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JAQUELINE PRISCILA GONÇALVES MOREIRA

Serviço Social e Educação Escolar na Interdisciplinaridade:

avanços e desafios

CENTRO UNIVERSITÁRIO SALESIANO DE SÃO PAULO

AMERICANA

2008
2

JAQUELINE PRISCILA GONÇALVES MOREIRA

Serviço Social e Educação Escolar na Interdisciplinaridade:

avanços e desafios

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentada como exigência parcial
para obtenção do grau de Bacharel
em Serviço Social no Centro
Universitário Salesiano de São Paulo,
sob orientação da Prof. Mst. Neusa
Maria Ferraz Costa Penatti.

CENTRO UNIVERSITÁRIO SALESIANO DE SÃO PAULO

AMERICANA

2008
3

Serviço Social e Educação Escolar na Interdisciplinaridade: avanços e


desafios.

COMISSÃO EXAMINADORA

___________________________________________

Prof. Mst. Neusa M. Ferraz Costa Penatti


Orientadora

___________________________________________

Assistente Social Andréa Cristina Zoca dos Passos


Examinadora

___________________________________________

Prof. Dr. Luis Antonio Groppo


Examinador

Americana, 25 de novembro de 2008


4

Dedico este trabalho de conclusão de curso a duas mulheres muito


mais que guerreiras: vó Clotilde e mãe Wanderléa – vocês são
exemplos de vitória.
A meu pai, João Carlos e a minha irmã Letícia, vocês são especiais.
À pessoa que me acompanhou e apoiou toda minha trajetória
acadêmica, Danilo.
À minha, mais que Professora e orientadora, “mamãe acadêmica” Neusa.
Essa conquista também é de vocês, pessoas que tanto amo!!!
AGRADECIMENTOS
5

Agradeço àquele que sempre está comigo, leva-me a onde quer e


realiza meus sonhos, amado Pai Eterno. Muito obrigada pela sabedoria e
força na construção e conclusão deste trabalho.

À minha querida mãe celestial, que muito tem derramado Graças em


minha vida.

À avó Clotilde, mãe Wanderléa, pai João Carlos, minha irmã Letícia,
madrinha Yolanda, querida Ângela e meus familiares – obrigada por
torcerem e acreditarem nessa nova conquista.

Àquele que sempre, mesmo distante, confortou meu coração, deu-


me forças nos momentos que mais precisei, e sentiu muitas saudades,
Danilo.

A todos os meus Professores e colegas de sala que contribuíram


para o meu desenvolvimento pessoal e formação profissional, em especial
àquelas que estiveram muito próximas a mim: Keila e Selma. A todos,
desejo muito sucesso pessoal, e principalmente profissional.

Agradeço imensamente à Professora e orientadora Neusa, que


desde o primeiro ano de curso conquistou meu carinho, amor e admiração.
Obrigada por tudo, sempre a considerarei minha amiga e minha mamãe
acadêmica. Sua ‘filhota’ já sente saudades.

Agradeço aos amigos conquistados que muito me deram forças


neste ano de 2008 – Kátia, Alex, Juliana e Renan, vocês têm um pedacinho
do meu coração para sempre. Valeu por todos os momentos que juntos
compartilhamos!

À Assistente Social do Serviço Social Escolar de Limeira, Andréa


Cristina Zoca dos Passos e ao Profº Dr Luis Antonio Groppo, muito
obrigada por contribuírem e participarem do meu momento acadêmico
mais importante.

Aos profissionais que aceitaram ser sujeitos desta pesquisa. A


participação de vocês foi fundamental.

Enfim, a palavra muito obrigada para cada um de vocês é muito


pouco para agradecer tudo o que representam nesta vitória!
6

“A Educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para

assumirmos a responsabilidade por ele, e com tal gesto, salvá-lo da ruína que

seria inevitável se não fossem a renovação e a vinda dos novos e dos jovens”.

(ARENDT).

RESUMO

O presente Trabalho de Conclusão de Curso aborda a inserção do Serviço


Social na área da Educação Escolar nas Escolas Municipais Públicas de
Limeira/SP e as possibilidades e limites para implantação do Serviço Social nas
Escolas Municipais Públicas de Americana/SP. Para compreender o novo
campo de atuação profissional do Serviço Social, foi feito um resgate histórico
7

da Educação Escolar no Brasil até à contemporaneidade de acordo com


Política Educacional Brasileira: Constituição Federal de 1988, Política Nacional
da Educação, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Plano Nacional de
Educação, Política Municipal de Educação de Americana/SP. Pesquisou-se
também, a trajetória histórica do Serviço Social e a Educação, destacando-se a
interdisciplinaridade entre os dois campos de atuação, qual a Função Social da
Educação e a prática profissional do Serviço Social na área da Educação
Escolar de acordo com o Projeto Ético-Político Profissional do Serviço Social.
Nesta perspectiva pesquisou-se a realidade empírica do Serviço Social no
campo educacional através da contextualização dos Campos de Pesquisa:
Município de Limeira/SP e a trajetória do Serviço Social na área da Educação
Escolar e o Município de Americana/SP e os desafios para a implantação do
Serviço Social na área da Educação. Foram apresentados também, os
procedimentos metodológicos da pesquisa, a análise e interpretação dos dados
coletados. Conclui-se que há muito trabalho para o Serviço Social realizar na
área educacional, seja através de uma prática profissional que auxilie os
profissionais da escola diante das dificuldades encontradas na relação
educador/educando e/ou no processo de ensino-aprendizado, e principalmente
através de uma prática sócio-educativa que busque o desenvolvimento da
cidadania, democracia e da garantia dos Direitos Mínimos Sociais dos
educando e seus respectivos familiares, muitas vezes afetados pelas diversas
expressões da questão social, isso tudo compromete o processo de
aprendizado do educando. Para que a inserção profissional seja feita, é
necessário comprometimento político das pessoas responsáveis pela
regulamentação e implantação do Serviço Social na área da Educação Escolar.

Palavras-chaves: 1. Educação Escolar;

2. Política Educacional Brasileira;

3. Serviço Social na Área da Educação Escolar;

4. Interdisciplinaridade.

LISTA DE TABELAS

Tabela 01: Gênero dos Assistentes Sociais pesquisados em Limeira ...........117

Tabela 02: Faixa etária ...................................................................................118

Tabela 03: Tempo de atuação como Assistente Social ..................................118


8

Tabela 04: Tempo de atuação na Educação ..................................................119

Tabela 05: Ouviram e/ou estudaram sobre Serviço Social na Educação antes
da inserção nessa área ...................................................................................119

Tabela 06: Opinião sobre Educação Pública em Limeira ...............................120

Tabela 07: Relacionamento do Assistente Social com o aluno ......................121

Tabela 08: Relacionamento do Assistente Social com profissionais da


Educação ........................................................................................................121

Tabela 09: Principais dificuldades encontradas nas escolas de Limeira ........122

Tabela 10: Contribuição do Serviço Social nas dificuldades existentes entre


educador/educando ........................................................................................125

Tabela 11: Gênero dos Diretores pesquisados em Limeira ............................128

Tabela 12: Faixa etária ...................................................................................129

Tabela 13: Tempo de atuação na Educação ..................................................129

Tabela 14: Opinião sobre Educação Pública de Limeira ................................130

Tabela 15: Relacionamento do Diretor com o Aluno ......................................131

Tabela 16: Relacionamento do Diretor com o Assistente Social ....................131

Tabela 17: Opinião sobre o relacionamento do Assistente social com os


alunos ...................................................................................................................
......132

Tabela 18: Opinião sobre o relacionamento dos alunos com o Assistente Social
.........................................................................................................................132

Tabela 19: Conhecimento da atuação do Serviço Social na Educação antes de


sua inserção ....................................................................................................133

Tabela 20: Principais dificuldades encontradas nas escolas de Limeira ........133

Tabela 21: Contribuição do Serviço Social nas dificuldades existentes entre


educador/educando .......................................................................................136
Tabela 22: Gênero dos Diretores pesquisados em Americana ......................144

Tabela 23: Faixa etária ...................................................................................145

Tabela 24: Tempo de atuação na Educação ..................................................145

Tabela 25: Opinião sobre a Educação Pública de Americana ........................146


9

Tabela 26: Relacionamento do Diretor com o Aluno ......................................147

Tabela 27: Relacionamento do Diretor com os Profissionais da


escola ....................................................................................................................
.....147

Tabela 28: Principais dificuldades encontradas nas escolas de Americana ..148

Tabela 29: Conhecimento sobre a inserção do Assistente social na


Educação ..............................................................................................................
...........150

Tabela 30: Conhecimento da Lei n° 3.950/03 .................................................150

Tabela 31: Contribuição do Serviço Social nas dificuldades existentes entre


educador/educando ........................................................................................153

Tabela 32: Gênero dos Professores pesquisados em Americana ..................154

Tabela 33: Faixa etária ...................................................................................155

Tabela 34: Tempo de atuação na Educação ..................................................155

Tabela 35: Opinião sobre a Educação Pública de Americana ........................156

Tabela 36: Relacionamento do Professor com o aluno ..................................158

Tabela 37: Relacionamento do Professor com os profissionais da


Escola ...................................................................................................................
......158

Tabela 38: Principais dificuldades encontradas na escola .............................159

Tabela 39: Conhecimento sobre a inserção do Assistente Social na


Educação ..............................................................................................................
...........163

Tabela 40: Conhecimento sobre a Lei n° 3.950/03 .........................................164

Tabela 41: Contribuição do Serviço Social nas dificuldades existentes entre


educador/educando ........................................................................................165

Tabela 42: Gênero dos Assistentes Sociais pesquisados em Americana ......168

Tabela 43: Faixa etária ...................................................................................168

Tabela 44: Tempo de atuação como Assistente Social ..................................169

Tabela 45: Setor de atuação ...........................................................................169


10

Tabela 46: Segmento de atuação ...................................................................170

Tabela 47: Ouve falar sobre o Serviço Social na Educação em Americana ..171

Tabela 48: Participa da articulação que visa a implantação do Serviço Social na


Educação ........................................................................................................171

Tabela 49: A articulação da categoria profissional na contribuição da


implantação .....................................................................................................172

Tabela 50: Opinião sobre a relação dos profissionais da Educação com o


Serviço Social em Americana .........................................................................173

Tabela 51: Ausência de articulação entre os profissionais do Serviço Social e


Educação dificultando a regulamentação da Lei ............................................174

Tabela 52: Contribuição da gestão pública vigente para a regulamentação da


Lei ...................................................................................................................175

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS


11

ABEPSS – Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social


ADE – Agente de Desenvolvimento Educacional
APAE – Associação de Pais e Amigos Excepcionais
ARIL – Associação de Reabilitação Infantil de Limeirense
CAIC – Centro de Atendimento Integral à Criança
CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CAPSI – Centro de Atenção Psicossocial
CBCISS – Comitê Brasileiro de Conferência Internacional de Serviço Social
CCJ – Comissão de Constituição, Justiça e Redação
CEAS – Centro de Estudos e Ação Social de São Paulo
CEC – Conselho Escola-Comunidade
CECD – Comissão de Educação, Cultura e Desporto
CEFEM – Centro de Formação dos Educadores do Município
CEIEF – Centros de Educação Infantil e Ensino Fundamental
CEMEP – Centro Municipal de Estudos Pedagógicos
CEPROSOM – Centro de Promoção Social Municipal
CESET – Centro Superior de Educação Tecnológica
CF – Constituição Federal
CFESS - Conselho Federal do Serviço Social
CFT – Comissão de Finanças e Tributação
CI – Centros Infantis
CIEP – Centro Integrado de Educação Pública
CMAS – Conselho Municipal de Assistência Social
CMDCA – Conselho Municipal de Direitos da Criança e Adolescente
CMDPD – Conselho Municipal de Direitos da Pessoa Deficiente
CME – Conselho Municipal de Educação
COMEM – Conselho Municipal de Entorpecentes
CONED – Congresso Nacional de Educação
COTIL – Colégio Técnico de Limeira
CRAS – Centros de Referência da Assistência Social
CREAS – Centro de Referência Especializado na Assistência Social
CRESS – Conselho Regional de Serviço Social
DAE – Departamento de Água e Esgoto
ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente
12

EJA – Educação de Jovens e Adultos


EMDEL – Empresa de Desenvolvimento de Limeira S/A
EMEF – Escola Municipal de Ensino Fundamental
EMEI – Escola Municipal de Educação Infantil
EMEIEF – Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental
ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio
ENESSO – Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social
FAAL – Faculdade de Administração e Artes de Limeira
FAC – Faculdade Comunitária Anhanguera Educacional
FHC – Fernando Henrique Cardoso
FIEL – Faculdades Integradas Einstein de Limeira
FUSAME – Fundação de Saúde de Americana
GAMA – Guarda Armada Municipal de Americana
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IDH – Índice de Desenvolvimento Humano
ISCA – Instituto Superior de Ciências Aplicadas
LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação
MEC – Ministério da Educação e Cultura
NEPSS – Núcleo de Estudos e Pesquisas em Serviço Social
ONG – Organização Não-Governamental
ORG – Organizadores
PAC – Processo de Aprendizagem Contínua
PAT – Posto de Atendimento ao Trabalhador
PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais
PEC – Processo de Estudos Coletivos
PFL/RJ – Partido da Frente Liberal/Rio de Janeiro
PIB – Produto Interno Bruto
PL – Projeto de Lei
PL/AM – Partido Liberal/Amazonas
PNAS – Política Nacional de Assistência Social
PNE – Plano Nacional de Educação
PT/SP – Partido dos Trabalhadores/São Paulo
PTB/ES – Partido dos Trabalhistas Brasileiro/Espírito Santo
SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Limeira
13

SAEB – Sistema de Avaliação do Ensino Básico


SUAS – Sistema Único de Assistência Social
SUS – Sistema Único de Saúde
TCC – Trabalho de Conclusão de Curso
UE – Unidade Escolar
UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas
UNIMED – União dos Médicos
UNIP – Universidade Paulista
UNISAL – Centro Universitário Salesiano de São Paulo

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ............................................................................................01
14

CAPÍTULO 1 – DA GÊNESE À CONTEMPORANEIDADE DA POLÍTICA


EDUCACIONAL BRASILEIRA.........................................................................05
1.1 Contextualização Histórica da Educação Escolar no Brasil .............05
1.2 Constituição Federal de 1988: um novo olhar para a Educação Escolar
.........................................................................................................18
1.3 Política Nacional da Educação .........................................................21
1.3.1. Lei de Diretrizes e Bases da
Educação ...................................23
1.3.2. Plano Nacional de Educação ..................................................28
1.4 Política Municipal de Educação de Americana/SP ...........................35

CAPÍTULO 2 – SERVIÇO SOCIAL E EDUCAÇÃO NA


INTERDISCIPLINARIDADE .............................................................................56
2.1 História do Serviço Social e a Educação...........................................56
2.2 Serviço Social na Interdisciplinaridade .............................................73
2.3 A Função Social da Educação na interface com o Serviço Social ...79
2.4 Projeto Ético-Político Profissional e o Serviço Social na área da
Educação ..........................................................................................................85

CAPÍTULO 3 – A REALIDADE EMPIRICA DO SERVIÇO SOCIAL NO


CAMPO EDUCACIONAL .................................................................................92
3.1 Contextualização do Campo de Pesquisa ........................................92
3.1.1 Município de Limeira/SP ..........................................................93
3.1.1.1 Trajetória do Serviço Social na área da Educação no
Município de Limeira/SP ...................................................................................97
3.1.2 Município de Americana/SP ..................................................104
3.1.2.1. Desafios para a implantação do Serviço Social na área
da Educação em Americana/SP .....................................................................107
3.2 Procedimentos Metodológicos da Pesquisa de Campo .................111
3.3 Análise e Interpretação dos Dados .................................................116
3.3.1 Assistentes Sociais de Limeira ..............................................117
3.3.2 Diretores de Limeira ..............................................................128
3.3.3 Gestor Público de Educação de Americana ..........................139
3.3.4 Diretores e Professores de Americana ..................................144
3.3.5 Assistentes Sociais da Pró-Comissão do Serviço Social Escolar
de Americana e ex-alunos que moram em Americana e cursaram o Tópico
Avançado de Serviço Social Escolar em 2005 e 2007 ...................................168

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...........................................................................177

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..............................................................180

APÊNDICES ...................................................................................................186

ANEXOS .........................................................................................................196
1

APRESENTAÇÃO

O curso de Serviço Social tem como exigência acadêmica a elaboração

do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para obtenção do título de bacharel.

Atendendo às exigências curriculares, apresentamos o presente estudo

intitulado: Serviço Social e Educação Escolar na interdisciplinaridade: avanços

e desafios.

O interesse pelo tema surgiu no decorrer do primeiro ano de curso

(2005), em que constatei que poderia unir minhas “paixões”: Serviço Social e

Educação, e ganhou mais importância e destaque pessoal no ano de 2007,

com as aulas de Tópico Avançado em Serviço Social Escolar.

Este trabalho é de grande importância para minha formação acadêmica,

nele faço a junção do conhecimento teórico aprendido no decorrer do curso,

com destaque, ao Tópico Avançado, a prática profissional do Assistente Social

e a trajetória da Educação Escolar no Brasil entre outros. Contemplo minhas

dúvidas, algumas delas descritas na problematização.

A problematização desta pesquisa se constituiu nas dificuldades de

implantação do Serviço Social nas Escolas Públicas Municipais de Americana.


2

O município de Limeira, referência para nosso município, há 30 anos

desenvolve projetos interdisciplinares com as áreas de Educação e Serviço

Social, e desde 1999 está inserido no Ensino Fundamental, contando, hoje,

com 35 Assistentes Sociais atuando junto às escolas Municipais: Centros

Infantis, Educação Infantil e Ensino Fundamental.

Americana aprovou o Projeto de Lei em 2003, e desde então, não foi

identificada nenhuma ação relativa à regulamentação para abertura de

concurso público e inserção de Assistentes Sociais nas escolas municipais.

Diante deste contexto problematizamos: O desconhecimento da atuação do

Serviço Social na Educação Escolar pelo Gestor Público, dificultando a

regulamentação da Lei no município. A ausência do Assistente Social

colaborando para a não percepção dos profissionais da Educação nas

dificuldades entre educador/educando. A ausência de articulação entre

profissionais de Serviço Social e da Educação levam à morosidade da

regulamentação da Lei nº 3.950/03.

O objetivo geral da pesquisa referiu-se às dificuldades para a

implantação do Serviço Social nas Escolas Municipais de Americana, bem

como ao conhecimento da prática profissional do Serviço Social nas Escolas

Municipais de Limeira. Os objetivos específicos foram: realizar pesquisa

bibliográfica sobre o tema em questão, aprofundar conhecimentos sobre a

intervenção do Assistente Social na Educação, conhecer historicamente o

Serviço Social Escolar de Limeira, analisar e identificar os fatores que

dificultam a implantação do Serviço Social nas escolas municipais de

Americana, verificar o conhecimento dos profissionais da Educação e do


3

Gestor Público de Americana em relação à contribuição do Serviço Social

nesse campo.

Os sujeitos da pesquisa empírica foram Assistentes Sociais e Diretores

que atuam nas escolas municipais de Ensino Fundamental de Limeira/SP,

Gestor Público Municipal da Educação, Diretores, Professores e Assistentes

Sociais que cursaram o Tópico Avançado de Serviço Social Escolar e/ou que

fazem parte da Pró-Comissão do Serviço Social Escolar, todos do município de

Americana.

A metodologia utilizada se fundamentou na pesquisa bibliográfica

baseando-se em livros, revistas de Serviço Social, internet, teses e artigos, cujo

objetivo foi de aprofundar nos assuntos relacionados à Educação Escolar e ao

Serviço Social.

No primeiro capítulo deste trabalho, fez-se um resgate da gênese à

contemporaneidade da política educacional brasileira. No segundo capítulo,

abordou-se o Serviço Social e a Educação na interdisciplinaridade. E, no

terceiro capítulo, fez-se explanação sobre a realidade empírica do Serviço

Social na área da Educação no município de Limeira, com destaque aos

desafios para sua implantação em Americana.

Para atingir os objetivos e confirmar ou não minhas hipóteses

desenvolvidas a partir das problematizações acima, foram elaborados

questionários e enviados aos sujeitos da pesquisa. Após devolução dos

questionários, todos os dados analisados tanto quantitativamente quanto

qualitativamente, foram demonstrados em porcentagem por tabelas e gráficos,

interpretações e descrições dos relatos.


4

Nas considerações finais, refletiu-se sobre a realidade do Serviço Social

na área da Educação Escolar e as possibilidades e limites para a implantação

nas Escolas Públicas de Americana, confirmando as hipóteses apresentadas

no projeto de pesquisa.
5

CAPÍTULO 1 DA GÊNESE À CONTEMPORANEIDADE DA POLÍTICA

EDUCACIONAL BRASILEIRA

A Educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será


promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao
pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho. (Constituição da
República Federal do Brasil de 1988, art. 205)

1.1 Contextualização Histórica da Educação Escolar no Brasil

Sabemos que existem diferentes atribuições à Educação, e que ela é um

processo universal, que sempre esteve e está presente na vida do homem, do

nascimento até à sua morte, e varia conforme a cultura de seu povo, de sua

sociedade e de seu país. Cada qual tem uma história de como “sua” Educação

se desenvolveu e se desenvolve, visto que é algo que está em constante

mudança.
6

Neste capítulo iremos resgatar o desenvolvimento inicial da Educação

Escolar1 no âmbito universal, para entender a do Brasil e suas Políticas

Educacionais.

Antes de nos aprofundarmos na Educação Escolar, consideramos

importante citar as definições grego e latina da palavra Escola descrita no livro

de Lopes e Galvão (2001, p. 18)2; a história da palavra escola, no grego, skolê

quer dizer “ócio, vagar, lazer”, e no latim, schola quer dizer “ócio consagrado ao

estudo”. Não sendo substituído escola por ociosidade, e sim à entrega total do

aluno aos estudos, deixando outras ocupações de lado.

[...] A ocupação era um neg/ócio, pois era preciso uma certa


desocupação que pudesse ser preenchida com a aprendizagem e
com o que fazia pensar – uma preguiça, um ócio... que logo deixava
de ser. A escola era, assim, lugar para se entregar aos estudos que
exigia, por sua vez, um desejo de saber, um gosto por esse tipo de
ocupação e não por outra. Aliás, na própria raiz da palavra estudo já
está: ter gosto, desejo. (op. cit.).

As mesmas autoras ressaltam que a escola foi criada, paralela à

invenção da democracia, pela sociedade grega. Aqueles que mais tinham

vantagens, começaram a perceber que o ensino individual de seus filhos,

realizado por um preceptor não era suficiente, era necessário um estudo

aprofundado em técnicas e conhecimentos, até então ocultados pelas famílias

aristocratas, que tinham virtude e valor, título de nobreza.

Não existia uma escola com variados estudos, e sim uma escola para

cada interesse: gramática, música, Educação física, entre outros, fazendo com

que as crianças freqüentassem diversos tipos de escola e fossem conduzidas

1
Este conceito de Educação Escolar que será utilizado neste estudo é descrito na Lei de
Diretrizes e Bases da Educação: § 1º Esta Lei disciplina a Educação Escolar, que se
desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias.
2
A citada obra traz na Introdução o surgimento e desenvolvimento da Educação e no decorrer
abordam a disciplina “História da Educação”.
7

por um escravo, àquele que cuidava de sua Educação moral, colocando-a no

bom caminho – escola, chamados no grego de paidagôgos – pedagogos.

Depois de muita luta, o Império Romano, conquistou e derrotou a Grécia,

fez do latim a língua oficial e modificou a Educação. Nesse mesmo Império

nasceu o Cristianismo, instituindo a Igreja Católica que, com apoio da

monarquia, se ocupou da Educação, criou novas escolas “[...] depois que os

bárbaros – aqueles povos assim chamados porque não viviam sob o domínio

imperial e que não falavam a língua oficial – derrotaram as forças guerreiras

romanas”. (op. cit. p.19).

Na Idade Média, a Igreja Católica era a maior proprietária de terras, as

escolas foram criadas nos mosteiros das igrejas, incluindo uma formação cristã

bíblica, embasada na vida dos santos e santas, do nascimento à ressurreição

de Jesus, exemplos de vidas terrenas, modificando-se, novamente, no período

da Renascença.

Na Renascença, a arte e a literatura antigas serão resgatadas,


anunciando uma visão de mundo e de relações não mais
teocêntricas, mas antropocêntricas. Ou seja, não mais a vida
extraterrena, uma vida santa ou mesmo Deus (theós = deus) estariam
no centro das atenções e dos ensinamentos, e sim a vida dos
homens e mulheres de carne e osso (anthrópos = homens). (op. cit.
p. 20).

Nesse período, a Educação Escolar teve algumas modificações, a

escola incorporou, como algo importante em seu currículo a literatura, a ciência

e a filosofia, tudo porque novas terras, novas raças e novas culturas estavam

sendo descobertas e apossadas, em especial, a América.

O apossamento das “novas” terras estava relacionado às questões

políticas e econômicas. No período colonial, com a expansão da Igreja Católica

mais aumentou a sua riqueza e dos colonizadores, principalmente depois de

sua chegada ao Brasil.


8

As comunidades tribais que aqui viviam, também tinham sua própria

Educação, em especial sua crença. Com a chegada dos portugueses em 1500,

foram obrigados a “esquecê-la” por bem ou por mal e seguir a religião Católica,

sendo “educados” pelos padres jesuítas3, tornando-os submissos e dominados

pelo povo europeu.

Tanto Dom João III quanto Padre José Anchieta achavam que quanto

mais pessoas brancas se mudassem para o Brasil, mais fácil seria a conversão

dos índios. Se esta não fosse por bem seria pela dor – espada e vara de fogo,

segundo Piletti (2000, p. 23).

Os padres conseguiram em poucos anos criar colégios e muitas escolas

de leitura, escrita e contas, facilitando cada vez mais a submissão e mudança

de costumes nativos para os costumes europeus.

A escolarização não era valorizada e nem importante para a elite e nem

pelos índios e escravos, as atividades de produção eram somente braçais e,

para executá-las, não era necessário qualificação, portanto não havia

modificações sociais e econômicas no Brasil por parte dos índios e dos

colonizadores, favorecendo os Jesuítas.

Com o passar dos anos, a ciência e a filosofia se expandiram e fizeram o

mundo tomar uma outra direção, revoluções políticas e industriais começaram

a ganhar espaço, obrigando o Estado e o mundo capitalista a estabelecer nova

geografia e nova política. Os Jesuítas não acataram essas mudanças, a

Educação continuou a mesma – submissa, porém, de forma independente das

questões políticas provocando uma reforma na Educação Escolar.

3
Jesuítas – Conhecido também por “Companhia de Jesus” nascida na Igreja Católica, fundada
em 1534 por Inácio de Loiola, eram padres Jesuítas responsáveis pela educação dos povos,
em especial, senhores de engenho, colonos, negros escravos e índios, e responsáveis por
formarem Professores, ambos contra o pensamento crítico, objetivo era de recrutarem fiéis e
servidores, contra o avanço do protestantismo.
9

O Marquês de Pombal, primeiro ministro de Portugal, percebeu essa

independência, como também percebeu que os Jesuítas estavam acumulando

riquezas. Diante dessas duas realidades somadas com objetivo de melhorias

na qualidade do ensino, em 28 de junho de 1759, expulsa os Jesuítas de

Portugal e do Brasil.

Segundo Martins (2000, p. 83):

Do momento de expulsão dos Jesuítas do Brasil até as primeiras


providências para a substituição dos educadores e do sistema
jesuítico, transcorreram-se treze anos. Os leigos começam a ser
introduzidos no ensino e o Estado assumiu pela primeira vez, os
encargos da Educação. Porém não mudaram as bases da Educação,
pois o contingente de Professores era preparado nos Colégios
Jesuítas, continuando com os mesmos métodos pedagógicos, com
apelo à autoridade e à disciplina.

A calamidade invadiu o ensino, “deixaram de existir, repentinamente,

dezoito estabelecimentos de ensino secundário4 e cerca de 25 escolas de ler e

escrever” (PILETTI, 1997, p. 38).

Após uma década de ensino precário, a corte de Portugal, implantou o

ensino público oficial. Nomeou Professores, inseriu disciplinas isoladas, sem

currículo, ou seja, cada estudante se matriculava na matéria de seu interesse,

enviou estudantes para a Universidade de Coimbra, onde ficavam até sua

formação. O retorno desses estudantes contribuiu muito para o

desenvolvimento do Brasil, visto que trouxeram o pensamento Iluminista5 e

ansiavam pela independência do Brasil.

4
Ensino Secundário – ensino regular com aulas avulsas e elementares, leitura e escrita, além
de três cursos: Letras, Filosofia e Ciência, após a conclusão destes, o rapaz era ordenado
Padre ou teria que ir para a Universidade de Coimbra ou de Montpellier, caso contrário não
continuaria os estudos.
5
Iluminismo – O século XVIII é conhecido como o Século das Luzes, do Iluminismo e da
Ilustração [...]. Luzes significam, aí, o poder da razão humana de interpretar e reorganizar o
mundo. [...]. o homem já é confiante, artífice do futuro e não mais se contenta em contemplar a
harmonia da natureza, mas quer conhecê-lo para dominá-lo. (ARANHA, 1996, p.119-120)
10

Devido à Revolução Industrial6 que se alastrava no mundo, a família

Real portuguesa, em 1808, se instalou no Brasil, e ocorreram transformações

no âmbito social e econômico, tais como as “lutas” pela abolição da

escravatura (1888) e proclamação da república (1889), essas repercutiram nas

questões políticas e culturais do país. Foram criados cursos superiores,

jornalismo brasileiro (Gazeta do Rio de Janeiro), Jardim Botânico do Rio,

Biblioteca pública, Museu nacional, entre outros e, o país começou a tomar um

rumo diferente. Em 1822, foi proclamada a Independência do Brasil, a

Educação Escolar passou a ser gerida por várias leis, porém sem efeitos de

mudanças positivas, elas não eram de acordo com a realidade vigente.

A primeira Constituição foi outorgada em 1824. Seu artigo 179, XXXII,

afirma que o ensino primário é gratuito a todos os cidadãos, porém, as escolas

não eram suficientes, e em 1827, foi criada uma lei determinando a criação de

novas escolas de alfabetização nas cidades, vilas e, nas cidades mais

populosas, escolas de meninas, porém a lei nunca foi colocada em prática.

O sistema de ensino continuou precário e separado um do outro,

privilegiando-se a formação da elite. Vejamos como era este sistema:

- Primário: ministrado, em grande parte, por Professores leigos, já que


não havia escolas normais para a preparação daqueles que se
destinassem ao magistério.
- Secundário: predominância dos cursos avulsos, de freqüência livre,
sem uma organização hierárquica das matérias e das séries; ênfase
nas matérias de Humanidades.
- Superior: reduzido a umas poucas escolas isoladas, destinadas à
formação de profissionais liberais, especialmente no campo do
Direito. (Op. cit. p. 29)

6
Revolução Industrial – O século XVIII foi o início da mudança mundial, as máquinas
começaram a ser incorporadas no mundo do trabalho, modificando as relações de produção,
passando a ser sistema fabril com divisão do trabalho. A cientificidade passou a contemplar a
produtividade agrícola e os meios de transportes. A grande parte da população rural migrou-se
para as cidades, tornando-se massa de trabalhadores.
11

Após 30 anos da Constituição, em 1854, o ensino primário foi dividido

em dois:

- elementar: instrução moral e religiosa, leitura e escrita, gramática,

aritmética, pesos e medidas;

- superior: inclusão de dez disciplinas com mais abrangência e

aprofundamento em relação ao ensino elementar.

Piletti (op. cit. p. 43) afirma que,

Deixado ao encargo das províncias, o ensino primário era pouco


difundido, entre outras, pelas seguintes razões: os orçamentos
provinciais eram escassos; os escravos eram proibidos de freqüentar
a escola; o curso primário nem era exigido para o ingresso no
secundário. [...] A principal preocupação do governo, no que diz
respeito à Educação, era a formação da elite dirigente, objetivo que o
levou a concentrar seus esforços no ensino secundário e superior.

O ensino profissionalizante e de docência (ensino normal) foram

deixados de lado, cada vez mais se tornavam escassos, faltavam Professores

qualificados, a situação começou a melhorar no final do Império, porém, o

sistema continuava desintegrado. Não era necessário ter concluído o Primário

para cursar o Secundário, nem ter o Secundário para cursar o Superior, este

nem era constituído por universidade, e sim por escola longe uma da outra, tais

como Recife – Direito, Rio de Janeiro – Medicina e Engenharia, Salvador –

Medicina, São Paulo – Direito, segundo Piletti (op. cit.).

Após o Brasil se tornar República, de 1889 até 1930, houve uma grande

frustração não só relacionada à Educação, como também à política, à

economia e à cultura.

A Educação Escolar por vários anos continuou a mesma, porém, com

algumas mudanças insignificantes. Após a Constituição de 1891, art. 34, o

ensino superior, conhecido como ensino da elite, passou a ser da

responsabilidade do sistema federal, e o ensino secundária, dos sistemas


12

estaduais. No art. 35, ficou sob a responsabilidade do Estado criar escolas de

ensino superior e secundário. Já no Art. 72, passou a ser livre o exercício da

profissão moral, intelectual e industrial. O ensino passou a ser leigo, foi extinto

o ensino religioso.

Durante alguns anos o governo da União não fez nenhuma intervenção

para melhorar a Educação, só se manifestou em 1918 para não mais enviar

brasileiros às escolas estrangeiras devido à Primeira Guerra Mundial

(1914-1918). Para suprir essa lacuna, criaram-se instituições nacionais.

Na década de 1920, as frustrações eram inúmeras e “estouram” com a

Semana da Arte Moderna (1922), fato importante para o nosso país que

também teve reflexo na Educação Escolar. Intelectuais estavam fartos da

cultura brasileira ser dependente da Europa, lutaram e conseguiram a

“independência” cultural. Passaram a criticar as questões políticas, sociais e

educacionais, eram contra a elite ser privilégio. Para acabar com isso os

intelectuais propuseram a instituição do sistema nacional de Educação Escolar,

o elo dos sistemas de ensino, a atuação constante do Governo Federal,

debates sobre doutrinas e reformas, conferências de Educação, dentre outras

ações, achavam que só assim poderiam mudar a sociedade.

Durante essa década, Bahia, Ceará, Minas Gerais, São Paulo e o

Distrito Federal, realizaram reformas educacionais, sendo o Distrito Federal

responsável pela maior reforma. Articularam e estenderam o ensino para maior

número de pessoas, e o adaptaram ao meio urbano, rural e marítimo.

Porém, não houve grandes avanços, a conjuntura vigente estava em

crise, em destaque a nossa economia, produzíamos mais café do que

vendíamos, e a quebra da bolsa de Nova York no final de 1929, afetou todos os


13

países, era necessário revolucionar, o Brasil foi obrigado a modificar vários

sistemas, em especial, se industrializar num processo mais rápido.

Com a Revolução de 30, alguns dos reformadores educacionais da


década anterior passaram a ocupar cargos importantes na
administração do ensino. Procuraram, então, colocar em prática as
idéias que defendiam. Como resultado, a Educação brasileira sofreu
importantes transformações, que começaram a dar-lhe a feição de
um sistema articulado, segundo normas do Governo Federal.
(PILETTI, 2007, p. 74).

Nos anos seguintes, um grupo de educadores fez o Manifesto dos

Pioneiros da Educação Nova para defender seus ideais, tais como, Educação

Escolar como instrumento de democracia, devendo ser pública, gratuita,

obrigatória, leiga, sem preconceito de cor, sexo, única, porém, adaptadas às

questões regionais e interesses dos alunos.

A partir de então, criou-se o Ministério da Educação e Cultura (MEC), e

incluiu-se na Constituição de 1934 um capítulo sobre a Educação garantindo:

gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário (1º grau), direito de todos à

Educação, liberdade de ensino, respeitando a legislação federal e estadual,

Educação como sendo responsabilidade da família e dos Poderes Públicos,

assistência aos estudantes necessitados, ensino religioso obrigatório, porém

facultativo ao aluno, dentre outros.

Mesmo com tantas mudanças, ainda priorizou-se a formação da elite. As

primeiras reformas foram no ensino secundário e superior; o secundário

passou a ser para formação geral (fundamental) e preparação para o ensino

superior (complementar), já o superior, passou a ter estatutos, Estatutos das

Universidades Brasileiras e uma Universidade, Universidade de São Paulo.

Esta reforma durou apenas 3 anos, pois em 1937 o país entra no

“Estado Novo”, em que Getúlio Vargas, presidente na época, declara-se


14

ditador7 e apresenta a nova Constituição com mudanças na Educação Escolar,

vejamos algumas delas:

- Direito à Educação para todos foi retirada da Constituição, favorecendo

as escolas particulares;

- Ensino secundário foi modificado novamente, passou a ter História e

Geografia do Brasil;

- Ensino profissional passou a atender às necessidades dos

trabalhadores, empresas e do país;

- Ensino primário passou a desenvolver a personalidade do aluno (vida

familiar, saúde e trabalho), e foi dividido em fundamental e supletivo, já o

ensino normal passou a formar Professores primários, administradores

escolares e especialização na Educação infantil.

Após a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) que “afetou”

indiretamente o país, iniciou a segunda República, nomeada de República

Populista (1945 - 1964), a participação do povo cada vez mais estava

crescendo e ganhando força, várias campanhas e movimentos foram

organizados objetivando ampliação e melhoria no atendimento escolar, criação

de mais escolas públicas, alfabetização de adultos, dentre outros.

Em 1946, mais uma Constituição foi promulgada, desta vez visando a

redemocratização e Educação. Alguns artigos da Constituição de 1934

relacionados à Educação foram extintos na Carta Ditatorial de 1937 e voltaram

nessa na Constituição de 1946, porém só entrou em vigor após a vigência da

7
Ditadura (1937-1945) - Autoridade suprema passou a ser do presidente Getúlio Vargas, em
que coordenou os órgãos superiores, a política legislativa, a administração, dirigiu a política
interna e externa, extinguiu partidos políticos, tirou a liberdade da imprensa, aderiu a pena de
morte, dentre outros.
15

Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)8 em 1961, que abrange todos os

graus do ensino.

Piletti (op. cit. p. 98) ressalta que:

No campo educacional, a participação popular também avançou: o


ensino técnico-profissional conseguiu, ao menos legalmente, sua
equivalência com o secundário; a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, promulgada em 1961, foi discutida durante treze
anos no Congresso Nacional, ao contrário de todas as anteriores,
impostas pelo Poder Executivo; desenvolveu-se intensa luta no
sentido de ampliar o acesso à escola pública e gratuita; difundiram-se
campanhas e movimentos de Educação popular, especialmente de
alfabetização de adultos [...].

Foram somente duas décadas de democracia. Em 1964, o Brasil entra

novamente na Ditadura, sendo está Ditadura Militar9 que vai até 1985. Nesse

período a Educação brasileira se tornou vítima da repressão autoritária que se

alastrava em todos os setores. Aumentou muito o número de repetentes,

evadidos, analfabetos, falta de recursos materiais e de Professores. Várias

escolas foram invadidas por policiais, Professores foram demitidos, estudantes

proibidos de se manifestarem e/ou irem contra o regime vigente.

Para conter os estudantes o governo fez várias reformas no campo

universitário para acabar com os excedentes e para a ampliação do número de

vagas, ou seja, instituiu o vestibular e aumentou o número de vagas nas

particulares, constituiu um modelo empresarial e as isolaram, decaindo ainda

mais nosso sistema educacional.

Em 1971, a LDB teve uma reforma, e foi um fracasso; o sistema de

ensino passou a ser da 1ª à 8ª série, ou seja, 1º grau obrigatório, porém sem

recursos materiais e humanos.

8
A LDB será aborda com detalhes no 1.3.1 deste.
9
Ditadura Militar – João Goulart, presidente constitucional, é deposto, e o regime militar é
imposto, barrando as manifestações populares que haviam conseguido muitas conquistas.
16

Após 21 anos de “sufoco”, o Brasil entra na nova república em 1985,

com eleição indireta, somente a elite pôde votar. Em 1987, começaram a

organizar a nova Constituição através de Assembléia, 14 entidades que

visavam a Educação destacaram-se e se uniram para realizar o Fórum da

Educação Constituinte, muito importante para o sistema educacional. Nesse

fórum, defenderam quatro princípios:

1º Ensino público, gratuito e laico para todos;


2º destinação de 13% das verbas do Governo Federal e 25% das
verbas dos outros governos ao ensino;
3º verbas públicas exclusivamente para as escolas públicas;
4º democratização da escola. (Op. cit. p. 147).

Estes princípios foram importantes para a construção da nova Carta

Maior que está regendo o Brasil há duas décadas, porém não foi fácil

conquistá-los. Aranha afirma que

Em 1988 é promulgada nova Constituição, depois de inúmeras


dificuldades na fase de elaboração. O choque entre as forças
conservadoras se fez sentir em diversos momentos, sobretudo quanto
a questões sociais e reforma agrária. Tímidos avanços são
alcançados, mas aquém das esperanças nela depositadas pelos
setores mais progressistas. (ARANHA, 1996, p. 196)10.

No ano seguinte, houve eleição secreta e direta, ou seja, com a

participação da população, o Brasil novamente se tornou “democrático” e,

desde então, está enfrentando as dificuldades e corrupções...

A década de 1990 foi muito importante para o enfrentamento da

corrupção e para o desenvolvimento do Brasil, não só no campo educacional,

assim, a população começou a se expressar com autonomia, exercendo a

cidadania para conquistar seus direitos.

10
No próximo item deste capítulo explanarei sobre a Educação como direito social no contexto
desta Constituição.
17

O Estado foi obrigado a tirar a Constituição do papel e criar novas leis e

diretrizes de acordo com a realidade, porém, em pleno século XXI percebemos

que muita coisa ainda nem sequer foi colocada em prática e/ou ajustada.

Após 8 anos da promulgação da Constituição de 1988, foi publicada a

nova LDB, com diretrizes embasadas nos 12 artigos relacionados à Educação

Escolar.

Porém, a Educação Escolar continuou sendo precária, desde sua

concepção no Brasil as leis são criadas, mas não são colocadas inteiramente

em prática, e muito menos adequadas à realidade que o mundo e o país vive.

Entramos em mais um novo milênio sem integrar a Educação Escolar na

realidade atual chamada de Globalização11 e “era da informática”, ambas

predominam fortemente em nossa contemporaneidade excluindo cada vez

mais a classe subalterna, que além de não ter espaço na Educação também

não tem espaço no mercado de trabalho.

Brum (2005, p. 553-554), ajuda-nos a entender essas influências através

de seu livro sobre o desenvolvimento econômico brasileiro:

Entre as especificidades brasileiras sobressai o nosso enorme atraso


acumulado no plano social. O progresso de globalização,
concomitante à nova revolução tecnológica, está provocando uma
nova e profunda desarticulação social, a exemplo daquela do início da
revolução industrial, com a diferença de que esta é extremante veloz,
e pega o Brasil no contrapé. Quem não andar ligeiro, fica superado.
Temos que priorizar uma política de geração de empregos numa
época em que o avanço tecnológico tende a fechar postos de trabalho
na grande maioria das atividades produtivas, sobretudo naquelas
voltadas para a inserção internacional (Furtado, 1996, p.3). A maior
criação de empregos, hoje, ocorre em setores que exigem
qualificação profissional em nível de segundo grau, em escolas de
boa qualidade, e a média de escolaridade dos trabalhadores é de
apenas quatro anos (a metade da de outros países em estágio
idêntico de desenvolvimento, como Argentina, Chile, Uruguai e África
do Sul).

11
O processo de globalização, como a própria palavra expressa, rompe as fronteiras nacionais,
relacionado os pontos antes separados como interno/externo, mundial/nacional. A cultura
mundializa-se e se internaliza dentro de todos os homens. (MARTINS, 2000, p. 100).
18

Essas influências fazem com que o ensino continue precário, que faltem

recursos materiais e humanos, que seu conteúdo seja teórico, embasado em

livros didáticos escolhidos pelo Estado. Os alunos não são conquistados, as

salas de aula continuam cheias, aqueles que têm algum benefício social

freqüentam até esgotar o prazo, seu convívio social afeta em seu processo de

aprendizado, dentre outros contextos que precarizam a Educação Escolar.

As escolas deveriam se adaptar à revolução tecnológica e a atualidade

vigente, o Professor deveria ter disponíveis recursos que vão além da fala e

giz, tais como, computadores, impressoras, CD e DVD’s educativos, dentre

outros, mas para isso é necessário disponibilizarem recursos materiais e

treinamento para os educadores, tudo isso envolve dinheiro, dinheiro que, para

o Estado, é escasso até para criar novas escolas, reformar as antigas ou até

mesmo remunerar adequadamente os educadores.

Enfim, percebe-se e todos sabem que uma das soluções para um Brasil

melhor é a resolução dos sérios problemas na Educação Escolar. Desde sua

gênese, ela não está voltada somente para a alfabetização e desenvolvimento

intelectual, mas também para a submissão, alienação e para as questões

políticas, indo contra a Constituição Federal de 1988, que no papel trouxe um

novo olhar para a Educação Escolar.

1.2 Constituição Federal de 1988: um novo olhar para a Educação Escolar

Ao longo da contextualização histórica da Educação no Brasil, vimos que

a Constituição Federal foi alterada sete vezes. Tivemos a primeira em 1824,

segunda em 1891, 1934, Carta Ditatorial em 1937, 1946, 1967, até chegar à
19

atual, promulgada em 5 de outubro de 198812. Vimos, também, que os quatro

princípios defendidos no Fórum da Educação Constituinte, foram importantes

para as mudanças conquistadas.

A atual Constituição Federal mudou a Educação brasileira, contribuiu e

contribui muito para o êxito educacional, porém falta bastante para a efetivação

dos 12 artigos que compõem o capítulo III, do Título VIII – da Ordem Social, e

para Aranha se resumem em:

- gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;


- ensino fundamental obrigatório e gratuito;
- extensão do ensino obrigatório e gratuito, progressivamente, ao
ensino médio;
- atendimento em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis
anos; (pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006, de seis passou
para cinco anos).
- acesso ao ensino obrigatório e gratuito como direito público
subjetivo, ou seja, o seu não-oferecimento pelo poder público, ou sua
oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente
(podendo ser processada);
- valorização dos profissionais do ensino, com planos de carreira para
o magistério público;
- autonomia universitária;
- aplicação anual pela União de nunca menos de 18%, e os estados,
Distrito Federal e os municípios 25%, no mínimo, da receita resultante
de impostos;
- distribuição dos recursos públicos assegurando prioridade ao
atendimento das necessidades do ensino obrigatório nos termos do
plano nacional de Educação13;
- recursos públicos destinados às escolas públicas podem ser
dirigidos a escolas comunitárias confessionais ou filantrópicas, desde
que comprovada a finalidade não-lucrativa;
- plano nacional de Educação visando à articulação e ao
desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração
das ações do poder público que conduzam à erradicação do
analfabetismo, universalização do atendimento escolar, melhoria da
qualidade do ensino, formação para o trabalho, promoção
humanística, científica e tecnológica do país. (ARANHA, 1996, p.
223-224).

Para garantir ainda mais o direito à Educação, no capítulo VIII, do título

citado, no artigo 22714, está estabelecido que é dever da família, da sociedade


12
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, Capítulo III, Seção I, Artigo 205.
Duas décadas regendo a nação. Anexo, na íntegra, estão os artigos da Seção I – da Educação,
artigos 205 ao 214.
13
Plano Nacional da Educação, lei complementar referente ao artigo 214 da Constituição
Federal de 1988, será abordada no item 1.3.2
14
Artigo regulamentado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei Federal nº. 8.069
de 13 de dezembro de 1990. Anexo, na íntegra, está o Capítulo IV – Do direito à Educação, à
20

e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o

direito à vida, à saúde, à alimentação, à Educação, ao lazer, à

profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à

convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de

negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Mesmo sendo da criança e do adolescente todos os direitos citados

acima, e dever da família, da sociedade e do Estado garanti-los, a realidade é

totalmente diferente, tanto no passado como na contemporaneidade, há

inúmeras lacunas que os impossibilitam de conquistarem seus direitos. A

família, muitas vezes, se sente sozinha com a responsabilidade e quer o

Estado junto, este não quer se responsabilizar sozinho, quer apoio da

sociedade civil, muitas vezes a sociedade civil sente que o Estado está se

esquivando, resultado, a não garantia plena dos direitos das crianças e

adolescentes.

Com esse resultado e poucos avanços conquistados, foi necessário

repensar a Política Nacional da Educação, reformular a LDB, constituindo a

nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e o Plano Nacional da

Educação. Várias reuniões foram feitas, educadores davam suas sugestões e

defendiam seus princípios sem medo. Era necessário igualar a LDB com a

nova Constituição, foi e continua sendo necessário persistir e exigir que o

Estado garanta as condições mínimas que ele mesmo constituiu.

Para melhor entendimento abordaremos a Política Nacional de

Educação, concomitantemente, às leis atuais que regem a Educação Escolar.

Só assim poderemos nos aprofundar nesta pesquisa, entender as

transformações e refletir sobre as possíveis mudanças a serem conquistadas.

cultura, ao esporte e ao lazer, artigos 53 ao 59.


21

1.3 Política Nacional da Educação

É explícito na história da Educação Escolar de nosso país, que as

questões políticas, afetaram direta e indiretamente nos processos de

mudanças da Educação, ao ponto das políticas educacionais serem

esquecidas por muitas décadas. E, não ter uma Política Nacional da

Educação15.

Na seqüência do tempo, no período da República Velha (1889-1964),


destaca-se, por parte da política educacional do Estado, o abandono
da ideologia católica e o progressivo predomínio da ideologia liberal,
própria de uma burguesia leiga, que se situa mediante uma longa e
lenta luta, característica de um real confronto entre as novas camadas
dominantes e a Igreja Católica. (MARTINS, 2000, p. 85).

Em 1964, a ditadura muda a política educacional, a Educação Escolar

passa a ser de caráter mercantil, decorrente da exclusão social e econômica

que se alastrava nas camadas populares; era, pois, necessário produtividade e

mão-de-obra barata.

Germano aponta as transformações na Educação Escolar no período

ditatorial:

Período 1964-1974 – consolidação e auge do Regime Militar – foram


definidas reformas de Ensino Superior e ensino de 1º e 2º graus,
visava democratizar o acesso à Educação Escolar fornecendo a todos
uma igualdade de oportunidades perante o mercado de trabalho;
Período 1975-1985 – crise econômica e crise política – a política
educacional faz críticas contundentes à contradição de renda, faz,
igualmente, apelos ‘participacionista’ e se propõe a ser um
instrumento de correção das desigualdades sociais. O próprio
sistema educacional seria assim uma instância de geração de
emprego e renda, assumindo, portanto, a função de aparelho
produtivo. (1994, p. 226 apud op. cit. p. 89, grifo do autor).

15
Atualmente, não há nenhum documento intitulado de Política Nacional de Educação. A
política educacional brasileira é composta pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e o
Plano Nacional da Educação. Ambas serão abordadas a seguir.
22

Após esses dois períodos, algumas mudanças começaram a ser feitas

com a Constituição de 88, porém segundo Ferreira e Aguiar (2000, p. 129), “a

escola permaneceu como a grande esquecida das políticas educacionais

brasileiras. Os anos noventa, todavia, a trazem para o centro do debate sobre a

Educação, ressignificando o sentido de uma reflexão sobre sua função política

e social na formação da cidadania”.

Aos poucos, a Educação Escolar passou a ser a prioridade do governo,

tendo uma nova recentralização das decisões na esfera federal que serão

constatadas à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Saviani (2004, p. 2) ressalta que,

Considerando-se a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional


como a lei maior da Educação no país, por isso mesmo denominada,
quando se quer acentuar a sua importância, de “carta magna da
Educação” ela se situa imediatamente abaixo da Constituição,
definindo as linhas mestras do ordenamento geral da Educação
brasileira. Dado esse caráter de uma lei geral, diversos de seus
dispositivos necessitam ser regulamentados por meio de legislação
específica de caráter complementar. E é precisamente nesse
contexto que vai se processando, através de iniciativas
governamentais, o delineamento da política educacional que se
busca implementar.

Resultante da Constituição de 88, a mesma LDB, artigo 9º, incube a

União de “I – elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os

Estados, o Distrito Federal e os Municípios”, ou seja, indica a necessidade de

criar mais uma política educacional: O Plano Nacional de Educação.

Segundo o inciso 1º do artigo 87 da LDB16, o plano tinha o prazo de um

ano após a publicação da LDB (dezembro de 1996), para ser encaminhado ao

Congresso Nacional. Porém, o Plano só foi encaminhado pelo MEC em

fevereiro de 1998, justamente, segundo Saviani (2004), dois dias depois de ter

16
Art. 87. É instituída a Década da Educação, a iniciar-se um ano a partir da publicação desta
Lei. § 1º A União, no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei, encaminhará, ao
Congresso Nacional, o Plano Nacional de Educação, com diretrizes e metas para os dez anos
seguintes, em sintonia com a Declaração Mundial sobre a Educação para Todos.
23

dado entrada na Câmara dos Deputados o projeto dos partidos de oposição. O

Plano ainda demorou 2 anos e 11 meses para ser aprovado.

1.3.1. Lei de Diretrizes e Bases da Educação

No contexto histórico da LDB, destacamos os pontos mais importantes,

começando com as mudanças na Constituição Federal de 1946, em que voltam

as lutas defendidas em 1934.

Em 1948, o ministro Clemente Mariani, apresenta um anteprojeto da

LDB, que após 13 anos de discussões, em 1961 é aprovado, Lei nº. 4.024,

porém já ultrapassado, não houve mudanças na estrutura do ensino,

priorizando-se novamente os interesses da elite.

Após 10 anos, a LDB é reformulada – Lei nº. 5.692/71, a princípio, com

aparentes vantagens, mas ao passar dos anos trouxe vários prejuízos.

Vejamos algumas “vantagens”: obrigatório o ensino de 1ª a 8ª série; escola

única, sem separação entre secundário e o técnico; profissionalização de todos

ao nível médio; continuidade do ensino primário ao superior; como também,

cooperação das empresas.

Desvantagens: não havia recursos materiais e humanos para atender a

obrigatoriedade dos 8 anos, como também, estrutura suficiente, superlotando

as salas de aula; não havia Professores especializados para garantirem a

profissionalização dos estudantes; redução da carga horária de história e

geografia, refletindo na diminuição da consciência política e senso crítico,

dentre outras.
24

No início da década de 1980, a ditadura já estava fracassada e

novamente, tivemos uma reforma política, em que o Brasil entrou na nova

República reconhecendo “o fracasso da implantação da reforma da LDB, e a

Lei nº. 7044/82 dispensa as escolas da obrigatoriedade da profissionalização,

sendo retomada a ênfase à formação geral”. (op. cit. p. 216).

Com tantas mudanças e novas leis, no final da década e início dos anos

90, lutou-se para a atualização da LDB, porém só foi promulgada em 20 de

dezembro de 1996, Lei nº 9.394, “[...] é importante esclarecer que as diretrizes

são os objetivos proclamados que indicam as finalidades gerais, as intenções

últimas da Lei. Os objetivos reais, isto é, que indicam os alvos concretos da

ação, estão nos títulos relativos às bases (organização), firmando os níveis,

modalidades de ensino, formas de gestão, etc”. (MARTINS, 2000, p. 110, grifo

da autora).

A LDB é composta por 92 artigos distribuídos em nove títulos, sendo

nosso foco principal os quatros primeiros: I. Educação, II. Princípios e fins da

Educação Nacional, III. Direito à Educação e do Dever de Educar e, IV.

Organização da Educação Nacional. Todos com finalidade do desenvolvimento

do educando, de sua cidadania e de sua qualificação para o trabalho.

Brzezinski (2001, p.62) ressalta que,

A LDB trata especificamente da Educação Escolar que é entendida,


no entanto, diretamente vinculada ao mundo do trabalho e à prática
social. Entendida também como dever da família e do Estado, inspira-
se nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana
e visa o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. [...].

Dentre os títulos, estão as incumbências Municipais, Estaduais e da

União. Saviani (2004, p. 72) a ressalta com clareza:

[...] a LBD incumbe aos Municípios a manutenção da Educação


infantil, garantindo, com prioridade, o ensino fundamental. Aos
25

Estados cabe colaborar com os Municípios na oferta de ensino


fundamental e manter, com prioridade, o ensino médio. À União, no
exercício da coordenação nacional da política de Educação, compete
prestar assistência técnica e financeira aos Estados, Distrito Federal e
Municípios, estabelecer diretrizes curriculares e realizar a avaliação
do rendimento escolar de todos os graus de ensino, além de manter
as próprias instituições de ensino que, juntamente com as escolas
superiores privadas, comporão o sistema federal de ensino. Dentre as
atribuições da União destaca-se, [...], o disposto no inciso I do artigo
9º: “elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios”.

No decorrer deste capítulo, vimos que nenhuma Lei no Brasil é ‘perfeita’,

sempre há críticas, e com a nova LBD não foi diferente, para alguns críticos,

em destaque Brzezinski (2001) e Demo (2004), a lei maior da Educação

Escolar tem ‘ranços e avanços’, ranços que permanecem nos avanços

mantendo a Educação centralizada, instável, fragmentada e sem continuidade.

Em sua construção, não souberam adequar a Educação Escolar à

realidade vigente e muito menos a modernizaram conforme os avanços

tecnológicos e a realidade da população brasileira. Continuou como regra de

ensino e não como de aprendizado, não impuseram uma obrigatoriedade na

efetivação dos princípios e descentralizaram o ensino. A responsabilidade

passou a ser dos Gestores em tomarem as medidas conforme a situação

regional, em destaque os currículos do ensino fundamental e ensino médio,

construindo então seu projeto pedagógico. Nas entrelinhas percebe-se que o

Estado “tirou” a sua responsabilidade, passando-a aos Gestores, estudantes e

seus familiares.

Enfim, para melhor entendimento e aguçar o ponto crítico do leitor, uma

vez que cada um tem o seu, abaixo estão alguns princípios de avanços ou

ranços destacados por Brzezinski (2001) relacionados ao sistema educacional

e ao dever do Estado:

- igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;


26

- liberdade de aprender, de ensinar, de pesquisar;

- respeito à pluralidade de idéias e concepções pedagógicas;

- respeito à liberdade e à tolerância;

- coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;

- gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;

- eficácia valorização do profissional da Educação;

- gestão democrática do ensino publico;

- garantia de padrão de qualidade

- valorização da experiência extra-escolar;

- vinculação entre Educação Escolar, o trabalho e as práticas sociais;

Dever do Estado:

- o Estado deve assegurar o ensino fundamental, obrigatório e gratuito a

todos, inclusive aos que a ele não tiverem acesso na idade própria;

- deve estender progressivamente a obrigatoriedade e a gratuidade ao

ensino médio, dar atendimento especializado aos educandos com

necessidades especiais;

- atender gratuitamente as crianças de zero a seis anos em creches e

pré-escolas;

- garantir o acesso aos níveis mais elevados de ensino, da pesquisa e

da criação artística, segundo a capacidade de cada um;

- oferecer ensino regular noturno;

- oferecer Educação regular para jovens e adultos, levando-se em conta

sua eventual condição de trabalhadores;

- desenvolver programas suplementares de material didático, de

transporte, de alimentação e de assistência à saúde;


27

- garantir padrões mínimos de qualidade de ensino.

Com esses princípios, a Educação Escolar fica com as ‘portas e janelas’

abertas para incluir em seu projeto pedagógico as necessidades da realidade

social, incorporada ao desenvolvimento completo do educando para que ele

não seja só mais uma pessoa alfabetizada, e sim um cidadão que saiba expor

suas idéias e respeitar dos seus companheiros, que seja democrático e tenha

uma visão do todo: econômica, política e social. Para isso é necessário que os

profissionais de Educação tenham uma visão voltada para a vida social e para

a cidadania.

Demo (1992, 1997 apud DEMO, 2004, p. 27) ressalta que a LDB “no

fundo, é um problema de cidadania: a qualidade de uma lei é diretamente

proporcional à qualidade da cidadania. Só vale na medida em que vale a

cidadania. Uma cidadania qualitativa aproveitaria a flexibilidade pedagógica da

Lei exatamente para favorecer o aluno e a sociedade como tal”.

É importantíssimo ressaltar que essa visão do todo e o desenvolvimento

da cidadania, estão relacionada com o Serviço Social, Martins (2000) afirma

que “[...] alguns pontos presentes na LDB, vistos sob a ótica do Serviço Social,

revelam espaços importantes que, conquistados, podem contribuir no processo

de luta por uma Escola Cidadã”. Vejamos alguns:

- democratização da escola – tanto na gestão administrativa,


contando com a maior participação das famílias, quanto na
articulação com a comunidade, visando maior integração escola-
sociedade, fortalecendo os vínculos familiares;
- alteração na didática e nas relações Professor-aluno, aproximando-
se com a realidade social dos alunos;
- a garantia de serviços de apoio especializado, na escola regular,
para crianças com necessidades especiais;
- capacitação para o Professor de ensino regular, visando a
integração de alunos com necessidades especiais para classes
comuns;
- programas de suplementação alimentar; assistência médico-
odontológica, farmacêutica e psicológica e outras formas de
assistência social. (Op. cit. p.114).
28

Percebe-se que a Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, traz em

seu bojo as questões sociais e deixa as portas da escola abertas para se

relacionar com a comunidade e/ou vice-versa, mas para tanto é necessário que

ambos queiram.

Com a nova LDB/96 em vigor, a insistência da sociedade civil aumentou

muito para o cumprirem o artigo 9º: “elaborar o Plano Nacional de Educação,

em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios”, mudando

e favorecendo ainda mais a Educação brasileira.

1.3.2. Plano Nacional de Educação

O Plano Nacional de Educação foi recomendado pelos educadores do

Manifesto dos Pioneiros da Educação, em 1932, e incorporado na Constituição

de 1934, artigo 150, “fixar o plano nacional de Educação, compreensivo do

ensino de todos os graus e ramos, comuns e especializados; e coordenar e

fiscalizar a sua execução, em todo o território do País”. E artigo 152, “elaborar

o plano para ser aprovado pelo Poder Legislativo, sugerindo ao Governo as

medidas que julgasse necessárias para a melhor solução dos problemas

educacionais bem como a distribuição adequada de fundos especiais”.

Porém, a elaboração do Plano não se concretizou e foi deixada de lado

pelo presidente ditatorial, Getúlio Vargas, na Constituição de 1937, mas voltou

nas próximas e jamais foi “esquecido”.

Com a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em

1961, foi elaborado e aprovado o primeiro Plano Nacional de Educação pelo


29

Conselho Federal de Educação, porém não se tornou lei obrigatória por não ser

aprovado pelo Poder Legislativo.

Segundo Valente, esse plano

[...] Era basicamente um conjunto de metas quantitativas e


qualitativas a serem alcançadas num prazo de oito anos. Em 1965,
sofreu uma revisão, quando foram introduzidas normas
descentralizadoras e estimuladoras da elaboração de planos
estaduais. Em 1966, uma nova revisão, que se chamou Plano
Complementar de Educação, introduziu importantes alterações na
distribuição dos recursos federais, beneficiando a implantação de
ginásios orientados para o trabalho e o atendimento de analfabetos
com mais de dez anos. (2001, p. 46-47).

No ano seguinte, 1967, o Ministério da Educação e Cultura (MEC),

retomou a luta pela conquista do plano e realizou quatro Encontros Nacionais

de Planejamento, porém nada se concretizou e, só em 1988, na Constituição

Federal que se tornou obrigatório através do artigo 214, “a lei estabelecerá o

plano nacional de Educação, de duração plurianual, visando à articulação e ao

desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações

do poder público que conduzam à:

I – erradicação do analfabetismo;

II – universalização do atendimento escolar;

III – melhoria da qualidade do ensino;

IV – formação para o trabalho;

V – promoção humanística, científica e tecnológica do País”

Dois anos depois, o Brasil participou em Jomtien, Tailândia da

Conferência Mundial de Educação intitulada “Educação para Todos”, cujos

objetivos são: erradicar o analfabetismo e universalizar a Educação como

obrigatoriedade. Nessa conferência foi aprovada a Declaração Mundial sobre

Educação para Todos e o Marco de Ação para Satisfazer as Necessidades

Básicas de Aprendizagem.
30

Nesses documentos, a proposta é que os países façam seus planos


decenais, sugerindo-se dividir as metas em duas etapas de cinco
anos, com avaliações intermediárias: 1990-95 e 95-2000. Entre 1993
e 94 foi elaborado o Plano Nacional de Educação para Todos, num
processo amplo, em todo o território nacional, coordenado pelo MEC,
com envolvimento dos governos municipais, estaduais e federal e de
entidades da sociedade civil, educacionais, sindicais... O plano foi
aprovado no final do governo Itamar Franco e esquecido pelo governo
que o sucedeu. (DIDONET, 2000, p. 19).

O Plano Nacional de Educação voltou a ser lembrado e inserido na Lei

de Diretrizes e Bases – Lei nº 9.394/96, citada anteriormente. A partir de então,

retomou a insistência para a elaboração com os Estados, o Distrito Federal e

os Municípios, com aprovação no prazo de um ano com metas para dez anos.

Em fevereiro de 1993, foram protocolados na Câmara dos Deputados

dois processos legislativo do Plano Nacional de Educação:

1º PL nº 4.155, 10 de fevereiro de 1998, assinado pelo deputado Ivan

Valente e outros deputados, o mesmo, foi debatido durante muitos anos antes

de ser aprovado pelo II Congresso Nacional de Educação (CONED) e ficou

conhecido por PNE-Sociedade Civil;

2º PL 4.173, 11 de fevereiro de 1998, criado pelo Ministério de Educação

e encaminhado pelo Poder Executivo. Foi analisado em seminários regionais e

entidades educacionais e conhecido por PNE de FHC17.

Para Valente (2001, p. 11),

A apresentação das duas proposições materializava mais do que a


existência de dois projetos de escola, duas propostas opostas de
política educacional; elas de fato traduziam dois projetos antagônicos
de país. Por um lado, o projeto democrático e popular, expresso na
proposta da sociedade; por outro, o neoliberal – tradução da política
do capital financeiro internacional e da ideologia disseminada pelas
classes dominantes – devidamente refletido em termos de diretrizes e
metas no projeto do governo.

Após um mês, foi anexado o PNE de FHC no PNE-Sociedade Civil e

enviado para analise à Comissão de Educação, Cultura e Desporto (CECD),

17
FHC – Fernando Henrique Cardoso, presidente do Brasil de 1995-2002.
31

Comissão de Finanças e Tributação (CFT) e Comissão de Constituição, Justiça

e Redação (CCJ). O PL nº 4173 teve 45 emendas e o PL nº 4155 nenhuma.

Depois de várias audiências públicas, reuniões especiais com

deputados, especialistas e entidades, emendas e sugestões, em 1999, foi

entregue um processo legislativo Substitutivo, que novamente foi analisado e

estudado diversas vezes, ao ponto de ter uma nova versão, chamada de

Substituto.

E “em 14 de maio de 2000, o Substitutivo da Comissão de Educação,

Cultura e Desporto ao PL nº 4.155 foi aprovado com duas emendas

incorporadas ao texto. Em seguida, foi encaminhado ao Senado Federal”.

(Didonet, 2000, p. 22) E foi aprovado e encaminhado ao presidente da

República para sanção. O mesmo vetou diversas metas, alegando ter sido

orientado pela área econômica do governo.

Segundo Valente (2001, p. 41), “retiraram do PNE precisamente alguns

dispositivos que a pressão popular havia forçado que fossem inseridos”.

E, em 09 de janeiro de 2001, Fernando Henrique Cardoso aprovou o

Plano Nacional de Educação, Lei nº 10.172, e determinou que os Estados, o

Distrito Federal e os Municípios, embasados no PNE, elaborassem planos com

duração de dez anos, como também, planos estaduais e municipais seguindo

as diretrizes, objetivos e metas, com aprovação pela assembléia legislativa e

câmaras de vereadores.

Para Didonet e Valente, o PNE 2001-2010, entra para a história de

nossa Educação com seis qualificações importantes:

1ª Aprovado pelo Congresso Nacional, ou seja, é lei;

2ª Cumpre Mandato Constitucional e determinações na LDB;


32

3ª Tem diretrizes, objetivos e metas decenais;

4ª Agrega todos os níveis de Educação;

5ª Envolve o Poder Legislativo;

6ª Envolve a Sociedade como um todo.

O PNE engloba todos os níveis de ensino que uma pessoa pode ter.

Cada nível tem diretrizes, objetivos e metas para ser cumpridas. No primeiro

nível compreende:

A – Educação Básica – Educação Infantil / Ensino Fundamental / Ensino

Médio.

B – Educação Superior.

No segundo nível competem as modalidades de ensino: Educação de

Jovens e Adultos / Educação a Distância e Tecnologias Educacionais /

Educação Tecnológica e Formação Profissional / Educação Especial /

Educação Indígena.

E, no terceiro nível, o Magistério da Educação Básica: Formação dos

Professores e Valorização do Magistério.

Todos estes níveis de ensino estão inseridos nos objetivos do Plano,

que são:

- a elevação global do nível de escolaridade da população;


- a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis;
- a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao
acesso e à permanência, com sucesso, na Educação pública e
- democratização da gestão do ensino público, nos estabelecimentos
oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos profissionais
da Educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a
participação das comunidades escolar e local em conselhos
escolares ou equivalentes. (DIDONET, 2000, p. 34).

Para cumprir esses objetivos foram traçadas cinco prioridades:


33

1. Garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a todas as

crianças de 7 a 14 anos, assegurando o seu ingresso e permanência na escola

e a conclusão desse ensino;

2. Garantia de ensino fundamental a todos os que a ele não tiverem

acesso na idade própria ou que não o concluíram;

3. Ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino – a Educação

infantil, o ensino médio e a Educação superior;

4. Valorização dos profissionais da Educação;

5. Desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação em todos

os níveis e modalidades de ensino.

Essa avaliação também está inserida na avaliação do Ministério da

Educação e em suas modalidades: Sistema de Avaliação do Ensino Básico

(SAEB), Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), Coordenação de

Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Sistema de Avaliação

do Ensino Superior, dentre outros que forem surgindo e sendo implantados.

O PNE na Educação infantil, fundamental e especial traz em seu bojo a

questão da Assistência Social, Atendimento Social e Política Social como

parcerias para o enfrentamento das necessidades e carências sociais do

educando.

Além do atendimento pedagógico, a escola tem responsabilidades


sociais que extrapolam o simples ensinar, especialmente para
crianças carentes. Para garantir um melhor equilíbrio e desempenho
dos seus alunos, faz-se necessário ampliar o atendimento social,
sobretudo nos Municípios de menor renda, com procedimentos como
renda mínima associada à Educação, alimentação escolar, livro
didático e transporte escolar. (Op. cit. p. 72).
34

Além desse, há outras diretrizes, objetivos e metas que apontam que a

questão social está totalmente interligada com a Educação, comprovando que

há espaço e trabalho para o profissional Assistente Social neste campo.

Ao analisar a realidade contemporânea da Educação Escolar

concomitantemente com o PNE, percebe-se que o plano não resolve e nem

resolverá em uma década o problema que a Educação brasileira vem

enfrentando há várias décadas: alto número de crianças, falta de recursos

financeiros, qualidade de ensino nada favorável ao comparar com outros

países, dentre outros. Tudo isso, contribuiu com as inter-relações dos níveis de

ensino, ou seja, do nascimento à pós-graduação do educando, e com o

enfrentamento dos problemas citados acima através do financiamento dos

recursos, abertura para o cidadão acompanhar a Educação como processo de

ensino-aprendizagem, de inclusão social, desenvolvimento pessoal e social,

dentre outros.

Cada município tem sua particularidade e realidade relacionada a esse

plano, e o mesmo plano ressalta que cada município tenha o seu Plano

Municipal de Educação como parte de sua política municipal. Diante deste

contexto, iremos aprofundar conhecimento sobre a Política Municipal de

Educação do município de Americana.

1.4. Política Municipal de Educação de Americana

Após contato com técnicos que trabalham na Secretaria Municipal de

Educação, constatamos que o Plano Municipal de Educação, está em fase de


35

elaboração pelo município, portanto será abordado o Regimento das Escolas

Municipais de Educação Básica de Americana, que foi aprovado no dia 21 de

fevereiro de 2008, decreto nº 7.538. Não iremos explanar todos os 127 artigos,

e sim aqueles que consideramos de maior relevância educacional e social18, os

mesmos serão agrupados conforma a semelhança do “assunto” a ser descrito.

É importante ressaltar que a palavra social é citada várias vezes no

Regimento, porém em nenhum momento se refere aos artigos da Lei nº

3.95019, de 15 de dezembro de 2003, que "Institui o Serviço Social Escolar nas

Escolas Municipais de Americana", comprovando que a própria Secretaria

Municipal de Educação desconhece ou não levam em conta a Lei e não se

articulam para a regulamentá-la.

Alguns artigos do Regimento, aprovado no ano de 2008, seriam

contemplados com os artigos da Lei nº 3.950/03, e consideramos relevante

citar os artigos desta lei:

Artigo 1º - Institui o Serviço Social Escolar nas Escolas Municipais de

Americana. Parágrafo Único - Compete ao Serviço Social Escolar20:

I - efetuar levantamento de natureza sócio-econômico e familiar para

caracterização da população escolar;

II - elaborar e executar programas de orientação sócio-familiar, visando a

prevenção da evasão escolar e melhorar o desempenho do aluno;

18
Todos os grifos encontrados são nossos, pois no regimento não há nenhum. Consideramos
importante destacar o que está relacionado ao Serviço Social, visto ser ele o eixo central deste
trabalho.
19
PREFEITURA DE AMERICANA. Disponível em: <http://devel.americana.sp.gov.br/American
aV5/americanaEsmv5_Index.php?ta=5&it=15&a=legislação>. Acesso em: 21 de fevereiro de
2008. Esta encontra-se anexa neste trabalho.
20
As atribuições e competências do Serviço Social na área da Educação será abordada
detalhadamente no item 2.4 Projeto Ético-Político Profissional e o Serviço Social na área da
Educação.
36

III - integrar o Serviço Social Escolar a um sistema de proteção social

mais amplo, operando de forma articulada outros benefícios e serviços

assistenciais, voltado aos pais e alunos no âmbito da Educação em especial, e

no conjunto das demais políticas sociais, organizações comunitárias locais,

para atendimento de suas necessidades;

IV – coordenar os programas assistenciais já existentes na escola, como

o de merenda escolar e outros;

V - realizar visitas domiciliares com o objetivo de ampliar o conhecimento

acerca da realidade sócio-familiar do aluno, possibilitando assisti-lo

adequadamente;

VI - participar em equipe multidisciplinar da elaboração de programas

que visem a prevenir a violência, o uso de drogas e o alcoolismo, bem como o

esclarecimento sobre doenças infecto contagiosas e demais questões de

saúde pública;

VII - elaborar e desenvolver programas específicos nas escolas onde

existam classes especiais;

VIII - empreender outras atividades pertinentes ao Serviço Social, não

especificadas neste artigo.

Artigo 2º - O Serviço Social Escolar será exercido por profissionais

habilitados nos termos da Lei Federal nº 8.66221, de 07 de junho de 1993,

ficando o Poder Executivo autorizado a criar na estrutura da Secretaria de

Educação, pelo menos um cargo de Assistente Social por equipamento

educacional da rede municipal de ensino, ampliando-se proporcionalmente ao

número de alunos atendidos por equipamento.

21
Os artigos que dispõe sobre a profissão de Assistente Social e dá outras providências, está
anexo na íntegra.
37

Artigo 3º - As despesas decorrentes da aplicação da presente lei

correrão à conta das dotações próprias consignadas no Orçamento,

suplementadas, se necessário.

Artigo 4º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação22.

Após a citação da Lei, aprofundaremos nos artigos do Regimento das

Escolas Municipais de Educação Básica de Americana ressaltando o artigo

primeiro: as Escolas Municipais são mantidas pela Prefeitura e administradas

pela Secretaria de Educação com base na LDB e no ECA, respeitando as

seguintes normas regimentais:

I – Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica;

II – Ensino Fundamental, a ser cursado em nove anos;

III – Educação de Jovens e Adultos [EJA];

IV – Educação Especial;

É importante ressaltar que no ano de 2007, as creches até então

alocadas Secretaria de Promoção Social, passaram a ser da responsabilidade

da Secretaria Municipal de Educação. Porém, neste daremos ênfase no II, item

que corresponde ao Ensino Fundamental de crianças e adolescentes que

freqüenta as escolas denominadas no art. 2:

IV – Centros Integrados de Educação Pública, identificados

administrativamente pela sigla CIEP, que oferece ensino em período integral;

V – Centro de Atendimento Integral à Criança, identificado

administrativamente pela sigla CAIC, que oferece ensino em período integral;

VI – Escola Municipal de Ensino Fundamental, identificada

administrativamente pela sigla EMEF, que oferece ensino em período parcial.

22
A publicação da Lei foi em 15 de dezembro de 2003, porém até o ano de 2008, esta ainda
não entrou em vigor.
38

23
Sendo o total de 10 escolas: 6 CIEP’s, 1 CAIC e 3 EMEF’s. O horário

de funcionamento dos CIEP’s e do CAIC são de oito horas de atividades diárias

e as EMEF’s são de cinco horas (art.11, § 3º, IV-V), e deverão oferecer

oitocentas horas anuais distribuídas em duzentos dias de efetivo trabalho

escolar (art. 12). O ensino tem duração de nove anos e são organizados em

três ciclos de formação (art. 51 - II):

a) Ciclo I: corresponde ao ensino do primeiro, segundo e terceiro anos

de escolaridade – até 35 (trinta e cinco) alunos por turma.

b) Ciclo II: corresponde ao ensino do quarto, quinto e sexto anos de

escolaridade – até 38 (trinta e oito) alunos por turma.

c) Ciclo III: corresponde aos três últimos anos de escolaridade no ensino

fundamental, sendo sétimo, oitavo e nono anos de escolaridade – até 38 (trinta

e oito) alunos por turma.

O artigo 53 defende essa divisão - “a organização do ensino

fundamental em três ciclos favorecerá a formação do educando, garantido

atividades de reforço aos alunos com dificuldades de aprendizagem através de

novas e diversificadas oportunidades para o processo de apropriação e

construção de conhecimentos e habilidades”.

O artigo 4, garante ensino público e gratuito como direito da criança e do

adolescente e “dever do poder público e estão a serviço das necessidades e

características de desenvolvimento e aprendizagem independente de sexo, cor,

situação-econômica, credo religioso e político, bem como quaisquer outros

preconceitos ou discriminações”.

O objetivo (art. 5) da escola está inspirado nos princípios de liberdade e

nos ideais de solidariedade humana, assegurando a formação plena do


23
A quantidade de escolas não consta no Decreto nº 7.538.
39

educando e o desenvolvimento de suas potencialidades favorecendo o

exercício crítico e consciente da cidadania.

No artigo seguinte aborda o objetivo das Unidades Municipais de

Educação Básica:

Art. 6. As Unidades Municipais de Educação Básica, organizadas


como espaço educativo, têm por objetivo geral oferecer condições
para o desenvolvimento do aluno ocorra nos aspectos físicos, motor,
emocional e social, promover a ampliação das experiências e do
conhecimento, visando contribuir para que sua integração e
convivência na sociedade sejam pautadas e marcadas pelos valores
da solidariedade, liberdade, cooperação e respeito. (grifo nosso).

Já os objetos específicos estão no artigo 7:

I – administrar ensino com ênfase no desenvolvimento global do aluno;

II – criar condições para que o aluno desenvolva pensamento reflexivo e

crítico acerca dos fenômenos culturais, científicos e sociais;

III – contribuir para o conhecimento das diferentes manifestações

culturais do país;

IV – promover a socialização do aluno e sua integração na comunidade.

Segundo o Regimento, artigo 11, “as escolas deverão estar organizadas

para atender às necessidades sócio-educacionais e de aprendizagem dos

alunos em prédios e salas com mobiliários, equipamentos e materiais didático-

pedagógicos adequados às diferentes faixas etárias e nível de ensino

ministrado”.

Cada escola deve ter sua autonomia “em seus aspectos administrativos,

financeiros e pedagógicos, entendido como mecanismo de fortalecimento de

uma gestão democrática a serviço da comunidade” (art. 16), assegurando:

I - capacidade de cada escola coletivamente formular, implementar e

avaliar sua proposta pedagógica e seu Projeto Político Pedagógico;


40

II - constituição e funcionamento do Conselho Escola-Comunidade,

elaboração e execução do Projeto - Político - Pedagógico e Conselho de

Classe nas Creches, EMEIS, Casa da Criança, EMEFs, CIEPs, CAIC e EJA;

III - administração dos recursos financeiros, através da elaboração,

execução e avaliação do respectivo plano de aplicação, devidamente aprovado

pelo Conselho Escola-Comunidade, obedecida a legislação específica para

gastos e prestação de recursos públicos.

A proposta político-pedagógica da escola é norteada pelos artigos 38 e

39:

Art. 38. Os princípios pedagógicos do Sistema Educacional da

Secretaria de Educação de Americana convergem para os fins mais amplos da

Educação Nacional, expressos na Lei Federal n° 9.394, de 1996 [LBD], que

tem por finalidade desenvolver o educando, assegurando-lhe a formação

indispensável para o exercício da cidadania e fornecendo-lhe meios para

progredir no trabalho e nos estudos posteriores.

Art. 39. Os princípios pedagógicos das Escolas Municipais são os

seguintes:

I - favorecer a democratização do acesso escolar;

II - viabilizar a gestão democrática nas escolas como forma de

descentralização do poder;

III - ministrar ensino regular enfatizando o desenvolvimento integral do

aluno;

IV - possibilitar ao aluno o domínio dos conhecimentos, respeitando,

valorizando e preservando as diversidades sócio-culturais brasileiras como

manifestação de riqueza cultural e a recusa a qualquer forma de discriminação;


41

V - incentivar o desenvolvimento do pensamento reflexivo e crítico

acerca dos fenômenos culturais, científicos e sociais;

VI - promover a socialização do educando e sua integração na

comunidade, adotando o diálogo como forma de resolver conflitos e tomar

decisões coletivas;

VII - incentivar a inter-relação grupal como fonte de estímulo,

conhecimento e participação criativa do aluno;

VIII - possibilitar a realização de atividades práticas e teóricas,

permitindo o acesso a diferentes fontes de informações e recursos tecnológicos

como meio de construção do conhecimentos.

Além da proposta política pedagógica da escola, deve ter documentado

o Projeto Político Pedagógico da Escola (art. 40), cada escola deve ter no seu

conteúdo os seguintes aspectos:

I - identificação e caracterização da Unidade Escolar, de sua clientela,

de seus recursos físicos, materiais, humanos, bem como dos recursos

disponíveis na comunidade local, compreendendo:

a) agrupamento de alunos e sua distribuição por turnos, curso, ano e

turma, especificando a modalidade ou nível de ensino;

b) quadro curricular da Unidade Escolar, com especificação da carga

horária anual e final;

c) calendário escolar e cronograma anual de trabalho e eventos da

escola;

d) horário dos funcionários e servidores;

e) planos de projetos educacionais especiais.


42

II - definição dos objetivos da escola e de compromissos com metas a

serem atingidas a curto, médio e longo prazo, bem como das ações a serem

desencadeadas em função dos objetivos e metas propostos;

III - estabelecimento de critérios e formas de acompanhamento, controle

e avaliação da execução do trabalho realizado pela equipe de trabalho da

Unidade Escolar.

A escola também deve garantir a participação da comunidade escolar

construindo sua autonomia e relações de convivência intra e extra-escolar,

conforme o artigo 17. Como parte desse processo as escolas terão que

cumprir o artigo 19, tendo Conselho Escola-Comunidade (CEC) e Conselho de

Classe.

O CEC terá que ter caráter deliberativo (art. 20), contribuir com o

processo de democratização das escolas na integração

Escola/Família/Comunidade, deve levantar alternativas de solução para efetivar

e entrosar cada vez mais a Escola/Família/Comunidade. Terá que ser

composto proporcionalmente ao número de classes das escolas, ou seja, 20%

dos alunos, 40 % dos pais, 30% dos Professores e 10% servidores da unidade

de ensino, obedecendo ao artigo 21 e ao parágrafo único. “O Diretor de escola,

o Professor Coordenador e o Assistente de direção serão membros natos do

CEC com direito a voz e voto”. As atribuições deste conselho estão no artigo 24

e são:

I - elaborar e aprovar o seu estatuto e suas normas de funcionamento,

observadas as disposições vigentes no Regimento das Escolas Municipais de

Educação Básica;
43

II - proporcionar um espaço democrático de discussão das questões

ligadas à Educação;

III - garantir a participação da comunidade Escolar nas atividades e

discussão da escola;

IV - criar e regulamentar as instituições auxiliares da escola;

V - deliberar, quando solicitado, sobre aplicação de penalidades

disciplinares aos alunos da escola que a elas estiverem sujeitos;

VI - participar da elaboração do calendário escolar.

O Serviço Social poderá contribuir muito se, inserido no CEC, visto que é

função do Assistente Social, após conhecer a realidade da comunidade,

trabalhar com as relações familiares através de elaboração e execução de

programas e projetos que visam a orientação sócio-familiar, encaminhamento e

articulação, junto aos recursos disponíveis na comunidade, com isso

automaticamente irá trazer a família para a Escola, integrando Escola/Família/

Comunidade.

Já os membros do Conselho de Classe (Art. 26) são: Diretor (presidente

do conselho), auxiliar de direção, pedagogo ou Professor coordenador, todos

os Professores do mesmo ciclo e alunos representantes do ciclo. Os pais e

funcionários da unidade escolar podem ser convidados a participarem com

direito de voz, artigo 28. A finalidade deste conselho está descrita no artigo 32:

I - buscar o contínuo aperfeiçoamento do processo ensino-aprendizagem

no âmbito da turma;

II - analisar o aproveitamento global das turmas, bem como as causas

do alto ou baixo rendimento escolar;


44

III - orientar os Professores na avaliação permanente de cada aluno,

indicando os procedimentos a serem adotados para suprir as deficiências

verificadas;

IV - promover a contínua avaliação do processo educativo, visando

atingir os objetivos específicos da escola;

V - promover diálogo franco e aberto entre os membros da equipe

docente, desenvolvendo o hábito do trabalho em equipe, a troca e divulgação

de experiências;

VI - identificar os casos que demandem assistência específica ou

atendimento de apoio, sempre visando a orientação do processo pedagógico;

VII - incentivar a valorização, pelos Professores, de atitudes de auto-

avaliação e desenvolvimento do hábito de pesquisa e bem como de análise das

dificuldades e progressos da turma.

Além dos conselhos em cada escola, conta no regimento, artigo 67, algo

muito importante em nossa contemporaneidade e que também está inserido no

Serviço Social: Equipe Interdisciplinar. A mesma é composta pelo Diretor,

pedagogo, um Professor representante de cada ciclo, um Professor

coordenador do período noturno/vespertino e um Professor da parte

diversificada. Suas atribuições são:

I - promover a integração das diversas atividades e disciplinas oferecidas

pela escola;

II - participar na elaboração do Projeto Político Pedagógico;

III - acompanhar e avaliar o desenvolvimento do Projeto Político

Pedagógico;
45

IV - avaliar a necessidade da aquisição dos recursos didáticos

pedagógicos e sua devida utilização.

O Regimento contempla a criação de novos cursos, no entanto de modo

contraditório. Em seu artigo 52 consta que “as escolas, conforme a

possibilidade de seus recursos físicos, humanos e financeiros, e ou em regime

de parceria, poderão instalar outros cursos com a finalidade de atender aos

interesses da comunidade local, desde que não haja prejuízo do atendimento à

demanda escolar do ensino básico” e em seu parágrafo único consta: “poderão

ser firmados termos de cooperação ou convênios com entidades públicas ou

privadas, desde que mantidos os seus objetivos educacionais e observadas as

demais formalidades legais”.

Porém, não dá abertura para outros profissionais que não sejam da

Educação elaborarem e desenvolverem projetos dentro da Escola, no artigo

anterior consta que “I - cursos de interesse da própria escola ou da

comunidade, bem como outros que venham a ser criados por legislação

específica com planos elaborados pelos docentes”.

O artigo 56 afirma que as escolas poderão desenvolver projetos de

natureza curricular ou educacional, porém no § 2º ressalva que “os projetos

especiais, integrados aos objetivos da escola serão planejados e

desenvolvidos por docentes e aprovados nos termos das normas vigentes”.

Entende-se que os profissionais que não são Professores e abordam os temas

transversais, exemplo: os Parâmetros Curriculares Nacionais24 (PCN’s), não

podem desenvolver nada na escola. Eis a dúvida, será mesmo que nenhum

24
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) – referencial e instrumental para trabalhar com
temas transversais e atuais na sala de aula, tais como: ética, saúde, orientação sexual, meio
ambiente, trabalho e consumo.
46

outro profissional entra na escola? Acreditamos que esses artigos são

contraditórios, a não ser que o Professor fique em sala de aula e “desenvolva”

o projeto como ouvinte...

Muitos dos projetos que a Escola necessita podem ser implantados e

realizados por um Assistente Social, tais como: prevenção à drogadição,

violência, evasão escolar, orientação e preservação sócio-ambiental,

orientação familiar, inclusão e aceitação de educandos com necessidades

especiais, dentre outros que podem melhorar o desempenho e rendimento do

educando.

Martins (2000, p. 122), exemplifica algumas situações que o Assistente

Social poderá abordá-los dentro da Escola de acordo com os temas

transversais do PCN’s, vejamos:

- ética: Discriminação social e racial; violência doméstica; falta de


condições de vida que ferem a dignidade humana;
- saúde: Desnutrição; dificuldade da população a ter acesso a
recursos na área de saúde pública, além de diversas doenças que
podem afetar o processo ensino-aprendizagem; uso indevido de
drogas;
- orientação sexual: vivência da sexualidade; doenças sexualmente
transmissíveis; abuso sexual; gravidez precoce;
- meio ambiente: falta de infra estrutura os bairros, afetando a vida do
ser humano e o meio ambiente;
- trabalho e consumo: desemprego e subemprego; trabalho infantil.
(grifo da autora).

Seguindo, o regimento descreve quais os profissionais que devem

compor o cenário escolar e quais são suas atribuições. Para não ficar extenso,

consideramos importante abordar as atribuições do Diretor (art. 60), pedagogo,

Professor I e Professor II, visto que são estes profissionais que estão próximos

da realidade do educando. As atribuições aqui citadas estão relacionadas ao

social e o Assistente Social poderá auxiliá-los quando conquistar mais esse

espaço de intervenção.
47

- Atribuições do Diretor:

II - promover a integração de todos os membros da Equipe Técnico-

Administrativa, docente e demais funcionários;

III - acompanhar o desenvolvimento do Projeto Político Pedagógico;

VI - promover condições para a integração escola/família-comunidade;

VII - cuidar para que o prédio escolar e suas instalações sejam mantidos

em boas condições, tomando as providências necessárias junto aos órgãos

competentes, inclusive quanto ao provimento de material necessário ao seu

bom funcionamento;

X - adotar, com o Conselho Escola Comunidade, medidas que

estimulem a comunidade a se co-responsabilizar pela preservação do prédio e

equipamentos escolares;

XI - encaminhar para atendimentos médicos as crianças acidentadas no

âmbito escolar, comunicando imediatamente aos pais ou responsáveis;

XIII - participar da elaboração, execução e avaliação dos programas de

formação continuada na unidade escolar;

XIV - organizar reuniões com pais, Professores e demais funcionários,

esclarecendo quanto à ação educativa e administrativa desenvolvida na

unidade;

XVI - planejar, organizar e coordenar juntamente com Conselho Escola

Comunidade as atividades comunitárias da unidade escolar, informando-as

previamente à Secretaria de Educação;

XVII - interar-se da realidade física, social e econômica da comunidade

em que atua;
48

XIX - garantir o preenchimento da ficha BIO PSICO SOCIAL, para o

acompanhamento do escolar, encaminhamento à assistente social25 e/ou

médico casos que mereçam atenção especial;

XX - garantir e responsabilizar-se pelas matrículas dos alunos novos e

os já matriculados em nível anterior, trazendo para apreciação da Unidade

casos que mereçam atenção especial;

XXIII - avaliar a demanda de matrículas dando prioridade aos casos que

se enquadram nos critérios estabelecidos pela Secretaria de Educação;

XXV - planejar, elaborar, orientar e supervisionar a execução do

programa da Unidade, no que se refere às atividades de classe e extra classe,

envolvendo a seleção de objetivos, conteúdos, métodos e técnicas de trabalho.

- Do Pedagogo (art. 66):

I - assessorar e participar do processo de elaboração do Projeto Político

Pedagógico das Unidades de Ensino;

II - orientar, coordenar e acompanhar o desenvolvimento das práticas da

sala de aula e da Unidade de Ensino, em função da proposta pedagógica em

permanente construção coletiva, com base na Lei de Diretrizes e Bases da

Educação e nas orientações da Secretaria de Educação, propondo alternativas

para melhor qualidade de ensino;

III - participar da organização do planejamento didático-pedagógico da

rede municipal de Educação, de modo a garantir sua unidade e efetiva

participação dos Professores;

V - planejar, coordenar e executar reuniões pedagógicas e de formação

com Diretores, Professores, coordenadores e demais profissionais que atuam

25
Há um equívoco quanto ao Serviço Social, a expressão usada no regimento “à assistente
social” se refere a uma profissão totalmente composta por mulheres, algo que não é
verdadeiro, ou o termo assistente era se referindo à assistência social.
49

nas Unidades de Ensino, considerando a área, atividade ou assuntos que

necessitem de maior orientação;

VIII - colaborar no processo de integração escola/família/comunidade;

XI - analisar atividades culturais que estejam diretamente ligadas aos

interesses e objetivos específicos da área de Educação;

XII - observar, analisar e orientar o encaminhamento de crianças com

necessidades Educacionais Especiais;

XIII - incentivar e apoiar a troca de experiências e a circulação de

informações na Rede Municipal;

- Professor de Educação Básica 1 (art. 73):

I - ministrar aulas das matérias que compõem as faixas de comunicação

e expressão, integração social e iniciação às ciências, nas quatro primeiras

séries do Ensino Fundamental, transmitindo aos alunos os meios elementares

de comunicação e instruí-los sobre os princípios básicos da conduta científica e

social;

II - participar da elaboração do plano escolar;

III - elaborar e executar a programação referente à regência de classe e

atividades afins;

IV - participar das decisões referentes ao agrupamento dos alunos;

VI - proceder a observação dos alunos, identificando necessidades de

ordem social, psicológica, material ou de saúde que interfiram na

aprendizagem, encaminhando aos setores especializados de assistência;

IX - manter permanente contato com os pais dos alunos ou seus

responsáveis, informando-os e orientando-os sobre o seu desenvolvimento e

obtendo dados de interesse para o processo educativo;


50

X - participar de atividades cívicas, culturais e educativas da

comunidade;

XII - encontrar soluções viáveis para possíveis problemas que surjam em

sala de aula no que diz respeito à disciplina, aprendizagem e entrosamento

entre alunos e escola;

XIII - promover a integração de todos os alunos com os componentes da

unidade escolar;

XIV - zelar pelo cumprimento de horário das aulas, assiduidade e

freqüência dos alunos;

XVI - promover condições para integração escola/família/comunidade;

VII - cuidar para que os alunos conservem as instalações escolares bem

como seus materiais;

XIX - executar tarefas afins como excursões, atividades culturais e

pedagógicas extraclasse;

XXII - executar o plano escolar no que se refere:

a) às atividades de classe e extraclasse, envolvendo a seleção de

objetivos, conteúdos, métodos e técnicas de trabalho, bem como os

procedimentos de avaliação e controle de desempenho do aluno;

b) ao programa escolar estabelecido, bem como ao calendário cívico;

c) às atividades culturais e esportivas integradas ao processo escolar,

incentivando a participação da família e comunidade.

XXIII - difundir princípios elementares de nutrição, profilaxia e higiene,

observando o estado de saúde e asseio dos educandos;

XXIV - participar assiduamente e efetivamente das reuniões

pedagógicas e reunião de pais;


51

XXV - inteirar-se da realidade física, social e econômica da comunidade

em que atua;

XXVI - buscar o seu constante aperfeiçoamento profissional, através da

participação e cursos, palestras, congressos e seminários;

XXVII - respeitar o aluno como sujeito do processo educativo e

comprometer-se com a eficácia do seu aprendizado;

XXVIII - impedir toda e qualquer manifestação de preconceito de classe

social, racial, religião ou ideológico;

XXIX - participar das decisões referentes ao agrupamento dos alunos

quanto aos níveis, através de acompanhamento e observação do seu

desempenho;

- Professor de Educação Básica 2 (§ 5°):

II - educar o aluno preparando-o para a vida, auxiliando-o no

desenvolvimento de sua personalidade;

III - colaborar para o desenvolvimento e formação integral do jovem, em

termos de aquisição de conhecimento, de bons hábitos e atitudes construtivas;

IV - participar da elaboração do Plano Escolar;

V - elaborar e executar a programação referente à regência de classe e

atividades afins;

VI - participar das decisões referentes ao agrupamento de alunos;

VII - realizar atividades relacionadas à coordenação pedagógica,

circunstancial e com seus pares;

IX - proceder à observação de alunos, identificando necessidades e

carências de ordem social, psicológica, material ou de saúde que interfiram na

aprendizagem, encaminhando aos setores especializados de assistência;


52

XII - manter permanente contato com os pais dos alunos ou seus

responsáveis, informando-os e orientando-os sobre o seu desenvolvimento e

obtendo dados de interesse para o processo educativo;

XIII - participar de atividades cívicas, culturais e educativas da

comunidade;

XV - encontrar soluções viáveis para possíveis problemas que surjam

em sala de aula no que diz respeito à disciplina, aprendizagem e entrosamento

entre alunos e escola;

XVI - promover a integração de todos os alunos com os componentes da

Unidade Escolar;

XVII - zelar pelo cumprimento de horário das aulas, assiduidade e

freqüência dos alunos;

XIX - promover condições para a integração escola/família/comunidade;

XX - cuidar para que os alunos conservem as instalações escolares,

bem como seus materiais;

XXII - executar tarefas afins como excursões, atividades culturais e

pedagógicas extraclasses;

XXIII - desenvolver atividades utilizando educativamente todos os

espaços da unidade escolar;

XXIV - elaborar metas próprias para a sua classe em conjunto com toda

a equipe;

XXV - elaborar planos didáticos em colaboração com outros Professores

e técnicos;

XXVI - executar o plano escolar no que se refere:


53

a) às atividades de classe e extraclasse, envolvendo a seleção dos

objetivos, conteúdos, métodos e técnicas de trabalho, bem como os

procedimentos de avaliação e controle de desempenho do aluno;

b) ao programa escolar estabelecido, bem como ao calendário cívico;

c) às atividades culturais e esportivas integradas ao processo escolar,

incentivando a participação da família e comunidade.

XXVII - difundir princípios elementares de nutrição, profilaxia e higiene,

observando o estado de saúde e asseio dos educandos;

XXVIII - participar efetivamente das reuniões pedagógicas e reuniões

dos pais;

XXIX - inteirar-se da realidade física, social e econômica da comunidade

em que trabalha;

XXXI - respeitar o aluno como sujeito do processo educativo e

comprometer-se com a eficácia do seu aprendizado;

XXXII - impedir toda e qualquer manifestação de preconceito de classe

social, racial, religião ou ideológico;

Ao analisar as atribuições de respectivos profissionais percebemos que

há atribuições e espaços para o Serviço Social apoiá-los e intervir/auxiliar no

que compete aos discentes (art. 87):

II - participar das atividades promovidas pela instituição escolar,

contribuindo com suas experiências para o enriquecimento da proposta

educacional e democratização da escola;

III - tratar os colegas e os integrantes da instituição escolar com

dignidade, respeitando a integridade física e moral dos demais;


54

V - colaborar para a conservação e o asseio do prédio, mobiliário e

instalações da unidade, ficando obrigado a repor o que vier a danificar;

VII - não portar material que represente perigo à saúde, segurança e

integridade física e moral sua ou de outrem;

IX - trazer atestado devidamente carimbado quando portador de doença

infecto-contagiosa ou quando estiver sob cuidados médicos, até o dia seguinte

à consulta médica;

X - não sair da unidade escolar sem autorização da direção;

XI - usar as regras de convivência social, especialmente:

a) utilizar-se de vocabulário adequado nos pedidos e agradecimentos

cotidianos;

b) transitar de forma segura e tranqüila nas dependências da escola;

c) trajar-se de maneira conveniente às atividades escolares, de

preferência uniformizado.

Como também, auxiliar nos direitos dos discentes especificados no

artigo 88:

I - ter assegurada ampla liberdade de expressão e organização, assim

como propor atividades e participar de iniciativas educacionais, culturais,

recreativas e outras que favoreçam o exercício da cidadania;

II - receber, dentro do princípio de igualdade de oportunidades, a

orientação e o apoio necessários para que efetivamente se beneficiem das

atividades escolares, tendo assegurado o acesso aos recursos materiais e

didáticos da escola;
55

III - ter assegurado o respeito pelos direitos da pessoa humana e não

sofrer qualquer forma de discriminação em decorrência de diferenças de raça,

credo, gênero, preferências político-partidárias ou quaisquer outras;

IV - questionar os resultados das avaliações de seu desempenho e

formular petições ou representar sobre assuntos pertinentes à sua vida escolar;

V - participar das aulas e das demais atividades escolares (culturais e

estudos do meio) respeitados os critérios e níveis de cada um. Se necessário,

a pedido da escola, o responsável legal deverá acompanhar o aluno.

A partir desse regimento verificamos que a escola tem sua função social,

é um há lugar para o Serviço Social contribuir nesse espaço de luta a favor do

desenvolvimento do educando em todas as suas potencialidades, porém a

Secretaria Municipal de Educação não está articulada para contribuir com essa

a inserção e é um espaço interdisciplinar de intervenção.

No próximo capítulo iremos explanar sobre a interdisciplinaridade do

Serviço Social e a Educação, como também, a função social da escola e a

prática profissional do Assistente Social na Educação Escolar.


56

CAPÍTULO 2 SERVIÇO SOCIAL E EDUCAÇÃO NA

INTERDISCIPLINARIDADE

No projeto interdisciplinar não se ensina, nem se aprende: vive-se,


exerce-se. A responsabilidade individual é a marca do projeto
interdisciplinar, mas essa responsabilidade está imbuída do
envolvimento – envolvimento esse que diz respeito ao projeto em si,
às pessoas e às instituições a ele pertencentes. (FAZENDA, 1994, p.
17, grifo da autora).

2.1 História do Serviço Social e a Educação

Abordaremos a questão do Serviço Social na área da Educação,

concomitantemente, com a criação do Serviço Social no mundo e no Brasil,

tecendo com a conjuntura histórica econômica, política e social.

Tudo iniciou com o processo de desenvolvimento e avanços do

capitalismo26 no transcorrer dos séculos XIX e XX. Decorrente da Grande

Depressão, a miséria se alastrava na Europa e a classe trabalhadora européia,

descontente com sua exploração pelos burgueses, uniu-se através da fusão

dos sindicatos nacionais para reivindicarem melhores condições de trabalho,

que automaticamente repercutiria na sua condição social de sobrevivência,

preocupando a classe burguesa para o enfrentamento da “questão social”27.

26
Modelo de sociedade que começou a surgir na primeira metade do século XV, e a se
expandir nos séculos XVII a XIX, criou as relações sociais, políticas, econômicas e culturais.
Transformou o mundo do trabalho no mundo da mercadoria, aumentando as desigualdades
sociais e o empobrecimento da classe subalterna, repercutindo negativamente no controle da
mesma pelo Estado.
27
[...] Questão social apreendida como o conjunto das expressões das desigualdades da
sociedade capitalista madura, que tem uma raiz comum: a produção social é cada vez mais
coletiva, o trabalho torna-se mais amplamente social, enquanto a apropriação dos seus frutos
mantém-se privada, monopolizada por uma parte da sociedade. [...] (IAMAMOTO, 1998, p. 27,
grifo da autora).
57

Para conter esses trabalhadores e continuarem com o “poder” a

burguesia, a Igreja e o Estado, uniram-se e impediram as expressões políticas

e sociais dos proletários.

[...] Na Inglaterra, o resultado material e concreto dessa união foi o


surgimento da Sociedade de Organização da Caridade em Londres,
em 1869, congregando os reformistas sociais que passavam agora a
assumir formalmente, diante da sociedade burguesa constituída, a
responsabilidade pela racionalização e pela normatização da prática
da assistência. Surgiram, assim, no cenário histórico os primeiros
assistentes sociais, atividade que se profissionalizou sob a
denominação de “Serviço Social”, acentuando seu caráter de prática
de prestação de serviços. (MARTINELLI, 2000, p. 66, grifo da autora).

As primeiras práticas do Serviço Social foram criadas na Europa para

conter as manifestações da classe trabalhadora, porém o Serviço Social se

desenvolveu nos Estados Unidos, embasado nas ações de caridade

desenvolvida há décadas pelas “damas de caridade” ligadas à Igreja Católica.

As mesmas damas tinham como prática profissional suprir as necessidades da

pessoa humana afetada pelo novo sistema de sociedade de modo

assistencialista, burocrático, paternalista, positivista e imediatista28. Para ser

um Assistente Social tinha que ter qualidades pessoais, disposição em ajudar

ao próximo e vocação.

As primeiras práticas do Serviço Social na Educação, segundo Vieira

(1978 apud MARTINS, 2000, p. 18), iniciaram no século XX nos Estados

Unidos, nas escolas de Nova York, Boston e Harford. Os Assistentes Sociais

intervinham juntamente com psicólogos e Professores para sanar os problemas

sociais, individuais ou familiares do educando apresentados na escola, que

repercutiam no seu processo de aprendizado.

Na França, o Serviço Social Escolar era especializado no setor da


Saúde, resolvendo problemas de aprendizagem relacionados a saúde

28
Prática profissional filantrópica e paternalista, no qual não objetiva a emancipação do
assistido, somente a superação momentânea de sua necessidade, reproduzindo a tutela,
controle político e ideológico.
58

dos alunos. Na América Latina, o Serviço Social escolar, apesar de


privilegiar o atendimento individual, nos seus primórdios, já buscavam
a relação da escola com a comunidade, principalmente através da
família do aluno. (op.cit. p. 18-19).

A falta de materiais que abordam a questão do Assistente Social na

Educação, faz com que não saibamos até quando o Assistente Social esteve

inserido nessa área.

No âmbito geral da gênese da profissão, Martinelli (op. cit. p.120)

ressalta que,

[...] as décadas de 20 e 30 foram testemunhas de uma grande


expansão do Serviço Social europeu, seja nas ações profissionais,
seja no processo organizativo. Da experiência dos pequenos Núcleos
surgiu em 1925, na Itália, durante a I Conferência Internacional de
Serviço Social, em Milão, a União Católica Internacional de Serviço
Social – UCISS. Tratava-se já de um organismo de maior porte e que
exerceu grande influência não só sobre o Serviço Social europeu
como também sobre o latino-americano.

Nestes núcleos, cada vez mais aumentavam as preocupações e

reflexões sobre a formação da categoria, alguma coisa tinha que ser feita, e a

UCISS, na década de 30, lidera e formula uma concepção de ensino que,

englobando as áreas científica, técnica, moral e doutrinária, porém, a prática

profissional para o controle social, político, das manifestações e das

repreensão dos trabalhadores continuavam sendo impostas pelos dominantes,

principalmente no primeiro pós-guerra, período este que o Serviço Social

também se inseriu no Estado Burguês, exigindo ainda mais o preparo técnico-

científico dos profissionais.

Nos anos que precederam a II Guerra Mundial, e em especial durante


a sua vigência, o Serviço Social já se fazia presente e atuante na
maior parte dos países americanos, europeus e inclusive latino-
americanos, exercendo sua prática a partir das instituições públicas e
também particulares. Nessa fase, seu processo de profissionalização
já havia avançado significativamente e à sua base religiosa havia se
acrescentado a base científica. [...] A parceria com a Igreja foi
progressivamente substituída pelo Estado, cuja presença tornava-se,
59

a cada momento, mais insinuante, tanto no cenário social como no


econômico. (MARTINELLI, 2000, p.121)

No Brasil, a inserção do Serviço Social aconteceu em 1932, com a

criação do “Curso Intensivo de Formação para Moças”, no Centro de Estudos e

Ação Social de São Paulo (CEAS), ministrado pela Assistente Social belga

Adéle de Loneux, da Escola Católica de Serviço Social de Bruxelas. “A clientela

desse primeiro curso foi constituída por jovens católicas, algumas já

participantes de atividades assistenciais ou militantes de movimentos da Igreja,

e todas pertencentes a famílias da burguesia paulista”. (Op. cit. p.123).

A burguesia apoiou amplamente a iniciativa como forma de controlar as

lutas sociais da classe trabalhadora que, cada vez mais, estavam se unindo,

oriundas da transformação econômica, urbano-industrial, ou seja, devido à

crise econômica e ao processo de industrialização, as pessoas foram

obrigadas a se mudarem para a cidade, aumentando cada vez mais a

concentração de pessoas nos centros urbanos em busca de trabalho. Muitas

vezes, com trabalho abaixo do nível de precariedade, gerando revoltas

constantes, obrigando o governo a criar estratégias para amenizá-las. Algumas

das estratégias foram: Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, Carteira de

Trabalho, Legislação Trabalhista.

Na gênese brasileira do Serviço Social na Educação, segundo Almeida

(2000, p. 18), a inserção do Assistente Social na Educação aconteceu nos

anos iniciais da profissão29, “voltada para o exercício de controle social 30 sobre

a família proletária e em relação aos processos de socialização e Educação na

29
Após muita pesquisa, encontramos só dois autores, Martins (2000) e Almeida (2007) que
abordam a gênese no Serviço Social na área da Educação, porém não aprofundam no contexto
histórico do mesmo. Martins cita o início e depois aborda os anos 80, Almeida aborda anos 80.
30
Citados acima e nas próximas linhas.
60

classe trabalhadora durante o ciclo de expansão capitalista experimentado no

período varguista”.

Não só na Educação, como no geral, o Assistente Social foi inserido no

contexto como agente apaziguador, em que tinha que controlar as revoltas com

um agir imediatista, positivista e alienado aos moldes do capitalismo; a elite

exigia essa prática profissional, resultando em uma alienação política,

econômica, social e cultural e,

[...] um saldo muito negativo: os assistentes sociais compunham uma


categoria sem identidade profissional própria. De tanto responderem
à pressão externa aos circuitos da profissão, determinadas pelos
interesses hegemônicos da classe dominante, haviam deixado de
construir a própria identidade, a sua consciência coletiva em termos
de projeto político e ação profissional. (Op. cit.:128, grifo da autora)

As ações do Serviço Social buscavam satisfazer os interesses

capitalistas afastando-se cada vez mais da classe trabalhadora.

Em 1935, os Assistentes Sociais são contratados pelo Estado-Novo, e

inseridos no Departamento de Assistentes Sociais ligado à Secretaria da

Justiça, favorecendo a normatização do ensino de Serviço Social e obrigando a

Igreja Católica a diminuir suas ações.

Em 1936, surgiram as primeiras escolas de Serviço Social de São Paulo,

e no ano seguinte, a do Rio de Janeiro.

É importante ressaltar que o Serviço Social tem em seu bojo um objeto

para intervenção, que pode ser desconstruído ou construído de acordo com a

realidade social, econômica, política e cultural vigente.

Segundo Faleiros (1999, p. 11),

A discussão sobre o objeto parece, e de fato é, inesgotável pela


mesma dinâmica de sua inserção histórica e teórica, podendo-se
construir e desconstruir o objeto de intervenção profissional, conforme
as diferentes perspectivas de análise nas diversas conjunturas.
61

Após a inserção do Serviço Social no Brasil, seu objeto de intervenção

estava em três condições de melhorias: higiene, moral e ordem social,

resultado do contexto econômico, político e cultural vivido. Esse objeto foi

desconstruído e construído nos anos 40/50 após a Segunda Guerra Mundial

que afetou a política econômica, e passou a interferir na articulação da

harmonia social na relação Estado/Sociedade. Sendo necessário criar Clubes

de Mães “para mudar as formas de cuidado em relação aos filhos recém-

nascidos e propiciar condições para inserção da mulher no mercado de

trabalho”. (op. cit. p. 14).

Nessas duas décadas ocorre a legitimação e expansão do Serviço

Social enquanto profissão. Foram criadas várias instituições sócio-assistenciais

estatais, sendo a maior delas a Legião Brasileira de Assistência (1942), e o

Estado passou a ser o maior empregador de Assistentes Sociais.

Segundo Martinelli, com a institucionalização a prática profissional

estava sendo alterada, já não mais recebia influência da Europa.

Em função de interesses políticos e econômicos, o presidente Getúlio


Vargas tratou de estreitar as relações Estados Unidos, integrando-se
oficialmente aos seus aliados em 1942. Dessa aliança Vargas-
Roosevelt resultaram inúmeras conseqüências para o país, no plano
político, social e econômico. Restringindo-as ao interesse deste
momento da reflexão e situando-as no plano do Serviço Social, o que
se teve como decorrência daquele pacto foi a mudança de eixo, em
termos de linhas práticas, de perspectiva de ensino e de formas de
abordagem. A aproximação com a experiência americana de Serviço
Social foi amplamente facilitada, através de um programa de
intercâmbio cultural, assim como foi aberta ao Brasil a possibilidade
de participar de programas continentais de bem-estar social, já ao
longo da década de 40. [...] (MARTINELLI, 2000, p. 131-132)

O resultado desse intercâmbio somado a crise na década de 60, do

modelo desenvolvimentista no Brasil e na América Latina, resultou na

alteração, das duas primeiras práticas profissionais desenvolvidas em nosso

país:
62

- Serviço Social de Caso: estudado por Mary Richmond em 1932, que

discute a particularidade de cada caso, a mesma defendia que no indivíduo

existe diversas formas de reação;

- Serviço Social de Grupo: estudado por Gisela Konopka em 1936,

defendia que no grupo há relação inter e intra grupal, facilitando a socialização

entre as pessoas que apresentam os mesmos problemas.

Para a prática do Desenvolvimento de Comunidade, cujo objetivo está

na integração da comunidade no desenvolvimento da ação organizada para

atender suas necessidades, e mantê-la dominável e alienada.

Na década de 60, o objeto de intervenção continuou o mesmo, porém foi

necessário incluir melhorias nas comunidades através de condições sanitárias,

campanhas de saúde e condições de habitação.

[...] o Serviço Social se engaja de uma maneira bastante intensa.


Surgem as cooperativas habitacionais, os grupo de autoconstrução,
os projetos de casa própria por mutirão, os grupos de melhoria do
bairro, de corte e costura, de enxoval de nascimento, de horta caseira
e comunitária, de produção de roupas, de formação profissional, entre
outros. Na área rural houve o Serviço Social Rural, para ajudar a
melhorar as condições de trabalho da população. O reforço dos
valores dominantes pressupunha o reforço da crença de que todos
podem se juntar para um trabalho consensual em benefício de
“todos”. (FALEIROS, 1999, p. 16).

Martinelli, afirma que “os anos 60 foram particularmente difíceis para os

povos latino-americanos, que, desde o imediato segundo pós-guerra vinham

enfrentando crescentes dificuldades de sua participação no processo

produtivo”. (2000, p. 141) Resultando inúmeros problemas relacionados às

expressões da questão social31: fome, pobreza, doenças dentre outros. O povo

brasileiro não estava contente e se uniu em movimentos populares e foram às

31
As expressões da questão social no Brasil fundamentam-se, principalmente, em
características marcantes, tais como: maior concentração de renda e riqueza do mundo, alto
índice de desemprego estrutural, desregulamentação e corte de gastos públicos na área social,
respondendo os ditames do projeto neoliberal, enfim, milhões de pessoas vítimas da exclusão
econômica, política, social e cultural. (MARTINS, 2000, p. 65)
63

ruas, obrigando a classe burguesa se unir aos militares, resultando no golpe de

Estado de 31 de março de 1964 e surge uma nova ditadura brasileira. Esse

este novo regime político que perdurou até 1985, obrigou os movimentos

populares a se retraírem.

No cenário latino-americano, 1965-1975, Assistentes Sociais, inquietos e

insatisfeitos com a prática profissional se mobilizaram para lutar por mais uma

desconstrução/construção do objeto, uma nova metodologia e qualificação

científica-acadêmica, a divisão da prática do Serviço Social Tradicional32 (caso,

grupo e desenvolvimento de comunidade) estava inadequada e não supriam as

necessidades e realidade dos países em desenvolvimento. Essa mobilização

foi nomeada de Movimento de Reconceituação e, “representou um marco

decisivo no desencadeamento do processo de revisão crítica do Serviço Social

no continente”. (IAMAMOTO, 1998, p. 205, grifo da autora)

Segundo Iamamoto (op. cit. p. 215), “[...] o enfrentamento com a herança

do reconceituação vai dar-se tardiamente no Brasil, no bojo da crise da

ditadura [...]”, na metade da década de 70, porém o Serviço Social construiu

em meio à ditadura dois documentos muito importantes para a profissão:

Documento de Araxá33 (1967) e Documento de Teresópolis34 (1970).

32
[...] prática empirista, reiterativa, paliativa e burocratizada, orientada por uma ética liberal-
burguesa, que, de um ponto de vista claramente funcionalista, visava enfrentar as incidências
psicossociais da “questão social” sobre indivíduos e grupos, sempre pressuposta a ordenação
capitalista da vida social como um dado factual ineliminável. (NETTO, 2005, p. 6)
33
Elaborado pelo Comitê Brasileiro de Conferência Internacional de Serviço Social (CBCISS),
no qual define a ação profissional do Serviço Social como um instrumento de desenvolvimento
humano tanto individual e coletivo.
34
Segundo Faleiros (2005, p. 23), “o Documento de Teresópolis, de 1970, põe ênfase no
conceito de necessidades humanas, segundo a formulação dada tanto pelo grupo de economia
e humanismo, como pelas Nações Unidas, buscando-se aquilatar a distância entre o
provimento de necessidades na realidade e os limites estruturais. Restringe-se, no entanto, à
consideração de uma realidade em seu movimento histórico mais imediato, sem relacioná-lo
com a dinâmica de classes, de opressão. As “funções” do Serviço Social foram elaboradas
ainda na perspectiva desenvolvimentista, articulando, no entanto, economia e cultura (ver
CBCISS, 1971). O Serviço Social, desse modo, deve buscar atenuar situações de carências e
adequar-se às formas de mudanças e de crescimento estabelecidas pelos grupos
hegemônicos”.
64

Netto afirma que

[...] A passagem dos anos 1970 aos 1980, com a reativação do


movimento operário-sindical e o protagonismo dos chamados novos
sujeitos sociais, abriu novas perspectivas para os assistentes sociais
que pretendiam a ruptura com o tradicionalismo. E estes assistentes
sociais investiram fortemente em dois planos: na organização da
categoria profissional e na formação acadêmica. No primeiro deles,
em pouco tempo fortaleceu-se uma articulação nacional que tornou
os Congressos Brasileiros de Assistentes Sociais um fórum maciço e
representativo da categoria profissional; quanto à formação
acadêmica, instituiu-se um currículo de âmbito nacional e consolidou-
se a pós-graduação (mestrado e doutorado). (2005, p. 17, grifo do
autor).

Após a construção do Documento de Teresópolis mais as discussões da

Reconceituação do Serviço Social, o documento começou a ser questionado

quanto as necessidades humanas, decorrentes da ditadura que “obrigavam

parte dos opositores do sistema a viver na clandestinidade. Alguns textos de

então faziam referências à desigualdade social e à estrutura capitalista, de

forma indireta”. (FALEIROS, 2005, p. 24)

Faleiros (op. cit.) afirma que,

Em 1980 o CBCISS faz um novo documento, em Sumaré,


considerando que o conhecimento verdadeiro pressupõe sua
produção na sociedade e é capturado pela compreensão. Diferencia
epistemologia e intervenção, olhando para Serviço Social, ao mesmo
tempo, como processo de aprendizagem de ajustamento e de
mudanças. Esse documento assume uma posição funcionalista e
considera que a reconceituação possa ter um caráter funcionalista
sistêmico. Discute as possibilidades de um Serviço Social na ótica
dialética e na ótica da fenomenologia, abrindo-se ao pluralismo.

O objeto do Serviço Social é desconstruído/construído de acordo com o

Serviço Social crítico, em que assumiu uma identidade junto aos movimentos

sociais, sendo seu objeto real o “não mudar o comportamento ou meio, mas

contribuir para organização e mobilização social nas lutas específicas, seja por

creches ou por direitos sociais”. (FALERIOS, 1999, p. 19).

No cenário brasileiro acadêmico do Serviço Social, também houve

mudanças, em 1979, foi aprovada a reforma curricular que rompeu o tradicional


65

caso, grupo e comunidade, e regulamentou um Serviço Social crítico e

comprometido com a transformação social, articulando teoria-história-

metodologia-pesquisa e a tradição marxista, porém só foi implantada em 1982.

Tanto a Reconceituação como a reforma contribuíram para a elaboração

de dois códigos de Ética Profissional, um voltado ao vínculo direto com a

classe trabalhadora e o outro aos trabalhadores na defesa de seus direitos. Em

1986, é aprovada pelo Conselho Federal de Assistentes Sociais a segunda

opção, porém é alterado após a aprovação da nova Constituição (1988),

proporcionando uma nova opção e ético-político refletido numa

[...] nova direção da categoria profissional, que vinha dos movimentos


sociais, da luta sindical e de uma formação marxista nas
universidades. As organizações profissionais se haviam proposto um
projeto político que foi aceito pela maioria dos representantes da base
na organização profissional da atividade que, no Brasil, tem suas
instâncias regionais e nacionais. (op. cit. 31)

E, em 1993 é aprovado o Código de Ética Profissional e a Lei nº 8.862,

que regulamenta a Profissão do Assistente Social, “[...] meios vitais para se

consolidar uma perspectiva de transformação social e um Projeto Ético-

Político35 da profissão que tem profundas raízes no movimento de

reconceituação do Serviço Social”. (op. cit. 32).

Na década de 90, o Serviço Social foi obrigado a mudar seu objeto de

intervenção, os movimentos não mais se articularam por bairros e problemas, e

sim por especificidades particulares: questões de gênero, raça, orientação

sexual, vítimas, cultura, deficientes, doentes mentais, dentre outros. Surgindo

as Organizações Não-Governamentais (ONG’s) para prestar serviços e

defender seus direitos.

35
O Projeto Ético-Político Profissional será explanado no item 2.4.
66

Segundo Faleiros (1999, p. 20), “as relações sociais no âmbito da

família, dos grupos, vão mudando para enfrentar a crise do desemprego, do

trabalho precário, do envelhecimento da população, da prolongação do tempo

de vida, da presença de novas epidemias como a da AIDS”. Surge a

necessidade do Serviço Social trabalhar em rede36, visto que

[...] sabe-se já, por demasiado, que indivíduos sozinhos não têm
condições de se fortalecer. A construção das redes é processual e
dinâmica, envolvendo tanto a família como os amigos, os vizinhos, os
companheiros de trabalho, partido, sindicato, como redes formais das
organizações de saúde, de assistência, Educação ou outras [...]. (op.
cit. p. 24, grifo nosso).

Voltando para o contexto Escolar, nota-se que a década de 80 foi

importante para o Serviço Social, e muito contribuiu para a notoriedade

contemporânea do Serviço Social na área de Educação.

Segundo Almeida (2007, p. 18), essa notoriedade “se deve a três

tendências observadas no campo das políticas sociais a partir dos anos 1980:”

- O enfrentamento da pobreza a partir de políticas públicas que


estabelecem condicionalidade em relação à Educação Escolarizada.
- A interface de diferentes políticas setoriais, em especial aquelas
dirigidas aos segmentos sociais em situação de vulnerabilidade
social, tornando o acesso à Educação Escolarizada um marco na
afirmação dos direitos sociais de crianças e jovens.
- O alargamento da compreensão da Educação como direito humano,
adensando as práticas sociais organizadas em torno de diversos e
abrangentes processos de formação humana, criando uma arena de
disputas ideológicas fortemente mobilizadoras dos paradigmas
educacionais em disputa no âmbito do Estado e da sociedade civil
como os de: empreendedorismo, empregabilidade e emancipação.
(op. cit.)

36
Segundo Faleiros, a rede é uma articulação de atores em torno, [...], de uma questão
disputada, de uma questão ao mesmo tempo política, social, profundamente complexa e
processualmente dialética. Trabalhar em rede é muito mais difícil do que empreender a
mudança de comportamento, bastando para isto um bom marketing, ou realizar a intervenção
no meio, ou estimular o eu, e mesmo reivindicar serviços. É a superação do voluntarismo e do
determinismo, da impotência diante da estrutura e da onipotência da crença de tudo poder
mudar. Na intervenção de redes, o profissional não se vê nem impotente nem onipotente, mas
como um sujeito inserido nas relações sociais para fortalecer, a partir das questões históricas
do sujeito e das suas relações particulares, as relações destes mesmos sujeitos para
ampliação de seu poder, saber, e de seus capitais. Trata-se de uma teoria relacional do poder,
de uma teoria relacional de construção da trajetória. (1999, 25).
67

A autora afirma que essas tendências adquirem “novos desenhos à

aproximação do Serviço Social com a área da Educação, dando uma

amplitude, sem precedentes, às possibilidades de atuação do Assistente

Social”. Salienta também que os novos percursos passam pela política de

Educação com diversas formas e vincula o institucional à dinâmica escolar, no

qual cita, pólos, escolas, coordenadorias, programas e projetos especiais,

como também vincula “no campo sócio-jurídico, das políticas para a infância e

para a adolescência, assistência social, de esporte e lazer”. (op. cit. 19)

É importante ressaltar que a esfera política também esteve engajada na

questão, em destaque em 1979-1982, o Deputado Estadual Robson Marinho,

apresentou nesse período um Projeto de Lei para inserção do Assistente Social

na área da Educação Estadual, foi aprovado pela Assembléia Legislativa,

porém foi vetado pelo governador de Paulo Maluf (ALMEIDA, 2000, p. 20). As

categorias profissionais de Assistente Social e de Educadores continuaram a

mobilização e em 1995, o deputado estadual Clovis Volpi

elaborou o projeto de lei nº 442, que foi encaminhado à Assembléia


Legislativa de São Paulo, juntamente com mais de cinco mil
assinaturas de apoio da sociedade em geral. Entre eles: estudantes e
profissionais de Serviço Social; Diretores e Professores da Rede
Estadual de Ensino do Estado de São Paulo, além de diversas
moções de apoio das Faculdades de Serviço Social, da Secretaria da
Promoção Social do Estado, dos profissionais do Poder Judiciário e
das várias Câmaras Municipais. (op. cit.)

Novamente a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, aprovou o

projeto, porém novamente é vetado, agora pelo governador Mário Covas, em 5

de março de 1997, tendo como “justificativas: vícios de inconstitucionalidade e

sua contrariedade ao interesse público”. (op. cit. p. 21).


68

Em 2000, a questão do Serviço Social na Educação voltou a fazer parte

dos Projetos de Lei tanto na Esfera Estadual como na Federal. Segundo o

artigo “Serviço Social deve integrar política educacional publicado”37, escrito

pelo Conselho Regional de Serviço Social (CRESS SP), em 31 de agosto de

2006, havia 5 Projetos de Lei na Câmara dos Deputados, sendo eles:

- PL n° 3.688/2000, de autoria do deputado José Carlos Elias (PTB/ES);

- PL n° 837/2003 , de autoria do deputado Durval Orlato (PT/SP) – este

na esfera federal;

- PL n° 1.031/2003, de autoria do deputado Carlos Souza (PL/AM);

- PL n° 4.738/2004 , de autoria do deputado Carlos Nader (PFL/RJ);

- PL n° 925/2003, de autoria de Paulo Neme (PTB) – este estava na

Assembléia Legislativa de SP.

Em 2005, a Câmara Federal aprovou o PL nº 837. Este foi apensado no

PL nº 3.688/2000, juntos aos PL’s acima e os PL’s para inserção dos

psicólogos na Escola, resultando no texto abaixo que ainda está no Senado

para ser votado.

“COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA.

REDAÇÃO FINAL PROJETO DE LEI Nº 3.688-C DE 200038. Dispõe sobre a

prestação de serviços de psicologia e de assistência social nas escolas

públicas de Educação básica. O CONGRESSO NACIONAL decreta:

Art. 1º O Poder Público deverá assegurar atendimento por Psicólogos e

Assistentes Sociais a alunos das escolas públicas de Educação básica que

dele necessitarem.

37
Disponível em: http://www.cress-sp.org.br/index.asp?fuseaction=info&id=220. Acessado em
27 de junho de 2008.
38
Comissão de constituição e justiça e de cidadania. Redação final projeto de lei nº 3.688-c de
2000 [mensagem coletiva]. Mensagem recebida por <jaque.serv.social@gmail.com> em 17 de
outubro de 2007.
69

§ 1º O atendimento previsto no caput deste artigo será prestado por

Psicólogos vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e por Assistentes

Sociais vinculados aos serviços públicos de assistência social.

§ 2º Os sistemas de ensino, em articulação com os sistemas públicos de

saúde e assistência social, deverão prever a atuação de Psicólogos e

Assistentes Sociais nos estabelecimentos públicos de Educação básica ou o

atendimento preferencial nos serviços de saúde e assistência social a alunos

das escolas públicas de Educação básica, fixando em qualquer caso número

de vezes por semana e horários mínimos para esse atendimento.

Art. 2º Esta lei entra em vigor um ano após a data de sua publicação.

Esta Lei, conforme vimos anteriormente, se refere à inserção dos

profissionais nas Escolas Públicas Estaduais, porém ainda não entrou em

vigor. Alguns municípios no estado de São Paulo conseguiram a implantação

do Serviço Social na área Educacional após aprovação na Câmara municipal.

Como referência teórica atual temos a pesquisa de doutorado de Martins

(2007, p. 103), no Estado de São Paulo39, a pesquisa mostra quais municípios

inseriam os Assistente Sociais neste contexto.

Segundo a pesquisadora, a implantação do Assistente Social na área da

Educação, foi retomada na década de 1980 quando cinco municípios do

Estado de São Paulo implantaram o Serviço Social na Secretaria Municipal de

Educação, são eles: Botucatu, Assis, Jacareí, Franca e Mauá.

Antes de avançarmos no resultado da pesquisa, é importante ressaltar

que, segundo a pesquisadora Martins, foram pesquisados 645 municípios do

39
Sabemos que o Estado de São Paulo não é o único a ter o Serviço Social na área
educacional, porém não conseguimos nenhum referencial que aborda a questão municipal e
muito menos estadual de outros Estados. Informalmente sabemos que Rio de Janeiro, Goiás,
Porto Alegre/RS possuem Assistentes Sociais na Educação.
70

Estado de São Paulo, somente 165 responderam. Desses 37 têm Assistentes

Sociais na área da Educação, porém somente 28 Assistentes Sociais

responderam sua pesquisa. A amostra se deu somente com base nos 28

municípios para termos uma base científica de quais municípios têm

implantado o Serviço Social na área da Educação e por que foi implantado.

Seguindo, na década de 1990, houve maior expansão de implantação,

segundo Martins, esse período “coincide com a instituição da LDB de 1996 que

regulamenta os preceitos jurídicos da Constituição Federal de 1988”. (op. cit.),

ocorreram 13 implantações municipais: Santo André, Borebi, São José dos

Campos, Santa Bárbara d’Oeste, Batatais, Limeira, Presidente Prudente,

Vargem Grande Paulista, Garça, Tupã, Cosmópolis, Embu e Barão de

Antonina.

Em 2000-2006, constataram-se 10 implantações: Ipiguá, Itu, Leme,

Lorena, Santa Rita do Passa Quatro, Dracena, São Bernardo do Campo,

Hortolândia, São Carlos e Laranjal Paulista.

Martins (p. 104 – 110) aponta seis motivos para essas implantações:

- Primeiro motivo: São José dos Campos, Batatais, Presidente Prudente,

Limeira, São Bernardo do Campo, Vargem Grande Paulista, Tupã e Assis -

determinação imposta nas leis, Constituição Federal de 1988 e Lei de

Diretrizes e Bases da Educação Nacional, essa lei, transferiu as creches e seus

profissionais da assistência social para a responsabilidade da Educação;

- Segundo motivo: Itu, Jacareí, Leme, Botucatu, Embu e Mauá - também

para cumprir as leis, porém houve contratação de assistentes sociais para

comporem a equipe técnica da Educação;


71

- Terceiro motivo: Dracena, São Carlos e Lorena - “[...] implantação de

projetos sociais [Bolsa Família, Renda Cidadã, Ação Jovem] de iniciativa dos

governos federal, estadual ou municipal [na Educação], necessitando de

acompanhamento de profissionais especializados como psicólogos, assistentes

sociais, além de pedagogos”. (p. 106-107, programas inseridos pela autora).

- Quarto motivo: Laranjal Paulista - criação da lei municipal que insere os

Assistentes Sociais na área da Educação municipal;

- Quinto motivo: Borebi, Cosmópolis, Ipiguá e Barão de Antonina - por

questões políticas, sem maiores esclarecimentos, houve a destinação do

Assistente Social da prefeitura para as creches;

- Sexto motivo: “[...] diferentes situações consideradas peculiares de

cada município [...]” (p. 109), tais como: Franca - prestação de atendimento

social aos alunos com dificuldades no processo ensino-aprendizagem; Santa

Rita do Passa Quatro - iniciativa da própria Assistente Social que já foi

educadora; Hortolândia, Santa Bárbara d’Oeste e Garça – inicialmente para

fazer triagem dos usuários de creche e evasão escolar; Santo André –

convênio da Secretaria Municipal de Educação com as creches particulares

exigiu a contratação de assistentes sociais para acompanhar as creches

municipais e as conveniadas.

Percebemos que cada município teve um motivo para a construção de

um trabalho em rede entre Serviço Social e a Educação, e com certeza após o

desenvolvimento da prática profissional do Assistente Social novas demandas

e atividades que competem a categoria foram surgindo e estão sendo

trabalhadas concomitantemente ao primeiro motivo, visto que a atuação do


72

Serviço Social vai muito além do que outras categorias profissionais conhecem

e/ou imaginam que compete a categoria.

Yasbek ressalta que

O Assistente Social atua nos processos relacionado à reprodução


social da vida, [e está inserido nos órgãos públicos estadual, federal e
municipal, nas empresas privadas e no “terceiro setor”, organizações
não-governamentais] interferindo em situações sociais que afetam as
condições concretas em que vive a população em geral e, sobretudo,
os setores mais empobrecidos da sociedade, objetivando melhorar
essas condições, sob múltiplos aspectos. A intervenção profissional
leva em consideração relações de classe, gênero, etnia, aspirações
religiosas e culturais, além de componentes de ordem afetiva e
emocional. O trabalho do Assistente Social pode produzir resultados
concretos nas condições materiais, sociais e culturais da vida dos
usuários; em seu acesso a políticas sociais, programas, serviços,
recursos humanos e bens; em seus comportamentos e valores; em
seu modo de viver e de pensar, suas formas de luta e organismo; e
em suas práticas de resistências. (2007, p. 17-18)

Em nossa contemporaneidade, para que os resultados concretos sejam

cada vez mais rápidos, não só na Educação, como também na Saúde, na

Assistência Social, dentre outros, é necessário que os Assistentes Sociais

interajam com profissionais, objetivando a construção de uma atuação

profissional interdisciplinar.

O Serviço Social já tomou consciência de que essa articulação é

importante e cada vez mais vem se unindo em redes setoriais para dar

resultados positivos ao seu objeto de intervenção na “questão social”40.

Para intervir na questão social, o Serviço Social atua no âmbito das

políticas sócio-assistenciais e realiza em sua prática profissional atendimento

em plantão social, entrevistas, encaminhamentos, visitas domiciliares,

orientações, ações de Educação, organização popular, reuniões, trabalho

individual, em grupos, em famílias, comunidades, dentre outros.

40
Segundo Faleiros (2005, p. 32), a “questão social” é definida formalmente como objeto do
Serviço Social.
73

As expressões da questão social são resultados do psico-social, do

econômico, do cultural e político decorrentes do neoliberalismo, “obrigando” o

Assistente Social se relacionar com outros profissionais tornando sua prática

profissional interdisciplinar.

2.2 Serviço Social na Interdisciplinaridade

Todos nós sabemos que a Idade Moderna transformou a sociedade que

antes era universal, homogênea e com vínculos entre si. Esta transformação

fez com que a sociedade incorporasse no lugar de sua totalidade, um

conhecimento fragmentado e saberes disciplinarizados, tornando a pessoa

subjetiva e alienada, exigindo, no mundo contemporâneo, um trabalho

interdisciplinar.

A interdisciplinaridade foi esquecida por décadas, mas hoje é usada por

vários profissionais em todos campos do saber e estudada no mundo inteiro

por vários pesquisadores, tais como Ivani Catarina A. Fazenda, Hilton

Japiassú, Jeanete L. Martins de Sá, Georges Gusdorf, Habermas, entre outros.

Segundo Fazenda (1993, p.30), a interdisciplinaridade não possui um

sentido único, porém “seu princípio é sempre o mesmo: caracteriza-se pela

intensidade das trocas entre os especialistas e pela integração das disciplinas”.

A mesma autora ressalta que,

[...] embora a palavra “interdisciplinaridade seja um neologismo,


designa um campo de indagações que se evidencia desde a antiga
Grécia até a atualidade. Refere-se a um tema bastante controvertido
na Europa e nos Estados Unidos, em virtude da crise por que passa a
civilização contemporânea, e assinala uma tentativa de busca do
saber unificado para preservar a integridade do pensamento e o
restabelecimento de uma ordem perdida. (op. cit.)
74

O sentido original da palavra interdisciplinaridade é abordado por

Assumpção (FAZENDA, 1994, p.23): o prefixo latino inter significa posição ou

ação intermediária, reciprocidade e interação, o sufixo latino (i)dade substancia

alguns adjetivos atribuindo o sentido da ação ou resultado da ação e a palavra

disciplina. Neste sentido, pode ser caracterizada como ordem ao

funcionamento de uma organização ou regimento de ordem.

A interdisciplinaridade nomeia um encontro que pode ocorrer entre


seres – inter – num certo fazer – dade – a partir da direcionalidade da
consciência, pretendendo compreender o objeto, com ele relacionar-
se, comunicar-se. Assim interpretada, esta supõe um momento que a
antecede, qual seja a disposição da subjetividade, atributo
exclusivamente humano, de perceber-se e presentificar-se, realizando
nessa opção um encontro com-o-outro, a intersubjetividade. (op. cit.
p. 24, grifo do autor).

Para Sá (1989, p. 83), este encontro com o outro é uma questão de

atitude, atitude esta que não devem e nem é para anular a contribuição do

outro, e sim para reconhecer seus limites e dar abertura para novos saberes e

contribuições. Neste contexto o sinônimo do outro é a Ciência. “[...] Toda

Ciência seria complementada por outra e a separação entre as Ciências seria

distribuída por objetivos mútuos. Cada disciplina dá sua contribuição,

preservando a integridade de seus métodos e seus conceitos” (op. cit.),

facilitando a conquista de cada objetivo.

Segundo a autora, “a conceituação do termo interdisciplinaridade baseia-

se em diferentes pressupostos” (op. cit.) e muitas vezes são confundidos com a

palavra em questão por não saber diferenciar. Vejamos as quais são e suas

diferenças:

- Multi e pluridisciplinaridade: “justaposição de conteúdos de disciplinas

heterogêneas ou a integração de conteúdos numa disciplina, alcançando a

integração de métodos, teorias ou conhecimentos”. Ou seja, diferentes saberes


75

no mesmo espaço não levando em consideração o relacionamento entre si.

Segundo a mesma autora, são etapas para a interação e para a

interdisciplinaridade. (op. cit.).

- Interdisciplinaridade: “relação de reciprocidade, de mutualidade, um

regime de co-propriedade, possibilitando o diálogo, em que as diversas

disciplinas levam a uma interação, a uma intersubjetividade, condição para a

efetivação do trabalho interdisciplinar”. (op. cit.). Interação de duas ou mais

disciplinas na concretização de um trabalho em conjunto, levando em

consideração a interação de seus conceitos, metodologias, procedimentos e

diretrizes.

- Transdisciplinaridade: “nível mais alto das relações iniciadas nos

níveis de multi, pluri e interdisciplinaridade”. (op. cit.). Acontece quando não há

mais fragmentação das disciplinas e nem do conhecimento.

Fazenda (1994, p. 18) afirma que “o projeto interdisciplinar surge às

vezes de um (aquele que já possuía em si a atitude interdisciplinar) e se

contamina para os outros e para o grupo, visto que

No projeto interdisciplinar não se ensina, nem se aprende: vive-se,


exerce-se. A responsabilidade individual é a marca do projeto
interdisciplinar, mas essa responsabilidade está imbuída do
envolvimento – envolvimento esse que diz respeito ao projeto em si,
às pessoas e às instituições a ele pertencentes. (op. cit. p. 17, grifo da
autora).

A interdisciplinaridade no Serviço Social começou a ser discutida e

incorporada em sua prática profissional nas décadas finais do século XX e

cada vez mais vem utilizando-a em seu campo de atuação (as instituições),

visto que, segundo Melo e Almeida (2000, p. 234),

O assistente social, como qualquer outro trabalhador, tem o seu


processo de trabalho, até certo ponto, tecido por outros atores e
determinado por condições econômicas e políticas, pelas diferentes
organizações institucionais, pelas peculiaridades geográficas e
76

culturais e pelas pressões exercidas pelas diferentes expressões da


sociedade civil e do Estado.

É necessário juntar-se aos outros profissionais para que o objetivo

determinado seja cumprido e como exemplos temos a interdisciplinaridade na

Saúde (Assistentes Sociais trabalham junto com pareceres médicos, de

enfermeiras, agentes da saúde, e outros), no Fórum (psicólogos, advogados,

juízes e outros), nos Centros de Referência da Assistência Social – CRAS

(psicólogos e monitores), na Educação Escolar (Diversos profissionais da

Educação), em destaque as Organizações Não-Governamentais (ONG’s), a

maioria possuem em seu quadro profissional Assistentes Sociais, Pedagogos e

Psicólogos.

É extremamente necessária a interlocução e pareceres de diversos

profissionais na resolução do mesmo problema ou na concretização do mesmo

objetivo, cada um tem um olhar diferenciado voltado para a sua área

profissional e muitas vezes o outro profissional só consegue contemplar aquilo

que é de sua competência, não sabe lidar ou não consegue perceber a

totalidade por não ser de sua “competência”, mas muito ajudaria em seu

trabalho se a percebesse.

No trabalho interdisciplinar, o conhecimento do outro vem somar ao

conhecimento do próximo, facilitando o trabalho de todos. Mas para isso é

necessário que todos estejam abertos à troca de conhecimento, aceitar críticas

construtivas e tecer o saber em conjunto, em suma, todos devem estar abertos

ao diálogo constante.

Porém, devemos ter sempre em mente que “[...] a interdisciplinaridade

não é um modismo que vai “resolver o mundo”, mas é uma possibilidade,

quando refletida, pensada, envolvente, investigada em conjunto e intuída em


77

muitos momentos” (FAZENDA, 1994, p. 120), tornado o trabalho mais coerente

com o real e mais construtivo.

Assim como Fazenda, Melo e Almeida (2000, p. 234) também nos

alertam que “nem todos os trabalhos interdisciplinares do mundo poderão

produzir sozinhos as transformações profundas a serem gestadas na relação

da produção do conhecimento com os objetos de intervenção e das diferentes

profissões técnicas com a população abordada”.

Mas, as junções dos diferentes pareces podem transformar partículas

desse mundo e fazer a grande diferença em uma vida. Sabemos que quanto

mais o trabalho é executado em conjunto é mais fácil o objeto de intervenção

aceitar a transformação e sua promoção.

Martinelli (2001, p. 157), afirma que o Serviço Social é uma profissão

interdisciplinar por excelência.

[...] Assim, para o Serviço Social, a interação com outras áreas é


particularmente primordial: seria fatal manter-se isolado ou fazer-se
cativo. A interdisciplinaridade enriquece-o e flexiona-o, no sentido de
romper com a univocidade de discurso, de teoria, para abrir-se à
interlocução diferenciada com outros. Isto significa romper com
dogmatismos [...]. (op. cit.).

Cada vez mais o Serviço Social vem se conscientizando da importância

do trabalho interdisciplinar, concomitantemente vem lutando para ganhar

espaço nos locais onde já atua e vem lutando para concretizar sua inserção em

diversos espaços profissionais, em destaque no espaço interdisciplinar escolar.

Antes de avançarmos no contexto escolar é importante destacarmos

que, o trabalho interdisciplinar com o Serviço Social deve ser desenvolvido de

modo que nenhum ocupe o lugar do outro e que o Assistente Social realize seu

trabalho totalmente de acordo com o Projeto Ético-Político do Serviço Social,


78

tornando a “interdisciplinaridade como uma relação horizontal, de objetivos

claros e, realmente, plurais”. (MELO e ALMEIDA, 2000, p. 237).

Como vimos anteriormente, o Serviço Social na área da Educação já

está inserido em alguns municípios, e vem desenvolvendo um trabalho

totalmente interdisciplinar, ou seja, juntamente com o Diretor, com os

Professores, pedagogos, profissionais da secretaria, zeladores, merendeiras,

enfim, todos os profissionais que compõem o universo escolar. E, não será

diferente quando forem inseridos em novos municípios ou na esfera estadual

(escolas estaduais). Porém, é extremamente necessário que os profissionais já

existentes na Educação se adaptem à nova realidade comunitária da Escola

que, segundo Martins (2007, p. 78), está na “compreensão do universo cultural

e social dos alunos e de suas famílias, aspecto que interfere significativamente

no sucesso escolar”.

Ao Serviço Social, também, cabe ter esta percepção, assim como, a

concepção da realidade como totalidade

“[...] fundamentada na perspectiva da interdisciplinaridade, articulando


o saber, a vivência, a escola e a comunidade, com o objetivo de
interação que se traduz na prática por um trabalho coletivo. Neste
processo, a interpretação dos fatos cotidianos, vinculados a uma
análise de conjuntura, reconhecendo a singularidade, particularidade
e universalidade das situações enfrentadas pelos docentes e
discentes torna-se imprescindível”. (op. cit. p. 198)

Para tanto, é necessário que o Assistente Social desenvolva sua prática

interdisciplinar junto com esses profissionais de acordo com o Projeto Ético-

Político do Serviço Social, concomitantemente com a função social da escola,

que está no processo de socialização e inclusão social da família/comunidade

na realidade do educando na criação de vínculos com a escola.


79

2.3 A Função Social da Educação na interface com o Serviço Social

A Educação referenciada aqui é a Educação no contexto escolar

articulada com a função social da escola.

É importante considerarmos que cada povo e/ou sociedade possui uma

Educação Escolar diferente, que segue os parâmetros de sua ideologia, moral,

crença, política, religião ou doutrina. Esta Educação pode e muda conforme o

percurso histórico percorrido pelo seu povo e/ou sociedade41.

O sociólogo Émile Durkheim (1978), grande estudioso da vida Social,

dizia que cada tempo tem novas características. Na Idade Média a Educação

era impessoal, os mestres se dirigiam coletivamente aos seus discípulos, não

era necessário adaptar a atividade educativa à natureza de cada um.

Na Renascença, porém tudo muda: as personalidades individuais se


libertam da massa social, em que estavam até então absorvidas e
confundidas; os espíritos se diversificam. Ao mesmo, o
desenvolvimento histórico se acelera; uma nova civilização se
organiza. (DURKHEIM, 1979, p. 69).

Concomitantemente ao Renascimento, surgiu o Sistema Capitalista

vigente que muito interferiu e interfere na Educação. Este sistema de

sociedade surgiu na primeira metade do século XV, e se expandiu nos séculos

XVII a XIX, criou as relações sociais, políticas, econômicas e culturais, como

também, as nações que fizeram surgir os Estados nacionais.

Este sistema transformou o mundo do trabalho no mundo da mercadoria,

aumentando as desigualdades sociais e o empobrecimento da classe

subalterna contemporânea.

41
No capítulo I deste, abordamos as transformações da Educação desde sua gênese à sua
contemporaneidade.
80

Segundo Marx (1975, p. 284 apud BRINHOSA, 2003, p. 40), “a

sociedade capitalista [atual] está estruturada e organizada sobre o trabalho.

Nesse tipo de sociedade os homens têm vínculos sociais com todas as

pessoas da terra, sobre ou sob a égide do trabalho”.

Os vínculos sociais estão totalmente enraizados na Educação Escolar e

são interferidos por ela. A Educação rural não é a mesma da urbana. A do

Estado de São Paulo não é a mesma do Acre, dentre outras.

Segundo Durkheim (1978), estes vínculos sociais terão que ser

desenvolvidos, visto que, a criança ao nascer não é um ser social, porém se

transforma conforme é educado e é transmitida a moralidade, os hábitos e

sentimentos. Estes tornarão a criança um cidadão capaz de conviver em

sociedade e que fará parte do espaço público, caso contrário não se

submeteria à política, a respeitar disciplinas, ter uma doutrina e defender sua

honra.

Porém, não devemos tratar as crianças apenas como seres em

formação, e sim, como parte do contexto social e estimulá-las cada vez mais a

exercitar sua cidadania.

Neste contexto, uma das funções sociais da Educação é tornar e

preparar a pessoa para ser cidadão e exercer a plena cidadania vivendo como

profissional e cidadão de acordo com a política, cultura e ideologia do seu

povo.

A Educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre aquelas


não ainda amadurecidas para a vida social. Tem por objeto suscitar e
desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais
e morais, reclamados pela sociedade política no seu conjunto e pelo
meio especial a que a criança particularmente se destine.
(DURKHEIM, 1979, p. 41, grifo do autor).
81

Para que a Educação cumpra sua função social, é necessário que a

escola leve em consideração as práticas de nossa sociedade passada e

principalmente, a contemporânea, relacionando com a conjuntura econômica,

política, cultural, ética, moral e social.

Só assim a Educação conseguirá cumprir seu objetivo, “superpor

[sobrepor], ao ser que somos ao nascer, individual e associal [não social] – um

ser inteiramente novo”. (op.cit., p. 54, sinônimos inseridos pela autora). É o

meio pela qual a sociedade renova sua própria existência de acordo com as

obrigações do Estado.

Claramente percebemos que a Educação tem sua função social e que

está totalmente relacionada ao Estado. Durkheim (op. cit., p. 48) defende que

tudo o que está relacionado à Educação deve ter influência do Estado, e este

deve fiscalizá-la, não desinteressar-se e muito menos se afastar, tem

obrigações para com ela, visto que ela é quem socializa o homem. Essa visão

de Durkheim vem ao encontro da Constituição Federal de 1988, que afirma ser

dever do Estado garantir a Educação em toda sua complexidade, no entanto, o

ideário neoliberal imposto pelos países em desenvolvimento vem modificando

toda essa conquista da sociedade.

Com isso o Estado vem se esquivando cada vez mais das suas

obrigações para com a totalidade, em destaque, a Educação Escolar,

agravando a iniqüidade e aumento das desigualdades sociais. Ao invés criar e

coordenar políticas sociais públicas, vem descentralizando-as e delegando a

outras instâncias e à sociedade civil.

Brinhosa (2003, p. 53) destaca que a descentralização materializou-se

na municipalização, que nada mais é do que a prefeiturização dos serviços


82

públicos essenciais à população e o novo papel do Estado passou a ser de

regulador, avaliador e financiador das políticas sociais obrigando a escola a

assumir a condição de expressão dos interesses do capital.

A descentralização dos gastos e das relações educativas faz com que a

gestão escolar crie autonomia e traga para o seu entorno a comunidade,

repercutindo ainda mais no afastamento do Estado da sua função pública e

diminuição de suas responsabilidades em relação às políticas sociais.

Para consubstanciar esta política, alega-se que as transformações no


mundo da produção de bens e serviços estão exigindo a produção de
um outro perfil de trabalhador, uma vez que o perfil do mundo do
trabalho tem-se modificado intensamente [e afetando a Educação
Escolar]. Pode-se afirmar que o trabalhador tem se transformado em
algo facilmente descartável. (op. cit., comentário inserido pela autora).

Esse “ser facilmente descartável” compõe uma rede social e afeta

intensamente a sociedade através de sua convivência política, social,

econômica e cultural.

Cada vez mais a escola é vista como espaço de convivência social, e é

um centro de referência aos seus educandos e respectivos familiares.

Cada vez mais a comunidade responsabiliza a escola para a solução

dos problemas impostos pelo sistema capitalista e vem afirmando que ela tem

que formar/preparar cidadãos que transformem o entorno em que vivem e a

sociedade.

A escola é vista como espaço para execução de ações que visem a

melhoria do contexto social e exercício da cidadania, através de ações

educativas e preventivas.

Martins comprova a realidade acima através de sua pesquisa:


Evidencia-se na pesquisa a existência de inúmeros projetos sociais
que são desenvolvidos no espaço escolar, o que, por si só,
demonstra que a função social da escola tem sido redimensionada
nos últimos anos, sendo considerada um importante e estratégico
espaço para consolidar ações de cunho preventivo e socioeducativo
83

que protejam as crianças e adolescentes dos riscos sociais que


emergem na sociedade contemporânea. Além disso, projetos sociais
que viabilizam a permanência dos alunos na escola, visando, em
termos governamentais, garantir a mudança nos padrões da
Educação brasileira, que estava aquém dos índices mínimos
internacionais, com estatísticas registrando elevado número de
crianças e adolescentes fora da escola, evasão escolar e repetência.
(2007, p. 218):

Martins defende que, “o espaço educacional é propício para

desencadear uma reflexão crítica de homem e de mundo, além de mobilizar

vários elementos da comunidade escolar para a luta por direitos sociais,

construindo elementos para uma ação política”. (op. cit., p. 194).

Defende também que, para que se cumpra efetivamente a Função

Social da Educação, é necessária a atuação de um Assistente Social junto ao

meio educacional, visto que este profissional é totalmente capacitado para

trabalhar nas diversas expressões da questão social, estabelecer relações

positivas entre educadores, famílias e comunidade para a intervenção interativa

de suas respectivas dificuldades e problemas. Neste contexto devemos sempre

levar em consideração que cada ser é um ser único, em constante mudança e

pode ou é afetado pelo outro.

Durkheim comprova essa consideração, para ele

Cada classe, com efeito, é uma pequena sociedade, e será preciso


que ela seja conduzida como tal – não como se fosse uma simples
aglomeração de indivíduos independentes uns dos outros. Em classe,
as crianças pensam, sentem e agem de modo diverso do que quando
estejam isoladas. Na classe produzem-se fenômenos de contagio
mental, de desmoralização coletiva, ou de superexcitação mútua e
efervescência salutar, e será preciso discernir uns de outros, a fim de
organizar o ensino de forma a prevenir os maus resultados.
(DURKHEIM, 1979, p. 74).

O Serviço Social pode e deve contribuir na prevenção dos maus

resultados e cabe aos Professores juntamente com o Serviço Social a

socialização de seus educandos na garantia de seus direitos expressos na


84

Constituição Federal de 1988, na Política Nacional de Educação, na Lei de

Diretrizes e Bases, no Plano Nacional de Educação e na Política da Assistência

Social. Porém, sabemos que a função do Professor é a escolarização de mais

de 30 alunos, que dificulta um relacionamento mais “aberto”, em que ele

perceba e conheça a raiz da dificuldade do educando, seja ela, no processo

ensino-aprendizado ou pessoal-familiar.

Na junção de todo o contexto explanado, esperamos ter demonstrado

que a Função Social da Educação está totalmente relacionada a Função Social

do Serviço Social, cuja função está na luta pela conquista da cidadania através

da defesa dos direitos sociais, expresso no Projeto Ético-Político Profissional

do Serviço Social.

2.4 Projeto Ético-Político Profissional e o Serviço Social na área da

Educação

Segundo Netto (1999, p. 95),

os projetos profissionais apresentam a auto-imagem de uma


profissão, elegem os valores que legitimam socialmente, delimitam e
priorizam os seus objetivos e funções, formulam os requisitos
(teóricos, institucionais e práticos) para o seu exercício, prescrevem
normas para o comportamento dos profissionais e estabelecem as
balizas da sua relação com os usuários de seus serviços, com as
outras profissões e com as organizações e instituições socais,
privadas e públicas (entre estas, também e destacadamente com o
Estado, ao qual, historicamente, o reconhecimento jurídico dos
estatutos profissionais. (1999, p. 95, grifo do autor).
85

É nesta realidade que a categoria do Serviço Social de nosso país está

inserida, sua organização está pautada pelos órgãos Conselho Federal do

Serviço Social/Conselho Regional do Serviço Social (CFESS/CRESS),

Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS),

Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social (ENESSO), Sindicatos e

Associações de Assistentes Sociais e é assentada no atual Código de Ética

Profissional dos Assistentes Sociais, resolução CFESS nº 273, de março de

1993 e na Lei Federal nº 8.66242 que regulamenta a profissão.

Netto (op. cit.) afirma que os projetos profissionais são estruturados

conforme as necessidades sociais que a profissão opera, decorrentes das

mudanças econômicas, históricas e culturais, estas podem e devem fazer com

que os projetos profissionais sejam renovados e modificados.

O resultado histórico do Serviço Social, com destaque à década de 80 e


às condições históricas emergentes no país, contribuíram para criação, na
década de 1990, de um novo Projeto Ético-Político do Serviço Social, sendo
seu eixo principal o Código de Ética da profissão, cujos princípios fundamentais
são:
- Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das
demandas políticas a elas inerentes – autonomia, emancipação e
plena expansão dos indivíduos sociais;
- Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do
autoritarismo;
- Ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa
primordial de toda sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis,
sociais e políticos das classes trabalhadoras;
- Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização
da participação política e da riqueza socialmente produzida;
- Posicionamento em favor da eqüidade e justiça social, que assegure
universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos
programas e políticas sociais, bem como sua gestão democrática;
- Empenho na eliminação de todas as formas de preconceitos,
incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos
socialmente discriminados e à discussão das diferenças;
- Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes
profissionais democráticas existentes e suas expressões teóricas, e
compromisso com o constante aprimoramento intelectual;

42
Os artigos que dispõe sobre a profissão de Assistente Social e dá outras providências, está
anexo na íntegra.
86

- Opção por um profissional vinculado ao processo de construção de


uma nova ordem societária, sem dominação-exploração de classe,
etnia e gênero;
- Articulação com os movimentos de outras categorias profissionais
que partilhem dos princípios deste Código e com a luta geral dos
trabalhadores;
- Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população
e com o aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência
profissional;
- Exercício do Serviço Social sem ser discriminado, nem discriminar,
por questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião,
nacionalidade, opção sexual, idade e condição física. (BONETTI,
2005, p. 217-218, grifo da autora).

Todos esses princípios fundamentais fazem parte de uma dimensão

política, visto que defende a eqüidade e a justiça social consolidando a

democracia na garantia de direitos civis, políticos e sociais e da

democratização como processo de socialização da riqueza socialmente

produzida, bem como o desenvolvimento pleno da cidadania.

Para o CFESS (1993, apud MARTINS, 2007, p. 135) o Código “reafirma

a conexão entre o Projeto Ético-Político Profissional e projetos societários cuja

teleologia comporta uma ética de emancipação humana [...] na construção de

uma sociedade que [...] supõe a erradicação de todos os processos de

opressão e alienação”, em destaque, exploração de classe, gênero e etnia.

O referido Código, confirma como parte de seus princípios a articulação

do Serviço Social com outras categorias profissionais que partilhem dos

mesmos princípios destacados e com a luta geral dos trabalhadores. Podemos

afirmar que essa outra categoria pode ser a dos profissionais da Educação -

destacado nesse trabalho. Ambas as categorias têm em seu Projeto Ético-

Político a efetivação da cidadania.

Também, podemos afirmar que os profissionais da Educação Escolar

“partilham” com a luta geral dos trabalhadores, visto que o educador passa a

maior parte do seu tempo em contato com seus filhos, e querendo ou não,
87

estes trazem para a Escola o contexto atual que sua família está vivendo, e,

dependendo da condição social e econômica é afetado negativamente o seu

desenvolvimento e seu aprendizado.

A implantação do Serviço Social na área da Educação, de acordo com o

Projeto Ético-Político Profissional e suas respectivas atividades trabalhará com

as expressões da questão social e contemplará os alunos, sua família, a

comunidade, como também, os profissionais da escola, na ampliação do

processo educacional que visa, tanto a permanência dos educandos na escola

como a efetiva participação da família nesse cenário.

Penatti et al. reforçam que

Os assistentes sociais são formados para trabalhar nas mais variadas


expressões cotidianas do indivíduo: no trabalho, na família, na saúde,
na Educação, na assistência social, na habitação, com questões
relativas à drogadição/alcoolismo, sexualidade,
desemprego/subemprego, desestruturação familiar, violência nas
mais diversas manifestações, entre outras. É esse profissional que no
espaço escolar (agentes educadores, Professores, família, alunos e
comunidade) poderia – e deveria – medir as situações vividas com os
demais atores da sociedade na busca do objetivo educacional
brasileiro. (Penatti, et al., 2007, p. 77)

Sendo assim, o Serviço Social fortalecerá as redes de sociabilidade e de

acesso aos serviços sociais na busca da efetivação dos direitos sociais de

cada cidadão estreitando os laços existentes entre a Política Educacional e a

Política Social.

De acordo com Martins (2000, p. 255-256), a prática profissional do

Assistente Social na área da Educação terá que,

- melhorar as condições de vida das famílias, facilitando o acesso aos


serviços prestados pelas demais políticas sociais, especialmente a
saúde e assistência social;
- favorecer a abertura de canais de participação dos sujeitos
(principalmente as famílias) nos processos decisórios da escola,
estimulando o aprendizado e a vivência do processo democrático;
- ampliar o acervo de informações e conhecimentos acerca do social
e da comunidade escolar, assessorando-a quando necessário;
- viabilizar ações sócio-educativas com as famílias;
88

- decodificar o contexto social onde a escola está inserida,


organizando diagnóstico social a ser utilizado na elaboração do
projeto sócio-pedagógico da escola;
- articular parcerias com organizações não governamentais,
universidades e empresas, visando atender as demandas da escola,
entre outros. (op. cit.)

Como também,

- Estabelecer contato constante com a equipe de educadores da escola;

- Estabelecer contatos com os educandos e sua família;

- Estabelecer contatos com os recursos sociais disponíveis da

comunidade - Conselho Tutelar, Centro de Referência da Assistência Social,

Secretaria de Saúde, Organizações não-governamentais, empresas, entre

outros;

- Promover cursos de capacitação de pais, filhos e educadores sobre e

de acordo com Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA);

- Acompanhar e encaminhar problemas sociais que afetam o educando

aos recursos competentes para solução;

- Acompanhar os educandos que são beneficiados por programas

sociais;

- Orientar, acompanhar e fortalecer ações coletivas, tais como, a

formação do Grêmio Estudantil, como meio de mobilização social e política;

- Elaborar ações de intervenção e/ou prevenção aos problemas sociais,

tais como: drogadição e alcoolismo, violência, exploração sexual, saúde,

sexualidade, relação familiar, meio ambiente, entre outras que competem à

profissão;

- Contribuir para o ingresso, regresso, permanência e aprendizado da

criança e adolescente;
89

- Contribuir para a diminuição das dificuldades econômicas da família do

educando, visto que afeta no seu processo de aprendizado;

- Fortalecer a relação escola/família/comunidade;

- Fazer visitas domiciliares para conhecer a realidade sócio-econômica e

cultural do educando;

- Estimular o educando a freqüentar regularmente as aulas, bem com o

estimular seu interesse para com elas;

- Capacitar os educadores ao tratamento das expressões da questão

social do educando, objetivando o estreitamento dos laços da intervenção

interdisciplinar;

- Elaborar e executar pesquisas que contribuam para a análise da

realidade social que o educando está inserido;

- Contribuir com a inclusão social dos educandos com deficiência;

- Entre outras que forem surgindo no decorrer da prática profissional e

que contemplem a Lei 8.662/93, em especial os artigos 4º - Constituem

competências do Assistente Social e 5º - Constituem atribuições privativas

da Assistente Social43.

A implantação do Serviço Social Escolar, em face as atribuições


atinentes a atividade profissional respectiva, estabelecida pelo artigo
4º e 5º da Lei 8.662/93, propiciará não só diagnosticar mais propor
resoluções e alternativas a problemática social vivida por muitas
crianças e adolescentes, evitando a evasão escolar, o baixo
rendimento escolar e outras causas decorrentes das desigualdades e
carências vividas pelo educando. Trará, de outra sorte, benefícios
para os alunos da rede pública, sobretudo para aqueles oriundos de
famílias com maiores dificuldades econômicas, possibilitando e
orientando ao acesso aos serviços sociais e assistenciais, através de
programas e encaminhamentos efetuadas pelo profissional
competente. (CFESS, 2001, p. 25).

Além dessas competências do Serviço Social, o profissional também

deverá ter um compromisso com sua competência profissional através do


43
Anexos, estão ambos os artigos desta Lei.
90

aprimoramento intelectual contínuo e o comprometimento com a qualidade de

serviços prestados à população e aos profissionais que integram a equipe

interdisciplinar, propiciando a participação de ambos nos processos decisórios

da escola.

Para Martins (2007, p. 135), o papel educativo do Assistente Social é no

sentido de elucidar, desvelar a realidade social em todos os seus meandros,

socializando informações que possibilitem à população ter uma visão crítica

que contribua com a sua mobilização social visando à conquista dos direitos

sociais.

A partir de todo o contexto abordado fica claramente explícito que toda

prática profissional do Assistente Social deve estar de acordo com o Projeto

Ético-Político Profissional e com a Educação. Só assim o Serviço Social

contribuirá com a função social da escola e construirá seu espaço de

intervenção nas relações sociais estabelecidas no seu interior e na comunidade

onde a mesma se insere. “É nesse espaço de conflito e com este sentido, que

o Assistente Social atua na gestão das políticas sociais e esclarece a

população sobre seus direitos sociais e meios de ter acesso aos mesmos”.

(AZEVEDO e SARMENTO, 2007, p. 86).

No próximo capítulo, abordaremos a realidade empírica do Serviço

Social no campo educacional, através da contextualização dos campos de

pesquisa, da prática profissional realizada no município de Limeira e as

dificuldades da implantação do Serviço Social nas escolas municipais de

Americana.
91

CAPÍTULO 3 A REALIDADE EMPÍRICA DO SERVIÇO SOCIAL NO

CAMPO EDUCACIONAL

“Há escolas que são gaiolas. E há escolas que são asas, que existem
para dar aos seus alunos a coragem de voar”. (RUBEM ALVES).

3.1 Contextualização dos Campos de Pesquisas

A pesquisa quanti-qualitativa deste Trabalho de Conclusão de Curso

teve como cenários o município de Limeira e o município de Americana.


92

Optamos por Limeira por ser cidade vizinha de Americana e ser

reconhecida como referência nacional na prática profissional do Serviço Social

nas escolas municipais de Ensino Fundamental, vindo ao encontro dos

objetivos da pesquisa: conhecer historicamente o Serviço Social escolar

implantado em suas escolas municipais, como também, aprofundar

conhecimentos sobre a intervenção do Assistente Social na área da Educação.

Escolhemos o município de Americana como cenário principal da

pesquisa, por ter aprovada a Lei nº 3.950/0344, de 15 de dezembro de 2003,

que em seu artigo 1º "Institui o Serviço Social Escolar nas Escolas Municipais

de Americana", porém ainda não regulamentada, sendo assim, nossos

objetivos foram de analisar e identificar os fatores que dificultam a implantação

do Serviço Social nas Escolas Municipais de Ensino Fundamental de

Americana, bem como, verificar o conhecimento dos profissionais da Educação

e Gestores Públicos de Americana em relação à contribuição do Serviço Social

nesse campo.

Antes de apresentarmos o resultado da pesquisa, é importante e

necessário conhecer o contexto histórico e atual de cada município.

3.1.1 Município de Limeira/SP

44
PREFEITURA DE AMERICANA. Disponível em: <http://devel.americana.sp.gov.br/American
aV5/americanaEsmv5_Index.php?ta=5&it=15&a=legislação>, Acesso em: 21 de fevereiro de
2008.
93

O município de Limeira45, por decreto, foi fundado em 15 de setembro de

1826, possui uma área territorial de 581,0 km². Situa-se ao leste do Estado de

São Paulo e localiza-se a 154 km do noroeste da cidade de São Paulo.

Faz divisa ao norte com Cordeirópolis e Araras; ao leste, com Artur

Nogueira, Engenheiro Coelho e Cosmópolis; ao sul, com Americana e Santa

Bárbara d'Oeste e a oeste, com Iracemápolis e Piracicaba.

É sede da Microrregião de Limeira integrada por oito municípios: Araras,

Leme, Limeira, Pirassununga, Cordeirópolis, Conchal, Santa Cruz da

Conceição e Iracemápolis.

Situa-se à margem de importantes troncos rodoviários e ferroviários que

ligam o estado de São Paulo a Minas Gerais e à Região Centro-Oeste do país,

além de destacado tronco ferroviário que escoa a produção do país desde a

Região Amazônica até o porto de Santos. Situa-se ainda, junto à Hidrovia

Tietê-Paraná, importante via que a liga aos estados do Sul do país e aos

países do Mercosul.

Sua população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística (IBGE) em 2008 era de 278.776 habitantes. Mais de 95% dos

habitantes de Limeira estão na área urbana. A densidade demográfica da

cidade é de 428,65 hab./km2. A mortalidade infantil (até 1 ano por mil) é de 9,5

e a expectativa de vida é de 72,57 anos. O IDH (Índice de Desenvolvimento

Humano) da cidade é de 0,814. A taxa de analfabetismo entre 10 e 14 anos, é

de 3,4%, e de 15 anos ou mais, 11,1%46.

45
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Limeira, Acesso em: 02 de novembro de 2008.
46
Fonte: PNAD/IBGE – 2005, Disponível em: http://www.todospelaeducacao.org.br/Numeros.a
spx?cidade=3526902&estado=SP&ano=2005&boletim=3&pesquisa=1&action=42, Acesso em:
02 de novembro de 2008.
94

Predomina-se o ramo industriário, que possui maior importância na

economia municipal, destaca-se nas áreas de metalurgia, metal-mecânica,

autopeças, vestuário, alimentos, cerâmica, papel e celulose, embalagens,

máquinas e implementos.

A economia rural destaca-se pelo cultivo de cana-de-açúcar e pela

produção de mudas cítricas.

Atualmente, o setor de jóias folheadas a ouro tem tido lugar de destaque

por sua grande importância para a cidade. A produção dessas empresas

responde por quase metade da produção do setor no Brasil e é exportada para

todo o mundo, atraindo compradores de vários locais.

O setor comercial da cidade conta com 4000 estabelecimentos

comerciais e 3000 prestadoras de serviços.

Possui um PIB de R$ R$ 4.171.214.000,00 (censo de 2005) e PIB per

capita de R$ 15.173,00.

A Prefeitura47 está subdividida em 17 secretarias municipais e 3

autarquias municipal.

As Secretarias são de Administração, Agricultura, Assuntos Jurídicos,

Cultura, Defesa Civil, Educação, Esportes, Fazenda, Governo e

Desenvolvimento, Habitação, Meio Ambiente, Obras e Serviços Urbanos,

Planejamento e Urbanismo, Segurança Municipal, Saúde, Turismo e Eventos, e

Transportes.

Autarquias: Centro de Promoção Social Municipal (CEPROSOM),

Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Limeira (SAAE) e Empresa de

Desenvolvimento de Limeira S/A (EMDEL).

47
Disponível em: http://www.limeira.sp.gov.br/file/, Acesso em: 02 de novembro de 2008.
95

É importante citar brevemente a autarquia CEPROSOM e a Secretaria

Municipal da Educação correlacionando-as ao assunto deste trabalho:

- CEPROSOM48: É diretamente ligado ao Fundo Social de Solidariedade,

presidido pela primeira dama do município, e tem como objetivo desenvolver

políticas de Assistência Social junto à população sócio-economicamente

carente do município.

Como missão, atender dignamente os munícipes através da política de

assistência adotada respeitando-os como cidadãos, integrando-os às políticas

setoriais.

Os programas desenvolvidos são voltados à criança, adolescente,

idosos em situação de risco social, mulheres e a família, através de projetos

que ofereçam chances de maior inclusão social a todos.

- Secretaria Municipal da Educação49: É administrada por um Secretário

Municipal, e é composta por 6 Diretorias (Centro Municipal de Estudos

Pedagógicos, da Vida Escolar, Técnico Administrativo, Planejamento, Merenda

Escolar, Gestão de Recursos Financeiros e Patrimoniais) e 4 Setores (Serviço

Social Escolar50, Protocolos, dos Agentes de Desenvolvimento Educacional, e

de Informática).

A rede municipais é composta 79 escolas, sendo 17 Centros Infantis

(CI), 7 Centros de Educação Infantil e Ensino Fundamental (CEIEF), 15 Escola

Municipal de Educação Infantil (EMEI) e 40 Escola Municipal de Educação

Infantil e Ensino Fundamental (EMEIEF).

48
Disponível em: http://www.limeira.sp.gov.br/secretarias/ceprosom/files/oque/index.htm,
Acesso em: 02 de novembro de 2008.
49
Dados consultados em: http://www.limeira.sp.gov.br/secretarias/sme/, Acesso em: 02 de
novembro de 2008.
50
O Setor de Serviço Social Escolar será abordado no próximo item - Trajetória do Serviço
Social na área da Educação no Município de Limeira/SP.
96

A cidade possui 30 escolas estaduais e 46 escolas particulares de

ensino. No âmbito do ensino superior, Limeira abriga um Câmpus da

Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde se localiza o Centro

Superior de Educação Tecnológica (CESET).

Para alunos de ensino médio, o município oferece, dentro do Câmpus da

UNICAMP, o COTIL (Colégio Técnico de Limeira) dirigido pela própria

UNICAMP que fornece cursos técnicos profissionalizantes.

Existem ainda mais escolas técnicas na cidade: a Escola Técnica

Estadual Trajano Camargo, mantida pelo Centro Estadual de Educação

Tecnológica Paula Souza e as instituições particulares Colégio Santo Antônio,

Colégio Einstein e Procotil.

E, algumas instituições particulares de ensino superior, como: Instituto

Superior de Ciências Aplicadas (ISCA), Faculdade Comunitária Anhanguera

Educacional (FAC), Universidade Paulista (UNIP), Faculdade de Administração

e Artes de Limeira (FAAL), Faculdades Integradas Einstein de Limeira (FIEL).

Após conhecermos brevemente sobre o Município de Limeira, e como é

tratada a Educação, abordaremos sobre a trajetória do Serviço Social na área

da Educação no Município de Limeira/SP.

3.1.1.1 Trajetória do Serviço Social na área da Educação no Município de

Limeira/SP

Neste item, abordaremos brevemente a trajetória do Serviço Social na

área da Educação Municipal de Limeira51. Há mais de 30 anos, o município de

51
Com base no texto disponível em: http://www.servicosocialescolar.com.br/textos.php. Acesso
em: 27 de outubro de 2008.
97

Limeira inseriu a prática profissional do Serviço Social na Educação Municipal

Pública, através da atuação em Creches, com crianças de 0 a 6 anos. Essas

eram vinculadas ao Centro de Promoção Social Municipal de Limeira

(CEPROSOM) - órgão responsável pela gestão da Política de Assistência

Social do Município.

Segundo o Setor de Serviço Social Escolar52, a trajetória histórica da

implantação deu-se com os primeiros atendimentos sociais nas Creches.

Fundamentou-se na concepção de que a escola não poderia se caracterizar

como mais um “depósito de crianças”. Houve estudos mais aprofundados sobre

o comportamento infantil e isso caracterizou um modelo diferenciado de creche

com relação aos cuidados da criança em todas as dimensões: biológica,

cognitiva, emocional e social.

A partir deste novo olhar, em 1994, aboliu-se a nomenclatura Creche,

considerando que o termo não contemplava a Educação Infantil passando,

então, para a denominação de Centro Infantil (CI).

Em 1997, em função da lei nº 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da

Educação Nacional (LDB), os CIs passam para a competência da Secretaria

Municipal da Educação. A equipe de Assistentes Sociais atuantes nos Centros

Infantis é transferida para área da Educação, compondo o Setor de Serviço

Social da Secretaria Municipal da Educação.

Na seqüência cronológica, em 1999, inicia-se a atuação de assistentes

sociais em Escolas de Educação Infantil (4 a 6 anos) e Ensino Fundamental (1ª

52
O setor de Serviço Social de Limeira afirma que o termo correto a ser utilizado é “Serviço
Social na área da Educação”, já que o campo de atuação destas profissionais extrapola os
limites escolares. Entretanto, após inúmeros debates e discussões, inclusive com o órgão
representativo da categoria – CRESS/SP optou-se pela utilização do termo “Serviço Social
Escolar”, o qual caracteriza este determinado setor no município, tornando-se um referencial
para população na área da Educação.
98

a 4ª séries). As mesmas profissionais que atuavam nos Centros Infantis

passaram a realizar atendimentos semanais nas escolas, intervindo em

problemáticas sociais emergenciais que interferiam no processo de ensino-

aprendizagem dos alunos.

Em 2000, o Serviço Social na Escola Municipal de Educação Infantil e

Ensino Fundamental é ampliado a partir do atendimento social nas unidades

escolares, com o objetivo de conquistar a cidadania do aluno e da família, e

promover um desempenho satisfatório e coerente na unidade de ensino e na

dinâmica familiar, contemplando a realidade do bairro e da escola.

De acordo com o Setor de Serviço Social Escolar, houve um impacto

muito grande e positivo na intervenção profissional o que deu oportunidade à

contratação de uma Assistente Social para trabalhar em período integral na

escola.

Atualmente, o Setor de Serviço Social Escolar conta com 35 assistentes

sociais e 8 estagiários. Todas as profissionais estão alocadas na Secretaria

Municipal da Educação. Desta forma, o setor não é responsável pela gestão

dos programas de assistência social. A gestão fica a cargo da autarquia

CEPROSOM – Centro de Promoção Social Municipal de Limeira.

Dos 35 profissionais, 4 atuam na sede do Setor53 (1 coordenadora e 3

assessoras), dos 8 estagiários, 3 deles ficam na sede.

Os demais assistentes sociais atuam na Unidade de Ensino de forma

descentralizada em 17 Centros Infantis, 17 Escolas Municipais de Educação

Infantil e Fundamental e em 04 Centros de Educação Infantil e Ensino

Fundamental (CEIEF – nova modalidade que atende crianças de 0 a 10 anos).


53
Na sede do Serviço Social Escolar, acontece assessoria técnica, reuniões com a equipe e
projetos, como também, um Plantão Central que diariamente atende famílias de alunos e
Diretores das unidades escolares que não possuem o técnico de Serviço Social em seu efetivo.
99

A prática profissional dos assistentes sociais é sócio-educativa, feita por

meio de orientações, encaminhamentos, atendimentos individuais e coletivos

junto às famílias dos alunos, funcionários e Professores. Sua intervenção se

pauta na defesa e garantia de direitos da criança/adolescente e suas famílias, a

fim de promover o pleno desenvolvimento do aluno na vida escolar e

comunitária.

Baseia-se nas legislações do Serviço Social, tais como: Política Nacional

de Assistência Social (PNAS) e ao Sistema Único de Assistência Social

(SUAS), juntamente com o órgão responsável pela Política Municipal de

Assistência Social, na construção de uma rede54 de serviços entre Educação,

Saúde e Assistência Social.

Objetivando uma gestão participativa, o Serviço Social Escolar

desenvolve atualmente 14 processos de trabalho por meio de comissões

descentralizadas e auto-gerenciadas. Os assistentes sociais se disponibilizam

a participar das comissões de acordo com suas habilidades/competências e

afinidades, podendo haver remanejamento sempre que necessário.

Os 14 processos55 são:

1. Bolsa Família: Assessoria ao Programa Bolsa Família como o envio

de informações referentes à freqüência escolar dos alunos matriculados na

rede, beneficiários do Programa.

2. Bolsa de Estudos: Processo de concessão de bolsa de estudos

(municipal) aos universitários residentes no município, conforme critérios

54
Segundo o Setor de Serviço Social Escolar de Limeira, a rede de atuação se consolida por
meio de reuniões periódicas entre os diversos atores envolvidos com os equipamentos de
prestação de serviços em todas as regiões do município.
55
Dados coletados do site: http://www.servicosocialescolar.com.br/textos.php.
100

estabelecidos pela Comissão de Bolsa de Estudos, composta pelas Assistentes

Sociais do setor e regulamentado por Decreto Municipal.

3. Formação continuada: Formação continuada destinada à equipe de

técnicos de Serviço Social com temáticas pertinentes ao enriquecimento do

trabalho profissional.

4. Projeto InterAção: Sede: Reuniões periódicas entre o Serviço Social

Escolar, Centro Municipal de Estudos Pedagógicos (CEMEP), Agentes de

Desenvolvimento Educacional (ADEs) e Diretoria Pedagógica visando à

integração dos setores da Secretaria Municipal da Educação. Unidades

Escolares: Integração entre direção escolar, coordenador pedagógico, técnico

de nutrição, Assistente Social, representante de funcionários e monitores da

saúde.

5. Reunião de pais: Realizadas nas unidades escolares com pais,

direção escolar e Assistente Social para discussão de assuntos

educacionais.

6. Plantão Social: Desenvolvido nas unidades escolares com

agendamento prévio e a fim de garantir a qualidade do atendimento às famílias,

realizado diariamente na Sede do Serviço Social.

7. Reunião de equipe técnica: Realizada todas às sextas-feiras,

subdivididas em: reunião geral e reunião de comissões, espaço que favorece a

integração, a comunicação, repasse e troca de informações, com

aprimoramento contínuo.

8. Visitas domiciliares: As visitas são avaliadas pelas assistentes sociais

das unidades escolares, junto às famílias dos alunos sempre que necessárias.

Assistentes sociais e estagiárias da Sede também realizam visitas aos


101

funcionários públicos que atuam em escolas, afastados para acompanhamento

familiar e emissão de parecer técnico ao setor de Recursos Humanos da

Prefeitura.

9. Projeto “Família e Escola”: Ações desenvolvidas junto às famílias dos

alunos matriculados na rede. Destaque ao PROJETO FAMILIANDO que

atende 150 mães de alunos por meio de encontros semanais, atividades de

lazer, de cultura e de geração de renda.

10. Projeto “Educação”: PAC (Processo de Aprendizagem Contínua)

Ocorre mensalmente nos Centros Infantis, destinados aos funcionários, em

datas pré-estabelecidas no calendário escolar. São realizadas palestras,

dinâmicas, oficinas e demais atividades que oportunizam a reflexão e o

aprimoramento do trabalho junto à comunidade escolar.

PEC (Processo de Estudos Coletivos): Seis encontros interativos ao ano

com a equipe escolar. Realizado nas Escolas de Educação Infantil e Ensino

Fundamental, são discutidos temas reflexivos pertinentes à realidade escolar.

11. Projeto “Promoção da Saúde”: Formação em primeiros socorros e

demais temas da saúde infantil aos monitores de Centros Infantis e inspetores

de alunos das unidades escolares, por meio de parceria com uma cooperativa

de profissionais da área da saúde (POLISAÚDE). Nos Centros Infantis o

projeto conta com um médico pediatra da rede pública que realiza visitas

mensais para orientação e atendimento.

12. Monitoramento de dados: Visa acompanhar e avaliar todos os

processos de forma quantitativa e qualitativa, buscando o aprimoramento

contínuo das ações.


102

13. Parcerias: Desenvolvimento de cursos e palestras às instituições

parceiras: Posto de Atendimento ao Trabalhador – PAT (Projeto Time de

Emprego); Aprimoramento da Guarda Municipal (Matriz curricular:

Comunicação, Relacionamento Interpessoal e Motivação); Gestão de Pessoas

(estagiários de outros setores da Secretaria da Educação). Palestras:

Patrulheiros, APAE, UNIMED, ARIL, Escolas Estaduais.

14. Participação em Conselhos: CMAS – Conselho Municipal de

Assistência Social; CMDCA – Cons. Mun. De Direitos da Criança e

Adolescente; COMEN – Conselho Municipal de Entorpecentes; CME –

Conselho Municipal de Educação; CMDPD – Conselho Municipal de Direitos da

Pessoa Deficiente; Comissão de Erradicação do Trabalho Infantil; Comissão de

Prevenção de Deficiências Física, Mental e Sensorial.

Além desses processos, anualmente o Serviço Social Escolar é

responsável pela realização da Semana Integrada de Serviço Social de Limeira

e realiza o Encontro Estadual de Serviço Social na área da Educação. Este ano

aconteceu sua 4ª edição.

Percebe-se que a trajetória histórica da inserção do Serviço Social na

área da Educação não é contemporânea, buscou-se atender às Leis, assim

que foram impostas, coisa que muitos municípios não o fazem.

Desta maneira, continua na busca de atender à demanda existente no

município através de um trabalho totalmente novo que foi e está sendo

construído conforme às necessidades e aos desafios encontrados.

Sem dúvidas o Município de Limeira é um referencial nacional técnico,

científico e político em Serviço Social Escolar, através de suas práticas sócio-

educativas-assistenciais destinadas à comunidade escolar e outros segmentos.


103

O município de Americana, o qual abordaremos no próximo item, deve

conhecer detalhadamente os trâmites legais de como se deu a implantação em

Limeira, como é a prática profissional do Serviço Social nesta área, quais os

avanços, desafios e ganhos para, enfim, inserir Assistentes Sociais na

realidade sócio-educacional de suas Escolas Municipais Públicas atendendo a

legislação vigente.

3.1.2 Município de Americana/SP

O município de Americana56, foi fundada em 27 de agosto de 1875,

possui uma área territorial de 134 km2. Está localizada na região centro-leste

do estado de São Paulo, Região Sudeste do Brasil, a 124 km da Capital

Paulista e está inserido na Região Metropolitana de Campinas (RMC),

juntamente com mais 18 cidades: Artur Nogueira, Campinas, Cosmópolis,

Engenheiro Coelho, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, Jaguarirúna,

Monte Mor, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santa Bárbara d’Oeste, Santo

Antônio de Posse, Sumaré, Valinos e Vinhedo.

Americana tem como municípios vizinhos: Cosmópolis, Limeira, Nova

Odessa, Paulínia e Santa Bárbara d’Oeste.

Sua população estimada pelo IBGE em 2008 era de 203.283 habitantes

contra 199.094 habitantes em 2007, indicando um crescimento populacional de

2,1%. O percentual de homens e mulheres na população de Americana é de

49% e 51% respectivamente. A grande maioria da população está na região


56
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Americana, Acesso em: 02 de novembro de 2008.
104

urbana (99,5%). A densidade demográfica é de 1.497,06 hab./km 2. A

mortalidade infantil na cidade é de 13,62 (até 1 ano por mil) e a expectativa de

vida é de 72,46 anos. A taxa de analfabetismo, entre 10 e 14 anos, é de 3,1%,

e de 15 ou mais, 10,0%57.

A cidade destaca-se por sua qualidade de vida, sendo a 19º colocada

em IDH do estado de São Paulo, e a 59º do Brasil, além de ser a cidade com a

menor taxa de mortalidade infantil do estado de São Paulo e a cidade com

menor taxa de homicídios da Região Metropolitana de Campinas.

Atualmente, a cidade é foco de investimento nacional e internacional. A

mão-de obra qualificada em diversos setores propiciou ao município ser um

dos pólos fabricantes de tecidos planos de fibras artificiais e sintéticas da

América Latina. Americana é a 72ª cidade mais rica do Brasil e a 4ª mais rica

da Região Metropolitana de Campinas, com um PIB de R$ R$

4.318.740.000,00 (censo de 2005) e PIB per capita de R$ 21.528,00.

A Prefeitura58 está subdividida em 19 secretarias municipais:

Administração, Cultura e Turismo, Departamento de Água e Esgoto (DAE),

Desenvolvimento Econômico, Educação, Esportes, Fazenda, Fundação de

Saúde de Americana (FUSAME), Gabinete do Prefeito, Guarda Armada

Municipal de Americana (GAMA), Governo, Habitação, Jurídico, Meio

Ambiente, Obras, Planejamento, Promoção Social, Saúde, e Transportes.

Consideramos importante citar-se com brevidade a Secretaria de

Promoção Social e Secretaria Municipal de Educação:

57
Fonte: PNAD/IBGE – 2005, Disponível em: http://www.todospelaeducacao.org.br/Numeros.
.aspx?cidade=3501608&=SP&ano=2007&boletim=3&pesquisa=1&action=42, Acesso em: 02
de novembro de 2008.
58
Disponível em: http://devel.americana.sp.gov.br/americanaV5/americanaEsmv5_Index.php,
Acesso em: 02 de novembro de 2008.
105

- Secretaria de Promoção Social: É administrada por uma Secretária

Assistente Social. Tem como atribuições consolidar e implementar o Sistema

Único da Assistência Social (SUAS) no município, através da

formulação,coordenação e execução de políticas para efetivação de uma rede

de controle e proteção social,viabilizada por programas e projetos que definem

ações e formas de acompanhamento, monitoramento e avaliação dentro de

uma territorialidade intra-urbana. Possui 6 Centros de Referência da

Assistência Social (CRAS) e 1 Centro de Referência Especializado na

Assistência Social (CREAS).

- Secretaria Municipal de Educação: É administrada por um Secretário

Municipal. Tem como atribuições supervisionar e executar políticas e

programas definidos pelo município na área educacional.

A rede municipal de ensino atualmente é composta 57 escolas, sendo 5

creches, 22 Escolas Municipal Ensino Infantil (EMEI), 14 Casas da Criança, 1

Educação Especial e 10 Escolas Municipal de Ensino Fundamental, sendo 6

Centros Integrado de Educação Pública (CIEP), 3 Escolas de Municipais de

Ensino Fundamental (EMEF) e 1 Centro de Atendimento Integral à Criança

(CAIC).

Há também Educação de Jovens e Adultos (EJA), um Centro Municipal

de Educação do Autista “Tempo de Viver”, Centro de Formação dos

Educadores do Município (CEFEM), Casa do Conto e Unidade de Assistência

ao Educando

Já a rede estadual de ensino tem aproximadamente 38 escolas

estaduais de Ensino Fundamental e Ensino Médio, um centro estadual de


106

ensino Supletivo (Ceesa) e um Centro Estadual de Educação Tecnológica

Paula Souza (ETE Polivalente).

As escolas particulares são 9 de Ensino Fundamental e Ensino Médio,

35 de Educação Infantil e duas de Educação Especial.

As escolas públicas e particulares de Ensino Técnico Profissionalizante

são 10: Politec, Colégio Bandeirantes, Colégio D. Pedro II, Serviço Nacional de

Aprendizado Industrial (SENAI), Serviço Social da Indústria (SESI), Centro de

Capacitação Profissional (CECAP), Dom Bosco, Faculdade de Tecnologia de

Americana (FATEC), Colégio Antares, Colégio Anglo Campinas - Unidade

Americana.

Já as de Ensino Superior são 4: Centro Universitário Salesiano de São

Paulo (UNISAL), FATEC, Faculdade de Americana (FAM) e Instituto de Ensino

Superior de Americana (IESA).

Após os breves conhecimentos sobre o Município de Americana, e como

é trabalhada a Educação, evidenciaremos os Desafios para a implantação do

Serviço Social na área da Educação em Americana/SP.

3.1.2.1 Desafios para a implantação do Serviço Social na área da

Educação em Americana/SP

Na contemporaneidade, a Educação Escolar Pública brasileira não é

mais um cenário somente de ensino-aprendizado, e sim, de índices

preocupantes de repetência escolar, de evasão escolar, de deficiência no

processo de aprendizagem, de gravidez precoce, drogadição/alcoolismo e de


107

violências diversas, dentre outros inseridos nas expressões da questão social,

resultados do sistema neoliberal capitalista.

O município de Americana, também, encontra esse cenário no interior de

suas 10 escolas de Ensino Fundamental, e este, é assistido e/ou vivenciado

aproximadamente por 6.593 crianças e adolescentes matriculados59.

Para amenizar e/ou até mesmo mudar o atual cenário, alguns municípios

inseriram profissionais do Serviço Social em suas escolas municipais para

trabalhar com as diversas expressões da questão social60. Como referência

nacional, e bem próximo, temos o município de Limeira – já abordado

anteriormente.

Em Americana, a questão do Serviço Social na Educação Escolar

municipal começou a ser discutida em 2003, através do Projeto de Lei nº

220/2003, apresentada à Câmara de Vereadores pelo vereador Davi

Gonçalves Ramos. Este, em 15 de dezembro de 2003, foi aprovado,

sancionado pelo Prefeito Sr. Erich Hetzl Junior, através da Lei municipal nº

3.950, que Institui o Serviço Social Escolar nas Escolas Municipais de

Americana.

Segundo artigo de MOREIRA e PENATTI (2008)61, no ano seguinte,

2004, vários Assistentes Sociais se uniram e criaram a Comissão Pró-Serviço

Social Escolar, com o objetivo de acompanhar a implantação da lei, os mesmos

Assistentes Sociais reuniram-se com a coordenação do curso de Serviço Social

59
Dado extraído do artigo “Caracterização da Rede Municipal de Americana”, disponível em
http://www.seamericana.com.br/escolas/index.php?blog=57&cat=769. Acessado em 23 de julho
de 2008.
60
Este é abordado detalhadamente no capítulo 2, com detalhes sobre o Serviço Social no
campo Educacional, quais municípios do estado de São Paulo já implantaram e quais as
práticas profissionais que o Assistente Social na Educação Escolar deve realizar, dentre outros.
61
MOREIRA, Jaqueline Priscila Gonçalves; PENATTI, Neusa Maria Ferraz Costa. Artigo: A
Educação e o Serviço Social em Americana. 03 de junho de 2008. Disponível em
www.unisal.br/noticias.
108

do Centro Universitário Salesiano de São Paulo – UNISAL, Americana,

organizaram e realizaram em março de 2004, o I Fórum de Serviço Social

Escolar de Americana e Região, com o objetivo de debater com autoridades,

profissionais, estudantes, educadores e outros segmentos o Serviço Social no

âmbito escolar.

Porém, nesse ano nada de concreto, por parte da Prefeitura, foi

realizado.

Em 2005, para incentivar a implantação por parte da Prefeitura, o Centro

UNISAL, ofereceu aos Assistentes Sociais e estudantes interessados pela

questão, o Tópico Avançado62 de Serviço Social Escolar, ministrado pela Profª.

Mst. Neusa M. Ferraz Costa Penatti.

Como resultado da capacitação, foi realizada uma pesquisa nas escolas

municipais de Americana pelas alunas.

E, a Comissão Pró-Serviço Social Escolar solicitou que o Curso criasse

um Núcleo de Estudos e Pesquisas em Serviço Social (NEPSS) para dar

prosseguimento ao objetivo inicial da pesquisa; aprovado pelo Colegiado de

Curso e com a participação do Prof. Luis Antonio Groppo. Em 2006, foi

divulgado aos demais profissionais a criação do NEPSS, cuja primeira ação

seria sistematizar a pesquisa realizada pelas profissionais e alunos da

disciplina.

Segundo o mesmo artigo, desse trabalho foi elaborado o artigo

"Expressões da Questão Social no Espaço Escolar do Ensino Fundamental de

Americana/SP"63, assinado pelos Professores Neusa Maria Ferraz Costa

62
Capacitação específica em que o discente de Serviço Social escolhe um tema de seu
interesse, dentre outros, para especializar-se durante um ano, cumprindo uma carga horária de
72 horas.
63
Este artigo está publicado na Revista de Ciências da Educação, ano IX – no. 16 – 1º.
Semestre/2007-Americana/SP.
109

Penatti e Luis Antonio Groppo e pelas Assistentes Sociais Maria do Carmo

Bazo, Raquel Costa de Oliveira, Ilza Luiz dos Santos Camargo, Cássia Ribeiro

da Costa, Eliane Aparecida Araújo de Oliveira, Lourdes de Fátima Barrado

Alves e Tânia Andrade que enfatiza a relação escola/família, a relação

escola/comunidade e diversas manifestações da violência, a partir do relato de

Professores, funcionários e Diretores das escolas, como também de alunos,

familiares e moradores no entorno das escolas.

Em 2007, montou-se uma turma de discentes de Serviço Social para o

Tópico Avançado em Serviço Social Escolar, ministrado pela mesma Profª Mst.

Neusa e dentre as discentes, esteve a autora deste trabalho.

Neste período de 2004 a 2007, a Comissão Pró-Serviço Social Escolar e

o Curso de Serviço Social realizaram várias ações visando à implantação da

lei, como: reuniões com o gestor público, elaboração de um projeto de

intervenção pela Comissão, visitas ao município de Limeira, palestras com

Secretário Municipal de Educação de Itatiba, de Assistentes Sociais de Limeira

e Itatiba nas Semanas de Curso do Serviço Social, entre outras. E assim,

vários trabalhos de conclusão de curso têm sido realizados pelos alunos.

Nesse ano, por solicitação dos alunos foi realizado uma mesa de debate

com a Assistente Social Eliana Bolorino Canteiro Martins, mestre e doutora em

Serviço Social na área da Educação e explanação das experiências atuais de

Limeira e Itatiba.

Vimos que desde a aprovação da Lei nº 3.950, de 2003, o Centro

UNISAL, discentes de Serviço Social e Assistentes Sociais vêm

constantemente desafiando o poder público na implantação do Serviço Social

nas escolas municipais de Americana, e como mais um desafio recente, este


110

Trabalho de Conclusão de Curso que, para contemplar o objetivo geral do

projeto, objetivos específicos e a problematização, ensejando verificar os

desafios para a implantação da Lei por parte do poder público, foi entrevistado

o Gestor Público de Educação, na pessoa do Secretário Municipal da

Educação.

Ficou claramente comprovado que o principal desafio é meramente de

vontade política na decisão de qual lugar os profissionais contratados ficarão

alocados: Secretaria Municipal de Educação ou Secretaria de Promoção

Social?

E, está explícito que o atual gestor público conhece superficialmente a

função do Assistente Social na área Educacional e desconhece os ganhos para

a Educação após a inserção do Serviço Social.

Nos próximos itens, descreveremos os procedimentos metodológicos da

Pesquisa de Campo, bem como analisaremos e interpretaremos os dados

coletados através da entrevista com o gestor, com os Diretores e Professores

das escolas Municipais de Americana, contemplando os desafios para a

implantação do Serviço Social na área da Educação municipal.

3.2 Procedimentos Metodológicos da Pesquisa de Campo

Após a conclusão do estudo bibliográfico sobre o tema abordado,

elaboramos e utilizamos questionários com perguntas fechadas e abertas

(quanti-qualitativas) como técnica de coletas de dados provedores de respostas

que contemplassem a problematização apresentada no projeto de pesquisa.


111

É importante ressaltar que usamos perguntas fechadas para demonstrar

em gráficos os resultados obtidos, e perguntas abertas com o objetivo de

aprofundar nas respostas dos entrevistados, conforme segue:

- Assistentes Sociais de Limeira

Sendo assim, para aprofundar conhecimentos de como está se

desenvolvendo o Serviço Social nas escolas municipais de Limeira, e para

analisar se a ausência do Assistente Social é um fator para a não percepção

dos profissionais da Educação sobre as dificuldades entre aluno/Professor,

foram enviados via correio64 no dia 1º de setembro de 2008, 12 questionários

ao Setor de Serviço Social Escolar de Limeira para serem entregues e

respondidos pelo universo de profissionais, ou seja, 12 Assistentes Sociais que

atuam no Ensino Fundamental l e II.

Os Assistentes Sociais de Limeira são identificados por nome de pedras

preciosas.

- Diretores de Limeira

Para analisar se a ausência do Assistente Social colabora para a não

percepção dos profissionais da Educação nas dificuldades entre

educador/educando, foram enviados juntamente com os questionários das

Assistentes Sociais de Limeira, 17 questionários para os 17 Diretores das

Escolas Municipais de Educação Fundamental em que há atuação dos

Assistentes Sociais – universo de 100%.

Os Diretores são identificados por nome de flores, também, já atribuídos

em seu questionário.

64
A pesquisadora optou em aplicar os questionários através de entrevista pessoalmente aos
profissionais de Limeira. Por serem muitos, o Setor de Serviço Social Escolar de Limeira
preferiu que os questionários, demonstrados no apêndice, fossem enviados via correio, sendo
da responsabilidade do setor a entrega e recolhimento dos mesmos. O número de Assistentes
Sociais e Diretores foram informados pelo mesmo setor em agosto de 2008.
112

Os respectivos questionários foram devolvidos no início do mês de

outubro, foram respondidos por 6 Assistentes Sociais, correspondendo a uma

amostragem de 50% e por 7 Diretores, uma amostragem de 41%.

- Gestor Público de Educação de Americana

O início da coleta dos dados deu-se por meio de uma entrevista direta

pela pesquisadora com o Gestor Público de Educação, na pessoa do

Secretário Municipal de Educação de Americana, agendada antecipadamente e

ocorreu no dia 13 de agosto.

O objetivo principal da entrevista foi de verificar a regulamentação da

Lei.

- Diretores e Professores de Americana

Para análise do conhecimento que os profissionais da Educação de

Americana têm em relação ao Serviço Social no campo Escolar e quais as

principais dificuldades encontradas na escola, foram entregues ao universo de

Diretores (7 mulheres e 3 homens) das escolas municipais de Ensino

Fundamental um questionário, e 4 para serem respondidos por 4 Professores

da unidade escolar que tiverem interesse, correspondo a uma amostragem de

12%, do universo de 33265 Professores da rede municipal de Ensino

Fundamental das seguintes escolas66:

1. CAIC Prof. Silvino Chinelatto, bairro Jardim da Paz, 696 alunos

matriculados;

2. CIEP Prof. Milton Santos, Praia Azul, 495 alunos;

3. CIEP Prof. Oniva de Moura Brizola, Zanaga, 704 alunos;

65
Dado coletado na Secretaria Municipal de Educação de Americana, em 28 de outubro de
2008.
66
Nomes das escolas extraído do site: www.seamericana.com.br e números de
matriculados informados pela secretaria de cada escola.
113

4. CIEP Prof. Anisio Spínola Teixeira, São Jerônimo, 830 alunos;

5. CIEP. Prof. Octávio César Borghi, Cidade Jardim, 450 alunos;

6. CIEP. Prof. Philomena M. M. Rossetti, São Vito, 370 alunos;

7. CIEP.Profª. Maria Nilde Mascellani, Jaguari, 426 alunos;

8. EMEF Darcy Ribeiro, Jardim da Paz, 690 alunos;

9. EMEF Prof. Florestan Fernandes, Morada do Sol, 1000 alunos;

10. EMEF Prof. Paulo Freire, Novo Mundo, 1000 alunos.

O primeiro contato da pesquisadora com os Diretores aconteceu por

telefone, no início do mês de agosto de 2008. Foi explicado sobre o Trabalho

de Conclusão de Curso, aplicação da pesquisa e ética profissional, e agendou-

se a data e horário para ser recebida pelos Diretores nas escolas citadas

anteriormente.

Nas duas primeiras visitas a pesquisadora entrevistou pessoalmente os

Diretores e 4 Professores de cada unidade, porém, a partir da terceira escola,

sentiu-se dificuldades em seguir a metodologia traçada, e passou-se a deixar

os questionários em cada unidade e recolhê-los posteriormente.

Inicialmente houve muita resistência de três Diretoras, porém com a

insistência da pesquisadora as mesmas cederam e colaboraram com a

pesquisa. Dessas três, a pesquisadora não conseguiu conversar pessoalmente

com uma.

A devolução de todos os 50 questionários (10 Diretores e 40

Professores67 – 4 de cada unidade) respondidos foram entregues na primeira

quinzena do mês de setembro.

67
Optamos pelo total de 40 Professores para o resultado da pesquisa, que buscou verificar o
conhecimento que os Professores têm sobre o Serviço Social na Educação Escolar e quais as
dificuldades que os mesmos encontram nas escolas, ser mais legítimo cientificamente e
politicamente.
114

Na pesquisa, os Diretores foram identificados por disciplinas escolares e

os Professores por materiais escolares ou assuntos abordados na escola, isso

para garantir o sigilo profissional e a autenticidade das respostas. As

identificações foram atribuídas pela pesquisadora.

- Assistentes Sociais da Pró-Comissão do Serviço Social Escolar de

Americana e ex-alunos que moram em Americana e cursaram o Tópico

Avançado de Serviço Social Escolar em 2005 e 2007

Para saber se a ausência de articulação entre profissionais de Serviço

Social e da Educação levam à morosidade na regulamentação da Lei em

Americana, nos meses de agosto, setembro e outubro, foram enviados

eletronicamente questionários às Assistentes Sociais que fazem parte da Pró-

Comissão do Serviço Social Escolar de Americana e ex-alunos que moram em

Americana e cursaram o Tópico Avançado de Serviço Social Escolar em 2005

e 200768, porém, já na devolutiva, comprovou-se que a categoria é totalmente

desarticulada.

Do universo de 4 Assistentes Sociais da Pró-Comissão do Serviço Social

Escolar, a pesquisadora recebeu apenas 1 resposta. Dos 13 ex-alunos de

2005, recebeu 9 respostas, sendo, 7 com o questionário, 1 que não mora mais

em Americana e 1 de e-mail inexistente. Já dos 6 ex-alunos de 2007, não

obtive nenhum retorno.

Para contribuir com a devolutiva, a docente do Tópico Avançado enviou

um e-mail pedindo a colaboração, a pesquisadora enviou mais três vezes o

68
A docente do Tópico Avançado em Serviço Social Escolar entregou uma lista contendo os
nomes dos alunos que o cursaram. Com seu auxílio, de outra docente e alguns alunos, foi
verificado quem morou ou mora em Americana e seus respectivos e-mails de contato ou
telefone.
115

mesmo e-mail, entrou em contato por telefone com duas Assistentes Sociais, e

mesmo assim não obteve respostas.

A amostragem, será de 8 questionários (1 da Assistente Social e 7 dos

ex-alunos), correspondendo 35% do universo pesquisado. Estes são

identificados por cores

O resultado da entrevista com o Gestor Público de Educação será

desenvolvido permeando os eixos das análises.

As análises e interpretações dos resultados serão, a seguir, detalhados

conforme os eixos citados.

3.3 Análise e Interpretação dos Dados Coletados

Neste item, apresentaremos os dados coletados na pesquisa69 realizada

de agosto a outubro de 2008, com os 6 Assistentes Sociais que atuam na

Educação Municipal Pública de Limeira, 7 Diretores da Educação Municipal

Pública de Limeira, Gestor Público de Educação de Americana, 10 Diretores da

Educação Municipal Pública de Americana, 40 Professores Educação

Municipal Pública de Americana e com 8 Assistentes Sociais da Pró-Comissão

do Serviço Social Escolar de Americana e ex-alunos que moram em Americana

e cursaram o Tópico Avançado de Serviço Social Escolar em 2005 e 2007.

Os dados foram analisados tanto quantitativamente quanto

qualitativamente e são demonstrados em porcentagem por tabelas e gráficos,

interpretações e descrições dos relatos.

Segundo Chizzoti (2000),

69
Os questionários utilizados para a coleta dos dados pesquisados e que, são demonstrados
neste capítulo, estão nos apêndices deste trabalho.
116

[...] Quantificar os dados significa mensurar variáveis estabelecidas,


procurando verificar e explicar sua influência sobre outras variáveis,
através de análise de freqüência e correlações estatísticas. Nesse
modelo, através da matematização, estatística e probabilidade, o
pesquisador descreve (os dados), explica (através da freqüência e
correlação) e prediz (a partir de análise dos dados já existentes).
(apud GROPPO e MARTINS, 2007, p. 103).

Já na pesquisa qualitativa,
o pesquisador participa, compreende e interpreta. Cada caso é tido
como único, particular e não-repetível. [...] a análise qualitativa toma
estes dados como parte de um contexto fluente de relações, não
apenas como coisas isoladas ou acontecimentos fixos captados num
instante de observação. Os dados não se restringem ao aparente,
mas contém ao mesmo tempo revelações e ocultamentos. Dá-se
importância tanto ao conteúdo manifesto das ações e falas, quanto ao
que é latente ou ocultado. (op. cit., 106, grifo dos autores).

Com base nessas definições, segue as análises e interpretações dos

dados coletados.

3.3.1 Assistentes Sociais de Limeira

Dos 12 questionários de pesquisa enviados ao Setor de Serviço Social

para os Assistentes Sociais que atuam nas Escolas de Ensino Fundamental

responderem, obtivemos retorno de 6, correspondendo a uma amostragem de

50%.

Assim, seguem os dados coletados e analisados:

Tabela 01: Gênero dos Assistentes Gráfico 01


Sociais pesquisados de Limeira

GêneroQtde.%Feminino
6100%Masculino00%Total 61

Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos


meses de agosto a outubro de 2008.
117

A tabela e gráfico 01 mostram que todos os entrevistados são mulheres,

reforçando que a profissão de Serviço Social é uma das profissões mais

feminina que existe no mundo.

Tabela 02: Faixa etária Gráfico 02

IdadeQtde.%31 a 40 anos116,7%41
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
a 50 anos350,0%51 a 60 meses de agosto a outubro de 2008.
anos116,7%não
informou116,7%Total 6100%

A tabela e gráfico 02 correspondem à faixa etária das Assistentes

Sociais entrevistadas, sendo que 50% estão entre 41 e 50 anos. É importante

realçar que o Serviço Social na área Escolar está retornando recentemente

como espaço sócio-ocupacional e tem profissionais formados em períodos

anteriores e, que, assumiram este novo desafio.

Tabela 03: Tempo de atuação Gráfico 03


como Assistente Social

Tempo de atuação
como Assistente SocialQtde.%01 a
05 anos350%06 a 10 anos233%20
anos117%Total 6100% Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.
118

Na amostragem da tabela e gráfico 03, demonstra-se que 50% das

entrevistadas possuem de 1 a 5 anos de atuação como Assistente Social,

fazendo a análise junto com a tabela e gráfico 02, essa mesma porcentagem

corresponde à faixa etária de idade das profissionais. Entende-se que a

escolha pela profissão aconteceu após terem mais experiência de vida pessoal

e social.

Tabela 04: Tempo de atuação Gráfico 04


na Educação

Tempo de atuação
na EducaçãoQtde.%6 meses a 5
anos583%6 a 10 anos117%Total
6100% Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.

A tabela e gráfico 04 apontam que 83% das entrevistadas atuam na

Educação entre 6 meses a 5 anos.

Tabela 05: Ouviram e/ou estudaram Gráfico 05


sobre Serviço Social na Educação
antes da inserção nessa área

Já ouviram e/ou
estudaram sobre
Serviço Social na
Educação antes da Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
inserção nesta áreaQtde. meses de agosto a outubro de 2008.
%Sim233%Não467%Total 6100%
119

Através da tabela e gráfico 05, comprova-se que o Serviço Social na

área da Educação não foi, e continua não sendo tão divulgado, 67% das

Assistentes Sociais não ouviram e/ou estudaram sobre o tema em questão em

sua formação acadêmica.

Ao analisar as tabelas e gráficos 03 e 04 percebe-se que este é um

campo novo de atuação e que está sendo explorado por Assistentes Sociais

com 83% de atuação profissional de até 10 anos, e 100% dos profissionais

com menos de 10 anos na Educação.

Tabela 06: Opinião sobre Gráfico 06


Educação Pública de Limeira

Opinião sobre
Educação
Pública de LimeiraQtde. Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.
%Ótima350%Boa233%Regular117%
Ruim00%Total6100%

Para as Assistentes Sociais entrevistadas, na tabela e gráfico 06, 50%

consideram a Educação Pública Ótima, a outra metade considera boa e

regular.

Abordamos, a seguir, os pontos necessários para melhorar mais a

Educação Pública de Limeira citados pelas Assistentes Sociais: aumento do

número de psicólogos na rede de ensino para trabalhar em parceria, maior

qualificação profissional dos Professores e educandos, gestão mais

democrática, comprometimento dos profissionais da Educação para com um

trabalho mais entrosado e acolhedor e que respeite as diferenças individuais.


120

Percebe-se que todos os pontos citados estão relacionados à prática

profissional dos educadores que atuam dentro da Escola.

Tabela 07: Relacionamento Gráfico 07


do Assistente Social com o aluno

Relacionamento do
Assistente Social
com o alunoQtde.
%Ótimo467%
Ó B
Bom233% R
Regular00% Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.
R
Ruim00% T
Total 6100%
T

A tabela e gráfico 07 apontam que 67% das Assistentes Sociais

entrevistados consideram ótimo seu relacionamento com o aluno e 33%

considera bom.

Tabela 08: Relacionamento do Gráfico 08


Assistente Social com profissionais
da Educação

Relacionamento do
Assistente Social
com profissionais da
EducaçãoQtde. Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
%Ótimo350%
Ó B
Bom233% Regular117 meses de agosto a outubro de 2008.
%Ruim00%
R Total 6100%
T

Já no seu relacionamento com os profissionais da Educação, na tabela e

gráfico 08, 50% consideram ótimo e 50%, bom e regular.


121

Nota-se que mais de 50% das Assistentes Sociais têm uma relação

ótima com os alunos e profissionais da Educação, o ótimo relacionamento

alavanca motivações para continuar e realizar um trabalho bem feito.

Todas as entrevistadas citaram suas motivações em trabalhar na área

da Educação, a Assistente Social Zafira (41 anos) enfatiza que suas

motivações estão na liberdade/democracia que tem com a Direção do Serviço

Social Escolar e a confiança da Unidade de Ensino.

Já a Assistente Social Cristal, respondeu:

“Um campo inovador e que as questões sociais vem


atingindo de forma relevante, desta forma, o Serviço Social
vem contribuir em suas diversas dimensões interventivas
para uma melhoria educacional”. (Cristal, 33 anos).

As Assistentes Sociais Diamante (46 anos) e Ametista (51 anos)

destacam que suas motivações acontecem quando o trabalho executado

dentro de sua complexidade dá resultado e garante as necessidades dos

atendidos.

Percebe-se que suas motivações estão relacionadas com a luta do

Serviço Social na conquista dos Direitos Sociais àqueles que por si só não

conseguem a conquista.

Tabela 09: Principais dificuldades encontradas nas escolas de Limeira

Principais dificuldades encontradas na escola Qtde. %


Deficiência no aprendizado do aluno 5 20%
Relacionamento com profissionais da escola 4 16%
Desinteresse do aluno 3 12%
Trazer a família para a escola 3 12%
Violência 3 12%
Outras 3 12%
Evasão Escolar 2 8%
Alcoolismo/Drogadição 1 4%
Gravidez na Adolescência 1 4%
Total 25 100%
Obs.: O número de resposta é maior por existir mais de uma dificuldade apresentada.
122

Gráfico 09

Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos meses de agosto a outubro de 2008.

A tabela e o gráfico 09 simbolizam o número das principais dificuldades

que o Serviço Social encontra na escola e que afeta o processo de ensino-

aprendizado do educando. São problemas sociais que fazem parte das

expressões da questão social decorrente do sistema capitalista neoliberal em

que vivemos.

Segundo o CFESS,

Os inúmeros problemas sociais que atingem os alunos, mormente


aqueles que freqüentam as escolas públicas, provocam, sem dúvida,
a chamada evasão escolar; um baixo rendimento; desinteresse pelo
aprendizado; problemas com disciplina; insubordinação a qualquer
limite ou regra escolar; vulnerabilidade a drogas; atitudes e
comportamentos agressivos e violentos. (CFESS, 2001, p. 22).
123

Sendo assim, as dificuldades encontradas pelos entrevistados

correspondem, 20% da Deficiência no aprendizado do aluno, 16% a Dificuldade

de relacionamento com outros profissionais da escola, 12% Desinteresse do

aluno, Dificuldade de trazer a família para a escola, Violência, 8% de evasão

escolar, 4% de alcoolismo/drogadição e Gravidez na Adolescência.

É relevante citar os 12% das dificuldades assinaladas como outros:

aplicação da legislação, falta de respaldo dos especialistas que atenderam aos

alunos encaminhados, falta de profissionais como fonoaudiólogo, psicólogos e

psicanalistas.

A primeira dificuldade está na deficiência no aprendizado do aluno que

necessita de uma triagem social para detectar se é resultante da conjuntura

sócio-econômica familiar ou psico-pedagógica.

Percebe-se que a segunda maior dificuldade, com 16%, não estão

relacionadas aos educandos, e sim, no relacionamento entre os próprios

funcionários da escola.

Além de trabalhar com as expressões da questão social, o Serviço

Social Escolar de Limeira também trabalha com as dificuldades entre os

funcionários da escola, objetivando mediar o entendimento entre eles para que

haja maior entrosamento e resultado positivo na prática profissional e melhor

acolhimento dos alunos70.

Para conhecermos como é realizada a prática profissional dos

Assistentes Sociais, questionamos como o Serviço Social costuma enfrentar

essas dificuldades.

70
Dado coletado no IV Encontro Estadual de Serviço Social e Educação, no dia 8 de agosto de
2008, realizado no ISCA Faculdades pela Prefeitura Municipal e Secretaria Municipal da
Educação de Limeira/SP.
124

“Trabalhando com os demais profissionais em conjunto da


U.E. Todos precisam de todos. E em reuniões técnicas
semanais com a Direção”. (Zafira, 41 anos).

“Conversa com a família, ou seja, com os adultos envolvidos


na relação para refletirmos sobre estratégias para superar os
obstáculos. Jamais culpabilizando a família, muito menos a
criança que são as maiores vítimas de todo processo político
que legitima a exclusão”. (Turmalina, 47 anos).

“Através da prática dos projetos desenvolvidos nas U.E. São


eles: Plantão Social, Projeto EduAção, Trabalho com a família,
Projeto InterAção, Projeto Familiando, Projeto Saúde e demais
ações em parceria com a equipe escolar”. (Ametista, 51 anos).

Notamos aqui um trabalho interdisciplinar para o enfrentamento das

dificuldades encontradas na escola, trabalhadas em parceria com os

profissionais da escola (U.E.) e com a família através de projetos realizados

pelo Serviço Social na contemplação de sua profissão e na garantia da

promoção e desenvolvimentos dos educandos e das famílias.

Além das dificuldades encontradas e como o Serviço Social costuma

enfrentá-las, questionamos se a categoria profissional contribui para que os

demais profissionais da área educacional se atentem às dificuldades existentes

na relação do educador/educando.

Tabela 10: Contribuição do Gráfico 10


Serviço Social nas dificuldades
existentes entre educador/educando

O Serviço Social
contribui para que
os profissionais
da Educação se
atentem quanto às Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.
dificuldades existentes na relação
educador/educandoQtde.
%Sim6100%Não00%Total 6100%
125

A tabela e gráfico 10 indicam que 100% das Assistentes Sociais

entrevistadas acreditam que o Serviço Social contribui para que os demais

profissionais se atentem às dificuldades existentes na relação

educador/educando.

A compreensão acontece através de encaminhamento do educando por

parte do educador ao Serviço Social, como também, através de reuniões

técnicas e de esclarecimento, palestras e trabalhos educativos, conforme

descrições:

“Através de reuniões e reflexões junto e com os profissionais


Professores/educadores buscando uma leitura e avaliação da
realidade conjuntural familiar podendo entender as
problemáticas que envolvem o educando e assim juntamente
com a equipe direcionar estratégias e soluções”. (Cristal, 33
anos).

“Com palestras e trabalhos educativos de formação


profissional que faça com que reflitam sobre o contexto
social em que as nossas famílias, bem como nossas crianças
estão envolvidas”. (Turmalina, 47 anos).

As respostas contemplam uma das hipóteses de que a ausência do

Assistente Social na escola, mais as expressões da questão social do aluno

somado à função dos profissionais de Educação: escolarização de mais de 30

alunos em sala de aula, dificulta que o educador/educando tenha um

relacionamento mais “aberto”, em que o professor perceba e conheça a raiz da

dificuldade do aluno no processo de ensino-aprendizado.

No final do questionário de pesquisa foi solicitado que o Assistente

Social citasse 3 facilidades e 3 dificuldades no desenvolvimento de sua prática

profissional.
126

Obtivémos várias respostas das facilidades com o mesmo enfoque, para

melhor demonstração, faremos a junção das semelhantes e as descreveremos

em 1 único tópico e abordaremos as 3 mais ressaltadas:

1. Aceitação, valorização, confiança, reconhecimento e bom

relacionamento com os profissionais da Educação e do Serviço Social Escolar.

(Zafira, 41 anos; Ametista, 51; Pérola, 60; Diamante, 46; e Turmalina, 47).

2. Comprometimento e estreitamento no relacionamento entre

família/escola/comunidade. (Cristal, 33 anos e Ametista, 51).

3. Respaldo técnico e respaldo oferecido pelo Serviço Social Escolar.

(Turmalina, 47 anos e Zafira, 41).

Já as respostas das dificuldades em desenvolver a prática, foram

diferentes, citaremos as mais relevantes:

- Realizar visitas domiciliares, falta de condução própria do Serviço

Social (Turmalina, 47 anos e Diamante, 46).

“1º Por achar que somos assistencialistas (os professores).


2º Informar que trabalhamos com prevenção e informação!
3º Que o Assistente Social deve ser reconhecido como
técnico/assessor da Direção, que respalda-as. E não resolve
problemas de falta de limites em sala de aula (competência
dos professores)”. (Zafira, 41 anos).

“- Falta de comunicação entre o pessoal da escola”. (Pérola, 60


anos).

“Maior compreensão por parte de Diretores/Professores, no


significado/importância do assistente social na Educação.
Inclusão social e a despreparação das escolas e
profissionais”. (Cristal, 33 anos).

Lamentavelmente, como em qualquer outra área de atuação, a profissão

ainda é vista por várias pessoas como práticas de assistencialismo, visão

antiquada que, dependendo como for e de quem for essa visão, dificulta a

efetivação de um trabalho totalmente ético-político que busca a emancipação e


127

desenvolvimento daqueles que necessitam de uma assistência social, e não de

uma prática de assistencialismo.

Os dados coletados acima, bem como todos os dados analisados neste

item, nos confirmam que o Serviço Social tem mais um espaço de atuação

profissional – Educação Pública, o município de Limeira o conquistou

gradativamente e muito bem, comprovando-nos que muito trabalho tem para

ser elaborado e realizado através da mediação escola/família/comunidade.

No próximo item, analisaremos as respostas dos Diretores de Limeira.

3.3.2 Diretores de Limeira

O total de questionários de pesquisa enviados aos Diretores das

mesmas escolas que as Assistentes Sociais abordadas acima, foi 17,

obtivemos resposta de 7, correspondendo a uma amostragem 41%.

Segue os dados coletados e analisados:

Tabela 11: Gênero dos Diretores Gráfico 11


pesquisados de Limeira
A tabela e gráfico 11 mostram que 43% dos Diretores entrevistados são

GêneroQtde.%Feminino
343%Masculino457%Total 7100%
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.

mulheres e 57% são homens.


128

Tabela 12: Faixa etária Gráfico 12

IdadeQtde.%31 a 40 anos343%41 a
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
50 anos229%51 a 60 anos114%não meses de agosto a outubro de 2008.
informou114%Total 7100%

Os dados da tabela e do gráfico 12, mostram a faixa etária dos Diretores

que responderam os questionários, 43% tem entre 31 a 40 anos, 29% tem

entre 41 a 50 anos, 14% tem entre 51 a 60 anos e 14% não informou.

Tabela 13: Tempo de atuação Gráfico 13


na Educação

Tempo de atuação
na EducaçãoQtde.%11 a 20
anos457%21 a 30 anos343%Total
7100% Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.

A tabela e gráfico 13, apontam o tempo que os Diretores trabalham na

Educação, 57% responderam de 11 a 20 anos e 43 responderam de 21 a 30

anos.

Ao analisar juntamente com os dados da tabela e gráfico 12, é correto

afirmar que 57% entrevistados entraram na Educação com 19 a 22 anos de


129

idade e 29% entraram com 28 anos, ou seja, mais da metade iniciou o trabalho

bem jovens.

Tabela 14: Opinião sobre Gráfico 14


Educação Pública de Limeira

Opinião sobre Educação


Pública de LimeiraQtde.
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
%Ótima114%Boa686%Regular00%R meses de agosto a outubro de 2008.
uim00%Total 7100%

De acordo com a tabela e gráfico 14, 86% dos Diretores consideram boa

a Educação Pública de Limeira, e apenas 14% consideram ótima.

De acordo com os Diretores, precisa-se melhorar na Educação Municipal

de Limeira as formações, capacitações e valorização dos profissionais da

Educação, e o atendimento especializado ao aluno, através da inserção de

muitos psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais na escola.

Percebe-se que a parceria da Escola com profissionais especializados

deu certo, tanto é que a consideram como ponto de melhoria da Educação

oferecida. Cruzando com os profissionais, percebe-se que as visões são

unânimes.

Tabela 15: Quanto ao relacionamento Gráfico 15


Relacionamento
do Diretor com o Aluno
do Diretor com
o AlunoQtde. Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
%Ótimo571%Bom229%Regular0 meses de agosto a outubro de 2008.
0%Ruim00%Total 7100%
130

Tabela 16: Relacionamento do Gráfico 16


Diretor com o Assistente Social

Relacionamento do Diretor com o


Assistente SocialQtde.
%Ótimo571%Bom229%Regular00%
Ruim00%Total 7100% Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.

Nas tabelas e gráficos 15 e 16, apontam que tanto o relacionamento do

Diretor com o aluno e com o Assistente Social são considerados ótimo para

71% e bom para 29% deles.

Tabela 17: Opinião sobre Gráfico 17


o relacionamento do Assistente
Opinião sobre o relacionamento
social com os alunos
do Assistente Social com os
alunosQtde. Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
%Ótimo457%Bom343%Regular00% meses de agosto a outubro de 2008.
Ruim00%Total 7100%
131

Tabela 18: Opinião sobre Gráfico 18


o relacionamento dos alunos com
o Assistente Social

Opinião sobre o relacionamento


dos alunos com o Assistente Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
SocialQtde. meses de agosto a outubro de 2008.
%Ótimo457%Bom343%Regular00%
Ruim00%Total 7100%

A opinião do Diretor referente ao relacionamento do Assistente Social

com o aluno se repete na opinião do Diretor quanto ao relacionamento do aluno

para com a Assistente Social, sendo ótimo para 57% dos Diretores e bom para

43% – tabela e gráfico 17 e 18.

Tabela 19: Conhecimento da Gráfico 19


atuação do Serviço
Antes Social
da inserção dona
Serviço
Educação antes de sua inserção
Social nas escolas conhecia a
atuação do Assistente Social na
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
Educação?Qtde.
meses de agosto a outubro de 2008.
%Sim229%Não571%Total 7100%
132

Consta-se na tabela e gráfico 19 que, 71% dos Diretores não conheciam

a atuação do Assistente Social antes da inserção deste profissional na

Educação Pública Municipal de Limeira, apenas 29% a conheciam.

Os dados comprovam que, assim como para as Assistentes Sociais, a

inserção do Serviço Social foi algo inovador para os profissionais da Educação

Escolar.

Tabela 20: Principais dificuldades encontradas nas escolas de Limeira

Principais dificuldades encontradas nas escolas Qtde. %


Deficiência no aprendizado do aluno 6 22%
Trazer a família para a escola 6 22%
Desinteresse do aluno 4 15%
Relacionamento entre alunos e familiares 4 15%
Relacionamento com profissionais da escola 2 7%
Relacionamento entre os alunos 2 7%
Alcoolismo/Drogadição 1 4%
Violência 1 4%
Outras 1 4%
Total 27 100%
Obs.: O número de resposta é maior por existir mais de uma dificuldade apresentada.

Gráfico 20
133

Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos meses de agosto a outubro de 2008.

São representadas na tabela e gráfico 20 as principais dificuldades

encontradas nas escolas pelos Diretores, elas não se diferem muito das

encontradas pelas Assistentes Sociais.


134

Assim como a mais assinalada por elas, os Diretores também

assinalaram como a maior dificuldade a Deficiência no processo de

aprendizado do aluno, correspondendo a uma amostragem de 22% e de igual

valor em relação à Dificuldade em trazer a família para o cotidiano da escola.

Seguindo com 15%, Desinteresse do aluno e Dificuldade no

relacionamento dos alunos com os seus familiares.

Com 7%, a Dificuldade no relacionamento com outros profissionais e no

relacionamento entre os alunos.

E, com 4% Desinteresse do aluno, Violência e Outras citada como

sendo: - Lidar com a ansiedade dos pais por a U.E. ser nova! (Begônia, s/d).

Cabe aqui ressaltar que, ao contrário dos Assistentes Sociais, os

Diretores não consideram como principais dificuldades encontradas na escola a

Gravidez na Adolescência e Evasão Escolar.

E, as Assistentes Sociais não consideram a Dificuldade no

relacionamento dos alunos com seus familiares e Dificuldade no

relacionamento entre os alunos.

Porém, ambos encontram todas as dificuldades apontadas no

questionário de pesquisa. Reforçando que a escola é um espaço de

intervenção sócio-educacional que necessita do Serviço Social para atuação,

seja ela com ações preventivas, de orientação, de promoção e/ou de

encaminhamento.

Nesse contexto, questionamentos os Diretores sobre quais dificuldades

foram sanadas e/ou amenizadas após a inserção do Assistente Social na

escola.
135

Dos 7 Diretores, 6 responderam que foram sanadas e/ou amenizadas as

necessidades sociais e encaminhamentos. 5 Diretores responderam em

relação à melhoria em trazer a Família para o cotidiano da escola, 3 citaram a

Evasão Escolar e Maior freqüência do aluno e 1 citou a melhoria no

Relacionamento entre Funcionários da escola.

Vejamos alguns relatos:

“Interação entre problemas sociais familiares com


aluno/Professor/escola.
Encaminhamento para saúde mental, atendi/os
odontológicos/oftalmológicos, etc ”. (Palma, 39 anos).

“Interação do Assistente Social diretamente com a família do


aluno; agilidade dos diversos encaminhamentos e controle
mais eficaz da freqüência do aluno na escola”. (Rosa, 38 anos).

“Dificuldade em trazer a família para o cotidiano da escola, o


contato com as famílias e os atendimentos às necessidades
sociais dos alunos estão cada vez atingindo progressos. É um
caminhar, e a assistente social nos dá bastante tranqüilidade
em situações que a direção não tem soluções adequadas. Ela
interfere positiva/e”. (Lírio, 51 anos).

A Diretora Lírio, 51anos, nos comprova que há situações vivenciadas na

escola que a direção não tem soluções adequadas para conseguir resolver e o

quanto a parceria com o Assistente Social é importante e vem progredindo.

Percebe-se nos relatos alguns dos trabalhos que as Assistentes Sociais

desenvolvem no contexto escolar e, na percepção dos Diretores resultam

respaldos positivos por amenizarem e/ou sanarem as dificuldades encontradas

por eles.

Tabela 21: Contribuição do Gráfico 21


Serviço Social nas dificuldades
existentes entre educador/educando
O Serviço Social
contribui para que
os profissionais
da Educação se
atentem quanto às Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
dificuldades existentes meses de agosto a outubro de 2008.
na relação
educador/educandoQtde.
%Sim7100%Não00%Total 7100%
136

Perguntamos, também, aos Diretores se o Serviço Social contribui para

que os profissionais da Educação se atentem às dificuldades existentes na

relação do educador/educando, e 100% deles responderam que sim – tabela e

gráfico 21, através do profissionalismo do Serviço Social, assessorias,

palestras, projetos, capacitações, como também, através das respostas de 2

Diretores:

“Ampliando a visão para que os educadores se conscientizem


dos problemas familiares que envolvem algumas crianças”.
(Margarida, 43 anos).

“O Serviço Social contribui para a conscientização dos


funcionários sobre o papel social da escola e a necessidade
de atitudes éticas no cotidiano da escola”. (Girassol, 37 anos).

Compreende-se que os profissionais da Educação necessitam de

Assistentes Sociais para a percepção dos problemas sociais que afetam o

educando em seu processo de aprendizagem.

A resposta de Girassol comprova o que é defendida pela Assistente

Social, mestre e doutora em Serviço Social na área da Educação, Eliana B. C.

Martins (2007):

Para o cumprimento desta função social, tarefa exigida hoje da


escola, há necessidade de um profissional que tenha conhecimento
das diversas políticas sociais e suas diferentes formas de
operacionalização, que articule a relação escola-sociedade
contribuindo nos dois ângulos da questão, ou seja, facilitando a
articulação entre os projetos e ações das demais políticas que
atendem crianças e adolescentes, e a escola. (Martins, 2007, p. 194).
137

Sem dúvidas, este profissional é o Assistente Social totalmente

capacitado para trabalhar com as diversas expressões da questão social na

promoção da cidadania, respaldados pela Ética profissional, ambos inseridos

no Projeto Ético-Político do Serviço Social.

E, para finalizar a participação na pesquisa, pedimos opinião sobre o

que deveria ser acrescentado à prática profissional do Assistente Social na

escola:

Duas Diretoras não citaram melhorias, Begônia respondeu que no

momento está satisfeita.

Girassol afirma que,

“Seria uma grande contribuição à prática do Assistente Social


se, na graduação, ele tivesse na carga-horária do curso as
matérias pedagógicas. Conhecendo como ocorre a
aprendizagem, o Assistente Social poderia, com maior
clareza, relacionar os aspectos cognitivos e sociais que
interferem no processo educacional”. (Girassol, 37 anos)

Já os Diretores Palma, Rosa e Lírio, afirmam que deveria melhorar o

tempo de atuação profissional dos Assistentes Sociais na escola.

“Espaço de tempo maior para relacionamento do A.S. com os


demais profissionais”. (Palma, 39 anos)

“Estar todos os dias na escola, em uma única escola”. (Rosa,


38 anos)

“O tempo para poder desenvolver mais atividades, já que


cada uma tem que atender 2 escolas e participar de reuniões
técnicas o que não possibilita maior atendimento”. (Lírio, 51
anos)

Comprova-se através desses relatos, bem como de todos os dados

coletados e descritos anteriormente que, o Serviço Social Escolar de Limeira

não só conquistou mais um espaço de intervenção, como também conquistou

os profissionais da área educacional.


138

E, que o Serviço Social colabora para a percepção dos profissionais da

Educação sobre as dificuldades entre educador/educando.

É correto afirmar que os educadores perceberam e consideram

importante o Serviço Social na área educacional para amenizar e/ou sanar as

dificuldades encontradas nesse espaço de intervenção social, cujo objetivo é

contribuir na luta contra a exclusão social através do fortalecimento da

escola/família/comunidade, e como resultado o desenvolvimento dos

educandos e sua permanência na escola – já alcançados em Limeira.

Devemos, sem dúvida, afirmar que o trabalho realizado pelo Serviço

Social Escolar de Limeira deve ser referenciado nacionalmente, e com certeza,

deve ser “adotado” como referência em outros municípios que buscam o

desenvolvimento pessoal, social e familiar de seus educandos, em destaque o

município de Americana.

A seguir, relacionaremos os desafios e limites para a regulamentação do

Serviço Social nas escolas municipais de Americana.

3.3.3 Gestor Público de Educação de Americana

No dia 13 de agosto de 2008, a pesquisadora entrevistou o Gestor

Público da Educação de Americana, na pessoa do Secretário Municipal da

Educação.

Ele tem 56 anos de idade, atua na área de Educação há 33 anos, há 15

anos atua como Secretário.

Ele considera a Educação Pública Municipal de Americana boa. E, as

melhorias precisam acontecer na qualidade do ensino no geral.


139

“Precisa melhor a qualidade no ensino em geral, avançar na


questão das séries finais do Ensino Fundamental e ampliar o
atendimento as crianças de creche (0 à 3 anos)”.

Referente ao Serviço Social, ele respondeu que não tem conhecimento

sobre a atuação de um Assistente Social.

“No geral não tenho, o conhecimento que tenho é referente a


participação na administração”.

Porém, conhece um município que tem Assistentes Sociais trabalhando

nas escolas, citou o município de Limeira, mas não quis avaliá-lo, uma vez que

não conhece a prática profissional do Assistente Social nessas escolas, mas

considera importante a atuação do Assistente Social no meio educacional.

“Desde que esta atuação esteja voltada à família da escola e


não para o bairro todo. Tem que tomar cuidado para não
virar mais um projeto que vire finalidade e não meio”.

Citou como o Assistente Social poderá contribuir para com os alunos e


profissionais da área da Educação:
“Poderá contribuir muito se houver um trabalho
interdisciplinar porque é o profissional qualificado para
responder à demanda dos pais que às vezes interferem no
aprendizado”.

Apontou como demandas:

“Problemas de família, problemas de alcoolismo e drogas,


como também do desemprego que divide a família. O
Assistente Social deverá trabalhar na conscientização do
papel da escola”.

Nota-se que, apesar de, no geral, não conhecer a prática profissional do

Serviço Social, o Secretário considera importante a atuação do Serviço Social

na Educação Escolar para se trabalhar a família.

O mesmo identificou demandas que o Assistente Social irá atender na

escola, e citou, os problemas familiares, de desemprego, de alcoolismo e

drogas.
140

Essas são demandas inseridas em uma problemática que a Educação

por si só, realmente, não consegue resolver e é afetada totalmente por elas no

processo do ensino-aprendizagem.

O Secretário também destaca algo muito importante, tanto para os

profissionais da Educação como para os Assistentes Sociais, o trabalho

interdisciplinar.

É importante reforçar a resposta do Secretário e evidenciar que, só

através do trabalho interdisciplinar haverá resultados positivos da atuação do

Serviço Social na Educação Pública.

Dando seqüência às respostas do Secretário, questionou-se por que

ainda não foi regulamentada a Lei nº 3.950, aprovada em 15/12/2003, que

insere o Assistente Social nas escolas municipais de Americana.

“Onde vai ficar e quem ficará responsável pelo projeto? Tem


que ser resolvida esta questão porque não é só questão de
recursos, porém exigem responsabilidade e demandas que
geram custo e curso, visto que seriam vários profissionais e
tem que estar junto à Promoção Social”.

Como limites da regulamentação respondeu que,

“Falta concluir a discussão de onde ficará alocado e


aprofundar a discussão e enviar para a Câmara no final do
ano ou começo do ano”.

E que está aguardando a Promoção Social assumir a Coordenação do

Serviço Social Escolar.

“Minha parte já foi feita. A Educação não tem que pagar toda
a conta... A Promoção Social quer que a Educação pague a
conta. Quem paga a conta dos dentistas na escola é a Saúde,
não a Educação... Sabemos que na escola bem ou mal tudo
funciona”.

Esta argumentação vem comprovar que o Secretário Municipal, embora

tenha demonstrado conhecimento da Lei, não leu ou melhor não analisou a

mesma como um todo, pois a Lei é muito clara, consta que o Poder Executivo
141

fica autorizado a criar na estrutura da Secretaria de Educação o cargo de

Assistente Social, conforme abaixo .

Art. 2º O Serviço Social Escolar será exercido por profissionais


habilitados nos termos da Lei Federal nº 8.662, de 07 de junho de
1993, ficando o Poder Executivo autorizado a criar na estrutura da
Secretaria de Educação, pelo menos um cargo de Assistente Social
por equipamento educacional da rede municipal de ensino,
ampliando-se proporcionalmente ao número de alunos atendidos por
equipamento.
Artigo 3º - As despesas decorrentes da aplicação da presente lei
correrão à conta das dotações próprias consignadas no Orçamento,
suplementadas, se necessário.

Segundo o Secretário a previsão para regulamentação é dentro de

alguns meses. Politicamente respondeu:

“Sim, em alguns meses, depois do processo de eleição, no


início do ano que vem, será incluso no plano de governo do
candidato X”.

Vimos que mesmo estando na Lei 3.950/03, os desafios para a

regulamentação está em não conseguir um consenso de qual Secretaria

Municipal deve-se responsabilizar pela inserção dos Assistentes Sociais que

trabalharão na escola, demonstrando um problema meramente de vontade

política.

Esse desafio não é só do município de Americana, isso é vivenciado por

muitos outros. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) acredita e

defende que os Assistentes Sociais “deverão ser alocados naqueles destinados

a Educação, posto que a medida em questão, embora executada por

profissional Assistente Social, no âmbito do Serviço Social, está inserida na

manutenção e desenvolvimento do ensino” (2001, p. 30). E, para justificar

citamos o artigo 70 da LDB:

Art. 70. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do


ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos
objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis,
compreendendo as que se destinam a:
142

(...)
III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino;
(...)
V – realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos
sistemas de ensino. (grifo do autor).

O custo com a implantação e despesas do Serviço Social se encaixa nos

recursos financeiros, uma vez que o profissional trabalhará para o

desenvolvimento do ensino através de serviços vinculados à Educação.

O item IV do artigo 70, também se encaixa na questão, uma vez que

contempla uma das funções do Serviço Social - “IV - levantamentos

estatísticos, estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da

qualidade e à expansão do ensino”. Esse profissional está capacitado e poderá

fazer levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas que visam à melhoria da

qualidade e à expansão do ensino e na realização de atividades necessárias

aos educandos, contemplando o artigo.

Como exemplo, os Assistentes Sociais têm que ser remunerados com

recursos provenientes da Secretaria de Educação. Ressaltamos as escolas de

Ensino Infantil71, antigas creches, a partir do próximo ano, todas as “creches”

não poderão estar alocadas nas Secretarias de Promoção Social, e sim

deverão estar na Secretaria de Educação e com atendimento sócio-

assistencial.

Para a implantação da Lei nº 3.950/03, é altamente necessário que os

profissionais da Educação Pública Municipal de Americana se juntem aos

profissionais de Serviço Social que conhecem e militam por este novo campo

de atuação. Só através dessa união é que ambos os profissionais poderão

pressionar os novos governantes do município.


71
As creches passaram a integrar-se no sistema de ensino através da nova LDB de 1996 - Art.
89. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão, no prazo de três
anos, a contar da publicação desta Lei, integrar-se ao respectivo sistema de ensino e só agora
todos os municípios são obrigados a cumprir o artigo.
143

No próximo item, analisaremos quais as principais dificuldades que os

Diretores e Professores encontram na escola, bem como analisaremos os

conhecimentos de ambos referentes ao Serviço Social na Educação Escolar e

se o Serviço Social poderá contribuir com sua prática profissional na referida

área.

3.3.4 Diretores e Professores de Americana

Foram pesquisados 10 Diretores e 40 Professores das escolas

municipais de Americana com o objetivo de conhecer as principais dificuldades

que encontram na Educação e verificar o conhecimento dos profissionais da

Educação em relação à contribuição do Serviço Social nesse campo.

Primeiramente, demonstraremos e analisaremos os dados coletados dos

Diretores.

- Diretores:

Tabela 22: Gênero dos Diretores Gráfico 22


pesquisados de Americana
Os dados da tabela e gráfico 22 indicam que 70% dos Diretores das

Escolas Municipais de Americana são Mulheres e 30% são homens.

GêneroQtde.%Feminino
770%Masculino330%Total
Tabela 23: Faixa 10100%
etária Gráfico
Fonte: Pesquisa 23 realizada pela autora nos
documental
meses de agosto a outubro de 2008.

IdadeQtde.%31 a 40 anos440%41 a
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
50 anos330%51 a 60 anos220%não meses de agosto a outubro de 2008.
informou110%Total 10100%
144

A tabela e gráfico 23 mostram a faixa etária dos Diretores: 40% têm

entre 31 a 40 anos, 30% entre 41 a 50 anos, 20% entre 51 a 60 anos e apenas

1 Diretor não informou.

Tabela 24: Tempo de atuação Gráfico 24


na Educação

Tempo de atuação
na EducaçãoQtde.%10 a 19
anos550%20 a 29 anos330%30 a 39
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
anos00%40 a 49 anos110%não meses de agosto a outubro de 2008.
informou110%Total 10100%

O tempo de atuação na Educação entre os Diretores varia entre 10 a 40

anos.

Conforme a tabela e gráfico 24, 50% dos Diretores têm entre 10 a 19

anos, 30% têm 20 a 29 anos, 10% têm entre 40 a 49 anos, e um Diretor não

respondeu.

Tabela 25: Opinião


Opinião sobre
sobre a
Gráfico 25
a Educação Pública de Americana
Educação
Pública de AmericanaQtde.
%Ótima330%Boa770%Regular00%R
uim00%Total 10100% Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.
145

A tabela e gráfico 25 expressam a opinião dos Diretores referente à

Educação Municipal Pública de Americana – 30% consideram Ótima e 70%

boa.

Perguntamos aos Diretores o que precisa melhorar na Educação

Municipal Pública, as respostas citadas foram diversas: valorização e formação

profissional, planejamento antecipado dos projetos, ouvir mais os Professores,

diminuição do número de aluno por sala, aumento do número de Professores e

verbas exclusivas para manutenção.

Como também apontam melhorias nos núcleos de apoio à Educação

(Conselho Tutelar, Inclusão, APAE, CAPSI, neurologia, etc...) e ao atendimento

às crianças com deficiência.

Um dos Diretores cita como ponto de melhoria:

“- Parceria com Secretaria Promoção Social, Saúde Mental;


Agilidade nos encaminhamentos”. (Artes, 41 anos)

Percebe-se através dos dados coletados que há necessidade de um

profissional de Serviço Social para trabalhar, principalmente com essas

sugestões de melhorias citadas.

Tabela 26: Relacionamento do Gráfico 26


Relacionamento
Diretor com o Aluno
do Diretor com o
AlunoQtde. Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
%Ótimo330%Bom770%Regular00 meses de agosto a outubro de 2008.
%Ruim00%Total10100%
146

Segundo os dados da tabela e gráfico 26, o relacionamento dos

Diretores com os alunos é considerado bom para 70% dos entrevistados e 30%

considera ótimo.

Tabela 27: Relacionamento do Gráfico 27


Diretor com os Profissionais da
escola

Relacionamento
do Diretor com os
Profissionais da EscolaQtde.
%Ótimo110%Bom880%Regular110 Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
%Ruim00%Total10100% meses de agosto a outubro de 2008.

Já, referente ao relacionamento dos mesmos com os Professores, 80%

consideram bom, 10% consideram Ótimo ou Regular.

Tabela 28: Principais dificuldades encontradas nas escolas de Americana


Principais dificuldades encontradas nas escolas Qtde. %
Deficiência no aprendizado do aluno 7 28%
Desinteresse do aluno 6 24%
Trazer a família para a escola 5 20%
Outras 4 16%
Relacionamento entre os alunos 2 8%
Relacionamento entre alunos e familiares 1 4%
Total 25 100%
Obs.: O número de resposta é maior por existir mais de uma dificuldade apresentada.
147

Gráfico 28

Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos meses de agosto a outubro de 2008.

Perguntamos aos Diretores quais são as principais dificuldades que

encontram em seu local de atuação profissional, conforme a tabela e gráfico

28, 28% correspondem à Deficiência no aprendizado do aluno, 24%

Desinteresse do aluno, 20% Trazer a família para a escola, 4%

Relacionamento entre os alunos e seus familiares, 8% Dificuldade no

relacionamento entre os alunos e 17% como Outros – Falta de espaço físico e

de funcionários.

Questionamos como eles procuram enfrentar essas dificuldades:

diálogo/conversa, ajuda de palestrantes e especialista, reforço escolar e

atividades para trazer a família à escola.

“Com muito estresse, ouvindo as reclamações dos colegas,


tentando juntamente com o setor competente na solução de
novas contratações e promessas de ampliação de espaços”.
(Química, 48 anos)

“Quanto à deficiência em aprendizagem procuramos discutir


em reuniões soluções, como reforços e encaminhamentos
diversos. Quanto à relação escola-família sempre tentamos
contato, porém algumas famílias são muito ausentes ou não
“conseguem” ajudar seus filhos”. (Português, 31 anos)
148

“Com muita paciência e ponderação. Buscando alternativas


simples e viáveis p/ o andamento dos trabalhos. Mas a escola
está sozinha”. (Geografia, s/d)

Os dados analisados permitem dizer que cada um procura buscar uma

alternativa de solução, conforme seu conhecimento pedagógico e a realidade

pedagógica escolar, solução que não é errada, entretanto, se o Assistente

Social estivesse presente para contribuir com essas dificuldades, através de

sua função profissional, trabalhar com as expressões da questão social, as

dificuldades seriam amenizadas e/ou sanadas, visto que as dificuldades

apontadas são, muitas vezes, conseqüências sociais vivenciadas pelo aluno.

Tabela 29: Conhecimento sobre Gráfico 29


a inserção do Assistente Social
na Educação

Conhecimento sobre
a inserção do
Assistente Social na
Educação Qtde. %
Sim 5 50%
Não 5 50%
Total 10 100%

Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos


meses de agosto a outubro de 2008.

Em seguida, atendendo a um dos objetivos da pesquisa, perguntamos

aos Diretores se conhecem ou já ouviram falar sobre a inserção do Assistente


149

Social na área da Educação Pública. Os dados da tabela e gráfico 29 afirmam

que 50% dos Diretores já ouviram falar e, 50% não ouviram nada.

Um dos Diretores que respondeu não e escreveu ao lado: “ – Esse é o


nosso desejo”. (Artes, 41 anos)

Tabela 30: Conhecimento Gráfico 30


da Lei n° 3.950/03

Conhecimento
sobre a Lei
nº 3.950/03Qtde.
%Sim220%Não880%Total Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
10100% meses de agosto a outubro de 2008.

Também, perguntamos aos mesmos se já ouviram falar da Lei Municipal

aprovada em 2003 que garante a inserção do Assistente Social nas escolas

municipais, na tabela e gráfico 30 afirmam que apenas 20% do universo de

Diretores disseram que sim e, 80% dos Diretores não conheciam a Lei.

Aos que disseram que sim, perguntamos o que e como ouviu.

Obtivemos a resposta:

“Pelos jornais (pouco) e em contato com estudantes das


faculdades”. (Geografia, s/d)

“Tenho conhecimento da Lei, do seu processo de aprovação.


Já discutimos o assunto em reunião de Diretores”. (Português,
31 anos)

Esta pesquisa contribuiu para que 100% dos Diretores soubessem da

existência da Lei, como também, sanassem algumas dúvidas com a

pesquisadora.
150

Após esta pergunta, questionamos quais as demandas que o Assistente

Social, na Educação Pública, poderá atender na escola, 80% dos Diretores

afirmaram a demanda aluno/família:

“Acredito que o assistente social possa fazer uma


intervenção direta junto às famílias com maiores dificuldade
financeiras e também colaborar no encaminhamento de
algumas crianças, acompanhando as famílias”. (Português, 31
anos)

“- Estrutura familiar.
- Triagem p/ especialistas (Psicólogo/fonoaudiólogo).
- Intercâmbio entre escola/família”. (Artes, 41 anos)
“Visita as famílias onde atuando em equipe com a escola
ofereça relatos reais do meio onde a criança vive e assim,
ampliando as possibilidades da escola em alcançar os
objetivos propostos no processo ensino-aprendizagem dos
alunos partindo dessa nova visão, e claro a opinião de um
outro profissional com um outro ponto de vista enriquecerá a
discussão pedagógica”. (História, 32 anos)

20%, ou seja, 2 Diretores não citaram demanda, um citou intervenção

interdisciplinar e o outro respondeu:

“Com esta comunidade (classe média) não temos problemas


de intervenção direta”. (Português, 31 anos)

Esta resposta se contrapõe com a pesquisa realizada pela revista Nova

Escola72, em que entrevistou 500 Professores da rede pública das principais

capitais do país. O resultado foi publicado em novembro de 2007, com o

seguinte dados:

- 72% dos Professores entrevistados, dizem que quem leciona na rede

pública faz também o papel do Assistente Social;

- 64% afirmam que o nível socioeconômico das crianças intervém no

aprendizado;

- 38% apontam que quem leciona na rede pública não ensina, mas ajuda

o aluno a sobreviver.
72
GENTILE, Paola. A Educação, vista pelos olhos do Professor. Revista Nova Escola. São
Paulo: Editora Abril, novembro de 2007, p. 33-39.
151

É correto afirmar que independente da classe social a que o aluno está

inserido, sempre encontraremos demandas de atuação profissional para o

Serviço Social atuar na Educação.

No IV Encontro Estadual de Serviço Social Escolar, em Limeira, a

coordenadora do Serviço Social Escolar, em uma de suas falas, citou que os

profissionais das escolas particulares estão vendo resultados positivos do

Serviço Social na Educação Pública e questionam como é que feito... Ela

acredita que a inserção dos assistentes sociais nas escolas particulares é uma

questão de tempo.

Tabela 31: Contribuição do Gráfico 31


Serviço Social nas dificuldades
existentes entre educador/educando

O Serviço Social pode contribuir


para que os profissionais da
Educação se atentem quanto às
dificuldades existentes na relação
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
educador/educandoQtde. meses de agosto a outubro de 2008.
%Sim880%Não00%Não
respondeu220%Total 10100%

E, para comprovar nossa hipótese, perguntamos aos Diretores se o

Serviço Social pode contribuir para que os demais profissionais da Educação

se atentem às dificuldades existentes na relação do educador/educando, e

recebemos resposta positiva de 80% dos pesquisados, e 20% não

responderam – tabela e gráfico 31.


152

Pedimos que citassem de que modo o Serviço Social contribui, vejamos

as falas que contemplam todas as respostas citadas:

“Passando ao educador a situação familiar do educando”.


(Matemática, s/d)

“É importante conhecer a realidade dos alunos para


entender muitos comportamentos e pensar em novas
soluções”. (Português, 31 anos)

“Acredito que há a necessidade atualmente para melhorar


essa relação não só a presença do Serviço Social, mas sim,
de uma Equipe Multidisciplinar (Psicólogo, Fonoaudiólogo,
Assistente Social, etc)”. (História, 32 anos)

“Se o trabalho for de parceria e cada um respeitar os


conhecimentos e funções do outro, só haverá ganho p/ o
educador/educando”. (Geografia, 32 anos)

É correto afirmar que a maioria dos entrevistados acreditam que o

Serviço Social pode contribuir para a percepção das dificuldades existentes em

sua relação com o educando.

Observa-se que os Diretores conhecem as funções/contribuições que o

Serviço Social pode oferecer à escola.

Em seguida, analisaremos as respostas dos Professores

correlacionando com as respostas dos Diretores de Americana, citadas acima.

- Professores:

Tabela 32: Gênero dos Gráfico 32


Professores pesquisados de
Americana

Gênero Qtde. %
Feminino 33 82%
Masculino 7 18%
Total 40 100%

Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos


meses de agosto a outubro de 2008.
153

A tabela e gráfico 32 apontam o número dos Professores entrevistados

em Americana e seus respectivos gêneros: 82% mulheres e 18% homens.

Tabela 33: Faixa etária Gráfico 33

Idade Qtde. %
21 a 30 anos 9 23%
31 a 40 anos 8 20%
41 a 50 anos 14 34%
51 a 60 anos 3 8%
61 a 70 anos 2 5%
Não informou 4 10%
Total 40 100%

Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos


meses de agosto a outubro de 2008.

Conforme a tabela e gráfico 33, verifica-se que a faixa etária de idade

dos entrevistados é bem variada e, chega ter uma diferença de idade de 49

anos. Tempo de atuação


na EducaçãoQtde.%1 a 10
anos1127%11 a 20 anos1742%21 a 30
anos1025%31 a 40 anos13%não
informou13%Total 40100%
Tabela 34: Tempo de atuação na Gráficorealizada
Fonte: Pesquisa documental 34 pela autora nos
Educação meses de agosto a outubro de 2008.
154

O tempo de atuação dos Professores na Educação varia de 1 ano a 40

anos. Conforme se expressa na tabela e gráfico 34, 69% começaram atuar na

Educação após a regulamentação da Constituição Federal de 1988 que trouxe

um novo olhar para a Educação Brasileira e novas Políticas Educacionais na

garantia do artigo 205:

A Educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será


promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao
pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho. (Constituição da
República Federal do Brasil de 1988, art. 205)

Tabela 35: Opinião sobre a Gráfico 35


Educação Pública de Americana

Opinião sobre
Educação
Pública de AmericanaQtde.
%Ótima1332%Boa2153%Regular615
%Ruim00%Total 40100% Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.
155

A tabela e gráfico 35 simbolizam a opinião dos Professores pesquisados

sobre a Educação Municipal Pública de Americana.

Assim como a opinião dos Diretores expressa na tabela e gráfico 25,

32% dos Professores consideram Ótima. Porém, a porcentagem de Boa e

Regular é diferente, 53% dos Professores consideram a Educação Boa e 15%

consideram Regular, ao contrário dos Diretores, que 70% consideram boa e

nenhum deles considera regular.

Também perguntamos aos Professores o que deve ser melhorado na

Educação municipal. As melhorias mais citadas são iguais às dos Diretores:

valorização, qualificação e formação profissional, trabalho em parceria, menos

alunos por sala e ouvir mais o corpo docente e discente. Como também,

ampliação do espaço físico escolar e/ou novas escolas e mais

responsabilidade da família para com os filhos.

Seguem as respostas que mais contemplam as melhorias citadas pelos

Professores:

“Melhoria na formação continuada de acordo com a


necessidade de cada área; valorização do Professor (salário);
apoio psicopedagógico especializado; Ouvissem mais aos
Professores; diminuíssem o número de alunos em sala de
aula”. (Lápis, 44 anos)

“Maior proximidade das famílias, em especial daqueles


alunos que apresentam tanto dificuldades de relacionamento,
quanto aqueles com dificuldades de aprendizado”. (Cola, s/d)

“O que realmente precisa acontecer é uma Educação


integrada, onde a criança seja atendida, levando em
consideração todas as suas necessidades no campo social-
físico-psicológico. Isso seria qualidade na Educação Pública”
(Mochila, 38 anos)

Compreende-se que são várias as melhorias que os profissionais da

Educação de Americana consideram que deveriam acontecer, estas não fogem


156

às melhorias almejadas por outros municípios, em destaque Limeira, que citou

semelhantes e/ou os mesmos pontos de melhorias educacional.

Essas melhorias se assemelham, pois estão relacionadas ao sistema de

ensino exigido aos profissionais, independe, em alguns casos, de vontade

pessoal do Diretor. Outras, como o ouvir mais o corpo discente e docente

poderia ser mediado por outro profissional.

Tabela 36: Relacionamento Gráfico 36


do Professor com o aluno

Relacionamento do Professor
com o alunoQtde.
%Ótimo1332%Bom2665%Regular
13%Ruim00%Total 40100% Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.

Os dados na tabela e gráfico 36 expressam como os Professores

consideram seu relacionamento com o aluno, para 32% dos entrevistados é

considerado Ótimo, 65% consideram Bom e 3% Regular. Estas não se diferem

muito do relacionamento dos Diretores com os alunos apontados na tabela e

gráfico 26 - 70% consideram Bom e 30% Ótimo.

Tabela 37: Relacionamento Gráfico 37


do Professor com os profissionais
da Escola

Relacionamento do Professor
com os profissionais da Escola
Qtde.
%Ótimo1742%Bom2255%Regular
00%Ruim13%Total 40100%
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.
157

Os indicadores 37 mostram como os Professores consideram seu

relacionamento com os profissionais da escola: 42% consideram Ótimo, 55%

Bom e 3% considera Ruim. Dados totalmente diferentes dos apontados pelos

Diretores: 80% consideram bom, 10% consideram Ótimo ou Regular – tabela e

gráfico 27.

Dando seqüência à pesquisa, perguntamos aos Professores quais as

principais dificuldades encontradas na escola, a porcentagem dos dados não

se diferem muito das dificuldades citadas pelos Diretores de Americana; sendo

assim, consideramos importante repetir os dados da tabela 28 juntamente com

os dados dos Professores e destacar os valores iguais ou próximos:

Tabela 38: Principais dificuldades encontradas nas escolas de Americana


Professores Diretores
Principais dificuldades encontradas nas escolas
Qtde. % Qtde. %
Deficiência no aprendizado do aluno 32 28% 7 28%
Desinteresse do aluno 30 25% 6 24%
Trazer a família para a escola 22 18% 5 20%
Relacionamento entre alunos e familiares 14 12% 1 4%
Relacionamento entre os alunos 8 7% 2 8%
Violência 5 4% 0 0%
Alcoolismo/Drogadição 4 3% 0 0%
Outras 4 3% 4 16%
Total 119 100% 25 100%
Obs.: O número de resposta é maior por existir mais de uma dificuldade apresentada.

Gráfico 38

Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos meses de agosto a outubro de 2008.
158

Diante desses aspectos, tabela e gráfico 38, é correto afirmar que tanto

em Americana como em Limeira, a dificuldade mais encontrada na escola está

na Deficiência do processo de aprendizagem do aluno. Como também,

desinteresse do aluno, dificuldade em trazer a família ao cotidiano da escola e

no relacionamento do aluno com seus familiares.

Verifica-se que os dois primeiros itens estão relacionados diretamente

ao sistema educacional, já os dois últimos poderiam ter a ação do Assistente

Social.

Os Professores citaram como outras dificuldades: trabalhar com a

inclusão de alunos deficientes, indisciplina e carência familiar.

É importante destacar que as dificuldades referentes ao relacionamento

entre alunos e seus familiares foi mais citada pelos Professores (14%) e menos

citada pelos Diretores (4%).

Já as dificuldades com Alcoolismo/Drogação e Violência, não foram

citadas pelos Diretores, e sim, pelos Professores, correspondendo a 4% e 3.

Questionamos os Professores como costumam enfrentar as dificuldades

citadas acima. Obtivemos as mesmas respostas dos Diretores: diálogo entre

educador/educando e educador/família, ajuda de educadores e outros


159

profissionais e reforço escolar. Acrescentaram, também, muita paciência,

atividades e táticas profissionais dentro da sala de aula.

Seguem as respostas que exemplificam como os Professores enfrentam

as dificuldades:

“Cada problema é enfrentado de uma maneira. A Deficiência


escolar é combatida com varias revisões, mas isso não vale
para quem escreve mal, que necessita praticar muito a
produção de texto. Quanto ao desinteresse do aluno, procuro
trazer textos interessantes; incentivar a leitura e dar boas
aulas de reforço. Quando à violência verbal, resolve-se com
muita conversa e paciência ”. (Retângulo, 65 anos)

“Com ajuda da direção, colegas Professores (as), funcionários


da escola. Dialogando e orientado os alunos, porém, muitas
vezes, estas orientações ocorrem durante o horário de aula,
prejudicando o atendimento dos mesmos. Desenvolvendo
atividades específicas para alguns problemas que acontecem
com os alunos”. (Biosfera, 46 anos)
“Em relação as dificuldades de aprendizagem busco nas
teorias, nas parcerias c/ a equipe da escola e família. Em
relação a falta de parceria da família enfrento s/ sucessos, já
que nem c/ convocação da direção ou em alguns casos, nem
via conselho tutelar a família vem”. (Lapiseira, 30 anos)

Segundo a pesquisa realizada pela revista Nova Escola, citada

anteriormente, os principais problemas encontrados nas salas de aula

brasileiras estão dentro dos dados coletados e analisados dos educadores de

Limeira e Americana, vejamos:

77% dos 500 Professores pesquisados pela revista citaram que a

ausência dos pais é um dos principais problemas da sala de aula;

70% está na desmotivação do aluno, e;

69% na indisciplina e falta de atenção do aluno.

A revista debateu os resultados obtidos com educadores de diferentes

áreas, e um deles citou que as causas dos problemas encontrados estão no

próprio Professor:

“Durante décadas, o Professor montou uma representação-padrão de


estudante, projetando o desejo de que ele venha de casa educado,
com os parentes providenciados todos os requisitos básicos para que
160

eles convivam em sociedade e aprendam. Esse quadro não existe”.


Da mesma forma, é fictícia a concepção de família ideal. Pai e mãe
trabalham fora e nem sempre moram na mesma casa – e os dois
fatores levam à diminuição do tempo dedicado às crianças, e com
isso, dos momentos de “formação doméstica. (LINO de MACEDO
apud GENTILE, 2007, p. 34).

Para obter resultados positivos entre os educadores e educandos, os

debatedores citam que é necessário um “ajuste” social, visto que

“a ampliação da escolarização no Brasil fez com que crianças e


jovens de comunidades antes excluídas entrassem no sistema.
Equivocadamente, o Professor acha que a origem cultural do garoto e
da mocinha os impede de aprender. Além disso, como não quer
assumir a função de formá-los, ele desiste de ensinar” (MENEZES
apud op. cit.)

Afirmam também que, “não é a família que tem de ser responsabilizada

pelo insucesso da garotada, mas a escola, que precisa rever sua missão e seu

projeto pedagógico para atender a todos, com ou sem problemas

socioeconômicos”. (GENTILE, 2007, p. 34).

Uma das educadoras debatedoras, ressalta que “não dá para correr

atrás de resultados de ensino sem pensar em reeducar os pais, que não

conhecem a proposta pedagógica da escola, o que ela oferece aos filhos e

como eles aprendem". (MANTOVANINI apud GENTIDE, 2007, p. 34).

Eis ai mais uma das funções da contribuição do Serviço Social dentro do

espaço educacional: o Serviço Social trabalhará frente a essas dificuldades

encontradas na escola, resultantes do sistema neoliberal capitalista,

enfrentados pela grande maioria dos educandos através de sua família, bem

como, na contribuição da reeducação dos pais, visto que acreditamos que a

família não deve ser totalmente deixada de lado, sua participação na vida

escolar do aluno é fundamental para que o educando se desenvolva e se sinta

mais motivado em freqüentar a escola e em aprender.


161

Tabela 39: Conhecimento sobre Gráfico 39


a inserção do Assistente Social
na Educação

Conhecimento sobre
a inserção do
Assistente Social na
EducaçãoQtde.
%Sim2050%Não2050%Total Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.
40100%

Perguntamos aos Professores, assim, como perguntamos aos Diretores,

se conhecem ou já ouviram falar sobre a inserção do Assistente Social na área

da Educação Pública, o resultado foi surpreendente ao comparar com os

resultados dos dados da tabela e gráfico 29 e tabela e gráfico 39, 50% de

ambos pesquisados conhecem ou já ouviram e, 50% não conhecem ou não

ouviram falar sobre o assunto.

É correto afirmar que as pesquisas de Tópico Avançado em Serviço

Social Escolar, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Serviço Social

(NEPESS) e Trabalhos de Conclusão de Campo com esta abordagem, Serviço

Social na área da Educação contribuiu e contribui muito para que cada vez

mais os profissionais da escola conheçam essa nova “parceria” com o Serviço

Social.
162

Tabela 40: Conhecimento Gráfico 40


sobre a Lei n° 3950/03

Conhecimento
sobre a Lei
nº 3.950/03Qtde.
%Sim512%Não3588%Total
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
40100% meses de agosto a outubro de 2008.

Logo em seguida, perguntamos aos Professores se já ouviram falar da

Lei Municipal nº 3.950/03, o resultado não fugiu muito do conhecimento dos

Diretores – tabela e gráfico 30.

Apenas 12% dos Professores disseram conhecê-la, o Professor

Tesoura, 42 anos e a Professora Lapiseira, 30 anos, responderam que ouviram

na reunião pedagógica, porém, citaram que ouviram superficialmente. A

Professora Lápis, 44 anos, respondeu que ouviu dizer “que fariam parte do

corpo da escola”. (sic). E, o Professor Meio Ambiente, 28 anos, ficou sabendo

através de profissionais da rede escolar.

E, 88% disseram que não conhecem a Lei.

Sabemos que pode haver profissionais que estão no município e vieram

de outras cidades e não conhecem as Leis municipais de Americana. Os dados

comprovam que a escola é mais um espaço para a divulgação da Lei, como


163

também, um espaço em que o Serviço Social pode conquistar para juntos

reivindicarem a regulamentação e implantação da Lei.

Questionamos quais as demandas que o Assistente Social na Educação

Pública poderá atender na escola, 85% dos Professores, assim como 80% dos

Diretores de Americana, afirmaram a demanda aluno/família. O Professor

Papel, 40 anos, exemplifica de modo claro e objetivo as respostas dos demais

Professores que citaram demandas:

“- Relacionamento familiar;
- Evasão Escolar (quando ocorrer);
- Questões disciplinares graves;
- Encaminhamento para órgãos específicos que cuida da
Saúde do Educando”. (Papel, 40 anos)

Tivemos 2 Professores que não citaram demanda, um respondeu que

desconhece e o outro comprova através de sua resposta que também não

conhece a atuação do Serviço Social este campo:

“Sinceramente penso que em pouquíssimos casos; a maioria


das situações exige a presença de psicólogos e um Conselho
[conselheiro] Tutelar Com maior autonomia para atuar”.
(Pincel, 57 anos)

Para finalizar a pesquisa, perguntamos aos Professores se o Serviço

Social pode contribuir para que os profissionais da Educação se atentem

quanto às dificuldades existentes na relação educador/educando, obtivemos a

seguinte resposta:

Tabela 41: Contribuição do Gráfico 41


Serviço Social nas dificuldades
existentes entre educador/educando

O Serviço Social pode contribuir


para que os profissionais da
Educação se atentem quanto às
dificuldades existentes na relação
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
educador/educandoQtde. meses de agosto a outubro de 2008.
%Sim3587%Não25%Não respondeu
38%Total 40100%
164

87% dos Professores acreditam que o Serviço Social pode contribuir

para que eles entendam as dificuldades existentes entre o educador/educando;

5% acreditam que não pode contribuir;

3% não responderam à pergunta.

Os dados apontados na tabela e gráfico 41, não se diferenciam muito da

opinião dos Diretores: 80% acreditam que Sim, e 20% não responderam –

tabela e gráfico 31, e nem se diferenciam das citações referentes à maneira

que o Serviço Social pode contribuir.

Os Professores citaram como modo de contribuição: aproximação e

reforço no elo educador/educando, conhecer e trazer para a escola a realidade

familiar do educando, elaborar e executar projetos dentro da escola para o

educador/educando e família.

Vejamos algumas falas que contemplam as respostas dos entrevistados:

“Acredito que estabelecendo o elo entre escola-família, ou ao


menos, trazendo informações sobre como é a realidade social
dos alunos. Quando sabemos exatamente o que ocorre
dentro da casa da criança é mais fácil (ou pelo menos mais
seguro) conduzir as coisas”. (Lapiseira, 30 anos)

“Através de levantamento (pesquisa) dos problemas reais


que estão afetando a aprendizagem dessa criança (seja ele
social/comportamental), os porquês dela não estar
acompanhando e intermediar sobre eles”. (Caderno, 51 anos)
165

A grande maioria das respostas citadas pelos Professores e Diretores

comprova a hipótese73 da pesquisadora, em destaque a resposta da Professora

Desenho, 40 anos:

“Com o grande número de alunos em sala e o pouco tempo


de reunião na unidade, está comum o prof. não saber das
dificuldades do aluno em sua vida privada, no 2º e até no 3º
bimestre, enquanto que conhecendo as dificuldades facilita o
processo de empatia e a escolha de conteúdos adequados à
sua realidade”. (Desenho, 40 anos)

Diante de todos os aspectos pesquisados e analisados no município de

Americana, é correto afirmarmos que quase todos os profissionais pesquisados

na Educação Pública Municipal, reconhecem que o Serviço Social pode

contribuir para a percepção das dificuldades existentes em sua relação com o

educando, como também consideram importante a atuação do Serviço Social

na Escola, mesmo conhecendo superficialmente a atuação do Assistente

Social nessa área.

“Serviço Social/escola são áreas que necessitam estar juntas


para “tentarem” sanar as dificuldades socioeconômicas
da família, dificuldades de aprendizagem e relação
família/escola”. (Livro, 39 anos)

Para tanto, é necessário que a categoria profissional do Serviço Social

esteja articulada com os profissionais da Educação, lutando para a inserção do

Assistente Social na área Educacional Pública.

E, para finalizar este capítulo, a seguir, analisaremos se a ausência de

articulação entre profissionais de Serviço Social levaram a morosidade da

73
“A ausência do Assistente Social na escola, mais as expressões da questão social do aluno
somado à função dos profissionais de Educação: escolarização de mais de 30 alunos em sala
de aula, dificulta que o educador/educando tenha um relacionamento mais “aberto”, em que o
professor perceba e conheça a raiz da dificuldade do aluno no processo de ensino-
aprendizado”.
166

regulamentação da Lei municipal que insere Assistentes Sociais na Educação

Pública de Americana.

3.3.5 Assistentes Sociais da Pró-Comissão do Serviço Social Escolar de

Americana e ex-alunos que moram em Americana e cursaram o Tópico

Avançado de Serviço Social Escolar em 2005 e 2007

Tabela 42: Gênero dos Assistentes Gráfico 42


Sociais pesquisados de Americana

GêneroQtde.
%Feminino787%Masculino113%Tot
al 8100%
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.

Os dados apresentados na tabela e gráfico 42 apontam o número dos

Assistentes Sociais que responderam o questionário de pesquisa e seus

respectivos gêneros: 7 mulheres e 1 homem – único pesquisado.

Tabela 43: Faixa etária Gráfico 43

IdadeQtde.%21 a 30 anos450%31 a Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos


40 anos225%41 a 50 meses de agosto a outubro de 2008.
anos225%Total 8100%
167

A tabela e gráfico 43 correspondem à faixa etária das Assistentes

Sociais entrevistadas.

Tabela 44: Tempo de atuação Gráfico 44


como Assistente Social

Tempo de atuação como


Assistente SocialQtde.%1 a 4 anos
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
564%5 a 8 anos 112%Não meses de agosto a outubro de 2008.
respondeu112%Desempregado112%Tot
al 8100%

O tempo de atuação como Assistente Social é demonstrado na tabela e

gráficos 44, sendo que 64% estão atuando de 1 a 4 anos e 12% dos

entrevistados estão atuando de 5 a 8 anos, 12% não respondeu ou está

desempregado.

Tabela 45: Setor de atuação Gráfico 45

Setor de atuaçãoQtde.
%Público340%Privado112%Terceiro
Setor112%Outros112%Não
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
respondeu112%Desempregada112% meses de agosto a outubro de 2008.
Total 8100%
168

De acordo com a tabela e gráfico 45, verificamos que os profissionais

entrevistados estão atuando nos três setores existentes: público, privado e

terceiro setor. E, comprova-se que o setor público é o que mais emprega

Assistentes Sociais, 40% dos entrevistados estão neste setor.

Tabela 46: Segmento de atuação Gráfico 46

Segmento de atuaçãoQtde.
%Criança/Adolescente
112%Saúde112%Assistência Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
Social 340%Empresa112%Não meses de agosto a outubro de 2008.
respondeu112%Desempregada11
2%Total 8100%

É apontado na tabela e gráfico 46 o segmento de atuação profissional

dos entrevistados, os dados comprovam que,

Os assistentes sociais são formados para trabalhar nas mais variadas


expressões cotidianas do indivíduo: no trabalho, na família, na saúde,
na Educação, na assistência social, na habitação, com questões
relativas à drogadição/alcoolismo, sexualidade,
desemprego/subemprego, desestruturação familiar, violência nas
mais diversas manifestações, entre outras. [...] (Penatti, et al., 2007,
p. 77)

Pedimos que os entrevistados comentassem como foi despertado o

interesse pelo Serviço Social na Educação Escolar. Obtivemos diferentes

respostas: por gostar de trabalhar com criança e adolescente, por ser um novo

campo de atuação profissional, por aprovarem a Lei 3.950/03, por trabalhar em


169

uma Instituição Escolar Privada, por ter feito pesquisa nessa área e por

encontrar na Educação os maiores problemas sociais.

Tabela 47: Ouve falar sobre o Gráfico 47


Serviço Social na Educação em
Americana

Ouve falar algo sobre o Serviço


Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
Social na Educação no meses de agosto a outubro de 2008.
municípioQtde.
%Sim790%Não110%Total 8100%

Perguntamos aos Assistentes Sociais se ouvem falar algo sobre o

Serviço Social na Educação municipal, 90% responderam que sim, a maioria

dos profissionais citaram que ouviram falar na faculdade, através de palestras,

seminários, fóruns, debates, porém atualmente ouve-se muito pouco.

Tabela 48: Participam da articulação Gráfico 48


que visa a implantação do Serviço
Social na Educação

Está participando da articulação


que vise a implantação do Serviço
Social na EducaçãoQtde. Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
%Sim450%Não450%Total 8100% meses de agosto a outubro de 2008.
170

Perguntamos aos Assistentes Sociais se estão participando da

articulação que vise a implantação do Serviço Social na Educação, 50%

responderam que sim e 50% responderam que não – tabela e gráfico 48.

Àqueles que não estão participando tivemos as seguintes justificativas:

“Trabalho na área empresarial e infelizmente acabei


perdendo o vínculo com o SS escolar/Educação”. (Rosa, 32
anos)

“Não tenho notícia de ação nesse sentido, atualmente”.


(Branco, 24 anos)

A falta de articulação foi demonstrada logo na busca dos sujeitos para

essa pesquisa, uma vez que dos membros que foram atuantes na Comissão,

apenas uma participou.

Questionamos se a categoria do Serviço Social está articulada para

contribuir com a implantação da Lei nº 3.950. Obtivemos a seguinte resposta:

Tabela 49: Articulação da Gráfico 49


categoria profissional na
contribuição da implantação

A categoria profissional do
Serviço Social está
articulada para contribuir
com a implantaçãoQtde. Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
%Sim00%Não8100%Total meses de agosto a outubro de 2008.
8100%

100% dos entrevistados acreditam que a categoria profissional não está

articulada. Vejamos algumas das principais respostas escritas:


171

“Acredito que uma das categorias profissionais mais


individualistas seja a nossa [Serviço Social], a articulação é
“palavrão” para o Assistente Social”. (Amarelo, 31 anos)

“Alguns profissionais estão, mas a maioria creio que não.


Para implantação é necessário um grande conhecimento e a
quebra de muitos paradigmas, temos muitos profissionais
que preferem não entrar nessa luta”. (Rosa, 32 anos)

“Acredito que a nossa categoria não está organizada


devidamente com o objetivo de sensibilizar e pressionar a
gestão pública sobre a importância do SS como instrumento
de intervenção da política de nível assistencial em escolas da
rede pública”. (Laranja, 47 anos)

Após, perguntamos a opinião dos entrevistados sobre a relação dos

profissionais da Educação com o Serviço Social em Americana.

Tabela 50: Opinião sobre a Gráfico 50


relação dos profissionais da
Educação com o Serviço Social
em Americana

Opinião sobre a relação dos


profissionais da Educação com o
Serviço Social em AmericanaQtde.
%Ótima00%Boa112%Regular450%Ru Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
im226%Não respondeu112%Total meses de agosto a outubro de 2008.
8100%

Os dados da tabela e gráfico 50 apontam que nenhum dos entrevistados

considera Ótima, 12% consideram Boa, 50% acreditam ser Regular, 26%

consideram Ruim e 12% não responderam.

Questionamos se a ausência entre os profissionais do Serviço Social e

Educação dificultam a regulamentação da Lei.


172

Tabela 51: A ausência de Gráfico 51


articulação entre os profissionais
do Serviço Social e Educação
dificultando a regulamentação
da Lei

A ausência de articulação entre os


profissionais do Serviço Social e
Educação dificultam a
Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
regulamentação da LeiQtde. meses de agosto a outubro de 2008.
%Sim790%Não110%Total 8100%

Os dados da tabela e gráfico 50 mostram que 90% dos entrevistados

afirmaram que sim, apenas 10% afirmaram que não.

Pedimos para que tecessem comentários sobre sua resposta. Seguem

dois comentários dos entrevistados que responderam sim:

“Sim, pois a articulação daria forças para a reivindicação”.


(Azul, 26 anos)

“Sem cobrança, dificilmente haverá implantação, pois a


política social no Brasil, só se deu devido à luta dos setores
populares, ou infelizmente, quando significou benefícios
eleitorais, portanto, acredito que sem “pressão, é possível
que mais essa Lei não saia do papel”. (Branco, 24 anos)

A Assistente Social Amarelo, 31 anos, respondeu que a ausência de

articulação entre as duas categorias não contribui com a implantação da Lei,

ela acredita que,

“A falta de conhecimento e valorização profissional das


referidas áreas aliadas a falta de vontade política e
profissionalismo, impedem o direcionamento e implantação
de novas alternativas”. (Amarelo, 31 anos)
173

Também perguntamos aos entrevistados se sob o ponto de vista deles,

a gestão pública atual está contribuindo para a regulamentação da Lei nº

3.950.

Tabela 52: Contribuição Gráfico 52


da gestão pública vigente para a
regulamentação da Lei

A gestão pública vigente está


contribuindo para a regulamentação
da LeiQtde. Fonte: Pesquisa documental realizada pela autora nos
meses de agosto a outubro de 2008.
%Sim00%Não8100%Total 8100%

Verifica-se na tabela e gráfico 52, que todos os entrevistados acreditam

que Não.

A maioria dos entrevistados citaram que faltam pessoas engajadas para

a regulamentação e interesse em conhecer detalhes e investir no trabalho do

Assistente Social na Educação Escolar.

A Assistente Social Rosa, 32 anos, comenta:

“[...] às vezes penso que as pessoas no poder ainda não


entenderam a real necessidade”. (Rosa, 32 anos)

Já a Assistente Social Branco, 24 anos, afirma:

“[...] ainda se prefere remediar do que prevenir; punir do que


corrigir”. (Branco, 24 anos)

E, para finalizar a pesquisa, perguntamos a opinião dos Assistentes

Sociais referente ao que limita a implantação do Serviço Social nas escolas do

município de Americana.
174

Todas as respostas obtidas são contempladas com a da Assistente

Social Branco, 24 anos:

“Primeiramente, acho que falta vontade política; em


segundo, falta clareza sobre o trabalho do Serviço Social e de
quanto ele pode contribuir na escola”. (Branco, 24 anos)

A análise geral da pesquisa com os Assistentes Sociais que cursaram o

Tópico Avançado em Serviço Social Escolar, mostra-nos que mesmo tendo

uma amostragem de 50% dos entrevistados que estão participando de alguma

articulação que vise a implantação do Serviço Social nas Escolas Públicas de

Americana, a categoria no geral, está desarticulada, e todos os entrevistados

também percebem essa desarticulação.

Verifica-se que há falta de conhecimento dos Assistentes Sociais quanto

à visão de Diretores e Professores, pois a pesquisa demonstrou que conhecem

e vêem a função/necessidade do Assistente Social no espaço escolar.

Ambas as categorias sabem da importância e necessidade da inserção

do Assistente Social na Educação Escolar, para tanto deveriam se articular

para criarem forças na luta pela implantação do Serviço Social na Educação

Escolar e concretização da Lei nº 3950/03 que está no papel há 5 anos.


175

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho possibilitou um estudo dos avanços e desafios do Serviço

Social na área da Educação Escolar de Limeira/SP e Americana/SP.

Conforme estudo bibliográfico, conhecemos brevemente a trajetória da

Educação Escolar no Brasil juntamente com as políticas educacionais

brasileiras. Através delas, comprovamos que a Educação é regida

politicamente e não está de acordo com as necessidades apresentadas pelos

educadores e educandos, oriundas do sistema neoliberal capitalista.

O Serviço Social, por trabalhar com os resultados desse sistema

neoliberal, denominado expressões da questão social, vem cada vez mais

lutando para ganhar espaço no contexto escolar. Seu Projeto Ético-Político

vem ao encontro das necessidades que a escola precisa sanar, em destaque o

compromisso com a qualidade de seus serviços prestados aos educandos e às

suas respectivas famílias através da mediação escola/família/comunidade.

A pesquisa documental do município de Limeira/SP nos comprovou que

é possível e necessária a atuação do Serviço Social na Educação Escolar e

que o trabalho interdisciplinar é fundamental para que, tanto o educador como


176

o educando conquistem resultados concretos e positivos na relação do

educador/educando e no processo de ensino-aprendizagem.

Tanto a pesquisa documental de Limeira como a de Americana,

comprovam que o Assistente Social colabora ou pode colaborar com a

percepção dos profissionais da Educação sobre as dificuldades entre

educador/educando através da mediação escola/família/comunidade.

Através da pesquisa no município de Americana, demonstrou-se que o

Gestor Público municipal tem um conhecimento superficial sobre a atuação do

Assistente Social na escola, porém as questões políticas, somadas ao não

entendimento sobre a função do Serviço Social nesse campo, dificultam a

implantação da Lei nº 3.950/03.

Conforme todos os dados coletados e analisados em Americana,

comprovou-se que realmente há a necessidade e interesse da atuação

profissional do Serviço Social na Educação Pública Municipal e que, para a

implantação da Lei, é importante que os profissionais da Educação Pública

Municipal de Americana se unam aos profissionais de Serviço Social que

conhecem, militam ou acreditam nesse novo campo de atuação. Só através

dessa união é que ambos os profissionais poderão reivindicar a inserção dos

Assistentes Sociais aos novos gestores políticos do município.

Concluímos que foi de grande valia e importância a construção deste

trabalho. Gerou crescimento pessoal e profissional, possibilitou-me entender as

políticas educacionais do Brasil, correlacionar o Serviço Social na Educação

Escolar, conhecer a prática profissional do Serviço Social no contexto escolar,

verificar avanços e desafios da sua implantação no município de Americana/SP

e, vontade de continuar na “luta” por mais esse espaço de atuação profissional.


177

Portanto, nossos objetivos e hipóteses foram amplamente contemplados.

Sugerimos que este estudo não termine aqui, que venha suscitar aos

profissionais e alunos a continuidade e aprofundamento das questões por mim

levantadas em prol da família, da criança e da sociedade.


178

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Dados Limeira - PNAD/IBGE – 2005, Disponível em:


http://www.todospelaeducacao.org.br/Numeros.aspx?
cidade=3526902&estado=SP&ano=2005&boletim=3&pesquisa=1&action=42,
Acesso em: 02 de novembro de 2008.

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http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/L8069.htm. Acessado em: 27 de outubro
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http://www.limeira.sp.gov.br/secretarias/sme/, Acesso em: 02 de novembro de
2008.

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http://www.servicosocialescolar.com.br/textos.php. Acesso em: 27 de outubro
de 2008.

Trajetória do Serviço Social na área da Educação no Município de Limeira/SP.


Disponível em: http://www.servicosocialescolar.com.br/textos.php. Acesso em:
27 de outubro de 2008.
184

APÊNDICES

APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO de PESQUISA: Assistentes Sociais do


município de Limeira
Data da Entrevista: ____/____/2008.

I – Identificação:
Pseudônimo: Amor - Gênero: ( ) F ( ) M - Idade: _______
Quanto tempo atua como Assistente Social: ___________
Quantos anos está atuando na Educação: _____________

II – Perguntas:
1. Durante sua formação acadêmica, você ouviu e/ou estudou sobre o Serviço
Social na área da Educação?
( ) Sim ( ) Não

2. Para você a Educação Pública Municipal de Limeira é:


( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

3. Como é sua relação com o aluno?


( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

4. Como é sua relação com outros profissionais que atuam na área da


Educação? Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

5. Na sua opinião, o que é preciso melhorar na Educação Pública Municipal de


Limeira?
R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

6. Quais as principais dificuldades que o Serviço Social encontra na escola?


( ) Alcoolismo/Drogadição
( ) Deficiência no processo de aprendizado do aluno
( ) Desinteresse do aluno
( ) Dificuldade em trazer a família para o cotidiano da escola
( ) Dificuldade no relacionamento com outros profissionais da escola
( ) Dificuldade no relacionamento entre alunos e familiares
( ) Dificuldade no relacionamento entre os alunos
( ) Gravidez na Adolescência
( ) Evasão Escolar
( ) Violência
( ) Outras. Citar __________________________________________________
185

7. Como o Serviço Social costuma enfrentá-las?


R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

8. O Serviço Social contribui para que o demais profissionais da área


educacional se atentem para as dificuldades existentes na relação
educador/educando?
( ) Sim ( ) Não
De que modo? ___________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

9. Quais são suas motivações em trabalhar na área da Educação?


R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

10. Cite 3 facilidades no desenvolvimento de sua prática profissional na escola.


1º _____________________________________________________________
2º______________________________________________________________
3º _____________________________________________________________

11. Cite 3 dificuldades no desenvolvimento de sua prática profissional na


escola.
1º _____________________________________________________________
2º______________________________________________________________
3º _____________________________________________________________

OBRIGADA!

Obs.: Pesquisa realizada por Jaqueline Priscila Gonçalves Moreira, aluna do 4º ano, Serviço
Social, UNISAL, Americana/SP, sob orientação da Profª Mst. Neusa M. Ferraz Costa Penatti,
intitulada: “Serviço Social e Educação na Interdisciplinaridade: avanços e desafios”.
186

APÊNDICE B - QUESTIONÁRIO de PESQUISA: Diretores do município de


Limeira
Data da Entrevista: ____/____/2008.

I – Identificação:
Pseudônimo: Orquídea - Gênero: ( ) F ( ) M - Idade: _______
Escola de atuação: ______________________________________________
Quantos anos está atuando na Educação: _____________

II – Perguntas:
1. Para você a Educação Pública Municipal de Limeira é:
( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

2. Como é sua relação com o aluno?


( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

3. Como é o seu relacionamento com o Assistente Social?


( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

4. Como é a relação do Assistente Social com os alunos?


( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

5. Como é a relação dos alunos com o Assistente Social?


( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

6. Antes da inserção do Serviço Social nas escolas de Limeira você conhecia a


atuação do Assistente Social na área da Educação?
( ) Sim ( ) Não

7. Na sua opinião, o que precisa melhorar na Educação Pública Municipal de


Limeira?
R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

8. Quais as principais dificuldades que você encontra na escola?


( ) Alcoolismo/Drogadição
( ) Deficiência no processo de aprendizado do aluno
( ) Desinteresse do aluno
( ) Dificuldade em trazer a família para o cotidiano da escola
( ) Dificuldade no relacionamento com outros profissionais da escola
( ) Dificuldade no relacionamento entre alunos e familiares
( ) Dificuldade no relacionamento entre os alunos
( ) Gravidez na Adolescência
( ) Evasão Escolar
187

( ) Violência
( ) Outras. Citar __________________________________________________

9. Quais dificuldades foram sanadas e/ou amenizadas após a inserção do


Assistente Social na escola?
R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

10. O Serviço Social contribui para que o demais profissionais da área


educacional se atentem para as dificuldades existentes na relação
educador/educando?
( ) Sim ( ) Não
De que modo? ___________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

11. Na sua opinião, o que deveria ser acrescentado na prática profissional do


Assistente Social na escola?
R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

OBRIGADA!

Obs.: Pesquisa realizada por Jaqueline Priscila Gonçalves Moreira, aluna do 4º ano, Serviço
Social, UNISAL, Americana/SP, sob orientação da Profª Mst. Neusa M. Ferraz Costa Penatti,
intitulada: “Serviço Social e Educação na Interdisciplinaridade: avanços e desafios”.
188

APÊNDICE C - QUESTIONÁRIO de PESQUISA: Secretário Municipal da


Educação
Data da Entrevista: ____/____/2008.

I – Identificação:
Idade: _______ Quanto tempo atua na área: _________________
Local de atuação: _________________________________________

II – Perguntas:
1. Para o senhor como é a Educação Pública Municipal de Americana?
( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

2. O que precisa melhorar na Educação Pública Municipal de Americana?


R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

3. O senhor tem conhecimento sobre a atuação de um Assistente Social?


Comente.
Comentário. _____________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

4. O senhor conhece municípios que têm Assistentes Sociais trabalhando nas


escolas?
( ) Sim - Quais municípios? _______________________________________
Como avalia? ____________________________________________________
( ) Não

5. Conhece a prática profissional do Assistente Social nessas escolas?


Comente.
( ) Sim ( ) Não
Comentário. _____________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

6. O senhor considera importante a atuação do Assistente Social nas escolas?


Comente.
( ) Sim ( ) Não
Comentário. _____________________________________________________
_______________________________________________________________
189

7. Como o Assistente Social pode contribuir com os alunos e profissionais da


área da Educação?
R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

8. Quais seriam as principais demandas que o Assistente Social irá atender na


escola?
R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

9. A Lei nº 3950, que insere o Assistente Social nas escolas municipais de


Americana foi aprovado em 15/12/2003, na sua opinião por que ainda não foi
regulamentada?
R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

10. Quais são os limites e o que falta para a regulamentação? Comente.


Comentário. _____________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

11. Para o senhor, como você pode contribuir para agilizar a regulamentação?
R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

12. Há previsão para regulamentação? Comente.


( ) Sim ( ) Não
Comentário: _____________________________________________________
_______________________________________________________________

OBRIGADA!

Obs.: Pesquisa realizada por Jaqueline Priscila Gonçalves Moreira, aluna do 4º ano, Serviço
Social, UNISAL, Americana/SP, sob orientação da Profª Mst. Neusa M. Ferraz Costa Penatti,
intitulada: “Serviço Social e Educação na Interdisciplinaridade: avanços e desafios”.
190

APÊNDICE D - QUESTIONÁRIO de PESQUISA: Diretores e Professores

das Escolas Municipais de Americana

Data da Entrevista: ____/____/2008.


I – Identificação:

( ) Diretor/a ( ) Professor/a
Pseudônimo: Caneta - Gênero: ( ) F ( ) M - Idade: _______
Escola de atuação: __________________________________Série: ________
Quantos anos está atuando na Educação: _____________

II – Perguntas:
1. Para você a Educação Pública Municipal de Americana é:
( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

2. Como é sua relação com o aluno?


( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

3. Como é sua relação com o/a Diretor/a ou Professores/as e demais


profissionais da escola?
( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

4. O que precisa melhorar na Educação Pública Municipal de Americana?


R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

5. Quais as principais dificuldades que você encontra na escola?


( ) Alcoolismo/Drogadição
( ) Deficiência no processo de aprendizado do aluno
( ) Desinteresse do aluno
( ) Dificuldade em trazer a família para o cotidiano da escola
( ) Dificuldade no relacionamento com outros profissionais da escola
( ) Dificuldade no relacionamento entre alunos e familiares
( ) Dificuldade no relacionamento entre os alunos
( ) Gravidez na Adolescência
( ) Evasão Escolar
( ) Violência
( ) Outras. Citar _____________________________

6. Como você costuma enfrentá-las?


R. _____________________________________________________________
191

7. Você conhece ou já ouviu falar sobre a inserção do Assistente Social na área


da Educação Pública?
( ) Sim ( ) Não

8. Já ouviu falar da Lei de Americana aprovada em 2003 que garante a


inserção do Assistente Social nas escolas municipais?
( ) Sim - O que e como ouviu? _____________________________________
( ) Não

9. Quais as principais demandas que o Assistente Social na Educação irá


atender em sua escola?
R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

10. O Serviço Social pode contribuir para que os demais profissionais da área
educacional se atentem para as dificuldades existentes na relação
educador/educando?
( ) Sim ( ) Não
De que modo? ___________________________________________________
_______________________________________________________________

OBRIGADA!

Obs.: Pesquisa realizada por Jaqueline Priscila Gonçalves Moreira, aluna do 4º ano, Serviço
Social, UNISAL, Americana/SP, sob orientação da Profª Mst. Neusa M. Ferraz Costa Penatti,
intitulada: “Serviço Social e Educação na Interdisciplinaridade: avanços e desafios”.
192

APÊNDICE E - QUESTIONÁRIO de PESQUISA: Assistentes Sociais da

Comissão do Pró-Serviço Social Escolar de Americana e Ex-alunos do

Tópico Avançado 2005 e 2007

Data da Entrevista: ____/____/2008.

I – Identificação:
Pseudônimo: Roxo - Gênero: ( ) F ( ) M - Idade: _______
Quanto tempo atua como Assistente Social: ___________
Qual setor : ( ) Público ( ) Privado ( ) Terceiro Setor ( ) Outros _________
Qual segmento: ( ) Criança/Adolescente ( ) Saúde ( ) Idoso ( ) Assistência
Social

II – Perguntas:
1. Comente como despertou seu interesse pelo Serviço Social na Educação.
R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

2. Você ouve falar algo sobre o Serviço Social na Educação no município?


( ) Sim ( ) Não
Onde e o que ouviu falar? __________________________________________

3. Atualmente você está participando de articulação que vise a implantação do


Serviço Social na Educação? Justifique.
( ) Sim ( ) Não
Justificativa _____________________________________________________
_______________________________________________________________

4. Na sua opinião, a categoria profissional está articulada para contribuir com a


implantação? Justifique.
( ) Sim ( ) Não
Justificativa _____________________________________________________
_______________________________________________________________
193

5. Para você, como é a relação dos profissionais de Educação com o Serviço


Social em Americana?
( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

6. A ausência de articulação entre os profissionais do Serviço Social e


Educação dificultam a regulamentação da Lei? Comente.
( ) Sim ( ) Não
Comentário______________________________________________________
_______________________________________________________________

7. Na sua opinião a gestão pública vigente está contribuindo para a


regulamentação da Lei? Comente
( ) Sim ( ) Não
Comentário______________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

8. Na sua opinião o que limita a implantação do Serviço Social nas escolas do


município de Americana?
R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

9. Comentários que julgar necessário.


R. _____________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

OBRIGADA!

Obs.: Pesquisa realizada por Jaqueline Priscila Gonçalves Moreira, aluna do 4º ano, Serviço
Social, UNISAL, Americana/SP, sob orientação da Profª Mst. Neusa M. Ferraz Costa Penatti,
intitulada: “Serviço Social e Educação na Interdisciplinaridade: avanços e desafios”.
194

ANEXOS

ANEXOS A – CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


198874.
Título VIII
Da Ordem Social
Capítulo III
Da Educação, da Cultura e do Desporto
Seção I
Da Educação
Art. 205. A Educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa,
seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições
públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da Educação Escolar, garantidos, na forma da lei, planos
de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das
redes públicas;
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade;
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da Educação Escolar pública,
nos termos de lei federal.
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados
profissionais da Educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação
de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios.

Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão


financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa
e extensão.
§ 1º É facultado às universidades admitir Professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na
forma da lei.
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica.

Art. 208. O dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de:
I - ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para
todos os que a ele não tiverem acesso na idade própria;
II - progressiva universalização do ensino médio gratuito;
III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente
na rede regular de ensino;
IV - Educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade;
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo
a capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;

74
Texto consolidado até a Emenda Constitucional nº 56 de 20 de dezembro de 2007.
Disponível em: http://www.senado.gov.br/sf/legislacao/const. Acessado em: 27 de outubro de
2008.
195

VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas


suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.
§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público, ou sua oferta irregular,
importa responsabilidade da autoridade competente.
§ 3º Compete ao poder público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a
chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola.

Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições:


I - cumprimento das normas gerais da Educação nacional;
II - autorização e avaliação de qualidade pelo poder público.

Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar
formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.
§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais
das escolas públicas de ensino fundamental.
§ 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às
comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de
aprendizagem.

Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de


colaboração seus sistemas de ensino.
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as
instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função
redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e
padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados,
ao Distrito Federal e aos Municípios.
§ 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na Educação infantil.
§ 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio.
§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios definirão
formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório.
§ 5º A Educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular.

Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos,
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.
§ 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada,
para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir.
§ 2º Para efeito do cumprimento do disposto no caput deste artigo, serão considerados os
sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213.
§ 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das
necessidades do ensino obrigatório, nos termos do plano nacional de Educação.
§ 4º Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art.
208, VII, serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros
recursos orçamentários.
§ 5º A Educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição
social do salário-Educação, recolhida pelas empresas na forma da lei.
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-
Educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na
Educação básica nas respectivas redes públicas de ensino.

Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a
escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que:
I - comprovem finalidade não lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em
Educação;
II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou
confessional, ou ao poder público, no caso de encerramento de suas atividades.
§ 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o
ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de
196

recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da
residência do educando, ficando o poder público obrigado a investir prioritariamente na
expansão de sua rede na localidade.
§ 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do
poder público.

Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de Educação, de duração plurianual, visando à
articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações
do poder público que conduzam à:
I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - melhoria da qualidade do ensino;
IV - formação para o trabalho;
V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.
197

ANEXOS B - LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 199075.

Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências.

Capítulo IV - Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer

Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à Educação, visando ao pleno desenvolvimento
de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho,
assegurando-se-lhes:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - direito de ser respeitado por seus educadores;
III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares
superiores;
IV - direito de organização e participação em entidades estudantis;
V - acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência.
Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem
como participar da definição das propostas educacionais.

Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente:


I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso
na idade própria;
II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio;
III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente
na rede regular de ensino;
IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade;
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a
capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do adolescente trabalhador;
VII - atendimento no ensino fundamental, através de programas suplementares de material
didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.
§ 2º O não oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público ou sua oferta irregular
importa responsabilidade da autoridade competente.
§ 3º Compete ao poder público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a
chamada e zelar, junto aos pais ou responsável, pela freqüência à escola.

Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede
regular de ensino.

Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho


Tutelar os casos de:
I - maus-tratos envolvendo seus alunos;
II - reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares;
III - elevados níveis de repetência.

Art. 57. O poder público estimulará pesquisas, experiências e novas propostas relativas a
calendário, seriação, currículo, metodologia, didática e avaliação, com vistas à inserção de
crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental obrigatório.

Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos


próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da
criação e o acesso às fontes de cultura.

Art. 59. Os municípios, com apoio dos estados e da União, estimularão e facilitarão a
destinação de recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer voltadas
para a infância e a juventude.

75
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/L8069.htm. Acessado em: 27 de
outubro de 2008.
198

ANEXO C – LEI Nº 3.950, DE 15 DE DEZEMBRO DE 200376


Autor do Projeto de Lei C. M. nº 220/2003 – Poder Legislativo – Vereador Davi Gonçalves
Ramos

"Institui o Serviço Social Escolar nas Escolas Municipais de Americana."


Dr. Erich Hetzl Júnior, Prefeito Municipal de Americana em exercício, no uso das atribuições
que lhe são conferidas por lei, faz saber que a Câmara Municipal aprovou e ele sanciona e
promulga a seguinte lei:
Artigo 1º- Institui o Serviço Social Escolar nas Escolas Municipais de Americana.
Parágrafo Único - Compete ao Serviço Social Escolar:
I - efetuar levantamento de natureza sócio-econômico e familiar para caracterização da
população escolar;
II - elaborar e executar programas de orientação sócio-familiar, visando a prevenção da
evasão escolar e melhorar o desempenho do aluno;
III - integrar o Serviço Social Escolar a um sistema de proteção social mais amplo, operando
de forma articulada outros benefícios e serviços assistenciais, voltado aos pais e alunos no
âmbito da Educação em especial, e no conjunto das demais políticas sociais, organizações
comunitárias locais, para atendimento de suas necessidades;
IV – coordenar os programas assistenciais já existentes na escola, como o de merenda
escolar e outros;
V - realizar visitas domiciliares com o objetivo de ampliar o conhecimento acerca da realidade
sócio-familiar do aluno, possibilitando assisti-lo adequadamente;
VI - participar em equipe multidisciplinar da elaboração de programas que visem a prevenir a
violência, o uso de drogas e o alcoolismo, bem como o esclarecimento sobre doenças infecto
contagiosas e demais questões de saúde pública;
VII - elaborar e desenvolver programas específicos nas escolas onde existam classes
especiais;
VIII - empreender outras atividades pertinentes ao Serviço Social, não especificadas neste
artigo.

Artigo 2º - O Serviço Social Escolar será exercido por profissionais habilitados nos termos da
Lei Federal nº 8.662, de 07 de junho de 1993, ficando o Poder Executivo autorizado a criar na
estrutura da Secretaria de Educação, pelo menos um cargo de Assistente Social por
equipamento educacional da rede municipal de ensino, ampliando-se proporcionalmente ao
número de alunos atendidos por equipamento.

Artigo 3º - As despesas decorrentes da aplicação da presente lei correrão à conta das dotações
próprias consignadas no Orçamento, suplementadas, se necessário.

Artigo 4º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Prefeitura Municipal de Americana, aos 15 de dezembro de 2003.

Dr. Erich Hetzl Júnior


Prefeito Municipal
em exercício
Publicada na mesma data na Secretaria de Administração.

Dr. Carlos Fonseca


Secretário Municipal de Administração

Ref. Prot. nº 55.062/2003

76
Disponível em: <http://devel.americana.sp.gov.br/AmericanaV5/americanaEsmv5_Index.php?
ta=5&it=15&a=legislação>. Acesso em: 21 de fevereiro de 2008.
199

ANEXO D – REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO – LEI Nº 8.662, DE 7 DE


JUNHO DE 199377

Dispõe sobre a profissão de Assistente Social e dá outras


providências
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional
decreta e eu sanciono a seguinte lei:

Art. 1º É livre o exercício da profissão de Assistente Social em todo o território


nacional, observadas as condições estabelecidas nesta lei.

Art. 2º Somente poderão exercer a profissão de Assistente Social:


I - Os possuidores de diploma em curso de graduação em Serviço Social, oficialmente
reconhecido, expedido por estabelecimento de ensino superior existente no País, devidamente
registrado no órgão competente;
II - os possuidores de diploma de curso superior em Serviço Social, em nível de graduação
ou equivalente, expedido por estabelecimento de ensino sediado em países estrangeiros,
conveniado ou não com o governo brasileiro, desde que devidamente revalidado e registrado
em órgão competente no Brasil;
III - os agentes sociais, qualquer que seja sua denominação com funções nos vários órgãos
públicos, segundo o disposto no art. 14 e seu parágrafo único da Lei nº 1.889, de 13 de junho
de 1953.
Parágrafo único. O exercício da profissão de Assistente Social requer prévio registro nos
Conselhos Regionais que tenham jurisdição sobre a área de atuação do interessado nos
termos desta lei.

Art. 3º A designação profissional de Assistente Social é privativa dos habilitados na forma da


legislação vigente.

Art. 4º Constituem competências do Assistente Social:


I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração
pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares;
II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito
de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil;
III - encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população;
IV - (Vetado);
V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar
recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos;
VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais;
VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade
social e para subsidiar ações profissionais;
VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta,
empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste
artigo;
IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas
sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;
X - planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço
Social;
XI - realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços
sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras
entidades.

Art. 5º Constituem atribuições privativas do Assistente Social:


I - coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos,
programas e projetos na área de Serviço Social;
II - planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social;
77
Disponível em: http://www.cfess.org.br/pdf/legislacao_lei_8662.pdf. Acesso em: 27 de
outubro de 2008.
200

III - assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas


privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social;
IV - realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a
matéria de Serviço Social;
V - assumir, no magistério de Serviço Social tanto a nível de graduação como pós-
graduação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de
formação regular;
VI - treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social;
VII - dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e pós-
graduação;
VIII - dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço
Social;
IX - elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de
concursos ou outras formas de seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos
conhecimentos inerentes ao Serviço Social;
X - coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de
Serviço Social;
XI - fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais;
XII - dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas;
XIII - ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e
entidades representativas da categoria profissional.

Art. 6º São alteradas as denominações do atual Conselho Federal de Assistentes Sociais


(CFAS) e dos Conselhos Regionais de Assistentes Sociais (CRAS), para, respectivamente,
Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e Conselhos Regionais de Serviço Social
(CRESS).

Art. 7º O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e os Conselhos Regionais de Serviço


Social (CRESS) constituem, em seu conjunto, uma entidade com personalidade jurídica e
forma federativa, com o objetivo básico de disciplinar e defender o exercício da profissão de
Assistente Social em todo o território nacional.
1º Os Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) são dotados de autonomia
administrativa e financeira, sem prejuízo de sua vinculação ao Conselho Federal, nos termos
da legislação em vigor.
2º Cabe ao Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e aos Conselhos Regionais de
Serviço Social (CRESS), representar, em juízo e fora dele, os interesses gerais e individuais
dos Assistentes Sociais, no cumprimento desta lei.

Art. 8º Compete ao Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), na qualidade


de órgão normativo de grau superior, o exercício das seguintes atribuições:
I - orientar, disciplinar, normatizar, fiscalizar e defender o exercício da profissão de Assistente
Social, em conjunto com o CRESS;
II - assessorar os CRESS sempre que se fizer necessário;
III - aprovar os Regimentos Internos dos CRESS no fórum máximo de deliberação do
conjunto CFESS/CRESS;
IV - aprovar o Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais juntamente com os
CRESS, no fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS;
V - funcionar como Tribunal Superior de Ética Profissional;
VI - julgar, em última instância, os recursos contra as sanções impostas pelos CRESS;
VII - estabelecer os sistemas de registro dos profissionais habilitados;
VIII - prestar assessoria técnico-consultiva aos organismos públicos ou privados, em matéria
de Serviço Social;
IX - (Vetado).

Art. 9º O fórum máximo de deliberação da profissão para os fins desta lei darse-á nas reuniões
conjuntas dos Conselhos Federal e Regionais, que inclusive fixarão os limites de sua
competência e sua forma de convocação.

Art. 10. Compete aos CRESS, em suas respectivas áreas de jurisdição, na qualidade de órgão
executivo e de primeira instância, o exercício das seguintes
201

atribuições:
I - organizar e manter o registro profissional dos Assistentes Sociais e o cadastro das
instituições e obras sociais públicas e privadas, ou de fins filantrópicos;
II - fiscalizar e disciplinar o exercício da profissão de Assistente Social na respectiva região;
III - expedir carteiras profissionais de Assistentes Sociais, fixando a respectiva taxa;
IV - zelar pela observância do Código de Ética Profissional, funcionando como Tribunais
Regionais de Ética Profissional;
V - aplicar as sanções previstas no Código de Ética Profissional;
VI - fixar, em assembléia da categoria, as anuidades que devem ser pagas pelos Assistentes
Sociais;
VII - elaborar o respectivo Regimento Interno e submetê-lo a exame e aprovação do fórum
máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS.

Art. 11. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) terá sede e foro no Distrito Federal.
Art. 12. Em cada capital de Estado, de Território e no Distrito Federal, haverá um Conselho
Regional de Serviço Social (CRESS) denominado segundo a sua jurisdição, a qual alcançará,
respectivamente, a do Estado, a do Território e a do Distrito Federal.
§1º Nos Estados ou Territórios em que os profissionais que neles atuam não tenham
possibilidade de instalar um Conselho Regional, deverá ser constituída uma delegacia
subordinada ao Conselho Regional que oferecer melhores condições de comunicação,
fiscalização e orientação, ouvido o órgão regional e com homologação do Conselho Federal.
§2º Os Conselhos Regionais poderão constituir, dentro de sua própria área de jurisdição,
delegacias seccionais para desempenho de suas atribuições executivas e de primeira instância
nas regiões em que forem instalados, desde que a arrecadação proveniente dos profissionais
nelas atuantes seja suficiente para sua própria manutenção.

Art. 13. A inscrição nos Conselhos Regionais sujeita os Assistentes Sociais ao pagamento das
contribuições compulsórias (anuidades), taxas e demais emolumentos que forem estabelecidos
em regulamentação baixada pelo Conselho Federal, em deliberação conjunta com os
Conselhos Regionais.

Art. 14. Cabe às Unidades de Ensino credenciar e comunicar aos Conselhos Regionais de sua
jurisdição os campos de estágio de seus alunos e designar os Assistentes Sociais
responsáveis por sua supervisão.
Parágrafo único. Somente os estudantes de Serviço Social, sob supervisão direta de
Assistente Social em pleno gozo de seus direitos profissionais, poderão realizar estágio de
Serviço Social.

Art. 15. É vedado o uso da expressão Serviço Social por quaisquer pessoas de
direito público ou privado que não desenvolvam atividades previstas nos arts. 4º e 5º desta lei.
Parágrafo único. As pessoas de direito público ou privado que se encontrem na situação
mencionada neste artigo terão o prazo de noventa dias, a contar da data da vigência desta lei,
para processarem as modificações que se fizerem necessárias a seu integral cumprimento, sob
pena das medidas judiciais cabíveis.

Art. 16. Os CRESS aplicarão as seguintes penalidades aos infratores dos dispositivos desta
Lei:
I - multa no valor de uma a cinco vezes a anuidade vigente;
II - suspensão de um a dois anos de exercício da profissão ao Assistente Social que, no
âmbito de sua atuação, deixar de cumprir disposições do Código de Ética, tendo em vista a
gravidade da falta;
III - cancelamento definitivo do registro, nos casos de extrema gravidade ou de reincidência
contumaz.
§1º Provada a participação ativa ou conivência de empresas, entidades, instituições ou firmas
individuais nas infrações a dispositivos desta lei pelos profissionais delas dependentes, serão
estas também passíveis das multas aqui estabelecidas, na proporção de sua responsabilidade,
sob pena das medidas judiciais cabíveis.
§2º No caso de reincidência na mesma infração no prazo de dois anos, a multa cabível será
elevada ao dobro.
202

Art. 17. A Carteira de Identificação Profissional expedida pelos Conselhos Regionais de Serviço
Social (CRESS), servirá de prova para fins de exercício profissional e de Carteira de Identidade
Pessoal, e terá fé pública em todo o território nacional.

Art. 18. As organizações que se registrarem nos CRESS receberão um certificado que as
habilitará a atuar na área de Serviço Social.

Art. 19. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) será mantido:


I - por contribuições, taxas e emolumentos arrecadados pelos CRESS, em percentual a ser
definido pelo fórum máximo instituído pelo art. 9º desta lei;
II - por doações e legados;
III - por outras rendas.

Art. 20. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e os Conselhos Regionais de Serviço
Social (CRESS) contarão cada um com nove membros efetivos:
Presidente, Vice-Presidente, dois Secretários, dois Tesoureiros e três membros do Conselho
Fiscal, e nove suplentes, eleitos dentre os Assistentes Sociais, por via direta, para um mandato
de três anos, de acordo com as normas estabelecidas em Código Eleitoral aprovado pelo fórum
instituído pelo art. 9º desta lei.
Parágrafo único. As delegacias seccionais contarão com três membros efetivos: um
Delegado, um Secretário e um Tesoureiro, e três suplentes, eleitos dentre os Assistentes
Sociais da área de sua jurisdição, nas condições previstas neste artigo.

Art. 21. (Vetado).

Art. 22. O Conselho Federal e os Conselhos Regionais terão legitimidade para


agir contra qualquer pessoa que infringir as disposições que digam respeito às
prerrogativas, à dignidade e ao prestígio da profissão de Assistente Social.

Art. 23. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 24. Revogam-se as disposições em contrário e, em especial, a Lei nº 3.252, de 27 de


agosto de 1957.

Brasília, 7 de junho de 1993; 172º da Independência e 105º da República.


ITAMAR FRANCO Walter Barelli
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 8.7.1993

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