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Ética e Deontologia

Do grego “ethiké” ou do latim “ethica” (ciência relativa aos costumes), ética é o


domínio da filosofia que tem por objectivo o juízo de apreciação que distingue o bem e
o mal, o comportamento correcto e o incorrecto. Os princípios éticos constituem-se
enquanto directrizes, pelas quais o homem rege o seu comportamento, tendo em vista
uma filosofia moral dignificante. Os códigos de ética são dificilmente separáveis da
deontologia profissional, pelo que não é pouco frequente os termos ética e deontologia
serem utilizados indiferentemente.

O termo Deontologia surge das palavras gregas “déon, déontos” que significa dever e
“lógos” que se traduz por discurso ou tratado. Sendo assim, a deontologia seria o tratado
do dever ou o conjunto de deveres, princípios e normas adoptadas por um determinado
grupo profissional. A deontologia é uma disciplina da ética especial adaptada ao
exercício da uma profissão.

Existem inúmeros códigos de deontologia, sendo esta codificação da responsabilidade


de associações ou ordens profissionais. Regra geral, os códigos deontológicos têm por
base as grandes declarações universais e esforçam-se por traduzir o sentimento ético
expresso nestas, adaptando-o, no entanto, às particularidades de cada país e de cada
grupo profissional. Para além disso, estes códigos propõem sanções, segundo princípios
e procedimentos explícitos, para os infractores do mesmo. Alguns códigos não
apresentam funções normativas e vinculativas, oferecendo apenas uma função
reguladora. A declaração dos princípios éticos dos psicólogos da Associação dos
Psicólogos Portugueses, por exemplo, é exclusivamente um instrumento consultivo.
Embora os códigos pretendam oferecer uma reserva moral ou uma garantia de
conformidade com os Direitos Humanos, estes podem, por vezes, constituir um perigo
de monopolização de uma determinada área ou grupo de questões, relativas a toda a
sociedade, por um conjunto de profissionais.

APA(2017)

Esta seção consiste em Princípios Gerais. Os Princípios Gerais, em oposição aos


Padrões Éticos, são de natureza aspiracional. Sua intenção é orientar e inspirar
psicólogos em direção aos mais elevados ideais éticos da profissão. Os Princípios
Gerais, ao contrário dos Padrões Éticos, não representam obrigações e não devem
constituir a base para a imposição de sanções. Basear-se nos Princípios Gerais por
qualquer uma dessas razões distorce seu significado e propósito.

Princípio A: Beneficência e não maleficência


Os psicólogos se esforçam para beneficiar aqueles com quem trabalham e tomam
cuidado para não causar danos. Em suas ações profissionais, os psicólogos buscam
salvaguardar o bem-estar e os direitos daqueles com quem interagem profissionalmente
e de outras pessoas afetadas, e o bem-estar dos animais sujeitos de pesquisa. Quando
ocorrem conflitos entre as obrigações ou preocupações dos psicólogos, eles tentam
resolvê-los de uma forma responsável que evita ou minimiza os danos. Como os
julgamentos e ações científicos e profissionais dos psicólogos podem afetar a vida de
outras pessoas, eles estão alertas e se protegem contra fatores pessoais, financeiros,
sociais, organizacionais ou políticos que podem levar ao mau uso de sua influência. Os
psicólogos se esforçam para estar cientes dos possíveis efeitos de sua própria saúde
física e mental em sua capacidade de ajudar aqueles com quem trabalham.

Princípio B: Fidelidade e responsabilidade


Os psicólogos estabelecem relações de confiança com aqueles com quem trabalham.
Eles estão cientes de suas responsabilidades profissionais e científicas para com a
sociedade e as comunidades específicas em que atuam. Os psicólogos defendem os
padrões de conduta profissional, esclarecem suas funções e obrigações profissionais,
aceitam a responsabilidade apropriada por seu comportamento e procuram administrar
conflitos de interesse que possam levar à exploração ou dano. Os psicólogos consultam,
referem-se ou cooperam com outros profissionais e instituições na medida do necessário
para servir os melhores interesses daqueles com quem trabalham. Preocupam-se com o
cumprimento ético da conduta científica e profissional de seus colegas. Os psicólogos se
esforçam para contribuir com uma parte de seu tempo profissional com pouca ou
nenhuma compensação ou vantagem pessoal.

Princípio C: Integridade
Os psicólogos procuram promover a precisão, a honestidade e a veracidade na ciência,
no ensino e na prática da psicologia. Nessas atividades, os psicólogos não roubam,
trapaceiam ou se envolvem em fraudes, subterfúgios ou deturpação intencional de fatos.
Os psicólogos se esforçam para cumprir suas promessas e evitar compromissos
imprudentes ou pouco claros. Em situações em que o engano pode ser eticamente
justificável para maximizar os benefícios e minimizar os danos, os psicólogos têm a
séria obrigação de considerar a necessidade, as possíveis consequências e a
responsabilidade de corrigir qualquer desconfiança resultante ou outros efeitos
prejudiciais que surjam do uso de tais técnicas.

Princípio D: Justiça
Os psicólogos reconhecem que a imparcialidade e a justiça conferem a todas as pessoas
o direito de acessar e se beneficiar das contribuições da psicologia e de igual qualidade
nos processos, procedimentos e serviços conduzidos por psicólogos. Os psicólogos
exercem um julgamento razoável e tomam precauções para garantir que seus potenciais
preconceitos, os limites de sua competência e as limitações de sua especialização não
levem a práticas injustas nem sejam toleradas.

Princípio E: Respeito pelos Direitos e Dignidade das Pessoas


Os psicólogos respeitam a dignidade e o valor de todas as pessoas e os direitos dos
indivíduos à privacidade, confidencialidade e autodeterminação. Os psicólogos estão
cientes de que salvaguardas especiais podem ser necessárias para proteger os direitos e
o bem-estar de pessoas ou comunidades cujas vulnerabilidades prejudicam a tomada de
decisão autônoma. Os psicólogos estão cientes e respeitam as diferenças culturais,
individuais e de função, incluindo aquelas baseadas em idade, gênero, identidade de
gênero, raça, etnia, cultura, nacionalidade, religião, orientação sexual, deficiência,
idioma e status socioeconômico, e considere estes fatores ao trabalhar com membros de
tais grupos. Os psicólogos tentam eliminar o efeito de preconceitos baseados nesses
fatores em seu trabalho e não participam ou toleram atividades de terceiros com base em
tais preconceitos.

PSIPLP(2013)

A ideia da criação da Psicologia nos Países de Língua Portuguesa surgiu no início de


2012,  quando foi realizado um planejamento estratégico no Conselho Federal de
Psicologia que deliberou pela ampliação do diálogo com a Psicologia destes países.

A partir de então, foram desenvolvidas ações ao longo de 2012, em especial a realização


do 1º  seminário da Psicologia dos Países de Língua Portuguesa, em abril de 2012, em
Lisboa,  que contou com a participação de Angola, Moçambique, Cabo Verde e
Portugal. Na ocasião, foram debatidos temas prioritários para o início dos trabalhos,
como o intercâmbio de profissionais e as regras de convalidação dos diplomas para o
exercício profissional.

Em abril foi  firmado, durante o I  Encontro,  um termo de cooperação entre o CFP e os


demais países presentes. O termo objetivou não só o intercâmbio entre a Psicologia dos
diversos países, mas também a atuação conjunta para o desenvolvimento da Psicologia
em níveis científicos, culturais, sociais  e de pesquisa, docência.

Assim, com o termo, os países se comprometeram a colocar em prática as diferentes


linhas de trabalho, tais como a divulgação da Psicologia nos Países CPLP, intercâmbio
de publicações impressas e/ou áudio visuais, estabelecimento da rede de psicologia dos
países e a criação de uma comunidade de língua portuguesa.

Outros temas que naquele momento foram acordados como sendo preocupação de todos
os países e que foram divididos foram os seguintes: Direitos humanos, que ficou com
Moçambique; Formação, com Cabo Verde; Saúde Mental, que ficou com Portugal;
Avaliação Psicológica, com Angola; e mundo digital, apresentado pelo Brasil.

O segundo encontro ocorreu em São Paulo, durante a 2ª Mostra Nacional de Práticas em


Psicologia, que também contou com a exibição de trabalhos dos países e diversas
reuniões. Na ocasião, foi elaborada uma nova agenda estratégica, novos acordos
multilaterais e assumido o compromisso de encontros regulares de trabalhos.

Já no III Seminário da Psicologia nos Países de Língua Portuguesa, que ocorreu na


cidade de Mindelo, em Cabo Verde, em abril de 2013, foi assinado um  convênio
multilateral que prevê, dentre outros pontos, a cooperação técnica e a definição de uma
linha de atuação e colaboração para a melhora constante da profissão de psicóloga (o)
nos países participantes nos níveis científicos, de pesquisa, de docência e social.

Durante o III Seminário foram criados quatro Grupos de Trabalhos (GTs), que
produziram um documento detalhando as diretrizes de atuação. O produto do trabalho
dos GTs será apresentado no IV Seminário, que vai ocorrer nos dias 5, 6 e 7 de
dezembro em Luanda, Angola.

Conheça o trabalho de cada GT, que conta com a presença de um membro de cada país:

1º Coordenado pelo Brasil e tem como objetivo construir o portal da Psicologia de


língua portuguesa.

2º Também coordenado pelo Brasil, está responsável pela elaboração da proposta de


curso de especialização em avaliação psicológica e Direitos Humanos para os cinco
países.

3º Coordenado por Cabo Verde, vai elaborar referências técnicas para atuação das (os)
psicólogas (os) dos cinco países nos casos de exploração sexual e comercial de crianças
e adolescentes. Ou seja, vai estabelecer políticas de proteção às crianças e adolescentes
vítimas de violência e de exploração sexual.

4º É coordenado por Portugal e fica encarregado de desenvolver uma proposta para


afirmação da Psicologia nos cinco países.

Além do convênio, Brasil e Portugal assinaram o “Protocolo de Cooperação entre a


Ordem dos Psicólogos Portugueses e o CFP do Brasil”, que estabeleceu as linhas gerais
de intercâmbio e o reconhecimento de profissionais de ambos os países com o objetivo
de possibilitar a prestação de serviços de caráter temporário e permanente. Ambos os
acordos têm validade de cinco anos.

Sobre a Psicologia em cada país:

Angola

tem aproximadamente 20 mil habitantes. Desses, 420 são psicólogos registrados pela
Ordem de Psicólogos de Angola. O idioma é português e , principais línguas nacionais
são  Umbundu, Kimundu, Kikongo. Os psicólogos são mais vistos na clínica, área de
saúde mental e também na área organizacional. É comemorado o dia do psicólogo em
10 de dezembro e o Código de Ética ainda não está em vigor, mas está sendo discutido e
construído.

Cabo Verde

tem uma população de 499.796 habitantes, não há como precisar o número de


psicólogos, pois o registro não é obrigatório. Não há lei que regulamenta a profissão, e a
entidade responsável é a Associação de Psicólogos de Cabo Verde. Para atuar como
psicólogo,l apenas o clínico tem que ter carteira profissional passada pela Delegacia de
Saúde. As principais áreas da Psicologia são a  educacional e a clínica e o dia do
psicólogo é comemorado em  11 de abril.
Moçambique

Tem 22 mil habitantes. O número de psicólogos nos serviços de psiquiatria e saúde


mental são 86. As  principais áreas da Psicologia são  a Psicologia e pedagogia, clínica,
social, das organizações, necessidades educativas especiais, orientação escolar e
profissional. Não há lei que regulamenta a profissão, somente na área da saúde há
entidade responsável pela organização e supervisão da profissão que é o Ministério da
Saúde. Para atuar é preciso registro profissional. O Código de Ética não existe e está em
fase de elaboração pela Ordem de Psicólogos de Moçambique.

Portugal

A Lei 57/2008, de 4 de setembro,  criou a Ordem de Psicólogos Portugueses que tem a


exclusividade da atribuição do título profissional pela inscrição obrigatória na ordem.
As principais áreas da Psicologia são: saúde, educação, organizacional, justiça,
segurança social e desporto. São 24.453 psicólogos inscritos,  o equivalente a  0,23% da
população portuguesa. A profissão no país possui um Código Deontológico.

Brasil

O Brasil tem cerca de 216 mil psicólogos cadastrados no Conselho Federal de


Psicologia. Há uma lei que regulamenta a profissão, que completou 50 anos em 27 de
agosto de 2012.  Para trabalhar no país só é considerado psicólogo quem tem a
graduação e o registro  no conselho de classe, que é órgão de orientação e fiscalização
da profissão. Este órgão acolhe queixas éticas que advirem da comunidade ou de outros
profissionais de qualquer fonte da queixa que será apurada.

O Conselho Federal é uma autarquia federal com sede em Brasília e possui  Conselhos
Regionais em 22   Estados Federativos.

A Psicologia hoje possui psicólogos praticamente em todos os Ministérios dos


Governos Federal, Estadual e Municipal.

http://psi-plp.org/psi-plp/o-que-e/

https://www.psicologia.pt/instrumentos/etica.php

https://www.apa.org/ethics/code
https://www.google.com/url?
sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&ved=2ahUKEwiw3dPGwcrsAhWIShUIHcGhCj8QFjAC
egQIAhAC&url=https%3A%2F%2Fwww.ua.pt%2Ffile
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