox procura meu zíper.
Com meu pau livre, Maddox envolve seus dedos ao meu redor, apenas
me deixando mais duro e mais necessitado. Levanto um joelho e descanso o
pé na beirada do assento, para que o cobertor se levante do colo e esconda o
que ele está fazendo por baixo.
Ele está se inclinando, então sua bochecha está bem na minha boca.
Eu beijo meu caminho ao longo de sua mandíbula e desço em seu pescoço e
adoro quando sua respiração engata.
Meus lábios se movem em direção a sua orelha.
─Eu te amo, Maddy─, eu digo, falando baixo.
─Você só está dizendo isso porque minha mão está no seu pau, mas
eu também te amo.
O polegar de Maddox desliza sobre minha fenda e desce pelo meu
eixo.
Meu peito se agita e tento recuperar o fôlego.
Com o quão duro estou, sei que não vou durar muito.
─Beije-me─, eu imploro.
A boca de Maddox encontra a minha, sua língua lambendo meus
lábios para deixá-lo entrar. Quando o faço, tenho que conter um gemido,
porque preciso ficar quieto.
Eu me perco no meu namorado, na boca dele e na maneira como sua
mão me esfrega. Eu estou oscilando no limite entre deixar ir e aquela
sensação incrível de um orgasmo que você sabe que está chegando, mas
ainda não chegou lá.
Meus pensamentos ficam confusos, e o som dos motores a jato se
ampliam até que seja tudo o que posso ouvir.
Então, quando a mão de Maddox para, eu estou confuso.
─O...─ Eu digo, ainda no meio da minha névoa extasiada.
─Por mais que eu goste do programa pornô gratuito, eu meio que não
quero saber como é o meu agente quando ele goza.
Eu congelo com as palavras de Soren.
─Volte a dormir.
─Nunca dormi, imbecil. Vocês seriamente não podem esperar onze
horas para transar?
─Para sua informação, já faz mais de uma semana─, Maddox assobia.
─Damon esteve trabalhando horas extras para garantir que ele pudesse vir
a esta viagem.
─Aww, uma semana inteira? Tente meses e depois reclame para mim.
—O que está acontecendo?─ Noah resmunga do outro lado do avião.
─Nada─, eu digo, um pouco rápido demais. ─Apenas guardando meu
pau. Nada para ver aqui.
Maddox começa a rir ao meu lado e volta para o lado dele, levando a
mão com ele.
Eu estava tão perto. Tão fodidamente perto.
Agora meu pau está amolecendo, decepcionado novamente.
─Eu juro que assim que chegarmos à ilha, sua bunda é minha─, eu
rosno.
─Novamente, ainda não estou dormindo─, diz Soren.
Eu me escondo debaixo do cobertor e jogo minha cabeça para trás.
Eu já odeio Fiji.

Eu amo Fiji.
Não é o pôr do sol laranja brilhante que está acontecendo do lado de
fora da nossa cabana. Não é o cheiro de água salgada e oceano ou a brisa
fresca e agradável.
É meu namorado deitado de bruços, nu, empurrando a cabeça em um
travesseiro enquanto eu empurro nele uma e outra vez.
Entre o voo longo e ser bloqueado a todo momento, Maddox estava
certo: tornou isso mais explosivo.
O único problema é que não sei quanto tempo vou durar, e Maddox
está pegando tudo que estou dando a ele, sem indicação de que ele está
perto da linha de chegada.
─Você está perto?─ Eu grito. ─Você é tão apertado. Está tão...gostoso.
Amo você. Você pode... Neste exato momento? Ou logo. Tipo, se apresse.
Maddox ri.
─Você realmente está perto. Você divaga quando está...─ pego a
próstata dele, ─foda-se! Aí.
Faço isso de novo e de novo até Maddox murmurar coisas
ininteligíveis.
─Eu vou gozar─, eu aviso.
─Me leve com você.
Não há espaço entre ele e a cama para alcançar seu pênis, então tudo
o que posso fazer é empurrar com mais força e esperar que o atrito embaixo
dele seja suficiente para empurrá-lo para o limite.
O único problema é que isso me traz muito mais perto e eu posso
gozar antes dele.
Estatísticas de beisebol passam pela minha cabeça, enquanto tento
evitar meu orgasmo iminente.
O suor escorre do meu cabelo e do meu tronco, deixando nossa pele
pegajosa e escorregadia. Minha mão no cabelo loiro de Maddox está
molhada, e uma gota de suor cai pelo lado de seu rosto.
Ele finalmente me tira da minha miséria, fazendo aquela expressão
dele - aquela em que seus olhos rolam para trás, sua boca se abre e ele solta
um som que faz minhas bolas apertarem e meu pau pulsar.
Derramo dentro dele, caindo em cima dele quando termino.
Maddox se recupera primeiro e grunhe, seu sinal revelador de que ele
precisa que eu levante.
─Não posso... me mover ...─ Eu ofego.
─Você precisa. Vamos nos atrasar para o jantar.
─Foda-se o jantar.
─Ainda não consigo mais uma rodada─, brinca.
Eu puxo para fora dele, caindo de costas.
─Quem se importa se estamos atrasados. Estamos de férias. Nós
podemos fazer o que quisermos.
─Deveríamos pelo menos aparecer na primeira noite. Matt e Noah
estão pagando a conta para todos nós ficarmos aqui.
─Tudo bem─, eu resmungo. ─Mas se contássemos o que estávamos
fazendo, eles entenderiam totalmente.
─E imagine se todos nós fizermos isso? O pobre Soren vai ficar
sentado sozinho na cabana de jantar.
─Sim, bem, depois desse voo, ele pode se defender sozinho.
Maddox sai da cama e me puxa para cima.
─Vamos. Banho rápido, jantar e bebidas, e então talvez eu deixe você
me chupar quando voltarmos.
─Que generoso da sua parte─, digo secamente, mas não quero dizer
isso. Nem um pouco. Eu estarei correndo pelo jantar apenas para colocar
minha boca em volta do pênis de Maddox.
Ele me leva ao banheiro, mas no momento em que cruzamos o limiar,
sinto um arrepio percorrendo minha espinha e um agudo senso de olhos
em mim. Olhos que não pertencem a Maddox.
Quando me viro, no vidro da porta do chuveiro há uma aranha
gigante.
Admito que meu próximo passo vá para o lado da covardia.
Algo que só pode ser descrito como um grito que deixaria os cães
loucos num raio de oito quilômetros sai da minha boca e eu corro para me
abrigar7. Por que meu cérebro pensa que ficar em cima do vaso sanitário
pode me salvar, não faço ideia, mas a próxima coisa que sei é que estou lá.
Enquanto isso, Maddox está rindo tanto que precisa segurar o
estômago.
Não posso fazer nada além de apontar para a semente de Satanás de
oito patas.
A aranha rasteja em minha direção e eu grito novamente.
─Shh─, Maddox diz, ainda rindo. ─A ilha inteira vai ouvi-lo, e então
teremos todo mundo invadindo a maldita cabana, e nós dois estamos nus e
cobertos de porra.
─Mate!─ Por que ele não está matando a aranha que está ao lado
dele? Mais importante, por que ele não está surtando? Estamos em Fiji.
Talvez ele queira nos matar.
Com um movimento rápido, Maddox encontra seu chinelo perto da
porta e achata a filha da puta.
─Quer vir dar um beijo no seu herói por salvar sua vida?
─Vai se foder!
7 Entendo isso tão bem que até dói.
─Nah, acabamos de fazer isso. Jantar e bebidas, lembra?
Eu resmungo durante o banho e todo o caminho para o jantar.

─Vocês estão atrasados─, provoca Soren quando entramos na cabana


de comida.
Em sua defesa, somos os últimos aqui.
─Cale a boca, Canadá─, diz Maddox.
Pobre Soren - um canadense que mora em Nova Jersey. Ele é o alvo
da maioria das piadas de Maddox quando estão na mesma sala.
Secretamente, acho que Soren adora isso. Ele sempre dá de ombros,
porque sabe que Maddox só está brincando, mesmo que ele afirme não
estar.
─Essas são as primeiras férias de Damon em quatro anos. Estamos
aproveitando ao máximo─, diz Maddox.
─Eu também─, Soren murmura e toma um gole de seu coco cheio de
licor.
─Precisamos levar Soren para se divertir─, anuncia Noah. ─Onde
podemos encontrar garotos de programa das Ilhas Fiji?
Soren engasga com a bebida e borrifa por toda parte.
─Não é uma boa ideia─, diz Joni, o proprietário desta ilha. ─É ilegal
em Fiji. A menos que você goste da prisão.
─Soren pode gostar da cadeia considerando seu período de seca─, diz
Ollie.
─Não... preciso... de um prostituto─, diz Soren entre tosses. —Mas,
obrigado.
Matt se vira para Talon e Miller.
─Vocês costumavam ter sexo a três o tempo todo. Talvez vocês
possam jogar um osso para Soren.
─Nós poderíamos─, diz Miller, ─mas acontece que o Talon é um filho
da mãe possessivo. Desculpa.
Talon pisca para Soren.
Quando todos na mesa riem, eu me sinto meio mal por ele.
Ele pede outra bebida.
─Você precisa superar o cara─, eu digo a ele.
Ele levanta seu coco.
─É exatamente isso.
─Venha fazer wakeboard 8 conosco amanhã─, diz Miller. ─Isso vai
tirar sua mente dele.
─Eu estava pensando em fazer uma caminhada até o topo do
promontório.
Ao meu lado, Maddox fica tenso.
─Ei, vocês não farão isso?─ Matt nos pergunta.
─Nós vamos? Isso é novidade para mim.
─Não─, Maddox diz rapidamente. ─Quero dizer ... nós vamos, mas ...
como...

8 é um desporte aquático praticado com uma prancha tipo snowboard, puxado por uma lancha.
─Eles vão fazer sexo lá em cima─, diz Noah, e Maddox fica mais
tenso.
Não tenho ideia do que está acontecendo com ele agora, e não tenho a
chance de pedir que ele me explique.
Ollie se inclina para mais perto de Soren.
─Pelo que vale, Bryce não era o cara certo para você.
─Eu sei─, diz Soren, mas ele não parece convencido.
─Ele nem gostava de hóquei─, acrescenta Ollie.
─Eu não gosto de hóquei─, ressalta Lennon, ─mas eu não sou tão
idiota quanto ele.
─Você adora hóquei─, diz Ollie. ─Você é apenas teimoso demais para
admitir isso.
─Gente─, diz Maddox, ─não voltaremos ao debate esportivo.
Apesar de Maddox dizer para não iniciar um debate, é claro que
acontece.
─Nenhum de vocês tem resistência para passar mais nove entradas─,
eu digo.
─Qualquer esporte em que você só precisa usar um patins, não pode
ser classificado como um esporte superior─, argumenta Talon, e os outros
dois jogadores de futebol concordam.
Eu não vou aceitar isso.
─Diz as pessoas que só precisam jogar no máximo vinte e duas
semanas do ano.
Ollie e Soren se entreolham como se tivessem uma conversa
silenciosa.
Então Ollie assente e se vira para todos nós.
─Tudo o que tenho a dizer é que, se colocássemos patins de gelo em
vocês idiotas, todos cairiam de cara no chão. Poderíamos nos manter
jogando seus esportes. Além disso, 26 semanas na temporada regular,
vadias. Depois, mais nove para a Copa. Curvem-se aos seus superiores
legais e perversos.─ Ele cutuca Soren.
─Sim, o que ele disse.
─Não acredito que estamos tendo essa discussão novamente─, diz
Noah.
─Eu disse a eles para não iniciar─, Maddox concorda.
Envolvo meu braço em torno de Maddox.
─Como as únicas duas pessoas não esportivas aqui, vocês não têm
opinião.
─Sim, sim, sim─, diz Maddox. ─Vocês são todos grandes e maus
atletas. Mais algum de vocês grita alto quando vê uma aranha no banheiro?
─Estamos em Fiji─ Enfatizo. ─E se Fiji for como a Austrália e toda a
vida selvagem tentar matá-lo?
Todo mundo ri de mim, é claro, e eu estou feliz por ser o foco da
zombaria em vez de Soren.
Mesmo assim, ele diz que precisa de um pouco de ar e se desculpa.
Ele está um pouco vacilante. Talvez ele tenha bebido muito rápido.
Eu vou ficar atrás dele, mas Ollie me ultrapassa.
─Vou pega-lo.
Mais zombaria ocorre na ausência deles, principalmente sobre mim e
a maneira masculina como reajo a aranhas.
A comida é ótima, as bebidas ainda melhores, e não demora muito
para eu esquecer que preferia ficar trancado na cabana com Maddox.
Mas nossa brincadeira é cortada pelo som rítmico de um helicóptero
voando acima de nós.
─Paparazzi?─ Maddox pergunta.
─Estamos em Fiji─, diz Noah. ─Os paparazzi não se importam
conosco aqui.
O som fica mais alto, como se estivesse chegando para aterrissar.
─E quais paparazzi têm helicópteros?─ pergunto.
Há um breve momento em que todos nos olhamos antes de saltarmos
de nossos assentos e corrermos para a beira da cabana.
Soren e Ollie vêm da direção da praia, também se perguntando o que
está acontecendo.
Descendo do helicóptero não é outro senão o próprio Jet Jackson - o
irmão mais novo de Matt e a estrela do rock em ascensão. Ele é Jet para
nós, mas para o mundo ele é Jay da Radioactive.
Considerando que ele não deveria estar aqui, depois de cumprimentos
e abraços, ele se junta a nós e senta-se no final da mesa e enfia a comida na
boca como se fosse completamente normal ele estar em um país estrangeiro
sem motivo.
─Estamos esperando─, diz Matt.
Jet levanta a cabeça.
─Hã?─ Sua boca está cheia de comida meio mastigada.
─Sua turnê?─ Noah pergunta. ─Datas de shows, sem folga, sem
descanso para os famosos. São palavras suas.
─Fiji não deve receber as notícias. O resto da parte da turnê da
Radioactive foi cancelada.
─Por quê?─ Matt pergunta.
Jet mastiga e engole em seco.
─Bem, logo estará nas redes sociais, então vocês podem saber agora.
Eu tenho nódulos. Preciso descansar minha voz.
Todo mundo olha ao redor da mesa de um para o outro, porque acho
que nenhum de nós está comprando o que o garoto está vendendo.
Todos nós amamos Jet como um irmão mais novo, mas essas férias
são de apenas duas semanas. Eu quero aproveitar ao máximo, sem me
envolver no drama da estrela do rock.
Vou deixar isso para Matt lidar.
Capítulo Onze
Maddox
As palmas das mãos coçam por estarem suadas, e a causa não é o ar
úmido de Fiji. Ou o esforço de escalar essa montanha estúpida. Eu culparia
Damon por ser todo esportista ao ar livre, mas essa foi minha ideia. O plano
de Damon para essas férias consistia basicamente de uma coisa: muito e
muito tempo nu na cama.
Normalmente, eu aprovaria, mas não aqui. Não com o que planejei.
Estou empolgado por chegar ao topo do promontório, não muito
empolgado com o que vou fazer quando chegarmos lá.
Quatro anos que estou com Damon agora. Estou em um
relacionamento adulto comprometido há quatro anos. Me dê uma merda de
medalha. Por favor.
Considerando que eu costumava fugir ao primeiro sinal de ser
rotulado como namorado de alguém, estar aqui com um anel queimando
um buraco no bolso é quase inacreditável. Eu não acreditaria se não fosse
eu.
Meu coração pode estar batendo forte, minha respiração não está
saindo muito bem, mas estou pronto para isso. Estou totalmente pronto
para...
Eu tropeço na raiz de uma árvore.
Desgraçada.
Minha mão voa para tentar me impedir de cair de cara, mas em vez de
alcançar o alvo pretendido - Damon - minha mão se agita e cai em alguma
planta espetada e estranha.
Solto um grito agudo muito viril quando caio no chão. Meu ombro e
lado direito batem no chão áspero da floresta.
Minha mão está doendo pra caralho.
— Merda! Você está bem?— Damon está ao meu lado em um instante,
me puxando para cima, mas isso não me conforta.
─Eu acreditaria mais na sua preocupação se você não estivesse
tentando não rir─, eu resmungo.
Damon limpa a garganta e sufoca o sorriso.
─Desculpe.
— Não, não assim. Você ainda está tentando não rir.
Seu sorriso ainda é sexy, mesmo se ele tiver trinta anos agora. Ele não
aprecia os comentários do homem velho. Chocante, realmente.
─Eu realmente sinto muito.─ Damon segura meu rosto.
Ele se inclina e me beija, o gosto familiar e a sacudida de sensações
percorrendo minha espinha ainda são presentes. Toda vez que ele me beija,
lembro como foi beijá-lo pela primeira vez em uma pista de dança aleatória
em um casamento aleatório na minha cidade natal.
É como estar na beira de um penhasco, esperando cair livremente do
lado. É como perseguir algo que acho inatingível apenas para ser lembrado
de que já o tenho.
É felicidade.
Quando ele interrompe o beijo, colocando distância entre nós
novamente, quero puxá-lo para mais perto, mas quando o alcanço, minha
mão inchada chama sua atenção.
Damon assobia e agarra meu pulso.
─No que você caiu?
─Não é nada. Estou bem. Estamos perto do topo, então vamos
continuar.
─Bebê, eu não acho que não seja nada. Você está sangrando.
Ah, esses devem ser os pontinhos vermelhos em toda a minha mão.
─O que você tocou?
─Alguma planta espetada.─ Eu aponto ao meu lado.
Damon vai dar uma olhada enquanto eu mexo meus dedos e vejo as
manchas na minha mão dançando.
─Existem plantas venenosas em Fiji?
─Foda-se─, Damon diz novamente e volta para o meu lado.
─Precisamos levá-lo de volta à casa principal.
—Não!─ Porra de planta estúpida e espinhosa, atrapalhando minha
proposta. Eu aperto minha mão, que dói como uma filha da puta. ─Está
tudo bem.─ Eu estremeço. —Vê?
Eu tinha um plano, droga. Um muito bom.
Nós íamos escalar para o mirante no topo da montanha nesta ilha
particular. Quando Matt e Noah pediram que todo o nosso grupo de amigos
viesse de férias anuais dessa vez, não questionamos. Eu estava muito
ocupado pensando em uma maneira de pedir a Damon para ser meu para
sempre. O jeito perfeito, porque ele merece.
Deus sabe que esses últimos quatro anos não foram perfeitos, mas eu
não os mudaria por nada.
Damon esteve ocupado construindo sua lista de clientes, enquanto
economizei dinheiro para sair de férias em todo o mundo. Esta é a primeira
viagem que conseguimos desde que fomos às Bermudas há alguns anos.
Não que eu esteja reclamando disso tanto quanto pensei que faria,
porque mesmo que eu queira conhecer outros países, meu mundo inteiro é
o homem ao meu lado. Não há nada que me impeça de viajar sozinho, mas
se eu aprendi alguma coisa nos últimos quatro anos, é que Damon melhora
tudo.
E se for do meu jeito, teremos o resto de nossas vidas juntos para
fazer o que quisermos. Viajar, comprar mais imóveis, ser um tio incrível
para os filhos de nossas irmãs.
Eu sempre pensei que me amarrar a alguém abafaria minha
oportunidade de uma vida despreocupada. Responsabilidades, filhos,
casamento... tudo parecia pesado - a velha bola e corrente.
Uma vida com Damon? As responsabilidades não são assustadoras, e
nós dois concordamos que não queremos filhos. Casamento... bem, eu
estou comprometido, porque ele vale a pena.
─Vamos voltar─, diz ele enquanto se afasta em direção à planta feia
que me furou e tira uma foto. ─Você precisa de ajuda? Você consegue
andar?
─Eu machuquei minha mão, não meu pé.
Com um aceno de cabeça, ele segue o caminho oposto na trilha,
descendo a montanha.
─Eu estou bem─, eu grito para ele. ─Devemos continuar.─ Não posso
deixar uma mão ferida estragar isso.
─Claro, e quando você morrer de todo o veneno que atravessa seu
sistema, eu vou jogá-lo do precipício. Enterro rápido.
─Bem, isso é mórbido─, murmuro e relutantemente o sigo. ─Eu
também te amo.
Só precisa Damon olhar para mim uma vez para eu decifrar que a
expressão de determinação em seu rosto é na verdade pânico.
Eu o alcanço com minha mão boa.
─Damon.
Ele continua seguindo em frente.
—Bebê!─ Meu tom deve ser autoritário, mas tem o efeito que eu
quero.
Damon gira nos calcanhares.
─Tem dores? Você vai desmaiar? Você precisa que eu vá em frente e
consiga alguém para voltar com um kit de primeiros socorros, ou eu não
sei... anti-veneno ou algo assim?
Não consigo deixar de rir quando me aproximo e me pressiono contra
ele.
—Estou bem. Minha mão está um pouco dolorida, mas é tudo.
─E se a sensação de formigamento for o veneno ou você estiver tendo
uma reação alérgica ou-
Eu resmungo.
─Fiji pode nem ter plantas venenosas.
─Você sabe o quão perto estamos da Austrália? Tudo tenta matá-lo
deste lado do mundo.
Eu reviro os olhos.
─A Austrália fica a outro voo de quatro horas com muito oceano entre
nós. Eu sei porque pensei em possivelmente estender nossas férias para ir
para lá, mas você precisa voltar ao trabalho.
Ok, isso pode ter saído mais amargo do que eu pretendia.
Damon faz uma careta.
─Você está realmente trazendo isso à tona agora enquanto está
morrendo de uma planta venenosa?
─Eu não estou morrendo.
─Você não sabe disso.
─Você é impossível quando está preocupado.─ Tento pegar meu
telefone no bolso, mas ele está no meu lado direito, e minha mão direita
está dolorida, e tentar alcançá-lo com a esquerda é impossível.
Damon bufa.
—O que está fazendo?
─Tentando alcançar meu telefone para pesquisar no Google, para que
você não fique estressado comigo.
A mão de Damon vai direto para o meu bolso, e percebo meu erro
crítico um momento tarde demais. Coloquei meu telefone à esquerda, para
alcançar o objeto mais rápido. A protuberância no meu short não é o meu
telefone, mas a porra do anel.
— Espere!─ Eu grito e tento dar um passo atrás, mas já está feito.
Os olhos de Damon se arregalam quando ele envolve os dedos em
torno da pequena caixa.
─Maddy ... o que ... o que é ...─ Ele tira do meu bolso completamente.
─Isso é...?
─Filho da puta, eu estraguei tudo.
—Amor?
Eu suspiro.
─O plano era subir essa montanha idiota e, enquanto você olhava
para o oceano idiota com uma vista estupidamente majestosa, eu me
ajoelharia e pediria que você fosse meu para sempre. Seria lindo, caramba!
Damon olha entre mim e a caixa do anel e volta novamente.
─Isso é verdade?
Eu lentamente dou um passo à frente e o puxo contra mim com
minha mão boa.
─Você é o tipo de cara que gosta de ter as coisas em ordem. Você
deseja que as caixas sejam marcadas, cada i seja pontilhado e todo t seja
cortado. Sei que você quer um casamento e quero lhe dar tudo.─ Eu abaixo
minha voz. —Casa comigo?
A boca de Damon abre e fecha rapidamente como um peixe.
—Veneno.
Minhas sobrancelhas se erguem de surpresa.
─Não é realmente a resposta que eu estava esperando.
Damon levanta o dedo.
─...Não sei ... apenas espere.
─Você não pode pausar uma proposta.
─Bem, eu acabei de fazer.─ Damon pega seu próprio telefone e bate
na tela. Então rola. Depois bate novamente. ─Ok. Então, eu posso ter
exagerado. Não há plantas venenosas em Fiji.
─Eu acho que o fato de eu ainda não estar morto já lhe diria isso. Ou
pelo menos que aquela em que caí não é venenosa.
Damon sacode e olha para mim, prendendo-me com aqueles olhos
verdes pelos quais me apaixonei há muitos anos.
─Ok, então a proposta-
─Case comigo─, digo novamente. Desta vez, levanto a tampa da caixa
e mostro o simples anel de titânio que Stacy me ajudou a escolher.
─Oh querido.─ Os olhos de Damon amolecem.
A expectativa de um sim soa na minha cabeça, mas não é isso que eu
ouço.
—Não.
Meu corpo congela.
—O quê?
─Nós não vamos nos casar.─ Damon parece tão sério e isso corta meu
coração como uma faca.
Ele está infeliz? Ele acha que está me segurando trabalhando tanto?
Será?
─Eu te amo, Maddy. Por tantas razões que estaríamos aqui até o pôr
do sol, se eu listasse todas. Você é minha eternidade, meu tudo, meu futuro,
e não preciso de um pedaço de papel para me dizer isso. Você está certo
quando diz que gosto das coisas em ordem. Eu gosto de caixas e linhas
firmes. Mas você? Você deixa minha vida bagunçada da melhor maneira
possível. Você me lembra que há mais na vida do que regras e rótulos e que
tudo ser perfeito.
Eu mordo meus lábios.
─Parece que você acabou de dizer que sou bagunçado e imperfeito,
mas isso não pode estar certo.
Damon ri.
─É por isso que eu te amo mais do que as palavras podem dizer. Eu
quero passar o resto da minha vida com você. Apenas, não como seu
marido. Recusar a casar é quase como... eu não sei como explicar isso É
como refrescar esse lado tenso meu. Sem mencionar que você não quer
fazer isso. Na verdade, não. Você está fazendo isso por mim, não por nós.
Você é mais anti-casamento do que anti-Nova Jersey. E isso é algo
realmente sério.
─Estou tão feliz que depois de todos esses anos que você finalmente
reconhece o meu ódio por Jersey pelo que é.
─Ah, ainda é ridículo, mas eu sei que não há como te fazer mudar de
ideia.
O amor verdadeiro. Olho para longe e engulo em seco.
─Mas eu realmente quero isso. Quero dizer, talvez não o casamento,
porque só o pensamento de ter que organizar essa merda me faz querer
explodir, mas o compromisso. Você e eu. Eu quero nós dois juntos. Para
sempre.
Os lábios de Damon encontram os meus em um beijo lento e ardente.
─Você sempre foi meu, e nada vai mudar isso.─ Ele pega o anel e
coloca no dedo. ─Oooh, olha isso. Acabamos de nos casar ao lado de uma
montanha em Fiji.
─Isso não conta.
Damon encolhe os ombros. Apenas me mostrando o dedo novamente.
─ Não preciso do casamento para saber que seremos eu e você até o
dia em que morrermos.
Eu mordo o lábio. Alívio não é o que eu deveria estar sentindo agora,
é? Quero dizer, eu entendo totalmente o que Damon está dizendo, porque é
exatamente como eu me sinto. E ele está certo. Estou fazendo isso mais por
ele do que eu ou nós. Se ele tivesse dito sim, é claro que eu continuaria com
isso, porque eu o amo.
─Você está pensando demais sobre isso─, diz Damon. ─Eu
praticamente posso ouvir seus pensamentos passando por sua cabeça.
─Desculpa. Eu só... Eu estava esperando que você dissesse sim. Meu
ego está machucado, mas meu coração está cheio, então não tenho ideia do
que fazer agora.
—Beije-me. É uma coisa boa a se fazer agora.
Ele ainda ama minha boca, e quando eu o beijo novamente, parece
mais - como uma promessa de nada e para sempre, ao mesmo tempo.
Eu recuo.
─Sem casamento?
─Sem casamento.
─Tudo bem, mas você é quem vai ter que contar aos meus pais e
Stacy, porque eles nunca acreditarão que foi você quem recusou.
Damon sorri.
─Eu estou bem com isso.─ Ele olha para a minha mão
ensanguentada. ─Nós realmente deveríamos verificar isso. Você pode não
estar morrendo, mas não parece bom.
─O que, sem um boquete comemorativo de ‘nós não vamos nos
casar’?
─Depois.─ prometo.
Capítulo Doze
Damon
A mão de Maddox está bem, e no segundo que Joni e Ema, os donos
do lugar em que estamos hospedados na ilha, nos dizem isso, eu tenho
Maddox nu e montando meu pau.
Sua bunda quente e apertada sempre me faz perder algumas células
cerebrais, mas estando profundamente envolvido nele enquanto ele monta
meu colo e me encara com uma faísca ou sentimento que nunca
compartilhamos antes, não posso deixar de pensar que sua proposta mudou
tudo, mesmo que nada tenha mudado.
Ainda não vamos nos casar, e mesmo que eu use orgulhosamente o
anel dele, não estamos noivos. No entanto, não posso deixar de vê-lo sob
uma luz diferente. Uma nova luz. Depois de quatro anos juntos, não achei
que isso fosse possível.
Talvez eu estivesse subconscientemente esperando Maddox surtar
novamente como ele fez quando nos conhecemos. Eu estava
definitivamente preocupado quando compramos nossa casa no Brooklyn.
Compartilhar imóveis é um grande negócio, e mesmo que tenha sido minha
comissão ao contratar Matt e Ollie que pagou pelo lugar, eu esperei Maddox
brigar quando eu disse que queria que fosse nosso e coloquei seu nome na
casa também. Mas a única preocupação que ele expressou foi sobre o mofo
crescendo no quarto de hóspedes. E mesmo assim, tudo o que ele disse foi:
─Esse pode ser o seu escritório. Eu sou muito bonito para morrer jovem.
Maddox me dando isso - uma promessa de eternidade com um
símbolo em vez de apenas palavras - torna o jeito que ele está olhando para
mim muito mais intenso.
Toda vez que eu empurro para cima em seu corpo e ele mói no meu
pau, eu posso sentir a promessa eterna.
Maddox é meu, e ele sempre será.
Tive sorte com minha carreira e sei que devo muito a Maddox por
causa de suas conexões com Matt e Ollie. Por causa de Ollie, assinei Caleb
Sorensen, e por causa de Matt, também assinei Shane Miller e o maior
quarterback da NFL, Marcus Talon.
É por isso que tenho me sentido culpado por Maddox ultimamente.
Estou sempre trabalhando, e sempre parece que estou prometendo a ele um
futuro em que poderemos compartilhar seu sonho de viajar pelo mundo,
apenas para dizer: ─Desculpe, querido, eu tenho que voar pelo país para
procurar outro cliente.─ Tem que haver um meio feliz, mas ainda não o
encontrei.
Com meus cinco grandes clientes e alguns novatos, eu realmente não
preciso me preocupar muito com o meu trabalho, mas encontrar tempo
entre o drama de todos os meus clientes realmente ocupa o lugar de
Maddox. Esse é o problema.
Isso vai mudar. Ele precisa se tornar minha prioridade.
Ele me deu tudo o que eu sempre quis, e é hora de fazer o mesmo por
ele.
─Cara─, Maddox diz sem fôlego e para com meu pau ainda enterrado
profundamente dentro dele. ─Estou dando o meu melhor aqui e você está
no país das fadas.
─Você acabou de me chamar de fada?
Ele não parece divertido.
—Vá se foder. Em que está pensando?
Meu polegar traça seu lábio inferior que eu quero desesperadamente
beijar.
─Eu tenho sido tão injusto com você todos esses anos.
—O quê?─ Ele arfa, tentando recuperar o fôlego.
─Prometi a você há muito tempo que veríamos o mundo juntos, e
tudo o que fiz desde então foi trabalhar.
─Nós temos para sempre. E preciso lembrar que estamos em Fiji. Não
podemos esperar ver o mundo inteiro em apenas alguns anos. A realidade
vem em primeiro lugar. O que significa responsabilidade e trabalho.
─Eu te amo muito e não quero que você perca seu lado impulsivo. Foi
o que fez você se arriscar por mim, mesmo nunca tendo estado com um
homem antes. Eu vou fazer melhor.
Maddox sorri.
─A única maneira de você melhorar agora é se você voltar a me foder
e parar de se preocupar em me fazer feliz. Eu sou feliz.
Eu rolo meus quadris e me movo dentro dele, e ele joga a cabeça para
trás com um gemido. Seu pescoço longo está exposto, e eu não perco tempo
beliscando, enquanto chego entre nós e acaricio seu pau.
─Gosta?─ Eu murmuro contra sua pele.
─Sim.─ Ele se ajoelha e afunda em mim e depois faz de novo,
lentamente se fodendo no meu pau.
─Eu te amo─, digo novamente.
—Eu também te amo. Sempre.
Aperto seus quadris com força e encontro seus impulsos até ficarmos
sem fôlego e ofegantes.
Maddox grunhe quando ele goza. Ele treme nos meus braços,
enquanto seu esperma reveste nós dois, e eu o puxo para mais perto,
segurando-o com força através dos tremores secundários.
Ele acena com a cabeça no meu pescoço, me dando permissão para
continuar.
─Segure a cabeceira da cama porque isso vai ser forte.
Maddox se inclina.
─Vamos lá.
Não demora muito para eu chegar ao ponto de ruptura e gozar dentro
dele.
Quando nossa respiração se acalma e ele desce do meu colo, deslizo
para baixo dos lençóis e ponho a cabeça no travesseiro fofo enquanto o vejo
ir para o banheiro. Começamos a transar sem camisinha quando nos
mudamos juntos, e não importa quantas vezes eu o veja, não posso deixar
de amar ver meu esperma escorrendo pelas pernas dele quando ele se move
para se limpar. É a minha pequena maneira de reivindicá-lo.
Antes de chegar ao banheiro, Maddox olha por cima do ombro.
─Você está assistindo de novo, não é, homem das cavernas?
Não faz sentido negar.
─Sim.
─Você é doente.
─Você diz isso, mas realmente ama.
O chuveiro liga, e eu acho que tenho tempo suficiente para pegar meu
telefone e reorganizar alguma merda em nossos horários. Eu não estava
mentindo quando disse que ia melhorar.
Sou grato que Maddox tome banhos longos, porque leva um tempo
para fazer algumas ligações.
Estou amarrando a última ponta solta quando Maddox volta para a
sala usando apenas uma toalha.
— Sério? Você não conseguiu se levantar para se limpar? Preguiçoso.
Eu sorrio.
—Sério? Você está usando esse tom comigo, embora eu tenha passado
apenas vinte minutos planejando uma maneira de prolongar nossa viagem
e ir para a Austrália como você queria originalmente?
O habitual rosto feliz e relaxado de Maddox fica estoico.
—Você quê?
─Eu estava falando sério, Maddy. Você merece tudo, e eu vou
encontrar uma maneira de fazer do meu trabalho uma segunda prioridade a
partir de agora. Estou em velocidade máxima há quatro anos e devo estar
estável o suficiente para tirar mais tempo de folga. Quero dizer, ainda terei
meu telefone ligado e preciso trabalhar remotamente se algo com um dos
meus jogadores aparecer, mas...
O sorriso de Maddox é mais brilhante do que há muito tempo.
─Sério? Quero dizer... você está falando sério? Nós vamos para a
Austrália?
─Mas com uma condição.
—O que seria?
─Nós não vamos fazer caminhadas enquanto estivermos lá. Plantas
venenosas em todos os lugares. Eu nem vou mencionar os animais.
Maddox corre e pula na cama, perdendo a toalha e subindo em cima
de mim novamente.
─Combinado.
Capítulo Treze
Maddox
Damon se recusa a casar comigo, mas ainda está usando meu anel.
Isso não deveria me deixar tão feliz, mas faz.
Ele me entende. Ele me entende.
Ele sabe o que eu estava propondo para ele.
Então, além de não se casar comigo, ele está estendendo nossa
viagem. Por mim.
Sei que ele quer viajar mais e fazer mais coisas comigo, mas sua
carreira é importante e é difícil para ele evitar suas responsabilidades. Ele
não é tão despreocupado quanto eu.
Passamos o resto da manhã pesquisando coisas que podemos fazer
quando estivermos na Austrália, mas isso é interrompido quando
recebemos uma chamada de vídeo de Stacy.
─Posso, por favor, por favor, foder com ela?─ pergunto.
Damon ri.
─Eu digo o quê? Que eu recusei sua proposta? Ah, espera...
Certo. Ela vai pensar que estamos mentindo. Eu mal posso esperar!
─Vocês dois não podem ser adultos?
─Não.─ Eu o afasto de vista e aperto o botão Responder enquanto
tento manter minha expressão desapontada.
Seus olhos brilhantes enchem a tela.
─Ei, vamos... espere.─ Stacy faz uma careta. ─Você estragou tudo,
não foi?
─Você não vai acreditar no que aconteceu. Então, estávamos
caminhando, certo...
─Onde está Damon? Ele não está aí?
─Não, ele está com Matt e Noah.
Damon olha para mim. Provavelmente por mentir tão bem. Mas ei.
─De qualquer forma, eu tinha tudo planejado e estávamos tendo uma
conversa animada quando caí e perfurei totalmente minha mão em uma
planta venenosa. Eu estava chorando: 'Deus não! Por quê? Senhor, por que
você me tirou do amor da minha vida quando eu estava prestes a propor?'
Estou fazendo totalmente uma reconstituição dramática. Então, seu irmão
foi todo: 'Espere, proposta?' e eu disse: 'Cara, estou morrendo aqui', e ele
disse: 'Eu não ligo. Onde está meu anel, vadia?’ então decidi não continuar
e nós terminamos.
─Boa história. Me conte a verdade...
–Ei! Protesto. A maior parte disso é verdade, mas foi Damon quem
pensou que eu estava morrendo e eu tentando lhe dar o anel, mas ele disse
que não.
Ela faz um som de campainha como em um game show.
—Tente de novo. Ele não diria não para você.
— Sim.
─Ok. Quando é o casamento?
Eu resmungo e me viro para Damon.
─Querido, ajuda.
─Ei, você queria foder com ela. Você tem que convencê-la de que não
está mentindo agora.
─É por isso que não vamos nos casar.─ Eu me viro para minha
melhor amiga. ─Não como o tempo que você passou uma semana em um
cruzeiro com meu amigo do ensino médio e depois fugiu para a Pensilvânia
para se casar com ele e ter seus bebês como a grande piada prática que é.
Ela revira os olhos.
─Sim, estou jogando o jogo longo com esse golpe. Desistir de Nova
York, mudar-me para cá e dar à luz gêmeos é meu plano mestre para a
piada definitiva. Quando as meninas completarem dezoito anos, eu vou me
virar e dizer: 'Ha! Te Peguei’.
─Eu sabia!─ Eu exclamo. ─Ninguém teria voluntariamente filhos com
cabelos ruivos.
A voz de Jared vem pelos alto-falantes.
─Ouvi isso, idiota. Você sabe que elas são praticamente suas
sobrinhas.
─Sinto sua falta, seu ruivo sugador de almas. Ainda sinto falta da sua
desova.
Na verdade, eu não poderia estar mais feliz por Stacy. Ela se tornou
uma pessoa completamente diferente desde que deixou a cidade e se
apaixonou por um cara realmente ótimo. Eu posso ser tendencioso,
considerando que ele é meu amigo de infância, mas tanto faz.
Damon se aproxima e envolve seu braço ao meu redor enquanto olha
para a expressão confusa de Stacy.
─Eu realmente disse não a ele.
—O quê?─ ela grita. ─Por quê?
─Porque praticamente já estamos casados e nenhum pedaço de papel
vai mudar isso?
─Mas-
─Stace─. Damon usa seu tom de irmão mais velho. ─Estou mais feliz
do que nunca em toda a minha vida. Isso é tudo que importa.
─Ok.─ Os lábios dela se fecham. ─Feliz em não casar? Acho que sim.
─Obrigado.─ Eu sorrio. ─Estamos comemorando o nosso não
casamento.
Ela estremece.
─Não preciso conhecer esses detalhes.
─Mamãe, leite─, uma vozinha adorável diz atrás dela.
Stacy revira os olhos.
─Sem leite. Quarto. Já passou da hora de dormir.
─Leite.
─Quarto.
─Leite.
Ela olha de volta para nós.
─Eu tenho que ir. Não parabéns de novo.
A tela fica preta.
─Obrigado, foda-se, você não querer filhos─, diz Damon. ─As gêmeas
são adoráveis, mas-
─Não, obrigado.
─Exatamente.─ Damon beija o lado da minha cabeça. ─Eu sabia que
você era o homem perfeito para mim no momento em que coloquei os olhos
em você.
— Mentiroso. Eu sei seus pensamentos exatos sobre mim quando nos
conhecemos.
— Sim?
─Sim. Foram 'esse cara hétero com seus lindos olhos azuis e um
sorriso ofuscante é um idiota’.
Damon ri.
─Isso é realmente perturbadoramente preciso.
─É porque eu sou totalmente o cara perfeito para você, mas você
levou mais tempo do que eu para vê-lo.
─O que vamos dizer aos caras?─ Damon pergunta.
─Que eu sou muito mais esperto do que você, porque eu descobri que
éramos almas gêmeas antes mesmo que você quisesse me foder?
─Sobre o não casamento, idiota.
─Não é legal chamar sua alma gêmea de idiota.
─Querida alma gêmea, amor da minha vida, meu não futuro marido
... o que vamos dizer aos caras?
Eu dou de ombros.
─O que você quiser dizer a eles. Nada parece bom. Que tal nada?
─Stacy era a única pessoa que conhecia seu plano?
─E meus pais.
Damon assente.
─Eu estou bem com nada, então.
Só que ele se distrai a tarde toda - definitivamente não é minha culpa
- e quando o jantar chega, Damon esquece que ainda está usando o anel.
Então, quando Damon se levanta e ergue o copo para brindar o
anúncio de Matt e Noah de que eles vão ter um bebê, o olhar de Noah pega
na mão de Damon.
— Que porra é essa?
Os olhos de Damon se arregalam.
—Merda.
Com um suspiro e um sorriso, eu levanto. Não importa para mim se
os caras descobrem, mas explicar isso um milhão de vezes é o que eu queria
evitar. Damon e eu entendemos, mas sei que os outros não. Pelo menos
todo mundo está aqui ao mesmo tempo, para que não tenhamos que repeti-
lo - um feito raro para o nosso grupo recentemente.
─Temos um anúncio também.
Damon e eu olhamos um para o outro e, juntos, dizemos: ─Não
vamos nos casar!
E sim, como previsto, temos que explicar isso para todos os rostos
confusos da sala. Isso só parece confundi-los mais.
─Então, sem casamento, mas vocês vão viver como maridos?─
Pergunta Miller.
─Exatamente.
Miller se vira para Talon.
─Talvez devêssemos fazer isso.
─Sem casamento?─ Talon exclama. ─De jeito nenhum. Nós vamos
fazer a coisa toda e vender as fotos por muito dinheiro.
─Como se precisássemos de mais dinheiro
Enquanto eles discutem sobre suas próximas núpcias, Damon e eu
compartilhamos um olhar. Algo que diz que definitivamente tomamos a
decisão certa, porque quem quer lidar com locais e as instalações do
casamento e tudo o mais que vem com o planejamento de um casamento?
Eu estremeço. Não, obrigado
Eles falam de detalhes, enquanto Damon e eu compartilhamos nosso
próprio brinde.
─Por não se casar─, ele sussurra no meu ouvido.
─Amém.
Clicamos nossos copos juntos e tomamos um gole, mas Noah chama
minha atenção.
Ele joga o braço em volta de Lennon.
─Então, Beatle. Matt e eu estamos criando bebês. Maddox e Damon
não irão se casar, mas meio que já estão, mas não realmente. Talon e Miller
estão prestes a andar pelo corredor. O que você e Ollie vão fazer?
Ooooh, se a olhares pudessem matar, Matt seria um viúvo.
Todos na mesa piscam e fazem aquela coisa estranha, onde sabemos
que devemos desviar o olhar, mas mal podemos esperar pelo acidente de
trem que está chegando.
As bocas de Ollie e Lennon ficam abertas, mas nada sai.
Noah sorri.
─Eu coloquei vocês em uma panela de pressão?
Fodido Noah, o agitador de merda.
Lennon quebra primeiro.
─Você está tão pronto para ser pai.
Ele foge de uma resposta seguindo a rota do sarcasmo, mas acho que
todos podem ver a pergunta flutuando em suas cabeças.
Tudo o que posso dizer é boa sorte para eles, e espero que eles saibam
o que os dois querem.
Serei eternamente grato por encontrar talvez a única pessoa singular
do mundo que me entende ainda melhor do que eu.
Eu nunca vou deixar Damon ir.
III
OLLIE E LENNON
Capítulo Quatorze
Ollie
Nada coloca seu relacionamento sob um microscópio mais rápido do
que todos ao seu redor, dando passos gigantes adiante.
Noah e Matt serão pais, Talon e Miller vão se casar, e Damon e
Maddox estão... bem, eles vão continuar sendo Damon e Maddox.
Isso funciona para eles.
O que Lennon e eu temos funciona para nós.
Estou feliz. Muito feliz!
Então, por que há algo no fundo da minha mente me dizendo que eu
não deveria estar feliz e contente com o que temos? Que eu deveria querer
mais.
Nos últimos três anos, estivemos lá um para outro, enquanto
passamos por muita coisa em nossas vidas profissionais.
Lennon desistiu de seu emprego dos sonhos de trabalhar para
Esportes ilustrados para assumir uma posição de merda de mídia com
minha equipe para que ele pudesse estar comigo. Isso durou apenas uma
temporada de hóquei, antes que ele fosse re-oferecido o emprego dos seus
sonhos, mas para uma posição em que ele poderia se estabelecer fora de
Nova York. Ele também ainda tem sua coluna de atleta queer na revista e a
está mantendo. Com mais e mais atletas saindo lentamente do armário, ele
tem um fluxo constante de artigos para escrever.
Ele até foi perseguido para fazer audições para posições no ar em
diferentes redes, mas ele odeia falar em público e continua recusando.
Enquanto isso, passei de jogador com um dos maiores recordes de
assistência da liga a um dos maiores pontuadores. Estou me tornando
inestimável e os sussurros da Stanley Cup acontecem nas últimas três
temporadas. Fizemos os playoffs todos os anos desde que fui negociado
para o time.
E sim, provavelmente tem muito a ver com o trabalho em equipe e a
confiança no gelo, não a minha contratação, mas tente contar isso aos meus
colegas de equipe supersticiosos. Eles estão convencidos de que eu sou o
amuleto da sorte de Nova York e, ei, não vou lutar contra esse tipo de
elogio.
Sou gay em uma equipe da NHL e sou respeitado.
Lennon e eu estamos nos destacando em todos os aspectos de nossas
vidas, então não é surpreendente que eu seja repugnantemente feliz. Estou
tão feliz que me sinto culpado quando ando com Soren porque sua vida está
uma bagunça agora.
No entanto, Noah conseguiu criar essa vibe tensa com uma pergunta
simples.
Parece que estou em um terceiro encontro e me perguntam: ─Onde
isso vai dar?─ mesmo que Lennon e estejamos juntos por três anos, não
três encontros.
Quando Lennon se inclina para perto de mim e pergunta se estou
pronto para ir para a cama, quase quero dizer não. Porque com a
provocação de Noah no ar, tenho a sensação de que teremos uma longa
discussão sobre algo que não faço ideia.
O que me faz pensar se isso é algo que eu deveria estar pensando nos
últimos três anos.
Falamos sobre o futuro, talvez tenhamos mencionado o casamento de
passagem, mas sempre dissemos que nossas carreiras são mais importantes
e que seria uma discussão futura.
Eu realmente não penso nisso desde então.
Quando meu ex, Ash, ficou noivo e se casou com meu irmão há um
ano, meu único pensamento era que eu estava feliz por Ash ter tudo o que
ele sempre quis. Lennon não entrou na equação ou no processo de
pensamento.
Eu pensei que era porque eu estava tão seguro do meu
relacionamento com Lennon e onde estávamos, que o casamento não
precisava fazer parte dele. De nada disso.
O que diz sobre mim que não quero me casar com meu namorado?
─Ollie─, Lennon franze a testa para mim.
— O quê?
─Eu perguntei se você está pronto para ir.
Ah. Certo. Isso.
Eu aceno com força.
─Claro.
Nós damos boa noite para os caras, e assim que saímos da cabana de
jantar, é um reflexo pegar a mão de Lennon.
Nós somos confortáveis e fáceis.
Uau, tão romântico, Ollie.
A brisa fijiana da noite nos atinge enquanto caminhamos para o nosso
lado da ilha. A luz da lua brilha na água calma que banha a costa.
Lennon estremece, e envolvo meu braço em torno dele - outro reflexo.
Podemos ser confortáveis e fáceis, mas tudo sobre nós parece certo.
Então, como isso pode ser ruim?
— Em que está pensando?─ Lennon pergunta.
E lá vamos nós.
─Pensando em como você me deve vinte dólares quando as férias
terminarem─, eu minto. Não é que eu não tenha pensado na pequena
aposta que fizemos anos atrás, mas não estou pensando nisso agora.
─Uh, por todo o sexo que estamos fazendo?─ Lennon pergunta. ─Isso
é bem barato, mas eu aprovo. Embora, se as coisas com a NHL não derem
certo, talvez você precise aumentar seu preço quando vender seu corpo na
rua.
Veja, é por isso que eu o amo. Ele faz-me rir. Toda droga de dia.
─Vou ter isso em mente, mas na verdade quero dizer sobre Jet e
Soren.
Jet e Soren têm cabanas lado a lado e, no segundo em que percebi,
sabia que era brilhante ou estúpido.
Noah e Matt têm a suíte maior que tem até uma praia particular no
ponto mais ao norte da ilha. O resto das cabanas estão espalhadas. Damon
e Maddox estão bem perto da nossa.
Juntar os dois homens solteiros é bom porque eles não precisam
ouvir a quantidade abundante de sexo que está acontecendo com os casais.
Mas também pode ser estúpido, porque juro que algo aconteceu entre Jet e
Soren anos atrás. Lennon acha que eu li demais nos olhares fugazes entre
eles.
─Essa aposta foi para algo acontecendo entre eles há três anos. Agora
não─, diz Lennon.
─Uh-huh, então você acha totalmente que eles vão ficar juntos.
Lennon suspira.
─Sentirei falta de Soren quando Matt e Noah o matarem.
Eu rio, mas meu namorado fica sério.
─É nisso que você está pensando?
Lennon me lê tão bem que não me surpreende que ele saiba que não é
tudo, então acabo com isso.
─Noah é um idiota, hein?
Lennon coloca os óculos no nariz. Eu amo esses óculos. Sem eles,
Lennon é gostoso, sem dúvidas, mas com eles? Ele é o epítome da fantasia
nerd, e talvez eu tenha um fetiche.
─Oh, querido, se agora você está malhando Noah por ser um idiota,
vou começar a me sentir mal com todas as piadas idiotas que faço sobre
você. Uma coisa é dizer quando você sabe que não é verdade. É realmente
ruim se você é tão lento.
Eu verifico o quadril dele.
─Engraçado, nerd.
─O que Noah fez dessa vez?
Estou surpreso que ele não saiba automaticamente, o que me faz
parar. Talvez a provocação de Noah tenha feito apenas eu repensar as
coisas.
Paro de andar e puxo Lennon para me encarar. Seu rosto lindo é
passivo e não revela nada. Acho que não sou tão bom em ler meu namorado
quanto ele em me ler.
─Perdi algo?─ ele pergunta.
─Todo o comentário da panela de pressão.
Lennon acena.
─Entendi. Foi apenas Noah mexendo um pouco de merda. Nem vale a
pena pensar nisso.
─Não vale a pena pensar em nosso futuro?
Ele inclina a cabeça.
─Foi isso que eu disse?
─Basicamente─, eu murmuro.
─Ok, o que houve? Você está tentando brigar ou algo assim?
—Não. Sim. Talvez.
─Não vale a pena pensar nas palavras de Noah, porque ele estava
tentando obter uma reação nossa─, diz Lennon.
─Acho que com todas as propostas, casamentos e bebês, pensei que
ele tinha razão.
—Sim.
Ok, há uma hora atrás, eu teria dito não, mas agora ...
─Acho que não. Se você está feliz, eu estou feliz.
Lennon zomba.
─Isso parece convincente.
Eu balanço minhas mãos.
—Bem, eu não sei. Você já pensou nessas coisas?
─Casamento e filhos? Na verdade, não.
─Você não pensa no nosso futuro?
─Nosso futuro, com certeza. Mas, mais à frente, o que acontecerá se
Ollie for negociado na próxima temporada? O que acontecerá se eu aceitar
uma dessas audições no ar?
Estou confuso.
─Eu pensei que você não estivesse interessado nelas.
─Não estou, mas não porque não quero fazer isso. É porque eu acho
que não posso.
Eu odeio quando Lennon questiona a si mesmo e seu incrível talento
jornalístico. Ele tem uma maneira de ver coisas no jogo que outras pessoas
não veem. E não importa qual esporte ele está assistindo. Futebol, beisebol
ou hóquei. Ele é experiente em todos eles. Ele pode sentir a tensão entre os
colegas de equipe, se alguém está sofrendo com uma lesão, e pode detectar
todos os erros que um jogador comete. Nada passa por ele.
É por isso que ele seria um ótimo esportista. Mas sempre que aparece
a oportunidade, ele a rejeita imediatamente, dizendo que seria um desastre
nervoso na tela e que não seria bom.
─Você conhece minha opinião sobre isso─, eu digo.
─Sim, eu deveria ir em frente, mesmo que seja um desastre e assim
você poderá zombar sem parar por eu ser um idiota gago no YouTube. Você
quer que eu me torne um meme viral.
─Nah, isso seria apenas um bônus.
Lennon sorri.
─Você acha que alguma vez conseguirá dizer sim?
─Talvez se a oferta certa surgir. Como em Nova York, mais dinheiro
do que estou ganhando agora, flexibilidade durante a temporada de hóquei,
quando quiser entrar furtivamente no seu quarto de hotel durante os jogos
fora de casa.
Bem, tecnicamente, deixo o hotel e me esgueiro para o dele, mas esse
não é o ponto dele.
─E o que acontece se eu for negociado na sua visão do futuro?─
pergunto.
─Eu posso fazer meus artigos sobre atletas saindo do armário de
qualquer lugar.
Isso não me responde. Desde que ele recusou sua oferta original da
Esportes ilustrados. Me senti culpado enquanto desfrutava dos benefícios
de ter Lennon na mesma cidade que eu. Deu certo porque ele acabou sendo
oferecido um emprego de tempo integral com eles de qualquer maneira,
mas eu tive um namorado que sacrificou muito por mim no passado, e
talvez eu esteja preocupado que Lennon esteja cometendo os mesmos erros
que Ash cometeu.
Não quero que alguém espere por mim quando nem sei o que quero.
Lennon é alguém que eu quero na minha vida para sempre - não é
isso que estou questionando. Eu quero ficar com ele enquanto ele me
aguentar, mas... e se o que eu tenho para dar não for suficiente?
─Você não quer mais?─ pergunto. ─Se você listasse seus três
principais objetivos pelo resto da vida, quais seriam eles?
Lennon nem sequer hesita.
─Você, uma posição no ar, e Chris Hemsworth.
─Hmm, podemos compartilhar Chris?
─É claro. O que é meu é seu.
─Brincadeiras à parte. Qual seria a terceira coisa?─ Prendo a
respiração enquanto espero pela resposta, que não é tão rápida.
De fato, ele hesita um pouco.
─Felicidade─, ele finalmente diz.
─Como você é vago.
─Ollie, se você está me perguntando se eu quero casamento e filhos,
esperando que eu lhe dê a resposta que você quer, isso não vai acontecer.
Minha opinião sobre o assunto não é de um jeito ou de outro. Eu penso em
ter filhos? Na verdade, não. Isso provavelmente está na cesta do não para
mim, porque eu tive dificuldade ao crescer com agressores, e acho que não
aguentaria ver meu filho passar por isso. Isso significa que eu não
consideraria ter filhos se você os quisesse? Para você, vou considerar
qualquer coisa. As crianças não são um disjuntor para mim de qualquer
maneira. Casamento é praticamente o mesmo acordo. Eu definitivamente
pensei nisso, mas não preciso pra ser feliz.
─Diga-me o que você precisa para ser feliz, porque sua resposta ainda
é vaga.
Lennon pega minhas mãos e olha nos meus olhos.
─Felicidade é o que fazemos, e não acho que precisamos atender a
certos critérios que a sociedade considera realizações para alcançá-la.
Puta merda! O que fiz para ficar com esse cara? Que boa ação eu fiz
em uma vida passada para ter alguém tão perfeito nessa?
─Eu te amo muito, porra─, eu digo.
Lennon sorri.
─Ei, olha isso! Você está me deixando feliz com três pequenas
palavras.
─Agora quem é o idiota? Foram seis palavras.
Eu amo o som da risada de Lennon.
─Estamos bem agora?─ Lennon pergunta.
Embora eu deva estar aliviado, extático e esperançoso de que Lennon
e eu pareçamos estar na mesma página sobre casamento, algo ainda me
incomoda, mas não sei o que é. Falta de crescimento, talvez? Falta de
mudança?
A sensação irritante de que eu e Lennon deveríamos seguir em frente
de alguma forma não desapareceu, mas como digo a ele que ainda acho que
precisamos de mais, mas não sei o que esse mais poderia ser?
Eu empurro isso para o fundo da minha mente por enquanto.
─Estou pensando que a única maneira de encerrar essa discussão é
com boquetes ou algo assim.
Lennon suspira dramaticamente.
─Você pede muito de mim.
Antes que eu possa retroceder, sua mão segura minha camisa e ele me
puxa para fora do caminho e em direção à praia.
─Aqui fora?─ pergunto.
─Bem, não é uma casa na árvore da infância, mas temos toda a ilha
para nós.
─Menos oito outros caras e os proprietários─, eu indico.
Lennon inclina a cabeça.
─Pelo som das coisas, você está se sentindo um pouco incerto sobre
nós, então talvez eu deva apimentar as coisas. Voyeurismo? Eu poderia
estrar nessa.
—Espere, é sério?
─Ok, talvez não tanto a parte de ser assistido, mas o risco de ser pego
parece quente.
─É?─ Pego a cintura de Lennon e o puxo para perto. ─Nesse caso,
que tal você ficar de joelhos?
─Eu sou bom de qualquer maneira, mas você está bem com a
possibilidade de ser pego com seu pau fora?
─Primeiro, eu tenho meu pau na frente dos caras todos os dias no
trabalho.
─Sorte deles.─ Lennon pega o botão do meu short.
─E segundo, com o jeito que você sabe fazer garganta profunda, tenho
total confiança de que ninguém será capaz de ver meu pau.
─Sem pressão.
─Nenhuma. Eu sei o quão boa é sua boca.─ Coloco minha mão em
seu ombro, arrogantemente empurrando-o de joelhos enquanto me recosto
contra uma palmeira.
Apesar de parecer confiante, estou um pouco paranoico sobre os
outros caras nos pegando.
A pouca garantia que tenho é que todo mundo ainda está no jantar, e
mesmo se não estivessem, os únicos dois que viriam por aqui são Damon e
Maddox.
O pequeno risco acrescenta um pouco de adrenalina.
Lennon nem sequer me provoca, o que me faz pensar que ele está tão
ansioso e nervoso por não ser pego quanto eu.
Assim que meu zíper se desfaz e meu pau sai, é engolido por sua boca
quente e talentosa.
Jesus, aquela boca.
Lennon pode ter problemas de confiança quando se trata de sua
carreira, mas um lugar onde ele nunca tem falta de ego é no quarto. Ele
sabe como me fazer gozar e bem rápido. Ele tem certos limites, assim como
eu. E ele não tem vergonha de explorar ou me dizer o que não gosta.
Depois de três anos juntos, pensei que sabíamos tudo o que havia
para saber um sobre o outro sexualmente, mas nunca deixa de me
surpreender que eu não consigo entende-lo o suficiente. Nunca tenho o
suficiente dele.
Ele continua a me chupar, e esses malditos óculos começam a
escorregar pelo nariz.
Eu amo vê-lo de joelhos, me deixa louco, mas eu adoraria se fosse ele
me encarando enquanto eu o chupava.
─Porra, Lennon─, eu grito.
Ele resmunga um reconhecimento, mas não para.
Meu orgasmo aumenta com cada puxão molhado no meu eixo duro. A
boca de Lennon não cessa, não me dá a chance de respirar.
Ofegantes rasos enchem o ar noturno, minhas costas esfregam o lado
áspero da palmeira e meus músculos se contraem, enrolando-se ao ponto
que estou prestes a explodir.
Minhas bolas se enrolam, me preparando para entregar tudo o que
tenho. Só... preciso... mais um... segundo -
─O que vocês estão fazendo?─ As provocações de Maddox cortam a
escuridão.
É tarde demais. Eu estou gozando.
Lennon se afasta e eu me viro para a praia para que Maddox e Damon
não possam me ver gozar por todo o chão.
Eu tenho que morder meu lábio para impedir que qualquer som
escape. Não há nada que eu possa fazer para parar, pois porra continua
jorrando do meu pau. Agarro a base do meu pau e faço com que se apresse
e esvazie, o tempo todo tentando não desmaiar do prazer que balança meu
corpo inteiro.
Lennon fica de pé.
─Uh… Ollie enfiou o pé em algo. Eu estava... uh... checando.
Damon e Maddox riem.
Merda.
─Sim. Claro ─, diz Maddox. ─Se isso faz vocês se sentirem melhor, já
verificamos. Não há plantas venenosas em Fiji.
─Obrigado─, diz Lennon.
─Definitivamente, nenhuma onde você precise sugar o veneno─, diz
Damon.
Porra.
─Definitivamente não é como se Lennon estivesse fazendo isso de
qualquer maneira.
─Merda─, Lennon assobia.
Eu ainda não consigo falar.
Sem nada para me limpar, coloco meu pau de volta na minha
bermuda e as coloco de volta. Quando me viro, eu me inclino casualmente
contra a árvore com a mão coberta de sêmen e sutilmente - pelo menos
espero que seja sutil para Deus - limpo na casca.
Só consigo ver as silhuetas de Maddox e Damon no escuro.
─E aí?─ Eu sou burro. É verdade. Basta perguntar a Lennon.
Todas riem outra vez.
─Tenham uma boa noite, pessoal─, Damon diz e empurra Maddox.
─Nós não podemos zombar deles um pouco mais?
— Não. Soren deixou passar a coisa do avião conosco, então devemos
ser adultos e esquecer isso.
─O que aconteceu no avião?─ Eu pergunto.
─Se contarmos, podemos zombar de vocês?─, diz Maddox.
─Passo─, interrompe Lennon. ─Boa noite, caras.
Assim que eles se afastam, Lennon e eu soltamos um suspiro coletivo.
─Então... ser pego? Não é tão divertido quanto eu pensei que seria ─,
diz Lennon. ─Mas também, na minha cabeça, quem nos pegasse seria
totalmente gostoso e alguém que não conhecemos e ele ofereceria para se
juntar a nós.
─E ele se pareceria com Chris Hemsworth?─ pergunto.
—É claro.
─Se eu estivesse bem em compartilhar você, eu deixaria você ter sua
fantasia, mas não espere por isso, porque você é meu.─ Para sempre,
minha mente pensa.
─Você pode me imaginar com mais de um cara? Acho que meu nerd
adolescente interior teria um derrame antes que qualquer coisa boa
pudesse acontecer.
─Exatamente.
Lennon passa o braço no meu e voltamos para nossa cabana com
absolutamente nada mudado entre nós.
E eu não poderia estar mais feliz.
Capítulo Quinze
LENNON
Ollie, uma posição no ar e felicidade.
Eu realmente acredito que é tudo que preciso. Mas eu estaria
mentindo se dissesse que nossa conversa não se repete na minha cabeça em
um loop.
Nós nos mantemos ocupados saindo com os caras e assistindo a épica
história de amor de Jet e Soren começar diante de nossos olhos.
A coisa mais surpreendente sobre isso é Soren ainda estar respirando.
Acho que Matt não quer ir para a prisão por assassinato, já que ele
está prestes a ser pai.
Passamos nossos dias explorando Fiji. Bebemos, rimos e todos
enfrentamos as discursões obrigatórias que sempre acontecem quando
nosso grupo está junto.
Pelo menos Maddox e Damon mantêm sua promessa e não contam a
todos que flagraram Ollie e eu. Caso contrário, seria uma zombaria sem
fim.
Até agora, ficamos relativamente incólumes à parte da provocação
singular de Noah sobre o que o futuro reserva para Ollie e eu.
O que me leva de volta ao mini surto do meu namorado na outra
noite.
Fico acordado, olhando para o teto de madeira da nossa cabana de
luxo, tentando não pensar no que teria acontecido se eu fosse o tipo de cara
que quer um casamento.
Se uma pergunta pôde abalar a confiança de Ollie no que temos, isso
não pode ser uma coisa boa.
Ele se mexe, curvando-se para o meu lado e depois continua um
ronco leve.
Hoje não quero fazer nada além disso.
Quero segurar meu gigante adorável em meus braços e lembrá-lo do
que temos. Não é tanto uma necessidade de provar nosso amor, mas um
desejo de mostrar a ele que ele nunca deveria ter que se preocupar conosco.
Nós somos sólidos.
A única vez em que pensei em casar com Ollie foi quando a mãe dele
nos encarou. Ah, sim, ela deu uma boa olhada. Uma que ela cobriu com um
sorriso.
Ela já deu dois casamentos para os filhos, um casamento do mesmo
sexo, então não sei por que ela está pressionando os outros três a se
casarem também. Notícias piscam, Ma Strömberg: o casamento nem
sempre é feliz depois de tudo.
Tomemos meus pais, que depois de 28 anos juntos se divorciaram no
segundo em que minha irmãzinha se formou na faculdade.
Votos de eternidade não me atraem quando você tem uma cláusula de
retirada.
Quero fazer algo para Ollie, mostrar a ele como estou comprometido
conosco, não importa o quê. Se em alguns anos ele decidir que tem que ser
pai, eu poderia viver com isso. É duvidoso que isso aconteça com seus
irmãos dando a ele um bilhão de sobrinhas e sobrinhos para se dedicar,
mas se ele quiser, eu darei a ele. Vou dar o que ele quiser.
Até casamento.
Eu simplesmente não preciso dessas coisas.
Tudo o que eu quero é o apoio de Ollie, para superar meu medo do
palco e seguir adiante em minha carreira, e acima de tudo, para ser feliz.
O que quer que isso possa implicar.
É difícil saber como mostrar embora, sem uma grande declaração de
amor como uma proposta de casamento.
Ainda estou pensando nisso quando Ollie acorda corretamente.
Ele arrasta os lábios no meu ombro e enterra a cabeça no meu
pescoço. Seu cabelo loiro faz cócegas no meu nariz.
A mão grande de Ollie corre para o meu lado e agarra meu quadril
para me rolar em sua direção.
Nossos corpos nus se encaixam perfeitamente - sempre o fizeram - e
tanto quanto eu quero continuar isso...
Eu me afasto dele e saio da cama.
─Por mais que meu pau queira você, eu tenho que mijar. Eu estava
esperando você acordar.
Ollie ri, mas me segue até o banheiro.
─Não preciso de ajuda. Mas, obrigado.
Meu namorado ri de novo e entra no chuveiro.
Ele não fala muito de manhã.
Depois de mijar, chego a pia para lavar as mãos, mas a voz rouca de
Ollie me impede.
─Nem se atreva.
Eu sorrio e pressiono, jogando água fria do chuveiro, e ele grita
quando pula para longe do spray.
Então ele torce um dedo para mim.
─Traga sua bunda aqui.
─Por quê? Você vai bater nela? Voyeurismo, palmadas… Essas férias
foram esclarecedoras.
─Traga sua bunda aqui, sim?
Relutantemente, faço e aguardo uma punição que não vem.
Em vez disso, Ollie me puxa para perto e passa os braços ao meu
redor
─Temos planos para o dia?
—Creio que não. Todo mundo está fazendo suas próprias coisas. O
que você tem em mente?
Ele nos vira e me pressiona contra o azulejo. Água quente bate em
nós, molhando-o mais do que eu, e eu tremo de frio nas minhas costas.
─Eu tenho uma ótima ideia.─ Ollie está usando sua voz sexual, e meu
pau está totalmente a bordo.
─Deixe-me adivinhar, isso tem algo a ver com ficar sujo antes de
ficarmos limpos?
A mão de Ollie se move para o meu lado, por cima da minha bunda e
agarra minha coxa, então envolvo minha perna em volta da cintura dele.
Ele abaixa a cabeça, seus lábios encontram os meus com força. Sua língua
arrebata minha boca.
Não consigo me cansar desse homem e acho que nunca vou irei.
Nossas metades inferiores se contraem, enquanto eu imploro
mentalmente a Ollie para alcançar meu pau. Está duro e carente.
Não temos telepatia - claramente - porque, em vez de fazer o que eu
quero, seus dedos provocam minhas bolas e depois se aproximam mais de
seu lugar favorito. Meu também. Seu dedo médio circunda minha borda, e
solto um suspiro alto e implorante, mas quando espero que ele empurre
para dentro, ele se afasta com uma risada.
─Na verdade, eu estava pensando em outra coisa.
Ollie abaixa a cabeça sob a água e se lava, deixando-me respirar
pesadamente e confuso com o que aconteceu.
─Você vai me deixar com tesão, porra?─ Eu resmungo.
─Castigo por roubar minha água. Além disso, você sabe que adora.
─Agora não, eu não.
─Você vai mais tarde.
─Assim que sairmos do chuveiro?─ Meu tom é cheio de esperança
para Ollie concordar com isso.
─Não.
Maldição.
─Se limpe e me encontre na cama.─ Com um beijo no topo da minha
cabeça, Ollie sai do chuveiro e seca.
Corro pelo resto do meu chuveiro, mas certifico-me de limpar em
toda parte.
Só que quando eu termino e volto para o nosso quarto completamente
nu, Ollie está completamente vestido na cama com o laptop aberto.
─Eu entendi. É seu plano me torturar o dia inteiro─ digo.
—Talvez. Depende do quão entediado fico assistindo isso.─ Ele gira o
laptop para eu ver, e o navegador está aberto no site oficial da Major League
Baseball.
─Estou confuso.
Ollie encolhe os ombros.
─Eu sei o quanto você ama beisebol e está perdendo desde que está
aqui. Não temos nada para fazer hoje, então...
─Estamos em Fiji. Não devemos fazer coisas de Fiji?
─Você estava disposto a passar o dia na cama fazendo sexo. Qual é a
diferença?
─Uh, nós dois gostamos de sexo. Você não gosta de beisebol.
─Gosto de beisebol o suficiente. Eu simplesmente não consigo
entender.
Eu bufo.
─Quão difícil é? Bata na bola e corra.
─Sim, mas há coisas como jogadas duplas-
─Quando há dois outs na mesma jogada.
─E, tipo, bola de mosca, bola de pop, movimentação de linha... É
demais para o meu pequeno cérebro orientado ao hóquei. Você sabe que
não pode conter muita informação.
Não tenho ideia do que Ollie está fazendo, mas sigo e subo na cama ao
lado dele, enquanto me recuso a vestir qualquer roupa. Pego meus óculos
da mesa de cabeceira e os deslizo.
─Você nem vai usar shorts ou algo assim?─ Ollie pergunta, olhando
minha forma nua.
─Não. Se você vai me provocar, também precisa ser punido.
─Movimento corajoso, mas se você insisti.─ Ollie clica no jogo Blue
Jays versus Yankees em uma transmissão ao vivo.
É um jogo lento, nenhuma equipe no placar ainda. Os Yankees
recebem um tiro com bases carregadas e apenas uma fora, mas o
arremessador do Blue Jays entra sob pressão e ataca os próximos dois
batedores.
De vez em quando, Ollie faz uma pergunta como se ele estivesse
realmente interessado na resposta, o que nunca fez antes.
Normalmente, quando eu assisto beisebol, ele joga no telefone ou se
exercita. Ele me deixa assistir meu primeiro amor em paz.
Então isso é estranho.
Mas eu deduzi que talvez ele esteja tentando se relacionar mais, ou
talvez esse seja seu grande gesto, visto que as propostas estão fora de
questão.
Vou comprometer minha vida com você e provar isso através do
beisebol duradouro.
Não é exatamente o tipo de gesto que eu estou pensando, mas
também, eu não tenho a menor ideia do que eu poderia fazer por ele, então
pelo menos ele está fazendo um esforço.
Eu ainda estou na estaca zero.
Eu poderia mostrar a ele o quanto eu o amo com sexo, mas esse não é
realmente o tipo de declaração que estou procurando. Além disso, pelo que
parece, ele não está tão interessado. Ou ele está tentando não ser.
Ele está evitando o contato visual com a minha metade inferior e se
concentrando demais em um jogo que ele nem gosta.
─Por que você está agindo de forma estranha?─ pergunto.
─Estranha? Não estou agindo de forma estranha, estou?─ Ele não
desvia o olhar da tela. ─Ok, eu não entendo essa coisa toda de roubar bases.
É como trapacear.
Normalmente, eu riria, mas, em vez disso, estou mais interessado no
que ele fará se eu mover minha mão para baixo e der um impulso forte no
meu pau.
Ollie olha para ele por meio segundo antes de se concentrar
novamente no jogo.
─O que está fazendo?
─Assando um bolo. O que está fazendo?
─Querendo saber por que você está fazendo... isso em vez de assistir
beisebol.
─Fazendo o que?─ Eu dou em meu pau outro golpe.
─Lennon─, ele avisa.
─Lembra da primeira vez que ficamos juntos, mas não nos foi
permitido tocar?
O pomo de Adão salta.
─Sim.
─Lembra como foi gostoso?
─Beisebol─, Ollie deixa escapar.
Minha mão para e inclino minha cabeça em direção a ele.
—O quê?
Ele limpa a garganta.
─Deveríamos estar assistindo beisebol.
─Masturbar parece mais divertido.─ Eu realmente quero perguntar o
que ele está fazendo, mas é claro que ele não vai me dizer sem um pequeno
incentivo.
Volto a me acariciar e uso minha mão livre para abaixar e apertar meu
saco. Eu jogo minha cabeça para trás e gemo enquanto passo de brincar
preguiçosamente com meu pau para esfrega-lo até que o formigamento de
um orgasmo iminente encha minhas bolas.
─Foda-se─, Ollie assobia. Ele pega o telefone e aperta um botão,
depois pega o laptop e o coloca ao lado da cama.
Leva um segundo para registrar a coisa do telefone.
─Espere, o que você acabou de fazer no seu telefone?─ Eu pergunto,
minhas mãos parando.
— Nada. Mais tarde eu conto.
─Uh, não, você vai me dizer agora. Ou o show termina.─ Para provar
meu argumento, paro de me tocar completamente e levanto minhas mãos.
─Ugh. Tudo bem.─ Ollie pega o telefone e aperta um botão.
Minha voz sai do minúsculo alto-falante do telefone. ─Eu entendi. É o
seu plano de me torturar o dia todo.
─Você estava gravando?─ Por que diabos ele faria isso?
─Apenas vozes. Sem vídeo Por mais tentador que fosse com essa
visão.─ O olhar de Ollie cai para minha virilha novamente. ─Mas ouça.─
Ele move a gravação até falarmos sobre o jogo no laptop.
Nossas brincadeiras - embora principalmente sexuais - são fáceis e
fluentes, e eu pareço saber do que estou falando. Digo, eu sei do que estou
falando, mas sempre que tentei colocar meus pensamentos de propósito,
digamos praticar diante de um espelho para uma posição no ar, pareço
rígido e formal e desenvolvo uma gagueira que me faz parecer inseguro.
─Você foi feito para fazer isso─, diz Ollie. ─Quando você está
relaxado e sem pensar, você é engraçado e tem esse charme carismático da
maneira como fala. Suas opiniões parecem fatos, e eu sei que você pode
fazer isso.
─É-é por isso que você fez isso?
─Eu queria mostrar a você que, se começarmos devagar e praticarmos
enquanto você estiver sendo gravado conscientemente, talvez você consiga
superar seu medo do palco. Poderíamos fazer isso em etapas, como talvez
iniciar um podcast ou algo assim. Durante a entressafra, eu poderia ajudá-
lo a comentar sobre beisebol ou podemos revisar a última temporada de
futebol ou… Não sei, estou lançando ideias.
─Você ... você quer começar um podcast comigo. Para falar sobre
esportes. Um que não o seu.
─Bem, seria um pouco tendencioso criticar outros times de hóquei
enquanto eu ainda estou jogando. Além disso, se eu disser que alguém está
em crise, também posso pintar um alvo nas minhas costas no gelo.
Nego com a cabeça.
─Não foi isso... o que eu quis dizer. Você está disposto a fazer isso por
mim só porque sabe que não tenho coragem de fazer algo assim sozinho.
Ollie passa a mão pelos cabelos.
─Bem, sim, sim. Porque eu amo você e quero que você tenha as três
coisas mais importantes da vida. Eu, o emprego dos seus sonhos e
felicidade. Você já colocou seu outro emprego dos sonhos em espera uma
vez antes por mim, então não vejo por que não deveria ajudá-lo da maneira
que puder para conseguir este.
─Porra, Ollie.
Ele faz uma careta.
─Isso soou choroso. Por que você está assim?
─Porque isso... isso é mais perfeito do que qualquer voto de
casamento. Mais precioso do que simplesmente dizer eu te amo.
Este é o gesto perfeito e ainda não tenho nada.
─Eu amo você─, diz Ollie. ─Mais que tudo.
─Eu também te amo.
Seu rosto se ilumina.
─Ótimo. Podemos nos masturbar juntos agora?
Eu rio.
─O momento mais romântico da minha vida termina assim.
─É isso que você ganha por me querer pelo resto da vida.
─Pequenos vislumbres de romance e ofertas de punhetas?─ Hmm,
isso realmente não parece a pior coisa do mundo.
─Eu coloquei o romance na foda.
─Isso soa como um oxímoro.
─Como você me chamou?─ Ollie exclama.
Eu rio de novo.
─Você é um pateta.
─Um pateta que é sexy e gostoso e está prestes a se masturbar na sua
frente.─ A camisa de Ollie desaparece, seus músculos ondulantes fazendo
as tatuagens ao longo dos braços, ombros e peito parecerem que estão
dançando ao longo de sua pele.
Seu short vai em seguida, e ele não está usando cueca. Ele deve ter
pelo menos imaginado que era para onde aquilo ia acabar - conosco nus
novamente.
─Mesmas regras da primeira vez que fizemos isso?─ pergunto.
—O cacete que não. Eu preciso beijar você.
Ollie rola seu grande corpo em minha direção e se inclina.
Sua boca captura a minha enquanto sua mão serpenteia até seu pênis.
Eu amo sua língua, a sensação de seu corpo grande perto do meu, e
tudo o que eu quero fazer é olhar para ele e seu pau impressionante. Ama-
lo.
Eu amo tudo sobre Ollie.
Tudo.
Enquanto ele se empurra, sua mão bate no lado da minha perna
repetidamente, o que só me excita mais.
Eu sei que se eu chegar perto do meu pau, não vou durar. Não depois
do jeito que Ollie me tocou no chuveiro, e definitivamente não depois de me
provocar para puni-lo. Eu sempre esqueço que provocar resulta em mais
frustração da minha parte.
Ollie recua.
─Você vai participar disso?
Eu o empurro de costas e subo em cima dele, montando em suas
coxas.
─Eu posso querer assistir você um pouco.
Seus olhos castanhos brilham em diversão.
─Quanto tempo você acha que pode durar sem se tocar?
─Isso não é um desafio que vou aceitar agora.─ Estou com dor e
carente, e neste momento tenho certeza de que provavelmente poderia
gozar só observando-o.
Especialmente quando seus grandes músculos estremecem quando
ele solta uma respiração rouca quando continua a acariciar-se da ponta à
raiz.
Ollie é e sempre foi minha fantasia final. Um atleta poderoso e
masculino com um coração de ouro.
Não posso deixar de admirá-lo em toda a sua glória física.
Eu passo a mão sobre seu peito impressionante e desço suas
tatuagens intrincadas em seu braço.
─Tudo isso é meu.
Ollie bufa uma risada, mas assente.
─Todo seu.─ Seus lábios permanecem separados, e eu sei o que ele
sente. Eu sei que ele está perto.
Inclino-me e o beijo novamente, assim que pego meu próprio pau
para terminar isso.
Não demora muito.
Ollie está grunhindo enquanto eu engulo os sons profundos e guturais
que ele faz. Isso me leva ao limite até que nós dois estamos confusos e
ofegantes.
Dizem que a mente de um homem nunca fica mais clara do que
depois que ele goza, e quando encontro energia para me sentar, minhas
coxas ainda agarradas à pele suada de Ollie, a resposta para o meu grande
gesto sempre esteve bem diante dos meus olhos.
E agora, está pintado de gozo.
Capítulo Dezesseis
Ollie
Lennon tinha um sorriso estranho no rosto há dias.
É verdade que não estivemos fazendo muito além de ficar em nossa
cabana, acordando tarde, passando os dias na praia e, finalmente, tirando
férias de verdade.
A primeira semana foi louca por atividades em grupo, mas agora
nosso tempo no paraíso está acabando, todos nós nos separamos para fazer
nossas próprias coisas.
Depois de quase duas semanas me permitindo relaxar o suficiente
para não querer voltar à minha rigorosa dieta e rotina de exercícios, estou
quase pronto para casa. A felicidade de relaxar ao sol e comer dez vezes
mais calorias do que estou trabalhando tem que terminar mais cedo ou
mais tarde - quanto mais cedo melhor ou a pré-temporada vai me matar.
Hoje, Lennon me levou para o continente para uma surpresa, e não
tenho ideia do que poderia ser. Todos os meus palpites sobre passeios em
cavernas, encontros com tubarões e mergulho em penhascos são
ridicularizados.
Joni nos deixa em Suva, e depois pegamos um táxi para algum
endereço que Lennon mostra ao motorista em seu telefone.
A cada cinco minutos, penso em outra coisa até que minhas
suposições nem fazem mais sentido. Como perseguir tartarugas marinhas
para manter como animais de estimação. No entanto, isso seria bem legal.
Eu chamaria a minha de Shelly.
Mas claramente não é isso quando estamos nos afastando da praia.
Além disso, você sabe, não é legal.
Quando o carro finalmente para em uma rua turística e saímos, paro
quando vejo qual é o plano. É difícil perder quando está iluminado em
neon.
Tatuagem
─Lennon...
Meu primeiro pensamento é que Max e Ash me matariam se eu
pegasse tinta de alguém além deles. Meu segundo pensamento é que
Lennon está me comprando uma tatuagem, e isso aquece meu coração o
suficiente para esquecer Max e Ash e o que eles podem dizer.
─Antes que você me diga que não pode trair seu irmão e conseguir
tinta de outra pessoa, liguei para Max.
Minha testa se contrai.
─Você ligou para o meu irmão. O irmão que é casado com meu ex-
namorado. Enquanto você é meu namorado atual.
As coisas entre Max, Ash, eu e Lennon estão melhorando. Somos
sempre civis, mas ainda é tão estranho. Não há ressentimento de nenhuma
de nossas partes, mas nos vermos apenas algumas vezes por ano ajuda.
Lennon ri.
─Sim. Eu telefonei. Ele recomendou este lugar. Então...─ Ele
gesticula para eu entrar.
O local parece limpo - bônus - e as paredes são cobertas por designs
complexos e difíceis.
─O que você está me comprando?─ Eu pergunto enquanto olho para
alguns padrões tribais de Fiji.
─Oh, vamos usar seu cartão de crédito, Sr. Sacos de Dinheiro.
Eu sorrio.
─Eu estou bem com isso, mas que design? Ooh, uma tartaruga.─ Eu
corro meu dedo sobre isso.
—Não. Temos nossos próprios projetos.
Abaixo minha mão.
─Espere, nós?
O sorriso que ilumina o rosto de Lennon me deixa sem fôlego.
Um grandalhão coberto de tatuagens tribais aparece em uma sala dos
fundos.
─Ah, vocês devem ser Ollie e Lennon. Eu sou Adi. Quem é o
primeiro?
─Sou eu─, diz Lennon. ─Antes que eu perca a coragem.─ Sua risada
revela como ele está nervoso.
─Espera aí. Você está fazendo uma tatuagem para mim?
Lennon olha para o cara.
─Hmm...
O cara sorri.
─Depois de conversar com você sobre os desenhos, achei que vocês
dois estavam juntos. Amor é amor. Simples assim. Você pode falar
livremente. Mas se você precisar de um minuto ...
─Obrigado─, diz Lennon.
— Sem problemas. Apenas me dê um grito quando estiver pronto.
Lennon se aproxima lentamente, e seu rosto faz aquela coisa em que
ele está tentando encontrar as palavras certas. Ele o tem quase
constantemente enquanto escreve seus artigos.
─Eu tenho tentado pensar em uma maneira de mostrar a você como
sou grato por ter você em minha vida. Nós dois concordamos na outra noite
sobre o que não precisamos, mas não dissemos o que precisamos. Vamos
usar pelo menos um símbolo.
─Tatuagens de vibrador correspondentes?─ Eu brinco, porque sinto
que ele está pirando achando que eu não vou gostar disso. Mas vou amar
isto.
Lennon ri.
─Não dildos. Você vai ver. Seu irmão projetou algo para nós.
─E você está fazendo isso só para mim? Mesmo que você tenha se
recusado a fazer uma tatuagem o tempo todo que eu o conheço.
Saber que ele está disposto a fazer isso por mim - e somente eu - é
melhor do que qualquer coisa que eu poderia ter pedido.
─Não. Estou fazendo isso por nós. Podemos não ser pessoas de
casamento ou família, mas isso… É um pedaço um do outro que precisamos
dar.
─Você me dando um pedaço de sua pele virgem é a coisa mais
estranha e romântica que alguém já fez por mim.
─Bem, quando você coloca assim, não soa como o grande gesto
romântico que pensei que fosse.
Eu o puxo contra mim.
─Não, é perfeito.
─Você ainda não viu os desenhos.─ Ele sorri. ─Ah, e eu esqueci de
acrescentar que você não vai até que estarem terminados.
O pânico menor tenta dominar, mas logicamente, eu conheço meu
irmão. Tinta é a vida dele, e não há como ele deixar alguém tatuar algo que
não se encaixa em sua tela que ele e Ash pintam desde que eu tinha dezoito
anos.
Então, eu faço uma expressão corajosa e finjo que não estou nem um
pouco preocupado. O que eu não sou.
Não.
Nem mesmo um pouco.
Ok, totalmente um pouco, mas eu posso lidar com isso.
─Posso ver o seu primeiro?─ pergunto.
─Talvez depois que o estêncil for aplicado.─ Ele se vira e chama Adi.
─Ok, estamos prontos.
O grandalhão fijiano reaparece e leva Lennon de volta, enquanto
espero um tempo terrivelmente longo para que um estêncil seja colocado
no lugar.
Acabo andando pela pequena área de recepção, tentando me distrair
olhando o portfólio desse cara.
Quando eles finalmente me chamam, eu entro na sala e encontro
Lennon sem camisa na cadeira, com o braço esquerdo acima da cabeça.
Eu dou a volta na cadeira e solto uma risadinha, não apenas do que
ele está recebendo, mas de quão grande é.
─Cresça ou vá para casa, certo?─ Lennon diz, sua voz trêmula.
Ali, em sua caixa torácica, há um taco de hóquei, skate, disco e o
número dezoito. Número da minha camisa. A peça inteira é do tamanho da
minha mão.
─Vai ser ruim se eu trocar de time e conseguir um novo número.─
Provavelmente não é a primeira coisa que devo dizer quando recebo algo
tão impressionante. Ops.
Lennon me olha através daqueles óculos nerds dele.
─Esse era seu número quando nos conhecemos e quando ficamos
juntos. Eu estou mantendo.
─Você diz isso como se as tatuagens pudessem sair com refrigerante.
─Espere, não é assim que as tatuagens funcionam?
Eu tento esconder meu sorriso.
─Você tem certeza que quer isso tão grande? Primeira tatuagem. Vai
doer.
─Eu posso aguentar...
Vamos ver quanto tempo ele dura.
Para dar crédito, ele dura cerca de uma hora antes de começar a
reclamar. O que é basicamente quando apenas o esboço está feito.
─O sombreamento vai ser pior─, eu o aviso.
O pobre Lennon parece que vai vomitar.
─Precisa fazer uma pausa?─ Adi pergunta.
Meu corajoso namorado balança a cabeça.
─Não, continue. Apenas faça ou eu estou preocupado de não
terminar.
─Oh, Max amarraria você na cadeira em casa para fazer isso.
─Eu não duvido─, diz Lennon.
Quando seus olhos começam a lacrimejar outra hora depois, eu fico
ao lado dele e seguro sua mão.
Adi ergue os olhos do trabalho.
─Está quase pronto.
Lennon vira a cabeça em minha direção.
─Como você fez isso─ - ele gesticula para o meu corpo tatuado -
─tantas vezes?
─Eu era a cobaia de Ash e Max. Todas essas peças evoluíram ao longo
de alguns anos e muitas sessões diferentes.
─Seu irmão é super talentoso─, diz Adi. ─Eu não acreditava que era
ele quando ligou.
─Meu irmão é famoso?─ pergunto.
─No mundo da tatuagem? Inferno, sim, ele é.─ Adi afasta o olhar de
Lennon por uma fração de segundo para observar minhas tatuagens. ─Não
acredito que posso pintar os desenhos dele em você. Principalmente todos
os pedidos que recebemos aqui são coisas turísticas. Tartarugas bonitinhas
e merda assim.
Estou ofendido.
Quando Lennon finalmente termina e sua tatuagem está coberta com
um curativo respirável, ele sai da cadeira e desliza a camiseta de volta com
um estremecimento.
Adi troca de agulhas e está pronto para mim, enquanto Lennon tira
uma venda do bolso de trás.
─Você esteve sentado nisso o tempo todo?
─Sim.─ Ele está positivamente alegre para um cara que supostamente
está sofrendo. ─Camisa fora.
Com um suspiro, tiro a camisa e me sento no banco.
Lennon desliza a venda.
─Posso solicitar algo?─ pergunto.
─Estou sob instruções estritas do seu irmão sobre o que fazer e onde
colocá-la.
Eu xingo.
─É claro. Fiquei me perguntando se é uma tatuagem que poderia
colocar um pouco de cor?
─Mas nenhuma de suas tatuagens tem cor─, diz Lennon.
Estendo cegamente minha mão até que ele a segura.
─Mas é a sua tatuagem. Eu quero cores.
─Eu posso colocar cores─, diz Adi. ─Mas se o seu irmão perguntar,
você me forçou, sim?
Eu rio.
─Totalmente forçando você. Torcendo seu braço.
Lennon segura minha mão enquanto Adi coloca o estêncil na minha
pele.
Está do meu lado esquerdo, logo abaixo do meu peito ao longo das
minhas costelas. Está mais perto do meu coração do que a de Lennon
estava, mas ainda está em uma área semelhante à dele.
O zumbido da pistola de tatuagem não é novidade para mim; nem é a
dor irritante das agulhas. Eu poderia dormir nessa cadeira.
Minha tatuagem leva metade do tempo da de Lennon, a menos que eu
realmente tenha caído no sono, ou talvez a venda tenha distorcido todo o
meu senso de tempo.
De qualquer maneira, quando Adi diz que terminou e enxuga o
sangue e me limpa, os nervos ficam na boca do estômago.
Então me lembro de confiar em Max e em Lennon.
─Você está pronto para vê-la?─ Meu namorado.
─Mais que pronto.─ Ainda posso ou não estar fingindo meu nível de
confiança.
Você pensaria que depois que eu fiz uma tatuagem com meu ex, eu
ficaria com medo de ir para lá novamente, mas a coisa com minhas
tatuagens é que todas significam alguma coisa. Minha tatuagem com Ash
representa os quatro anos que tivemos juntos - os bons e os maus
momentos. Em um braço, tenho uma tatuagem de nó celta que representa
minha família. Meus quatro irmãos e meus pais. Eu tenho um relógio para
representar a paciência e uma pomba para representar a liberdade. Essa
nova tatuagem, a representação de Lennon na minha vida... é a tatuagem
mais importante que eu já tive.
Por isso pedi que fosse colorida.
Lennon remove minha venda e Adi me entrega um pequeno espelho.
Uma risada me escapa - uma risada profunda e calorosa que tem uma
mente própria.
Porque o que eles escolheram é tão... familiar. Estou surpreso por não
ter adivinhado.
É um logotipo do Super-homem com óculos de Clark Kent.
─Eu-está ... o-ok?─ Lennon pergunta.
—Você está brincando comigo? É perfeita.
─Eu não tinha tanta certeza disso... Coisa do super-homem. Os
óculos, eu entendo. Superman...
─Lennon.─ Eu pego a mão dele. ─Você pode parecer Clark Kent, mas
você é o Super-homem para mim. Você é altruísta e forte. Você pode não
estar salvando Gotham ...
─Metropolis. Deus, você não pode nem ler direito, atleta.
Eu rio.
─Bem, você é meu nerd, meu Clark... meu Super-homem.─ Olho para
o meu lado novamente. ─Isso representa perfeitamente como eu te vejo na
minha vida.
─Melhor do que uma certidão de casamento e alianças?
─Eu não preciso de nenhuma dessas coisas. Temos tudo o que
precisamos aqui.─ Eu gentilmente coloco minha mão sobre o curativo.
O sorriso de Lennon é ofuscante.
─Você, emprego dos sonhos e felicidade.
─Vou garantir que você tenha tudo.
É um voto que não tenho problemas em fazer.
IV
TALON E MILLER
Capítulo Dezessete
MILLER
O sol bate na minha pele nua, a única parte que não superaquece é a
pequena área coberta pelos meus minúsculos calções de banho. Não que eu
me importe.
Estou em um iate de oito pontos e nove milhões de dólares ancorado
na costa de Fiji, deitado em uma espreguiçadeira, com a cerveja na mão, e
Talon e eu temos tudo à nossa disposição.
Eu posso sentir o olhar de Damon sem precisar virar a cabeça.
—O quê?
─Quando vocês disseram que fariam sua despedida de solteiro aqui,
não era isso que eu pensei que estaríamos fazendo.
Essa é minha ideia de uma despedida de solteiro. Relaxando, sem
nada para fazer.
Claramente, meu noivo não se sente da mesma maneira. Ele está
balançando com uma corda na lateral do iate como se fosse um aspirante a
Tarzan e caindo como um canhão na água abaixo.
─Talon perguntou a Joni e Ema sobre clubes de strip-tease.
Aparentemente, Fiji não é esse tipo de lugar.
─Eh... Isso é melhor de qualquer maneira─. Damon leva a cerveja aos
lábios. ─Apenas não é o que eu esperava.
─Sim, é tudo divertido até o seu cliente mais bem pago quebrar o
pescoço dele pulando deste barco, e então a NFL vai processar sua bunda e
eu serei viúvo antes mesmo de nos casarmos.
Ei, pelo menos então não terei que contar a Talon o que tenho
escondido dele.
Damon me olha de lado.
─De alguma forma, acho que não serão os esportes radicais que o
matarão.
Exatamente.
─Não vou pensar nisso enquanto estivermos de férias.
─Você precisa contar a ele antes que ele descubra de outra pessoa.
Nego com a cabeça.
─Eu não posso. Eu apenas ... não posso. Você não entende. Isso é uma
traição de mais alto grau.
─Muito dramático? Não é como se você o traiu.
─Eu acho que ele seria mais rápido em perdoar por trai-lo do que... a
palavra com A.
─Você nem pode dizer, pode?─ Ele se inclina para mais perto. ─
Aposentadoria.
─Shhhh─. Sento-me e giro na direção em que Talon está.
Meu homem lindo sorri e acena para mim antes de pular novamente.
Ótimo. Ele não ouviu.
Damon e eu já decidimos, como equipe, que minha carreira está
concluída no final da próxima temporada. Ele nem vai tentar me conseguir
outro contrato.
─Talon vai entender. Especialmente quando você disser a ele que sua
perna não está cem por cento. Ele não suspeitou de nada quando você se
recusou a praticar wakeboard no outro dia?
Sair dessa foi fácil ao alegar que me sentia mal, considerando que eu
vomitei em todos os lugares de enjoo no final do dia.
─Não. Ele pensou que eu estava doente. O que era tecnicamente
verdade. Mas se eu disser a ele que não tenho fé que minha perna vai
aguentar, tudo o que vai acontecer é ele se preocupar e depois me enviar a
vários médicos diferentes para tentar encontrar aquele que recomende eu
não me aposentar e que eu ficarei bem.
—Ele não vai. Sua saúde vem primeiro. E sim, você provavelmente
ainda tem algumas temporadas, mas precisa pensar no seu futuro. E se
você levar um forte golpe? Ele de todas as pessoas conhece lesões
esportivas. Sua perna sempre será mais fraca do que antes, e sua lesão há
três anos reduziu sua carreira em pelo menos vinte por cento. Talon
logicamente saberia disso.
É a minha vez de olhá-lo de lado.
─Estou julgando você agora.
─Uh, por quê?
─Porque você junta as palavras Talon e lógica na mesma frase.
─Quanto tempo você realmente acha que pode esconder isso dele?
─Toda vez que isso surgir, eu posso chupa-lo. Ele gosta quando eu
faço isso.
Damon ri.
─E quando seus treinadores disserem na frente de todos no vestiário?
─Se houver mais homofóbicos à espreita no time, eles terão um show
incrível.
─Miller.
─Vou contar a ele, mas ainda não. Talvez no caminho de volta ao
mundo real em dois dias.
Damon se aproxima e dá um tapinha no meu joelho.
─Apenas lembre-se, mais cedo ou mais tarde. Pelo menos antes do
campo de treinamento. É a sua última temporada juntos. Faça valer a pena.
Valer a pena?
Toda a minha carreira valeu a pena, mas as últimas três temporadas
de volta ao campo com Talon foram indescritíveis. Não quero deixar para
trás, mas conheço meus limites. Tive a sorte de voltar depois da minha
lesão, e só tenho a agradecer a Talon por isso.
Manter isso em segredo de Talon é idiota, e esgueirar-me para os
médicos pelas costas dele não foi fácil. Mas eu não quero que ele se
preocupe, e não quero que ele pressione por algo que eu já decidi contra.
Minha carreira no futebol acabou. Eu tenho mais uma temporada, e é
isso.
Algumas semanas antes de vir de férias, usei a desculpa de ir para
casa ver minha mãe, irmã e sobrinha, mas, em vez disso, encontrei a
médica que fez minhas cirurgias.
Depois de alguns testes, ela me garantiu que minha perna está bem e
que os beliscões podem ser causados pelos danos nos nervos causados pelas
lesões e pelas cirurgias, mas tive que perguntar por que a dor só começou
nesta última temporada.
A resposta dela? Às vezes acontece. Um fisioterapeuta poderá ajudar.
Obrigado, Doutora. Por quantos anos você estudou para chegar a essa
explicação?
Segundo ela, eu ainda estou bem. Eu ainda estou saudável. Coloquei
muita pressão na minha perna desde a lesão, mas está aguentando. Por
enquanto.
No entanto, toda pontada, todo treino, a dúvida de que continuará
assim fica cada vez mais alta.
─Diga a ele─, diz Damon e se levanta. ─De preferência antes do
campo de treinamento no próximo mês. Eu vou encontrar Maddy.
Eu sei que Damon está certo. Eu só não quero fazer isso.
Talon e eu realizamos nosso sonho da faculdade - o objetivo final de
vencer um Super Bowl juntos. Para durar apenas mais uma temporada, isso
deixa uma enorme sensação de abandono no meu peito, mas nós dois
temos que perceber que nada pode durar para sempre. Especialmente
carreiras da NFL.
Oito anos é uma façanha incrível. Mesmo que eu estivesse apenas em
uma equipe de treinamento por dois anos e com uma lesão por um. Eles
ainda contam. Mesmo tirando isso, ainda são cinco e são mais do que
muitos jogadores conseguem.
Eu não deveria sentir vergonha.
Mas ainda há aquela parte de mim que se lembra de como era se
machucar, e observar da linha lateral com o coração partido.
Talon e eu pertencemos a esse campo, e estou desistindo muito antes
do que esperava ou queria, mas meu instinto está me dizendo que é hora.
Com Matt e Noah tendo filhos, isso está me fazendo pensar sobre
como será o meu futuro com Talon.
O casamento é um dado adquirido, e acho que Talon seria um pai
incrível. Ele entenderia nossos filhos no nível mais básico, porque ele ainda
é uma criança.
Caso em questão: com um sorriso enorme, ele sobe ao lado do barco e
aparece na minha frente, molhado.
Eu sei o que ele vai fazer antes que ele faça a sua jogada.
─Nem pensar.
Ele sobe em cima de mim de qualquer maneira.
─O que?
Eu resmungo.
─Isso.
─Deixar você todo molhado?
Eu nem posso ficar bravo quando ele se esfrega em mim.
─Você tem que tornar tudo sexual?
─Você não me conhece? Além disso, isso não é nada.─ Talon mói seus
quadris enquanto sua mão serpenteia entre nós para esfregar meu pau
sobre meu short. Um toque do meu homem e eu estou duro e ansioso por
isso.
Isso é o que Talon faz comigo.
─Mm, nada, hein?─ pergunto. ─Acha que os outros caras
concordariam se eles subissem aqui agora?
Um dos outros caras responde.
─Não. Isso é absolutamente pornográfico.
Ollie.
Eu nem ouvi ninguém chegar. É difícil quando Talon está me tocando.
Eu garanto que é assim que vamos morrer. Haverá algum grande desastre
natural, mas Talon e eu estaremos ocupados demais fodendo para
evacuar... Mortos.
Não é o pior caminho a percorrer.
Em vez de sair de cima de mim, Talon me provoca mais.
─Você sabe que gostamos de uma audiência.
Ollie ri.
—Passo essa, valeu. Só voltei aqui para pegar uma toalha. No entanto,
estou começando a pensar que esse grupo está um pouco próximo demais
para meu conforto. Soren viu Maddox e Damon, que viram eu e Lennon, e
agora eu vi vocês dois.
─Talon viu Matt e Noah─, eu forneço prestativamente.
─É o ciclo da vida... ou da foda ... algo assim.─ Talon vira a cabeça em
direção a Ollie. ─E se você não se apressar e sair daqui, verá muito mais.
Ollie levanta a toalha.
─Estou fora.
Talon afasta os cabelos do rosto, chicoteando mais água em cima de
mim.
─Agora que ele se foi ...─ Ele coloca a mão no meu short, dando ao
meu pau uma forte esfregada.
─Provavelmente, um dos outros será o próximo.
─Então deixe-os ver.
─Ou então, poderíamos visitar um dos seis quartos e usá-lo bem.
Ele abaixa os lábios no meu ouvido e sussurra: ─Onde está a diversão
nisso?
─Você está dizendo que sexo comigo sozinho, em uma sala privada,
não é divertido?
—Claro que não.─ Ele se afasta de mim.─ Eu mostro pra você.
Ele me ajuda a levantar, mas à medida que avançamos para um nível
mais baixo, a pontada familiar que vem acontecendo desde o final da
temporada passada faz minha perna dobrar.
Estamos na escada, eu caio e não sou pequeno. Tento me salvar
segurando a lateral do barco, mas isso não ajuda.
Caio em cima de Talon e vamos direto ao chão.
─Ai─, diz Talon. ─Mas acho que podemos fazer aqui.─ Ele se
contorce debaixo de mim, e tanto quanto eu amo a sensação de sua bunda
esfregando contra o meu pau, eu percebo que é hora.
─Marc.
Ao usar seu primeiro nome e a seriedade do meu tom, Talon perde
sua atitude brincalhona.
—Qual é o problema?
─Precisamos conversar.─ Eu estremeço quando me levanto e agarro a
grade do barco.
─Você está machucado?─ Talon pula para me ajudar.
Eu digo as palavras que tenho mantido por meses.
─É a minha perna.
No momento em que ele compreende, é como se eu pudesse ver o
estômago de Talon revirar.
—Como é?─ ele resmunga.
─Vai ficar tudo bem com alguma fisioterapia. Eu vi minha cirurgiã
quando fui visitar mamãe há algumas semanas.
Talon franze a testa.
─Você foi a um médico e não me contou?
─Eu não queria que você se preocupasse.
─Bem, muito ruim porque eu estou preocupado.─ A raiva dele é
apenas preocupação, eu sei disso, mas é por isso que não disse a ele para
começar.
—Estou bem. Minha perna está boa para esta temporada.
Os lábios de Talon se retorcem quando minhas palavras correm por
sua mente.
Para esta temporada.
O momento “Oh, porra” está claro em seu rosto.
─Você vai se aposentar.
Quero protestar e negar, mas minha boca não deixa a mentira passar
pelos meus lábios.
─É o passo lógico se estiver preocupado com danos permanentes.
Eu estudo o rosto dele para qualquer um dos surtos que eu estou
esperando, mas não está lá.
─Shane, eu te amo mais do que qualquer coisa neste mundo do
caralho. Mais que futebol. Mais que eu mesmo. E isso é alguma coisa. Mal
posso esperar para casar com você no próximo ano e começar algo novo
com você. Seremos mais uma equipe do que somos agora, o que significa
que preciso confiar em seu julgamento. Se você diz que terminou, terminou.
Espere...
O quê?
─Quem é você e onde está meu noivo?─ Eu acuso.
Talon ri.
─Acho que mereço isso. Eu sei que posso ser insistente e, quando
você se machucou, eu posso ter te pressionado um pouco demais para
voltar, mas também vi a fome em você naquela época. O anseio. Você não
estava pronto para se despedir.
─Eu não estou exatamente pronto agora─, admito, ─mas meu
instinto está me dizendo que preciso. Quero ter filhos com você e quero
poder correr atrás deles.
Talon parece ... surpreso?
─Você quer filhos comigo?
─No futuro, você não quer?
─Não, eu quero. Eu sempre pensei que teria filhos... mas quero dizer,
também pensei que me casaria com uma mulher, então não tinha certeza se
esses planos mudariam com você ou...
─Eu quero.
—Eu também. E, eventualmente, será bom. Talvez quando eu estiver
mais perto da aposentadoria. Eu também quero correr atrás deles.
Eu suspiro zombeteiramente.
─Eu não posso acreditar que essa palavra suja saiu da sua boca com
planos de você fazer isso.
─Bem, quero dizer, eu sei que não posso jogar quando tiver sessenta,
mas você sabe... cinquenta e nove é uma boa idade para me aposentar.
Eu rio.
—É claro.
Talon me puxa para perto e envolve seus braços em volta das minhas
costas.
─Como soam cinco anos?
─Que tal três? Eu posso ficar entediado esperando cinco anos
passarem. Além disso, você estará com trinta e seis se esperarmos mais
cinco anos.
─Não. Deus e eu temos um acordo. Vou parar de envelhecer este ano.
(História verdadeira).
─Oh, então este é o mesmo acordo que você fez com Ele para parar de
amadurecer aos dezoito anos também?
─Exatamente.─ Ele se inclina e beija a ponta do meu nariz. Eu meio
que adoro quando ele faz isso. ─Crianças em três, aposentadoria em cinco?
─Eu posso trabalhar com isso, mas você sabe que não precisa se
aposentar para ter filhos. Muitos outros caras fazem isso.
─Eles fazem, mas eles também reclamam muito durante a temporada
por sentir falta deles. Eu quero ser um pai presente. Além disso, só de
imaginar você segurando um bebezinho pequenininho nos braços? Por isso,
eu desistiria do futebol amanhã se você me pedir.
Eu recuo.
─Olhe para nós maduros e adultos e planejando nosso futuro. Nossas
mães ficariam muito orgulhosas.
—Exatamente. Nós jogamos com tudo na próxima temporada, nós
venceremos, e então... espere, o que você vai fazer nos próximos três anos?
─Eu não tenho a menor ideia, mas estou animado com isso.
Talon não parece tão animado, mas acho que pode ser por estar
entendendo que é isso. Esta é a nossa última temporada juntos em campo.
─Sinto muito por lhe contar durante a nossa despedida de solteiro.
Essa é uma ótima maneira de quebrar o clima.
Talon me abraça novamente.
─Oh, meu pobre e ingênuo noivo. Se você acha que esta é a nossa
despedida de solteiro, você está muito enganado.
Eu suspiro.
─Eu deveria ter adivinhado.
─Certo, você deveria ter. Às vezes é como se você não me conhecesse.
Capítulo Dezoito
TALON
SETE MESES DEPOIS

Aqui estão os peitos e glitter em todos os lugares, e é a melhor coisa


do mundo.
Noah se inclina para acima da música do clube de strip.
─Eu meio que sinto que isso é contra-intuitivo.─ Diz o gay recebendo
uma dança de colo de uma mulher.
Olho a garota moendo em cima dele.
─Para você talvez. Você não precisava aceitar a dança.
Ele encolhe os ombros.
─Eu sempre acho que todos deveriam experimentar as coisas pelo
menos uma vez.
Miller ri.
─E?
Noah entrega à stripper uma nota de cinquenta dólares para sair.
─Não é horrível, mas… Meh
─Meh─, eu zombo. ─Meh, ele diz.
Noah acena com a cabeça em direção ao outro lado do bar.
─Pelo menos Maddox parece estar se divertindo.
Olhamos para um estande semi-privado com uma cortina meio
fechada. Maddox está sentado no colo de Damon enquanto recebe uma
dança de uma das strippers.
Eu rio.
─Divertindo? Parece que ele está no céu.
Quando eu volto para Miller e Noah, Miller está com uma expressão
contemplativa.
—Qual é o problema?─ pergunto.
─Você quer uma?
Eu sei que ele me daria. É apenas uma dança de colo. Mas é muito
perto da nossa antiga vida - aquela em que compartilhávamos mulheres e
eu não sabia dos sentimentos de Miller.
Eu nunca mais quero fazê-lo se sentir assim novamente.
Há uma diferença entre querer algo e precisar de algo. Eu preciso de
Miller como eu preciso de ar. Nada mais. Todo o resto é divertido e
descartável.
Essa parte de nossas vidas foi um grande alerta para minha negação.
Claro, demorou muito tempo para eu descobrir, mas foi. Era negação
embrulhada em sexo. Combinação perigosa.
Pego a mão dele.
─Eu tenho tudo que preciso aqui. Na verdade, eu quero que você me
dê uma dança.
Eu tento puxá-lo para o meu colo, mas ele é pesado e bastante
bêbado, então ele cai de joelhos entre os nossos assentos.
Eu o encaro.
─Isso funciona também.
─Estou meio assustado com o que há neste andar.
Eu rio e o deixo levantar.
─Tudo bem. Você pode me dar uma dança de colo mais tarde.
O que temos é para sempre, e na próxima semana eu provarei a ele ao
dizer nossos votos em frente a cerca de quinhentas pessoas em alguma
cidade pequena em algum lugar de Nova York.
O que estamos fazendo para manter este casamento privado.
Quem já ouviu falar de O'Leary de qualquer forma?
─Onde estão Ollie e Lennon?─ pergunto.
─Eles foram espertos e criaram uma desculpa idiota para chegar
atrasados a um clube de mulheres─, diz Noah.
Eu mordo meus lábios.
─Conveniente.
—Estamos aqui. Chegamos.─ Ollie aparece com Lennon atrás dele.
Eu estreito meus olhos.
─O que estavam fazendo?
A boca de Lennon se abre. Então fecha.
─Eu estava... uh, reunião de trabalho.
Ollie revira os olhos e cutuca o namorado.
─Conte.
—Eu... Eu… Estou iniciando um podcast. Um esportivo. E... Eu estava
com um treinador vocal. Quem eu tenho visto nos últimos seis meses. E ele
acha que estou pronto para começar. E, e, e...
Ollie envolve o braço em torno de Lennon.
─E você será foda.
─Isso é incrível─, diz Miller.
—É. Você será perfeito ─, acrescenta Noah.
Lennon se vira para Miller.
─Eu meio que esperava... que talvez agora que você está aposentado
... que talvez você... você estaria interessado em fazer alguns podcasts
comigo. Como convidado.
─Eu prometo que ele não estará tão gago no ar─, diz Ollie. ─Ele está
apenas nervoso por pedir a você.
Miller olha para mim e acho que estamos compartilhando o mesmo
pensamento. Ofertas como essa estão prestes a acontecer. Muitas delas ele
vai querer aceitar. Mas encontrar alguém que se encaixe na minha agenda
depois que a temporada voltar será difícil de encontrar.
─Você pode fazer isso de Chicago─, diz Lennon. Talvez estejamos
todos compartilhando o mesmo pensamento. ─Não precisamos estar na
mesma sala.
Eu dou um sorriso gigante quando o rosto de Miller se ilumina.
─Então, porra, sim, eu estou dentro. Parece incrível.─ Miller se
levanta e esmaga Lennon em um abraço.
─Todos prontos para sair daqui?─ pergunto. ─Ir a um bar gay para
satisfazer todos os outros, exceto os noivos?
Noah não entende que estou sendo passivo-agressivo. Isso ou ele está
ignorando. Conhecendo-o, provavelmente o último.
─Sim. Finalmente.
Miller fica para trás enquanto todo mundo vai para a saída.
─Você está legal com a coisa do podcast?
─É claro. Parece perfeito.
─Mesmo que eu seja profissional e aponte quando você estragar uma
jogada no campo?
Eu não aceitaria de outro jeito, mas não vou dizer isso a ele. Em vez
disso, estou fazendo a coisa típica do Talon.
─Está tudo bem para mim, porque nós dois sabemos que eu não
estrago nada em campo.─ Eu aponto para mim mesmo. ─Lenda do futebol,
lembra?
—Ah, certo, desculpe… Como poderia esquecer?
Em uníssono, dizemos a mesma coisa, porque ele sabe o que está por
vir.
─Quatro vezes campeão do Super Bowl, muito obrigado.
Eu puxo Miller para perto e o beijo, porque esta é a razão exata pela
qual me casarei com ele. Ele aponta minhas merdas, e eu o amo por isso.
Capítulo Dezenove
MILLER
A brisa passa por nós enquanto Talon dirige o conversível alugado por
estradas estreitas e ventosas.
Deixamos todo o planejamento do casamento para minha mãe e
minha irmã, porque, se dependesse de Talon e eu, o tema seria futebol e
tudo o que serviríamos seria cerveja e churrasco. Seria no nosso quintal e
provavelmente nem oficial, porque esqueceríamos de reservar um
celebrante legal.
Tivemos poucas estipulações para o casamento. Tinha que ser em um
lugar relativamente isolado e pequeno para que os paparazzi não nos
encontrem e que possamos chegar juntos. Nada dessa separação na noite
anterior, como os casamentos tradicionais. Porque vamos ser sinceros,
Talon e eu somos tudo menos tradicionais.
Irônico, considerando todos os nossos amigos, somos os únicos que
terão um casamento real.
Tudo o mais a ver com o dia de hoje foi decidido por outros, e estou
um pouco preocupado com o que vamos encontrar.
Tenho visões de flores e tule em todos os lugares.
Que nojo.
Eu olho para Marcus Talon, ainda vestindo uma camiseta e jeans,
porque ele insistiu que podemos vestir nossos smokings quando chegarmos
lá, em vez de ficarmos desconfortáveis o dia inteiro, e ele me envia um
sorriso tão arrogante, tão brilhante, tão… ele.
Não acredito que meu melhor amigo da faculdade se apaixonou por
mim.
Não acredito que estamos aqui.
—Você está nervoso?─ ele pergunta.
─Não. Você?
─Bem, eu odeio ser o centro das atenções, então...
Eu solto uma risada.
─Mal posso esperar para te chamar de meu marido.
─Prefiro o rótulo de 'o cara com quem você voluntariamente aderiu à
sua vida porque sou muito gostoso e irresistível'.
─Isso não cabe na melhor caneca do mundo.
Eu amo que seja tão fácil entre nós. Eu amo que ele não tenha feito
um grande negócio com a minha aposentadoria ou que eu não sei o que vou
fazer agora além do podcast de Lennon.
Nós teremos filhos daqui a alguns anos, e eu quero estar em casa em
tempo integral para isso, mas até então, não há grandes planos, e eu estou
bem com isso.
Posso dizer que Talon pensa demais em mim, mas quando se trata de
carreiras, ele é o mais sério de nós dois.
É estranho como ele pode mudar do modo brincalhão para o modo
comercial com tanta facilidade e frequência, mas ele não está me forçando a
fazer algo - qualquer coisa - apenas para preencher o meu tempo, e sou
grato por isso.
Estou gostando de não ter nenhuma obrigação pela primeira vez na
vida.
Quando a temporada de futebol começar, provavelmente vou sentir
muita falta, mas me aposentar até agora tem sido bom para mim. Consegui
me concentrar em coisas maiores, como o fato de eu me casar.
Casar.
Talon e eu ainda estamos sorrindo um para o outro quando um
estrondo alto nos faz recuar.
Desviamos na estrada estreita, o carro gira e fico assustado. Mesmo
que ele esteja tentando controlar o carro, Talon estende a mão sobre mim
como se para me proteger.
Se eu não estivesse com medo de morrer agora, eu zombaria dele por
ser superprotetor. O que, na realidade, apenas aquece meu coração que ele
esteja pensando em mim e em minha segurança primeiro.
Agarro o apoio de braço e rezo para não virar. Conversíveis capotando
não tem bons índices de sobrevivência.
Talon consegue controlar o carro, mas é óbvio que algo está errado.
Ele se afasta para o lado com o som revelador nos seguindo.
─Acho que explodimos um pneu─, diz Talon.
─Claro que sim, porque o que é um casamento sem um estouro?
─Bem, vamos esperar que este seja o único.
Saímos do carro, e Talon caminha até o meu lado, onde está o pneu
rasgado.
Eu pego meu telefone.
─Eles têm AAA9 nesta cidade?─ Eu seguro meu telefone no ar. ─Sem
sinal.
─Garoto da cidade.─ Talon diz isso como se não fosse um. Sim, ele
cresceu no Colorado, mas em Denver, Colorado.
Eu cruzo os braços e me inclino contra o carro. Isto vai ser divertido!
─Eu vou fazer isso em cinco minutos no máximo.
Eu sorrio.
─Eu vou te dar dez. Se você perder, o primeiro boquete como casal
casado é meu.
─Tenho certeza de que você não pode trocar posições sexuais pelo
conserto de um carro.
─Hmm, tenho certeza que acabei de fazer.
─Oh, você está tão fodido.─ Talon começa a trabalhar.
No entanto, vinte minutos depois, ele não está nem perto de trocar o
pneu e está uma bagunça.
—Eu desisto.─ Ele respira com dificuldade.
─Você também está coberto de graxa para pneus.
─Eu posso estar coberto de graxa, mas depois do seu boquete, você
também estará.─ Talon tenta se aproximar, mas eu o evito.
─Não temos tempo! E eu disse primeiro boquete como casal casado.
Temos que realmente ir ao casamento para que isso aconteça.
─Se eu tenho que estar todo gorduroso para o casamento, você
também.─ Ele me prende e segura meu rosto com as mãos sujas.
—Eu te odeio.

9 American Automobile Association: associação americana de automóveis


─Não é uma coisa agradável de dizer ao seu futuro marido.─ Talon
continua a me cobrir de graxa moendo contra mim. Está por toda a camisa
e nas pernas da calça onde ele tentou limpar as mãos.
─Deveria. Porque eu quis dizer isso.
Eu deveria me importar que agora estou tão sujo quanto ele.
Mas, como sempre que Talon me toca, está perto de mim, ou inferno,
mesmo olha para mim, eu me perco demais nele para me importar.
Em vez de lutar contra isso, deixo acontecer.
Eu deixo que ele me beije, deixo que ele me pressione contra o carro,
e nem o paro quando ele abre a porta dos fundos e me empurra no banco.
Talon me cobre com seu corpo. Seus quadris rolam, e seu pau duro
esfrega ao longo do meu.
De repente, desejo que não estivéssemos em público ou usando
roupas.
─Vamos nos atrasar para o nosso próprio casamento─, digo entre
beijos. ─Talvez devêssemos começar a andar?
─Não é como se eles pudessem começar sem nós.
Verdade.
—Nesse caso…─ Eu chego entre nós e puxo seu zíper, enfiando minha
mão dentro de sua boxer e segurando seu pau.
─Isso, é por isso que eu vou casar com você.─ Talon empurra na
minha mão.
─Porque eu te dou orgasmos?
─Não. Porque é tão fácil convencer você a me dar orgasmos.
─Eu ficaria totalmente ofendido se pudesse contestar isso, mas não
posso.─ Eu o acaricio com força e rapidez, saboreando a sensação de fricção
no meu próprio pau através do meu jeans.
Talon xinga como ele faz quando está chegando perto.
─A graxa de pneu realmente te deixou com tesão, hein?─ Eu zombo.
—Não.─ Ele resmunga. ─É você. Sempre você.
─Goze em mim. Vamos lá. Nós vamos ter que tomar banho de
qualquer maneira. Em algum lugar. Sabe se o local tem um chuveiro?
Os quadris de Talon estão lentos.
─Meio que quebrando o clima aqui, Shane.
─Desculpa. Ok. Vamos lá. Você vai gozar. Precisa gozar. Em mim.
─Precisa trabalhar nessa sua conversa suja. Apenas fique quieto e
deixe-me gozar.
Uma garganta limpa e leva um segundo para perceber que o som não
veio de nenhum de nós.
Paramos e olhamos para o lado da estrada onde está um policial, com
os braços cruzados como se estivesse tentando parecer sério, mas ele tem
um pequeno sorriso nos lábios.
─Se vocês querem um pouco de privacidade, posso sugerir uma das
grandes trilhas que temos aqui em O'Leary?
Talon sai de cima de mim, calças desfeitas, metade do pênis pra fora.
Uma pequena risada escapa do policial.
─Não tive que prender ninguém por exposição indecente por cerca de
uma semana. Estava na hora, eu acho.
─Desculpe.─ Talon se afasta. ─É o dia do nosso casamento, e hum,
deveríamos estar lá agora, mas o pneu estourou e, hum...
Eu nunca vi Talon lutar por palavras antes, então começo a rir.
O policial tira os óculos escuros e olha entre Talon e eu enquanto me
sento.
─Você é ... e você é...
─Sim─, dizemos ao mesmo tempo.
Ele é capaz de manter qualquer admiração de celebridade sob
controle enquanto volta ao modo profissional.
─Sou o oficial Sloane, mas vocês podem me chamar de Silas. Ou Si.
Ou 'Ei, Policial' também funciona. Vocês precisam de uma mão com o
pneu?
Talon e eu olhamos um para o outro.
─Oh, uh, nós tentamos-
─Ele tentou─, eu corrijo. ─E falhou. Apostei que ele não poderia fazer
isso. Eu estava, hum, prestes a reivindicar a minha vitória quando você se
esgueirou.
O oficial Sloane zomba.
─Me esgueirei? Você não ouviu meu carro parar, a porta do carro se
fechar ou eu me aproximando?
─É óbvio que não.
Ele balança a cabeça negativamente.
─Meu namorado vai rir muito quando eu contar a ele sobre isso.
Começo a entrar em pânico, porque a última coisa que precisamos é
que isso seja divulgado ao público.
─Whoa, espere...
─Não, espere ...─ Talon começa.
Silas acena.
─Ele não vai realmente acreditar em mim. A que horas vocês
precisam estar no casamento? Metade da cidade está fechada por causa
disso.
Eu checo meu telefone.
─Uh, a cerimônia deve começar em trinta minutos.
─Essa é maldição da estrada Camden. Venham, posso levá-los à
cidade e ligar para Joe.
Eu franzo a testa.
─Joe.
─Motorista de reboque. Mas será melhor se eu não disser a ele de
quem é o carro que ele precisa vir buscar. Ele vai cobrar caro de vocês.
─Porque somos ricos?─ Talon pergunta.
—Não. Porque você traiu os Pats assinando com Chicago alguns anos
atrás. Ele ainda não te perdoou. Ele é um grande fã da Nova Inglaterra.
Talon ri.
─Quanto minha traição me custará?
─Pelo menos o dobro.
─Ooh, exorbitante.
─Então, como eu disse, não contaremos a ele.─ Ele gesticula para que
o sigamos. ─Desculpe, o carro da polícia não servirá como uma entrada tão
sofisticada quanto esse.
Nós olhamos de volta para o conversível vermelho brilhante.
—Você está brincando comigo? Talon amará isso ainda mais.
Talon pula de onde está.
─Ótimo. Podemos ligar as sirenes?
Sim, isso é ótimo.
Capítulo Vinte
TALON
Chegar com sirenes? Foda demais.
A comoção chama a atenção, e todos os convidados se viram de seus
assentos no meio de jardins perfeitamente cuidados.
As expressões em seus rostos quando saímos do carro são hilariantes.
Especialmente Damon. Acho que ele pode estar prestes a ter uma coronária
até que lhe dizemos que nosso carro quebrou e que não estamos presos.
─Embora apenas por pouco─, diz Miller rindo.
Somos olhados da cabeça aos pés por quase todo mundo. Miller e eu
estamos sujos, vestindo roupas casuais e de forma alguma parecemos
prontos para nos casar. A cerimônia deve começar daqui a dez minutos.
Então não vai acontecer.
Especialmente quando percebemos que deixamos nossos smokings
no conversível.
─Smokings─, diz Miller, com os olhos arregalados de pânico.
Foda.
─Acho que não podemos nos casar de jeans?─ pergunto. ─Ooh, e se
nos casarmos em nossas roupas íntimas com apenas gravatas-borboleta?
A mãe de Miller, Gloria, parece prestes a me dar um tapa.
─Eu posso voltar para o carro e trazer seus smokings─, diz o policial
Silas.
─Obrigado─, diz Gloria e depois se volta para Miller e eu. ─Por que
diabos vocês dois estão tão sujos?
Silas bufa quando sai.
─Tínhamos um pneu furado─, diz Miller.
Gloria bufa.
─Deixe-me ver se podemos encontrar uma mangueira para vocês.
─Como se fossemos cães?─ pergunto.
─Há um banheiro no quarto onde vocês irão trocar de roupa─, diz a
irmã de Miller. ─Não tem chuveiro, mas tem uma pia. Vamos lá, eu vou
mostrar.
Vanessa nos leva ao prédio principal do local e nos deixa entrar pela
porta lateral.
O quarto está decorado como uma suíte nupcial com salões luxuosos e
laços de tule em todos os lugares.
─Está lá dentro.─ Vanessa aponta. ─E eu vou dizer aos convidados
por que vocês estão atrasados se eles ainda não descobriram.
—Obrigado.─ Miller vai abraçar sua irmã, mas ela se afasta.
─Toque-me todo sujo assim e eu mato você. Você sabe quanto tempo
levei para ficar tão bonita?
─Eu posso supor que foi realmente, realmente, realmente muito
tempo ─, brinca Miller.
Aparentemente, meu noivo tem um desejo de morrer. Vanessa pode
ser assustadora quando ela quer ser.
Em vez de atacar, ela nos diz para nos limpar e depois sai em
disparada.
─Você a ouviu. Deveríamos ficar... limpos.─ Eu sorrio. ─Precisa de
ajuda para se despir?
Miller me dá seu olhar severo que é mais adorável do que resoluto.
─Você não acha que isso nos causou problemas suficientes por um
dia?
Nego com a cabeça.
─Errado. Não é o suficiente. Este é o dia do nosso casamento. Se eu
não posso fazer sexo com você, por que estamos fazendo isso?
─Para prometer nosso amor interminável um pelo outro na frente de
um monte de pessoas que quase nunca vemos sob o pretexto de que elas
são importantes para o que acontece entre você e eu.
— Exatamente. Então, por que não podemos fazer sexo agora?
Miller pensa sobre isso. Ou finge.
─Acho que o carro está a quinze minutos. Vai demorar meia hora até
o policial sexy voltar.
─Você estava checando o policial?
─Você não estava?
─Eu só tenho olhos para você.
Miller é francamente irônico quando diz: ─Uh-huh.
─Tá bom. Acho que ele era bonito.
─Não acredito que você checou outra pessoa. Bruto.
Entramos direto nisso. Eu pisco para ele o mais inocentemente
possível.
─Você sabe que o único cara que realmente liga meu motor é você.
Miller sorri enquanto entra no banheiro, tirando a camisa enquanto
caminha.
─Você vem?
─Eu irei.─ Eu o persigo.
Pego o lubrificante de viagem do bolso de trás e Miller para com as
calças na metade das coxas.
─Sério? Não se lembrou dos smokings, mas você se lembrou do
lubrificante?
─Prioridades.─ Eu esfrego no meu pau e nos meus dedos.
─Eu pensei que você me devia um boquete.
─Decidi te foder.
─Você acha que temos tempo para você me foder?─ Miller deixa cair
sua cueca.
─Eu vou fazer a porra de tempo─, eu rosno.
A ânsia de Miller em seguir o que digo é apenas uma das razões pelas
quais me casarei com ele. Ele se aproxima da pia e se inclina para mim.
─Porra, eu amo você.─ Estou nu e atrás dele em um piscar de olhos.
─Duh.
Eu mordo seu ombro. Beijo sua omoplata. Meus dedos trabalham
dentro de seu rabo apertado.
Eu sei que tenho que ser rápido, então sou um pouco áspero abrindo-
o.
Miller resmunga.
─Jesus, porra.
─Demais?
—Não. Continue.─ Ele abaixa a cabeça contra a parede em frente à
pia. —Não pare.
Meu pau duro mói contra sua bochecha, ficando impaciente.
─Faça─, Miller suspira. ─Faça logo.
Eu removo meus dedos e agarro seus quadris enquanto meu pau
desliza pelo vinco de sua bunda redonda e tensa.
─Vou sentir falta dessa bunda agora que você está aposentado.
Ele se vira e inclina a cabeça.
─O que quer dizer?
Meu pau empurra para dentro, e solto um suspiro lento e longo,
deixando meu pau latejante se acalmar.
─Agora que você não está em uma programação rigorosa de
exercícios, essa bunda apertada vai ficar toda flácida e macia. Então é isso.─
Estendo a mão e passo pelo peito e abdômen esculpidos. ─Você vai ser meu
marshmallow grande e macio.
─Meio que estou perdendo minha ereção aqui.
─Não. Mal posso esperar por isso.─ Eu me inclino sobre ele
novamente e distribuo beijos suaves ao longo de seu ombro e até seu
pescoço enquanto me movo para dentro e para fora dele em um ritmo
lânguido. Ao lado de seu ouvido, sussurro: ─Porque eu vou te amar de
todas as formas, em todas as idades, de qualquer maneira que você seja
pelo resto de nossas vidas.
─Marc.
Meu nome nos lábios de Miller da maneira chorosa e carente que ele
diz ... Eu me afasto e bato dentro dele.
Ele me chama e eu faço de novo.
Miller começa a empurrar para trás, tentando me fazer ir mais rápido.
Seu corpo está implorando por isso, enquanto ele solta gemido agonizante
após gemido.
─Eu prometo─, eu digo, ofegando, ficando sem fôlego agora.
Podemos já estar cobertos de graxa, mas agora também estamos
suados.
─Eu prometo minha vida a você. Eu sei que estamos prestes a ir lá e
dizer isso na frente de todos que conhecemos, mas eu queria lhe contar aqui
e agora. Só nós.
─Eu amo você, Marc.─ O corpo grande e poderoso de Miller treme em
minhas mãos.
Eu me movo para agarrar seu pau.
─Mostre-me. Goze pra mim.
Ele solta, seu corpo se contraindo e cedendo ao mesmo tempo.
Eu continuo a enchê-lo com meu pau até minhas pernas ficarem
fracas e eu gozar dentro dele.
─Te amo─, eu suspiro.
─Limpeza─, resmunga Miller.
Com uma pequena risada, eu o puxo e pego uma toalha de mão em
um gancho na parede e a coloco na água morna.
Miller parece torcido e completamente fodido.
—Então meu trabalho aqui está terminado.─ Não posso esconder
minha presunção, por mais que eu tente.
─Cale a boca─, ele resmunga.
Nós dois estamos com nossas pernas tremulas, mas eu tento ajudar a
limpá-lo o melhor que posso com a toalha que tenho.
Mal temos a chance de nos limpar quando há um barulho alto na
porta do banheiro.
─Depressa─, Vanessa chama.
─Disse que não tínhamos tempo─, diz Miller.
─Ei, tecnicamente tivemos tempo suficiente. Nós apenas não tivemos
tempo suficiente para transar e limpar.
Tentamos nos apressar, mas a graxa é uma droga para lavar. Quem
diria?
Há outro estrondo na porta.
─Smokings estão aqui, e as pessoas estão esperando. Se eu não
estivesse com medo do que veria, eu entraria aí e pegaria vocês.
Sim. Vanessa pode ser assustadora.
─Eu vou buscar o seu agente─, ela ameaça.
Muito assustadora.
─Porra, bom o suficiente.─ Miller usa uma segunda toalha para tentar
se secar, mas na verdade não funciona quando a toalha é pequena e ele é
tão… MILLER. ─Nós vamos ter que secar─. Ele coloca a cueca de volta.
Eu ainda estou tentando tirar graxa de mim.
─Essa merda está em todo lugar.
Miller ri.
─Garoto da cidade.
Eu dou-lhe o dedo.
─A primeira coisa a fazer quando voltarmos ao hotel é tomar banho.
─Claro. Logo depois de eu foder sua bunda. Uma troca é justa.
Mesmo que tenhamos acabado de fazer sexo, meu pau se contrai e
minha bunda aperta, já antecipando esta noite.
─Quanto tempo dura a cerimônia mesmo?
─Não esqueça a recepção também.─ Miller se aproxima. ─Sua bunda
vai ter que esperar pelo menos as próximas oito horas.
─De quem foi a ideia deste casamento?─ Eu resmungo.
─Sua.
─Porra, eu me odeio.
Há uma batida na porta novamente, mas desta vez ela se abre.
Damon entra e cruza os braços.
─Vocês vão se casar hoje ou o quê?
─Sim, sim, estamos saindo.
Damon olha minha forma nua.
─Sem roupas? Não sabia que era esse tipo de casamento. Pelo menos
você dará aos paparazzi algo para fotografar.
Nossas cabeças giram como se desconectadas de nossos corpos.
─Paparazzi?─ Pergunta Miller.
─Ha, sim. Essa foi à minha maneira de dizer isso para vocês. Quando
os seguranças contratados não os deixaram passar pelos portões do local,
alguns subiram a cerca. O policial da cidade está lidando com isso, mas não
se surpreenda se mais aparecerem durante sua caminhada pelo corredor.
Ótimo. Simplesmente ótimo! Tanto pela privacidade de fazer este
casamento fora da cidade.
─Pensem desta forma. Fotos do casamento grátis?
Nós dois olhamos para ele.
─Ok, eu vou me certificar de que não entrem mais paparazzi.
—Conto com você.─ Eu suspiro.
Miller envolve seus braços ao meu redor.
—Tudo bem.
─Isso é irritante.
─É a terceira coisa fora do caminho.
Oi?
─Terceira coisa?
─Você sabe como eles dizem que coisas ruins acontecem em
conjuntos de três? Tivemos o carro quebrado, esquecemos os smokings e
agora paparazzi. Pronto. Todos os obstáculos terminaram agora.─ Ele me
beija suavemente. ─Então, vamos nos vestir e chegar lá.
─Últimos dez minutos como homem solteiro. Tem certeza de que está
pronto?─ pergunto.
—Estou pronto.
Eu também. Mais que pronto.
Capítulo Vinte e Um
MILLER
Talon caminha pelo corredor de seixos primeiro com os pais ao lado
dele, e minha mãe e eu os seguimos. Nenhum de nós queria ficar
“esperando” no final do corredor. Talon e eu começamos essa coisa juntos e
vamos sair daqui juntos, porque é disso que trata este casamento.
Talon e eu. Para sempre.
Eu sempre fui apaixonado por Marcus Talon, e até que ele me beijou
no banheiro do hospital enquanto eu estava cheio de remédios, e eu nem
podia ter certeza de que ele estava realmente me beijando, eu não
acreditava em almas gêmeas.
Agora? Ao estar nesse altar, não tenho dúvidas de que o homem ao
meu lado foi criado para ser meu.
Uma brisa passa pelos jardins luxuriantes, mas não é suficiente para
me impedir de suar nesta roupa.
Talon está mais bonito do que nunca, como sempre fica em um
smoking. Mas, inferno, meu homem fica bem em qualquer coisa.
Seus olhos azuis brilham, mas não da maneira travessa que
costumam fazer. Eles estão vidrados de emoção que acho que não consigo
aguentar sem berrar como um bebê.
Mas quando suas mãos firmes pegam as minhas trêmulas e seguram
firme, ele me castiga e me mantém focado.
O oficiante faz sua parte, falando sobre o amor entre duas almas,
como o amor não discrimina e como a beleza que é o amor abrangente não
vê gênero.
Descreve perfeitamente Talon e eu.
Nossas vidas estão entrelaçadas de alguma forma desde os dezoito
anos de idade. Agora, doze anos depois, estamos selando com uma
promessa.
Quando é hora de fazer meus votos, respiro fundo.
─Eu sei que o casamento não vai ser fácil. Não será um touchdown
em um breakaway ou um passe completo para a end zone.
Existem algumas risadas nas analogias do futebol, mas o que eles
esperavam? Posso estar aposentado, mas sou um jogador de futebol no meu
coração.
─Mas ser casado com você será a coisa mais fácil que eu já fiz, porque
tudo que eu queria desde que te conheci era estar com você. Perto de você.
Não quero nada além de que você seja feliz e estou honrado, humilhado e
ansioso por te chamar de marido.
Os lábios de Talon se curvam um pouquinho, e quando é a sua vez, ele
é o Talon calmo e contido que está no campo. Sempre frio sob pressão.
─Não tenho muitos arrependimentos na vida. Não sou o tipo de
pessoa que se apega ao passado. Mas se eu pudesse voltar e mudar alguma
coisa, mudaria ser tão cego, jovem e burro quando se tratava de você. Você
era meu melhor amigo em toda a faculdade, e eu deveria saber que esse
sentimento vazio no coração quando me formei era por sua causa. Podemos
ter nos perdido por um tempo, mas nos encontramos novamente e eu
nunca mais quero me separar.
Eu não vou chorar. Eu não vou chorar.
Sou um atacante grande, masculino e ofensivo.
Nós não soltamos lagrimas.
Talon continua.
─Nas palavras de um grande filósofo: 'Se você viver cem, quero viver
cem menos um dia, para que nunca tenha que viver sem você.'
Aww porra, eu estou chorando.
Ele se inclina e sussurra: ─Esse grande filósofo é o ursinho Pooh, a
propósito.
Eu apenas caio na risada. Talon do caralho.
Seus votos são ele em poucas palavras.
Trocamos alianças, eu consigo manter meu controle pelo resto da
cerimônia, e depois que nos casamos oficialmente, selamos isso com um
beijo que é manso comparado com o modo como costumamos fazer isso.
Sorte também, porque naquele momento preciso, um fotógrafo, que
não é o contratado, aparece do nada e tira a foto do dinheiro.
As contas desse cara foram pagas para o próximo ano.
Ele sai correndo imediatamente depois, e o policial Silas e um cara
que eu acho que é o nosso florista correm atrás dele. Vamos deixá-los lidar
com isso, porque nada pode nos perturbar agora.
Caminhando de volta pelo corredor com meu marido novinho em
folha, não solto a mão dele nem por um segundo enquanto todo mundo nos
para com parabéns e abraços.
E no final, existem oito caras que são da mesma família que nossos
parentes de sangue.
Nosso agente, Damon. Seu não marido, Maddox. Nosso irmão em
campo, Matt. Noah sarcástico. Meu futuro colega de trabalho, Lennon. Os
jogadores de hóquei, Ollie e Soren, e o irmão mais novo do grupo, Jet.
Todos eles têm sorrisos iguais.
Eles são todos tão importantes para nós.
Desde nossas férias em Fiji, todos nós estivemos espalhados por todo
o país. Nós não nos vemos frequentemente como casais individuais, e muito
menos ficamos juntos na mesma sala como um grupo inteiro.
Talon estende os braços.
—Abraço coletivo!
─Abraço em grupo─, todos dizemos.
Então são muitos braços enquanto formamos um amontoado, e só
posso esperar que a mão na minha bunda pertença ao meu marido.
Um pequeno gemido interrompe nossa festa de amor.
─Aww, essa é minha sobrinha honorária?─ Talon resmunga e se
afasta.
A filha de Matt e Noah, Jackie, se contorce no carrinho.
─Oi, menina.─ Talon a pega. ─Você ficou com ciúmes de todos os
abraços porque ninguém estava prestando atenção em você?
Droga.
Eu não tenho ideia do por que é tão quente, mas é. Aquece meu
coração.
Mal posso esperar que Talon seja pai e que façamos isso juntos.
O bebê abre um sorriso largo para o tio Talon, e Matt e Noah se
derretem atrás dele.
Eles estão tão apaixonados por ela.
Talon se vira para mim.
─Eu posso estar repensando nossa linha do tempo.
Meu rosto se ilumina.
—Sério?
Ele assente com a cabeça.
─Eu quero filhos agora.
Dou um passo à frente.
─Vamos apenas pegar essa.
Matt ri.
─Boa tentativa.─ Ele tira o bebê de Talon.
Eu dou de ombros.
─Valeu a pena tentar.
Noah olha em volta do grupo.
─Então, se Talon e Miller estão tendo filhos, qual de vocês são os
próximos?
Todos os seis colocam o dedo no nariz e dizem: ─Não.
Noah ri.
O fotógrafo oficial do casamento entra no grupo.
─Precisamos começar a tirar as fotos antes de perder a luz.
Talon sorri.
─Você pode começar aqui com esses caras. Eles são a nossa família.
Nós não fizemos a coisa toda da festa de casamento, mas se
tivéssemos, não há dúvida de que esse grupo de caras seria isso.
Ele nos afasta da área da cerimônia para um muro de flores e nos faz
alinhar.
É como pastorear gatos, honestamente.
Mas na agitação de tentar nos organizar, o fotógrafo tira várias. Eu já
sei que a foto que estará emoldurada não será a última foto - aquela em que
estamos todos de pé e sorrindo para a câmera.
Será aquela onde Talon me pegou em uma chave. Que Matt e Noah
estão brigando por causa de sua filha. Maddox e Damon estão se beijando,
Lennon está olhando para Ollie amorosamente, e Jet está enfiando a língua
em Soren enquanto ignora a câmera.
Porque essa é a foto em somos nós.
V
JET E SOREN
Capítulo Vinte e Dois
JET
─Ah, estamos de volta a Fiji ─, diz Soren e estende os braços.
A areia entre os dedos dos pés parece errada, a brisa é estranha, e isso
não parece Fiji. Fiji é o lugar que eu me apaixonei de verdade pela primeira
vez. Amor não confuso, amor não reconfortante, mas amor verdadeiro. O
tipo de merda que os filmes da Disney são feitos.
─Fiji falso─, eu reclamo. —Não é o mesmo.
Soren envolve o braço ao meu redor.
─Ei, é o mais próximo que chegaremos por enquanto.
O palco sonoro decorado para parecer uma praia com ventiladores de
tamanho industrial para criar vento falso não chega nem perto da mesma
sensação das verdadeiras Fiji.
Com a equipe de Soren chegando aos playoffs e depois a turnê da
minha banda começando no minuto em que a Stanley Cup foi vencida - não
por Nova Jersey, desculpe querida - mal tivemos tempo de respirar e muito
menos tirar outras férias.
Inferno, mal temos tempo de ir a Chicago para desejar feliz
aniversário à minha sobrinha. Vamos sair de Los Angeles amanhã para
passar alguns dias com a família antes de começar a etapa europeia da
turnê da Radioactive.
─Vocês dois estão prontos?─ o diretor pergunta.
Estou pronto? Na verdade, não. Esta foi uma ideia estúpida para
começar.
─Tão pronto quanto poderíamos para espalhar nossa história de
amor em todos os lugares para o mundo inteiro ver.
─Aí está o espírito!
Claramente, o diretor precisa que eu levante uma placa de sarcasmo
quando falar.
Quando Harley, meu ex e colega de trabalho nessa música, sugeriu
isso para o videoclipe, eu pensei que a gravadora não aceitaria. A música
em si basicamente grita crise de identidade sexual. É chamada de
“Confusion10” pelo amor de Deus. Colocar um casal do mesmo sexo no
vídeo apenas cimentará.
Não haveria problema com isso se essa música fosse minha e só
minha, mas não é.
A marca Harley Valentine está ligada a ela, e ele passou tantos anos
escondendo sua sexualidade do público.
E enquanto ele ainda está tecnicamente noivo de uma mulher, eu me
pergunto quanto tempo essa fachada vai durar depois que essa música sair.
Honestamente, não me chocaria se a gravadora enterrasse a música e
nunca divulgasse o vídeo. Estou surpreso que tenha chegado tão longe.
Quando a cortaram de seu primeiro álbum solo desde que se separou da
boy band Eleven, eu pensei que ela não veria a luz do dia, mas aqui
estamos, prestes a lançá-la ao mundo como uma surpresa.
Soren e eu sentamos em um jet ski na frente de uma tela verde.

10 Confusão
Uma das minhas estipulações para este vídeo foi que Soren
aparecesse comigo. Eu não queria um modelo aleatório, especialmente
quando o storyboard é sobre nos apaixonarmos enquanto o “personagem”
de Harley assiste do lado de fora.
Não é exatamente como aconteceu na vida real, mas perto o
suficiente. Além disso, seria estranho pra caralho, mas isso é outra questão.
Originalmente, eu disse não à ideia toda, porque não queria me
envolver em seus jogos publicitários, mas quando mencionei a Soren, ele
aproveitou a chance. Disse que seria algo legal para mostrar aos netos.
É claro que isso me fez tropeçar, porque, para ter netos, precisamos
ter filhos de verdade.
Ele disse: ─No futuro. Duh.
Ele não falou sobre isso desde então.
Não sei se devo cuidar de outra pessoa. Eu mal posso cuidar de mim
mesmo. Sou alérgico à responsabilidade.
Alguns meses atrás, no casamento de Talon e Miller, Soren foi um dos
primeiros a dizer não às crianças.
Agora, de repente, temos netos hipotéticos.
Eu não disse nada. É para o futuro eu lidar com isso.
Os braços de Soren descem pelo meu torso nu.
─Ei, o que isso lembra você?
─Pare de me tocar, porra. Não posso gostar desse vídeo.
É tarde demais. Não consigo deixar de pensar em nosso tempo em
Fiji. O vento no meu cabelo enquanto nós acelerávamos através da água. A
mão de Soren no meu short, acariciando meu pau até que eu gozei por todo
lado.
─Deus, eu te odeio─, murmuro e tento pensar em coisas não sexuais.
Como meus irmãos. Umm, frango. Meus irmãos comendo frango.
Ok, isso funciona.
O diretor se aproxima de nós.
─Muito bem pessoal. Vamos executar a reprodução, mas não quero
que você faça uma sincronização labial nessa parte.
─O que vamos fazer, então?─ pergunto.
─Quero que você olhe para o seu parceiro e, Soren, você precisa se
inclinar um pouco para frente para captar a luz certa. Vai parecer estranho,
mas é melhor para a câmera. Vocês devem parecer prestes a se beijar sem
realmente se beijar.
Soren sorri.
─Não sei se será possível não beijá-lo quando ele estiver tão perto,
mas vou tentar.
O diretor bufa impaciente e volta atrás da câmera.
Eu dou uma cotovelada nele.
─Precisamos ser profissionais.
─Ei, você é o músico aqui. Eu sou apenas um extra neste vídeo.
─Se você me distrair, ficaremos aqui a noite toda, então, por favor, se
comporte?
Os lábios de Soren franzem.
─Geralmente não sou eu a dizer isso? Oh meu Deus, como o mundo
gira. É assim que é ser você? Eu poderia me acostumar com isso.─ Ele
brinca passando a mão pelo meu lado.
Eu tremo com seu toque e recuo quando ele bate em um lugar que eu
tenho cócegas, e fico frustrado por não podermos sair daqui e fazer isso em
outro lugar.
─Bem, não se acostume, porque você sabe que eu só consigo manter
minha maturidade por curtos períodos de tempo, e eu quero muito, muito,
muito mesmo ir para casa para que possamos foder.
Soren se mexe atrás de mim como se estivesse ficando confortável e
limpa a garganta.
─Meu melhor comportamento. Prometo.
Sabia que isso o colocaria de volta na linha.
─Estamos gravando─, diz o diretor.
A reprodução começa e a voz de Harley enche a sala. Eu tento conter
meu estremecimento, mas toda a nossa situação me faz estremecer.
Soren, o único homem neste mundo para mim, segura meu rosto e
sussurra: ─Ei. Só estamos você e eu aqui.
Ele me conhece como ninguém. Ele sabe que eu não estou
confortável, mesmo que este seja o meu trabalho e eu fodidamente trabalhe
duro por isso - trocadilho. Assinar um dueto com Harley foi uma grande
jogada para a minha carreira, mas eu mentiria se dissesse que não é uma
droga amarrar minha carreira à Harley no futuro próximo.
Teremos que conversar um sobre o outro, fazer talk shows e outros
compromissos da mídia juntos e fazer aparições surpresas nos shows um do
outro.
Não é que eu odeie o cara ou que ainda tenha sentimentos por ele,
mas quero que essa parte da minha vida se encerre por causa do que tenho
agora, que é a felicidade que eu nunca soube que poderia acontecer comigo.
Ao observar meu irmão Matt se apaixonar por Noah, eu percebi que
esse tipo de amor para sempre existia no mundo, mas depois de três anos
no ramo da música e sendo tratado como um garoto de programa por fãs e
administradores, imaginei que isso não aconteceria comigo tão cedo. Não
enquanto eu estivesse vivendo essa vida.
Então Soren voltou depois de anos tentando fingir que não
significamos nada um para o outro.
Olhando nos olhos quentes e cor de mel do meu namorado, não
consigo imaginar ficar sem ele novamente.
E agora que ele terminou sua última temporada e se aposentou, não
preciso.
Continuamos olhando um para o outro para as câmeras, mal nos
movendo e lentamente inclinando a cabeça como se estivéssemos prestes a
nos beijar.
Os lábios de Soren se separam um pouco, e ele está certo. Vai ser
difícil tê-lo ali mesmo sem poder fechar o pequeno espaço e colocar minha
boca na dele.
Eu sabia desde o nosso primeiro beijo que Soren mudaria minha vida.
Eu simplesmente não sabia como.
Ele deixa minha respiração superficial, meu batimento cardíaco
irregular e seu toque faz minha alma querer cantar sonetos sobre pertencer
a ele.
O que temos é intenso.
O jeito que ele se importa comigo, me reivindica, o jeito que ele está
me perfurando com o olhar agora... seu amor é palpável.
Soren deixa escapar algo que soa como ─homens felizes.
Ao mesmo tempo, o diretor diz: ─E corta.
Eu levanto minha cabeça para Soren.
─Homens Felizes? Como os amigos fodidos de Robin Hood? O que
eles têm a ver com isso?
Os olhos de Soren se arregalam e ele volta sua atenção para o diretor.
─Nós conseguimos?
─Sim, ficou bom. Continuemos. Dessa vez, Jay, preciso que você
sincronize os lábios e olhe para a câmera enquanto age como se estivesse
acelerando pela água. Soren, apenas seja natural. Beije seu pescoço, ombro,
o que for.
─Ouviu isso?─ Eu sorrio para Soren. ─Você pode beijar o que for.
Ele não responde. Seu rosto tem uma expressão estranha que não
consigo decifrar. Ele meio que está pirando?
─Não foi o que eu quis dizer─, o diretor interrompe. ─Este não é esse
tipo de filmagem.
Eu rio.
E vamos novamente. E então novamente,
É a única coisa que eu odeio nas gravações de videoclipes - longos
dias fazendo a mesma coisa repetidamente por horas de filmagem que
serão editadas em incríveis três minutos.
Soren muda de seu eu brincalhão para seu eu profissional e sério, mas
não é algo gradual. É como um interruptor. Acho que ele já se cansou, e
estamos apenas na metade do dia.
Mudamos de cena e mudamos de guarda-roupa inúmeras vezes, e seu
humor não parece melhorar.
Ele não parece zangado, apenas... chateado.
Finalmente, terminamos com uma cena em uma boate na pista de
dança, onde finalmente podemos nos beijar.
O storyboard tinha Harley nos assistindo com saudade nos olhos, mas
como não precisamos interagir, concordamos em filmar em dias separados.
É mais fácil assim.
Duvido que essa cena passe no corte final. Embora alguns vídeos
possam ter uma breve representação LGBTQ, isso ainda está aberto à
censura.
Quando finalmente somos instruídos a beijar, é malditamente
explosivo. Passamos as últimas horas incapazes de fechar essa pequena
distância entre nós. Agora que estamos autorizados, não há como conter a
erupção da paixão a cada segundo que passamos com as bocas unidas.
Aqui é onde eu pertenço.
O diretor chama o corte, e Soren tenta se afastar, mas eu não deixo.
Não me importo que estejamos em uma sala cheia de produtores, ajudantes
e a equipe para o vídeo. Não estou pronto para terminar.
Isto é, até o diretor dizer as palavras que eu queria ouvir o dia todo.
─Acabamos por hoje.
Eu recuo.
─Vamos pra casa.
Soren sorri largamente - um sorriso que sempre vira meu interior de
cabeça para baixo.
Ele pega minha mão e nos movemos para sair do set e ir para o
guarda-roupa para trocar nossas roupas de vídeo por nossas roupas civis,
mas meus pés param ao ver alguém que eu não deveria estar vendo.
Nós concordamos que ele não estaria aqui.
Harley cruza os braços e estica o queixo.
Em um movimento para manter a civilidade, eu me aproximo do meu
ex-namorado. Temos que trabalhar juntos no futuro próximo.
Concordamos em nos comportar bem, mas também concordamos que ele
não estaria aqui para as minhas filmagens, então…
─Eu pensei que você não estava na agenda hoje?─ Eu digo, culpando
outra pessoa em vez de acusá-lo de quebrar nosso acordo.
Harley abaixa a cabeça.
─Eu não estava. Eles me chamaram para refilmagens. Disseram que
você já teria terminado até então.
─Bom. Sim, fizemos algumas horas extras. Muitas.
─Eu posso ver o porquê. Vocês dois estão ótimos juntos.
─Eu não sabia que você estava aqui-
─Está tudo bem─, diz Harley. ─Essas coisas sempre demoram mais
do que esperam.
─Quero dizer, eu não teria sido tão...
─Entusiasmado?─ Harley termina por mim.
─Uh, sim, isso. Se eu soubesse que você estava aqui, eu teria...
─Faz um ano. Eu superei.─ Ele encolhe os ombros, mas não me dá
contato visual, e eu o conheço muito bem para não ver que ele está
escondendo sua dor por trás de seu comportamento casual.
Quando gravamos a música juntos, eu admiti a ele que nunca o amei
do jeito que pensava. Foi preciso apenas uma reunião com Soren para
perceber que o que Harley e eu tínhamos, embora fosse real, ainda era uma
relação de conveniência.
Ele não concordou com essa avaliação e mal conversamos desde
então. Quando temos, tem sido apenas sobre a música.
Ficamos em silêncio e, sim, isso é exatamente o que eu esperava que
acontecesse quando nos víssemos novamente. Nós dois estivemos
ocupados, e com a gravadora cortando essa música do álbum, eu pensei que
não precisaríamos lidar com estar no mesmo lugar ao mesmo tempo, a
menos que fosse para alguns prêmios de música ou qualquer outra coisa.
O olhar de Harley vai para Soren.
─É bom ver você de novo, jogador de hóquei
Por mais educado que seja, também é totalmente falso. Soren
responde com um ─Você também─, que é tão falso quanto o de Harley.
Temos de sair daqui.
─Boa sorte com a filmagem.
O diretor intervém.
─Oh, você pode ir para casa. Filmamos você durante a última tomada.
Harley inclina a cabeça.
—Mesmo?
─Muita emoção enquanto você assistia esses dois na pista de dança.
Quanto tempo Harley ficou aqui?
Harley parece horrorizado.
─Você estava me filmando ... enquanto... eu...
─Relaxe. Ficou ótimo. Confie em mim.
Os olhares meus e de Soren pulam entre o diretor e Harley.
─Vamos deixar você lidar com isso─, eu digo, e Soren e eu vamos
para o guarda-roupa ao som de Harley protestando sobre o fundo e a
iluminação não estarem certas e eles precisam refazer a filmagem.
Sinto-me um pouco culpado pela maneira como as coisas terminaram
entre nós, porque essencialmente não foi por nossos defeitos.
A gravadora apenas coloca muita pressão sobre ele, e eu não sei por
que ou como ele aguenta.
Eu desejo que ele encontre alguém com quem ele possa ser tão feliz
quanto eu com Soren.
Alguém que não seja famoso.
Alguém que o aceite por quem ele é e aprecie sua ética de trabalho e
motivação.
Alguém que o apoie.
Ele merece a felicidade, mesmo que o setor em que atuamos seja
inflexível ao fazê-lo escolher entre carreira e amor.
Ele precisa encontrar a pessoa que o fará questionar o valor de sua
música em comparação com o que ele poderia ter se desistisse.
─Bem, isso foi divertido─, diz Soren sarcasticamente.
─Tenho a sensação de que todas as nossas futuras negociações com
ele serão assim.
—Mal posso esperar.
Mesmo que ele zombe, eu sei que ele não tem sentimentos ruins por
Harley. Ele não precisa, porque ele sabe que eu sou dele.
Serei dele para sempre, se for isso que ele quiser.
Tudo o que ele precisa fazer é pedir.
Capítulo Vinte e Três
SOREN
Não posso acreditar que deixei escapar uma proposta de casamento
durante uma filmagem. O que eu não posso acreditar ainda mais é que o
diretor gritou bem naquele mesmo momento. Estou agradecido e
arrependido pela interrupção. Enquanto estou feliz que Jet não me ouviu
direito e tenho a chance de recomeçar, parte de mim gostaria que ele
soubesse o que eu disse. Pelo menos então eu não teria essa necessidade de
colocá-lo pra fora novamente.
Eu não tinha planejado pedir a ele. Só estamos juntos há um ano e
nem discutimos isso. Mas como sempre que Jet está perto de mim, ele
consome todos os meus pensamentos e eu me perco no momento. É fácil
perder o foco quando Jet está por perto.
E hoje, tudo que eu queria era mostrar a ele o quanto eu pertenço a
ele.
Eu quero que ele olhe para um anel no dedo e saiba que ele é amado,
saiba que ele não está sozinho e que ele é meu.
Mas isso é algo que precisa ser feito corretamente. Eu não deveria
deixar escapar isso em um quarto cheio de estranhos e seu ex-namorado.
Deve ser perfeito.
Sem pressão, Soren.
Quando voltamos para a mansão que estamos compartilhando com
Benji e Freya - os colegas de banda de Jet -, vamos para o nosso quarto.
As mãos de Jet estão vagando, e seus lábios se movem por todo o meu
pescoço e peito.
Quero deixar ir e me divertir, mas tenho uma merda para planejar,
caramba. E preciso fazer isso agora antes de deixar escapar novamente no
momento errado.
─Amor...
Jet recua.
—Qual é o problema?
─Acabei de me lembrar que Freya queria falar comigo sobre algo
quando chegássemos em casa.
Ele faz uma careta.
—O quê?
─Talvez sobre Benji? Você os conhece. Drama, drama, drama.
─Ugh. Sei sobre isso. Só piorou desde que eles correram para uma
capela em Las Vegas e deram um nó. Agora eles estão presos um ao outro
por toda a vida. Ou até eles se divorciarem. Uma coisa ou outra.
Faço uma pausa e meu coração treme.
─É-é isso que você pensa do casamento?
─Condenado a ficar preso para sempre ou terminar em uma
discussão amarga?— Jet aperta os lábios. ─Na verdade não. Retiro o que eu
disse. Eu vi como isso pode ser bom. Como com Matt e Noah. O casamento
como um todo é uma construção ultrapassada. Tudo começou por causa da
propriedade, pelo amor de Deus. E não da maneira que você diz que me
possui. Mais como no caminho 'Você não tem escolha'. Então, pensar nisso
nesses termos, me faz perguntar: 'Por que se preocupar', mas depois vejo
Matt e Noah e penso: 'Sim, eles estão fazendo certo'. ─ Ele olha para mim.
─Desculpe, estou divagando.
Eu o puxo para perto e beijo a ponta do nariz.
─Eu amo sua divagação.─ Especialmente porque quero prometer a
ele o tipo de casamento em que ele acredita. ─Eu voltarei em breve, ok?
─Você não pode falar com ela de manhã? É tarde, e eu preciso do seu
pau.
Eu gemo. Não há como eu conseguir transar com ele sem propor.
─Vou voltar rápido. Logo depois de falar com Freya. Por que você não
se prepara para mim?
Jet sorri.
—Seja rápido! Diga a ela para perdoar Benji pelo que ele fez agora e ir
para a cama.
Minha visita inclui muito mais dizer a Benji e Freya para não descer
as escadas, para que ele possa me atacar assim que eu propor e ele me
montar ali no convés dos fundos. Não podemos deixar que toda a
preparação que ele está prestes a fazer seja desperdiçada.
Jet vai para dentro do nosso quarto enquanto eu caminho para o
outro lado da casa onde Benji e Freya moram.
Eu bato na porta de Benji, porque eles dormem lá dentro. Vendo que
Freya realmente não me pediu para falar com ela, presumo que ela esteja
com ele e eles não estão realmente brigando.
─Freya?
Sem resposta.
Eu tento novamente, mas mais alto.
Um movimento dentro da sala soa e, em seguida, uma Freya meio
adormecida aparece, com o cabelo selvagem, um olho aberto.
Ela resmunga.
─Você, hum, eu não sei, tem velas ou merda assim?
Ela inclina a cabeça.
─Velas?
─Estou tentando fazer um grande gesto, e a luz de velas é, tipo,
romântico? Vamos lá!
Agora ela está encarando.
─E você achou que me acordar para ser romântico é importante,
porque...
Abaixo minha voz, mesmo que Jet não possa ouvir de qualquer
maneira.
─Porque este é o maior gesto que eu vou fazer em toda a minha vida?
Entendeu?
Os olhos dela se arregalam.
─Oh meu Deus, isso é tão incrível.─ Ela joga os braços ao meu redor.
─Bem-vindo à família. Corretamente. Mesmo que você já seja um de nós.
Mas isso é como... oficial!
─Obrigado, mas shh, ele não tem ideia. Então, hum, velas?
─Estou feliz por vocês, realmente, mas o que faz você pensar que eu
tenho essas coisas?
─Você é uma garota.
─Pfft. Ela não é esse tipo de garota.─ Benji aparece, entregando-me
quatro velas gigantes. ─Aqui.
Não consigo deixar de rir.
─Vou deixar vocês dois voltarem a dormir.─ Eu seguro as velas.
─Obrigado por isso.
─Espere, eu tenho mais.─ Ele puxa uma sacola plástica do armário,
mas em vez de me entregar, ele me segue escada abaixo.
É adorável ver esse cara australiano grande e corpulento colocar velas
à luz do dia delicadamente no convés.
Ele sente que eu estou olhando para ele.
─Garotas gostam de romance.
Eu rio.
─Obrigado por ajudar.
─A qualquer hora. Este é um passo enorme.
Aceno em concordância.
─É, mas estou pronto para isso. Eu não quero viver sem ele.
Benji sorri largamente.
─Estou feliz que você precisou de apenas alguns anos para deixar de
agir como idiota, companheiro.
Isso mesmo. Fiz a coisa mais estúpida quatro anos atrás, quando
pensei que precisava deixar Jet ir ser jovem e viver sua vida.
Não é a primeira vez que me pergunto o que teria sido se tivéssemos
tentado fazer funcionar naquela época, mas Jet tinha apenas vinte anos. As
experiências que ele teve desde então fizeram dele o homem que ele é hoje,
e eu nunca iria querer tirar isso dele.
Eu tiraria a mágoa que lhe causei e a angústia que o fez escrever duas
músicas multi-platina. Mas então ele não seria tão famoso quanto é.
Quase acendemos todas as velas quando Benji me diz para ir buscar
Jet enquanto acende as últimas, antes de sair.
─Obrigado, Benji.
─Qualquer coisa por Jet.
É estranho quando seus colegas de banda o chamam pelo nome
verdadeiro e não pelo nome artístico de Jay. Eles se acostumaram com a
mudança de nome ao longo dos anos, e então ele sempre é Jay para eles.
Mas Benji, usar o nome de Jet agora, significa que ele entende como esse
momento é monumental.
Então Benji tem um brilho estranho nos olhos.
─Eu sei que todos pensam que Freya e eu não somos nada além de
drama, mas não há dúvida de que ela é para mim. Quando você sabe, você
sabe.
Aceno em concordância. É verdade. Muitas vezes nos perguntamos
como eles funcionam quando brigam constantemente, mas é como sempre
foram e como provavelmente sempre serão. Eles não são abusivos um com
o outro ou qualquer coisa. Eles adoram ficar irritados e gritar um com o
outro, seguidos de sexo furioso.
Isso funciona para eles.
─Quando você sabe, você sabe─, repito.
Eu sei que ele é o único para mim.
Não há espaço no meu coração para mais ninguém quando ele é o
dono completamente.
Infelizmente, outra coisa tem o coração do meu homem, e quando eu
subo as escadas para pegá-lo, percebo meu erro fatal.
Sono. Jet precisa dormir.
Estamos em turnê há meses. Acabamos de filmar um dia inteiro, e ele
encontrou Harley, que sempre o deixa esgotado. Amanhã voamos para
Chicago para comemorar o aniversário de Jackie e, dois dias depois, vamos
ver meus pais em Toronto antes de voar para Londres para começar a parte
europeia de sua turnê.
Ele está exausto e só conseguiu puxar as calças por baixo da bunda,
para que seu bumbum bonito fique de fora.
Há lubrificante na cama, sem a tampa, mas duvido que ele tenha
usado antes de adormecer.
Suspiro e volto para Benji.
Ele está debruçado, acendendo algumas velas no chão.
─Espere, espere─, diz ele. ─Não está pronto!
Eu espero que ele termine, e quando ele se afasta, vejo que ele
soletrou “eu te amo” em luzes douradas.
─Aww, eu também te amo, mas você pode apaga-las─, eu digo.
Ele se vira para mim.
—Qual é o problema?
─O pobre rapaz está desmaiado.
─Então acorde ele!
Eu rio.
─Eu não vou propor a um Jet irritado. Você sabe como ele é ao
acordar.
─Bem. Isso é verdade.
Antes que possamos apagar qualquer uma das chamas, recuamos com
a voz rouca atrás de nós.
─Propor?
Eu me viro para encontrar Jet parado na porta, suas calças
firmemente de volta ao lugar, mas uma expressão confusa em seu rosto.
Não, não era assim que deveria acontecer!
─Eu... Hum...
─Estou fora.─ Benji corre, mas quando passa por Jet, ele dá um
tapinha nas costas dele.
─Propor?─ Jet pergunta novamente.
Ele olha ao redor do convés traseiro, para todas as velas, e então seu
olhar pousa no Eu te amo.
─Adormeci.─ Parece que ele ainda não está completamente acordado.
Eu rio.
─Sim, você dormiu. Eu estava prestes a arrumar tudo isso.
─Eu ouvi você entrar, mas você foi embora e...─ Seus profundos olhos
castanhos encontram os meus. ─Estou sonhando? Ainda estou lá em cima
na cama?
Porra, ele é tão fofo.
Eu me aproximo dele e o arrasto em direção às velas.
Ele fica olhando entre mim e o chão.
Eu levanto seu queixo com o dedo para ele se concentrar em mim.
Quando ele o faz, os nervos me chutam no estômago.
Respire fundo, Soren.
─Jet, eu te amo mais do que qualquer outra coisa neste mundo. É o
tipo de amor que eu nunca soube que existia. E hoje, enquanto filmamos
juntos e trabalhamos em equipe, percebi que nunca mais vou querer mais
ninguém. Nunca... Para o resto da minha vida.
Jet parece confuso por um segundo antes de ofegar.
─Homens Felizes11. Você não disse homens felizes.
Nego com a cabeça.
―Eu não disse. Era o lugar errado para fazer isso, e talvez este
também não seja o lugar mais perfeito - eu nem tenho um anel - mas não
posso passar outro dia sem que você saiba o que é para mim. Você é tudo
que eu sempre quis, e eu vou te dar o tipo de casamento que você acredita.
Serei um marido que te apoia, cuida de você e o ajudarei em tudo.
Jet funga e, à luz tremeluzente, vejo uma pequena lágrima cair de seu
olho.
Eu limpo com o polegar.
─Não deixarei influências externas distraírem meus sentimentos por
você ou me afastar do que é importante. Eu sempre vou nos colocar em
primeiro porque somos você e eu. Sempre.
─Eu sabia que era você ─, Jet sussurra. ─O único. Na noite em que te
conheci, sabia que você mudaria minha vida. Você acabou me mostrando o
que poderia ser o amor, mesmo que não pudesse devolvê-lo.
─Quero dar a você agora. Tudo.─ Coloco-me de joelho e seguro sua
mão. ─Jethro Jackson, quer se casar comigo?
O lábio de Jet treme quando ele assente.
—Sim.─ Ele funga novamente. ─Porra, eu não posso nem fazer uma
piada sobre não haver anel, porque eu amo isso demais. É perfeito.
Eu levanto.
─Prometo dar tudo o que você quiser. Tudo o que você precisar.

11 Ele entendeu Soren dizer Merry Men (homens felizes) e não Merry Me (Case comigo)
─E eu prometo aceita-lo.─ Jet sorri. ─Mas de verdade. Eu quero te
dar tudo também. Algo que você disse sobre a filmagem me fez surtar um
pouco, não vou mentir ...
─O comentário sobre netos? Porque isso significa que realmente
precisamos ter filhos?
Ele assente com a cabeça.
─Eu imaginei isso. Não precisamos fazer isso se você não quiser.
─Eu quero─, ele resmunga como se tivesse problemas para dizer as
palavras. ─Quero dizer, eu preciso ganhar alguns Grammys primeiro. Viver
esse estilo de vida insano por um tempo antes de nos estabelecermos, mas
eu quero. Talvez quando eu tiver quarenta anos.
─Bebê, acho que você precisa fazer algumas contas. Se esperarmos
até os quarenta, terei cinquenta. Eu nem vou viver para ver nossos netos
então.
—Ah, certo. Você é velho. Eu esqueço isso. Que tal quando eu tiver
trinta anos?
─Eu posso lidar com trinta.
Os olhos do meu noivo brilham.
Uau. Noivo.
─Nós realmente acabamos de ficar noivos?─ pergunto.
Jet ri.
─A menos que eu acorde e isso tudo seja um sonho.
Eu o puxo para perto.
─Não é um sonho.
─Prove─, ele provoca.
Estou prestes a beijá-lo pela milionésima vez, mas nunca amei mais
os lábios de Jet. Quero colocar tudo o que tenho nele e beijá-lo com tanta
força que ele nunca será capaz de duvidar de mim, de nós ou do futuro que
estamos prometendo um ao outro.
Nossas respirações se misturam.
Apenas a um centímetro de distância, Jet diz: ─Caleb?
Eu amo e odeio quando ele usa meu primeiro nome. Adoro em
momentos como este, mas é raro ele usá-lo com adoração.
─Eu te amo tanto─, ele sussurra.
Ele não me permite dizer de volta, porque ele esmaga sua boca na
minha.
É explosivo, é amoroso e é tão gostoso.
Meu pau fica duro. A necessidade que sempre tenho dele ferve sob a
superfície, e eu gostaria de poder fode-lo aqui e agora. Quero reivindicá-lo
com meu corpo, enquanto prometo para sempre com minhas palavras.
Eu gemo.
─Acho que você não teve a chance de fazer o que eu pedi antes de
dormir no andar de cima?
Jet respira pesado.
─Por que você não descobre sozinho?
Minha mão percorre suas costas e mergulha em seu jeans. Seu buraco
está liso e esperando por mim. Meus dedos o provocam.
O tremor que o percorre desencadeia minha própria necessidade.
De repente, Jet agarra minha camiseta e me puxa para as cadeiras
acolchoadas. Ele me empurra para baixo, então eu deito na cadeira
reclinada.
─Eu não tenho energia para brincar. Desfaça suas calças.
Eu amo o Jet mandão.
Enquanto mexo no meu cinto, Jet ergue a camisa sobre a cabeça e
joga seu jeans e cueca boxer no chão.
As casas nesta área são muito próximas, mas agora nenhum de nós se
importa em dar um show aos vizinhos. Não com o quão desesperados
estamos.
Jet sobe no meu colo completamente nu e afunda no meu pau
exposto. Minha camisa ainda está no lugar, minhas calças estão nas minhas
coxas e, por mais que eu queira parar agora e arrancar minhas roupas, o
buraco apertado e não completamente preparado de Jet está me mantendo
muito ocupado, causando pequenos choques de prazer através de meu
corpo.
Sua boca volta para a minha, e ele geme enquanto seu corpo toma
mais de mim.
Quero ir devagar e fazê-lo corretamente - amá-lo com ternura - mas
não há como me conter.
Passamos os votos de carinho e passamos à adoração. Eu rezaria em
nome da bunda de Jet, se ele me pedisse. Isso nem faz sentido, mas com
cada rotação de seus quadris, cada centímetro de mim que se move dentro
dele, meu cérebro perde o sentido. Ele sabe apenas uma coisa, e é que devo
amar Jet da maneira que ele merece.
Eu planto meus pés em ambos os lados da espreguiçadeira e me
sento.
A bunda de Jet aperta meu pau, mas ele não para de se mover.
Nossos corpos se encontram repetidamente em um ritmo mais lento
agora porque Jet está no meu colo, esta cadeira é frágil e nossa posição não
nos dá mais espaço para nos movermos.
Então eu fico com Jet ainda nos meus braços, as pernas dele ao meu
redor, e tiro minhas calças para não tropeçar nelas.
Eu nos movo para dentro de casa e vou para o grande sofá secional.
Meu pau desliza para fora dele, e ele choraminga.
─Só um segundo, bebê.─ Eu o solto no material macio, agarro seus
joelhos, empurro-os e mergulho de volta.
Ele grita quando provavelmente acerto sua próstata, e nem me
importo em dizer para ele ficar quieto.
Benji e Freya sabem exatamente o que estamos fazendo. Não há como
eles voltarem a descer hoje à noite.
Agora, nesta posição melhor, eu posso transar com ele com a força
que eu quero.
Eu cubro seu corpo com o meu e descanso minha cabeça em seu
ombro enquanto eu bombeio nele.
Suas mãos arranham minhas costas sob minha camisa, com certeza
deixando marcas de arranhões, mas isso não me atrasa.
Meus braços estão escorregadios de suor, e meu cabelo também.
Eu descanso meus cotovelos e olho para Jet, que parece um anjo
brilhante perfeito com sua pele pálida e cabelos encaracolados pendurados
frouxamente em volta do rosto.
Ele é sempre lindo, não há dúvida sobre isso, mas agora ele tem esse
brilho primitivo e selvagem nos olhos enquanto eu tomo seu corpo. Talvez
eu o tenha reivindicado, mas já sou dele.
No segundo em que chego entre nós e toco seu pau, ele explode. Seus
olhos se fecham e sua boca se abre. Vê-lo gozando sempre me empurra para
o limite.
Eu entro dentro dele e desmorono em cima de seu corpo menor. Eu
tentaria evitar colocar todo o meu peso nele, mas meus músculos estão
gelatinosos.
— Amor?─ Pergunta Jet.
─Sim?─ Estou tão sem fôlego.
─Nós vamos nos casar.
Eu sorrio.
─Inferno, sim, nós vamos.

Solto beijos preguiçosos por todo o peito do meu noivo para acordá-lo
no dia seguinte.
─Não─, ele resmunga.
Eu deveria me sentir culpado por mantê-lo acordado na noite
passada, quando ele realmente precisava descansar, mas sou um cara
egoísta que nunca se sentirá culpado por amar meu homem e mostrar a ele
o quanto.
─Vamos nos atrasar para o aeroporto─, eu digo.
Jet resmunga um pouco mais.
─Eu juro que Jackie tem sorte de ser tão adorável.
Ele sai da cama, mas as queixas não param até chegarmos ao
aeroporto e tomar um café.
Ele dorme um pouco mais no avião e, quando pousamos em Chicago e
somos conduzidos ao nosso quarto de hotel, temos exatamente uma hora
antes de precisarmos ir para a casa de Matt e Noah.
Eles ofereceram que ficássemos lá, mas agora têm uma casa cheia
com um bebê e Wade. Além disso, eu fico preocupado que alguém tente me
apunhalar enquanto durmo.
Especialmente depois que lhes dissermos que estamos noivos. Isso vai
ser divertido.
Não acho que eles possam controlar o protecionismo por seu
irmãozinho.
Com a pobre Jackie será dez vezes pior.
Eu tiro algumas camisas de botão mais bonitas e as penduro no
armário do quarto de hotel.
Jet está vasculhando sua bolsa quando ele para de repente e olha para
mim. Ele apenas teve a melhor ideia de todas, ou eu fiz algo errado. Ainda
não tenho certeza porque seu rosto parece mais chocado do que qualquer
outra coisa.
─Devemos nos casar enquanto estamos aqui─, ele deixa escapar.
Olho em volta da pequena suíte.
─Umm, é meio impessoal. E tenho certeza de que precisamos de anéis
e uma pessoa oficial para, tipo, nos casar e outras coisas.
─Você é tão engraçado. Quis dizer, enquanto estamos em Chicago.
Todo mundo está aqui para o aniversário de Jackie, e eu não quero um
circo como o casamento de Talon e Miller. Apenas bing, bang, boom,
pronto. Acabou.
─Aww, você é tão romântico.─ Embora eu definitivamente não seja
contra a ideia. Quanto mais cedo eu casar com Jet, e ele se tornar meu
marido, melhor. Inferno, eu realmente me casaria com ele nesta sala agora,
se pudéssemos.
─Não é um casamento que eu quero. É o casamento.─ As palavras de
Jet são suaves e um pouco inseguras.
Jet não tem certeza do que ele diz por sua vulnerabilidade.
Eu sorrio.
─Vamos fazer isso. Vou precisar trazer minha família, e o seu pessoal?
Benji, Freya, Marty, Luce...
Jet balança a cabeça.
─Benji e Freya estão fazendo algumas apresentações de talk show
para a banda antes da turnê europeia começar, e Luce está com eles. Mas
talvez possamos tentar transmitir ao vivo para eles.
—É fácil. Existe um período de espera ou algo para o licenciamento do
casamento? Tem muita coisa para fazer na cidade?
─Há muito a fazer─ A mão de Jet corre pelo meu braço e para no meu
peito. ─Mas vamos fazer isso juntos.─ Depois de um beijo suave nos meus
lábios, ele recua. ─Vou pegar as informações da licença de casamento, você
liga para seus pais.
É surpreendentemente fácil reservar um casamento no tribunal. Só
temos que parar na secretaria do condado para pegar a licença hoje para
um casamento amanhã. Leva mais tempo para reservar os voos da minha
família.
Nos atrasamos para à festa de aniversário de Jackie, mas tenho
certeza de que seremos perdoados quando explicarmos.
Droga. Nós realmente temos que explicar.
─Eu tenho uma ideia brilhante─, digo a Jet quando estamos no carro
a caminho.
─É tão brilhante quanto a minha ideia de nos casar amanhã?
─Ainda mais brilhantesca.
─Isso não é uma palavra.
Eu dou de ombros.
─Você está pronto para ela?
─Eu não sei, estou?
─E se...?─ eu começo. ─Você contar a todos os seus irmãos e eu só te
encontrar amanhã no tribunal?─ Estou brincando. Na maior parte.
Jet ri.
─Você está seriamente com medo deles?
Eu zombo.
─Nem um pouco─, eu minto. ─Depois de algumas ameaças de morte,
eles aceitarão bem.─ Espero ─E você sabe que de alguma forma vamos
acabar em um clube de strip até o final da noite.
—Verdade.

─Certo. Quarto privado está reservado no City Boys para comemorar


esta noite ─, diz Talon.
Eu rio e levanto minha sobrancelha para Jet.
─Falei para você.
—Olá. Nós temos um bebê.─ Noah aponta para Jackie. ─Não vamos
leva-la para um clube de strip.
─Não foi por isso que você contratou uma babá?─ Talon pergunta.
Matt ri.
─Mal posso esperar até o seu filho nascer em alguns meses. Vamos
ver quantas vezes você estará disposto a deixá-lo com uma babá.
─Você está dizendo que não vai à despedida de solteiro do seu irmão?
Talon vai ser um ótimo pai, porque suas habilidades de fazer você se
sentir culpado são boas.
─Não, nós iremos─, Matt resmunga. ─Mas apenas espere.─ Matt
pega Jackie em seus braços e a abraça.
Mal posso esperar para que isso aconteça conosco, mas as razões
pelas quais Jet quer esperar são válidas. Sua agenda de turnês para os
próximos anos será louca, e eu quero estar com ele. A estrada não é lugar
para uma criança.
Jantamos na casa de Matt e Noah e esperamos Jackie dormir e a babá
aparecer antes de sairmos.
Eu me livro com apenas algumas ameaças dos caras, me alertando
sobre machucar Jet. Palavras como tiros e socos são jogadas ao redor.
Mas se há uma coisa de que tenho certeza, é que estou me casando
com o homem dos meus sonhos, e a última coisa que quero fazer é
machucá-lo.
Não demora muito para Jet entrar na noite. E com isso, quero dizer,
ele recebe inúmeras bebidas a partir do momento em que entramos no
clube.
É assim que terminamos aqui horas depois - onde eu não consigo
tirar os olhos dele enquanto ele gira ao redor do poste na sala privada do
grupo enquanto o stripper observa com diversão.
Matt saiu para ligar e verificar o bebê, mas Noah está no canto
cobrindo os olhos.
Ollie se inclina para mim.
─Seu futuro marido está bêbado.
Ele com certeza está.
As luzes fluorescentes tornam o sorriso de Jet mais brilhante. Seus
olhos estão vidrados, seu rosto corado, e ele apenas irradia felicidade.
Eu fiz isso... Não o álcool. Eu.
Não há um momento que passa onde eu me pergunto ‘e se’, não mais.
Nada disso importa agora, pois amanhã, minha estrela do rock
solitária, sulista, doce e sarcástica será oficialmente minha para sempre.
Uma música vem pelos alto-falantes da sala, uma que eu não
reconheço, mas Jet solta um ─Whoop. Eu amo essa. Amor. Amor. Ei,
querido. Suba aqui.
Nego com a cabeça.
─ Eu estou bem. Dance com o stripper.
Jet faz uma careta.
─Caleb Sorensen. Se eu quisesse dançar com um stripper, me casaria
com ele amanhã, não com você. Traga sua bunda aqui agora.
─Uh-oh, você está com problemas─, Ollie diz ao meu lado.
Jet me puxa para perto do stripper, cujos olhos são tão grandes
quanto seus peitorais.
─V-vocês vão se casar?
─É segredo. Por favor, não avise os paparazzi─ imploro.
─Ele não pode.─ Jet diz. ─Tenho certeza de que há confidencialidade
entre stripper e cliente. Como advogados, mas com menos roupas!
─Isso é verdade─, diz o stripper. ─Mas apenas se uma grande gorjeta
estiver envolvida.─ Ele tem bolas o suficiente para dizer.
Enfio a mão no bolso de trás e pego minha carteira, entregando todo o
dinheiro que tenho, que são duzentos dólares.
─O suficiente para mantê-lo quieto e nos deixar em paz?
Ele pega.
─Confidencialidade comprada.─ Ele faz uma pequena reverência e sai
andando de calcinha fio dental com as bochechas redondas balançando a
cada passo.
Um guardanapo amassado bate na minha cabeça e eu volto para Ollie.
─Por que você fez o homem bonito desaparecer?
Espero que Lennon não goste disso. Em vez disso, ele concorda.
Eu jogo minhas mãos para cima em derrota, mas Jet coloca as mãos
em volta dos meus ombros.
─Ele fez isso porque eu sou o único que ele precisa.
─Exatamente.
Jet puxa minha cabeça para baixo para juntar nossas bocas com força.
Eu recuo antes que Jet possa tentar ir mais longe e os caras tenham
um tipo diferente de show.
─Acho que é hora de voltarmos ao nosso hotel.
─Estou adorando sua previsão de alugar um quarto de hotel e não
ficarmos com Matt e Noah.
Aww, o pobre Jet acha que fará alguma coisa quando voltarmos, mas
eu o conheço. Eu o vi bêbado inúmeras vezes nos últimos meses na estrada,
onde ele é obrigado contratualmente a ir à festa depois do show e
cumprimentar os VIPs. O álcool flui livremente nessas coisas. Eu já posso
ver o que vai acontecer hoje à noite. Ele provavelmente adormecerá no
carro no caminho de volta e nem se mexerá quando eu o levar para a cama.
Então amanhã chegará e ele sairá da cama fresco como uma
margarida, sem sinal de ressaca.
É difícil acompanhar as estrelas do rock, e a minha certamente me
mantém alerta.
Mal posso esperar para iniciarmos nosso para sempre.
Capítulo Vinte e Quatro
JET
A boca quente e molhada do meu marido se movendo sobre meu pau
carente e dolorido nunca fica cansativo. Mesmo agora, anos depois que nos
casamos.
Nossa vida juntos foi a jornada mais louca da melhor maneira
possível, e está prestes a ficar mais louca. Ou mais calma. Eu realmente não
sei como vai ser ainda.
O dedo de Soren circunda meu buraco e empurra suavemente.
Jogo minha cabeça para trás enquanto deito horizontalmente sobre a
cama enquanto ele está de joelhos no chão. Minha bunda está mais perto da
borda do colchão.
─Eu preciso que você me foda─, eu suspiro.
Ele empurra outro dedo e sua boca me libera com um estalo molhado.
─Não temos tempo! Precisamos sair rápido antes que tenhamos de
encontrar os outros na cabana de comida para o jantar.
Eu suspiro porque ele está certo. Provavelmente, temos sorte de eles
ainda não terem nos procurado.
─Por que concordamos em fazer outras férias em grupo?─ Eu
murmuro.
Soren me ignora. Ele volta a me chupar, enquanto sinto o cheiro
revelador de Fiji.
A verdadeira Fiji.
Coco e sol misturados com porra - do jeito que me lembro.
Voltamos para nossa lua de mel há seis anos, mas não tivemos a
chance de visitar novamente.
Até agora.
Soren relaxa a garganta e me leva até que o nariz dele toque minha
virilha.
─Porra, querido. Eu realmente preciso que você me foda. Você
poderia colocá-lo dentro neste exato momento?
Seus dedos pressionam contra a minha próstata, me dizendo sua
resposta. Não temos tempo, e eu vou deixar você fodidamente selvagem.
Embora seus ombros tremam como se ele estivesse tentando conter sua
risada.
Agora, isso é talento. Rir com um pau na boca.
O reflexo de vômito do meu homem precisa de um prêmio ou algo
assim. No momento, estou disposto a oferecer todos os meus Grammys.
Ele esfrega o ponto sensível até que eu esteja tremendo e incoerente.
Ele não desiste nem por um segundo. Soren está em uma missão para me
fazer gozar o mais rápido possível, e eu sei que não vai demorar muito mais.
Só é preciso a mão livre dele alcançando meu mamilo. Eu nem acho
que ele o toca antes que eu entre em convulsão e esvazie na boca de Soren.
Ele não me permite tempo de recuperação, mas não posso reclamar.
Seu corpo ainda é forte e firme como era quando ele jogava hóquei, e
quando começa a subir em mim, sei que não terminamos.
Estou exausto, mas mal posso esperar para colocar minha boca nele.
Soren senta em meu peito e agarra seu pau com força, guiando-o até
minha boca e passando a cabeça pelos meus lábios.
Uma gota de pré semem vaza no meu queixo, e não hesito em lambê-
la, pegando a parte inferior do pênis de Soren enquanto o faço.
Ele solta um suspiro trêmulo.
─Abra.
Minha boca se abre.
─Chupe apenas a cabeça─, ordena Soren, e eu adoro isso.
Enquanto fecho meus lábios sobre sua cabeça inchada, Soren acaricia
seu eixo duro.
Ele geme, e sua mão se move mais rápido até sentir os primeiros
surtos de seu gozo na minha língua.
─Te amo─, ele resmunga.
Claro que ama. Eu sou fodidamente incrível.
Eu engulo tudo dele, e então ele cai na cama ao meu lado.
Nós nos deliciamos com o brilho dos orgasmos, mas isso não dura
muito.
Soren vira a cabeça em minha direção.
─Você está pronto para contar a todos?
─Acho que sim. Ainda não posso acreditar que está acontecendo.
Meu marido sorri.
─Está acontecendo.─ Ele se levanta e se move em direção a sua mala
para retirar a foto de um ultrassom da semana passada.
Está realmente acontecendo.
─Acho melhor eu me levantar. Meus músculos meio que não querem.
Eles estão meio... líquidos.
─Levante─, Soren ordena, e meu pau pensa que ele está falando com
isso. Embora apenas se contraia e depois morra novamente. Portanto,
ainda não está pronto para outra rodada.
Vestimos roupas e saímos da cabana exata em que nos apaixonamos
anos atrás, em direção à cabana de comida.
Surpreendentemente, somos os últimos a chegar. Surpreendente
porque existem dois outros casais sem filhos aqui, e eu presumi que eles
estariam fazendo o mesmo que nós.
Mas não, todo mundo está lá, toda a brigada gay, além de alguns
clandestinos. Jackie, de sete anos, está no tablet com os fones de ouvido,
sem prestar atenção. Seu irmão bebê, Noah Huntington Quarto, está no
colo de Matt, mastigando alguma coisa. Ele está com os dentes crescendo,
aparentemente. Sim, algo pelo que esperar.
Os garotos de seis e cinco anos de idade de Talon e Miller, Peyton e
Brady, estão se perseguindo em volta da mesa, brigando por qual time da
NFL eles vão jogar quando forem mais velhos. Acho que Talon e Miller já
aprenderam a ignora-los. Eles estão comendo normalmente como se não
pudessem ouvir os filhos que são barulhentos pra caralho.
Espero que meu bebê venha com um botão mudo.
Deus, eu não estou pronto para ser pai.
Mas quando me viro para Soren e vejo o sorriso em seu rosto
enquanto ele observa nossa sobrinha e sobrinhos, eu sei que ele será bom o
suficiente por nós dois.
Eu quero esse bebê, mas porra... paternidade? Não tenho certeza se
ainda me qualifico para cuidar de mim mesmo apesar de ter atingido o
grande 30 neste ano.
Talvez eu não esteja pronto, mas Soren está, e prometi a ele anos
atrás, quando ele fez o mesmo comigo, que sempre daríamos o que o outro
precisa.
Nós sentamos e Soren aperta minha perna debaixo da mesa.
Ooh, olhe, vinho!
Eu me sirvo um copo e engulo enquanto Soren ri.
Não é que eu tenha medo de contar a todos. Eles estarão em êxtase. É
o fato de que dizer isso em voz alta tornará realidade. Bem, já é real, mas
fará com que seja mais real.
Soren me dá um aceno de cabeça.
─Oi, pessoal!─ Eu digo com a voz rouca.
Todo mundo volta sua atenção para mim.
─Nós, hum, precisamos contar uma coisa para vocês─ Eu limpo a
garganta.
Talvez a verdadeira razão pela qual eu esteja pirando seja porque me
preocupo que eles pensem da mesma maneira que eu. Eu não estou
preparado. Eu ser pai deveria ser ilegal. E não há como esses caras se
conterem. Pois são eles.
─A última vez que estivemos aqui, foi porque Noah estava convencido
de que seria sua última vez. O último hurra. O jogo final. ─ Mal sabiam que
todos voltaríamos esse ano.
É o que eu continuo reiterando para mim mesmo quando a ideia de
ser pai se torna demais. Noah era exatamente o mesmo que eu entrando na
coisa da paternidade - convencido de que ele iria estragar tudo. Convencido
de que mudaria sua vida pelas piores maneiras, e não pelas melhores.
Vê-lo ao longo dos anos com seus filhos me deu toda a fé no mundo
que eu poderia pedir. Noah não apenas conseguiu, ele pode muito bem ser
o melhor pai que eu vejo nesta sala.
Uma vez ele me disse que sentia que estava falhando. Ele não sabia se
eles escolheram a escola certa para Jackie, se estavam dando a ela as
ferramentas certas para poder ter sucesso na vida. Ainda me lembro do que
disse quando ele perguntou: ─E se eu falhar com ela?
Eu olhei nos olhos dele e disse: ─O fato de você se importar tanto em
falhar com ela significa que não vai.
E quando Soren desliza a foto do ultrassom na minha mão, percebo
que serei o mesmo com essa criança.
A razão pela qual estou relutante é porque estou preocupado de me
comportar como meus pais - de que não serei bom o suficiente. Que o
garoto merece melhor.
Então me lembro de que nunca deixarei isso acontecer.
Ainda não conhecemos o bebê, mas já estou apaixonado.
E esses caras vão entender isso. Eles saberão todas as minhas reservas
e, embora isso não os impeça de zombar de mim, eles nos ajudarão se
precisarmos.
Este grupo passou por tantas coisas juntos. Tantos altos e baixos. Mas
a única coisa que todos tivemos nos últimos dez anos é um ao outro.
Minha vida com Soren pode estar prestes a mudar drasticamente,
mas o amor que temos por esses caras e o apoio que eles dão nunca
vacilará.
Estamos prestes a adicionar outro membro à família da brigada gay.
Deslizo a foto sobre a mesa. Os rostos ao redor acendem e os olhos se
arregalam.
─Acho que esse é o nosso jogo final.
FIM

O que devo fazer com a minha vida agora?

Esta série foi um passeio incrível e estou triste por ter terminado. A
série e esses personagens podem ter se aposentando, mas isso não significa
necessariamente que esse universo tenha acabado;)
A HISTÓRIA DO TRAIDOR 21.

OBRIGADO - Em primeiro lugar, um GRANDE obrigado a May


Archer, que me emprestou Silas e sua cidade de O'Leary para o casamento
de Talon e Miller. (Se você não leu o amor dela na série O'Leary, PRECISA
LER.)

Em segundo lugar, quero agradecer a cada pessoa que apoiou e amou


esta série. Dos meus leitores ao meu esquadrão inteiro de betas, primeiros
leitores, editores, designers de capa, leitores do ARC e equipe de relações
públicas.