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Supremo Tribunal Federal

Ementa e Acórdão

Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 9

01/12/2017 PRIMEIRA TURMA

AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.058.987 SÃO


PAULO

RELATOR : MIN. ROBERTO BARROSO


AGTE.(S) : HSBC BANK BRASIL S.A. - BANCO MULTIPLO
ADV.(A/S) : LUIZ GUSTAVO ANTONIO SILVA BICHARA
AGDO.(A/S) : MUNICIPIO DE PRESIDENTE PRUDENTE
ADV.(A/S) : CARLOS AUGUSTO NOGUEIRA DE ALMEIDA

EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO EM


RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ISS.
ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE. DESCUMPRIMENTO DO ÔNUS
PROBATÓRIO. CARÁTER INFRACONSTITUCIONAL DA
CONTROVÉRSIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE
OFÍCIO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. OFENSA REFLEXA.
REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA
279/STF. MULTA PUNITIVA. PATAMAR DE 100% DO TRIBUTO.
AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO CONFISCO. PRECEDENTES.
1. A resolução da controvérsia demandaria o reexame dos
fatos e do material probatório constantes nos autos, o que é vedado em
recurso extraordinário. Incidência da Súmula 279/STF. Precedentes.
2. O Tribunal de origem solucionou a controvérsia com
fundamento na legislação infraconstitucional e no conjunto fático e
probatório, o que é inviável em sede de recurso extraordinário.
Precedentes.
3. Quanto ao valor máximo das multas punitivas, esta Corte
tem entendido que são confiscatórias aquelas que ultrapassam o
percentual de 100% (cem por cento) do valor do tributo devido.
4. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, fica majorado em
25% o valor da verba honorária fixada anteriormente, observados os
limites legais do art. 85, §§ 2º e 3º, do CPC/2015.
5. Agravo interno a que se nega provimento, com aplicação
da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015.

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ARE 1058987 AGR / SP

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da


Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Virtual, na
conformidade da ata de julgamento, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao agravo interno, com aplicação de multa, majorado o valor
da verba honorária fixada anteriormente, nos termos do voto do Relator.
Brasília, 24 a 30 de novembro de 2017.

MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - RELATOR

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AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.058.987 SÃO


PAULO

RELATOR : MIN. ROBERTO BARROSO


AGTE.(S) : HSBC BANK BRASIL S.A. - BANCO MULTIPLO
ADV.(A/S) : LUIZ GUSTAVO ANTONIO SILVA BICHARA
AGDO.(A/S) : MUNICIPIO DE PRESIDENTE PRUDENTE
ADV.(A/S) : CARLOS AUGUSTO NOGUEIRA DE ALMEIDA

RE LAT Ó RI O

O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO (RELATOR):

1. Trata-se de agravo interno cujo objeto é decisão


monocrática que conheceu do agravo para negar-lhe provimento, pelos
seguintes fundamentos:

“Trata-se de agravo cujo objeto é decisão que negou


seguimento a recurso extraordinário interposto contra acórdão
assim ementado:

DECADÊNCIA — ISS — Hipótese em que não houve


a antecipação do pagamento - Lançamento de ofício, em
razão do não pagamento do tributo — Prazo decadencial
contado do primeiro dia do exercício seguinte ao que os
lançamentos poderiam ter sido efetuados — Aplicação do
artigo 173, inciso I, do CTN - Decadência não verificada
na espécie — Recurso de ofício e apelo da Municipalidade,
providos.
IMPOSTO — ISS — Atividades bancárias —
Sentença que reconheceu a improcedência do pedido por
não ter o banco comprovado o fato constitutivo de seu
direito, ao deixar de juntar os documentos aludidos pelo
vistor judicial, necessários à verificação do real
enquadramento das atividades tributadas — Fundamento

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ARE 1058987 AGR / SP

não atacado — Multa moratória de 100% prevista em lei,


não sendo considerada excessiva ou confiscatória - Razões
do recurso não têm força para afastar as conclusões da
sentença recorrida, que fica integralmente mantidas, nos
termos do artigo 252 do Regimento Interno deste Tribunal
—Apelo do banco autor a que se nega provimento’.

O recurso busca fundamento no art. 102, III, a, da


Constituição Federal. A parte recorrente alega violação aos arts.
150, I e IV, e 156, III, da Carta. A parte recorrente sustenta que as
operações tributadas não se enquadram no conceito de serviços
para fins de ISS, porquanto somente as (i) prestações de
serviços, ou seja, esforço de pessoas em favor de outrem, (ii)
com conteúdo econômico, (iii) sob o regime de direito privado,
(iv) em caráter negocial tendente a produzir uma utilidade
material ou imaterial e (v) insertos das listas de serviços dos
entes municipais, poderão ser alcançados pelo ISS. Invoca a
aplicação no caso da Súmula 588 do STF. Defende a ilegalidade
e irrazoabilidade da multa punitiva aplicada em vista de seu
montante totalizar de 100% (cento por cento) sobre o valor do
principal.
A pretensão recursal não merece prosperar, tendo em vista
que o Tribunal de origem, com base nos fatos e provas dos
autos, assentou que "da leitura das razões recursais verifica-se que o
principal fundamento adotado na sentença, de que o autor não
comprovou o fato constitutivo de seu direito, ao deixar de juntar os
documentos aludidos pelo vistor judicial e que permitiria concluir pelo
real enquadramento das atividades objetos da incidência do ISS,
sequer foi pontualmente atacado". Dissentir das conclusões do
Tribunal de origem demandaria o reexame do conjunto fático e
probatório. Incidência da Súmula 279 desta Corte.
Quanto ao valor máximo das multas punitivas, esta Corte
tem entendido que são confiscatórias apenas aquelas que
ultrapassam o percentual de 100% (cem por cento) do valor do
tributo devido. Nesse sentido, confira-se o seguintes julgado:

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‘AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE


INSTRUMENTO. LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. NECESSIDADE DE NOTIFICAÇÃO.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA FISCAL.
Em se tratando de débito declarado pelo próprio
contribuinte, não se faz necessária sua homologação
formal, motivo por que o crédito tributário se torna
imediatamente exigível, independentemente de qualquer
procedimento administrativo ou de notificação do sujeito.
O valor da obrigação principal deve funcionar como
limitador da norma sancionatória, de modo que a
abusividade se revela nas multas arbitradas acima do
montante de 100%.
Agravo regimental a que se nega provimento’. (AI
838.302-AgR, de minha relatoria)

Diante do exposto, com base no art. 21, § 1º, do RI/STF,


nego seguimento ao recurso”.

2. A parte agravante sustenta que pretende o reconhecimento


da “decadência do lançamento complementar relativo aos meses de janeiro a
junho de 2001 (matéria de ordem pública e, portanto, cognoscível de ofício a
qualquer tempo e grau de jurisdição), tendo em vista que a constituição residual
do crédito tributário apenas se deu após o transcurso do quinquênio legal
disciplinado no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional”. Defende a
desnecessidade de reexame do conjunto fático e probatório porquanto
“considerada a premissa que o lançamento complementar de ISS relativo aos
meses de janeiro a junho de 2001 ocorreu em agosto de 2006 (premissas
devidamente consignadas nos autos), a discussão passa a cingir sobre a
ocorrência ou não da decadência e a consequente extinção do crédito tributário
que tais institutos acarretam”.

3. Insiste a parte recorrente que há violação ao art. “156,


inciso III, da Constituição Federal, na medida em que permitiu a cobrança de ISS
em desacordo com a regra matriz de incidência da obrigação tributária

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disciplinada no Texto Constitucional” e que a multa aplicada é exorbitante,


violando o não confisco.

4. É o relatório.

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Voto - MIN. ROBERTO BARROSO

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PAULO

VOTO

O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO (RELATOR):

1. Deixo de abrir prazo para contrarrazões, na medida em


que está sendo mantida a decisão que aproveita à parte agravada. Passo à
análise do recurso.

2. O agravo interno não merece provimento, tendo em vista


que a parte recorrente limita-se a repetir argumentos já devidamente
rechaçados.

3. De início, cumpre registrar que o acórdão recorrido


resolveu a questão relativa à incidência de ISS com fundamento na
ausência de provas do fato constitutivo do direito da parte ora recorrente,
situação em que incide a vedação da Súmula 279/STF.

4. No caso dos autos, relativamente à decadência, o Tribunal


de origem consignou o seguinte:

“Os débitos referem-se ao período de janeiro de 2001 a


dezembro de 2002, de forma que os prazos decadenciais
tiveram início, respectivamente, em janeiro de 2002 e janeiro de
2003, encerrando-se em janeiro de 2007 e janeiro de 2008. O auto
de infração n° 1950/2006 foi lavrado em agosto de 2006, antes,
portanto, do decurso do prazo decadencial.
Afasta-se, assim, a decadência reconhecida
na sentença, provendo-se, para tanto, os recursos oficial e
voluntário da ré.”

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Voto - MIN. ROBERTO BARROSO

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ARE 1058987 AGR / SP

5. Diante dessas considerações, dissentir das conclusões


adotadas pelo Tribunal de origem quanto ao preenchimento dos
requisitos legais demandaria tão somente o reexame do acervo probatório
constante dos autos, providência vedada nesta fase processual.

6. Quanto ao percentual da multa punitiva aplicada, ela está


perfeitamente alinhada com o entendimento firmado por esta Corte: RE
833.106-AgR, Rel. Min. Marco Aurélio; RE 871174 AgR/PR, Rel. Min. Dias
Toffoli; e RE 748.257-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski.

7. Diante do exposto, nego provimento ao agravo interno.


Ante seu caráter manifestamente protelatório, aplico à parte agravante
multa de 5% (cinco por cento) sobre o valor atualizado da causa, nos
termos do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, em caso de unanimidade da
decisão. Fica a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao
depósito da respectiva quantia, ressalvados os casos previstos no art.
1.021, § 5º, do CPC/2015. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, fica
majorado em 25% o valor da verba honorária fixada anteriormente,
observados os limites legais do art. 85, §§ 2º e 3º, do CPC/2015.

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Extrato de Ata - 01/12/2017

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PRIMEIRA TURMA
EXTRATO DE ATA

AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.058.987


PROCED. : SÃO PAULO
RELATOR : MIN. ROBERTO BARROSO
AGTE.(S) : HSBC BANK BRASIL S.A. - BANCO MULTIPLO
ADV.(A/S) : LUIZ GUSTAVO ANTONIO SILVA BICHARA (21445/DF,
10503/ES, 139419/MG, 112310/RJ, 303020/SP)
AGDO.(A/S) : MUNICIPIO DE PRESIDENTE PRUDENTE
ADV.(A/S) : CARLOS AUGUSTO NOGUEIRA DE ALMEIDA (112046/SP)

Decisão: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo


interno, com aplicação de multa, majorado o valor da verba
honorária fixada anteriormente, nos termos do voto do Relator.
Primeira Turma, Sessão Virtual de 24.11.2017 a 30.11.2017.

Composição: Ministros Marco Aurélio (Presidente), Luiz Fux,


Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Carmen Lilian Oliveira de Souza


Secretária da Primeira Turma

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