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Camila Coelho Moreira

Noções de
Direito
Diretor Executivo
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Diretora Editorial
ANDRÉA CÉSAR PEDROSA
Projeto Gráfico
MANUELA CÉSAR ARRUDA
Autora
CAMILA COELHO MOREIRA
Desenvolvedor
CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS
A AUTORA
CAMILA COELHO MOREIRA
Olá. Meu nome é Camila Coelho Moreira. Sou formada, pós-
graduada e mestre em Direito, com experiência técnico-profissional na
área. Atualmente sou diretora da área de contencioso civil de um escritório
de advocacia o qual eu sou sócia na cidade de Vitória/ES. Sou apaixonada
pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que
estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora
Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito
feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte
comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo
projeto gráfico de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha
de aprendizagem toda vez que:

INTRODUÇÃO: DEFINIÇÃO:
para o início do desen- houver necessida-
volvimento de uma de de se apresentar
nova competência; um novo conceito;

NOTA: IMPORTANTE:
quando forem as observações es-
necessários obser- critas tiveram que ser
vações ou comple- priorizadas para você;
mentações para o
seu conhecimento;
EXPLICANDO VOCÊ SABIA?
MELHOR: curiosidades e inda-
algo precisa ser gações lúdicas sobre
melhor explicado o tema em estudo, se
ou detalhado; forem necessárias;
SAIBA MAIS: REFLITA:
textos, referências se houver a neces-
bibliográficas e links sidade de chamar a
para aprofundamento atenção sobre algo
do seu conhecimento; a ser refletido ou
discutido sobre;
ACESSE: RESUMINDO:
se for preciso aces- quando for preciso
sar um ou mais sites se fazer um resumo
para fazer download, acumulativo das
assistir vídeos, ler últimas abordagens;
textos, ouvir podcast;
ATIVIDADES: TESTANDO:
quando alguma ativi- quando o desen-
dade de autoaprendi- volvimento de uma
zagem for aplicada; competência for
concluído e questões
forem explicadas;
SUMÁRIO
Noções de direito tributário.............................................12

Conceito de direito tributário ............................................12

Princípios do Direito Tributário ........................................13

Princípio da legalidade tributária (art. 150, I CF; 97


CTN).........................................................................13

Princípio da anterioridade tributária (art. 150, III, b da


CF)............................................................................13

Princípio da irretroatividade tributária (art. 150, III, a


da CF).......................................................................14

Princípio da Isonomia ou Igualdade (art. 150, II da


CF)............................................................................15

Princípio da capacidade contributiva (art. 145 §1 da


CF)............................................................................15

Princípio da pecúnia non olet ...................................16

Princípio da vedação do confisco (art. 150, IV da


CF)............................................................................17
Imunidade tributária...........................................................18

Sistema tributário nacional ............................................21

Tributos.............................................................................21

Espécies de tributo.............................................................22

Imposto.....................................................................22

Taxas.........................................................................24

Contribuição de melhoria..........................................25

Empréstimos compulsórios........................................25

Contribuições especiais.............................................26

A Relação jurídico-tributária..........................................29

Surgimento do crédito tributário .......................................29

Hipótese de incidência .............................................29

Fato gerador..............................................................30

Obrigação tributária..................................................31

Crédito tributário.......................................................33

Extinção do crédito tributário ............................................35


Direitos Sociais.................................................................38

Direitos Sociais na Constituição.........................................38

A família, a criança, o adolescente e o idoso na


Constituição.......................................................................44

Família .....................................................................44

Criança, adolescente e jovem....................................45

Idoso........................................................................46
Noções de Direito 9

04
UNIDADE

LIVRO DIDÁTICO DIGITAL


10 Noções de Direito

INTRODUÇÃO
Nesta unidade, voltaremos nossos estudos à ciência do Direito
Tributário, que consiste em um ramo do Direito Público formado pelo
conjunto de leis que regulam a arrecadação de receita para o Estado
através dos tributos, além de regular toda a sistemática de fiscalização e a
relação entre o ente tributário e o contribuinte. Esse ramo do Direito é de
extrema relevância para o seu processo de aprendizagem, pois em muitos
momentos ele possui relação direta com outras áreas do conhecimento,
como a contabilidade, administração e economia, por exemplo. Tenho
certeza que os conhecimentos que compartilharemos nessa unidade
serão essenciais para a construção de um profissional bem informado
e com capacidade técnica no assunto, qualidades que certamente irão
alavancar sua carreira no mercado de trabalho. Preparado (a) para mais
essa aventura? Tenho certeza que você adorará desbravar essa jornada
junto comigo, quando, ao longo desta unidade letiva você irá mergulhar
neste universo! Bom, chega de perder tempo... vamos nessa!
Noções de Direito 11

OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1 – Introdução ao Processo
Penal. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes
competências profissionais até o término desta etapa de estudos:

1. Conhecer mais a fundo algumas noções básicas de Direito


Tributário;
2. Entender o funcionamento do sistema tributário nacional;
3. Desbravar a relação jurídico-tributária brasileira;
4. Conhecer os direitos sociais presentes na Constituição de 1988.

Então? Preparado para adquirir conhecimento sobre um assunto


fascinante e inovador como esse? Vamos lá!
12 Noções de Direito

Noções de direito tributário


INTRODUÇÃO:

Ao término deste capítulo você será capaz de entender


algumas noções básicas sobre o Direito Tributário,
envolvendo o conceito e principais princípios que norteiam
essa área do Direito. E então? Motivado para desenvolver esta
competência? Então vamos lá. Avante!

Conceito de direito tributário


O Direito Tributário é um ramo do direito público interno que regula
a relação obrigacional composta pelo sujeito passivo, denominado de
contribuinte, que pode ser as pessoas físicas e jurídicas integrantes da
sociedade e o sujeito ativo, composto pelas pessoas jurídicas de direito
público internas, como a União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
Tal relação jurídica é capaz de criar o cenário que a doutrina chama
de afetação patrimonial, que consiste na tomada do patrimônio em
prol de um bem comum. Essa tomada de patrimônio resta configurada
quando o fisco (credor) avança em direção ao patrimônio do devedor
(contribuinte) de maneira compulsória, com o fim de se apropriar de
valores, que são os chamados tributos.

Figura 1: Afetação patrimonial

Fonte: Pixabay
Noções de Direito 13

A apropriação patrimonial é permitida pelo direito brasileiro, desde


que respeitadas as normas jurídicas definidas para tal, configurando-se
como ilícito todo tributo que se encontre fora dos padrões previstos
na Constituição. Tais padrões são denominados como limites ao poder
de tributar e tais limites são derivados dos princípios e das imunidades
constitucionais previstas nos artigos 150, 151 e 152 da Constituição.
O exercício do poder de tributar, portanto, não é absoluto, de modo
que a Constituição Federal impõe restrições às entidades que possuem
esse poder, de forma que o tributo cumpra sua função precípua que é a
arrecadação patrimonial com o fim de prover recursos financeiros para
o Estado.
Às limitações ao poder de tributar dos entes tributantes encontram-
se nos princípios constitucionais tributários disciplinados pelos artigos
150, 151 e 152 da Constituição Federal, os quais analisaremos a seguir,
vamos nessa?

Princípios do Direito Tributário


Princípio da legalidade tributária (art. 150, I CF;
97 CTN)
Pelo princípio da ilegalidade entende-se que os entes tributantes
(União, Estados, Distrito Federal e Municípios) só podem criar tributos ou
aumentar os tributos por leio de lei.
Esse princípio constitucional tributário é derivado do princípio
constitucional geral previsto no artigo 5º, II da CF. Em regra, a lei apta a
instituir o tributo é a lei ordinária e em regra não cabe ao poder executivo
criar os tributos, devendo tal atribuição ser de competência dos poderes
legislativos.

Princípio da anterioridade tributária (art. 150, III,


b da CF)
Pelo princípio da anterioridade tributária é vedado aos entes
tributantes instituir tributos no mesmo exercício financeiro em que haja
sido publicada lei que os instituiu ou aumentou. Tal princípio determina
14 Noções de Direito

que em regra os entes tributantes não podem cobrar tributos no mesmo


exercício financeiro em que foram instituídos ou majorados.
Você deve estar se perguntando nesse momento: mas o que
é exercício financeiro? O exercício financeiro é sinônimo de ano fiscal,
que coincidentemente representa o ano civil, período de tempo entre
primeiro de janeiro e trinta e um de dezembro.

SAIBA MAIS:

para aprender um pouco mais sobre o que consiste o exercício


financeiro, sugerimos a leitura do seguinte material: “Exercício
Financeiro”. Disponível em: https://bit.ly/3bHya4K.

O princípio da anterioridade tributária tem como objetivo evitar


que os contribuintes sejam surpreendidos pelo fisco, de modo que busca
permitir que o contribuinte se prepare financeiramente para arcar com o
pagamento do respectivo tributo. Em resumo, o princípio visa preservar
a segurança jurídica, de modo a manter o equilíbrio entre as partes.
Vocês repararam que eu utilizei a expressão em regra para tratar
da anterioridade tributária? Tal utilização não foi em vão, pois esse
princípio aceita duas exceções.
A primeira dela refere-se aos tributos que a Constituição permite
que sejam cobrados imediatamente (art. 150 §1º) e a outra foi a alteração
trazida pela Emenda Constitucional 42/2003 que excepcionou o prazo
de 90 (noventa) dias para a entrada em vigor de um tributo, a denominada
anterioridade nonagesimal.

Princípio da irretroatividade tributária (art. 150,


III, a da CF)
Por esse princípio é vedado aos entes tributários cobrarem tributos
em relação a fatos anteriores às leis que os instituíram ou aumentaram,
de modo que os fatos que ocorrerem antes de uma nova lei que instituiu
e majorou um tributo não estarão sob efeitos da nova legislação.
A irretroatividade neste caso busca garantir a segurança jurídica,
Noções de Direito 15

um dos pilares do Estado Democrático de Direito e será aplicada


somente nos casos em que for benéfica ao contribuinte.

Princípio da Isonomia ou Igualdade (art. 150, II


da CF)
Por tal princípio entende-se que todos são iguais perante a
lei, sem distinção de qualquer natureza, de modo que é vedado o
tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação
equivalente, sendo proibida qualquer distinção em razão de ocupação
profissional ou função exercida, independente de denominação jurídica
dos rendimentos, títulos ou direitos (BRASIL, 1998).
O artigo supramencionado permite estabelecer diferenças entre
pessoas com capacidade tributária diferentes, devendo a legislação,
baseada na capacidade contributiva do contribuinte, diferenciar
quem possui o maior poder para pagar tributos daqueles que são
hipossuficientes economicamente.
EXEMPLO: Ana possui rendimentos mensais de R$10.000,00 e
Gabriela possui um rendimento mensal de um salário mínimo. Ambas
devem pagar o imposto de renda, mas baseado na diferença econômica
entre ambas, Ana terá que pagar uma alíquota, enquanto Gabriela estará
isenta.
O referido artigo deve ser interpretado no sentido de que não
sendo uma hipótese de imunidade tributária (o que veremos a seguir),
não é permitida pela Constituição qualquer privilégio, vendando o
tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em uma
situação de equivalência econômica e jurídica.

Princípio da capacidade contributiva (art. 145 §1


da CF)
Pelo princípio da capacidade contributiva, entende-se que
sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e deverão ser
cobrados de acordo com a capacidade econômica do contribuinte.
O princípio da capacidade contributiva deve ser aplicado
somente aos impostos, não devendo ser aplicado às demais espécies
16 Noções de Direito

tributárias. Além disso, a capacidade tributária não abarca todos os tipos


de impostos, mas somente aqueles que tenham estrutura para verificar
a capacidade econômica do contribuinte.

Figura 2: Princípio da capacidade contributiva

Fonte: Pixabay

O princípio da capacidade contributiva está diretamente ligado


ao princípio da igualdade, configurando-se como um princípio objetivo,
que leva em conta as manifestações de riqueza de cada contribuinte.
Isso significa dizer que a lei não vai levar em conta se o contribuinte é
rico ou pobre, mas sim o valor de seus bens e aplicar o tributo (SABBAG,
2015).
EXEMPLO: Lucélia encontra-se desempregada, mas é dona de
um apartamento luxuoso no balneário de sua cidade. Lucélia deverá
pagar o valor do IPTU do imóvel baseado no valor venal do imóvel,
independente de sua situação financeira.

Princípio da pecúnia non olet


Traduzido do latim como dinheiro não tem cheiro, esse princípio
teve origem histórica a partir de um diálogo entre o Imperador Vespasiano
e seu filho, Tito, que ao indagar seu pai o porquê da tributação dos
banheiros e mictórios públicos da Roma Antiga, foi ensinado pelo
Imperador que ao contrário da sujeira e mal cheiro dos locais de origem,
o dinheiro não tinha cheiro e portanto não se deve levar em conta
aspectos extrínsecos do fato gerador.
Noções de Direito 17

Figura 3: Vespasiano

Fonte: Wikimedia

Por esse motivo, todos aqueles que realizarem o fato gerador


deverão em regra arcar com o tributo, não sendo objeto de análise do
direito tributário a origem do dinheiro, sua licitude, a capacidade civil do
contribuinte ou a nulidade ou anulabilidade do ato jurídico, bastando
para a cobrança a configuração do fato gerador.

Princípio da vedação do confisco (art. 150, IV da


CF)
Esse princípio consiste em um instrumento de proteção ao
contribuinte, pois impede que o Estado institua uma quantidade de
tributos capazes de expropria-lo de seu patrimônio. Ao vedar o confisco,
a Constituição impede que os entes tributários cobrem do contribuinte
tributos que ultrapassem a capacidade contributiva do cidadão, aplicada
com intenção predatória.
Tal princípio deriva do princípio da capacidade contributiva,
também estudada nessa unidade, pois a capacidade tributária está
relacionada com o quanto o contribuinte encontra-se apto a suportar a
carga tributária sem que isso prejudique seu sustento e sua existência.
18 Noções de Direito

Imunidade tributária
A imunidade tributária refere-se a uma delimitação na cobrança
de um determinado tributo e consiste em uma dispensa constitucional
ao pagamento de tributo.
As principais imunidades presentes na Constituição referem-se
aos impostos, e serão elas que iremos estudar neste capítulo. Presentes
no artigo 150, inciso IV, alíneas ‘a’, ‘b’, ‘c’ e ‘d’, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre: a)
patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer
culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive
suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das
instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos,
atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel
destinado a sua impressão.
Note que o referido dispositivo afasta a incidência tão somente de
impostos, sem prejuízos da cobrança de outros tributos como taxas ou
contribuições de melhoria.
EXEMPLO: Uma igreja não precisa arcar com o IPTU, entretanto
está sujeita ao pagamento da taxa de coleta de lixo.
A imunidade recíproca (art. 150, VI, a) consiste em uma espécie
de imunidade tributária que impede que os entes tributantes instituam
impostos uns dos outros, em respeito ao pacto federativo. A imunidade
recíproca estende-se às autarquias e fundações públicas, porém não
aplicam-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista.
EXEMPLO: não deve incidir IPTU sobre um prédio de propriedade
da União, do mesmo modo que não deve incidir IPVA sobre um veículo
de propriedade da prefeitura.
A imunidade para templos de qualquer culto (art. 150 VI, b) busca
preservar a liberdade religiosa bem como a neutralidade do Estado para
com qualquer religião. A laicidade do Estado é um dos fundamentos do
Estado Democrático de Direito, que distancia a administração pública da
religião. Deste modo, havendo privilégio, todos os templos devem dele
usufruir, independente de qual for o culto.
Noções de Direito 19

Deste modo, não deve incidir qualquer imposto sobre o


patrimônio, a renda e sobre os serviços relacionados com as finalidades
essenciais das entidades, não se aplicando tal imunidade a questões
desassociadas da função dos templos.
A imunidade para partidos políticos, entidades sindicais de
trabalhadores, instituições de educação e entidades de assistência
social (art. 150 VI, c) visa garantir as liberdades a elas associadas, como
a liberdade política e liberdade de filiação partidária, bem como de
incentivar a difusão da educação e do ensino e a difusão da assistência
social.
Por fim, a imunidade para livros, jornais, periódicos e o papel
destinado à sua impressão possuem o condão de assegurar a liberdade
de expressão, a difusão da cultura e a utilidade social.
Quanto à imunidade dos livros, escapam aqueles que não
veiculam ideias, como livros de ponto, livros de bordo, por exemplo.
Incluem no conceito de livros para fins de imunidade os manuais
técnicos e as apostilas.
Em relação aos jornais, a imunidade é plena, mesmo relacionados
com propagandas, devendo estarem impressas no corpo do jornal.
Quando aos periódicos, estes consistem em revistas editadas com
periodicidade, sendo empregada imunidade inclusive a revistas
pornográficas e álbuns de figurinha.
O papel, único insumo passível de imunidade, é entendido como
todo e qualquer material que venha a ser utilizado para a produção de
livros, jornais e periódicos que guarde correspondência na materialidade
e natureza com o papel.
Quanto a imunidade musical, essa foi fruto da Emenda
Constitucional 75, também chamada de PEC da Música, que acrescentou
a alínea ‘e’ ao inciso VI do art. 150 e passou a garantir a imunidade
tributária a obras artísticas de produção de som e de imagem e som, de
modo que essa produção passou a ficar protegida de tributação.
Quer se aprofundar neste tema? A seguir um excelente exemplo
sobre o que aprendemos neste capítulo: Artigo: “Competência Tributária”.
Acessível pelo link: https://bit.ly/39AdnPc.
20 Noções de Direito

RESUMINDO:

Iniciamos essa unidade trabalhando o conceito de direito


tributário, esse ramo do direito público interno objeto de
estudo ao longo dos próximos capítulos. Aprendemos
sobre a relação jurídica tributária, os entes tributantes e a
figura do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária.
Juntos, vimos quais são os princípios que norteiam o direito
tributário, entre eles o da legalidade, da anterioridade
tributária, da irretroatividade tributária, da isonomia, da
capacidade contributiva, da pecúnia non olet e da vedação
do confisco. Por fim, tivemos a oportunidade de aprender em
que consiste a imunidade tributária e quais são as espécies
de imunidade previstas na Constituição Federal, como a
imunidade recíproca, a imunidade para templos de qualquer
culto, A imunidade para partidos políticos, entidades sindicais
de trabalhadores, instituições de educação e entidades de
assistência social e a imunidade para livros, jornais, periódicos
e o papel destinado à sua impressão.
Noções de Direito 21

Sistema tributário nacional


INTRODUÇÃO:

Ao término deste capítulo você será capaz de conhecer


como funciona o sistema tributário brasileiro, quais os tributos
integram o sistema tributário nacional e de que forma eles são
aplicados na prática. E então? Motivado para desenvolver esta
competência? Então vamos lá. Avante!

Tributos
Quando falamos de tributos, normalmente os relacionamos aos
impostos, tendo em vista sua popularidade e aplicabilidade no dia a
dia. Ocorre que, além dos impostos, constituem espécies de tributos
os impostos, as taxas, as contribuições de melhoria, as contribuições
especiais e os empréstimos compulsórios.
O conceito de tributo encontra-se tipificado no artigo 3º do CTN
como “prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela
se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída
em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente
vinculada” (BRASIL, 1966).
O tributo é prestação pecuniária pois trata-se de uma obrigação de
prestar dinheiro ao Estado. Note que ao adotar tal previsão, o legislador
buscou evitar o recebimento pelo pagamento dos tributos através de
bens ou pela prestação de serviços.

Figura 4: Tributo

Fonte: Pixabay
22 Noções de Direito

O tributo também é compulsório, ou seja, não dá brecha para


discussão nem se sujeita à vontade do contribuinte. Alguns doutrinadores
classificam o tributo como uma receita derivada do poder de império do
Estado na obtenção de recursos (SABBAG, 2015).
Além disso, o tributo não é uma sanção, de modo que multa não
é tributo e tributo não é multa. A multa é uma penalidade, enquanto o
tributo é derivado de um fato gerador, que consiste em uma ação do
contribuinte que enseja o pagamento.
Note que o artigo que define o tributo também traz a previsão
expressa de que todo e qualquer tributo deve ser instituído por lei
(lembra do princípio da legalidade?). Por esse motivo, o tributo nasce a
partir da realização do fato gerador e a vontade das partes é irrelevante.
Por fim, o artigo prevê que o tributo deve ser cobrado por
lançamento e isso significa dizer que a obrigação tributária é consumada
em um documento de cobrança que se dispõe a quantificar e qualificar a
obrigação existente. Não se admite hoje no direito brasileiro o lançamento
verbal, ou seja, a comunicação oral de pagamento do tributo.
Agora que você já aprendeu o que é o tributo, preparado (a) para
conhecer as espécies de tributo existentes no Brasil? Vem comigo!

Espécies de tributo
Existem no Brasil, hoje, cinco espécies de tributos, os impostos,
as taxas, as contribuições de melhoria, os empréstimos compulsórios
e as contribuições parafiscais, as quais estudaremos detalhadamente a
seguir.

Imposto
O imposto possui definição na própria Constituição e consiste
em “[...] tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação
independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao
contribuinte” (BRASIL, 1966, on-line).
Conforme se extrai da inteligência do artigo, o imposto não
consiste em uma contraprestação do Estado, de modo que deve o
imposto incidir automaticamente sobre certas situações da vida cotidiana
Noções de Direito 23

do contribuinte, de sua atividade e seu patrimônio, de modo que fez,


pagou. O ato de fazer é denominado de fato gerador.

Figura 5: Imposto

Fonte: Pixabay

Os impostos foram instituídos com o fim de financiar as atividades


gerais do Estado. É através dessa arrecadação que o Estado irá manter
sua organização e executar suas finalidades. Três elementos são
obrigatórios na classificação de um tributo como imposto:
1. A obrigatoriedade do pagamento;
2. A ausência de qualquer relação de correspondência entre a
exigência tributária e a compensação do estado ao contribuinte;
3. A impossibilidade de reembolso, o que lhe concede o atributo
de definitivo.
A Constituição prevê de modo taxativo quais serão os impostos
de competência de cada ente federativo, senão vejamos:

Tabela 1: Impostos Brasileiros

COMPETÊNCIA IMPOSTO

Federais (União) Imposto de importação (II); Imposto de


exportação (IE); Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF); Imposto sobre Produto
Industrializado (IPI); Imposto de Renda Pessoa
Física (IR), Imposto sobre a Propriedade
Territorial Rural (ITR); Imposto sobre grandes
fortunas (IGF); Impostos residuais (154, I CF) e
Imposto extraordinário de guerra (IEG).
24 Noções de Direito

COMPETÊNCIA IMPOSTO

Estaduais (estados e DF) Imposto sobre a Transmissão Causa


Mortis e Doação (ITCMD); Imposto
sobre Circulação de Mercadorias.
Incide também sobre o transporte
interestadual e intermunicipal e telefonia
(ICMS) e Imposto sobre a Propriedade
de Veículos Automotores (IPVA).
Municipais (municípios e DF) Imposto sobre a Propriedade Predial
e Territorial Urbana (IPTU), Imposto
Sobre Serviços (ISS), Imposto sobre
Transmissão de Bens Inter Vivos (ITBI).

Taxas
As taxas são uma espécie de tributo que diferentemente dos
impostos, sua incidência ou fato gerador são vinculadas a uma atividade
específica do Estado. Elas serão exigidas em duas situações: em razão
do exercício do poder de polícia ou pela utilização de serviços públicos
específicos e divisíveis.
Ao contrário do que muitos pensam, a taxa de polícia não possui
relação com a atividade cotidiana dos policiais, mas sim com atos de
regularização e fiscalização da administração pública. São exemplos de
taxas de polícia as taxas cobradas para emissão de alvarás, de controle
de fiscalização ambiental e de serviços de cartório, por exemplo.
As taxas de serviço, por sua vez, são aquelas que decorrem da
prestação de um serviço público específico e divisível. É um exemplo de
taxa de serviço a taxa de limpeza pública.
Deverá contribuir com a taxa a pessoa que provocar a atuação do
Estado – no caso do poder de polícia – ou a pessoa que utilizar de algum
serviço público do Estado.
Noções de Direito 25

SAIBA MAIS:

Você sabe a diferença entre taxa e tarifa? Sugerimos o acesso


desse material para aprimorar seus conhecimentos. “Taxa x
Preço Público” disponível em: https://bit.ly/2ApFu7G . Acesso
em 30 de mar. 2020.

Contribuição de melhoria
A contribuição de melhoria é classificada como um tributo
democrático e participativo e consiste em um tributo derivado da
valorização de imóveis causada por uma obra pública. É importante que
você saiba que não basta a execução da obra pública, mas que dessa
obra o valor venal do imóvel seja aumentado. Você encontra a definição
legal da contribuição de melhoria no art. 81 da Constituição Federal
(BRASIL, 1988).
A contribuição de melhoria não se confunde com imposto, pois a
contribuição de melhoria depende de uma atuação específica do Estado
(a execução da obra pública), enquanto o imposto, conforme já vimos, é
independente de qualquer ato do Estado.
A contribuição de melhoria também não se confunde com a taxa,
pois, enquanto a taxa é vinculada ao exercício regular do poder de polícia
ou a um serviço público, a contribuição de melhoria está vinculada à
realização de obra pública e à valorização do valor venal do imóvel.

Empréstimos compulsórios
Os empréstimos compulsórios estão previstos no art. 148 da
Constituição (BRASIL, 1988) e têm por objetivo custear as despesas
extraordinárias decorrentes de calamidades públicas, da iminência ou
situação de guerra ou ainda em caso de investimento extraordinário que
possua relevante interesse nacional. Somente a União poderá instituir
essa espécie de tributo, por meio de lei complementar específica.
É importante destacar que, nessa modalidade de tributo, por se
tratar de um empréstimo, o Estado deverá restituir aos contribuintes os
recursos captados e a aplicação do dinheiro arrecadado deverá estar
vinculada à despesa que o originou. O empréstimo compulsório não
26 Noções de Direito

baseia-se em um acordo de vontades entre o contribuinte e o fisco e é


considerado um fenômeno obrigatório.

Contribuições especiais
As contribuições especiais, também chamadas de contribuições
parafiscais são aquelas destinadas ao financiamento de gastos
específicos de intervenção do Estado no campo social e econômico
e dividem-se em: sociais, de intervenção no domínio econômico e do
interesse de categorias profissionais ou econômicas.

Figura 6: Contribuição Especial

Fonte: Pixabay

As contribuições especiais sociais encontram-se disciplinadas


nos arts. 149 e 195 da Constituição Federal e possuem função de custear
o orçamento da seguridade social. São exemplos: Contribuição para
Financiamento da Seguridade Social (COFINS); Contribuição Social
Sobre o Lucro Líquido (CSLL); PIS/PASEP; CPMF, FGTS, Salário Educação
etc. O ente responsável pela instituição das contribuições especiais é a
União, porém caberá ao INSS a fiscalização e arrecadação deste tributo.
A contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE)
é um instrumento de intervenção na economia e possui função de
corrigir distorções em setores da atividade econômica. Um exemplo é
a CIDE dos combustíveis, cujos recursos arrecadados são destinados
Noções de Direito 27

ao financiamento de projetos ambientais, programa de infraestrutura de


transporte e subsídios para os preços do combustível.
Por sua vez, as contribuições profissionais ou corporativas são
aquelas destinadas à manutenção das entidades associativas, com o fim
de fomentar os serviços prestados nessas entidades. São exemplos de
contribuições profissionais o Sistema S, OAB, CRM e CRF, entre outros.
Configura contribuição especial a contribuição para o custeio
de iluminação pública, criada pela Emenda Constitucional nº 39 de
2002 (BRASIL, 2002, on-line). Essa contribuição é fruto de um apelo
dos poderes executivos municipais ao STF após a extinção da taxa de
iluminação pública (Súmula 670 do STF).
Quando se trata de contribuições, é importante mencionarmos a
Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira, a famosa CPMF.
A CPMF consiste em uma contribuição social, de competência tributária
da União, instituída por meio da Emenda Constitucional 12/1996 que na
data que entrou em vigor, seu prazo de vigência seria de 24 (vinte e
quatro) meses. A receita arrecadada com tal contribuição era destinada
ao Fundo Nacional de Saúde.
Ao longo do tempo, a CPMF foi sendo prorrogada e teve suas
alíquotas e bases de cálculo modificadas de modo que seu procedimento
é bastante conhecido por estudiosos dessa ciência por envolver, ao
longo desses processos, diversas declarações de inconstitucionalidade
pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A CPMF desde seu surgimento e ao longo de toda sua história
foi um tributo cuja constitucionalidade foi duvidosa, tendo em vista sua
instituição temporária e o caráter permanente que fora adquirindo ao
longo dos anos.
A CPMF vigorou no Brasil até o ano de 2007, até que o Plenário do
Senado Federal rejeitou uma nova proposta de prorrogação do referido
tributo, de modo que a não cobrança da referida taxa ensejou em uma
perda para os cofres públicos de aproximadamente R$ 40 milhões e um
ganho para o contribuinte, que não mais precisou de pagá-la.
Existe um projeto do governo federal que pretende recriar a
contribuição sobre o mesmo fato gerador nos moldes da CPMF, com
28 Noções de Direito

o fim de devolver aos cofres públicos tal desfalque causado pela


suspensão da cobrança do referido tributo.
Quer se aprofundar neste tema? A seguir um excelente vídeo da
Advocacia Geral da União (AGU) sobre o que aprendemos neste capítulo:
Vídeo: “AGU Explica - Imposto e tributo”. Acessível pelo link: https://bit.
ly/3axdigB.

RESUMINDO:

E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo


tudinho? Agora, só para termos certeza de que você
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos
resumir tudo o que vimos. Iniciamos a unidade aprendendo
sobre o sistema tributário nacional, estabelecendo um
conceito para tributo e conhecendo as espécies de tributos
existentes no Brasil. Nesse ínterim você aprendeu que tributo
prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor
nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito,
instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa
plenamente vinculada e a diferença entre tributo e sanção.
Também trabalhamos juntos as cinco espécies de tributos,
os impostos, as taxas, as contribuições de melhoria, os
empréstimos compulsórios e as contribuições parafiscais.
Quanto aos impostos, aprendemos sobre os impostos em
espécie, a diferença entre taxa de polícia e taxa de serviço
bem como a polêmica CMPF.
Noções de Direito 29

INTRODUÇÃO:

Ao término deste capítulo você será capaz de conhecer


como funciona o sistema tributário brasileiro, quem são
os componentes dessa relação jurídica e de forma ela se
constitui e desenvolve. E então? Motivado para desenvolver
esta competência? Então vamos lá. Avante!

A relação jurídico-tributária consiste na relação que se inicia


com a hipótese de incidência do tributo até a constituição do crédito
tributário. São as etapas que englobam desde o surgimento do tributo
até a cobrança ao contribuinte.

Surgimento do crédito tributário


Aqui, como forma de trazer essa explicação de uma maneira mais
didática, adotaremos o esquema de linha do tempo e explicaremos cada
uma dessas etapas mais detalhadamente (SABBAG, 2015). Dessa forma,
um tributo hoje para ser cobrado no Brasil deve respeitar as seguintes
etapas:

Figura 7: Esquema da constituição de crédito tributário

Hipótese de
incidência

Crédito Fato
Tributário gerador

Obrigação
Tributária
Fonte: A autora

Hipótese de incidência
A hipótese de incidência consiste em algo abstrato, previsto na
lei, que é capaz de configurar a relação jurídica-tributária. A hipótese de
incidência é a abstração legal de um fato, ou seja, é situação descrita
30 Noções de Direito

na lei cuja previsão é abstrata, portanto uma “hipótese”, que poderá vir a
ocorrer no mundo dos fatos, e que, ao ser realizada, se constituirá como
um fato gerador. O professor Sabbag (2015, p. 672) define: “hipótese de
incidência é a situação descrita em lei, recortada pelo legislador entre
inúmeros fatos do mundo fenomênico, a qual, uma vez concretizada no
fato gerador, enseja o surgimento da obrigação principal (…)”.
Uma vez caracterizada a hipótese de incidência, podemos dizer
que há o nascimento da relação tributária.
Exemplo: Constitui hipótese de incidência a previsão pela
legislação tributária que caso determinada pessoa X venha a infringir a
lei X, sofrerá a sanção descrita nessa lei em comento.

Fato gerador
O fato gerador, por sua vez, consiste na materialização da hipótese
de incidência perante uma situação concreta. Uma vez realizada a
hipótese de incidência podemos dizer que houve o fato gerador do
tributo.
Conforme se extrai da inteligência do artigo 118 do CTN, pouco
importa para o fato gerador a natureza do objeto dos atos praticados ou
os efeitos de tais atos, podendo ser tributados atos nulos e ilícitos bem
como objetos ilícitos, conforme aprendemos pelo princípio da pecúnia
non olet.
Figura 7: Fato gerador

Fonte: Freepik
Noções de Direito 31

EXEMPLO: Existe imposto sobre a renda de um traficante de


drogas, de um imóvel em nome de um recém-nascido ou até mesmo
sob uma carga de produtos falsificados, bastando como o fato gerador a
renda (IR), o imóvel (IPTU) e o transporte de carga (ICMS).

Obrigação tributária
A obrigação tributária é composta por quatro elementos: sujeito
ativo, sujeito passivo, objeto e causa.
O sujeito ativo da relação tributária é a pessoa jurídica de direito
público titular da competência para exigir o cumprimento da obrigação
(art. 119 CTN). Os sujeitos ativos podem ser diretos, entendidas por
aquelas que tem o poder de instituir e cobrar o tributo ou indiretas,
que são aquelas que possuem poderes somente de arrecadação e
fiscalização do tributo, como exemplo o CREA, CRC, etc.

Figura 8: Sujeito ativo tributário é aquele que exige o cumprimento da obrigação

Fonte: Freepik

O sujeito passivo da relação tributária é composto pelo devedor


da obrigação, representado pelos entes destinatários da invasão
patrimonial ocasionada pela retirada compulsória de valores a título de
32 Noções de Direito

pagamento dos tributos (SABBAG, 2015). Os sujeitos passivos podem ser


direitos, constituídos pelos contribuintes, pessoas com relação direta
com o fato gerador ou podem ser indiretos, formado pelas pessoas que
são escolhidas pela lei para pagar o tributo, mesmo que não realizem o
fato gerador.
Figura 9: Sujeito passivo é o contribuinte

Fonte: Freepik

O objeto da obrigação tributária consiste na prestação que deve


ser adimplida pelo sujeito passivo (contribuinte) ou seu responsável. Tal
prestação pode ser pecuniária ou não pecuniária. Note que aqui não
estamos tratando do objeto de tributo, mas sim da obrigação tributária,
lembrando que o tributo admite somente pagamento em pecúnia.
Figura 10: Objeto tributário

Fonte: Freepik
Noções de Direito 33

A obrigação principal consiste na prestação de pagar (obrigação


de dar) o tributo ou multa com viés de patrimonialidade. A obrigação
é principal ocorre quando o contribuinte deve realizar o pagamento
de tributo ou penalidade pecuniária (multa em dinheiro). A obrigação
tributária irá surgir sempre que ocorrer um fato gerador e será extinta
junto com o crédito tributário que a ela deu origem decorrente (artigo
113, § 1, do CTN).
A obrigação principal somente se extinguirá com o pagamento
(recolhimento) do valor integral devido. Se for recolhido parcialmente,
via de regra não se considera extinto.
A obrigação acessória, por sua vez, consiste em atos de fazer
ou não fazer procedimentos derivados da própria obrigação tributária,
classificados como deveres instrumentais do contribuinte.
A obrigação é acessória quando, por força de lei, tem por objeto
as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da
arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (artigo 113, § 2, do CTN)
(BRASIL, 1966).
EXEMPLO: São exemplos de obrigações acessórias os atos de
emitir notas fiscais, escriturar livros fiscais (artigo 200 do CTN).
A causa, tipificada entre os artigos 114 e 115 do CTN consiste no
elo que liga o sujeito ativo ao sujeito passivo. A causa tributária, pelo
princípio da legalidade, surge somente por meio de lei tributária.

Crédito tributário
O crédito tributário consiste no momento da linha do tempo em
que o tributo passa a ser exigido na relação jurídico-tributária. Dizemos
que o crédito tributário surge com o lançamento tributário (142 CTN).

DEFINIÇÃO:

O lançamento tributário é o ato formal de cobrança através da


emissão de um documento que dá vida à cobrança do tributo
através da prática do fato gerador.
34 Noções de Direito

Dizemos que o fato gerador cria obrigações ex nunc, ou seja,


obrigações daquele momento em diante, de forma que a partir do
momento em que se concretiza o fato gerador, o tributo encontra-se
pronto para ser cobrado.
A legislação brasileira admite que o lançamento de um tributo
seja realizado de três formas: direto, misto ou por homologação.
O lançamento direto é aquele em que o fisco, uma vez com
acesso a dados do contribuinte, realiza o lançamento do tributo sem
que haja necessidade de auxílio do contribuinte. É o que acontece nos
casos de cobrança de IPTU, taxas e contribuições de melhoria, em
que os próprios dados do objeto da obrigação são suficientes para o
lançamento do tributo.
O lançamento misto ou por declaração é aquele em que o Fisco
depende do auxílio parcial do contribuinte, pois não dispõe de todos
os dados para a realização do lançamento. É o caso dos impostos
de importação e importação, em que o contribuinte precisa prestar
informações para que o fisco realize a cobrança devida.
Já o lançamento por homologação, também chamado de
autolançamento é aquele que ocorre quando o contribuinte contribui
efetivamente com a atividade de lançamento do tributo cabendo ao
fisco somente a homologação, ou seja, a conferência do lançamento.
Um grande exemplo é o lançamento do Imposto de Renda e nos demais
tributos que possuem um maior volume de arrecadação.

Figura 11: Lançamento por homologação

Fonte: Freepik
Noções de Direito 35

Extinção do crédito tributário


A extinção do crédito tributário consiste no marco final da relação
jurídico-tributária, que pode ser dar por várias maneiras, conforme
previsão expressa do artigo 156 do CTN, senão vejamos:
Art. 156. Extinguem o crédito tributário:
I - o pagamento;
II - a compensação;
III - a transação;
IV - remissão;
V - a prescrição e a decadência;
VI - a conversão de depósito em renda;
VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento
nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º;
VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto
no § 2º do artigo 164;
IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida
a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser
objeto de ação anulatória;
X - a decisão judicial passada em julgado.
XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e
condições estabelecidas em lei.
(BRASIL, 1966, art. 156)
O pagamento consiste na hipótese mais comum de extinção
do crédito tributário, disciplinada nos artigos 157 a 169 do CTN. A
dação em pagamento consiste em uma forma indireta de extinção e
uma modalidade de pagamento. Enquanto o pagamento consiste na
prestação pecuniária, a dação ocorre em casos previstos pela lei em
que se admite a entrega do bem em substituição da dívida.
36 Noções de Direito

Figura 12: Pagamento

Fonte: Freepik

A compensação tributária encontra-se prevista nos artigos 170


e 170-A do CTN e consiste em uma modalidade indireta de pagamento
em que o contribuinte compensa um crédito que por ventura possua
com a Fazenda Pública com o pagamento de tributos.
A transação, por sua vez, consiste em uma forma de extinção
do crédito tributário prevista no artigo 171 do CTN em que as partes,
através de um acordo, põem fim ao litígio, utilizando-se de concessões,
vantagens e ônus recíprocos. Um exemplo de concessão recíproca é o
desconto no pagamento em parcela única do IPTU.
A remissão trata-se de uma hipótese de extinção do crédito
prevista no artigo 172 CTN em que o fisco, por meio de uma liberação
graciosa, perdoa a dívida do contribuinte. É preciso, para que haja a
remissão, que ocorra algumas das hipóteses previstas no artigo.
A prescrição e decadência ocorrem quando o fisco deixa de
realizar o lançamento do crédito tributário dentro do prazo previsto na
lei. Ao contrário das hipóteses acima elencadas, não trata-se de uma
forma indireta de pagamento, mas sim da perda da possibilidade de
cobrar o tributo.
A conversão do depósito em renda trata-se da hipótese de
extinção do crédito tributário que ocorre nos casos em que o contribuinte
realiza o pagamento do tributo porém o contesta administrativamente e
no fim possui decisão favorável a si, de modo que esse valor depositado
se converte em renda.
O pagamento antecipado e a homologação do lançamento é
uma hipótese de extinção do crédito tributário exclusiva dos tributos cujo
o lançamento seja por homologação, pois o pagamento se dá baseado
na apuração feita pelo próprio contribuinte. Após o prazo de 5 (cinco)
anos, caso o fisco não se manifesta acerca da irregularidade, haverá a
homologação tácita e portanto haverá a perda do direito de lança-lo.
Noções de Direito 37

A consignação em pagamento é a forma de extinção do tributo


que ocorre no seguinte caso: o contribuinte não concorda com o
lançamento do tributo e requer questioná-lo judicialmente. Dessa forma,
terá que fazer o depósito do pagamento em juízo, a consignação em
pagamento e ao final, se julgada procedente a ação, tal valor converte-
se em renda ao contribuinte.
A decisão administrativa irreformável é aquela favorável ao
contribuinte que extingue a cobrança do crédito, podendo ser objetivo
de discussão judicial. A decisão passada em julgado, por sua vez,
consiste no último pronunciamento de autoridade julgadora, de modo
que nem a lei poderá prejudica-la.

SAIBA MAIS:

Quer se aprofundar neste tema? A seguir um excelente


exemplo sobre o que aprendemos neste capítulo: Artigo:
“TJ-SP isenta atleta de tiro de pagar ICMS em importação de
munição”. Acessível pelo link: https://bit.ly/2w6htky.

RESUMINDO:

E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo


tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente
entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir
tudo o que vimos. Nesse capítulo aprendemos sobre a relação
jurídico tributária, aquela estabelecida entre o ente tributante
(Fisco) e o contribuinte. Trabalhamos conceitos que envolvem
desde o surgimento do crédito tributário até sua extinção. Em
relação ao surgimento do crédito tributário, aprendemos o
que é a hipótese de incidência, o fato gerador, a obrigação
tributária (composta pelo sujeito ativo, sujeito passivo, objeto
e causa) e o crédito tributário, aquele que surge a partir do
lançamento tributário, documento que materializa a cobrança
do tributo. Aprendemos também as hipóteses de extinção
do crédito tributário: pagamento, compensação, transação,
remissão, prescrição e decadência, entre outras.
38 Noções de Direito

Direitos Sociais
INTRODUÇÃO:

Ao término deste capítulo você será capaz de conhecer


os direitos sociais presentes na Constituição de 1988, suas
garantias e previsões bem como seus desdobramentos. E
então? Motivado para desenvolver esta competência? Então
vamos lá. Avante!

Direitos Sociais na Constituição


Os direitos sociais encontram-se previstos no artigo 6º da
Constituição Federal, sendo eles “educação, a saúde, a alimentação, o
trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência
social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos
desamparados” (BRASIL, 1988).
Tais garantias previstas no artigo 6º são consideradas um
desdobramento do Estado Social de Direito, derivado do Estado
Democrático de Direito. Segundo lições de José Afonso da Silva, os
direitos sociais “disciplinam situações subjetivas pessoais ou grupais
de caráter concreto”, de modo que buscam melhores e adequadas
condições de vida aos cidadãos, fazendo parte dos próprios fundamentos
da República (SILVA, 2019).
A seguir, trataremos de forma pormenorizada de cada um desses
direitos, vamos aprender mais um pouco?
O direito à educação consiste em um direito de todos e um
dever que deve ser prestado pelo Estado e pela família. Conforme os
ditames constitucionais, a educação deve ser promovida e incentivada
com a colaboração da sociedade, de modo a promover o pleno
desenvolvimento do indivíduo e prepara-lo para o exercício da cidadania
e para o mercado de trabalho.
Noções de Direito 39

Figura 13: Direito à educação

Fonte: Freepik

O direito à saúde, por sua vez, deve ser garantido pelo Estado
através de políticas sociais e econômicas que visem a redução de risco
de doenças e outros problemas de ordem da saúde de forma universal,
além de promover a fiscalização e controle de doenças (SILVA, 2019).
O Sistema Único de Saúde (SUS) existente no Brasil é um dos
exemplos da prestação do direito à saúde, que apesar de muito criticado
devido à falta orçamento, é o responsável por manter vivo inúmeros
brasileiros, bem como por prevenir doenças através do oferecimento de
vacinas, preservativos e tratamentos gratuitos, por exemplo.
Figura 14: Direito à saúde e o SUS

Fonte: Wikimédia
40 Noções de Direito

VOCÊ SABIA?

Segundo um levantamento do The New York Times, em 2012


o custo mediano de ambulância por viagem de paciente
nos EUA estava entre US$ 224 (R$ 1.030,00) e US$ 2.204 (R$
10.138,40). No Brasil, o serviço é oferecido de maneira gratuita
pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU),
criado em 2004.

O Direito à alimentação foi reconhecido como um direito


fundamental em 1993 pela Comissão de Direitos Humanos da ONU.
O direito à alimentação foi introduzido como um direito social no
ordenamento jurídico brasileiro em 2010, por meio da Emenda
Constitucional 64/2010, mas já havia previsão desde 2006, com a criação
do sistema de segurança alimentar e nutricional, o SISAN (SILVA, 2019).
A garantia do direito à alimentação refere-se a uma alimentação
adequada e nutritiva, devendo o poder público não medir esforços e
adotar medidas e ações para que promovam e garantam a segurança
alimentar e nutricional da população brasileira.

VOCÊ SABIA?

O programa Fome Zero (2003) e o Programa Comunidade


Solidária (1995) foram programas criados com o fim de
combater a fome no Brasil. No ano de 2003 estimavam-se
que haviam no Brasil cerca de 44 (quarenta e quatro) milhões
de pessoas ameaçadas de passar fome e hoje esse número,
segundo dados do IBGE, chega a 5 milhões. Além disso,
você encontra mais informações sobre esse direito no portal
do governo federal sobre a política nacional de alimentação,
disponível através desse endereço: https://bit.ly/2JwaeVW.

O direito ao trabalho, também classificado como um direito


social, é um instrumento importante na implementação de condições
dignas de trabalho dentro do território brasileiro. O Estado, por meio
desta garantia, deve incentivar políticas públicas que valorize o trabalho
Noções de Direito 41

humano e incentive a livre iniciativa, de modo a evitar políticas recessivas


que prejudiquem empregos plenos.

Figura 15: A proteção dos direitos do trabalhador é um direito social.

Fonte: Wikipedia

VOCÊ SABIA?

No Brasil, segundo dados de 2018, fiscais do Ministério do


Trabalho identificaram 1,7 mil pessoas que trabalhavam em
condições análogas à escravidão, dá pra acreditar?

O Direito à moradia consiste em uma importante ferramenta de


assistência social, que entrou em vigor no direito brasileiro somente no
ano 2000. Apesar de sua entrada tardia na Constituição como direito
social expresso, já havia previsão no artigo 23, IX de que todos os entes
federativos possuíam competência administrativa para “promover
programas de construção de moradias e a melhoria das condições
habitacionais e de saneamento básico” (BRASIL, 1998).
EXEMPLO: São exemplos políticas públicas que fomentam o
direito à moradia a criação de programas nacionais para habitação, como
o Minha Casa Minha Vida, ações organizadas e cuidadosas voltadas ao
resgate de moradores de rua, à erradicação de favelas e de habitações
em áreas de risco.
42 Noções de Direito

Figura 16: Direito à moradia – Programa Minha Casa, Minha Vida

Fonte: Wikipédia

O direito ao transporte está diretamente ligado ao direito de ir e


vir das pessoas e consiste em um direito-meio para vários outros direitos
sociais, como o transporte realizado por algum cidadão para ir a um
hospital, à escola, ao trabalho e até mesmo para sua casa.
O transporte público, portanto, ocupa uma função social e por
muitas vezes é o único meio que o cidadão dispõe para se locomover.
Mesmo sendo o único meio encontrado por muitas pessoas, em muitas
cidades do Brasil é comum que o transporte público seja extremamente
escasso e mal equipado, de forma que idosos, crianças e pessoas com
deficiência tenham que se sujeitar a situações extremas para ter acesso
aos demais serviços públicos.
O direito ao lazer possui natureza social e está diretamente
relacionado com a qualidade de vida do cidadão, devendo o Estado
proporcionar ao cidadão locais tranquilos, adequados, seguros para que
o cidadão possa manter sua saúde mental bem, ter uma relação com
o meio ambiente de modo a proporcionar um estado de bem estar à
população.
Noções de Direito 43

O direito à previdência social é um conjunto de direitos


relacionados com a seguridade social, ou seja, um seguro em que o
trabalhador participa através de contribuições mensais. O benefício
dessas contribuições mensais é a garantia de renda quando o
trabalhador não puder mais trabalhar, de modo que ele ainda terá um
meio de sobrevivência.

Figura 17: Previdência Social

Wikimédia

Além de proteger o trabalhador por meio da aposentadoria,


a previdência social também protege os trabalhadores mediante a
ocorrência de outras situações, como doença, invalidez e gravidez,
por exemplo. Importante salientar que a seguridade social não fornece
somente aposentadorias, mas também auxílios, salários e pensões.
As contribuições prestadas pelos trabalhadores ativos servem
como subsídio para o custeio das aposentadorias dos trabalhadores
inativos. Considerando que o número de beneficiários totais – RGPS
e benefícios assistenciais – saltou de 18,8 milhões em 1999 para 35,1
milhões em 2018, foram realizadas alterações nas regras da previdência
social, com o condão de assegurar a proteção efetiva a todos os
cidadãos.
A assistência dos desamparados consiste em direito social que
será prestado a quem necessitar, independentemente de contribuição
à seguridade social.
44 Noções de Direito

Além de estabelecer que todos os necessitados deverão ser


amparados pelo Estado, tal direito também determina que devem ser
adotadas ações governamentais na área da assistência social financiadas
por recursos provenientes do orçamento da seguridade social.

A família, a criança, o adolescente e o


idoso na Constituição
Neste tópico, trataremos dos grupos tratados com prioridade pela
Constituição, tendo em vista suas vulnerabilidades e especificidades.

Família
A família, conforme determinação Constitucional, é a base da
sociedade e terá proteção do Estado (art. 226 da CF). O conceito de família
foi ampliado pela constituição de 1988, passando a ser reconhecida
como entidade familiar a união estável bem como reconhecendo como
legítimos os filhos havidos fora do casamento.
Além disso, a Constituição Federal de 1988 também passou a
reconhecer como entidade familiar a família monoparental, que é aquela
formada por qualquer um dos pais e seus descendentes.

Figura 18: Família monoparental

Fonte: Freepik
Noções de Direito 45

Outro reconhecimento importante trazido pela evolução legislativa


relativa as famílias é a família socioafetiva, que é aquela formada por
laços de afeto, podendo ser composta por pessoas da mesma família
(tia com sobrinhos, irmãos...) ou não.
Não podemos deixar de ressaltar, no que concerne à família,
o reconhecimento das uniões homoafetivas no Brasil, que passou a
considerar os integrantes da união como uma entidade familiar, em
analogia à União estável.
As proteções constitucionais relativas a família estão presentes
na legislação esparsa, utilizada como instrumento para a efetivação da
determinação constitucional. Tais proteções encontram-se presentes na
Lei Maria da Penha, no Código Civil, no Código de Processo Civil, no
Estatuto da Criança e do Adolescente, entre outros.

Criança, adolescente e jovem


A Constituição de 1988 trouxe grandes avanços relacionados com
a proteção da criança e do adolescente ao fixar uma gama de direitos e
garantias fundamentais.
Após a promulgação da Constituição de 1988 sentiu-se uma
grande necessidade de considerar como vulnerável o grupo de pessoas
que se encaixavam na classificação de jovens, tendo em vista o tamanho
desse grupo populacional e as vulnerabilidades relacionadas com a
transição para a fase adulta.
Por esse motivo, foi promulgada a Emenda Constitucional
65/2010 que passou incentivar ações em relação à proteção específica
dos jovens na transição da adolescência para a vida adulta, fase marcada
por dificuldades e incertezas.

Figura 19: Jovens

Fonte: Freepik
46 Noções de Direito

A proteção das crianças e dos adolescentes, por sua vez, já


encontrava-se prevista na Constituição de 1988 desde sua promulgação,
reforçada pela Convenção sobre os Direitos da Criança realizada pela
ONU e o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90). Conforme
determinação constitucional:
Art. 227 É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à
criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à
vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização,
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e
comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
(BRASIL, 1988, art. 227)
Além do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90),
existem previsões na legislação ordinária que possuem o condão de
efetivar as políticas públicas de proteção à criança e ao adolescente,
como por exemplo a Lei de Alienação Parental (Lei 12.318/2010), a Lei
Nacional de Adoção (Lei 12.010/2009), entre outras.

Idoso
Ainda sobre o viés protecionista e baseado nos princípios da
solidariedade e da proteção, é dever da família e do Estado promover
a proteção e o amparo de pessoas idosas, de modo a permitir sua
participação na sociedade bem como assegurar seu bem-estar, sua
dignidade e sua vida (art. 230 CF).
A Lei 8.824/94 (Política Nacional do Idoso) e o Estatuto do Idoso
(Lei 10.741/2003) constituem importantes mecanismos de proteção as
pessoas idosas. É considerado idoso toda pessoa maior de 60 (sessenta)
anos, sendo assegurada prioridade especial aos maiores de 80 (oitenta)
anos.

SAIBA MAIS:

Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso


à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Vídeo:
“Sistema de saúde no Brasil | Coluna #43” acessível pelo link:
https://bit.ly/3dOgQx9.
Noções de Direito 47

RESUMINDO:

E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo


tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente
entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir
tudo o que vimos. Encerramos nosso quarto e último capítulo
tratando dos direitos sociais presentes na constituição, mais
precisamente os presentes no artigo 6o, sendo eles o direito
educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o
transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção
à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados.
Ao longo do detalhamento desses direitos pudemos ver
exemplos práticos de políticas públicas já implementadas
no Brasil que buscam sua efetivação. Por fim, tratamos dos
grupos tratados com prioridade pela Constituição, tendo
em vista suas vulnerabilidades e especificidades, que são a
família, a criança, o adolescente e o idoso.
48 Noções de Direito

BIBLIOGRAFIA
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil
de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ Constituiçao.htm. Acesso em: 03
mar. 2020.

______ . Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Institui o Código Tributário


Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 27 out. 1966.
Disponível em:<http://www.planalto.gov.br>. Acesso em 03 mar. 2020.

SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2015.

SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 42. ed. São
Paulo: Malheiros, 2019.
Noções de Direito 49
Camila Coelho Moreira

Noções de
Direito