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Com diploma, sem emprego

Fizeram faculdade, mas não atuam na área. "Desemprego intelectual" afeta


quatro em cada grupo de dez diplomados
RICARDO MENDONÇA

A crise de empregos que assola o país produz um fenômeno ainda pouco


estudado pelos acadêmicos: o chamado desemprego intelectual. O conceito, criado na
Itália, designa tanto aqueles profissionais com formação universitária que se sentam nos
bancos de praça devorando os classificados de jornal, quanto aqueles que têm formação
superior numa determinada área, mas trabalham em outra, totalmente diferente - e que
geralmente exige menor escolaridade. É o caso do engenheiro que virou comerciante, da
psicóloga que ganha a vida vendendo bombons caseiros e do arquiteto que garante que
apenas 'está' taxista.
A pedido de ÉPOCA, o economista Cláudio Dedecca, professor da Unicamp,
cruzou dados do Censo do ano 2000 para dimensionar o problema e chegou a dados
inéditos. De acordo com seu estudo, restrito ao Estado de São Paulo, 37% das pessoas
com formação superior exercem atividades profissionais que não exigem curso
universitário. Mas, como aponta a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios,
outros 3,7% da população com mais de 15 anos de estudo estão desempregados. Assim,
pode-se estimar que pelo menos quatro em cada dez pessoas que investiram tempo,
dinheiro e dedicação numa faculdade não aproveitam nada do conhecimento adquirido
no mercado de trabalho.
SUPERGRADUADA SEM EMPREGO
Ela tem mestrado, doutorado e dois idiomas, mas não acha vaga

A engenheira civil Laura Bizzo, de 32


anos, tem mestrado e doutorado em
universidade pública, fala inglês e
francês. Mesmo assim, está há dois
anos desempregada. Nesse período,
apesar de ter enviado dezenas de
currículos, tudo o que conseguiu foi
uma entrevista: a empresa queria uma
secretária bilíngüe. Como nada
conseguiu, resolveu tentar o pós-
doutorado. 'É triste. Teve consultor
que me recomendou tirar o doutorado
do currículo.'

Outro número surpreendente diz respeito à capital paulista, a maior cidade


do país. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade,
Márcio Pochmann, há em São Paulo mais desempregados entre os cidadãos com nível
superior completo que entre os analfabetos - uma proporção de 45 mil contra 24 mil.
Visto de perto, o número é um pouco menos assustador - a população de analfabetos em
São Paulo é também quase a metade dos diplomados. Mesmo assim, o número revela
uma realidade impensável alguns anos atrás. Hoje, bacharel e analfabeto têm a mesma
probabilidade de cansar as pernas na fila do seguro-desemprego.
MAIS ESCOLARIDADE, MENOS Outras evidências do
DINHEIRO fenômeno do diplomado desempregado
ou mal-empregado podem ser vistas no
Nas últimas décadas, enquanto o nível
dia-a-dia das empresas de recolocação
educacional melhorou, o país parou de
profissional. 'Programas de trainee hoje
crescer
chegam a ter 5 mil candidatos para 30
PIB Educação vagas. É estarrecedor', diz João
Taxa média de Média de pessoas que
Rodrigues Filho, vice-presidente do
crescimento da terminaram o ensino Grupo Foco, uma consultoria de RH. O
superior por ano perfil dos desempregados com diploma é
economia ao ano
variado. Vai do jovem recém-formado
1968 a
9,0% 148 mil que ainda não achou o primeiro emprego
1980
ao ex-funcionário de estatal que foi
1981 a demitido na privatização e não consegue
1,7% 232 mil
1990 achar um trabalho. A economista Vanilda
1991 a Paiva, professora da Universidade
2,9% 272 mil
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estuda
2000
a deterioração das condições de vida de
2001 1,1%** 396 mil*
médicos e professores e detectou um
* Último dado disponível fenômeno curioso em escolas e hospitais
** 2001 a 2003, com previsão de crescimento do Rio de Janeiro. 'Para complementar a
de 0,5% para 2003 renda, que caiu muito, professoras e
Fontes: IBGE e Inep médicas compram produtos domésticos
no atacado e os vendem, como camelôs, no ambiente de trabalho. Vendem também
bolo, sutiã, perfume, coisas que muitas não podem mais comprar em shopping', explica.
Parte desses sacoleiros são profissionais que trabalhavam nesses lugares e foram
demitidos recentemente.
No Brasil, o desemprego das pessoas que não têm estudo é um fenômeno
maior e mais grave. Mestres ou doutores, ainda que fiquem mofando em casa, não são
encontrados nos cruzamentos pedindo esmola. A falta de vagas para os diplomados, no
entanto, traz problemas inéditos para o país, e que de maneira alguma devem ser
desprezados. O primeiro tem a ver com o desperdício de investimento. Com enormes
restrições orçamentárias, o Brasil tem muita dificuldade para conseguir educar
adequadamente a população, o que resulta numa mão-de-obra pouco qualificada e
pouco produtiva. Dos 87 milhões de brasileiros com idade entre 20 e 59 anos, apenas
6,2% têm ensino superior completo. Logo, o país não poderia dar-se ao luxo de
subaproveitar os poucos formados que tem. É paradoxal que faltem vagas para
diplomados num país onde a escolaridade média é de apenas seis anos. Mais grave é
quando se constata que esse dispêndio em educação muitas vezes foi feito pelo próprio
Estado, no caso dos que se formaram em universidades públicas. De acordo com o
cálculo mais recente (de 1998) do Ministério da Educação, um estudante de instituição
pública no Brasil custa cerca de R$ 9.800 por ano. Em cinco anos, portanto, um
estudante consome quase R$ 50 mil do Estado. É muito investimento para ser aplicado
somente na pesquisa de anúncios classificados.
ARQUITETA-PINTORA
Formada há 21 anos, só conseguiu trabalhar dois anos na área

A arquiteta Margarida Maschietto, de 44 anos, é


formada desde 1982, mas trabalhou apenas dois
anos em sua área. Quando engravidou, deixou o
serviço, pois o salário não pagava sequer a creche.
Nunca mais conseguiu voltar. A solução foi partir
para a decoração e pequenos serviços. Atualmente
ela trabalha com pintura de tecidos, o que considera
'um exercício de criatividade', já que rende pouco.
'Ainda mando currículos, mas é tudo em vão. Estou
há muito tempo fora do mercado', diz.

#Q:Com diploma, sem emprego - continuação:#

VAGAS, SÓ PARA GANHAR POUCO Embora não haja


estatísticas sobre isso, supõe-se que,
De 1989 a 2001, em cada dez vagas criadas na maioria dos casos, o
no mercado de trabalho, sete foram para investimento em educação não foi
atividades de baixa remuneração feito pelo Estado, mas por uma
família, que bancou uma faculdade
3 para
2 para 1 para 1 para particular, crente que ela iria
serviços garantir melhores condições de vida
ambulantes limpeza segurança
domésticos a seus herdeiros. 'O que dizer a
alguém que ouviu a vida inteira que precisava estudar para ter uma carreira e agora não
consegue nem o primeiro emprego?', pergunta o consultor Francisco Ramirez, vice-
presidente da Fesa, empresa de recrutamento de executivos. Segundo ele, a quantidade
de gente qualificada que procura sua empresa nunca foi tão grande como nos últimos
dois anos. 'Na minha época, a situação era o inverso. Eu me formei em psicologia em
1972 e, oito dias após a formatura, já estava empregado no RH do Citibank, trabalhando
como selecionador de pessoal. Era um cargo importante dado a um recém-formado
numa empresa de porte, algo impossível de imaginar hoje', conta.
O aumento da dificuldade dos diplomados no mercado de trabalho se explica
por uma conjunção de fatores que mistura baixo crescimento econômico, demografia e
aumento notável do número de pessoas com nível superior, o que não é exatamente
ruim. Dos três itens, quase só se ouve falar do primeiro. Desde o fim do 'milagre
econômico', nos anos 70, a economia do país está praticamente parada. De 1968 a 1980,
o Brasil cresceu, em média, 9% ao ano. Em 1973, o Produto Interno Bruto (PIB) saltou
incríveis 14%. Com isso, havia escassez de mão-de-obra em todos os níveis. Sobravam
empregos no comércio e nas indústrias, do chão de fábrica ao escritório de engenharia.
Dos anos 80 para cá, no entanto, houve redução drástica desse ritmo. O período que vai
de 1981 a 1990 terminou batizado como 'a década perdida', e nos anos 90 a expectativa
de reversão não se concretizou - o decênio foi apelidado de 'década frustrada', com
números na faixa dos 3%. A taxa de 2003 será ainda mais medíocre, abaixo de 1%. De
acordo com os economistas, o Brasil precisaria crescer 5% ao ano para conseguir
empregar a mão-de-obra despejada anualmente no mercado.

EMPRESÁRIO FORÇADO
Para não ser pego de surpresa, pediu a conta e abriu um negócio

O economista e engenheiro Sokan


Young, de 51 anos, encontrou na
agência de turismo da família a
saída para a falta de emprego.
Formado pela Universidade de São
Paulo, ele chegou a fazer até
mestrado. Mas a sólida formação
não foi suficiente para Sokan
resistir à crise dos anos 90. Depois
de 15 anos na Mercedes-Benz,
entrou no programa de demissão
voluntária quando a empresa
ameaçou sair do país, em 1989, e
nunca mais exerceu a engenharia.
'Toda a minha qualificação, paga
pela sociedade, foi perdida', diz.
A falta de crescimento econômico provoca desemprego duradouro e arrocho
salarial entre os que têm menos estudo, problemas gravíssimos que potencializam a
pobreza. Para os que estudaram, o drama é a falta de vagas compatíveis com o
conhecimento adquirido - o que também se traduz em remunerações menores. Numa
apresentação recente feita para a Comissão de Políticas Públicas para a Juventude da
Câmara dos Deputados, Pochmann mostrou que de 1989 a 2001 foram criados 19,5
milhões de vagas no mercado de trabalho brasileiro e cortados outros 7,7 milhões. Por si
só, o saldo de 11,8 milhões já ficou muito abaixo da 'demanda' de 17,7 milhões de
pessoas que entraram no mercado nesse mesmo período. Há, porém, um segundo
problema. Das vagas criadas, sete em cada dez foram para ocupações de baixíssima
remuneração, como empregada doméstica, camelô e segurança de boate.
Outro fator que dificulta a conquista de um
Na cidade de São Paulo há 45 mil
desempregados com diploma na mão. A emprego é o demográfico. Os jovens que hoje saem da
situação é pior que entre os analfabetos faculdade são a última leva de um tempo em que a
- são 24 mil procurando emprego
população crescia 3% ao ano, índice bem superior ao
atual. Com isso, a concorrência entre pessoas da mesma
idade é enorme. Nos anos 70, quando a economia do país crescia bem, a taxa alta de
fecundidade ajudava, pois garantia mão-de-obra para sustentar o crescimento. Quando o
país parou de crescer, o aumento populacional virou um problema. Como a população
brasileira agora cresce 1,5% ao ano, os filhos dos jovens desempregados de hoje
provavelmente não terão tantos problemas para se empregar. Calcula-se que o mercado
deixará de sofrer com a pressão demográfica entre 2005 e 2010.
A terceira causa do aumento da dificuldade dos diplomados é a melhoria da
escolaridade do brasileiro nos últimos anos. Esse dado, em tese, seria positivo. Mas,
quando o país não cresce, ele potencializa o desemprego intelectual. De acordo com o
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do fim dos anos 70 até a
metade dos anos 90 o número de diplomados no Brasil cresceu de 200 mil por ano para
250 mil, ou seja, 25% em duas décadas. A partir de 1995, porém, o ritmo ficou muito
mais acelerado. Em 2001, o total de formandos saltou para 396 mil, um aumento de
quase 60% em meia década. 'Nos últimos anos, o diploma se desvalorizou no mundo
inteiro. No Brasil, sem crescimento econômico, mas com a explosão da oferta de
bacharéis, a desvalorização foi ainda maior', diz o economista Cláudio Salm, ex-
professor da UFRJ. 'Isso não quer dizer que não vale a pena fazer faculdade. Como a
desigualdade dos salários no Brasil é enorme, o diploma ainda é um diferencial',
completa.
O economista Dedecca identifica nisso mais um prejuízo para o país: a
incapacidade de obter ganhos de produtividade mesmo com uma mão-de-obra mais
qualificada. Segundo ele, quando há estagnação econômica, o aproveitamento da boa
qualificação das pessoas é nulo. 'As pessoas estudam mais, a escolaridade melhora, mas,
como a economia não cresce, as empresas não conseguem aproveitar essa melhoria da
qualificação.'
Embora possuir um diploma universitário hoje não tenha o mesmo
significado do passado, não há por que acreditar que não valha a pena estudar. Mesmo
para o país, que hoje desperdiça talentos, é muito melhor ter uma mão-de-obra
disponível qualificada do que despreparada. Até porque, quando o Brasil voltar a
crescer, a tendência é que as empresas passem a procurar os diplomados. Que isso sirva
ao menos de consolo.
PSICOTERAPEUTA-ARTESÃ
Saiu da profissão por causa da gravidez e nunca mais voltou

A gaúcha Laíse Schreinert, de 45 anos, é uma psicóloga


que virou artesã. Formada pela Pontifícia Universidade
Católica, chegou a trabalhar 14 anos como terapeuta, mas
hoje cuida de uma loja de artesanato, ofício descoberto
quando passou por uma gravidez de risco. 'Parei de cuidar
da cabeça para trabalhar com as mãos. No começo, tinha
vergonha de me apresentar como artesã. Mas as
encomendas cresceram e voltar para a terapia seria difícil.
Precisei ter coragem', conta.

02/10/2003 - 13:44 | Edição nº 281

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG60344-6012-281,00-
COM+DIPLOMA+SEM+EMPREGO.html

* Renata Dias
Um estudo recentemente divulgado pela Secretaria do Desenvolvimento,
Trabalho e Solidariedade confirmou o que muitos especialistas vinham dizendo.
Diploma não garante emprego. De acordo com a pesquisa, um em cada quatro
brasileiros que se formaram no ensino superior de 1992 a 2002 não está empregado.
Para chegar a essa conclusão, o secretário municipal do Trabalho de São Paulo, Marcio
Pochmann, estudou, a partir da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do
IBGE, a situação dos 3,3 milhões de brasileiros que se formaram no ensino superior de
1992 a 2002. Desse total, 2,5 milhões estão empregados (74%), mas 123 mil (4%)
estavam procurando emprego em 2002, e 738 mil (22%) estavam fora do mercado de
trabalho (não tinham procurado emprego no período da pesquisa, mas não estavam
ocupados).
Outra tabulação feita no estudo mostra que uma parcela significativa dos
brasileiros com diploma trabalha em atividades abaixo de sua qualificação (8% dos
ocupados com nível superior). São pessoas que, apesar do diploma, acabaram
empregadas como açougueiros e empregadores na indústria alimentícia (19,1%);
droguistas, floristas, galinheiros, lenheiros, peixeiros e sorveteiros (17,8%); ou
atendentes (12,6%).
Por que o Brasil está enfrentando esta situação? O problema é ter um
diploma? Não, esta resposta não faz sentido. O mais sensato seria dizer que o
crescimento da economia nesse período não foi suficiente para gerar emprego para os
milhares de recém-formados que chegaram ao mercado. Paula Coutinho, consultora do
Grupo Catho, afirma que as empresas preferem manter o quadro funcional reduzido,
abrindo vagas para contratações somente quando necessário. “Esse comportamento
eleva o estoque de desocupados na faixa etária mais nova. Muitas vezes, o recém-
formado não possui a experiência desejada pelo mercado de trabalho, e sem experiência
vence somente quem tem excelentes argumentos de negociação”.
O que fazer então? Aguardar uma reforma governamental espetacular que
culmine na absorção de toda a mão-de-obra graduada? Levaria muito tempo e talvez
não trouxesse um resultado completamente satisfatório. Patrícia de Mônica, também
consultora do Grupo Catho, responde à questão: “o mercado de trabalho está cada vez
mais exigente em todos os aspectos e, por isso, quem realmente deseja ter um emprego,
deverá se preparar desde o início da faculdade. Além disso, deve conhecer outros
idiomas como o inglês e o espanhol e ter conhecimentos em informática. É
imprescindível participar de atividades como: Projetos de Pesquisas, Iniciação
Científica, Atividades de Monitorias, Estágios, Grupos de Estudos, Trabalhos
Voluntários, Participação em Empresa Júnior, Participação em Grêmio Estudantil ou
Centro Acadêmico. As experiências obtidas no exterior também contam pontos a favor
do candidato”. Ela também dá dicas aos que já têm o diploma: “para quem já concluiu a
graduação, é fundamental continuar desenvolvendo algum tipo de atividade para
manter-se atualizado e desta forma ter melhores condições de concorrer por uma
oportunidade no mercado de trabalho. Toda e qualquer atividade deverá ser encarada
como uma oportunidade de crescimento e amadurecimento profissional, principalmente
para quem está no início da carreira”, alerta.
É como encara o recém-formado Luiz Gustavo. Trabalhando há quase quatro
anos na área de formação – Publicidade & Propaganda – ele afirma que a melhor forma
de ser bem-sucedido profissionalmente é se reciclar constantemente e adquirir o
máximo de experiência possível durante a graduação. “A concorrência é contínua.
Desde a universidade, já existe a disputa por uma vaga de estágio. Acredito que esse
alto número de profissionais com ensino superior desempregados pode ser explicado,
em parte, pela falta de consciência dos estudantes em aproveitar o tempo da graduação
para adquirir experiência na área, fazendo um estágio por exemplo”.
Luciana Vinhas, graduada na mesma área de Luiz Gustavo, não fez estágio.
“Geralmente, não eram remunerados e como eu ajudava meu pai a pagar as
mensalidades da faculdade, não poderia encarar um estágio nessas condições”, explica.
Atualmente, ela trabalha como assistente administrativo na área de Patrimônio e
Engenharia, ou seja, fora da sua área de especialização. “Está muito difícil. Ninguém dá
oportunidade para formados sem experiência comprovada. O que acontece, na maioria
das vezes, é a tal da indicação”. Apesar de não utilizar os conhecimentos ensinados na
universidade, ela acredita que o diploma é um fator eliminatório na hora da entrevista de
emprego. “Ele não é garantia nenhuma de emprego, muito menos na área de formação.
Mas, sem ele, é praticamente impossível conseguir, hoje em dia, qualquer vaga”.
A consultora Paula Coutinho acredita que o mais adequado é unir as duas
qualificações: o diploma e a experiência. “Se você possui somente experiência
profissional poderá ser considerado como um profissional sem bagagem teórica e
contará com uma menor empregabilidade. É importante lembrar que o mercado de
trabalho não disponibiliza lugar para quem não se recicla. Procure entender com clareza
qual o conhecimento que você está precisando adquirir ou atualizar”. Por outro lado, a
experiência também é levada muito em consideração na hora da contratação. “Muitos
estudantes disponibilizam às empresas somente diplomas e acabam sendo conhecidos
como o Estudante Profissional, ou seja, um sujeito com anos de faculdade e vasta
formação acadêmica, mas que em matéria de experiência profissional deixa a desejar”.
Luzia Arcúrio, que trabalha em uma empresa de importação e exportação,
não concluiu o nível superior e sua carreira tem tido um bom desenvolvimento
profissional. “Em breve, irei assumir a gerência da organização. Mesmo já tendo
conquistado um espaço no mercado, vou voltar a estudar. No próximo ano, começarei o
curso de Administração de Empresas, pois é a área que trabalho atualmente”. Para ela, o
desemprego entre os graduados está grande por falta de conhecimentos gerais e por falta
de iniciativa. “Ter só o certificado de conclusão de curso, não é suficiente.
Embora o mercado exija tal formação, o crescimento de uma pessoa em uma
empresa não depende do diploma, e sim do conhecimento do todo da empresa em que
trabalha, de ter iniciativa e bom relacionamento. Esta é a minha experiência”, conta.
Patrícia de Mônica encoraja os que ainda não ingressaram na universidade: “por mais
que as estatísticas divulgadas pela pesquisa realizada não sejam tão favoráveis para
quem já concluiu um curso de graduação, sugiro aos estudantes que ainda não possuem
o nível superior que se esforcem ao máximo para cursá-lo, e se realmente não for
possível, é interessante pelo menos iniciar um curso técnico de preferência relacionado
à área que se pretende seguir na graduação. Afinal, estamos na era do conhecimento, e
quem o detém de alguma forma terá mais condições de ter sucesso profissional”.
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