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Material para História da Matemática I ― GMA-UFF

Prof. Leonardo Carvalho

YBC 7289
Seu nome: Júlia Almeida Vasconcelos

Estude as imagens (especialmente a transcrição, à direita) e, tendo assistido ao trecho do


vídeo (35:30 - 37:10) e após leitura da subseção 3.1 do artigo, responda às perguntas sobre
a tabuleta YBC 7289.

● A tabuleta apresenta três números. Diga quais são. (use a notação já estabelecida:
por exemplo 15;10,20 representa o número ).
● Resposta:

3 X 600 = 30

1;24;51;10 → 1 X 60³ + 24 X 60² + 51 X 60 + 10 X 600


= 216000 + 86400 + 3060 + 10 = 305470

42;25;35 → 42 X 60² + 25 X 60 + 35 X 600 = 151200


+ 1500 + 35 = 152735

1
Transcrição da tabuleta de Aaboe, A. (2002) Episodios da Historia Antiga da Matemática, 2a edição,
Rio de Janeiro, SBM.

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● Qual deles é a aproximação de ? Qual sua relação com os outros dois números?
● Resposta:
1; 24; 51; 10 → 1.603 + 24.602 + 51.60 + 10.600 =

1 . 603 24 . 602 51 . 60 10
+ + + 3=
603 603 603 60

24 51 10
1+ + 2+ 3=
60 60 60

305470
~1,414213
216000

Logo, o número 1; 24; 51; 10 é a aproximação de √2.

● Dê a aproximação de seguindo o procedimento apresentado no artigo, tomando


aproximação inicial e iterando 2 vezes (use alguma ferramenta numérica)2.
● Resposta:
Para calcular a √3, devemos achar o lado de um quadrado com área medindo 3.
Primeiramente, temos que o maior quadrado possível cujo lado conhecemos. Neste
caso, temos o quadrado ABCD de lado medindo 1.

Logo, a área do quadrado ABCD mede 1 e a área da região poligonal DKGEBC


mede 𝑘 − 𝑎². Esta mesma região pode ser decomposta em dois retângulos de lados a e
c e em um quadrado de lado c. Com isso, temos que,

2𝑎𝑐 + 𝑐 2 = 𝑘 − 𝑎²

2𝑐 + 𝑐 2 = 3 − 1 → 2𝑐 + 𝑐 2 = 2

Considerando c tão pequeno que pode ser desprezado, temos que,

2𝑐 = 2 → 𝑐 ≈ 1

2
Existem tabuletas com aproximações para outras raízes quadradas (e.g. MS 3051, que usa uma
aproximação de raiz de 3 - Friberg, A Remarkable Collection Babylonian Mathematical Texts -
Springer).

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𝑘 − 𝑎2
𝑎′ = 𝑎 + → 𝑎′ = 𝑎 + 𝑐 → 𝑎′ = 1 + 1 = 2
2𝑎

𝑘 − (𝑎′ )² 3 − 2² 3−4 1 8−1 7


𝑎′′ = 𝑎′ + =2+ = 2+ = 2− = = = 1,75
2𝑎′ 2(2) 4 4 4 4

𝑘 − (𝑎′ ′)² 3 − 1,75² 3 − 3,0625 0,0625 6,125 − 0,0625


𝑎′′′ = 𝑎′′ + = 1,75 + = 1,75 + = 1,75 − =
2𝑎′′ 2(1,75) 3,5 3,5 3,5
≈ 1,73214

Sabendo que a √3 ≈ 1,73205, temos que o erro encontrado foi de


aproximadamente 0,00009.

● O vídeo propõe que a tabuleta YBC 7289 é prova, ou ao menos forte evidência, de
que os babilônios conheciam o Teorema de Pitágoras. Você concorda? Justifique.
● Resposta:

Não. A tabuleta apresenta valores referentes ao lado de um quadrado, a raiz quadrada


de 2 e a medida da diagonal deste quadrado. Entretanto, para calcular o valor da
diagonal de um quadrado, não necessariamente precisa utilizar Teorema de
Pitágoras. Este Teorema é apenas uma das maneiras de realizar o cálculo. Logo, não
há informações suficientes para garantir que os babilônios conheciam o Teorema de
Pitágoras. Apenas é possível afirmar que eles sabiam calcular as diagonais de
quadrados.

● Será que é necessário conhecer o Teorema de Pitágoras para saber que a diagonal
do quadrado de lado 1 é ? (Leia o diálogo Menão, de Platão3).
Resposta:
Não. Podemos calcular a diagonal de um quadrado qualquer sem utilizar o
Teorema de Pitágoras. O quadrado ABCD possui lados medindo l, diagonal medindo d e área
medindo S. Agora, se construirmos o quadrado CEFG contendo quatro quadrados iguais ao
quadrado ABCD, conforme a figura abaixo, teremos que os lados de CEFG medem 2l. Além
disso, é possível traçar um quadrado de lado d a partir das diagonais de cada um dos 4
quadrados que compõem CEFG. Desta forma, temos que o novo quadrado de lado d possui
área igual a 2S. Com isso, temos que,
F G 𝑑2 = 2𝑆 → 𝑑 = √2𝑆
d
d l Mas, 𝑆 = 𝑙 2 . Então,
S/2 S/2

A B 𝑑 = √2𝑙 2 → 𝑑 = 𝑙√2
S/2 S/2
d l
d
𝐸𝑛𝑡ã𝑜, 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑢𝑚 𝑞𝑢𝑎𝑑𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑙𝑎𝑑𝑜 𝑖𝑔𝑢𝑎𝑙 𝑎 1, 𝑡𝑒𝑚𝑜𝑠 𝑞𝑢𝑒,
𝑎 𝑠𝑢𝑎 𝑑𝑖𝑎𝑔𝑜𝑛𝑎𝑙 𝑑 𝑚𝑒𝑑𝑒 𝑑 = 1√2 = √2 .
E l D l C

3
Extraído de Tópicos de História da Matemática através de Problemas (Notas de Aula) - Prof. Pierre
Pètin - GMA---UFF, pp.108 - 117.

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Obs: Há outras fortes evidências, além da YBC 7289, de que os babilônios conheciam
alguma versão do Teorema de Pitágoras4. Esse foi um exercício da crítica, para nos alertar
que, em História da Matemática, uma explicação convincente de um documento, feita à
partir de nosso ponto de vista e sem levar em conta seu contexto, pode não ser definitiva.

4
https://mathshistory.st-andrews.ac.uk/HistTopics/Babylonian_Pythagoras/

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