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TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

RECURSO ELEITORAL (11548) Nº 0602228-63.2020.6.26.0001 (PJe) -


São Paulo - SÃO PAULO
RELATOR: DESEMBARGADOR NELTON AGNALDO MORAES DOS
SANTOS
RECORRENTE: GUILHERME CASTRO BOULOS
Advogados do(a) RECORRENTE: FRANCISCO OCTAVIO DE ALMEIDA
PRADO FILHO - SP0184098, LAIS ROSA BERTAGNOLI LODUCA -
SP0372090
RECORRIDO: ARTHUR MOLEDO DO VAL, RUBENS ALBERTO GATTI
NUNES
Advogados do(a) RECORRIDO: PAULO HENRIQUE FRANCO BUENO -
SP0312410, GUSTAVO FELIPE DA SILVA - SP0312361

DECISÃO

Vistos.
Trata-se de recurso especial interposto por Guilherme
Castro Boulos contra o V. Acórdão que, por votação unânime,
negou provimento ao recurso eleitoral interposto contra a r.
sentença que julgou parcialmente procedente a representação
por propaganda eleitoral irregular, aplicando ao ora recorrente
multa no valor de R$ 5.000,00, com fundamento no artigo 57-C,
§ 2º, da Lei nº 9.504/1997.
Sustenta, em suma, que o V. Acórdão contrariou o
disposto nos arts. 57-C, § 1º, I, da Lei das Eleições, 5º, caput e
IX, e 220, da Constituição Federal, bem como divergiu do
entendimento firmado pelo Colendo Tribunal Superior Eleitoral.
Sustenta, a propósito, a não caracterização de
propaganda eleitoral irregular, ao argumento de que “a mera
divulgação de enquete conduzida por veículo de mídia
:
independente de propriedade de jornalista não se submete à
vedação à divulgação de propaganda por pessoa jurídica”.
Sustenta, também, que não poderia ter sido
condenado isoladamente pela divulgação de propaganda
eleitoral por pessoa jurídica, vez que “a irregularidade prevista
no art. 57-c apenas se consuma pela conduta da pessoa jurídica,
que integra, obrigatoriamente, o polo passivo da demanda”.
Sustenta, nesse aspecto, que “há litisconsórcio
passivo necessário entre o eventual candidato beneficiário e a
pessoa jurídica responsável pela veiculação da propaganda
irregular”, o que não se verificou no presente caso.
Pede, em suma, o provimento do recurso especial,
para que o V. Acórdão seja anulado, ante a ausência de
litisconsórcio passivo necessário, e a multa afastada diante do
reconhecimento da regularidade da publicação.
Decorreu in albis o prazo para apresentação de
contrarrazões (ID n. 56325451).
É, em síntese, o relatório.
Importa considerar, de início, que a questão alusiva à
ausência de litisconsórcio passivo necessário entre a pessoa
jurídica de direito privado e o candidato beneficiário não foi
objeto de análise e manifestação expressa pela Egrégia Corte
Regional, e o recorrente não manejou embargos de declaração
para suscitar o debate, o que implica ausência de
prequestionamento, a atrair o óbice da Súmula TSE n. 72[1],
ainda que a matéria seja de ordem pública.
Nesse aspecto, “é pacífico o entendimento do TSE de
que, em âmbito de recurso especial, impõe-se o requisito do
prequestionamento, ainda que se trate de questão de ordem
pública - formação de litisconsórcio passivo necessário” (TSE,
REspe nº 5619/PR, Rel. Min. Og Fernandes, DJE 19.08.2020)
[2].
Assim, a tese recursal não é apta à abertura da via
estreita do recurso especial.
:
Há que se observar, ademais, que, embora o
recorrente faça alusão a suposta violação a dispositivo da Lei
das Eleições, toda a argumentação trazida nas razões do recurso
especial se volta contra a seara fático-probatória do processo.
Nesse contexto, destaquem-se as afirmações de que
inexistiu propaganda irregular, de que o Radar Urbano RB seria
um blog jornalístico, e não uma pessoa jurídica de direito
privado, e bem assim o argumento de que "o que houve foi mera
divulgação de resultado de uma enquete entre os seguidores da
página do blog no Twitte".
Insta consignar, portanto, que em sede de recurso
especial é vedado rediscutir a matéria probatória, estando o
recurso reservado às discussões sobre direito estrito e à
uniformização da aplicação da Lei e da Constituição Federal.
Assim, e considerando-se que o acolhimento das
alegações recursais, com a consequente reforma do
entendimento firmado pela E. Corte Regional, demandaria o
reexame dos fatos e das provas coligidas aos autos, tem-se que o
recurso especial esbarra no óbice previsto na Súmula nº 24/TSE:
Não cabe recurso especial eleitoral para simples reexame do
conjunto fático-probatório.
Cabe ressaltar, finalmente, que o alegado dissídio
jurisprudencial não supera o citado óbice da Súmula n. 24/TSE,
pois conforme a jurisprudência do Colendo Tribunal Superior
Eleitoral, o recurso especial, quando fundamentado em suposta
divergência jurisprudencial, não comporta conhecimento nas
hipóteses em que, a pretexto de modificação da decisão
objurgada, se pretenda o revolvimento do conjunto fático-
probatório dos autos (AI n. 17610, Relator Ministro Luiz Fux,
DJE de 07/12/2017).
Face ao exposto, nego seguimento ao recurso
especial.
São Paulo, 15 de julho de 2021.

NUEVO CAMPOS
Presidente
:
[1] Súmula TSE n. 72 – É inadmissível o recurso especial eleitoral quando a questão
suscitada não foi debatida na decisão recorrida e não foi objeto de embargos de
declaração.

[2] No mesmo sentido: TSE, REspe nº 060034004 (tel:060034004)/GO, Rel. Min. Sergio
Silveira Banhos, PSESS 27.11.2020; TSE, AI nº 060723250 (tel:060723250)/RJ, Rel. Min.
Edson Fachin, DJe 06.08.2020; e TSE, REspe nº 4248/CE, Rel. designado Min. Tarcisio
Vieira de Carvalho Neto, DJe 03.10.2019.

Assinado eletronicamente por: WALDIR SEBASTIAO DE


NUEVO CAMPOS JUNIOR
16/07/2021 17:05:17
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