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HIDROTERAPIA

Fisioterapia Neuro-Músculo-Esquelética V
2019/2020

luisa.goncalves@ipsn.cespu.pt
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CONTEÚDOS
• PROPRIEDADES FÍSICAS DA ÁGUA
• PROPRIEDADES HIDRODINÂMICAS DA ÁGUA
• EFEITOS FISIOLÓGICOS
• INDICAÇÕES E CONTRA-INDICAÇÕES
• INFRA-ESTRUTURAS
• CONDIÇÕES DE HIGIENE E SEGURANÇA
• EQUIPAMENTO E MATERIAL
• MÉTODOS E TÉCNICAS DE FISIOTERAPIA NO MEIO AQUÁTICO

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Propriedades Físicas da Água
Em repouso
1. Massa: quantidade de matéria que compreende uma substância; inalterável;

2. Peso: efeito da acção da gravidade sobre a massa; altera-se mediante a posição em


relação à Terra;

3. Densidade(ρ): quociente entre a massa e o volume; varia com a T;


Densidade relativa – quociente entre a massa do volume de uma substância e a
massa do mesmo volume de H2O;
DR >1: Imersão DR <1: Emersão DR=1: Flutuação

A patologia, por norma, diminui a densidade corporal.

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Propriedades Físicas da Água
Em repouso (cont)
4. Impulsão: força a que o corpo está sujeito quando se encontra num meio líquido,
com a direcção oposta à da gravidade. Aplicada no centro de gravidade do volume do
líquido deslocado → Centro de Impulsão/Flutuação

Princípio de Arquimedes
Todo o corpo mergulhado num fluido sofre, por parte
do fluido, uma força vertical de baixo para cima, cuja
intensidade é igual ao volume do fluido deslocado pelo
corpo.

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Propriedades Físicas da Água
Em repouso (cont)
ρ tronco < ρ membros
Centro de Flutuação (S1) + alto que o Centro de Gravidade (S2)

Flutuação - quando o peso do corpo flutuante iguala o peso do líquido deslocado e


os centros de gravidade e de flutuação se encontram na mesma linha vertical =
Equilíbrio Estável.

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Propriedades Físicas da Água
Em repouso (cont)
As forças de gravidade e de impulsão, uma vez opostas, poderão originar efeitos
rotacionais:

TORQUE ou
MOMENTO DE FORÇA

MoF = F x d

EFEITOS METACÊNTRICOS - O corpo roda na direcção da parte do corpo colocada


fora de água, a qual deixa de flutuar e passa apenas a sofrer acção da gravidade.
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Propriedades Físicas da Água
Em repouso (cont)
• Peso Aparente (Pa)
Diferença entre o peso real do corpo imerso e a força de impulsão a que está sujeito;

Imersão Parcial Descarga de Peso


Cintura Escapular 85%
Crista Ilíaca 50%
Joelho 25%

IMERSÃO PESO CORPORAL COORDENAÇÃO


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Propriedades Físicas da Água
Em repouso (cont)
5. Pressão Hidrostática: A pressão que um fluido exerce num
corpo imerso é diretamente proporcional à profundidade e à
densidade do fluido;
A força exercida pelo fluido é perpendicular à superfície
do corpo e igual em todas as direcções.

Lei de Pascal

↑ Débito Cardíaco, Pressão Arterial e Venosa


↑Trabalho respiratório Doentes Cardíacos !!!
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Propriedades Físicas da Água
Em repouso (cont)
6. Temperatura

≈ 35°C < 25°C


- Vasodilatação periférica; - Vasoconstrição periférica;
- ↓ tónus muscular; - ↑ tónus muscular;
- ↓ sensibilidade periférica; - ↓ sensibilidade periférica;
- ↑ FC - ↓ FC

Δ térmicas na água produzem respostas + rápidas do que no ar


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Propriedades Físicas da Água
Em repouso (cont)

Tixotropia – capacidade de um fluido diminuir a sua viscosidade por


acção do movimento;

Creep – capacidade de um tecido permitir uma redução de tensão e um


consequente alongamento por acção de uma força mantida. (Visco-
elasticidade)

Tecido conjuntivo é tixotrópico e visco-elástico!

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Propriedades Físicas da Água
Hidrodinâmicas
1. Resistência

R = k . S . Sen α . (v - v’)

↑ Resistência

↑ Ângulo de ataque; ↑ Velocidade; ↑ Superfície de contacto;

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Propriedades Físicas da Água
Hidrodinâmicas (cont)
2. Fluxo
Laminar: baixa turbulência;
quebra de poucas linhas hidrodinâmicas;
Resistência proporcional à velocidade.

Turbulento: elevada turbulência;


resistência proporcional ao quadrado da velocidade.

TURBULÊNCIA

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Propriedades Físicas da Água
Hidrodinâmicas (cont)
3. Tensão Superficial
Forças existentes entre as moléculas de um fluido, à sua superfície = F. de Coesão + F.
de Adesão (↑ F Coesão, ↑ Viscosidade).

Tensão Superficial > F Coesão


Maior dificuldade em mobilizar
um membro horizontalmente
à superfície do que imerso.

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Aplicações Práticas
Princípio de Arquimedes
Lei de Pascal
Resistência Hidrodinâmica

• ≠ Níveis de profundidade: - cargas progressivas;


- auxilia/dificulta o movimento;
• P.Hidrostática - estimula receptores periféricos: ↑ percepção ao movimento ;
- facilita retorno venoso;
• Velocidade - movimentos rápidos = ↑ Resistência
• ↑ Superfície/área de contacto = ↑ Resistência
• Corpo em oposição a uma corrente de H20 → W muscular (isométrico ou isotónico)

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Efeitos Fisiológicos da Hidroterapia
• Sistema Cardiovascular
 Mecanismo Frank-Starling:↑ aporte sanguíneo - ↑ vol Auricular - ↑ vol Ventricular
(distensão músc. Cardíaco) - Contracção + Forte - ↑ DC

 ↓ FC (em repouso); ↑ FC (actividades dinâmicas);

 Facilitação do retorno venoso.

• Sistema Respiratório
 ↑ P Torácica - ↑ P Abdominal - ↓V Pulmonar - ↓CV - ↓Compliance Pulmonar - ↓
Eficiência - ↓PO2 - ↑ Wrespiratório (60%) - ↑ F músculos respiratórios;

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Efeitos Fisiológicos da Hidroterapia (cont)
• Sistema Renal e Endócrino
 ↑ actividade renal (M.Feedback por ↑ P.A.);
 ↑ excreção de Na+;
 Diurese de pressão;
 ↑ níveis de neurotransmissores (epinefrina, noraepinefrina, dopamina).

• Sistema Músculo-Esquelético
 ↑ circulação no sist músculo-ligamentar - ↑ aporte de O2 ;
 ↓ carga/compressão articular;
 Facilita saída de produtos metabólicos;
 Relaxamento muscular;
 ↓ contracturas e aderências.
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Efeitos Fisiológicos da Hidroterapia (cont)
• Sistema Nervoso
 ↓ excitabilidade e condução nervosa;
 ↑ limiar de dor – analgesia;
A evidência científica
 Efeito de estimulação sensorial;
suporta que a Hidroterapia
 ↓ actividade do SNA. não aumenta
a espasticidade!
• Nível Psicológico
 Euforia no contacto com um novo meio;
 Motivação/Estimulação;
 Melhoria geral da funcionalidade;
 Obstáculos sócio-comportamentais (dificuldade em expor o corpo, falta de à vontade no
meio aquático).
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Indicações da Hidroterapia

Artrose Doença Reumática Amputação TCE

Espinha Bífida Esclerose Múltipla DNM

LVM Deformidades Congénitas

Reabilitação Cardíaca AVC Parkinson

Paralisia Cerebral Fracturas Lesões Ligamentares

Pós-Cirúrgicos Δ Foro Psiquiátrico


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Contra-Indicações da Hidroterapia
RELATIVAS
Patologia Vascular Periférica ABSOLUTAS
Disfagia Infecções com risco de contaminação
Epilepsia Escaras, Micoses, Conjuntivites, Inf. Urinária
Δ Termorregulação Otite, Faringite, Laringite, Sinusite
Δ Tiróide Incontinência urinária/fecal
Hidrofobia Insuficiência Respiratória severa
Hipersensibilidade/Alergia aos Desinfectantes (ex:Cloro) Capacidade Vital diminuída
Dçs Renais Hipo/Hipertensão não controlada
Imunossupressão Estado Febril
Lesões músculo-esqueléticas agudas
Pós-operatórios
Senilidade
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Infra-Estruturas
• PISCINAS
Dinâmicas: corrente a resistir ao movimento;
piso com altura regulável;
parede em vidro e/ou câmara de vídeo.
Estáticas: sem corrente de H20;
piso não regulável (3 níveis de altura e cor ≠).

- Temperatura Ambiente ≈ 26°C;


- Chuveiros à entrada da piscina;
- Sistema de Ventilação (controlo da condensação);
- Barras laterais nos balneários, chuveiros, corredores e piscina (90cm);
- Luz indirecta para evitar reflexão na H20 (ideal-luz natural)
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Infra-Estruturas (cont)
• ACESSOS
Piso Anti-derrapante;
Rampas com pouca inclinação;
Degraus bem visíveis (15cm profundidade; 30 cm comprimento);
Bem iluminados

• BALNEÁRIOS
Entrada ampla (canadianas, c.r., maca);
Espaçosos e adaptados para pessoas com incapacidade;
Piso anti-derrapante;
Duches individuais e colectivos;
Sem troca térmica para o exterior.
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Segurança
Risco de queda
Risco de afogamento
Reacções adversas ao meio aquático

 Fisioterapeuta sempre presente


 Curso de Suporte Básico de Vida
 Material de Primeiros Socorros

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• Água
Higiene
pH ≈ 7,2
Humidade do ar: 50 - 60 %
Análises físico-químicas
Análises microbiológicas (Legionella Pneumophila, Staphylococus aureus, coliformes fecais,
coliformes termotolerantes)
• Utentes
Utilização de touca
C.R. e auxiliares da piscina;
Duche obrigatório prévio à entrada na piscina;
Passar os pés por tanque com H20 com ↑ [Cl- ]
• Visitantes
Limitar entradas;
Proteger o calçado.
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Piscina de Hidroterapia

PROFUNDIDADE INCLINAÇÃO
1 – 1,20 m 3 - 5%

TEMPERATURA
≈ 32°C
ÁREA
BARRAS LATERAIS
6 x 4 = 24m2
(4m2/pessoa)
PISO ANTI-DERRAPANTE

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Equipamento e Material

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Equipamento e Material

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Métodos e Técnicas de
Fisioterapia no Meio Aquático

• Propriedades da água em repouso e hidrodinâmicas


• Controlo da respiração
• Entradas e saídas da piscina
• Suportes Ft-dt
• Método de Halliwick
• Método dos anéis de Bad-Ragaz
• Watsu
• Exercícios terapêuticos
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Conceito de Halliwick
James McMillan Johan Lambeck (NL)

• Aprendizagem psico-sensório-motora
- aplicação prática dos princípios hidrodinâmicos para trabalhar controlo postural,
rxs rectificação e equilíbrio, simetria, controlo do tronco e cabeça, relação
estabilidade-mobilidade;

- ↓ tónus por acção da T da H2O e do Pa;


- ↓ inputs gravitacionais;
- aprendizagem motora;
- técnicas de handling – estímulos tácteis

• Técnica de relaxamento activo


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Conceito de Halliwick

Objetivo: Atingir um nível de independência física e mental através da utilização


das características do meio, socialização e actividades lúdicas.
• Segurança - controlo respiratório
• Controlo - equilíbrio
• Movimento - relaxamento

Programa de 10 pontos

FASE I FASE II FASE III


Adaptação Mental Controlo do Equilíbrio Movimento

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Conceito de Halliwick
Programa de 10 pontos
FASE I
• Ajuste Mental e Desprendimento (1)
Adaptação Mental

• Controlo da Rotação Sagital/Desprendimento (2)


• Controlo da Rotação Transversal/Desprendimento (3)
FASE II • Controlo da Rotação Longitudinal/Desprendimento (4)
• Controlo da Rotação Combinada/Desprendimento (5)
Controlo do Equilíbrio
• Impulso / Inversão Mental/Desprendimento (6)
(80%) • Equilíbrio/Desprendimento (7)
• Deslizamento Turbulento/Desprendimento (8)
• Progressão Simples/Desprendimento (9)

FASE III
• Movimentos Básicos/Desprendimento (10)
Movimento
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Conceito de Halliwick
1. Ajuste Mental

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Conceito de Halliwick
1. Ajuste Mental

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Conceito de Halliwick
2. Controlo da Rotação Sagital

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Conceito de Halliwick
2. Controlo da Rotação Sagital

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Conceito de Halliwick
3. Controlo da Rotação Transversal

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Conceito de Halliwick
3. Controlo da Rotação Transversal

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Conceito de Halliwick
4. Controlo da Rotação Longitudinal

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Conceito de Halliwick
4. Controlo da Rotação Longitudinal

40
Conceito de Halliwick
5. Controlo da Rotação Combinada

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Conceito de Halliwick
5. Controlo da Rotação Combinada

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Conceito de Halliwick
6. Impulsão

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Conceito de Halliwick
7. Equilíbrio

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Conceito de Halliwick
7. Equilíbrio

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Conceito de Halliwick
8. Deslizamento turbulento

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Conceito de Halliwick
9. Progressão simples

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Conceito de Halliwick
10. Movimento básico

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Conceito de Halliwick
Palavras-Chave

• Hands-free Halliwick (Suportar o doente o mínimo!!!)


• CCF → CCA
• Sem flutuadores
• Desprendimento é fundamental
• Ft. guia, observa e planeia alterações
• Permitir a repetição e a aprendizagem
• Promover o MOVIMENTO!
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Método dos
Anéis de Bad Ragaz (BRRM)
Urs Gamper (CH)

• Forte influência do PNF;


• Ft. guia o dt. usando padrões de movimento específicos uni e bilaterais, simétricos e
assimétricos;

PNF BRRM
Dt. estável Estabilidade conferida por flutuadores + ft.
Resistência do ft. Resistência da hidrodinâmica + ft.
Ponto estável→Ponto actuação da gravidade Ponto estável → ft. único ponto fixo
Padrões de movimento normais e funcionais; TÉCNICAS: segurar-relaxar, contrair-relaxar, estiramento inicial,
irradiação, contracções repetidas, estabilizações rítmicas; PEGAS; COMANDOS VERBAIS;

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Método dos
Anéis de Bad Ragaz (BRRM)
• Objetivos
- Aumentar ADM;
- Reeducar e Fortalecer musculatura;
- Restaurar padrões de movimento normais e funcionais;
- Promover a resistência;
- Melhorar capacidade funcional global.

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Método dos
Anéis de Bad Ragaz (BRRM)
• Indicações
- Patologias ortopédicas, neurológicas e reumatológicas;
- Lesões nervosas periféricas; (não tem efeitos em lesão 1ºNeurónio)
- Pós-mastectomizadas e pós-cirúrgicos cardíacos;
- Atraso do DMN.

• Precauções/Contra-indicações
- Evitar fadiga excessiva;
- Δ sistema vestibular com intolerância à estimulação vestibular (nistagmus!!!);
- Evitar movimentos rápidos e contra resistência elevada em dts hipertónicos (++ técnicas
de relaxamento).
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Método dos
Anéis de Bad Ragaz (BRRM)
Princípios do BRRM

1. Dt em DD (supino) com flutuadores na cervical, em S2 e nos tornozelos;


2. Fisioterapeuta imerso até ao nível de T9 (máx.) (calçado/piso anti-
derrapante/pesos no tornozelo);
3. Ft. adapta a resistência ao dt;
4. Padrões isotónicos/isométricos com resistência variável;
5. Movimentos passivos podem ser intercalados com os padrões (relaxamento e
alongamento);
6. Duração do tratamento de BRRM: 15-30 min.
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Método dos
Anéis de Bad Ragaz (BRRM)
PADRÕES DE MOVIMENTO
Isotónicos: ft = ponto fixo, enquanto dt se aproxima e afasta do ft.
Isométricos: dt =ponto fixo; ft. desloca-o na água

TRONCO

MEMBRO SUPERIOR
Flex/Abd/RL ; Flex/Add/RL ; Ext/Abd/RM ; Ext/Add/RM

MEMBRO INFERIOR
Flex/Abd/RM ; Flex/Add/RL ; Ext/Abd/RM ; Ext/Add/RL
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Método dos
Anéis de Bad Ragaz (BRRM)
Progressão da resistência

1. Adição de flutuadores;
2. Aumento da ADM;
3. Pegas mais distais;
4. Aumento da velocidade de movimento;
5. Utilização de inversões rápidas e padrões recíprocos.

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WATSU
Técnica de relaxamento passivo;
Shiatsu na água;
Baseada na ligação fisioterapeuta-doente;

Temperatura da água + elevada: 34-36°C;


Pode ser conjugado com massagem;
Principal objectivo: não os ter!!
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WATSU

Quanto > o nível H2O: ↓ linfa nos MI: Drenagem Linfática;

↓ tónus: relaxamento: ↑ ADM: ↓ dor: alongamento de estruturas neurais;

↓ espasticidade: ↑ visco-elasticidade das estruturas passivas: ↓ rigidez (stiffness);

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WATSU
FATORES FUNDAMENTAIS
PRECAUÇÕES
Temperatura
Contacto ft-dt Problemas vestibulares;
Input vestibular suave Problemas Cervicais;
Fluxo turbulento Limitações especiais da ADM;
Osteoporose;
Instabilidade;
Contra-indicações gerais.

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AI-CHI

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HIDROTERAPIA vs INDICAÇÕES
HALLIWICK AI-CHI BRRM WATSU Fitness

Controlo
Motor √ √

Actividade
Muscular √ √ √

Fortalecimento √ √ √

Resistência √ √

Rigidez √ √ √ √ √
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