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Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, mais conhecida como 

Simone de Beauvoir, nasceu


em 1908 em Paris, numa família da alta burguesia em decadência. Ao longo do seu percurso de vida,
Simone ficou conhecida não só pelas suas relações pessoais como as suas escolhas profissionais.
Profundamente comprometida e engajada com as lutas sociais e políticas de sua época, em colaboração
com Gisele Hamini consequências da guerra argelina, denunciado o estupro cometido por soldados
franceses contra o militante argelino, Djamila Boupacha, à luz do público francês em 1960. Contudo, o
seu reconhecimento internacional até aos dias de hoje, deve-se ao fato de esta mulher implacável,
dedicar vários anos de sua vida, através das suas reflexões assim como dos seus romances
autobiográficos, no qual dá conhecer ao seu leitor a sua experiência pessoal enquanto mulher o que,
por conseguinte, provocou uma exploração da condição da mulher no paradigma social contemporâneo
da escritora. Esta ideia está imortalizada numa dos seus volumes autobiográficos, Force of
Circumstance publicado em 1963 no qual afirma: “Querendo falar sobre mim mesma, percebi que, para
isso, deveria primeiro descrever a condição da mulher em geral”. (1968: 195)

SOBRE O SEGUNDO SEXO:. Kirkpatrick narra também como a educação religiosa que Beauvoir recebeu
quando criança a ensinou que meninos e meninas são iguais aos olhos de Deus, uma faísca para depois
considerar-se uma “alma” em nada inferior ao sexo masculino.
Estudiosas como Nogueira (2001) e Louro (1997) evidenciam que Beauvoir foi uma das pioneiras do
movimento feminista. Bonnici (2007) complementa que o movimento feminista teve sua primeira onda
no século XIX, Simone de Beauvoir, filósofa francesa, feminista e existencialista, deixou sua grande
contribuição em 1949, sendo uma das maiores representantes desse movimento, considerada uma
figura de transgressão social. Recentemente apresentado no The Times "Os Vinte Livros Acadêmicos que
Mudaram o Mundo", O Segundo Sexo  é um exemplo da obra literária de singularidade imperecível de
Simone de Beauvoir.   Alice Schwarzer, uma feminista contemporânea proeminente, conduziu uma
entrevista íntima com de Beauvoir e descreveu O segundo sexo  como "a bíblia do feminismo ... e a
fonte mais vibrante de inspiração para o movimento feminista".Juntos formam uma das obras mais
importantes para o feminismo, que irá influenciar a crítica do movimento ao papel da mulher nas
sociedades ocidentais. Este estudo também traz indicações de quais caminhos de aprendizados são
traçados pelas mulheres na construção de um conceito mulher

A MULHER COMO O OUTRO: O título do livro remete à definição que Beauvoir aplica às mulheres dada
pelos homens como Outro, por serem relegadas ao status de uma casta diferente, sendo consideradas
como o segundo sexo. Kirkpatrick escreve: “Ao dizer que a mulher é o que o homem não é, Beauvoir se
inspirou nas ideias de Hegel sobre o ‘Outro’. Como os seres humanos têm uma tendência
profundamente arraigada a se opor ao que é o Outro para eles, os homens se colocam como ‘sujeitos’
livres e definem as mulheres por contraste – como objetos.”
O esforço de suas argumentações no Segundo sexo (1967) é o de apresentar o conjunto de
condicionamentos econômicos, sociais, históricos, que permitem a construção do feminino. Para a
autora o caminho para a libertação da mulher desta condição é construir ações coletivas para uma
evolução econômica da mulher, ao contrário de ações individuais de mulheres, que não tem encontrado
sua libertação, no que chamou de narcisistas, amorosas e místicas. O que revela a situação das mulheres
como única em seu reflexo da desigualdade sistemática é como as mulheres, em vários locais e
identidades múltiplas, lutam com os significados atribuídos à feminilidade.