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GRAMÁTICA

Emprego e Sentido das


Classes Gramaticais – Parte II

SISTEMA DE ENSINO

Livro Eletrônico
GRAMÁTICA
Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
Bruno Pilastre

Emprego E Sentido das Classes Gramaticais – Parte II....................................................3


1. Introdução...................................................................................................................3
1.1. Verbo.........................................................................................................................3
1.2. Advérbio................................................................................................................. 21
1.3. Palavras e Locuções Denotativas (Expletivas)........................................................25
1.4. Interjeição.............................................................................................................. 28
1.5. Classes Conectoras: Conjunções e Preposições.. .....................................................29
1.6. Conjunção.............................................................................................................. 30
1.7. Preposição..............................................................................................................33
Resumo.........................................................................................................................39
Mapas Mentais............................................................................................................. 40
Glossário.......................................................................................................................45
Questões de Concurso - Lista I......................................................................................49
Gabarito...................................................................................................................... 102
Gabarito Comentado. ................................................................................................... 103
Questões de Concurso - Lista II................................................................................... 168
Gabarito..................................................................................................................... 202
Gabarito Comentado. .................................................................................................. 203
Referências................................................................................................................ 249

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
Bruno Pilastre

EMPREGO E SENTIDO DAS CLASSES


GRAMATICAIS – PARTE II
1. Introdução

Olá! Como estamos? Espero que bem.


Nesta aula, você vai conhecer as propriedades morfossintáticas das seguintes classes:
verbos, advérbios, interjeições, conjunções e preposições. É uma aula extremamente impor-
tante, principalmente quando falarmos, na sequência do curso, sobre o período simples e o
período composto. Acompanhe as definições, os exemplos e faça os exercícios, certo? O nos-
so caminho é longo, mas a colheita será frutífera (sua aprovação!).
Como estamos fazendo desde a aula 3 (três), as classes dos verbos, dos advérbios, das
conjunções e das preposições serão trabalhadas de modo a contemplar as propriedades
morfológicas, sintáticas e semânticas. Por isso, informo que nesta aula adiantarei algumas
noções do conteúdo de sintaxe.
Então vamos lá! Boa aula para nós!

1.1. Verbo

Semanticamente, os verbos veiculam as noções de evento, processo ou estado. Sintati-


camente, constituem núcleo de predicado verbal (relacionado ao fenômeno da predicação).
A Linguística moderna, principalmente na corrente formalista, divide duas grandes clas-
ses de verbos: os nocionais e os funcionais (relacionais). Observe os dois predicados a seguir.
Depois, responda à pergunta: qual é o conteúdo (informação) que está sendo atribuído(a) ao
sujeito de (a) e de (b)?

a) José escorregou.
b) José é inteligente.

Em (a), é possível perceber que houve um evento, e o participante desse evento é “José”.
O evento é veiculado pela forma verbal “escorregar”, a qual possui marcas de modo-tempo e

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número-pessoa. Tudo bem até aqui? O que eu estou querendo dizer é o seguinte: o conteúdo
atribuído a “José” está registrado em uma forma verbal – e essa forma verbal também possui
marcas de modo-tempo e número-pessoa.
Agora vamos observar o predicado em (b). Nele, é possível identificar uma qualidade (ser
inteligente), a qual é atribuída a alguém (o sujeito “José”). A palavra que veicula informação
sobre “José”, portanto, não é um verbo: trata-se de um adjetivo. Ora, mas entre esse adjetivo
e o sujeito há uma forma flexionada em modo-tempo e número-pessoa (José é inteligente).
Essa forma que está entre o sujeito “José” e o adjetivo “inteligente” possui a função de unir
[sujeito] + [predicado adjetival], e por isso é denominada funcional. Em outras palavras, pode-
mos dizer que o verbo “ser” em “José é inteligente” liga, conecta um sujeito a um predicado.
Na tradição gramatical, verbos como “ser”, “estar”, “ficar”, “permanecer”, “continuar”, “tornar-se”
e “andar” são denominados verbos de ligação ou verbos copulativos.
Há, então, dois grandes grupos de verbos, cujas propriedades estão sintetizadas
neste quadro:

VERBOS NOCIONAIS VERBOS FUNCIONAIS


São formas verbais que possuem conteúdo São formas verbais com pouco conteúdo semântico. A pre-
semântico referente a eventos (ações, proces- sença de conteúdo semântico existe, como veremos, no
sos) ou estados. âmbito da noção de aspecto.
Na predicação, não é o verbo que veicula informações (conte-
Na predicação, é o verbo que veicula informa-
údo) sobre o sujeito. Na verdade, a informação sobre o sujeito
ções (conteúdo) sobre o sujeito.
é veiculada por adjetivos, substantivos ou preposições.
Esses verbos são chamados nocionais justa-
São chamados verbos funcionais por exercerem a função
mente por trazerem em si noções semânticas
de unir o sujeito a um predicado. Esses verbos também são
mais complexas, como eventos, processos,
chamados de relacionais ou copulativos.
estados etc.
São exemplos de verbos nocionais:
São exemplos de verbos funcionais:
escorregar, comer, beber, falar, falir, dormir,
ser, estar, ficar, permanecer, continuar, tornar-se, andar
cozinhar

Guarde bem as características desses dois grupos de verbos, certo? Isso vai nos ajudar a
compreender, por exemplo, a diferença entre predicados verbais, nominais e verbo-nominais
(lá na aula de sintaxe).
Bom, agora que trabalhamos os dois grandes grupos de verbos (e as diferenças entre
eles), vamos analisar o que há de comum a todos os verbos. Como estou conduzindo as nossas

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aulas com objetividade, aproveitando e potencializando o seu tempo de estudo, vou me con-
centrar nas propriedades FUNDAMENTAIS dos verbos.
Ao ler a oração a seguir, você é capaz de identificar as propriedades morfológicas do ver-
bo? Vamos ver:

a) Eu estudo o conteúdo de crase com muita atenção.

Como classificar a flexão desse verbo? Bom, a resposta é a seguinte: ele está conjugado
na primeira pessoa do singular do presente do indicativo (estudo). O problema é: sabemos
exatamente o que significa cada um desses termos? O que é “primeira pessoa do singular”?
O que é “presente”? E “indicativo”? Bom, chegou a hora de estudar cada uma dessas noções,
pois somente assim reconheceremos o verdadeiro significado dessa classificação.
Primeiramente, o verbo da frase em (a), acima, está relacionado a um sujeito (Eu). O su-
jeito, nesse caso, indica a primeira pessoa do discurso (ou seja, aquela que fala, que enuncia
a proposição). Lembrando o conteúdo da aula anterior (a parte sobre pronomes), vimos que
há três pessoas do discurso:
• Primeira pessoa: quem fala;
• Segunda pessoa: com quem se fala;
• Terceira pessoa: de quem se fala.

Quando em função de sujeito (Caso reto), essas três pessoas do discurso são representa-
das pelas formas a seguir (singular):

EU - primeira pessoa (do singular)


TU - segunda pessoa (do singular)
ELE/ELA - terceira pessoa (do singular)

Quando indicam pluralidade, temos os seguintes pronomes pessoais retos (plural):

NÓS - primeira pessoa (do plural)


VÓS - segunda pessoa (do plural)
ELES/ELAS - terceira pessoa (do plural)

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Na pluralidade, a forma nós representa dois ou mais indivíduos que enunciam a proposi-
ção; a forma vós representa dois ou mais indivíduos com quem se fala; a forma eles/elas, por
fim, representa dois ou mais indivíduos de que(m) se fala.
Com isso, sabemos agora quais são as pessoas do verbo:

SINGULAR
Primeira pessoa do singular = Eu canto
Segunda pessoa do singular = Tu cantas
Terceira pessoa do singular = Ele canta
PLURAL
Primeira pessoa do plural = Nós cantamos
Segunda pessoa do plural = Vós cantais
Terceira pessoa do plural = Eles/elas cantam

Você já sabe, intuitivamente, que a forma do verbo se adapta ao tipo de sujeito com o qual
se relaciona. Assim, em português conseguimos dizer que a oração a seguir, mesmo sem a
realização concreta de um pronome (ou seja, sem ele estar presente na fala/escrita), possui
um sujeito de primeira pessoa do plural:

a) Chegamos tarde naquele dia.

Essa “adaptação” do verbo em relação à pessoa do discurso à qual se vincula (singular


ou plural) se chama concordância (verbal). Dito de outra forma: a concordância entre o verbo
e seu sujeito ocorre em relação às propriedades de pessoa do discurso (primeira, segunda e
terceira) e número (singular ou plural).

Eu cheguei cedo.
Nós chegamos cedo.

Sujeito: indica as propriedades de pessoa do Verbo: manifesta, morfologicamente, as propriedades


discurso e de número. do sujeito (de pessoa do discurso e de número).

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É por isso que dizemos “o verbo concorda em pessoa e número com o seu sujeito”. Ficou
mais claro agora? Sei que pareci repetitivo, mas isso é tão, mas tão importante que vale a
pena ficar batendo na mesma tecla.
Vamos seguir, então.
Bom, é necessário destacar o seguinte: o verbo manifesta as propriedades de pessoa e
número de seu sujeito. Por isso, essas informações estão acessíveis na cadeia discursiva do
texto. Mas o que isso quer dizer, professor? Basicamente, o seguinte: é possível identificar o
sujeito de um verbo ao longo do texto. Imagine o seguinte trecho de um texto:

Ministro Paulo Guedes reafirma que recuperação será em V, mas diz que “pode ser um V meio torto”.

Observe o primeiro verbo: “reafirma”. Quem é o sujeito desse verbo? Sim: “Ministro Paulo
Guedes”. Em seguida, observemos a forma verbal “diz”. Quem é que “diz”? A resposta pode
ser encontrada quando retornamos à primeira parte do texto: o sujeito de “diz” é o mesmo de
“reafirma” (isto é: Ministro Paulo Guedes). No primeiro caso, o do verbo “reafirma”, o sujeito
está manifesto; no segundo caso, o do verbo “diz”, o sujeito não está manifesto, mas pode ser
retomado na cadeia textual (ao longo do texto). Esse raciocínio ficou claro? Espero que sim,
porque ele será retomado e aprofundado na aula sobre os tipos de sujeito da oração.
Terminamos dois tópicos sobre a classe dos verbos. Primeiramente, vimos que há dois
grandes grupos de verbos: os nocionais e os funcionais (relacionais). Depois, vimos que um
verbo veicula duas informações sobre o seu sujeito: a pessoa do discurso (primeira, segunda
ou terceira) e número (singular e plural).
Seria bom você fazer uma pequena pausa para assimilar esse conteúdo, certo? Como
ainda vamos continuar com a classe dos verbos por algum tempo, é bom estar atento(a)
e focado(a).
Podemos continuar? Então vamos abordar os modos e os tempos verbais.
Para compreender essas duas propriedades expressas pelos verbos, temos que diferen-
ciar o falante e o participante do evento verbal.
O falante é o enunciador da proposição. É ele o responsável por transmitir um evento/
processo/estado que ocorreu/está ocorrendo/ocorrerá.

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O participante do evento verbal é aquele que está diretamente envolvido em algo denota-
do pelo evento/processo/estado. Vou ilustrar essa diferença com as frases a seguir.

a) Eu comprei o novo dicionário Aurélio.


b) O José comprou a edição de domingo da Folha de São Paulo.

Em (a), o falante e o participante do evento verbal são a mesma pessoa. Ou seja, ao mes-
mo tempo que o “eu” enuncia a proposição (isto é, transmite o evento que ocorreu), esse “eu”
é o participante que está diretamente envolvido com o evento de “comprar”.
Em (b), diferentemente, o falante (= quem enuncia a proposição) não é o mesmo indivíduo
que participa (= está diretamente envolvido) do evento denotado. Percebeu que são duas coi-
sas diferentes? Por um lado, temos o falante; de outro, temos o participante do evento verbal.
Os modos verbais estão relacionados às maneiras que o falante se posiciona diante da
relação entre o evento verbal e o sujeito desse evento.

Há três modos verbais:

MODO CARACTERIZAÇÃO EXEMPLO


Os fatos verbais relatados pelo falante são certos,
INDICATIVO Ele cantou uma bela canção.
reais, verídicos (ou são tidos como tais).
Os fatos verbais relatados pelo falante são incer-
SUBJUNTIVO Talvez ele cante uma bela canção.
tos, irreais, hipotéticos.
Há uma exigência (ordem, mando), exortação,
IMPERATIVO orientação ou pedido de súplica do falante em rela- Cantai uma bela canção.
ção à necessidade de o sujeito realizar o evento.

Os verbos também possuem a capacidade de indicar o tempo em que o evento/proces-

so/estado ocorre. Para saber os tempos verbais, é preciso estabelecer um referencial. Como

eu posso definir passado, presente e futuro se eu não tiver algo a que comparar? Por isso, é

preciso deixar claro que os tempos básicos indicados pelos verbos têm como referência o

momento da fala (isto é, o referencial é o momento em que o falante enuncia a proposição).

MOMENTO DA FALA
PASSADO PRESENTE FUTURO

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Aqui, vemos uma linha temporal. Na parte superior, há o momento da fala (realizada pelo
falante); abaixo, há os tempos passado, presente e futuro.
O presente é caracterizado por fazer referência a fatos que ocorrem simultaneamente ao
momento da fala (por exemplo: “Você lê esta aula agora”).
O futuro é caracterizado por fazer referência a fatos que ainda não ocorreram – e que, tem-
poralmente, acontecem após o momento da fala (por exemplo: “Você lerá a aula 5 amanhã”).
O passado (também chamado de pretérito) é caracterizado por fazer referência a fatos
que ocorreram anteriormente ao momento da fala (“Você leu a aula 3 ontem à noite”).
Há subdivisões no tempo verbal futuro e no tempo verbal passado. Nessas subdivisões,
um novo referencial – além do momento da fala – é introduzido: um outro evento (passado).
Agora eu preciso de sua atenção total, certo? Vou começar reproduzindo a mesma linha
temporal acima (a qual ilustra os tempos com UM (1) referencial: o momento da fala).

MOMENTO DA FALA
PASSADO PRESENTE FUTURO

Agora vou adicionar outro referencial, o evento X (que ocorre no passado):

MOMENTO DA FALA
PASSADO PRESENTE FUTURO
EVENTO X

Percebeu que houve a adição de um novo referencial? Há, então, a referência MOMENTO
DA FALA e a referência EVENTO X (X significa “um evento qualquer”).
Então ok. Vamos agora falar sobre as subdivisões do tempo futuro e do tempo passado.
Para isso, vejamos as frases a seguir:

a) O Rafael falou que não chegaria a tempo.


b) Quando o juiz apitou, a bola já entrara.

Vamos pensar sobre a frase em (a). Você consegue perceber que há dois eventos, certo?
Um evento de “falar” e outro e vento de “chegar”. Esses dois eventos ocorreram antes do mo-
mento da fala. Mas como esses dois eventos (“falar” e “chegar”) se organizam em relação a
esse passado do momento da fala? Vejamos:

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MOMENTO DA FALA
PASSADO PRESENTE FUTURO
EVENTO FALAR > EVENTO CHEGAR

No esquema acima, estou ilustrando a ideia de que o evento de “falar” é anterior ao evento
de “chegar”. É exatamente essa a interpretação de “O Rafael falou que não chegaria a tempo”.
Tanto “falar” quanto “chegar” ocorrem antes (no passado) do momento da fala. Ao tempo da
forma “chegaria”, damos o nome de futuro do pretérito (futuro do do passado), já que “chegar”
é um evento que ocorre no futuro de um evento no passado (“falar”).
Agora vamos falar da frase em (b): “Quando o juiz apitou, a bola já entrara”. Sabemos com
clareza que os eventos “apitar” e “entrar” ocorreram anteriormente ao momento da fala. O
desafio agora é identificar como esses dois eventos se organizam nesse passado. Olha como
fica no esquema:

MOMENTO DA FALA
PASSADO PRESENTE FUTURO
EVENTO ENTRAR > EVENTO APITAR

Acho que agora ficou mais fácil compreender, certo? O esquema acima traduz a ideia de
que o evento “bola entrar” ocorreu antes do evento “o juiz apitar. Ao tempo da forma “entrara”
damos o nome de pretérito mais-que-perfeito (que é um passado do passado).
Resumindo: em relação ao momento da fala, temos o presente, o passado (pretérito) e
o futuro. Quando inserimos outro referencial (um evento X), temos o futuro do pretérito e o
pretérito mais-que-perfeito.
Quando falamos de tempo verbal, é possível também “medir” esse tempo quanto à sua
duração, sua conclusão ou não etc. Essa “medição” temporal é chamada de aspecto. Na des-
crição da tradição gramatical, dois aspectos são considerados:
• PERFEITO: o evento/processo/estado verbal é tido como concluído, como acabado (“O
Jonas falou bem desse filme”);
• IMPERFEITO: o evento/processo/estado verbal é tido como não concluído, como inaca-
bado (“O Jonas falava bem desse filme quando de repente se calou”).

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Finalizamos a descrição das propriedades morfológicas dos verbos em português (além


da noção de aspecto). Vamos retomar, brevemente, como os morfemas verbais estão dispos-
tos (aula 2 de nosso curso):

cant- -á -sse -mos


desinência de desinência de
raiz vogal temática
modo-tempo número-pessoa
significado modo: subjuntivo número: plural
1ª conjugação
do verbo tempo: pretérito imperfeito pessoa: primeira

Agora você sabe o que significa cada uma das categorias gramaticais relacionadas ao
verbo: modo, tempo, número, pessoa. Nos quadros a seguir, apresento cada um dos paradig-
mas verbais de primeira, segunda e terceira conjugação. Não é preciso decorar, mas é impor-
tante ler cada uma das conjugações. Como exercício, tente criar (mentalmente) uma frase
com cada forma flexionada.

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Tabela de Conjugação e as Desinências Verbais (SCHWINDT, 2014)


FALAR BEBER FERIR
PRESENTE DO INDICATIVO
fal ∅ ∅ o beb ∅ ∅ o fir ∅ ∅ o
fal a ∅ s beb e ∅ s fer e ∅ s
fal a ∅ ∅ beb e ∅ ∅ fer e ∅ ∅
fal a ∅ mos beb e ∅ mos fer i ∅ mos
fal a ∅ is beb e ∅ is fer i ∅ is
fal a ∅ m beb e ∅ m fer e ∅ m

FALAR BEBER FERIR


PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO
fal e ∅ i beb i ∅ i fer i ∅ i
fal a ∅ ste beb e ∅ ste fer i ∅ ste
fal o ∅ u beb e ∅ u fer i ∅ u
fal a ∅ mos beb e ∅ mos fer i ∅ mos
fal a ∅ stes beb e ∅ stes fer i ∅ stes
fal a ra m beb e ra m fer i ra m

FALAR BEBER FERIR


PRETÉRITO IMPERFEITO DO INDICATIVO
fal a va ∅ beb i ia ∅ fer i ia ∅
fal a va s beb i ia s fer i ia s
fal a va ∅ beb i ia ∅ fer i ia ∅
fal á va mos beb í ia mos fer í ia mos
fal á ve is beb í ie is fer í ie is
fal a va m beb i ia m fer i ia m

FALAR BEBER FERIR


PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO DO INDICATIVO
fal a ra ∅ beb e ra ∅ fer i ra ∅
fal a ra s beb e ra s fer i ra s
fal a ra ∅ beb e ra ∅ fer i ra ∅
fal á ra mos beb ê ra mos fer í ra mos
fal á re is beb ê re is fer í re is
fal a ra m beb e ra m fer i ra m

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FALAR BEBER FERIR


FUTURO DO PRESENTE DO INDICATIVO
fal a re i beb e re i fer i re i
fal a rá s beb e rá s fer i rá s
fal a rá ∅ beb e rá ∅ fer i rá ∅
fal a re mos beb e re mos fer i re mos
fal a re is beb e re is fer i re is
fal a rã o beb e rã o fer i rã o

FALAR BEBER FERIR


FUTURO DO PRETÉRITO DO INDICATIVO
fal a ria ∅ beb e ria ∅ fer i ria ∅
fal a ria s beb e ria s fer i ria s
fal a ria ∅ beb e ria ∅ fer i ria ∅
fal a ría mos beb e ría mos fer i ría mos
fal a ríe is beb e ríe is fer i ríe is
fal a ria m beb e ria m fer i ria m

FALAR BEBER FERIR


PRESENTE DO SUBJUNTIVO
fal ∅ e ∅ beb ∅ a ∅ fir ∅ a ∅
fal ∅ e s beb ∅ a s fir ∅ a s
fal ∅ e ∅ beb ∅ a ∅ fir ∅ a ∅
fal ∅ e mos beb ∅ a mos fir ∅ a mos
fal ∅ e is beb ∅ a is fir ∅ a is
fal ∅ e m beb a m fir ∅ a m

FALAR BEBER FERIR


PRETÉRITO IMPERFEITO DO SUBJUNTIVO
fal a sse ∅ beb e sse ∅ fer i sse ∅
fal a sse s beb e sse s fer i sse s
fal a sse ∅ beb e sse ∅ fer i sse ∅
fal á sse mos beb ê sse mos fer í sse mos
fal á se is beb ê sse is fer í sse is
fal a sse m beb e sse m fer i sse m

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FALAR BEBER FERIR


FUTURO DO SUBJUNTIVO
fal a r ∅ beb e r ∅ fer i r ∅
fal a re s beb e re s fer i re s
fal a r ∅ beb e r ∅ fer i r ∅
fal a r mos beb e r mos fer i r mos
fal a r des beb e r des fer i r des
fal a re m beb e re m fer i re m

FALAR BEBER FERIR


IMPERATIVO AFIRMATIVO
- - -
fal a ∅ ∅ beb e ∅ ∅ fer e ∅ ∅
fal ∅ e ∅ beb ∅ a ∅ fir ∅ a ∅
fal ∅ e mos beb ∅ a mos fir ∅ a mos
fal a ∅ i beb e ∅ i fer i ∅ i
fal ∅ e m beb ∅ a m fir ∅ a m

FALAR BEBER FERIR


IMPERATIVO NEGATIVO
- - -
fal ∅ e s beb ∅ a s fir ∅ a s
fal ∅ e ∅ beb ∅ a ∅ fir ∅ a ∅
fal ∅ e mos beb ∅ a mos fir ∅ a is
fal ∅ e is beb ∅ a is fir ∅ a is
fal ∅ e m beb ∅ a m fir ∅ a m

 Obs.: o símbolo ∅ indica um morfema zero (ou seja, a ausência de uma forma fonológica
que produz significado). Sons semelhantes sofrem junção (crase).

Vamos agora estudar:


• (i) as locuções verbais (perífrases verbais);
• (ii) as formas nominais do verbo; e
• (iii) as vozes do verbo (ativa e passiva).

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
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Professor, por que você colocou esses três tópicos em um único bloco?

É simples: esses assuntos estão intimamente relacionados.


As locuções verbais da voz ativa são formadas pela soma AUXILIAR + FORMA NOMINAL
(usadas nos tempos compostos). A voz passiva, por sua vez, é formada pela soma AUXILIAR
+ PARTICÍPIO (uma forma nominal). O que há de comum entre locução verbal e voz passiva,
então, é a presença de um verbo auxiliar e de uma forma nominal. Como sempre estamos fa-
zendo, vamos detalhar cada uma dessas noções, certo? Começamos pelas formas nominais.
São três as formas nominais do verbo: o infinitivo, o particípio e o gerúndio. Ao lado de
suas propriedades verbais (denotar evento, selecionar outros termos etc.), as formas nomi-
nais podem desempenhar função de nomes. As propriedades de cada forma nominal (com
exemplos) estão apresentadas nas tabelas a seguir:

FORMA NOMINAL PROPRIEDADE SEMÂNTICA PROPRIEDADE SINTÁTICA

Forma verbal neutra em relação às categorias gra- Tipicamente, exerce função de


INFINITIVO
maticais de tempo, modo, número e pessoa. substantivo.

PARTICÍPIO Denota aspecto concluso. Exerce função de adjetivo.


Exerce função de advérbio ou
GERÚNDIO Denota processos durativos, prolongados.
adjetivo.

A exemplificação de cada uma das formas nominais está colocada nesta tabela:

INFINITIVO recordar é viver


PARTICÍPIO homem sabido
GERÚNDIO amanhecendo, sairemos; água fervendo

Assim, para reconhecer uma forma nominal, é válido observar a terminação da palavra
(propriedade morfológica):

-r para o infinitivo (cantar);


-do (-to) para o particípio (cantado);
-ndo para o gerúndio (cantando).

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Como eu disse, as locuções verbais são formadas pela soma AUXILIAR + FORMA NOMI-

NAL DO VERBO. O verbo na forma nominal é denominado principal. O verbo auxiliar traz ma-
tizes semânticos bem específicos ao verbo principal.
Uma propriedade extremamente importante (muito mesmo) é o fato de que a forma parti-
cipial em locuções verbais NÃO SOFRE FLEXÃO DE GÊNERO E NÚMERO! Assim, temos:

a) A menina havia comprado um patins.


b) Os meninos haviam comprado muitos doces.

A forma participial mantém-se a mesma: “comprado” (masculino singular), independen-


temente de o sujeito estar no singular feminino (em (a)) ou no masculino plural (em (b)). Nas
locuções verbais, APENAS O VERBO AUXILIAR SOFRE MUDANÇAS DE MODO-TEMPO E NÚ-
MERO-PESSOA.
Outra característica das locuções verbais é a possibilidade de serem permutadas (substi-
tuídas) por formas verbais únicas. Veja os exemplos:

(i) Ele havia comprado = Ele comprara.


(ii) Nós haveremos de fazer = Nós faremos.

Isso nos ajuda a compreender o porquê de, na identificação de orações no período, as


locuções serem analisadas como formadoras de um único grupo verbal.
Vamos agora trabalhar as vozes do verbo.
São duas as vozes básicas do verbo: ativa e passiva. Na voz ativa, o agente da ação ocupa
a posição de sujeito sintático. Na voz passiva, o paciente (objeto) da ação ocupa a posição de
sujeito sintático.

a) O poeta escreveu a carta.


b) A carta foi escrita pelo poeta.

Duas propriedades morfossintáticas caracterizam a passiva analítica. Primeiramente, o


verbo flexionado “escreveu” passa a ocorrer sob a forma AUXILIAR + PARTICÍPIO. No entanto,

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esse composto AUXILIAR + PARTICÍPIO é diferente do que ocorre nas locuções verbais. Eu
disse há pouco que nas locuções os particípios não sofrem flexão de gênero e número. Nas
passivas, diferentemente, a forma participial sofre flexão (de gênero e número):

a) As cartas foram escritas pelo poeta.

A outra propriedade que caracteriza a passiva é a opcionalidade da presença da forma


“pelo poeta”, chamada de agente da passiva.
A passiva sintética (aquela com o pronome “se”) será vista na sequência do curso, ok?
Não precisamos nos preocupar com ela agora.
Os principais tipos de passagem de voz ativa à voz passiva são os seguintes:
• o sujeito da ativa, se houver, passa a agente da passiva;
• o objeto da ativa, se houver, passa sujeito sintático da passiva;
• ocorrem mudanças na forma verbal (verbo pleno > AUXILIAR + FORMA PARTICIPIAL);
• os outros termos oracionais permanecem os mesmos.

TIPO DE PASSAGEM ATIVA PASSIVA


Sujeito - verbo - objeto. Eu li o manual. O manual foi lido por mim.
Sujeito e objeto com formas
Nós o ajudamos. Ele foi ajudado por nós.
pronominais.
Sujeito indeterminado. Enganar-me-ão. Eu serei enganado.
Tempo composto. Eles têm cometido erros. Erros têm sido cometidos por eles.
Com sujeito indeterminado
Vendem casas. Vendem-se casas.
de verbo que aparecerá na
Vendem esta casa. Vende-se esta casa.
passiva pronominal.

(Adaptado de BECHARA, 1999)

Na aula sobre o período simples, abordaremos a chamada voz reflexiva. Basicamente, a


ideia da voz reflexiva é a de que o sujeito do verbo é, ao mesmo tempo, agente e paciente.
Observe a seguinte frase:

O Rafael se molhava enquanto lavava a louça.

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A forma “se molhava” expressa que o “Rafael” realiza a ação de “molhar” e, ao mesmo

tempo, sofre (é paciente) o efeito da ação de “molhar” (isto é, ele é molhado por si mesmo).

Note a presença do pronome “se”, que, nesse caso, será chamado de pronome reflexivo. Por

fim, destaco que é importante observar com atenção o papel que cada participante do evento

exerce. Somente assim poderemos definir o valor dessa partícula “se” como reflexiva.

Finalizamos a abordagem das vozes verbais (perspectivada, aqui, no âmbito morfossintá-

tico, privilegiando as propriedades morfológicas).

Professor, e aquela história de formas participiais que são duplas? Tipo “imprimido/im-

presso” e “pagado/pago”. Como usá-las?

Sim, há certas formas participiais que são duplas. Como dissemos, há dois usos princi-

pais do particípio no âmbito verbal (com as respectivas propriedades morfossintáticas):

Em locuções verbais Em passivas (analíticas)


A forma participial NÃO sofre flexão de gênero e
A forma participial sofre flexão de gênero e número
número (mantém-se sempre na forma neutra: mas-
(concordando nominalmente com o sujeito sintátitico)
culino, singular)
As locuções verbais da ativa com a forma participial As passivas verbais analíticas ocorrem com verbos
ocorrem com os verbos auxiliares “haver” e “ter”. auxiliares “ser”, “estar” e “ficar”.

Como regra geral (entendimento da maioria dos gramáticos), temos o seguinte padrão

para as formas participiais duplas:

Se há dois particípios, o regular (com final do tipo “-do”) será usado na formação das lo-

cuções verbais da ativa e o irregular será usado na passiva verbal analítica:

a) O policial havia matado o foragido. [locução da ativa > particípio regular]

b) O foragido foi morto pelo policial. [passiva > particípio irregular]

O Dicionário Houaiss de verbos (da professora Vera Cristina Rodrigues) apresenta a se-
guinte lista de particípios duplos:

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Forma regular Forma irregular


Abrido Aberto
Aceitado Aceito
Afetado Afeto
Afligido Aflito
Agradecido Grato
Atendido Atento
Cegado Cego
Cobrido Coberto
Completado Completo
Convencido Convicto
Elegido Eleito
Entregado Entregue
Exprimido Expresso
Fixado Fixo
Limpado Limpo
Manifestado Manifesto
Matado Morto
Pagado Pago
Pegado Pego
Sujado Sujo
Suspendido Suspenso

Com isso, temos que o adequado, segundo essa perspectiva, é:

a) O caixa havia pegado a sacola.


b) A sacola foi pega pelo caixa.

Para encerrar o conteúdo sobre verbos, vamos saber agora como ocorre a correlação en-

tre tempos e modos verbais.

A correlação verbal é um fenômeno de harmonização entre tempos e modos de verbos

que ocorrem em estruturas oracionais complexas (as quais envolvem, é claro, mais de um

núcleo verbal). Em concursos, temos o seguinte tipo de avaliação:

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Observe o período a seguir:


“Se eu tivesse muito dinheiro, __________ para as Bahamas.
Preenche corretamente a lacuna acima a forma verbal:
a) viajo
b) viajarei
c) viajaria
d) viajei

Intuitivamente, você sabe que a forma adequada é “viajaria”, certo? Isso porque as duas for-

mas denotam hipótese. No conteúdo de correlação verbal (e nas questões de concurso), vale a

pena confiar nessa intuição que todos nós, falantes nativos de Língua Portuguesa, temos.

As correlações mais avaliadas em concursos são as seguintes:

(i) Não é adequado que você desrespeite seu chefe.


[presente do indicativo + presente do subjuntivo]
(ii) Quando o governo resolver investir em educação, acreditarei em um futuro melhor.
[futuro do subjuntivo + futuro do presente do indicativo]
(iii) Orei durante dias para que você se convertesse.
[pretérito perfeito do indicativo + pretérito imperfeito do subjuntivo]
(iv) Se corrêssemos mais, seríamos mais saudáveis.
[pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do pretérito do indicativo]

A correlação (iv) é, talvez, a mais avaliada. Por isso: atenção!

Como você percebeu, o conteúdo de verbo é muito extenso. Voltaremos a abordar algu-

mas questões relacionadas às propriedades verbais quando discutirmos a sintaxe do perí-

odo simples e os fenômenos de concordância verbal. O importante é que essa base tenha

ficado sólida, ok?

Na sequência, abordarei as propriedades dos advérbios. Se você quiser, descanse uns 15

minutinhos, tome um café e volte com mais energia!

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1.2. Advérbio

O professor e gramático Evanildo Bechara define o advérbio como a classe que, semanti-
camente, denota uma circunstância (de lugar, de tempo, de modo, de intensidade, de condição
etc.). Sintaticamente, um advérbio funciona como um termo adjunto.
Um advérbio pode modificar um verbo, um adjetivo ou a um advérbio (como intensificador).

a) O revisor trabalha bem.


(o advérbio “bem” refere-se ao verbo “trabalhar”)
b) José Saramago é muito bom escritor.
(o advérbio “muito” refere-se ao adjetivo “bom”)
3) José Saramago escreve muito bem.
(o advérbio “muito” refere-se ao advérbio “bem”)

Morfologicamente, os advérbios são invariáveis quanto às noções de gênero e núme-


ro. Há também a classe dos advérbios terminados em “-mente”, os quais são originados
de adjetivos:

feliz  felizmente
primeiro  primeiramente
cordial  cordialmente

Esses advérbios formados em “-mente” são, portanto, derivados de outra classe (a dos
adjetivos). Como percebemos, não sofrem flexão de gênero ou de número:

A Ana caminhava calmamente.


O Pedro caminhava calmamente.

A propriedade de os advérbios não flexionarem em gênero e número é ABSURDAMENTE


IMPORTANTE. Isso é a principal diferença dessa classe em relação às outras (adjetivos, subs-
tantivos e pronomes), como nos pares a seguir:

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a) Há bastantes exemplos de sabedoria na obra de Balzac. [adjetivo]


b) Almoçamos bastante e estamos satisfeitos. [advérbio]
a) Quero meia garrafa de vinho. [adjetivo]
b) Ela está meio triste. [advérbio]
a) A carne tinha muita gordura. [pronome indefinido]
b) Elas eram muito ricas. [advérbio]

Você certamente notou que as formas em (i) FLEXIONAM em gênero e número (porque
pertencem a outras classes, como adjetivos e pronomes) e as formas em (ii) NÃO FLEXIO-
NAM, pois são advérbios.
Ainda sobre os advérbios, é importante explicar o que são as locuções adverbiais. Lo-
cução, como já sabemos, é um grupo de palavras que funciona como uma unidade. Assim,
as locuções adverbiais são sequências de duas ou mais palavras com função adverbial. Em
muitos casos, essas locuções são introduzidas por preposições, como os da lista a seguir:

por agora
até então
desde cedo
por aqui
com efeito
às vezes
à noite
por prazer
sem dúvida

Também há, é claro, locuções adverbiais não introduzidas por preposições, como “pouco
a pouco”. O importante, no fim das contas, é saber que, nas locuções adverbiais, um grupo de
palavras funciona como um advérbio.
Não é necessário apresentar uma lista com todas as circunstâncias expressas pelos ad-
vérbios/locuções adverbiais, até porque mesmo os gramáticos ainda não entraram em consenso

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sobre quais e quantas são as circunstâncias expressas pelos advérbios. Eu serei parcial ao
escolher a classificação da gramática de Amini Hauy, porque a considero muito completa.
Organizarei por tabela, ok?

Tipo Lugar Tempo Modo Dúvida Intensidade


assaz
abaixo nunca
bastante
acima agora
assim bem
além ainda hoje acaso
bem demais
aquém amanhã porventura
depressa mais
aqui cedo possivelmente
Exemplo devagar menos
ali já provavelmente
mal muito
dentro jamais quiçá
levemente pouco
detrás sempre talvez
suavemente quão
longe outrora
tão
perto antigamente
meio

As formas “sim” e “não” são consideradas como palavras denotativas, que veremos na
sequência desta aula.
Concluirei a exposição sobre a classe dos advérbios com a apresentação das principais
locuções adverbiais. Antes de apresentar a lista, preciso fazer duas observações:

 Obs.: como já havia dito, quase todas as locuções adverbiais são introduzidas por preposi-
ções. Assim, quando você observar uma locução adverbial introduzida por um “a”, a
chance de essa forma ser uma preposição é muito grande.

Obs.:
 estou destacando, aqui, a presença das preposições nas locuções adverbiais, correto?
Quero deixar bem claro que a posição das preposições nas locuções adverbiais é impor-
tante. Na lista que apresentarei, você será capaz de observar que a posição da preposi-
ção é sempre inicial ou medial (isto é, ocorre sempre no início ou no meio da locução).
Guarde essa informação para quando falarmos sobre as locuções prepositivas, ok?

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Agora sim: a lista.

Principais locuções adverbiais


a cavalo a pé a prazo à queima-roupa a sangue frio à vista
a esmo à escuta a princípio a reboque a sete chaves à vontade
a granel a postos a propósito à revelia à toa ao vivo
aos poucos às cegas às claras às pressas às vezes de leve
de manhã de propósito de repente de súbito em geral em vão
em verdade por vezes sem dúvida em resumo de noite de improviso

Note que algumas locuções começam com o “à” (acento indicativo de crase), mas outras
começam com o “a” simples. Mas por que isso ocorre? Bom, o “a” simples, como eu já disse,
é uma PREPOSIÇÃO: assim, em “a cavalo”, o “a” é uma preposição. Como eu sei disso? Pelo
simples fato de a palavra “cavalo” ser um substantivo MASCULINO. Se é masculino, nunca
poderá ser acompanhado pelo artigo FEMININO:

*A cavalo é um animal muito bonito. [o adequado é “O cavalo é um animal”]

Já em “à escuta”, temos a contração de duas formas: o “a” preposição (da locução ad-
verbial) e o “a” artigo (que acompanha o substantivo feminino “escuta”: a escuta). Como um
exercício, volte à tabela e faça essa análise. Você verá que é exatamente isso!
Em provas de concursos públicos, os advérbios e as loções adverbiais são tradicional-
mente cobrados no âmbito da coesão textual. Por exemplo: na sequenciação de um texto,
as informações são organizadas pelos articuladores adverbiais, tais como “sem dúvida”, “em
resumo” etc. Você já deve ter lido um texto com esses advérbios, não é? Pois então, é assim
que você deve analisá-los: contextualizados na articulação textual.
Você também já leu textos em que o autor, com o objetivo de demonstrar seu ponto de
vista, utiliza expressões como “infelizmente”, “certamente”, “indubitavelmente” etc. Essas são
palavras e locuções denotativas (expletivas), as quais são explicadas na sequência.

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1.3. Palavras e Locuções Denotativas (Expletivas)

Como eu havia prometido, preciso falar um pouco sobre palavras e locuções denotativas,
definidas como “palavras e expressões de situação que, paralelamente à informação, acres-
centam ao discurso a participação crítica ou emocional do falante” (Hauy, 2014). Essas formas
são caracterizadas por não terem, assim como a interjeição (ver sequência da aula), nenhuma
função sintática (contrariamente às outras classes de palavras, as quais, como vimos, exer-
cem funções sintáticas). As palavras e locuções denotativas também são chamadas expleti-
vas. Observe o par a seguir:

a) A água escoava naturalmente pelas bordas da panela.


b) Ele já sabia disso, naturalmente.

Em (a), a palavraão “naturalmente” é um advérbio e exerce a função sintática de adjunto


adverbial (modifica a forma verbal “escoava”). Em (b), diferentemente, o termo “naturalmente”
não modifica um termo específico na oração, não possuindo função sintática específica. O
valor discursivo é o de marcar um posicionamneto do enunciador frente ao que se afirma na
oração. A palavra “naturalmente”, em (b), é considerada então uma palavra denotativa.
A seguir, reproduzo a classificação das palavras denotativas segundo Hauy (2014):

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Palavras e expressões denotativas


Sim
Afirmação Certamente
Com efeito
Não
Negação
Qual nada

Apenas
Exclusão Exclusive
Somente
Unicamente
Também
Mesmo
Inclusão
Outrossim
Inclusive
Quase
Avaliação Mais ou menos
Casualmente
Designação Eis
Isto é
A saber
Explicação
Por exemplo
Como
Aliás
Retificação Ou melhor
Ou antes
Que
Se
Realce Lá

É que
Felizmente
Afetividade
Ainda bem
Afinal
Mas
Situação
Então
Agora

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Faço um destaque para as palavras denotativas de realce: “que” e “se”. Não possui função

sintática a palavra “que” a seguir:

Eu quase que elouqueci durante a pandemia da COVID-19.

Veja, inclusive, que esse “que” pode ser retirado:

Eu quase elouqueci durante a pandemia da COVID-19

A palavra “se” também pode ser denotativa de realce (expletiva), não exercendo função

sintática:

E lá se ia a “via sacra” percorrendo as ruas da cidade.

E a palavra “se” também pode ser retirada:

E lá ia a “via sacra” percorrendo as ruas da cidade.

E em concurso, professor? Como essas palavras denotativas (expletivas) são avaliadas?

Em provas, é relativamente comum a avaliação das palavras denotativas (expletivas).

Uma das técnicas para identificação dessas formas é discursiva: a palavra/expressão denota

uma perspectiva do enunciador (aquele que enuncia a proposição)? Uma segunda forma é

fazer a análise sintática. Se você conseguiu identificar uma função sintática (seja sujeito, ob-

jeto, adjunto etc.), não se trata de palavra denotativa (expletiva). Por fim, a última técnica é a

de verificar se a palavra pode ou não ser suprimida. Se puder, é um forte indício de ser palavra

denotativa (expletiva).

Seguiremos, agora, com as interjeições. Elas são semelhantes às palavras denotaivas:

não exercem função sintática.

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1.4. Interjeição

Para muitos linguistas e gramáticos, a interjeição não constitui uma classe gramatical.
Isso porque não há propriedades sintáticas e morfológicas claras para as expressões interje-
tivas. Talvez por isso essa classe quase não seja tão cobrada em concursos públicos.
O problema da classificação da interjeição está em sua natureza: é uma expressão extre-
mamente dependente do contexto em que ocorre. Além disso, a interjeição equivale a uma
frase, o que a difere de todas as demais classes estudadas por nós (as outras 9).
A característica semântica/discursiva da interjeição é a de ser a expressão com que tra-
duzimos estados emotivos. Em termos de expressão escrita, quando uma interjeição estabe-
lece relação com outras unidades, é preciso utilizar a vírgula:

a) Olá, Maria!
b) Ei, volte aqui!

Além dessa característica de pontuação (a interjeição ser separada por vírgula dos de-
mais elementos com os quais se relaciona), a interjeição é tipicamente acompanhada de con-
torno melódico exclamativo (indicado por exclamação “!”).
Segundo os gramáticos tradicionais (por exemplo, BECHARA, 1999), há quatro grupos de
interjeições:

(ii) Palavras de uso (iii) Reproduzem ruídos


(i) Sons vocálicos (iv) Locuções interjetivas
comum (uso corrente) ou sons de animais
ai de mim!
ah! oh! hum! olá! puxa! eita! clic, tic-tac
cruz credo!

As principais interjeições são as seguintes:

VALOR DA INTERJEIÇÃO EXEMPLOS


exclamação viva!
admiração/susto ah! oh!
alívio ah! eh!
animação eia! coragem!

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apelo ou chamamento olá! alô! psiu!


aplauso bravo!
desejo oxalá! tomara!
dor física ai! ui!
impaciência arre!

Como eu já disse, a chance de a banca avaliar seus conhecimentos sobre as interjeições é


bem baixa. Por isso, podemos continuar com o que importa: as conjunções e as preposições,
talvez as classes MAIS EXIGIDAS EM CONCURSOS PÚBLICOS!!!

1.5. Classes Conectoras: Conjunções e Preposições

As conjunções e as preposições compartilham as seguintes propriedades:

 Obs.: I – Conjunções e preposições são morfologicamente invariáveis (isto é, não sofrem


alteração de forma: não derivam e não flexionam).
 II – Conjunções e preposições pertencem a classes fechadas (ou seja, há um número deli-
mitado/fechado de itens que compõem as classes das conjunções e das preposições).
 III – Conjunções e preposições são classes gramaticais/funcionais: não possuem
função sintática, mas agem diretamente nas relações sintáticas.
 IV – Conjunções e preposições são esvaziadas semanticamente: o significado é
expresso em plenitude no contexto de ocorrência, sempre.

O tópico III é especial: observe a oração a seguir e me diga qual é a função sintática da
preposição “para”:

A Helem entregou a tarefa para o professor.

Não temos uma classificação da função sintática da preposição “para”. No entanto, sa-
be(re)mos que o termo “para o professor” exerce a função de objeto indireto da forma verbal
“entregou”. Com isso, chegamos à caracterização da preposição como uma forma que liga/
conecta a forma verbal “entregou” ao destinatário dessa entrega, “o professor” (e formamos,
assim: “entregou para o professor”).

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Na classe das conjunções, a propriedade em III também se aplica: a conjunção não possui
função sintática, mas é capaz de ligar/conectar as partes de um período.

O celular é bom e barato.

Nessa oração, há duas propriedades (predicados) relativas ao “celular”: “bom” e “barato”.


Para ligar essas duas propriedades, utiliza-se a conjunção “e”. Não há uma classificação sin-
tática para esse “e”, mas há uma função relacional de soma.
A diferença fundamental entre conjunções e preposições é esta:
• as conjunções podem ligar/conectar termos sintaticamente equivalentes (de mesmo
valor sintático), sendo denominadas conjunções coordenativas; ou as conjunções po-
dem ligar/conectar termos sintaticamente distintos (de valores sintáticos diferentes),
sendo denominadas conjunções subordinativas.
• as preposições estabelecem relações de dependência entre dois termos: um será o re-
gente/subordinante e o outro será o regido/subordinado. Em termos de posição, temos
esta ordem:

REGENTE/SUBORDINANTE PREPOSIÇÃO REGIDO/SUBORDINADO


Destruição de Roma
Gosto de pudim

Esse paralelo entre a classe das conjunções e a classe das preposições é importante,
pois são termos relacionais. Agora que conhecemos essas propriedades (I, II, III e IV, além das
diferenças entre os tipos de conexão que estabelecem entre os termos), podemos trabalhar
especificamente cada classe.

1.6. Conjunção
Há dois grandes grupos de conjunções: as coordenativas e as subordinativas. As coorde-
nativas conectam duas palavras de mesma classe ou valor gramatical e mesma função sintá-
tica. As subordinativas ligam orações via subordinação (isto é, uma oração será subordinada
à outra). Cada tipo de conjunção (coordenativa ou subordinativa) possui uma subdivisão. Para
facilitar a visualização, apresento o seguinte mapa mental:

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Conjunções coordenativas e subordinativas:


Aditivas
Adversativas

Coordenativas Alternativas
Conclusivas
Explicativas

Conjunções Integrantes
Causais
Comparativas
Consecutivas
Concessivas
Subordinativas Condicionais
Conformativas
Finais
Temporais
Proporcionais

Conjunções coordenativas:
e
nem (equivalendo a “e não”)
Aditivas mas (precedido de “não só”)

mas
porém
todavia

Adversativas contudo
no entanto
entretanto

ou ... ou
ora ... ora
Coordenativas Alternativas já ... já
quer ... quer

logo
pois (após o verbo)
Conclusivas portanto
por conseguinte

quer (equivalendo a “porque”)


pois (antes do verbo)

Explicativas pois que


porquanto

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GRAMÁTICA
Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
Bruno Pilastre

Conjunções subordinativas:
que (empregada para a noção de "afirmação")
se (empregada para a noção de “dúvida”, “incerteza”)
Integrantes
porque
já que
visto que
uma vez que
Causais
que (equivalendo a “porque”)
como (equivalendo a “porque”)
que
do que (precedidos de “mais” ou “menos”)
Comparativas como
quanto (precedido de “tal”, “tão” ou “tanto”)
que (precedido de “tal”, “tanto”, “tamanho” ou “tão”)
de sorte que
Consecutivas de forma que
embora
ainda que
mesmo que
se bem que
Concessivas
posto que
se
salvo se
Subordinativas
exceto se
contanto que
Condicionais
sem que
caso
como
conforme
consoante
Conformativas
segundo
a fim de que
para que
porque (equivalendo a “para que”)
Finais que (equivalendo a “para que”)
quando
enquanto
assim que
Temporais logo que
até que
mal
à medida que
à proporção que
Proporcionais
ao passo que

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Observe comigo a existência de conjunções simples, formadas por uma única palavra
(“pois”, “enquanto”, “porque”), e de locuções conjuntivas, formadas por duas ou mais palavras
(“à medida que”; “logo que”; “por conseguinte”).
Bom, por enquanto isso basta: é suficiente apresentar a classificação geral das conjun-
ções (e cada uma delas, coordenativas e subordinativas). Trabalharemos os sentidos e as
funções sintáticas das conjunções apenas na aula sobre o período composto (7ª aula), certo?
Na sequência, finalizamos a parte teórica da aula trabalhando as preposições.

1.7. Preposição

Já disse que as preposições estabelecem relações de dependência entre dois termos: um


será o regente/subordinante e o outro será o regido/subordinado. No exemplo a seguir, temos
dois substantivos: “anel” e “ouro”.

ANEL OURO

Em termos de hierarquia, ambos possuem o mesmo valor (são substantivos). Quando eu


uno/ligo/associo esses dois substantivos com uma preposição, a relação já não será a mes-
ma: o termo introduzido pela preposição muda de função/valor.

ANEL DE OURO

O substantivo “ouro” passa agora a integrar uma estrutura mais complexa: “de ouro”. Essa
expressão realizará agora a função/o valor de modificador do substantivo “anel” (um adjunto
adnominal). Fica claro, então, a maneira como a preposição pode subordinar um termo para
que este exerça uma outra função/um outro valor.
Outra particularidade das preposições é o fato de o valor semântico depender muito dos
outros termos, do contexto de ocorrência. Assim, se fizermos a substituição de uma preposi-
ção por outra, o sentido global da construção será diferente:

ANEL COM OURO

ANEL SEM OURO

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E então, qual é a diferença entre “anel de ouro”, “anel com ouro” e “anel sem ouro”? Você
certamente reconhece essas diferenças e é capaz de explicar, mentalmente, cada um dos
sentidos: pratique aí!
As bancas examinadoras cobram justamente esse conhecimento: os distintos valores
que as preposições podem assumir a depender do contexto de ocorrência. Em nossa aula
sobre regência verbal e nominal, isso ficará muito claro. Observe as orações a seguir:

a) O médico assistiu ao noticiário horrorizado.


b) O médico assistiu em São Paulo por muitos anos

Percebeu que o sujeito e a forma verbal são iguais, não é? Temos “O médico assistiu...”.
A sequência, no entanto, é diferente. Na oração em (a), o verbo é seguido pela preposição “a”;
em (b), o verbo é seguido pela preposição “em”. Para cada preposição (juntamente com o ter-
mo que a acompanha: “noticiário” ou “São Paulo”), há um sentido diferente. No primeiro caso
(o da preposição “a”), o sentido será o de “presenciar”, “ver”. No segundo caso (o da preposi-
ção “em”), o sentido será o de “morar”, “habitar”.
No âmbito da regência, então, temos que a preposição é selecionada, exigida por um verbo
(regência verbal) ou por um nome (regência nominal). No exemplo a seguir, temos a ilustração
de uma regência nominal:

O servidor tem orgulho de sua profissão.

A preposição, na frase acima, relaciona o nome “orgulho” ao termo “sua profissão”. A ex-
pressão preposicionada (“de sua profissão”) exerce função de complemento nominal (regida
pelo nome “orgulho”).
Sintaticamente, o termo oracional preposicionado pode exercer diversas funções (conferir
aulas 5, 6, e 7), como apresentado a seguir:

Função sintática preposicionada Exemplo


Adjunto adnominal O carro trazia os médicos de Manaus.
Adjunto adverbial O tigre avançava de mansinho.
Complemento nominal Ele é muito diferente de si.
Objeto indireto Ele enviou a carta para a esposa.
Agente da passiva O político foi ignorado por toda a equipe médica.

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Em termos de classificação, há três tipos de preposições: essenciais, acidentais e locu-

ções prepositivas. Vejamos, em lista, cada uma delas:

Preposições essenciais: Preposições acidentais: Locuções prepositivas (algumas):

abaixo de
acerca de
a acima de
ante a despeito de
até adiante de
após à exceção de
com a favor de
contra a fim de
de conforme à maneira de
desde consoante antes de
em segundo ao lado de
entre durante ao longo de
para mediante através de
per visto em razão de
perante fora de
por até a
sem com respeito a
sob devido a
sobre em atenção a
trás junto a
quanto a
de acordo com

Uma característica importante das locuções prepositivas é o fato de sempre terminarem por
uma preposição. Isso as diferencia, por exemplo, das locuções adverbiais (que, geralmente,
são introduzidas por preposição, não finalizadas).

Em concursos, a avaliação sobre essa classe exige seus conhecimentos sobre os valores
semânticos que uma determinada preposição adquire em um contexto específico. Por exemplo:

a) Dei o livro para o meu irmão.


b) Sempre estudei para ter um bom emprego.

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Quais são os valores das ocorrências da preposição “para” em (a) e em (b)? Em (a), a ideia
é de “destinatário”, certo? Em (b), diferentemente, a ideia é de “finalidade”. Veja como pode-
mos identificar esses valores: se você conseguir substituir preposição “para” por uma forma
equivalente (como a locução “com a finalidade de”), temos um valor específico (o de finalida-
de, por exemplo).

b) Sempre estudei com a finalidade de ter um bom emprego.

O mesmo não funcionaria para a oração em (a), não é?

a) *Dei o livro com a finalidade de o meu irmão.

Essa é uma ÓTIMA estratégia para resolver questões sobre preposição: basta tentar reali-
za a substiuição por uma locução para decodificar o sentido específico da preposição.
As propriedades semânticas expressas pelas preposições podem ser sintetizadas pelas
seguintes noções: tempo, espaço/local, noção (seja modo, meio, instrumento, assunto, ori-
gem etc.). Também há a noção de dinamicidade (aproximação, afastamento etc.). No mapa
mental a seguir, reproduzo os traços semânticos das preposições essenciais:

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“a”
limite
“até“
chegada ao limite
aproximação ao seu término obstáculo
“contra”
mera direção
“para”

Dinâmico compatível com as noções de aproximação e afastamento


“por”
origem
“de”
afastamento

afastamento
“desde”
Traços semânticos
das preposições

“ante” (“perante“)
horizontal
“trás“
situação definida e concreta
superior “sobre”
vertical
inferior
Estático “sob“

ou positiva “com”
Dinâmico concomitância
negativa “sem“
situação imprecisa
imprecisão “em”
imprecisão
posição intermediária “entre“

Traços semânticos das preposições essenciais (baseado em Bechara, 1999)

À medida que formos resolvendo as questões de concurso, os valores semânticos ficarão


mais e mais claros, ok?
Uma dificuldade enfrentada por quem estuda gramática é identificar as preposições, prin-
cipalmente quando estão contraídas. Em uma frase como “Ele encontrou o pote no armário”,
a preposição “em” está presente. Para identificá-la, é preciso separar a forma “no”, que é o
resultado da combinação de “em” + “o” (artigo).

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Sofrem combinação as preposições “a”, “em”, “de” e “per”:

Preposição Classe a que se combina Exemplo


+ artigo à, ao
a
+ pronome àquele
+ artigo no, num
em nele, neste, naquela,
+ pronome
noutro
do, da, dum, duma,
+ artigo
duns
de dele, doutro, deste,
+ pronome
daquele
+ advérbio daqui, dali, daí
per + artigo pelo, pelas

Eu já havia destacado essa informação, mas nunca é demais: no fenômeno de crase,


temos a união (contração) da preposição “a” com o artigo determinado feminino singular
“a”. A crase também ocorre na contração entre a preposição “a” e o pronome demonstrativo
“aquele/aquela/aquilo”: àquele, àquela, àquilo.
Bom, podemos finalizar nosso tratamento das classes de palavras verbo, advérbio, inter-
jeição, conjunção e preposição por aqui. Destacamos, como visto, as propriedades morfoló-
gicas e semânticas, apontando introdutoriamente as funções sintáticas exercidas por cada
uma dessas classes. A partir das próximas aulas, cuidaremos mais da análise sintática, ok?
Então começaremos a falar sobre “sujeito”, “objeto”, “aposto” etc.
Parabéns por ter percorrido toda a aula, realizando a leitura com cuidado e empenho.
Agora você pode ler o resumo e o mapa mental. Na sequência, faça os exercícios com muita
dedicação. Já sabemos que só a teoria não basta: é preciso praticar muito!
Ao trabalho, então!

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RESUMO
Nesta última aula sobre a morfossintaxe das classes de palavras da Língua Portuguesa,
contemplamos os verbos, os advérbios, as interjeições (e as palavras e locuções denotativas),
as conjunções e as preposições. O objetivo central foi apresentar as propriedades morfológi-
cas e semânticas, além dos principais representantes (especialmente das classes fechadas).
Discutimos, também as propriedades sintáticas centrais de cada classe.
Na classe dos verbos, diferenciamos os nocionais (que possuem conteúdo semântico e são
capazes de predicar) dos funcionais (com pouco conteúdo semântico – tipicamente aspectual
– e que não predicam, mas ligam um sujeito a um predicado). Na sequência, apresentamos as
categorias verbais de modo (indicativo, subjuntivo e imperativo), de tempo (presente, pretérito
e futuro), de pessoa (primeira, segunda e terceira), de número (singular e plural) e de voz (ativa,
passiva e reflexiva). Morfologicamente, os verbos são compostos pela sequência [raiz + vogal
temática + morfema de modo-tempo + morfema de número-pessoa]. Também caracterizamos
as formas nominais do verbo: infinitivo, gerúndio e particípio. O particípio está presente em
duas construções no âmbito verbal: nas locuções verbais (ativa) e na passiva analítica. Em
concursos públicos, é muito recorrente a avaliação sobre a classe dos verbos, especialmente no
fenômeno de concordância. Os valores semânticos dos tempos e dos modos (hipótese, certeza,
comando etc.) são amplamente explorados, sendo importante conhecê-los.
Sobre os advérbios, exploramos a classificação (de lugar, de tempo, de modo, de dúvida,
de intensidade) e as locuções adverbiais. Destacamos que os advérbios denotam as circuns-
tâncias dos eventos/estados/qualidades. A análise dos advérbios e das locuções adverbiais
como mecanismos de coesão textual é o foco das bancas. O mesmo tipo de análise (no âm-
bito textual) ocorre com as interjeições e com as palavras e locuções denotativas.
Nas chamadas classes conectoras, estudamos as conjunções (coordenativas e subor-
dinativas) e as preposições (essenciais, acidentais e locuções prepositivas). Traçamos um
paralelo entre elas, evidenciando as semelhanças (são invariáveis, fechadas, gramaticais/
funcionais e esvaziadas semanticamente) e as diferenças (preposições subordinam; conjun-
ções coordenam ou subordinam). A análise desses itens vocabulares deve ser feita contextu-
almente, observando a integração entre os termos conectados.

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MAPAS MENTAIS
De lugar
De tempo
Classificação De modo
De dúvida
De intensidade
Advérbio
Locuções adverbiais (introduzidas ou mediadas por preposições)

Coordenativas
Conjunções
Subordinativas

Classes Conectoras Essenciais


Preposições
Acidentais
Locuções prepositivas

1a (tema em -a)
Conjugações 2a (tema em -e)
Classes de palavras
3a (tema em -i)

Infinitivo
Formas nominais Particípio
Gerúndio
Verbo Indicativo
Modo Subjuntivo
Perfeito
Imperativo
Categorias Imperfeito
Presente
Mais que perfeito
Tempo Pretérito
Futuro Do presente

Singular Do pretérito
Número Plural

Primeira
Pessoa
Segunda
Terceira

Ativa
Voz
Passiva
Reflexiva

Interjeição (frase expressiva que denota emoção do falante)


Palavras e locuções denotativas: acrescentam ao discurso a participação crítica ou emocional do falante.

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Aditivas
Adversativas

Coordenativas Alternativas
Integrantes
Conclusivas
Causais
Explicativas
Conjunções Comparativas
Consecutivas
Concessivas
Subordinativas Condicionais
Conformativas
Finais
Temporais
Proporcionais

e
nem (equivalendo a “e não”)
Aditivas mas (precedido de “não só”)

mas
porém
todavia

Adversativas contudo
no entanto
entretanto

ou ... ou
ora ... ora
Coordenativas Alternativas já ... já
quer ... quer

logo
pois (após o verbo)
Conclusivas portanto
por conseguinte

quer (equivalendo a “porque”)


pois (antes do verbo)

Explicativas pois que


porquanto

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que (empregada para a noção de "afirmação")


se (empregada para a noção de “dúvida”, “incerteza”)
Integrantes
porque
já que
visto que
uma vez que
Causais
que (equivalendo a “porque”)
como (equivalendo a “porque”)
que
do que (precedidos de “mais” ou “menos”)
Comparativas como
quanto (precedido de “tal”, “tão” ou “tanto”)
que (precedido de “tal”, “tanto”, “tamanho” ou “tão”)
de sorte que
Consecutivas de forma que
embora
ainda que
mesmo que
se bem que
Concessivas
posto que
se
salvo se
Subordinativas
exceto se
contanto que
Condicionais
sem que
caso
como
conforme
consoante
Conformativas
segundo
a fim de que
para que
porque (equivalendo a “para que”)
Finais que (equivalendo a “para que”)
quando
enquanto
assim que
Temporais logo que
até que
mal
à medida que
à proporção que
Proporcionais
ao passo que

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abaixo de
acerca de
acima de
a despeito de
Adjunto adnominal
adiante de
Adjunto adverbial
à exceção de
Um termo preposicionado Complemento nominal
a favor de
pode exercer as funções de Objeto indireto
a fim de
Agente da passiva
à maneira de
antes de
ao lado de
ao longo de
Locuções prepositivas a

através de ante

em razão de até

fora de após

até a com
Preposição contra
com respeito a
devido a de

em atenção a desde
em
junto a Preposições Preposições
quanto a acidentais essenciais entre

de acordo com para


conforme
per
consoante
perante
segundo
por
durante
sem
mediante
sob
visto
sobre
trás

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“a”
limite
“até“
chegada ao limite
aproximação ao seu término obstáculo
“contra”
mera direção
“para”

Dinâmico compatível com as noções de aproximação e afastamento


“por”
origem
“de”
afastamento

afastamento
“desde”
Traços semânticos
das preposições

“ante” (“perante“)
horizontal
“trás“
situação definida e concreta
superior “sobre”
vertical
inferior
Estático “sob“

ou positiva “com”
Dinâmico concomitância
negativa “sem“
situação imprecisa
imprecisão “em”
imprecisão
posição intermediária “entre“

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GLOSSÁRIO
Advérbio: palavra invariável que funciona como um modificador de um verbo (dormir pou-
co), um adjetivo (muito bom), um outro advérbio (deveras astuciosamente), uma frase (feliz-
mente ele chegou), exprimindo circunstância de tempo, modo, lugar, qualidade, causa, inten-
sidade, oposição, afirmação, negação, dúvida, aprovação etc.
Aspecto: categoria semântica que expressa detalhes qualitativos ou quantitativos inter-
nos de uma determinada ação, processo ou estado.
Conjunção Aditiva: conjunção coordenativa que liga dois termos equivalentes da mesma
oração ou duas orações coordenadas (por exemplo: e, nem); conjunção aproximativa, conjun-
ção copulativa.
Conjunção Adversativa: conjunção coordenativa que liga dois termos da mesma ora-
ção ou duas orações de função idêntica, conotando-as, porém, de um sentido opositivo (por
exemplo: mas, contudo, no entanto, porém etc.).
Conjunção Alternativa: conjunção coordenativa que liga dois termos da mesma oração,
ou duas orações, de sentido dessemelhante, determinando que, a verificar-se um dos fatos
mencionados, o outro deixará de se cumprir (por exemplo: ou [repetido ou não]; nem, ora, quer,
seja [repetidos] etc.); conjunção disjuntiva.
Conjunção Causal: conjunção que inicia uma oração subordinada exprimindo uma relação
de causa, isto é, explicitando que o que se diz na oração subordinada é causa ou motivo para
o que se diz na oração principal (por exemplo: como, pois, porque, visto que etc.).
Conjunção Comparativa: Conjunção que inicia uma oração subordinada com o papel de
segundo membro de uma comparação, de um cotejo (por exemplo: assim como, como, do
que, que etc.).
Conjunção Concessiva: conjunção que inicia uma oração subordinada que exprime uma
oposição ao que é dito na oração principal, não sendo capaz, porém, de anular ou impedir o
fato mencionado (por exemplo: ainda que, embora, mesmo que etc.).
Conjunção Conclusiva: conjunção coordenativa que serve para ligar à anterior uma oração
que denota uma conclusão, uma consequência ou uma ilação (por exemplo: assim, logo, pois,
portanto etc.).

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Conjunção Condicional: conjunção que inicia uma oração subordinada contendo uma hi-
pótese ou uma condição necessária para que se cumpra a asserção da oração principal (por
exemplo: a menos que, a não ser que, caso, desde que etc.).
Conjunção Conformativa: conjunção que inicia uma oração subordinada na qual está ex-
pressa uma ideia de acordo, conforme com a asserção da oração principal (p.ex.: como, con-
forme, consoante, segundo etc.).
Conjunção Coordenativa: conjunção que relaciona termos ou orações de mesma função
gramatical; as conjunções coordenativas classificam-se em aditivas, adversativas, alternati-
vas, conclusivas e explicativas.
Conjunção Explicativa: conjunção coordenativa que liga duas orações, numa das quais se
explica ou se justifica a asserção contida na outra (pois, porque, que etc.).
Conjunção Final: conjunção que inicia uma oração subordinada que exprime a finalidade
daquilo afirmado pela oração principal (por exemplo: a fim de que, para que etc.)
Conjunção Integrante: conjunção iniciadora de oração subordinada que desempenha fun-
ção sintática de sujeito, objeto direto ou indireto, predicativo, complemento nominal, ou apos-
to de outra oração (são elas: que, se).
Conjunção Proporcional: conjunção que inicia uma oração subordinada que refere um fato
ocorrido ou a ocorrer concomitantemente com o fato da oração principal (à medida que, à
proporção que, enquanto, quanto mais... mais etc.).
Conjunção Subordinativa: conjunção que introduz uma oração subordinada, ligando-a à
sua oração principal, na formação de um período composto por subordinação; as conjunções
subordinativas classificam-se em causais, comparativas, concessivas, condicionais, confor-
mativas, consecutivas, finais, integrantes, proporcionais e temporais.
Conjunção Temporal: conjunção que inicia uma oração subordinada que expressa uma
circunstância de tempo (antes que, ao tempo que, assim que, depois que, desde que, logo que,
mal, quando etc.).
Conjunção: vocábulo invariável, usado para ligar uma oração subordinada à sua principal,
ou para coordenar períodos ou sintagmas do mesmo tipo ou função.

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Enunciação: ato individual de utilização da língua pelo falante, ao produzir um enunciado


num dado contexto comunicativo.
Evento: fato, ação, processo, expressos por um verbo ou por um substantivo deverbal que
denota ação.
Futuro: tempo verbal que situa a ação ou o estado num momento posterior ao momento
em que se fala
Gerúndio: uma das formas nominais do verbo, formada pelo sufixo -ndo (por exemplo,
cantando, vendendo, partindo)
Imperativo: modo que indica ordem, pedido, exortação etc.
Indicativo: modo que expressa a ação ou o estado denotado pelo verbo como um fato real
(diz-se de modo verbal).
Infinitivo: forma nominal que representa o verbo, nomeia uma ação ou estado, mas que
é neutra quanto às suas categorias gramaticais tradicionais, ou seja, tempo, modo, aspecto,
número, pessoa
Interjeição: palavra invariável ou sintagma que formam, por si sós, frases que exprimem
uma emoção, uma sensação, uma ordem ou um apelo.
Locução: conjunto de palavras que equivalem a um só vocábulo, por terem significado, con-
junto próprio e função gramatical única (por exemplo, a de adjetivo, donde locução adjetiva)
Modo: cada um dos diferentes paradigmas que o verbo apresenta em algumas línguas,
como as neolatinas, para indicar a modalidade, a atitude (de certeza, dúvida, desejo etc.) da
pessoa que fala em relação ao fato que enuncia. Em português há três paradigmas modais:
indicativo, subjuntivo e imperativo.
Particípio: uma das formas nominais do verbo, com características de nome (gênero e
número) e de verbo (tempo, aspecto, voz). Em português, ger. formado com os sufixos -ado
(para a primeira conjugação) e -ido (para a segunda e terceira conjugações), colocados, nos
verbos regulares, após o radical do infinitivo (amado, parado, vendido, sentido); alguns verbos
possuem particípio irregular, como pôr — posto, fazer — feito, e há ainda os que possuem dois
particípios, um regular e outro irregular, como pagar — pagado e pago.

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Pessoa: categoria linguística, ligada especialmente a verbos e pronomes, que mostra a


relação dos participantes do ato de fala com o(s) participante(s) do acontecimento narrado
Preposição: palavra gramatical, invariável, que liga dois elementos de uma frase, estabe-
lecendo uma relação entre eles. Semanticamente, exprimem circunstâncias (de tempo, causa,
modo, meio, fim etc.)
Presente: tempo verbal que indica que a ação decorre simultaneamente com o ato da fala,
que é habitual no tempo presente, ou que é atemporal
Pretérito: tempo verbal que designa ação ou estado anterior ao momento em que se fala.
Proposição: expressão linguística de uma operação mental (o juízo), composta de sujeito,
verbo (sempre redutível ao verbo ser) e atributo, e passível de ser verdadeira ou falsa; enunciado.
Subjuntivo: modo verbal por meio do qual o falante expressa a ação ou o estado denotado
pelo verbo como um fato irreal, ou simplesmente possível ou desejado, ou quando se emite
sobre o fato real um julgamento (por exemplo, espero que venhas; lamento que não tenhas
sido promovido).
Verbo Principal: num tempo composto ou numa locução verbal, o verbo que tem o signifi-
cado extralinguístico (ou seja, reporta ao mundo biofísico ou ao espiritual humano, exterior à
língua); verbo pleno. Assume uma das formas nominais do verbo (infinitivo, gerúndio, particí-
pio, por exemplo: deve partir, vamos almoçar; está dançando; tem chorado).
Verrbo Auxiliar: classe de verbos (ter, haver, ser, estar, ir, andar etc.) que, seguidos de uma
das formas nominais de outros verbos (particípio, gerúndio ou infinitivo), formam um tempo
composto (os verbos ter, haver, ser, estar, ir) ou uma locução verbal (demais auxiliares).
Voz Ativa: voz do verbo em que o sujeito pratica a ação (João cortou a árvore).
Voz Passiva: voz do verbo na qual o sujeito da oração recebe a interpretação de paciente,
em lugar da de agente da ação verbal (por exemplo, Pedro foi demitido)
Voz Reflexiva: voz com verbo na forma ativa tendo como complemento um pronome refle-
xivo, indicando a identidade entre quem provoca e quem sofre a ação verbal (feri-me).

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
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QUESTÕES DE CONCURSO - LISTA I


Questão 1 (CESPE/SUPERIOR/CONTROLADORIA GERAL DO MUNICÍPIO/2018)

11| Eu pago meus impostos integralmente e, por isso,

12| posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se

13| eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da

14| receita federal é meu amigo ou parente e faz a tal “vista

15| grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção.

A palavra “Agora” (l.12) exprime uma circunstância temporal.

Questão 2 (CESPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRF-1ª/2017)

1| Botelho conhecia as faltas de Estela como as palmas

2| das próprias mãos. O Miranda mesmo, que o via em conta de

3| amigo fiel, muitas vezes lhas confiara em

4| ocasiões desesperadas de desabafo, declarando francamente o quanto no

5| íntimo a desprezava e a razão por que não a punha na rua aos

6| pontapés. E o Botelho dava-lhe toda a razão: entendia também

7| que os sérios interesses comerciais estavam acima de tudo.

Na linha 6, o emprego do pretérito imperfeito nas formas verbais “dava” e “entendia” tem efei-

tos distintos: no primeiro caso denota iteratividade e, no segundo, duração.

Questão 3 (CESPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRF-1ª/2017)

1| O tema relativo à economia informal ganhou destaque

2| expressivo na mídia e na literatura especializada a partir do

3 | final do século passado. Essa denominação pode envolver

4| fenômenos muito distintos, tais como sonegação fiscal [...]

A substituição da forma verbal “pode envolver” (l.3) por “envolve” alteraria os sentidos

do texto.

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Questão 4 (CESPE/SOLDADO COMBATENTE/PM/2017)

Susanita emprega verbos no imperativo em todas as falas dirigidas a Mafalda, pois, a todo
momento, dá ordens a ela.

Questão 5 (CESPE/ANALISTA/FUNPRESP-EXE/2016) A forma verbal “havia”, em “não ha-


via mais dúvidas”, poderia ser corretamente substituída por “existia”.

Questão 6 (CESPE/AGENTE/PC-PE/2016) No trecho “o tema da segurança pública tem


sido historicamente negligenciado”, a palavra destacada classifica-se, do ponto de vista mor-
fossintático, como advérbio.

Questão 7 (CESPE/ADMINISTRADOR/FUB/2016)
17| O mundo inteiro clangorava e
18| silvava com o maquinário e os instrumentos produzidos por sua
19| engenhosidade. Muitas pessoas cultas acreditavam que não
20| restava muito para a ciência fazer.
As formas verbais “clangorava” (l.17) e “silvava” (l.18) poderiam ser substituídas pelas formas
“clangorou” e “silvou”, sem prejuízo para os sentidos do texto, uma vez que a noção de pas-
sado seria preservada.

Questão 8 (CESPE/ASSESSOR/TRE-RN/2015)
1| Os primeiros vestígios de atividade contábil foram
2| encontrados na Mesopotâmia, por volta de 4.000 a.C.
3| Inicialmente, eram utilizadas fichas de barro para representar

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4| a circulação de bens, logo substituídas por tábuas gravadas com


5| a escrita cuneiforme.
Os advérbios “Inicialmente” (l.3) e “logo” (l.4) atuam como sequenciadores textuais cuja fun-
ção é organizar a sequência temporal relativa ao registro das atividades contábeis na Meso-
potâmia.

Questão 9 (CESPE/ASSESSOR DE TI/TRE-RN/2015)


7| Embora a fiscalização de contas
8| conste de registros mais antigos [...]
O emprego do modo subjuntivo na forma verbal “conste” (l.8) depende sintaticamente da pre-
sença da conjunção “Embora” (l.7).

Questão 10 (CESPE/ANALISTA/TJ-DFT/2015)
18| Nesse sentido, a política de universalização do acesso
19| à justiça deve contemplar dois eixos de atuação: o de proteção
20| dos direitos violados
21| e o de prevenção da violência, por meio do
22| envolvimento da sociedade na formulação de uma política que
23| assegure direitos e promova a paz.
O uso do modo subjuntivo em “que assegure direitos e promova a paz” (l.22 e 23) indica que
a ideia expressa nessas orações é uma possibilidade.

Questão 11 (CESPE/PRIMEIRO TENENTE/PM/2014)


32| Além disso, se o nosso planeta for um exemplo
33| representativo da evolução da vida Cosmos afora, isso significa
34| que a vida aparece relativamente rápido quando um planeta se
35| forma.
A correção gramatical e o sentido original do texto seriam mantidos se, no trecho “a vida apa-
rece relativamente rápido” (l.34), a palavra “rápido” fosse substituída por “rápida”.

Questão 12 (CESPE/CEF/TÉCNICO BANCÁRIO/2014)

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10| Apesar de não haver estatísticas que revelem a


11| expansão do setor, especialistas estimam [...]
Sem prejuízo da correção gramatical e do sentido original do texto, a forma verbal “haver”
(l.10) poderia ser substituída por “existir”.

Questão 13 (CESPE/ANATEL/ANALISTA ADMINISTRATIVO/2014)

No segundo quadrinho, a palavra “JÁ” tem valor temporal.

Questão 14 (CESPE/ANALISTA LEGISLATIVO/CÂMARA DOS DEPUTADOS/2014)

7| Oficialmente, o presidente Nazarbayev justificou a mudança

8| alegando o risco permanente de terremoto em Almaty e a falta

9| de espaço para crescimento.

Os vocábulos “Oficialmente” (l.7) e “permanente” (l.8) pertencem à mesma classe gramatical.

Questão 15 (CESPE/TÉCNICO ADMINISTRATIVO/ANATEL/2014)


11| Desde a Idade Média, os seres humanos vinham

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12| tentando resolver o problema da escuridão com velas e outros


13| artefatos. Nesse período, eram usadas tochas com fibras
14| torcidas e impregnadas com material inflamável.
O trecho “eram usadas tochas” (l.13) poderia ser corretamente reescrito como “usavam-se
tochas”.

Questão 16 (CESPE/ASSISTENTE EM ADMINISTRAÇÃO/UNIPAMPA/2013)


15| Cientistas e instituições passaram a ser avaliados e financiados
16| com base na sua produtividade. Colheram-se bons resultados.
A substituição de “Colheram-se” (l.16) por “Foi colhido” manteria a correção gramatical
do período.

Questão 17 (CESPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRT-17ª/2013)


7| O empregador responde pelos danos morais causados
8| à vítima que tenha sofrido assédio em seu estabelecimento, nos
9| termos do artigo 932 do Código Civil.
A forma verbal “responde” (l.7), empregada no presente do indicativo, sugere ação que se re-
pete no tempo, compatível com um texto de lei.

Questão 18 (CESPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TJ-DFT/2013)


16| O computador do internauta comprador irá utilizar
17| essa chave para codificar [...]
A forma verbal composta “irá utilizar” (l.16) corresponde à forma verbal simples “utilizará”,
que poderia ser empregada na oração sem que isso comprometesse a coerência ou correção
gramatical do texto.

Questão 19 (CESPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRT-10ª/2012)


17| Com isso, surgiram
18| então as comissões mistas de conciliação, cuja função era
19| conciliar os dissídios coletivo, e, no mesmo momento,
20| criaram-se as juntas de conciliação e julgamento, que [...]

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Mantém-se a correção gramatical do período ao se substituir “criaram-se” (l.20) por “fo-


ram criadas”.

Questão 20 (CESPE/ANALISTA DE INFRAESTRUTURA/MPOG/2012)


12| Adam Smith
13| estava certo quando observou que o crescimento aumenta a
14| renda da população e, assim, amplia a capacidade das pessoas [...]
O advérbio “assim” (l.14) resume e retoma a ideia expressa na oração anterior àquela em que se insere.

Questão 21 (CESPE/TÉCNICO DE PLANEJAMENTO/INPI/2012)


6| As instalações podem afetar direta ou indiretamente a
7| biodiversidade, muitas vezes danificando o entorno ao
8| penetrar o hábitat das plantas e dos animais. Ademais, a
9| construção e o uso de instalações comerciais funcionam
10| como semidouros [...]
O advérbio “Ademais” (l.8) poderia, sem prejuízo sintático ou alteração de sentido do texto, ser
substituído por “Além do mais”.

Questão 22 (CESPE/SUPERIOR/TRE-BA/2010) Em “oxalá concluas a viagem”, o vocábulo


“oxalá” pode ser substituído por “tomara que”, mantendo-se, assim, o sentido do trecho em
que se insere.

Questão 23 (CESPE/CONSULTOR TÉCNICO LEGISLATIVO/CLDF/2005)

Fernando Gonsales. Níquel Náusea. In Jornal de Londrina, 23/10/2003

“Viva!” e “Hurra!” são expressões de valor interjetivo. As interjeições caracterizam a fala como
constrangente, como algo inevitável, não sendo suscetíveis, portanto, a avaliações em termos
de verdade ou falsidade.

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Questão 24 (CESPE/PROCURADOR/PREFEITURA DE BOAVISTA-PR/2019)

As formas verbais “Acesse”, “conheça” e “consulte” caracterizam-se por uma uniformidade na


flexão de modo e de pessoa.

Questão 25 (CESPE/POLICIAL/PRF/2019)
1| A vida humana só viceja sob algum tipo de luz, de
preferência a do sol, tão óbvia quanto essencial. Somos
animais diurnos, por mais que boêmios da pá virada e

4| vampiros em geral discordem dessa afirmativa. Poucas

vezes a gente pensa nisso, do mesmo jeito que devem ser

poucas as pessoas que acordam se sentindo primatas,

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7| mamíferos ou terráqueos, outros rótulos que nos cabem por força da natureza das coisas.

A humanidade continua se aperfeiçoando na arte de


10| afastar as trevas noturnas de todo hábitat humano. Luz soa
para muitos como sinônimo de civilização, e pode-se
observar do espaço o mapa das desigualdades econômicas
13| mundiais desenhado na banda noturna do planeta. A
parcela ocidental do hemisfério norte é, de longe, a mais
iluminada.
16| Dispor de tanta luz assim, porém, tem um custo
ambiental muito alto, avisam os cientistas. Nos humanos, o
excesso de luz urbana que se infiltra no ambiente no qual
19| dormimos pode reduzir drasticamente os níveis de
melatonina, que regula o nosso ciclo de sono-vigília
Mesmo assim, sinto uma alegria quase infantil
22| quando vejo se acenderem as luzes da cidade. E repito para
mim mesmo a pergunta que me faço desde que me
conheço por gente: quem é o responsável por acender as
25| luzes da cidade? O mais plausível é imaginar que essa
tarefa caiba a sensores fotoelétricos espalhados pelos
bairros. Mas e antes dos sensores, como é que se fazia?
28| Imagino que algum funcionário trepava na antena mais alta
no topo do maior arranha-céu e, ao constatar a falência da
luz solar, acionava um interruptor, e a cidade toda se
31| iluminava.
Não consigo pensar em um cargo público mais
empolgante que o desse homem. Claro que o cargo, se
34| existia, já foi extinto, e o homem da luz já deve ter
se transferido para o mundo das trevas eternas.

Reinaldo Moraes. “Luz! Mais luz”. Internet: <www.nexojornal.com.br> (com adaptações).

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A correção gramatical e os sentidos do texto seriam mantidos caso a forma verbal “existia”
(l.34) fosse substituída por “existisse”.

(CESPE/MÉDICO/IHBASE-DF/2018)
Texto CG1A1AAA
1| Nasci no Brás, durante a Segunda Guerra. Da rua
em que morávamos até a Praça da Sé, são vinte minutos
de caminhada.
4| Quando estava com sete anos, acordei com
os olhos inchados, e meu pai me levou ao pediatra.
Ao voltarmos, o futebol ininterrupto que jogávamos com
7| bola de borracha na porta da fábrica em frente parou e
a molecada correu até nós. Queriam saber se era verdade que
os médicos davam injeções enormes na bunda das crianças.
10| Nenhum daqueles filhos de operários, meus irmãos
ou eu havia ido ao pediatra; só os fortes sobreviviam, a morte
de crianças era aceita com resignação. Em várias regiões
13| do país, a mortalidade infantil ultrapassava uma centena
para cada mil nascidos.
Se a assistência médica não chegava efetivamente
16| ao Brás fabril, o primeiro bairro da zona leste, encostado
no centro da cidade que mais crescia na América Latina,
que cuidados recebiam aqueles da zona rural, que constituíam
19| mais de 70% da população?
Sarampo, caxumba, catapora, difteria e tosse
comprida eram doenças da infância, tão inevitáveis quanto
22| a noite e o dia. Qualquer episódio de febre que deixasse
a criança apática enlouquecia as mães, apavoradas pelo
fantasma onipresente da poliomielite. O som metálico das
25| próteses que acompanhava os passos de meninas e meninos

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era ouvido em toda parte


No pronto-socorro de pediatria, os bebês com
28| diarreia e desidratação eram atendidos em uma sala com
trinta berços, ao lado dos quais as mães passavam os dias
e as noites em vigília. Morriam quatro ou cinco em cada
31| plantão de 12 horas.
Em 1988, o SUS passou a fazer parte da
Constituição Federal. Nós nos tornamos o único país com
34| mais de 100 milhões de habitantes que ousou oferecer
saúde para todos. Apesar de termos nos esquecido de onde
sairiam os recursos para tamanho desafio, dos descasos,
37| das interferências políticas, hoje são raras as crianças sem
acesso a pediatra.
Em contraste com as imagens de unidades de saúde
40| caindo aos pedaços e prontos-socorros com doentes no chão,
as equipes do Saúde da Família atendem, de casa em casa,
a maior parte do país continental. Temos o maior programa
43| gratuito de vacinações e de transplante de órgãos do mundo.
A distribuição universal de medicamentos contra HIV
não só impediu que a epidemia se transformasse em catástrofe
46| nacional, como serviu de base para o combate em países
da África e da Ásia.
Se pensarmos que, nos tempos desassistidos de
49| minha infância, o Brasil tinha 50 milhões de habitantes,
enquanto hoje somos 200 milhões, a assistência médica deu
um salto quantitativo e de qualidade muito superior ao de
52| outras áreas sociais, apesar de todas as deficiências gerenciais.
Drauzio Varella. Os visionários do SUS. 14/12/2015.Internet: <https://drauziovarella.com.br> (com adaptações)

Questão 26 (CESPE/MÉDICO/INSTITUTO HOSPITAL DE BASE DO DF/2018) Depreende-se


do emprego da forma verbal “jogávamos” (l.6) que o narrador, ao retornar do pediatra para
casa, juntou-se a colegas para jogar futebol.

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Questão 27 (CESPE/MÉDICO/IHBASE-DF/2018) Infere-se do emprego da forma verbal “mo-


rávamos” (l.2) que o narrador fornece uma informação sobre si próprio e sua família.

Questão 28 (CESPE/ANALISTA/BNB/2018)
Texto 2A1-II
1| Não podemos descartar a operação humana por trás
dos sistemas, muito menos a presença de analistas reais. Vamos
supor que um sistema de aprendizagem de máquina perceba
4| que todas as pessoas com índice de massa corporal regular
tomam café com açúcar, enquanto todas as pessoas com índice
elevado tomam a bebida com adoçante. A inteligência artificial
7| poderá inferir, assim, que o adoçante é o responsável pela
obesidade dos usuários, o que nós sabemos, pela nossa
inteligência humana, que não é bem assim.
10| O sistema de aprendizagem de máquina diminui a
ocorrência de falsos positivos e deve contribuir para cortes de
gastos. Contudo, não podemos deixar de considerar uma pessoa
13| que esteja por trás do sistema, pronta para lidar com casos
realmente duvidosos, que mereçam ser mais bem avaliados.

Correio Braziliense, 1º/10/2018, p. 14 (com adaptações)

Nas linhas 5 e 6, a forma verbal “tomam”, em ambas as suas ocorrências, poderia ser substi-
tuída por “tomem”, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência do texto.

Questão 29 (CESPE/ANALISTA/BNB/2018)
Texto 2A1-I
1| O carrinho de compras do sítio eletrônico está lotado,
e o preço total agrada. Animado, você digita todas as
informações referentes ao cartão de crédito e, sem entender,
4| observa a transação ser negada. Mais tarde, descobre que o
banco tinha considerado suspeito aquele seu procedimento

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virtual, uma vez que tinha características semelhantes às de


7| uma fraude. Decepcionante, não? E muito comum.
A fim de melhorar a experiência dos consumidores em
compras pela Internet, cientistas do Instituto de Tecnologia de
10| Massachusetts, nos Estados Unidos da América,
desenvolveram um sistema baseado em princípios de
aprendizagem de máquina.
13| A aprendizagem de máquina para a detecção de fraude
é baseada em equações matemáticas e algoritmos e funciona
em duas etapas. Na primeira, o sistema recebe exemplificações
16| de compras legítimas e ilegítimas. Em seguida, a máquina
avalia compras reais, levando em consideração os padrões
observados. O sistema funciona mais ou menos como nossos
19| neurônios. A partir de números e fórmulas, une ponto a ponto
informações sobre características de transações já feitas pelo
usuário — como valores médios gastos, horários de compra,
22| uso de celular, pontos usados, principais estabelecimentos —,
até chegar a uma probabilidade de fraude final. Com cada
constatação, o programa consegue melhorar os padrões
25| aprendidos.
Segundo um arquiteto de software de uma empresa
não participante do estudo, o modo como a máquina aprende
28| os padrões antes de começar a analisar compras interfere
diretamente no registro de falsos positivos e fraudes reais. “Se
a prepararmos apenas para detectar casos de não fraude,
31| podemos aumentar os riscos de fraudes que passam. Sendo
assim, precisamos aumentar ao máximo o balanço de situações
apresentadas à máquina para não pesar um lado mais do que o
34| outro”, detalha.

Correio Braziliense, 1º/10/2018, p. 14 (com adaptações).

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A substituição da forma verbal ‘podemos’ (l.31) por “poderemos” não prejudicaria a correção
gramatical nem alteraria os sentidos originais do texto.

Questão 30 (CESPE/PAPILOSCOPISTA/PF/2018)
Texto 14A15AAA
1| A natureza jamais vai deixar de nos surpreender.
As teorias científicas de hoje, das quais somos justamente
orgulhosos, serão consideradas brincadeira de criança por
4| futuras gerações de cientistas. Nossos modelos de hoje
certamente serão pobres aproximações para os modelos do
futuro. No entanto, o trabalho dos cientistas do futuro seria
7| impossível sem o nosso, assim como o nosso teria sido
impossível sem o trabalho de Kepler, Galileu ou Newton.
Teorias científicas jamais serão a verdade final: elas irão
10| sempre evoluir e mudar, tornando-se progressivamente mais
corretas e eficientes, sem chegar nunca a um estado final de
perfeição. Novos fenômenos estranhos, inesperados e
13| imprevisíveis irão sempre desafiar nossa imaginação. Assim
como nossos antepassados, estaremos sempre buscando
compreender o novo. E, a cada passo dessa busca sem fim,
16| compreenderemos um pouco mais sobre nós mesmos e sobre
o mundo a nossa volta.
Em graus diferentes, todos fazemos parte dessa
19| aventura, todos podemos compartilhar o êxtase que surge a
cada nova descoberta; se não por intermédio de nossas próprias
atividades de pesquisa, ao menos ao estudarmos as ideias
22| daqueles que expandiram e expandem as fronteiras do
conhecimento com sua criatividade e coragem intelectual.
Nesse sentido, você, eu, Heráclito, Copérnico e Einstein somos
25| todos parceiros da mesma dança, todos dançamos com o
Universo. É a persistência do mistério que nos inspira a criar.

Marcelo Gleiser. A dança do universo: dos mitos de criação ao Big-Bang.São Paulo: Companhia das Letras,
2006, p. 384-5 (com adaptações).

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Para conferir um tom menos categórico ao trecho “Teorias científicas jamais serão a verdade
final” (l.9), poderia utilizar-se a expressão “em tempo nenhum” no lugar de “jamais”.

(CESPE/ESCRIVÃO/PF/2018)
Texto 13A1AAA
1| No fim do século XVIII e começo do XIX, a despeito
de algumas grandes fogueiras, a melancólica festa de punição
de condenados foi-se extinguindo. Em algumas dezenas
4| de anos, desapareceu o corpo como alvo principal da repressão
penal: o corpo supliciado, esquartejado, amputado, marcado
simbolicamente no rosto ou no ombro, exposto vivo ou morto,
7| dado como espetáculo. Ficou a suspeita de que tal rito que dava
um “fecho” ao crime mantinha com ele afinidades espúrias:
igualando-o, ou mesmo ultrapassando-o em selvageria,
10| acostumando os espectadores a uma ferocidade de que todos
queriam vê-los afastados, mostrando-lhes a frequência dos
crimes, fazendo o carrasco se parecer com criminoso, os juízes
13| com assassinos, invertendo no último momento os papéis,
fazendo do supliciado um objeto de piedade e de admiração.
A punição vai-se tornando a parte mais velada do
16| processo penal, provocando várias consequências: deixa o
campo da percepção quase diária e entra no da consciência
abstrata; sua eficácia é atribuída à sua fatalidade, não à sua
19| intensidade visível; a certeza de ser punido é que deve desviar
o homem do crime, e não mais o abominável teatro.
Sob o nome de crimes e delitos, são sempre julgados
22| corretamente os objetos jurídicos definidos pelo Código.
Porém julgam-se também as paixões, os instintos, as anomalias,
as enfermidades, as inadaptações, os efeitos de meio ambiente
25| ou de hereditariedade. Punem-se as agressões, mas, por meio

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delas, as agressividades, as violações e, ao mesmo tempo, as


perversões, os assassinatos que são, também, impulsos e
28| desejos. Dir-se-ia que não são eles que são julgados; se são
invocados, é para explicar os fatos a serem julgados e
determinar até que ponto a vontade do réu estava envolvida no
31| crime. As sombras que se escondem por trás dos elementos da
causa é que são, na realidade, julgadas e punidas.
O juiz de nossos dias — magistrado ou jurado — faz
34| outra coisa, bem diferente de “julgar”. E ele não julga mais
sozinho. Ao longo do processo penal, e da execução da pena,
prolifera toda uma série de instâncias anexas. Pequenas justiças
37| e juízes paralelos se multiplicaram em torno do julgamento
principal: peritos psiquiátricos ou psicológicos, magistrados da
aplicação das penas, educadores, funcionários da administração
40| penitenciária fracionam o poder legal de punir. Dir-se-á,
no entanto, que nenhum deles partilha realmente do direito de
julgar; os peritos não intervêm antes da sentença para fazer um
43| julgamento, mas para esclarecer a decisão dos juízes. Todo o
aparelho que se desenvolveu há anos, em torno da aplicação
das penas e de seu ajustamento aos indivíduos, multiplica as
46| instâncias da decisão judiciária, prolongando-a muito além da
sentença.

Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Trad. RaquelRamalhete. Petrópolis, Vozes, 1987, p.
8-26 (com adaptações).

Questão 31 (CESPE/ESCRIVÃO/PF/2018) A expressão “Dir-se-á” (l.40) poderia ser correta-


mente substituída por “Será dito”.

Questão 32 (CESPE/ESCRIVÃO/PF/2018) No longo período que finaliza o primeiro parágrafo


do texto, as formas verbais no gerúndio relacionam-se, por coesão, ao termo “tal rito” (l.7).

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Questão 33 (CESPE/NÍVEL SUPERIOR/IPHAN/2018)


1| Uma das grandes cousas que se veem hoje no
mundo, e nós pelo costume de cada dia não admiramos, é a transmigração imensa de gentes
e nações etíopes, que da
4| África continuamente estão passando a esta América. Entra
uma nau de Angola, e desova no mesmo dia quinhentos,
seiscentos e talvez mil escravos. Os israelitas atravessaram
7| o Mar Vermelho, e passaram da África à Ásia, fugindo do
cativeiro; estes atravessam o mar oceano na sua maior
largura, e passam da mesma África à América e para viver
10| e morrer cativos. Os outros nascem para viver, estes para
servir. Nas outras terras do que aram os homens, e do que
fiam e tecem as mulheres, se fazem os comércios: naquela
13| o que geram os pais e o que criam a seus peitos as mães, é
o que se vende, e se compra. Oh trato desumano, em que a
mercancia são homens! Oh mercancia diabólica, em que
16| os interesses se tiram das almas alheias, e os riscos das próprias!
Já se depois de chegados olharmos para estes
19| miseráveis, e para os que se chamam seus senhores: o que
se viu nos dous estados de Jó, é o que aqui representa a
fortuna, pondo juntas a felicidade e a miséria no mesmo
22| teatro. Os senhores poucos, e os escravos muitos; os
senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; os
senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome; os
25| senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados
de ferros; os senhores tratando-os como brutos, os escravos
adorando-os e temendo-os como deuses; os senhores em pé
28| apontando para o açoute, como estátuas da soberba e da
tirania, os escravos prostrados com as mãos atadas atrás

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como imagens vilíssimas da servidão, e espetáculos da


31| extrema miséria.

Antônio Vieira. Sermão vigésimo sétimo do rosário. In: Essencial padre Antônio Vieira. Organização e introdu-
ção de Alfredo Bosi. São Paulo: Penguin Classics, Companhia das Letras, 2011, p. 532-3 (com adaptações).

A forma verbal “nadando” (l.25) exprime um evento com duração no tempo.

Questão 34 (CESPE/NÍVEL SUPERIOR/EMAP/2018)


Texto CB1A1AAA
1| O Juca era da categoria das chamadas pessoas
sensíveis, dessas a que tudo lhes toca e tange. Se a gente lhe
perguntasse: “Como vais, Juca?”, ao que qualquer pessoa
4| normal responderia “Bem, obrigado!” — com o Juca a coisa
não era assim tão simples. Primeiro fazia uma cara de
indecisão, depois um sorriso triste contrabalançado por um
7| olhar heroicamente exultante, até que esse exame de
consciência era cortado pela voz do interlocutor, que começava
a falar chãmente em outras coisas, que, aliás, o Juca não estava
10| ouvindo... Porque as pessoas sensíveis são as criaturas mais
egoístas, mais coriáceas, mais impenetráveis do reino animal.
Pois, meus amigos, da última vez que vi o Juca, o impasse
13| continuava... E que impasse!
Estavam-lhe ministrando a extrema-unção. E, quando
o sacerdote lhe fez a tremenda pergunta, chamando-o pelo
16| nome: “Juca, queres arrepender-te dos teus pecados?”, vi que,
na sua face devastada pela erosão da morte, a Dúvida
começava a redesenhar, reanimando-a, aqueles seus trejeitos e
19| caretas, numa espécie de ridícula ressurreição. E a resposta não
foi “sim” nem “não”; seria acaso um “talvez”, se o padre não
fosse tão compreensivo. Ou apressado. Despachou-o num
22| átimo e absolvido. Que fosse amolar os anjos lá no Céu!
E eu imagino o Juca a indagar, até hoje:

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— Mas o senhor acha mesmo, sargento Gabriel, que


25| ele poderia ter-me absolvido?

Mário Quintana Prosa & Verso Porto Alegre: Globo, 1978, p 65 (com adaptações)

Na linha 5, caso a forma verbal “era” fosse substituída por “seria”, a respectiva afirmação so-
bre o comportamento de Juca seria mais categórica que a que se verifica no texto.

Questão 35 (CESPE/PROFESSOR/SEDUC-AL/2018)
1| O estado de São Paulo realiza o chamado “dia D” da
vacinação contra a febre amarela em 54 cidades da Grande São
Paulo, do Vale do Paraíba e da Baixada Santista. O governo do
4| estado pretende imunizar 9,2 milhões de pessoas. Para se
vacinar, as pessoas devem apresentar documento de identidade
e carteiras do SUS e de vacinação.
7| A campanha será feita com a dose fracionada da

vacina. Segundo o Ministério da Saúde, a vacina fracionada

tem eficácia de oito anos, e quem já tomou uma dose não


10| precisará se vacinar novamente.
Também serão disponibilizadas doses convencionais
para crianças com idade entre nove meses e dois anos, pessoas
13| que viajarão para países que exigem imunização, grávidas que
moram em área de risco, transplantados e portadores de
doenças crônicas. De acordo com a Organização Mundial da
16| Saúde (OMS), a dose padrão tem validade para a vida toda.

São Paulo faz mutirão para vacinação contra a febreamarela. Internet: <www.g1.com.br> (com adaptações).

Conclui-se do emprego do advérbio “Também” (l.11) que as duas modalidades de vacinação,


além de serem aplicadas simultaneamente, valem para a vida toda.

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Questão 36 (CESPE/ANALISTA/STM/2018)

No período “É um orgulho poder contar com você”, a terceira pessoa do singular empregada
na forma verbal “É” justifica-se por tratar-se de um verbo impessoal, como em “É tarde”.

Questão 37 (CESPE/ANALISTA/STM/2018)
Texto 6A1AAA
1| Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que
se não errou confundiu, que se não confundiu imaginou, mas
venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado,
4| confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é
próprio do homem, o que significa, se não é erro tomar as
palavras à letra, que não seria verdadeiro homem aquele que
7| não errasse. Porém, esta suprema máxima não pode ser
utilizada como desculpa universal que a todos nos absolveria

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de juízos coxos e opiniões mancas. Quem não sabe deve


10| perguntar, ter essa humildade, e uma precaução tão elementar
deveria tê-la sempre presente o revisor, tanto mais que nem
sequer precisaria sair de sua casa, do escritório onde agora está
13| trabalhando, pois não faltam aqui os livros que o elucidariam
se tivesse tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente
naquilo que supõe saber, que daí é que vêm os enganos piores,
16| não da ignorância. Nestas ajoujadas estantes, milhares e
milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade
inicial ou a firme luz que é sempre a dúvida que busca o seu
19| próprio esclarecimento. Lancemos, enfim, a crédito do revisor
ter reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes de
informação, embora um simples olhar nos revele que estão
faltando no seu tombo as tecnologias da informática, mas o
dinheiro, desgraçadamente, não chega a tudo, e este ofício, é
altura de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal pagos do orbe.
25| Um dia, mas Alá é maior, qualquer corrector de livros terá ao
seu dispor um terminal de computador que o manterá ligado,
noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não
28| tendo ele, e nós, mais que desejar que entre esses dados do
saber total não se tenha insinuado, como o diabo no convento,
o erro tentador.
31| Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros
estão aqui, como uma galáxia pulsante, e as palavras, dentro
deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do olhar
34| que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo,
porque assim como vão variando as explicações do universo,
também a sentença que antes parecera imutável para todo o
37| sempre oferece subitamente outra interpretação, a possibilidade

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duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio.


Aqui, neste escritório onde a verdade não pode ser mais do que
40| uma cara sobreposta às infinitas máscaras variantes, estão os
costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais e
Aurélios, os Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o
43| Manual do Perfeito Revisor, vademeco de ofício [...].

José Saramago. História do cerco de Lisboa.São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 25-6.

Em “não tendo ele, e nós, mais que desejar” (l. 27 e 28), a palavra “mais” classifica-se como
advérbio, sendo sinônimo de “já”, de forma que, sem prejuízo do sentido do texto, tal trecho
poderia ser reescrito da seguinte forma: “já não tendo ele, e nós, que desejar”.

Questão 38 (CESPE/ANALISTA/STM/2018)
1| A corrupção é uma doença da alma. Como todas as
doenças, ela não acomete a todos. Muitas pessoas são
suscetíveis a ela, outras não. A corrupção é uma doença que
4| deve ser combatida por meio de uma vacina: a educação. Uma
educação de qualidade para todos os brasileiros deverá
exercitar o pensamento e a crítica argumentada e,
7| principalmente, introduzir e consolidar virtudes como a
solidariedade e a ética. Devemos preparar uma nova geração
na qual a corrupção seja um fenômeno do passado. Nesse
10| futuro não tão remoto, teremos conquistado a utopia de uma
verdadeira justiça social.

Isaac Roitman. Corrupção e democracia.Internet: <https://noticias.unb.br> (com adaptações).

A substituição de “teremos conquistado” (l.10) por “conquistaremos” manteria os sentidos ori-


ginais do texto.

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Questão 39 (CESPE/ANALISTA/TRF/2017)
Texto 4A4AAA
1| A linguagem — seja ela oral ou escrita, seja mímica
ou semafórica — é um sistema de símbolos, signos ou
signos-símbolos, voluntariamente produzidos e
4| convencionalmente aceitos, mediante o qual o ser humano se
comunica com seus semelhantes, expressando suas ideias,
sentimentos ou desejos.
7| A linguagem ideal seria aquela em que cada palavra
designasse apenas uma coisa, correspondesse a uma só ideia ou
conceito, tivesse um só sentido. Como tal não ocorre em
10| nenhuma língua conhecida, as palavras são, por natureza,
enganosas, porque polissêmicas ou plurivalentes.
Isoladas de contexto ou situação, as palavras quase
13| nada significam de maneira precisa, inequívoca (Ogden e
Richards são radicais: “as palavras nada significam por si
mesmas”): “...o que determina o valor da palavra é o contexto,
16| o qual, a despeito da variedade de sentidos de que a palavra
seja suscetível, lhe impõe um valor ‘singular’; é o contexto
também que a liberta de todas as representações passadas, nela
19| acumuladas pela memória, e que lhe atribui um valor ‘atual’”.
Assim, por mais condicionada que esteja a significação de uma
palavra ao seu contexto, sempre subsiste nela, palavra, um
22| núcleo significativo mais ou menos estável e constante, além de
outros traços semânticos potenciais em condições de se
evidenciarem nos contextos em que ela apareça. Se, como
25| entendem Ogden e Richards, as palavras por si mesmas nada
significassem, a cada novo contexto elas adquiririam
significação diferente, o que tornaria praticamente impossível
28| a própria intercomunicação linguística.
Othon M. Garcia. Comunicação em Prosa Moderna. 21.ª ed. Riode Janeiro: Editora FGV, 2002, p. 175-6
(com adaptações).

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A correção gramatical e os sentidos do primeiro período do segundo parágrafo seriam preser-


vados caso as formas verbais flexionadas no futuro do pretérito do indicativo e no modo sub-
juntivo fossem alteradas para o presente do modo indicativo, da seguinte forma: “A linguagem
ideal é aquela em que cada palavra designa apenas uma coisa, corresponde a uma só ideia ou
conceito, tem um só sentido”.

Questão 40 (CESPE/TÉCNICO/TRF-1ª REGIÃO/2018)


Texto 7A3BBB
1| Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF1)
determinou a imediata paralisação das atividades de mineração
do empreendimento Onça Puma, subsidiária da Vale S.A., até
4| que seja comprovada a implantação do plano de gestão
econômica e ambiental e das demais medidas compensatórias
em favor das comunidades indígenas afetadas.
7| Os representantes das comunidades Xikrins e Kayapós
defenderam a paralisação imediata das atividades de mineração
do empreendimento Onça Puma sob o fundamento de que a
10| exploração de minério em áreas próximas às terras indígenas
localizadas na sub-bacia do rio Catete e do igarapé Carapanã
está trazendo impactos negativos aos índios da região.
13| Sustentaram os índios que a responsabilidade do TRF1 no
julgamento da questão é muito importante.
A Vale S.A. e o estado do Pará, por intermédio de
16| seus representantes, buscaram a rejeição dos argumentos das
comunidades indígenas, a fim de permitir a continuidade das
atividades. A defesa da empresa se ateve a questões
19| processuais, enquanto o procurador do estado do Pará afirmou
que a paralisação das atividades ocasionará prejuízos
irreversíveis ao estado, tais como aumento do índice de
22| desemprego e queda na arrecadação de impostos.

Internet: <portal.trf1.jus.br> (com adaptações).

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No contexto em que foi empregada, a forma verbal “buscaram” (l.16) poderia ter sido flexio-
nada no singular, “buscou”, sem que houvesse prejuízo para a correção gramatical do texto.

Questão 41 (CESPE/TÉCNICO/TRF-1ª REGIÃO/2017/ADAPTADA)


Texto 7A3AAA
1| Botelho conhecia as faltas de Estela como as palmas
das próprias mãos. O Miranda mesmo, que o via em conta de
amigo fiel, muitas e muitas vezes lhas confiara em ocasiões
4| desesperadas de desabafo, declarando francamente o quanto no
íntimo a desprezava e a razão por que não a punha na rua aos
pontapés. E o Botelho dava-lhe toda a razão: entendia também
7| que os sérios interesses comerciais estavam acima de tudo.
— Uma mulher naquelas condições, dizia ele
convicto, representa nada menos que o capital, e um capital em
10| caso nenhum a gente despreza! Agora, você o que devia era
nunca chegar-se para ela...
— Ora! Explicava o marido. Eu me sirvo dela como
13| quem se serve de uma escarradeira!
O parasita, feliz por ver quanto o amigo aviltava a
mulher, concordava em tudo plenamente, dando-lhe um
16| carinhoso abraço de admiração. Mas por outro lado, quando
ouvia Estela falar do marido, com infinito desdém e até com
asco, ainda mais resplandecia de contente.

Aluísio Azevedo. O cortiço. Internet: <www.dominiopublico.gov.br> (com adaptações).

Na linha 4, a forma “francamente” é derivada da forma masculina do adjetivo “franco”.

Questão 42 (CESPE/TÉCNICO/TRF-1ª REGIÃO/2017)


Texto CB2A2AAA
1| O pensamento do filósofo grego Sócrates, no século

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V – a. C., marcou uma reviravolta na história humana. Até então,


a filosofia procurava explicar o mundo com base na observação
4| das forças da natureza. A partir de Sócrates, o ser humano
voltou-se para si mesmo.
A preocupação do filósofo era levar as pessoas, por
7| meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem.
Para o filósofo grego, o papel do educador é, portanto, o de
ajudar o discípulo a caminhar nesse sentido, despertando sua
10| cooperação para que ele consiga, por si próprio, iluminar sua
inteligência e sua consciência.
Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de
13| conhecimentos, mas alguém que desperta os espíritos. Ele
deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao exercer sua
função iluminadora, permitindo que os alunos contestem seus
16| argumentos da mesma forma que ele contesta os argumentos
dos alunos. Para esse pensador, só a troca de ideias dá
liberdade ao pensamento e a sua expressão, condição
19| imprescindível para o aperfeiçoamento do ser humano.

Sócrates. In: Coleção Grandes Pensadores. Revista Nova Escola. Ed. 179,jan.–fev./2005.
Internet: <https://novaescola.org.br> (com adaptações).

Por ser um advérbio, o vocábulo “só” (l.17) poderia ser deslocado para imediatamente antes
da forma verbal “dá” (l.17), sem alteração dos sentidos do texto.

Questão 43 (CESPE/NÍVEL MÉDIO/TRF-1ª REGIÃO/2017)


Texto CB2A1AAA
1| A pergunta a respeito da exigibilidade ou não de
procedimento licitatório prévio para a contratação de serviços
profissionais de advocacia não comporta uma resposta
4| genérica, seja em sentido positivo, seja em sentido negativo.

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Na verdade, o campo de atuação profissional do advogado é


bastante amplo e compreende tanto trabalhos usuais,
7| corriqueiros, de pequena complexidade técnica, quanto
situações de extrema dificuldade, verdadeiramente polêmicas
e de enorme repercussão prática, de ordem tanto econômica
10| quanto propriamente jurídica.
O estudo desse problema exige muita ponderação,
repudiando-se, de uma vez, soluções simplistas e extremadas.
13| Nem se pode dizer que toda contratação direta de advogado
pelo poder público é lícita, dado o caráter fundamentalmente
intelectual e pessoal do trabalho advocatício, nem se pode
16| afirmar que toda e qualquer contratação de advogado deve ser
precedida de licitação, em face do princípio da isonomia.
Existem, no entanto, assuntos de grande repercussão
19| política correspondentes a programas ou prioridades
determinadas exatamente pela estrutura política eleita
democraticamente pelo corpo social, e o tratamento de temas
22| dessa natureza requer a seleção de assistentes jurídicos
nomeados para cargos de provimento em comissão ou a
contratação temporária de profissionais alheios ao corpo
permanente de servidores.

Adilson Abreu Dallari. Contratação de serviços de advocaciapela administração pública. Brasília. a. 35 n. 140
out./dez. 1998.Internet: <www2.senado.leg.br> (com adaptações).

A substituição das formas verbais “é” (l.14) e “deve” (l.16) por “seja” e “deva”, respectivamente,
não alteraria a correção gramatical do texto.

Questão 44 (CESPE/PROFESSOR/SE-DF/2016)
1| Meu querido neto Mizael,
Recebi a sua cartinha. Ver que você se tem adiantado

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muito me deu muito prazer.


4| Fiquei muito contente quando sua mãe me disse que em
princípio de maio estarão cá, pois estou com muitas saudades
de vocês todos. Vovó te manda muitas lembranças.
7| A menina de Zulmira está muito engraçadinha. Já tem 2
dentinhos.
Com muitas saudades te abraça sua Dindinha e Amiga,
Bárbara

Carta de Bárbara ao neto Mizael (carta de 1883). CorpusCompartilhado Diacrônico: cartas pessoais brasilei-
ras. Rio deJaneiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade deLetras.
Internet: <www.tycho.iel.unicamp.br> (com adaptações).

Como modificadora das palavras “prazer” (l.3) e “engraçadinha” (l.7), a palavra “muito” que as
acompanha é, do ponto de vista morfossintático, um advérbio.

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Questão 45 (CESPE/PROFESSOR/SE-DF/2016)

No terceiro período, “for” e “vir” são formas flexionadas no modo subjuntivo dos verbos de
movimento “ir” e “vir”, empregadas em um jogo de palavras que aproxima o campo semântico
do movimento com o campo semântico do transporte.

Questão 46 (CESPE/PROFESSOR/SE-DF/2016)
Texto CB2A1BBB

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GRAMÁTICA
Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
Bruno Pilastre

1| O universo da comunicação vem se ampliando com


maior dinamismo, nos últimos anos, para atender à demanda de
seus usuários, nas mais diferentes situações de interatividade.
4| Nele estamos inseridos, exercitando nossa linguagem oral e
escrita, até mesmo na área digital. Por isso, necessitamos
sempre assimilar novos conhecimentos e expressá-los com
7| objetividade e competência.
A construção do pensamento — e sua exposição de
forma clara e persuasiva — constitui um dos objetivos mais
10| perseguidos por todo aquele que almeja sucesso na vida
profissional e, muitas vezes, pessoal. É evidente que a
interlocução comunicativa permite o entendimento,
13| proporciona o intercâmbio de ideias e nos faz refletir e
argumentar com maior propriedade em defesa de nossos
direitos e deveres como cidadãos.

L – L. Sarmentto. Oficina de redação. 5.ª ed.São Paulo: Moderna, 2016, p. 3 (com adaptações).

A correção gramatical e o sentido do texto seriam preservados caso o trecho “expressá-los


com objetividade e competência” (l.6 e 7) fosse reescrito da seguinte maneira: “expressá-los
objetiva e competentemente“.

Questão 47 (CESPE/PROFESSOR/SE-DF/2016)
Texto CB4A1BBB
1| Hoje, constituída por 26 institutos e faculdades e
21 centros de pesquisa especializados, a UnB possui
2.695 professores, 2.620 servidores técnico-administrativos,
4| 36.370 alunos de graduação e 7.510 de pós-graduação.
Ela oferece 109 cursos de graduação, sendo
31 noturnos e 10 a distância, além de 147 cursos de
7| pós-graduação stricto sensu e 22 especializações lato sensu.
Os cursos estão divididos em quatro campi espalhados pelo

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
Bruno Pilastre

Distrito Federal: Darcy Ribeiro (Plano Piloto), Planaltina,


10| Ceilândia e Gama. Os órgãos de apoio incluem
o Hospital Universitário, a Biblioteca Central,
o Hospital Veterinário e a Fazenda Água Limpa.
13| Sua missão é ser uma instituição inovadora,
comprometida com a excelência acadêmica, científica e
tecnológica, e formar cidadãos conscientes do seu papel
16| transformador na sociedade, respeitadas a ética e a valorização
de identidades e culturas com responsabilidade social.
Estar entre as melhores universidades do Brasil,
19| inserida internacionalmente, com excelência em gestão de
processos que fortaleça o ensino, a pesquisa e a extensão, é a
visão de futuro da UnB.

Internet: <www.unb.br> (com adaptações).

O vocábulo “Hoje”, que inicia o texto, poderia ser corretamente substituído por “Atualmente”.

Questão 48 (CESPE/TÉCNICO/ANVISA/2016)
1| Ao combater a febre amarela, Oswaldo Cruz enfrentou
vários problemas. Grande parte dos médicos e da população
acreditava que a doença se transmitia pelo contato com roupas
4|,suor, sangue e secreções de doentes. No entanto, Oswaldo Cruz
acreditava em uma nova teoria: o transmissor da febre amarela
era um mosquito. Assim, suspendeu as desinfecções, método
7| então tradicional no combate à moléstia, e implantou medidas
sanitárias com brigadas que percorreram casas, jardins, quintais
e ruas, para eliminar focos de insetos. Sua atuação provocou
10| violenta reação popular.
Em 1904, a oposição a Oswaldo Cruz atingiu seu

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
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ápice. Com o recrudescimento dos surtos de varíola, o


13| sanitarista tentou promover a vacinação em massa da
população. Os jornais lançaram uma campanha contra a
medida. O congresso protestou e foi organizada a Liga Contra
16| a Vacinação Obrigatória. No dia 13 de novembro, estourou a
rebelião popular e, no dia 14, a Escola Militar da Praia
Vermelha se levantou. O governo derrotou a rebelião, mas
19| suspendeu a obrigatoriedade da vacina.
Oswaldo Cruz acabou vencendo a batalha. Em 1907,
a febre amarela estava erradicada do Rio de Janeiro. Em 1908,
22| uma epidemia de varíola levou a população aos postos de
vacinação. O Brasil finalmente reconhecia o valor do
sanitarista.

Osvaldo Cruz. Internet: <http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/oswaldo-cruz> (com adaptações)

O emprego de verbos no passado justifica-se em função do propósito comunicativo do texto,


que é o de narrar acontecimentos anteriores ao momento da fala.

Questão 49 (CESPE/CONHECIMENTOS BÁSICOS/FUNPRESP-EXE/2016)


1| O meu antigo companheiro de pensão Amadeu Amaral
Júnior, um homem louro e fornido, tinha costumes singulares
que espantavam os outros hóspedes.
4| Amadeu Amaral Júnior vestia-se com sobriedade:
usava uma cueca preta e calçava medonhos tamancos
barulhentos. Alimentava-se mal, espichava-se na cama, roncava
7| o dia inteiro e passava as noites acordado, passeando, agitando
o soalho, o que provocava a indignação dos outros
pensionistas. Quando se cansava, sentava-se a uma grande
10| mesa ao fundo da sala e escrevia o resto da noite. Leu um
tratado de psicologia e trocou-o em miúdo, isto é, reduziu-o a

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artigos, uns quarenta ou cinquenta, que projetou meter nas


13| revistas e nos jornais e com o produto vestir-se, habitar uma
casa diferente daquela e pagar ao barbeiro.
Mudamo-nos, separamo-nos, perdemo-nos de vista.
16| Creio que os artigos de psicologia não foram publicados,
pois há tempo li este anúncio num semanário: “Intelectual
desempregado. Amadeu Amaral Júnior, em estado de
19| desemprego, aceita esmolas, donativos, roupa velha,
pão dormido. Também aceita trabalho”. O anúncio não
produziu nenhum efeito.
22| Muita gente se espanta com o procedimento desse
amigo. Não sei por quê. Eu, por mim, acho que Amadeu
Amaral Júnior andou muito bem. Todos os jornalistas
25| necessitados deviam seguir o exemplo dele. O anúncio, pois
não. E, em duros casos, a propaganda oral, numa esquina, aos
gritos. Exatamente como quem vende pomada para calos.

Graciliano Ramos. Um amigo em talas. In: Linhas tortas.Rio de Janeiro: Record, 1983, p. 125 (com adaptações).

O sujeito da oração ‘também aceita trabalho’ (l.20) está elíptico e se refere a ‘Amadeu Amaral
Júnior’ (l.18), o que justifica o emprego da forma verbal “aceita” na terceira pessoa do singular.

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Questão 50 (CESPE/AGENTE ADMINISTRATIVO/DPU/2016)

Quino, Toda Mafalda, 2003, p. 349, tira 2

As formas verbais empregadas na tirinha, embora flexionadas na terceira pessoa do singular,


indicam ações praticadas por Mafalda e por ela relatadas no momento de sua realização, o
que justifica o emprego do presente do indicativo.

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Questão 51 (CESPE/ANALISTA/STM/2018)
1| Não sou de choro fácil a não ser quando descubro
qualquer coisa muito interessante sobre ácido
desoxirribonucleico. Ou quando acho uma carta que fale sobre
4| a descoberta de um novo modelo para a estrutura do ácido
desoxirribonucleico, uma carta que termine com “Muito amor,
papai”. Francis Crick descobriu o desenho do DNA e escreveu
7| a seu filho só para dizer que “nossa estrutura é muito bonita”.
Estrutura, foi o que ele falou. Antes de despedir-se ainda disse:
“Quando chegar em casa, vou te mostrar o modelo”. Não
10| esqueça os dois pacotes de leite, passe para comprar pão,
guarde o resto do dinheiro para seus caramelos e, quando
chegar, eu mostro a você o mecanismo copiador básico a partir
13| do qual a vida vem da vida.
Não sou de choro fácil, mas um composto orgânico
cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam
16| o desenvolvimento e o funcionamento de todos os seres vivos
me comove. Cromossomas me animam, ribossomas me
espantam. A divisão celular não me deixa dormir, e olha que eu
19| moro bem no meio das montanhas. De vez em quando vejo
passarem os aviões, mas isso nunca acontece de madrugada —
a noite se guarda toda para o infinito silêncio.
22| Acho que uma palavra é muito mais bonita do que
uma carabina, mas não sei se vem ao caso. Nenhuma palavra
quer ferir outras palavras: nem desoxirribonucleico, nem
25| montanha, nem canção. Todos esses conceitos têm os seus
sinônimos, veja só, ácido desoxirribonucleico e DNA são
exatamente a mesma coisa, e os do resto das palavras você
28| acha. É tudo uma questão de amor e prisma, por favor não abra

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os canhões. Que coisa mais linda esse ácido despenteado,


caramba. Olhei com mais atenção o desenho da estrutura e
31| descobri: a raça humana é toda brilho.
A substituição da expressão “e olha que eu moro bem no meio das montanhas” (l.18 e 19) por
“embora eu more entre montanhas” manteria a coerência do trecho no qual se insere, mas
alteraria seu nível de formalidade.

Questão 52 (CESPE/OFICIAL/ABIN/2018)
11| Após espiões poloneses
terem roubado uma cópia da máquina, Turing e o campeão de
13| xadrez Gordon Welchman construíram uma réplica da Enigma
na base militar de Bletchey Park. A máquina replicava os
rotores do sistema alemão e tentava reproduzir diferentes
16| combinações de posições dos rotores para testar possíveis
soluções. Após quatro anos de trabalho, Turing conseguiu
quebrar a Enigma, ao perceber que as mensagens alemãs
19| criptografadas continham palavras previsíveis, como nomes e
títulos dos militares.
No trecho “para testar possíveis soluções” (l.16 e 17), o emprego da preposição “para”, além
de contribuir para a coesão sequencial do texto, introduz, no período, uma ideia de finalidade.

Questão 53 (CESPE/ASSISTENTE/SEE-DF/2017)
1| Não têm conta entre nós os pedagogos da
prosperidade que, apegando-se a certas soluções onde,
na melhor hipótese, se abrigam verdades parciais,
4| transformam-nas em requisito obrigatório e único de todo
progresso. É bem característico, para citar um exemplo, o
que ocorre com a miragem da alfabetização. Quanta inútil
7| retórica se tem desperdiçado para provar que todos os

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nossos males ficariam resolvidos de um momento para o


outro se estivessem amplamente difundidas as escolas
10| primárias e o conhecimento do abc.
A preposição “para” (l.7) introduz, no período em que ocorre, uma ideia de finalidade.

Questão 54 (CESPE/PROFESSOR/SEE-DF/2017)
9| Quando nos perguntamos o que é a
10| consciência, não temos melhor resposta que a de Louis
11|Armstrong quando uma repórter perguntou-lhe o que era o jazz:
12| “Moça, se você precisa perguntar, nunca saberá”.
Seriam mantidos o sentido e a correção gramatical do texto caso fosse introduzida a prepo-
sição “sobre” imediatamente após “perguntou-lhe” (l.11).

Questão 55 (CESPE/ESCRIVÃO/PC-MA/2017)
1| Se, nos Estados Unidos da América, surgem mais e
mais casos de assédio sexual em ambientes profissionais —
como os que envolvem produtores e atores de cinema —, no
4| Brasil, o número de processos desse tipo caiu 7,5% entre 2015
e 2016.
Até setembro de 2017, foram registradas 4.040 ações
7| judiciais sobre assédio sexual no trabalho, considerando-se só
a primeira instância.
Os números mostram que o tema ainda é tabu por
10| aqui, analisa o consultor Renato Santos, que atua auxiliando
empresas a criarem canais de denúncia anônima. “As pessoas
não falam por medo de serem culpabilizadas ou até de
13| represálias”.
Segundo Santos, os canais de denúncia para coibir
corrupção nas corporações já recebem queixas de assédio e
16| ajudam a identificar eventuais predadores. Para ele,

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“o anonimato ajuda, já que as pessoas se sentem mais


protegidas para falar”.
19| A lei só tipifica o crime quando há chantagem de um
superior sobre um subordinado para tentar obter vantagem
sexual. Se um colega constrange o outro, em tese, não há
22| crime, embora tal comportamento possa dar causa a reparação
por dano moral.
No texto, a correção gramatical e o sentido do trecho “O anonimato ajuda, já que as pessoas
se sentem mais protegidas para falar” (l. 17 e 18) seriam preservados caso se substituísse o
termo “já que” por “uma vez que”.

Questão 56 (CESPE/AUXILIAR/TCE-PB/2017)
1| O medo do esquecimento obcecou as sociedades
europeias da primeira fase da modernidade. Para dominar sua
inquietação, elas fixaram, por meio da escrita, os traços do
4| passado, a lembrança dos mortos ou a glória dos vivos e todos
os textos que não deveriam desaparecer. A pedra, a madeira, o
tecido, o pergaminho e o papel forneceram os suportes nos
7| quais podia ser inscrita a memória dos tempos e dos homens.
No espaço aberto da cidade, no refúgio da biblioteca,
na magnitude do livro e na humildade dos objetos mais
10| simples, a escrita teve como missão conjurar contra a fatalidade
da perda. Em um mundo no qual as escritas podiam ser
apagadas, os manuscritos podiam ser perdidos e os livros
13| estavam sempre ameaçados de destruição, a tarefa não era fácil.
Paradoxalmente, seu sucesso poderia criar, talvez, outro
perigo: o de uma incontrolável proliferação textual de um
16| discurso sem ordem nem limites.

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O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis


e abafa o pensamento sob o acúmulo de discursos, foi
19| considerado um perigo tão grande quanto seu contrário.
Embora fosse temido, o apagamento era necessário, assim
como o esquecimento também o é para a memória. Nem todos
22| os escritos foram destinados a se tornar arquivos cuja proteção
os defenderia da imprevisibilidade da história. Alguns foram
traçados sobre suportes que permitiam escrever, apagar e
25| depois escrever de novo.
No texto, as relações sintático-semânticas do período “Embora fosse temido, o apagamento
era necessário, assim como o esquecimento também o é para a memória” (l. 20 e 21) seriam
preservadas caso a conjunção “Embora” fosse substituída por “Ainda que”.

Questão 57 (CESPE/DELEGADO/PJC-MT/2017)
1| A valorização do direito à vida digna preserva as duas
faces do homem: a do indivíduo e a do ser político; a do ser em
si e a do ser com o outro. O homem é inteiro em sua dimensão
4| plural e faz-se único em sua condição social. Igual em sua
humanidade, o homem desiguala-se, singulariza-se em sua
individualidade. O direito é o instrumento da fraternização
7| racional e rigorosa.
O direito à vida é a substância em torno da qual todos
os direitos se conjugam, se desdobram, se somam para que o
10| sistema fique mais e mais próximo da ideia concretizável de
justiça social.
Mais valeria que a vida atravessasse as páginas da Lei
13| Maior a se traduzir em palavras que fossem apenas a revelação
da justiça. Quando os descaminhos não conduzirem a isso,
competirá ao homem transformar a lei na vida mais digna para
16| que a convivência política seja mais fecunda e humana.

Sem prejuízo para a coerência e para a correção gramatical do texto, a conjunção “Quando”

(l.14) poderia ser substituída por “se”.

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Questão 58 (CESPE/SECRETÁRIO ESCOLAR/SEE-AL/2013)

1| O secretário escolar é mais do que um mero executor

de tarefas burocráticas, pois é um profissional que tem em

mãos dados essenciais para pensar estrategicamente o processo

4| pedagógico da escola, bem como para gerenciar a memória

documental dos sujeitos que nela estão ou estiveram inseridos.

A amplitude de suas funções coloca-o em relação

7| direta e permanente com diferentes áreas de atuação da unidade

educativa, o que exige sua interação com todos os envolvidos

no trabalho escolar.
10| Às vezes, esse profissional é a ponte entre aqueles que

tomam decisões gerenciais e os que executarão tais decisões;

muitas vezes, porém, ele toma decisões e executa tarefas

13| relevantes e decisivas. É, pois, nesse momento, verdadeiro

assessor, função que exige competências básicas bem

específicas e formação voltada essencialmente para questões

16| educacionais.

O termo “pois” (l.13) explicita uma relação sintática de conclusão.

Questão 59 (CESPE/ASSISTENTE/FUB/2013)

1| A educação superior no Brasil não pode ser discutida

2| sem que se tenha presente o cenário em que ela surgiu [...]

Caso a expressão “em que” (l.2) fosse substituída por “o qual”, seriam mantidas a correção

e a coerência do texto.

Questão 60 (CESPE/SUPERIOR/MJ/2013)
1| Marilena Chaui, filósofa brasileira, afirma que, para
a classe dominante brasileira (os “liberais”), democracia é o

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regime da lei e da ordem. Para a filósofa, no entanto, a


4| democracia é “o único regime político no qual os conflitos são
considerados o princípio mesmo de seu funcionamento”
A expressão “no qual” (l.4) poderia ser substituída pelo vocábulo “onde”, sem prejuízo para
a correção e para as ideias do texto.

Questão 61 (CESPE/PROFESSOR/SEDUC-CE/2013)
1| Em 2022, 100% das crianças deverão apresentar as
habilidades básicas de leitura e escrita até o final da 2.ª série,
ou 3º ano, do Ensino Fundamental, conforme a meta 2 do
4| movimento Todos pela Educação. Garantir o direito de
alfabetização na idade correta a todas as crianças é um grande
passo para o sucesso escolar. No Brasil, ainda não há um
7| indicador nacional que permita medir o aprendizado em língua
portuguesa e em matemática ao final do ciclo de alfabetização.
Em 2011, o movimento Todos pela Educação, em parceria
10| com instituições nacionais, promoveu a Prova ABC, cujo
resultado mostrou que apenas 53,3% das crianças apresentaram
aprendizado adequado no que se refere à escrita, 56,1% no que
13| se refere à leitura e 42,8% no que se refere à matemática.

Internet: <http://www.todospelaeducacao.org.br/ institucional/as-5-metas/> (com adaptações).

Haveria prejuízo para a correção gramatical do período caso se substituísse “conforme” (l.3)
por “de acordo com”.

Questão 62 (CESPE/ANALISTA/CÂMARA DOS DEPUTADOS/2012)


31| Note-se que, em todo esse montão de cartas, não há
32| uma só de deputado ou senador, contudo escrevi a todos
33| eles pedindo uma definição.

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O termo “contudo” (l.32) estabelece entre as orações do período relação sintática adversa-
tiva, por isso, poderia ser corretamente substituído por qualquer um dos seguintes vocá-
bulos: “entretanto”, “todavia”, “no entanto”, “porém”, “embora”, “conquanto”.

Questão 63 (CESPE/DELEGADO/PC-AL/2012)
5| E a bela Charlize faz uma rainha inesquecível.
6| Para não envelhecer, essa vilã dos contos de fadas
7| ultrapassa todos os limites e quebra todos os interditos.
A preposição “Para” (l.6), que expressa uma ideia de finalidade, poderia ser corretamente
substituída por “Com o intuito de” ou por “A fim de”.

Questão 64 (CESPE/TJ-AM/ASSISTENTE/2019)
Texto CG2A1AAA
1| A vida de Florence Nightingale, a criadora da
moderna enfermagem, daria um romance. Florence estava
destinada a receber uma boa educação, a casar-se com
4| um cavalheiro de fina estirpe, a ter filhos, a cuidar da casa
e da família. Mas logo ficou claro que a menina não
se conformaria a esse modelo. Era diferente; gostava
7| de matemática, e era o que queria estudar (os pais não
deixaram). Aos dezesseis anos, algo aconteceu: Deus
falou-me — escreveu depois — e convocou-me para servi-lo.
10| Servir a Deus significava, para ela, cuidar dos
enfermos, e especialmente dos enfermos hospitalizados.
Naquela época, os hospitais curavam tão pouco e eram
13| tão perigosos (por causa da sujeira, do risco de infecção)
que os ricos preferiam tratar-se em casa. Hospitalizados eram
só os pobres, e Florence preparou-se para cuidar deles,
16| praticando com os indigentes que viviam próximos à sua
casa. Viajou por toda a Europa, visitando hospitais. Coisa

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que os pais não viam com bons olhos: enfermeiras eram


19| consideradas pessoas de categoria inferior, de vida desregrada.
Mas Florence foi em frente e logo surgiu a oportunidade
para colocar em prática o que aprendera. Sidney Herbert,
22| membro do governo inglês e amigo pessoal, pediu-lhe que
chefiasse um grupo de enfermeiras enviadas para o front turco,
uma tarefa a que Florence entregou-se de corpo e alma;
25| providenciava comida, remédios, agasalhos, além de
supervisionar o trabalho das enfermeiras. Mais que isso,
fez estudos estatísticos (sua vocação matemática enfim
28| triunfou) mostrando que a alta mortalidade dos soldados
resultava das péssimas condições de saneamento.
Isso tudo não quer dizer que Florence fosse, pelos
31| padrões habituais, uma mulher feliz. Para começar, não
havia, em sua vida, lugar para ligações amorosas. Cortejou-a
o político e poeta Richard Milnes, Barão Houghton, mas ela
34| rejeitou-o. Ao voltar da guerra, algo estranho lhe aconteceu:
recolheu-se ao leito e nunca mais deixou o quarto. É possível,
e até provável, que isso tenha resultado de brucelose,
37| uma infecção crônica contraída durante a guerra; mas havia aí
um óbvio componente emocional, uma forma de fuga da
realidade. Contudo — Florence era Florence —, mesmo
40| acamada, continuou trabalhando intensamente. Colaborou com
a comissão governamental sobre saúde dos militares, fundou
uma escola para treinamento de enfermeiras, escreveu
43| um livro sobre esse treinamento.
Estranha, a Florence Nightingale? Talvez. Mas
estranheza pode estar associada a qualidades admiráveis.
46| Grande e estranho é o mundo; grandes, ainda que estranhas,
são muitas pessoas. E se elas têm grandeza, ao mundo
pouco deve importar que sejam estranhas.

Moacyr Scliar. Uma estranha, e admirável, mulher.Internet: <http://moacyrscliar.blogspot.com.br>


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A correção gramatical do texto seria mantida, mas seu sentido seria alterado, se fosse inseri-
da a expressão “ou de” logo após “brucelose,” (l.36).

Questão 65 (CESPE/PROCURADOR/PREFEITURA DE BOA VISTA-RR/2019)


Texto CB1A1-I
1| O preconceito é um fenômeno que se verifica quando
um sujeito discrimina ou exclui outro, a partir de concepções
equivocadas, oriundas de hábitos, costumes, sentimentos ou
4| impressões. O preconceito decorre de incompatibilidades entre
a pessoa e o ato que ela executa. Isso quer dizer que, se houver
uma ideia favorável de uma pessoa, tudo o que ela fizer ou
7| disser pode ser aceito, mesmo que o que disser ou fizer seja
errado, falso ou impreciso. Inversamente, se houver uma ideia
desfavorável sobre alguém, tudo o que essa pessoa disser ou
10| fizer pode ser rejeitado, mesmo que diga verdades ou se
comporte corretamente.
A ideia favorável ou desfavorável sobre a pessoa vem
13| de fatos exteriores, e isso afeta, positiva ou negativamente, no
caso do comportamento preconceituoso, o julgamento sobre a
pessoa ou seus atos. O preconceito, portanto, pode ser positivo
16| ou negativo. Preconceito positivo acontece quando
características consideradas positivas da pessoa se estendem
para seus atos, ou vice-versa, mesmo quando não são corretos.
19| Em geral, o preconceito positivo não é percebido pela
sociedade (ou pelo menos não provoca reações). O que
incomoda é o preconceito negativo, acompanhado de reação
22| discriminatória.

Marli Quadros Leite. Preconceito e intolerância na linguagem. São Paulo: Contexto, 2012, p. 27-9
(com adaptações)

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
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Na linha 15, a conjunção “portanto” encerra uma ideia de conclusão em relação ao que se
afirma no período anterior.

(CESPE/ANALISTA/PGE-PE/2019)
1| A própria palavra “crise” é bem mais a expressão de
um movimento do espírito que de um juízo fundado em
argumentos extraídos da razão ou da experiência. Não há
4| período histórico que não tenha sido julgado, de uma parte ou
de outra, como um período em crise. Ouvi falar de crise em
todas as fases da minha vida: depois da Primeira Guerra
7| Mundial, durante o fascismo e o nazismo, durante a Segunda
Guerra Mundial, no pós-guerra, bem como naqueles que foram
chamados de anos de chumbo. Sempre duvidei que o conceito
10| de crise tivesse qualquer utilidade para definir uma sociedade
ou uma época.
Que fique claro: não tenho nenhuma intenção de
13| difamar ou condenar o passado para absolver o presente, nem
de deplorar o presente para louvar os bons tempos antigos.
Desejo apenas ajudar a que se compreenda que todo juízo
16| excessivamente resoluto nesse campo corre o risco de parecer
leviano. Certamente, existem épocas mais turbulentas e outras
menos. Mas é difícil dizer se a maior turbulência depende de
19| uma crise moral (de uma diminuição da crença em princípios
fundamentais) ou de outras causas, econômicas, sociais,
políticas, culturais ou até mesmo biológicas.

Norberto Bobbio. Elogio da serenidade e outros escritos morais. Trad. MarcoAurélio Nogueira.
São Paulo: Editora UNESP, 2002, p. 160-1 (com adaptações).

Questão 66 (CESPE/ANALISTA/PGE-PE/2019) No período em que se inserem, os tre-


chos “para absolver o presente” (l.13) e “para louvar os bons tempos antigos” (l.14)
exprimem finalidades.

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(CESPE/ANALISTA/PGE-PE/2019)
Texto CB2A1-I
1| Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza,
o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando isso
ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam
4| época, pedras miliares no caminho da humanidade. A invenção
das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do
pastoreio na Mesopotâmia, a organização da democracia na
7| Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre
os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no
século XIX, tudo isso representa saltos de época, que
10| desorientaram gerações inteiras.
Se observarmos bem, essas ondas longas da história,
como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais curtas.
13| Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura
pela indústria, ocorrida no século XX, e, em menos de um
século, um novo salto de época nos tomou de surpresa,
16| lançando-nos na confusão. Dessa vez o salto coincidiu com a
rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada
pelos proprietários das fábricas manufatureiras para uma
19| sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos proprietários
dos meios de informação.
O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade
22| pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial
anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico,
pela globalização, pelas guerras mundiais, pelas revoluções
25|proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de
comunicação de massa. Agindo simultaneamente, esses
fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a

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28| mais irresistível de toda a história humana — na qual nós,


contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar
envolvidos em primeira pessoa.
31| Ninguém poderia ficar impassível diante de uma
mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais
difundida é a desorientação.
34| A nossa desorientação afeta as esferas econômica,
familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de
crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque
37| quem está desorientado sente-se em crise, e quem se sente em
crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de
projetar nosso futuro, alguém o projetará para nós, não em
40| função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.

Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: paraentender o nosso tempo. Trad. Silvana Cobucci
e FedericoCarotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações).

Questão 67 (CESPE/ANALISTA/PGE-PE/2019) Seria mantida a correção gramatical do texto


se o trecho “diante de uma mudança” (l.31 e 32) fosse alterado para “ante a uma mudança”.

Questão 68 (CESPE/ANALISTA/PGE-PE/2019) O sentido original e a correção gramatical do


texto seriam mantidos se a palavra “como” (l.12) fosse substituída por “conforme”.

Questão 69 (CESPE/TÉCNICO/IPHAN/2018)
Texto CB3A1-I
1| As consequências da extinção de línguas são
diversas e irreparáveis. O desaparecimento de línguas tem

impacto imediato na perda de diversidade cultural.

4| O desconhecimento da diversidade linguística por

grande parte da população brasileira é sustentado pela

representação de uma suposta unidade da língua

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7| portuguesa, ou seja, pela ideia de que a língua portuguesa é

a única língua falada no país. Essa falta de conhecimento e

de valorização leva, por conseguinte, à marginalização e à

10| discriminação de grupos falantes de outras línguas.

A construção de uma política específica para a

diversidade linguística constitui uma iniciativa que busca a

13| valorização da diversidade linguística do país. Atuar para a

sustentabilidade da diversidade linguística, entretanto,

exige a articulação de produção de conhecimento sobre as

16| línguas existentes no território nacional e de valorização e

promoção dessas línguas.

As línguas faladas por grupos sociais minoritários

19| requerem atenção especial de uma política de salvaguarda

da diversidade linguística, pois elas se encontram em

posição de maior vulnerabilidade linguística. Tal situação

22| decorre não só do fato de essas línguas serem faladas por

grupos sociais pouco numerosos, mas também da falta de

conhecimento sobre elas. Colocar no mapa as centenas de

línguas ainda ocultadas pela representação majoritária de

um país com uma única língua talvez seja o caminho mais


significativo para o reconhecimento das línguas como
patrimônio cultural.

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Guia de pesquisa e documentação para o INDL:
patrimônio cultural e diversidade linguística. Brasília: IPHAN, 2016, p. 23-4 (com adaptações).

A locução “por conseguinte” (l.9) introduz no período uma ideia de oposição e equivale à con-
junção “entretanto”.

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(CESPE/POLICIAL/PRF/2019)
1| As atividades pertinentes ao trabalho relacionam-se
intrinsecamente com a satisfação das necessidades dos
seres humanos — alimentar-se, proteger-se do frio e do
4| calor, ter o que calçar etc. Estas colocam os homens em
uma relação de dependência com a natureza, pois no
mundo natural estão os elementos que serão utilizados para
7| atendê-las.
Se prestarmos atenção à nossa volta, perceberemos
que quase tudo que vemos existe em razão de atividades do
10| trabalho humano. Os processos de produção dos objetos
que nos cercam movimentam relações diversas entre os
indivíduos, assim como a organização do trabalho
13| alterou-se bastante entre diferentes sociedades e momentos
da história.
De acordo com o cientista social norte-americano
16| Marshall Sahlins, nas sociedades tribais, o trabalho
geralmente não tem a mesma concepção que vigora nas
sociedades industrializadas. Naquelas, o trabalho está
19| integrado a outras dimensões da sociabilidade — festas,
ritos, artes, mitos etc. —, não representando, assim, um
mundo à parte.
22| Nas sociedades tribais, o trabalho está em tudo, e
praticamente todos trabalham. Sahlinspropôs que tais
sociedades fossem conhecidas como “sociedades de
25| abundância” ou “sociedades do lazer”, pelo fato de que
nelas a satisfação das necessidades básicas sociais e
materiais se dá plenamente.

Thiago de Mello. Trabalho. Internet: <educacao.globo.com> (com adaptações)

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Questão 70 (CESPE/POLICIAL/PRF/2019) Com o emprego da expressão “assim como” (l.12),


estabelece-se uma relação de comparação entre ideias expressas no período.

(CESPE/NÍVEL SUPERIOR/FUB/2018)
1| Esta é uma declaração de amor: amo a língua
portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não
foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência
4| é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro
pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la
numa linguagem de sentimento e de “alerteza”. E de amor.
7| A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem
escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas
e das pessoas a primeira capa de superficialismo.
10| Às vezes ela reage diante de um pensamento mais
complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma
frase. Eu gosto de manejá-la — como gostava de estar montada
13| num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente,
às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao
16| máximo nas minhas mãos. E esse desejo todos os que
escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram
para nos dar para sempre uma herança de língua já feita.
19| Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo
do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades nós as temos. Mas não falei
22| do encantamento de lidar com uma língua que não foi
aprofundada. O que recebi de herança não me chega.

Clarice Lispector. Declaração de amor. In: Crônicas para jovens:de escrita e vida.
Rio de Janeiro: Rocco Digital, p. 11 (com adaptações).

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Questão 71 (CESPE/NÍVEL SUPERIOR/FUB/2018) No primeiro período do terceiro parágrafo,


há uma ambiguidade que poderia ser corretamente eliminada com a substituição da preposi-
ção “a”, presente na contração “ao” (l.15), pela preposição “em” — “no” —, sem alteração dos
sentidos originais do texto.

Questão 72 (CESPE/ANALISTA/BNB/2018)
Texto 2A1-II
1| Não podemos descartar a operação humana por trás
dos sistemas, muito menos a presença de analistas reais. Vamos
supor que um sistema de aprendizagem de máquina perceba
4| que todas as pessoas com índice de massa corporal regular
tomam café com açúcar, enquanto todas as pessoas com índice
elevado tomam a bebida com adoçante. A inteligência artificial
7| poderá inferir, assim, que o adoçante é o responsável pela
obesidade dos usuários, o que nós sabemos, pela nossa
inteligência humana, que não é bem assim.
10| O sistema de aprendizagem de máquina diminui a
ocorrência de falsos positivos e deve contribuir para cortes de
gastos. Contudo, não podemos deixar de considerar uma pessoa
13| que esteja por trás do sistema, pronta para lidar com casos
realmente duvidosos, que mereçam ser mais bem avaliados.

Correio Braziliense, 1º/10/2018, p. 14 (com adaptações).

Na linha 12, o termo “Contudo” foi empregado com o mesmo sentido de “Porquanto”.

Questão 73 (CESPE/TÉCNICO/MPE-PI/2018)
1| Saiu a mais nova lista de coisas que devem ou não ser
feitas, moda que parece ter contagiado o planeta. Desta vez,
Arthur Frommer e Holly Hugues elencam os 500 locais que
4| precisamos visitar antes que desapareçam (500 places to see before
they disappear). O livro traz lugares naturais e

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históricos, de antigos centros de culto a paisagens em vias de


7| extinção, assim como tesouros culturais únicos, como o
Fenway Park, de Boston, inaugurado em 1912: um dos últimos
estádios norte-americanos que mantêm sua construção original,
10| diz o Atlanta Journal Constitution.

Revista da Semana, dez./2008 (com adaptações).

O trecho “assim como tesouros culturais únicos” (l.7) estabelece uma comparação com “an-
tigos centros de culto” (l.6) e “paisagens em vias de extinção” (l.6 e 7).

Questão 74 (CESPE/AGENTE/PF/2018)
1| Imagine uma operação de busca na selva. Sem mapas,
binóculos ou apoio logístico; somente com um facão. Assim
eram feitas as operações de combate à pornografia infantil
4| pela Polícia Federal até o dia em que peritos criminais
federais desenvolveram, no estado de Mato Grosso do Sul,
o Nudetective.
7| O programa executa em minutos uma busca que
poderia levar meses, encontrando todo o conteúdo
pornográfico de pedofilia em computadores, pendrives,
10| smartphones e demais mídias de armazenamento.
Para ajudar o trabalho dos peritos, existem programas
que buscam os arquivos de imagem e vídeo através de sua hash

13| ou sua assinatura digital. Logo nos primeiros testes, a detecção

de imagens apresentou mais de 90% de acerto.

Para o teste, pegaram um HD com conteúdo já

16| periciado e rodaram o programa. Conseguiram 95% de acerto

em 12 minutos. Seu diferencial era não só buscar pela

assinatura digital ou nomes conhecidos, mas também por novos

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19| arquivos por intermédio da leitura dos pixels presentes

na imagem calibrados a uma paleta de tons de pele.

Começava a revolução em termos de investigação criminal

22| de pornografia infantil.

Além da detecção de imagens e vídeos, todo o

processo de busca e obtenção de resultados é simultâneo, o que

25| economiza tempo e dinheiro.

A licença de uso do software, que é programado em

Java, é gratuita e só é disponibilizada para forças da lei e

28| pesquisas acadêmicas. Segundo seus desenvolvedores, nunca

houve o intuito de venda, pois não enxergam sentido em lucrar

com algo que seja para salvar crianças. Mas, então, por que não

31| deixá-lo disponível para todos? Somente para que não possa

ser utilizado para criar formas de burlá-lo, explicam.

Desde seu lançamento, o Nudetective já foi

34| compartilhado com Argentina, Paraguai, Suécia, Áustria,

Noruega, Nova Zelândia e Portugal. Ganhou reconhecimento

e premiações em congressos forenses no Brasil e no mundo.

Internet: <www.cartacapital.com.br> (com adaptações).

No período em que se insere, o termo “Logo” (l.13) expressa uma ideia de conclusão.

Questão 75 (CESPE/PAPILOSCOPISTA/PF/2018)
Texto 14A15AAA
1| A natureza jamais vai deixar de nos surpreender.
As teorias científicas de hoje, das quais somos justamente
orgulhosos, serão consideradas brincadeira de criança por
4| futuras gerações de cientistas. Nossos modelos de hoje

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certamente serão pobres aproximações para os modelos do


futuro. No entanto, o trabalho dos cientistas do futuro seria
7| impossível sem o nosso, assim como o nosso teria sido
impossível sem o trabalho de Kepler, Galileu ou Newton.
Teorias científicas jamais serão a verdade final: elas irão
10| sempre evoluir e mudar, tornando-se progressivamente mais
corretas e eficientes, sem chegar nunca a um estado final de
perfeição. Novos fenômenos estranhos, inesperados e
13| imprevisíveis irão sempre desafiar nossa imaginação. Assim
como nossos antepassados, estaremos sempre buscando
compreender o novo. E, a cada passo dessa busca sem fim,
16| compreenderemos um pouco mais sobre nós mesmos e sobre
o mundo a nossa volta.
Em graus diferentes, todos fazemos parte dessa
19| aventura, todos podemos compartilhar o êxtase que surge a
cada nova descoberta; se não por intermédio de nossas próprias
atividades de pesquisa, ao menos ao estudarmos as ideias
22| daqueles que expandiram e expandem as fronteiras do
conhecimento com sua criatividade e coragem intelectual.
Nesse sentido, você, eu, Heráclito, Copérnico e Einstein somos
25| todos parceiros da mesma dança, todos dançamos com o
Universo. É a persistência do mistério que nos inspira a criar.

Marcelo Gleiser. A dança do universo: dos mitos de criação ao Big-Bang.São Paulo: Companhia das Letras,
2006, p. 384-5 (com adaptações).

No trecho “se não por intermédio... intelectual” (l.20 a 23) as expressões “se não” e “ao me-
nos” poderiam ser substituídas, sem prejuízo para a correção gramatical e os sentidos do
texto, por “não só” e “mas também”, respectivamente.

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GABARITO
1. E 28. E 55. C
2. C 29. C 56. C
3. C 30. E 57. C
4. E 31. C 58. C
5. E 32. C 59. E
6. C 33. C 60. E
7. E 34. E 61. E
8. C 35. E 62. E
9. C 36. E 63. C
10. C 37. E 64. C
11. E 38. E 65. C
12. E 39. E 66. C
13. E 40. E 67. E
14. E 41. E 68. C
15. C 42. E 69. E
16. E 43. C 70. C
17. C 44. E 71. E
18. C 45. E 72. E
19. C 46. C 73. E
20. C 47. C 74. E
21. C 48. C 75. E
22. C 49. C
23. C 50. E
24. C 51. C
25. E 52. C
26. E 53. C
27. C 54. E

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GABARITO COMENTADO
Questão 1 (CESPE/SUPERIOR/CONTROLADORIA GERAL DO MUNICÍPIO/2018)
11| Eu pago meus impostos integralmente e, por isso,
12| posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se
13| eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da
14| receita federal é meu amigo ou parente e faz a tal “vista
15| grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção.
A palavra “Agora” (l.12) exprime uma circunstância temporal.

Errado.
Pode parecer, mas não estamos diante de um advérbio de valor temporal. O advérbio “agora”,
no trecho em análise, é um articulador coesivo, cuja função é a de expressar uma oposição ou
restrição ao que foi dito anteriormente.

Questão 2 (CESPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRF-1ª/2017)


1| Botelho conhecia as faltas de Estela como as palmas
2| das próprias mãos. O Miranda mesmo, que o via em conta de
3| amigo fiel, muitas vezes lhas confiara em
4| ocasiões desesperadas de desabafo, declarando francamente o quanto no
5| íntimo a desprezava e a razão por que não a punha na rua aos
6| pontapés. E o Botelho dava-lhe toda a razão: entendia também
7| que os sérios interesses comerciais estavam acima de tudo.
Na linha 6, o emprego do pretérito imperfeito nas formas verbais “dava” e “entendia” tem efei-
tos distintos: no primeiro caso denota iteratividade e, no segundo, duração.

Certo.
Essa questão aborda os efeitos semânticos de cada tempo verbal. É necessário perceber que
um mesmo tempo verbal pode apresentar distintos efeitos semânticos, pois o contexto de
ocorrência pode ser diferente. Iteração significa “repetição, algo que é frequente” - ideia que

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é compatível com o uso do verbo “dar”, na linha 6. A noção de duração também é compatível
com o uso do tempo verbal de “entender”.

Questão 3 (CESPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRF-1ª/2017)


1| O tema relativo à economia informal ganhou destaque
2| expressivo na mídia e na literatura especializada a partir do
3 | final do século passado. Essa denominação pode envolver
4| fenômenos muito distintos, tais como sonegação fiscal [...]
A substituição da forma verbal “pode envolver” (l.3) por “envolve” alteraria os sentidos
do texto.

Certo.
Vemos claramente que há diferença entre a locução “pode envolver” e a forma verbal “en-
volve”: a locução “pode envolver” exprime a noção de possibilidade, de hipótese; já a forma
“envolve” está em modo indicativo, que exprime certeza, realidade.

Questão 4 (CESPE/SOLDADO COMBATENTE/PM/2017)

Susanita emprega verbos no imperativo em todas as falas dirigidas a Mafalda, pois, a todo
momento, dá ordens a ela.

Errado.
Primeiramente, o imperativo não possui o sentido único de ordem. É possível, como no qua-
drinho, que o imperativo seja utilizado para exortação (estímulo, incitação). Em segundo lugar,
não há imperativo em todas as falas.

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Questão 5 (CESPE/ANALISTA/FUNPRESP-EXE/2016) A forma verbal “havia”, em “não ha-


via mais dúvidas”, poderia ser corretamente substituída por “existia”.

Errado.
O verbo “haver”, na frase analisada pela questão, pode ser substituído por “existir”. No entanto,
a flexão passa a ser necessária, e a forma deve ser: “não existiam mais dúvidas” (ou seja, deve
haver concordância com “mais dúvidas” (existiam), não sendo adequada a forma no singular).

Questão 6 (CESPE/AGENTE/PC-PE/2016) No trecho “o tema da segurança pública tem


sido historicamente negligenciado”, a palavra destacada classifica-se, do ponto de vista mor-
fossintático, como advérbio.

Certo.
SEMPRE que houver uma forma terminada em -mente e derivada de um adjetivo, a possibili-
dade de termos um advérbio é grande. Por isso, a palavra “historicamente” é, sim, um advérbio
(originada da forma adjetiva “histórica”).

Questão 7 (CESPE/ADMINISTRADOR/FUB/2016)
17| O mundo inteiro clangorava e
18| silvava com o maquinário e os instrumentos produzidos por sua
19| engenhosidade. Muitas pessoas cultas acreditavam que não
20| restava muito para a ciência fazer.
As formas verbais “clangorava” (l.17) e “silvava” (l.18) poderiam ser substituídas pelas formas
“clangorou” e “silvou”, sem prejuízo para os sentidos do texto, uma vez que a noção de pas-
sado seria preservada.

Errado.
Nessa questão, não precisamos saber o significado do verbo “clangorar” e “silvar” (significam,
respectivamente: “emitir som forte, estridente”; e “produzir som agudo e prolongado”). A questão

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
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afirma que a substituição de “clangorava” por “clangorou” e “silvava” por “silvou” manteria a
noção de passado. Isso está correto. No entanto, o item se torna errado quando afirma não
haver prejuízo de sentido. As formas “clangorava” e “silvava” possuem aspecto imperfeito.
As formas “clangorou” e “silvou”, diferentemente, possuem aspecto perfeito. Como vimos em
nossa aula, os dois aspectos se diferenciam pela noção de concluso x inconcluso.

Questão 8 (CESPE/ASSESSOR/TRE-RN/2015)
1| Os primeiros vestígios de atividade contábil foram
2| encontrados na Mesopotâmia, por volta de 4.000 a.C.
3| Inicialmente, eram utilizadas fichas de barro para representar
4| a circulação de bens, logo substituídas por tábuas gravadas com
5| a escrita cuneiforme.
Os advérbios “Inicialmente” (l.3) e “logo” (l.4) atuam como sequenciadores textuais cuja
função é organizar a sequência temporal relativa ao registro das atividades contábeis
na Mesopotâmia.

Certo.
Como disse em nossa aula, os advérbios são utilizados como organizadores coesivos – e
esse é o caso do texto analisado pela banca.

Questão 9 (CESPE/ASSESSOR DE TI/TRE-RN/2015)


7| Embora a fiscalização de contas
8| conste de registros mais antigos [...]
O emprego do modo subjuntivo na forma verbal “conste” (l.8) depende sintaticamente da pre-
sença da conjunção “Embora” (l.7).

Certo.
Há uma correlação direta entre a forma “embora” e o modo subjuntivo, uma vez a estrutura
argumentativa caminhar para o âmbito da hipótese.

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Questão 10 (CESPE/ANALISTA/TJ-DFT/2015)
18| Nesse sentido, a política de universalização do acesso
19| à justiça deve contemplar dois eixos de atuação: o de proteção
20| dos direitos violados
21| e o de prevenção da violência, por meio do
22| envolvimento da sociedade na formulação de uma política que
23| assegure direitos e promova a paz.
O uso do modo subjuntivo em “que assegure direitos e promova a paz” (l.22 e 23) indica que
a ideia expressa nessas orações é uma possibilidade.

Certo.
No uso do subjuntivo, especificamente no trecho citado, traduz-se uma ideia de hipótese, de
possibilidade.

Questão 11 (CESPE/PRIMEIRO TENENTE/PM/2014)


32| Além disso, se o nosso planeta for um exemplo
33| representativo da evolução da vida Cosmos afora, isso significa
34| que a vida aparece relativamente rápido quando um planeta se
35| forma.
A correção gramatical e o sentido original do texto seriam mantidos se, no trecho “a vida apa-
rece relativamente rápido” (l.34), a palavra “rápido” fosse substituída por “rápida”.

Errado.
A característica dos advérbios é a de não sofrerem flexão (são invariáveis). Se a forma “rá-
pido” fosse substituída por “rápida”, teríamos um adjetivo. Nesse caso, o adjetivo “rápida”
estaria fazendo referência ao sujeito “a vida” (daí a concordância). Como advérbio, “rápido”
equivale a “rapidamente”, modificando o verbo “aparecer”.

Questão 12 (CESPE/CEF/TÉCNICO BANCÁRIO/2014)


10| Apesar de não haver estatísticas que revelem a

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11| expansão do setor, especialistas estimam [...]


Sem prejuízo da correção gramatical e do sentido original do texto, a forma verbal “haver”
(l.10) poderia ser substituída por “existir”.

Errado.
O verbo “haver” deve permanecer na terceira pessoa do singular, pois no sentido de “existir” é
impessoal; a forma “existir”, no entanto, deve concordar com “estatísticas”: “existirem”.

Questão 13 (CESPE/ANATEL/ANALISTA ADMINISTRATIVO/2014)

No segundo quadrinho, a palavra “JÁ” tem valor temporal.

Errado.
O valor da palavra “JÁ”, no segundo quadro, é o de oposição em relação ao que é dito no pri-
meiro. Não há valor temporal, portanto.

Questão 14 (CESPE/ANALISTA LEGISLATIVO/CÂMARA DOS DEPUTADOS/2014)


7| Oficialmente, o presidente Nazarbayev justificou a mudança
8| alegando o risco permanente de terremoto em Almaty e a falta

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9| de espaço para crescimento.


Os vocábulos “Oficialmente” (l.7) e “permanente” (l.8) pertencem à mesma classe gramatical.

Errado.
“Oficialmente” é um advérbio; “permanente”, diferentemente, é um adjetivo.

Questão 15 (CESPE/TÉCNICO ADMINISTRATIVO/ANATEL/2014)


11| Desde a Idade Média, os seres humanos vinham
12| tentando resolver o problema da escuridão com velas e outros
13| artefatos. Nesse período, eram usadas tochas com fibras
14| torcidas e impregnadas com material inflamável.
O trecho “eram usadas tochas” (l.13) poderia ser corretamente reescrito como “usavam-se
tochas”.

Certo.
Essa questão aborda a construção passiva. Na chamada passiva analítica, temos AUXILIAR +
PARTICÍPIO; na passiva sintética, temos VERBO + PARTÍCULA APASSIVADORA “SE”. Na passi-
va sintética, o verbo deve concordar com o sujeito, que está posposto (tochas). Com isso, as
duas formas passivas são equivalentes.

Questão 16 (CESPE/ASSISTENTE EM ADMINISTRAÇÃO/UNIPAMPA/2013)


15| Cientistas e instituições passaram a ser avaliados e financiados
16| com base na sua produtividade. Colheram-se bons resultados.
A substituição de “Colheram-se” (l.16) por “Foi colhido” manteria a correção gramatical do
período.

Errado.
O sujeito é “bons resultados”, daí a necessidade de flexão na passiva analítica: “foram colhi-
dos”.

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Questão 17 (CESPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRT-17ª/2013)


7| O empregador responde pelos danos morais causados
8| à vítima que tenha sofrido assédio em seu estabelecimento, nos
9| termos do artigo 932 do Código Civil.
A forma verbal “responde” (l.7), empregada no presente do indicativo, sugere ação que se re-
pete no tempo, compatível com um texto de lei.

Certo.
O presente do indicativo é considerado um tempo neutro, não marcado. Por isso, é utilizado
em noções em que a temporalidade não se aplica (em tese, uma lei vale para o presente e o
futuro).

Questão 18 (CESPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TJ-DFT/2013)


16| O computador do internauta comprador irá utilizar
17| essa chave para codificar [...]
A forma verbal composta “irá utilizar” (l.16) corresponde à forma verbal simples “utilizará”,
que poderia ser empregada na oração sem que isso comprometesse a coerência ou correção
gramatical do texto.

Certo.
De fato, a alternância LOCUÇÃO VERBAL - VERBO PLENO não causa efeitos no texto ana-
lisado pela banca: “irá utilizar” (locução) e “utilizará” (verbo pleno) estão no futuro do pre-
sente do indicativo.

Questão 19 (CESPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRT-10ª/2012)


17| Com isso, surgiram
18| então as comissões mistas de conciliação, cuja função era
19| conciliar os dissídios coletivo, e, no mesmo momento,
20| criaram-se as juntas de conciliação e julgamento, que [...]

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Mantém-se a correção gramatical do período ao se substituir “criaram-se” (l.20) por “foram


criadas”.

Certo.
Essa questão trabalha a correspondência entre PASSIVA SINTÉTICA e PASSIVA ANALÍTICA.
Como o sujeito está em forma plural (as juntas de conciliação), os verbos devem concordar:
“criaram-se” e “foram criadas”.

Questão 20 (CESPE/ANALISTA DE INFRAESTRUTURA/MPOG/2012)


12| Adam Smith
13| estava certo quando observou que o crescimento aumenta a
14| renda da população e, assim, amplia a capacidade das pessoas [...]
O advérbio “assim” (l.14) resume e retoma a ideia expressa na oração anterior àquela em que
se insere.

Certo.
Também estamos diante de uma palavra de função coesiva, cujo valor é o de estabelecer li-
gação entre uma proposição anterior e uma nova proposição.

Questão 21 (CESPE/TÉCNICO DE PLANEJAMENTO/INPI/2012)


6| As instalações podem afetar direta ou indiretamente a
7| biodiversidade, muitas vezes danificando o entorno ao
8| penetrar o hábitat das plantas e dos animais. Ademais, a
9| construção e o uso de instalações comerciais funcionam
10| como semidouros [...]
O advérbio “Ademais” (l.8) poderia, sem prejuízo sintático ou alteração de sentido do texto, ser
substituído por “Além do mais”.

Certo.
São equivalentes as formas “ademais”, “além disso” e “além do mais”.

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Questão 22 (CESPE/SUPERIOR/TRE-BA/2010) Em “oxalá concluas a viagem”, o vocábulo


“oxalá” pode ser substituído por “tomara que”, mantendo-se, assim, o sentido do trecho em
que se insere.

Certo.
A interjeição “oxalá” equivale a “tomara que”, “assim seja”. Na sentença analisada pela ques-
tão, a rescritura mantém o sentido do trecho: “tomara que (tu) concluas a viagem”.

Questão 23 (CESPE/CONSULTOR TÉCNICO LEGISLATIVO/CLDF/2005)

Fernando Gonsales. Níquel Náusea. In Jornal de Londrina, 23/10/2003

“Viva!” e “Hurra!” são expressões de valor interjetivo. As interjeições caracterizam a fala como
constrangente, como algo inevitável, não sendo suscetíveis, portanto, a avaliações em termos
de verdade ou falsidade.

Certo.
As interjeições são próximas a frases nominais, as quais não são marcadas temporalmente.
Por não serem marcadas temporalmente, não são passíveis de juízo (não podem ser julgadas
em termos de verdade ou falsidade).

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Questão 24 (CESPE/PROCURADOR/PREFEITURA DE BOA VISTA-PR/2019)

As formas verbais “Acesse”, “conheça” e “consulte” caracterizam-se por uma uniformidade na


flexão de modo e de pessoa.

Certo.
Todas as formas estão na terceira pessoa do singular. O modo é o imperativo (afirmativo).

Questão 25 (CESPE/POLICIAL/PRF/2019)
1| A vida humana só viceja sob algum tipo de luz, de
preferência a do sol, tão óbvia quanto essencial. Somos
animais diurnos, por mais que boêmios da pá virada e

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4| vampiros em geral discordem dessa afirmativa. Poucas


vezes a gente pensa nisso, do mesmo jeito que devem ser
poucas as pessoas que acordam se sentindo primatas,
7| mamíferos ou terráqueos, outros rótulos que nos cabem por força da natureza das coisas.
A humanidade continua se aperfeiçoando na arte de
10| afastar as trevas noturnas de todo hábitat humano. Luz soa
para muitos como sinônimo de civilização, e pode-se
observar do espaço o mapa das desigualdades econômicas
13| mundiais desenhado na banda noturna do planeta. A
parcela ocidental do hemisfério norte é, de longe, a mais
iluminada.
16| Dispor de tanta luz assim, porém, tem um custo
ambiental muito alto, avisam os cientistas. Nos humanos, o
excesso de luz urbana que se infiltra no ambiente no qual
19| dormimos pode reduzir drasticamente os níveis de
melatonina, que regula o nosso ciclo de sono-vigília
Mesmo assim, sinto uma alegria quase infantil
22| quando vejo se acenderem as luzes da cidade. E repito para
mim mesmo a pergunta que me faço desde que me
conheço por gente: quem é o responsável por acender as
25| luzes da cidade? O mais plausível é imaginar que essa
tarefa caiba a sensores fotoelétricos espalhados pelos
bairros. Mas e antes dos sensores, como é que se fazia?
28| Imagino que algum funcionário trepava na antena mais alta
no topo do maior arranha-céu e, ao constatar a falência da
luz solar, acionava um interruptor, e a cidade toda se
31| iluminava.
Não consigo pensar em um cargo público mais
empolgante que o desse homem. Claro que o cargo, se
34| existia, já foi extinto, e o homem da luz já deve ter
se transferido para o mundo das trevas eternas.

Reinaldo Moraes. “Luz! Mais luz”. Internet: <www.nexojornal.com.br> (com adaptações).

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A correção gramatical e os sentidos do texto seriam mantidos caso a forma verbal “existia”
(l.34) fosse substituída por “existisse”.

Errado.
A forma verbal “existia” e a forma verbal “existisse” são ambas flexionadas na terceira pessoa
do singular. No entanto, elas são diferentes em termos de modo: “existia” está no indicativo
(modo da “realidade”) e “existisse” está no subjuntivo (modo da hipótese). Essa diferença é
significativa, como podemos interpretar no texto.

(CESPE/MÉDICO/IHBASE-DF/2018)
Texto CG1A1AAA
1| Nasci no Brás, durante a Segunda Guerra. Da rua
em que morávamos até a Praça da Sé, são vinte minutos
de caminhada.
4| Quando estava com sete anos, acordei com
os olhos inchados, e meu pai me levou ao pediatra.
Ao voltarmos, o futebol ininterrupto que jogávamos com
7| bola de borracha na porta da fábrica em frente parou e
a molecada correu até nós. Queriam saber se era verdade que
os médicos davam injeções enormes na bunda das crianças.
10| Nenhum daqueles filhos de operários, meus irmãos
ou eu havia ido ao pediatra; só os fortes sobreviviam, a morte
de crianças era aceita com resignação. Em várias regiões
13| do país, a mortalidade infantil ultrapassava uma centena
para cada mil nascidos.
Se a assistência médica não chegava efetivamente
16| ao Brás fabril, o primeiro bairro da zona leste, encostado
no centro da cidade que mais crescia na América Latina,
que cuidados recebiam aqueles da zona rural, que constituíam
19| mais de 70% da população?

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Sarampo, caxumba, catapora, difteria e tosse


comprida eram doenças da infância, tão inevitáveis quanto
22| a noite e o dia. Qualquer episódio de febre que deixasse
a criança apática enlouquecia as mães, apavoradas pelo
fantasma onipresente da poliomielite. O som metálico das
25| próteses que acompanhava os passos de meninas e meninos
era ouvido em toda parte
No pronto-socorro de pediatria, os bebês com
28| diarreia e desidratação eram atendidos em uma sala com
trinta berços, ao lado dos quais as mães passavam os dias
e as noites em vigília. Morriam quatro ou cinco em cada
31| plantão de 12 horas.
Em 1988, o SUS passou a fazer parte da
Constituição Federal. Nós nos tornamos o único país com
34| mais de 100 milhões de habitantes que ousou oferecer
saúde para todos. Apesar de termos nos esquecido de onde
sairiam os recursos para tamanho desafio, dos descasos,
37| das interferências políticas, hoje são raras as crianças sem
acesso a pediatra.
Em contraste com as imagens de unidades de saúde
40| caindo aos pedaços e prontos-socorros com doentes no chão,
as equipes do Saúde da Família atendem, de casa em casa,
a maior parte do país continental. Temos o maior programa
43| gratuito de vacinações e de transplante de órgãos do mundo.
A distribuição universal de medicamentos contra HIV
não só impediu que a epidemia se transformasse em catástrofe
46| nacional, como serviu de base para o combate em países
da África e da Ásia.
Se pensarmos que, nos tempos desassistidos de
49| minha infância, o Brasil tinha 50 milhões de habitantes,

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enquanto hoje somos 200 milhões, a assistência médica deu


um salto quantitativo e de qualidade muito superior ao de
52| outras áreas sociais, apesar de todas as deficiências gerenciais.

Drauzio Varella. Os visionários do SUS. 14/12/2015.Internet: <https://drauziovarella.com.br> (com adaptações)

Questão 26 (CESPE/MÉDICO/INSTITUTO HOSPITAL DE BASE DO DF/2018) Depreende-se


do emprego da forma verbal “jogávamos” (l.6) que o narrador, ao retornar do pediatra para
casa, juntou-se a colegas para jogar futebol.

Errado.
A forma verbal “jogávamos” tem como sujeito o narrador e o pai (primeira pessoa do plural). As
crianças/colegas se juntaram posteriormente (para realizar perguntas).

Questão 27 (CESPE/MÉDICO/IHBASE-DF/2018) Infere-se do emprego da forma verbal “mo-


rávamos” (l.2) que o narrador fornece uma informação sobre si próprio e sua família.

Certo.
Neste item, a interpretação é correta: a forma verbal “morávamos” tem como sujeito um “nós”
que envolve o narrador e seus familiares.

Questão 28 (CESPE/ANALISTA/BNB/2018)
Texto 2A1-II
1| Não podemos descartar a operação humana por trás
dos sistemas, muito menos a presença de analistas reais. Vamos
supor que um sistema de aprendizagem de máquina perceba
4| que todas as pessoas com índice de massa corporal regular
tomam café com açúcar, enquanto todas as pessoas com índice
elevado tomam a bebida com adoçante. A inteligência artificial
7| poderá inferir, assim, que o adoçante é o responsável pela

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obesidade dos usuários, o que nós sabemos, pela nossa


inteligência humana, que não é bem assim.
10| O sistema de aprendizagem de máquina diminui a
ocorrência de falsos positivos e deve contribuir para cortes de
gastos. Contudo, não podemos deixar de considerar uma pessoa
13| que esteja por trás do sistema, pronta para lidar com casos
realmente duvidosos, que mereçam ser mais bem avaliados.

Correio Braziliense, 1º/10/2018, p. 14 (com adaptações)

Nas linhas 5 e 6, a forma verbal “tomam”, em ambas as suas ocorrências, poderia ser substi-
tuída por “tomem”, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência do texto.

Errado.
O item propõe a substituição de duas formas verbais: “tomam” (terceira pessoa do presente do
INDICATIVO) para “tomem” (terceira pessoa do presente do SUBJUNTIVO). Em termos de inter-
pretação, a diferença é a seguinte: “tomam” expressa habitualidade; “tomem” denota hipótese.

Questão 29 (CESPE/ANALISTA/BNB/2018)
Texto 2A1-I
1| O carrinho de compras do sítio eletrônico está lotado,
e o preço total agrada. Animado, você digita todas as
informações referentes ao cartão de crédito e, sem entender,
4| observa a transação ser negada. Mais tarde, descobre que o
banco tinha considerado suspeito aquele seu procedimento
virtual, uma vez que tinha características semelhantes às de
7| uma fraude. Decepcionante, não? E muito comum.
A fim de melhorar a experiência dos consumidores em
compras pela Internet, cientistas do Instituto de Tecnologia de
10| Massachusetts, nos Estados Unidos da América,
desenvolveram um sistema baseado em princípios de

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aprendizagem de máquina.
13| A aprendizagem de máquina para a detecção de fraude
é baseada em equações matemáticas e algoritmos e funciona
em duas etapas. Na primeira, o sistema recebe exemplificações
16| de compras legítimas e ilegítimas. Em seguida, a máquina
avalia compras reais, levando em consideração os padrões
observados. O sistema funciona mais ou menos como nossos
19| neurônios. A partir de números e fórmulas, une ponto a ponto
informações sobre características de transações já feitas pelo
usuário — como valores médios gastos, horários de compra,
22| uso de celular, pontos usados, principais estabelecimentos —,
até chegar a uma probabilidade de fraude final. Com cada
constatação, o programa consegue melhorar os padrões
25| aprendidos.
Segundo um arquiteto de software de uma empresa
não participante do estudo, o modo como a máquina aprende
28| os padrões antes de começar a analisar compras interfere
diretamente no registro de falsos positivos e fraudes reais. “Se
a prepararmos apenas para detectar casos de não fraude,
31| podemos aumentar os riscos de fraudes que passam. Sendo
assim, precisamos aumentar ao máximo o balanço de situações
apresentadas à máquina para não pesar um lado mais do que o
34| outro”, detalha.
Correio Braziliense, 1º/10/2018, p. 14 (com adaptações).

A substituição da forma verbal ‘podemos’ (l.31) por “poderemos” não prejudicaria a correção
gramatical nem alteraria os sentidos originais do texto.

Certo.
A alteração não prejudica a correção gramatical, muito menos o sentido original. Isso porque
o trecho em que “podemos/poderemos” está inserido expressa fato posterior à hipótese apre-
sentada na oração precedente.

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Questão 30 (CESPE/PAPILOSCOPISTA/PF/2018)
Texto 14A15AAA
1| A natureza jamais vai deixar de nos surpreender.
As teorias científicas de hoje, das quais somos justamente
orgulhosos, serão consideradas brincadeira de criança por
4| futuras gerações de cientistas. Nossos modelos de hoje
certamente serão pobres aproximações para os modelos do
futuro. No entanto, o trabalho dos cientistas do futuro seria
7| impossível sem o nosso, assim como o nosso teria sido
impossível sem o trabalho de Kepler, Galileu ou Newton.
Teorias científicas jamais serão a verdade final: elas irão
10| sempre evoluir e mudar, tornando-se progressivamente mais
corretas e eficientes, sem chegar nunca a um estado final de
perfeição. Novos fenômenos estranhos, inesperados e
13| imprevisíveis irão sempre desafiar nossa imaginação. Assim
como nossos antepassados, estaremos sempre buscando
compreender o novo. E, a cada passo dessa busca sem fim,
16| compreenderemos um pouco mais sobre nós mesmos e sobre
o mundo a nossa volta.
Em graus diferentes, todos fazemos parte dessa
19| aventura, todos podemos compartilhar o êxtase que surge a
cada nova descoberta; se não por intermédio de nossas próprias
atividades de pesquisa, ao menos ao estudarmos as ideias
22| daqueles que expandiram e expandem as fronteiras do
conhecimento com sua criatividade e coragem intelectual.
Nesse sentido, você, eu, Heráclito, Copérnico e Einstein somos
25| todos parceiros da mesma dança, todos dançamos com o
Universo. É a persistência do mistério que nos inspira a criar.

Marcelo Gleiser. A dança do universo: dos mitos de criação ao Big-Bang.São Paulo: Companhia das Letras,
2006, p. 384-5 (com adaptações).

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
Bruno Pilastre

Para conferir um tom menos categórico ao trecho “Teorias científicas jamais serão a verdade
final” (l.9), poderia utilizar-se a expressão “em tempo nenhum” no lugar de “jamais”.

Errado.
Podemos pensar essa questão, que trata de advérbios, a partir de uma perspectiva de interpre-
tação. Você considera que “em tempo nenhum” e “jamais” são semelhantes ou diferentes, em
termos de afirmação categórica. Eu as considero iguais em termos categoriais: ambas deno-
tam que “teorias científicas” não serão a verdade final em nenhuma oportunidade ou momento
(passado ou futuro). Assim, não se pode afirmar que uma expressão é menos categórica em
relação à outra.

(CESPE/ESCRIVÃO/PF/2018)
Texto 13A1AAA
1| No fim do século XVIII e começo do XIX, a despeito
de algumas grandes fogueiras, a melancólica festa de punição
de condenados foi-se extinguindo. Em algumas dezenas
4| de anos, desapareceu o corpo como alvo principal da repressão
penal: o corpo supliciado, esquartejado, amputado, marcado
simbolicamente no rosto ou no ombro, exposto vivo ou morto,
7| dado como espetáculo. Ficou a suspeita de que tal rito que dava
um “fecho” ao crime mantinha com ele afinidades espúrias:
igualando-o, ou mesmo ultrapassando-o em selvageria,
10| acostumando os espectadores a uma ferocidade de que todos
queriam vê-los afastados, mostrando-lhes a frequência dos
crimes, fazendo o carrasco se parecer com criminoso, os juízes
13| com assassinos, invertendo no último momento os papéis,
fazendo do supliciado um objeto de piedade e de admiração.
A punição vai-se tornando a parte mais velada do
16| processo penal, provocando várias consequências: deixa o
campo da percepção quase diária e entra no da consciência

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abstrata; sua eficácia é atribuída à sua fatalidade, não à sua


19| intensidade visível; a certeza de ser punido é que deve desviar
o homem do crime, e não mais o abominável teatro.
Sob o nome de crimes e delitos, são sempre julgados
22| corretamente os objetos jurídicos definidos pelo Código.
Porém julgam-se também as paixões, os instintos, as anomalias,
as enfermidades, as inadaptações, os efeitos de meio ambiente
25| ou de hereditariedade. Punem-se as agressões, mas, por meio
delas, as agressividades, as violações e, ao mesmo tempo, as
perversões, os assassinatos que são, também, impulsos e
28| desejos. Dir-se-ia que não são eles que são julgados; se são
invocados, é para explicar os fatos a serem julgados e
determinar até que ponto a vontade do réu estava envolvida no
31| crime. As sombras que se escondem por trás dos elementos da
causa é que são, na realidade, julgadas e punidas.
O juiz de nossos dias — magistrado ou jurado — faz
34| outra coisa, bem diferente de “julgar”. E ele não julga mais
sozinho. Ao longo do processo penal, e da execução da pena,
prolifera toda uma série de instâncias anexas. Pequenas justiças
37| e juízes paralelos se multiplicaram em torno do julgamento
principal: peritos psiquiátricos ou psicológicos, magistrados da
aplicação das penas, educadores, funcionários da administração
40| penitenciária fracionam o poder legal de punir. Dir-se-á,
no entanto, que nenhum deles partilha realmente do direito de
julgar; os peritos não intervêm antes da sentença para fazer um
43| julgamento, mas para esclarecer a decisão dos juízes. Todo o
aparelho que se desenvolveu há anos, em torno da aplicação
das penas e de seu ajustamento aos indivíduos, multiplica as
46| instâncias da decisão judiciária, prolongando-a muito além da
sentença.

Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Trad. RaquelRamalhete. Petrópolis, Vozes, 1987, p.
8-26 (com adaptações).

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Bruno Pilastre

Questão 31 (CESPE/ESCRIVÃO/PF/2018) A expressão “Dir-se-á” (l.40) poderia ser correta-


mente substituída por “Será dito”.

Certo.
As duas estruturas são construções pessoais (o sujeito é a forma subordinada “que nenhum...”)
e as estruturas são passivas (uma é sintética, a outra é analítica). A diferença entre as duas
é apenas esta: uma é passiva sintética e a outra é uma passiva analítica. A concordância é a
mesma e o modo-tempo também.

Questão 32 (CESPE/ESCRIVÃO/PF/2018) No longo período que finaliza o primeiro parágrafo


do texto, as formas verbais no gerúndio relacionam-se, por coesão, ao termo “tal rito” (l.7).

Certo.
De fato, as formas no gerúndio relacionam-se a “tal rito”. A forma pronominal enclítica (“o”) que
acompanha algumas formas no gerúndio, inclusive, tem como referente “tal rito”.

Questão 33 (CESPE/NÍVEL SUPERIOR/IPHAN/2018)


1| Uma das grandes cousas que se veem hoje no
mundo, e nós pelo costume de cada dia não admiramos, é a transmigração imensa de gentes
e nações etíopes, que da
4| África continuamente estão passando a esta América. Entra
uma nau de Angola, e desova no mesmo dia quinhentos,
seiscentos e talvez mil escravos. Os israelitas atravessaram
7| o Mar Vermelho, e passaram da África à Ásia, fugindo do
cativeiro; estes atravessam o mar oceano na sua maior
largura, e passam da mesma África à América e para viver
10| e morrer cativos. Os outros nascem para viver, estes para
servir. Nas outras terras do que aram os homens, e do que
fiam e tecem as mulheres, se fazem os comércios: naquela

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13| o que geram os pais e o que criam a seus peitos as mães, é


o que se vende, e se compra. Oh trato desumano, em que a
mercancia são homens! Oh mercancia diabólica, em que
16| os interesses se tiram das almas alheias, e os riscos das próprias!
Já se depois de chegados olharmos para estes
19| miseráveis, e para os que se chamam seus senhores: o que
se viu nos dous estados de Jó, é o que aqui representa a
fortuna, pondo juntas a felicidade e a miséria no mesmo
22| teatro. Os senhores poucos, e os escravos muitos; os
senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; os
senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome; os
25| senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados
de ferros; os senhores tratando-os como brutos, os escravos
adorando-os e temendo-os como deuses; os senhores em pé
28| apontando para o açoute, como estátuas da soberba e da
tirania, os escravos prostrados com as mãos atadas atrás
como imagens vilíssimas da servidão, e espetáculos da
31| extrema miséria.

Antônio Vieira. Sermão vigésimo sétimo do rosário. In: Essencial padre Antônio Vieira. Organização e introdu-
ção de Alfredo Bosi. São Paulo: Penguin Classics, Companhia das Letras, 2011, p. 532-3 (com adaptações).

A forma verbal “nadando” (l.25) exprime um evento com duração no tempo.

Certo.
O item traduz corretamente o sentido da forma nominal gerúndio: expressa o aspecto durativo.

Questão 34 (CESPE/NÍVEL SUPERIOR/EMAP/2018)


Texto CB1A1AAA
1| O Juca era da categoria das chamadas pessoas
sensíveis, dessas a que tudo lhes toca e tange. Se a gente lhe

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perguntasse: “Como vais, Juca?”, ao que qualquer pessoa


4| normal responderia “Bem, obrigado!” — com o Juca a coisa
não era assim tão simples. Primeiro fazia uma cara de
indecisão, depois um sorriso triste contrabalançado por um
7| olhar heroicamente exultante, até que esse exame de
consciência era cortado pela voz do interlocutor, que começava
a falar chãmente em outras coisas, que, aliás, o Juca não estava
10| ouvindo... Porque as pessoas sensíveis são as criaturas mais
egoístas, mais coriáceas, mais impenetráveis do reino animal.
Pois, meus amigos, da última vez que vi o Juca, o impasse
13| continuava... E que impasse!
Estavam-lhe ministrando a extrema-unção. E, quando
o sacerdote lhe fez a tremenda pergunta, chamando-o pelo
16| nome: “Juca, queres arrepender-te dos teus pecados?”, vi que,
na sua face devastada pela erosão da morte, a Dúvida
começava a redesenhar, reanimando-a, aqueles seus trejeitos e
19| caretas, numa espécie de ridícula ressurreição. E a resposta não
foi “sim” nem “não”; seria acaso um “talvez”, se o padre não
fosse tão compreensivo. Ou apressado. Despachou-o num
22| átimo e absolvido. Que fosse amolar os anjos lá no Céu!
E eu imagino o Juca a indagar, até hoje:
— Mas o senhor acha mesmo, sargento Gabriel, que
25| ele poderia ter-me absolvido?

Mário Quintana Prosa & Verso Porto Alegre: Globo, 1978, p 65 (com adaptações)

Na linha 5, caso a forma verbal “era” fosse substituída por “seria”, a respectiva afirmação so-
bre o comportamento de Juca seria mais categórica que a que se verifica no texto.

Errado.
As formas verbais “era” e “seria” são ambas flexões do verbo “ser”. No entanto, “era” está fle-
xionada no pretérito imperfeito do indicativo. A forma “seria”, diferentemente, está no futuro do

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pretérito do indicativo. Entre as duas, a que mais denota afirmação sobre o comportamento de
Juca é “era”. Isso porque o futuro do pretérito está mais próximo à noção do modo subjuntivo
(isto é, da irrealidade).

Questão 35 (CESPE/PROFESSOR/SEDUC-AL/2018)
1| O estado de São Paulo realiza o chamado “dia D” da
vacinação contra a febre amarela em 54 cidades da Grande São
Paulo, do Vale do Paraíba e da Baixada Santista. O governo do
4| estado pretende imunizar 9,2 milhões de pessoas. Para se
vacinar, as pessoas devem apresentar documento de identidade
e carteiras do SUS e de vacinação.
7| A campanha será feita com a dose fracionada da
vacina. Segundo o Ministério da Saúde, a vacina fracionada
tem eficácia de oito anos, e quem já tomou uma dose não
10| precisará se vacinar novamente.
Também serão disponibilizadas doses convencionais
para crianças com idade entre nove meses e dois anos, pessoas
13| que viajarão para países que exigem imunização, grávidas que
moram em área de risco, transplantados e portadores de
doenças crônicas. De acordo com a Organização Mundial da
16| Saúde (OMS), a dose padrão tem validade para a vida toda.

São Paulo faz mutirão para vacinação contra a febreamarela. Internet: <www.g1.com.br> (com adaptações).

Conclui-se do emprego do advérbio “Também” (l.11) que as duas modalidades de vacinação,


além de serem aplicadas simultaneamente, valem para a vida toda.

Errado.
O valor da forma “também” incide apenas sobre o fato de outro tipo de vacina ser disponibiliza-
da (a do tipo convencional). Isso não significa que os tipos de vacinas são semelhantes quanto
ao tempo da imunização.

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Questão 36 (CESPE/ANALISTA/STM/2018)

No período “É um orgulho poder contar com você”, a terceira pessoa do singular empregada
na forma verbal “É” justifica-se por tratar-se de um verbo impessoal, como em “É tarde”.

Errado.
A forma verbal está flexionada na terceira pessoa do singular para concordar com a estrutura “po-
der contar com você”. Veja a ordem direta da oração: “Poder contar com você é um orgulho”.

Questão 37 (CESPE/ANALISTA/STM/2018)
Texto 6A1AAA
1| Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que
se não errou confundiu, que se não confundiu imaginou, mas
venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado,

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4| confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é


próprio do homem, o que significa, se não é erro tomar as
palavras à letra, que não seria verdadeiro homem aquele que
7| não errasse. Porém, esta suprema máxima não pode ser
utilizada como desculpa universal que a todos nos absolveria
de juízos coxos e opiniões mancas. Quem não sabe deve
10| perguntar, ter essa humildade, e uma precaução tão elementar
deveria tê-la sempre presente o revisor, tanto mais que nem
sequer precisaria sair de sua casa, do escritório onde agora está
13| trabalhando, pois não faltam aqui os livros que o elucidariam
se tivesse tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente
naquilo que supõe saber, que daí é que vêm os enganos piores,
16| não da ignorância. Nestas ajoujadas estantes, milhares e
milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade
inicial ou a firme luz que é sempre a dúvida que busca o seu
19| próprio esclarecimento. Lancemos, enfim, a crédito do revisor
ter reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes de
informação, embora um simples olhar nos revele que estão
faltando no seu tombo as tecnologias da informática, mas o
dinheiro, desgraçadamente, não chega a tudo, e este ofício, é
altura de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal pagos do orbe.
25| Um dia, mas Alá é maior, qualquer corrector de livros terá ao
seu dispor um terminal de computador que o manterá ligado,
noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não
28| tendo ele, e nós, mais que desejar que entre esses dados do
saber total não se tenha insinuado, como o diabo no convento,
o erro tentador.
31| Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros
estão aqui, como uma galáxia pulsante, e as palavras, dentro
deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do olhar

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34| que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo,
porque assim como vão variando as explicações do universo,
também a sentença que antes parecera imutável para todo o
37| sempre oferece subitamente outra interpretação, a possibilidade
duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio.
Aqui, neste escritório onde a verdade não pode ser mais do que
40| uma cara sobreposta às infinitas máscaras variantes, estão os
costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais e
Aurélios, os Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o
43| Manual do Perfeito Revisor, vademeco de ofício [...].

José Saramago. História do cerco de Lisboa.São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 25-6.

Em “não tendo ele, e nós, mais que desejar” (l. 27 e 28), a palavra “mais” classifica-se como
advérbio, sendo sinônimo de “já”, de forma que, sem prejuízo do sentido do texto, tal trecho
poderia ser reescrito da seguinte forma: “já não tendo ele, e nós, que desejar”.

Errado.
A expressão “mais que [verbo infinitivo]” é cristalizada. Com isso, a substituição por “já” por si
só é incorreta. A mudança de posição (para o início do trecho em análise) adiciona mais incor-
reção à reescrita.

Questão 38 (CESPE/ANALISTA/STM/2018)
1| A corrupção é uma doença da alma. Como todas as
doenças, ela não acomete a todos. Muitas pessoas são
suscetíveis a ela, outras não. A corrupção é uma doença que
4| deve ser combatida por meio de uma vacina: a educação. Uma
educação de qualidade para todos os brasileiros deverá
exercitar o pensamento e a crítica argumentada e,

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7| principalmente, introduzir e consolidar virtudes como a


solidariedade e a ética. Devemos preparar uma nova geração
na qual a corrupção seja um fenômeno do passado. Nesse
10| futuro não tão remoto, teremos conquistado a utopia de uma
verdadeira justiça social.

Isaac Roitman. Corrupção e democracia.Internet: <https://noticias.unb.br> (com adaptações).

A substituição de “teremos conquistado” (l.10) por “conquistaremos” manteria os sentidos


originais do texto.

Errado.
As estruturas possuem valores semânticos diferentes. A forma “teremos conquistado” é mais
“concreta” em termos de realização ou não do evento denotado (no futuro). Já a forma “con-
quistaremos” é “menos concreta”, “menos certa” de ocorrer em um futuro.

Questão 39 (CESPE/ANALISTA/TRF/2017)
Texto 4A4AAA
1| A linguagem — seja ela oral ou escrita, seja mímica
ou semafórica — é um sistema de símbolos, signos ou
signos-símbolos, voluntariamente produzidos e
4| convencionalmente aceitos, mediante o qual o ser humano se
comunica com seus semelhantes, expressando suas ideias,
sentimentos ou desejos.
7| A linguagem ideal seria aquela em que cada palavra
designasse apenas uma coisa, correspondesse a uma só ideia ou
conceito, tivesse um só sentido. Como tal não ocorre em
10| nenhuma língua conhecida, as palavras são, por natureza,
enganosas, porque polissêmicas ou plurivalentes.
Isoladas de contexto ou situação, as palavras quase

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13| nada significam de maneira precisa, inequívoca (Ogden e


Richards são radicais: “as palavras nada significam por si
mesmas”): “...o que determina o valor da palavra é o contexto,
16| o qual, a despeito da variedade de sentidos de que a palavra
seja suscetível, lhe impõe um valor ‘singular’; é o contexto
também que a liberta de todas as representações passadas, nela
19| acumuladas pela memória, e que lhe atribui um valor ‘atual’”.
Assim, por mais condicionada que esteja a significação de uma
palavra ao seu contexto, sempre subsiste nela, palavra, um
22| núcleo significativo mais ou menos estável e constante, além de
outros traços semânticos potenciais em condições de se
evidenciarem nos contextos em que ela apareça. Se, como
25| entendem Ogden e Richards, as palavras por si mesmas nada
significassem, a cada novo contexto elas adquiririam
significação diferente, o que tornaria praticamente impossível
28| a própria intercomunicação linguística.

Othon M. Garcia. Comunicação em Prosa Moderna. 21.ª ed. Riode Janeiro: Editora FGV, 2002, p. 175-6
(com adaptações).

A correção gramatical e os sentidos do primeiro período do segundo parágrafo seriam preser-


vados caso as formas verbais flexionadas no futuro do pretérito do indicativo e no modo sub-
juntivo fossem alteradas para o presente do modo indicativo, da seguinte forma: “A linguagem
ideal é aquela em que cada palavra designa apenas uma coisa, corresponde a uma só ideia ou
conceito, tem um só sentido”.

Errado.
O sentido é claramente diferente: no original, temos hipóteses (irrealidade); na reescrita, temos
certezas (realidades).

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Questão 40 (CESPE/TÉCNICO/TRF-1ª REGIÃO/2018)


Texto 7A3BBB
1| Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF1)
determinou a imediata paralisação das atividades de mineração
do empreendimento Onça Puma, subsidiária da Vale S.A., até
4| que seja comprovada a implantação do plano de gestão
econômica e ambiental e das demais medidas compensatórias
em favor das comunidades indígenas afetadas.
7| Os representantes das comunidades Xikrins e Kayapós
defenderam a paralisação imediata das atividades de mineração
do empreendimento Onça Puma sob o fundamento de que a
10| exploração de minério em áreas próximas às terras indígenas
localizadas na sub-bacia do rio Catete e do igarapé Carapanã
está trazendo impactos negativos aos índios da região.
13| Sustentaram os índios que a responsabilidade do TRF1 no
julgamento da questão é muito importante.
A Vale S.A. e o estado do Pará, por intermédio de
16| seus representantes, buscaram a rejeição dos argumentos das
comunidades indígenas, a fim de permitir a continuidade das
atividades. A defesa da empresa se ateve a questões
19| processuais, enquanto o procurador do estado do Pará afirmou
que a paralisação das atividades ocasionará prejuízos
irreversíveis ao estado, tais como aumento do índice de
22| desemprego e queda na arrecadação de impostos.

Internet: <portal.trf1.jus.br> (com adaptações).

No contexto em que foi empregada, a forma verbal “buscaram” (l.16) poderia ter sido flexio-
nada no singular, “buscou”, sem que houvesse prejuízo para a correção gramatical do texto.

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Errado.
O sujeito é composto (A Vale S.A. e o estado do Pará), por isso a concordância só pode ser de
terceira pessoa do plural.

Questão 41 (CESPE/TÉCNICO/TRF-1ª REGIÃO/2017/ADAPTADA)


Texto 7A3AAA
1| Botelho conhecia as faltas de Estela como as palmas
das próprias mãos. O Miranda mesmo, que o via em conta de
amigo fiel, muitas e muitas vezes lhas confiara em ocasiões
4| desesperadas de desabafo, declarando francamente o quanto no
íntimo a desprezava e a razão por que não a punha na rua aos
pontapés. E o Botelho dava-lhe toda a razão: entendia também
7| que os sérios interesses comerciais estavam acima de tudo.
— Uma mulher naquelas condições, dizia ele
convicto, representa nada menos que o capital, e um capital em
10| caso nenhum a gente despreza! Agora, você o que devia era
nunca chegar-se para ela...
— Ora! Explicava o marido. Eu me sirvo dela como
13| quem se serve de uma escarradeira!
O parasita, feliz por ver quanto o amigo aviltava a
mulher, concordava em tudo plenamente, dando-lhe um
16| carinhoso abraço de admiração. Mas por outro lado, quando
ouvia Estela falar do marido, com infinito desdém e até com
asco, ainda mais resplandecia de contente.

Aluísio Azevedo. O cortiço. Internet: <www.dominiopublico.gov.br> (com adaptações).

Na linha 4, a forma “francamente” é derivada da forma masculina do adjetivo “franco”.

Errado.
A forma “francamente” é derivada da forma feminina: “franca”.

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Questão 42 (CESPE/TÉCNICO/TRF-1ª REGIÃO/2017)

Texto CB2A2AAA

1| O pensamento do filósofo grego Sócrates, no século

V – a. C., marcou uma reviravolta na história humana. Até então,

a filosofia procurava explicar o mundo com base na observação


4| das forças da natureza. A partir de Sócrates, o ser humano
voltou-se para si mesmo.
A preocupação do filósofo era levar as pessoas, por
7| meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem.
Para o filósofo grego, o papel do educador é, portanto, o de
ajudar o discípulo a caminhar nesse sentido, despertando sua
10| cooperação para que ele consiga, por si próprio, iluminar sua
inteligência e sua consciência.
Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de
13| conhecimentos, mas alguém que desperta os espíritos. Ele
deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao exercer sua
função iluminadora, permitindo que os alunos contestem seus
16| argumentos da mesma forma que ele contesta os argumentos
dos alunos. Para esse pensador, só a troca de ideias dá
liberdade ao pensamento e a sua expressão, condição
19| imprescindível para o aperfeiçoamento do ser humano.

Sócrates. In: Coleção Grandes Pensadores. Revista Nova Escola. Ed. 179,jan.–fev./2005.
Internet: <https://novaescola.org.br> (com adaptações).

Por ser um advérbio, o vocábulo “só” (l.17) poderia ser deslocado para imediatamente antes
da forma verbal “dá” (l.17), sem alteração dos sentidos do texto.

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Errado.
Muita atenção, ok? A mudança da posição de formas como “só”, “até” “apenas” geralmente
acarreta mudança de sentido. No texto original, a forma “só” modifica o termo “a troca de
ideias”. Com a rescritura, esse termo passa a modificar a expressão “liberdade ao pensamen-
to”. Essa diferença é uma grande alteração do sentido original do texto.

Questão 43 (CESPE/NÍVEL MÉDIO/TRF-1ª REGIÃO/2017)


Texto CB2A1AAA
1| A pergunta a respeito da exigibilidade ou não de
procedimento licitatório prévio para a contratação de serviços
profissionais de advocacia não comporta uma resposta
4| genérica, seja em sentido positivo, seja em sentido negativo.
Na verdade, o campo de atuação profissional do advogado é
bastante amplo e compreende tanto trabalhos usuais,
7| corriqueiros, de pequena complexidade técnica, quanto
situações de extrema dificuldade, verdadeiramente polêmicas
e de enorme repercussão prática, de ordem tanto econômica
10| quanto propriamente jurídica.
O estudo desse problema exige muita ponderação,
repudiando-se, de uma vez, soluções simplistas e extremadas.
13| Nem se pode dizer que toda contratação direta de advogado
pelo poder público é lícita, dado o caráter fundamentalmente
intelectual e pessoal do trabalho advocatício, nem se pode
16| afirmar que toda e qualquer contratação de advogado deve ser
precedida de licitação, em face do princípio da isonomia.
Existem, no entanto, assuntos de grande repercussão
19| política correspondentes a programas ou prioridades
determinadas exatamente pela estrutura política eleita
democraticamente pelo corpo social, e o tratamento de temas

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22| dessa natureza requer a seleção de assistentes jurídicos


nomeados para cargos de provimento em comissão ou a
contratação temporária de profissionais alheios ao corpo
permanente de servidores.

Adilson Abreu Dallari. Contratação de serviços de advocaciapela administração pública. Brasília. a. 35 n. 140
out./dez. 1998.Internet: <www2.senado.leg.br> (com adaptações).

A substituição das formas verbais “é” (l.14) e “deve” (l.16) por “seja” e “deva”, respectivamente,
não alteraria a correção gramatical do texto.

Certo.
Os tempos são mantidos: “é”/“seja” e “deve”/“deva” estão no presente. A flexão de número-
-pessoa também é a mesma: terceira pessoa do singular. A mudança é de modo: de indicativo
para subjuntivo. Com essa mudança, temos alteração de sentido, mas não de estruturação
gramatical (ou seja: correção gramatical é mantida).

Questão 44 (CESPE/PROFESSOR/SE-DF/2016)
1| Meu querido neto Mizael,
Recebi a sua cartinha. Ver que você se tem adiantado
muito me deu muito prazer.
4| Fiquei muito contente quando sua mãe me disse que em
princípio de maio estarão cá, pois estou com muitas saudades
de vocês todos. Vovó te manda muitas lembranças.
7| A menina de Zulmira está muito engraçadinha. Já tem 2
dentinhos.
Com muitas saudades te abraça sua Dindinha e Amiga,
Bárbara
Carta de Bárbara ao neto Mizael (carta de 1883). CorpusCompartilhado Diacrônico: cartas pessoais brasi-
leiras. Rio deJaneiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade deLetras. Internet: <www.tycho.iel.
unicamp.br> (com adaptações).

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Como modificadora das palavras “prazer” (l.3) e “engraçadinha” (l.7), a palavra “muito” que as
acompanha é, do ponto de vista morfossintático, um advérbio.

Errado.
Para sabermos se a forma “muito” é um advérbio, basta verificar se NÃO há flexão. Isso não
ocorre em “muito prazer”, porque é possível, no mesmo contexto, registrar “muita paz” (com
flexão de gênero). Logo, a primeira ocorrência de “muito” é forma ADJETIVAL que modifica o
termo “prazer”.

Questão 45 (CESPE/PROFESSOR/SE-DF/2016)

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No terceiro período, “for” e “vir” são formas flexionadas no modo subjuntivo dos verbos de mo-
vimento “ir” e “vir”, empregadas em um jogo de palavras que aproxima o campo semântico do
movimento com o campo semântico do transporte.

Errado.
A forma “for” é a flexão verbo SER (do futuro do subjuntivo). A forma “vir” é a flexão do verbo
VER (do futuro do subjuntivo).

Questão 46 (CESPE/PROFESSOR/SE-DF/2016)
Texto CB2A1BBB
1| O universo da comunicação vem se ampliando com
maior dinamismo, nos últimos anos, para atender à demanda de
seus usuários, nas mais diferentes situações de interatividade.
4| Nele estamos inseridos, exercitando nossa linguagem oral e
escrita, até mesmo na área digital. Por isso, necessitamos
sempre assimilar novos conhecimentos e expressá-los com
7| objetividade e competência.
A construção do pensamento — e sua exposição de
forma clara e persuasiva — constitui um dos objetivos mais
10| perseguidos por todo aquele que almeja sucesso na vida
profissional e, muitas vezes, pessoal. É evidente que a
interlocução comunicativa permite o entendimento,
13| proporciona o intercâmbio de ideias e nos faz refletir e
argumentar com maior propriedade em defesa de nossos
direitos e deveres como cidadãos.

L – L. Sarmentto. Oficina de redação. 5.ª ed.São Paulo: Moderna, 2016, p. 3 (com adaptações).

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A correção gramatical e o sentido do texto seriam preservados caso o trecho “expressá-los


com objetividade e competência” (l.6 e 7) fosse reescrito da seguinte maneira: “expressá-los
objetiva e competentemente“.

Certo.
As formas “com objetividade” e “com competência” são substituíveis, sim, pelas formas “objeti-
vamente” e “competentemente”. Adicionalmente, há a possibilidade de se registrar o morfema
derivacional -mente apenas no último termo da coordenação: objetiva e competentemente.

Questão 47 (CESPE/PROFESSOR/SE-DF/2016)
Texto CB4A1BBB
1| Hoje, constituída por 26 institutos e faculdades e
21 centros de pesquisa especializados, a UnB possui
2.695 professores, 2.620 servidores técnico-administrativos,
4| 36.370 alunos de graduação e 7.510 de pós-graduação.
Ela oferece 109 cursos de graduação, sendo
31 noturnos e 10 a distância, além de 147 cursos de
7| pós-graduação stricto sensu e 22 especializações lato sensu.
Os cursos estão divididos em quatro campi espalhados pelo
Distrito Federal: Darcy Ribeiro (Plano Piloto), Planaltina,
10| Ceilândia e Gama. Os órgãos de apoio incluem
o Hospital Universitário, a Biblioteca Central,
o Hospital Veterinário e a Fazenda Água Limpa.
13| Sua missão é ser uma instituição inovadora,
comprometida com a excelência acadêmica, científica e
tecnológica, e formar cidadãos conscientes do seu papel
16| transformador na sociedade, respeitadas a ética e a valorização
de identidades e culturas com responsabilidade social.
Estar entre as melhores universidades do Brasil,
19| inserida internacionalmente, com excelência em gestão de

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processos que fortaleça o ensino, a pesquisa e a extensão, é a


visão de futuro da UnB.

Internet: <www.unb.br> (com adaptações).

O vocábulo “Hoje”, que inicia o texto, poderia ser corretamente substituído por “Atualmente”.

Certo.
A forma “hoje” equivale a “na época presente”, “na atualidade”. Por isso, equivale a “atualmente”

Questão 48 (CESPE/TÉCNICO/ANVISA/2016)
1| Ao combater a febre amarela, Oswaldo Cruz enfrentou
vários problemas. Grande parte dos médicos e da população
acreditava que a doença se transmitia pelo contato com roupas
4|,suor, sangue e secreções de doentes. No entanto, Oswaldo Cruz
acreditava em uma nova teoria: o transmissor da febre amarela
era um mosquito. Assim, suspendeu as desinfecções, método
7| então tradicional no combate à moléstia, e implantou medidas
sanitárias com brigadas que percorreram casas, jardins, quintais
e ruas, para eliminar focos de insetos. Sua atuação provocou
10| violenta reação popular.
Em 1904, a oposição a Oswaldo Cruz atingiu seu
ápice. Com o recrudescimento dos surtos de varíola, o
13| sanitarista tentou promover a vacinação em massa da
população. Os jornais lançaram uma campanha contra a
medida. O congresso protestou e foi organizada a Liga Contra
16| a Vacinação Obrigatória. No dia 13 de novembro, estourou a
rebelião popular e, no dia 14, a Escola Militar da Praia
Vermelha se levantou. O governo derrotou a rebelião, mas
19| suspendeu a obrigatoriedade da vacina.
Oswaldo Cruz acabou vencendo a batalha. Em 1907,

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a febre amarela estava erradicada do Rio de Janeiro. Em 1908,


22| uma epidemia de varíola levou a população aos postos de
vacinação. O Brasil finalmente reconhecia o valor do
sanitarista.
Osvaldo Cruz. Internet: <http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/oswaldo-cruz> (com adaptações)

O emprego de verbos no passado justifica-se em função do propósito comunicativo do texto,


que é o de narrar acontecimentos anteriores ao momento da fala.

Certo.
O texto é uma retomada histórica de fatos passado (realizada por meio de uma narração).
Esses fatos, como podemos denotar pela flexão verbal, ocorreram anteriormente ao mo-
mento da fala.

Questão 49 (CESPE/CONHECIMENTOS BÁSICOS/FUNPRESP-EXE/2016)


1| O meu antigo companheiro de pensão Amadeu Amaral
Júnior, um homem louro e fornido, tinha costumes singulares
que espantavam os outros hóspedes.
4| Amadeu Amaral Júnior vestia-se com sobriedade:
usava uma cueca preta e calçava medonhos tamancos
barulhentos. Alimentava-se mal, espichava-se na cama, roncava
7| o dia inteiro e passava as noites acordado, passeando, agitando
o soalho, o que provocava a indignação dos outros
pensionistas. Quando se cansava, sentava-se a uma grande
10| mesa ao fundo da sala e escrevia o resto da noite. Leu um
tratado de psicologia e trocou-o em miúdo, isto é, reduziu-o a
artigos, uns quarenta ou cinquenta, que projetou meter nas
13| revistas e nos jornais e com o produto vestir-se, habitar uma
casa diferente daquela e pagar ao barbeiro.
Mudamo-nos, separamo-nos, perdemo-nos de vista.

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16| Creio que os artigos de psicologia não foram publicados,


pois há tempo li este anúncio num semanário: “Intelectual
desempregado. Amadeu Amaral Júnior, em estado de
19| desemprego, aceita esmolas, donativos, roupa velha,
pão dormido. Também aceita trabalho”. O anúncio não
produziu nenhum efeito.
22| Muita gente se espanta com o procedimento desse
amigo. Não sei por quê. Eu, por mim, acho que Amadeu
Amaral Júnior andou muito bem. Todos os jornalistas
25| necessitados deviam seguir o exemplo dele. O anúncio, pois
não. E, em duros casos, a propaganda oral, numa esquina, aos
gritos. Exatamente como quem vende pomada para calos.

Graciliano Ramos. Um amigo em talas. In: Linhas tortas.Rio de Janeiro: Record, 1983, p. 125 (com adaptações).

O sujeito da oração ‘também aceita trabalho’ (l.20) está elíptico e se refere a ‘Amadeu Amaral
Júnior’ (l.18), o que justifica o emprego da forma verbal “aceita” na terceira pessoa do singular.

Certo.
O referente da forma verbal “aceita”, flexionada na terceira pessoa do singular, é, de fato, “Ama-
deu Amaral Júnior”.

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Questão 50 (CESPE/AGENTEADMINISTRATIVOS/DPU/2016)

As formas verbais empregadas na tirinha, embora flexionadas na terceira pessoa do singular,


indicam ações praticadas por Mafalda e por ela relatadas no momento de sua realização, o
que justifica o emprego do presente do indicativo.

Errado.
Nem todas as formas verbais estão na terceira pessoa do singular. Há uma forma, no penúlti-
mo quadrinho (torno), flexionada na primeira pessoa do singular.

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Questão 51 (CESPE/ANALISTA/STM/2018)
1| Não sou de choro fácil a não ser quando descubro
qualquer coisa muito interessante sobre ácido
desoxirribonucleico. Ou quando acho uma carta que fale sobre
4| a descoberta de um novo modelo para a estrutura do ácido
desoxirribonucleico, uma carta que termine com “Muito amor,
papai”. Francis Crick descobriu o desenho do DNA e escreveu
7| a seu filho só para dizer que “nossa estrutura é muito bonita”.
Estrutura, foi o que ele falou. Antes de despedir-se ainda disse:
“Quando chegar em casa, vou te mostrar o modelo”. Não
10| esqueça os dois pacotes de leite, passe para comprar pão,
guarde o resto do dinheiro para seus caramelos e, quando
chegar, eu mostro a você o mecanismo copiador básico a partir
13| do qual a vida vem da vida.
Não sou de choro fácil, mas um composto orgânico
cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam
16| o desenvolvimento e o funcionamento de todos os seres vivos
me comove. Cromossomas me animam, ribossomas me
espantam. A divisão celular não me deixa dormir, e olha que eu
19| moro bem no meio das montanhas. De vez em quando vejo
passarem os aviões, mas isso nunca acontece de madrugada —
a noite se guarda toda para o infinito silêncio.
22| Acho que uma palavra é muito mais bonita do que
uma carabina, mas não sei se vem ao caso. Nenhuma palavra
quer ferir outras palavras: nem desoxirribonucleico, nem
25| montanha, nem canção. Todos esses conceitos têm os seus
sinônimos, veja só, ácido desoxirribonucleico e DNA são
exatamente a mesma coisa, e os do resto das palavras você
28| acha. É tudo uma questão de amor e prisma, por favor não abra

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os canhões. Que coisa mais linda esse ácido despenteado,


caramba. Olhei com mais atenção o desenho da estrutura e
31| descobri: a raça humana é toda brilho.
A substituição da expressão “e olha que eu moro bem no meio das montanhas” (l.18 e 19) por
“embora eu more entre montanhas” manteria a coerência do trecho no qual se insere, mas
alteraria seu nível de formalidade.

Certo.
A conjunção “embora” traduz corretamente o valor concessivo do trecho no qual se insere. A
ideia de concessão, como vimos, exprime uma oposição ao que é afirmado na oração principal,
mas essa oposição não é capaz de anular ou impedir o fato mencionado. Como vemos pela
natureza do texto em análise, a frase original é menos formal (é informal). Se se fizer o uso da
conjunção “embora”, o texto se torna mais formal.

Questão 52 (CESPE/OFICIAL/ABIN/2018)
11| Após espiões poloneses
terem roubado uma cópia da máquina, Turing e o campeão de
13| xadrez Gordon Welchman construíram uma réplica da Enigma
na base militar de Bletchey Park. A máquina replicava os
rotores do sistema alemão e tentava reproduzir diferentes
16| combinações de posições dos rotores para testar possíveis
soluções. Após quatro anos de trabalho, Turing conseguiu
quebrar a Enigma, ao perceber que as mensagens alemãs
19| criptografadas continham palavras previsíveis, como nomes e
títulos dos militares.
No trecho “para testar possíveis soluções” (l.16 e 17), o emprego da preposição “para”, além
de contribuir para a coesão sequencial do texto, introduz, no período, uma ideia de finalidade.

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Certo.
A preposição “para” possui, na sentença analisada, a ideia de finalidade. Traduzindo, temos
que “a reprodução de diferentes combinações tinha por fim as possíveis soluções”. Um teste
para identificar o valor de finalidade da preposição para é a substituição pela forma “a fim de”.

Questão 53 (CESPE/ASSISTENTE/SEE-DF/2017)
1| Não têm conta entre nós os pedagogos da
prosperidade que, apegando-se a certas soluções onde,
na melhor hipótese, se abrigam verdades parciais,
4| transformam-nas em requisito obrigatório e único de todo
progresso. É bem característico, para citar um exemplo, o
que ocorre com a miragem da alfabetização. Quanta inútil
7| retórica se tem desperdiçado para provar que todos os
nossos males ficariam resolvidos de um momento para o
outro se estivessem amplamente difundidas as escolas
10| primárias e o conhecimento do abc.
A preposição “para” (l.7) introduz, no período em que ocorre, uma ideia de finalidade.

Certo.
Para reconhecer a ideia de finalidade na preposição “para”, faça a reescritura utilizando, no lu-
gar da preposição, as formas “com a finalidade de”, “com o intuito de”, “com o propósito de” ou
“a fim de”: “Quanta inútil retórica se tem desperdiçado com a finalidade/o intuito/o propósito
de/a fim de provar que [...]”

Questão 54 (CESPE/PROFESSOR/SEE-DF/2017)
9| Quando nos perguntamos o que é a
10| consciência, não temos melhor resposta que a de Louis

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11|Armstrong quando uma repórter perguntou-lhe o que era o jazz:


12| “Moça, se você precisa perguntar, nunca saberá”.
Seriam mantidos o sentido e a correção gramatical do texto caso fosse introduzida a prepo-
sição “sobre” imediatamente após “perguntou-lhe” (l.11).

Errado.
A preposição “sobre” não pode ser introduzida na construção analisada. A explicação é a seguin-
te: o verbo perguntar, na sentença, é transitivo direto e indireto – perguntar algo (o que era o jazz)
a alguém (lhe = a ele). Se houvesse a presença da preposição “sobre”, a construção ficaria assim
(reescrita): “uma repórter perguntou sobre o que era o jazz a ele”. Essa frase, segundo a norma
gramatical, é incorreta, já que a preposição sobre está introduzindo um objeto direto.

Questão 55 (CESPE/ESCRIVÃO/PC-MA/2017)
1| Se, nos Estados Unidos da América, surgem mais e
mais casos de assédio sexual em ambientes profissionais —
como os que envolvem produtores e atores de cinema —, no
4| Brasil, o número de processos desse tipo caiu 7,5% entre 2015
e 2016.
Até setembro de 2017, foram registradas 4.040 ações
7| judiciais sobre assédio sexual no trabalho, considerando-se só
a primeira instância.
Os números mostram que o tema ainda é tabu por
10| aqui, analisa o consultor Renato Santos, que atua auxiliando
empresas a criarem canais de denúncia anônima. “As pessoas
não falam por medo de serem culpabilizadas ou até de
13| represálias”.
Segundo Santos, os canais de denúncia para coibir
corrupção nas corporações já recebem queixas de assédio e

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16| ajudam a identificar eventuais predadores. Para ele,


“o anonimato ajuda, já que as pessoas se sentem mais
protegidas para falar”.
19| A lei só tipifica o crime quando há chantagem de um
superior sobre um subordinado para tentar obter vantagem
sexual. Se um colega constrange o outro, em tese, não há
22| crime, embora tal comportamento possa dar causa a reparação
por dano moral.
No texto, a correção gramatical e o sentido do trecho “O anonimato ajuda, já que as pessoas
se sentem mais protegidas para falar” (l. 17 e 18) seriam preservados caso se substituísse o
termo “já que” por “uma vez que”.

Certo.
São equivalentes do termo “já que”: “dado que”, “visto que”, “uma vez que”. O valor da locução
conjuntiva é de explicação, introduzindo o seguimento que denota uma explicação para o que
foi dito anteriormente.

Questão 56 (CESPE/AUXILIAR/TCE-PB/2017)
1| O medo do esquecimento obcecou as sociedades
europeias da primeira fase da modernidade. Para dominar sua
inquietação, elas fixaram, por meio da escrita, os traços do
4| passado, a lembrança dos mortos ou a glória dos vivos e todos
os textos que não deveriam desaparecer. A pedra, a madeira, o
tecido, o pergaminho e o papel forneceram os suportes nos
7| quais podia ser inscrita a memória dos tempos e dos homens.
No espaço aberto da cidade, no refúgio da biblioteca,
na magnitude do livro e na humildade dos objetos mais
10| simples, a escrita teve como missão conjurar contra a fatalidade
da perda. Em um mundo no qual as escritas podiam ser
apagadas, os manuscritos podiam ser perdidos e os livros

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13| estavam sempre ameaçados de destruição, a tarefa não era fácil.


Paradoxalmente, seu sucesso poderia criar, talvez, outro
perigo: o de uma incontrolável proliferação textual de um
16| discurso sem ordem nem limites.
O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis
e abafa o pensamento sob o acúmulo de discursos, foi
19| considerado um perigo tão grande quanto seu contrário.
Embora fosse temido, o apagamento era necessário, assim
como o esquecimento também o é para a memória. Nem todos
22| os escritos foram destinados a se tornar arquivos cuja proteção
os defenderia da imprevisibilidade da história. Alguns foram
traçados sobre suportes que permitiam escrever, apagar e
25| depois escrever de novo.
No texto, as relações sintático-semânticas do período “Embora fosse temido, o apagamento
era necessário, assim como o esquecimento também o é para a memória” (l. 20 e 21) seriam
preservadas caso a conjunção “Embora” fosse substituída por “Ainda que”.

Certo.
O valor da conjunção “embora” é de concessão (exprime uma oposição ao que é dito na oração
principal, não sendo capaz, porém, de anular ou impedir o fato mencionado). Uma outra estru-
tura concessiva é “ainda que”, o que torna o item certo.

Questão 57 (CESPE/DELEGADO/PJC-MT/2017)
1| A valorização do direito à vida digna preserva as duas
faces do homem: a do indivíduo e a do ser político; a do ser em
si e a do ser com o outro. O homem é inteiro em sua dimensão
4| plural e faz-se único em sua condição social. Igual em sua
humanidade, o homem desiguala-se, singulariza-se em sua
individualidade. O direito é o instrumento da fraternização

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7| racional e rigorosa.
O direito à vida é a substância em torno da qual todos
os direitos se conjugam, se desdobram, se somam para que o
10| sistema fique mais e mais próximo da ideia concretizável de
justiça social.
Mais valeria que a vida atravessasse as páginas da Lei
13| Maior a se traduzir em palavras que fossem apenas a revelação
da justiça. Quando os descaminhos não conduzirem a isso,
competirá ao homem transformar a lei na vida mais digna para
16| que a convivência política seja mais fecunda e humana.
Sem prejuízo para a coerência e para a correção gramatical do texto, a conjunção “Quando”
(l.14) poderia ser substituída por “se”.

Certo.
Ambas as formas (“quando” e “se”) são conjunções que indicam hipótese. Observe que a subs-
tituição de uma por outra não altera a flexão do verbo (diferentemente da conjunção “caso”,
que exige mudança na flexão verbal).

Questão 58 (CESPE/SECRETÁRIO ESCOLAR/SEE-AL/2013)


1| O secretário escolar é mais do que um mero executor
de tarefas burocráticas, pois é um profissional que tem em
mãos dados essenciais para pensar estrategicamente o processo
4| pedagógico da escola, bem como para gerenciar a memória
documental dos sujeitos que nela estão ou estiveram inseridos.
A amplitude de suas funções coloca-o em relação
7| direta e permanente com diferentes áreas de atuação da unidade
educativa, o que exige sua interação com todos os envolvidos
no trabalho escolar.

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10| Às vezes, esse profissional é a ponte entre aqueles que


tomam decisões gerenciais e os que executarão tais decisões;
muitas vezes, porém, ele toma decisões e executa tarefas
13| relevantes e decisivas. É, pois, nesse momento, verdadeiro
assessor, função que exige competências básicas bem
específicas e formação voltada essencialmente para questões
16| educacionais.
O termo “pois” (l.13) explicita uma relação sintática de conclusão.

Certo.
A conjunção conclusiva “pois”, no trecho em análise, é equivalente às formas “portanto”, “as-
sim”, “logo”.

Questão 59 (CESPE/ASSISTENTE/FUB/2013)
1| A educação superior no Brasil não pode ser discutida
2| sem que se tenha presente o cenário em que ela surgiu [...]
Caso a expressão “em que” (l.2) fosse substituída por “o qual”, seriam mantidas a correção
e a coerência do texto.

Errado.
Como há a preposição “em”, a forma de substituição deve ser “no qual”.

Questão 60 (CESPE/SUPERIOR/MJ/2013)
1| Marilena Chaui, filósofa brasileira, afirma que, para
a classe dominante brasileira (os “liberais”), democracia é o
regime da lei e da ordem. Para a filósofa, no entanto, a
4| democracia é “o único regime político no qual os conflitos são
considerados o princípio mesmo de seu funcionamento”

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A expressão “no qual” (l.4) poderia ser substituída pelo vocábulo “onde”, sem prejuízo para
a correção e para as ideias do texto.

Errado.
Não há, no trecho em análise, “regime político” (antecedente da forma “no qual”) não pode ser
interpretado com sentido locativo - daí a impossibilidade de substituição pela forma onde.

Questão 61 (CESPE/PROFESSOR/SEDUC-CE/2013)
1| Em 2022, 100% das crianças deverão apresentar as
habilidades básicas de leitura e escrita até o final da 2.ª série,
ou 3º ano, do Ensino Fundamental, conforme a meta 2 do
4| movimento Todos pela Educação. Garantir o direito de
alfabetização na idade correta a todas as crianças é um grande
passo para o sucesso escolar. No Brasil, ainda não há um
7| indicador nacional que permita medir o aprendizado em língua
portuguesa e em matemática ao final do ciclo de alfabetização.
Em 2011, o movimento Todos pela Educação, em parceria
10| com instituições nacionais, promoveu a Prova ABC, cujo
resultado mostrou que apenas 53,3% das crianças apresentaram
aprendizado adequado no que se refere à escrita, 56,1% no que
13| se refere à leitura e 42,8% no que se refere à matemática.

Internet: <http://www.todospelaeducacao.org.br/institucional/as-5-metas/> (com adaptações).

Haveria prejuízo para a correção gramatical do período caso se substituísse “conforme” (l.3)
por “de acordo com”.
Errado.
NÃO haveria prejuízo para a correção gramatical ou para os sentidos do texto caso se substitu-
ísse “conforme” por “de acordo com”. A razão é simples: ambas são conjunções conformativas
(“consoante”, “segundo”).

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Questão 62 (CESPE/ANALISTA/CÂMARA DOS DEPUTADOS/2012)


31| Note-se que, em todo esse montão de cartas, não há
32| uma só de deputado ou senador, contudo escrevi a todos
33| eles pedindo uma definição.
O termo “contudo” (l.32) estabelece entre as orações do período relação sintática adversa-
tiva, por isso, poderia ser corretamente substituído por qualquer um dos seguintes vocá-
bulos: “entretanto”, “todavia”, “no entanto”, “porém”, “embora”, “conquanto”.

Errado.
O erro da questão foi reunir as conjunções “embora” e “conquanto” como pertencentes à classe
das adversativas. “Embora” e “conquanto” são CONCESSIVAS! Veja que a banca CEBRASPE
trabalha basicamente com questões que verificam a possibilidade ou não de se substituir uma
conjunção.

Questão 63 (CESPE/DELEGADO/PC-AL/2012)
5| E a bela Charlize faz uma rainha inesquecível.
6| Para não envelhecer, essa vilã dos contos de fadas
7| ultrapassa todos os limites e quebra todos os interditos.
A preposição “Para” (l.6), que expressa uma ideia de finalidade, poderia ser corretamente
substituída por “Com o intuito de” ou por “A fim de”.

Certo.
De fato, a preposição “para”, que tem um valor de direção com destino final, é equivalente às
formas “com o intuito de” e “a fim de”. Caso você veja outras questões solicitando a interpre-
tação da preposição para com ideia de finalidade, é só testar a troca com as formas citadas.

Questão 64 (CESPE/TJ-AM/ASSISTENTE/2019)
Texto CG2A1AAA
1| A vida de Florence Nightingale, a criadora da
moderna enfermagem, daria um romance. Florence estava

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destinada a receber uma boa educação, a casar-se com


4| um cavalheiro de fina estirpe, a ter filhos, a cuidar da casa
e da família. Mas logo ficou claro que a menina não
se conformaria a esse modelo. Era diferente; gostava
7| de matemática, e era o que queria estudar (os pais não
deixaram). Aos dezesseis anos, algo aconteceu: Deus
falou-me — escreveu depois — e convocou-me para servi-lo.
10| Servir a Deus significava, para ela, cuidar dos
enfermos, e especialmente dos enfermos hospitalizados.
Naquela época, os hospitais curavam tão pouco e eram
13| tão perigosos (por causa da sujeira, do risco de infecção)
que os ricos preferiam tratar-se em casa. Hospitalizados eram
só os pobres, e Florence preparou-se para cuidar deles,
16| praticando com os indigentes que viviam próximos à sua
casa. Viajou por toda a Europa, visitando hospitais. Coisa
que os pais não viam com bons olhos: enfermeiras eram
19| consideradas pessoas de categoria inferior, de vida desregrada.
Mas Florence foi em frente e logo surgiu a oportunidade
para colocar em prática o que aprendera. Sidney Herbert,
22| membro do governo inglês e amigo pessoal, pediu-lhe que
chefiasse um grupo de enfermeiras enviadas para o front turco,
uma tarefa a que Florence entregou-se de corpo e alma;
25| providenciava comida, remédios, agasalhos, além de
supervisionar o trabalho das enfermeiras. Mais que isso,
fez estudos estatísticos (sua vocação matemática enfim

28| triunfou) mostrando que a alta mortalidade dos soldados

resultava das péssimas condições de saneamento.

Isso tudo não quer dizer que Florence fosse, pelos


31| padrões habituais, uma mulher feliz. Para começar, não
havia, em sua vida, lugar para ligações amorosas. Cortejou-a

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o político e poeta Richard Milnes, Barão Houghton, mas ela


34| rejeitou-o. Ao voltar da guerra, algo estranho lhe aconteceu:
recolheu-se ao leito e nunca mais deixou o quarto. É possível,
e até provável, que isso tenha resultado de brucelose,
37| uma infecção crônica contraída durante a guerra; mas havia aí
um óbvio componente emocional, uma forma de fuga da
realidade. Contudo — Florence era Florence —, mesmo
40| acamada, continuou trabalhando intensamente. Colaborou com
a comissão governamental sobre saúde dos militares, fundou
uma escola para treinamento de enfermeiras, escreveu
43| um livro sobre esse treinamento.
Estranha, a Florence Nightingale? Talvez. Mas
estranheza pode estar associada a qualidades admiráveis.
46| Grande e estranho é o mundo; grandes, ainda que estranhas,
são muitas pessoas. E se elas têm grandeza, ao mundo
pouco deve importar que sejam estranhas.

Moacyr Scliar. Uma estranha, e admirável, mulher.Internet: <http://moacyrscliar.blogspot.com.br>


(com adaptações).

A correção gramatical do texto seria mantida, mas seu sentido seria alterado, se fosse inseri-
da a expressão “ou de” logo após “brucelose,” (l.36).

Certo.
A reescrita é esta: “que isso tenha resultado de brucelose, ou de uma infecção crônica contraí-
da durante a guerra”. Com a reescrita, “uma infecção crônica contraída durante a guerra” ganha
autonomia referencial e se diferencia de “brucelose”. Por isso, os sentidos são diferentes, man-
tendo-se a correção gramatical.

Questão 65 (CESPE/PROCURADOR/PREFEITURA DE BOA VISTA-RR/2019)


Texto CB1A1-I
1| O preconceito é um fenômeno que se verifica quando

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um sujeito discrimina ou exclui outro, a partir de concepções


equivocadas, oriundas de hábitos, costumes, sentimentos ou
4| impressões. O preconceito decorre de incompatibilidades entre
a pessoa e o ato que ela executa. Isso quer dizer que, se houver
uma ideia favorável de uma pessoa, tudo o que ela fizer ou
7| disser pode ser aceito, mesmo que o que disser ou fizer seja
errado, falso ou impreciso. Inversamente, se houver uma ideia
desfavorável sobre alguém, tudo o que essa pessoa disser ou
10| fizer pode ser rejeitado, mesmo que diga verdades ou se
comporte corretamente.
A ideia favorável ou desfavorável sobre a pessoa vem
13| de fatos exteriores, e isso afeta, positiva ou negativamente, no
caso do comportamento preconceituoso, o julgamento sobre a
pessoa ou seus atos. O preconceito, portanto, pode ser positivo
16| ou negativo. Preconceito positivo acontece quando
características consideradas positivas da pessoa se estendem
para seus atos, ou vice-versa, mesmo quando não são corretos.
19| Em geral, o preconceito positivo não é percebido pela
sociedade (ou pelo menos não provoca reações). O que
incomoda é o preconceito negativo, acompanhado de reação
22| discriminatória.
Marli Quadros Leite. Preconceito e intolerância na linguagem. São Paulo: Contexto, 2012, p. 27-9 (com adaptações)

Na linha 15, a conjunção “portanto” encerra uma ideia de conclusão em relação ao que se
afirma no período anterior.

Certo.
Se no item houver as palavras “portanto” e “conclusão”, a chance de estar correto é muito grande.
De fato, no trecho em análise, a conjunção “portanto” encerra (possui) ideia de conclusão.

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(CESPE/ANALISTA/PGE-PE/2019)
1| A própria palavra “crise” é bem mais a expressão de
um movimento do espírito que de um juízo fundado em
argumentos extraídos da razão ou da experiência. Não há
4| período histórico que não tenha sido julgado, de uma parte ou
de outra, como um período em crise. Ouvi falar de crise em
todas as fases da minha vida: depois da Primeira Guerra
7| Mundial, durante o fascismo e o nazismo, durante a Segunda
Guerra Mundial, no pós-guerra, bem como naqueles que foram
chamados de anos de chumbo. Sempre duvidei que o conceito
10| de crise tivesse qualquer utilidade para definir uma sociedade
ou uma época.
Que fique claro: não tenho nenhuma intenção de
13| difamar ou condenar o passado para absolver o presente, nem
de deplorar o presente para louvar os bons tempos antigos.
Desejo apenas ajudar a que se compreenda que todo juízo
16| excessivamente resoluto nesse campo corre o risco de parecer
leviano. Certamente, existem épocas mais turbulentas e outras
menos. Mas é difícil dizer se a maior turbulência depende de
19| uma crise moral (de uma diminuição da crença em princípios
fundamentais) ou de outras causas, econômicas, sociais,
políticas, culturais ou até mesmo biológicas.
Norberto Bobbio. Elogio da serenidade e outros escritos morais. Trad. MarcoAurélio Nogueira. São Paulo:
Editora UNESP, 2002, p. 160-1 (com adaptações).

Questão 66 (CESPE/ANALISTA/PGE-PE/2019) No período em que se inserem, os trechos


“para absolver o presente” (l.13) e “para louvar os bons tempos antigos” (l.14) exprimem fi-
nalidades.

Certo.
Já falei sobre a preposição “para” com valor de finalidade: basta verificar se é possível substi-
tuí-la por “com a finalidade de”, por exemplo. É isso o que percebemos no item: “com a finali-
dade de absolver o presente” e “com a finalidade de louvar os bons tempos antigos”.

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(CESPE/ANALISTA/PGE-PE/2019)
Texto CB2A1-I
1| Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza,
o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando isso
ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam
4| época, pedras miliares no caminho da humanidade. A invenção
das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do
pastoreio na Mesopotâmia, a organização da democracia na
7| Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre
os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no
século XIX, tudo isso representa saltos de época, que
10| desorientaram gerações inteiras.
Se observarmos bem, essas ondas longas da história,
como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais curtas.
13| Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura
pela indústria, ocorrida no século XX, e, em menos de um
século, um novo salto de época nos tomou de surpresa,
16| lançando-nos na confusão. Dessa vez o salto coincidiu com a
rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada
pelos proprietários das fábricas manufatureiras para uma
19| sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos proprietários
dos meios de informação.
O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade
22| pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial
anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico,
pela globalização, pelas guerras mundiais, pelas revoluções
25|proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de
comunicação de massa. Agindo simultaneamente, esses
fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a
28| mais irresistível de toda a história humana — na qual nós,

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contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar


envolvidos em primeira pessoa.
31| Ninguém poderia ficar impassível diante de uma
mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais
difundida é a desorientação.
34| A nossa desorientação afeta as esferas econômica,
familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de
crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque
37| quem está desorientado sente-se em crise, e quem se sente em
crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de
projetar nosso futuro, alguém o projetará para nós, não em
40| função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.

Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: paraentender o nosso tempo. Trad. Silvana Cobucci
e FedericoCarotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações).

Questão 67 (CESPE/ANALISTA/PGE-PE/2019) Seria mantida a correção gramatical do texto


se o trecho “diante de uma mudança” (l.31 e 32) fosse alterado para “ante a uma mudança”.

Errado.
A forma “ante” não admite a presença de “a”. A forma correta seria “ante uma mudança”.

Questão 68 (CESPE/ANALISTA/PGE-PE/2019) O sentido original e a correção gramatical do


texto seriam mantidos se a palavra “como” (l.12) fosse substituída por “conforme”.

Certo.
Ambas as formas (“conforme”, “como”) são conjunções CONFORMATIVAS. Por isso, são inter-
cambiáveis, mantendo-se os sentidos e a correção gramatical.

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Questão 69 (CESPE/TÉCNICO/IPHAN/2018)
Texto CB3A1-I
1| As consequências da extinção de línguas são
diversas e irreparáveis. O desaparecimento de línguas tem
impacto imediato na perda de diversidade cultural.
4| O desconhecimento da diversidade linguística por
grande parte da população brasileira é sustentado pela
representação de uma suposta unidade da língua
7| portuguesa, ou seja, pela ideia de que a língua portuguesa é
a única língua falada no país. Essa falta de conhecimento e
de valorização leva, por conseguinte, à marginalização e à
10| discriminação de grupos falantes de outras línguas.
A construção de uma política específica para a
diversidade linguística constitui uma iniciativa que busca a
13| valorização da diversidade linguística do país. Atuar para a
sustentabilidade da diversidade linguística, entretanto,
exige a articulação de produção de conhecimento sobre as
16| línguas existentes no território nacional e de valorização e
promoção dessas línguas.
As línguas faladas por grupos sociais minoritários
19| requerem atenção especial de uma política de salvaguarda
da diversidade linguística, pois elas se encontram em
posição de maior vulnerabilidade linguística. Tal situação
22| decorre não só do fato de essas línguas serem faladas por
grupos sociais pouco numerosos, mas também da falta de
conhecimento sobre elas. Colocar no mapa as centenas de
línguas ainda ocultadas pela representação majoritária de
um país com uma única língua talvez seja o caminho mais
significativo para o reconhecimento das línguas como
patrimônio cultural.
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Guia de pesquisa e documentação para o INDL: patrimônio
cultural e diversidade linguística. Brasília: IPHAN, 2016, p. 23-4 (com adaptações).

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A locução “por conseguinte” (l.9) introduz no período uma ideia de oposição e equivale à con-
junção “entretanto”.

Errado.
A locução “por conseguinte” expressa uma consequência (de algo referido anteriormente) e
equivale a “portanto”, “consequentemente”, “logo”, “assim”, “por isso”. A conjunção “entretanto”,
diferentemente, expressa adversidade. Não é possível, portanto, substituir uma pela outra.

(CESPE/POLICIAL/PRF/2019)
1| As atividades pertinentes ao trabalho relacionam-se
intrinsecamente com a satisfação das necessidades dos
seres humanos — alimentar-se, proteger-se do frio e do
4| calor, ter o que calçar etc. Estas colocam os homens em
uma relação de dependência com a natureza, pois no
mundo natural estão os elementos que serão utilizados para
7| atendê-las.
Se prestarmos atenção à nossa volta, perceberemos
que quase tudo que vemos existe em razão de atividades do
10| trabalho humano. Os processos de produção dos objetos
que nos cercam movimentam relações diversas entre os
indivíduos, assim como a organização do trabalho
13| alterou-se bastante entre diferentes sociedades e momentos
da história.
De acordo com o cientista social norte-americano
16| Marshall Sahlins, nas sociedades tribais, o trabalho
geralmente não tem a mesma concepção que vigora nas
sociedades industrializadas. Naquelas, o trabalho está
19| integrado a outras dimensões da sociabilidade — festas,
ritos, artes, mitos etc. —, não representando, assim, um
mundo à parte.

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22| Nas sociedades tribais, o trabalho está em tudo, e


praticamente todos trabalham. Sahlinspropôs que tais
sociedades fossem conhecidas como “sociedades de
25| abundância” ou “sociedades do lazer”, pelo fato de que
nelas a satisfação das necessidades básicas sociais e
materiais se dá plenamente.

Thiago de Mello. Trabalho. Internet: <educacao.globo.com> (com adaptações)

Questão 70 (CESPE/POLICIAL/PRF/2019) Com o emprego da expressão “assim como” (l.12),


estabelece-se uma relação de comparação entre ideias expressas no período.

Certo.
No trecho “relações diversas entre os indivíduos, assim como a organização do trabalho”, ve-
mos que a expressão “assim como” pode ser substituída por “à semelhança de como”. Ambas
as expressões estabelecem relação de comparação entre as ideias expressas no período.

(CESPE/NÍVEL SUPERIOR/FUB/2018)
1| Esta é uma declaração de amor: amo a língua
portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não
foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência
4| é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro
pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la
numa linguagem de sentimento e de “alerteza”. E de amor.
7| A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem
escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas
e das pessoas a primeira capa de superficialismo.
10| Às vezes ela reage diante de um pensamento mais
complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma
frase. Eu gosto de manejá-la — como gostava de estar montada

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13| num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente,


às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao
16| máximo nas minhas mãos. E esse desejo todos os que
escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram
para nos dar para sempre uma herança de língua já feita.
19| Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo
do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades nós as temos. Mas não falei
22| do encantamento de lidar com uma língua que não foi
aprofundada. O que recebi de herança não me chega.

Clarice Lispector. Declaração de amor. In: Crônicas para jovens:de escrita e vida. Rio de Janeiro: Rocco Digi-
tal, p. 11 (com adaptações).

Questão 71 (CESPE/NÍVEL SUPERIOR/FUB/2018) No primeiro período do terceiro parágrafo,


há uma ambiguidade que poderia ser corretamente eliminada com a substituição da preposi-
ção “a”, presente na contração “ao” (l.15), pela preposição “em” — “no” —, sem alteração dos
sentidos originais do texto.

Errado.
Observe bem que “chegar ao máximo nas minhas mãos” é diferente de “chegar no máximo nas
minhas mãos”. “Ao máximo” significa “em maior potência/quantidade/qualidade”; já “no máxi-
mo” equivale a “ao menos”. Há, portanto, substancial mudança de sentidos originais do texto.

Questão 72 (CESPE/ANALISTA/BNB/2018)
Texto 2A1-II
1| Não podemos descartar a operação humana por trás
dos sistemas, muito menos a presença de analistas reais. Vamos
supor que um sistema de aprendizagem de máquina perceba

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4| que todas as pessoas com índice de massa corporal regular


tomam café com açúcar, enquanto todas as pessoas com índice
elevado tomam a bebida com adoçante. A inteligência artificial
7| poderá inferir, assim, que o adoçante é o responsável pela
obesidade dos usuários, o que nós sabemos, pela nossa
inteligência humana, que não é bem assim.
10| O sistema de aprendizagem de máquina diminui a
ocorrência de falsos positivos e deve contribuir para cortes de
gastos. Contudo, não podemos deixar de considerar uma pessoa
13| que esteja por trás do sistema, pronta para lidar com casos
realmente duvidosos, que mereçam ser mais bem avaliados.
Correio Braziliense, 1º/10/2018, p. 14 (com adaptações).

Na linha 12, o termo “Contudo” foi empregado com o mesmo sentido de “Porquanto”.

Errado.
A conjunção “porquanto” tem valor explicativo. A conjunção “contudo” tem valor adversativo.
Não é possível, portanto, intercambiá-las.

Questão 73 (CESPE/TÉCNICO/MPE-PI/2018)
1| Saiu a mais nova lista de coisas que devem ou não ser
feitas, moda que parece ter contagiado o planeta. Desta vez,
Arthur Frommer e Holly Hugues elencam os 500 locais que
4| precisamos visitar antes que desapareçam (500 places to see before
they disappear). O livro traz lugares naturais e
históricos, de antigos centros de culto a paisagens em vias de
7| extinção, assim como tesouros culturais únicos, como o
Fenway Park, de Boston, inaugurado em 1912: um dos últimos
estádios norte-americanos que mantêm sua construção original,
10| diz o Atlanta Journal Constitution.

Revista da Semana, dez./2008 (com adaptações).

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O trecho “assim como tesouros culturais únicos” (l.7) estabelece uma comparação com “anti-
gos centros de culto” (l.6) e “paisagens em vias de extinção” (l.6 e 7).

Errado.
Não há relação de comparação, mas de ADIÇÃO. Veja que o texto elenca os lugares naturais e
históricos: antigos centros de culto + paisagens em vias de extinção + tesouros culturais únicos.

Questão 74 (CESPE/AGENTE/PF/2018)
1| Imagine uma operação de busca na selva. Sem mapas,
binóculos ou apoio logístico; somente com um facão. Assim
eram feitas as operações de combate à pornografia infantil
4| pela Polícia Federal até o dia em que peritos criminais
federais desenvolveram, no estado de Mato Grosso do Sul,
o Nudetective.
7| O programa executa em minutos uma busca que
poderia levar meses, encontrando todo o conteúdo
pornográfico de pedofilia em computadores, pendrives,
10| smartphones e demais mídias de armazenamento.
Para ajudar o trabalho dos peritos, existem programas
que buscam os arquivos de imagem e vídeo através de sua hash
13| ou sua assinatura digital. Logo nos primeiros testes, a detecção
de imagens apresentou mais de 90% de acerto.
Para o teste, pegaram um HD com conteúdo já
16| periciado e rodaram o programa. Conseguiram 95% de acerto
em 12 minutos. Seu diferencial era não só buscar pela
assinatura digital ou nomes conhecidos, mas também por novos
19| arquivos por intermédio da leitura dos pixels presentes
na imagem calibrados a uma paleta de tons de pele.
Começava a revolução em termos de investigação criminal

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22| de pornografia infantil.


Além da detecção de imagens e vídeos, todo o
processo de busca e obtenção de resultados é simultâneo, o que
25| economiza tempo e dinheiro.
A licença de uso do software, que é programado em
Java, é gratuita e só é disponibilizada para forças da lei e
28| pesquisas acadêmicas. Segundo seus desenvolvedores, nunca
houve o intuito de venda, pois não enxergam sentido em lucrar
com algo que seja para salvar crianças. Mas, então, por que não
31| deixá-lo disponível para todos? Somente para que não possa
ser utilizado para criar formas de burlá-lo, explicam.
Desde seu lançamento, o Nudetective já foi
34| compartilhado com Argentina, Paraguai, Suécia, Áustria,
Noruega, Nova Zelândia e Portugal. Ganhou reconhecimento
e premiações em congressos forenses no Brasil e no mundo.

Internet: <www.cartacapital.com.br> (com adaptações).

No período em que se insere, o termo “Logo” (l.13) expressa uma ideia de conclusão.

Errado.
Certamente o valor do termo “logo”, na linha 13, não é de conclusão. O valor é adverbial e sig-
nifica “imediatamente”, “de pronto”.

Questão 75 (CESPE/PAPILOSCOPISTA/PF/2018)
Texto 14A15AAA
1| A natureza jamais vai deixar de nos surpreender.
As teorias científicas de hoje, das quais somos justamente
orgulhosos, serão consideradas brincadeira de criança por
4| futuras gerações de cientistas. Nossos modelos de hoje

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certamente serão pobres aproximações para os modelos do


futuro. No entanto, o trabalho dos cientistas do futuro seria
7| impossível sem o nosso, assim como o nosso teria sido
impossível sem o trabalho de Kepler, Galileu ou Newton.
Teorias científicas jamais serão a verdade final: elas irão
10| sempre evoluir e mudar, tornando-se progressivamente mais
corretas e eficientes, sem chegar nunca a um estado final de
perfeição. Novos fenômenos estranhos, inesperados e
13| imprevisíveis irão sempre desafiar nossa imaginação. Assim
como nossos antepassados, estaremos sempre buscando
compreender o novo. E, a cada passo dessa busca sem fim,
16| compreenderemos um pouco mais sobre nós mesmos e sobre
o mundo a nossa volta.
Em graus diferentes, todos fazemos parte dessa
19| aventura, todos podemos compartilhar o êxtase que surge a
cada nova descoberta; se não por intermédio de nossas próprias
atividades de pesquisa, ao menos ao estudarmos as ideias
22| daqueles que expandiram e expandem as fronteiras do
conhecimento com sua criatividade e coragem intelectual.
Nesse sentido, você, eu, Heráclito, Copérnico e Einstein somos
25| todos parceiros da mesma dança, todos dançamos com o
Universo. É a persistência do mistério que nos inspira a criar.
Marcelo Gleiser. A dança do universo: dos mitos de criação ao Big-Bang.São Paulo: Companhia das Letras,
2006, p. 384-5 (com adaptações).

No trecho “se não por intermédio... intelectual” (l.20 a 23) as expressões “se não” e “ao menos”
poderiam ser substituídas, sem prejuízo para a correção gramatical e os sentidos do texto, por
“não só” e “mas também”, respectivamente.

Errado.
Se observarmos bem, o par “se não” e “ao menos” liga orações de sentido DESSEMELHANTE.
Já o par “não só” e “mas também” liga orações de sentido SEMELHANTE.

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QUESTÕES DE CONCURSO - LISTA II


Questão 1 (FCC/TRT-21ª/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017) “Os aviões vinham deste país, abas-
teciam em Natal e ficavam prontos para fazer a travessia do Atlântico.”
Transformando-se o que se afirma acima em uma hipótese, os verbos devem assumir as se-
guintes formas:
a) vieram - abasteceram - ficaram
b) viriam - abasteceriam - ficariam
c) tinham vindo - teriam abastecido - ficarão
d) vieram - tivessem abastecido - ficavam
e) viriam - haviam abastecido - ficaram

Questão 2 (FCC/TST/ANALISTA/2017)
Há algumas dicotomias que parecem ter a força de atravessar o tempo e se imporem a
nós com uma evidência inaudita. Em filosofia, conhecemos várias delas, assim como conhe-
cemos suas maneiras de orientar o pensamento e as ações.
Tais dicotomias podem operar não apenas como um horizonte normativo pressuposto,
mas também como base para a consolidação de certas modalidades de pensamento crítico.
No entanto, há momentos em que percebemos a necessidade de questionar as próprias estra-
tégias críticas e suas dicotomias. Pois, ao menos para alguns, elas parecem nos paralisar em
vez de nos permitir avançar em direção às transformações que desejamos. Um exemplo de
dicotomia que tem força evidente no pensamento crítico atual é aquela, herdada de Spinoza,
entre paixões tristes e paixões alegres. Paixões tristes diminuem nossa potência de agir, pai-
xões alegres aumentam nossa potência de agir e nossa força para existir. A liberdade estaria
ligada à força afirmativa das paixões alegres, assim como a servidão seria a perpetuação do
caráter reativo das paixões tristes. Haveria pois aquilo que nos afeta de forma tal que permiti-
ria a nossos corpos desenvolver ou não uma potência de agir e existir que é o exercício mesmo
da vida em sua atividade soberana.
Sem querer aqui fazer o exercício infame e sem sentido de discutir a teoria spinozista
dos afetos e sua bela complexidade em uma coluna de jornal, gostaria apenas de sublinhar

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inicialmente a importância desse entendimento de que a capacidade crítica está ligada di-
retamente a uma compreensão dos afetos e de seus circuitos. Nada de nossas estratégias
contemporâneas de crítica seria possível sem esse passo essencial de Spinoza, recuperado
depois por vários outros filósofos que o seguiram.
No entanto, valeria a pena nos perguntarmos o que aconteceria se insistíssemos que
talvez não existam paixões tristes e paixões alegres, que talvez essa dicotomia possa e deva
ser abandonada (independentemente do que pensemos ou não de Spinoza).
É claro que isso inicialmente soa como um exercício ocioso de pensamento. Afinal, a
existência da tristeza e da alegria nos parece imediatamente evidente, nós podemos sentir tal
diferença e nos esforçamos (ou ao menos deveríamos nos esforçar, se não nos deixássemos
vencer pelo ressentimento e pela resignação) para nos afastarmos da primeira e nos aproxi-
marmos da segunda.
Mas o que aconteceria se habitássemos um mundo no qual não faz mais sentido distin-
guir entre paixões tristes e alegres? Um mundo no qual existem apenas paixões, com a capaci-
dade de às vezes nos fazerem tristes, às vezes alegres. Ou seja, um mundo no qual as paixões
têm uma dinâmica que inclui necessariamente o movimento da alegria à tristeza.
Pois, se esse for o caso, então talvez sejamos obrigados a concluir que não é possível
para nós nos afastarmos do que tenderíamos a chamar de “paixões tristes”, pois não há paixão
que, em vários momentos, não nos entristeça. Não há afetos que não nos contraiam, não há
vida que não se deixe paralisar, que não precise se paralisar por certo tempo, que não se vista
com sua própria impotência a fim de recompor sua velocidade. Mais, ainda. Não há vida que
não se sirva da doença para se desconstituir e reconstruir.
SAFATLE, Wladimir. Folha de S. Paulo, 23/06/2017

Há verbos que, na condição de auxiliar, expressam o ponto de vista do falante sobre o que
enuncia, explicitam, por exemplo, sua avaliação sobre a ideia ou ideias que está veiculando. O
segmento que ilustra de maneira relevante o papel desses verbos é:
a) (parágrafo 2) há momentos em que percebemos a necessidade de questionar as próprias
estratégias críticas e suas dicotomias.
b) (parágrafo 3) A liberdade estaria ligada à força afirmativa das paixões alegres.
c) (parágrafo 4) Nada de nossas estratégias contemporâneas de crítica seria possível sem
esse passo essencial de Spinoza.

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d) (parágrafo 5) talvez essa dicotomia possa e deva ser abandonada.


e) (parágrafo 8) Não há vida que não se sirva da doença para se desconstituir e reconstruir.

Questão 3 (FCC/DEFENSORIA SP/OFICIAL DE DEFENSORIA/2015) “A Metamorfose”, por


exemplo, teve de esperar até 1929 para ser traduzida ao tcheco, o idioma oficial da então Tche-
coslováquia.
No contexto, o termo então, em destaque, expressa circunstância de:
a) qualidade.
b) modo.
c) lugar.
d) dúvida.
e) tempo.

Questão 4 (FCC/DEFENSORIA RR/ASSISTENTE ADMINISTRATIVO/2015)


... sei até onde está o velho caderno com o velho poema.
Quanto ao termo destacado no segmento acima, é correto afirmar que se trata de:
a) advérbio de lugar, que modifica o sentido de “estar”, e pode ser substituído, juntamente com
“onde”, por “aonde”.
b) preposição, que modifica o sentido de “onde”, e expressa um limite espacial.
c) preposição, que modifica o sentido de “estar”, e pode ser substituída por “também”.
d) advérbio de afirmação, que modifica o sentido de “saber”, e pode ser substituído por “sim”,
entre vírgulas.
e) advérbio de intensidade, que modifica o sentido de “saber”, e pode ser substituído por “in-
clusive”.

Questão 5 (FCC/DEFENSORIA PÚBLICA DO RS/TÉCNICO/2013) Érico Veríssimo nasceu


no Rio Grande do Sul (Cruz Alta) em 1905, de família de tradição e fortuna que repentinamen-
te perdeu o poderio econômico.
O advérbio destacado na frase acima tem o sentido de:
a) à revelia
b) de súbito

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c) de imediato
d) dia a dia
e) na atualidade

Questão 6 (VUNESP/PC-SP/INVESTIGADOR/2018)
Nos EUA, a psicanálise lembra um pouco certas seitas – as ideias do fundador são
institucionalizadas e defendidas por discípulos ferrenhos, mas suas instituições parecem não
responder às necessidades atuais da sociedade. Talvez porque o autor das ideias não esteja
mais aqui para atualizá-las.
Freud era um neurologista, e queria encontrar na Biologia as bases do comportamento.
Como a tecnologia de então não lhe permitia avançar, passou a elaborar uma teoria, criando a
psicanálise. Cientista que era, contudo, nunca se apaixonou por suas ideias, revisando sua obra
ao longo da vida. Ele chegou a afirmar: “A Biologia é realmente um campo de possibilidades
ilimitadas do qual podemos esperar as elucidações mais surpreendentes. Portanto, não pode-
mos imaginar que respostas ela dará, em poucos decêndios, aos problemas que formulamos.
Talvez essas respostas venham a ser tais que farão o edifício de nossas hipóteses colapsar”.
Provavelmente, é sua frase menos citada. Por razões óbvias.
Galileu, novembro de 2017. Adaptado

Nos trechos
• – … Talvez porque o autor das ideias não esteja mais aqui… –
• – … nunca se apaixonou por suas ideias… –
• – A Biologia é realmente um campo de possibilidades ilimitadas… –
• – Provavelmente, é sua frase menos citada. –
os advérbios destacados expressam, correta e respectivamente, circunstância de:
a) lugar; tempo; modo; afirmação.
b) lugar; tempo; afirmação; dúvida.
c) lugar; negação; modo; intensidade.
d) afirmação; negação; afirmação; afirmação.
e) afirmação; negação; modo; dúvida.

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Questão 7 (VUNESP/IPRESB-SP/AGENTE/2017) Leia a frase reelaborada a partir da fala


da personagem.
Depois que comecei a tuitar diariamente, não consigo mais escrever os relatórios com perfei-
ção.
As expressões destacadas apresentam, respectivamente, as circunstâncias de:
a) tempo e de modo.
b) tempo e de intensidade.
c) modo e de afirmação.
d) modo e de intensidade.
e) afirmação e de modo.

Questão 8 (VUNESP/PREF. GUARULHOS/AGENTE/2016) Considere as seguintes constru-


ções:
• Meninas são menos provocadoras do que meninos…
• A prática é um pouco mais frequente nas escolas privadas […] do que na rede pública…
Nos contextos em que são empregadas, as palavras destacadas estabelecem relação de
a) comparação.
b) negação.
c) correção.
d) dúvida.
e) aprovação.

Questão 9 (VUNESP/CÂM. MARÍLIA - SP/AGENTE/2016)


Habilidades domésticas
Na sexta-feira, meu filho chega de São Paulo carregando uma mala entupida de roupa
suja. No final de semana, ele toma de assalto a máquina de lavar. Gira os botões como quem
aumenta o volume do rádio do carro; uma familiaridade irritante. O elefante branco que me as-
sustou quando vim morar sozinho tornou-se para o jovem de 18 anos um simples e inofensivo
gatinho. Se aos 45 eu nunca tinha apertado um botão sequer de uma máquina dessas, ele,
aos 18, já domina a técnica com maestria, o que o tornará por certo mais independente nesse
mundo de dependência e subordinação em que vivemos.

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Mas calma, amigo, calma. Hoje posso dizer com serenidade que essa mesma habilida-
de que ele desenvolveu tão cedo eu também já desenvolvi. Agora, se tem algo ultimamente que
me anda pondo medo é o ferro de passar roupa.
Antigamente era fácil. Pelo que via, era só ligar à tomada. Havia um botãozinho que regulava
a temperatura. E pronto. Era só começar a passar. Esse que eu tenho aqui, e que terei que
usar até arrumar uma nova ajudante, tem um botão giratório pra eu escolher o tipo de tecido:
acetato, seda, rayon (o que é rayon?!), lã, algodão, linho. Tem dois botõezinhos pra apertar com
desenhinhos indecifráveis. Há um outro que vai pra lá e pra cá, aumentando e diminuindo um
filete escuro (pra que tantos botões!?). E um buraquinho que, na minha ínfima capacidade
de decifrar esse monstrengo doméstico, serve pra colocar água.
Mais difícil do que passar roupa é entender como funciona um ferro de passar e seu
indecifrável manual. Sinceramente? Acho que escrever um romance a cada seis meses ou ar-
redondar uma encrencada e velha execução trabalhista são tarefas mais fáceis, mas eu chego
lá...
P.S.: Esquece esse último parágrafo. Tudo resolvido com essa tecnologia massa1. Bastaram
três minutinhos. Bora² passar roupa! Com a ajuda do YouTube3, claro!
www.cronicadodia.com.br

1 excelente
2 Vamos (convite)
3 site de compartilhamento de vídeos
Em – Se aos 45 eu nunca tinha apertado um botão sequer de uma máquina dessas, ele, aos
18, já domina a técnica com maestria... – o termo destacado indica que o rapaz de 18 anos
aprendeu a operar a máquina de lavar
a) toscamente.
b) serenamente. 
c) precocemente.
d) superficialmente.
e) adequadamente.

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Questão 10 (VUNESP/UNESP/ASSISTENTE/2016) Uma palavra que substitui a expressão


destacada em – A iniciativa começou com frutos e legumes, mas, pouco a pouco, está se
expandindo. –, sem alteração de sentido, é:
a) subitamente.
b) paulatinamente.
c) repentinamente.
d) provavelmente.
e) impreterivelmente.

Questão 11 (VUNESP/SAP-SP/AGENTE/2015)

Os termos já (segundo quadrinho) e ainda (quarto quadrinho) exprimem circunstâncias de


a) modo.
b) tempo.
c) dúvida.
d) causa.
e) intensidade.

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Questão 12 (VUNESP/PREFEITURA DE SUZANO-SP/AUXILIAR/2015)

O termo ainda, no último quadrinho, expressa circunstância de


a) tempo, e enfatiza a artimanha do menino Calvin para conseguir realizar sua tarefa escolar.
b) modo, e enfatiza o desinteresse do menino Calvin em entender o propósito de sua tarefa
escolar
c) dúvida, e enfatiza a dificuldade do menino Calvin em executar sua tarefa escolar sozinho.
d) negação, e enfatiza a recusa do menino Calvin em entregar sua tarefa escolar com atraso.
e) intensidade, e enfatiza a excitação do menino Calvin para realizar sua tarefa escolar.

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Questão 13 (VUNESP/PC-SP/AUXILIAR/2018) Leia a tira para responder a questão.

* Meme: imagem, informação, ideia, vídeo, etc., que se espalha rapidamente pela internet, ge-
ralmente com tom de sátira ou humor.
O termo destacado na frase “Até o meme de amanhã.” expressa circunstância de
a) tempo.
b) modo.
c) inclusão.
d) afirmação.
e) intensidade.

Questão 14 (VUNESP/PC-SP/PAPILOSCOPISTA/2018) Leia a tira para responder a ques-


tão.

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No 3º quadrinho, nas três ocorrências, o sentido da preposição “sem” e o das expressões


que ela forma são, respectivamente, de
a) negação e causa.
b) adição e condição.
c) ausência e modo.
d) falta e consequência.
e) exceção e intensidade.

Questão 15 (FUMARC/CEMIG-MG/TÉCNICO/2018) Os verbos destacados estão flexiona-


dos no pretérito imperfeito do indicativo, EXCETO em:
a) “[...] ao ponto em que havia um intervalo sensível de tempo entre digitar e a letra aparecer
na tela.”
b) “Meu telefone, um iPhone 6, estava cada vez mais lento.”
c) “Não era por nenhuma das causas apontadas nas inúmeras salas de conversa entre usuá-
rios de iPhones vagarosos.” 
d) “Você já entrou alguma vez numa loja cara onde os vendedores, envaidecidos pela aura do
próprio produto [...].”

Questão 16 (FUMARC/CBTU/ASSISTENTE/2016) Em: “Por que tal comentário teria hoje


alguma importância?”, o verbo destacado está flexionado no:
a) Futuro do presente do indicativo.
b) Futuro do pretérito do indicativo.
c) Pretérito imperfeito do indicativo. 
d) Pretérito perfeito do indicativo.

Questão 17 (INSTITUTO AOCP/ASSISTENTE/UFPB/2019) Qual é o tempo verbal presente


no trecho “O vento gemera durante o dia todo [...]”?
a) Pretérito perfeito.
b) Pretérito imperfeito.
c) Pretérito mais-que-perfeito.

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d) Futuro do presente.
e) Futuro do pretérito.

Questão 18 (IDIB/AGENTE/PREFEITURA DE NOVO GAMA-GO/2016) Em “O reúso da água


é um processo pelo qual a água passa para que possa ser utilizada novamente”, os verbos
destacados estão respectivamente nos tempos e modos:
a) Pretérito perfeito do indicativo e presente do indicativo.
b) Futuro do subjuntivo e presente do subjuntivo.
c) Presente do subjuntivo e presente do indicativo.
d) Persente do indicativo e presente do subjuntivo.

Questão 19 (FCC/SABESP/ENFERMEIRO/2014) Atualmente, também se associa o Desen-


volvimento Sustentável ou Sustentabilidade à responsabilidade social. Responsabilidade social
é a forma ética e responsável pela qual a Empresa desenvolve todas as suas ações, políticas,
práticas e atitudes, tanto com a comunidade quanto com o seu corpo funcional. Enfim, com o
ambiente interno e externo à Organização e com todos os agentes interessados no processo.
Assim, as definições de Educação Ambiental são abrangentes e refletem a história do pensa-
mento e visões sobre educação, meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
Os advérbios destacados no trecho acima podem ser substituídos corretamente, na ordem
dada, por:
a) Nos dias de hoje - Por fim - Desse modo
b) Consentaneamente - Afinal de contas - Desse modo
c) Nos dias de hoje - Ultimamente - Do mesmo modo
d) Consentaneamente - Por derradeiro - Destarte
e) Presentemente - Afinal de contas - De todo modo

Questão 20 (FCC/TRT-14ª/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2016) “O marechal organizou o acervo...”


A forma verbal está corretamente transposta para a voz passiva em:
a) estava organizado
b) tinha organizado
c) organizando-se

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d) foi organizado
e) está organizado

Questão 21 (FGV/AL-RO/ADVOGADO/2018)
Dado Preocupante
No primeiro semestre deste ano, 80 mil alunos deixaram de ingressar em faculdades
particulares de todo o país, o que representa uma queda de 5% em relação ao mesmo período
de 2017. Desde 2015, a fuga de ingressantes é de 20%. Juntos, Rio, Minas e Espírito Santo
tiveram redução de 25,7% no número de calouros. O levantamento foi feito pelo Sindicato das
Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) com 99 instituições. Desemprego, queda de ren-
da, crise econômica, redução dos programas de financiamento estudantil são as razões apon-
tadas pelo Semesp para a diminuição de matrículas. No Rio, a violência agrava o problema,
porque desestimula quem estuda à noite.
O Globo, 24/07/2018

“O levantamento foi feito pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) com


99 instituições.”
Essa frase do texto exemplifica a voz passiva; assinale a forma verbal correspondente à que
está destacada, na voz ativa.
a) fez-se. 
b) fazia. 
c) fazia-se.
d) fizera. 
e) fez.

Questão 22 (IDECAN/COLÉGIO PEDRO II/ESTATÍSTICO/2014) No trecho “O homem dei-


xou de viver na natureza para viver na cidade que foi criada por ele.”, a forma verbal resultante
da transposição da frase anterior para voz ativa é:
a) cria.
b) criou.
c) criava.

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d) criaria.
e) criasse.

Questão 23 (FCC/TRT-23ª/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2016) “O modelo ainda dominante nas dis-


cussões ecológicas privilegia, em escala, o Estado e o mundo...”
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:
a) é privilegiado
b) sendo privilegiadas
c) são privilegiados
d) foi privilegiado
e) são privilegiadas

Questão 24 (FUMARC/TJ-MG/OFICIAL/2012/ADAPTADA) “É imprescindível enfatizar a ne-


cessidade da leitura para redigir com clareza, no português padrão, usando um vocabulário
rico e adequado, de forma coerente, concisa e sem repetição de ideias”.
No contexto do fragmento, pode-se reconhecer que os verbos destacados estão respecti-
vamente no:
a) passado próximo dos fatos.
b) infinitivo e gerúndio.
c) futuro do presente.
d) presente do subjuntivo.

Questão 25 (VUNESP/TJ-SP/ASSISTENTE/2017) Considere as informações da capa da re-


vista para responder à questão.

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De acordo com a norma-padrão, a frase da capa também está corretamente redigida, sem
prejuízo ao texto original, em:
a) Como ganhar dinheiro, se o Brasil vim a dar certo.
b) Como ganhar dinheiro, se o Brasil vier a dar certo.
c) Como ganhar dinheiro, caso o Brasil vem à dar certo.
d) Como ganhar dinheiro, se o Brasil vir à dar certo.
e) Como ganhar dinheiro, caso o Brasil vir a dar certo.

Questão 26 (FUMARC/PREFEITURA DE MATOZINHOS-MG/ADVOGADO/2016) A Folha de S.


Paulo recebe várias críticas por erros cometidos em relação ao uso da norma padrão da
Língua Portuguesa.
Servidor que manter greve ficará sem reajuste, diz governo. Folha de S. Paulo, 25 de agosto de 2012.

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As críticas recebidas em relação à manchete acima referem-se a um erro de: 


a) Concordância verbal. 
b) Conjugação verbal.
c) Ortografia.
d) Regência verbal. 

Questão 27 (IBAM/ATENDENTE/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015)


Te esperando
Existem cancões que são eternas, é ou não é?
Na verdade o munda tá precisando de amores assim
Porque podem se passar dez, vinte, trinta anos
Eu sempre vou ‘tá aqui
Te esperando viu?
Mesmo que você não caia na minha cantada
Mesmo que você conheça outro cara
Na fila de um banco
Um tal de Fernando
Um lance, assim
Sem graça
Mesmo que vocês fiquem sem se gostar
Mesmo que vocês se casem sem se amar
E depois de seis meses
Um olhe pro outro
E aí, pois é, sei lá
Mesmo que você suporte este casamento
Por causa dos filhos, por muito tempo
Dez, vinte, trinta anos
Até se assustar com os seus cabelos brancos
Um dia vai sentar numa cadeira de balanço
Vai lembrar do tempo em que tinha vinte anos

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Vai lembrar de mim e se perguntar


Por onde esse cara deve estar?
E eu vou estar
Te esperando
Nem que já esteja velhinha gagá
Com noventa, viúva, sozinha
Não vou me importar (não vou me importar)
Vou ligar, te chamar pra sair
Namorar no sofá (no sofá)
Nem que seja além dessa vida
Eu vou estar
Te esperando
Mesmo que você não caia na minha cantada
Mesmo que você conheça outro cara
Na fila de um banco
Um tal de Fernando
Um lance, assim
Sem graça
Mesmo que vocês fiquem sem se gostar
Mesmo que vocês se casem sem se amar
E depois de seis meses
Um olhe pro outro
E aí, pois é, sei lá
Mesmo que você suporte este casamento
Por causa dos filhos, por muito tempo
Dez, vinte, trinta anos
Até se assustar com os seus cabelos brancos
Um dia vai sentar numa cadeira de balanço
Vai lembrar do tempo em que tinha vinte anos
Vai lembrar de mim e se perguntar
Por onde esse cara deve estar?

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E eu vou estar
Te esperando
Nem que já esteja velhinha gagá
Com noventa, viúva, sozinha
Não vou me importar
Vou ligar, te chamar pra sair
Namorar no sofá
Nem que seja além dessa vida
Eu vou estar
Te esperando
Nem que já esteja velhinha gagá
Com noventa, viúva, sozinha
Não vou me importar
Vou ligar, te chamar pra sair
Namorar no sofá
Nem que seja além dessa vida
Eu vou estar
Te esperando
Te esperando
O verbo “esperar”, que aparece logo no título da música cantada por Luan Santana, está no
gerúndio. O que o uso dessa forma nominal do verbo sugere a respeito do sentido que é cons-
truído nessa canção?
a) O gerúndio do verbo sugere que uma ação concluída no passado.
b) O gerúndio do verbo sugere que a ação terminou no passado e retornou no presente.
c) O gerúndio do verbo sugere uma ação em andamento.
d) O gerúndio do verbo sugere uma ação que ainda ocorrerá.

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Questão 28 (IBAM/ATENDENTE/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015)


CONSTRUÇÃO
Chico Buarque
 Amou daquela vez como se fosse a última
 Beijou sua mulher como se fosse a última
 E cada filho seu como se fosse o único
 E atravessou a rua com seu passo tímido
 Subiu a construção como se fosse máquina
 Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
 Tijolo com tijolo num desenho mágico
 Seus olhos embotados de cimento e lágrima
 Sentou pra descansar como se fosse sábado
 Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
 Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
 Dançou e gargalhou como se ouvisse música
 E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
 E flutuou no ar como se fosse um pássaro
 E se acabou no chão feito um pacote flácido
 Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego.
A maior parte dos verbos presentes na letra “Construção”, de Chico Buarque, encontra-se no
modo:
a) imperativo, pois os verbos expressam ordem.
b) subjuntivo, pois os verbos expressam dúvida sobre as ações.
c) indicativo, pois os verbos expressam certeza sobre as ações.
d) subjuntivo, pois os verbos expressam os sentimentos do protagonista da história.

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Questão 29 (IBAM/ATENDENTE/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) Observe o


tempo em que a maior parte dos verbos aparece na letra de Chico Buarque: “amou”, “beijou”,
“atravessou”, “subiu”, etc. Qual é a relação do uso desse pretérito e o sentido do texto?
a) Os verbos se encontram no pretérito perfeito, pois apresentam eventos pontuais que come-
çaram e terminaram em um momento definido no passado.
b) Os verbos se encontram no pretérito perfeito, pois apresentam um processo repetitivo que
se prolonga até o presente.
c) Os verbos se encontram no pretérito imperfeito, pois apresentam um processo habitual,
frequente, no passado.
d) Os verbos se encontram no pretérito imperfeito, pois apresentam eventos em um momento
definido do passado.

Questão 30 (IBAM/AUXILIAR/PREF. SANTO ANDRÉ-SP/2015) A conjugação do período “É


bem esquisito, não é, doutor?” no futuro do pretérito é a apresentada em qual alternativa?
a) Será bem esquisito, não é, doutor?
b) Seria bem esquisito, não seria, doutor?
c) Será bem esquisito, não será, doutor?
d) Seria bem esquisito, não é, doutor?

Questão 31 (IBAM/AUXILIAR/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) Assinale a alter-


nativa que apresenta um advérbio de intensidade.
a) “Saí do laboratório sentindo um alívio desconfortável.”
b) “Tive medo de parecer hipocondríaca.”
c) “Eles bem sabem o quanto fico feliz em pagar.”
d) “Tenho a sorte de poder pagar um bom plano de saúde.”

Questão 32 (IBAM/AUXILIAR/PREF. SANTO ANDRÉ-SP/2015) Na frase “Havia tempo que


não fazia e o redondo número de minha idade...”, se considerarmos a palavra “tempo” no plural,
qual alternativa contém o verbo haver conjugado corretamente?

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“__________ tempos que não fazia e o redondo número de minha idade”.


a) Haviam tempos que não fazia e o redondo número de minha idade.
b) Havia tempos que não fazia e o redondo número de minha idade.
c) Hão tempos que não fazia e o redondo número de minha idade.
d) Houve tempos que não faziam e o redondo número de minha idade.

Questão 33 (IBAM/ASSISTENTE/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) A frase abaixo


será utilizada na resolução das questões.
“O cidadão perderia o sono se soubesse como são feitas as salsichas e as leis”. Otto Von Bis-
marck
Se o verbo destacado fosse conjugado no futuro do presente do modo indicativo, a citação aci-
ma, de modo a respeitar a norma culta da língua, deveria ser reescrita conforme apresentado
em qual alternativa?
a) O cidadão perderá o sono se soubesse como são feitas as salsichas e as leis.
b) O cidadão perdera o sono se soubera como são feitas as salsichas e as leis.
c) O cidadão perderá o sono se souber como são feitas as salsichas e as leis.
d) O cidadão vai perder o sono se vier a saber como são feitas as salsichas e as leis.

Questão 34 (IBAM/DENTISTA/PREFEITURA DE PRAIA GRANDE-SP/2013) O trecho abaixo


será utilizado para a resolução da questão.
“Estamos criando uma insustentável cultura de tirar dos bem-sucedidos para assistir os desa-
fortunados, como se o papel do lucro fosse ser distribuído à sociedade”
Sobre o verbo destacado no excerto é válido asseverar que:
a) foi conjugado no futuro do modo subjuntivo e expressa casualidade ou incerteza.
b) indica probabilidade e foi conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo
c) aponta a continuidade de um acontecimento em relação a outro ocorrido ao mesmo tempo
no passado e foi conjugado no pretérito imperfeito do modo indicativo.
d) o pretérito perfeito do indicativo foi o tempo verbal em que foi conjugado e relata evento
ocorrido e concluído em determinado momento do passado.

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Questão 35 (FCC/TRT-14ª/ANALISTA/2016)
Era uma vez...
As crianças de hoje parecem nascer já familiarizadas com todas as engenhocas eletrônicas
que estarão no centro de suas vidas. Jogos, internet, e-mails, músicas, textos, fotos, tudo está
à disposição à qualquer hora do dia e da noite, ao alcance dos dedos. Era de se esperar que um
velho recurso para se entreter e ensinar crianças como adultos − contar histórias − estivesse ven-
cido, morto e enterrado. Ledo engano. Não é incomum que meninos abandonem subitamente
sua conexão digital para ouvirem da viva voz de alguém uma história anunciada pela vetusta
entrada do “Era uma vez...”. 
Nas narrativas orais − talvez o mais antigo e proveitoso deleite da nossa civilização – a pre-
sença do narrador faz toda a diferença. As inflexões da voz, os gestos, os trejeitos faciais, os
silêncios estratégicos, o ritmo das palavras – tudo é vivo, sensível e vibrante. A conexão se
estabelece diretamente entre pessoas de carne e osso, a situação é única e os momentos
decorrem em tempo real e bem marcado. O ouvinte sente que o narrador se interessa por sua
escuta, o narrador sabe-se valorizado pela atenção de quem o ouve, a narrativa os une como
num caloroso laço de vozes e de palavras.
As histórias clássicas ganham novo sabor a cada modo de contar, na arte de cada intérprete.
Não é isso, também, o que se busca num teatro? Nas narrações, as palavras suscitam imagens
íntimas em quem as ouve, e esse ouvinte pode, se quiser, interromper o narrador para escla-
recer um detalhe, emitir um juízo ou simplesmente uma interjeição. Havendo vários ouvintes,
forma-se uma roda viva, uma cadeia de atenções que dá ainda mais corpo à história narrada.
Nesses momentos, é como se o fogo das nossas primitivas cavernas se acendesse, para que
em volta dele todos comungássemos o encanto e a magia que está em contar e ouvir histórias.
Na época da informática, a voz milenar dos narradores parece se fazer atual e eterna.
Atente para esta sequência de frases que compõem um período do texto:
I – O ouvinte sente que o narrador se interessa por sua escuta,
II – o narrador sabe-se valorizado pela atenção de quem o ouve,
III – a narrativa os une como num caloroso laço de vozes e de palavras.

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Não se altera o sentido do período acima introduzindo-se as frases II e III, respectivamente,


com as seguintes expressões: 
a) uma vez que − ainda que 
b) ao passo que − por conseguinte 
c) desde que − mesmo que 
d) conquanto − porquanto 
e) portanto − entretanto

Questão 36 (IBAM/ATENDENTE/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015)


TE ESPERANDO
 Luan Santana

Mesmo que você não caia na minha cantada


Mesmo que você conheça outro cara
Na fila de um banco
Um tal de Fernando
Um lance, assim
Sem graça

Mesmo que vocês fiquem sem se gostar


Mesmo que vocês casem sem se amar
E depois de seis meses
Um olhe pro outro
E aí, pois é
Sei iá

Mesmo que você suporte este casamento


Por causa dos filhos, por muito tempo
Dez, vinte, trinta anos
Até se assustar com os seus cabelos brancos 

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Um dia vai sentar numa cadeira de balanço


Vai lembrar do tempo em que tinha vinte anos
Vai lembrar de mim e se perguntar
Por onde esse cara deve estar?

E eu vou estar
Te esperando
Nem que já esteja velhinha gagá
Com noventa, viúva, sozinha
Não vou me importar
Vou ligar, te chamar pra sair
Namorar no sofá
Nem que seja além dessa vida
Eu vou estar
Te esperando 
O verbo “esperar”, que aparece logo no título da música cantada por Luan Santana, está no
gerúndio. O que o uso dessa forma nominal do verbo sugere a respeito do sentido que é
construído nessa canção?
a) O gerúndio do verbo sugere que uma ação concluída no passado.
b) O gerúndio do verbo sugere que a ação terminou no passado e retornou no presente.
c) O gerúndio do verbo sugere uma ação em andamento.
d) O gerúndio do verbo sugere uma ação que ainda ocorrerá.

Questão 37 (IBAM/ATENDENTE/PREFEITURA DE DE SANTO ANDRÉ-SP/2015)


“Condutor de veículo pesado desobedeceu__ordem de parada do agente de trânsito.”
Considerando as regras de regência verbal, assinale a alternativa que preenche corretamente
a lacuna acima.
a) à.
b) a.

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c) por.
d) sob.

Questão 38 (FCC/SABESP/ENFERMEIRO/2014)
O conceito de indústria cultural foi criado por Adorno e Horkheimer, dois dos principais
integrantes da Escola de Frankfurt. Em seu livro de 1947, Dialética do esclarecimento, eles
conceberam o conceito a fim de pensar a questão da cultura no capitalismo recente. Na épo-
ca, estavam impactados pela experiência no país cuja indústria cultural era a mais avançada,
os Estados Unidos, local onde os dois pensadores alemães refugiaram-se durante a Segunda
Guerra.
Segundo os autores, a cultura contemporânea estaria submetida ao poder do capital,
constituindo-se num sistema que englobaria o rádio, o cinema, as revistas e outros meios -
como a televisão, a novidade daquele momento -, que tenderia a conferir a todos os produtos
culturais um formato semelhante, padronizado, num mundo em que tudo se transformava em
mercadoria descartável, até mesmo a arte, que assim se desqualificaria como tal. Surgiria uma
cultura de massas que não precisaria mais se apresentar como arte, pois seria caracterizada
como um negócio de produção em série de mercadorias culturais de baixa qualidade. Não que
a cultura de massa fosse necessariamente igual para todos os estratos sociais; haveria tipos
diferentes de produtos de massa para cada nível socioeconômico, conforme indicações de
pesquisas de mercado. O controle sobre os consumidores seria mediado pela diversão, cuja
repetição de fórmulas faria dela um prolongamento do trabalho no capitalismo tardio.
Muito já se polemizou acerca dessa análise, que tenderia a estreitar demais o campo
de possibilidades de mudança em sociedades compostas por consumidores supostamente
resignados.O próprio Adorno chegou a matizá-la depois. Mas o conceito passou a ser muito
utilizado, até mesmo por quem diverge de sua formulação original. Poucos hoje discordariam
de que o mundo todo passa pelo “filtro da indústria cultural”, no sentido de que se pode cons-
tatar a existência de uma vasta produção de mercadorias culturais por setores especializados
da indústria.

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Feita a constatação da amplitude alcançada pela indústria cultural contemporânea, são


várias as possibilidades de interpretá-la. Há estudos que enfatizam o caráter alienante das
consciências imposto pela lógica capitalista no âmbito da cultura, a difundir padrões culturais
hegemônicos. Outros frisam o aspecto da recepção do espectador, que poderia interpretar
criativamente - e não de modo resignado - as mensagens que lhe seriam passadas, ademais,
de modo não unívoco, mas com multiplicidades possíveis de sentido.
Considerando-se o contexto, mantêm-se a correção e o sentido original substituindo-se:
a) conforme por “como demonstra” (2º parágrafo).
b) ademais por “em demasia” (4 º parágrafo).
c) a fim de por “para” (1 º parágrafo).
d) acerca por “quanto a” (3 º parágrafo).
e) pois por “por que” (2 º parágrafo).

Questão 39 (FCC/TCE-GO/ANALISTA/2014) “O esquema de plantio em que se varia o tipo


de planta...”
Mantendo-se a correção e, em linhas gerais, o sentido, o elemento destacado acima pode
ser substituído por:
a) do qual
b) com o que
c) aonde
d) por meio do qual
e) cujo

Questão 40 (FCC/TRE-SE/TÉCNICO/2015)
Hoje, quando o mundo está em crise, parece mais importante que nunca aprender um pouco
de economia. As notícias econômicas agora são o assunto principal em jornais e programas
de TV. No entanto, será que realmente sabemos o que é economia? 
A palavra vem do grego oikonomia, que significa “administração da casa”, e passou a significar
o estudo das maneiras de gerir os recursos e, mais especificamente, a produção e a permuta
de bens e serviços. A economia moderna surgiu como disciplina específica no século XVIII, so-

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bretudo com a publicação em 1776 de A riqueza das nações, livro escrito pelo grande pensador
escocês Adam Smith. Contudo, o que motivou o interesse no assunto não foram os textos de
economistas, mas as enormes mudanças na própria economia com o advento da Revolução
Industrial. Os pensadores mais antigos haviam falado da gestão de bens e serviços nas socie-
dades, tratando de questões que surgiram como problemas da filosofia moral ou política. Mas,
com o surgimento das fábricas e da produção de bens em massa, veio uma nova era de orga-
nização econômica que dava atenção ao todo. Aí começou a chamada economia de mercado. 
A análise de Smith do novo sistema definiu o padrão, com uma explicação abrangente do
mercado competitivo. Ele afirmou que o mercado é guiado por uma “mão invisível”, de modo
que as ações racionais de indivíduos interesseiros acabam dando à sociedade exatamente o
que ela necessita. Smith era filósofo, e o tema de seu livro incluía política, história, filosofia e
antropologia. Depois dele, surgiu uma nova geração de pensadores econômicos, que preferiu
se concentrar totalmente na economia.
O termo Contudo, em destaque no segundo parágrafo, tem valor:
a) explicativo, e equivale a Pois.
b) conclusivo, e equivale a Então.
c) final, e equivale a Para tanto.
d) adversativo, e equivale a Porém.
e) conformativo, e equivale a Conforme.

Questão 41 (FCC/TRT-15ª/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2015) Ambas as palavras têm certa equi-


valência no tocante ao seu sentido intermediário...
Mantendo-se o sentido e a correção gramatical, o segmento destacado acima pode ser subs-
tituído, sem que nenhuma outra alteração seja feita na frase, por:
a) quanto à
b) com relação a
c) já que
d) uma vez que
e) salvo

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Questão 42 (FCC/TRT-21ª/TÉCNICO/2017) É compreensível imaginar que, dentro do contex-


to de uma arte de tantos séculos como o teatro, o clichê “nada se cria, tudo se copia” já seja
uma máxima. Alguns estudiosos da dramaturgia dizem que tal frase é perfeitamente aplicável.
O curioso, no entanto, é constatar a rapidez com que o cinema, que tem menos de 120 anos de
vida, tem incorporado essa máxima.
No século 21, é em Hollywood que essa tendência aparece com maior força. Praticamente
todos os sucessos de bilheteria da indústria cinematográfica norte-americana são adaptações
de quadrinhos, livros, videogames ou programas de TV que fizeram sucesso. A indústria da
adaptação tornou-se tão forte que existe uma massa de escritores com contratos fixos com
alguns estúdios, o que significa que escrevem obras literárias já pensando em sua adaptação
para o cinema. O roteiro original, portanto, tornou-se um artigo de luxo no cinema norte-ame-
ricano.
Em Hollywood, tal fenômeno é compreensível. A razão para que haja uma alta sem preceden-
tes das adaptações é o medo do risco em tempos de crise econômica, que faz com que os
estúdios apostem em histórias já testadas e aprovadas por leitores. Essa estratégia, apesar de
não garantir êxito de bilheteria, reduz o risco de apostar todas as fichas em histórias inéditas.
No Brasil, as adaptações também viraram moda, uma vez que, nos primeiros anos do século
21, os filmes mais comentados vieram de livros e outras formas de expressão artística.
O segmento em que se observa uma conclusão a que se chegou a partir das ideias expos-
tas na oração anterior está em: 
a) ... o cinema, que tem menos de 120 anos de vida... (1° parágrafo)
b) ... uma vez que [...] os filmes mais comentados vieram de livros e outras formas de expres-
são artística. (último parágrafo) 
c) Essa estratégia, apesar de não garantir êxito de bilheteria... (3° parágrafo)
d) ... dentro do contexto de uma arte de tantos séculos como o teatro... (1° parágrafo)
e) O roteiro original, portanto, tornou-se um artigo de luxo no cinema norte-americano. (2° pa-
rágrafo)

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
Bruno Pilastre

Questão 43 (FCC/TRT-23ª/ANALISTA/2016)
Nasci na Rua Faro, a poucos metros do Bar Joia, e, muito antes de ir morar no Leblon,
o Jardim Botânico foi meu quintal. Era ali, por suas aleias de areia cor de creme, que eu ca-
minhava todas as manhãs de mãos dadas com minha avó. Entrávamos pelo portão principal
e seguíamos primeiro pela aleia imponente que vai dar no chafariz. Depois, íamos passear à
beira do lago, ver as vitórias-régias, subir as escadarias de pedra, observar o relógio de sol. Mas
íamos, sobretudo, catar mulungu.
Mulungu é uma semente vermelha com a pontinha preta, bem pequena, menor do que
um grão de ervilha. Tem a casca lisa, encerada, e em contraste com a pontinha preta seu ver-
melho é um vermelho vivo, tão vivo que parece quase estranho à natureza. É bonita. Era um
verdadeiro prêmio conseguir encontrar um mulungu em meio à vegetação, descobrir de repen-
te a casca vermelha e viva cintilando por entre as lâminas de grama ou no seio úmido de uma
bromélia. Lembro bem com que alegria eu me abaixava e estendia a mão para tocar o pequeno
grão, que por causa da ponta preta tinha uma aparência que a mim lembrava vagamente um
olho.
Disse isso à minha avó e ela riu, comentando que eu era como meu pai, sempre presta-
va atenção nos detalhes das coisas. Acho que já nessa época eu olhava em torno com olhos
mínimos. Mas a grandeza das manhãs se media pela quantidade de mulungus que me restava
na palma da mão na hora de ir para casa. Conseguia às vezes juntar um punhado, outras vezes
apenas dois ou três. E é curioso que nunca tenha sabido ao certo de onde eles vinham, de que
árvore ou arbusto caíam aquelas sementes vermelhas. Apenas sabíamos que surgiam no chão
ou por entre as folhas e sempre numa determinada região do Jardim Botânico.
Mas eu jamais seria capaz de reconhecer uma árvore de mulungu. Um dia, procurei no
dicionário e descobri que mulungu é o mesmo que corticeira e que também é conhecido pelo
nome de flor-de-coral. ‘’Árvore regular, ornamental, da família das leguminosas, originária da
Amazônia e de Mato Grosso, de flores vermelhas, dispostas em racimos multifloros, sendo as
sementes do fruto do tamanho de um feijão (mentira!), e vermelhas com mácula preta (isto,
sim)’’, dizia.
Mas há ainda um outro detalhe estranho – é que não me lembro de jamais ter visto uma
dessas sementes lá em casa. De algum modo, depois de catadas elas desapareciam e hoje me

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pergunto se não era minha avó que as guardava e tornava a despejá-las nas folhagens todas
as manhãs, sempre que não estávamos olhando, só para que tivéssemos o prazer de encontrá-
-las. O fato é que não me sobrou nenhuma e elas ganharam, talvez por isso, uma aura de magia,
uma natureza impalpável. Dos mulungus, só me ficou a memória − essa memória mínima.

O segmento destacado que introduz uma explicação encontra-se em:


a) ... só para que tivéssemos o prazer de encontrá-las. (5° parágrafo)
b) ... é que não me lembro de jamais ter visto... (5° parágrafo)
c) Depois, íamos passear à beira do lago... (1° parágrafo)
d) O fato é que não me sobrou nenhuma... (5° parágrafo)
e) ... estendia a mão para tocar o pequeno grão... (2° parágrafo)

Questão 44 (VUNESP/PREFEITURA DE MARÍLIA-SP/AUXILIAR/2017)


Voluntários respondem a cartas enviadas para Julieta
Junto à Casa de Julieta fica a sala do Clube de Julieta. O projeto existe oficialmente faz 30
anos e tem voluntários para responder, em diversas línguas, a cartas enviadas de todo o mun-
do para Julieta, conhecida personagem da obra de Shakespeare.
As cartas normalmente são tristes e sobre problemas em relacionamentos amorosos. Afinal, por mais
que a famosa história seja romântica, também é bastante trágica.
Para os casos mais delicados, envolvendo, por exemplo, risco de suicídio, o clube tem a contri-
buição de um médico especialista.
Desde os anos de 1930, cartas são enviadas a Verona; mas só nos anos de 1980 a entidade foi
criada oficialmente com apoio do governo.
O projeto ficou ainda mais famoso com o filme “Cartas para Julieta” (2010), em que a protago-
nista se junta aos voluntários do grupo e tenta ajudar pessoalmente a mulher a quem aconselhou.
No ano que se seguiu ao filme, quase 4.000 cartas foram recebidas, segundo o Clube.
Há caixas de correio e computadores na Casa de Julieta para enviar mensagens. Por outro
lado, uma placa na entrada alerta que escrever nas paredes – a exemplo de inúmeras picha-
ções no hall de entrada – pode ser punido com multa de até € 1.039 ou prisão por até um ano.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/fx2909201111.htm.

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Considere os trechos do texto.


Junto à casa de Julieta fica a sala do Clube de Julieta. (1° parágrafo)
… e tem voluntários para responder, em diversas línguas, a cartas enviadas… (1° parágrafo)
… nos anos de 1980 a entidade foi criada oficialmente com apoio do governo. (4° parágrafo)
As preposições destacadas estabelecem entre as palavras, correta e respetivamente, as
relações de:
a) posse, finalidade e companhia.
b) posse, movimento e causa.
c) lugar, finalidade e causa.
d) consequência, movimento e companhia.
e) lugar, finalidade e simultaneidade.

Questão 45 (VUNESP/UNIFESP/TÉCNICO/2016)
É permitido sonhar
Os bastidores do vestibular são cheios de histórias – curiosas, estranhas, comoventes. O jo-
vem que chega atrasado por alguns segundos, por exemplo, é uma figura clássica, e patética.
Mas existem outras figuras capazes de chamar a atenção.
Takeshi Nojima é um caso. Ele fez vestibular para a Faculdade de Medicina da Universidade
do Paraná. Veio do Japão aos 11 anos, trabalhou em várias coisas, e agora quer começar uma
carreira médica.
Nada surpreendente, não fosse a idade do Takeshi: ele tem 80 anos. Isto mesmo, 80. Numa
fase em que outros já passaram até da aposentadoria compulsória, ele se prepara para iniciar
nova vida. E o faz tranquilo: “Cuidei de meus pais, cuidei dos meus filhos. Agora posso realizar
um sonho que trago da infância”.
Não faltará quem critique Takeshi Nojima: ele está tirando o lugar de jovens, dirá algum darwi-
nista social. Eu ponderaria que nem tudo na vida se regula pelo critério cronológico. Há pais
que passam muito pouco tempo com os filhos e nem por isso são maus pais; o que interessa
é a qualidade do tempo, não a quantidade. Talvez a expectativa de vida não permita ao vestibu-
lando Nojima uma longa carreira na profissão médica. Mas os anos, ou meses, ou mesmo os
dias que dedicar a seus pacientes terão em si a carga afetiva de uma existência inteira.

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Não sei se Takeshi Nojima passou no vestibular; a notícia que li não esclarecia a respeito. Mas
ele mesmo disse que isto não teria importância: se fosse reprovado, começaria tudo de novo.
E aí de novo ele dá um exemplo. Os resultados do difícil exame trazem desilusão para muitos
jovens, e não são poucos os que pensam em desistir por causa de um fracasso. A estes eu
digo: antes de abandonar a luta, pensem em Takeshi Nojima, pensem na força de seu sonho.
Sonhar não é proibido. É um dever.
Moacyr Scliar. Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar, 1996.

Assinale a alternativa em que a preposição “de” expressa sentido de origem.


a) Mas existem outras figuras capazes de chamar a atenção.
b) “Agora posso realizar um sonho que trago da infância”.
c) Nada surpreendente, não fosse a idade do Takeshi...
d) ... pensam em desistir por causa de um fracasso.
e) E aí de novo ele dá um exemplo.

Questão 46 (FUMARC/SEBRAE-NACIONAL/AGENTE/2013) Os termos destacados nas al-


ternativas abaixo desempenham a mesma função sintática, EXCETO o que se apresenta
em:
a) Na qualidade de ambientes propícios à divulgação científica [...].
b) A falta de maiores considerações acerca de tais aspectos [...].
c) […] capaz de descrever a essência dos fenômenos naturais.
d) Ao tratarem de fenômenos e de pressupostos científicos [...].

Questão 47 (FADESP/AGENTE/PREFEITURA DE BREVES-PA/2012) No enunciado “‘Bons mé-


dicos não devem, portanto, somente olhar para a presença de fatores de risco ou doenças’”, a
palavra destacada introduz uma
a) alternativa.
b) conclusão.
c) explicação.
d) consequência.

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Questão 48 (INSTITUTO AOCP/INVESTIGADOR/PC-ES/2019)


Assinale a alternativa cujo conectivo apresentado relaciona corretamente as seguintes frases,
preservando-lhes o sentido: “Não deixe luzes acesas durante o dia. Isso significa que não há
ninguém em casa.”
a) Porque.
b) Embora.
c) Também.
d) Contudo.
e) Portanto.

Questão 49 (IBAM/AUXILIAR/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) Assinale a alterna-


tiva que completa correta e respectivamente os períodos a seguir, empregando as palavras:
mim e eu.
I – Essa blusa é para________ e não para minha irmã.
II – Um sorriso é a menor distância entre________ e você.
III – Na gravidez, seria muito difícil para________fazer um curso de inglês.

a) I- mim, II- eu, III- eu.


b) I- eu, II- eu, III- eu.
c) I- eu, II- mim, III- eu.
d) I- mim, II- mim, III- eu.

Questão 50 (IBAM/AUXILIAR/PREF. SANTO ANDRÉ-SP/2015) Considere os seguintes tre-


chos do texto.
“Saí da sala aliviada por minha ausência de manchas, mas um tanto constrangida...”
“Por isso, acabo achando normal usar todo este equipamento...”
As palavras destacadas estabelecem, no texto, respectivamente, uma relação de:
a) condição e causa.
b) oposição e conclusão.
c) conclusão e oposição.
d) tempo e conclusão.

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Questão 51 (IBAM/ASSISTENTE/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) O trecho abaixo


será utilizado na resolução da questão.
“Até mesmo o churrasco comparece à lista, na medida em que é processado sob fumaça que
produz alcatrão”
A expressão “até mesmo”, no caso, é indicativa de:
a) lapso temporal.
b) inclusão.
c) adversidade.
d) finalidade.

Questão 52 (IBAM/ENFERMEIRO/PREFEITURA DE LEOPOLDINA-MG/2010) Os conectivos


ou palavras de ligação, além de fazerem a ligação entre frases ou partes de frases, estabele-
cem relações de sentido importantes nos textos.
O conectivo “para” estabelece relação de finalidade no seguinte exemplo do texto:
a) “Para a enorme maioria das pessoas a melhor proteção social é ter um emprego.”
b) “programas que sirvam de amparo para os mais vulneráveis”
c) “em níveis altos demais para um país com o potencial do Brasil”
d) “não são necessários enormes investimentos para transformar as oportunidades”

Questão 53 (IBAM/AGENTE/PREFEITURA DE SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP/2012) Assina-


le a opção cujo elemento destacado denota ideia de explicação.
a) “... acusando-o de preconceito racial, pois criou entre outras a deliciosa personagem da co-
zinheira Tia Nastácia”.
b) “Primeiro, vamos deletar a palavra “negro” quando se refere à raça e pessoas, embora tenha-
mos uma banda Raça Negra...”.
c) “Ora, para tentar um empreendimento desse vulto, como suspender um dicionário de tal
peso...”.
d) “Há coisas muito mais importantes a fazer neste país, como estimular o cuidado com a
educação”.

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Questão 54 (IBFC/POLÍCIA CIENTÍFICA-PR/ODONTOLEGISTA/2017) Considere o período


abaixo para responder à questão.
“Operou o cérebro de uma mulher de 28 anos, grávida de 37 semanas, para retirar um tumor
benigno que comprimia o nervo óptico a ponto de ser improvável que ela pudesse enxergar seu
bebê quando nascesse.”
A preposição destacada no trecho acima contribui para a coesão do texto introduzindo o valor
semântico de: 
a) concessão. 
b) finalidade. 
c) adversidade. 
d) explicação.
e) consequência. 

Questão 55 (VUNESP/CÂMARA DE CÓRREGOS-SP/CONTABILIDADE/2018) Assinale a alter-


nativa cujo termo para, em destaque, expressa ideia de finalidade.
a) A economia cresce encontrando soluções, em geral tecnológicas, para reduzir ineficiências...
b) Quem abandonou a roça foi para cidades, integrando a força de trabalho da indústria e dos
serviços.
c) Esse processo pode ser cruel para com indivíduos que ficam sem emprego...
d) O mesmo vale para outros apetrechos que você possa ter, mas são subutilizados.
e) Dá para descrever isso como a destruição de riqueza.

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GABARITO
1. b 20. d 39. d
2. d 21. e 40. d
3. e 22. b 41. b
4. e 23. c 42. e
5. b 24. b 43. b
6. b 25. b 44. a
7. a 26. b 45. b
8. a 27. c 46. b
9. c 28. c 47. b
10. b 29. a 48. a
11. b 30. b 49. d
12. a 31. c 50. b
13. a 32. b 51. b
14. c 33. c 52. d
15. d 34. b 53. a
16. b 35. b 54. b
17. c 36. c 55. a
18. d 37. a
19. a 38. c

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GABARITO COMENTADO
Questão 1 (FCC/TRT-21ª/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017) “Os aviões vinham deste país, abas-
teciam em Natal e ficavam prontos para fazer a travessia do Atlântico.”
Transformando-se o que se afirma acima em uma hipótese, os verbos devem assumir as se-
guintes formas:
a) vieram - abasteceram - ficaram
b) viriam - abasteceriam - ficariam
c) tinham vindo - teriam abastecido - ficarão
d) vieram - tivessem abastecido - ficavam
e) viriam - haviam abastecido - ficaram

Letra b.
A forma verbal de hipótese, sem outras estruturas de apoio (como a forma “se”, “talvez” etc.), é
expressa pelo futuro do pretérito do indicativo. Assim, temos as seguintes formas:
“Os aviões viriam deste país, abasteceriam em Natal e ficariam prontos para fazer a travessia
do Atlântico.”

Questão 2 (FCC/TST/ANALISTA/2017)
Há algumas dicotomias que parecem ter a força de atravessar o tempo e se imporem a
nós com uma evidência inaudita. Em filosofia, conhecemos várias delas, assim como conhe-
cemos suas maneiras de orientar o pensamento e as ações.
Tais dicotomias podem operar não apenas como um horizonte normativo pressuposto,
mas também como base para a consolidação de certas modalidades de pensamento crítico.
No entanto, há momentos em que percebemos a necessidade de questionar as próprias estra-
tégias críticas e suas dicotomias. Pois, ao menos para alguns, elas parecem nos paralisar em
vez de nos permitir avançar em direção às transformações que desejamos. Um exemplo de
dicotomia que tem força evidente no pensamento crítico atual é aquela, herdada de Spinoza,
entre paixões tristes e paixões alegres. Paixões tristes diminuem nossa potência de agir, pai-

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xões alegres aumentam nossa potência de agir e nossa força para existir. A liberdade estaria
ligada à força afirmativa das paixões alegres, assim como a servidão seria a perpetuação do
caráter reativo das paixões tristes. Haveria pois aquilo que nos afeta de forma tal que permiti-
ria a nossos corpos desenvolver ou não uma potência de agir e existir que é o exercício mesmo
da vida em sua atividade soberana.
Sem querer aqui fazer o exercício infame e sem sentido de discutir a teoria spinozista
dos afetos e sua bela complexidade em uma coluna de jornal, gostaria apenas de sublinhar
inicialmente a importância desse entendimento de que a capacidade crítica está ligada di-
retamente a uma compreensão dos afetos e de seus circuitos. Nada de nossas estratégias
contemporâneas de crítica seria possível sem esse passo essencial de Spinoza, recuperado
depois por vários outros filósofos que o seguiram.
No entanto, valeria a pena nos perguntarmos o que aconteceria se insistíssemos que
talvez não existam paixões tristes e paixões alegres, que talvez essa dicotomia possa e deva
ser abandonada (independentemente do que pensemos ou não de Spinoza).
É claro que isso inicialmente soa como um exercício ocioso de pensamento. Afinal, a
existência da tristeza e da alegria nos parece imediatamente evidente, nós podemos sentir tal
diferença e nos esforçamos (ou ao menos deveríamos nos esforçar, se não nos deixássemos
vencer pelo ressentimento e pela resignação) para nos afastarmos da primeira e nos aproxi-
marmos da segunda.
Mas o que aconteceria se habitássemos um mundo no qual não faz mais sentido distin-
guir entre paixões tristes e alegres? Um mundo no qual existem apenas paixões, com a capaci-
dade de às vezes nos fazerem tristes, às vezes alegres. Ou seja, um mundo no qual as paixões
têm uma dinâmica que inclui necessariamente o movimento da alegria à tristeza.
Pois, se esse for o caso, então talvez sejamos obrigados a concluir que não é possível
para nós nos afastarmos do que tenderíamos a chamar de “paixões tristes”, pois não há paixão
que, em vários momentos, não nos entristeça. Não há afetos que não nos contraiam, não há
vida que não se deixe paralisar, que não precise se paralisar por certo tempo, que não se vista
com sua própria impotência a fim de recompor sua velocidade. Mais, ainda. Não há vida que
não se sirva da doença para se desconstituir e reconstruir.
SAFATLE, Wladimir. Folha de S. Paulo, 23/06/2017

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Há verbos que, na condição de auxiliar, expressam o ponto de vista do falante sobre o que
enuncia, explicitam, por exemplo, sua avaliação sobre a ideia ou ideias que está veiculando. O
segmento que ilustra de maneira relevante o papel desses verbos é:
a) (parágrafo 2) há momentos em que percebemos a necessidade de questionar as próprias
estratégias críticas e suas dicotomias.
b) (parágrafo 3) A liberdade estaria ligada à força afirmativa das paixões alegres.
c) (parágrafo 4) Nada de nossas estratégias contemporâneas de crítica seria possível sem
esse passo essencial de Spinoza.
d) (parágrafo 5) talvez essa dicotomia possa e deva ser abandonada.
e) (parágrafo 8) Não há vida que não se sirva da doença para se desconstituir e reconstruir.

Letra d.
A questão pede seu conhecimento sobre o fenômeno de modalização. O uso dos verbos “po-
der” e “dever”, na alternativa (d), expressa claramente o ponto de vista do enunciador (falante),
o qual dirige ao leitor as noções de possibilidade e de obrigação em relação ao conteúdo abor-
dado (abandono da dicotomia).

Questão 3 (FCC/DEFENSORIA-SP/OFICIAL DE DEFENSORIA/2015) “A Metamorfose”, por


exemplo, teve de esperar até 1929 para ser traduzida ao tcheco, o idioma oficial da então Tche-
coslováquia.
No contexto, o termo então, em destaque, expressa circunstância de:
a) qualidade.
b) modo.
c) lugar.
d) dúvida.
e) tempo.

Letra e.
O sentido expresso pelo advérbio “então” é de tempo: naquela época, a região era denominada
Tchecoslováquia (e hoje não mais é assim chamada).

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Questão 4 (FCC/DEFENSORIA RR/ASSISTENTE ADMINISTRATIVO/2015)


... sei até onde está o velho caderno com o velho poema.
Quanto ao termo destacado no segmento acima, é correto afirmar que se trata de:
a) advérbio de lugar, que modifica o sentido de “estar”, e pode ser substituído, juntamente com
“onde”, por “aonde”.
b) preposição, que modifica o sentido de “onde”, e expressa um limite espacial.
c) preposição, que modifica o sentido de “estar”, e pode ser substituída por “também”.
d) advérbio de afirmação, que modifica o sentido de “saber”, e pode ser substituído por “sim”,
entre vírgulas.
e) advérbio de intensidade, que modifica o sentido de “saber”, e pode ser substituído por “in-
clusive”.

Letra e.
A palavra “até” pode ser substituída pela palavra “inclusive”: “sei inclusive onde está o velho
caderno...”. Como é uma palavra que modifica o verbo “saber”, será classificada morfologica-
mente como advérbio e, sintaticamente, como adjunto adverbial.

Questão 5 (FCC/DEFENSORIA PÚBLICA DO RS/TÉCNICO/2013)


Érico Veríssimo nasceu no Rio Grande do Sul (Cruz Alta) em 1905, de família de tradição e for-
tuna que repentinamente perdeu o poderio econômico.
O advérbio destacado na frase acima tem o sentido de:
a) à revelia
b) de súbito
c) de imediato
d) dia a dia
e) na atualidade

Letra b.
A forma “repentinamente” equivale a “de repente”, “de súbito”, “de modo imprevisto”. É por isso
que a alternativa (b) está correta.

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Questão 6 (VUNESP/PC-SP/INVESTIGADOR/2018)
Nos EUA, a psicanálise lembra um pouco certas seitas – as ideias do fundador são
institucionalizadas e defendidas por discípulos ferrenhos, mas suas instituições parecem não
responder às necessidades atuais da sociedade. Talvez porque o autor das ideias não esteja
mais aqui para atualizá-las.
Freud era um neurologista, e queria encontrar na Biologia as bases do comportamento.
Como a tecnologia de então não lhe permitia avançar, passou a elaborar uma teoria, criando a
psicanálise. Cientista que era, contudo, nunca se apaixonou por suas ideias, revisando sua obra
ao longo da vida. Ele chegou a afirmar: “A Biologia é realmente um campo de possibilidades
ilimitadas do qual podemos esperar as elucidações mais surpreendentes. Portanto, não pode-
mos imaginar que respostas ela dará, em poucos decêndios, aos problemas que formulamos.
Talvez essas respostas venham a ser tais que farão o edifício de nossas hipóteses colapsar”.
Provavelmente, é sua frase menos citada. Por razões óbvias.
Galileu, novembro de 2017. Adaptado

Nos trechos
• – … Talvez porque o autor das ideias não esteja mais aqui… –
• – … nunca se apaixonou por suas ideias… –
• – A Biologia é realmente um campo de possibilidades ilimitadas… –
• – Provavelmente, é sua frase menos citada. –
os advérbios destacados expressam, correta e respectivamente, circunstância de:
a) lugar; tempo; modo; afirmação.
b) lugar; tempo; afirmação; dúvida.
c) lugar; negação; modo; intensidade.
d) afirmação; negação; afirmação; afirmação.
e) afirmação; negação; modo; dúvida.

Letra b.
As formas adverbiais destacadas expressam as seguintes noções:
“Aqui” = neste local (lugar)

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
Bruno Pilastre

“Nunca” = em nenhum momento (tempo)


“Realmente” = de fato (afirmação/confirmação)
“Provavelmente” = é possível que (dúvida)

Questão 7 (VUNESP/IPRESB-SP/AGENTE/2017) Leia a frase reelaborada a partir da fala


da personagem.
Depois que comecei a tuitar diariamente, não consigo mais escrever os relatórios com perfei-
ção.
As expressões destacadas apresentam, respectivamente, as circunstâncias de:
a) tempo e de modo.
b) tempo e de intensidade.
c) modo e de afirmação.
d) modo e de intensidade.
e) afirmação e de modo.

Letra a.
A noção semântica expressa pelo advérbio “diariamente” é de tempo (equivale a “dia após
dia”). No segundo caso, a locução adverbial “com perfeição” possui valor semântico de modo
e equivale a “dessa maneira”. A ordem de classificação das expressões destacadas é, então, a
seguinte: tempo e modo (alternativa (a)).

Questão 8 (VUNESP/PREF. GUARULHOS/AGENTE/2016) Considere as seguintes cons-


truções:
• Meninas são menos provocadoras do que meninos…
• A prática é um pouco mais frequente nas escolas privadas […] do que na rede pública…
Nos contextos em que são empregadas, as palavras destacadas estabelecem relação de
a) comparação.
b) negação.
c) correção.

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d) dúvida.
e) aprovação.

Letra a.
Para responder corretamente a questão, você deve ler toda a construção. Se ler apenas a pala-
vra destacada, pode cometer erros. As expressões completas são as seguintes: “menos ... do
que” e “mais ... do que”. Essas expressões denotam comparações entre duas entidades (A - B),
e por isso a alternativa (a) está correta.

Questão 9 (VUNESP/CÂMARA DE MARÍLIA-SP/AGENTE/2016)


Habilidades domésticas
Na sexta-feira, meu filho chega de São Paulo carregando uma mala entupida de roupa
suja. No final de semana, ele toma de assalto a máquina de lavar. Gira os botões como quem
aumenta o volume do rádio do carro; uma familiaridade irritante. O elefante branco que me as-
sustou quando vim morar sozinho tornou-se para o jovem de 18 anos um simples e inofensivo
gatinho. Se aos 45 eu nunca tinha apertado um botão sequer de uma máquina dessas, ele,
aos 18, já domina a técnica com maestria, o que o tornará por certo mais independente nesse
mundo de dependência e subordinação em que vivemos.
Mas calma, amigo, calma. Hoje posso dizer com serenidade que essa mesma habilida-
de que ele desenvolveu tão cedo eu também já desenvolvi. Agora, se tem algo ultimamente que
me anda pondo medo é o ferro de passar roupa.
Antigamente era fácil. Pelo que via, era só ligar à tomada. Havia um botãozinho que regulava
a temperatura. E pronto. Era só começar a passar. Esse que eu tenho aqui, e que terei que
usar até arrumar uma nova ajudante, tem um botão giratório pra eu escolher o tipo de tecido:
acetato, seda, rayon (o que é rayon?!), lã, algodão, linho. Tem dois botõezinhos pra apertar com
desenhinhos indecifráveis. Há um outro que vai pra lá e pra cá, aumentando e diminuindo um
filete escuro (pra que tantos botões!?). E um buraquinho que, na minha ínfima capacidade
de decifrar esse monstrengo doméstico, serve pra colocar água.
Mais difícil do que passar roupa é entender como funciona um ferro de passar e seu
indecifrável manual. Sinceramente? Acho que escrever um romance a cada seis meses ou ar-

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redondar uma encrencada e velha execução trabalhista são tarefas mais fáceis, mas eu chego
lá...
P.S.: Esquece esse último parágrafo. Tudo resolvido com essa tecnologia massa1. Bastaram
três minutinhos. Bora2 passar roupa! Com a ajuda do YouTube3, claro!
www.cronicadodia.com.br

1 excelente
2 Vamos (convite)
3 site de compartilhamento de vídeos
Em – Se aos 45 eu nunca tinha apertado um botão sequer de uma máquina dessas, ele, aos
18, já domina a técnica com maestria... – o termo destacado indica que o rapaz de 18 anos aprendeu
a operar a máquina de lavar
a) toscamente.
b) serenamente. 
c) precocemente.
d) superficialmente.
e) adequadamente.

Letra c.
Em nossa língua, há certas palavras que podem adquirir diversos matizes semânticos: é o caso
da palavra “já”. No contexto em que ocorre, a palavra “já” expressa a ideia de que o filho do nar-
rador, com a idade de 18 anos, é capaz de operar uma máquina que ele, o narrador, demorou
muito para fazê-lo. Isso evidencia a ideia de precocidade na capacidade de operar máquinas
(como a máquina de lavar).

Questão 10 (VUNESP/UNESP/ASSISTENTE/2016) Uma palavra que substitui a expressão


destacada em – A iniciativa começou com frutos e legumes, mas, pouco a pouco, está se
expandindo. –, sem alteração de sentido, é:
a) subitamente.
b) paulatinamente.

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c) repentinamente.
d) provavelmente.
e) impreterivelmente.

Letra b.
A ideia expressa por “pouco a pouco” é a seguinte: a iniciativa cresceu progressivamente/pau-
latinamente (“paulatino” significa “o que é realizado em etapas”, “o que é feito devagar”). É por
esse motivo que a alternativa (b) é a correta.

Questão 11 (VUNESP/SAP-SP/AGENTE/2015)

Os termos já (segundo quadrinho) e ainda (quarto quadrinho) exprimem circunstâncias de


a) modo.
b) tempo.
c) dúvida.
d) causa.
e) intensidade.

Letra b.
Em nossa língua, há certas palavras que podem adquirir diversos matizes semânticos: é o caso
das palavras “já” e “ainda”. No contexto em que ocorre (a tirinha), a palavra “já” expressa a ideia
de tempo (pode largar nesse momento, já). O mesmo vale para a palavra “ainda”, no quarto
quadrinho (até esse momento, não).

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Questão 12 (VUNESP/PREFEITURA DE SUZANO-SP/AUXILIAR/2015)

O termo ainda, no último quadrinho, expressa circunstância de


a) tempo, e enfatiza a artimanha do menino Calvin para conseguir realizar sua tarefa escolar.
b) modo, e enfatiza o desinteresse do menino Calvin em entender o propósito de sua tarefa
escolar
c) dúvida, e enfatiza a dificuldade do menino Calvin em executar sua tarefa escolar sozinho.
d) negação, e enfatiza a recusa do menino Calvin em entregar sua tarefa escolar com atraso.
e) intensidade, e enfatiza a excitação do menino Calvin para realizar sua tarefa escolar.

Letra a.
A palavra “ainda” expressa tempo. A estratégia adotada pelo personagem Calvin é a de expan-
dir o valor semântico dessa palavra, fazendo-a valer do passado até um futuro indeterminado
(referente à realização da tarefa escolar).

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Questão 13 (VUNESP/PC-SP/AUXILIAR/2018) Leia a tira para responder a questão.

* Meme: imagem, informação, ideia, vídeo, etc., que se espalha rapidamente pela internet, ge-
ralmente com tom de sátira ou humor.
O termo destacado na frase “Até o meme de amanhã.” expressa circunstância de
a) tempo.
b) modo.
c) inclusão.
d) afirmação.
e) intensidade.

Letra a.
A noção expressa pela forma “até” é temporal e equivale a “enquanto o meme de amanhã não
chegar”. Como vemos, o termo “enquanto” possui valor temporal (duração), e sua substituição
por “até” é adequada justamente por compartilharem esse valor semântico.

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Questão 14 (VUNESP/PC-SP/PAPILOSCOPISTA/2018) Leia a tira para responder a questão.

No 3º quadrinho, nas três ocorrências, o sentido da preposição “sem” e o das expressões


que ela forma são, respectivamente, de

a) negação e causa.
b) adição e condição.
c) ausência e modo.
d) falta e consequência.
e) exceção e intensidade.

Letra c.
As expressões são as seguintes:
“sem aborrecimento”
“sem perda de tempo”

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“sem a incômoda interação humana”


Como o personagem aborda uma maneira de viver, observamos um uso modal das expressões
em análise. A interpretação semântica da preposição é de “ausência”, uma vez que o persona-
gem acredita que é mais fácil viver “sem” esses aspectos.

Questão 15 (FUMARC/CEMIG-MG/TÉCNICO/2018) Os verbos destacados estão flexiona-


dos no pretérito imperfeito do indicativo, EXCETO em:
a) “[...] ao ponto em que havia um intervalo sensível de tempo entre digitar e a letra aparecer
na tela.”
b) “Meu telefone, um iPhone 6, estava cada vez mais lento.”
c) “Não era por nenhuma das causas apontadas nas inúmeras salas de conversa entre usuá-
rios de iPhones vagarosos.” 
d) “Você já entrou alguma vez numa loja cara onde os vendedores, envaidecidos pela aura do
próprio produto [...].”

Letra d.
A forma verbal “entrou” está no pretérito PERFEITO do indicativo. Por isso, na alternativa (d)
vemos uma forma verbal DIFERENTE (ou seja, que NÃO está flexionada no pretérito imperfeito
do indicativo).

Questão 16 (FUMARC/CBTU/ASSISTENTE/2016) Em: “Por que tal comentário  teria hoje


alguma importância?”, o verbo destacado está flexionado no:
a) Futuro do presente do indicativo.
b) Futuro do pretérito do indicativo.
c) Pretérito imperfeito do indicativo. 
d) Pretérito perfeito do indicativo.

Letra b.
A conjugação do verbo “ter” no futuro do pretérito do indicativo é a seguinte:
Teria

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Terias
Teria
Teríamos
Teríeis
Teriam
Veja, então, que a forma de terceira pessoa do singular desse modo-tempo é exatamente igual
à do trecho em análise (e, por isso, a alternativa (b) está correta).

Questão 17 (INSTITUTO AOCP/ASSISTENTE/UFPB/2019) Qual é o tempo verbal presente no


trecho “O vento gemera durante o dia todo [...]”?
a) Pretérito perfeito.
b) Pretérito imperfeito.
c) Pretérito mais-que-perfeito.
d) Futuro do presente.
e) Futuro do pretérito.

Letra c.
A forma verbal “gemera”, do verbo “gemer”, está conjugada na terceira pessoa do singular do
pretérito mais-que-perfeito do indicativo.

Questão 18 (IDIB/AGENTE/PREFEITURA DE NOVO GAMA-GO/2016) Em “O reúso da água é


um processo pelo qual a água passa para que possa ser utilizada novamente”, os verbos des-
tacados estão respectivamente nos tempos e modos:
a) Pretérito perfeito do indicativo e presente do indicativo.
b) Futuro do subjuntivo e presente do subjuntivo.
c) Presente do subjuntivo e presente do indicativo.
d) Persente do indicativo e presente do subjuntivo.

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Letra d.
A primeira forma (passa) está na terceira pessoa do singular do presente do indicativo.
A segunda forma (possa), por denotar um evento hipotético (isto é, a água tem a possibilidade
de ser usada, e não se sabe se será), o modo adequado é o subjuntivo. O tempo é o presente.

Questão 19 (FCC/SABESP/ENFERMEIRO/2014) Atualmente, também se associa o Desenvol-


vimento Sustentável ou Sustentabilidade à responsabilidade social. Responsabilidade social é
a forma ética e responsável pela qual a Empresa desenvolve todas as suas ações, políticas,
práticas e atitudes, tanto com a comunidade quanto com o seu corpo funcional. Enfim, com o
ambiente interno e externo à Organização e com todos os agentes interessados no processo.
Assim, as definições de Educação Ambiental são abrangentes e refletem a história do pensa-
mento e visões sobre educação, meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
Os advérbios destacados no trecho acima podem ser substituídos corretamente, na ordem
dada, por:
a) Nos dias de hoje - Por fim - Desse modo
b) Consentaneamente - Afinal de contas - Desse modo
c) Nos dias de hoje - Ultimamente - Do mesmo modo
d) Consentaneamente - Por derradeiro - Destarte
e) Presentemente - Afinal de contas - De todo modo

Letra a.
A forma “Atualmente” é um elemento coesivo que situa a temporalidade do texto. A forma
“Enfim” exerce uma função de marcar conclusão parcial. A forma “Assim”, por fim, é uma con-
junção conclusiva.
Nos itens de (b) a (e), há ao menos uma opção inadequada. A palavra “consentaneamente” é
distinta da palavra “atualmente”, pois aquela significa “apropriadamente, convenientemente”.
As formas “afinal de contas” e “ultimamente” possuem semânticas distintas de “enfim”. Por
último, a expressão “de todo modo” é distinta da noção expressa por “assim”.

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Questão 20 (FCC/TRT1-4ª/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2016) “O marechal organizou o acervo...”


A forma verbal está corretamente transposta para a voz passiva em:
a) estava organizado
b) tinha organizado
c) organizando-se
d) foi organizado
e) está organizado

Letra d.
Para identificar a correta forma verbal da forma passiva, basta identificar (i) o tempo e modo
verbal da ativa; (ii) os traços do objeto direto da ativa (que se tornará sujeito da passiva). O
verbo da ativa está no pretérito perfeito do indicativo (organizou) e o objeto direto é de terceira
pessoa do singular (masculino). Assim, a forma passiva adequada será foi organizado (verbo
AUXILIAR na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo e particípio no mas-
culino singular).

Questão 21 (FGV/AL-RO/ADVOGADO/2018)
Dado Preocupante
No primeiro semestre deste ano, 80 mil alunos deixaram de ingressar em faculdades
particulares de todo o país, o que representa uma queda de 5% em relação ao mesmo período
de 2017. Desde 2015, a fuga de ingressantes é de 20%. Juntos, Rio, Minas e Espírito Santo
tiveram redução de 25,7% no número de calouros. O levantamento foi feito pelo Sindicato das
Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) com 99 instituições. Desemprego, queda de ren-
da, crise econômica, redução dos programas de financiamento estudantil são as razões apon-
tadas pelo Semesp para a diminuição de matrículas. No Rio, a violência agrava o problema,
porque desestimula quem estuda à noite.
O Globo, 24/07/2018

“O levantamento foi feito pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) com


99 instituições.”

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Essa frase do texto exemplifica a voz passiva; assinale a forma verbal correspondente à que
está destacada, na voz ativa.
a) fez-se. 
b) fazia. 
c) fazia-se.
d) fizera. 
e) fez.

Letra e.
Na transição ativa<>passiva do trecho em destaque, o tempo-modo deve ser mantido: pretérito
perfeito do indicativo. Essa forma verbal está presente em (e): “fez”.

Questão 22 (IDECAN/COLÉGIO PEDRO II/ESTATÍSTICO/2014) No trecho “O homem dei-


xou de viver na natureza para viver na cidade que foi criada por ele.”, a forma verbal resultante
da transposição da frase anterior para voz ativa é:
a) cria.
b) criou.
c) criava.
d) criaria.
e) criasse.

Letra b.
A construção ativa da oração em destaque seria corretamente registrada da seguinte maneira:
Ele criou a cidade.
Essa forma verbal mantém o tempo e o modo da passiva (pretérito perfeito do indicativo).

Questão 23 (FCC/TRT-23ª/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2016) “O modelo ainda dominante nas dis-


cussões ecológicas privilegia, em escala, o Estado e o mundo...”
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:

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a) é privilegiado
b) sendo privilegiadas
c) são privilegiados
d) foi privilegiado
e) são privilegiadas

Letra c.
Para identificar a correta forma verbal da forma passiva, basta identificar (i) o tempo e modo
verbal da ativa; (ii) os traços do objeto direto da ativa (que se tornará sujeito da passiva). A
forma verbal “privilegia” está no presente do indicativo. O objeto direto é “o Estado e o mundo”
(terceira pessoa do plural, masculino). A alternativa adequada será a que tiver a sequência
AUXILIAR + PARTICÍPIO com a forma auxiliar na terceira pessoa do plural no presente do indi-
cativo e o particípio no masculino plural (“são privilegiados”).

Questão 24 (FUMARC/TJ-MG/OFICIAL/2012/ADAPTADA) “É imprescindível enfatizar a ne-


cessidade da leitura para redigir com clareza, no português padrão, usando um vocabulário
rico e adequado, de forma coerente, concisa e sem repetição de ideias”.
No contexto do fragmento, pode-se reconhecer que os verbos destacados estão respecti-
vamente no:
a) passado próximo dos fatos.
b) infinitivo e gerúndio.
c) futuro do presente.
d) presente do subjuntivo.

Letra b.
As palavras destacadas são formas nominais do verbo: enfatizar é forma infinitiva e usando é
forma gerundiva. As formas nominais (infinitivo, particípio e gerúndio) são caracterizadas por
NÃO veicular informações de modo-tempo e de número-pessoa.

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Questão 25 (VUNESP/TJ-SP/ASSISTENTE/2017) Considere as informações da capa da re-


vista para responder à questão.

De acordo com a norma-padrão, a frase da capa também está corretamente redigida, sem
prejuízo ao texto original, em:
a) Como ganhar dinheiro, se o Brasil vim a dar certo.
b) Como ganhar dinheiro, se o Brasil vier a dar certo.
c) Como ganhar dinheiro, caso o Brasil vem à dar certo.
d) Como ganhar dinheiro, se o Brasil vir à dar certo.
e) Como ganhar dinheiro, caso o Brasil vir a dar certo.

Letra b.
Os desvios de cada item são de diversos tipos. Vejamos ao menos um desvio de cada item:
a) Como ganhar dinheiro, se o Brasil vim a dar certo.

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A forma verbal deve ser “vier” (futuro do subjuntivo).


c) Como ganhar dinheiro, caso o Brasil vem à dar certo.
A forma verbal deve ser “venha” (presente do subjuntivo).
d) Como ganhar dinheiro, se o Brasil vir à dar certo.
A forma verbal deve ser “vier” (futuro do subjuntivo).
e) Como ganhar dinheiro, caso o Brasil vir a dar certo.
A forma verbal deve ser “venha” (presente do subjuntivo).

Questão 26 (FUMARC/PREFEITURA DE MATOZINHOS-MG/ADVOGADO/2016) A Folha de S.


Paulo recebe várias críticas por erros cometidos em relação ao uso da norma padrão da
Língua Portuguesa.
Servidor que manter greve ficará sem reajuste, diz governo. Folha de S. Paulo, 25 de agosto de 2012.

As críticas recebidas em relação à manchete acima referem-se a um erro de: 


a) Concordância verbal. 
b) Conjugação verbal.
c) Ortografia.
d) Regência verbal. 

Letra b.
O desvio é de conjugação verbal. O verbo “manter” possui a mesma conjugação da forma ver-
bal “ter”. Por isso, deve ser flexionado da seguinte maneira:
“Servidor que mantiver greve ficará [...]” (3ª pessoa do singular do futuro do subjuntivo).

Questão 27 (IBAM/ATENDENTE/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015)


Te esperando
Existem cancões que são eternas, é ou não é?
Na verdade o munda tá precisando de amores assim
Porque podem se passar dez, vinte, trinta anos

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Eu sempre vou ‘tá aqui


Te esperando viu?
Mesmo que você não caia na minha cantada
Mesmo que você conheça outro cara
Na fila de um banco
Um tal de Fernando
Um lance, assim
Sem graça
Mesmo que vocês fiquem sem se gostar
Mesmo que vocês se casem sem se amar
E depois de seis meses
Um olhe pro outro
E aí, pois é, sei lá
Mesmo que você suporte este casamento
Por causa dos filhos, por muito tempo
Dez, vinte, trinta anos
Até se assustar com os seus cabelos brancos
Um dia vai sentar numa cadeira de balanço
Vai lembrar do tempo em que tinha vinte anos
Vai lembrar de mim e se perguntar
Por onde esse cara deve estar?
E eu vou estar
Te esperando
Nem que já esteja velhinha gagá
Com noventa, viúva, sozinha
Não vou me importar (não vou me importar)
Vou ligar, te chamar pra sair
Namorar no sofá (no sofá)
Nem que seja além dessa vida

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Eu vou estar
Te esperando
Mesmo que você não caia na minha cantada
Mesmo que você conheça outro cara
Na fila de um banco
Um tal de Fernando
Um lance, assim
Sem graça
Mesmo que vocês fiquem sem se gostar
Mesmo que vocês se casem sem se amar
E depois de seis meses
Um olhe pro outro
E aí, pois é, sei lá
Mesmo que você suporte este casamento
Por causa dos filhos, por muito tempo
Dez, vinte, trinta anos
Até se assustar com os seus cabelos brancos
Um dia vai sentar numa cadeira de balanço
Vai lembrar do tempo em que tinha vinte anos
Vai lembrar de mim e se perguntar
Por onde esse cara deve estar?
E eu vou estar
Te esperando
Nem que já esteja velhinha gagá
Com noventa, viúva, sozinha
Não vou me importar
Vou ligar, te chamar pra sair
Namorar no sofá
Nem que seja além dessa vida

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Eu vou estar
Te esperando
Nem que já esteja velhinha gagá
Com noventa, viúva, sozinha
Não vou me importar
Vou ligar, te chamar pra sair
Namorar no sofá
Nem que seja além dessa vida
Eu vou estar
Te esperando
Te esperando
O verbo “esperar”, que aparece logo no título da música cantada por Luan Santana, está no
gerúndio. O que o uso dessa forma nominal do verbo sugere a respeito do sentido que é cons-
truído nessa canção?
a) O gerúndio do verbo sugere que uma ação concluída no passado.
b) O gerúndio do verbo sugere que a ação terminou no passado e retornou no presente.
c) O gerúndio do verbo sugere uma ação em andamento.
d) O gerúndio do verbo sugere uma ação que ainda ocorrerá.

Letra c.
Aqui, o valor da forma nominal do verbo “esperar” (“esperando”, no gerúndio) é a mais básica:
denota aspecto continuativo.

Questão 28 (IBAM/ATENDENTE/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015)


CONSTRUÇÃO
Chico Buarque

 Amou daquela vez como se fosse a última


 Beijou sua mulher como se fosse a última

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
Bruno Pilastre

 E cada filho seu como se fosse o único


 E atravessou a rua com seu passo tímido
 Subiu a construção como se fosse máquina
 Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
 Tijolo com tijolo num desenho mágico
 Seus olhos embotados de cimento e lágrima
 Sentou pra descansar como se fosse sábado
 Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
 Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
 Dançou e gargalhou como se ouvisse música
 E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
 E flutuou no ar como se fosse um pássaro
 E se acabou no chão feito um pacote flácido
 Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego.

A maior parte dos verbos presentes na letra “Construção”, de Chico Buarque, encontra-se no
modo:
a) imperativo, pois os verbos expressam ordem.
b) subjuntivo, pois os verbos expressam dúvida sobre as ações.
c) indicativo, pois os verbos expressam certeza sobre as ações.
d) subjuntivo, pois os verbos expressam os sentimentos do protagonista da história.

Letra c.
O modo predominante é o indicativo: “amou”, “beijou”, “atravessou”, “subiu”, “ergueu”. Nesse
modo, o enunciador (aquele que apresenta os acontecimentos) busca expressar certeza sobre
as ações relatadas.

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
Bruno Pilastre

Questão 29 (IBAM/ATENDENTE/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) Observe o


tempo em que a maior parte dos verbos aparece na letra de Chico Buarque: “amou”, “beijou”,
“atravessou”, “subiu”, etc. Qual é a relação do uso desse pretérito e o sentido do texto?
a) Os verbos se encontram no pretérito perfeito, pois apresentam eventos pontuais que come-
çaram e terminaram em um momento definido no passado.
b) Os verbos se encontram no pretérito perfeito, pois apresentam um processo repetitivo que
se prolonga até o presente.
c) Os verbos se encontram no pretérito imperfeito, pois apresentam um processo habitual,
frequente, no passado.
d) Os verbos se encontram no pretérito imperfeito, pois apresentam eventos em um momento
definido do passado.

Letra a.
O tempo predominante é o pretérito perfeito (pretérito = passado; perfeito = ação conclusa/
encerrada). Nesse tempo/aspecto, o evento ocorre no passado (em relação ao momento da
enunciação) e são tidos como “encerrados”, “conclusos”. É exatamente isso o expresso pela
alternativa (a).

Questão 30 (IBAM/AUXILIAR/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) A conjugação do


período “É bem esquisito, não é, doutor?” no futuro do pretérito é a apresentada em qual alter-
nativa?
a) Será bem esquisito, não é, doutor?
b) Seria bem esquisito, não seria, doutor?
c) Será bem esquisito, não será, doutor?
d) Seria bem esquisito, não é, doutor?

Letra b.
A forma do verbo “ser” no futuro do pretérito é esta: “seria” (terceira pessoa do singular).

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Questão 31 (IBAM/AUXILIAR/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) Assinale a alternati-


va que apresenta um advérbio de intensidade.
a) “Saí do laboratório sentindo um alívio desconfortável.”
b) “Tive medo de parecer hipocondríaca.”
c) “Eles bem sabem o quanto fico feliz em pagar.”
d) “Tenho a sorte de poder pagar um bom plano de saúde.”

Letra c.
O advérbio de intensidade tem a capacidade de elevar a gradação de algo. Em (c), a forma
“bem” equivale a “muito”, “bastante”.

Questão 32 (IBAM/AUXILIAR/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) Na frase “Havia


tempo que não fazia e o redondo número de minha idade...”, se considerarmos a palavra “tem-
po” no plural, qual alternativa contém o verbo haver conjugado corretamente?
“__________ tempos que não fazia e o redondo número de minha idade”.
a) Haviam tempos que não fazia e o redondo número de minha idade.
b) Havia tempos que não fazia e o redondo número de minha idade.
c) Hão tempos que não fazia e o redondo número de minha idade.
d) Houve tempos que não faziam e o redondo número de minha idade.

Letra b.
Se a forma “tempo” mudar para “tempos”, o verbo permanece na terceira pessoa do singular
(porque denota “existência” e, por isso, é impessoal). Assim, a forma adequada é a presente na
alternativa (b): “Havia tempos”.

Questão 33 (IBAM/ASSISTENTE/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) A frase abai-


xo será utilizada na resolução das questões.
“O cidadão perderia o sono se soubesse como são feitas as salsichas e as leis”. Otto Von Bis-
marck

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Se o verbo destacado fosse conjugado no futuro do presente do modo indicativo, a citação aci-
ma, de modo a respeitar a norma culta da língua, deveria ser reescrita conforme apresentado
em qual alternativa?
a) O cidadão perderá o sono se soubesse como são feitas as salsichas e as leis.
b) O cidadão perdera o sono se soubera como são feitas as salsichas e as leis.
c) O cidadão perderá o sono se souber como são feitas as salsichas e as leis.
d) O cidadão vai perder o sono se vier a saber como são feitas as salsichas e as leis.

Letra c.
No trecho original, a forma “perderia” está no futuro do pretérito do indicativo. No futuro do pre-
sente, a forma é conjugada como “perderá”. Como essa forma denota mais certeza em relação
ao que se diz, a forma na sequência passa a “se souber”.

Questão 34 (IBAM/DENTISTA/PREFEITURA DE PRAIA GRANDE-SP/2013) O trecho abaixo


será utilizado para a resolução da questão.
“Estamos criando uma insustentável cultura de tirar dos bem-sucedidos para assistir os desa-
fortunados, como se o papel do lucro fosse ser distribuído à sociedade”
Sobre o verbo destacado no excerto é válido asseverar que:
a) foi conjugado no futuro do modo subjuntivo e expressa casualidade ou incerteza.
b) indica probabilidade e foi conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo
c) aponta a continuidade de um acontecimento em relação a outro ocorrido ao mesmo tempo
no passado e foi conjugado no pretérito imperfeito do modo indicativo.
d) o pretérito perfeito do indicativo foi o tempo verbal em que foi conjugado e relata evento
ocorrido e concluído em determinado momento do passado.

Letra b.
A forma verbal “fosse” (flexão do verbo “ser”) está no pretérito imperfeito do subjuntivo, indi-
cando probabilidade, possibilidade, hipótese (noção semântica típica do modo subjuntivo).

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Questão 35 (FCC/TRT-14ª/ANALISTA/2016)
Era uma vez...
As crianças de hoje parecem nascer já familiarizadas com todas as engenhocas eletrônicas
que estarão no centro de suas vidas. Jogos, internet, e-mails, músicas, textos, fotos, tudo está
à disposição à qualquer hora do dia e da noite, ao alcance dos dedos. Era de se esperar que um
velho recurso para se entreter e ensinar crianças como adultos − contar histórias − estivesse
vencido, morto e enterrado. Ledo engano. Não é incomum que meninos abandonem subita-
mente sua conexão digital para ouvirem da viva voz de alguém uma história anunciada pela
vetusta entrada do “Era uma vez...”. 
Nas narrativas orais − talvez o mais antigo e proveitoso deleite da nossa civilização – a pre-
sença do narrador faz toda a diferença. As inflexões da voz, os gestos, os trejeitos faciais, os
silêncios estratégicos, o ritmo das palavras – tudo é vivo, sensível e vibrante. A conexão se
estabelece diretamente entre pessoas de carne e osso, a situação é única e os momentos
decorrem em tempo real e bem marcado. O ouvinte sente que o narrador se interessa por sua
escuta, o narrador sabe-se valorizado pela atenção de quem o ouve, a narrativa os une como
num caloroso laço de vozes e de palavras.
As histórias clássicas ganham novo sabor a cada modo de contar, na arte de cada intérprete.
Não é isso, também, o que se busca num teatro? Nas narrações, as palavras suscitam imagens
íntimas em quem as ouve, e esse ouvinte pode, se quiser, interromper o narrador para escla-
recer um detalhe, emitir um juízo ou simplesmente uma interjeição. Havendo vários ouvintes,
forma-se uma roda viva, uma cadeia de atenções que dá ainda mais corpo à história narrada.
Nesses momentos, é como se o fogo das nossas primitivas cavernas se acendesse, para que
em volta dele todos comungássemos o encanto e a magia que está em contar e ouvir histórias.
Na época da informática, a voz milenar dos narradores parece se fazer atual e eterna.
Atente para esta sequência de frases que compõem um período do texto:
I – O ouvinte sente que o narrador se interessa por sua escuta,
II – o narrador sabe-se valorizado pela atenção de quem o ouve,
III – a narrativa os une como num caloroso laço de vozes e de palavras.

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Não se altera o sentido do período acima introduzindo-se as frases II e III, respectivamente,


com as seguintes expressões: 
a) uma vez que − ainda que 
b) ao passo que − por conseguinte 
c) desde que − mesmo que 
d) conquanto − porquanto 
e) portanto − entretanto

Letra b.
No texto, (I) e (II) estão em situação de equivalência (na exposição). (I) e (II) levam a (III). Com
isso, a relação entre os trechos é corretamente expressa da seguinte forma:
“O ouvinte sente que o narrador se interessa por sua escuta, ao passo que o narrador sabe-se
valorizado pela atenção de quem o ouve. Por conseguinte, a narrativa os une como num calo-
roso laço de vozes e de palavras.”

Questão 36 (IBAM/ATENDENTE/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015)


TE ESPERANDO
 Luan Santana

Mesmo que você não caia na minha cantada


Mesmo que você conheça outro cara
Na fila de um banco
Um tal de Fernando
Um lance, assim
Sem graça

Mesmo que vocês fiquem sem se gostar


Mesmo que vocês casem sem se amar
E depois de seis meses
Um olhe pro outro

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E aí, pois é
Sei iá

Mesmo que você suporte este casamento


Por causa dos filhos, por muito tempo
Dez, vinte, trinta anos
Até se assustar com os seus cabelos brancos 

Um dia vai sentar numa cadeira de balanço


Vai lembrar do tempo em que tinha vinte anos
Vai lembrar de mim e se perguntar
Por onde esse cara deve estar?

E eu vou estar
Te esperando
Nem que já esteja velhinha gagá
Com noventa, viúva, sozinha
Não vou me importar
Vou ligar, te chamar pra sair
Namorar no sofá
Nem que seja além dessa vida
Eu vou estar
Te esperando 
O verbo “esperar”, que aparece logo no título da música cantada por Luan Santana, está no
gerúndio. O que o uso dessa forma nominal do verbo sugere a respeito do sentido que é
construído nessa canção?
a) O gerúndio do verbo sugere que uma ação concluída no passado.
b) O gerúndio do verbo sugere que a ação terminou no passado e retornou no presente.
c) O gerúndio do verbo sugere uma ação em andamento.
d) O gerúndio do verbo sugere uma ação que ainda ocorrerá.

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Letra c.
Conseguiu observar que a questão avalia uma forma nominal do verbo? Esse conteúdo foi
estudado em nossa aula, certo? Bom, o sentido da forma no gerúndio (“esperando”) é a de
denotar uma ação que se prolonga no tempo, uma ação que está em andamento (ou seja, no
momento presente e nos momentos futuros eu realizarei a ação de “esperar”).

Questão 37 (IBAM/ATENDENTE/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) “Condutor de ve-


ículo pesado desobedeceu__ordem de parada do agente de trânsito.”
Considerando as regras de regência verbal, assinale a alternativa que preenche corretamente
a lacuna acima.
a) à.
b) a.
c) por.
d) sob.

Letra a.
O verbo “desobedecer” rege preposição “a”. Como o termo “ordem de parada” aceita o artigo,
temos o fenômeno de crase: à. Em muitas, muitas questões a preposição “a” é avaliada em
questões de crase ok?

Questão 38 (FCC/SABESP/ENFERMEIRO/2014)
O conceito de indústria cultural foi criado por Adorno e Horkheimer, dois dos principais
integrantes da Escola de Frankfurt. Em seu livro de 1947, Dialética do esclarecimento, eles
conceberam o conceito a fim de pensar a questão da cultura no capitalismo recente. Na épo-
ca, estavam impactados pela experiência no país cuja indústria cultural era a mais avançada,
os Estados Unidos, local onde os dois pensadores alemães refugiaram-se durante a Segunda
Guerra.
Segundo os autores, a cultura contemporânea estaria submetida ao poder do capital,
constituindo-se num sistema que englobaria o rádio, o cinema, as revistas e outros meios -

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como a televisão, a novidade daquele momento -, que tenderia a conferir a todos os produtos
culturais um formato semelhante, padronizado, num mundo em que tudo se transformava em
mercadoria descartável, até mesmo a arte, que assim se desqualificaria como tal. Surgiria uma
cultura de massas que não precisaria mais se apresentar como arte, pois seria caracterizada
como um negócio de produção em série de mercadorias culturais de baixa qualidade. Não que
a cultura de massa fosse necessariamente igual para todos os estratos sociais; haveria tipos
diferentes de produtos de massa para cada nível socioeconômico, conforme indicações de
pesquisas de mercado. O controle sobre os consumidores seria mediado pela diversão, cuja
repetição de fórmulas faria dela um prolongamento do trabalho no capitalismo tardio.
Muito já se polemizou acerca dessa análise, que tenderia a estreitar demais o campo
de possibilidades de mudança em sociedades compostas por consumidores supostamente
resignados. O próprio Adorno chegou a matizá-la depois. Mas o conceito passou a ser muito
utilizado, até mesmo por quem diverge de sua formulação original. Poucos hoje discordariam
de que o mundo todo passa pelo “filtro da indústria cultural”, no sentido de que se pode cons-
tatar a existência de uma vasta produção de mercadorias culturais por setores especializados
da indústria.
Feita a constatação da amplitude alcançada pela indústria cultural contemporânea, são
várias as possibilidades de interpretá-la. Há estudos que enfatizam o caráter alienante das
consciências imposto pela lógica capitalista no âmbito da cultura, a difundir padrões culturais
hegemônicos. Outros frisam o aspecto da recepção do espectador, que poderia interpretar
criativamente - e não de modo resignado - as mensagens que lhe seriam passadas, ademais,
de modo não unívoco, mas com multiplicidades possíveis de sentido.
Considerando-se o contexto, mantêm-se a correção e o sentido original substituindo-se:
a) conforme por “como demonstra” (2º parágrafo).
b) ademais por “em demasia” (4º parágrafo).
c) a fim de por “para” (1º parágrafo).
d) acerca por “quanto a” (3º parágrafo).
e) pois por “por que” (2º parágrafo).

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Letra c.
Em (a), a substituição deveria ser “como demonstram”, no plural.
Em (b), a forma “ademais” não significa “em demasia”. O significado correto de “ademais” é
“além disso”.
Em (d), “acerca de” significa “sobre”, não “quanto a”.
Em (e), por fim, a grafia de “por que” não é a adequada para substituir “pois”. A forma adequada
é “porque”.

Questão 39 (FCC/TCE-GO/ANALISTA/2014) “O esquema de plantio em que se varia o tipo de


planta...”
Mantendo-se a correção e, em linhas gerais, o sentido, o elemento destacado acima pode
ser substituído por:
a) do qual
b) com o que
c) aonde
d) por meio do qual
e) cujo

Letra d.
Uma boa maneira de verificar a substituição adequada é substituir o trecho original por
cada uma das alternativas.
Parece uma solução boba, mas a nossa intuição linguística é uma boa aliada nesse tipo de
questão.
Outra maneira é verificar as impossibilidades gramaticais. Em (e), é impossível utilizar “cujo”
seguido de verbo. A forma “aonde”, em (c), é somente complemento de verbo que rege comple-
mento preposicionado e locativo. Em (a) e (b), a semântica é distinta da forma original.

Questão 40 (FCC/TRE-SE/TÉCNICO/2015) Hoje, quando o mundo está em crise, parece mais


importante que nunca aprender um pouco de economia. As notícias econômicas agora são o

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assunto principal em jornais e programas de TV. No entanto, será que realmente sabemos o
que é economia? 
A palavra vem do grego oikonomia, que significa “administração da casa”, e passou a significar
o estudo das maneiras de gerir os recursos e, mais especificamente, a produção e a permuta
de bens e serviços. A economia moderna surgiu como disciplina específica no século XVIII, so-
bretudo com a publicação em 1776 de A riqueza das nações, livro escrito pelo grande pensador
escocês Adam Smith. Contudo, o que motivou o interesse no assunto não foram os textos de
economistas, mas as enormes mudanças na própria economia com o advento da Revolução
Industrial. Os pensadores mais antigos haviam falado da gestão de bens e serviços nas socie-
dades, tratando de questões que surgiram como problemas da filosofia moral ou política. Mas,
com o surgimento das fábricas e da produção de bens em massa, veio uma nova era de orga-
nização econômica que dava atenção ao todo. Aí começou a chamada economia de mercado. 
A análise de Smith do novo sistema definiu o padrão, com uma explicação abrangente do
mercado competitivo. Ele afirmou que o mercado é guiado por uma “mão invisível”, de modo
que as ações racionais de indivíduos interesseiros acabam dando à sociedade exatamente o
que ela necessita. Smith era filósofo, e o tema de seu livro incluía política, história, filosofia e
antropologia. Depois dele, surgiu uma nova geração de pensadores econômicos, que preferiu
se concentrar totalmente na economia.
O termo Contudo, em destaque no segundo parágrafo, tem valor:
a) explicativo, e equivale a Pois.
b) conclusivo, e equivale a Então.
c) final, e equivale a Para tanto.
d) adversativo, e equivale a Porém.
e) conformativo, e equivale a Conforme.

Letra d.
No texto, o valor da conjunção “contudo” é claramente adversativo, equivalendo a “porém”,
“entretanto”.

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Questão 41 (FCC/TRT-15ª/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2015) Ambas as palavras têm certa equi-


valência no tocante ao seu sentido intermediário...
Mantendo-se o sentido e a correção gramatical, o segmento destacado acima pode ser subs-
tituído, sem que nenhuma outra alteração seja feita na frase, por:
a) quanto à
b) com relação a
c) já que
d) uma vez que
e) salvo

Letra b.
A alternativa (a) é excluída porque não pode haver crase (o termo “seu sentido” é masculino e
não aceita artigo “a”). As alternativas (c), (d) e (e) fogem à semântica da expressão original.
Assim, resta a alternativa (b):
“Ambas as palavras têm certa equivalência com relação ao seu sentido intermediário”.

Questão 42 (FCC/TRT-21ª/TÉCNICO/2017) É compreensível imaginar que, dentro do contex-


to de uma arte de tantos séculos como o teatro, o clichê “nada se cria, tudo se copia” já seja
uma máxima. Alguns estudiosos da dramaturgia dizem que tal frase é perfeitamente aplicável.
O curioso, no entanto, é constatar a rapidez com que o cinema, que tem menos de 120 anos de
vida, tem incorporado essa máxima.
No século 21, é em Hollywood que essa tendência aparece com maior força. Praticamente
todos os sucessos de bilheteria da indústria cinematográfica norte-americana são adaptações
de quadrinhos, livros, videogames ou programas de TV que fizeram sucesso. A indústria da
adaptação tornou-se tão forte que existe uma massa de escritores com contratos fixos com
alguns estúdios, o que significa que escrevem obras literárias já pensando em sua adaptação
para o cinema. O roteiro original, portanto, tornou-se um artigo de luxo no cinema norte-ame-
ricano.

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Em Hollywood, tal fenômeno é compreensível. A razão para que haja uma alta sem preceden-
tes das adaptações é o medo do risco em tempos de crise econômica, que faz com que os
estúdios apostem em histórias já testadas e aprovadas por leitores. Essa estratégia, apesar de
não garantir êxito de bilheteria, reduz o risco de apostar todas as fichas em histórias inéditas.
No Brasil, as adaptações também viraram moda, uma vez que, nos primeiros anos do século
21, os filmes mais comentados vieram de livros e outras formas de expressão artística.
O segmento em que se observa uma conclusão a que se chegou a partir das ideias expos-
tas na oração anterior está em: 
a) ... o cinema, que tem menos de 120 anos de vida... (1° parágrafo)
b) ... uma vez que [...] os filmes mais comentados vieram de livros e outras formas de expres-
são artística. (último parágrafo) 
c) Essa estratégia, apesar de não garantir êxito de bilheteria... (3° parágrafo)
d) ... dentro do contexto de uma arte de tantos séculos como o teatro... (1° parágrafo)
e) O roteiro original, portanto, tornou-se um artigo de luxo no cinema norte-americano. (2° pa-
rágrafo)

Letra e.
A noção de conclusão será expressa pela conjunção “portanto”, na alternativa (e). Todos os
outros trechos expressam outras noções que não a de conclusão.

Questão 43 (FCC/TRT-23ª/ANALISTA/2016)
Nasci na Rua Faro, a poucos metros do Bar Joia, e, muito antes de ir morar no Leblon,
o Jardim Botânico foi meu quintal. Era ali, por suas aleias de areia cor de creme, que eu ca-
minhava todas as manhãs de mãos dadas com minha avó. Entrávamos pelo portão principal
e seguíamos primeiro pela aleia imponente que vai dar no chafariz. Depois, íamos passear à
beira do lago, ver as vitórias-régias, subir as escadarias de pedra, observar o relógio de sol. Mas
íamos, sobretudo, catar mulungu.
Mulungu é uma semente vermelha com a pontinha preta, bem pequena, menor do que
um grão de ervilha. Tem a casca lisa, encerada, e em contraste com a pontinha preta seu ver-

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melho é um vermelho vivo, tão vivo que parece quase estranho à natureza. É bonita. Era um
verdadeiro prêmio conseguir encontrar um mulungu em meio à vegetação, descobrir de repen-
te a casca vermelha e viva cintilando por entre as lâminas de grama ou no seio úmido de uma
bromélia. Lembro bem com que alegria eu me abaixava e estendia a mão para tocar o pequeno
grão, que por causa da ponta preta tinha uma aparência que a mim lembrava vagamente um
olho.
Disse isso à minha avó e ela riu, comentando que eu era como meu pai, sempre presta-
va atenção nos detalhes das coisas. Acho que já nessa época eu olhava em torno com olhos
mínimos. Mas a grandeza das manhãs se media pela quantidade de mulungus que me restava
na palma da mão na hora de ir para casa. Conseguia às vezes juntar um punhado, outras vezes
apenas dois ou três. E é curioso que nunca tenha sabido ao certo de onde eles vinham, de que
árvore ou arbusto caíam aquelas sementes vermelhas. Apenas sabíamos que surgiam no chão
ou por entre as folhas e sempre numa determinada região do Jardim Botânico.
Mas eu jamais seria capaz de reconhecer uma árvore de mulungu. Um dia, procurei no
dicionário e descobri que mulungu é o mesmo que corticeira e que também é conhecido pelo
nome de flor-de-coral. ‘’Árvore regular, ornamental, da família das leguminosas, originária da
Amazônia e de Mato Grosso, de flores vermelhas, dispostas em racimos multifloros, sendo as
sementes do fruto do tamanho de um feijão (mentira!), e vermelhas com mácula preta (isto,
sim)’’, dizia.
Mas há ainda um outro detalhe estranho – é que não me lembro de jamais ter visto uma
dessas sementes lá em casa. De algum modo, depois de catadas elas desapareciam e hoje me
pergunto se não era minha avó que as guardava e tornava a despejá-las nas folhagens todas
as manhãs, sempre que não estávamos olhando, só para que tivéssemos o prazer de encontrá-
-las. O fato é que não me sobrou nenhuma e elas ganharam, talvez por isso, uma aura de magia,
uma natureza impalpável. Dos mulungus, só me ficou a memória − essa memória mínima.
O segmento destacado que introduz uma explicação encontra-se em:
a) ... só para que tivéssemos o prazer de encontrá-las. (5° parágrafo)
b) ... é que não me lembro de jamais ter visto... (5° parágrafo)
c) Depois, íamos passear à beira do lago... (1° parágrafo)
d) O fato é que não me sobrou nenhuma... (5° parágrafo)

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Emprego e Sentido das Classes Gramaticais – Parte II
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e) ... estendia a mão para tocar o pequeno grão... (2° parágrafo)

Letra b.
As expressões em (a), (c), (d) e (e) denotam as seguintes noções (distintas da ideia de expli-
cação):
a) finalidade
c) sequenciação temporal
d) estrutura subordinada (o que é conjunção integrante)
e) finalidade
Em (b), é possível substituir a expressão “é que” por “pois”, “porque”. Isso comprova o valor
explicativo da construção.

Questão 44 (VUNESP/PREFEITURA DE MARÍLIA-SP/AUXILIAR/2017)


Voluntários respondem a cartas enviadas para Julieta
Junto à Casa de Julieta fica a sala do Clube de Julieta. O projeto existe oficialmente faz 30
anos e tem voluntários para responder, em diversas línguas, a cartas enviadas de todo o mun-
do para Julieta, conhecida personagem da obra de Shakespeare.
As cartas normalmente são tristes e sobre problemas em relacionamentos amorosos. Afinal,
por mais que a famosa história seja romântica, também é bastante trágica.
Para os casos mais delicados, envolvendo, por exemplo, risco de suicídio, o clube tem a contri-
buição de um médico especialista.
Desde os anos de 1930, cartas são enviadas a Verona; mas só nos anos de 1980 a entidade foi
criada oficialmente com apoio do governo.
O projeto ficou ainda mais famoso com o filme “Cartas para Julieta” (2010), em que a prota-
gonista se junta aos voluntários do grupo e tenta ajudar pessoalmente a mulher a quem acon-
selhou. No ano que se seguiu ao filme, quase 4.000 cartas foram recebidas, segundo o Clube.
Há caixas de correio e computadores na Casa de Julieta para enviar mensagens. Por outro
lado, uma placa na entrada alerta que escrever nas paredes – a exemplo de inúmeras picha-
ções no hall de entrada – pode ser punido com multa de até € 1.039 ou prisão por até um ano.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/fx2909201111.htm.

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Considere os trechos do texto.


Junto à casa de Julieta fica a sala do Clube de Julieta. (1° parágrafo)
… e tem voluntários para responder, em diversas línguas, a cartas enviadas… (1° parágrafo)
… nos anos de 1980 a entidade foi criada oficialmente com apoio do governo. (4° parágrafo)
As preposições destacadas estabelecem entre as palavras, correta e respetivamente, as
relações de:
a) posse, finalidade e companhia.
b) posse, movimento e causa.
c) lugar, finalidade e causa.
d) consequência, movimento e companhia.
e) lugar, finalidade e simultaneidade.

Letra a.
Observe que a banca está solicitando o sentido da preposição (a sua semântica) e a ordem
das alternativas.
No primeiro caso, a preposição “de” expressa posse (a casa pertence a Julieta). No segundo
caso, a preposição “para” expressa finalidade (tem voluntários com a finalidade de responder).
Por fim, a preposição “com” expressa companhia.
A ordem correta, então, é a seguinte: posse, finalidade e companhia.

Questão 45 (VUNESP/UNIFESP/TÉCNICO/2016)
É permitido sonhar
Os bastidores do vestibular são cheios de histórias – curiosas, estranhas, comoventes. O jo-
vem que chega atrasado por alguns segundos, por exemplo, é uma figura clássica, e patética.
Mas existem outras figuras capazes de chamar a atenção.
Takeshi Nojima é um caso. Ele fez vestibular para a Faculdade de Medicina da Universidade
do Paraná. Veio do Japão aos 11 anos, trabalhou em várias coisas, e agora quer começar uma
carreira médica.
Nada surpreendente, não fosse a idade do Takeshi: ele tem 80 anos. Isto mesmo, 80. Numa
fase em que outros já passaram até da aposentadoria compulsória, ele se prepara para iniciar

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nova vida. E o faz tranquilo: “Cuidei de meus pais, cuidei dos meus filhos. Agora posso realizar
um sonho que trago da infância”.
Não faltará quem critique Takeshi Nojima: ele está tirando o lugar de jovens, dirá algum darwi-
nista social. Eu ponderaria que nem tudo na vida se regula pelo critério cronológico. Há pais
que passam muito pouco tempo com os filhos e nem por isso são maus pais; o que interessa
é a qualidade do tempo, não a quantidade. Talvez a expectativa de vida não permita ao vestibu-
lando Nojima uma longa carreira na profissão médica. Mas os anos, ou meses, ou mesmo os
dias que dedicar a seus pacientes terão em si a carga afetiva de uma existência inteira.
Não sei se Takeshi Nojima passou no vestibular; a notícia que li não esclarecia a respeito. Mas
ele mesmo disse que isto não teria importância: se fosse reprovado, começaria tudo de novo.
E aí de novo ele dá um exemplo. Os resultados do difícil exame trazem desilusão para muitos
jovens, e não são poucos os que pensam em desistir por causa de um fracasso. A estes eu
digo: antes de abandonar a luta, pensem em Takeshi Nojima, pensem na força de seu sonho.
Sonhar não é proibido. É um dever.
Moacyr Scliar. Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar, 1996.
Assinale a alternativa em que a preposição “de” expressa sentido de origem.
a) Mas existem outras figuras capazes de chamar a atenção.
b) “Agora posso realizar um sonho que trago da infância”.
c) Nada surpreendente, não fosse a idade do Takeshi...
d) ... pensam em desistir por causa de um fracasso.
e) E aí de novo ele dá um exemplo.

Letra b.
A preposição “de” pode expressar diversos sentidos. Na questão, pede-se que se identifique a
semântica de origem. Em (b), está clara a ideia de que a origem do sonho remonta à infância,
ou seja, se origina no período vivido na infância. Em nenhuma outra opção há esse tipo de valor
semântico.

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Questão 46 (FUMARC/SEBRAE NACIONAL/AGENTE/2013) Os termos destacados nas al-


ternativas abaixo desempenham a mesma função sintática, EXCETO o que se apresenta
em:
a) Na qualidade de ambientes propícios à divulgação científica [...].
b) A falta de maiores considerações acerca de tais aspectos [...].
c) […] capaz de descrever a essência dos fenômenos naturais.
d) Ao tratarem de fenômenos e de pressupostos científicos [...].

Letra b.
Para resolver rapidamente essa questão, basta observar a existência ou não de preposição. Os
termos destacados em (a), (c) e (d) são todos introduzidos por preposições. Em (b), diferen-
temente, o termo destacado não é introduzido por preposição. Assim, podemos afirmar que a
função sintática de (b) é diferente das demais, pois não está preposicionado. Isso basta para
resolver a questão.

Questão 47 (FADESP/AGENTE/PREFEITURA DE BREVES-PA/2012) No enunciado “‘Bons mé-


dicos não devem, portanto, somente olhar para a presença de fatores de risco ou doenças’”, a
palavra destacada introduz uma
a) alternativa.
b) conclusão.
c) explicação.
d) consequência.

Letra b.
O valor da conjunção “portanto” é de conclusão e equivale às formas “logo”, “por conseguinte”,
“consequentemente”, “por isso”, “assim sendo”, “desse modo”, “pois”.

Questão 48 (INSTITUTO AOCP/INVESTIGADOR/PC-ES/2019) Assinale a alternativa cujo co-


nectivo apresentado relaciona corretamente as seguintes frases, preservando-lhes o sentido:
“Não deixe luzes acesas durante o dia. Isso significa que não há ninguém em casa.”

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a) Porque.
b) Embora.
c) Também.
d) Contudo.
e) Portanto.

Letra a.
A relação entre os períodos é de explicação. A razão de X se justifica (é explicada) por Y. O
termo adequado, assim, é uma conjunção explicativa: “porque”, “pois”.

Questão 49 (IBAM/AUXILIAR/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) Assinale a alterna-


tiva que completa correta e respectivamente os períodos a seguir, empregando as palavras:
mim e eu.
I – Essa blusa é para________ e não para minha irmã.
II – Um sorriso é a menor distância entre________ e você.
III – Na gravidez, seria muito difícil para________fazer um curso de inglês.

a) I- mim, II- eu, III- eu.


b) I- eu, II- eu, III- eu.
c) I- eu, II- mim, III- eu.
d) I- mim, II- mim, III- eu.

Letra d.
Na primeira lacuna, a forma pronominal pessoal é complemento de preposição, e por isso deve
ter forma oblíqua tônica: mim. Assim, eliminamos as alternativas (b) e (c). O mesmo ocorre na
segunda lacuna: a forma pronominal pessoal é complemento da preposição entre, e por isso
deve assumir a forma mim. Eliminamos, assim, a alternativa (a). Por fim, a última lacuna deve
ser preenchida por forma pronominal pessoal reta, a qual exerce função de sujeito da oração
infinitiva: eu.

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Questão 50 (IBAM/AUXILIAR/PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ-SP/2015) Considere os se-


guintes trechos do texto.
“Saí da sala aliviada por minha ausência de manchas, mas um tanto constrangida...”
“Por isso, acabo achando normal usar todo este equipamento...”
As palavras destacadas estabelecem, no texto, respectivamente, uma relação de:
a) condição e causa.
b) oposição e conclusão.
c) conclusão e oposição.
d) tempo e conclusão.

Letra b.
A primeira conjunção (mas) expressa valor adversativo (oposição), equivalendo a “no entanto”,
“todavia”. A segunda conjunção (por isso) expressa valor de conclusão, equivalendo a “pois”,
“logo”.

Questão 51 (IBAM/ASSISTENTE/PREF. SANTO ANDRÉ-SP/2015) O trecho abaixo será uti-


lizado na resolução da questão.
“Até mesmo o churrasco comparece à lista, na medida em que é processado sob fumaça que
produz alcatrão”
A expressão “até mesmo”, no caso, é indicativa de:
a) lapso temporal.
b) inclusão.
c) adversidade.
d) finalidade.

Letra b.
Veja que a forma “Até mesmo” pode ser substituída por “inclusive”: “Inclusive o churrasco com-
parece...”. Por isso, o valor é de INCLUSÃO.

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Questão 52 (IBAM/ENFERMEIRO/PREFEITURA DE LEOPOLDINA-MG/2010) Os conectivos


ou palavras de ligação, além de fazerem a ligação entre frases ou partes de frases, estabele-
cem relações de sentido importantes nos textos.
O conectivo “para” estabelece relação de finalidade no seguinte exemplo do texto:
a) “Para a enorme maioria das pessoas a melhor proteção social é ter um emprego.”
b) “programas que sirvam de amparo para os mais vulneráveis”
c) “em níveis altos demais para um país com o potencial do Brasil”
d) “não são necessários enormes investimentos para transformar as oportunidades”

Letra d.
Um critério interessante para estabelecer se a preposição “para” possui valor de FINALIDADE é
verificar se é possível substituí-la por alguma dessas formas: “com o objetivo de”; “com a finali-
dade de”; “a fim de”. Apenas na sentença em (d) isso é possível: “não são necessários enormes
investimentos com o objetivo de/com a finalidade de/a fim de transformar as oportunidades”

Questão 53 (IBAM/AGENTE/PREFEITURA DE SÃO BERNAR DO CAMPO-SP/2012) Assinale a


opção cujo elemento destacado denota ideia de explicação.
a) “... acusando-o de preconceito racial, pois criou entre outras a deliciosa personagem da co-
zinheira Tia Nastácia”.
b) “Primeiro, vamos deletar a palavra “negro” quando se refere à raça e pessoas, embora tenha-
mos uma banda Raça Negra...”.
c) “Ora, para tentar um empreendimento desse vulto, como suspender um dicionário de tal
peso...”.
d) “Há coisas muito mais importantes a fazer neste país, como estimular o cuidado com a
educação”.

Letra a.
A conjunção “pois” após uma vírgula é forte indício de oração explicativa – e é isso o que ob-
servamos na construção em (a). Nas demais alternativas, as conjunções expressam outros
valores que não explicação.

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Questão 54 (IBFC/POLÍCIA CIENTÍFCIA-PR/ODONTOLEGISTA/2017) Considere o período


abaixo para responder à questão.
“Operou o cérebro de uma mulher de 28 anos, grávida de 37 semanas, para retirar um tumor
benigno que comprimia o nervo óptico a ponto de ser improvável que ela pudesse enxergar seu
bebê quando nascesse.”
A preposição destacada no trecho acima contribui para a coesão do texto introduzindo o valor
semântico de: 
a) concessão. 
b) finalidade. 
c) adversidade. 
d) explicação.
e) consequência. 

Letra b.
A preposição “para” possui valor semântico de finalidade quando pode ser substituída pelas
expressões “com o objetivo de”, “com a finalidade de”, “com o propósito de”, “com o intuito de”.
É exatamente esse o caso do trecho em análise:
“com o objetivo de/com a finalidade de retirar um tumor benigno que comprimia”.

Questão 55 (VUNESP/CÂMARA DE CÓRREGOS-SP/CONTABILIDADE/2018) Assinale a alter-


nativa cujo termo para, em destaque, expressa ideia de finalidade.
a) A economia cresce encontrando soluções, em geral tecnológicas, para reduzir ineficiências...
b) Quem abandonou a roça foi para cidades, integrando a força de trabalho da indústria e dos
serviços.
c) Esse processo pode ser cruel para com indivíduos que ficam sem emprego...
d) O mesmo vale para outros apetrechos que você possa ter, mas são subutilizados.
e) Dá para descrever isso como a destruição de riqueza.

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Letra a.
Uma das noções semânticas expressas com mais frequência pela preposição “para” é a de
finalidade. Um recurso para identificar esse uso é a possibilidade de se substituir a preposição
“para” por expressões como “com a finalidade de”. Isso é possível na opção (a):
“com a finalidade de reduzir ineficiências”.
Nas outras alternativas, as noções semânticas expressas pela preposição “para” são outras.

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REFERÊNCIAS
BECHARA, E. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: YHL, 1999.

CAMARA Jr., J. M. Estrutura da língua portuguesa. 10. ed. Petrópolis: Editora Vozes Ltda.,
1980.

CUNHA, C.; CINTRA, L. Nova gramática do português contemporâneo. 5. ed. Rio de Janeiro:
Lexicon, 2008.

HAUY, A. Gramática da língua portuguesa padrão: com comentários e exemplário. São Paulo:
Editora da USP, 2014.

HOUAISS, A. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Editora Objetiva.
2009.

RAPOSO, E. (Org.). Gramática do português. Vol. 1. Lisboa, Portugal: Fundação Calouste Gul-
benkian. 2013.

ROCHA LIMA. Gramática normativa da língua portuguesa. 49. ed. Rio de Janeiro: José Olym-
pio, 2011.

RODRIGUES, V. Dicionário Houaiss de verbos da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva,


2003.

SCHWINDT, L. (Org.) Manual de linguística: fonologia, morfologia e sintaxe. Petrópolis, RJ: Vo-
zes, 2014.

Bruno Pilastre
Doutor em Linguística pela Universidade de Brasília. É autor de obras didáticas de Língua Portuguesa
(Gramática, Texto, Redação Oficial e Redação Discursiva). Pela Editora Gran Cursos, publicou o “Guia
Prático de Língua Portuguesa” e o “Guia de Redação Discursiva para Concursos”. No Gran Cursos Online,
atua na área de desenvolvimento de materiais didáticos (educação e popularização de C&T/CNPq: http://
lattes.cnpq.br/1396654209681297).

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