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CONTABILIDADE

E ANÁLISE DE
BALANÇOS

Professora Me. Juliana Moraes da Silva

GRADUAÇÃO

Unicesumar
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor Executivo de EAD
William Victor Kendrick de Matos Silva
Pró-Reitor de Ensino de EAD
Janes Fidélis Tomelin
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi

NEAD - Núcleo de Educação a Distância


Diretoria Executiva
Chrystiano Mincoff
James Prestes
Tiago Stachon
Diretoria de Graduação e Pós-graduação
Kátia Coelho
Diretoria de Permanência
Leonardo Spaine
Diretoria de Design Educacional
Débora Leite
Head de Produção de Conteúdos
Celso Luiz Braga de Souza Filho
Head de Curadoria e Inovação
Tania Cristiane Yoshie Fukushima
Gerência de Produção de Conteúdo
Diogo Ribeiro Garcia
Gerência de Projetos Especiais
Daniel Fuverki Hey
Gerência de Processos Acadêmicos
Taessa Penha Shiraishi Vieira
Supervisão de Produção de Conteúdo
Nádila Toledo
Coordenador de Conteúdo
Silvio César de Castro
Designer Educacional
Deborha Caroline Batista Rodrigues Arrias
Marcus Vinicius Almeida da Silva Machado
Projeto Gráfico
Jaime de Marchi Junior
José Jhonny Coelho
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a
Arte Capa
Distância; SILVA, Juliana Moraes da.
Arthur Cantareli Silva
Contabilidade e Análise de Balanços. Juliana Moraes da Silva. Ilustração Capa
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2016. Reimpresso em 2019. Bruno Pardinho
192 p.
Editoração
“Graduação - EaD”.
Ellen Jeane da Silva

1. Análise. 2. Contabilidade. 3. Balanços. 4. EaD. I. Título. Qualidade Textual
Kaio Vinicius Cardoso Gomes
ISBN 978-85-459-0531-8 Erica Fernanda Ortega
CDD - 22 ed. 657
Ilustração
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Bruno Pardinho

Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário


João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828

Impresso por:
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos
com princípios éticos e profissionalismo, não so-
mente para oferecer uma educação de qualidade,
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in-
tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos
em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e
espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos
de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de
100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil:
nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba,
Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos
EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e
pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros
e distribuímos mais de 500 mil exemplares por
ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma
instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos
consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos
educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educa-
dores soluções inteligentes para as necessidades
de todos. Para continuar relevante, a instituição
de educação precisa ter pelo menos três virtudes:
inovação, coragem e compromisso com a quali-
dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de
Engenharia, metodologias ativas, as quais visam
reunir o melhor do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é
promover a educação de qualidade nas diferentes
áreas do conhecimento, formando profissionais
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está
iniciando um processo de transformação, pois quando
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou
profissional, nos transformamos e, consequentemente,
transformamos também a sociedade na qual estamos
inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu-
nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de
alcançar um nível de desenvolvimento compatível com
os desafios que surgem no mundo contemporâneo.
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica
e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con-
tribuindo no processo educacional, complementando
sua formação profissional, desenvolvendo competên-
cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em
situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal
objetivo “provocar uma aproximação entre você e o
conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento
da autonomia em busca dos conhecimentos necessá-
rios para a sua formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cresci-
mento e construção do conhecimento deve ser apenas
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita.
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns
e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis-
cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe
de professores e tutores que se encontra disponível para
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
AUTORA

Professora Me. Juliana Moraes da Silva


Mestre em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Maringá (2016).
Possui Bacharelado em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de
Maringá (2006) e Licenciatura em Matemática pela Universidade Estadual de
Maringá (2001). Atualmente, é Perita Contábil nas áreas Civil e Trabalhista,
é também Professora e Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis da
UNICESUMAR - Centro Universitário Cesumar. Possui experiência na área de
Administração, com ênfase em Ciências Contábeis.
APRESENTAÇÃO

CONTABILIDADE E ANÁLISE DE BALANÇOS

SEJA BEM-VINDO(A)!

Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a)!


Há uma frase bastante popular que diz o seguinte: “Para quem não sabe aonde quer
chegar, qualquer caminho serve”.
É mais ou menos assim que muitas pessoas vivem, não sabem o que querem, seguem
por qualquer caminho e por isso, nunca conseguem nada, nem chegam a lugar nenhum.
Mas você é diferente, você escolheu o caminho da academia e, para seguir este caminho
é preciso traçar uma meta e, para buscá-la, é necessário planejamento, organização, per-
severança, conhecer as possibilidades e aproveitar as oportunidades. Tenha calma, você
vai chegar lá, mas deve ser um passo de cada vez. No ensino a distância, é a sua discipli-
na de cada dia, de cada mês, de cada ano, que lhe mostrará que você está chegando lá.
Temos o desejo de contribuir com a construção do seu conhecimento. E é com grande
satisfação que este material de Contabilidade e Análise de Balanços foi especialmente
elaborado para auxiliar nos passos da sua caminhada.
O presente material está estruturado em 5 unidades, nas quais apresentamos uma ex-
planação teórica acerca dos temas abordados, exemplos, dicas e sugestões de leituras
complementares, exercícios resolvidos, finalizando com uma lista de atividades.
A inserção da contabilidade como ciência social e os princípios que norteiam a con-
tabilidade financeira estão apresentados na Unidade I. Na Unidade II, constam alguns
conceitos básicos para a sistematização do objeto de estudo da contabilidade: o patri-
mônio. As demonstrações contábeis, também chamadas de demonstrações financeiras,
são apresentadas aos alunos na Unidade III. Finalizada esta etapa de conhecimento da
contabilidade, dá-se início à análise destes demonstrativos. Na unidade IV, destacam-se
os procedimentos necessários que antecedem a análise e evidenciam duas técnicas de
análise: análise vertical e horizontal. Por fim, na última Unidade, é abordado uma impor-
tante técnica de análise: os indicadores.
Ante todo o exposto, não perca mais tempo, o seu futuro só depende de você. Vamos
dar o próximo passo? Bons estudos!
09
SUMÁRIO

UNIDADE I

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE

15 Introdução

16 Ciência Contábil

19 Pessoas Física e Jurídica

24 Objeto, Objetivo e Usuários da Contabilidade

29 Campo de Atuação da Ciência Contábil

32 Princípios de Contabilidade

39 Atributos da Informação Contábil

42 Considerações Finais

50 Referências

51 Gabarito

UNIDADE II

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO

55 Introdução

56 Bens e Direitos Econômicos

60 Obrigações

62 Patrimônio

67 Balanço Patrimonial

70 Ativo

74 Passivo
10
SUMÁRIO

76 Patrimônio Líquido

80 Origens e Aplicações

81 Balanços Sucessivos

86 Considerações Finais

94 Referências

95 Gabarito

UNIDADE III

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

99 Introdução

100 Demonstrações Financeiras

103 Demonstração do Resultado do Exercício

111 Outras Demonstrações Financeiras

128 Considerações Finais

134 Referências

135 Gabarito

UNIDADE IV

ANÁLISE VERTICAL E HORIZONTAL

139 Introdução

140 Introdução à Análise das Demonstrações Financeiras

143 Análise Vertical


11
SUMÁRIO

146 Análise Horizontal

151 Considerações Finais

158 Referências

159 Gabarito

UNIDADE V

ANÁLISE DE INDICADORES FINANCEIROS

163 Introdução

166 Índice de Liquidez

170 Índice de Endividamento

172 Índice de Lucratividade

176 Índice de Rentabilidade

178 Considerações Finais

185 Referências

187 Gabarito

188 CONCLUSÃO
Professora Me. Juliana Moraes da Silva

ESTRUTURA BÁSICA DA

I
UNIDADE
CONTABILIDADE

Objetivos de Aprendizagem
■■ Compreender a inserção da ciência contábil na ciência social.
■■ Diferenciar as pessoas físicas das jurídicas.
■■ Reconhecer o objeto, objetivo e usuários internos e externos da
contabilidade.
■■ Identificar os campos de atuação da contabilidade na atualidade.
■■ Conhecer os princípios de contabilidade da Resolução CFC n. 750-
1993 e alterações.
■■ Verificar os atributos da informação contábil da Resolução CFC n.
185-1995.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Ciência contábil
■■ Pessoas física e jurídica
■■ Objeto, objetivo e usuários da Contabilidade
■■ Campo de atuação da ciência contábil
■■ Princípios de Contabilidade
■■ Atributos da Informação contábil
15

INTRODUÇÃO

Olá caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) ao mundo da contabilidade! Aqui, nem


tudo são números e cálculos, mas tudo ocorre de maneira lógica. O conteúdo
desta disciplina cumulado com seu conhecimento acerca do mundo à sua volta,
em especial o seu conhecimento em relação ao mundo dos negócios, lhe pro-
porcionará condições de melhor investir ou negociar.
A compreensão da contabilidade amplia o conhecimento acerca dos fatos
ocorridos na empresa e a possibilidade de análise. Você perceberá a importância
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

de se compreender o sentido das palavras de acordo com a terminologia con-


tábil. Neste estudo, vários termos que são usuais no seu dia a dia são trazidos
para análise. São termos que talvez você nunca tenha parado pra analisar o sig-
nificado nos termos da lei.
A compreensão da estrutura básica da contabilidade trabalhada e possibi-
lita o desenvolvimento do aprendizado de forma clara e efetiva, uma vez que
alguns termos comuns no uso de nosso dia a dia, bem como Ciências e Pessoas,
são definidos à luz da terminologia contábil.
A contabilidade surgiu em razão da necessidade do homem. Sua histó-
ria confunde-se com a própria história da civilização, totalmente interligada
com atividades de interpretação dos fatos ocorridos e propostos pelo homem.
Mesmo estando em uma sociedade em constante evolução, o objeto de estudo e
o objetivo da contabilidade permanecem praticamente inalterados desde a sua
sistematização.
O campo de atuação da contabilidade é amplo e diversificado, vai desde
aplicações para fins fiscais e controle até a interferência no processo decisório,
razões pelas quais as informações geradas pela contabilidade devem ocorrer de
forma fidedigna e em tempo real, refletindo a real situação econômica e finan-
ceira da empresa. Os principais usuários da informação financeira são credores
e investidores em potencial, mas gestores e funcionários também utilizam os
dados contábeis evidenciados nas demonstrações.
As normas brasileiras de contabilidade são de observância obrigatória. Os
pilares que permitem todo o arcabouço teórico contábil consistem nos Princípios
de Contabilidade, abordados de forma simplificada. Ótimo estudo!

Introdução
16 UNIDADE I

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©shutterstock

CIÊNCIA CONTÁBIL

Ciência: “conjunto de conhecimentos socialmente adquiridos ou produzidos, his-


toricamente acumulados, dotados de universalidade e objetividade que permitem
sua transmissão e, estruturados com métodos, teorias e linguagens próprias, que
visam compreender e, possivelmente, orientar a natureza e as atividades huma-
nas” (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 2009).
Para Lakatos e Marconi (2010), o Método Científico é uma forma de inves-
tigação da natureza e pode ser elencado nas seguintes etapas:
■■ A identificação do problema ou observação do fenômeno: ato de exami-
nar minuciosamente qualquer coisa.
■■ Levantamento de hipóteses: o problema deve ser identificado e enunciado
de tal maneira que todos entendam do que se trata.
■■ Os experimentos científicos: ocorrem quando se realiza todos os expe-
rimentos teóricos e práticos em busca de explicações para determinado
problema.

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


17

■■ A publicação do trabalho: quando já se chegou a uma conclusão e deve-


-se expô-lo à crítica da comunidade científica. Desse modo, pode-se levar
a tecnologia à todas as partes do mundo.

A ciência tem várias divisões, das quais destacam-se:


Ciência Exata: qualquer campo da ciência capaz de expressar quantida-
des, predições precisas e métodos rigorosos de testar hipóteses, especialmente
os experimentos reprodutíveis envolvendo predições e medições quantificáveis
pela Matemática, Física, Engenharia, Química, Estatística.
Ciência Social: ramo da ciência que estuda os aspectos sociais do ser
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humano. Propõe conhecer o ser humano enquanto elemento integrante de


grupo organizado.
A Ciência Contábil ou Contabilidade é uma Ciência Social. Para Franco
(1989), a contabilidade é uma ciência social que estuda os fenômenos no patri-
mônio das entidades, mediante registro, classificação, demonstração, análise e
interpretação dos fatos contábeis, objetivando oferecer informações e orienta-
ções para o auxílio na tomada de decisões.
Embora a contabilidade utilize métodos quantitativos, não se pode interpre-
tar a aplicação como sendo uma ciência exata, pois esta objetiva as quantidades
abstratas que independem de ações humanísticas e não as aplicações.
A ciência da contabilidade, na condição de ciência humana, tem um relacio-
namento estreito com as outras áreas do conhecimento universal. Diante desta
interface o estudo da ciência contábil não pode deixar de conhecer os aspectos
das outras ciências que se aplicam ao seu estudo, tanto no campo teórico como
no prático ou operacional.

Ciência Contábil
18 UNIDADE I

A Resolução 750/93 (on-line)1 do Conselho Federal de Contabilidade, em


seu apêndice, descreve que:
Contabilidade possui objeto próprio – o Patrimônio das Entidades – e consis-
te em conhecimentos obtidos por metodologia racional, com as condições
de generalidade, certeza e busca das causas, em nível qualitativo semelhan-
te às demais ciências sociais. A Resolução alicerça-se na premissa de que a
Contabilidade é uma Ciência Social com plena fundamentação epistemoló-
gica. Por consequência, todas as demais classificações – método, conjunto
de procedimentos, técnica, sistema, arte, para citarmos as mais correntes
– referem-se a simples facetas ou aspectos da contabilidade, usualmente

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concernentes à sua aplicação prática, na solução de questões concretas.
O patrimônio também é objeto de outras ciências sociais – por exemplo, da
Economia, da Administração e do Direito – que, entretanto, o estudam por
ângulos diversos daquele da contabilidade, que o estuda nos seus aspec-
tos quantitativos e qualitativos. A contabilidade busca, primordialmente,
aprender, no sentido mais amplo possível, e entender as mutações sofridas
pelo patrimônio, tendo em vista, muitas vezes, uma visão prospectiva de
possíveis variações. As mutações tanto podem decorrer da ação do homem,
quanto, embora quase sempre secundariamente, dos efeitos da natureza
sobre o patrimônio.

Assim como as casas são feitas de pedras, a ciência é feita de fatos. Mas uma
pilha de pedras não é uma casa e uma coleção de fatos não é, necessaria-
mente, ciência.
(Jules Henri Policare)

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


19

PESSOAS FÍSICA E JURÍDICA


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

©shutterstock

Desde os tempos mais remotos o homem procurou se agrupar, viu que sozinho,
sem ajuda mútua, não poderia sobreviver. Com o passar dos anos, passou a se
juntar, principalmente para a realização de determinados objetivos comuns ou
negócios, criando as companhias ou empresas.
Hoje, por força de lei, a pessoa natural recebe o nome de pessoa física, e as
pessoas físicas, quando identificadas por um número de Cadastro Nacional de
Pessoa Jurídica (CNPJ), são denominadas pessoas jurídicas.

Pessoas Física e Jurídica


20 UNIDADE I

©Shutterstock

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Pessoa Física Pessoa Jurídica
Figura 1 – Pessoa física e pessoa jurídica.

A Contabilidade, na condição de Ciência Social, se vincula às pessoas.

Pessoas de acordo com o código civil brasileiro – lei 10.406, de


10/01/2002

Observamos que no ambiente social muitas forças coexistem e se relacionam


umas com as outras, em ambiente de conflito ou harmonia. Destacam-se den-
tre estas forças, as pessoas naturais/físicas e jurídicas.

Pessoa Natural ou Física

a) Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil (Art. 1º);


b) A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a
lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro (Art. 2º);

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


21

c) A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta,


quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão defi-
nitiva. (Art. 6º);
Assim, quando deparamos com qualquer ser humano, estamos deparando com
uma pessoa natural ou física.

Pessoa Jurídica

O código civil classifica as pessoas jurídicas como sendo de direito público


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(interno ou externo), e de direito privado.

Pessoas Jurídicas de Direito Público Interno (Art.41):


I - a União; (Ex: República Federativa do Brasil).

II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; (Ex: Estado do Pa-


raná).

III - os Municípios; (Ex: Município de Maringá).

IV- as autarquias, inclusive as associações públicas.

V - as demais entidades de caráter público criadas por lei.

Pessoas Jurídicas de Direito Público Externo


Consideram-se Pessoas Jurídicas de Direito Público Externo os Estados estran-
geiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público
(Art. 42). (Ex: Estados Unidos da América, Portugal, ONU).

Pessoas Jurídicas de Direito Privado


Correspondem às pessoas que não são públicas. Começa a existência legal das
Pessoas Jurídicas de Direito Privado com a inscrição do ato constitutivo (Contrato
Social, Estatuto) no respectivo registro, precedida, quando necessário, de auto-
rização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as
alterações por que passar o ato constitutivo. A sociedade adquire personalidade
jurídica com a inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus atos cons-
titutivos (Arts. 45, 985 e 1150).

Pessoas Física e Jurídica


22 UNIDADE I

Termina a existência da pessoa jurídica com a inscrição do destrato social no


respectivo órgão de registro.

São Pessoas Jurídicas de Direito Privado (Art. 44):


I - as associações.

II - as sociedades.

III - as fundações.

IV - as organizações religiosas.

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V - os partidos políticos.

A pessoa física que exerce qualquer atividade econômica de natureza ci-


vil ou comercial, com a finalidade de obtenção de lucro, mediante venda
a terceiro de bens ou serviços, é considerada por força de lei como pessoa
jurídica, exceto quanto às profissões de que trata o art. 150, § 2º, do Decreto
nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda
– RIR.
Fonte: Decreto nº 3.000 (1999)².

Pessoas no sentido contábil

Para a ciência contábil, fora do contexto do Código Civil Brasileiro, o conceito


e classificação das entidades contábeis são os seguintes:

Entidade Contábil ou Azienda

A Entidade Contábil/Azienda pode ser definida como um patrimônio sob a


ação administrativa do homem, que age sobre ele praticando atos de natureza
econômica.

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


23

Segundo o Novo Dicionário Aurélio (2009), azienda é:


complexo de obrigações, bens materiais e direitos que constituem um
patrimônio, representados em valores ou que podem ser objeto de
apreciação econômica, considerado juntamente com a pessoa natural
ou jurídica que tem sobre ele poderes de administração e disponibili-
dade.

As entidades contábeis/aziendas, quanto aos fins, classificam-se em:


a) Sociais: são aquelas cujo fim é apenas social, ou seja, não visam lucros.
Podemos citar como aziendas sociais as associações beneficentes, esportivas,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

culturais, recreativas etc.


b) Econômico-sociais: são aquelas que além de terem finalidades sociais
buscam, também, um aumento delas mesmas, com o objetivo de prestar ser-
viços, pecúlios, benefícios etc. às pessoas que contribuíram para sua formação.
Podemos citar como exemplo desse tipo de azienda os institutos de pensão, apo-
sentadoria, pecúlio e previdência.
c) Econômicas: são aquelas constituídas com a finalidade de obter lucros que
seriam revertidos em seu próprio benefício e no das pessoas que contribuíram
para sua formação. Nesse tipo de azienda, podemos classificar todas as socieda-
des comerciais, industriais, agrícolas, de serviços, além de outras que tenham
lucro como finalidade. No Brasil, essas entidades econômicas são denomina-
das sociedades empresariais, empresas, fundos de comércio, estabelecimento.
As entidades contábeis/aziendas, quanto aos seus proprietários, classificam-se em:
a) Públicas: são as que pertencem à comunidade, mas que podem estar sob
a administração do poder público ou privado. Podemos citar, por exemplo, as
fundações, os sindicatos, as fundações com fins educacionais, intelectuais, espor-
tivos e, o próprio Estado.
b) Particulares: são as propriedades particulares pertencentes a uma pessoa
ou a um grupo de pessoas, como as sociedades civis ou comerciais ou o próprio
patrimônio de uma família.

Pessoas Física e Jurídica


24 UNIDADE I

OBJETO, OBJETIVO E USUÁRIOS DA


CONTABILIDADE

O estudo de uma nova disciplina é de importância ímpar para composição do


conhecimento. O perfeito entendimento dos conceitos básicos envolvidos em
cada desafio requer a compreensão de termos e expressões adotadas nas áreas
exploradas.
Mas afinal, o que é Contabilidade?
Contabilidade é a ciência que estuda e pratica as funções de orientação, de

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
controle e de registro relativas à administração econômica.
A Contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avalia-
ção destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de
natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação
à entidade objeto de contabilização (Deliberação 29/1986 da Comissão
de Valores Mobiliários).

A Contabilidade é a ciência que estuda o patrimônio à disposição das azien-


das em seus aspectos estáticos e em suas variações, para evidenciar os efeitos da
administração sobre a formação e a distribuição dos créditos.

©Shutterstock

Figura 2 – Usuários da contabilidade: credores, financiadores e fornecedores

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


25

Objeto de estudo da contabilidade

A contabilidade registra, controla, analisa e relata os fatos que afetam o patri-


mônio econômico.
Desta forma, pode-se dizer que o objeto de estudo da Contabilidade é o
Patrimônio das entidades contábeis e suas variações.

Objetivo da contabilidade
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A Contabilidade é classificada como ciência social e estuda o Patrimônio com


a finalidade de fornecer aos seus usuários informações econômicas, financei-
ras e patrimoniais, sendo esse o objetivo e o fim que justifica a existência da
Contabilidade.
Para Szuster et al. (2013), contabilidade é um sistema de informação e avalia-
ção destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza
econômica, financeira, física e de produtividade no que tange à entidade objeto
da contabilização.
Na figura a seguir, observa-se o sistema para processamento de dados:
Figura 3 - Processamento de dados

Fonte: adaptado de Szuster et al. (2013).

Objeto, Objetivo e Usuários da Contabilidade


26 UNIDADE I

Diante do exposto, pode-se afirmar que os objetivos da contabilidade são:


Proceder ao registro da estrutura societária da organização, bem como, altera-
ções futuras.
■■ Registrar, analisar e controlar o patrimônio das entidades.
■■ Gerar informações para tomada de decisão da administração.
■■ Gerar informações para terceiros com vínculo de interesse para com o
empreendimento (acionistas, investidores, fornecedores, governo etc.).
Silva (2002, on-line)3, afirma que a Contabilidade pode ser estudada de modo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
geral (para todas as empresas) ou em particular (aplicada em certo ramo de ativi-
dade ou setor da economia). Assim, no estudo da Contabilidade pode-se enfocar,
dentre outros, os seguintes ramos:
■■ Contabilidade Comercial e de Serviços.
■■ Contabilidade Industrial.
■■ Contabilidade Bancária.
■■ Contabilidade Hospitalar.
■■ Contabilidade Pública.
■■ Contabilidade Agropecuária.
■■ Contabilidade Securitária.
■■ Contabilidade de Transporte (rodoviário, marítimo, aéreo).
■■ Contabilidade das Pessoas Físicas e Atividade Rural.
■■ Contabilidade de Autônomos.

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


27

Usuários da contabilidade

Considera-se usuário TODAS as pessoas que se utilizam da Contabilidade. Os


usuários da informação contábil podem ser internos e externos, correspondem
a todas as entidades contábeis (pessoas físicas e jurídicas) que, direta ou indi-
retamente, tenham interesses na avaliação e na situação da entidade contábil.
De acordo com o CPC 00 (R1) (2011, on-line)4:
as demonstrações contábeis são elaboradas e apresentadas para usuá-
rios externos em geral, tendo em vista suas finalidades distintas e ne-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

cessidades diversas. Governos, órgãos reguladores ou autoridades tri-


butárias, por exemplo, podem determinar especificamente exigências
para atender a seus próprios interesses.

A depender do tamanho da empresa e da tecnologia utilizada, a diversidade de


informação gerada é extensa, possibilitando atender a uma gama de usuários.
Usuários internos como os administradores se valem de informações finan-
ceiras e operacionais, como por exemplo, ciclo financeiro, ciclo operacional, fluxo
de caixa, tempo de estocagem. Já os empregados, têm interesse em informações
quanto à capacidade de pagamento da empresa.
De acordo com Castro (2014), o usuário interno principal da informação
contábil é a alta administração, que pela proximidade à Contabilidade, pode
solicitar a elaboração de relatórios e demonstrativos de acordo com suas neces-
sidades específicas, auxiliando na gestão do negócio. Os relatórios específicos
podem, além de abranger quaisquer áreas de informação (fluxo financeiro, dis-
ponibilidades, contas a pagar, contas a receber, aplicações financeiras, compra e
vendas no dia ou no período e os gastos gerais de funcionamento), ser elabora-
dos diariamente ou em curtos períodos de tempo (semana, quinzena, mês etc.),
de acordo com as necessidades administrativas.
Os usuários externos concentram suas atenções, de forma geral, em aspec-
tos mais genéricos, expressos nas demonstrações contábeis.

Objeto, Objetivo e Usuários da Contabilidade


28 UNIDADE I

Para Miranda (2002, on-line)5, os usuários externos são todas as pessoas ou


grupos de pessoas sem facilidade de acesso direto às informações, mas que as
recebem de publicações das demonstrações pela entidade, tais como:
■■ Bancos: interessados nas demonstrações financeiras a fim de analisar a
concessão de financiamentos e medir a capacidade de retorno do capi-
tal emprestado.
■■ Concorrentes: interessados em conhecer a situação da empresa para poder
atuar no mercado.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ Governo: necessita obter informações sobre as receitas e as despesas, para
poder atuar sobre o resultado operacional no que concerne a sua parcela
de tributação.
■■ Fornecedores: interessados em conhecer a situação da entidade para poder
continuar ou não as transações comerciais com a entidade, além de medir
a garantia de recebimento futuro.
■■ Clientes: interessados em medir a integridade da entidade e a garantia de
que seu pedido será atendido nas suas especificações e no tempo acordado.
■■ A qualidade da informação fornecida aos usuários deve sempre ser asse-
gurada pelos Princípios de Contabilidade.

Todos podem utilizar informações financeiras geradas pela contabilidade,


desde credores, investidores até mesmo os empregados da empresa.

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


29
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

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CAMPO DE ATUAÇÃO DA CIÊNCIA CONTÁBIL

A contabilidade é aplicada a qualquer tipo de pessoa que exerça atividades para


alcançar determinados fins, sejam eles lucrativos ou não.
O campo de atuação da Contabilidade no sentido mais amplo é a azienda.
Está presente nas empresas públicas e privadas para fornecer diversos tipos de
informações.
Szuster et al. (2013) afirma que “a atuação segmentada da Contabilidade
Gerencial, da Contabilidade Financeira e da Contabilidade Fiscal retrata este
processo que fornece, no conjunto, as informações mais utilizadas no mundo
dos negócios”.
Uma síntese das características dos campos de atuação da contabilidade pode
ser verificada no Quadro 1.

Campo de Atuação da Ciência Contábil


30 UNIDADE I

Quadro 1 – Características dos segmentos da contabilidade

CONTABILIDADE CONTABILIDADE CONTABILIDADE


CARACTERÍSTICAS
GERENCIAL FINANCEIRA FISCAL

Adoção e elaboração Facultativa Obrigatória Obrigatória

Utilizada para Relações Internas. Relações externas. Relações Tributárias.

Condicionada às
Não está condicionada às Condicionado às
Vínculo à legislação disposições legais e
disposições legais. disposições legais.
tributárias.
Normalmente o fisco

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Deve acompanhar
Vínculo aos Princí- acompanha, mas tem
Não precisa acompanhar. todos os Princípios
pios Contábeis poder de determinar
de Contabilidade.
tratamento diferente.
Conjunto completo
Relatórios para planeja- Relatórios específicos
Produto Principal de demonstrações
mento e controle. exigidos por lei.
contábeis.
Empresa como um Empresa como um
Visão da empresa Interesse nas partes.
todo. todo.
Relevante e confi-
A informação é Rápida. Precisa (objetiva).
ável.

Essência econômica Objetividade e lega-


A informação busca Utilidade.
das transações. lidade.

Fonte: adaptado de Szuster et al. (2013).

A rapidez de comunicação e informação entre pessoas e países trouxe consequências


determinantes para a Entidade Contábil, tornando-a mais competitiva, global,
instável e complexa. Em razão desses fatos, as Entidades Contábeis passaram a
exigir uma Contabilidade em tempo real, não só das informações patrimoniais até
então geradas, mas também de outras de natureza financeira, econômica, social.
O usuário da contabilidade não se contenta mais com informações fracionadas,
quer uma visão contextualizada, integral de todo o sistema que envolve a entidade
contábil.

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


31

A barreira que a contabilidade tradicional tinha em transformar a enorme


quantidade de dados em informações úteis para a entidade contábil está sendo
vencida graças à informática. Atualmente, as informações estão sendo geradas
de forma eficaz, gerando maior segurança no controle.
Vale ressaltar caro(a) aluno(a), que dentre as principais invenções da huma-
nidade, encontra-se a Contabilidade. A Contabilidade nasceu com a civilização
e jamais deixará de existir em decorrência dela. Sem a contabilidade, os negó-
cios não teriam avançado e a humanidade não teria o grau de progresso hoje
alcançado. Enfim, uma vez mais cabe à Contabilidade revolucionar sua estru-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

tura, para se adaptar ao meio cultural vigente, com geração de informações de


forma rápida e transparente.
É importante destacar que as práticas contábeis mundiais tendem a se uni-
ficarem, a falarem uma só linguagem contábil, de forma que o interessado possa
entender e comparar os resultados das informações contábeis em qualquer parte
do mundo.

Aquele que se enamora da prática, é como o navegante que entra no navio


sem timão e bússola, que jamais tem certeza de onde vai. Sempre a prática
deve ser edificada sobre uma boa teoria.
(Leonardo Da Vinci)

Campo de Atuação da Ciência Contábil


32 UNIDADE I

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE

Cada ciência estabelece normas, regras, princípios e leis a serem cumpridas. Na


Contabilidade, os princípios correspondem às premissas básicas, são as normas
resultantes do desenvolvimento da aplicação prática dos princípios técnicos
emanados da contabilidade, de uso predominante no meio que se aplicam, pro-
porcionando interpretação uniforme das demonstrações contábeis.
Os princípios de Contabilidade oficiais no Brasil foram estabelecidos pelo
Conselho Federal de Contabilidade, através da Resolução CFC nº 750/1993, que
foi e continua sendo referência para outros organismos normativos e reguladores
brasileiros. A sua observância é obrigatória no exercício da profissão e constitui
condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade.
A Resolução CFC n° 1.282/2010 atualiza e consolida os dispositivos da
Resolução CFC nº 750/1993, que continua sendo, nesse novo cenário convergido,
o alicerce para o julgamento profissional na aplicação das Normas Brasileiras
de Contabilidade.
De acordo com o Art. 2º da Resolução CFC nº 750/1993, com a redação dada
pela Resolução CFC n° 1.282/2010:

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


33

os Princípios de Contabilidade representam a essência das doutrinas e


teorias relativas à Ciência da Contabilidade, consoante o entendimen-
to predominante nos universos científico e profissional de nosso País.
Concernem, pois, à Contabilidade no seu sentido mais amplo de ciên-
cia social, cujo objeto é o patrimônio das entidades.

O Art. 3° da citada norma, consta os seguintes Princípios de Contabilidade:


I. Princípio da Entidade.

II. Princípio da Continuidade.

III. Princípio da Oportunidade.


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IV. Princípio do Registro pelo Valor Original.

V. Princípio da Competência.

VI. Princípio da Prudência.

I. O princípio da entidade

Art. 4º - O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da


Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação
de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, indepen-
dentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade
ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos.
Por consequência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles
dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. 
Parágrafo único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca
não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não
resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômico-contábil. 

Princípios de Contabilidade
34 UNIDADE I

II. O princípio da continuidade

Art. 5º - O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em


operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componen-
tes do patrimônio levam em conta esta circunstância.

III. O princípio da oportunidade

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Art. 6º - O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e
apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações ínte-
gras e tempestivas. 
Parágrafo único. A falta de integridade e tempestividade na produção e na
divulgação da informação contábil pode ocasionar a perda de sua relevância,
por isso é necessário ponderar a relação entre a oportunidade e a confiabilidade
da informação.

IV. O princípio do registro pelo valor original

O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os componentes do


patrimônio devam ser inicialmente registrados pelos valores originais das tran-
sações, expressos em moeda nacional. 
§ 1º. As seguintes bases de mensuração devem ser utilizadas em graus dis-
tintos e combinadas, ao longo do tempo, de diferentes formas: 
I – Custo histórico. Os ativos são registrados pelos valores pagos ou a serem
pagos em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos que
são entregues para adquiri-los na data da aquisição. Os passivos são registra-
dos pelos valores dos recursos que foram recebidos em troca da obrigação ou,
em algumas circunstâncias, pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os
quais serão necessários para liquidar o passivo no curso normal das operações; e 

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


35

II – Variação do custo histórico. Uma vez integrado ao patrimônio, os com-


ponentes patrimoniais, ativos e passivos, podem sofrer variações decorrentes
dos seguintes fatores:

a) Custo corrente. Os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equiva-


lentes de caixa, os quais teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos equivalentes
fossem adquiridos na data ou no período das demonstrações contábeis. Os pas-
sivos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, não
descontados, que seriam necessários para liquidar a obrigação na data ou no
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

período das demonstrações contábeis. 

b) Valor realizável. Os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou equivalen-


tes de caixa, os quais poderiam ser obtidos pela venda em uma forma ordenada.
Os passivos são mantidos pelos valores em caixa e equivalentes de caixa, não
descontados, que se espera seriam pagos para liquidar as correspondentes obri-
gações no curso normal das operações da Entidade. 

c) Valor presente. Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado do


fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no
curso normal das operações da Entidade. Os passivos são mantidos pelo valor
presente, descontado do fluxo futuro de saída líquida de caixa que se espera seja
necessário para liquidar o passivo no curso normal das operações da Entidade. 

d) Valor justo. É o valor pelo qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo
liquidado, entre partes conhecedoras, dispostas a isso, em uma transação sem
favorecimentos.

e) Atualização monetária. Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda


nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis mediante o ajustamento
da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais. 

Princípios de Contabilidade
36 UNIDADE I

§ 2º. São resultantes da adoção da atualização monetária: 

I – a moeda, embora aceita universalmente como medida de valor, não repre-


senta unidade constante em termos do poder aquisitivo. 

II – para que a avaliação do patrimônio possa manter os valores das transações


originais, é necessário atualizar sua expressão formal em moeda nacional, a fim
de que permaneçam substantivamente corretos os valores dos componentes
patrimoniais e, por consequência, o do Patrimônio Líquido.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
III – a atualização monetária não representa nova avaliação, mas tão somente o
ajustamento dos valores originais para determinada data, mediante a aplicação
de indexadores ou outros elementos aptos a traduzir a variação do poder aqui-
sitivo da moeda nacional em um dado período.

V. O princípio da competência
Art. 9º. O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e
outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independen-
temente do recebimento ou pagamento.
Parágrafo único: O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade
da confrontação de receitas e de despesas correlatas.
O princípio da competência é um dos mais importantes em termos em
relação à verificação do resultado das entidades, nesse sentido, Castro (2014)
apresenta os seguintes exemplos, um para gastos e outro para receitas:

Exemplo 1: Gastos
Suponhamos que a assinatura semestral de um jornal custou $120,00 e esta quan-
tia foi paga para a editora em quatro vezes sem juros de $30,00. No regime de
caixa, respectivamente no fluxo de caixa, os valores pagos serão considerados

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


37

e agendados no momento em que ocorrerá seu pagamento, ou seja, $30,00 por


mês. Já no regime de competência, a despesa deverá ser apropriada $20,00 por
mês perfazendo um total de $120,00 (período de seis meses de assinatura), inde-
pendente de como ela foi paga.

Veja como ficaria o lançamento dessa transação pelo regime de caixa:


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Veja como ficaria o lançamento dessa transação pelo regime de competência:

A receita só é considerada no regime de caixa quando for recebida, indepen-


dente do momento que esta foi realizada. O que se considera aqui é o momento
em que foi recebida e não o momento em que foi efetuado o negócio e emitido
a nota fiscal de venda. Lembrando, a contabilidade trabalha com o regime de
competência.
Havendo a venda de um bem para pagamento futuro, ou seja, uma venda
a prazo: no regime de caixa a receita só será considera quando for recebida, ou
seja, no dia que a parcela correspondente for quitada pelo cliente. Esse agenda-
mento do recebimento da parcela será efetuado junto ao fluxo de caixa. Já no
regime de competência a receita é considerada receita ganha no momento da
negociação, ou seja, o total da emissão da nota fiscal de venda, independente do
momento que será paga.

Princípios de Contabilidade
38 UNIDADE I

Exemplo 2: Receitas
Na venda de mercadorias a prazo no mês de janeiro no valor de $200,00, sendo
o recebimento em quatro parcelas iguais de $50,00, sendo uma parcela à vista e
as demais três parcelas nos próximos meses, veja como ficaria:

Lançamento dessa transação pelo regime de caixa:

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Lançamento dessa transação pelo regime de competência:

Veja que nesse caso da venda, como supostamente a mercadoria sai da empresa
no momento da venda, ou seja, ela deixa o patrimônio da empresa, ela é conta-
bilizada em sua totalidade no primeiro mês. Resumindo:

VI. O princípio da prudência 

Art. 10. O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor para


os componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se
apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações
patrimoniais que alterem o patrimônio líquido. 

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


39

Parágrafo único: o Princípio da Prudência pressupõe o emprego de certo


grau de precaução no exercício dos julgamentos necessários às estimativas em
certas condições de incerteza, no sentido de que ativos e receitas não sejam
superestimados e que passivos e despesas não sejam subestimados, atribuindo
maior confiabilidade ao processo de mensuração e apresentação dos compo-
nentes patrimoniais.
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ATRIBUTOS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL

Como a RESOLUÇÃO Nº 785/95 (on-line)6 do Conselho Federal de Contabilidade


que aprova a NBC T 1 (Normas Brasileiras de Contabilidade – Técnicas) –
Características da Informação Contábil, descreve de forma completa sobre os seus
atributos e características, a mesma encontra-se reproduzida em parte a seguir:
DOS ATRIBUTOS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL

1.3.1 – A informação contábil deve ser, em geral e antes de tudo, veraz


e equitativa, de forma a satisfazer as necessidades comuns a um grande
número de diferentes usuários, não podendo privilegiar deliberada-
mente a nenhum deles, considerado o fato de que os interesses destes
nem sempre são coincidentes.

1.3.2 – A informação contábil, em especial aquela contida nas demons-


trações contábeis, notadamente as previstas em legislação, deve propi-
ciar revelação suficiente sobre a entidade, de modo a facilitar a concre-
tização dos propósitos do usuário, revestindo-se de atributos, entre os
quais, são indispensáveis os seguintes:

■■ confiabilidade.
■■ tempestividade.
■■ compreensibilidade.
■■ comparabilidade.

Atributos da Informação Contábil


40 UNIDADE I

1.4 – DA CONFIABILIDADE
1.4.1 – A confiabilidade é atributo que faz com que o usuário aceite a
informação contábil e a utilize como base de decisões, configurando,
pois, elemento essencial na relação entre aquele e a própria informa-
ção.

1.4.2 – A confiabilidade da informação fundamenta-se na veracidade,


completeza e pertinência do seu conteúdo.

§ 1º A veracidade exige que as informações contábeis não contenham


erros ou vieses, e sejam elaboradas em rigorosa consonância com os
Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de
Contabilidade e, na ausência de norma específica, com as técnicas e

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procedimentos respaldados na ciência da contabilidade, nos limites de
certeza e previsão por ela possibilitados.

§ 2º A completeza diz respeito ao fato de a informação compreender todos


os elementos relevantes e significativos sobre o que pretende revelar ou
divulgar, como transações, previsões, análises, demonstrações, juízos
ou outros elementos.

§ 3º A pertinência requer que seu conteúdo esteja de acordo com a


respectiva denominação ou título.

1.5 – DA TEMPESTIVIDADE
1.5.1 – A tempestividade refere-se ao fato de que a informação contá-
bil deve chegar ao conhecimento do usuário em tempo hábil, a fim de
que este possa utilizá-la para seus fins.

1.5.2 – Nas informações preparadas e divulgadas sistematicamente,


como as demonstrações contábeis, a periodicidade deve ser mantida.
Quando por qualquer motivo, inclusive de natureza legal, a periodi-
cidade for alterada o ato e suas razões devem ser divulgados junto à
própria informação.

1.6 – DA COMPREENSIBILIDADE
1.6.1 – A informação contábil deve ser exposta da forma mais com-
preensível possível ao usuário que se destine.

§ 1º A compreensibilidade presume que o usuário disponha de


conhecimentos de Contabilidade e dos negócios e atividades da
entidade, em nível que o habilite ao entendimento das informações
colocadas à sua disposição, desde que se proponha a analisá-las, pelo
tempo e com a profundidade necessários.

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


41

§ 2º A eventual dificuldade ou mesmo a impossibilidade de


entendimento suficiente das informações contábeis por algum usuário
jamais será motivo para a sua não divulgação.

1.6.2 – A compreensibilidade concerne à clareza e objetividade com


que a informação contábil é divulgada, abrangendo desde elementos
de natureza formal, como a organização espacial e recursos gráficos
empregados, até a redação e técnica de exposição utilizadas.

§ 1º A organização espacial, os recursos gráficos e as técnicas de


exposição devem promover o entendimento integral da informação
contábil, sobrepondo-se, pois, a quaisquer outros elementos, inclusive
de natureza estética.
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§ 2º As informações contábeis devem ser expressas no idioma nacional,


sendo admitido o uso de palavras em língua estrangeira somente no
caso de manifesta inexistência de palavra com significado idêntico na
língua portuguesa.

1.7 – DA COMPARABILIDADE
1.7.1 – A comparabilidade deve possibilitar ao usuário o conhecimen-
to da evolução entre determinada informação ao longo do tempo,
numa mesma entidade ou em diversas Entidades, ou a situação destas
num momento dado, com vista a possibilitar-se o conhecimento das
suas posições relativas.

1.7.2 – A concretização da comparabilidade depende da conservação


dos aspectos substantivos e formais das informações.

Parágrafo único: a manutenção da comparabilidade não deverá constituir ele-


mento impeditivo da evolução qualitativa da informação contábil.

Atributos da Informação Contábil


42 UNIDADE I

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Prezado(a) aluno(a), ao término desta unidade já é possível diferenciar pessoa


física de jurídica. A pessoa física sou eu e você. Quando deparamos com um hos-
pital, banco, asilo, loja comercial, indústria, escola, escritório de contabilidade,
igreja, prefeitura, oficina mecânica, clube recreativo, creche, hotel, rede de tele-
visão, companhia telefônica, empresa individual etc., estamos deparando com
pessoas jurídicas.
Com essa pequena viagem pela contabilidade foi possível compreender que

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o objeto de estudo da contabilidade é o patrimônio, seja esse da pessoa física ou
jurídica. Quanto ao objeto de estudo, ficou evidente que desde os primórdios,
continua sendo o mesmo, fornecer informações contábeis úteis aos diversos usu-
ários para fins de auxiliar no processo decisório.
Vale lembrar que o profissional contábil tem um amplo campo de atua-
ção, podendo se relacionar com a contabilidade gerencial, fiscal ou financeira,
cada qual com suas características de controle e aplicação. Nesta primeira uni-
dade, diferenciamos os campos de atuação da contabilidade. Vale ressaltar que
o objetivo desta disciplina consiste em utilizar as informações geradas pela con-
tabilidade para auxiliar no processo decisório.
Nesta primeira unidade, há informações quanto aos princípios de contabili-
dade à luz da resolução 750 do CFC, bem como as suas alterações. O cumprimento
das normas é obrigatória na elaboração das informações e na evidenciação dos
resultados nas demonstrações financeiras disponibilizadas ao fisco e aos demais
usuários.
Agora que você já conheceu os principais termos relacionados com a contabi-
lidade, podemos avançar nas informações econômicas registradas e demonstradas
na contabilidade, possibilitando que você, aluno(a), compreenda quais são as
informações geradas.

ESTRUTURA BÁSICA DA CONTABILIDADE


43

1. Onofre possui uma grande rede de supermercado a mais de 5 (cinco) anos. Mui-
tos dados são enviados mensalmente ao contabilista para que a contabilidade
possa gerar diversos relatórios. Considerando a diversidade de usuários, dis-
corra sobre quais seriam os prováveis usuários de informação contábil.
2. Em contabilidade, não basta conhecer o usuário, mas é preciso compreender o
tipo de informação necessária para cada um deles no processo decisório. Utili-
zando a relação entre usuário e informação gerada, associe o número de
cada usuário da informação contábil com a possível informação utilizada
por eles.
1. Acionista em potencial.
2. Banco de empréstimo.
3. Administrador.
4. Empregado.
5. Governo.
( ) Análise do potencial de reajuste de salários.
( ) Exame das Declarações do Imposto de Renda.
( ) Exame da eficácia da atuação dos empregados.
( ) Avaliação da probabilidade de que as dívidas assumidas sejam pagas nos
vencimentos.
( ) Confronto da rentabilidade da empresa considerando as diversas opções de
investimentos atuais.
Marque a alternativa que apresenta a sequência correta:
a. 4 – 5 – 3 – 2 – 1.
b. 5 – 4 – 3 – 1 – 2.
c. 3 – 1 – 2 – 4 – 5.
d. 2 – 4 – 5 – 3 – 1.
e. 4 – 5 – 2 – 1 – 3.
44

3. Quanto ao conceito, objetivo e objeto da contabilidade, leia as afirmações e as-


sinale a alternativa correta.
I. O principal objetivo da contabilidade é identificar os usuários da informação
contábil.
II. O objeto de estudo da contabilidade é o patrimônio apenas dos bens e direi-
tos da entidade.
III. A contabilidade se relaciona com várias ciências, como a econômica e a ma-
temática.
Está correto apenas o que se afirma em:
a. I.
b. II.
c. III.
d. I e II.
e. I e III.
4. O campo de atuação da contabilidade é constituído pelas pessoas físicas e jurí-
dicas. Analisando uma empresa do terceiro setor (associação sem fins lucrativos),
pode-se dizer que a contabilidade tem atuação nesse tipo de entidade? Justifi-
que.
5. O número de empresas criadas em janeiro de 2016 foi recorde para o mês,
aponta Serasa Experian. O primeiro mês do ano registrou 166.613 novos em-
preendimentos no Brasil, segundo o Indicador Serasa Experian de Nascimento
de Empresas, o mais alto para um mês de janeiro desde o início da série, ini-
ciada há seis anos. O número é 10,4% maior do que o registrado em janeiro de
2015 (150.958) e 48,0% superior ao apontado no mês anterior (dezembro/2015),
quando 112.590 empresas foram abertas.
Juntamente com a abertura das empresas, vem a responsabilidade quanto ao
capital da empresa. Diferencie a responsabilidade do capital investido em
uma empresa limitada da empresa sociedade anônima.
45

6. O Conselho Federal de Contabilidade, na Resolução nº 750/1993 com a redação


dada pela Resolução CFC nº 1.282/2010, estabelece que os Princípios de Conta-
bilidade representam a essência das doutrinas consoante o entendimento pre-
dominante nos universos científico e profissional de nosso País.
Sobre isso, leia as afirmações e assinale a alternativa correta:
I. A constituição das provisões para férias e décimo terceiro salário é uma con-
duta profissional que atende ao princípio da competência.
II. O pressuposto de que ativos e receitas não sejam superestimados e passivos
e despesas não sejam subestimados é estabelecido pelo Princípio da Entida-
de.
III. O princípio de prudência reconhece o patrimônio como objeto da Contabili-
dade e afirma a autonomia patrimonial.
IV. Uma sociedade empresária, em 2 de março de 20XX, adquiriu à vista, por
R$100 mil, um terreno, mas o bem estava avaliado em R$150 mil. O registro
contábil dessa aquisição deve ser feito por R$ 100 mil e não por R$ 150 mil.
a. Apenas I está correta.
b. Apenas I e IV estão corretas.
c. Apenas II e IV estão corretas.
d. Apenas III e IV estão corretas.

e. Todas estão corretas.


46

A CONTABILIDADE PARA A ECONOMIA


Segundo Ludícibus et. al. (1980), a Contabilidade, com o propósito de registrar e inter-
pretar os fenômenos que afetam o patrimônio de pessoas físicas ou jurídicas tem tam-
bém como usuários de suas informações, os economistas. Aqueles que trabalham na
área governamental utilizam as informações oriundas da Contabilidade para tributar
e arrecadar impostos. Para aqueles que cuidam de análises globais ou setoriais da eco-
nomia, os dados contábeis tratados estatisticamente, irão auxiliar no fornecimento de
instrumentos adequados para análises econômicas. Segundo o presidente do Conselho
Regional de Economia (Corecon), Sérgio Guimarães Hardy (apud MIRANDA; ALBUQUER-
QUE, 2007), os economistas utilizam as informações geradas pelos contabilistas como
meio de informação para a elaboração de seus trabalhos econômicos e financeiros, que
serão a base para as decisões nos negócios da empresa. Para Martinez (2007), o horizon-
te profissional do economista é diversificado. Esse pode desempenhar tarefas como o
planejamento econômico, financeiro e administrativo de empresas e outras instituições.
Pode também analisar a política econômica e elaborar pesquisas sobre o comporta-
mento de variáveis como os salários, os preços, o emprego, o comércio internacional,
a dívida pública, a dívida externa. Segundo o presidente do Corecon (apud MIRANDA;
ALBUQUERQUE, 2007), o trabalho do economista não é restrito, visto que ele trabalha
com projeções e cálculos, buscando levar aspectos positivos no que se refere à utili-
zação de recursos naturais e monetários que movem a economia mundial. Conforme
Martinez (2007), no curso de graduação de Economia da Universidade Estadual de Cam-
pinas (Unicamp), existe economistas que podem se especializar na área de Economia de
Empresas. Esses podem atuar no planejamento estratégico, na elaboração de projetos
de investimentos e financiamentos e na gestão de empresas. É, principalmente, nes-
sa área que o conhecimento dos fenômenos contábeis se torna necessário. Em meio à
análise da influência da Contabilidade na Economia, pode-se citar como exemplo uma
disciplina de Contabilidade apresentada aos alunos do curso de Economia da Unicamp.
De acordo com Martinez (2007), a disciplina de Contabilidade e Análise de Balanços, mi-
nistrada na Unicamp aos alunos de graduação em Economia, tem como objetivo dentre
outros fornecer base para que se possa entender os métodos contábeis, enquanto ferra-
menta de captação, registro, acumulação, resumo e interpretação dos fatos que afetam
as situações patrimoniais, econômicas e financeiras das empresas. Assim, os economis-
tas passam a ter instrumentos para a percepção e o entendimento das tarefas dentro da
empresa, com a intenção de subsidiar empresários e demais gestores com informações
reais quanto ao funcionamento da empresa, cujos dados são fornecidos pela Contabili-
dade (MARTINEZ, 2007). Martinez (2007) comenta também sobre a área de Custos den-
tro de uma empresa, onde propõe-se, então, a estudar dentro da disciplina de Contabi-
lidade e Análise de Balanços da Unicamp sobre custos e despesas, estruturas de custos,
métodos de custeio, cálculo do lucro e formação do preço de venda. Com essa análise,
discute-se acerca de como os demonstrativos contábeis consolidam e trabalham as in-
formações e dados numéricos. Martinez (2007) ressalta que a Contabilidade Gerencial
47

também se faz necessária nas atividades internas de uma empresa, para seu bom fun-
cionamento. Essa área da Contabilidade também é estudada dentro da disciplina de
Contabilidade e Análises de Balanços da Unicamp. A Contabilidade, enquanto registro
sistemático e permanente das operações econômicas e financeiras feitas pela empre-
sa, pode fazer com que simples registros contábeis se tornem elementos úteis para o
processo de tomadas de decisões, assim como contribuir para a boa gestão dos negó-
cios da empresa. Diante do assunto tratado, tanto para os economistas governamentais
como para aqueles que trabalham com análises globais ou setoriais da economia, as
informações contábeis auxiliam para a realização de suas tarefas (IUDÍCIBUS et al., 1980).
Segundo Martinez (2007), os dados fornecidos pela Contabilidade subsidiam também
os economistas que trabalham em empresas, atuando no planejamento estratégico e
na gestão das mesmas.
Fonte: Carrijo (2009).
MATERIAL COMPLEMENTAR

Contabilidade geral: Introdução à


Contabilidade Societária
Natan Szuster, Ricardo Lopes Cardoso, Fortunée
Rechtman Szuster, Fernanda Rechtman Szuster e
Flávia Rechtman Szuster.
Editora: Atlas
Ano: 2013
Sinopse: o livro contém os itens que devem ser
estudados para se adquirir uma base fundamentada
da Contabilidade. Os capítulos estão organizados de
forma a apresentarem conceitos teóricos. Embora a
obra não tenha por objetivo discutir especificidades
nem detalhes da legislação tributária nem da
Contabilidade Fiscal, ao longo do texto são feitos diversos comentários sobre esse tema, todos
destacados em caixas (box) e no Apêndice ao Capítulo 6. De forma complementar, são utilizadas
as Demonstrações Contábeis da Companhia Brasileira de Distribuição, efetuando a relação
entre a teoria e a prática. Toda a matéria deste livro está atualizada de acordo com as alterações
promovidas pela Lei nº 11.638/07 na Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações). Buscando
tornar a leitura compreensível aos não contadores, são apresentados os temas mais complexos
em Apêndices ao longo dos diversos capítulos. Livro-texto para as disciplinas Contabilidade Geral
e Contabilidade Introdutória dos cursos de graduação e pós-graduação em Ciências Contábeis,
Administração e Economia. Leitura complementar para as disciplinas Contabilidade para
Executivos, Contabilidade Financeira, Gestão Contábil ou Contabilidade e Análise de Balanços.

Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa


Aurélio Buarque de Holanda Ferreira
Editora: Positivo/Livros
Ano: 2009
Sinopse: o dicionário possui aproximadamente 435.000
verbetes. Apresenta origem, formação e evolução dos
elementos de composição das palavras (prefixos, sufixos e
infixos); seus verbetes, acepções e locuções acompanham o
desenvolvimento da língua; possui a etimologia e formação
das palavras, informações gramaticais (classificação das
palavras, flexões de gênero, número e grau, conjugação de verbos, predicação verbal com
exemplos, sinônimos e antônimos, homógrafos, parônimos etc.), pronúncia (quando necessária),
siglas, abreviaturas e símbolos de uso corrente, classificação específica das definições (rubricas).
MATERIAL COMPLEMENTAR

Estrutura, Análise e Interpretação de


Balanços
Hilário Franco
Editora: Atlas
Ano: 1989
Sinopse: o livro focaliza as principais noções de
Contabilidade, o conceito, a formação e as variações
do patrimônio e, examina as normas contábeis da Lei
das S.A., além da estrutura do balanço patrimonial e da
demonstração do resultado do exercício.
Comentário do professor: muito embora seja antigo,
Hilário Franco pode ser considerado um legado para a
contabilidade, suas obras muito contribuíram para a evolução da contabilidade no Brasil.

Material Complementar
REFERÊNCIAS

BRASIL. Deliberação CV n° 29 de 05 de fevereiro de 1986. Disponível em: < http://


www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/deli/anexos/0001/deli029.pdf>.
Acesso em: 29 set. 2016.
BRASIL. Presidência da República, Casa Civil, subchefia para Assuntos Jurídicos. LEI
Nº 10.406, DE 10 DE DEZEMBRO DE 2002. Disponível em: < http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm> Acesso em: 29 set. 2016.
CASTRO, S. C. de. Contabilidade Gerencial. Maringá-PR: Unicesumar, 2014.
CARRIJO, B. T. Análise da utilidade da contabilidade no exercício da profissão do ad-
ministrador e do economista: Percepção dos discentes dos cursos de administração
e economia da universidade federal de Uberlândia. In: Congresso UFSC de Inicia-
ção Científica em Contabilidade. p. 5-7, 2009. Disponível em: <http://dvl.ccn.ufsc.
br/congresso/anais/3CCF/20090729220119.pdf>. Acesso em: 13 out. 2016.
FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. 4. ed. Curiti-
ba: Positivo-Livros: 2009.
FRANCO, H. Estrutura, análise e interpretação de balanços. 15. ed. São Paulo:
Atlas, 1989.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 7.
ed. São Paulo: Atlas, 2010.
SZUSTER, N. et. al. Contabilidade geral: introdução à contabilidade societária. São
Paulo: Atlas, 2013.

REFERÊNCIAS ON-LINE

¹Em:<http://www.portaldecontabilidade.com.br/legislacao/resolucaocfc774.htm>.
Acesso em: 29 set. 2016.
²Em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm>. Acesso em: 29
set. 2016.
³Em: <http://www.portalprudente.com.br/apostilas/Contabilidade/ManualConta-
bilidade.doc.>. Acesso em: 13 mar. 2014.
4
Em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pro-
nunciamento?Id=80>. Acesso em: 29 set. 2016.
5
Em: <http://www.ebah.com.br/content/aBAAABLVKAD/apostila-contabilidade-
-basica-miranda>. Acesso em: 13 mar. 2014.
6
Em: <http://www.fundata.org.br/legislacao/Normas_Contabeis/ResC-
FC_785_1995.htm>. Acesso em: 29 set. 2016.
51
GABARITO

1. Administrador e/ou diretor; empregados; fornecedores; governo.


2. A.
3. C.
4. Sim. As entidades sem fins lucrativos são pessoas jurídicas, portanto, a contabili-
dade também atua nestas entidades.
5. Enquanto na Sociedade Limitada a responsabilidade de cada sócio é restrita ao
valor de suas quotas; na Sociedade Anônima o capital social divide-se em ações,
obrigando-se cada sócio ou acionista somente pelo preço de emissão das ações
que subscrever ou adquirir.
6. B.
Professora Me. Juliana Moraes da Silva

SISTEMATIZAÇÃO DO

II
UNIDADE
PATRIMÔNIO

Objetivos de Aprendizagem
■■ Diferenciar os bens móveis e imóveis dos direitos econômicos.
■■ Compreender a diferença entre obrigações econômicas e não
econômicas.
■■ Definir a constituição de um patrimônio.
■■ Sistematizar o patrimônio.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Bens e Direitos Econômicos
■■ Obrigações
■■ Patrimônio
■■ Balanço Patrimonial
■■ Origens e Aplicações
■■ Balanços Sucessivos
55

INTRODUÇÃO

Olá caro(a) aluno(a), na natureza, tudo que você tocar ou imaginar, com exceção
do ser humano, são coisas. As coisas materiais, corpóreas e tangíveis, são aquelas
que conseguimos tocar, pegar. Por outro lado, as coisas imateriais, incorpóreas
e intangíveis, são aquelas que não conseguimos tocar, correspondem aos frutos
da imaginação. Esta unidade do nosso livro traz a diferença entre as “coisas” e
sua relação com a contabilidade.
Definições de conceitos básicos na contabilidade como bens, direitos e
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

obrigações, são apresentadas para a sistematização do objeto de estudo da con-


tabilidade: o patrimônio.
Enquanto os bens e direitos correspondem às coisas úteis ao ser humano,
as obrigações correspondem às dívidas presentes, exigíveis ou não. O conjunto
desses bens e obrigações constitui o que chamamos de patrimônio. O Frei Luca
Pacioli marcou o início da fase moderna da Contabilidade, ele não apenas siste-
matizou a Contabilidade, como também abriu precedente para que novas obras
pudessem ser escritas sobre o assunto.
Da sistematização deste patrimônio originou-se o principal e mais utilizado
dos demonstrativos contábeis, o Balanço Patrimonial. Nesse demonstrativo há
uma sistematização, classificação e hierarquização das contas que correspon-
dem os bens, direitos e obrigações em grupos classificados como ativo, passivo
e patrimônio líquido.
Após compreender os conceitos dos elementos que compõe o patrimônio,
você estará apto a conhecer a estrutura do balanceamento deste patrimônio.
O Balanço Patrimonial é o principal relatório contábil que evidencia a riqueza
gerada pela empresa.
Nosso propósito é de lhe proporcionar um aprendizado da Contabilidade
que ocorra de maneira fácil e tranquila, por isso apresentamos conteúdos teóri-
cos e exemplos práticos. Ainda, no final da unidade, disponibilizamos uma série
de materiais e literatura complementar. O estudo está apenas começando. Para
que o seu aprendizado seja alcançado, será preciso muita leitura e perseverança.
Siga em frente, nunca pare de estudar!

Introdução
56 UNIDADE II

©shutterstock

BENS E DIREITOS ECONÔMICOS

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Bens

Bens correspondem a todas as coisas úteis ao ser humano, ou seja, tudo que pode
proporcionar utilidade ao homem.

Bens econômicos

Para a economia, bens econômicos são aquelas coisas que, sendo úteis ao ser
humano, são passíveis de avaliação econômica, ou seja, podemos atribuir valor
econômico (em dinheiro). São aquelas coisas que, sendo úteis ao homem, exis-
tem em quantidade limitada, são úteis e raros, portanto, passíveis de avaliação
econômica.
Para indicação do grau de utilidade dos bens econômicos criou-se o valor
que expressa as relações de quantidade entre bens. Para D’Áuria (1959), valor é
a medida mental da utilidade ou eficiência das coisas, são fatores positivos ou
negativos do valor dos componentes: o uso, o tempo, a moeda, as leis econômi-
cas e as condições da sociedade.

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
57

Classificação Contábil dos Bens Econômicos

Cada ciência tem sua classificação para Bens. A Ciência Contábil classifica os Bens
em: tangíveis (corpóreos ou materiais) e intangíveis (incorpóreos ou imateriais).
a) Bens Tangíveis
Só poderão ser destruídos por uma ação física, e, se destruídos, obviamente,
deixam de existir na sua forma física original.
São aqueles que podem ser tocados, têm existência tangível, têm corpo ou
matéria, subdividindo-se em imóveis e móveis.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Imóveis - O solo, e tudo quando lhe incorporar natural ou artificialmente


(Art. 79 do Código Civil). Exemplos: terrenos, edificações.
Móveis - Os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por
força alheia, sem alteração da substância ou destinação econômico-social (Art.
82, Código Civil). Exemplos: máquinas, veículos.

Os bens tangíveis podem ser objeto de compra e venda.

b) Bens Intangíveis ou Direitos


Os Bens Intangíveis também recebem a denominação de Direitos. Não
podem ser destruídos por uma ação física, são destruídos por difamação, má
qualidade, preços incompatíveis, desrespeito com o consumidor. São aqueles que
não podem ser tocados, não têm corpo ou matéria.
Esses bens, apesar de não constituídos de matéria, são suscetíveis de valor
econômico, ou seja, são avaliados monetariamente.
Para Marion (2015), o bem intangível, incorpóreo ou invisível, são bens que
não se pode tocar ou pegar. São aqueles que passaram a ter grande relevância
a partir das ondas de fusões e incorporações na Europa e nos Estados Unidos.
Os bens intangíveis (incorpóreos ou imateriais) ou direitos podem ser objeto
de cessão, ou seja, ação de ceder ou transferir a outrem a posse ou propriedade
de alguma coisa.
Como exemplos de direitos: as duplicatas a receber e créditos a recuperar.

Bens e Direitos Econômicos


58 UNIDADE II

Direitos financeiros ou bens monetários

Você resolve guardar no cofre um quilo de ouro e o valor em moeda em circula-


ção equivalente a um quilo de ouro. Transcorrido vinte anos você terá, no cofre,
um quilo de ouro e as notas da moeda manual de vinte anos atrás.
Um quilo de ouro, fisicamente, permanece sendo um quilo de ouro, que
poderá ser valorado e trocado por uma moeda atual.
E quanto à moeda manual, ou seja, o dinheiro de 20 anos atrás, o que poderá
ter acontecido? Quanto você adquiriria de ouro com a quantia? Esta moeda

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
continuaria circulando? Ela perdeu o valor (foi destruída)? De que forma ela
foi destruída?

Direitos Creditórios ou Créditos

São todos os valores que a Entidade Contábil tem a receber de terceiros, repre-
sentados por títulos de crédito (duplicatas a receber; nota promissória a receber,
cheques a receber etc.).
Crédito, no sentido exposto, é um bem passível de avaliação econômica. Se a
nota promissória que representa materialmente o crédito ou direito/bem intangí-
vel foi danificada pela umidade, o crédito não deixa de existir. O bem intangível
não pode ser destruído fisicamente. Operacionalmente, podemos substituir a
nota promissória por outra, nas mesmas características.
Título de crédito é o documento necessário ao exercício do direito literal e
autônomo nele contido (Cód. Civil art. 887).
O título de crédito é apenas uma cártula representativa do direito creditó-
rio, não é o direito em si.
O conceito de crédito acima é jurídico e corresponde à soma monetária a
receber, ou tudo aquilo que alguém nos deve.
Neste sentido, crédito é um bem intangível que também recebe a denomi-
nação de direito, ou simplesmente de crédito.
Portanto, um valor a receber é representado por uma cártula. Exemplo: nota
promissória.

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
59

Direito creditório é um bem que a pessoa tem em relação a outra. Este bem
é representado normalmente por uma cártula que denominamos títulos de cré-
ditos (nota promissória, letra de câmbio, cheque, duplicata).

Direito à Marca

A Marca identifica e distingue produtos e certifica sua conformidade com nor-


mas ou especificações técnicas. Desde que registrada, a marca garante ao seu
proprietário o direito de uso exclusivo no território nacional em sua atividade
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

econômica.
Para o consumidor, a marca pode resultar em agregação de valor aos produtos.
Como a contabilidade atribui valor econômico a uma marca?
De acordo com Marion (2015) por não se comprar e vender as marcas
constantemente, o seu valor pode ser bastante subjetivo, sem uma forma bem
definida de mensuração, mas uma possibilidade de mensurar consiste na com-
binação da contabilidade com as avaliações objetivas, com documentos, bens
palpáveis e visíveis.

Direito à Patente

Direito exclusivo de explorar uma invenção. Se você destruir um aparelho celu-


lar de marca X que está usando, você destruiu um bem de uso, mas a patente
registrada de como se fabrica este celular continua existindo.

Outros Bens Intangíveis ou Direitos

De acordo com os Arts. 89 a 91 do Código Civil, bens singulares são aqueles que:
Art. 89. Embora reunidos, se consideram de per si, independentemente dos
demais.
Art. 90 Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singula-
res que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária.

Art. 91 Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurí-


dicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico.

Bens e Direitos Econômicos


60 UNIDADE II

Desta forma, são considerados bens intangíveis/direito o patrimônio econômico,


o estabelecimento, o fundo de comércio, aviamentos, clientela, ponto comercial,
capital intelectual, mais-valia, goodwill etc.

OBRIGAÇÕES

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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Caro(a) aluno(a), para o estudo da Contabilidade, utilizaremos o conceito de


Obrigação definido pela Ciência Jurídica (Direito).

Obrigações não econômicas

São todos os compromissos, deveres ou ações passivas que não envolvam valor
econômico, ou seja, não são avaliadas em dinheiro.

Obrigação moral (ética).

Toda pessoa tem a obrigação de respeitar o direito da outra pessoa. Todo cida-
dão tem a obrigação moral de defender a sua honra.
No passado, antes da existência do papel, as obrigações eram assumidas da
seguinte forma: uma pessoa tomava por empréstimo 10 sacas de trigo e prome-
tia devolver, num prazo estabelecido, 12 sacas de trigo. Como visto, a operação

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
61

não envolveu dinheiro na forma hoje conhecida. Por outro lado, como não havia
papel para formalizar o compromisso (contrato), era comum a operação ser con-
cretizada na presença de testemunhas.

Obrigações econômicas

São todos os compromissos, deveres ou ações passivas que envolvam valor eco-
nômico, ou seja, são avaliadas em dinheiro.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A obrigação é um titulo de dívida, ou débito da pessoa (física ou jurídica).


É uma operação financeira bilateral, envolve duas ou mais pessoas por meio de
uma obrigação contratual. Toda obrigação (débito) gera obrigatoriamente um
direito (crédito), para a parte contrária.
De acordo do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC 00 (R1)
(on-line)1,
uma obrigação é um dever ou responsabilidade de agir ou de desem-
penhar uma dada tarefa de certa maneira. As obrigações podem ser
legalmente exigíveis em consequência de contrato ou de exigências es-
tatutárias. Esse é normalmente o caso, por exemplo, das contas a pagar
por bens e serviços recebidos. Entretanto, obrigações surgem também
de práticas usuais do negócio, de usos e costumes e do desejo de manter
boas relações comerciais ou agir de maneira equitativa.

É a relação jurídica entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas), em vir-


tude da qual, uma ou algumas delas assiste o direito de exigir da outra, ou das
demais, uma prestação econômica certa. A obrigação é fruto de uma ação não
material, o contrato não é a obrigação em si, é uma cártula que representa mate-
rialmente a obrigação.

Obrigações
62 UNIDADE II

Classificação Contábil das Obrigações Econômicas

Cada ciência tem sua classificação própria para as Obrigações Econômicas. A


Contabilidade classifica as Obrigações Econômicas da seguinte forma: obriga-
ções a fornecedores, obrigações trabalhistas, obrigações tributárias, obrigações
financeiras etc.
A liquidação de uma obrigação contábil geralmente implica a utilização, pela
entidade, de recursos incorporados de benefícios econômicos a fim de satisfa-
zer a demanda da outra parte.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
De acordo com o CPC 00 (R1) (on-line)1, a liquidação de uma obrigação
pode ocorrer por meio de: (a) pagamento em caixa; transferência de outros ati-
vos; prestação de serviços; substituição da obrigação por outra; ou conversão da
obrigação em item do patrimônio líquido.

PATRIMÔNIO

O conceito de patrimônio está ligado à exis-


tência do Estado Nacional, mas esta relação
não é aparente, principalmente porque o
uso em uma variedade de discursos, tais
como patrimônio econômico, financeiro,
familiar, cultural, arquitetônico, ecológico
etc.; naturalizou-o (SILVA, 2010). Na con-
cepção antiga, o patrimônio era o conjunto
de bens do pai ou chefe de família, herança
paterna.

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SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
63

Na concepção atual, patrimônio econômico corresponde ao complexo de


bens e obrigações, passíveis de avaliação econômica, à disposição de uma pessoa
e sujeito a uma administração. Portanto, compreende a soma dos bens econômi-
cos e obrigações econômicas de uma pessoa (física ou jurídica).
Pela Resolução CFC n° 774-1994 (on-line)2, na contabilidade, o patrimônio
é definido como um conjunto de bens, direitos e de obrigações para com ter-
ceiros, pertencente a uma pessoa física, a um conjunto de pessoas, como ocorre
nas sociedades informais, ou a uma sociedade ou instituição de qualquer natu-
reza, independentemente da sua finalidade, que pode, ou não, incluir o lucro.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Ainda de acordo com a Resolução 774-1994 (on-line)2, o essencial é que o patri-


mônio disponha de autonomia em relação aos demais patrimônios existentes,
o que significa que a Entidade dele pode dispor livremente, claro que nos limite
estabelecidos pela ordem jurídica e, sob certo aspecto, da racionalidade econô-
mica e administrativa.

Patrimônio econômico não sistematizado

De acordo com a Resolução CFC n° 774-1994 (on-line)2, por aspecto qualita-


tivo do patrimônio entende-se a natureza dos elementos que o compõem como
dinheiro, valores a receber ou a pagar expressos em moeda, máquinas, esto-
ques de materiais ou de mercadorias etc. A delimitação qualitativa desce, em
verdade, até o grau de particularização que permita a perfeita compreensão do
componente patrimonial. Assim, quando falamos em “máquinas”, ainda esta-
mos empregando um substantivo coletivo, cuja expressão poderá ser de muita
utilidade, em determinadas análises. Mas a Contabilidade, quando aplicada a
um patrimônio particular, não se limitará às “máquinas” como categoria, mas,
dependendo das necessidades de controle poderá descer a cada máquina em par-
ticular e, mais ainda, aos seus pormenores de forma que sua caracterização evite
a confusão com quaisquer outras máquinas, mesmo de tipo idêntico.

Patrimônio
64 UNIDADE II

O atributo quantitativo refere-se à expressão dos componentes patrimoniais


em valores, o que demanda que a Contabilidade assuma posição sobre o que
seja “Valor”, porquanto os conceitos sobre a matéria são extremamente variados.
Quando este emaranhado de valores estão agrupados, mas não organizados,
dizemos existir o patrimônio não sistematizado.
Equivale a você colocar, avaliados em dinheiro e todos os bens e obrigações
de uma pessoa em uma grande caixa e chacoalhar. Este emaranhado de bens
e obrigações, desorganizados dentro do conjunto, devidamente avaliados em
dinheiro, bem a bem e obrigação a obrigação, denominamos patrimônio não

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
sistematizado.
A Figura 1 representa o patrimônio não sistematizado, ou seja, os bens e as
obrigações não estão organizados nem sistematizados.

Figura 1 - Representação gráfica do patrimônio não sistematizado


Fonte: a autora.

Não sistematizar o patrimônio (deixar bens e obrigações expostos de forma


aleatória) dificulta a sua compreensão e interpretação.

Patrimônio econômico sistematizado

A sistematização do patrimônio consiste na organização dos bens, direitos e


obrigações.

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
65

Os bens e direitos são chamados de ativo. As obrigações com terceiros e


com os sócios de passivo.
O sistema contábil, atualmente em uso, foi idealizado e sistematizado em
1494 pelo Frei italiano Luca Pacioli, tomando por base as regras estabelecidas
pela álgebra (números relativos).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 2 – Luca Pacioli


Fonte: wikipedia.org

Naquela época, pela dificuldade de se ensinar álgebra, Pacioli criou várias figu-
ras de linguagem para explicar e exemplificar o sistema por ele idealizado.
Diante dos parâmetros estabelecidos por Luca Pacioli pode-se estabelecer
algumas relações:
■■ + Bens – Obrigações para com terceiros = Sobra (Patrimônio Líquido)
ou Falta (Patr. Liquido a Descoberto).
■■ Ativo > Passivo, logo: + Ativo = - Obrigações terceiros - Patrimônio
Líquido.
■■ Ativo < Passivo, logo: + Ativo = - Obrigações terceiros + Patrimônio
Líquido a Descoberto (Negativo).
■■ Ativo Total = Passivo Total.

Por meio do que é apresentado por Castro (2014), podemos visualizar o Patrimônio
Economicamente Sistematizado, da seguinte forma:

Patrimônio
66 UNIDADE II

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 3 – Sistematização do Patrimônio
Fonte: Castro (2014).

Por meio da figura, se torna evidente que no Ativo são considerados os valores
positivos do patrimônio e no Passivo os valores negativos do patrimônio.

Situação Líquida Positiva

Ocorre quando a soma dos bens são maiores que as somas das obrigações para
com terceiros.
Essa situação nos proporciona uma situação líquida positiva, pois os valores
componentes do Ativo permitem solver as obrigações e ainda apresentam saldo.
Exemplo:
Ativo: R$ 100.000,00
Exigível: R$ 70.000,00
PL= R$ 100.000- R$ 70.000 = R$ 30.000

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
67

Situação Líquida Negativa

Ocorre quando as obrigações com terceiros são maiores do que os bens.


Bens < Obrigações Terceiros.
Essa situação nos proporciona uma situação líquida negativa, pois os valores
componentes do Ativo NÃO são suficientes para cobrir as obrigações. Quando
ocorre essa situação, contabilmente dizemos que a empresa apresenta um Passivo
a Descoberto.
Exemplo:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Ativo: R$ 70.000,00
Passivo Exigível: R$ 90.000,00
PL= R$ 70.000 – R$ 90.000 = R$ (20.000,00)

BALANÇO PATRIMONIAL

O Balanço Patrimonial corresponde à apresentação do conjunto ordenado de bens,


direitos e obrigações da entidade e seus respectivos saldos em determinada data.
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 00, 2011, on-line)1 no
Pronunciamento Conceitual Básico, item 16, apresenta as seguintes considera-
ções sobre as informações contábeis:
A posição patrimonial e financeira da entidade é afetada pelos recursos
econômicos que ela controla: sua estrutura financeira, sua liquidez e
solvência, e sua capacidade de adaptação às mudanças no ambiente em
que opera. As informações sobre os recursos econômicos controlados
pela entidade e a sua capacidade, no passado, de modificar esses recur-
sos são úteis para prever a capacidade que a entidade tem de gerar caixa
e equivalentes de caixa no futuro.

Balanço Patrimonial
68 UNIDADE II

O Balanço Patrimonial evidencia, resumidamente, a situação patrimonial da


empresa, em um dado momento no tempo, usualmente a cada 12 meses. Esta
demonstração é estática e segundo a Lei 6.404/76 (on-line)3, as contas que com-
põem esta demonstração são classificadas conforme os elementos do patrimônio
(ativo, passivo e patrimônio líquido) e agrupadas de modo a facilitar o conhe-
cimento e a análise da situação financeira da companhia.
No Ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liqui-
dez dos elementos nelas registrados e no Passivo por ordem decrescente de
exigibilidade.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 4 – Estrutura Patrimonial
Fonte: A autora.

No ativo, os grupos são classificados:


a) Ativo Circulante.
b) Ativo Não Circulante (este é composto pelo Realizável a Longo Prazo,
Investimento, Imobilizado e Intangível).
No Passivo, as contas serão classificadas de acordo com seu prazo de exigi-
bilidade nos seguintes grupos:
a) Passivo Circulante.
b) Passivo Não Circulante.
d) Patrimônio Líquido (dividido em Capital Social, Reservas de Capital,
Ajustes de avaliação patrimonial, Reservas de Lucros, Lucros ou prejuízos acu-
mulados e Ações em tesouraria).
Na figura 5, os grupos estão estruturados no ativo (lado esquerdo) e pas-
sivo (lado direito).

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
69
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 5 – Estrutura do Balanço Patrimonial


Fonte: a autora.

Os relatórios contábeis são excelentes instrumentos de gestão, evidenciam


dados sobre aspectos econômicos e financeiros.
Fonte: a autora.

Balanço Patrimonial
70 UNIDADE II

Detalhamento dos grupos que compõem o Balanço Patrimonial

Objetivando conhecer melhor o balanço patrimonial, segue o detalhamento da


divisão do demonstrativo em três grandes grupos: ativo, passivo e patrimônio
líquido.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ATIVO

O Pronunciamento Conceitual Básico, item 49 do CPC (on-line)1 apresenta a


seguinte definição de ativo: “(a) Ativo é um recurso controlado pela entidade
como resultado de eventos passados e do qual se espera que resultem futuros
benefícios econômicos para a entidade”.
A partir da definição apresentada, considera-se que um determinado bem
ou direito para figurar como ativo deve sempre representar benefícios econômi-
cos futuros para quem os utiliza. Caso contrário, haverá a perda da característica
essencial que o classifica como um ativo. Deste modo, caso um veículo não tenha
mais conserto, ele não representa um ativo do ponto de vista econômico, pois
não gera benefício econômico. Essa situação ocorre de modo similar com esto-
ques, direito de receber, e outros itens. Portanto, os ativos são reconhecidos no
Balanço Patrimonial apenas se representarem benefícios econômicos futuros.
Dessa forma, estoques obsoletos, créditos incobráveis ou máquinas que não fun-
cionam devem ser eliminados da lista de ativos da empresa.
O Ativo está estruturado em ordem decrescente do grau de liquidez, ou seja,
dos elementos (grupos, subgrupos, contas) que apresentam maior grau de con-
versibilidade em recursos financeiros para os de menor grau.

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
71

Ativo Circulante

No Ativo Circulante, são apresentados os bens e direitos realizados ou utiliza-


dos dentro do ciclo operacional da empresa ou no período de 12 meses da data
do balanço, o que for maior.
Entende-se por ciclo operacional de uma empresa o período que esta leva
para produzir, vender e receber a venda dos produtos. Portanto, o ciclo operacio-
nal de uma empresa é o período que decorre entre a compra da matéria-prima
ou mercadoria e o recebimento do preço de sua venda no mercado.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Castro (2014) apresenta os seguintes exemplos de contas que pertencem ao


grupo do ativo circulante:
Caixa: destina-se a registrar as entradas e saídas de numerário, bem como
cheques em mãos, recebidos e ainda não depositados, pagáveis irrestrita e
imediatamente.
Bancos Conta Movimento: destina-se a registrar as entradas e saídas de
numerários, cheques depósitos, avisos de crédito e de débito relativos às opera-
ções do empreendimento.
Aplicações Financeiras de Curto Prazo: destina-se a registrar os valores
aplicados pela empresa junto às instituições financeiras.
Clientes ou Duplicatas a Receber de Clientes: destina-se a registrar as ven-
das a prazo relativas às atividades do empreendimento.
Estoques: representam ativos (insumos) adquiridos, em processo de elabo-
ração e de produtos disponíveis para venda de acordo com a atividade fim do
empreendimento. Geralmente, estão subdivididos em:
■■ Estoques de Matérias-Primas.
■■ Estoques de Produtos em Elaboração.
■■ Estoques de Produtos Acabados.

■■ Estoques de Materiais Diversos.

Ativo
72 UNIDADE II

ICMS a Recuperar: destina-se a registrar os valores dos créditos relativos ao


ICMS constante nas notas fiscais de entrada (compra) de insumos relacionados
com a atividade do empreendimento.

Ativo Não Circulante

O ativo não circulante é divido em alguns subgrupos: Realizável a longo prazo,


Investimentos, Imobilizado e Intangível.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Realizável de Longo Prazo: nesse subgrupo são classificados os bens e direi-
tos realizáveis após 12 meses da data do balanço ou em um período maior do
que o ciclo operacional da empresa e, os bens e direitos oriundos de negócios
não usuais realizados com partes relacionadas.
Por partes relacionadas entende-se o conjunto de entidades, físicas ou jurí-
dicas que possuam algum vínculo com a empresa de modo que haja uma relação
de dependência ou influência entre elas. Isso significa que os negócios existentes
entre elas são feitos da mesma maneira que seriam com terceiros (pessoas não
relacionadas à empresa). Como exemplo de partes relacionadas pode-se men-
cionar: coligadas, controladas, diretores, acionistas ou participantes dos lucros
da empresa.
Yamamoto, Paccez e Malacrida (2011, p. 13) consideram que
os direitos a receber decorrentes de operações não usuais da entidade
ou de mero empréstimo de recursos com partes relacionadas devem
ser classificados como realizável de longo prazo, independentemente
do prazo de vencimento. Isso se caracteriza como uma exceção pre-
vista na legislação brasileira, pois contraria os critérios de separação
apresentados.

Segue alguns exemplos que são apresentados por Castro (2014):


ICMS a Recuperar: destina-se a registrar os valores dos créditos relativos
ao ICMS constante nas notas fiscais de entrada (compra) de insumos relaciona-
dos com a atividade do empreendimento, que serão recuperadas após 360 dias.

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
73

Empréstimos ou adiantamentos: pode ser aos diretores, acionistas ou outros


participantes no lucro, o qual o empreendimento receberá após 360 dias.

Clientes ou Duplicatas a Receber de Clientes: destina-se a registrar as ven-


das a prazo relativas às atividades do empreendimento, o qual o recebimento se
dará após 360 dias.

Investimentos: neste subgrupo são classificadas as participações permanen-


tes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

no ativo circulante e, que não se destinem à manutenção da atividade da com-


panhia ou da empresa.

Imobilizado: neste subgrupo são classificados os direitos que tenham por


objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou
da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de ope-
rações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens.
Yamamoto, Paccez e Malacrida (2011) consideram que o grupo do imobilizado
é composto pelos ativos que formam a estrutura necessária para que a empresa
exerça suas atividades de compra, produção, administração e comercialização.
Alguns exemplos podem ser identificados no quadro a seguir:
Quadro 1 - Balanço Patrimonial – Imobilizado

IMOBILIZADO
Edifícios 500.000,00
Veículos 300.000,00
Instalações 150.000,00
Equipamentos 130.000,00
Móveis e Utensílios 28.000,00
Implementos 120.000,00
Maquinários Agrícolas 250.000,00
Terrenos 300.000,00

Ativo
74 UNIDADE II

Sistema Aplicativos Software 150.000,00


Ferramentas 45.000,00
Marcas e Patentes 180.000,00
Benfeitoria em Imóveis de Terceiros 250.000,00
Fonte: Castro (2014).

Intangível: neste subgrupo são classificados os direitos que tenham por


objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos
com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido.

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PASSIVO

O Pronunciamento Conceitual Básico, item 49 do CPC (on-line)1 apresenta a


seguinte definição de passivo: “(b) Passivo é uma obrigação presente da enti-
dade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em
saída de recursos capazes de gerar benefícios econômicos”.
O passivo se refere à relação do conjunto de obrigações existentes para a enti-
dade, na data do balanço. Os passivos são decorrentes de eventos ocorridos no
passado. Portanto, passivos representam as obrigações que a empresa tem com
terceiros e a liquidação de tais obrigações resultará em saída de futuros recur-
sos econômicos da empresa, os quais podem ocorrer via recursos financeiros,
ou na entrega de produtos ou serviços.
No passivo, as contas estão dispostas em ordem decrescente de grau de exi-
gibilidade, ou seja, das que têm menor prazo de vencimento para as que têm
maior prazo.

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
75

Passivo Circulante

O passivo circulante é constituído pelas obrigações da entidade com vencimento


dentro do período de 12 meses contados da data do balanço ou dentro do ciclo
operacional.
De acordo com Castro (2014), no Passivo Circulante encontraremos as
seguintes principais contas:

Empréstimos e Financiamentos: destina-se a registrar os valores empres-


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

tados de instituições financeiras, tais como contas garantidas, cheques especiais


e empréstimos em geral.

Salários e Ordenados a Pagar: representa os valores relativos aos salários


devidos pela empresa aos seus funcionários quando o empreendimento não efe-
tua o pagamento dentro do próprio mês.

ICMS a Recolher: representa os valores relativos às obrigações do empre-


endimento com o Governo Estadual no que se refere às vendas efetuadas com
incidência desse imposto.

Fornecedores: destina-se a registrar as aquisições de matérias-primas, ativo


permanente, uso e consumo, serviços adquiridos para pagamentos a prazo.

Passivo Não Circulante

O passivo não circulante é formado por obrigações da entidade exigíveis em um


período posterior a 12 meses da data do balanço ou em período maior do que
o ciclo operacional da empresa.

Passivo
76 UNIDADE II

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

O Pronunciamento Conceitual Básico, item 49 do CPC (on-line)1 apresenta a


seguinte definição de patrimônio líquido: “Patrimônio Líquido é o valor residual
dos ativos da entidade depois de deduzido todos os seus passivos”.
Ou seja, o patrimônio líquido corresponde ao valor residual dos ativos da
entidade após a dedução dos seus passivos (Ativo – Passivo = Patrimônio líquido
[valor residual]). Portanto, o Patrimônio Líquido representa os valores que esta-
riam disponíveis para os acionistas ou proprietários na data do balanço, em

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
função da atividade desempenhada pela empresa até o momento. Representa a
riqueza residual que pertence aos seus proprietários.
Cabe mencionar que, em alguns casos, o patrimônio líquido (grupo que
representa os recursos dos proprietários) é denominado passivo. Nesses casos,
é assumido um entendimento mais genérico acerca de passivo, e nessa ótica o
passivo representa todas as fontes de recursos da empresa. Porém, em um sen-
tido mais restrito, os passivos são apenas os recursos que possam ser exigidos
por terceiros (passivo circulante e passivo não circulante), também, denomina-
dos Capital de Terceiros.
Nessa ótica, o Patrimônio Líquido é entendido como um passivo não exi-
gível imediatamente, pois os sócios acionistas não têm a intenção imediata de
exigir o retorno financeiro dos recursos alocados no patrimônio líquido. Por
isso, é atribuída a denominação Capital Próprio, ao patrimônio líquido. A soma
do Capital de Terceiros com o Capital Próprio é conhecida como Capital Total
à disposição da empresa.
Um resumo da classificação dos grupos que compõem os itens do Balanço
Patrimonial pode ser verificado resumidamente no seguinte quadro:

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
77

Quadro 2 - Grupo do Balanço Patrimonial

ATIVO (APLICAÇÕES) PASSIVO (ORIGENS)


Circulante Circulante
Já é dinheiro disponível (caixa ou banco ou Obrigações da empresa que serão
aplicação financeira) recursos para o de- reclamados até o prazo de um ano.
senvolvimento das atividades da empresa Geralmente corresponde a pagamen-
(estoques de mercadorias para revenda, tos a serem efetuados (fornecedores,
matérias-primas, produtos acabados etc.). empréstimos bancários, impostos a
Ou será recebido em até um ano, os direi- pagar etc.).
tos (duplicatas e títulos a receber, impostos
a recuperar etc.).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Não Circulante Não Circulante


Realizado a longo prazo: será recebido Obrigações da empresa que serão
após um ano, os direitos (duplicatas e títu- reclamadas após um ano. Geralmente
los a receber, impostos a recuperar e etc.). correspondem a pagamentos a serem
Ou ainda, os itens que compõem o subgru- efetuados (fornecedores, empréstimos
po do imobilizado, geralmente não se bancários, impostos a pagar etc.).
vende, são os itens que fazem parte da
infraestrutura da empresa (imóveis, máqui-
nas, equipamentos, veículos etc.). Patrimônio Líquido
Investimentos e Intangíveis.

Não precisa pagar enquanto a empre-


sa estiver em continuidade, trata-se
dos recursos próprios, consistindo no
investimento inicial efetuado pelos
sócios e resultados obtidos com as
atividades da empresa. Não é exigível,
ou seja, não precisa pagar.
Fonte: Castro (2014).

Com o objetivo de ter uma visão mais abrangente do exposto a respeito do patri-
mônio e do Balanço patrimonial, segue o demonstrativo de Souza Cruz ([2016]
on-line)4.

Patrimônio Líquido
78 UNIDADE II

Quadro 3 - Balanço Patrimonial Souza Cruz

Ativo 30/09/2015 30/09/2014 30/09/2013 30/09/2012 30/09/2011

- Ativo Total 5.689,2 M 5.634,4 M 5.982,6 M 5.920,2 3.954,7 M

- Ativo Circulante 4.329,4 M 4.124,6 M 4.287,1 M 3.738,4 M 2.751,2 M

Caixa e Equivalentes de Caixa 1.159,3 M 1.333,3 M 1.187,5 M 1.136,7 M 723,5 M

+ Aplicações Financeiras 1,1 M 1,4 M 0,0 M 0,0 M 0,0 M

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
+ Contas a Receber 764,4 M 637,8 M 582,6 M 634,7 M 465,5 M

+ Estoques 1.977,9 M 1.726,8 M 1.557,1 M 1.269,4 M 1.235,5 M

Ativos Biológicos 0,0 M 0,0 M 0,0 M 0,0 M 0,0 M

+ Tributos a Recuperar 100,3 M 62,1 M 80,8 M 56,4 M 110,4 M

+ Despesas Antecipadas 280,1 M 216,9 M 264,4 M 300,7 M 184,5 M

+ Outros Ativos Circu-


46,3 M 346,4 M 614,7 M 340,5 M 31,8 M
lantes

- Ativo Não Circulante 1.539,8 M 1.509,9 M 1.695,5 M 2.181,9 M 1.203,5 M

+ Ativo Realizável a Longo


494,1 M 525,9 M 742,0 M 1.246,9 M 395,8 M
Prazo

+ Investimentos 0,0 M 0,0 M 0,0 M 6,8 M 9,4 M

+ Imobilizado 938,9 M 938,9 M 923,5 M 881,7 M 739,1 M

+ Intangível 106,8 M 45,1 M 30,0 M 46,4 M 59,2 M

Critério de Consolidação Consolidada Consolidada Consolidada Consolidada Consolidada

Critério de Elaboração IFRS IFRS IFRS IFRS IFRS

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
79

- Passivo e Patrimônio
30/09/2015 30/09/2014 30/09/2013 30/09/2012 30/09/2011
Líquido

- Passivo Total 5.869,2 M 5.634,4 M 5.982,6 M 5.920,2 M 3.954,7 M

+ Passivo Circulante 3.649,6 M 3.140,0 M 3.022,3 M 2.663,6 M 1.659,2 M

+ Passivo Não Circulante 342,3 M 412,8 M 875,1 M 1.228,9 M 582,8 M

+ Patrimônio Líquido
1.877,3 M 2.081,7 M 2.085,1 M 2.027,8 M 1.712,6 M
Consolidado

Critério de Consolidação Consolidada Consolidada Consolidada Consolidada Consolidada


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Critério de Elaboração IFRS IFRS IFRS IFRS IFRS

Fonte: adaptado de Souza Cruz (2013, on-line)4.

Patrimônio Líquido
80 UNIDADE II

ORIGENS E APLICAÇÕES

De acordo com Castro (2014), no desempenho de suas atividades, as pessoas


jurídicas podem contar com recursos provenientes de duas origens ou fontes:
recursos próprios: (capital dos sócios + lucro) = (patrimônio líquido) ou recursos
de terceiros: (fornecedores, instituições financeiras, governo) = (passível exigível).
De acordo com Ludícibus e Marion, (2000, p. 35):
o lado do Passivo, tanto Capital de Terceiros (Passível Exigível) como
Capital Próprio (Patrimônio Líquido), representa toda a fonte de re-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
cursos, toda a origem de capital. Nenhum recurso entra na empresa se
não for via Passivo ou Patrimônio Líquido.

Os resultados positivos apurados nas atividades empresariais também represen-


tam recursos próprios, uma vez que não correspondem às obrigações (lucro).
Portanto, são recursos próprios os decorrentes de receitas, lucros e ganhos obtidos
pela sociedade em transações com terceiros, tais como os rendimentos auferi-
dos com aplicações financeiras, aluguéis de imóveis próprios, lucros na venda
de mercadorias, produtos e serviços.
Ludícibus e Marion (2000) relatam que o lado do Ativo é caracterizado pela
aplicação dos recursos originados no Passivo e Patrimônio Líquido. Assim sendo,
o lado do ativo deve ser igual a do passivo, ou origens iguais às aplicações.
Segundo Castro (2014), o ativo representa as aplicações ou usos dos recur-
sos obtidos. A análise do passivo exigível e do patrimônio líquido possibilita a
identificação das origens ou fontes. Já a análise do ativo torna possível saber de
que maneira os recursos obtidos estão sendo utilizados. Os recursos podem estar
aplicados em estoques de mercadorias, bens de uso, disponibilidades financei-
ras, contas a receber etc. Desta forma, a pessoa jurídica obtém capital próprio e
capital de terceiros e os aplica nos bens e direitos que constituem o ativo.
De acordo com Ludícibus e Marion (2000), um dos aspectos mais impor-
tantes do passivo é avaliar a estrutura do capital (capital de terceiros e o capital
próprio). Quanto maior for o capital de terceiros, mais a empresa estará endivi-
dada e ao analisar este item pode-se avaliar e detectar para quem se deve e qual
o prazo (circulante ou longo prazo) da dívida e o custo da mesma.

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
81
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 6 - Origens e aplicação de recursos


Fonte: Adaptado de Castro (2014).

BALANÇOS SUCESSIVOS

Segundo Silva (2002, p. 85, on-line)5 “a Contabilidade por Balanços Sucessivos


é bastante simples: a cada operação realizada pela empresa faz-se a alteração em
um novo balanço”.
Nesse sentido, Castro (2014) afirma que basta averiguar se as modificações
evidenciadas no balanço estão corretas ou não, observando:

Balanços Sucessivos
82 UNIDADE II

■■ Se o total do lado Ativo é igual ao total do lado Passivo + Patrimônio


Líquido.
■■ Se o valor da operação inserido no balanço no lado do Ativo é igual ao
do lado do Passivo + PL.
■■ Se a contrapartida de um aumento do lado Ativo foi evidenciada no lado
Passivo ou diminuída do próprio lado do Ativo (no caso de operações
permutativas do ativo e passivo).
Silva (2002, on-line)5 argumenta que a contabilidade por balanços sucessivos,
embora seja correta e facilite a visualização do processo contábil, apresenta uma

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
inconveniência no seu aspecto prático: não é recomendável quando a empresa
realiza muitas operações (que é o caso de quase todas as empresas). Imaginemos
uma empresa com mil operações diárias: teríamos que fazer mil balanços sucessi-
vos, o que seria impraticável. Deste modo, sem perder de vista esta metodologia,
utiliza-se outro processo mais rápido e prático: o controle individual por con-
tas, registrando-se aumentos e diminuições em cada conta isoladamente. Ao final
de um período determinado, relacionam-se todas as contas, de forma resumida
e ordenada, e chega-se ao Balanço Patrimonial.
Segundo Favero et al. (1997, p. 71) “o Balanço Patrimonial nada mais é do que
o inventário de todos os bens, direitos e obrigações em determinado momento”.
Para o autor, com a evolução do comércio e dos negócios, há necessidade
permanente de se ter em mãos informações sobre a situação econômico-finan-
ceira da empresa. Por isso é que existem sistemas complexos para obtenção
dessas informações, procurando registrar as variações ocorridas no patrimônio,
visto que não seria viável a cada mês, semana ou mesmo diariamente efetuar um
inventário de todos os bens, direitos e obrigações da empresa.
No entanto, trata-se de uma poderosa ferramenta de aprendizagem na
Contabilidade, tendo em vista sua facilidade de visualização dos acontecimen-
tos ocorridos no balanço patrimonial.

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
83

Apresentação da metodologia

Castro (2014) apresenta a seguir, alguns exemplos de como a utilização da meto-


dologia de balanços sucessivos pode ser aplicada.
1. Os sócios A e B integralizaram em dinheiro em sua empresa recém aberta o
valor de R$10.000,00 cada, quer foi depositado diretamente na conta corrente
bancária da empresa.

O Balanço ficaria assim:


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Quadro 4 – Balanço Patrimonial

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO PASSIVO

Ativo Circulante Patrimônio Líquido


Banco 20.000.00 Capital Social 20.000.00
Total do Ativo 20.000.00 Total do Passivo 20.000.00
Fonte: a autora

2. Compra a prazo de matérias-primas para revenda no valor de R$ 7.000,00


pagamento para 30 dias.

Fica o novo balanço da seguinte forma:


Quadro 5 – Balanço Patrimonial

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO PASSIVO

Ativo Circulante Passivo Circulante


Banco 20.000.00 Fornecedores 7.000.00
Estoques mat. prima 7.000.00 Patrimônio Líquido
Capital Social 20.000.00
Total do Ativo 27.000.00 Total do Passivo 27.000.00
Fonte: a autora

Balanços Sucessivos
84 UNIDADE II

3. Aquisição de um trator para uso na empresa pelo valor de R$ 50.000,00 finan-


ciado pelo Banco.
O Balanço Patrimonial após a contabilização dessa operação apresenta-se da
seguinte forma:
Quadro 6 – Balanço Patrimonial

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Ativo Circulante Passivo Circulante

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Banco 20.000.00 Fornecedores 7.000.00
Estoques mat. prima 7.000.00 Exigível a Longo Prazo
Ativo Permanente Financiamentos 50.000.00
Trator 50.000.00 Patrimônio Líquido
Capital Social 20.000.00
Total do Ativo 77.000.00 Total do Passivo 77.000.00
Fonte: a autora

4. Aquisição a prazo de materiais diversos (ferramentas e lubrificantes) no


valor de R$ 1.000,00. O pagamento à vista.
Nosso balanço patrimonial, após essa operação, fica estruturado da seguinte forma.
Quadro 7 – Balanço Patrimonial

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Ativo Circulante Passivo Circulante
Banco 19.000.00 Fornecedores 7.000.00
Estoques mat. prima 7.000.00 Exigível a Longo Prazo
Estoques mat. diversos 1.000.00
Ativo Permanente Financiamentos 50.000.00
Trator 50.000.00 Patrimônio Líquido
Capital Social 20.000.00
Total do Ativo 77.000.00 Total do Passivo 77.000.00
Fonte: a autora

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
85

Como mencionamos anteriormente, o objetivo da metodologia dos balanços


sucessivos é demonstrar como se forma o balanço patrimonial de uma empresa,
visto que cada evento, ou fato administrativo, altera a posição dos elementos da
estrutura patrimonial.
Observe que os eventos apresentados neste exemplo não se referiam a ope-
rações que influenciam o resultado da empresa, ou seja, que venham a trazer
lucro ou prejuízo.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Balanços Sucessivos
86 UNIDADE II

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Prezado(a) aluno(a), nesta unidade viajamos um pouco na história para intro-


duzirmos o conceito de bens econômicos na nossa vivência. Você compreendeu
a diferença entre bens e direitos creditórios. As obrigações, consideradas como
deveres para com os sócios e com terceiros, também foram classificadas em eco-
nômicas e não econômicas.
Em contabilidade, apenas eventos econômicos devem ser evidenciados e
analisados nos demonstrativos.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Nem sempre os bens e obrigações foram sistematizados. A obra de Luca
Pacioli, publicada em 1944, demonstrou a sistematização do patrimônio (orga-
nização dos bens, direitos e obrigações), o que possibilitou toda a evolução da
contabilidade e estruturação do Balanço Patrimonial.
O balanço patrimonial pode ser considerado como uma exposição estrutu-
rada do ativo, passivo e patrimônio líquido de uma entidade (física ou jurídica)
em uma determinada data. Neste demonstrativo, o objetivo é evidenciar, quali-
tativa e quantitativamente, a posição patrimonial e financeira das entidades. A
situação patrimonial evidenciada pode ser positiva (quando a soma dos bens
e direitos maiores que as obrigações) ou negativa (quando a soma dos bens e
direitos são menores que as obrigações). A situação líquida nula ocorre quando
a soma dos bens e direitos é igual às obrigações.
Nesta unidade caro(a) aluno(a), você foi apresentado ao principal relatório
contábil, o Balanço Patrimonial. A sistematização dos bens, direitos e obrigações
foi evidenciada neste demonstrativo, rico em informações acerca das origens e
aplicações de recursos da entidade, mas existem vários outros demonstrativos
utilizados pela contabilidade para controle e análise das informações.
Embora seja o relatório mais usual da contabilidade, o Balanço Patrimonial
não é o único. Vamos conhecer os outros relatórios interessantes, ricos em infor-
mações financeiras passíveis de serem analisadas.

SISTEMATIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO
87

1. Várias são as demonstrações financeiras geradas pelos dados processados na


contabilidade. O Balanço Patrimonial é um dos demonstrativos mais importan-
tes. Leia as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.
I. O Balanço Patrimonial é um relatório que mostra o ativo e o passivo da enti-
dade em determinado momento.
II. O Balanço Patrimonial é um relatório que mostra o ativo, o passivo e o patri-
mônio líquido da entidade em determinado momento.
III. Pelo Balanço Patrimonial é possível acompanhar a dedução do lucro consti-
tuído em um dado momento.
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I está correta.
b. Apenas II está correta.
c. Apenas III está correta.
d. Apenas I e II estão corretas.
e. Apenas II e III estão corretas.
2. A compreensão da estrutura das demonstrações contábeis possibilita uma me-
lhor compreensão dos valores evidenciados. Leia as afirmações abaixo e assi-
nale a alternativa correta.
I. No lado esquerdo do Balanço Patrimonial encontramos as contas patrimo-
niais de ativo.
II. Todos os elementos componentes do passivo acham-se discriminados no
lado direito do Balanço Patrimonial.
III. Todos os componentes do patrimônio líquido encontram-se discriminados
no lado esquerdo do Balanço Patrimonial.
IV. A equação patrimonial é representada: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido.
a. Apenas I e II estão corretas.
b. Apenas II e III estão corretas.
c. Apenas III e IV estão corretas.
d. Apenas II e IV estão corretas.
e. Apenas I, II e IV estão corretas.
88

3. A terminologia inerente à ciência contábil é influenciada pelo direito e outras


ciências. A compreensão dos conceitos facilita na compreensão das demonstra-
ções e favorece uma análise mais clara dos dados observados. Associe os ter-
mos aos respectivos conceitos. Em seguida, escolha a opção com a sequên-
cia correta.
1. Bens tangíveis.
2. Bens intangíveis.
3. Direito a patente.
( ) Direito exclusivo de explorar uma invenção.
( ) Só poderão ser destruídos por uma ação física, e, se destruídos, obviamente,
deixam de existir na sua forma física original.
( ) Não podem ser destruídos por uma ação física, são destruídos por difamação,
má qualidade, preços incompatíveis, desrespeito com o consumidor.
a. 1 – 2 – 3.
b. 3 – 2 – 1.
c. 3 – 1 – 2.
d. 2 – 1 – 3.
e. 2 – 3 – 1.
4. Para o estudo da Contabilidade, utiliza-se o conceito de Obrigação definido pela
Ciência Jurídica (Direito). As obrigações são deveres, mas nem todos os deveres
tem valor monetário. Diferencie obrigações não econômicas de obrigações
econômicas.
5. O demonstrativo contábil utilizado como base da contabilidade é o Balanço
Patrimonial. É neste demonstrativo que a empresa evidencia as transações de
permuta e alteração do patrimônio. Identifique as operações que dão origem
às situações patrimoniais ilustradas nos quadros abaixo:
a)

ATIVO PASSIVO
Caixa $12.000.00
Estoque de Materiais $12.000.00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital $21.000.00
89

b)

ATIVO PASSIVO

Caixa $12.000.00 Contas a Pagar Cia A $6.000.00


Estoque de Materiais $12.000.00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Móveis e utensílios $6.000.00 Capital $21.000.00
90

Economistas institucionalistas de vários matizes se referem, constantemente, à impor-


tância (para o processo econômico) de os direitos de propriedade serem claramente de-
finidos e dotados dos atributos da exclusividade e transferibilidade. Pela sua natureza,
o tema dos “direitos de propriedade” remete a questões jurídicas e institucionais e seria
um objeto bastante propício ao tratamento interdisciplinar. Raras são as análises que
conseguem tratar elementos jurídicos e econômicos de forma integrada (principalmen-
te no Brasil). Na maioria das vezes, o máximo a que se chega é uma exposição de duas
perspectivas paralelas sobre o mesmo objeto. É importante notar que as distinções no
emprego do termo “direitos de propriedade” por advogados e economistas não se res-
tringe a países de Civil Cole; Grossman (2001) e Merril; Smith (2001), por exemplo, discu-
tem justamente os diferentes empregos dos termos encontrados na literatura jurídica e
na literatura econômica, embora ambos reconheçam que o judiciário norte-americano
vem, cada vez mais, tendendo alinhar-se com a definição econômica, abandonando a
tradicional literatura jurídica. Cole e Grossman (2001) indicam que a definição de direi-
tos de propriedade utilizada por economistas, entretanto, por muitas vezes diverge de
forma significativa da tradição jurídica, visando a análise econômica. Isto porque mesmo
no sistema anglo-saxão, direitos de propriedade indicam a relação entre pessoas e coi-
sas, tendo a definição destas relações de propriedade sido a principal preocupação não
apenas de juristas, mas também da jurisprudência norte-americana ao longo do tempo.
Muitas vezes, economistas em geral “classificam” como direitos de propriedade relações
que nem direitos são. Com frequência, o que é denominado pela teoria econômica de
direito, na tradição jurídica apresenta-se como um mero privilégio, liberdade ou interes-
se por parte de um indivíduo. Hohfeld (1913, 1917, apud Cole; Grossman, 2001) propôs
uma correlação entre o que seriam direitos e aquilo que denominou meros deveres, a
qual influencia até hoje a maior parte da jurisprudência norte-americana. O Quadro 7,
indica a relação entre os distintos níveis de relações sociais e suas correlações.

Quadro 1: Elementos distintivos de direitos e deveres

ELEMENTO CORRELAÇÃO OPOSTO


Direito Dever Não há direito
Privilégio ou Identidade Não há direito Dever
Poder Responsabilidade Incapacidade
Imunidade Incapacidade Responsabilidade

Fonte: Cole e Grossman (2001).


91

Segundo Hohfeld (1913), só é possível o estabelecimento de um direito quando há um


correspondente dever por parte de outro indivíduo ou grupo de indivíduos, de modo
que um direito legalmente garantido presume a existência de uma obrigação de não in-
terferência com o exercício daquele direito por parte dos demais membros da socieda-
de. Por outro lado, as outras relações apresentadas não implicam deveres por parte dos
demais membros da sociedade (o fato de um indivíduo deter um interesse ou liberdade
em relação a um bem ou serviço qualquer não implica um dever de não interferência
por parte dos demais membros da sociedade). Assim, se faz necessário tornar a utili-
zação dos termos direitos e direitos de propriedades mais precisas. Adicionalmente, é
necessário investigar relações de causalidade entre elementos jurídicos e econômicos.
Afinal, o direito importa? Por que e em que medida? Para responder a essas questões é
preciso esclarecer os mecanismos pelos quais o direito afeta variáveis econômicas. No
que diz respeito ao nosso objeto do presente estudo – os direitos de propriedade – a
questão relevante é saber se e como a existência de determinada configuração de di-
reitos afeta o comportamento dos agentes econômicos titulares de tais direitos e, por
decorrência, variáveis economicamente relevantes.

Fonte: Mello e Esteves (2014, on-line)6.


MATERIAL COMPLEMENTAR

Contabilidade Introdutória
Stephen Charles Kanitz, Sérgio de Iudícibus e Eliseu Martins
Ano: 2010
Editora: Atlas
Sinopse: o livro Contabilidade Introdutória inova o ensino
da Contabilidade no Brasil. Permanentemente revisto e
atualizado, tem em vista não só sua adaptação aos modernos
padrões de ensino da Contabilidade, como ainda as frequentes
modificações introduzidas na legislação fiscal e societária do
País. Originou-se de cursos desenvolvidos no Departamento
de Contabilidade da FEA/USP, sob a preocupação básica de clareza e de didática na exposição da
matéria. Quanto ao conteúdo e ao enfoque operacional, a diretriz central tem sido a de apresentar a
Contabilidade como poderoso instrumento de administração.
O livro parte de uma visão de conjunto dos relatórios emanados pela Contabilidade, descendo então
em nível de detalhes sobre os lançamentos originários. Expõe os significados da função controladora
da Contabilidade e das peças contábeis. Traz em apêndices explicações sobre a correção monetária
do balanço e análise de demonstrações contábeis.

Fundamentos da contabilidade: A nova


contabilidade no contexto global
Marina Mitiyo Yamamoto, João Domiraci Paccez e Mara
Jane Contrera Malacrida
Ano: 2011
Editora: Saraiva
Sinopse: a ideia deste livro originou-se a partir
da experiência vivenciada no desafio de ensinar
contabilidade em cursos de graduação e em programas
de treinamentos para diversas empresas. O envolvimento
e a participação no desenvolvimento do curso para
diversas turmas simultâneas, ora ministrando aulas, ora preparando material ou coordenando as
diversas atividades dos participantes, tarefas estas desenvolvidas por mais de dez anos, possibilitaram
adquirir uma bagagem substancial para contribuir com um material de suporte para o ensino da
Contabilidade no Brasil.
MATERIAL COMPLEMENTAR

História da contabilidade: Foco na evolução das


escolas do pensamento contábil
 Paulo Schmidt, Jose Luiz dos Santos
Ano: 2008
Editora: Atlas
Sinopse: a Contabilidade tem passado, nos últimos anos,
por uma revolução em termos de sua história, visto que
recentes trabalhos arqueológicos encontraram vestígios da
utilização de sistemas contábeis na pré-história, durante o
período Mesolítico, compreendido entre 10.000 e 5.000 a.C.
O objetivo desta obra é apresentar as principais características
do período denominado de arqueologia da contabilidade, identificar a origem da contabilidade
e sua importância para o desenvolvimento da humanidade e entender o cenário histórico desse
período e a sua inter-relação com a contabilidade. Essas características abordadas inicialmente são
complementadas pelos textos conceituais ao longo da obra. São desenvolvidos temas desde a
solidificação do sistema contábil de partidas dobradas, até a exposição das principais contribuições
das escolas de pensamento contábil que mais se destacaram ao longo do tempo, culminando com a
História da Contabilidade no Brasil.

Material Complementar
REFERÊNCIAS

BRASIL. Presidência da República, Casa Civil. Subchefia para assuntos Jurídicos. LEI
Nº 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002. Institui o código civil. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 30 set. 2016.
CASTRO, S. C. de. Contabilidade Gerencial. Maringá-PR: Unicesumar, 2014.
D’ÁURIA, F.  Primeiros princípios de contabilidade pura.  São Paulo: Companhia
Editora Nacional, 1959.
FAVERO, H. et al. Contabilidade Teoria e Prática. São Paulo: Atlas, 1997.
IUDÍCIBUS, S. de; MARION, J. C. Contabilidade para não contadores. 3. ed. São Pau-
lo: Atlas, 2000.
MARION, J. C. Contabilidade básica. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2015. 
NUNES, P. Dicionário de Tecnologia Jurídica. 12. ed. Rio de Janeiro: livraria Freitas
Bastos: 1994.
SILVA, L. Trajetória de um conceito: patrimônio, entre a memória e a história. Mo-
saico-Revista Multidisciplinar de Humanidades, v. 1, n. 1, p. 36-42. jan/jun., 2010.
YAMAMOTO, M. M.; PACCEZ, J. D.; MALACRIDA, M. J. C. Fundamentos da contabili-
dade: A nova contabilidade no contexto global. São Paulo: Saraiva, 2011.

REFERÊNCIAS ON-LINE

1
Em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pro-
nunciamento?Id=80>. Acesso em: 30 set. 2016.
Em: <http://www.normaslegais.com.br/legislacao/contabil/resolucaocfc774.htm>.
2

Acesso em: 30 set. 2016.


3
Em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 30
set. 2016.
4
Em: <http://www.souzacruz.com.br/group/sites/sou_7uvf24.nsf/vwPagesWebLi-
ve/DO9UBM4Q/$FILE/medMD9VLPYR.pdf?openelement>. Acesso em: 30 set. 2016.
5
Em: <http://www.portalprudente.com.br/apostilas/Contabilidade/ManualConta-
bilidade.doc.>. Acesso em: 30 set. 2016.
Em: <https://ie.ufrj.br/datacenterie/pdfs/seminarios/pesquisa/texto1111.pdf>.
6

Acesso em: 30 set. 2016.


95
GABARITO

1. B.
2. E.
3. C.
4. Obrigações não econômicas são todos os compromissos, deveres ou ações
passivas que não envolvam valor econômico, ou seja, não são avaliadas em
dinheiro. Já as Obrigações econômicas, são todos os compromissos, deveres
ou ações passivas que envolvam valor econômico, ou seja, são avaliadas em
dinheiro.
5. A) Constituição da empresa onde os sócios colocam dinheiro no caixa e no es-
toque.
B) a empresa adquire móveis e utensílios a prazo.
Professora Me. Juliana Moraes da Silva

DEMONSTRAÇÕES

III
UNIDADE
FINANCEIRAS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Identificar as demonstrações financeiras que têm divulgação
obrigatória.
■■ Compreender o processo dedutível da demonstração do resultado
do exercício.
■■ Conhecer as demonstrações financeiras geradas pela contabilidade.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Demonstrações Financeiras
■■ Demonstração do Resultado do Exercício
■■ Outras Demonstrações Financeiras
99

INTRODUÇÃO

Olá caro(a) aluno(a), nesta unidade você é convocado(a) a conhecer as demons-


trações contábeis, também conhecidas como demonstrações financeiras, obtidas
através dos dados financeiros registrados e processados pela contabilidade. Essas
demonstrações correspondem aos relatórios composto por quadros que podem
ser utilizados pelos usuários como auxílio ao processo decisório.
De acordo com o CPC 00 (R1) (2011, on-line)1, as demonstrações contá-
beis são elaboradas e apresentadas para usuários externos de acordo com suas
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

necessidades, sejam estes representantes dos governos, órgãos reguladores ou


autoridades tributárias, pois estes usuários podem determinar especificamente
exigências para atender a seus próprios interesses. Essas exigências, no entanto,
não devem afetar as demonstrações contábeis elaboradas segundo as normas
contábeis.
O objetivo das demonstrações é o de fornecer informação sobre a posição
patrimonial e financeira e do desempenho e da entidade que seja útil aos usuá-
rios em suas análises e tomada de decisões econômicas.
Muito embora o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do
Exercício sejam as demonstrações mais usuais e obrigatórias para empresas de
pequeno, médio e grande porte, elas não são as únicas a expor os resultados obti-
dos pela empresa em diferentes períodos, objetivando introduzir você, caro(a)
aluno(a), no mundo da contabilidade. As análises abordadas neste livro ocorre-
rão com base nessas duas demonstrações.
Ao abrir um empreendimento, o gestor deve conhecer não apenas o seu pro-
duto ou serviço, mas é imprescindível “enxergar” o que as demonstrações contábeis
evidenciam de informações, viabilizando o acompanhamento do desempenho
econômico e financeiro da empresa.
Nesta unidade, você não apenas conhecerá as demonstrações contábeis,
como também poderá observar a estrutura de cada uma delas e compreender a
evolução dos dados ali evidenciados.
Que tal conhecer as demonstrações financeiras? Elas estão repletas de infor-
mações. Vamos em frente! Bons estudos!

Introdução
100 UNIDADE III

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

Caro(a) aluno(a), saiba que o objetivo básico das demonstrações financeiras é


fornecer informações para a correta gestão dos negócios e avaliação dos resul-
tados operacionais. As demonstrações apresentam elementos que possibilitam
aos empresários e administradores o planejamento e o controle do patrimônio
da entidade e de suas atividades sociais.
O Pronunciamento Conceitual Básico 00 ([2011], on-line)2, complementa
que as:
demonstrações contábeis retratam os efeitos patrimoniais e financeiros
das transações e outros eventos, agrupando-os em classes de acordo
com as suas características econômicas. Essas classes são chamadas de
elementos das demonstrações contábeis. Os elementos diretamente re-
lacionados à mensuração da posição patrimonial e financeira no balan-
ço são os ativos, os passivos e o patrimônio líquido.

As informações evidenciadas nos demonstrativos contábeis interessam tam-


bém às pessoas que, por qualquer motivo, mantenham relações com a empresa:

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
101

credores, investidores em potencial, o governo e a sociedade.


As demonstrações contábeis têm a função de comunicar a situação de uma
entidade, mas para que isso aconteça é preciso que o usuário tenha um conhe-
cimento mínimo da nomenclatura utilizada na área.
As demonstrações contábeis consistem em um conjunto de demonstrativos,
previstos em lei, geralmente elaborados ao final do exercício social. A Lei 6.404/76
([2016], on-line)2, artigo 176 estabelece que, ao fim de cada exercício, a direto-
ria da empresa deve elaborar e publicar as seguintes demonstrações financeiras:
■■ BP - Balanço Patrimonial.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

■■ DRE - Demonstração do Resultado do Exercício.


■■ DLPA - Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados.

Com a Lei 11.638/07 ([2016], on-line)3, deixa de ser exigido a DOAR (Demonstração
de Origens e Aplicação de Recursos) e passa a serem exigidas, além das demons-
trações já citadas, também as demonstrações:
■■ DFC (Demonstração de Fluxos de Caixa).
■■ DVA (Demonstração de Valor Adicionado) para companhia de capital
aberto.

Ainda, caso a organização opte, ela pode ao invés de apresentar a DLPA, apre-
sentar a Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL), desde que
a DLPA esteja contida dentro da DMPL, de forma transparente.
A lei 6.404/76 ([2016], on-line)2 prevê que as demonstrações serão comple-
mentadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações
necessárias para esclarecer a situação patrimonial e os resultados do exercício.
A Lei 11.941/09 ([2016], on-line)4 passa a detalhar os elementos que são eviden-
ciados pelas notas explicativas, dentre estes se destacam:
■■ Apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações
financeiras e das práticas contábeis específicas, selecionadas e aplicadas
para negócios e eventos significativos.
■■ Divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no

Demonstrações Financeiras
102 UNIDADE III

Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demons-
trações financeiras.
■■ Fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demons-
trações financeiras, consideradas necessárias para uma apresentação
adequada, tais como: os principais critérios de avaliação dos elementos
patrimoniais, os investimentos em outras sociedades, quando relevantes,
o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações,
os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias presta-
das a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes, taxa
de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações em longo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
prazo; os ajustes de exercícios anteriores; os eventos subsequentes à data
de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter, efeito rele-
vante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia.

A lei 11.638/07 ([2016], on-line)3 prevê que as companhias fechadas com patri-
mônio líquido, na data do balanço, inferior a 2.000.000,00 (dois milhões de reais)
não será obrigada à elaboração e publicação da demonstração de fluxo de caixa.
Uma vez abordados aspectos gerais, quanto às demonstrações financeiras
obrigatórias, passa-se a abordar elementos vinculados ao processo de elabora-
ção de das seguintes demonstrações obrigatórias: BP - Balanço Patrimonial e

As demonstrações financeiras são instrumentos de gestão altamente pode-


rosos que possibilitam traçar planos e expansão dos negócios

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
103
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DRE - Demonstração do Resultado do Exercício.

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

O termo Resultado conduz, de forma genérica, à ideia de desempenho. O CPC


00 (2011, on-line)1, no Pronunciamento Conceitual Básico, apresenta as seguin-
tes considerações sobre o desempenho da empresa:
as informações referentes ao desempenho da entidade, especialmente
sua rentabilidade, são requeridas com a finalidade de avaliar possíveis
mudanças necessárias na composição dos recursos econômicos que
provavelmente serão controlados pela entidade. As informações sobre
as variações nos resultados são importantes nesse sentido.
As informações sobre os resultados são úteis para prever a capacidade
que a entidade tem de gerar fluxos de caixa a partir dos recursos atual-
mente controlados por ela. Também é útil para a avaliação da eficácia
com que a entidade poderia usar recursos adicionais.

Na contabilidade, o termo Resultado assume também a conotação de medida de


desempenho e corresponde à mensuração (aumento ou diminuição) do patri-
mônio líquido, caracterizando-se pela confrontação das receitas obtidas pela

Demonstração do Resultado do Exercício


104 UNIDADE III

empresa no desempenho de sua atividade, com as despesas em que incorre para


obtê-las, assim, tem-se a seguinte relação:
Resultado = Receitas — Despesas
No caso de o total de receitas de um período ser superior ao total de despesas
necessárias para obtê-las, tem-se resultado positivo, o qual é denominado Lucro
(superávit). Quando as despesas são superiores às receitas, tem-se resultado
negativo e esse resultado recebe a denominação de Prejuízo.
A partir do exposto, pode-se observar que para a determinação do resul-
tado, é necessário identificar as receitas (acréscimo de Patrimônio Líquido) e as

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
despesas (diminuição do Patrimônio Líquido) que a empresa incorreu de deter-
minado período. Feito isso, é possível avaliar o efeito que tais operações causaram
ao Patrimônio Líquido da empresa.

Receita

O CPC 00 (2011, on-line)2, no Pronunciamento Conceitual Básico, item 70, apre-


senta a seguinte definição de receita:
receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período
contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou
diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio
líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da
entidade.

São consideradas receitas, eventos como: vendas à vista e a prazo, venda com
recebimento de outro ativo, juros sobre aplicações financeiras (gerados por uma
aplicação financeira), liquidação de uma dívida com desconto.

Despesa

O CPC 00 (2011, on-line)2, no Pronunciamento Conceitual Básico, item 70, apre-


senta a seguinte definição de despesa:

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
105

despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período


contábil sob a forma de saída de recursos ou redução de ativos ou
incrementos em passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio
liquido e que não sejam provenientes de distribuição aos proprietários
da entidade.

Uma despesa pode ser entendida como o custo do uso ou o custo de bens ou
serviços consumidos nas atividades da empresa, a fim de se obter receita. Ou
seja, as despesas representam os sacrifícios de benefícios econômicos e devem
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ser reconhecidas quando surge decréscimo nos futuros benefícios econômicos


provenientes da diminuição do ativo ou do aumento de passivo, desde que possa
ser determinada de modo confiável. Portanto, são consideradas despesas, eventos
como: consumo de estoque, serviços de terceiros, salários, aluguéis ente outros.
A partir dos conceitos apresentados, é possível observar que, se as receitas
forem superiores às despesas, como resultado se obtém lucro, o qual provoca o
aumento no patrimônio líquido. Mas, se as receitas forem inferiores às despesas,
como resultado se obtém prejuízo, o qual provoca redução no patrimônio líquido.
Contudo, apenas essa relação não possibilita a efetiva análise do desempe-
nho da empresa ao longo do tempo, ou a extração de conclusões, em termos
de ações, que sejam úteis para a tomada de decisão. Com relação ao exposto
o Pronunciamento Conceitual Básico, item 72 do CPC 00 (2011)2 apresenta o
seguinte entendimento:
as receitas e despesas podem ser apresentadas na demonstração do
resultado de diferentes maneiras, de modo que prestem informações
relevantes para a tomada de decisões. Por exemplo, é prática comum
distinguir entre receitas e despesas que surgem no curso das atividades
usuais da entidade e as demais. Essa distinção é feita porque a fonte
de uma receita é relevante na avaliação da capacidade que a entidade
tenha de gerar caixa ou equivalentes de caixa no futuro; por exemplo,
receitas oriundas de atividades eventuais como a venda de um investi-
mento de longo prazo normalmente não se repetem numa base regular.
Nessa distinção, deve-se levar em conta a natureza da entidade e suas

Demonstração do Resultado do Exercício


106 UNIDADE III

operações. Itens que resultam das atividades ordinárias de uma entida-


de podem ser incomuns em outras entidades.

Por existir a necessidade de se identificar os efeitos causados no Patrimônio


Líquido, quer seja por atividades operacionais ou eventuais, foi estruturado um
relatório específico, denominado Demonstração do Resultado do Período.
Nesse relatório, todas as contas de receitas e despesas são apresentadas
em agrupamentos específicos. Ao final do período, o resultado final obtido na
Demonstração do Resultado é incorporado ao Patrimônio Líquido, possibi-
litando, assim, refletir no Balanço Patrimonial os efeitos do desempenho da

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
empresa em determinado período.

Estrutura da demonstração de resultado

Receita Operacional Bruta: é o total bruto vendido no período. Estão inclusos os


impostos sobre vendas e não foram subtraídas as devoluções ocorridas no perí-
odo. Impostos e taxas sobre vendas são aqueles gerados no momento da venda;
variam proporcionalmente à venda. Exemplos: IPI, ICMS, ISS, PIS E COFINS.
Devoluções e abatimentos: são mercadorias devolvidas por estarem em
desacordo com o pedido. Pode ocorrer da empresa vendedora, na tentativa de
evitar devolução, propor um abatimento no preço para compensar o prejuízo
ao comprador.
Custo das vendas: essa expressão está relacionada com a característica de
entidade:
■■ Para empresas industriais é denominado custo do produto vendido (CPV).
■■ Para empresas comerciais é denominado custo das mercadorias vendi-
das (CMV).

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
107

■■ Para empresas prestadoras de serviços é denominado custo dos serviços


prestados (CSP).

Na indústria, custo significa todos os gastos na fábrica (produção): matéria-


-prima, mão de obra, energia elétrica, manutenção, embalagem etc. Na empresa
comercial, significa o gasto da aquisição da mercadoria a ser revendida; e em
uma empresa prestadora de serviços, a mão de obra aplicada no serviço pres-
tado mais o material utilizado nesse serviço.
Despesas operacionais: os principais grupos de despesas operacionais são:
- Despesas com vendas: abrangem desde a promoção do produto até sua
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

colocação junto ao consumidor (despesas com o pessoal da área de vendas,


comissões sobre vendas, propaganda e publicidade, marketing, provisão para
devedores duvidosos etc).
- Despesas gerais e administrativas: são aquelas necessárias para administrar
(dirigir) a empresa. Exemplo: honorários administrativos, salários e encargos
sociais do pessoal administrativo, aluguel de escritório, materiais de escritório,
seguro da área administrativa, depreciação de móveis e utensílios, material de
expediente etc.
- Despesas financeiras: são as remunerações aos capitais de terceiros, exemplo:
juros pagos ou incorridos, despesas bancárias, correção monetária de emprésti-
mos, descontos concedidos, juros de mora pagos etc.
- Receitas financeiras: são as derivadas de aplicações financeiras, juros de
mora recebidos, descontos obtidos etc.
O relatório denominado Demonstração do Resultado corresponde à apresen-
tação de forma detalhada e ordenada, de todas as contas de receitas e despesas que
compõem a Conta Apuração de Resultado. O Pronunciamento Técnico CPC 26
([2016], on-line)5, item 82, define o detalhamento mínimo das rúbricas a serem
apresentadas na demonstração do resultado:
■■ Receitas.
■■ Custo dos produtos, das mercadorias ou dos serviços vendidos.
■■ Lucro bruto.
■■ Despesas com vendas gerais, administrativas e outras despesas e recei-
tas operacionais.

Demonstração do Resultado do Exercício


108 UNIDADE III

■■ Despesas e receitas financeiras.


■■ Resultado antes dos tributos sobre o lucro.
■■ Despesa com tributos sobre o lucro.
■■ Resultado líquido do período.

A partir da estrutura mínima apresentada, verifica-se que o resultado obtido pela


empresa nas suas atividades principais é evidenciado na parte superior da DRE,
pela confrontação das receitas de vendas ou serviços, com as despesas direta-
mente associadas a essas receitas (custo dos produtos ou mercadorias venda ou

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
custo dos serviços prestados).
Assim, se obtém o “Resultado Bruto”, “Resultado Bruto com Mercadorias”,
“Resultado com Serviços” ou “Lucro Bruto”. O Resultado Bruto representa uma
medida da capacidade da empresa em exercer as atividades a que se propõe.
Também fornece uma medida sobre a capacidade da empresa em colocar seus
produtos e serviços no mercado, cobrindo os custos de aquisição ou produção e
gerando uma margem sobre esses custos. A margem resultante serve para cobrir
os demais gastos com a estrutura da empresa e como consequência, se obtém o
resultado do período.
Assim, as receitas e despesas podem ser apresentadas em determinados gru-
pos conforme modelo.

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
109

Quadro 1 - Modelo da Demonstração do Resultado do Exercício CIA GUTAMOC S/A

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO


PERÍODO DE .../.../... A .../.../...
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
Vendas de Produtos.
Vendas de Mercadorias.
Prestação de Serviços.
(-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA 
Devoluções de Vendas. 
Abatimentos. 
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Impostos e Contribuições Incidentes sobre Vendas.


(=) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA
(-) CUSTOS DAS VENDAS
Custo dos Produtos Vendidos. 
Custo das Mercadorias.
Custo dos Serviços Prestados.
(=) RESULTADO OPERACIONAL BRUTO
(-) DESPESAS OPERACIONAIS 
Despesas Com Vendas. 
Despesas Administrativas.
(-) DESPESAS FINANCEIRAS LÍQUIDAS
Despesas Financeiras.
(-) Receitas Financeiras.
Variações Monetárias e Cambiais Passivas.
(-) Variações Monetárias e Cambiais Ativas.
OUTRAS RECEITAS E DESPESAS
Resultado da Equivalência Patrimonial.
Venda de Bens e Direitos do Ativo não Circulante.
(-) Custo da Venda de Bens e Direitos do Ativo não Circulante.
(=) RESULTADO OPERACIONAL ANTES DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO
SOCIAL E SOBRE O LUCRO
(-) Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre o Lucro.
(=) LUCRO LÍQUIDO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES
(-) Debêntures, Empregados, Participações de Administradores, Partes Beneficiárias,
Fundos de Assistência e Previdência para Empregados.
(=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

Fonte: adaptado do CR 26 (R1)

Demonstração do Resultado do Exercício


110 UNIDADE III

Com relação à Demonstração do Resultado do Exercício, a Lei 6.404/76 ([2016],


on-line)3, artigo 176, obriga sua elaboração e publicação ao final de cada exercí-
cio social, com os valores correspondentes à demonstração do período anterior
para fins de comparação. O artigo 177, também, determina a adesão aos princí-
pios de contabilidade geralmente aceitos, mencionando a necessidade de registro
das mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Além disso, a lei
estabelece a necessidade de divulgação do lucro ou prejuízo por ação do capi-
tal social.
A seguir para um melhor entendimento do DRE, segue o demonstrativo da

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
empresa Souza Cruz.
Quadro 2 - Souza Cruz: Demonstrativo do Resultado

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO 31/12/2014 31/12/2013 31/12/2012

Receita de Venda de Bens e/ou Serviços 6.264,1 M 6.287,4 M 6.131,1 M

Custo dos Bens e/ou Seviços Vendidos -2.274,3 M -2.274,3 M -2.098,4 M

Resultado Bruto 3.989,8 M 4.022,2 M 4.032,8 M

Despesas Operacionais -1.509,9 M -1.544,8 M -1.658,2 M

Despesas com Vendas -877,6 M -913,1 M -914,2 M


Despesas Gerais e Administrativas -877,7 M -852,1 M -820,4 M

Perdas pela Não Recuperabilidade de Ativos 0,0 M 0,0 M 0,0 M

Outras Receitas Operacionais 242,4 M 202,5 M 156,2 M


Outras Despesas Operacionais -748,4 M 17,9 M -79,7 M

Resultado de Equivalência Patrimonial 0,0 M 0,0 M 0,0 M

Resultado Antes do Resultado Financeiro e dos Tributos 2.479,9 M 2.477,4 M 2.374,6 M

Resultado Financeiro -17,3 M -32,5 M 11,3 M

Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro 2.462,6 M 2.445,0 M 2.385,9 M

Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro -748,4 M -750,7 M -744,5 M

Resultado Líquido das Operações Continuadas 1.714,2 M 1.694,3 M 1.641,4 M

Resultado Líquido de Operações Descontinuadas 0,0 M 0,0 M 0,0 M

Lucro/Prejuízo Consolidado do Período 1.714,2 M 1694,3 M 1.641,4 M

Fonte: adaptado de Souza Cruz (2011, on-line)6.

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
111

OUTRAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

Demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados

Evidencia claramente o lucro do período, sua distribuição e movimentação ocor-


rida no saldo da conta, lucros ou prejuízos acumulados.
O Art. 186 da Lei 6.404/76 ([2016], on-line)3, em seus incisos I, II, III,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

determina a seguinte discriminação na Demonstração dos Lucros ou Prejuízos


Acumulados:
I. o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a corre-
ção monetária do saldo inicial.
II. as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício.
III. as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incor-
porada ao capital e o saldo do período.
Quadro 3 - Modelo da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados CIA GUTAMOC S/A

DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS


PERÍODO DE .../.../... A .../.../...
Saldo no início do período
(+/-) Ajuste de exercícios anteriores.
(=) Saldo ajustado e corrigido.
(+/-) Resultado do exercício .
( - ) Transferências para reservas.
• Reserva Legal.
• Reserva para Contingência.
• Reservas Estatutárias.
(-) Dividendos a distribuir.
(=) Saldo no fim do período.

Fonte: adaptado do CPC 26 (R1) (2014, on-line)5.

Outras Demonstrações Financeiras


112 UNIDADE III

A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados apresenta os lucros obti-


dos em exercícios anteriores devidamente ajustados, incorporando-se o resultado
do período e excluindo as transferências de modo a apresentar o saldo acumu-
lado dos lucros retidos na entidade.
A Lei 6.404/76 (on-line)2 autoriza a substituição da DLPA pela Demonstração
das Mutações do Patrimônio Líquido, caso esta seja elaborada pela empresa.

Demonstração das mutações do patrimônio líquido

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Evidencia a mutação do Patrimônio Líquido de forma global (novas integraliza-
ções de capital, resultado do exercício, ajustes de exercícios anteriores, dividendos,
reavaliações) e também as mutações internas (incorporações de reservas de capi-
tal, transferências de lucros acumulados para reservas e vice-versa).
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL é obrigató-
ria para empresas de capital aberto, conforme exigência da CVM – Comissão de
Valores Mobiliários, em sua instrução nº 59, de 22 de dezembro de 1986.
A DMPL fornece informações referentes às diversas movimentações ocor-
ridas nas contas do Patrimônio Líquido durante o exercício social. Desta forma,
todo acréscimo ou diminuição no Patrimônio Líquido é evidenciado por meio
desta demonstração.

De acordo com o § 2º do artigo 186 da Lei 6.404/76 (on-line)2 a Demonstra-


ção de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) poderá ser incluída na De-
monstração das Mutações do Patrimônio Líquido, se elaborada e divulgada
pela companhia, pois não inclui somente o movimento da conta de lucros
ou prejuízos acumulados, mas também o de todas as demais contas do pa-
trimônio líquido.
Fonte: Lei 6.404-76 ([2016], on-line)3.

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
113

A DMPL é um instrumento importante para as empresas que tenham seu


Patrimônio Líquido formado por diversas contas e mantenham com elas cons-
tantes transações.
Quadro 4- Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido 
CIA GUTAMOC S/A

CAPITAL LUCROS
HISTÓRICO RESERVAS TOTAL
REALIZADO ACUMULADOS

Saldo em 31.12.____      
Ajustes de Exercícios Ante-      
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

riores
Efeitos de mudança de crité-      
rios contábeis
Retificação de erros de exercí-      
cios anteriores
Aumento de Capital      
Com lucros e reservas      
Por subscrição realizada      
Reversões de Reservas      
De contingências      
De lucros a realizar      
Lucro Líquido do Exercício      
Proposta da Administração      
de Destinação do Lucro
Transferências para reservas      
Reserva legal      
Reserva estatutária      
Reserva de lucros para ex-      
pansão
Reserva de lucros a realizar      
Dividendos a distribuir (R$ ...      
por ação)
Saldo em 31.12.____      
Fonte: adaptado do CPC 26 (R1) ([2016], on-line)5 (?).

Outras Demonstrações Financeiras


(REAIS MIL)
114
RESERVAS
DE CAPITAL,
CAPITAL LUCROS OU OUTROS PARTICIPAÇÃO PATRIMÔNIO
CÓDIGO DA OPÇÕES RESERVAS PATRIMÔNIO
DESCRIÇÃO DA CONTA SOCIAL PREJUÍZOS RESULTADOS DOS NÃO LÍQUIDO
CONTA OUTORGADAS DE LUCRO LÍQUIDO
INTEGRALIZADO ACUMULADOS ABRANGENTES CONTROLADORES CONSOLIDADO
E AÇÕES EM
TESOURARIA

5.01 Saldos Iniciais 854.756 1.909 1.252.293 0 331.416 2.440.374 0 2.440.374


UNIDADE
III

5.03 Saldos Iniciais Ajustados 854.756 1.909 1.252.293 0 331.416 2.440.374 0 2.440.374

5.04 Transações de Capital com os Sócios 0 0 -819.249 -46.419 0 -865.668 0 -865.668

5.04.07 Juros sobre Capital Próprio 0 0 0 -46.419 0 -46.419 0 -46.419

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
Dividendo aprovado na AGO/E
5.04.09 0 0 0 0 0 -819.249 0 -819.249

Fonte: adaptado de Souza Cruz (2011, on-line)7.


19/03/2012

5.05 Resultado Abrangente Total 0 0 0 848.274 20.868 869.142 0 869.142

5.05.01 Lucro Líquido do Período 0 0 0 848.274 0 848.274 0 848.274

5.05.02 Outros Resultados Abrangentes 0 0 0 0 20.868 20.868 0 20.868

Ajustes plano de benefícios definido-


5.05.02.08 0 0 0 0 891 891 0 891
-ativos (CPC33)
Variação Cambial sobre Investimentos
5.05.02.09 0 0 0 0 -1.315 -1.315 0 -1.315
líquidos no exterior (Nota 13)
Variação Cambial sobre empréstimos
5.05.02.11 0 0 0 0 9.951 9.951 0 9.951
Quadro 5 - Souza Cruz Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido 2014

em moeda estrangeira
Instrumentos Derivativos(NDF - Non
5.05.02.12 0 0 0 0 22.687 22.687 0 22.687
Deliverable Foward)

Imposto de Renda e Contribuição


5.05.02.13 0 0 0 0 -11.096 -11.096 0 -11.096
Social sobre os efeitos do Hedge

Ganhos e Perdas Resultantes de


5.05.02.14 Conversão de Moeda Estrangeira 0 0 0 0 -250 -250 0 -250
(Nota 13)

5.07 Saldos Finais 856.756 1.909 433.044 801.855 352.284 2.443.848 0 2.443.848

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
115

Demonstração do fluxo de caixa

No Brasil, a Demonstração do fluxo de caixa (DFC) passou a ser obrigatória para


as sociedades anônimas e empresas de grande porte a partir de 2008. Passou a
substituir a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos. Para as com-
panhias fechadas com PL inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) na
data do balanço, não serão obrigatórias a elaboração e a publicação da DFC.
A DFC é feita pelo regime de caixa, então a DFC deve indicar, no mínimo,
as alterações ocorridas durante o exercício, no saldo de caixa e equivalentes de
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

caixa, segregando-se essas alterações em, no mínimo, três fluxos de atividade:


1) Atividades operacionais: são as principais atividades geradoras de receita
da entidade e outras atividades diferentes das de investimento e de financiamento.
2) Atividades de investimento: são referentes à aquisição e à venda de ativos
de longo prazo e de outros investimentos não incluídos nos equivalentes de caixa.
3) Atividades de financiamento: são aquelas que resultam em mudanças no
tamanho e na composição do capital próprio e no endividamento da entidade,
não são classificadas como atividade operacional.
Essa demonstração será obtida de forma direta (a partir da movimentação
do caixa e equivalentes a caixa) ou de forma indireta (com base no lucro/preju-
ízo do exercício). A DFC apresentada pelo Método Direto facilita a visualização
e a compreensão do fluxo financeiro, demonstrando recebimentos e pagamentos
decorrentes das atividades operacionais da empresa, possibilitando a avaliação
do comportamento do seu nível de solvência. Neste método são apresentados
os componentes dos fluxos por seus valores brutos, ao menos para os itens mais
significativos dos recebimentos e pagamentos.
A DFC apresentada pelo Método Indireto se assemelha a DOAR, pois a
demonstração de recursos gerados pela empresa é feita por meio da conciliação
do Resultado Líquido do Exercício com a efetiva variação do caixa, exigindo do
analista um conhecimento de contabilidade.

Outras Demonstrações Financeiras


116 UNIDADE III

Quadro 6 - Modelo da Demonstração do Fluxo de Caixa – Método Indireto

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA


PERÍODO DE .../.../... A .../.../...
FLUXOS OPERACIONAIS
Resultado Líquido
(+) Depreciação
Aumento/Redução de Duplicatas a Receber.
Aumento em Duplicatas Descontadas.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Aumento em Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa.
Aumento/Redução em Estoques.
Aumento/Redução em Fornecedores.
Redução de Salários a Pagar.
Outros.
Caixa Líquido das Atividades.
FLUXOS DE INVESTIMENTOS
Pagamento na Compra de Imobilizado.
Recebimento pela Venda de Imobilizado.
Outros.
Caixa Líquido de Investimentos.
FLUXOS DE FINANCIAMENTOS
Integralização de Aumento de Capital.
Amortização de Empréstimos e Financiamentos.
Recebimento/Pagamento de Dividendos.
Novas Captações de Empréstimos e Financiamentos.
Outros
Caixa Líquido de Financiamentos.
AUMENTO/REDUÇÃO DE CAIXA
SALDO INICIAL DE CAIXA
SALDO FINAL DE CAIXA

Fonte: adaptado do CPC (R1) (2014,on-line)6

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
117

A seguir, o Demonstrativo do Fluxo de Caixa da empresa Souza Cruz:

Quadro 7 - Souza Cruz: Demonstrativo do Fluxo de Caixa

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA -


31/12/2014 31/12/2013 31/12/2012
MÉTODO INDIRETO

- Caixa Líquido Atividades Operacionais 2.325,9 M 2.273,8 M 1.871,7 M

+ Caixa Gerado nas Operações 1.914,6 M 1.925,4 M 2.011,2 M


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

+ Variações nos Ativos e Passivos 411,3 M 348,3 M -139,5 M

Outros 0,0 M 0,0 M 0,0 M

- Caixa Líquido Atividades de Investimento -170,4 M -127,0 M -242,4 M

Recursos obtidos na venda de ativo imobili-


71,6 M 16,1 M 5,8 M
zado

Dividendo recebido de coligada 0,0 M 0,0 M 19,3 M

Adições ao imobilizado e intangível -242,0 M -143,1 M -279,2 M

- Caixa Líquido Atividades de Financiamento -1.720,4 M -2.056,5 M -1.544,7 M

Empréstimos e financiamentos - liquido -185,1 M -459,8 M -111,1 M

Dividendos e juros sobre o capital próprio


-1.535,3 M -1.596,7 M -1.433,6 M
distribuídos

Captação líquida de amortizações - - -

Dividendos e juros sobre o capital próprio


- - -
distribuídos

Variação Cambial s/ Caixa e Equivalentes 0,0 M 0,0 M 0,0 M

- Aumento (redução) de caixa e Equivalentes 435,1 M 90,3 M 84,6 M

Saldo Inicial de Caixa e Equivalentes 1.391,7 M 1.301,4 M 1.216,8 M

Fonte: adaptado de Souza Cruz (2011, on-line)7.

Outras Demonstrações Financeiras


118 UNIDADE III

Demonstração de valor adicionado

A Demonstração de valor adicionado (DVA) passou a ser obrigatória para as


sociedades anônimas de capital aberto a partir do exercício de 2008. A DVA
deve evidenciar o valor da riqueza gerada pela companhia, a sua distribuição
entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza, tais como
empregados, financiadores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela
da riqueza distribuída.
Em outras palavras, a DVA evidencia o quanto de riqueza uma empresa pro-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
duziu, ou seja, o quanto ela adicionou de valor aos seus fatores de produção e
o quanto dessa riqueza foi distribuída (entre empregados, governo, acionistas,
financiadores de capital) ou retida e, de que forma essas transações aconteceram.
A sua utilidade é notória do ponto de vista macroeconômico, pois, conceitual-
mente, o somatório dos valores adicionados de um país representa seu Produto
Interno Bruto (PIB).
Em suma, a DVA demonstra ao usuário o quanto cada companhia criou
de riqueza e como distribuiu aos agentes econômicos que ajudaram a criar essa
riqueza. Então, o objetivo maior da DVA é o de demonstrar o quanto a empresa
gerou de riqueza (recursos) e como distribuiu esses recursos aos agentes que
contribuíram para tal formação.
Segue Demonstração de Valor Adicionado da empresa Souza Cruz:

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
119

Quadro 8 - Souza Cruz: Demonstração de Valor Adicionado

DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ACIONADO 31/12/2014 31/12/2013 31/12/2012


Receitas 16.892,6 M 16.150,5 M 14.617,6 M
Vendas de Mercadorias, Produtos e Serviços 16.752,8 M 16.118,9 M 14.639,5 M

Outras Receitas 139,2 M 25,9 M -31,6 M


Receitas refs. à Construção de Ativos Próprios 0,0 M 0,0 M 0,0 M
Provisão/Reversão de Créds. Liquidação 0,7 M 5,6 M 9,7 M
Duvidosa
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Insumos Adquiridos de Terceiros -3.078,0 M -2.955,2 M -2.870,4 M


Custos Prods., Mercs. e Servs. Vendidos -367,6 M -371,2 M -285,2 M
Materiais, Energia, Servs. de Terceiros e Outros -2.720,4 M -2.662,1 M -2.598,5 M
Perda/Recuperação de Valores Ativos 10,0 M 78,1 M 13,2 M
Outros 0,0 M 0,0 M 0,0 M
Valor Adicionado Bruto 13.814,6 M 13.195,3 M 11.747,2 M
Retenções -156,1 M -157,9 M -171,5 M
Depreciação, Amortização e Exaustão -156,1 M -157,9 M -171,5 M
Outras 0,0 M 0,0 M 0,0 M
Valor Adicionado Líquido Produzido 13.658,5 M 13.037,4 M 11.575,6 M
Vir Adicionado Recebido em Transferência 183,4 M 281,2 M 147,1 M
Resultado de Equivalência Patrimonial 0,0 M 0,0 M 0,0 M
Receitas Financeiras 183,4 M 281,2 M 147,1 M
Outros 0,0 M 0,0 M 0,0 M
Valor Adicionado Total a Distribuir 13.847,9 M 13.318,6 M 11.722,7 M
Distribuição do Valor Adicionado 13.841,9 M 13.318,6 M 11.722,7 M
Pessoal 641,2 M 724,0 M 684,7 M
Impostos, Taxas e Contribuições 11.248,6 M 10.554,8 M 9.239,6 M
Remuneração de Capitais de Terceiros 237,9 M 344,5 M 155,9 M
Remuneração de Capitais Próprios 1.714,2 M 1.695,3 M 1.642,6 M

Fonte: adaptado de Souza Cruz (2011, on-line)7.

Outras Demonstrações Financeiras


120 UNIDADE III

Demonstração do resultado abrangente

O CPC 26 institui a obrigatoriedade da publicação da Demonstração do resultado


abrangente (DRA). Essa demonstração evidencia as modificações do Patrimônio
Líquido (PL) decorrentes de receitas, despesas e outros eventos que não são reco-
nhecidos no resultado imediatamente, ou seja, sua realização ainda contém um
grau de incerteza. Perdas não realizadas em investimentos financeiros são exem-
plos de despesas que compõem a DRA.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Quadro 9 - Modelo da Demonstração do Resultado Abrangente

CIA GUTAMOC S/A

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

PERÍODO DE .../.../... A .../.../...

Resultado Líquido do Período

(+/-) Outros Resultados Abrangentes.

Variação de Reserva de Reavaliação (Quando Existente).

Ganhos/Perdas em Planos Previdência Complementar Ou Conversão das Demons-


trações Contábeis p/ Exterior.

Ajuste de Avaliação Patrimonial.

(+/-) Resultados Abrangentes de Empresas Investidas (quando reconhecidas pela


Eq. Patrimonial).

(=) Resultado Abrangente do Período.

Fonte: adaptado do CPC 26 (R1) (2014, on-line)6.

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

(REAIS MIL)
IGUAL
ACUMULADO
TRIMESTRAL ACUMULADO DO TREMESTRE
DO EXERCÍCIO
CÓDIGO DA ANUAL ATUAL EXERCÍCIO DO EXERCÍCIO
DESCRIÇÃO DA CONTA ANTERIOR
CONTA 01/04/2014 A 01/01/2014 A ANTERIOR
01/01/2013 A
30/06/2014 30/06/2014 01/04/2013 A
30/06/2013
30/06/2013
Lucro Líquido Consolidado
4.01 392.967 848.274 435.649 889.936
do Período
Outros Resultados Abran-
4.02 192 20.868 -627 -2.489
gentes

Fonte: adaptado de Souza Cruz (2011, on-line)7.


Ajuste de Plano de Benefício
4.02.03 192 891 0 0
definido-ativos (CPC33)
Variação Cambial sobre
4.02.04 Investimentos no Exterior -534 -1.565 2.546 2.213
(nota 13)
Variação Cambial sobre
Quadro 10 – Souza Cruz: Demonstração do Resultado Abrangente

4.02.06 Empr´stimos em Moeda 9.951 9.951 -8.281 -8.281


Estrangeira
Instrumentos derivativos
4.02.07 (NDF - Non Deliverable 3.116 22.687 -368 -8.281
Forward e Trava)
Imposto de renda e contri-
buição social sobre os efeitos
4.02.08 -4.443 -11.096 5.476 2.243
de avaliação cambial sobre
empréstimos

Outras Demonstrações Financeiras


Resultado Abrangente Con-
4.03 401.249 869.142 435.022 887.447
solidado do Período
Atribuído a Sócios da Empre-
121

4.03.01 401.249 869.142 435.022 887.447


sa Controladora
122 UNIDADE III

Notas explicativas

As notas explicativas são parte integrante das demonstrações contábeis e devem


divulgar as informações necessárias à adequada compreensão das respectivas
demonstrações.
Por determinação legal, as notas devem conter:
a. Os principais critérios de avaliação de elementos patrimoniais.
b. Os investimentos em outras sociedades, quando relevantes.
c. O aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
d. Os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias pres-
tadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes.
e. A taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações em
longo prazo.
f. O número, espécies e classes das ações do capital social.
g. As opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício.
h. Ajustes de exercícios anteriores.
i. Eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham,
ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resul-
tados futuros da companhia.
A seguir um exemplo de Nota Explicativa da Souza Cruz:
Quadro 11 – Souza Cruz: Nota Explicativa

ITR - Informações Trimestrais - 30/06/2014 - SOUZA CRUZ SA Versão: 1

Notas Explicativas

3.6 Contas a receber

As contas a receber correspondem aos valores a receber de clientes pela venda de mercadorias
e serviços no decurso normal das atividades da Companhia. As contas a receber são incialmen-
te reconhecidas pelo valor justo e, subsequentemente, mensuradas pelo custo amortizado
com base no método de taxa de juros efetiva menos a provisão para perdas com créditos, se
necessária.

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
123

A provisão para perdas com créditos (impairment) é fundamentada em análise dos créditos
pela Administração, que leva em consideração o histórico e os riscos envolvidos em cada ope-
ração, e é constituída em montante considerado suficiente para cobrir as prováveis perdas na
realização das contas a receber.

3.7 Estoques

Os estoques estão demonstrados pelo menor valor entre o valor líquido de realização e o custo
médio de produção ou preço médio de aquisição. O custo é determinado pelo método de
avaliação dos estoques “custo médio ponderado”. As provisões para perda de estoque de baixa
rotatividade ou obsoletos, ou aquelas constituídas para ajustar ao valor de mercado, são con-
tabilizadas quando aplicável.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

3.8 Outros ativos circulante e não circulante

Os demais ativos são apresentados ao valor de custo ou de realização, incluindo, quando apli-
cável, os rendimentos, as variações nas taxas de câmbio e as variações monetárias auferidos.

3.9 Imobilizado

Demonstrando ao custo combinado com os seguintes aspectos:

• A depreciação de bens do imobilizado é calculada peo método linear, que levam em conside-
ração a vida útil-econômica desses bens, com exceção dos terrenos que não são depreciados,
considerando um turno de 08 horas através das seguintes taxas:

TAXAS ANUAIS DE VIDA ÚTIL

DEPRECIAÇÃO - % (EM ANOS)


Edifícios 4 25

Máquinas e Equipamentos (a) 10 - 20 10 - 5

Instalações 10 10

Móveis e Utensílios 10 10

Veículos 20 5

Equipamentos de Processamentos de Dados 20 5

(a) As taxas de depreciação podem ser aceleradas visto a necessidade de operar em tempo
superior a um turno de oito horas diárias, principalmente na época de processamento da safra
de fumo e aumento na demanda de produção de cigarros, podendo com isso chegar até 20%
em determinadas máquinas. Para estas situações são aplicados os coeficientes 1,0 - um turno,
coeficiente 1,5 - dois turnos e coeficiente 2,0 - três turnos.

Fonte: adaptado de Souza Cruz (2011, on-line)7.

Outras Demonstrações Financeiras


124 UNIDADE III

Relatório da administração

O seu objetivo é servir como complemento às demonstrações contábeis, de forma


a subsidiar o leitor com informações sobre o contexto operacional da compa-
nhia, com fatos relevantes que aconteceram ao longo do exercício e com planos
da mesma para os exercícios seguintes.
A CVM, por meio do Parecer de Orientação nº 15/87 apresenta a relação
de itens que deve conter:
a. Descrição dos negócios, produtos e serviços.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
b. Comentários sobre a conjuntura econômica geral.
c. Recursos humanos.
d. Investimentos.
e. Pesquisa e desenvolvimento.
f. Novos produtos e serviços.
g. Proteção ao meio ambiente.
h. Reformulações administrativas.
i. Investimentos em controladas e coligadas.
j. Direitos dos acionistas e dados de mercado.

k. Perspectivas e planos de exercício em curso e para futuro.

Parecer do conselho fiscal

O conselho fiscal é órgão fiscalizador do Conselho de Administração das Sociedades


Anônimas, conforme os art. 161 a 165 da Lei das Sociedades Anônimas. Assim,
compete ao conselho:
■■ Opinar sobre o relatório anual da administração, fazendo constar no seu
parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
125

à deliberação da assembleia geral.


■■ Analisar, ao menos trimestralmente, o balancete e demais demonstrações
financeiras elaboradas periodicamente pela companhia.
■■ Examinar as demonstrações financeiras do exercício social e sobre elas
opinar.

Relatório dos auditores independentes


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Acompanhando as demonstrações contábeis legais, a publicação do parecer dos


auditores independentes é obrigatória para diversas empresas. O parecer basica-
mente relata as demonstrações contábeis que foram auditadas e relata também a
interpretação dos princípios contábeis em vigor, dando, assim maior represen-
tatividade ao conteúdo das informações contábeis publicadas.
Os principais tipos de pareceres de auditoria (ou relatório dos auditores)
são os seguintes:
■■ Parecer sem ressalva.
■■ Parecer sem ressalva e com ênfase.
■■ Parecer com ressalva (limitação de escopo).
■■ Parecer com ressalva.
■■ Parecer adverso.

■■ Parecer com abstenção de opinião.

A seguir segue um exemplo do parecer dos auditores sobre os demonstrativos


da Souza Cruz, referente ao primeiro trimestre do ano de 2014.

Outras Demonstrações Financeiras


126 UNIDADE III

Quadro 12 – Souza Cruz: Parecer dos Auditores

ITR - Informações Trimestrais - 30/06/2014 - SOUZA CRUZ SA Versão : 1

Pareceres e Declarações / Relatório da Revisão Especial - Sem Ressalva


Relatório dos auditores independentes sobre a revisão das informações trimestrais
- ITR
Ao Conselho de Administração e Acionistas da
Souza Cruz S.A.
Rio de Janeiro - RJ

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Introdução
Revisamos as informações contábeis intermediárias, individuais e consolidadas, da
Souza Cruz S.A. (“Companhia”), contidas no Formulário de Informações Trimestrais
– ITR, referentes ao trimestre findo em 30 de junho de 2014, que compreendem o
balanço patrimonial em 30 de junho de 2014 e as respectivas demonstrações do re-
sultado e do resultado abrangente para o período de três e seis meses findos naque-
la data e das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o período de
seis meses findo naquela data, incluindo as notas explicativas.
A administração da Companhia é responsável pela elaboração das informações
contábeis intermediárias individuais de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC
21(R1) – Demonstração Intermediária e das informações contábeis intermediárias
consolidadas de acordo com o CPC 21(R1) e com a norma internacional IAS 34 – In-
terim Financial Reporting, emitida pelo International Accounting Standards Board
– IASB, assim como pela apresentação dessas informações de forma condizente com
as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, aplicáveis à elaboração
das Informações Trimestrais - ITR. Nossa responsabilidade é a de expressar uma con-
clusão sobre essas informações contábeis intermediárias com base em nossa revi-
são.
Alcance da revisão
Conduzimos nossa revisão de acordo com as normas brasileiras e internacionais de
revisão de informações intermediárias (NBC TR 2410 - Revisão de Informações In-
termediárias Executada pelo Auditor da Entidade e ISRE 2410 - Review of Interim
Financial Information Performed by the Independent Auditor of the Entity, respec-
tivamente). Uma revisão de informações intermediárias consiste na realização de
indagações, principalmente às pessoas responsáveis pelos assuntos financeiros e
contábeis e na aplicação de procedimentos analíticos e de outros procedimentos
de revisão.
O alcance de uma revisão é significativamente menor do que o de uma auditoria
conduzida de acordo com as normas de auditoria e, consequentemente, não nos
permitiu obter segurança de que tomamos conhecimento de todos os assuntos sig-
nificativos que poderiam ser identificados em uma auditoria. Portanto, não expres-
samos uma opinião de auditoria.

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
127

Conclusão sobre as informações intermediárias individuais


Com base em nossa revisão, não temos conhecimento de nenhum fato que nos leve
a acreditar que as informações contábeis intermediárias individuais incluídas nas
informações trimestrais acima referidas não foram elaboradas, em todos os aspec-
tos relevantes, de acordo com o CPC 21(R1) aplicável à elaboração de Informações
Trimestrais - ITR e apresentadas de forma condizente com as normas expedidas pela
Comissão de Valores Mobiliários.
Conclusão sobre as informações intermediárias consolidadas
Com base em nossa revisão, não temos conhecimento de nenhum fato que nos leve
a acreditar que as informações contábeis intermediárias consolidadas incluídas nas
informações trimestrais acima referidas não foram elaboradas, em todos os aspec-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

tos relevantes, de acordo com o CPC 21(R1) e o IAS 34 aplicáveis à elaboração de


Informações Trimestrais - ITR e apresentadas de forma condizente com as normas
expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários.
Outros assuntos
Demonstrações do valor adicionado
Revisamos, também, as Demonstrações do valor adicionado (DVA), individuais e
consolidadas, referentes ao período de seis meses findo em 30 de junho de 2014,
preparadas sob a responsabilidade da administração da Companhia, cuja apresenta-
ção nas informações intermediárias é requerida de acordo com as normas expedidas
pela CVM - Comissão de Valores Mobiliários aplicáveis à elaboração de Informações
Trimestrais - ITR e considerada informação suplementar pelas IFRS, que não reque-
rem a apresentação da DVA. Essas demonstrações foram submetidas aos mesmos
procedimentos de revisão descritos anteriormente e, com base em nossa revisão,
não temos conhecimento de nenhum fato que nos leve a acreditar que não foram
elaboradas, em todos os seus aspectos relevantes, de forma consistente com as in-
formações contábeis intermediárias individuais e consolidadas tomadas em conjun-
to.
Rio de Janeiro, 29 de julho de 2014
KPMG Auditores Independentes
CRC SP-014428/O-6 F-RJ
Manuel Fernandes Rodrigues de Sousa
Contador CRC RJ-052428/O-2

Fonte: adaptado de Souza Cruz (2014, on-line)7.

Considerações Finais
128 UNIDADE III

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Prezado(a) aluno(a), nesta unidade você deve ter observado que as demons-
trações financeiras geradas pela contabilidade correspondem aos relatórios que
evidenciam a situação econômica e financeira da empresa em determinado tempo.
As principais demonstrações citadas nesta unidade e utilizadas para análise
nas unidades seguintes correspondem ao Balanço Patrimonial e a Demonstração
do Resultado, no entanto, várias outras podem ser elaboradas com os dados pro-
cessados pela contabilidade.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
No Balanço Patrimonial, o total do Ativo e o total do Passivo + Patrimônio
Líquido são sempre iguais, razão pela qual o nome da demonstração é balanço.
Quanto à Demonstração do Resultado do Exercício, resumidamente pode-se dizer
que a mesma sintetiza ordenadamente as receitas (representadas pelas vendas)
e despesas da empresa (esforços para obtenção da receita) em um determinado
período, resultando em um lucro ou prejuízo.
A Demonstração das mutações do patrimônio líquido evidenciam as alte-
rações ocorridas no grupo de contas que compõe o patrimônio líquido. A
demonstração do fluxo de caixa corresponde às transações que envolvem as contas
de caixa. Outras demonstrações e relatórios foram abordados nesta unidade com
a finalidade de apresentar uma estrutura de dados gerados pela contabilidade.
O objetivo desta unidade não foi ensinar a elaborar as demonstrações apre-
sentadas, mas sim proporcionar conhecimento acerca da estrutura de cada uma
delas de modo a favorecer a aplicação de algumas técnicas de análise que serão
abordadas nas próximas unidades deste livro.
Ao entender a contabilidade, é possível compreender o objetivo das demons-
trações contábeis: oferecer informação sobre a posição financeira (balanço
patrimonial) e o desempenho (resultado) que é útil para a tomada de decisão
por uma vasta gama de usuários que podem e outros que não podem exigir rela-
tórios feitos sob medida para atender suas necessidades (SZUSTER et al., 2013).
O objetivo da disciplina não é apenas conhecer as demonstrações, mas tam-
bém analisá-las. Vamos em frente!

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
129

1. A Demonstração do Resultado do Exercício tem como objetivo apresentar a mo-


vimentação operacional de uma empresa em um determinado ano. Sobre os
elementos que compõem a DRE, leia as afirmações e assinale a alternativa
correta:
I. Receita Líquida refere-se à soma das vendas ligadas aos equipamentos do
imobilizado.
II. O CMV equivale ao custo das mercadorias do estoque, baixados no momen-
to da venda.
III. O lucro líquido do exercício é influenciado por resultado das atividades não
relacionadas à atividade principal de uma empresa, como, por exemplo, loca-
ção ou venda de ativos imobilizados.
IV. Lucro Líquido é o resultado obtido pela equivalência patrimonial de uma
empresa em um determinado período.
a. Somente II está correta.
b. Somente I e II estão corretas.
c. Somente II e III estão corretas.
d. Somente III e IV estão corretas.
e. Somente I, II e IV estão corretas.
2. A contabilidade consolida toda a movimentação patrimonial de uma empresa e
a apresenta através dos relatórios contábeis. Os relatórios contábeis são conhe-
cidos como demonstrações financeiras.  Sobre as demonstrações contábeis
assinale a alternativa incorreta.
a. As demonstrações contábeis são uma representação estruturada da posição
patrimonial, financeira e econômica de uma empresa.
b. As principais demonstrações contábeis para tratarmos da análise são: a DMPL
(Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido) e o Balanço Patrimonial.
c. As demonstrações contábeis objetivam demonstrar informações acerca da
situação financeira, patrimonial, do desempenho econômico e dos fluxos de
caixa de uma empresa aos mais diversos usuários.
d. As notas explicativas que acompanham as demonstrações contábeis são uma
importante fonte de informação, pois nelas constam informações mais deta-
lhadas e analíticas sobre o desempenho econômico e da posição patrimonial
de uma empresa.
e. As demonstrações contábeis apresentam a posição patrimonial, financeira e
econômica de uma empresa em um determinado período ou data.
130

3. Segundo Carvalho (2015, p. 44) a análise das demonstrações contábeis concei-


tua-se em extrair informações sobre a situação econômico-financeira das em-
presas através das demonstrações contábeis. Assinale a alternativa incorreta.
a. A análise das demonstrações contábeis objetiva extrair informações úteis das
demonstrações contábeis.
b. A análise das demonstrações contábeis é um instrumento para geração de
informações para a tomada de decisões.
c. O objetivo de estudo da análise das demonstrações contábeis é o patrimônio
das empresas.
d. A análise das demonstrações contábeis permite decompor, comparar e inter-
pretar as demonstrações contábeis de uma ou mais empresas.
e. A análise das demonstrações contábeis é uma ferramenta importante para a
geração de informações tomada de decisões.
4. O balanço patrimonial é uma demonstração estática, que demonstra a compo-
sição patrimonial de uma empresa em um determinado momento. Leia as afir-
mações e assinale a alternativa correta:
I. O ativo é a composição de todos os bens e direitos de uma empresa.
II. No passivo, estão registrados todas as obrigações das empresas.
III. Dentro do patrimônio líquido constam todos os recursos de terceiros de uma
empresa.
IV. O ativo pode ser considerado como o local das aplicações de recursos da
empresa.
131

A IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS PARA EVIDEN-


CIAR A SITUAÇÃO ECONÔMICA E FINANCEIRA DAS ORGANIZAÇÕES
A análise das demonstrações contábeis tem por objetivo observar e confrontar os ele-
mentos patrimoniais e os resultados das operações, visando o conhecimento minucioso
de sua composição qualitativa e de sua expressão quantitativa, de modo a revelar os
fatores antecedentes e determinantes da situação atual, e, também, a servir de ponto de
partida para delinear o comportamento futuro da empresa. Tanto mais eficiente será a
análise quanto melhor for o conhecimento do analista a respeito das operações da em-
presa analisada, conhecimento este em que se entende a política administrativa em to-
dos seus aspectos, internos e externos. A interpretação dos elementos obtidos nas aná-
lises, a partir das Demonstrações Contábeis, faz com que os valores ali contidos deixem
de ser apenas um conjunto de dados e passem a ter valor como informação. Conforme
afirma Braga: O objetivo da análise das demonstrações contábeis como instrumento de
gerência consiste em proporcionar aos administradores da empresa uma melhor visão
das tendências dos negócios, com a finalidade de assegurar que os recursos sejam ob-
tidos e aplicados, efetiva e eficientemente, na realização das metas da organização. A
atividade administrativa deve ser desenvolvida em conexão com as informações contá-
beis, com vistas aos aspectos de planejamento, execução, apuração e análise do desem-
penho. Braga (1999, p.166) considera que a análise das demonstrações contábeis é uma
arte, pois embora existam cálculos razoavelmente formalizados, não existe forma cien-
tífica ou metodologicamente comprovada de relacionar os índices de maneira a obter
um diagnóstico preciso. Cada analista poderia, com o mesmo conjunto de informações
e de quocientes, chegar a conclusões ligeiras ou até completamente diferenciadas. É
provável, todavia, que dois analistas experimentados, conhecendo igualmente bem o
ramo de atividade da empresa, cheguem a conclusões bastante parecidas (mas nunca
idênticas) sobre a situação atual da empresa, embora quase sempre apontariam tendên-
cias diferentes, pelo menos em grau, para o empreendimento.

Fonte: Oliveira (2010, on-line).


MATERIAL COMPLEMENTAR

Contabilidade Básica
José Carlos Marion
Editora: Atlas
Ano: 2015
Sinopse: a matéria exposta neste livro procura ir além
da existente em livros destinados ao ensino de iniciação
à Contabilidade. Apresenta uma metodologia moderna,
testada em algumas escolas e com resultados considerados
satisfatórios, por meio de uma linguagem simples e
acessível ao iniciante em contabilidade. Desenvolvido com
base em autores da moderna escola de Contabilidade, apresenta a mecânica de escrituração dos
lançamentos contábeis a partir de uma visão conjunta dos relatórios Contábeis, com especial
ênfase no Balanço Final e na demonstração de resultado do Exercício. A matéria é apresentada
numa sequência de exploração gradativa do assunto para despertar o interesse do estudante
na aprendizagem da disciplina. Procurou-se também dar um embasamento legal e tributário,
possibilitando ao leitor situar-se na realidade em que a empresa atua. No final de cada capítulo,
são sugeridas tarefas práticas a serem desenvolvidas, proporcionando uma aprendizagem fora da
sala de aula.

Demonstrações Contábeis e Financeiras:


aspectos essenciais à luz dos novos padrões de
contabilidade
Wilson Alberto Zappa Hoog
Editora: Juruá
Ano: 2015
Sinopse: esta obra, que tem lastro no Código Civil e na
reforma da Lei 6.404/76, e deliberações do CFC e da CVM,
foi criada com o intuito de auxiliar os contadores no
processo de interpretação, servindo de livro-texto para o âmbito
universitário e profissionalizante a partir de um modelo referente às atividades de elaboração das
demonstrações contábeis. Esta nova edição encontra-se atualizada e revisada, em decorrência das
novas disposições do CFC e da CVM.
MATERIAL COMPLEMENTAR

Curso de contabilidade para não contadores


Sergio de Iudícibus e José Carlos Marion
Editora: Atlas
Ano: 2011
Sinopse: esta obra de contabilidade busca evitar termos
excessivamente técnicos, simplificar conceitos considerados
complexos e desmistificar algumas ideias tidas como
inacessíveis aos não-contadores. O livro abrange a
Contabilidade moderna e aspectos da Lei das Sociedades
Anônimas, como Balanço Social, Valor Adicionado, Fluxo de
Caixa entre outros.

Material Complementar
REFERÊNCIAS

OLIVEIRA, A. A. de et al. A análise das Demonstrações Contábeis e sua importância


para evidenciar a situação econômica e financeira das organizações. Revista Eletrô-
nica: Gestão e Negócios, 2010. Disponível em: <http://www.facsaoroque.br/novo/
publicacoes/pdfs/ricardo_alessandro.pdf>. Acesso em: 13 out. 2016.
SZUSTER, et. al. Contabilidade geral: uma introdução à contabilidade societária.
São Paulo: Atlas, 2013.

REFERÊNCIAS ON-LINE

Em: <www.cpc.org.br>. Acesso em: 13 out. 2016.


1

Em:
2
<http://static.cpc.mediagroup.com.br/Documentos/147_CPC00_R1.pdf>
Acesso em: 13 out. 2016.
3
Em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 3
out. 2016.
Em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm>.
4

Acesso em: 3 out. 2016.


Em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l11941.htm>.
5

Acesso em: 3 out. 2016


6
Em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pro-
nunciamento?Id=80>. Acesso em 13 out. 2016.
7
Em: <http://www.souzacruz.com.br/group/sites/sou_7uvf24.nsf/vwPagesWebLi-
ve/DO9UBM4Q/$FILE/medMD9VLPYR.pdf?openelement>. Acesso em: 20 set. 2016.
135
GABARITO

1. C
2. B
3. C
4. E
5. A DLPA apresenta os lucros obtidos em exercícios anteriores devidamente ajus-
tados, incorporando-se o resultado do período e excluindo as transferências de
modo a apresentar o saldo acumulado dos lucros retidos na entidade. Já a DMPL
tem maior volume de evidenciação, uma vez que evidencia a mutação do Patri-
mônio Líquido de forma global (novas integralizações de capital, resultado do
exercício, ajustes de exercícios anteriores, dividendos, reavaliações) e também
as mutações internas (incorporações de reservas de capital, transferências de lu-
cros acumulados para reservas e vice-versa).
Professora Me. Juliana Moraes da Silva

ANÁLISE VERTICAL E

IV
UNIDADE
HORIZONTAL

Objetivos de Aprendizagem
■■ Definir aspectos que devem ser analisados antes da aplicação de
técnicas de análises.
■■ Aplicar a técnica da análise vertical no Balanço Patrimonial e
Demonstração do Resultado do Exercício.
■■ Elaborar a técnica da análise de comparação de valores em diferentes
exercícios sociais.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Introdução à análise das demonstrações financeiras
■■ Análise vertical
■■ Análise horizontal
139

INTRODUÇÃO

Olá caro(a) aluno(a), agora que você já conhece as demonstrações contábeis e


as informações por elas geradas, podemos começar a analisar os resultados evi-
denciados nestas demonstrações financeiras. Nesta unidade IV, iniciaremos as
técnicas de análise às demonstrações.
A simples leitura dos demonstrativos pode não trazer uma riqueza de infor-
mações quanto ao desempenho econômico dos resultados ou quanto à situação
financeira da empresa em termos de liquidez, solvência entre outros.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Mas a partir de agora, com a aplicação de técnicas de análise, você poderá


elaborar um relatório que expressa sua opinião quanto à “saúde financeira” de
uma empresa. Para que a análise corresponda necessariamente à situação econô-
mica e financeira da empresa, é necessário definir o objetivo da análise, verificar
as formas de acesso às demonstrações, a confiabilidade da informação, a fixação
de parâmetros de comparação e a apuração dos cálculos.
As técnicas apresentadas nesta unidade correspondem à Análise Vertical e
Análise Horizontal.
A análise vertical possibilita o estudo da estrutura de composição das con-
tas de cada demonstração em uma unidade de tempo. Já na Análise Horizontal
é possível verificar como está ocorrendo a evolução financeira de cada conta ou
grupo de contas evidenciada nas demonstrações no decorrer dos tempos.
Com a aplicação das técnicas de Análise Vertical (AV) e Análise Horizontal
(AH), você terá percentuais que possibilitam a formação de uma opinião sobre
a “saúde financeira” da empresa e poderá expressá-la através da interpretação
dos percentuais encontrados.
A interpretação da Análise Vertical e Análise Horizontal estão condiciona-
das aos parâmetros estipulados e aceitos para comparação em um determinado
período de tempo ou em uma sequência temporal.
Não perca mais tempo, vamos aprender a analisar as demonstrações finan-
ceiras, em especial o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do
Exercício. Bons estudos!

Introdução
140 UNIDADE IV

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
©shutterstock

INTRODUÇÃO À ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES


FINANCEIRAS

Caro(a) aluno(a), objetivando realizar uma análise confiável nas demonstra-


ções, com geração de resultados claros e fidedignos, alguns aspectos devem ser
observados:
■■ Definir o objetivo da análise.
■■ Obter as Demonstrações Contábeis.
■■ Avaliar a confiabilidade da informação.
■■ Definir parâmetros para comparação.
■■ Elaborar cálculos.
■■ Redigir o relatório de opinião.

ANÁLISE VERTICAL E HORIZONTAL


141

Definir o objetivo da análise

O primeiro aspecto a ser definido é o objetivo da análise. Diversos podem ser os


objetivos da análise das demonstrações, dependendo de cada caso (SZUSTER,
2013).
Apenas para exemplificar, o objetivo da análise pode ser a mensuração da
eficiência ou ineficiências de gestores internos de subunidades de uma empresa.
Outro propósito pode ser a análise das demonstrações para disponibilizar cré-
ditos ou para definir limite de valor de compra. Outro objetivo relaciona-se ao
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

tipo de informação necessária ou investidor que tem opções de manter, aumen-


tar ou até mesmo deixar de investir em uma determinada empresa.

Obter as demonstrações contábeis

A análise somente faz sentido se estivermos de posse dos demonstrativos. O


acesso às demonstrações nem sempre é fácil. Caso queira analisar uma empresa
de capital aberto, as demonstrações são publicadas no site da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) e em jornais de grande circulação. Para usuários internos,
desde que seja de comum acordo, a empresa disponibiliza as demonstrações. Por
outro lado, para análise de concorrentes ou de empresas limitadas (sem obrigato-
riedade das demonstrações), a obtenção fica limitada a informações de internet,
bancos de dados privados (Serasa).

Avaliar a confiabilidade das demonstrações

O terceiro aspecto a ser analisado corresponde à confiabilidade da informação


evidenciada na demonstração. Há várias possibilidades de verificar a confiança
da informação, por exemplo: observar o relatório de auditoria, ler as notas expli-
cativas, buscar informações externas à empresa, conhecer o produto, os clientes,

Introdução à Análise das Demonstrações Financeiras


142 UNIDADE IV

o processo de produção etc. Para aumentar a confiabilidade, caso a análise ocorra


em diferentes exercícios sociais (comparação de vários anos), indica-se a apli-
cação do índice da inflação sobre os saldos analisados. Esse procedimento se
faz necessário para que os valores comparados estejam em uma única unidade
de tempo, evitando distorções. Supondo que em uma análise você observa um
aumento de 15% no lucro, mas se a inflação do período foi 10%, seu lucro real
foi de apenas 5%.
Por fim, há alguns ajustes e reclassificações de contas que devem ser realiza-
dos, como: observar se as depreciações e as provisões de férias e décimo terceiro

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
foram registradas.

Definir parâmetros de comparação

Após conhecer a empresa e confiar nas informações, é necessário conhecer o ramo


de atuação da empresa, seu histórico, as estimativas futuras, pois este conheci-
mento adicional é necessário para definir os parâmetros com os quais a situação
e o desempenho efetivo da empresa serão comparados (SZUSTER, et al., 2013).
De acordo com os objetivos da análise, os resultados obtidos podem ser
comparados com outros resultados da mesma empresa em diferentes períodos.
Utilizar a análise com outras empresas do mesmo segmento econômico também
é considerado um bom parâmetro de comparação.

Elaborar cálculos

Esta é a etapa mais longa. Há diversos métodos de cálculo utilizados para anali-
sar as demonstrações. As técnicas aplicadas neste material serão análise vertical,
horizontal e indicadores.

ANÁLISE VERTICAL E HORIZONTAL


143

Redigir o relatório de opinião

O relatório de opinião corresponde à interpretação dos cálculos efetuados com


a descrição da conclusão extraída dos indicadores apurados.
No relatório, o usuário pode exprimir a sua opinião a partir dos resultados
obtidos e do conhecimento prévio acerca das características da empresa analisada.
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ANÁLISE VERTICAL

A Análise Vertical (AV) é uma técnica de análise


aplicada usualmente no Balanço Patrimonial e na
Demonstração do Resultado.
A AV é utilizada para avaliar a relação entre as
contas de uma única demonstração contábil em um
determinado período contábil.
Busca verificar os percentuais associados aos
valores de determinado ano assumindo o total deste
ano como sendo igual a 100%. A partir daí, todos
©shutterstock

os demais valores do ano são convertidos em per-


centuais do total (BRUNI, 2011).
Muito embora a apuração do percentual possa ocorrer com a aplicação de
regra de três simples, a equação (1) pode ser utilizada para apurar os percentu-
ais da análise vertical.

Análise Vertical
144 UNIDADE IV

A análise vertical da DRE considera a receita como 100%, afinal, é da receita


que todas as despesas são subtraídas até se chegar ao resultado líquido do perí-
odo (SZUSTER et. al, 2013).
O quadro 1 corresponde a uma aplicação da Análise Vertical em todos os
itens de uma demonstração de resultado em um período fixado.
Quadro 1 - Demonstração do resultado do exercício.
Cia Gutamoc S/A - Período de 01-01-20x1 a 31-12-20x1

DRE 20X1 AV

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
(=) Receitas Vendas 244.800 100%
(-) Custo do Produto Vendido - 144.000
(=) Lucro Bruto 100.800
(-) Desp. Operacionais - 50.000
(=) Resultado Antes EncFinanc 50.800
(+/-) Desp-Receita Financeiras - 3.000 1,2%
(=) Result. Antes IR e CS 47.800
(-) Impos. de Renda e Contrib. Social - 18.000 7,4%
(=) Result. Líquido do Período 29.800
Fonte: a autora.

Os cálculos dos percentuais foram:


■■ Valor da AV do CPV = (144000 ÷ 244800) x 100 = 58,8%

■■ Valor da AV do Lucro Bruto = (100800 ÷ 244800) x 100 = 41,2%


■■ Valor da AV das Despesas operacionais = (11000 ÷ 244800) x 100 = 4,5%
■■ Valor da AV do Resultado antes Encargos Financeiros = (89800 ÷ 244800)
x 100 = 36,7%
■■ Valor da AV de Outras Receitas e Despesas = (3000 ÷ 244800) x 100 = 1,2%
■■ Valor da AV do Resultado antes do Imposto de Renda e Contribuição
Social = (86800 ÷ 244800) x 100 = 35,5%

ANÁLISE VERTICAL E HORIZONTAL


145

■■ Valor da AV do Imposto de Renda e Contribuição Social = (26300 ÷


244800) x 100 = 10,7%
■■ Valor da AV do Lucro Líquido do Exercício = (60500 ÷ 244800) x 100
= 24,7%
A análise vertical permite analisar a composição percentual das receitas e des-
pesas, evidenciando a influência de cada valor na apuração do lucro do período.
De acordo com a AV da empresa Gutamoc S/A, é possível afirmar que o custo
dos produtos é superior à metade da receita líquida (58,8%) e que as despesas
não chegam a 5%. O lucro do período correspondeu a 24,7% da receita líquida.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Quando aplicada ao Balanço Patrimonial, a AV possibilita identificar a


composição percentual das origens (considerando o passivo total 100%) e das
aplicações de recursos que compõem o patrimônio (considerando o ativo total
100%). No quadro 2, é possível verificar a análise vertical do período 20X1 no
Balanço Patrimonial de Cia Gutamoc.
Quadro 2 - Balanço patrimonial – Cia Gutamoc S/A – Período de 01-01-20x0 a 31-12-20x0

ATIVO 20X1 AV PASSIVO 20X1 AV


ATIVO CIRCULANTE 45.000 29% PASSIVO CIRCULANTE 43.000 28%

DISPONIBILIDADE 8.000 5% EMPRÉSTIMOS 24.000 16%


CLIENTES 12.000 8% FORNECEDORES 15.000 10%

ESTOQUES 25.000 16% IMPOSTOS 4.000 3%


ATIVO NÃO CIRCULANTE 108.000 71% PASSIVO NÃO CIRCULANTE 10.200 7%
REALIZÁVEL A LONGO
7.000 5% EMPRÉSTIMOS 10.200 7%
PRAZO
APLICAÇÕES 7.000 5% PATRIMÔNIO LÍQUIDO 99.800 65%
INVESTIMENTOS 12.000 8% CAPITAL SOCIAL 30.000 20%
IMOBILIZADO 82.000 54% LUCRO ACUMULADO 69.800 46%
TOTAL DO ATIVO 153.000 100% TOTAL PASSIVO+PL 153.000 100%

Fonte: a autora.

Análise Vertical
146 UNIDADE IV

Os cálculos dos percentuais do Ativo foram:


■■ Valor da AV do Ativo Circulante = (45000 ÷ 153000) x 100 = 29%
■■ Valor da AV da Disponibilidade = (8000 ÷ 153000) x 100 = 5%
■■ Valor da AV dos Clientes = (12000 ÷ 153000) x 100 = 8%
■■ Valor da AV dos Estoques = (25000 ÷ 153000) x 100 = 16%
■■ Valor da AV do Ativo Não Circulante = (108000 ÷ 153000) x 100 = 71%
■■ Valor da AV do Realizável a Longo Prazo = (7000 ÷ 153000) x 100 = 5%

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ Valor da AV das Aplicações = (7000 ÷ 153000) x 100 = 5%
■■ Valor da AV dos Investimentos = (12000 ÷ 153000) x 100 = 8%
■■ Valor da AV do Imobilizado = (82000 ÷ 153000) x 100 = 54%

Os cálculos dos percentuais do Passivo são realizados de forma análoga ao Ativo.

ANÁLISE HORIZONTAL

A Análise Horizontal (AH) é uma técnica de análise aplicada usualmente no


Balanço Patrimonial e na Demonstração do Resultado.
A AH é utilizada para comparar valores de uma mesma conta ou grupo de
contas ao longo do tempo. O período mínimo para análise é de dois anos.
Vale ressaltar que a utilização de valores de diferentes datas (ano 20X0 e
20X1), por exemplo, requer que o ano mais antigo seja atualizado monetaria-
mente para repor o poder aquisitivo antes dos cálculos da análise horizontal.
Os valores da Demonstração Contábil de data mais remota são considera-
dos como base na relação com o período mais atual (SZUSTER, et al., 2013).

ANÁLISE VERTICAL E HORIZONTAL


147

Uma vez fixada a data utilizada como base, pode-se aplicar a fórmula (2)
para apurar o percentual de aumento ou redução de cada uma das contas das
demonstrações.

Segue a análise horizontal da empresa Gutamoc nos períodos 20X0 e 20X1.


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A utilização da análise horizontal não está limitada ao Balanço e à Demons-


tração de Resultado, mas pode ser aplicada para avaliação e interpretação
de outros demonstrativos como o fluxo de caixa em um período de tempo
definido.
Fonte: a autora.

No quadro 3, o ano de 20X0 foi considerado como base para aplicação da téc-
nica da análise horizontal.
Quadro 3 - Demonstração do resultado do exercício - Cia Gutamoc S/A

DRE 20X1 AH 20X0 AH

(=) Receitas Vendas 244.800 -39% 400.000 100%


(-) Custo do Produto Vendido - 144.000 -53% - 305.000 100%
(=) Lucro Bruto 100.800 6% 95.000 100%
(-) Desp. Operacionais - 50.000 -17% - 60.000 100%
(=) Resultado Antes EncFinanc 50.800 45% 35.000 100%
(+/-) Desp.-Receita Financeiras - 3.000 -120% 15.000 100%
(=) Result. Antes IR e CS 47.800 -4% 50.000 100%

Análise Horizontal
148 UNIDADE IV

(-) Impos. de Renda e Contrib. - 18.000 20% - 15.000 100%


Social
(=) Resultado Líquido do Período 29.800 -15% 35.000 100%

Fonte: a autora.

Os cálculos dos percentuais do Ativo foram:


■■ Valor da AH da Receita Líquida = [(244800 ÷ 400000) – 1] x 100 = - 39%
■■ Valor da AH do CPV = [(144000 ÷ 305000) – 1] x 100 = - 53%

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ Valor da AH do Lucro Bruto = [(100800 ÷ 95000) – 1] x 100 = 6%
■■ Valor da AH das Despesas operacionais = [(50800 ÷ 60000) – 1] x 100
= - 17%
■■ Valor da AH do Resultado antes Encargos Financeiros = [(50800 ÷ 35000)
– 1] x 100 = 45%
■■ Valor da AH de Outras Receitas e Despesas = [(3000 ÷ 15000) – 1] x 100
= - 120%
■■ Valor da AH do Resultado antes do Imposto de Renda e Contribuição
Social = [(47800 ÷ 50000) – 1] x 100 = - 4%
■■ Valor da AH do Imposto de Renda e Contribuição Social = [(18000 ÷
15000) – 1] x 100 = 20 %
■■ Valor da AH do Lucro Líquido do Exercício = [(29800 ÷ 35000) – 1] x
100 = - 15%

Além da Demonstração do Resultado do Exercício, a análise horizontal também


pode ser aplicada no Balanço Patrimonial. No quadro 4, o ano de 20X0 foi con-
siderado como base para a AH das Contas do Ativo, conforme segue:

ANÁLISE VERTICAL E HORIZONTAL


149

Quadro 4 - Ativo do Balanço Patrimonial - Cia Gutamoc S/A

ATIVO 20X1 AH 20X0 AH


ATIVO CIRCULANTE 45.000 25% 36.000 100%
DISPONIBILIDADE 8.000 -33% 12.000 100%
CLIENTES 12.000 0% 12.000 100%
ESTOQUES 25.000 108% 12.000 100%
ATIVO NÃO CIRCULANTE 108.000 3% 105.000 100%
REALIZÁVEL EM LONGO PRAZO 7.000 -13% 8.000 100%
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

APLICAÇÕES 7.000 40% 5.000 100%


INVESTIMENTOS 12.000 0% 12.000 100%
IMOBILIZADO 82.000 2% 80.000 100%
TOTAL DO ATIVO 153.000 9% 141.000 100%
Fonte: a autora

Os cálculos dos percentuais do Ativo foram:


■■ Valor da AH do Ativo Circulante = [(45000 : 36000) – 1] x 100 = 25%
■■ Valor da AH da Disponibilidade = [(8000 : 12000) – 1] x 100 = - 33%
■■ Valor da AH dos Clientes = [(12000 : 12000) – 1] x 100 = 0%
■■ Valor da AH dos Estoques = [(25000 : 12000) – 1] x 100 = 108%
■■ Valor da AH do Ativo Não Circulante = [(108000 : 105000) – 1] x 100 = 3%

■■ Valor da AH do Realizável a Longo Prazo = [(7000 : 8000) – 1] x 100 = - 13%


■■ Valor da AH das Aplicações = [(7000 : 5000) – 1] x 100 = 40%
■■ Valor da AH dos Investimentos = [(12000 : 12000) – 1] x 100 = 0%
■■ Valor da AH do Imobilizado = [(82000 : 80000) – 1] x 100 = 2%
■■ Valor da AH do Ativo Total = [(153000 : 141000) – 1] x 100 = 9%

Análise Horizontal
150 UNIDADE IV

No quadro 5, o ano de 20X0 foi considerado como base para a AH das Contas
do Passivo, conforme segue:
Quadro 5 - Passivo e Patrimônio Líquido do Balanço Patrimonial
CIA GUTAMOC S/A

PASSIVO 20X1 AH 20X0 AH

PASSIVO CIRCULANTE 43.000 -23% 56.000 100%


EMPRÉSTIMOS 24.000 -37% 38.000 100%
FORNECEDORES 15.000 0% 15.000 100%

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IMPOSTOS 4.000 33% 3.000 100%
PASSIVO NÃO CIRCULANTE 10.200 -32% 15.000 100%
EMPRÉSTIMOS 10.200 -32% 15.000 100%
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 99.800 43% 70.000 100%
CAPITAL SOCIAL 30.000 0% 30.000 100%
LUCRO ACUMULADO 69.800 75% 40.000 100%
TOTAL PASSIVO+PL 153.000 9% 141.000 100%
Fonte: a autora.

Os cálculos dos percentuais do Passivo foram realizados de forma análoga ao Ativo.

A utilidade da análise horizontal é de informar a modificação percentual de


cada verba em relação ao período ou aos períodos anteriores, sem se preo-
cupar com o aumento ou redução das outras contas.

ANÁLISE VERTICAL E HORIZONTAL


151

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Prezado(a) aluno(a), mais importante que calcular um valor ou percentual é


compreender o que significa esse número encontrado.
Para maior confiança da análise das demonstrações, faz-se necessário a
definição do objetivo da análise, o acesso às demonstrações, a confiabilidade da
informação, a fixação de parâmetros de comparação, a apuração dos cálculos
e, por fim, a elaboração dos pareceres de opinião do analista. A interpretação
do analista é apresentada tomando por base não somente as análises verticais e
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

horizontais das demonstrações financeiras, mas também o conhecimento prévio


sobre o produto da empresa, do ramo de atuação, das políticas da empresa etc.
Esta unidade lhe proporcionou bastante conhecimento para aplicação das
técnicas de análise vertical e análise horizontal.
A AV limita-se à análise em um único período de tempo. Quando ela é
aplicada no balanço patrimonial, há a possibilidade de detectar a composi-
ção percentual dos tipos de aplicações e as origens de recursos que compõem o
patrimônio da empresa. No balanço patrimonial, a AV considera o ativo total
como sendo 100%, afinal, este corresponde ao patrimônio total da empresa. Na
demonstração de resultado, a AV evidencia o percentual das receitas e despesas,
destacando aquelas que mais influenciam na formação do lucro ou do prejuízo
do período.
Por outro lado, a AH possibilita comparar os resultados das contas das
demonstrações em diferentes períodos. Vale ressaltar que para comparar valores
em diferentes períodos é preciso primeiramente atualizar os saldos mais remo-
tos com indicadores obtidos com saldos atualizados monetariamente.
Quando a análise horizontal é aplicada ao Balanço Patrimonial, é possível
observar o comportamento de cada aplicação de recursos e a origem dos recur-
sos que compõem o patrimônio da entidade.

Considerações Finais
152

1. Os objetivos de análise das demonstrações estão relacionados com o indicativo


de desempenho que se pretende evidenciar. Correlacione a coluna da esquer-
da com a da direita. Em seguida, escolha a alternativa que apresenta a se-
quência correta.

1. Objetivo de analisar a situação de ( )identificar o desempenho das diver-


disponibilização de crédito aos sas empresas com o objetivo de decidir
clientes. sobre a aquisição de suas ações.
2. Objetivo de analisar a situação de ( )identificar o desempenho das diversas
empresas para investidores que pre- unidades de negócios de uma mesma
tendem investir. entidade.
3. Objetivo de analisar a situação inter- ( )identificar a capacidade de eventual
na de subunidades da empresa. cliente honrar as dívidas a serem assumi-
das.

a. 3-2-1.
b. 2-3-1.
c. 1-2-3.
d. 3-1-2.
e. 2-1-3.

2. A Empresa Gucal Ltda. apresentava em seu Balanço Patrimonial projetado, antes


do final do ano de 20X1, os seguintes valores no Passivo Circulante.
20X0
Passivo Circulante = $ 800.000

20X1
Passivo Circulante = $ 600.000
No entanto, o presidente não está contente com a redução de 25% Passivo Circulan-
te, ele determinou que o percentual aceitável é de 50%. Tomando por base essas
informações, assinale a alternativa correta.
153

( ) É impossível modificar a análise horizontal, tendo em vista a proximidade


do final do ano.
( ) A única alternativa é o contador alterar o Balanço Patrimonial.
( ) Uma solução seria pagar mais $ 200.000 das obrigações de curto prazo.
( ) Não é possível porque a empresa não possui nenhum valor no ativo.
( ) Uma opção seria realizar uma compra a prazo de $ 200.000.
Tomando por base os dados apresentados no caso demonstrado, responda às
questões de 03 a 06.

Passivo da Empresa Gucal Ltda. nos períodos de 20X0, 20X1 e 20X2

31-12-X0 31-12-X1 31-12-X2

PASSIVO 500.000 490.000 440.000


Circulante 200.000 240.000 260.000

Empréstimos 100.000 120.000 140.000

Fornecedores 30.000 50.000 40.000


Contas a pagar 70.000 70.000 80.000

Não Circulante 300.000 250.000 180.000


Financiamento 300.000 250.000 180.000

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 800.000 1.000.000 1.000.000


Capital Social 100.000 100.000 100.000
Lucro Acumulado 700.000 900.000 900.000
PASSIVO TOTAL 1.300.000 1.490.000 1.440.000
154

03. Faça a análise vertical em cada ano, sabendo que o Passivo Total corresponde
a 100%.
04. Considerando as informações ao longo do tempo, faça análise horizontal,
sabendo que o período mais remoto de todos corresponde a 100% (base de cál-
culo).
05. Compare o Patrimônio Líquido (obrigações não exigíveis) de 20X1 com o de
20X2. Comente.
06. Indique um ponto positivo na evolução das dívidas.
155

ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS


A análise de balanço é definida por Padoveze e Benedicto (2010) como a aplicação do
raciocínio analítico dedutivo sobre os valores patrimoniais e suas inter-relações expressos
nas Demonstrações Contábeis de uma entidade, tendo como finalidade realizar uma
avaliação econômico-financeira da situação e do andamento das operações da mesma.
Dessa forma, seu objeto de estudo são as demonstrações contábeis. Não somente os
balanços da empresa, mas sim todas as Demonstrações Contábeis. A análise de balanços
tem como objetivo, segundo Matarazzo (2003), extrair informações das demonstrações
contábeis para a tomada de decisões, ou seja, transforma os dados monetários das
Demonstrações Contábeis em informações que irão auxiliar na tomada de decisão,
sendo que quanto melhores informações fornecer, mais eficiente será. Segundo
Matarazzo (2003, p. 27), “cada usuário da análise de balanços está interessado em um
aspecto particular da empresa”. Os fornecedores, por exemplo, precisam conhecer a
capacidade de pagamento de seus clientes, sendo que a profundidade da análise irá
depender da importância do cliente. Compradores também fazem a análise de seus
fornecedores, porém, como explica Matarazzo (2003), acontece geralmente quando os
fornecedores não têm o mesmo porte da empresa ou possam de alguma forma oferecer
riscos. Assim, dependendo do propósito da análise das demonstrações contábeis pode-
se: a) comparar uma empresa com o índice-padrão do setor que a empresa atua; b)
comparar a empresa (hoje) com a empresa no passado; c) comparar a empresa (hoje)
com o que havia sido estimado (orçado) (SZUSTER et al., 2010). Para Szuster et al. (2010),
a análise das Demonstrações Contábeis é feita, basicamente, por três métodos: a análise
Vertical (ou de estrutura), a análise Horizontal (ou de comportamento) e a análise por
indicadores. Os indicadores encontrados são comparados com os indicadores padrão
do setor de atividade da empresa objeto de análise. Ademais, é elaborado um relatório
final de análise chamado de parecer do analista. Segundo Padoveze e Benedicto (2010,
p. 199), “a análise horizontal é uma averiguação da evolução, crescimento ou diminuição,
que permite identificar a variação positiva ou negativa de um período em relação ao
anterior”. Ela é utilizada para avaliar a evolução ao longo do tempo de cada conta da
demonstração contábil analisada. Marion (2010) explica que quando comparamos os
indicadores de vários períodos, analisamos a tendência dos índices. A análise Vertical,
para Szuster et al. (2010, p. 449), “tem por finalidade verificar a estrutura patrimonial e
de resultado da entidade. É utilizada para avaliar a relação entre as contas de uma única
demonstração contábil”. Segundo Lins e Francisco Filho (2012), essa avaliação serve para
o analista apontar as contas mais relevantes das demonstrações contábeis, possibilitando
um melhor entendimento da estrutura patrimonial e suas variações significativas de um
período para o outro, devendo ser por esse motivo melhor investigadas e explicadas.
Quando se realiza a análise econômica e financeira de uma empresa é preciso compará-
la com algo que sirva de base para avaliar se a empresa está em situação favorável ou
desfavorável em relação às demais do ponto de vista econômico e financeiro. Segundo
Marion (2010, p. 255), “quando calculamos índices de demonstrações financeiras de
156

empresas do mesmo ramo de atividade para servir de base de comparação para outras
empresas desse mesmo ramo, estamos calculando o índice-padrão”. A comparação
com padrões do setor tem relevância no sentido de fornecer uma melhor avaliação da
empresa, pois permite compará-la com realidade do mercado. Segundo Padoveze e
Benedicto (2010, p. 221), “a utilização de outros dados referenciais, além dos constantes
nas demonstrações contábeis, torna-se importante e contribui para uma visão
mais abrangente da empresa, principalmente dentro de seu segmento de atuação”.
Matarazzo (2010, p. 122) ressalta que “a análise de Balanços através de índices só adquire
consistência e objetividade quando os índices são comparados com padrões, pois do
contrário, as conclusões se sujeitam á opinião e, não raro, ao humor do analista”. Dessa
forma, a comparação com o índice padrão do setor tem grande importância para que a
análise seja mais confiável. Para o cálculo dos indicadores, existem diversas fórmulas que
podem ser utilizadas nesse contexto, como explica Marion (2010), o cálculo dos índices
com base nas fórmulas é a primeira etapa da análise através de indicadores, sendo que
a segunda etapa é a interpretação do que significa o índice, ou seja, como explicá-lo, e
a terceira etapa é conceituação, isto é, saber se é bom, ruim, razoável etc., dessa forma,
não é somente realizar o cálculo dos indicadores, mas interpretá-los de maneira correta.

Fonte: Meyer et al. (2012).


MATERIAL COMPLEMENTAR

Análise das Demonstrações Contábeis:


Contabilidade Empresarial
José Carlos Marion
Editora: Atlas
Ano: 2012
Sinopse: o livro evidencia a utilidade da demonstração
contábil como instrumento de tomada de decisão. Destina-
se especialmente ao curso de graduação, enfatizando a
aplicação dos níveis introdutório e intermediário para analisar
a situação econômico-financeira. 

Estrutura e Análise de Balanços fácil


Osni Moura Ribeiro
Editora: Saraiva
Ano: 2015
Sinopse: a obra foi concebida de modo a tratar do tema
de forma didática e gradual, característica comum a
todos os livros da Série Fácil. Os temas foram divididos
em três partes: Parte I, que traz informações breves sobre
o conceito e finalidade da análise de balanços, além de
revisar conhecimentos contábeis estudados anteriormente;
Parte II, que apresenta o estudo dos componentes de cada uma das demonstrações financeiras; e
Parte III, que trata das técnicas de análise de balanços.

Estrutura e análise de balanços


Alexandre Assaf Neto
Editora: Atlas
Ano: 2012
Sinopse: o estudo da estrutura de balanços e sua análise
têm sofrido evolução conceitual e prática, no sentido de
abranger esquemas de interpretação que não se limitem
aos indicadores horizontais e verticais, bem como ao cálculo
de índices tradicionais. Esta edição considerou os principais
avanços que ocorreram no instrumental de avaliação de
empresas e buscou atender a uma necessidade crescente de os analistas adquirirem uma visão
ampla da matéria.

Material Complementar
REFERÊNCIAS

BRUNI, A. L. A análise contábil e financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011.


MARION, J. C. Análise das demonstrações contábeis: contabilidade empresarial. 2.
ed. São Paulo: Atlas, 2002.
SZUSTER, et. al. Contabilidade geral: uma introdução à contabilidade societária.
São Paulo: Atlas, 2013.
MEYER, M. et al. Análise Econômica e Financeira: um estudo na empresa Vale S/A
do setor de minério. Revista Contabilidade e Amazônia, v. 5, n. 1, 2012. Disponí-
vel em: < http://sinop.unemat.br/projetos/revista/index.php/contabilidade/article/
view/1308/pdf>. Acesso em: 14 out. 2016.
159
GABARITO

1. B.
2. C.
3.

  31-12-X0 31-12-X1 31-12-X2


PASSIVO 500.000 38% 490.000 33% 440.000 31%
Circulante 200.000 15% 240.000 16% 260.000 18%
Empréstimos 100.000 8% 120.000 8% 140.000 10%
Fornecedores 30.000 2% 50.000 3% 40.000 3%
Contas a pagar 70.000 5% 70.000 5% 80.000 6%
Não Circulante 300.000 23% 250.000 17% 180.000 13%
Financiamento 300.000 23% 250.000 17% 180.000 13%
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 800.000 62% 1.000.000 67% 1.000.000 69%
Capital Social 100.000 8% 100.000 7% 100.000 7%
Lucro Acumulado 700.000 54% 900.000 60% 900.000 63%
PASSIVO TOTAL 1.300.000 100% 1.490.000 100% 1.440.000 100%

4.

  31-12-X0 31-12-X1 31-12-X2


PASSIVO 500.000 100% 490.000 -2% 440.000 -12%
Circulante 200.000 100% 240.000 20% 260.000 30%
Empréstimos 100.000 100% 120.000 20% 140.000 40%
Fornecedores 30.000 100% 50.000 67% 40.000 33%
Contas a pagar 70.000 100% 70.000 0% 80.000 14%
Não Circulante 300.000 100% 250.000 -17% 180.000 -40%
Financiamento 300.000 100% 250.000 -17% 180.000 -40%
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 800.000 100% 1.000.000 25% 1.000.000 25%
Capital Social 100.000 100% 100.000 0% 100.000 0%
Lucro Acumulado 700.000 100% 900.000 29% 900.000 29%
PASSIVO TOTAL 1.300.000 100% 1.490.000 15% 1.440.000 11%
GABARITO

5. Não houve alteração nas obrigações não exigíveis, permaneceram os três anos
com $ 1.000.000. Em 20X1 houve um aumento do lucro de $ 200.000, mas de
20X1 a 20X2, não houve alteração nem no lucro, sugerindo a inexistência de
lucro em 20X2.
6. As dívidas de longo prazo (Financiamento) têm reduzido de ano pra ano.
Professora Me. Juliana Moraes da Silva

ANÁLISE DE INDICADORES

V
UNIDADE
FINANCEIROS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Compreender o conceito de indicador.
■■ Medir a capacidade de pagamento da empresa.
■■ Avaliar o grau de endividamento das empresas.
■■ Analisar o ganho sobre as vendas realizadas.
■■ Apreciar os aspectos econômicos na análise empresarial.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Indicadores financeiros
■■ Índice de liquidez
■■ Índice de endividamento
■■ Índice de lucratividade
■■ Índice de rentabilidade
163

INTRODUÇÃO

Olá caro(a) aluno(a), a análise visual das demonstrações financeiras nos traz
várias informações sobre os saldos finais dos fatos ocorridos na empresa, mas
uma compreensão intrínseca dos valores evidenciados nestes demonstrativos
possibilita uma melhor compreensão da “saúde financeira” em que a empresa
se encontra num determinando momento ou durante um intervalo de tempo.
Nesta última unidade, você compreenderá a técnica de análise das demonstra-
ções financeiras por meio do cálculo e interpretação de indicativos. Os diversos
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

índices financeiros podem ser utilizados como forma de melhorar a análise da


situação da empresa.
Mas afinal, o que é um indicador? Para quem já fez uma consulta médica,
esta experiência lhe deixa imerso em uma piscina de indicadores. Para iniciar
esta comparação, tem-se a temperatura e pressão. Ambos os indicadores possuem
parâmetros de comparação, temperatura normal de 36,5°C e pressão padrão de
12x8. Muitos outros indicativos podem ser mencionados, glicemia, colesterol,
todos utilizados para atestar a saúde física do corpo humano.
No mundo dos negócios, a situação é parecida. As demonstrações financeiras
evidenciam os resultados das operações da empresa em números que precisam
ser analisados, comparados e interpretados para que se possa atestar a situação
econômico-financeira da empresa.
Nesta última unidade, você irá conhecer, compreender, calcular, analisar
e interpretar, a partir das demonstrações financeiras, os indicadores de liqui-
dez, endividamento, lucratividade e rentabilidade. Esse conjunto de indicadores
ampliará seu conhecimento sobre a real situação da empresa, lhe possibilitando
tomar decisões quanto a investir na empresa A ou na empresa B, manter a quan-
tidade de ações investidas ou alterar a sua participação societária.
Você já é quase um especialista em contabilidade, que tal utilizá-la a seu
favor? Vamos aprender agora mesmo a analisar as demonstrações pelos indica-
dores, não perca tempo. Bons estudos!

Introdução
164 UNIDADE V

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INDICADORES FINANCEIROS

Caro(a) aluno(a), os indicadores correspondem a um instrumento de análise eco-


nômico-financeira de uma empresa por meio do quociente entre duas grandezas.
Há inúmeros índices que podem ser utilizados para aferir o desempenho
da empresa, o manejo correto dos indicadores viabiliza a extração das melhores
conclusões de maneira comparativa, seja relacionando-os com os períodos passa-
dos (evolução temporal) ou com os valores apresentados por outras empresas da
mesma atividade econômica (comparação interempresarial (ASSAF NETO, 2012).
Nesta unidade, a análise da “saúde financeira” da empresa será por meio do
cálculo e interpretação dos indicadores de liquidez, endividamento, lucrativi-
dade e rentabilidade, conforme segue:

ANÁLISE DE INDICADORES FINANCEIROS


165

Figura 1 – Indicadores financeiros e econômicos


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Fonte: a autora.

Além das técnicas de análise vertical e horizontal, as demonstrações finan-


ceiras geram informações por meio de indicadores. Para evidenciar a “saúde
financeira” da empresa, faz-se necessário o cálculo e interpretação dos indi-
cadores de liquidez, endividamento, lucratividade e rentabilidade.

Introdução
166 UNIDADE V

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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ÍNDICE DE LIQUIDEZ

Caro(a) aluno(a), os indicadores de liquidez medem a capacidade de pagamento


da empresa (indica se os recursos do ativo são suficientes para pagar as dívidas
do passivo).
Os indicadores de liquidez evidenciam quanto a empresa dispõe de bens e
direitos, realizáveis em determinado período, em relação às obrigações exigíveis,
no mesmo período (SZUSTER, et al. 2013).
Para facilitar a compreensão, considere as demonstrações financeiras de valo-
res fictícios da empresa Cia Gutamoc S/A, cujos dados servirão de base para o
cálculo e interpretação dos índices.
Quadro 1 - Balanço patrimonial - Cia Gutamoc S/A.

ANÁLISE DE INDICADORES FINANCEIROS


167

ATIVO 20X1 PASSIVO 20X1


ATIVO CIRCULANTE 45.000 PASSIVO CIRCULANTE 43.000
DISPONIBILIDADE 8.000 EMPRÉSTIMOS 24.000
CLIENTES 12.000 FORNECEDORES 15.000
ESTOQUES 25.000 IMPOSTOS 4.000
ATIVO NÃO CIRCULANTE 108.000 PASSIVO NÃO CIRCULANTE 10.200
REALIZÁVEL EM LONGO PRAZO 7.000 EMPRÉSTIMOS 10.200

APLICAÇÕES 7.000 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 99.800


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INVESTIMENTOS 12.000 CAPITAL SOCIAL 30.000


IMOBILIZADO 82.000 LUCRO ACUMULADO 69.800
TOTAL DO ATIVO 153.000 TOTAL PASSIVO+PL 153.000

Fonte: a autora.

Liquidez Corrente (LC)

Esse índice mede a capacidade da empresa em pagar as obrigações de curto


prazo, por meio da fórmula:

A. Cálculo

B. Interpretação: para cada $ 1,00 de dívida, a empresa possui $ 1,05 de

bens e direitos para pagamento.


De acordo com Assaf Neto (2012), quanto maior a liquidez corrente, mais

Índice de Liquidez
168 UNIDADE V

alta é a capacidade da empresa em financiar suas necessidades de capital de giro.


Para Marion (2002), o índice de liquidez corrente superior a 1,0, de maneira
geral, é uma situação positiva, todavia, sem outros parâmetros, é uma atitude
bastante arriscada, por isso, desaconselhável.
A observância das contas que compõem este ativo circulante é essencial, uma
vez que o grupo pode ser constituído basicamente de estoque, fato que implica-
ria em dificuldade de liquidez rápida.

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Liquidez Seca (LS)

Caso a empresa tenha dificuldade em realizar vendas, os estoques não poderão


ser utilizados para pagamentos no curto prazo. As despesas antecipadas também
são ativos de difícil realização. Esse índice de LC mede a capacidade da empresa
em pagar as obrigações de curto prazo, desconsiderando os estoques, as despesas
antecipadas e outros ativos circulantes de difícil realização, por meio da fórmula:
A. Cálculo

B. Interpretação: para cada $ 1,00 de dívida, a empresa dispõe de $ 0,47

de recursos (sem estoque) para pagamento. Nesse caso, a paralização da venda


pode comprometer os pagamentos de curto prazo.
Esse indicador determina a capacidade de pagamento das obrigações de
curto prazo mediante a utilização das contas disponíveis e valores a receber,
também de curto prazo.

ANÁLISE DE INDICADORES FINANCEIROS


169

Liquidez Imediata (LI)

O quociente entre as disponibilidades e o passivo circulante corresponde ao


indicador que representa a proporção de maior liquidez na empresa. Esse índice
mede a capacidade da empresa em pagar as obrigações de curto prazo apenas
com recurso do caixa e do equivalente de caixa, por meio da fórmula:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A. Cálculo

B. Interpretação: para cada $ 1,00 de dívida, a empresa dispõe de $ 0,19 de


recursos na Disponibilidade para pagamento.
Em um processo de continuidade, dificilmente aplica-se este indicador.

Liquidez Geral (LG)

Esse índice mede a capacidade da empresa em pagar as obrigações de curto


prazo e longo prazo com recursos de curto e longo prazo, por meio da fórmula:

A. Cálculo

B. Interpretação: para cada $ 1,00 de dívida de Curto e Longo Prazo, há $


0,98 de valores em caixa e em valores a receber de Curto e Longo prazo.

Índice de Liquidez
170 UNIDADE V

Os índices de liquidez medem a capacidade de pagamento da empresa.


Quanto maior o indicador de liquidez, melhor, pois maior será sua capacida-
de de pagar as obrigações.

ÍNDICE DE ENDIVIDAMENTO

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O endividamento das pessoas, das cidades, dos estados e dos países torna este
indicador um dos mais utilizados no meio empresarial.
O ativo de uma empresa é financiado pelo capital próprio (Patrimônio
Líquido) e por capitais de terceiros (Passivo), para este indicador, quanto maior
for a participação do capital de terceiros no financiamento da empresa, maior
será o risco que os terceiros estão expostos (SZUSTER, et al., 2013).

Endividamento Geral (EG)

Este indicador revela a dependência da empresa com relação às suas exigibi-


lidades totais. Ele revela a participação de terceiros (passivo circulante e não
circulante) no montante de ativos investidos na empresa (ASSAF NETO, 2012).
Esse índice corresponde ao quociente entre o passivo e o ativo, por meio da
seguinte fórmula:

A. Cálculo

B. Interpretação: para cada $ 1,00 de aplicação no ativo, $ 0,35 é financiado


com recursos de terceiros.

ANÁLISE DE INDICADORES FINANCEIROS


171

O endividamento das empresas podem apresentar as seguintes situações:


■■ Se Passivo > Patrimônio Líquido, então, endividamento > 50%
■■ Se Passivo = Patrimônio Líquido, então, endividamento = 50%

■■ Se Passivo < Patrimônio Líquido, então, endividamento < 50%

Quanto maior for este indicador, mais elevada corresponde a dependência finan-
ceira da empresa pela utilização de capitais de terceiros.
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Composição das Exigibilidades (CE)

Esse indicador compara as dívidas de curto prazo em relação às obrigações exi-


gíveis, por meio da fórmula:

A. Cálculo

B. Interpretação: para cada $ 1,00 de obrigações exigíveis, $ 0,81 são de


curto prazo.
De acordo com este indicador, quanto maior for as obrigações de curto prazo
em relação às obrigações exigíveis, maior o risco.

Imobilização do Patrimônio Líquido (IPL)

Esse indicador corresponde ao quociente entre o ativo imobilizado e o patri-


mônio líquido, por meio da fórmula:

Índice de Endividamento
172 UNIDADE V

A. Cálculo

B. Interpretação: para cada $ 1,00 de capital próprio, $ 0,82 é aplicado


no imobilizado. Ou seja, todo o imobilizado é coberto pelo capital próprio da
empresa que ainda financia $ 0,18 dos outros ativos da empresa. Quanto menor
for este indicador, menor também a dependência financeira da empresa na uti-

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lização de capitais de terceiros para financiar o imobilizado.

O indicador de endividamento avalia a proporção de dívidas, desta forma,


quanto maior for o indicador de endividamento, maior o risco de se investir
na empresa.

ÍNDICE DE LUCRATIVIDADE

“Uma importante etapa da análise das demonstrações contábeis diz respeito à


compreensão do quanto estamos ganhando.” (BRUNI, 2011, p. 165).
A lucratividade é primeiramente observada na Demonstração de Resultados,
desta forma, este demonstrativo será utilizado como base para apuração dos
indicadores.
Quadro 2 - Demonstração do Resultado do Exercício - Cia Gutamoc S/A

DRE 20X1 20X0


(=) Receitas Vendas 244.800 400.000
(-) Custo do Produto Vendido - 144.000 - 305.000
(=) Lucro Bruto 100.800 95.000
(-) Desp. Operacionais - 50.000 - 60.000

ANÁLISE DE INDICADORES FINANCEIROS


173

(=) Resultado Antes EncFinanc 50.800 35.000


(+/-) Desp-Receita Financeiras - 3.000 15.000
(=) Result. Antes IR e CS 47.800 50.000
(-) Impos. de Renda e Contrib. Social - 18.000 - 15.000
(=) Resultado Líquido do Período 29.800 35.000

Depreciação de $ 1.000.
Fonte: a autora.
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Os indicadores de lucratividade medem o resultado em relação às vendas


efetuadas. Quanto maior o indicador de lucratividade, melhor, pois maior
será o resultado obtido.

Margem bruta (MB)

A margem bruta representa o percentual de cada unidade de venda que sobrou,


após pagamento dos custos de produção (custo da mercadoria ou custo do ser-
viço prestado), por meio da fórmula:

A. Cálculo

B. Interpretação: para cada $ 1,00 de venda, sobra 41% (após deduzir cus-
tos de produção).
De acordo com Bruni (2011), quanto mais alto o percentual do indicador,
melhor a situação financeira, sugerindo a existência de custos menores dos pro-
dutos vendidos.

Índice de Lucratividade
174 UNIDADE V

Margem de lucro Genuinamente Operacional (MGO)

Essa margem representa o percentual de cada unidade de venda que sobrou


depois de pago os custos e as despesas operacionais, mas antes dos encargos e
receitas financeiros, por meio da fórmula:

A. Cálculo
50.800

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
B. Interpretação: para cada $ 1,00 de venda, sobra 21% antes do resultado
financeiro.
Por corresponder ao ganho relativo após o pagamento dos custos dos pro-
dutos e das despesas operacionais, de modo geral, quanto maior o percentual
obtido, maior é o ganho gerado.

Margem Líquida (ML)

A margem líquida representa a percentagem de cada unidade monetária de venda


que sobrou, após a empresa ter pago seus produtos, despesas e impostos (BRUNI,
2011). O cálculo do indicador é realizado por meio da fórmula:

A. Cálculo

B. Interpretação: para cada $ 1,00 de venda, sobra 12% após deduzir cus-
tos, despesas e impostos.

ANÁLISE DE INDICADORES FINANCEIROS


175

Margem de Ebitda (ME)

A análise dos indicadores de lucratividade com base nas demonstrações con-


tábeis enfatiza, na margem líquida, o desempenho financeiro entre o lucro e as
vendas líquidas.
De acordo com Bruni (2011), “Uma alternativa interessante poderia envol-
ver a troca de uma medida de ganho contábil (lucro líquido) por uma medida
que se aproxime mais da ideia de fluxo de caixa, priorizada na análise da gestão
financeira da empresa”.
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Sob o ponto de vista contábil, uma medida próxima do conceito de fluxo de


caixa é o Ebitda, que pode ser apurado pelas seguintes fórmulas:

No qual:
Lajir = lucro antes dos encargos/ receitas financeiras e imposto de renda

Lembrando que, o Ebitda representa mais um indicador de caixa do que um


indicador de lucratividade, tendo em vista que para apuração do seu percentual, os
gastos não desembolsáveis como depreciação e amortização, foram desprezados.
Cálculo

Interpretação: para cada $ 1,00 de venda, sobra 37,09% após deduzir custos
e despesas operacionais desembolsáveis.

Índice de Lucratividade
176 UNIDADE V

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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ÍNDICE DE RENTABILIDADE

Quando pretende-se usar as demonstrações contábeis para análise do dinheiro,


busca-se na verdade compreender a rentabilidade gerada pelo negócio.
Os indicadores de rentabilidade expressa o nível de eficiência e o grau do
êxito econômico-financeiro atingido (SZUSTER, et al. 2013).
Mas não confunda lucratividade com rentabilidade. Enquanto a rentabilidade
mede o ganho sobre investimento, a lucratividade mede o ganho sobre venda.
Assim, de acordo com Bruni (2011), muitas pessoas podem achar que um
negócio com maior lucro apresenta maior desempenho, mas este raciocínio é
perigoso.

Retorno sobre Patrimônio Líquido (RPL)

Esse indicador é apurado pelo quociente entre lucro líquido e o patrimônio


líquido, por meio da seguinte fórmula

ANÁLISE DE INDICADORES FINANCEIROS


177

A. Cálculo
B. Interpretação: para cada $ 1,00 investido, o retorno líquido é de 30%.

O RPL é o principal indicador para o investido, pois ele mede o retorno sobre
o capital investido pelos acionistas (BRUNI, 2011).

Retorno sobre o Investimento (ROI)


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

É o quociente entre o lucro líquido e o ativo total, por meio da seguinte fórmula:

A. Cálculo
B. Interpretação: para cada $ 1,00 dos recursos aplicados, o retorno líquido
é de 19%.

O ROI é, provavelmente, o mais importante indicador de análise finan-


ceira contábil, pois ele mede o retorno sobre o capital investido pelos acionistas
(BRUNI, 2011).

Não há na literatura uma unanimidade em aceitar o denominado dos índi-


ces de rentabilidade. Além do patrimônio líquido e do ativo total, muitos
analistas utilizam o patrimônio líquido médio e ativo médio para aplicar nas
fórmulas dos indicadores de rentabilidade.
Fonte: SZUSTER, et al. (2013).

Índice de Rentabilidade
178 UNIDADE V

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Prezado aluno(a), com o término desta unidade você está habilitado a realizar
a análise de demonstrações financeiras de toda e qualquer entidade, bem como
interpretar e relatar uma opinião quanto à “saúde financeira” da mesma.
Os resultados econômicos e financeiros das empresas são evidenciados nas
demonstrações financeiras, mas muitas vezes, a simples leitura desses quadros
e relatórios não possibilita uma compreensão de capital, ou seja, a análise visual
é insuficiente para traçar um panorama da situação atual e as perspectivas da

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
empresa.
Então, neste contexto, a utilização de técnicas de análise amplia drastica-
mente o poder de evidenciar a posição financeira e econômica da empresa em
um dado momento e, ainda, possibilita a comparação da empresa em análise
com outras empresas de mesma atividade econômica. Tal fato é de extrema rele-
vância, pois permite verificar se o desempenho de uma entidade está de acordo
com as demais.
É importante lembrar que as técnicas de análise existentes na literatura é
bastante vasta, no entanto, neste material foi abordado a técnica de cálculo de
indicadores financeiros, cujas fórmulas, parâmetros de comparação e interpre-
tação estão descritos detalhadamente.
A quantidade de indicadores é vasta e, durante os estudos desta unidade
abordamos alguns indicadores relacionados com a liquidez, o endividamento, a
lucratividade e a rentabilidade.
Para finalizar, caro(a) aluno(a), vale ressaltar que nenhum indicador deve
ser utilizado isoladamente. A elaboração de vários indicadores em diferentes
anos, comparados com a situação econômica de empresas de mesma atividade
econômica, aliados ao conhecimento acerca do produto, processos, ramo eco-
nômico, política da empresa e outros dados, possibilita uma análise com maior
nível de clareza e confiança na análise realizada.

ANÁLISE DE INDICADORES FINANCEIROS


179

1. No que diz respeito à gestão financeira das empresas, numere a coluna relacio-
nando os índices com os respectivos cálculos para se obtê-los: 
1. Liquidez imediata. 
2. Liquidez seca. 
3. Rentabilidade do Patrimônio Líquido. 
4. Composição de exigibilidades. 
( ) Lucro líquido sobre Patrimônio Líquido médio.
( ) Disponível sobre o Passivo Circulante. 
( ) Ativo Circulante menos estoques sobre Passivo Circulante. 
( ) Passivo Circulante sobre capital de terceiros. 
Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta de cima para baixo.
a. 3-1-2-4.
b. 1-2-3-4.
c. 3-4-2-1.
d. 4-1-3-2.
e. 1-3-4-2.

Considere as demonstrações financeiras da Empresa Gucal Ltda. para responder as


questões de 2 a 5.
180

Balanço Patrimonial
Gucal Ltda.
Períodos de 20X0 e 20X1

ATIVO 20X1 20X0 PASSIVO 20X1 20X0


ATIVO CIRCULANTE 23.000 16.000 PASSIVO CIRCULANTE 19.000 14.000
DISPONIBILIDADE 10.000 1.000 EMPRÉSTIMOS 10.000 10.000
CLIENTES 5.000 8.000 FORNECEDORES 7.000 3.000
ESTOQUES 3.000 5.000 IMPOSTOS 2.000 1.000
DESPESAS ANTECIPADAS 5.000 2.000 PASSIVO NÃO CIRCULANTE 5.000 9.000
ATIVO NÃO CIRCULANTE 62.000 65.000 FINANCIAMENTOS 5.000 9.000
REALIZÁVEL EM LONGO PRAZO 6.000 5.000      
APLICAÇÕES 12.000 14.000 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 61.000 58.000
INVESTIMENTOS 4.000 4.000 CAPITAL SOCIAL 30.000 30.000
IMOBILIZADO 40.000 42.000 LUCRO ACUMULADO 31.000 28.000
TOTAL DO ATIVO 85.000 81.000 TOTAL DO PASSIVO+PL 85.000 81.000

Fonte: a autora.

Demonstração do Resultado do Período


Gucal Ltda.
Períodos de 20X0 e 20X1

DESCRIÇÃO 20X1 20X0


(=) Receitas Vendas 300.000 280.000
(-) Custo do Produto Vendido - 150.000 - 150.000
(=) Lucro Bruto 150.000 130.000
(-) Despesas Operacionais - 50.000 - 40.000
(=) Resultado Antes Encargos Financeiros 100.000 90.000
(+/-) Despesas e Receitas Financeiras - 10.000 - 8.000
(=) Resultado Antes IR e CS 40.000 42.000
(-) Imposto de Renda e Contrib. Social - 5.000 - 5.200
(=) Resultado Líquido do Período 35.000 36.800

Fonte: a autora
181

02. Calcule e interprete os índices de liquidez.


03. Calcule e interprete os índices de endividamento.
04. Calcule e interprete os índices de lucratividade.
05. Calcule e interprete os índices de rentabilidade.
182

Sobre o conceito de índices, MARION (2012, p. 24) define que: “os índices são relações
que se estabelecem entre duas grandezas; facilitam sensivelmente o trabalho do ana-
lista, uma vez que a apreciação de certas relações ou percentuais é mais significativa
(relevante) que a observação de montantes, por si só”. De acordo com Marion (2012), a
análise dos índices, é dividida em três etapas, das quais a primeira é denominada sim-
plesmente de cálculo do índice com base em uma fórmula predeterminada, a segunda
é a interpretação do índice, ou seja, a explicação do resultado do cálculo e, a terceira
etapa é, na visão dele, a mais importante, pois é a conceituação do índice, ou seja, cabe
ao analista identificar se o resultado encontrado é bom, razoável ou ruim. Segundo Ma-
tarazzo (2010), os principais índices que podem ser utilizados para realização da análise
das demonstrações financeiras englobam os índices financeiros e econômicos. São eles,
respectivamente: índices de liquidez, índices de estrutura de capital e índices de renta-
bilidade.
– Índices de Liquidez: Matarazzo(2010) define que por meio dos índices de liquidez, po-
de-se verificar a situação financeira da empresa, pois são a partir desses que ocorre o
confronto dos ativos circulantes com as dívidas. Para uma empresa ter boas condições
de pagar suas dívidas deve-se ter bons índices e quanto maior for este indicador, me-
lhor. O grupo de índices de liquidez é subdividido em: liquidez geral; liquidez corrente e
liquidez seca. A) Liquidez Geral: tem a finalidade de refletir a capacidade que a empresa
tem de pagamento das suas dívidas em longo prazo. Se o resultado do índice for menor
do que R$ 1,00, a empresa apresenta problemas financeiros no curto prazo. Porém, se
for superior a R$ 1,00, a empresa possui bens e direitos suficientes para liquidar seus
compromissos financeiros (HOJI, 2010); B) Liquidez Corrente é considerada como o me-
lhor indicador para avaliar a situação líquida da empresa. Pois relaciona quanto de di-
nheiro disponível e conversível imediatamente tem a empresa em relação às dívidas de
curto prazo (IUDÍCIBUS, 2009); C) Liquidez Seca demonstra a capacidade que a empresa
tem de pagar suas dívidas em curto prazo, mesmo que não consiga vender seus esto-
ques (BEGALLI; PEREZ JR., 2009).
– Índices de Estrutura de Capital Segundo Iudícibus (2009): a análise dos índices de es-
trutura de capital é uma fonte geradora de informações sobre investimentos e finan-
ciamentos, pois as duas opções geram para empresa retornos e riscos que devem ser
analisados de forma cautelosa. Matarazzo (2010) aponta que esse grupo de índices de-
monstra grandes segmentos para a linha de decisões financeiras em termos de aplica-
ção e obtenção de recursos. De modo geral, quanto menor for este indicador, melhor.
O grupo de índice de estrutura de capital é subdividido em: participação de capital de
terceiros; composição do endividamento; imobilização do patrimônio líquido e imobi-
lização dos recursos não correntes, porém, para o estudo em questão, serão analisados
apenas os dois primeiros: A) Participação de Capital de Terceiros representa, em por-
centagem, quanto é o endividamento da empresa em relação aos fundos totais. Esse
percentual não pode ser muito grande, pois aumenta progressivamente suas despesas
financeiras, acabando com a rentabilidade da organização. No caso, se a taxa de des-
pesas financeira sobre o endividamento médio continuar menor que a taxa de retorno
183

obtida pelo uso dos empréstimos, a participação de capitais de terceiros será favorável
para a organização (IUDÍCIBUS, 2009); B) Composição do Endividamento representa o
percentual de obrigações de curto prazo em relação às obrigações totais. Esse indicador
deve ficar entre os valores 0 e 1, quanto menor for o quociente, menor é a concentração
de dívidas no curto prazo. Quando se tem dificuldades para a captação de recursos em
longo prazo, orienta-se então que a aplicação desses recursos deve ser feita em ativos
de rápida recuperação (BEGALLI; PEREZ JR., 2009).
– Índices de Rentabilidade: a análise dos índices de rentabilidade tem o objetivo de me-
dir a capacidade de produzir lucro e de todo o capital investido nos negócios. Não é so-
mente o capital próprio que gera lucro, mas também todos os capitais aplicados, sendo
de terceiros ou próprios. Matarazzo (2010) define que por meio desse grupo de índice
é possível verificar os capitais investidos e, com isso, qual foi o resultado econômico da
empresa, quanto maior for este indicador, melhor. O grupo de índice de rentabilidade
é subdividido em: giro do ativo; margem líquida; rentabilidade do ativo e rentabilidade
do patrimônio líquido. A) Giro do Ativo indica quantas vezes a empresa recuperou o
valor do seu ativo por meio de suas vendas, de um determinado período. É um retorno
sobre os investimentos (BEGALLI; PEREZ JR, 2009); B) Margem Líquida indica a capacida-
de da empresa em gerar lucro em comparação à sua receita líquida de vendas (BEGALLI;
PEREZ JR, 2009); C) Rentabilidade sobre o Ativo representa o retorno sobre o total do
ativo, independente da procedência, é a rentabilidade total dos recursos administrados
pela empresa. Esse índice mostra quanto a empresa obteve de lucro líquido em relação
ao ativo (MATARAZZO, 2010); D) Rentabilidade sobre o Patrimônio Líquido demonstra
quanto rende o capital aplicado na empresa pelos proprietários. O patrimônio médio
corresponde ao patrimônio líquido inicial mais o patrimônio líquido final dividido por
dois (HOJI, 2010).

Fonte: Silva et al. (2016, on-line).


MATERIAL COMPLEMENTAR

A análise contábil e financeira


Adriano Leal Bruni
Editora: Atlas
Ano: 2011
Sinopse: o livro apresenta a análise das demonstrações
contábeis de forma simples e didática, com muitos exemplos,
casos e exercícios. Revisa conceitos importantes de
contabilidade, discutindo os principais aspectos envolvidos
no uso das informações contábeis. Tece considerações sobre
as diferentes visões das informações contábeis e financeiras.
Ao longo dos seus 11 capítulos, discute o uso das análises
horizontal e vertical, conceitua e aplica a análise baseada em índices de liquidez, endividamento,
lucratividade, giro e rentabilidade. Também apresenta a análise financeira dinâmica e aplica os
conceitos no modelo AnaliseFacil.xls, um modelo prático desenvolvido com a planilha Microsoft
Excel e que subsidia de forma fácil e rápida a extração de informações contábeis e financeiras.
Livro texto para as disciplinas relacionadas ao ensino da análise das demonstrações contábeis.
Leitura complementar para as disciplinas relativas a Finanças, Administração Financeira, Análise de
Balanço ou Contabilidade.
185
REFERÊNCIAS

ASSAF NETO, A. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico-financei-


ro. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
BRUNI, A. L. A análise contábil e financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
MARION, J. C. Análise das demonstrações contábeis: contabilidade empresarial. 2.
ed. São Paulo: Atlas, 2002.
SILVA, M. et al. Análise das demonstrações contábeis como ferramenta de suporte
à gestão financeira. Revista Brasileira de Gestão e Engenharia, n. 13, 2016. Dis-
ponível em: <http://periodicos.cesg.edu.br/index.php/gestaoeengenharia/article/
view/244>. Acesso em: 14 out. 2016.
SZUSTER, et. al. Contabilidade geral: uma introdução à contabilidade societária.
São Paulo: Atlas, 2013.
GABARITO

1. A
2. Por meio dos indicadores verifica-se que a empresa possui capacidade de pa-
gamento, no entanto, há uma dependência muito grande estoques e despesas
antecipadas.

Liquidez Corrente - 23.000 - 1,21


15.000

Liquidez Seca - 15.000 - 0,79


19.000

Liquidez Imediata - 10.000 - 0,53


15.000

Liquidez Geral - 29.000 - 1,21


24.000

3. O índice baixo sugere uma atenção maior para as dívidas, tendo em vista que as
obrigações exigíveis não estão financiando o ativo.

Endividamento Geral - 24.000 - 0,28


85.000

Composição das Exigibilidades - 19.000 - 0,79


24.000

Imobilização do Patrimônio Líquido - 40.000 - 0,66


61.000

4. Os indicadores de lucratividade sugerem boa proporção de sobras das vendas,


pelo menos o suficiente pra constatar uma lucratividade líquida de 12%.

Margem Bruta = 150.000 = 0,50


300.000

Margem de Lucro Genuinamento Operacional = 100.000 = 0,33


300.000
Margem Líquida = 35.000 = 0,12
300.000
187
GABARITO

5. Os indicadores de rentabilidade reflete a boa política adotada pela empresa com


excelente taxa de rentabilidade.

Retorno sobre Patrimônio Líquido = 35.000 = 0,57


61.000

Retorno sobre Investimentos = 35.000 = 0,41


= 85.000
CONCLUSÃO

Prezado(a) aluno(a), na Unidade I, vimos que a contabilidade é uma ciência social,


que busca atender à necessidade do homem de controle e apuração de resultados.
O objetivo geral é o mesmo desde os primórdios, estudar o patrimônio das organi-
zações. Neste livro, nós estudamos o patrimônio por meio de algumas técnicas de
análise dos valores evidenciados nas demonstrações contábeis.
O principal objetivo da contabilidade é fornecer informações úteis aos usuários,
para auxiliar no processo de tomada de decisão. O objetivo deste livro foi auxiliar
você, caro(a) aluno(a), na aplicação de técnicas de análise, que possibilita fornecer
informações a diversos usuários: informações aos credores que pretendem analisar
o nível de endividamento; aos funcionários para avaliar a capacidade da empresa
pagar os seus salários; aos investidores para comparar os retornos sobre o capital
investido.
A análise das demonstrações contábeis é uma ferramenta de atuação da contabili-
dade gerencial, uma vez que a análise permite aos usuários uma visão geral dos ne-
gócios com a finalidade de obter uma comparação da empresa com seus resultados
anteriores, ou uma comparação dos resultados da empresa com outras empresas do
mesmo seguimento.
O objetivo geral deste material foi atingido, tendo em vista que termos de contabi-
lidade foram explicados e técnicas de análise vertical, horizontal e cálculo de indica-
dores foram amplamente abordados, explicados e exemplificados.
Com relação aos indicadores trabalhados, se tem que os indicadores de liquidez
evidenciaram a capacidade de pagamento, os de endividamento mostram a políti-
ca de obtenção de recursos utilizada pela empresa, os indicadores de lucratividade
expressam em percentual as sobras (lucro) obtidas sobre as vendas realizadas e, por
fim, os indicadores de rentabilidade que demonstraram a proporção dos retornos
sobre o valor dos investimentos realizados.
Nosso objetivo não foi esgotar todo o assunto de contabilidade e nem todas as pos-
sibilidades de análise de demonstrações, mas apresentar a você uma visão geral
da contabilidade e algumas das formas que ela pode contribuir para o processo de
tomada de decisão dos usuários.
Esperamos ter contribuído um pouquinho para o seu conhecimento pessoal e qua-
lificação profissional, ampliando e melhorando a sua capacidade de análise das de-
monstrações financeiras. Sucesso!
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