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Avaliação

Capacidades a serem avaliadas: capacidades cognitivas, habilidades sociais e níveis


de comunicação – PROC

PROC (O procedimento foi organizado no sentido de propor uma situação planejada


na qual se possa observar e registrar, preferencialmente em vídeo, a interação de
crianças entre 12 e 48 meses com o examinador, envolvendo brinquedos pré-
selecionados, sendo eles miniaturas de objetos da casa (mesa, cadeira, cama,
privada, sofá, poltrona, geladeira, fogão, pratos, talheres, televisor, pia, xícaras,
esponja de limpeza); objetos diversos (pente, escova, seringa de injeção); conjunto de
canecas de encaixe com tampas; blocos de madeira; pedaço de tecido e pedaço de
papel. O tempo de observação sugerido por sessão é de 30 a 40 minutos. (ZORZI e
HAGE, 2004, p. 13).)

O que avaliar?
 Bases anatômicas e funcionais (audição, fonação).
 Dimensões da linguagem: Forma da linguagem – fonologia, morfologia e
sintaxe; Conteúdo da linguagem – semântica; Uso da linguagem – pragmática.
 Processos da linguagem: Compreensão; Produção.
 Desenvolvimento cognitivo.

Material Utilizado
O material oferecido à criança deve atender às características individuais e à idade
cognitiva da criança avaliada.
 
 Para crianças menores de três anos: apresentar brinquedos como bolas,
carrinhos, bonecos, etc., estimulando-se uma conversação em relação aos
brinquedos ou as atividades propostas.
 Crianças entre três anos e meio e quatro anos e meio: pode-se usar
material gráfico – cartões, imagens sem texto, figuras de ação. Conversa-se sobre
o material gráfico, perguntas sobre seus brinquedos, atividades que a criança
realiza em casa, no colégio, animais de estimação, etc.
 Crianças maiores de quatro anos e meio: conversa-se sobre assuntos do
seu dia a dia, pode-se pedir uma pequena narração sobre atividades ou assuntos
distantes do conteúdo da avaliação.

1. Avaliação não estruturada: Na brincadeira livre podem ser utilizados: uma caixa
de surpresa, bichinhos de brinquedo, caminhão/carros de brinquedo, um jogo
de memória, soldadinhos, animais de plástico, utensílios domésticos em
miniatura, roupas de boneca, bonecas.
2. Avalição estruturada: No contexto estruturado, o avaliador cria “situações para
‘induzir’ a criança a iniciar uma atividade comunicativa”. Casby e Cumpata
(1986, apud HAGE, 2001, p. 47) apresentam algumas sugestões:
 
 Comer um alimento do qual a criança goste, na frente dela, sem oferecer-
lhe.
 Ativar um brinquedo de corda, esperar a corda acabar e colocar o
brinquedo nas mãos da criança.
 Dar à criança quatro blocos para colocar numa caixa, um de cada vez [...]
e, logo em seguida, dar à criança uma figura pequena de animal para
colocar na caixa.
 Destampar uma jarra com bolhas e assoprá-las. Em seguida, tampar a jarra
firmemente e oferecê-la tampada para a criança.
 Iniciar um jogo [...] com a criança até que ela expresse prazer. Então, parar
o jogo e esperar.
 Encher um balão e esvaziá-lo vagarosamente. Em seguida, dar o balão
vazio nas mãos da criança ou colocá-lo perto de sua boca e esperar.
3. Observar:
3.1 Intencionalidade:
( )Contato de olho e/ou contato físico (cutucar, agarrar, puxar o outro),
( ) apontar,
( ) vocalizações ou verbalizações;
( ) insistência no comportamento; aguardar uma resposta do outro.
3.2  Meio de comunicação utilizado:
( ) Observar se a criança se utiliza de gestos ou vocalizações não
identificadas como palavras, ou a associação dos dois. Uma criança acima
de dois anos que apresente predomínio exclusivo desses meios de
comunicação, pode ser indicativo de alteração no desenvolvimento de
linguagem.
3.3 Engajamento da criança na atividade dialógica:
( ) se o avaliador constata o não engajamento e tem esta confirmação
pelos relatos da família, é indicativo de algum problema na comunicação,
pois, pode-se observar, mesmo antes de um ano, que os bebês
apresentam sinais de participação nas trocas comunicativas com o adulto.
( ) grau de participação comunicativa

Pragmática

Em relação à linguagem infantil, dois aspectos deverão ser analisados: as funções


comunicativas, que seriam as habilidades comunicativas; e a conversação, que seriam
as habilidades conversacionais, compromisso conversacional, fluência do discurso e
adequação referencial (dêixis). O uso da linguagem em várias situações
comunicativas. O objetivo principal é “avaliar e ‘descrever’ a competência
comunicativa das crianças e o caráter interativo e de uso da língua.” Portanto é
fundamental “...conhecer a capacidade da criança para comunicar-se de
maneira eficaz e adequada em diferentes contextos e diante de interlocutores
diversos.”.
 
Objetivos:
 
a ) Conhecer as funções comunicativas que refletem as produções das
crianças:
 
 Determinar as intenções comunicativas (o que tentam transmitir?).
 Determinar a compreensão dos significados ou intenções
comunicativas que outros interlocutores tentam transmitir.
 Determinar os expoentes linguísticos utilizados pela criança para
expressar suas intenções comunicativas.
b ) Avaliar as habilidades conversacionais:
 
 Verificar a participação da criança em intercâmbios de conversa.
 Verificar o grau de envolvimento nos intercâmbios conversacionais –
a criança inicia a conversação, ela limita-se a responder as perguntas do
interlocutor, ela participa ativamente da organização, gestão e
desenvolvimento da conversação?
 Verificar se a criança tem habilidade para iniciar ou mudar de
assunto.
 Verificar a habilidade para tomar e ceder turnos.
 Verificar o conhecimento dos recursos e estratégias linguísticas e
não linguísticas que a criança usa quando participa da conversação.
 Verificar como a criança usa as respostas – o grau de coerência ou
incoerência, enunciados ambíguos ou não.
 Verificar a habilidade para fazer autocorreção para superar mal-
entendidos.
c ) Conhecer o nível de desenvolvimento ou domínio dos elementos dêiticos.

Fonologia

Álbum Fonoarticulatório

Quanto ao processo de compreensão avalia-se a discriminação de sons por


meio de:

 Diferenciação de sons e ruídos ambientais em função da fonte sonora,


em que a criança deve identificar a procedência do som ou ruído, de
onde ele vem.
 Diferenciação de duas palavras ou logotomas (palavra sem significado)
produzidas pelo examinador – lista de palavras com um som diferente
(bala/pala; fala/vala; pente/dente). É esperado que com quatro anos as
crianças dominem a prova com palavras, já com os logotomas, que é
uma tarefa mais complexa; é difícil para a maioria das crianças com
cinco anos de desenvolvimento normal.
 Diferenciação entre a pronúncia correta e incorreta de uma palavra. Nesta
prova o examinador deverá falar uma lista de palavras, algumas com a
pronúncia correta outras incorretas, a criança deverá apontar quando estiver
incorreta.
 Diferenciação entre o som emitido pelo examinador e o produzido pela
criança. O examinador solicita que a criança repita o som que ele
produziu, e deve identificar se produziu igual ou não ao modelo.

Quanto à produção deve-se avaliar:


 

 Os fonemas que apresentem alterações fonológicas e que já


deveriam fazer parte do repertório fonético da criança.
 Causas desses erros – modelo linguístico inapropriado,
características dialetais, dificuldades de discriminação de
sons, anomalias estruturais ou funcionais nos órgãos ou
aspectos, etc.
Semântico
 
Ao analisarmos o aspecto semântico da linguagem, estamos analisando se a
criança domina o significado das palavras e as combinações de palavras.O
desenvolvimento semântico deva ser analisado a partir dos dois processos
básicos da linguagem: a compreensão e a produção, normalmente
diferenciados como vocabulário expressivo e compreensivo. Em relação à
compreensão, observa-se o reconhecimento de palavras, locuções e frases
que a criança tem.

O conteúdo da linguagem é expresso mediante elementos formais: seleção de


palavras adequadas para referir-se a pessoas, animais, objetos e ações, entonação
pertinente e organização adequada dos elementos na frase para expressar ideias,
conceitos, sentimentos, sensações, etc.

Apresenta uma lista com nome de figuras divididas em nove campos conceituais:
vestuário, animais, alimentos, meios de transporte, móveis e utensílios; profissões;
locais; formas e cores; brinquedos e instrumentos musicais. A criança deverá
responder aos questionamentos: O que é isso? Que cor é esta? Que forma é esta? e
Quem é ele/ela?

Morfosintático
( Forma das palavras)

“A forma como ela estrutura frases, a extensão de suas produções, [...] a utilização
quantitativa e qualitativa de substantivos, verbos e adjetivos, [...] se fazem uso
adequado de pronomes, conjunções, preposições, etc.” Segundo a autora, também é
importante observar o que a criança compreende, mesmo quando ela não produza.

 12-18 meses quando surgem as primeiras palavras funcionais;


 18-24 meses surgem os enunciados de dois elementos;
 30-36 meses ocorre uma expansão gramatical em que as frases vão
ficando mais complexas, podendo chegar até quatro elementos.
 3 anos e meio “observa-se que as crianças já aprenderam os recursos
essenciais de sua língua”;
 6 anos, espera-se que a criança apresente estruturas sintáticas mais
complexas, praticamente finalizando o desenvolvimento morfossintático,
o que se observa a partir desta idade é o aperfeiçoamento das regras
gramaticais.

A produção induzida é um procedimento habitualmente utilizado. Acosta et al (2003)


sugere que para facilitar a  produção verbal pode-se usar algumas estratégias:
interpretação ou descrição de imagens que representem ações, completar frases,
descrição de objetos ou figuras de objetos. A seguir, modelo de desenho temático
proposto por Yavas, Hernandorena e Lamprecht (1991) para avaliação fonológico.
CRIANÇAS SEM ORALIDADE - OBSERVAÇÃO COMPORTAMENTAL
 
A observação comportamental é um procedimento em que se analisa o
comportamento geral da criança, incluindo os comunicativos, em contextos
naturais e não estruturados. Em geral, procura-se observar pelo que a criança
se interessa, para onde olha, se presta atenção à fala ou atividade do outro, o
que pega, como manipula os objetos. A observação comportamental pode
fazer parte de qualquer processo de avaliação, independente de se estar diante
de crianças, de se ter oralidade, ou mesmo, de se estar avaliando linguagem. É
o procedimento que melhor detecta as funções comunicativas da linguagem,
sendo extremamente útil para entender a natureza complexa dos processos de
aquisição de linguagem (PÉREZ, 1995). Também é o procedimento que
possibilita a avaliação de linguagem enquanto atividade, enquanto ação sobre
o outro, independente da oralidade (HAGE, 1996).

Observar:

Intecionalidade: Todo comportamento, dirigido ao outro, iniciando a


interação ou respondendo a ela, pode ser chamado de comunicativo
intencional (WETHERBY et al., 1988). Em geral, esses comportamentos
podem ser: contato ocular e/ou contato físico (cutucar, agarrar, puxar o
outro), normalmente associados a gestos de apontar, vocalizações e
verbalizações.

Meios de comunicação: Quando a criança não faz uso de estruturas


linguísticas, ela pode se comunicar de diversas formas: gestos indicativos,
gestos representativos, vocalizações articuladas, vocalizações não articuladas,
idiossincrasias, associados entre si ou a algumas poucas palavras isoladas.
Sabe-se que em torno de 18 meses, as crianças, com desenvolvimento normal
da linguagem, vão substituindo gestos, vocalizações, idiossincrasias por
palavras propriamente ditas.

Praxias articulatórias e bucofaciais: a ausência de vocalizações articuladas


é um dos indicadores de dispraxia verbal desenvolvimental. A constatação
de dificuldades práxicas articulatórias e bucofaciais é mais um indicador do
quadro de apraxia verbal do desenvolvimento.
(USAR PROTOCOLO DE HAGEL)

Compreensão

1 ) Qual tipo de resposta da criança indica que ela compreendeu o que foi
solicitado. Nas situações de conversação natural, em geral, as respostas
podem ser: olhar, tocar, mover-se em direção a, pegar, dar. Em situações de
linguagem dirigida: assinalar uma figura que represente uma frase ou uma
palavra; escolher entre duas imagens a que represente uma frase ou uma
palavra; realizar ações; realizar ações numa determinada ordem temporal
 
2 ) Qual o tipo de exigência da tarefa solicitada. Nas tarefas de assinalar ou
apontar figura com base na palavra ouvida, exige-se reconhecimento. Nas
tarefas de manipulação de objetos com base numa frase ouvida, exige-se
reconstrução. Nas tarefas de apontar entre duas figuras a que representa a
frase ouvida, exige-se julgamento
 
3 ) Qual a confiabilidade da resposta. Deve-se solicitar ao menos três vezes,
em momentos diferentes, a compreensão de uma determinado significado,
pois, desta forma, afasta-se a possibilidade de afiançar-se apenas numa
coincidência.

Sessão com os pais - Postura comunicativa dos pais


 
O processo de aquisição de linguagem está de um lado, condicionado à
constituição anatomofisiológica do sistema nervoso, e de outro, a qualidade
das trocas que ocorrem entre a criança e o seu meio social. Assim, a postura
comunicativa dos cuidadores (a princípio, os pais) tem um papel importante na
aquisição da linguagem oral.
 
Na entrevista com os pais ou até mesmo na observação da interação entre eles
e a criança, pode-se considerar:
 
Domínio do tópico de conversação. Quem domina o tópico de conversação?
“Está tudo dominado” pelo adulto? É sempre ele que inicia os temas de
conversação, usando um grande número de imperativos e perguntas? Se está
dando a chance da criança fazer algum comentário ou informar algo, mesmo
que por meios comunicativos não verbais?
 
Habilidades conversacionais. Como estão as habilidades dos pais para troca
de turnos numa conversação? Os pais sabem aguardar os turnos das crianças,
mesmo que os mesmos estejam sendo preenchidos por vocalizações? Eles
ampliam as possibilidades de resposta das crianças, com reformulações e
expansões, que tanto auxiliam no processo de aquisição da linguagem?
 
Nível de interpretação da comunicação da criança. Os pais conseguem
compreender os esforços das crianças em se fazer entendidas? Ou, ao
contrário, compreendem demais, ao ponto da criança fazer uso de meios
comunicativos, o mínimo possível?
 
Apesar destes aspectos serem relevantes para entender como anda a postura
comunicativa dos pais em relação à criança, é importante lembrar que uma
possível inadequação da atuação familiar pode ser o resultado de uma
interação na qual as dificuldades da própria criança contribuem para uma forma
de relação pouco estimuladora. Em razão das poucas respostas que a criança
dá, os pais podem se sentir pouco incitados a estimular a criança (ZORZI,
1993).

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