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TEXTO: SALMO 113:1-9

INTRODUÇÃO
 Irmãos! O Breve Catecismo de Westminster em sua pergunta 1ª nos interroga:
“Qual o fim principal do homem?” Ele mesmo responde: “Glorificar a Deus e
gozá-lo para sempre”. Ou seja, os nossos Pais ao escreverem esse documento
tiveram a devida preocupação de estabelecer desde o princípio qual foi a
motivação que conduziu Deus a nos criar. Sua convicção ancorada nas páginas
da Sagrada Escritura foi a de que Deus nos criou para a sua glória. Ele nos criou
para louvá-lo, bendizê-lo, exaltá-lo, e encontrarmos nisso satisfação para nossas
vidas.
 A verdade disso é que quando Adão ao desobedecer a Deus comendo do fruto
proibido foi expulso do jardim. Quando a raça humana se degenerou foi
destruída no dilúvio. Todas as vezes que não cumprimos nosso dever de
glorificar e louvar a Deus sofremos as devidas consequências. Mas uma coisa
permanece: o dever de glorificar a Deus. Afinal, o projeto original não foi
frustrado com a queda humana. A vontade de Deus continua sendo que nós o
adoremos e tenhamos prazer nisso.
 Nesse sentido o Salmo 113 é exemplar. Ele nos convida a louvar a Deus e
apresenta algumas razões que justificam tal convite.

ELUCIDAÇÃO
 Esse é sem dúvida um dos salmos mais belos de todo o saltério. Apesar de sua
beleza e importância teológica e litúrgica nós não sabemos quem o escreveu. Eu
digo sua importância teológica e litúrgica pois esse Salmo faz parte de um
conjunto de Salmos associados à Páscoa e outras festas em Israel. O conjunto de
Salmos 113-118 ficou conhecido como “Hallel Egípcio” ou “Louvor Egípcio”.
 A associação com o Egito tem a ver com o fato de que a primeira páscoa foi
celebrada naquela região. Segundo os estudiosos os Salmos 113-114 eram
entoados no início da celebração da páscoa, e os Salmos 115-118 eram entoados
no final. É provável que o Salmo 118 seja o Salmo que Jesus entoou por ocasião
do término da Ceia (Mt 26:30).
 Como não sabemos quem foi o autor, também não sabemos quando esse Salmo
foi escrito. Quanto ao conteúdo desse Salmo o teólogo Allan Harman afirma:
“Enquanto de um lado o Salmo 113 é um hino de louvor a Deus, ele é também
uma declaração concernente ao seu cuidado pelos humildes”. E é tomando por
base essas questões que eu quero convidar os irmãos a refletirem comigo sobre o
seguinte tema:

TEMA: O CRISTÃO E O DEVER DE LOUVAR O SENHOR

POR QUE DEVEMOS LOUVAR O SENHOR?


1º PORQUE SOMOS CONVOCADOS PARA ISSO (V.1-3).
 É visível a todo leitor atento o fato de que o Salmo 113 inicia e termina com a
palavra aleluia. Expressão quem tem sido traduzida como louvai o Senhor. O
uso da expressão aleluia aparece sob a forma de uma ordem. No v.1 autor
sagrado diz: “Louvai” indicando com isso que louvar o Senhor não é algo que
possamos negligenciar ou escolher não realizar. Aqui estamos diante de um
dever sagrado cuja realização está no centro de nossa vida espiritual.
 No v.2 o Salmista fala do tempo/período em que o Senhor deve ser louvado. O
salmista diz: “agora e para sempre”. Isso indica que tudo que realizamos ou
tencionamos realizar deve ter a glória de Deus como objetivo. Um belíssimo
exemplo a ser mencionado são os amigos Paulo e Silas (At 16:19-26). No
momento da adversidade eles priorizaram o louvor em detrimento do momento
que vivenciavam.
 No v.3 o salmista reafirma isso o que disse no verso anterior. Isso aponta para o
fato de que o louvor a Deus independe de nossas adversidades, necessidades,
ansiedades, problemas pessoais. Apesar dessas coisas nos visitarem em nossos
afazeres e labutas diárias, o Senhor continua sendo merecedor de nosso louvor.
 Interessante é o fato de que o Salmista convoca seus leitores a louvar o “Nome
do Senhor”. O Nome do Senhor nos revela quem Ele é. E o uso do Nome
pactual revela quem o Senhor é: além de Senhor da criação, Ele é nosso dono e
Ele nos convoca a louvá-lo. Isso confirma o propósito para o qual fomos criados.
 Aplicação: Lembremos sempre amados irmãos: Deus deseja ser adorado e
procura os verdadeiros adoradores (Jo 4:23-24). Se somos chamados a adorar e
bendizer o Senhor e o seu santo Nome é porque fomos chamados por Deus.
Portanto, desfrutemos desse privilégio.
POR QUE DEVEMOS LOUVAR O SENHOR?
1º PORQUE SOMOS CONVOCADOS PARA ISSO (V.1-3).
2º PORQUE O SENHOR É INCOMPARÁVEL EM SEUS ATOS (V.4-6).
 O fato do Senhor ser incomparável em seus atos não é novidade para seus servos
nem deve nos causar espanto. Toda a revelação bíblica atesta essa verdade de
modo incontestável. No Salmo 96:4-5, por exemplo, podemos ler: “Porque
grande é o Senhor e mui digno de ser louvado, temível mais que todos os
deuses. Porque todos os deuses dos povos não passam de ídolos; o Senhor,
porém, fez os céus”.
 Mas o próprio Salmo 113:4-6 nos mostra algumas razões pelas quais o Senhor é
incomparável em seus atos:
I. No v.4 o salmista inicia dizendo que o Senhor é excelso (literalmente
exaltado). Observem que na sequência do verso o salmista prossegue:
“Acima de todas as nações”. E no final do verso ele diz: “Acima dos
céus”. Ou seja, em majestade e glória não há nem no céu (anjos) nem na
terra (homens) ninguém a quem possamos comparar com o Senhor
(Deus não pode olhar para cima e tampouco para os lados, apenas
para baixo).
II. No v.5a o salmista faz uma pergunta que ele mesmo responde nos v.5b-
6. Essa pergunta tem por finalidade chamar a atenção de seus leitores
para a grandeza de nosso grandioso Deus.
III. No v.6 o salmista descreve algumas coisas interessantes: a soberania
divina, a distinção Criador-criatura. O verso diz que para visualizar o
que ocorre na criação o Senhor se inclina. Essa imagem enfatiza que
Deus está além da criação (transcendência) e ao mesmo tempo presente
nela (imanência).
IV. Por fim, há que se observar nesses versos uma sequência lógica: no v.4
nosso Deus é manifesto como Senhor (Ele tudo governa). No v.5 é dito
que Ele possui um trono (de onde Ele tudo governa). E no v.6 terra e céu
estão abaixo dEle (os objetos de seu domínio).
 É possível observar que nos v.4-6 o Salmista ainda exalta o fato do Senhor ser
incomparável em seus atos ao louvar dois de seus atributos incomunicáveis: sua
onipotência (v.4-5) e sua onipresença (v.6). Ou seja, ele exalta Aquele que
realiza todas as coisas conforme o conselho de sua vontade e diante de quem
todas as coisas estão nuas e patentes.
 Aplicação: Portanto, irmãos, não resta dúvida de que o Senhor em virtude de
sua condição diferenciada e incomparável (em todos os sentidos) é o único que
merece todo o nosso louvor. Contemplando suas obras e seu eterno poder
manifestos nas obras da criação e da providência tributemos a Ele todo o louvor
que pudermos. Por isso o salmista ciente disso nos convida a louvá-lo.

POR QUE DEVEMOS LOUVAR O SENHOR?


1º PORQUE SOMOS CONVOCADOS PARA ISSO (V.1-3).
2º PORQUE O SENHOR É INCOMPARÁVEL EM SEUS ATOS (V.4-6).
3º PORQUE O SENHOR É MISERICORDIOSO EM SESU ATOS (V.7-9).
 Nessa última parte do Salmo o salmista exalta a misericórdia divina por meio de
duas imagens: Deus ampara o desvalido (chamado também no texto de
necessitado) e concede filhos a mulher estéril. Alguns estudiosos esposam a
opinião que o salmista tomou essas imagens da história de Israel (possivelmente
José e Ana).
 A primeira imagem se utiliza de dois pares de palavras para descrever a ação
benéfica do Senhor para com aqueles que são alvos de seu favor:
I. O salmista utiliza as palavras erguer e assentar. A primeira cria as
condições para que a segunda se torne realidade. Ou seja, o Senhor ergue
o caído, e em seguida o mesmo Senhor lhe concede assento em um lugar
privilegiado.
II. O segundo par de palavras pelo salmista é desvalido/necessitado e
príncipes. Aqui pensam alguns que o salmista tomou essa imagem
empestada do patriarca José. José após vendido foi conduzido ao
calabouço, e de lá para o trono. E o próprio José vai dizer que foi o
Senhor que operou aquela mudança (Gn 45:5; 50:20).
 A segunda imagem utilizada pelo salmista é a imagem da mulher estéril que por
obra e graça de Deus passa a gerar filhos. O estudioso alemão Hans Joachim
Krauss é da opinião que aqui o salmista tomou emprestada a narrativa
envolvendo Ana, a mãe do Profeta Samuel.
 Conforme a narrativa de 1Samnuel 1 Ana era estéril e isto lhe trazia grande
amargura. Na Antigo Oriente Médio a esterilidade era considerada como uma
maldição. E é compreensível se lembrarmos a criação da mulher e do nome que
Adão lhe conferiu: Eva (mãe dos viventes/geradora de vida). 1Samuel diz que o
Senhor atendeu a oração de Ana e ela concebeu um filho a quem pôs o nome de
Samuel.
 Aplicação: Hoje o Senhor continua a nos tratar com misericórdia. Assim como
Ana e José confiaram em Deus e Deus os socorreu podemos confiar que Deus
por meio de Cristo está atento à nossa condição, e a seu tempo Ele há de
dispensar sobre nossas vidas misericórdia e graça. Portanto, ao olharmos a
misericórdia do Senhor tributemos o louvor que apenas a Ele é devido.

APLICAÇÕES

 DEUS NOS CRIOU PARA A ADORAÇÃO. Eu diria até que louvar a Deus é
a nossa vocação primária. A Bíblia diz que a vocação do homem é ser marido e
pai, e da mulher é ser esposa e mãe. No entanto, antes de exercer tais vocações é
dever de ambos glorificar a Deus. Temos o dever de empregar todos os meios
para que através de nossos atos e palavras Deus seja glorificado.

 DEUS É E DEVE SER O ALVO DE NOSSA ADORAÇÃO. Não podemos


titubear quando o assunto é a adoração a Deus. O Senhor é um Deus zeloso e
não aceita uma adoração que não seja integral. Podemos até dizer: Deus não
compartilha sua glória e por isto requer uma adoração através da qual todo o
nosso ser esteja voltado para Ele e somente para Ele.

 A ADORAÇÃO NÃO É UM MEIO DE BARGANHAR COM DEUS. Não


podemos nutrir o entendimento de que nossa relação com Deus seja baseada
numa troca simbólica do tipo “o Senhor me trata com misericórdia e por isso eu
lhe tribo adoração e louvor”. Não. Devemos louvar o Senhor porque somos
chamados para isso. Nada do que fizermos pode retribuir o quanto o Senhor já
fez por nós através de Cristo.

Conclusão
 “Um dia sem louvor e adoração a Deus é apenas um dia comum” (Lucas da
Silva Anjos).