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REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

MINISTÉRIO DA TERRA, AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO RURAL

MOZLAND

MANUAL OPERACIONAL DO PROJECTO

(DESCRIÇÃO DO PROJECTO E PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS)

VOLUME I

JUNHO, 2019
Controlo de documento
Elaborado por MozLand
Autorizado por FNDS
Fonte Mozland
(//FNDSFSERVER01\PARTILHA\PELOURO_GESTAO_PROJECT
OS) (T:) POM
Endereço de publicação
Outros documentos PAD, Arranjos Institucionais do Projecto MozLand e o Quadro e
referenciados regulamento de aquisições do Banco Mundial de Julho de 2016 e
revisto em Novembro 2017 e Agosto de 2018.
Documentos relacionados POM Voumes 2, 3 e 4
Agradecimentos

Controlo de Versão
Número da Data de Autor Atualização da informação
versão emissão

V1 14.06.19 MozLand Primeira versão publicada


UCP
ABBREVIATURAS E ACRONIMOS

AC´s Áreas de Conservação


AdFin Acordo de Financiamento
AIA Avaliação de Impacto Ambiental
ANAC Administração Nacional das Áreas de Conservação
BdM Banco de Moçambique
BIRD Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento
CD Conta Designada
CDM Certificado de Delimitação Comunitária
CENACARTA Centro Nacional de Cartografia e Teledeteção
CERC Componente de Resposta para Contingência de Emergência (Contingent
Emergency Response Component)
CGP Comité de Gestão do Projecto
SC Steering Committee (Comité Deliberativo)
CORS Estação de Referência de Operação Contínua (Continuously Operating Reference
Station)
CV Cadeia de Valor
DELCOM Delimitação de Áreas Ocupadas pelas Comunidades
DINAT Direcção Nacional de Terras
DINOTER Direcção Nacional de Ordenamento Territorial e Reassentamento
DNOT Direcção Nacional de Organização Territorial
DNT Direcção Nacional do Tesouro
DPR Diagnóstico Participativo Rural
DPTADER Direcção Provincial da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural
DUAT Direito de Uso e Aproveitamento da Terra
EASS Estudo Ambiental e Social Simplificado
ECQ Entidade de Controlo de Qualidade
FIG Federação Internacional dos Agrimensores
FNDS Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável
FCT Fórum de Consulta de Terras
GdM Governo de Moçambique
GRFCT Grupo de Reflexão do Fórum de Consulta Comunitária
IAP Indicadores de Avaliação do Projecto
IDA Associação Internacional para o Desenvolvimento (International Development
Association)
INAGE Instituto Nacional de Governação Electrónica
INE Instituto Nacional de Estatística
IRM Mecanismo de Resposta Imediata
MAEFP Ministerio da Administracao Estatal e Funcao Publica
M&A Monitoria e Avaliação
MDR Mecanismo de Diálogo e Reclamações
MEF Ministério da Economia e Finanças
MEU Actualização Econômica de Moçambique (Mozambique Economic Update)
MITADER Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural
MozFip Programa de Investimento Florestal em Moçambique (Mozambique Forest
Investement Program)
MozNET Rede Geodésica Nacional de Moçambique
NCC Centro de Computação em Rede (Network Computer Center)
NUIT Número Único de Identificação Tributário
ODS Objectivos de Desenvolvimento Sustentável
ONG Organização Não-Governamental
PAPs Pessoas afectadas pelo Projecto
PAD Documento de Avaliação do Projecto (Project Appraisal Document)
PAR Plano de Acção e Reassentamento
PCA Presidente do Conselho de Administração
PAA Plano Anual de Actividades
PDO Objectivo de Desenvolvimento do Projecto (Project Development Objective)
PF Ponto Focal
PIB Produto Interno Bruto
PNT Política Nacional de Terras
POM Manual Operacional do Projecto (Project Operations Manual)
PS Provedor de Serviços
QGAS Quadro de Gestão Ambiental e Social
QPR/RPF Quadro da Política de Reassentamento
SDAE Serviço Distrital das Actividades Económicas
SDPI Serviço Distrital de Planeamento e Infraestrutura
SiGIT Sistema de Gestão de Informação de Terras
SIRP Sistema de Integrado de Registo Predial
SPGC Serviços Provinciais de Geografia e Cadastro
SUSTENTA Projecto de Gestão Integrada de Agricultura e Recursos Naturais
TA Tribunal Administrativo
TdR Termos de Referência
TIC Tecnologia de Informação e Comunicação
UCP Unidade de Coordenação do Projecto
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 8
1.1. Aplicabilidade ................................................................................................................. 8
1.2. Actualização e Arquivo ................................................................................................... 9
1.3. Volume 1- Procedimentos Operacionais .......................................................................... 9
1.3.1. Metodologia DELCOM/RDUAT ........................................................................... 10
1.3.2. Salvaguardas.......................................................................................................... 10
1.3.3. Comunicação ......................................................................................................... 10
1.3.4. Acordo de Financiamento ...................................................................................... 11
1.3.5. Documento de Avaliação do Projecto - PAD.......................................................... 11
1.4. Volume II – Sistema de Gestão Financeira .................................................................... 11
1.4.1. Auditoria Externa .................................................................................................. 12
1.5. Volume III – Sistema de Procurement ........................................................................... 13
1.5.1. Revisão à Decisões de Procurement pelo Banco Mundial....................................... 13
1.6. Volume IV- Planificação, M&A e Controlo de Qualidade ............................................. 14
1.6.1. Planificação e M&A .............................................................................................. 14
1.6.2. Controlo de Qualidade ........................................................................................... 14
2. GUIA GERAL PARA O MOZLAND ............................................................................ 15
2.1. Contexto do país ............................................................................................................ 15
2.2. Contexto sectorial e institucional ................................................................................... 16
2.3. Desafios do sector de terras ........................................................................................... 19
3. DESCRIÇÃO DO PROJETO ......................................................................................... 21
3.1. Objectivo de Desenvolvimento do Projecto (PDO) ........................................................ 21
3.2. Indicadores do PDO ...................................................................................................... 21
3.3. Componentes do Projecto .............................................................................................. 23
3.3.1. Componente 1 - Desenvolvimento Institucional e Fortalecimento do Quadro Legal
23(SDR 16,1 milhões - US $ 22, 4 milhões equivalente) ........................................... 23
3.3.2. Componente 3 - Gestão e Coordenação de Projectos .............................................. 27
3.3.3. Componente 4 - Componente de Resposta de Contingência em Situações de
Emergência (CERC).......................................................................................................... 27
3.4. Orçamento do Projecto .................................................................................................. 28
3.5. Beneficiários do projecto ............................................................................................... 29
3.6. Genero .......................................................................................................................... 29
3.7. Áreas de Intervenção ..................................................................................................... 30
4. ARRANJOS INSTITUCIONAIS DE IMPLEMENTAÇÃO ......................................... 32
4.1. Instituições-chave ........................................................................................................... 32
4.2. Articulação institucional ................................................................................................. 32
4.2.1. Nível deliberativo: Steering Committee (CGP) ........................................................ 33
4.2.2. Nível de Gestão e Operacional ................................................................................. 33
4.2.3. Instituições de âmbito central................................................................................... 33
4.2.4. Instituições de âmbito local...................................................................................... 36
4.3. Fluxo dos Processos ....................................................................................................... 38
4.4. Salvaguardas Sócio-Ambientais ..................................................................................... 38
4.4.1. Delimitação e regularização de terras. ...................................................................... 39
4.4.2. Divulgação e formação sobre salvaguardas ............................................................. 40
4.4.3. Avaliação do Impacto Ambiental e Social................................................................ 40
4.4.3. Regularização de Posse de Terra .............................................................................. 47
4.5. Mecanismo de Dialogo e Reclamações (MDR)............................................................... 48
4.5.1. Registo, Investigação e Validação das sugestões e reclamações ............................... 49
4.5.2. Níveis de resolução do MDR ................................................................................... 50
4.6. Monitoria das salvaguardas ............................................................................................ 51
4.6.1. Instrumentos de monitoria ....................................................................................... 52
5. COMUNICAÇÃO ............................................................................................................... 54
6. PLANIFICAÇÃO MONITORIA E AVALIAÇÃO ........................................................... 56
6.1. Sistema de M&A ............................................................................................................ 56
6.1.1. Sub-sistema de Planificação..................................................................................... 57
6.1.2. Sub-Sistema de Monitoria e Reporte ........................................................................ 57
6.1.3. Sub-sistema de Avaliação ........................................................................................ 58
6.2. Atribuições de planificação ............................................................................................ 58
6.3. Atribuições de M&A ...................................................................................................... 58
6.4. Estratégias de Actuação .................................................................................................. 59

Indice de figuras

Figura 1: Representa a estrutura do Manual (POM e os Volumes Anexos) ................................. 9


Figura 2: Descrição da cadeia de resultados do Projecto ............................................................ 22
Figura 3: Distritos de incidência do MozLand ........................................................................... 31
Figura 5: Organograma da Coordenação de Projecto MozLand (Terra Segura).......................... 35
Figura 6: Processo de triagem ................................................................................................. 46
Figura 8: Níveis e resolução de conflitos .................................................................................. 51
Figura 9: Esquema do Sistema de Monitoria e Avaliação .......................................................... 57

Indice de tabelas

Tabela 1: Limites de Revisão Prévia ........................................................................................ 13


Tabela 2: Orçamento do projecto.............................................................................................. 28
Tabela 3: Procedimentos para implemetação de processos de gestão ambiental e social ............ 42
Tabela 4: Resumo dos processos de monitoria........................................................................... 53
Lista de Anexos

Anexo 1 Metodologia de RDUAT e DELCOM;


Anexo 2 Instrumentos de Salvaguardas Sociais e Ambientais;
Anexo 3 Estratégia de Comunicação
Anexo 4 Acordo de Financiamento do Projecto (versão assinada e traduzida por tradutor
ajuramentado)
Anexo 5 Documento de Avaliação do Projecto - PAD
Anexo 6 Atribuições dos Colaboradores – Termos de Referência de todos os técnicos contratados
pelo Projecto
Anexo 7 Termos de Referência da Entidade Independente de Controlo de Qualidade de Processos
Anexo 8 Orçamento do Projecto
1. INTRODUÇÃO

1.1.Aplicabilidade

O Manual Operacional foi desenhado no âmbito da operacionalização do Projecto MozLand (Terra


Segura), implementado pelo Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural
(MITADER), através do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS) e da sua
Unidade de Coordenação do Projecto (UCP) com recurso a fundos alocados pelo Banco
Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, ora diante designado por Banco Mundial, e
em conformidade com legislação moçambicana aplicável.

O POM, uma vez homologado pelo Banco Mundial, tem função legal conforme estabelecido no
Acordo de Financiamento celebrado entre esta instituição e o Governo de Moçambique.

A estrutura do Manual Operacional do Projecto (POM) do Projecto MozLand (Terra Segura), tal
como ilustra a

Figura 1: Representa a estrutura do Manual (POM e os Volumes Anexos)

, contempla quatro volumes, nomeadamente, Procedimentos Operacionais do Projecto; Sistema


de Gestação Financeira; Sistema de Procurement e Sistema de Monitoria & Avaliação, que
constituem os elementos de implementação e operacionalização do Projecto.

POM – Mozland
(Manual Operacional)

Este volume descreve:


Volume I
• Caracterização do Projecto
Procedimentos Operacionais
(Objectivo, Beneficiários,
Componentes, Estratégia,
Financiamento, Quadro de
Volume II resultados);
Sistema de Gestão Financeira
• Os Arranjos institucionais de
implementação do Projecto;
Volume III-Sistema de • Atribuíções do Comité de Gestão do
Procurement Projecto;
• Anexos (Staff; Acordo de
Financiamento)
Volume IV - Sistema de M&A

8 | Página
Figura 1: Representa a estrutura do Manual (POM e os Volumes Anexos)

Cada volume e constituído pela parte descritiva e Anexos a ela associados. Os aspectos gerais do
Projecto são descritos no Volume I, e os demais volumes presentam os aspectos específicos das
actividades da implementação do Projecto. Para facilitar a compreensão e o seu manuseio, os
volumes podem ser disponibilizados de forma independente conforme as especificidades dos
conteúdos.

O presente documento, que constitui o Volume 1 do Manual, tem como objectivo descrever as
actividades que envolvem as diversas unidades orgânicas do MITADER e outras instituições
relevantes ao projecto, bem como detalhar como elas devem ser desenvolvidas.

1.2.Actualização e Arquivo

No decurso do Projecto, as lições apreendidas bem como as atualizações impostas por mudanças
tecnológicas, legais e institucionais serão incorporadas no Manual, estando todas as alterações e
revisões sujeitas a aprovação do Conselho de Administração do FNDS e subsequente homologação
pelo Banco Mundial e subsequente publicação no website do FNDS (www.fnds.gov.mz).

A manutenção e actualização do Manual é da responsabilidade da Divisão de Monitoria &


Avaliação do FNDS.

1.3.Volume 1- Procedimentos Operacionais

O Volume 1 compreende a componente técnica, e inclui a Introdução, o Guia Geral, a Memória


Descritiva, a Identificação das Instituições Chaves e os Arranjos de Implementação.

Fazem ainda parte deste volume oito anexos:

Ø Anexo I – Metodologia de RDUAT e DELCOM;


Ø Anexo II - Instrumentos de Salvaguardas Sociais e Ambientais;
Ø Anexo III – Estratégia de Comunicação
Ø Anexo IV – Acordo de Financiamento do Projecto (versão assinada e traduzida por tradutor
ajuramentado);
Ø Anexo V – Documento de Avaliação do Projecto - PAD;
Ø Anexo VI – Atribuições dos Colaboradores – Termos de Referência de todos os técnicos
contratados pelo Projecto;
Ø Anexo VII - Termos de Referência da Entidade Independente de Controlo de Qualidade de
Processos.
Ø Anexo VIII - Orçamento do Projecto

9 | Página
1.3.1. Metodologia DELCOM/RDUAT

A metodologia DELCOM/RDUAT é um instrumento desenvolvido de acordo com a Lei de Terras


(Lei n.º 19/97, de 1 de Outubro) e outros instrumentos legais relevantes, que harmoniza a
delimitação das áreas ocupadas pelas comunidades locais segundo as normas e práticas
costumeiras (DELCOM) e o registo e regularização sistemática (RDUAT) dos direitos adquiridos
por pessoas singulares nacionais que, de boa-fé, ocupam a terra há pelo menos 10 anos ou segundo
as normas e práticas costumeiras.

Esta metodologia adopta uma abordagem sistemática, detalhada, harmonizada e transparente para
orientar o processo de delimitação comunitária, assegurando a participação efectiva e inclusiva
das comunidades locais (membros e lideranças) e para determinar o papel dos diferentes
intervenientes públicos e privados, ao mesmo tempo que assegura que os dados e informações
recolhidas no processo contribuam para a constituição e operacionalização do Cadastro Nacional
de Terras.

A metodologia em referência está incluída como Anexo I do presente volume.

1.3.2. Salvaguardas

A secção de Salvaguardas consolida informação dos instrumentos especificamente desenvolvidos


e aprovados para implementação do Projecto MozLand (Terra Segura), nomeadamente o Quadro
de Avaliação Ambiental e Social, o Quadro da Política de Reassentamento e a Estratégia de
Mitigação de Riscos Sociais.

A responsabilidade de operacionalização dos instrumentos supracitados é do FNDS através da sua


equipa da Área de Salvaguardas Ambientais e Sociais.

Os instrumentos de salvaguardas sociais e ambiental estão incluídos e apresenta-se como Anexo


II do presente volume.

1.3.3. Comunicação

O Projecto MozLand (Terra Segura) tem uma Estratégia de comunicação específica, integrada no
plano de comunicação geral do FNDS, que apoiará a sua implementação nas diferentes áreas de
intervenção, e que incluirá entre outras ações, campanhas de divulgação e sensibilização a serem
realizadas antes, durante e depois das actividades de DELCOM/RDUAT.

Esta estratégia, parte integrante do presente volume e apresenta-se como Anexo III, inclui entre
outros:

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Ø Os canais e ferramentas de comunicação para diferentes intervenientes a todos os níveis
(local/comunitário, provincial e nacional), incluindo a especificação das proporções do
alvo que se espera alcançar por canal;

Ø O desenho das campanhas de comunicação para cada categoria e subgrupos de


intervenientes do projecto terá em atenção as questões de género e de grupos vulneráveis;

Ø Um quadro de mensagens bem claras e simples para facilitar o processo de comunicação


com os diferentes intervenientes, a nível (local/comunitário, provincial e nacional) e de
gestão e suas expectativas.

1.3.4. Acordo de Financiamento

O Acordo de Financiamento (AdFin) é um dos principais documentos que regula o Projecto, ao


qual todos os outros documentos se obrigam a conformar, por constituir aquele que representa o
compromisso assumido entre o Mutuário (Governo da República de Moçambique) e o Mutuante
(Banco Mundial). Este acordo constitui o Anexo IV do presente Manual.

1.3.5. Documento de Avaliação do Projecto - PAD

O PAD (Documento de Avaliação do Projecto) - é um documento de concepção do projecto e


contém dentre vários elementos, os objectivos do projecto, as componentes e subcomponentes, os
indicadores e a tabelas de custos e descreve detalhadamente todas as opções adoptadas para a sua
implementação. Este documento constitui o Anexo V do presente Manual.

1.4. Volume II – Sistema de Gestão Financeira

O Projecto MozLand (Terra Segura) observa as normas e procedimentos estipulados no Manual


de Gestão e Administração Financeira do FNDS, sujeito a homologação ou Não-Objecção do
Banco Mundial.

O âmbito deste manual engloba a gestão do modelo contabilístico, a definição de políticas e


procedimentos contabilísticos, mais propriamente na revisão e acompanhamento da evolução da
observância de procedimentos contabilístico nos termos das Normas Internacionais de Relato
Financeiro, aplicável às actividades do FNDS, assim como acompanhar os desenvolvimentos de
novos projectos de forma a assegurar a correcta manutenção e actualização do plano de contas, o
encerramento e a consolidação de contas mensais, assegurando a correcção de possíveis erros ou
imprecisões.
Abrange, ainda, a preparação das demonstrações financeiras, do relatório e contas do FNDS, bem
como a preparação da informação de gestão, necessária para a prestação de contas junto da tutela.
A Divisão de Finanças e Orçamento do pelouro de finanças assumirá o compromisso de
acompanhamento dos movimentos e saldos das várias rúbricas contabilísticas em conformidade

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com os mapas gerados pela gestão de projectos, extractos e outra informação de suporte, no sentido
de controlar eventuais desvios contabilísticos relativamente aos movimentos realizados pelas áreas
operacionais.

1.4.1. Níveis de delegação e sub-delegação de poderes

As despesas a realizar no âmbito do Projecto serão efectuadas de acordo com a matriz de


delegação de competências dentro do FNDS e do MITADER segundo o definido no Manual de
Gestão e Administração Financeira.
Tabela 1 - Matriz de Delegação de Competencias

Nº Intervalo de valores em Categorias Responsável pela


USD ou equivalente Autorização da Despesa

1 Até USD 100.000,00 Bens, Serviços, Obras Administrador do Pelouro de


Mobilização de Recursos e
Financiamento do FNDS
2 > USD 100,000.00 Bens, Serviços, Obras Presidente do Conselho de
Administração do FNDS
3 > USD 1,000,000.00 Obras Ministro-MITADER

4 Até USD 50.000,00 Formação Curta Duração e Administrador do Pelouro


Outros (Não Bens, Não de Mobilização de Recursos
Serviços, Não Obras) e Financiamento do FNDS

5 > USD 50.000,00 Formação Curta Duração e Presidente do Conselho de


Outros (Não Bens, Não Administrção do FNDS
Serviços, Não Obras)

6 Nota: O Ministro, poderá delegar a assinatura dos contratos de Obras indicados em 3 ao


Presidente do Conselho de Administração do FNDS.

1.4.2. Auditoria Externa


O FNDS no âmbito do Projecto MozLand (Terra Segura) está sujeito a auditoria financeira e de
desempenho, a ser conduzida pelo Tribunal Administrativo, entidade responsável pelo controlo
externo dos fundos públicos na República de Moçambique.

Para além da auditoria do Tribunal Administrativo, o MozLand será auditado anualmente por uma
entidade independente e não-governamental, cujos relatórios de auditoria, juntamente com as suas

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Cartas de Gestão serão submetidos ao Banco Mundial.

1.5. Volume III – Sistema de Procurement

A secção de Procurement observa as normas e procedimentos estipulados no Manual de


Procurement do FNDS, a submeter ao Banco Mundial para a sua homologação ou emissão do não
objecção.

As normas e procedimentos a adoptados no Projecto MozLand (Terra Segura) estão em


conformidade com o Regulamento de Aquisições para Mutuários de Operações de Financiamento
de Projectos de Investimento para Bens, Obras, Serviços Técnicos e Serviços de Consultoria Julho
de 2016, revised November 2017 and August 2018, bem como no estabelecido no respectivo
Acordo de Financiamento, assinado a 28 de Dezembro de 2018. Serão ainda aplicáveis, as
“Diretrizes sobre prevenção e combate à Fraudes e Corrupção nos Projectos financiados no âmbito
de Empréstimos do BIRD, Créditos e Donativos da AID”, de 15 de Outubro de 2006 e revistos em
Janeiro de 2011. O Volume III do Manual representa a parte de Procurement, que detalha as
normas e os procedimentos. Neste consta uma tabela que apresenta um resumo das modalidades
de aquisições e limites para a revisão prévia.

1.5.1. Revisão à Decisões de Procurement pelo Banco Mundial.

A tabela abaixo fornece os valores acima dos quais os procedimentos de Procurement carecem de
revisão prévia do Banco Mundial. Porém, todas as actividades cujo custo estimado seja inferior ao
da tabela, estão sujeitas à revisão posterior pelo Banco Mundial durante a Missão de Apoio a
Implementação, através de um exercício de revisão de Pós-Procurement. As seleções por
Contratação Directa/Fornecedor único serão submetidas a revisão prévia somente nos casos em
que os custos estimados são superiores aos da tabela. O Banco Mundial poderá ocasionalmente
alterar os montantes, em função do desempenho das instituições de implementação.

Tabela 2: Limites de Revisão Prévia

Revisão Prévia
Tipo de Procurement
(USD)

Empreitadas 10,000,000

Bens e Serviços de Não-Consultoria 2,000,000

Consultores (Firmas) 1,000,000

Consultores Individuais 300,000

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1.6.Volume IV- Planificação, M&A e Controlo de Qualidade

1.6.1. Planificação e M&A


O Volume de Planificação e M&A inclui o planeamento anual, os orçamentos, relatórios
(semestrais e anuais), bem como o monitoramento de actividades e dos indicadores, relatórios,
avaliação e disseminação.

1.6.2. Controlo de Qualidade


O controlo de qualidade é parte integrante da metodologia de regularização da terra e delimitação
de terras ocupadas pelas comunidades. Os provedores de serviços devem ter seu mecanismo
interno de controlo de qualidade. Além disso, a DINAT, os SPGCs, possuem seus sistemas
internos de controlo de qualidade que são implentados sobre o processo de regularização de terra,
incluindo o controlo da qualidade dos dados alfanuméricos e espaciais através do SiGIT, enquanto
o FNDS, através da área de Salvaguardas, monitorará a implementação das salvaguardas sociais e
ambientais do Projecto.

Ainda, será estabelecida entidade independente de controlo de qualidade que fornecerá suporte
adicional a DINAT e ao FNDS, tendo as seguintes funções:

Ø Verificar a regularização da posse de terra, incluindo a avaliação da disponibilidade das


comunidades para avançar de um estágio para o outro;

Ø Garantir a implementação dos instrumentos de salvaguardas, incluindo o apoio em


situações específicas;

Ø Apoiar a implementação e acompanhamento do MDR.

Os detalhes das responsabilidades e funções da entidade em referência estão descritos nos


respectivos Termos de Referência, no Anexo VII deste Manual.

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2. GUIA GERAL PARA O MOZLAND

2.1. Contexto do país

De acordo com o relatório do Banco Mundial1 de Novembro de 2018, Moçambique começa a


emergir de um período de elevada volatilidade macroeconómica, que foi carecterizado por uma
recessão do seu nível de crescimento económico. Com uma média de 8% entre 2005 e 2015, o
crescimento do PIB caiu para 3,7 em 2017 e previa-se que caísse para 3,3% em 2018 devido ao
facto que o crescimento mais lento da indústria extractiva contrabalançaria qualquer aumento
modesto na produção nacional e na prestação de serviços. De acordo com o referido relatório o
crescimento do produto interno bruto (PIB) ficou pela média de 3,8% em 2016 e 2017 e atingiria
uma taxa ligeiramente menor de 3,3% em 2018. Serviços como turismo, transporte e finanças, os
mais atingidos pela crise, mostraram um aumento modesto no crescimento.

O peso relativo do sector extractivo está em crescimento, ao mesmo tempo que que o papel da
manufactura e da agricultura vai diminuindo. Esta situação pode ser preocupante em termos de
diversificação e distribuição de renda, o que também foi acompanhado por uma fraca posição
externa e níveis elevados de inflacção.

Num contexto da crescente dependência dos recursos naturais (particularmente no sector de gás),
o desafio de curto prazo é manter a estabilidade macroeconômica, ao mesmo tempo que se busca
diversificação para o crescimento inclusivo em outros sectores, como a agricultura.

Uma política forte, focada na redução da incerteza macroeconômica e no aumento do investimento,


ajuda a estabelecer as bases para uma recuperação completa e um crescimento mais inclusivo.

Embora se tenha registado uma redução na pobreza, o referido relatório concluí que há mais
desigualdade à medida que o progresso económico se torna cada vez menos inclusivo. A análise
identifica entre vários outros desenvolvimentos positivos, a aceleração na taxa de redução da
pobreza entre 2008 e 2014, de 59% para 48% da população.

O fortalecimento do direito à terra é fundamental para os esforços de desenvolvimento e redução


da pobreza em Moçambique. O uso da terra para o desenvolvimento socio-económico,
particularmente para a segurança da produção agrícula e de alimentos, continua a ser uma
importante base da agenda económica nacional. Na última década registou-se crecimento no
interesse na obtenção de terras em larga medida por parte de investidores estrangeiros em
Moçambique para a implantação de diversos projectos agrícolas, industriais, de mineração, etc.
Esses projectos têm como áreas alvo as zonas rurais já ocupadas pelas comunidades locais, cuja
subsistência está fortemente ligada ao acesso à terra e aos recursos naturais associados.

É no contexto da grande procura de terras comunitárias que muitos conflitos foram surgindo, e a

1
http://www.worldbank.org/en/country/mozambique/publication/mozambique-economic-update-less-poverty-but-
more-inequality consulta em 12/02/2019

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maioria das comunidades não é capaz de exercer os seus direitos de posse legal devido a muitos
factores, entre os mais importantes a falta de representação legal capaz e responsável para proteger
os interesses destas comunidades locais. Assim, o reforço da segurança dos direitos de posse da
terra e a promoção do desenvolvimento económico baseado na posse de terra, através de parcerias
entre comunidades e investidores, tornaram-se os pilares propostos de uma estratégia de
governança da terra para o país, realça o relatório do Banco Mundial no período em referência.

2.2. Contexto sectorial e institucional

Nas últimas duas décadas Moçambique fez progressos significativos em matéria de gestão da terra,
com a adopção da Política Nacional de Terras em 1995 e da aprovação da Lei de Terras em 1997,
resultantes da revisão Constitucional de 1990. Estes progressos vieram melhorar o acesso à terra e
a segurança dos direitos dos cidadãos ao us e aproveitamento da terra adquiridos por via de normas
e práticas costumeiras ou de boa-fé, particularmente através do reforço da sua política de acesso a
terra. O país é considerado como tendo uma das mais progressivas políticas de terra e as mais
progressistas estruturas legislativas para uma gestão sustentável e equitativa da terra em África.

O quadro jurídico que regula as matérias sobre a terra em Moçambique está alicerçado em dois
princípios Constitucionais fundamentais: (i) A terra é propriedade do Estado e (ii) A terra não deve
ser vendida ou por qualquer outra forma alienada, nem hipotecada ou penhorada (artigo 109 da
Constituição da República de Moçambique). Decorre que o acesso, uso e aproveitamento da terra,
bem como a garantia do direito aos seu uso e aproveitamento pelos cidadãos e comunidades locais,
se processa sob o signo do regime de “autorização” ou “reconhecimento”, de acordo com a
Constituição vigente e a Lei de Terras Lei n.º 19/97, de 1 de Outubro. Porém, as leis e os
regulamentos ainda apresentam lacunas significativas no que diz respeito à representação legal das
comunidades e à gestão de terras comunitárias e respectivos recursos naturais. Essas lacunas são
na prática exacerbadas pela fraca capacidade das comunidades em defender os seus direitos, pela
falta de clareza na definição do âmbito de certos direitos e nas fraquezas do sistema de
administração da terra, especialmente nos níveis locais.

Entretanto, as comunidades locais podem solicitar que as suas áreas sejam delimitadas e registadas
no cadastro nacional com base nos limites das comunidades vizinhas, e solicitar que os respectivos
certificados sejam emitidos pelo Estado. As pessoas singulares ou colectivas também podem
solicitar que seus espaços sejam demarcados e registados no sistema nacional de cadastro por meio
de uma títulação do Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT). Estes processos
encontram-se especificados no Anexo Técnico da Lei de Terras.

Em 2012 foi desenvolvido e posto em funcionamento, com o apoio de parceiros internacionais,


um Sistema de Gestão de Informação da Terra (SiGIT) cujo objectivo é promover a utilização de
informações de terra de forma fiável e universal pelo Estado e particulares. No entanto, devido a
limitada cobertura da infraestrutura de comunicação do país, a baixa qualidade da rede eléctrica e
a algumas limitações técnicas do sistema, verificam-se ainda vários constrangimentos no uso do
SiGIT para a regularização massiva de terras, bem como no acesso generalizado aos serviços de
administração de terras pelo público em geral, especialmente nas zonas rurais.

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Em 2015 o Governo lançou o Programa Terra Segura que estabeleceu uma meta de regularizar
5.000.000 de DUAT´s (individual) e completando a delimitação de 4.000 terras de comunidades
locais até o final de 2019, e que contribuirá desta forma para um desenvolvimento sustentável,
garantindo o reconhecimento dos direitos de Uso e aproveitamento de terras, bem como para
promover investimentos responsáveis, e assegurar o fluxo de benefícios às famílias e comunidades
rurais. No mesmo ano, Governo levou a cabo uma importante reforma para racionalizar o quadro
institucional na administração e gestão da terra, que culminou com a criação do Ministério da
Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER) que passou a cuidar da política nacional
de administração de terra antes acometida ao Ministério da Agricultura.

Porém, atualmente a capacidade do sector de administração da terra para delimitar comunidades,


emitir e monitorar títulos de DUAT para indivíduos em geral e para os investidores em particular,
permanece muito baixa. Dos estimados 14.1 milhões de parcelas individuais ocupados por
indivíduos e associações em Moçambique, foram emitidos aproximadamente 450.000 títulos de
DUATs (3.2 por cento), e pouco mais de 937 Certificados de Delimitação Comunitária (CDCs)
para um universo de cerca de 5.000 comunidades (19 por cento)2 (DINAT, 2016).

Apesar de fundamentais, essas reformas ainda precisam trazer os benefícios desejados. As


fraquezas institucionais e a sua incapacidade de realizar tarefas básicas de administração da terra,
especialmente a nível distrital e local, incluindo o aproveitamento das tecnologias disponíveis para
facilitar as actividades de regularização de DUATS em larga escala, têm sido um grande obstáculo
à implementação da Lei de Terras.

Um outro aspecto importante que carece de atenção é o facto de grande parte da cartografia do
país ter uma escala bastante pequena e de estar desactualizada e, portanto, de não reflectir a
situação actual. A base cartográfica não beneficiou de qualquer actualização que garantisse a
manutenção do seu valor, de modo a constituír-se um activo tanto para os processos de
regularização de DUATs como para suporte aos processos operacionais e de adopção de políticas
do país. A Rede Geodésica Nacional (MozNET) requer maior densificação, a fim de apoiar o
sistema de administração da terra.

A partir de 2000, logo aós a aprovação do Anexo Técnico da Lei de Terra, deram-se início aos
processos de delimitação das terras ocupadas pelas comunidades, na maioria levadas a cabo por
Organizações Não-Governamentais (ONGs), financiadas através de parcerias bilaterais
independentes, sem o envolvimento proactivo das autoridades da administração de terras e sem a
adopção de uma metodologia normalizada nem de práticas e padrões comuns. Como resultado, os
processos de delimitação levaram a resultados heterogéneos e inconsistentes.

Em Novembro de 2017, o Presidente da República lançou um programa de revisão da política


nacional de terras e do respectivo quadro legal, a ser conduzido pelo Fórum de Consulta sobre

2 A maioria da delimitação de terras comunitárias tem sido conduzida por organizações não-governamentais (ONGs) com
financiamento de doadores. Esses projectos resultaram em uma boa capacidade de delimitação comunitária entre as ONGs
nacionais, bem como em uma metodologia em evolução que incorpora planos de uso da terra em nível comunitário como um dos
principais resultados do processo de delimitação.

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Terras (FCT), um órgão estatutário que reúne actores do sector público, privado e da sociedade
civil e outras partes interessadas relevantes sobre a terra no país.

O FCT salienta que qualquer alteração à política de terra e do quadro legal ocorrerá de acordo com
os princípios estabelecidos pela Constituição moçambicana, de que a terra é propriedade do Estado
e não pode ser vendida ou de qualquer forma alienada ou hipotecada.

O FCT propôs que o MITADER preparasse e coordenasse a revisão da Política Nacional de Terras,
onde deve ser priorizada a regularização sistemática dos direitos da terra detidos de boa-fé e
ocupação costumeira; a consolidação do quadro institucional, através da criação de uma entidade
nacional autónoma de administração de terras, e desenvolver as ligações institucionais e
tecnológicas entre o cadastro de terras e os sistemas de registo de propriedade.

Em Junho de 2018, foi criada uma comissão pelo MITADER para supervisionar o processo de
revisão da Política Nacional de Terra, bem como o quadro institucional e legal. No mesmo mês o
Conselho de Ministros aprovou um novo Código do Registo Predial, que entrou em vigor em
Novembro de 2018, e que regula o registo de direitos de propriedade, incluindo todos os títulos de
DUAT´s emitidos pelas autoridades cadastrais. O objectivo do Código é proporcionar maior
segurança jurídica capaz de sustentar um mercado imobiliário de prédios urbanos e rústicos,
alargando a sua abrangência aos títulos emitidos pelos serviços de administração de terras. Entre
as alterações introduzidas por este Código destaca-se a obrigatoriedade do registo de todos os
factos a ele sujeitos uma plataforma de informação digital nacional de registo (SIRP) a ser
introduzida gradual por todo o país.

No que concerne ao quadro regulamentar é ainda necessário desenvolver um grande trabalho de


revisão e desenvolvimento.

A falta de documentação formal e registo de DUATs tem-se provado uma desvantagem na


protecção dos direitos de ocupação da terra para a maioria da população, quando a pressão sobre
a terra cresce devido ao crescimento populacional ou a urbanização, ou quando estão em
negociação potenciais investimentos ou estabelecimento de associações produtivas baseadas na
comunidade.

Estas fraquezas levam a um controlo ineficaz do processo de ocupação e distribuição dos recursos
da terra por instituições públicas e vem contribuíndo para um aumento no número de conflitos de
terra e à expansão do mercado informal da terra, em particular nos centros urbanos e áreas peri-
urbanas.

É também necessário alavancar mais os processos de delimitação das terras ocupadas pelas
comunidades na criação de bases mais sólidas para investimentos inclusivos nos sectores agrícola
e florestal.

Além disso, as oportunidades para integrar as visões das comunidades locais nos processos de
planificação de investimento público e privado são frequentemente perdidas. Os processos de
consulta e acordos com as comunidades locais, exigidos por lei e necessários para garantir

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investimentos sustentáveis e benefícios para as comunidades, são geralmente inadequados,
ausentes ou fracamente executados, resultando em conflitos, atrasos nos investimentos e falha na
recolha de benefícios.

A consolidação da governança comunitária e a capacidade de participar efectivamente no


desenvolvimento económico local exigem maior envolvimento do Governo.

Como em várias outras partes da África Subsaariana, esta complexidade pode aumentar a pressão
na procura da terra, impedir o investimento, deixar as comunidades e os indivíduos mais pobres
vulneráveis a perda ou restrição dos seus direitos à terra e limitar a capacidade do Governo de
obter receitas provenientes da tributação sobre o uso da terra. Além disso, a falta de integração dos
vários sistemas de informação de terra existentes (a nível central e municipal) é um obstáculo para
a prestação de serviços de administração da terra eficazes e podem impedir o sector privado de
fornecer serviços que constituem uma importante maior valia para o desenvolvimento económico
do país.

Dentre os desafios do sector, consta o fraco acesso da mulher à terra, embora o quadro legal preveja
a igualdade de direitos entre o homem e a mulher. A realidade mostra que razões socio-
económicas, culturais, religiosas e outras, enfraquecem a igualdade de género no acesso, uso e
aproveitamento da terra, limitando o contributo da mulher na produção, no acesso ao crédito, a
informação e a participação em diferentes espaços públicos. Outrossim, é importante disseminar
informações que valorizem cada vez mais a mulher como sujeito importante na cadeia de valor
sobre a terra, através da atribuição dos respectivos títulos ou a co-titulação com o homem no seio
da família.

2.3. Desafios do sector de terras

Dentre os principais desafios da área de administração da terra, destacam-se os seguintes:


Ø Fraqueza do quadro político, legal e institucional;
Ø Necessidade de reforma do quadro legal sobre a terra, incluindo a Política Nacional;

Ø Necessidade de fortalecimento institucional do sector de administração e gestão da terra,


através da criação de uma entidade autónoma;
Ø Insuficiência de recursos humanos capacitados;
Ø Falta de sustentabilidade financeira em resultado do reduzido orçamento que é alocado
anualmente para a gestão e administração da terra, incluindo a entrega de documentos
legais que conferem a posse da terra;
Ø Pressão acrescida sobre a terra, resultante do aumento dos investimentos no país, o que
aumenta o risco de instabilidade social se a segurança da posse da terra não for acautelada;
Ø Falta de registo formal dos direitos sobre a terra no cadastro nacional, o que leva a uma
falta de confiança e relutância em investir em projectos de longo prazo, bem como na
conservação da terra e dos recursos naturais.

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Os direitos de uso e aproveitamento da terra fornecem a base para negociações entre
agricultores/comunidades e investidores que estão interessados em adquirir terras ocupadas pelas
comunidades locais para novos projectos. Como resultado, as populações locais ganham um
benefício tangível da titularidade de suas terras e recursos naturais, podendo participar activamente
em novos investimentos e no desenvolvimento de cadeias de valor de agronegócio. Além disso, os
investidores alcançam maior segurança para seus investimentos, uma vez que o potencial de
conflitos com os detentores de direitos é reduzido.

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3. DESCRIÇÃO DO PROJETO

3.1. Objectivo de Desenvolvimento do Projecto (PDO)

O Objectivo de Desenvolvimento do Projecto é fortalecer a segurança da posse da terra em distritos


selecionados para o MozLand e melhorar a eficiência e a acessibilidade dos serviços de
administração da terra.

Este objectivo será alcançado através de:

Ø Acelerar a consolidaçao do cadastro nacional da terra e o registo de DUATs;


Ø Realização de actividades de regularização sistemática da terra, delimitação de terras
ocupadas pelas comunidades e integração do planeamento de base do uso da terra.
Ø Melhoria do quadro legal e operacional dos serviços de administração da terra;
Ø Fortalecimento da capacidade institucional e das comunidades para a administração da
terra;
Ø Melhoria do cadastro e acessibilidade dos serviços e informações cadastrais ao público e
Ø Consciencialização sobre a importância dos direitos sobre a terra, em particular a nível das
comunidades rurais.
3.2. Indicadores do PDO

Os principais indicadores de resultado do Projecto são:

Ø Número de Certificados de delimitação da comunidade registados no SiGIT, incluindo um


plano de micro-zoneamento;
Ø Número de Beneficiários que receberam DUATs registados no SiGIT (dos quais alguma
percentagem registada em nome de mulheres ou em co-titularidade);
Ø Nível de satisfação dos beneficiários do DUAT em relação à regularização sistemática de
terra (incluindo percentagem de mulheres);
Ø Redução do custo de emissão por DUAT registado no SiGIT através de um processo
sistemático de regularização terra;
Ø SiGIT actualizado, operacional e disponível para uso, incluindo um portal web que permite
o acesso do público aos dados cadastrais nacionais.
A Figura 2 apresenta a descrição da cadeia de resultados do Projecto.

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Figura 2: Descrição da cadeia de resultados do Projecto
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3.3. Componentes do Projecto

O Projecto contempla quatro componentes que representam as áreas em que ele se vai concentrar,
nomeadamente:

Ø Componente 1 – Desenvolvimento Institucional e Fortalecimento do Quadro Legal;


Ø Componente 2 – Regularização Sistemática da Terra;
Ø Componente 3 – Coordenação e Gestão do Projecto; e
Ø Componente 4 – Componente de Contigência e Resposta a Emergência.

3.3.1. Componente 1 - Desenvolvimento Institucional e Fortalecimento do Quadro Legal


(SDR 16,1 milhões - US $ 22, 4 milhões equivalente)

O objectivo desta Componente é melhorar a eficiência das instituições de administração de terras


existentes e os padrões ou práticas de recolha, processamento, fornecimento e manutenção de
informações sobre a terra, incluindo a melhoria da prestação de serviços nos níveis distrital e
provincial, bem como o funcionamento dos sistemas de gestão de informação sobre a terra.

A Componente apoiará:

Ø os estudos preparatórios e a análise de viabilidade para o estabelecimento de uma entidade


de administração de terras eficiente e orientada para o serviço com o objectivo de
autofinanciamento;
Ø o processo de revisão e implementação da Política Nacional de Terras e da revisão e
melhoria do quadro legal sobre a terra;
Ø a formação e treinamento (incluindo matérias de direitos das mulheres sobre a terra);
Ø a construção de infraestrutura física;
Ø o adensamento e melhoria da rede geodésica existente;
Ø requalificação, operação e manutenção do SiGIT.

3.3.1.1. Sub-componente 1.1 - Revisão da Política Nacional de Terras (PNT) e Quadro Legal do
Sector de Terras (DES 0,7 milhões - equivalente a US $ 1 milhão)
Este Sub-componente financiará a assistência técnica para reformas nas políticas e na legislação e
despesas relacionadas.

A revisão da PNT estabelecerá as bases para o trabalho de melhoria do quadro legal, abordando
questões relacionadas, entre outros, a transferência de DUATs, representação legal da comunidade,
co-titularidade, tributação, registo de direitos sobre a terra na Conservatória de Registo Predial,
informações sobre terras, interoperabilidade do (SiGIT) com outros sistemas e a implicação das
Zonas de Protecção Parciais.

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3.3.1.2.Sub-componente 1.2 - Desenvolvimento institucional e capacitação (DES 0,4 milhão -
equivalente a US $ 0,5 milhão)
Esta Sub-componente financia:

Ø O desenvolvimento de recursos humanos e treinamento das instituições de administração


da terra, incluindo os direitos à terra pelas mulheres e o fortalecimento das entidades de
gestão de terras e recursos no nível da comunidade.

Ø estudos técnicos, institucionais e de viabilidade preparatórios para o estabelecimento de


uma entidade Nacional Autônoma de administração da terra, e seus planos estratégicos e
de negócios.

Ø assistência técnica adicional para a melhoria e operacionalização de um sistema tributário


de uso da terra.

3.3.1.3. Sub-componente 1.3 - Melhoria da infraestrutura e equipamentos


(DES 8,7 milhões - equivalente a US $ 12,2 milhões)
Esta Sub-componente financiará:

Ø infra-estruturas técnicas e físicas, incluindo a de Comunicação. A DINAT identificou a


necessidade de construir sete novos edifícios nas capitais provinciais e sete nos distritos
(regionais) que acomodarão todo o pessoal dos serviços de administração de terras.

Ø modernização da Rede Geodésica Nacional, incluindo o desenho e implementação de


novas estações da rede de CORS que permitirão a provisão dos serviços de
posicionamento em tempo real (RTK) aos clientes nas áreas selecionadas do projecto,
reduzindo deste modo o tempo e os custos de levantamento dos limites das parcelas. Inclui
também o treinamento e capacitação de pessoal para a manutenção da rede e provisão
sustentável dos serviços para os clientes;

Ø a melhoria das infra-estruturas dos escritórios provinciais e distritais para aproximar os


serviços de administração de terras aos utentes, melhorar as condições de trabalho do
pessoal e as condições de acesso do público.

3.3.1.4. Sub-componente 1.4 - Sistema de Gestão de Informação de Terra


(DES 6,2 milhões - equivalente a US $ 8,7 milhões)
Esta Sub-componente financiará actividades relaccionadas com a requalificação, operação e
manutenção de SiGIT com o objectivo de assegurar a sua cobertura nacional e garantir o seu
funcionamento ininterrupto e capaz de dar resposta à elevada demanda do processo de
regularização massiva

A versão actualizada do sistema permitirá a recolha de dados através de dispositivos móveis e será
interoperável com outros sistemas do sector público.

O SiGIT será composto pelos seguintes módulos/subsistemas:

Ø Um subsistema central para regularização da terra e cadastramento;


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Ø Colecta e mapeamento de dados móveis;
Ø Gestão de documentos;
Ø Gestão de fluxo de trabalho;
Ø Gestão de regras de negócios; e
Ø Portal Web público.
Esta Sub-componente financiará também o desenvolvimento de uma estratégia de TIC, bem como
o desenho de uma infraestutura integrada baseada numa arquitectura de sistema centralizada e a
efectivação da interoperabilidade entre o SiGIT e outros sistemas de informação da administração
pública (SIRP, PDE; Cadastro Mineiro; Instituto Nacional de Estatística; BI e NUIT), através da
contratação de serviços de consultoria para a especificação de um padrão normalizado de troca de
dados do cadastro de terras, o desenvolvimento de mecanismos de sincronização de dados,
processos e regras de negócios, em conformidade com o quadro de interoperabilidade do governo
eletrónico de Moçambique (eGIF4M), bem como a análise da actual política e quadro jurídico
relevante.

3.3.1.5.Componente 2 - Regularização Sistemática da Terra


(DSE 46,5 milhões - equivalente a US $ 64,9 milhões)
O objectivo desta componente é fortalecer a segurança da posse da terra através da regularização
sistemática dos direitos de uso e aproveitamento da terra nos distritos seleccionados e a emissão
de certificados de Delimitação Comunitária para comunidades que pretendam delimitar as suas
terras, e a provisão de documentação formal para direitos de terra obtidos por ocupação segundo
normas e práticas costumeiras e ocupação de boa-fé, adoptando metodologias que promovem a
igualdade de género.

A Componente financiará:

Ø a sensibilização e divulgação de campanhas de comunicação sobre o processo de


regularização;
Ø a aquisição de imagens ortorectificadas de alta resolução para o mapeamento de base com
níveis apropriados de precisão para os distritos prioritários seleccionados;
Ø a delimitação dos postos administrativos e de localidades nos distritos abrangidos pelo
Projecto;
Ø o processo massivo de regularização da posse da terra através da emissão de certidões de
delimitação de terras ocupadas pelas comunidades e de títulos DUATs;
Ø o desenvolvimento e apoiar a implantação de uma Metodologia participativa padrão e
adequada à finalidade, para assegurar a delimitação e a regularização da posse da terra
pelas comunidades; e
Ø o estabelecimento de uma Entidade de Controlo de Qualidade.

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3.3.1.6. Sub-componente 2.1 - Informação Pública e Sensibilização
(DES 1,3 milhões - equivalente a US $ 1,8 milhão)
Esta Sub-componente financiará uma campanha de nível nacional (através da TV, jornais
nacionais, rádio) que precederá a delimitação da comunidade (DELCOM) e actividades de
regularização da terra (RDUAT) e será realizada continuamente durante a implementação do
projecto pelo FNDS. As actividades serão de natureza inclusiva e direcionadas para garantir o
alcance a mulheres e grupos vulneráveis.

A campanha de comunicação incluirá treinamento sobre direitos das mulheres, promoção de


mulheres como participantes de associações de produtores ou protagonistas de associações de
mulheres, promoção da participação de mulheres na entidade que representa a comunidade e será
estruturada para fornecer oportunidades as mulheres de expressar suas preocupações e aprender
sobre os mecanismos disponíveis para apresentar quaisquer reclamações.

3.3.1.7.Sub-componente 2.2 - Mapeamento de Base


(DES 5,7 milhões - equivalente a US $ 7,9 milhões)
Esta Sub-componente financiará:

Ø A aquisição de fotografias aéreas digitais de alta resolução para apoiar a DELCOM e


RDUAT, bem como servir como servir de mapa base para o SiGIT;

Ø A delimitação ou actualização, dos limites administrativos até o nível Posto Administrativo


e a criação dos respectivos conjuntos de dados para os distritos selecionados e;

Ø A aquisição do hardware, software e treinamento de pessoal para produção, controlo de


qualidade, uso e actualização de mapas de base e outros conjuntos de dados necessários
para apoiar o processo de administração de terras.

Os requisitos e especificações para o mapeamento de base serão baseados nos resultados da


avaliação de necessidades de Mapeamento e Levantamento Cadastral, que já foi realizada. A
delimitação dos limites administrativos será feita em coordenação coma Direcção Nacional de
Organização Territorial (DNOT) do Ministério da Administração Estatal e Função Pública
(MAEPF) e as respectivas autoridades distritais.

Os dados do mapa base e imagens ortorrectificadas de alta resolução espacial, contribuirão para
(i) reduzir o custo de regularização da terra; (ii ) melhorar a transparência do processo de
regularização da terra ; (iii ) aumentar a confiabilidade dos dados através do apoio à delimitação
de terras , incluindo a identificação de áreas protegidas, florestas e terras húmidas, etc .; e ( iv)
melhorar a qualidade da informação da terra e o controlo dos resultados das pesquisas de campo e
da qualidade geral dos serviços de administração da terra para o público.

3.3.1.8. Sub-componente 2.3. Delimitação de terras ocupadas pelas comunidades


(DELCOM) e regularização de direitos de uso da terra (RDUAT)
(DES 39,6 milhões - equivalente a US $ 55,2 milhões)
Esta Sub-componente financiará a delimitação de terras ocupadas pelas comunidades e a
regularização sistemática dos direitos de uso da terra a beneficiários individuais nessas áreas,
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incluindo a compilação de inventários de direitos sobre a terra, a realização de levantamentos de
limites apropriados, a exposição pública para reivindicações provisórias, gestão e resolução de
conflitos , controlo de qualidade, a migração de dados cadastrais existentes para o sistema de
informações sobre a terra e a emissão de documentação em relação aos direitos adquiridos de
DUAT legitimamente adquiridos nos níveis comunitário e familiar.

A Metodologia para o DELCOM e o RDUAT (Anexo I) inclui as seguintes fases:


Ø Preparação do processo (campanhas públicas de informação e sensibilização, capacitação
para autoridades locais, liderança e membros da comunidade, e actores e partes
interessadas da sociedade civil);
Ø Levantamento de dados (alfanuméricos e espaciais em campo);
Ø Introdução de dados no SiGIT;
Ø Validação/actualização no Cadastro Nacional de Terras;
Ø Emissao e entrega de certidões/tilulos de DUAT; e
Ø Gestão dos títulos do DUAT.
Esta subcomponente também apoiará a consciencialização e comunicação sobre direitos da terra
(com atenção a grupos vulneráveis e as questões de gênero), através de rádios comunitárias,
reuniões comunitárias, material impresso e canais culturais relevantes, e o fortalecimento do
sistema de resolução de conflitos sobre a terra da DINAT em todos os níveis, como a
implementação de um Mecanismo de Diálogo e de Reclamações do Projecto.

O Projecto inicia os trabalhos nas províncias onde outros processos de regularização massiva de
terras estejam em curso ou tiveram lugar.

3.3.2. Componente 3 - Gestão e Coordenação de Projectos


(SDR 9,1 milhões - US $ 12, 7 milhões equivalentes)
Esta componente inclui apoio a DINAT, CENACARTA e FNDS para gerir o projecto. O FNDS,
através de uma Unidade de Coordenação de Projectos (UCP), será responsável pela coordenação
geral, aspectos financeiros, salvaguardas, monitoria e avaliação e pela planificação estratégica das
actividades de conscientização pública e divulgação.

Esta componente apoiará também a implementação do controlo de qualidade independente na


aplicação da metodologia, a supervisão das salvaguardas e a gestão do Mecanismo de Diálogo e
Reclamações.

3.3.3. Componente 4 - Componente de Resposta de Contingência em Situações de


Emergência (CERC)
(DESR 0,0 milhão - equivalente a US $ 0,0 milhão)
Esta componente fornecerá resposta imediata a uma crise ou emergência elegível, através deo
financiamento de actividades e despesas de emergência no caso de um desastre, constituindo-se
assim numa Componente de Resposta a Emergências de Contingência (CCE) "zero dólar", que
ajudará a recuperar os danos a infraestruturas, garantir a continuidade dos negócios e permitir a
reabilitação antecipada.

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Na sequência de um evento adverso que resulte uma catástrofe de grandes proporções, o Governo
de Moçambique pode solicitar ao Banco que canalize recursos desta componente para um
Mecanismo de Resposta Imediata (IRM) que poderá fazer uso de até 5% dos fundos não
comprometidos do portfólio geral da IDA para responder a emergências.

O IRM já foi estabelecido e está operacional em Moçambique, e detalhes estão definidos no


Manual de Operações do IRM aprovado em Abril de 2016.

3.4. Orçamento do Projecto

O Projecto é financiado na totalidade por fundos doados pelo Banco Mundial, num total de
100.000.000,00 USD (Cem Milhões de Dólares Americanos), o equivalente a 71.700.000,00 SDR.
O orçamento detalhado de todas as Componentes/Sub-componentes é apresentado na Tabela 1
abaixo. Os detalhes da Tabela de custos (CostTab) do Projecto encontra-se em Anexo VIII do
Manual.

Tabela 3: Orçamento do projecto


Custo Total Estimado
# Componentee, Sub componentee, Atividade e Sub-Atividade
(USD)
C1 Componente 1 – Desenvolvimento Institucional e Reforço do Quadro Legal 22,436,000.00

1.1 Subcomponente 1.1. - Revisão da Politica Nacional de Terra e Lei da Terra 1,000,000.00

1.2 Subcomponente 1.2. - Consolidação das Instituições de Administração de Terra 500,000.00

1.3 Subcomponente 1.3 – Requalificação de Infraestrutura e Equipamento 12,246,000.00

1.4 Subcomponente 1.4 – Sistema Informático de Gestão de Terra 8,690,000.00

C2 Componente 2 – Regularização Sistemática da Terra 64,885,000.00

2.1 Subcomponente 2.1. - Campanha de Informação Pública e sensitização em 1,800,000.00


regularização de Terras

2.2 Subcomponente 2.2 - Mapeamento de Base e Densificação da Rede Geodésica


7,900,000.00

2.3 Subcomponente 2.3 - Delimitação de Terras Comunitárias e Regularização de 55,185,000.00


Direitos de Uso e Aprovitamento de Terras

Componente 3 – Gestão e coordenação de Projeto, Sistema de Monitoria e


C3 12,679,000.00
Avaliação
3.1 Subcomponente 3.1. - Salvaguardas Sociais e Ambientais, Monitoria e Avaliação 2,132,000.00
Independente de Quadro de Resultados

3.2 Subcomponente 3.2. - Cordenação e implementação de Projeto, Monitoria e 10,547,000.00


Gestão Fiduciária

TOTAL 100,000,000.00

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3.5. Beneficiários do projecto

Os beneficiários directos do Projecto são os ocupantes da terra através de normas e práticas


costumeiras ou de boa-fé em zonas rurais e peri-urbanas, que não estejam contempladas num Plano
Detalhado ou Urbano (municípal ou distrital, respectivamente), nos distritos selecionados. Ainda,
o Projecto irá priorizar a questão do género através da atribuição de títulos individuais a mulheres
e também o incentivo da co-tilularidade entre o homem e a mulher.

As comunidades beneficiarão de: (i) delimitação de suas terras; (ii) apoio no estabelecimento de
instituições representativas; (iii) aumento de capacidade de gestão de terras e os respectivos
recursos naturais; e (iv) maior acesso a fluxos de benefícios de concessões de recursos naturais,
projetos de investimento e potenciais oportunidades de desenvolvimento públicas, privadas e
comunitárias.

Os beneficiários institucionais directos são DINAT, CENACARTA, o FNDS, e o MAEFP bem


como outras instituições estatais a nível provincial e distrital, envolvidas nos serviços de
administração de terras.

Também serão beneficiados os usuários especializados, tais como paralegais, notários,


conservadores, advogados, instituições financeiras e pesquisadores os provedores de serviços e
outros profissionais envolvidos na administração de terras.

O Projecto beneficiará não só a famílias na área do Projecto que constituem cerca de 12% da
população rural, como também a cidadãos e entidades empresariais nacionais e estrangeiros que
solicitem títulos DUAT para fins de investimento.

O outro benefício resultante da implementação do Projecto será a redução do custo para a emissão
do DUAT, este é aliás um dos indicadores de Objectivo de Desenvolvimento do Projecto.

O investimento na infraestrutura geodésica e no mapeamento cadastral beneficiará as autoridades


governamentais responsáveis pela planificação e resposta na gestão de desastres bem como da
comunidade científica envolvida em atividades de monitoria da Terra.

3.6. Genero

O Projecto irá beneficiar as mulheres através de:


Ø Aperfeiçoamento da política e do quadro legal de terra;
Ø Estratégia de Comunicação que inclui mensagens específicas sobre os direitos das
mulheres;
Ø Metodologia de Regularização que inclui requisitos específicos de consulta em relação às
mulheres.
Ø Emissão de DUATs para agregados familiares chefiados por mulheres e em co-titularidade,
aumentando a consciência das mulheres e da comunidade sobre os seus direitos.

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Ø Mecanismos inclusivos de coordenação do Projecto, garantindo que as mulheres
participem nos comitês e grupos estabelecidos para liderar os processos de participação do
DELCOM / RDUAT;
Ø A formação de paralegais e pontos focais da comunidade em matérias de direitos sobre a
terra, em particular as mulheres e assegurando o foco direcionado nos direitos das mulheres
à terra. As mulheres também se beneficiarão da exigência de que os certificados DELCOM
sejam acompanhados por uma lista formal de todos os membros adultos da comunidade
que são legalmente considerados co-detentores de direitos territoriais comunitários.
Ø Implementação da estratégia de mitigação de riscos socias através de salvaguardas.
O quadro de resultados inclui indicadores relevantes diferenciados por género para medir o
progresso no acesso das mulheres à terra. Por exemplo, no processo de titulação, o quadro de
resultados prevê que 40% de mulheres sejam detentoras de DUATs, induvidualmente ou em co-
titularidade. Outro indicador requer 75% das mulheres estejam satisfeitos com o processo de
regularização da posse de terra, e que 40% das mulheres participem nos processos de consulta.

O Projecto propõe-se a conduzir uma avaliação do impacto de género. Esta avaliação irá medir o
reforço dos direitos da mulher e o impacto do fortalecimento dos direitos da mulher sobre a terra,
nos seguintes aspectos – investimentos productividade, renda, bem-estar e empoderamento da
mulher nos aspectos sociais e económicos.

3.7. Áreas de Intervenção

O Projecto é de âmbito nacional e incide sobre 71 distritos em particular nas zonas rurais. As zonas
de interveção foram seleccionados com base na pressão demográfica e de urbanização, no nível de
procura de terras por investidores nacionais e estrangeiros, existência de recursos naturais,
existência de vias de acesso, e de corredores de desenvolvimento e actividades económicas.

O Mapa abaixo representa a descrição ou indicação dos distritos de incidência do MozLand.

30 | Página
Figura 3: Distritos de incidência do MozLand

31 | Página
4. ARRANJOS INSTITUCIONAIS DE IMPLEMENTAÇÃO

4.1. Instituições-chave
Tendo em consideração os objectivos, indicadores e metas do Projecto, constituem instituições-
chave para a implementação o FNDS, DINAT, CENACARTA – vinculadas ao MITADER, e
Direcção Nacional de Organização Territorial (DNOT) – vinculada ao Ministério da
Administração Estatal e Função Pública, cujas funções no âmbito do Projecto são mais adiante
descritas. Estas são complementadas pela DINOTER, vinculada ao MITADER, e pela Direcção
Nacional de Registos e Notariado (DNRN), vinculada ao Ministério da Justiça, Assuntos
Constitucionais e Religiosos.

A articulação entre as instituições atrás referidas decorre em conformidade com arranjos


institucionais de implementação cuja descrição resumida abaixo se segue e mais detalhada no
anexo Documento dos Arranjos de Implementação.

Com vista à realização de actividades específicas do Projecto, poderão ser firmados com entidades
especializadas Acordos de Cooperação, que tomarão a forma de Memorando de Entendimento
(MdE) sujeito a não objecção do Banco Mundial. Sempre que as actividades versadas no acordo
impliquem desembolso de fundos do Projecto, este será sempre realizado através do FNDS.

4.2. Articulação institucional

A articulação institucional ocorre em dois âmbitos:


a) Deliberativo, que compreende o Steering Comitee ou Comité de Gestão do Projecto
(CGP);
b) Gestão Operacional, que integra instituições de âmbito central (FNDS, DINAT,
CENACARTA e DNOT) e instituições de âmbito local, designadamente regional (UCPS),
provincial (SPGCs) e distrital (SDPI e SDAE).
A Figura 4 ilustra o organograma de coordenação do Projecto.

Figura 4: Organograma de Coordenação:

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4.2.1. Nível deliberativo: Steering Committee (CGP)
O CGP tem competências de decisão e gestão estratégicas, e integra representantes das
instituições-chave abaixo referidas, tendo como observadores representantes das instituições
complementares e outros que sejam indicados.

As competências do CGP são exercidas nas fases de preparação e de implementação do projecto.


Assim, na fase de preparação, destacam-se, entre outras, i) definir a orientação estratégica ao
projecto, (ii) assegurar que as actividades propostas do Projecto estejam de acordo com as
estratégias e programas do país; (iii) harmonizar as actividades propostas com os diferentes
sectores económicos e sociais bem como dos seus diferentes sectores, nomeadamente, governo,
sociedade civil, sector privado e comunidades locais. E, na fase de implementação, salientam-se,
entre outras, (i) definir a orientação estratégica ao Projecto, (ii) apreciar e aprovar os Planos de
Actividades e de Procurement e os relatórios de progresso do Projecto; (iv) apreciar e aprovar os
Orçamentos do projecto; v) efectuar a supervisão da execução do Projecto.

O Comité de Gestão do Projecto (Steering Committee) apresenta a seguinte composição:

a) 1 Representante do FNDS;
b) 2 Representantes da Direção Nacional de Terras (DINAT);
c) 1 Representante do Centro Nacional de Cartografia e Teledeteção (CENACARTA;
d) 1 Representante da Direcção Nacional de Organização Territorial (DNOT-MAEFP);
e) 1 Representante do Grupo de Reflexão do Fórum de Consulta sobre Terras (GRFCT), por
este indicado.

4.2.2. Nível de Gestão e Operacional


O nível de gestão operacional compreende instituições de nível central e local (regional e
provincial), que funcionam de forma articulada.

4.2.3. Instituições de âmbito central


Centralmente, a coordenação geral é assegurada pelo FNDS, através da Unidade de Coordenação
do Projecto (UCP). Acresce que o FNDS é a entidade de gestão e administração financeira de todas
as operações do Projecto.

Entretanto, a implementação e supervisão técnicas são asseguradas por DINAT, CENACARTA e


a DNOT, nas suas áreas específicas, cujas funções no Projecto são resumidamente apresentadas
abaixo.

4.2.3.1. FNDS
O FNDS é uma entidade tutelada pelo Ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural,
competindo-lhe, através da Unidade de Coordenação do Projecto (UCP), entre outras funções:
Ø Coordenar, planear e supervisionar a execução das actividades relativas ao Projecto;

33 | Página
Ø Harmonizar, articular, integrar e optimizar a operacionalização das acções do Projecto,
executadas nos órgãos e entidades vinculadas, dos Chefes dos SPGC, na sua qualidade de
coordenadores das UCP e do PS;
Ø Assegurar a elaboração do Plano Anual de actividades e Plano de Procurement;
Ø Assegurar a elaboração do Orçamento Anual do Projecto;
Ø Planear, programar, implementar, monitorar e avaliar a execução de todas as componentes do
Projecto;
Ø Supervisionar as ações em execução, podendo contar, sempre que necessário, com apoio de
auditorias independentes;
Ø Executar processos de contratação, podendo utilizar consultores, incluindo a preparação de
Termos de Referência, de Editais e de Contratos, no que for necessário para implementar as
acções das componentes executadas directamente pela UCP;
Ø Executar a liquidação das despesas: recebimento dos serviços, equipamentos e produtos;
requisição e autorização de pagamentos tendo em conta a implementação de acções das
componentes, executados directamente pelo FNDS;
Ø Gerir os contratos com os PS, proceder o acompanhamento dos seus trabalhos, avaliar o
desempenho e propor revisão dos Termos de Referência e dos contratos e, nos casos de mau
desempenho, rescindir os contratos;
Ø Gerir a Conta Designada e todo o processo de Gestão Financeira.
Os especialistas que compõem a equipa principal da Unidade de Coordenação do Projecto fazem
parte de diferentes Divisões do FNDS, tais como, Jurídica, Tecnologias de Informação,
Salvaguardas, entre outras.

A função de Procurement do Projecto sujeita-se ao “Regulamentos de Aquisições do Banco


Mundial para Mutuários do IPF”, datado de Julho de 2016, revisto em Novembro de 2017 e Agosto
de 2018, bem como o que está estabelecido no Acordo de Financiamento sobre esta matéria, assim
como a rigorosa observância das “Diretrizes sobre prevenção e combate a Fraudes e Corrupção
nos Projectos financiados no âmbito de Empréstimos do BIRD e Créditos e Donativos da AID”,
de 15 de Outubro de 2006 e revistos em Janeiro de 2011, serão aplicados.

A Figura 5 apresenta o organograma da coordenação do Projecto.

34 | Página
Figura 5: Organograma da Coordenação de Projecto MozLand (Terra Segura)

4.2.3.2. DINAT
A DINAT é uma unidade orgânica do MITADER que, no domínio da implementação e
coordenação técnica, tem, entre outras, as seguintes funções:
Ø Assegurar a observância da Metodologia RDUAT/DelCOM pelo PS;
Ø Garantir a manutenção e a funcionalidade da infraestrutura de SiGIT a nível nacional;
Ø Garantir o acesso ao SiGIT pelos PSs de acordo com a Metodologia aprovada;
Ø Capacitar os PSs no uso da Metodologia aprovada;
Ø Assegurar a interoperabilidade do SiGIT com outros intervenientes no Cadastro Nacional
de Terras;
Ø Monitoria da qualidade de dados segundo as normas e procedimentos técnicos padrão;
Ø Validar e aceitar as entregas dos resultados das actividades do PS;
Ø Garantir a integridade dos dados recolhidos no âmbito da regularização dos direitos de uso
e aproveitamento da terra;
Ø Promover as campanhas de sensibilização e divulgação disponibilizando as mensagens
chave a transmitir ao público-alvo;

35 | Página
Ø Assegurar a mitigação e resolução de conflitos em resultado do processo de regularização
massiva dos duats;
Ø Gestão e Administração da base de dados Nacional de Terras no ambiente SiGIT;
Ø Coordenação técnica das actividades do PS;
Ø Em coordenação com o FNDS, fazer a monitoria e avaliação do desempenho do PS.

4.2.3.3. CENACARTA
O CENACARTA é uma entidade pública, com personalidade jurídica e autonomia administrativa,
subordinada ao MITADER, que, no domínio da implementação e coordenação técnica com as
UCPs, tem as seguintes funções:
Ø Disponibilizar dados geoespaciais (ortofotomapas, cartas topograficas) necessários para os
trabalhos de demarcação e delimitação;
Ø Actualização e disseminação de informação referente aos limites de unidades territoriais
administrativos, em coordenação com a DNOT;
Ø Disponibilizar uma rede de CORSpara suportar as actividades de georreferenciação dos
PS, permitindo-lhes usar métodos de levantamento do tipo RTK e de precisão sub-métrica;
Ø Disponibilizar os dados sobre a Rede Geodésica Nacional para servir de apoio para o
processo de georreferenciação.
Ø Implantar novos marcos geodésicos e novas CORS nos locais do interesse do projecto ou
onde é aplicável;
Ø Garantir os processos de autorizações de levantamento aerofotogramétrico junto as
entidades competentes;
Ø Garantir a qualidade de informação geo-espacial fornecida pelo PS (orto fotos).

4.2.3.4. DNOT
A DNOT é uma unidade orgânica do Ministério da Administração Estatal e Função Pública, cujas
funções no Projecto restringem-se ao domínio da delimitação das localidades e postos
administrativos, articulando com o CENACARTA e com o FNDS. As suas responsabilidades
concretas e os termos da sua articulação com o CENACARTA e com o FNDS constam de um
Memorando de Entendimento (MdE) celebrado entre as três instituições.

4.2.4. Instituições de âmbito local


Neste plano serão desenvolvidas actividades de coordenação geral, coordenação técnica e de
execução, asseguradas nos termos que a seguir se apresentam.

4.2.4.1. UCPs regionais: coordenação geral


A coordenação geral das actividades ao nível provincial será assegurada por Unidades de
Coordenação do Projecto (UCPs), sendo uma por região (regiões sul, centro e norte).

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Nas províncias onde já existam PIU´s dos outros projectos implementados pelo FNDS
(SUSTENTA e MozFIP), nomeadamente Cabo Delgado, Nampula e Zambézia, os elementos
contratados para o MozLand (Salvaguardas e Técnicos de Terras) integrarão essas unidades, e nas
restantes províncias, ficarão alojados nos SPGCs, ficando sob dupla subordinação ao chefe dos
SPGC, e ao Coordenador Regional do Projecto.

Constituem funções de coordenação geral a nível das UCPs regionais, entre outras, (i) elaborar e
rever o plano de actividades regional, acompanhar o desenvolvimento geral dos projectos,
incluindo supervisão e orientação da equipe de trabalho, (ii) acompanhar as actividades de
salvaguardas e garantir a qualidade dos resultados por estes apresentados.

As UCPs regionais reportam à UCP central após a validação pelo SPGC, que reporta à DINAT, e
a respectiva Direcção Provincial da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural (DPTADER). E,
por outro lado, em coordenação com os SPGC/DPTADER farão a interligação com as autoridades
distritais (Serviço Distrital de Actividades Económicas, SDAE) e o Serviço Distrital de
Planeamento e Infraestrutura (SDPI).

Para além do acima exposto, as UCPs regionais desembolsarão fundos para as províncias incluídas
no seu âmbito territorial de acção.

4.2.4.2. SPGCs: Coordenação técnica


A coordenação técnica das actividades no âmbito local é assegurada pelos SPGC, segundo as
normas técnicas e orientações metodológicas emanadas pela DINAT, compreendendo, entre
outras, as seguintes funções:
i. Garantir a qualidade de dados recolhidos no campo no âmbito da regularização
Delcom/RDUAT;
ii. Assegurar, em tempo útil, a tramitação dos processos DELCOM/RDUAT;
iii. Coordenação técnica das actividades do PS;
iv. Monitoria do desempenho do PS;
v. Disponibilizar o acesso ao SiGIT por parte do PS para elaboração e análise de dados dos
seus projectos;
vi. Garantir que os trabalhos seguem as normas, procedimentos e metodologias aprovadas;
vii. Promover as campanhas de sensibilização e divulgação das mensagens chave;
viii. Garantir a observância de todos os aspectos inerentes as salvaguardas.

4.2.4.3. Provedores de Serviços: Execução de actividades de campo


A execução das actividades de campo é essencialmente realizada por PSs, contratados pelo FNDS
por meio de um processo competitivo.

A planificação e coordenação dos trabalhos de campo do PS são asseguradas pelo FNDS em


articulação com a DINAT, CENACARTA e DNOT, e de acordo com as condições contratuais,

37 | Página
que assegurarão que o cronograma, os procedimentos e os recursos humanos e materiais alocados
são adequados.

4.3. Fluxo dos Processos

Todos os processos recebidos de fora da instituição dão entrada na Secretaria-geral que faz o
seu encaminhamento por especialidade.

Os processos ao nível da Divisão de Finanças e Orçamento (DIFO) do FNDS são submetidos


ao Coordenador do Projecto e ao PCA, de acordo com uma Matriz de Delegação de
Competências.

Os processos de auditoria interna serão direcionados directamente ao PCA do FNDS.

4.4. Salvaguardas Sócio-Ambientais

O Projecto MozLand activou 5 políticas de salvaguardas das 10 existentes, nomeadamente, OP


4.01 para Avaliação Ambiental, OP4.04 de Habitats Naturais, OP 4.36 sobre Florestas, OP 4.11
de Património Físico-Cultural e a OP 4.12 para Reassentamento Involuntário, o que culminou com
a elaboração dos instrumentos de salvaguardas ambientais e sociais: o Quadro de Avaliação
Ambiental e Social (QGAS) e o Quadro da Política de Reassentamento (QPR3), e Estratégia de
Mitigação de Riscos Sociais, orientada especificamente para o processo de regularização do direito
de posse de terra. Estes instrumentos servem de apoio para assegurar o cumprimento das
salvaguardas sociais e ambientais do Banco Mundial (BM), as directrizes para saúde e segurança
bem como os requisitos da legislação nacional moçambicana sobre aspectos ambientais e sociais.
Os mesmos consideram procedimentos para identificação, avaliação, gestão e mitigação ou
promoção ambiental e social de potenciais impactos negativos e positivos que as intervenções do
projecto possam causar, incluindo arranjos institucionais necessários e orçamento para a devida
implementação.

De acordo com as políticas de salvaguardas do Banco Mundial activadas, o projecto MozLand foi
classificado como de categoria B, caracterizado como actividades cujo seus potenciais impactos
sociais e ambientais não afectam significativamente as comunidades nem as áreas ecologicamente
sensíveis, incluindo ecossistemas aquáticos, florestas ou outros habitats naturais. A elegibilidade
dos subprojectos do MozLand restringem-se a actividades com impactos ambientais e sociais
reversíveis e de significância baixa a moderada excluindo iniciativas de alto impacto sócio
ambiental, isto é, categoria A (a nível do BM) e categorias A e A+ a nível do Quadro Legal
Nacional (Decreto n.º 54/2015, de 31 de Dezembro, que aprova o Regulamento de Avaliação de
Impacto Ambiental).

Adicionalmente, segundo o QPR, o MozLand não financiará actividades de construção que


resultem no deslocamente económico de 20 ou mais pessoas ou perda de 10% da fonte total de
subsistência destes individúos.

A intervenção das actividades de salvaguardas do MozLand está orientada para iniciativas da


componente 1- Desenvolvimento institucional e fortalecimento do quadro legal: Sub-componente

3 RPF-Resettlement Policy Framework

38 | Página
1.3 - Melhoria da infraestrutura e equipamentos; Componente 2- Regularização sistemática da
terra: Sub-componente 2.1 - Campanha de informação pública e sensibilização e Sub-componente
2.3. Delimitação comunitária (DELCOM) e a regularização dos direitos de uso e aproveitamento
da terra (RDUAT).

4.4.1. Delimitação e regularização de terras.


A responsabilidade da implementação das actividades de salvaguardas é do FNDS, através da
Divisão de Salvaguardas composta por uma equipa de nível central (1 coordenador, 2
especialistas ambientais, 1 social e 1 desenvolvimento comunitário). No ambito do Projecto
MozLand, a Divisão de Salvaguardas beneficiará de mais um especialista de salvaguardas a nível
central e 10 assistentes de salvaguardas a nível das UCPs Regionais (1 assistente para cada UCP
regional e 7 assistentes implantados nos SPGCs). .
A Divisão de Salvaguardas irá colaborar com a Entidade Independente de Controlo de Qualidade,
por forma a assegurar a execução satisfatória dos aspectos de salvaguardas ligadas a regularização
da posse de terra.

Cabe a Divisão de Salvaguardas assegurar:


Ø Organização e realização de treinamentos e capacitação em matéria de salvaguardas
ambientais e sociais para diferentes grupos-alvo, governos provinciais e distritais,
provedores de serviços, e parceiros locais;
Ø O Licenciamento de subprojectos (identificação, avaliação, construção,
acompanhamento/monitoria e conclusão) de infraestruturas, quais sejam: na fase de
identificação: assistência a categorização, Triagem (Ficha de Avaliação Ambiental e
Social); na fase de avaliação de subprojectos: elaboração de termos de referência e gestão
dos contratos para a realização de Estudos Ambientais Simplificados (EAS), elaboração de
Planos de Gestão Ambiental e Social (PGAS); elaboração de Manuais de Boas Práticas
(MBP); na fase de construção: relatórios de Monitoria Ambiental de cada subprojecto,
elaborados mensalmente pela empresa responsável pela fiscalização de obras e
consolidados e enviados trimestralmente ao Banco Mundial; e, na fase de conclusão:
Relatório Final de Gestão Ambiental de cada subprojecto; e, respondendo às demandas de
licenciamento ambiental junto ao órgão ambiental competente - MITADER, sempre que
necessários, obtendo-se as Licenças Prévia, de Instalação e de Operação dos subprojectos,
assim como o acompanhamento de eventuais condicionantes;
Ø Desenvolvimento dos Planos de Acção de Reassentamento, quando aplicável;
Ø Assistência aos conflitos emergentes do processo de regularização de posse de terra;
Ø Operacionalização do Mecanismo de Diálogo e Reclamações, assegurando a disseminação,
registo, atendimento e sistematização das queixas e sugestões;
Ø Realização de actividades de monitoria, em particular aos subprojectos de infraestruturas
– nos contratos com os empreiteros, desde a fase de elaboração dos Termos de Referência,
a preparação de editais e certames e o acompanhamento da execução das obras e sua
fiscalização ambiental, até o encerramento das obras civis, respondendo pela elaboração
de Relatórios de Monitoria Ambiental, periódicos de cada subprojecto; garantindo dessa

39 | Página
forma o cumprimento de todas as diretraizes contidas no QPAS e demais estudos e planos
no nível de subprojectos – EAS, PGAS e MBP; além do
Ø Acompanhamento de processo de regularização de posse de terra, que terá o apoio da
Entidade de Controlo do Processo de Qualidade;
Ø Produção de relatórios regulares sobre a execução das actividades de salvaguardas a serem
submetidos ao Banco Mundial.
Ø Realização de auditoria externa de salvaguardas (elaboração de termos de referência e
gestão do contrato) que deve ser realizada dois anos depois da implementação do projecto,
aliada a avaliação do meio termo do mesmo;
4.4.2. Divulgação e formação sobre salvaguardas
A equipa de salvaguardas do FNDS é responsável pelas actividades de divulgação de informação
e treinamento sobre salvaguardas ambientais e sociais aos grupos-alvo (provedores de serviços,
empreiteiros, beneficiários directos, comunidades circunvinzinhas, governo local) e outros
intervenientes indirectos. As actividades de divulgação incluem realização de seminários,
programas de sensibilização sobre aspectos sócio ambientais utilizando canais apropriados (rádios
comunitárias, peças teatrais, etc) alinhados com a estratégia de comunicação do Projecto.

4.4.3. Avaliação do Impacto Ambiental e Social


As iniciativas a serem apoiados no âmbito do Projecto, serão executadas a luz da legislação
nacional e acordos internacionais aderidos pelo Governo Moçambicano com atenção ao
cumprimento das políticas de salvaguardas ambientais e sociais e directrizes de saúde e segurança
do Banco Mundial.
No Projecto a Sub-componente 1.3 - Melhoria da infraestrutura, requer a avaliação de impacto
ambiental e social. Por conseguinte, A Divisão de Salvaguardas através dos seus especialistas e os
assistentes de salvaguardas vão assegurar a avaliação do impacto ambiental dos subprojectos
cabendo aos especialistas a nível central: prestar assistência as UCPs regionais, bem como as
provincias para garantir a conformidade durante:
Ø Elaboração dos estudos de concepção e ante-projectos de engenharia, assegundo a inserção
de assuntos socioambientais de cada um dos subprojectos;
Ø Participação na contratação das empresas construtoras, desde a fase de elaboração dos
Termos de Referência, a preparação de editais e certames e o acompanhamento da
execução das obras e sua supervisão ambiental, até o encerramento das obras civis;
Ø Triagem de subprojectos de construção;
Ø Elaboração de termos de referência para Estudos de Impacto Ambiental Simplificado
(EIAS), referentes a subprojecos de categoria B;
Ø Revisão de EIAS e Planos de Gestão Ambiental e Social (PGAS) antes do envio para o
Banco Mundial e MITADER, entidades responsáveis pela aprovação e emissão de licença
respectivamente;
Ø Monitoria da implementação dos PGAS para auferir o nível de execução das questões de
salvaguardas;

40 | Página
Ø Elaboração dos relatórios de acompanhamento e cumprimento dos requisitos ambientais e
sociais;
Ø Triagem ambiental e social dos subprojectos.
A equipa de Salvaguardas a nível regional realizaa triagem na fase inicial do subprojecto, logo que
os detalhes específicos (natureza, localização proposta e extensão) do subprojecto são conhecidos
usando dois formulários incluidos no QGAS que devem ser preenchidos para cada subprojecto ou
actividade proposta: o formulário de triagem ambiental e social do BM (Anexo 2 do QGAS) e a
ficha de informação ambiental preliminar do MITADER (Anexo 3 do QGAS).

Os procedimentos de implementação do processo de gestão ambiental e social dos subprojectos é


da responsabilidade do assistente de salvaguardas da UCP com assistência do especialista a nível
do FNDS central, conforme a tabela abaixo.

41 | Página
Tabela 4: Procedimentos para implemetação de processos de gestão ambiental e social
FASES ETAPAS ATIVIDADES RESPONSÁVEIS
A.1. DESCRIÇÃO A.1.1. UCP Central
DO PORTFOLIO Rever/complementar/confirmar
DAS cada um dos subprojetos
INTERVENÇÕES identificados na fase da
preparação do ante-projecto
A.2.1. UCP Regional
Realizar/complementar/confirmar
a descrição de cada subprojeto e
impactos gerados – positivos e
A – PLANIFICAÇÃO – ANTE-PROJETO

negativos
A.2.2. UCP Central
Rever/complementar/confirmar
medidas mitigadoras e
potencializadoras, e planos de
ação requeridos/aplicáveis a cada
A.2. PREENCHER/ subprojeto
COMPLEMENTAR A.2.3. UCP Regional
/ CONFIRMAR Fazer/complementar/confirmar a
FICHA DE instrução do processo, exigências
AVALIAÇÃO para o licenciamento ambiental
AMBIENTAL de cada subprojeto e submeter ao
DPTADER
A.2.4. Consolidar Ficha de UCP Central
Avaliação Ambiental revista para
cada subprojeto, com a definição
dos procedimentos ambientais a
serem adotados
A.2.5 Encaminhar ao Banco UCP Central
Mundial para confirmar
procedimentos e para prover
eventual suporte técnico e
categorização do subprojecto
B.1.1. Fornecer requisitos para a UCP Central
elaboração dos instrumentos de
salvaguardas, prever, se
necessário, treinamento por parte
B.1. do Banco Mundial
PREPARAÇÃO B.1.2. Realizar Consultas
AMBIENTAL
B – GESTÃO

Comunitárias e Públicas com as


principais partes interessadas,
quando o subprojeto e suas
actividades impliquem em
impactos adversos relacionados a

42 | Página
reassentamento involuntário
económicos
B.1.3. Elaborar um Plano de
Comunicação e Interação com as
Comunidades, aplicável a todos
os subprojetos, incluindo um
mecanismo de registro e resposta
a reclamações
B.1.4. Preparar os instrumentos UCP Regional
de salvaguardas e/ou planos de
ação específicos, quando
necessário
B.1.5. Consolidar Relatório de UCP Central
Avaliação e Gestão Ambiental de
cada subprojeto, submeter ao
Banco Mundial para aprovação
B.2.1. Requerer os pedidos das UCP Regional
Licenças Ambientais junto ao
órgão ambiental competente,
reconhecimento dos ToRs dos
estudos ambientais, quando
aplicável, de cada subprojeto ou
B.2. obra civil
LICENCIAMENTO B.2.2. Acompanhar o processo de
AMBIENTAL licenciamento ambiental de cada
subprojeto ou obra civil
B.2.3. Emitir as licenças DPTADER
ambientais de cada subprojeto ou
obra civil
B.2.4. Enviar ao Banco Mundial UCP Central
para acompanhamento
B.3.1. Verificar os estudos UCP
ambientais existentes e eventual Regional/Central
definição de requerimentos
adicionais e estudos
complementares
B.3. EVENTUAIS
MEDIDAS B.3.2. Assessorar e oferecer apoio
ADICIONAIS técnico ao PS na elaboração dos
estudos e planos de ação
B.3.3. Verificar os estudos
adicionais, planos e
licenciamento ambiental com
EIAS aprovados

43 | Página
Assim, o processo de triagem culmina com a atribuição da categoria do subprojecto e com
orientação clara por parte do BM e DPATDER sobre o instrumento a ser desenvolvido (EIAS;
PGAS’s ou MBP’s) para assegurar a identificação de potenciais riscos, a mitigação dos impactos
negativos e optimização dos impactos positivos. A categorização é feita baseada na magnitude dos
potenciais impactos que possam resultar da execução do subprojecto podendo ser classificados
como B ou C, no âmbito do MozLand e segundo a legislação moçambicana:

Ø Categoria A + - Acções que devido a sua complexidade, localização e/ou irreversibilidade


e magnitude dos possíveis impactos, merecem não só um elevado nível de vigilância social
e ambiental, bem como o envolvimento de especialistas nos processos de AIA.

Ø Categoria A - São acções que afectam significativamente seres vivos e áreas


ambientalmente sensíveis e os seus impactos são de maior duração, intensidade, magnitude
e significância.

Ø Categoria B - Acções que afectam significativamente os seres vivos e com alguns impactos
irreversíveis em áreas ambientalemente sensíveis comparativamente as actividades de
categoria A e A+.

Ø Categoria C – Acções que provocam impactos negativos negligenciáveis, insignificantes


ou mínimos. Nesta categoria os impactos são reversíveis.

4.4.2.1. Subprojectos de Categoria B


Os subprojectos de categoria B requerem a elaboração de um Estudo Ambiental Simplificado
(EIAS) que deve ser desenvolvido por um consultor ajuramentado pelo MITADER para efeito em
cumprimento do quadro legal nacional. Cabe aos especislistas de salvaguardas do FNDS central a
elaboração dos termos de referência para contratação dos serviços e revisão do documento. Após
aprovação do EIAS segue-se a emissão da licença. As directrizes do BM orientam a elaboração de
um Plano de Gestão Ambiental e Social (PGAS), que deverá ser desenvolvido pelos especialistas
do FNDS central e validado pelo BM.

A emissão da licença ambiental pelo DPTADER e aprovação do MBP ou PGAS pelo BM são
condicionantes ao início das actividades no terreno.

A licença ambiental, e o PGAS aprovados serão parte do contrato com os empreiteiros para a
execução do subprojeto e serão sujeitos de supervisão pela equipe de salvaguardas do FNDS e
eventualmente do BM. Os provedores de serviços deverão indicar de maneira explicita as
actividades, o orçamento e o pessoal qualificado designado para cumprir com as salvaguardas
ambientais e sociais através de um Plano de Gestão Ambiental e Social de Construção que deve
ser aprovado pelo FNDS.

4.4.2.2. Subprojectos de Categoria C


Os subprojectos de categoria C não requerem estudo ambiental, estando, porém, sujeitos a
observância da legislação nacional e de directrizes de gestão ambiental e social consistentes com
as politicas e guias do BM, o que será feito através de Planos de um Manual de Boas Praticas
(MBP).

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O MBP deve ser desenvolvido pelo assistente técnico de salvaguardas da UCP e revisto pelo
especialista a nível central do FNDS. O documento deverá ser validado pelo BM e aprovado pelo
MITADER para emissão da licença ambiental.

45 | Página
Figura 6: Processo de triagem

46 | Página
Figura 7: Instrumentos Ambientais e Sociais

Os Provedores de Serviço/empreiteiros deverão executar as medidas de salvaguardas incluindo


registo e atendimento de não conformidades conforme o C-PGAS com vista ao cumprimento da
legislação nacional, das diretrizes de salvaguardas do Banco Mundial e, essencialmente, das
medidas constantes tanto no Quadro de Gestão Ambiental e Social – QGAS do projecto, ou
eventualmente num Plano de Acção de Reassentamento (PAR).

4.4.3. Regularização de Posse de Terra


Aspectos sobre salvaguardas sociais e ambientais, relativamente ao processo de regularização de
posse de terra foram previamente referidos no QGAS e QPP. Adicionalmente foi elaborada a
estrategia de mitigação de riscos sociais (Apendice do anexo 3- PAD) para a Componente 2 -
Regularização sistemática da terra, nas suas Sub-componentes 2.1 - Campanha de informação
pública e sensibilização e Sub-componente 2.3. Delimitação e regularização de terras.

Em colaboração com o Banco Mundial, o FNDS desenvolveu dois instrumentos, o protocolo de


gestão de conflitos de terra e o Guia de avaliação da prontidão comunitária (disponíveis pelo
link:http://www.fnds.gov.mz/index.php/pt/documentos/publicacoes) que se esperam que sejam os
instrumentos de apoio para atendimento dos aspectos de salvaguardas durante o processo de

47 | Página
regularizaão de posse de terra.

Durante a implementação do Projecto a assistência técnica aos beneficiários será feita em


colaboração com vários intervencientes entre os SPGC’s/DPTADER’s, provedores de serviço e
paralegais. Está também prevista a contratação de uma entidade independente (Independent
Process Quality Assurance Entity – IPQA) que deverá assegurar a assistência técnica e monitoria
dos processos no âmbito da regularização de posse de terra observando a transparência,
observância do cumprimento da estrategia de mitigação de riscos sociais, bem como proteger os
direitos das comunidades e indivíduos na mediação e resolução de conflitos. A IPQA irá avaliar e
confirmar a prontidão das comunidades para o avanço de uma fase do processo para o próximo;
(ii) assegurar o cumprimento de salvaguardas, incluindo suporte para a aplicação de salvaguardas
em certos casos; (iii) fiscalizar e apoiar a implementação do MDR e sua coordenação com
mecanismos locais de resolução de conflitos relacionados;

Entre as tarefas da equipe de salvaguardas do FNDS destacam-se:

Nivel central: (i) Planificação e realização das capacitações anuais considerando como grupos alvo
governo local; (ii) elaboração das propostas dos programas de sensibilização e informação sobre
direitos e deveres das comunidades e seus membros; (iii) verificação e orientação dos registos de
conflitos de terra; (iv) assistência (orientação e encaminhamento) aos PAP’s resultado da ocupação
em área de proteção parcial (exemplo: linhas de alta tensão, linhas de água, faixas de proteção de
estradas, linhas férreas) e (v) actividades de monitoria no terreno incluindo sobre verificação da
prontidão comunitária; (vii) elaboração de relatórios trimestrais de acompanhamento das
actividades para submissão ao Banco Mundial.

Nivel UCPs: (i) realização de campanhas de sensibilização sobre direitos e deveres das
comunidades e seus membros em colaboração com a equipe de comunicação e provedores de
serviço; (ii) verificação da execução dos processoas de preparação social através de
acompanhamento no terreno e realização dos questionários sobre a prontidão comunitária; (iii)
registo e apoio na moderação e encaminhamento dos processos de conflitos de terra; (iv)
assistência (orientação e encaminhamento) aos PAP’s resultado da ocupação em área de proteção
parcial (exemplo: linhas de alta tensão, linhas de água, faixas de proteção de estradas, linhas
férreas); (v) elaboração de relatórios mensai de acompanhamento das actividades para submissão
ao FNDS central.

A equipe de salvaguardas do FNDS deve assegurar o registo e atendimento de não conformidades


através de inspeções no terreno as actividades dos provedores de serviços.

4.5. Mecanismo de Dialogo e Reclamações (MDR)


O MDR é um sistema desenvolvido no âmbito do portfólio de projectos financiados pelo Banco
Mundial sob a égide do FNDS, e foi criado para responder a perguntas, esclarecer questões, e
resolver problemas de implementação e reclamações de indivíduos ou grupos afectados pelas
actividades dos projectos.

Os assistentes técnicos de salvaguardas das UCPs, são os pontos focais - PF do MDR, e por tanto,
os responsáveis de receber, tramitar, investigar e acompanhar o processo de resolução das
reclamações no terreno. Para reclamações que não possam ser resolvidas neste nível, os PF’s serão

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responsáveis por canaliza-las a instancias de decisão definidas e manter informados aos
reclamantes.

Qualquer individuo ou grupo de individuos que tenha alguma relação com o projecto ou se sinta
afectado pelas actividades do projecto poderá apresentar uma questão, queixa ou reclamação. Em
geral, as comunidades e seus membros serão as mais afectadas pelas actividades dos projectos, e
poderão apresentar questões e/reclamações aos provedores de serviços e governo local (SDAEs,
SDPIs SPGC´s) e liderança local. São aceites sugestões e reclamações anónimas, contudo o
processo de resolução é diferente (as respostas são partilhadas na área geografica onde é feita a
reclamação através de comunicação com os lideres locais e em casos específicos a comunicação é
feita via rádios comunitárias a nível local).

Os canais usados para a apresentação das sugestões e reclamações são: (i) linha telefonica gratuita;
;(ii) formulários com canhoto distribuídos em lugares estratégicos segundo alinhamento com os
membros das comunidades (exemplo: sede dos Postos Administrativos, lugares de alta frequência
seleccionados pela comunidade como escolas); (iii) encontros a nível local; (iv) email
institucional; (v) atraves dos PF’s/assistentes técnicos de salvaguardas do MDR, provedores de
serviços, técnicos dos governos locais e outras pessoas da confiança do requerente.

Qualquer indivíduo que receber uma reclamação ou sugestão deverá encaminhar a UCPs central
ou regionais e aos assistentes de salvaguardas a nível das provinciais para registo e seguimento.
Os PFs deverão assumir um papel proactivo para facilitar que os grupos mais vulneráveis das
comunidades apresentem suas reclamações.

Os assistentes técnicos de salvaguardas e os provedores de serviço são responsáveis de informar


as comunidades sobre o funcionamento do MDR e os canais para colocação das sugestões e
reclamações. Todos os colaboradores do projeto devem estar informados sobre o MDR e indicar a
qualquer pessoa interessada como dirigir-se ao UCP ou apresentar sua queixa.

4.5.1. Registo, Investigação e Validação das sugestões e reclamações


O PF realiza as seguintes acções:
Ø Registo dos casos no sistema M&E do MDR;
Ø Categorização, de acordo com as categorias: médio ambiente, social, legal, desempenho
do projecto e improcedente;
Ø Confirmação ao requerente informando do processo, acções de seguimento e prazos de
atendimento. No caso de reclamações improcedentes se explica os motivos da invalidez, e
caso seja pertinente se deriva ou se suge outros canais de resolução.
Prazo: 5 dias úteis desde a recepção
Ø No caso de reclamações procedentes, convoca um encontro com as partes envolvidas para
investigar e documentar os elementos da reclamação e procurar uma solução amigável.
Prazo: 5 dias úteis desde a recepção para informar ao reclamante do encontro
Ø 5 dias úteis desde a confirmação para realizar a reunião entre o PF e pessoal técnico
relevante do projecto que o PF considere adequado. O requerente poderá convidar pessoas
para apoiar (vizinhos, testemunhas, assessores, etc.)

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Ø Caso o reclamante não fique satisfeito com as explicações ou soluções oferecidas durante
o encontro, o PF lhe informa sobre os diferentes níveis do processo de resolução de
reclamações e os prazos de atendimento, assim como a possibilidade de utilizar o recurso
judicial em qualquer momento.

4.5.2. Níveis de resolução do MDR


Nível 1: Comunitário

Os mediadores dependendo das partes envolvidas na queixa, serão:


Ø Entre indivíduos, ou grupos de indivíduos da comunidade: Tribunal Comunitário
Ø Entre indivíduos ou grupos de indivíduos, e/ou a comunidade e provedor de serviços, sector
privado, empreiteiro ou equipa do projecto: Serviço Distrital de Actividades Económicas
(SDAE).
Ø Prazo: 15 dias desde a reunião convocada pelo PF.

Nível 2: Técnicos de Salvaguardas

A Divisão de Salvaguardas do FNDS e os assitentes de salvaguardas alocados no SPGCs e UCPs


regional organizem em colaboração com as autoridades locais, comunidades, e outros actores,
visitas ao terreno para ouvir as partes envolvidas e propor soluções.

Prazo: 15 dias desde que conclui o Nível 1.

Nível 3: Independente (mediador neutro e independente)

Neste nível, o reclamante selecciona um mediador independente que pode ser um paralegal no
caso de regularização de posse de terra.

Prazo: 20 dias desde que conclui o Nível 2.

Espera-se que a maioria das reclamações cheguem a uma solução amigável antes de alcançar este
nível.
São responsabilidades dos assistentes de salvaguardas:
Ø Registar imediatamente a informação na plataforma de gestão do MDR;
Ø Informar aos mediadores do motivo da reclamação, dos argumentos das partes, dos
resultados das investigações e das propostas de solução e resultados;
Ø Facilitar os contactos, visitas e fornecer informação adicional se necessário;
Ø Manter informado ao reclamante inclusive sobre suas opções na via judicial.
Nos três níveis, se o reclamante aceita a solução proposta pelo mediador, as partes assinam um
documento que incluirá a evidência da solução implementada ou um plano de acção com o
respectivo calendário. Se o reclamante não ficar satisfeito com a solução proposta, passa para o

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seguinte nível.

Figura 8: Níveis e resolução de conflitos


No caso de acordos que requeiram modificações permanentes ao projecto e seus sistemas ou
processos, ou medidas que requerem mais tempo ou várias actividades, o acordo inclui um plano
de acção com o respectivo calendário. O acordo deverá também indicar o orçamento necessário
para sua implementação e os actores responsáveis por cada actividade. O PF deve dar seguimento
a implementação das acções previstas e preparar e registar um relatório final de implementação
das soluções acordadas com a firma de conformidade do reclamante.

Prazo: 15 dias úteis contado da assinatura do acordo ou o prazo estabelecido no plano de acção
acordado.

O recurso judicial não faz parte do MDR mas é uma opção disponível que os reclamantes devem
conhecer desde o início do processo.

A informação sobre as reclamações do MDR é reportada trimestralmente ao Banco Mundial,


contudo, caso de alertas ou situações complexas (tumultos relacionados com acções do projecto,
casos de violência, etc.), devem se partilhados com o BM o mais breve possível. Os relatorios
gráficos sobre o MDR são disponíveis ao público através do link
http://infordata.co.mz/fnds/painel.php.

4.6. Monitoria das salvaguardas

Os objectivos principais da monitoria de salvaguardas são:


Ø Verificar no local onde são implementados os subprojectos se as medidas identificadas nos
PGAS, MBP, C-PGAS estão sendo implementadas correctamente. Isto inclui verificação
de processos assim como de cumprimento de padrões e indicadores;

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Ø Propor medidas de mitigação correctivas ou adicionais onde são detectados não
conformidades, incumprimentos ou impactos negativos que não tinham sido previstos; e,
ainda, uma eventual aplicação de penalidades e/ou sanções, caso se faça necessário;
Ø Assegurar a observância das medidas da estratégia de mitigação de riscos sociais
desenvolvidas para o processo de regularização de posse de terra;
Ø Além da necessidade de acção imediata, no caso de ocorrências de incidentes, incluir as
acções necessárias em caso de incidentes – ESIRT – Environmental and social Incidence
Respinse Toolkit – incluindo requerimentos com comunicação ao Banco Mundial em até
24 horas do ocorrido.

4.6.1. Instrumentos de monitoria


4.6.1.1. Visitas de monitoria
As visitas de monitoria são realizadas pelos assistentes técnicos de salvaguardas das UCPs
regularmente e devem ser acompanhadas pelos empreiteiros ou provedores de serviço de
regularização de posse de terra. E com uma regularidade trimestral o técnico de salvaguardas do
FNDS central deverá realizar visitas de monitoria para auferir no terreno o nível de execução dos
aspectos de salvaguardas pré-definidos e orientados.

Especificamenete para subprojectos de construção e/ou reabilitação de infraestrutura existem


fichas de verificação de campo que consideram o registo de não conformidades e definição de
acordos de atendimento das mesmas. E para a regularização de posse de terra um dos instrumentos
usados é o questionário de verificação da prontidão comunitária. O registo de informação das
fichas de verificação de campo deverá ser feito através de telefones android’s pelo software couble
collect e sistematizados pelo software ArcGIS interprise numa plataforma gerida pelo FNDS. Os
oficiais de salvaguardas das UCPs junto com os provedores de serviço e/ou empreiteiros realizarão
visitas mensais de monitoria das actividades dos subprojectos. O registo de Não Conformidades
pode ser feito tanto pelos especialistas e assistentes técnicos do FNDS nas suas visitas de monitoria
como pelo fiscal de obras em caso de subprojectos de contrução e pela equipa de salvaguardas do
FNDS para identificar medidas de mitigação adicionais.

Na monitoria dos impactos sociais, decorrentes da implementação do processo de regularização


de terras, será acompanhado o estágio da resolução dos conflitos identificados e registados no
MDR, bem como do protocolo de regularização de posse de terra.

4.6.1.2. Relatórios de monitoria


Os provedores de serviços e/ou empreiteiros devem preparar relatórios mensais de cumprimento
de suas obrigações socioambientais, incluindo um resumo de interações com a comunidade,
particularmente campanhas de sensibilização realizadas (contendo, por exemplo, a lista de
participantes no processo de consulta comunitária, queixas levantadas, entre outras situações).

Os assistentes técnicos de salvaguardas das UCPs devem produzir relatórios mensais de execução
de salvaguardas, contudo casos execpcionais de incidentes ou acidentes devem ser reportados
imediatamente a coordenação de salvaguardas e da UCP para atenção especial.

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As UCP deverão entre outra assegurar que todos os relatórios produzidos estejam arquivados,
incluindo os da responsabilidade dos PSs, com o seguinte (lista de participantes, decisões tomadas,
reclamações formuladas durante os processos de consulta comunitárias)

O especialista de salvaguardas a nível central deverá produzir relatórios trimestrais reflectindo o


nível de cumprimento dos aspectos de salvaguardas ambientais e sociais do projecto a ser validado
pela coordenação de salvaguardas e submetido ao BM ate o quinto dia do mês seguinte após fecho
do trimestre.

Tabela 5: Resumo dos processos de monitoria.

Tipo Intervenientes Periodicidade Tarefa

Assistentes técnicos Quinzenal para Realização de inspeções no terreno;


de salvaguardas das regularização de preenchimento de fichas de
UCPs /SPGCs posse de terra e verificação de campo; registos de
mensal para NC’s; encontros com partes
subprojectos de afectadas para acompanhamento das
infraestruturas acções/acordos no ambito do MDR e
protocolo de gestão de terras; auferir
a observância do processo de
preparação social, prontidão
comunitária, respeito as áreas de
protecção total e parcial, inclusão de
género concernentes a regularizaão
de posse de terra.

Fiscal de Obra Regular Realização de inspeções no terreno;


preenchimento de fichas de
verificação de campo; registos de
NCs; assistência as capacitações e
sensibilizações aos funcionários da
obra.
Visitas de Monitoria

Provedor de serviço Permanente/dia-a-dia Assegurar o cumprimento das


e ou empreiteiro orientações dos instrumentos de
salvaguardas pré-aprovados, registo
de incidentes/acidentes; (Exemplo:
C-PGAS; protocolo de gestão de
conflitos de terra)

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Salvaguardas do Trimestral Realizar inspecções no terreno,
FNDS central et verificar o atendimento das NCs
Assistentes técnicos registadas; reunir com o empreiteiro
de salvaguardas das e/ou o provedor de serviços para
UCPs discutir sobre casos rescidentes de
regional/SPGCs NCs ou não atendimento das mesmas
caso existam incluindo o nível de
execução dos aspectos de
salvaguardas no processo de
regularização de terra (Ex:
verificação da prontidão comunitária
e aspectos de inclusão de género);

Salvaguardas do Permanente/dia-a-dia Apoiar os assistentes técnicos de


FNDS central salvaguardas em processos mais
complexos ou onde o mesmo
apresente dificuldades.

Provedores de Mensal Elaborar relatórios de gestão socio-


serviço ambiental, incluíndo acções e
responsabilidades no caso de
ocorrencia de incidentes

Assistentes técnicos Trimestral Relatórios de visitas de campo.


de Salvaguardas das
UCP’s/SPGCs
Relatórios de Monitoria

Salvaguardas do Semestral Validar e consolidar um relatório


FNDS semestral de salvaguardas do
Projecto.

Alertar a equipa de salvaguardas do


BM incumprimentos que não hajam
sido subsanados em 15 dias.

5. COMUNICAÇÃO
Constituem os principais objectivos da comunicação no processo de implementação do Projecto
MozLand:
Ø Envolver as partes interessadas, assegurando a sua participação na implementação do
projecto;
Ø Clarificar os objectivos do projecto e os objectivos do processo de regularização da terra
a fim de alinhar as expectativas e manter todos informados;

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Ø Divulgar o projecto e o processo de regularização da terra ao público em geral com vista
a evitar campanhas de desinformação.
Para o alcance dos objectivos descritos acima, é essencial um processo de comunicação e
participação bidireccional (de cima para baixo e de baixo para cima) para aumentar a relevância
do diálogo e construir ou melhorar as relações entre as partes. Isto evitará potenciais conflitos e
quaisquer riscos sociais que possam surgir durante a implementação do MozLand, em resultado
da falta de transparência.

A comunicação/divulgação do projecto terá como principais audiências, as comunidades locais,


incluindo os grupos vulneráveis, como mulheres, idosos, etc; organizações da sociedade civil
(particularmente aquelas que trabalham com a terra e o género, paralegais); sector privado;
Governo a vários níveis; academia; comunicação social; parceiros/parceiros de cooperação; e o
público em geral. Neste contexto, será adotada uma abordagem de comunicação 360 graus, ou
seja, uma comunicação integrada que permite o envolvimento de vários canais, ferramentas com
vista a disseminação de mensagens.

Os principais canais e ferramentas de divulgação, de acordo com cada seguimento da audiência


serão e partes envolvidas consistirá em sessões de discussão e troca de conhecimentos; programas,
peças e spots radiofónicos (com maior uso das rádios comunitárias); material IEC (cartazes,
brochuras, folhetos, etc); materiais audiovisuais (vídeos explicativos e jingles); peças teatrais;
website do FNDS; Mídias sociais; etc. Outras ferramentas podem ser adotadas conforme a
identificação de necessidades e oportunidades de comunicação no terreno.

A descrição detalhada das Comunicações do MozLand, constará da respectiva estratégia como


Anexo IV do presente Volume.

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6. PLANIFICAÇÃO, MONITORIA E AVALIAÇÃO
A descrição detalhada da Planificação, Monitoria & Avaliação, consta do Volume IV do presente
Manual. A descrição abaixo fornece uma visão geral dos processos.

As actividades de Planificação, Monitoria e Avaliação, fazem parte do processo de gestão de


projectos, cuja responsabilidade é de se fazer a programação, o monitoramento e uma avaliação
do impacto das actividades do Projecto, com o objectivo principal de fornecer informações
relevantes aos órgãos de decisões ao nível de gestão, parceiros, e ao público em geral.

A principal actividade da Planificação será de elaborar e acompanhar a execução do plano anual


de actividades e orçamental do Projecto.

A nível central, o especialista de PM&A apoiará o(a) Coordonador(a) do Projecto e os especialistas


das áreas temáticas nesta actividade.

A nível regional é da responsabilidade dos especialistas de terra em colaboração com a


DINAT/SPGCs e CENACARTA na elaboração de planos de actividades e orçamental regionais e
submete-los ao Coordenador(a) do Projecto para a revisão e aprovação.

A Monitoria e Avaliação do Projecto será coordenada pelo especialista de PM&A em coordenação


com a DINAT, DNOT, CENACARTA e SPGCs, com o objectivo principal de garantir um processo
eficaz, bem como uma intereção entre as componentes do Projecto e as partes interessadas
envolvidas, para alcançar o seu Objectivo de Desenvolvimento e seus respectivos resultados finais
esperados. Os especialistas de terra nas UCPs regionais e nos SPGCs são responsáveis pelas
funções de PM&A no nível regional.

O FNDS, através da sua Divisão de Planificação, Monitoria e Avalição e a UCP central, serão
responsáveis pela Monitoria e Avaliação do Projecto, com base em sua experiência na
implementação de outros projectos financiados pelo Banco Mundial. A equipa do FNDS
responsável pelo sistema de PM&A de todos os projectos implementados pelo Fundo dá suporte
técnico ao especialista de PM&A em tempo integral recrutado exclusivamente para o Projecto e a
todos os especialistas de terras a nível regional.

O processo de PM&A é executado em estreita coordenação com todas as partes interessadas do


projecto, a partir da adopção de uma abordagem integrada ao longo dos cinco anos de
implementação deste.

6.1. Sistema de M&A

Como instrumento de apoio para desenvolvimento das actividades, o Projecto MozLand (Terra
Segura) contará com um Sistema de Monitoria e Avaliação funcional e flexível que consiste de
três (3) sub-sistemas, nomeadamente: i) Planificação; ii) Monitoria e Reporte; e iii) Avaliação,
incorporando uma sequência de acções e ferramentas.

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Figura 9: Esquema do Sistema de Monitoria e Avaliação
6.1.1. Sub-sistema de Planificação
Este Sub-sistema consiste na elaboração do plano de actividades do Projecto em todo o seu
horizonte temporal, reflectida no CostTab, feita anualmente, através do Plano Anual de
Actividades (PAA). As metas anuais previstas no PAA são repartidas
trimestralmente/mensalmente dependendo da actividade, para assegurar uma monitoria frequente
do progresso do Projecto. Envolve também a elaboração dos Planos de acção em conformidade
com as recomendações emanadas nas missões de supervisão e nas auditorias externas, reflectidas
na forma de matriz das acções acordadas, como instrumentos de supervisão e facilitadores para o
alcance das recomendações e dentro dos prazos estipulados.

6.1.2. Sub-Sistema de Monitoria e Reporte


A Monitoria é um processo de recolha e acompanhamento contínuo de informação sobre as
actividades desenvolvidas no âmbito do Projecto. Este processo consiste na colecta sistemática de
dados sobre indicadores específicos para fornecer aos gestores e demais intervenientes no projecto,
os resultados alcançados em relação aos objectivos definidos. Os especialistas de terra a nível
regional são responsaveis pela colecta, análise e validação dos dados de campo e submisão ao
Especialista de PM&A a nível central, e este é responsável pela avaliação, análise e agregação da
informação nos relatórios de progresso.

O progresso do Projecto é medido por um conjunto de indicadores listados e descritos em um


quadro de resultados que define e explica a sua significância, bem como são medidos e providencia
linhas de base e metas. Esta tabela constitui a matriz de monitoria baseada em Excel e é definida,
actualizada e rastreada a cada ano para cada indicador, e a mesma encontra-se no Anexo 5 do
Volume IV do POM referente a Planificação, Monitoria e Avaliação.
O Reporte é o exercício da prestação de contas por meio da produção dos relatórios de progresso

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previstos com base no Plano Anual de Actividades e do Quadro de resultados. A disseminação dos
relatórios é feita em todas as UCPs e fazendo a sua circulação entre as diferentes instituições
envolvidas, Banco Mundial, MITADER (FNDS, DINAT, DINOTER e CENACARTA) e MAEFP
(DNOT).

6.1.3. Sub-sistema de Avaliação


A avaliação é a sistemática e objectiva apreciação do projecto executado ou em curso, programa
ou política, desde o seu desenho, implementação e resultados. Este processo consiste na análise
crítica dos produtos ou resultados alcançados pelo Projecto, comparados com a situação inicial
(baseline), com o objectivo de aferir a eficiência e a eficácia das acções, face às metas estabelecidas
e aos Indicadores de Avaliação do Projecto (IAP) definidos no PAD.

6.2. Atribuições de planificação


Ø Assessorar a Gestão do Projecto na planificação de actividades;
Ø Conduzir o processo de elaboração e revisão ou reajustamento dos planos anuais (Plano de
Anual de Actividades e Orçamento do Projecto);
Ø Coordenar a componente de orçamentação de todas as actividades do Plano Anual de modo
a garantir uma alocação racional dos recursos;
Ø Coordenar o processo de implementação do Plano Anual de Actividades e do Orçamento.

6.3. Atribuições de M&A

Ø Participar na elaboração do plano anual de trabalho;


Ø Estabelecer padrões de desempenho e/ou de execução para compará-los com as acções
planificadas e executadas;
Ø Elaborar e operacionalizar um sistema detalhado de informações das acções realizadas no
período em avaliação, e apresentá-lo na forma de relatório;
Ø Verificar, nas datas previstas no Plano de Monitoria, o grau de realização das
acções/actividades do Projecto, a fim de quantificar possíveis desvios entre o planificado e
o executado e proceder aos ajustes necessários;
Ø Preparar a metodologia e TdR para avaliações externas, incluindo avaliações
intermediárias e finais;
Ø Monitorar o progresso do plano anual de actividades e propor ajustes às metas, caso
necessário;
Ø Monitorar a submissão dos relatórios de progresso previstos nos contratos com o provedor
de serviço, verificar o cumprimento dos ToRs e dos resultados;
Ø Propor quaisquer adaptações/actualizações aos indicadores de desempenho do Projecto;
Ø Promover e liderar programas de treinamento da equipa de M&A, incluindo todas as
instituições relevantes envolvidas no Projecto;
Ø Realizar outras actividades afins indicadas pelo Coordenador e relacionadas com a
implementação do Projecto.

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6.4. Estratégias de Actuação

Para assegurar o cumprimento das actividades de Monitoria e Avaliação para o alcance do


objectivo do Projecto, o especialista de M&A adopta e aposta nas seguintes estratégias de
actuação:
Ø Promoção de uma planificação inclusiva com base numa abordagem participativa de todas
UCP regionais, as instituições relevantes envolvidas no Projecto e dos especialistas das
componentes no processo de elaboração dos planos anuais de actividades de modo a que
as se apropriem dos seus respectivos responsabilidades;
Ø Comunicação horizontal com todas as instituições relevantes envolvidas no Projecto;
Ø Divulgação e partilha regular dos resultados alcançados;
Ø Liderança de todo o processo de PM&A do Projecto;
Ø Articulação periódica com as equipas de PM&A dos outros projectos do FNDS.

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