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Além disso, cita que existem diversos fatores adicionais que se revelam essenciais
para a criação do conhecimento interorganizacional, o que envolve:

• número de empresas participantes e que colaboram no processo de criação do


conhecimento;

• os vínculos pelos quais as empresas estão ligadas;

• duração temporal desses relacionamentos.

Esses fatores são importantes para um compartilhamento contínuo. A criação do


conhecimento pode ocorrer entre duas ou mais empresas. Conforme explica Carvalho
(2012), as redes interorganizacionais podem ser formadas até mesmo por empresas
rivais que compartilham entre si o mesmo mercado. Pode não ocorrer a troca direta,
mas, ao lançar um produto inovador, disponibiliza a seus concorrentes informações
e conhecimentos sobre tecnologia, design, tendência de mercado, dentre outros
aspectos.

Os vínculos de colaboração podem se estabelecer com um número limitado de


empresas que estejam mais próximas, como podem também se estender a uma
ampla gama de outras empresas, com grande alcance, porém com vínculos mais
fracos e distantes.

Esses vínculos podem ser administrados por acionários, relações de dependência


recíproca, confiança interpessoal ou a combinação de todos esses fatores
(WILLIAMSON, 1985 apud AHMADIJIAN, 2008). A duração dos relacionamentos
entre as organizações pode ser de longa ou curta duração. Dependerá dos acordos
estabelecidos e necessidades instituídas.

Um exemplo prático da eficácia da criação do conhecimento interorganizacional


vem da empresa automobilística japonesa Toyota, que estabeleceu a criação do
conhecimento além das fronteiras da própria organização ao trabalhar como
fornecedores para melhorar constantemente a qualidade, a eficiência e o custo.

Na produção realizada pelas empresas japonesas, observa-se um grande


compartilhamento do conhecimento interorganizacional. Para isso, a Toyota fornece
especificações gerais aos seus fornecedores, e em alguns casos, bastante detalhados,
em uma relação considerada de pai para filho, ou de igual para igual. Há casos em que
o contato é mais distante, e essa decisão depende do estágio de desenvolvimento
do fornecedor com o conhecimento e prática do modelo Toyota (IYER; SESHADRI;
VASHE, 2010).

Essa condição, a de realizar o compartilhamento do conhecimento de forma


interorganizacional, foi identificada posteriormente como uma das principais fontes
de vantagem competitiva das empresas automobilísticas japonesas.

74 Gestão do conhecimento

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