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JOSÉARAS

MANUAL DE
QUESTÕES
DISCURSIVAS DE
DIREITO
ADMINISTRATIVO
1
...
RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL
DOESTADO
1. UnB/Cespe–OAB–ExamedaOrdem2007.1(Questão4)
Leandro fugiu da cadeia pública de um Estado da Federação. Cinco meses depois da fuga, em
concurso com mais dois agentes, praticou o sequestro relâmpago de duas pessoas, as quais
restaram brutalmente assassinadas.
– Nessa hipótese, haverá responsabilidade objetiva do Estado pelos danos decorrentes da morte
causada por fugitivo? Fundamente sua resposta.

COMENTÁRIOS:
A doutrina especializada ensina que a responsabilidade objetiva do Estado, por intermédio da
denominada teoria do risco administrativo, aplica-se, como regra,aos danos causados por ação
(comportamento ativo de seus agentes), situações em que não irá se perquirir acerca do elemento
subjetivo (dolo ou culpa) por parte do preposto do Estado, bastando, para a materialização do dever de
indenizar, a configuração do nexo de causalidade entre o comportamento de um de seus agentes (nessa
qualidade) e o dano sofrido pelo administrado, conforme regra do art. 37, § 6º, da CF (repetida pelo art.
43 do Código Civil), inverbis:

Art. 37. [...]


§6ºApessoasjurídicasdedireitopúblicoeasdedireitoprivadoprestadoras de serviços públicos responderão
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso
contra o responsável nos casos de dolo ouculpa.

No caso em análise, contudo, o dano sofrido pelas vítimas é resultado de uma omissão Estatal, na
medida em que deixou de prestar segurança pública aos seus administrados, dando ensejo, portanto, à
incidência de responsabilidade subjetiva, havendo a necessidade de demonstração da culpa
administrativa quantoàconsecuçãodoeventodanoso,culpaestaanônima(nãoindividualizada),
caracterizadora da denominada “falta do serviço”, ou seja, a faute du service dos franceses.
Cumpre registrar, por derradeiro, que consoante entendimento jurisprudencial, se o ato tivesse sido
praticado pelos detentos logo após a fuga, estaria caracterizada a hipótese de responsabilidade objetiva
do Estado, ante a situação de extensão de custódia (nesse sentido, entre outros, RE 445.414/MG; RE
573.595/RS e REsp 980.844/RS); não se aplicando esse posicionamento ao presente caso, contudo, uma

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vez que o crime foi praticado cinco meses após afuga.

2. OAB/Cespe–DiversasRegiões/2007.2–Gabaritocompadrõesderespostasoficiais (Questão4)
Antônio se encontrava dormindo no chão de uma parada de ônibus, quando dois adolescentes
atearam fogo em seu corpo, o qual foi atingido em cerca de 40%. Socorrido, foi encaminhado ao
hospital mais próximo e submetido a uma cirurgia de aproximadamente 5 horas, vindo logo
depois a falecer. Não foi apurada culpa ou dolo da equipe médica. A família pretende
processar oEstado.
– Considerando a situação hipotética descrita acima, responda, de forma fundamentada, a
seguinte pergunta: há, nesse caso, responsabilidade objetiva do Estado?

COMENTÁRIOS:
Não incidiria, no caso em lume, a responsabilidade objetiva do Estado, prevista no art. 37, § 6°, CF,
mas, sim, a responsabilidade subjetiva, fundada na teoria da
culpaadministrativa,postoqueoqueocorreufoiumacondutaomissivadoEstado, consistente na falta de
serviço de segurançapública.

3. OAB/Cespe–DiversasRegiões/2008.1(Questão4)
Um indivíduo ingressou com ação de responsabilidade civil contra uma empresa pública que se
dedica à exploração de atividade econômica, visando aoressarcimento de danos que lhe foram
causados em virtude da má atuação da empresa. O autor alega que essa empresa, apesar de se
constituir em pessoa jurídica de direito privado, é entidade integrante da Administração Pública,
razão pela qual sua responsabilidade é objetiva, devendo a reparação ocorrer independentemente
de ela ter agido com culpa ou dolo. Na situação
apresentada,éprocedenteapretensãodoAutordaação?Justifiqueasuaresposta.

COMENTÁRIOS:
Reconhecimento de que somente as empresas públicas prestadoras de serviços públicos estão sujeitas à
responsabilidade objetiva (art. 37, § 6º, da CF).
As empresas públicas e as sociedades de economia mista que se dedicam à exploração de atividade
econômica são regidas pelas normas aplicáveis às
empresasprivadas(art.173,§1º,II,daCF),estando,emconsequência,sujeitasà responsabilidade subjetiva
comum do DireitoCivil.

4. OAB 2009.3 (Prova anulada pelo Cespe. Comentários abaixo exclusivos do autor) (Questão5)
Angélica trafegava com seu veículo em via pública municipal quando, em
umcruzamentosemsinalização,colidiuseuautomóvelcomoutroveículo.
Inconformada com a omissão do Município no tocante à sinalização da via, bem como com os
prejuízos sofridos, Angélica procurou auxílio de profissional deadvocacia.

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– Nessa situação hipotética, que medida judicial o(a) advogado(a) de Angélica poderá utilizar em
favor da sua cliente? Com base em que argumentos? Fundamente suaresposta.

COMENTÁRIOS:
Nesse caso, a medida judicial que o advogado de Angélica poderá utilizar em seu favor é a propositura
de uma ação ordinária (de reparação) contra o Município, perante a Justiça Estadual, endereçada à Vara
da Fazenda Pública.
O fundamento jurídico é a responsabilidade objetiva do Município, conforme instituído no art. 1º, § 3º,
do Código de Trânsito Brasileiro, Lei nº 9.503/1997, que estabelece:

Art. 1º [...] § 3º Os órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito respondem, no


âmbito das respectivas competências, objetivamente, por danos causados aos cidadãos em virtude de
ação, omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos e serviços que garantam o
exercício do direito do trânsito seguro.

5. OAB/Cespe2010.1–Gabaritocompadrãoderespostaoficial(Questão1)
Em 30/8/2009, Jairo trafegava de bicicleta por uma rua de Goiânia – GO, no sentido da via, na
pista da direita, quando foi atropelado por um ônibus de uma concessionária do serviço público
de transporte urbano de passageiros, em razão de uma manobrabrusca feita pelo motorista do
coletivo. Jairo morreu na hora. A mãe do ciclista procurou escritório de advocacia, pretendendo
responsabilizaroEstadopeloacidentequeresultounamortedeseufilho.
– Em face dessa situação hipotética, discorra sobre a pretensão da mãe de Jairo,
estabelecendo, com a devida fundamentação, as diferenças e (ou) semelhanças entre a
responsabilidade civil do Estado nos casos de dano
causadoausuárioseanãousuáriosdoserviçopúblico.

COMENTÁRIOS:
A responsabilidade civil do Estado por danos causados a usuários do serviço
públicoéobjetiva,pelateoriadoriscoadministrativo,nostermosdosarts.37,§6.º, da CF e 43 do CódigoCivil.
Quanto à responsabilidade com relação ao terceiro não usuário do serviço, como é o caso do ciclista, não
se pode interpretar restritivamente o alcance do art. 37, § 6º, sobretudo porque a Constituição,
interpretada à luz do princípio da isonomia,
nãopermitequesefaçaqualquerdistinçãoentreoschamados“terceiros”,ouseja,
entreusuáriosenãousuáriosdoserviçopúblico,hajavistaquetodoseles,deigual modo, podem sofrer dano em
razão da ação administrativa do Estado, seja ela realizada diretamente, seja por meio de pessoa jurídica
de direitoprivado.
Os serviços públicos devem ser prestados de forma adequada e em caráter geral, estendendo-se,
indistintamente, a todos os cidadãos, beneficiários diretos ou indiretos da ação estatal.

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6. OAB−ExamedaOrdemUnificado−2010.2–FGV(Questão1)
É realizado, junto a determinado Ofício de Notas, procuração falsa para a venda de certoimóvel.
Participa do ato fraudulento o “escrevente” do referido Ofício de Notas, que era e é amigo de um
dos fraudadores. Realizada a venda com a utilização da procuração falsa, e após dois anos, desta,
o verdadeiro titular do imóvel regressaaoPaísedescobreavendafraudulenta.
Assim, tenso com a situação, toma várias medidas, sendo uma delas o ajui- zamento de ação
indenizatória.
Diante do enunciado, responda: contra quem será proposta essa ação e qual a natureza
daresponsabilidade?

COMENTÁRIOS:
Natureza da delegação eausência da responsabilidade primária do Estado.
Identificaçãodaresponsabilidadedonotárioemfacedosatosprópriosdaserventia,
naformadoart.22daLei8.935/1994,queestabelecearesponsabilidadesubjetiva para ahipótese.

7. IVExamedaOrdemUnificado–2011.1–FGV(Questão2)
José, enquanto caminhava pela rua, sofre graves sequelas físicas ao ser atingido por um choque
elétrico oriundo de uma rede de transmissão de uma empresa privada que presta serviço de
distribuição de energia elétrica. Na ação judicial movida por José, não ficou constatada nenhuma
falha no sistema que teria causado o choque, tampouco se verificou a culpa por parte do
funcionário responsável pela manutenção dessa rede elétrica local. No entanto, restou comprovado
que o choque, realmente, foi produzido pela rede elétrica da empresa de distribuição de energia,
conforme relatado noprocesso.
Diante do caso em questão, discorra sobre a possível responsabilização da empresa privada que
presta serviço de distribuição de energia elétrica, bem como um possível direito de regresso contra
o funcionário responsável pela manutenção da rede elétrica. (valor: 1,25)

COMENTÁRIOS:
No caso em análise, incide a responsabilidade direta e objetiva da concessionária sobre os danos
causados aos usuários dos serviços públicos, na condição de pessoa jurídica de direito privado,
delegatária e, portanto, prestadora de serviços públicos, na forma do art. 37, § 6º, da CF.
Restapatente,ainda,onexodecausalidadeentreoserviçoprestadopelaempresa
dedistribuiçãodeenergiaeodanosofridopeloadministrado,conformerelatadono processo, a ensejar o dever
dereparação.
O direito de regresso, por sua vez, embora juridicamente possível com base no mesmo dispositivo
anteriormente colacionado, não incide na hipótese, porque o próprio enunciado da questão afirmou que
não ficou comprovada a culpa por parte do funcionário, sendo que a ação regressiva, baseada na
responsabilidade subjetiva do agente, depende da averiguação de culpa (“culpa” em sentido amplo,

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abrangendo a culpa em sentido estrito e odolo).
Vale ressaltar, por derradeiro, a responsabilidade subsidiária do Estado (poder
concedente),jáqueosdelegatáriosdeserviçospúblicosprestamoserviçoemseu
próprionome,porsuacontaerisco,conformedisposiçõesinsertasnoart.2ºdaLei nº 8.987/1995, que regula o
art. 175 daCF.

8. VExamedaOrdemUnificado–2011.2–FGV(Questão1)
Liviana, moradora do Município de Trás dos Montes, andava com sua bicicleta em uma via que
não possui acostamento, próximo ao Centro da cidade, quando, de forma repentina, foi atingida
por um ônibus de uma empresa con-
cessionáriadeserviçospúblicosdetransportesmunicipais.Apósoacidente,Liviana teve as duas pernas
quebradas e ficou em casa, sem trabalhar e em gozo de auxílio doença por cerca de dois meses.
Então, resolveu procurarum advogado para ajuizar ação de responsabilidade civil em face da
empresa concessionária de serviçospúblicos.
Qual é o fundamento jurídico e o embasamento legal da responsabilidade civil da empresa
concessionária, considerando o fato de que Liviana se enquadrava na qualidade de terceiro em
relação ao contrato de transporte municipal, no momento do acidente? (valor: 1,25).

COMENTÁRIOS:
A questão em tela faz incidir a responsabilidade objetiva das concessionárias de serviços públicos com
fundamento no art. 37, § 6º, da CF, que estabelece que as pessoas jurídicas de direito público e as de
direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de
dolo ou culpa.
Valeressaltarquearesponsabilidadecivildasconcessionáriasdeserviçospúblicosé
objetivatambémcomrelaçãoaterceiros,conformedecididopeloColendoSupremo Tribunal Federal quando
do julgamento do RE 591.874, pelo qual modificou o entendimento anterior no sentido de que seria
subjetiva a responsabilidade destas entidades com relação a terceiros, não usuários dos serviçospúblicos.
Esse novo posicionamento foi ratificado pelo Excelso Pretório no AI 779.629 AgR/MG.

9. VIExamedaOrdemUnificado–2011.3–FGV(Questão4)
Tício, motorista de uma empresa concessionária de serviço público de transporte de passageiros,
comete uma infração de trânsito e causa danos a passageiros que estavam no coletivo e também a
um pedestre que atravessava arua.
Considerando a situação hipotética narrada, responda aos itens a seguir:
a) Qual(is) a(s) teoria(a) que rege(m) a responsabilidade civil da empresa frente aos passageiros
usuários do serviço e frente ao pedestre à luz da atual jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal? (valor:0,6)
b) Poderiam as vítimas responsabilizar direta e exclusivamente o Estado
(poderconcedente)pelosdanossofridos?(valor:0,65)
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COMENTÁRIOS:
No caso em tela, a responsabilidade civil da empresa concessionária de serviços públicos frente aos
passageiros usuários do serviço e frente ao pedestre, isto é,
nãousuáriodoserviço,àluzdaatualjurisprudênciadoSupremoTribunalFederalé
regidapelateoriadoriscoadministrativo,modalidadederesponsabilidadeobjetiva, portanto, conforme
estabelece o art. 37, § 6º, daCF.
Nesse mesmo sentido, a responsabilidade dos concessionários de serviços
públicosédireta(primária),umavezqueexecutamoserviçoporsuacontaerisco, respondendo apenas
subsidiariamente o poder concedente, na forma prevista, entre outros, nos arts. 2º, II, e 25 da Lei nº
8.987/1995, inverbis:

Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se: [...]


II – concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante
licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre
capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; [...]
Art. 25. Incumbe à concessionária a execução do serviço concedido, cabendo-lhe responder por todos
os prejuízos causados ao poder concedente, aos usuários ou a terceiros, sem que a fiscalização exercida
pelo órgão competente exclua ou atenue essa responsabilidade.

Daí por que as vítimas não podem responsabilizar direta e exclusivamente o


Estado(poderconcedente)pelosdanossofridosemrazãodacondutadomotorista da empresa concessionária
de serviçopúblico.

10. XIIIExamedaOrdemUnificado–FGV(Questão4)
O Município de Balinhas, com o objetivo de melhorar a circulação urbana para a Copa do Mundo
a ser realizada no País, elabora novo plano viário para a cidade, prevendo a construção de
elevados e vias expressas. Para alcançar esse objetivo, em especial a construção do viaduto “Taça
do Mundo”, interdita uma rua ao tráfego de veículos, já que ela seria usada como canteiro para
as obras. Diante dessa situação, os moradores de um edifício localizado na rua interditada, que
também possuía saída para outro logradouro, ajuízam ação contra a Prefeitura, argumentando
que agora gastam mais 10 minutos diariamente para entrar e sairdo prédio, e postulando uma
indenização pelos transtornos causados. Também ajuíza ação contra o Município o proprietário de
uma oficina mecânica localizada na rua interditada, sob o fundamento de que a clientela não
consegue mais chegar ao seu estabelecimento. O Município contesta, afirmando não ser devida
indenização por atos lícitos da Administração. Acerca da viabilidade jurídica dos referidos pleitos,
responda aos itens a seguir, empregando os argumentosjurídicos apropriados:
a) Atos lícitos da Administração podem gerar o dever de indenizar? (valor: 0,45)
b) Écabívelindenizaçãoaosmoradoresdoedifício?(valor:0,40)

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c) Écabívelindenizaçãoaoempresário?(valor:0,40)

COMENTÁRIOS:
A) A questão proposta versa a responsabilidade civil da Administração por atos
lícitos.AConstituição,aopreveraresponsabilidadecivildoEstadopelosdanosque os seus agentes houverem
causado, não exige a ilicitude da conduta, tampouco a culpaestatal.
Nãoé,contudo,qualquerdanocausadopeloexercícioregulardasfunçõespúblicas que deve ser indenizado:
apenas os danos anormais e específicos, isto é, aqueles que excedam o limite do razoável, ensejam
reparaçãocorrespondente.
B) No caso dos moradores, não cabe indenização, pois os danos são mínimos e dentro dos limites de
razoabilidade, já que eles contam com saída para outra rua, nãointerditada.
C) Já na situação do proprietário da oficina, o dano é anormal, específico e
extraordinário,umavezqueaatuaçãodoMunicípioimpede,naprática,oexercício de atividade econômica
pelo particular, retirando-lhe a fonte desustento.

11. XVIIIExamedaOrdemUnificado–FGV(Questão2)
O Estado X está realizando obras de duplicação de uma estrada. Para tanto, foi necessária a
interdição de uma das faixas da pista, deixando apenas uma faixa livre para o trânsito de
veículos. Apesar das placas sinalizando a interdição e dos letreiros luminosos instalados, Fulano
de Tal, dirigindo em velocidade superior à permitida, distraiu-se em uma curva e colidiu com
algumas máquinas instaladas na faixa interditada, causando danos ao seu veículo.
A partir do caso proposto, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir.
a) Em nosso ordenamento, é admissível a responsabilidade civil do Estado
poratolícito?(valor:0,60)
b) Considerando o caso acima descrito, está configurada aresponsabilidade objetiva do Estado X?
(valor: 0,65)

COMENTÁRIOS:
A) A resposta é positiva. A responsabilidade do Estado pela prática de ato lícito assenta no princípio da
isonomia, ou seja, na igualdade entre os cidadãos na repartição de encargos impostos em razão do
interesse público. Assim, quando for necessário o sacrifício de um direito em prol do interesse da
coletividade, tal sacrifícionãopodesersuportadoporumúnicosujeito,devendoserrepartidoentre toda
acoletividade.
B) A resposta é negativa. A configuração da responsabilidade objetiva requer a presença de um ato
(lícito ou ilícito), do dano e do nexo de causalidade entre o
atoeodano.Aculpaexclusivadavítimaécausadeexclusãodaresponsabilidade objetiva, uma vez que rompe o
nexo de causalidade: o dano é ocasionado por conduta da própria vítima. No caso proposto, Fulano de
Tal conduzia seu veículo emvelocidadesuperioràpermitida,distraiu-seemumacurvaedeixoudeobservar as
placas e o letreiro luminoso que indicavam a interdição dapista.
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12. XXIV Exame (Questão4)
João e Roberto foram condenados a dezesseis anos de prisão, em regime fechado, pela morte de
Flávio. Em razão disso, foram recolhidos a uma penitenciária conhecida por suas instalações
precárias. As celas estão superlotadas: atualmente, o estabelecimento possui quatro vezes mais
detentos que a capacidaderecomendada.Ascondiçõesdevidasãoinsalubres.Aalimentação, além de
ter baixo valor nutricional, é servida em vasilhas sujas. Recentemente, houve uma rebelião que,
em razão da demora na intervenção por parte do poder público, resultou na morte de João. Na
qualidade de advogado(a) consultado(a),respondaaositensaseguir:
a) O Estado pode ser responsabilizado objetivamente pela morte de João? (valor:0,65)
b) Roberto faz jus a uma indenização por danos morais em razão das pés-
simascondiçõesemqueémantido?(valor:0,60)

COMENTÁRIOS:
A) Sim. Cabe a responsabilização objetiva porque caracterizada a inobservância
dodeverdeproteçãooucustódiapeloEstadoeonexodecausalidadecomamortedeJoão,emconformidadecomod
ispostonoart.37,§6º,daCRFB/1988OUcom a tese de repercussão geral reconhecida pelo STF.
B) Sim. A situação descrita (falta de condições mínimas de habitação nos estabelecimentos penais)
revela grave violação à integridade física e moral de Roberto, do que resulta o dever de indenização por
danos, inclusive morais, conformeoart.5º,XLIX,daCRFB/1988OUtesederepercussãogeralreconhecida
pelo STF OU art. 186 do CódigoCivil.

13. XXVII Exame (Questão4)


Uma notícia divulgada pela mídia afirmava que cinco sociedades de grupos econômicos diferentes,
dentre as quais Alfa S/A e Beta S/A, atuavam em conluio, com o objetivo de fraudar licitações
promovidas por determinado ente federativo. Em razão disso, foram instauradosprocessos
administrativos com o fim de apurar responsabilidades administrativas de cada uma das
envolvidas, tanto com vistas à aplicação da penalidade definida no art. 87, inciso IV, da Lei nº
8.666/93 (declaração de inidoneidade para licitar ou contratar
comaAdministraçãoPública)quantoaatoslesivosàAdministraçãoPública.
Diante dessas circunstâncias, a sociedade empresária Alfa S/A celebrou acordo de leniência com a
autoridade competente, almejando mitigar as penalidades administrativas. O acordo resultou na
identificação das outras quatro sociedades envolvidas e na obtenção de informações e documentos
que comprovavam o esquema de prévia combinação de propostas, com a predefinição de quem
venceria a licitação pública, alternadamente, de modo
abeneficiarcadaumadassociedadesempresáriasparticipantesdoconluio.
Com o avanço das apurações, a sociedade empresária Beta S/A também se interessou em celebrar
um acordo de leniência, sob o fundamento de que dispunha de outros documentos que
ratificariam os ilícitos cometidos. Diante

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dessasituaçãohipotética,responda,fundamentadamente,aositensaseguir.
a) O acordo de leniência firmado pela sociedade empresária Alfa S/A poderia alcançar a sanção de
declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública? (valor:0,60)
b) A sociedade empresária Beta S/A poderia celebrar o acordo de leniência pretendido?
(valor:0,65)

COMENTÁRIOS:
A)Sim. A Administração Pública pode celebrar acordo de leniência com a pessoa jurídica que se admite
responsável pela prática de ilícitos previstos na Lei nº 8.666/1993, com vistas à isenção ou à atenuação
das respectivas sanções administrativas,dentreasquaisaprevistanoart.87,incisoIV,daLeinº8.666/1993, tal
como se depreende do art. 17 da Lei nº12.846/2013.
B) Não. A sociedade empresária Beta S/A não foi a primeira a se manifestar sobre
oseuinteresseemcooperarparaaapuraçãodoilícito,demodoquenãopreenche os requisitos cumulativos
elencados no art. 16, § 1º, da Lei nº12.846/2013.

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