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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

Fernando Júnior Resende Mascarenhas

SEMINÁRIO 2:
Tema 3: A drenagem Urbana e o nanejo das águas pluviais urbanas

Belo Horizonte
2015
Aluno: Fernando Júnior Resende Mascarenhas Matrícula: 415538

OLIVEIRA, Renato Pires de. Revitalização das Bacias Hidrográficas: a experiência


de Belo Horizonte. XIX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos. Nov. 20111.

O autor Renato Pires de Oliveira é engenheiro de Produção Civil pelo CEFET/MG,


Especialista em Meio Ambiente e Saneamento Ambiental Aplicado pela Universidade
FUMEC, Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente, Saneamento
e Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais.

O artigo faz um estudo de medidas para se revitalizar bacias hidrográficas, avaliando


práticas já em vigor tomando-se como base o estudo de caso a bacia hidrográfica do
Córrego da Avenida Nossa Senhora da Piedade, no município de Belo Horizonte, Minas
Gerais, assim como o Programa de Recuperação Ambiental (Drenurbs). O autor faz
uma breve introdução teórica dos diferentes pontos de vista e medidas estruturais e
estruturantes adotadas pelos “higienistas” e por aqueles que defendem uma integração
entre meio ambiente, urbanização e as pessoas que vivem naquele lugar. Além disso,
para se confeccionar tal artigo, o autor realizou visitas técnicas, consultas a
determinados documentos, tais como EIA/RIMA, Plano Diretor de Drenagem e o Plano
Municipal de Saneamento de Belo Horizonte.

O autor conclui que as medidas adotadas na recuperação da bacia do Córrego da


Avenida Nossas Senhora da Piedade foram extremamente eficazes; uma vez que
trouxe melhorias ambientais, melhora significativa da qualidade das águas, (medidas
através do IQA), maior diversificação da vegetação; trouxe benefícios à população uma
vez que reduziu a área de inundação, removeu algumas pessoas para áreas com
melhores condições de habitação; além de conseguir fazer uma união harmônica entre
a bacia e o meio urbano com a criação do parque, o qual traz inúmeros benefícios
ambientais, educacionais e à população da região. Em suma, ele ressalta os benefícios
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gerados pelo programa Drenurbs tais como a revitalização da área, a criação de um


parque equipado com equipamentos para uso da população e o ocupação sustentável
daquela área.

O presente artigo se desenvolve de forma bem linear, objetiva e explicativa, uma vez
que começa fazendo uma rica introdução sobre duas formas de pensamento ambiental
divergentes, uma mais conservadora e imutável, e outra mais sustentável e flexível,
para então entrar em um estudo de caso real. Além disso, o autor se embasa em
autores renomados ao fazer suas referências teóricas, o que acaba conferindo mais
confiabilidade às informações por ele apresentadas, e não faz uso de uma linguagem
rebuscada, o que facilita a leitura do artigo.

É importante se destacar uma dualidade levantada pelo autor, o fato de a população


desejar a canalização de córregos e fundos de vale, esperando assim que se ocorra
uma melhora no esgotamento sanitário, uma redução dos vetores de doenças e da
ocorrência de inundações; porém, como muito bem explicado pelo artigo, tal desejo da
população apenas contribui para agravar a situação. Tal fato mostra o quão deficiente é
o acesso à informação de qualidade e à educação para essas pessoas.

É muito bem evidenciado no artigo como a problemática da poluição dos cursos d’água,
da destruição de cursos naturais de rios, do lançamento irregular de resíduos sólidos,
das altas ocorrências de inundação nos centros urbanos, assim como um processo
urbanizatório sem planejamento e a não implementação de políticas públicas estão
intimamente ligados.

Ao ser feito o estudo de caso da bacia do Córrego na Avenida Nossa Senhora da


Piedade, o autor soube explorar, analisar e explanar muito bem sobre a problemática
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do lugar, mostrando qual era a situação e quais as medias tomadas para a recuperação
daquele ecossistema. Indubitavelmente, o município ter planos diretores e metodologias
práticas e teóricas para se pensar e melhorar as questões ambientais que estão
inseridas no contexto urbano é algo imprescindível, pois são tais documentos que
lançarão as diretrizes do que ser feito, quais medidas a serem adotadas, sejam elas
compensatórias, remediadoras, reconstrutivas, revitalizadoras ou preventivas. Porém,
despertar no âmago de qualquer população o sentimento pelo olhar ambiental e
sustentável, através de campanhas informativas, através da educação é algo que
também tem grande relevância; portanto, é um processo que requer empenho do poder
público e das pessoas.

Em suma, este artigo se mostra não como um manual a ser seguido, mas ele vem
como uma proposta de revisão bibliográfica, com um estudo de caso enfatizando a
importância de um município ter planos específicos para as áreas de drenagem,
ocupação do solo e questões ambientais, associado ao acesso que a população deve
ter à informação.

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TUCCI, Carlos E. M. Água no meio urbano. Capítulo 4: Controle do Impacto da


Urbanização. UFRGS. Dez. 1997

O autor Dr. Carlos E. M. Tucci é professor titular do Instituto de Pesquisas Hidráulicas


da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Este artigo apresenta quais medidas a serem adotadas para minimizar, controlar,
remediar e prevenir as consequências oriundas do processo de urbanização, seja esse
feito adequadamente ou não. O autor discorre sobre a diferença entre medidas
estruturais e não-estruturais e qual a importância delas no controle de inundações e/ou
ocupações irregulares. Além disso, ele mostra como o poder público através de órgãos
como a Defesa Civil e através de um plano de Zoneamento Urbano, uma Legislação
eficiência e um Plano Diretor bem elaborado e implantado em seu todo contribuem para
se controlar o impacto da urbanização.

O texto apresentou-se com uma linguagem clara, muito bem explicada, objetiva e tem
uma construção de conceitos – e conhecimento – muito bem feita, uma vez que ele
explica o significado de muitas palavras e expressões para então desenvolver o
assunto a ser tratado. Além disso, o tema abordado está, indubitavelmente, ligado à
vida de todos nós, que são os impactos gerados no meio ambiente e urbano devido a
um processo de urbanização desenfreado e sem o correto planejamento e quais ações
podem ser tomadas para se minimizar ou evitar tais problemas.

O autor soube ser muito didático ao esclarecer as diferenças entre medias estruturais,
que são as obras de engenharia, e as medias não-estruturais, que são ações para se
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ter uma efetiva proteção contra problemas de inundação e mesmo estiagem. Além
disso, ele destaca que o mapa de zoneamento e uma previsão em temo real, com a
criação de um banco de dados e uma rede de informação são fundamentais para se
estabelecer ações a serem seguidas. Assim, estabelecendo-se uma rede direta entre
tais dados, os órgãos responsáveis, a Defesa Civil e a população, as ações
preventivas, os sistemas de alerta e as medidas de controle possam ser corretamente
executadas.

É importante destacar que, mais do que ter em mão o zoaneamento de um determinado


lugar, é necessário que as pessoas também tenham informações no que concerne a
conhecimento sobre problemas oriundos das ocupações irregulares, conhecimento
sobre como se preservar e ter técnicas sustentáveis, quais medidas tomar, a nível de
lote, para se contribuir com a infiltração da água.

O autor destaca muito bem no texto que ao se identificar uma área com ocupação
irregular não basta simplesmente retirar as pessoas daquela área se não se dispõe de
planos para realocar tais pessoas e, sobretudo, planos para como se evitar uma nova
ocupação; ou seja, não basta se ter um plano diretor para uso e ocupação do solo, ele
precisa ser executado plenamente e para áreas já urbanizadas irregularmente, mais
medidas são requeridas.

É possível notar que o autor discorre, além das medidas à nível de microdrenagem,
sobre as medidas à nível de macrodrenagem e quais os planos de controle a serem
adotados. Além disso, ao final, o autor introduz o conceito de Plano de Drenagem
Urbana e como criá-lo.

Este é um texto pode ser utilizado como material de estudo por alunos cujas áreas de
estudo englobem processos urbanizatórios, drenagem urbana e medidas de controle.
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Logo, pode-se concluir que o presente texto apresenta de forma resumida, mas clara e
objetiva medidas a serem adotadas para se remediar e prevenir problemas gerados
pela urbanização. Além disso, apresenta-se como material de estudo para profissionais
e estudantes da área, assim como para pessoas de uma forma geral, caso as mesmas
desejem entender mais toda a problemática que envolve a relação da água com o meio
ambiente e, consequentemente, o meio urbano.

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PREFEITURA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE. O Plano Diretor de Drenagem de


Belo Horizonte: Desafios na Implantação do Sistema de Monitoramento
Hidrológico e Alerta Contra Inundações. Belo Horizonte, mar. 2012.

O presente texto é uma apresentação para a Sociedade Mineira de Engenheiros,


através de um Workshop sobre “Gestão das Águas Pluviais na RMBH”, feito pela
Superintendência de Desenvolvimento da Capital (SEUDECAP) e pelo Núcleo de
Execução de Projetos Especiais Escolas Infantis (NEPE-EI).

O presente texto é uma apresentação em Power Point que relata as principais ações da
prefeitura de Belo Horizonte no combate às inundações. Dentre as medidas está o
Plano Diretor de Drenagem (PDDUBH), o Plano Municipal de Saneamento (PMS) e o
Programa de Recuperação Ambiental de Belo Horizonte (DRENURBS), os quais
contam com estudos, pessoas qualificadas, inovação tecnológica para monitoramento
de cheias e participação popular.

O Plano Diretor de Drenagem de Belo Horizonte tem como principais ações a


caracterização e diagnóstico das bacias hidrográficas; cadastro de macro e
microdrenagem; avaliação estrutural de todos os canais e implantação um sistema
integrado de gestão.

Através de tais ações, faz-se uma modelagem hidrológica e hidráulica da região, com
base na qual se faz o mapa de inundações, assim como um intensa participação
popular e constante aperfeiçoamento do pessoal envolvido no processo.

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É possível identificar casos reais onde tais planos foram implementados e os resultados
(os quais são surpreendentes), além de todo investimento, principalmente no que
concerne ao uso de aparatos tecnológicos e a participação de voluntários, o que
permite os órgãos responsáveis traças as medidas a serem adotadas e uma
comunicação direta com as populações direta ou indiretamente envolvidas,
respectivamente.

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CONCLUSÃO

Todos os três textos lidos abordam o mesmo assunto, que é a problemática da


urbanização descontrolada e suas consequências no meio ambiente e no meio urbano.
Cada um apresenta uma abordagem e um foco diferentes, mas é interessante notar
que tanto Tucci em seu texto, quanto Oliveira sempre falam da importância de se ter um
Plano Diretor de Drenagem e dos Programas de Recuperação Ambiental.

Enquanto a apresentação da Prefeitura de Belo Horizonte vem como um resumo das


principais medidas adotadas pela cidade; o texto do Tucci faz uma introdução teórica da
temática e posterior análise de caso, tendo como base dados e medidas adotadas pela
Prefeitura de Belo Horizonte através de seus Planos; já Oliveira em seu texto, não se
utiliza de dados oriundos da Prefeitura de Belo Horizonte, afinal o autor é de outro
estado, mas aborda de forma mais didática e de fácil entendimento quais os impactos
da urbanização e como remediá-los e/ou evitá-los.

Concluindo, indubitavelmente, recomendo a leitura dos textos “Revitalização das Bacias


Hidrográficas: a experiência de Belo Horizonte” e “Água no meio urbano” como fonte de
conhecimento teórico para estudantes e profissionais da área e para aqueles que
desejam um conhecimento mais aprofundado das medidas que estão sendo tomadas
no município de Belo Horizonte, que leiam, na íntegra o Plano Diretor Urbano, o Plano
Diretor de Drenagem, O plano Municipal de Saneamento e o Programa de
Recuperação Ambiental de Belo Horizonte.

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