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Resenha

HAMPTON, D. R.. Administração Contemporânea. São Paulo: Editora Mc. Graw


Hill.

Capítulo Um: Uma primeira Visão

O capítulo um do livro Administração Contemporânea inicia com um estudo de caso


sobre a Companhia Hovey e Beard, que fabricava diversos tipos de brinquedos de
madeira. O autor apresenta um recorte do processo produtivo, da área de pintura. A
atividade consistia em pintar brinquedos semi-montados e pendurá-los em ganchos em
movimento. Assim, as peças dos brinquedos seguiam para um túnel de secagem.

A problemática gira em torno das condições que os trabalhadores trabalhavam, de modo


que nesta área havia alto índice de afastamentos-absenteísmo, rotatividade e baixo
entusiasmo.

O autor faz uma explicação da atividade dos trabalhadores e faz o leitor entender o
trabalho. Ele cita a presença de um consultor, que a partir do entendimento da atividade
realizada pelos trabalhadores, buscou o diálogo com o supervisor e os operadores, afim
de levantar as demandas e entender a situação. A partir daí surgem melhorias nas
relações de trabalho entre o supervisor e os operadores, os próprios operadores sugerem
melhorias no processo e através de reuniões suas necessidades são ouvidas e atendidas
pelo supervisor, mesmo este não crendo que haveria diferença na produtividade.

Detalhe especial dado à situação dos ganchos em movimento: o trabalho era regulado
pela máquina, de modo que os trabalhadores tinham de acompanhar a velocidade dos
ganchos. Como para eles não era possível, muitas das peças seguiam para o secador sem
pintura, gerando retrabalho. Numa das reuniões sugeriu-se a colocação de um
mecanismo de controle de velocidade. Com esse mecanismo, os operadores poderiam
trabalhar conforme seu ritmo. O ritmo por sua vez, era maior que o antes praticado
(definido pela engenharia). Houve aumento da produtividade e satisfação dos
empregados.

Organização- Definida pelo autor como a combinação intencional de pessoas e de


tecnologia para atingir um determinado objetivo. Ela existe dentro de um meio
ambiente, isto é, a organização opera em um ambiente onde há diversas relações com
outras organizações e condições da sociedade (política, legislação, situação tecnológica
e social). Os recursos que ingressam na organização são: pessoas, dinheiro e matérias.
Bens e recursos saem das organizações. Recursos são transformados para criação de
excedentes(lucros), que ajudam a assegurar a continuidade das organizações.

Há três partes básicas em uma organização: pessoas, tarefas e administração.

Administração pode ser definida como o trabalho de combinar e dirigir os recursos de


modo a atingir os objetivos específicos. Inclui planejamento, organização, direção e
controle. Embora essas palavras evoquem que ela seja reflexiva, racional e sistemática,
o autor sugere que a administração não o é.

O trabalho administrativo concentra-se em manter a organização.

A revolução industrial na Inglaterra nos séculos 18 e 19 fornecem as evidências mais


recentes nas práticas administrativas, havendo também vestígios de preocupação com o
trabalho gerencial. Charles Babbage escreveu sobre a necessidade de um estudo
sistemático de padronização das operações de trabalho para aumentar a produtividade.
Embora até o século 20 a herança das práticas administrativas estivesse mais em
evidência que o pensamento administrativo. Isso se deveu ao fato que durante a
Revolução Industrial a administração não foi reconhecida como tecnologia(conjunto de
habilidades suscetível a ser aprendido). Isso ocorreu por três razões:

• Dificuldade de isolar a função administrativa de outras funções(técnica e


comercial), de modo que não se entendia a importância de se integrar todos os
recursos internos.

• O período foi dominado por pioneiros e administradores-fundadores, de modo


que estes iniciavam as organizações e o desempenho organizacional era fruto de
processo administrativo pessoal e não impessoal.

• Obediência do trabalhador- funcionários não eram considerados como recursos


humanos. Havia pouco esforço em adaptar a administração e o trabalho ao
homem.

De fato, até hoje essas idéias perduram, impedindo uma compreensão mais profunda
da administração.

A partir do séc. 20 começou-se a formar conhecimento sobre administração,


concentrando-se primeiro nas tarefas, nas pessoas e finalmente na administração.

Taylor e os Gilbreth concentraram-se na tarefa em si. Seu trabalho foi coletar através
de observações precisas toda a informação sobre as atividades dos trabalhadores,
convertendo seu conhecimento intuitivo e informal num melhor modo para execução de
uma tarefa.

Elton Mayo se ateve á ênfase nas pessoas. Em sua opinião, os ganhos de produtividade
nas organizações que estudou decorreram não da aplicação dos métodos de Taylor ou de
incentivos salariais aos “seres econômicos”, mas sim por que o trabalho foi arranjado de
tal modo que se tornou um meio para os seres sociais satisfazerem suas necessidades de
interação, companheirismo participação e contribuição para a finalidade coletiva. Essa
perspectiva vai ao encontro do que aconteceu na Companhia Hovey e Beard, onde o
supervisor se reunia com os trabalhadores para buscar soluções e escutar seus
problemas, de modo que os “solitários”(operadores) tornaram-se um grupo cooperativo,
de modo a interagirem identificando e resolvendo os problemas humanos e sociais do
trabalho.
Teoria X e Y- Douglas McGregor deu ás premissas tradicionais o nome de teoria X e ás
que tinham como premissa as ciências comportamentais deu o nome de teoria Y. As
duas teorias eram nitidamente contrastantes. Numa, o ser humano teria repulsa ancestral
para o trabalho, sendo necessário que o trabalhador seja coagido, controlado, dirigido e
até ameaçado para realizar os objetivos organizacionais. Já na outra teoria, temos que o
ser humano não tem essa repulsa pelo trabalho, ao contrário, dependendo das condições,
o trabalho é fonte de satisfação e realização, e comprometidas não precisarão de
punições, tendo autodireção e autocontrole para alcançar os objetivos.

Se Taylor procurou a melhor forma de executar as tarefas, Mayo procurou as origens do


trabalho em equipe, Henry Fayol procurou identificar e compartilhar com os outros as
chaves da administração eficaz da organização como um todo.

Fayol via a organização como um corpo e as atividades desse corpo eram encaixadas
em seis funções: técnica (produção), comercial (compra, venda, troca), financeira
(procurar e aplicar capital), segurança(proteção do patrimônio e pessoas),
contábil(inclusive estatística)e administrativa(planejamento, organização, comando,
coordenação e controle). Fayol propôs-se a escrever sobre a função administrativa e o
fez com o propósito de diferenciá-la das demais funções. Através de sua experiência
como gerente, identificou as técnicas e métodos administrativos utilizados para
funcionar e /ou fortalecer o corpo organizacional .

Fayol propôs quatorze “princípios”, que seriam divisão do trabalho(redução do número


de tarefas pode aumentar a competência e o desempenho), autoridade(dar ordens e fazê-
las cumprir através de recompensas e punição); disciplina(condição de acordo entre
gerentes e empregados); unidade de comando(receber ordens apenas de um superior),
unidade de direção(necessário um gerente e um plano para cada grupo de atividades
com mesmo objetivo); subordinação dos interesses individuais ao interesse
geral(necessário que os gerentes encontrem formas de conciliar os interesses
individuais com os da organização); remuneração do pessoal (salário refletir situação
econômica e recompensar os esforços); centralização(direção e coordenação de um
sistema nervoso central); cadeia escalar(hierarquia), ordem(equipamentos e pessoas
precisam ser bem escolhidos, alocados e organizados); equidade(cortesia e justiça-
empregados que trabalham bem e leais); estabilidade do pessoal(mudanças nas
atribuições podem prejudicar o moral e a eficiência). Iniciativa, e “Esprit de
corps”(desenvolver trabalho em equipe).

Fayol concentrou-se no problema de desenvolver condições administrativas


padronizadas-por meio de planos, estruturas organizacionais, liderança e controles- que
pudessem promover uma interação global entre pessoas e tarefas. O foco deslocou-se
dos cargos e grupos individuais para o projeto e estruturação da organização como um
todo.

POSDCORB- Planning, organizing, staffing, directing, coordinating, reporting e


budgeting. Anagrama desenvolvido por equipe anglo-americana de Culick e Urwick,
onde havia sua versão dos processos administrativos ou funções relacionadas com a
manutenção da organização.

Administração no presente

Não há separação nítida entre passado e presente. No entanto, a teoria contemporânea


enfatiza a natureza das organizações como sistemas, nas quais tudo está interligado.
Também destaca que a eficácia da pratica gerencial depende das características
particulares da situação que está aplicada.

Abordagem sistêmica: Pessoas, tarefas e administração são interdependentes. Uma


mudança numa das partes afeta as outras. Tal como um organismo, uma organização é
um sistema. Os administradores acharão útil olhar a organização como um todo
orgânico e dinâmico, sendo que eles não são os solucionadores de problemas distintos.
A solução não é estável, uma vez que as situações são dinâmicas.

Abordagem contingencial: Essa abordagem leva em consideração como as pessoas, as


tarefas e a administração se encaixam e dependem umas das outras. Sua principal
contribuição consiste em indicar que não há uma forma melhor de administrar. Não há
planos, estruturas, estilos de liderança, que sirvam em todas as situações. Em vez disso,
os gerentes precisam encontrar formas diferentes que se prestem a diferentes situações.
Deve-se evitar então que se aplique impensadamente algum esquema, mas deve-se
manter as mentes abertas á questão pragmática de qual esquema é o melhor para cada
situação específica.

Temos então, através do capítulo um do livro “Administração Contemporânea” um


panorama geral do que é administração, iniciando os conhecimentos acerca do que é
uma organização, as idéias da administração no passado e os processos de pensamento
administrativos tradicionais (apresentando inclusive alguns estudiosos sobre o tema) e
as idéias de administração no presente. É bastante interessante o modo como se conduz
o texto, uma vez que se inicia com um caso e conforme a narrativa, temos elementos
para entender o caso de forma mais crítica, à luz dos conhecimentos administrativos.