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UFAL/CTEC – EAMB 013 – Profa Ivete Vasconcelos Lopes Ferreira

INDICADORES DE QUALIDADE DA ÁGUA


A qualidade da água está associada ao uso a que ela se destina.
Q = f (USO)
Alguns padrões de qualidade da água estabelecidos pela legislação brasileira:
1. Padrões de qualidade da água potável – PORTARIA DE CONSOLIDAÇÃO Nº 5, DE 28 DE
SETEMBRO DE 2017 - Consolidação das normas sobre as ações e os serviços de saúde do Sistema
Único de Saúde. Capítulo V – Seção II – Artigo 129, Anexo XX, do Ministério da Saúde (Origem:
PRT MS/GM 2914/2011) que dispõe sobre o controle e vigilância da qualidade da água para
consumo humano e seu padrão de potabilidade. (Origem: PRT MS/GM 2914/2011).
2. Padrões de qualidade para águas superficiais – Resolução Nº 357, de 17 de março de 2005 do
Ministério do Meio Ambiente, Conselho Nacional do Meio ambiente – CONAMA. Alterada pela
Resolução 410/2009 e pela 430/2011.
Dispõe sobre a classificação dos corpos d’água e diretrizes ambientais para o seu
enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá
outras providências.
3. Padrões e condições de lançamento de efluentes – Resolução CONAMA 430/2011.
Dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes, complementa e altera a
Resolução 357/2005.
4. Padrões de qualidade para águas subterrâneas – Resolução CONAMA Nº 396/2008.
Dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento das águas
subterrâneas e dá outras providências.
5. Padrões de balneabilidade da água - RESOLUÇÃO CONAMA nº 274, de 29 de novembro de
2000.
Define os critérios de balneabilidade em águas brasileiras.

INDICADORES FÍSICOS DE QUALIDADE DA ÁGUA


 Cor
 Turbidez
 Temperatura
 Sabor e Odor
 Condutividade elétrica
 Sólidos
Cor: Característica derivada da existência de substâncias dissolvidas, sendo essas, na grande
maioria dos casos, de natureza orgânica (ácidos húmicos e fúlvicos provenientes da
decomposição parcial de folhas, plâncton, macrófitas).
A cor também pode ser atribuída à presença de alguns íons metálicos como ferro e manganês
abundantes em diversos tipos de solos, e despejos industriais (indústria têxtil, curtumes, papel
e celulose) e domésticos. Consequência  aspecto estético.
Esgoto fresco: ligeiramente cinza
Esgoto séptico: cinza escuro ou preto
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COR APARENTE: é a cor presente em uma amostra de água, devido à presença de substâncias
dissolvidas e substâncias em suspensão, ou seja, tem uma parcela devido à turbidez.
COR VERDADEIRA OU REAL: é a cor presente em uma amostra de água, devido à presença de
substâncias dissolvidas. A cor verdadeira é determinada após centrifugação ou filtração da
amostra.
Água Potável (Port. Nº 05/2017 MS – Anexo XX)
Cor aparente (tem uma parcela devido à turbidez). VMP1=15 uH (unidades Hazen)
 Resolução CONAMA 357/2005
Cor verdadeira:
Classe 1 cor natural do corpo d’água; Classes 2 e 3  75 mg Pt/L; Classe 4  sem padrão
Unidades: uC (unidade de cor)
uH (unidade Hazen)
mg Pt-Co/L (padrão mg platina-cobalto/L)
1 uC = 1 uH = 1 mg Pt-Co/L

EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA DETERMINAÇÃO DA COR

Comparação visual da amostra com um


disco de vidro colorido, adequadamente
calibrado com soluções padrões de
diferentes concentrações de
Cloroplatinato de Potássio (K2PtCl6)
tingida com pequenas quantidades de
Cloreto de Cobalto.

Método colorimétrico - 2120E


(Standard Methods)

Turbidez: É a alteração da penetração da luz pelas partículas em suspensão, que provocam a


sua difusão e absorção.
Origem da turbidez na água: partículas formadas por plâncton, bactérias, argilas, silte em
suspensão, fontes de poluição que laçam materiais finos e outros.
Significado da turbidez:
 Origem natural: não traz inconvenientes sanitários diretos.
 Esteticamente desagradável na água potável.

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VMP: Valor Máximo Permitido
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 Os sólidos podem servir de abrigo para os microrganismos diminuindo a eficiência da


desinfecção. Em ETAs (Estações de Tratamento de Água) a desinfecção é tanto mais
eficaz quanto menor a turbidez.
 Origem antropogênica: pode estar associada a compostos tóxicos e organismos
patogênicos.
 Em corpos d’água: reduz a penetração de luz reduz a zona eufótica que é a zona de
luz até onde ainda é possível ocorrer a fotossíntese.
 Unidades: uT (unidades de Turbidez)
 UNT (Unidades Nefelométricas de Turbidez)
 1 uT = 1 UNT
 Padrões de qualidade:
 Água Potável (Port. Nº 05/2017 MS – Anexo XX)

VMP = 5 uT

 Águas doces (Resolução CONAMA 357/2005)


Classe 1: turbidez até 40 UNT
Classes 2 e 3: até 100 UNT
Classe 4: sem padrão

EQUIPAMENTO UTILIZADO NA DETERMINAÇÃO DE TURBIDEZ - Turbidímetro

Padrões para calibração

Temperatura: Indica a intensidade de calor. A temperatura tem influência nos processos


biológicos, reações químicas e bioquímicas que ocorrem na água e em outros processos, como
a solubilidade dos gases dissolvidos e sais minerais.
Quanto maior a temperatura  maior a taxa de reação das reações químicas e biológicas;
Quanto maior a temperatura  menor a solubilidade dos gases na água (ex. OD);

Quanto maior a temperatura  maior a taxa de transferência de gases (Ex. H2S liberação de
odor).
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Concentração de saturação de oxigênio dissolvido (OD) na água doce, ao nível do mar, para
diferentes temperaturas.

Temperatura (⁰C) OD (mg O2/L)


0 14,6
5 12,8
10 11,3
15 10,2
20 9,2
25 8,4
30 7,6

Sabor e Odor: Estão associados à presença de poluentes industriais ou outras substâncias


indesejáveis, tais como matéria orgânica em decomposição, algas, etc.
São características organolépticas de difícil avaliação por serem de sensações subjetivas.
Para água potável sabor e odor devem ser não objetáveis.
 Segundo a Port. Nº 05/2017, MS – Anexo XX, odor e sabor devem ter intensidade 62.
Ou seja, para diluição maior ou igual a 1:6, não serão mais percebidos odor e sabor.

Condutividade elétrica: A condutividade elétrica da água é determinada pela presença de


substâncias dissolvidas que se dissociam em ânions e cátions.
É um valor que representa a propriedade de conduzir corrente elétrica apresentada por um
sistema aquoso contendo íons.
Parâmetro muito empregado no monitoramento da qualidade de águas e de águas residuárias.
Depende da quantidade de sais dissolvidos, e permite estimar a quantidade de sólidos totais
dissolvidos (STD).
A unidade utilizada é Siemens/cm (S.I.) a uma determinada temperatura em graus Celsius.
A condutividade das águas superficiais e das subterrâneas também é bastante variada,
podendo ser baixa em valores de 50 μS/cm e variando até 50.000 μS/cm, que é a
condutividade da água do mar.

CONDUTIVÍMETRO

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Intensidade máxima de percepção para qualquer característica de gosto e odor com exceção do cloro
livre, nesse caso por ser uma característica desejável em água tratada.
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Sólidos: Todas as impurezas da água contribuem para a carga de sólidos presentes na água,
exceto os gases. Os sólidos podem ser classificados de acordo com seu tamanho e
características químicas.
 Quanto às características físicas: sólidos suspensos (não filtráveis), sólidos dissolvidos
(filtráveis), sólidos coloidais3.

Classificação dos sólidos em função do tamanho: dissolvidos, coloidais e suspensos

Fonte: Von Sperling (2005)

 Quanto às características químicas: sólidos orgânicos (voláteis) e inorgânicos (fixos).


Outra forma de sólido presente na água consiste nos Sólidos Sedimentáveis  A determinação
de sólidos sedimentáveis contidos em uma amostra de efluente indica o volume de sólidos que
se deposita no fundo de um cone Imhoff após um determinado tempo de repouso do líquido,
normalmente 1 hora. Os resultados são expressos em mL/L. Os sólidos sedimentáveis
constituem a parte mais grosseira dos sólidos suspensos (orgânicos e inorgânicos) contidos no
efluente, e que sedimentariam rapidamente nos leitos dos corpos receptores, caso chegassem
a eles, ou nos tanques de decantação.
Em resumo:
 Os sólidos nas águas correspondem a toda matéria que permanece como resíduo, após
evaporação, secagem ou calcinação da amostra a uma temperatura pré-estabelecida
durante um tempo fixado.
 Em linhas gerais, as operações de secagem, calcinação e filtração são as que definem as
diversas frações de sólidos presentes na água (sólidos totais, em suspensão, dissolvidos,
fixos e voláteis).
 Os métodos empregados para a determinação de sólidos são gravimétricos (utilizando-
se balança analítica ou de precisão), com exceção dos sólidos sedimentáveis, cujo
método de determinação é o volumétrico (uso do cone Imhoff).

Alguns padrões de qualidade referentes aos sólidos:


 Sólidos Dissolvidos Totais ≤ 1.000 mg/L (Port. Nº 05/2017, MS – Anexo XX).
 Sólidos Sedimentáveis: até 1 mL/L (Res. CONAMA 430/2011)
 Sólidos Dissolvidos Totais em águas doces Classe 1, 2 e 3: ≤ 500 mg/L (Res. CONAMA
357/2005).

3
Colóides ou sistemas coloidais: são misturas heterogêneas em que o Ф médio das partículas do disperso
se encontra na faixa de 10 a 1000 Å (ângstron).
O esquema, a seguir, ilustra as possibilidades de ocorrência de sólidos em águas.

CLASSIFICAÇÃO DAS FRAÇÕES DE SÓLIDOS NA ÁGUA

Forno mufla (550 °C)

Sólidos Totais Sólidos Totais


Voláteis Fixos
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FLUXOGRAMA PARA DETERMINAÇÃO DOS SÓLIDOS SEDIMENTÁVEIS

CONE IMHOFF  LAVAGEM  AMOSTRA (1L)  SEDIMENTAÇÃO 

 LEVE AGITAÇÃO  LEITURA AOS


AOS 45 min. 60 min.

CONE IMHOFF

Os resultados são expressos em mL/L.

FLUXOGRAMA PARA DETERMINAÇÃO DE SÓLIDOS TOTAIS (ST), SÓLIDOS TOTAIS FIXOS (STF) E
SÓLIDOS TOTAIS VOLÁTEIS (STV)

CÁPSULA  LAVAGEM  FORNO MUFLA  DESSECADOR  BALANÇA 



P0

 DESSECADOR  AMOSTRA  ESTUFA  DESSECADOR 

 BALANÇA  FORNO  DESSECADOR  BALANÇA


MUFLA
 
P1 P2

P1  P0 P2  P0
ST  STF 
V V
( P1  P0 ) ( P2  P0 ) P1  P2
STV  ST  STF   
V V V

V = volume da amostra
Os resultados são expressos em mg/L.
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FLUXOGRAMA PARA DETERMINAÇÃO DE SÓIDOS SUSPENSOS TOTAIS (SST), SÓLIDOS


SUSPENSOS FIXOS (SSF) E SÓLIDOS SUSPENSOS VOLÁTEIS (SSV)

FILTRO  LAVAGEM  FORNO MUFLA  DESSECADOR  BALANÇA 



P0

 DESSECADOR  AMOSTRA  FILTRAÇÃO  ESTUFA  DESSECADOR 

 BALANÇA  FORNO MUFLA  DESSECADOR  BALANÇA


 
P1 P2

P2  P0
P P SSF 
SST  1 0 V
V
P1  P0 P2  P0 P1  P2
SSV  SST  SSF   
V V V
Os resultados são expressos em mg/L.

FLUXOGRAMA PARA DETERMINAÇÃO DOS SÓLIDOS DISSOLVIDOS TOTAIS (SDT), SÓLIDOS


DISSOLVIDOS FIXOS (SDF) E SÓLIDOS DISSOLVIDOS VOLÁTEIS (SDV)

CÁPSULA  LAVAGEM  FORNO MUFLA  DESSECADOR  BALANÇA 



P0

 DESSECADOR  AMOSTRA  ESTUFA  DESSECADOR 


FILTRADA

 BALANÇA  FORNO  DESSECADOR  BALANÇA


MUFLA
 
P1 P2

P1  P0 P2  P0 P1  P2
SDT  SDF  SDV  SDT  SDF 
V V V

Os resultados são expressos em mg/L.


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EQUIPAMENTOS E MATERIAIS UTILIZADOS PARA DETERMINAÇÃO DE SÓLIDOS EM ÁGUAS E


EFLUENTES

P1

P0

P2
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Bibliografia Recomendada/Consultada:
01. Qualidade das águas e poluição: aspectos físico-químicos.
Autores: Roque Piveli e Mário Kato. Ed. ABES. 2005.
02. Chemistry for Environmental Engineering and Science.
Autores: Clair N. Sawyer; Perry L. McCarty e Gene F. Parkin. Ed. McGrow-Hill. 2003.
03. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. Vol. 1. Capítulo 1.
Autor: Marcos von Sperling. Ed. UFMG. 2005.

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